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NO FIM DAS CONTAS, O “OCUPA CABRAL” TINHA RAZÃO

RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 29-07-2013: Manifestantes acampam em frente ao prédio done mora o goverandor do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no bairro do Leblon  no Rio de Janeiro (RJ). (Foto: Bruno Poppe/Frame/Folhapress)

QUASE CINCO ANOS separam o primeiro “Ocupa Cabral” da decisão que condenou  “o grande fiador da corrupção” a 45 anos de prisão nesta quinta (21). O Ocupa Cabral foi uma das maiores ocupações realizadas na cidade,  antecipando os movimentos de junho de 2013.

A segunda condenação do ex-governador teve tom de redenção para o grupo de jovens que, entre o final de 2012 e o meio de 2013, acampou em frente ao prédio do ex-governador no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. Cabral foi condenado por organizar um esquema de cartel, fraude de licitações e desvio de recursos federais usados na construção e reforma de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014. Na primeira condenação, expedida pelo juiz Sérgio Moro, em junho, a pena foi de 14 anos e dois meses, por corrupção passiva e por receber propina na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

O objetivo da ocupação era expor as negociatas de Cabral no período pré-Copa do Mundo e forçá-lo a ouvir as demandas da população das favelas da cidade, dando destaque à família de Amarildo Dias de Souza, morto pela polícia do estado em 2013.

Conversamos com dois dos ativistas que participaram do movimento sobre a sensação que cada um teve ao saber da condenação e como eles encaram o valor (já) histórico da manifestação.

Os estudantes Luiza Dreyer, 26, e Bruno Cintra, 34, fizeram parte do grupo que sofreu infiltrações e tentativas de tomada de voz por movimentos de direita, a polícia os ameaçou e prendeu, a mídia os perseguiu. Agora, a Justiça dá a razão a eles.

Refletindo o caráter horizontal do movimento — à época, foram questionados inúmeras vezes sobre quem seria a liderança, que não havia—, cada um tem um relato e uma interpretação diferente sobre o que o Ocupa representou no contexto desta condenação.

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Parte dos ativistas acampados em frente ao prédio do ex-governador, em julho de 2013.

Foto: Reprodução/ Facebook

Luiza: “Estávamos ali trabalhando e tínhamos um objetivo.”

A carioca Luiza Dreyer foi privada do acesso a sua família, virou foragida, teve amigos presos. Ela conta que a polícia entrou em sua casa mais de uma vez e que seus pertences foram confiscados. Até hoje luta para recuperar HDs e memórias de computador com trabalhos, fotos e dados acumulados por 15 anos. E, se hoje seu pai a olha com orgulho e reconhece sua luta, não foi sempre assim:

“Fico muito feliz com a condenação dele, e não é por uma questão pessoal, mas por um dado de luta: as mobilizações populares têm poder. Estávamos ali trabalhando e tínhamos um objetivo. Nossa pauta era: FORA CABRAL.

Só que, ao longo da ocupação, fomos recebendo muitas denúncias, foram surgindo novas pautas, como a da Aldeia Maracanã, do Amarildo, dos Bombeiros, da Escola Municipal Friedenreich que estava para ser demolida para dar espaço à um estacionamento — a mesma escola que mais tarde veio a conquistar o melhor índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB) das escolas públicas do Rio.

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Ativistas praticantes de Black Bloc auxiliaram no processo de ocupação, setembro de 2013.

Foto: Reprodução/ Facebook

Conseguir unir tantas pautas, colocar diferentes classes sociais frente a frente numa assembleia popular debatendo em um dos metros quadrados mais caros do Brasil foi uma das nossas grandes conquistas e uma das maiores dificuldades dos movimentos sociais no mundo todo. Mesmo que o Cabral não fosse preso, já éramos vitoriosos.

No fim das contas, sabemos que Ocupa Cabral foi importante para a prisão. Não à toa houve o processo de criminalização dos manifestantes em 2013. Nossos amigos foram perseguidos, presos. Rafael Braga, por ser preto e favelado, ficou anos na cadeia quando seu único crime era “portar pinho sol”.

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Placas dispostas em torno do acampamento “Ocupa Cabral”, em julho de 2013.

Foto: Reprodução/Facebook

É surreal. É cruel. Tem mais de 30 páginas e mídias de internet que expuseram meu nome completo como foragida. Estava sendo acusada de crimes que nunca havia cometido e que não tinham provas para tal. Policiais armados entraram na minha casa , confiscaram meu computador com todas as minhas fotos, vídeos, trabalhos, meus livros, até meus diários de infância eles levaram e nunca mais me devolveram. Isso é crime. Foi uma ação ilegal, uma tentativa de silenciamento, terrorismo de Estado. As memórias que eles me roubaram, eu nunca terei de volta. Mesmo com todas essas perdas, eu não tenho dúvidas que valeu a pena. Os amigos que ocuparam juntos sabem da importância que aquilo teve. Foi um momento histórico. Eu tenho plena consciência da importância dessa ocupação e torço para que as pessoas se lembrem disso e deem prosseguimento, porque a luta tem que continuar.

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Reunião de retorno dos ativistas que ocupavam a Delfim Moreira, em frente ao prédio do ex-governador Sérgio Cabral, em julho de 2013.

Foto: Reprodução/Facebook

Bruno: “Que bom que chegou a tempo de eu assistir.”

Formado em Direito e estudante de história, Bruno Cintra participou do Ocupa Cabral principalmente como interlocutor com a imprensa. Por sua formação acadêmica, por ser um pouco mais velho que os demais e por ser fluente em inglês, ele lembra de ter sido o escolhido para falar com os jornalistas internacionais que visitavam o acampamento. Depois que o acampamento foi desmontado pela polícia, ele seguiu ativo em manifestações e ocupações. Mantém o envolvimento político até hoje, principalmente na faculdade. Diz que atualmente seu ativismo é na linha da educação, mas não acredita em um “Fora, Temer” que não envolva mudanças profundas no sistema político brasileiro.

“A gente tem recebido muitos elogios. Gente dizendo ‘meu filho, você estava lá, você estava certo, o Brasil agora está dando valor’. Eu continuo fazendo minha militância, eu nunca parei. Continuo dizendo as mesmíssimas coisas, mas sobre pessoas diferentes. Eu não gostaria de ter que esperar mais quatro anos para as pessoas virem me elogiar. Imagina: ‘poxa, lá em 2017 você estava certo, sobre o Pezão, sobre o Temer, sobre o Dória, sobre o Lula’. Não quero precisar esperar que o sistema faça essa depuração interna para que eu possa ter razão. Não quero elogio, quero ajuda.

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Morador do Leblon (com gorro vermelho) visitava a ocupação diariamente, julho de 2013.

Foto: Reprodução/Facebook

A Elisa [militante que ficou conhecida como Sininho] ficou famosa, e essa fama destruiu, arruinou ela. Quisera eu ser só mais um. Isso não é bom pro meu ego. Não é uma questão de ‘a ocupação levou à queda do Cabral’. Não. A ocupação, por ter atingido o Cabral, fez dele uma figura com menos margem de manobra do que outras, que se blindaram.

O acerto do Ocupa Cabral não foi algo de grande genialidade da minha parte. Não fui uma pessoa absolutamente torturada pela rotina ou pela polícia, como outros. Eu tinha uma margem de conforto, vi que era certo e aceitei as consequências. É uma coisa extremamente prosaica, não é uma coisa poética. E, quando o Cabral foi preso, eu não me senti no meio de uma revolução. Não estou dizendo que não senti prazer. Ele merece isso. Mas sei que não é o sistema que está sendo preso.

O fato é que o Cabral está sendo preso, e o Pezão não apenas está solto, mas também está conseguindo destruir o Rio de Janeiro. A diferença entre eles dois é sutilíssima. Não é como se o Pezão estivesse fazendo um governo diferente do que o Cabral faria. E isso é só um sinal de que o Cabral expirou o prazo de validade. Ele é um peso morto hoje. Ele era ministeriável, cogitado para vice-presidente da Dilma, estava alimentando ambições presidenciais. Mas hoje é peso morto.

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Manifestação do contra a repressão policial e a retirada truculenta, sem aviso prévio ou mandado dos manifestantes acampados na Av Delfim Moreira com Aristides Espínola.

Foto: Katja Schilirò

Seria muito custoso, um abuso do cinismo, tentar blindar ele. Ele se lambuzou demais. Porque o “erro” dele não foi cometer o crime, mas sim ter sido descoberto e não apresentar uma versão que se sustentasse, não ter alianças políticas que o garantissem.

Olha o Temer: ele amplia a margem de manobra da corrupção e dos sequestradores do poder porque ele tem um capital político que o protege e protege o PMDB e até o PSDB. O Temer que, em 2013, não estava na mira. Não tinha um “Ocupa Temer”.

Ele pode sobreviver à Lava Jato, ao processo de depuração interna da elite. É uma visão muito nítida que tenho da relação entre sujeito e conjunto que me deixa preparado para entender que, a qualquer momento, o Temer pode cair se ele se tornar um peso morto. Só não imagino que o Temer caia e o sistema cartorial de poder do Brasil caia junto com ele. A única surpresa em relação ao Cabral foi apenas na linha de ‘que bom que chegou a tempo de eu assistir’.”

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A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: E O AÉCIO?

BRASÍLIA, DF, BRASIL, 16h00 -  04.07.2017 - O senador Aécio Neves (PSDB-MG) no plenário de Senado Federal, em Brasília (SP). Depois de 48 dias longe do Congresso, o senador Aécio Neves reassumiu nesta terça-feira (4) a atividade parlamentar após decisão do ministro do STF, Marco Aurélio Mello. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

DELAÇÕES, INQUÉRITOS, denúncias, sentenças. A cada dia não param de surgir nomes de políticos envolvidos em escândalos nos quatro cantos do país. Com a divulgação da delação da JBS há quatro meses, um nome dado como certo para cair de vez nas garras da Justiça era o do senador e candidato derrotado à presidência em 2014, Aécio Neves (PSDB-MG). Gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono da empresa, ele chegou a ser afastado de suas funções parlamentares, mas retornou em julho. Agora, procura ser discreto, enquanto aguarda que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida por um pedido de prisão pendente, feito pela Procuradoria Geral da República (PGR). Ao todo, Aécio responde a nove inquéritos na Corte, mas segue incólume.

No STF, três dos nove procedimentos contra Aécio estão nas mãos do ministro Gilmar Mendes. Em abril deste ano, os dois tiveram uma conversa no telefone gravada pela Polícia Federal em que o senador pedia apoio ao magistrado para um projeto em tramitação no Congresso. Nada demais, porém, para um ministro que não se sente impedido de julgar processos de um empresário de ônibus do qual foi padrinho de casamento da filha.

Um dos inquéritos que caíram no colo de Gilmar Mendes é o 4444, que investiga Aécio por suposto recebimento de dinheiro ilegal da Odebrecht para sua derrotada campanha presidencial de 2014. O magistrado é também relator do inquérito  4244, que apura a participação do senador num suposto esquema de propina em Furnas, e do 4246, que averigua suposta atuação do parlamentar para maquiar dados da CPI dos Correios a fim de embaraçar a apuração do caso conhecido como “mensalão do PSDB“.

O caso mais emblemático, no entanto, é o que envolve a gravação, feita por Joesley Batista, em que Aécio pede R$ 2 milhões. Com a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello, o STF abriu o inquérito 4506. Os crimes investigados são corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Primo e irmã foram presos

No dia seguinte à gravação que encurralou Aécio, a PF prendeu Frederico Pacheco de Madeira, o primo que o senador escolheu para pegar as remessas de dinheiro da JBS. Fred é ex-diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e foi um dos coordenadores da campanha do tucano à Presidência em 2014. Na mesma operação, a irmã do senador, a jornalista Andrea Neves, também foi presa. Posteriormente, Fred e Andrea foram soltos para cumprir prisão domiciliar.

O grampo da JBS causou uma desidratação na popularidade de Aécio como há muito não se via na política brasileira. Pesquisa do Instituto Vox Populirevelou que o tucano baixou de 9% para mísero 1% de intenções de voto numa eventual candidatura à presidência. De lá pra cá, Aécio chegou a ter o mandato suspenso pelo STF, mas a decisão foi revertida. Logo em seguida, a PGR reforçou novamente o pedido de prisão, ainda sem previsão de entrar na pauta.

novo pedido de prisão contra Aécio, feito no final de julho pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é um recurso à decisão monocrática de Marco Aurélio, que negou a prisão do tucano em junho. O ministro pode rever sua decisão individualmente e determinar a prisão de Aécio. Se ele mantiver a decisão de não prendê-lo, o caso deverá ser julgado pela Primeira Turma, formada também por Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Alexandre de Moraes.

Ao reforçar o pedido de prisão, Janot anexou uma foto que havia sido postada nas redes sociais do tucano, no dia 30 de maio, na qual ele aparece em reunião com  os também senadores do PSDB Tasso Jereissati (CE), Antonio Anastasia (MG), José Serra (SP) e Cássio Cunha Lima (PB). Para o procurador-geral, a foto provava que o afastamento de Aécio do mandato não tinha sido suficiente para minimizar o risco de novos delitos e prejuízo às investigações.

Me reuni hoje com os senadores Tasso Jereissati, Anastasia, Cássio C. Lima e José Serra. Na pauta, votações no Congresso e agenda política.

Caso o pedido de prisão seja novamente negado, a procuradoria pode solicitar que o STF aplique medidas alternativas: monitoramento com tornozeleira eletrônica; impedimento de entrar no Congresso ou outra repartição pública; proibição de contato “de qualquer espécie” com investigados na Lava Jato e entrega do passaporte, para não deixar o Brasil.

Com a vida tumultuada, Aécio deixou a presidência do PSDB. Em seu lugar, assumiu o senador Tasso Jereissati (CE), que capitaneou, no início da crise política, a tentativa de deixar Temer a ver navios. O senador chegou a afirmar que a posição dos tucanos estava “cada vez mais clara“, no sentido de desembarque do governo, o que acabou não ocorrendo.

PSDB dividido

Enquanto Aécio mantinha uma afinidade político-ideológica com Temer, Jereissati demonstra que prefere manter o presidente à distância. “O PSDB continua metade governista, metade oposição, e isso não mudou”, avalia Daniel Coelho (PSDB-PE), um dos líderes da ala chamada de “cabeças-pretas”, segmento jovem tucano que defende o rompimento imediato com o governo.

A votação da primeira denúncia criminal contra Temer, realizada no início de agosto, mostra bem a divisão no ninho tucano da Câmara: dos 47 deputados, 22 votaram “sim”, para barrar a denúncia, e 21 votaram “não”, pelo prosseguimento. Outros quatro não compareceram à votação.

Para Coelho, essa cisão tem tudo a ver com a indecisão sobre o rompimento com o governo. “A divisão de grupos é praticamente do mesmo tamanho, então é muito difícil alguém se dar por vencido quando se tem numericamente uma bancada bem dividida em dois times, ao menos em relação a esse assunto”, analisa o deputado.

Discreto, mas nem tanto

No Senado, Aécio vem adotando uma posição mais discreta, longe dos holofotes. Nas redes sociais, o tucano agarra-se às reformas em discussão no parlamento para se manter presente no debate público brasileiro.

Dia sim, outro também, as redes sociais do congressista destacam a aprovação de alguns itens da reforma política, como a cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais, medidas que enfrentam enorme divergência e correm o risco de não serem aprovadas a tempo de começar a valer nas próximas eleições

O senador teve papel decisivo na decisão do partido de apoiar as reformas do PMDB, mesmo se mantendo formalmente fora do governo – um meio-termo entre a aliança total e o rompimento.

“Vamos continuar, independentemente de qualquer coisa, aprovando todos os projetos que são do interesse do país, como a reforma da Previdência, por exemplo, a reforma política, a reforma tributária, como fizemos até hoje. O que nós não precisamos é de cargos no governo para estar fazendo isso”, diz trecho da nota divulgada na época da reconciliação dos tucanos com o governo.

Expectativa para convenção  

Há uma expectativa no ninho tucano para a convenção nacional de dezembro, que escolherá o novo presidente da legenda.

A avaliação de um dirigente é que a eleição dará mais fôlego para o processo de escolha do tucano que concorrerá à presidência do Brasil em 2018. Na avaliação desse mesmo dirigente, o senador Aécio Neves não deve voltar a comandar tão cedo o partido, tampouco será candidato no ano que vem.

NÍVEL DA CARA DE PAU NO BRASIL SE SUPERA A CADA DIA E MERECE UM NOVO TERMO: A PÓS-MENTIRA

***ARQUIVO - 29.05.2014 - TEMER-DENÚNCIAS - O então vice-presidente Michel Temer e o deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) durante encontro do partido no restaurante Madalosso, em Curitiba, no ano de 2014. (Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Folhapress)

RECENTEMENTE, a humanidade criou um novo termo universal: a pós-verdade. Uma pós-verdade é algo falso ou imaginário, tratado como realidade. O México vai pagar por um muro na fronteira com os EUA, por exemplo. Agora, diante do ambiente político nacional, seria o caso de cunharmos um termo de sentido oposto: a pós-mentira. A pós-mentira se constituiria em algo real, mas tratado como falso ou imaginário.

Há vários exemplos do tipo na História recente do país, mas a prática de simplesmente negar os fatos provavelmente nunca esteve tão em voga quanto neste primeiro ano de governo Temer. E não seria exagero dizer que ela foi institucionalizada após as gravações do Conde com Joesley Batista. Não só por tudo o que o fatídico encontro escancarou, mas principalmente pela reação do nosso mandatário e dos brasileiros no geral.

No dia seguinte à reportagem que revelou o busílis, quando o presidente não-eleito apareceu em rede nacional de televisão, o país deu de barato que ele renunciaria. Até o coleguinha Ricardo Noblat, famoso por ter tido coragem de elogiar o físico de Temer, garantiu que seu ídolo não escaparia daquela vez. Mas, com um brilho acetinado de óleo de peroba a cobrir-lhe as faces, o Conde surpreendeu e disse que continuaria ali mesmo, como se nada de estranho tivesse acontecido.

“Sei da correção dos meus atos”

“Não temo nenhuma delação”, disse o homem que, tempos depois, teria de arquitetar um dos maiores toma-lá-dá-cás da história para livrar a própria pele na Câmara. “Sei o que fiz. Sei da correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para esclarecimento ao povo brasileiro”, disse.

Frente ao absurdo presidencial, as ruas, que no passado haviam se incendiado por causa das tenebrosas pedaladas de Dilma, continuaram livres para o trânsito do brasileiro trabalhador. Menos de um mês depois, Rodrigo Rocha Loures, assessor próximo do Conde, foi gravado em vídeo numa burlesca corridinha com uma mala recheada de R$ 500 mil, dinheiro de provável propina para o presidente. Comoção nacional, paneleiros em polvorosa, coxinhas e mortadelas juntos nas passeatas? Não, nada disso. Temer sapecou mais uma pós-mentira, garantindo que Rocha Loures não tinha nada de corrupto e o país continuou na sua anormalidade usual.

Um dos combustíveis das pós-verdades está no fato de elas serem especialmente saborosas: “o filho de Lula tem uma Ferrari de ouro“, por exemplo. As pós-verdades despertam aquele voyeurismo sádico que todo ser humano esconde. Já as pós-mentiras têm a dura tarefa de justamente refutar verdades mais atraentes. Por isso, para que funcionem bem, o melhor é que tenham algo a mais, um atrativo que as coloque em evidência, acima do fato em si.

Tomemos o exemplo do prefeito de Cuiabá, o peemedebista Emanuel Pinheiro. Diante de acusações de propinas, tornadas públicas na semana passada, ele disse apenas que irá provar não ter feito nada de ilícito. Uma resposta fraca, que não dá conta de sobrepujar a acusação. Claro que o fato de ele aparecer em vídeo enchendo os bolsos com gordos maços de dinheiro também prejudica um tanto a defesa.

O fetiche do bigode

Mas vejamos o exemplo contrário, do também peemedebista, senador Romero Jucá. Alvo de três denúncias de corrupção em uma única semana, ele fez o quê? Disse que é inocente? Sim, mas adicionou a isso todo um brilho de desfaçatez. Afirmou que seu acusador, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve ter algum fetiche com seu bigode.

“Eu diria que pelo menos é uma fixação. Ele até deu declaração sobre o meu bigode. Não sei se é um fetiche ou alguma coisa. Não entendo esse comportamento dele”, afirmou o astuto senador. Pronto. Os brasileiros passaram a imaginar Janot mergulhado em freudianas fantasias e as acusações contra Jucá foram pro segundo plano do noticiário.

Para além dos fetiches, outra forma comum de vitaminar pós-mentiras é aparentar indignação diante dos fatos. Um bom exemplo disso está na reação do casal Gilmar e Guiomar Mendes, à constatação de suas íntimas relações com Jacob Barata Filho, apelidado de “Rei dos Ônibus”.

O casal foi padrinho de casamento da filha do sujeito, que casou com um sobrinho de  Guiomar. O escritório de advocacia onde ela trabalha cuida de casos relacionados ao empresário, que mantém negócios com o cunhado do ministro e teria mandado um valioso arranjo de flores ao casal.

“É uma grande associação de fatos ridículos que não provam nada”

Aí, o sujeito foi flagrado num belo esquema de corrupção e posto em cana. E o que fez o ministro? Tratou de colocá-lo em liberdade. Não uma, mas duas vezes! E quando a imprensa, Janot e todos os indignados do twitter resolveram reclamar, a senhora Mendes não ofereceu uma resposta protocolar qualquer. Ela se indignou. “É uma grande associação de fatos ridículos que não provam nada”, disse. “Não há nada! É espuma”, concluiu enfática.

Para além das espumas e dos bigodes, as pós-mentiras se multiplicam rapidamente. Hoje, permeiam as mais diversas cores ideológicas e ramos de atuação pública. O pós-prefeito de São Paulo, João Doria, por exemplo, garante que não tem intenção de ser candidato à presidência ano que vem, enquanto percorre o país em pré-campanha, deixando a maior cidade dos país à sorte do vice, Bruno Covas.

O ex-presidente Lula ignorou o fato de o senador Renan Calheiros constituir-se em uma das forças mais nocivas da política nacional, e elogiou o colega de palanque, um homem de coragem, segundo o líder petista.

Por fim, vale dizer que nem o juiz Sérgio Moro, bastião da nova moralidade nacional, está livre da prática. Quando teve de lidar com a acusação de que um amigo negociava vantagens na Lava Jato, disse que não se pode confiar na palavra de um acusado. A mesma palavra de acusados, claro, tem sido a espinha dorsal do trabalho de Moro na Lava Jato.

Mas, no mundo de pós-verdades e pós-mentiras, a coerência, assim como os fatos, já não tem mais tanta importância.

O SENADO DOS EUA QUER ENQUADRAR WIKILEAKS COMO “AGÊNCIA DE INTELIGÊNCIA HOSTIL”

LONDON, ENGLAND - MAY 19: Julian Assange leaves after speaking to the media from the balcony of the Embassy Of Ecuador on May 19, 2017 in London, England.  Julian Assange, founder of the Wikileaks website that published US Government secrets, has been wanted in Sweden on charges of rape since 2012.  He sought asylum in the Ecuadorian Embassy in London and today police have said he will still face arrest if he leaves. (Photo by Jack Taylor/Getty Images)

JÁ FOI FÁCIL torcer pelo WikiLeaks. Mas, desde 2010, muitos – eu, inclusive – assistiram com um certo desânimo a derrocada do site, que foi de organização corajosa, capaz de dar guarida aos vazamentos de Chelsea Manning, a uma miscelânea de campanhas de má-fé e revelações para chamar a atenção da mídia. Chegamos ao ponto em que o WikiLeaks sustenta a teoria da conspiração conhecida como Pizzagate (segundo a qual o ex-diretor de campanha de Hillary Clinton estaria por trás de uma rede de pedofilia). Julian Assange não consegue nem mesmo escrever um tweet sobre óculos escuros sem um viés conspiracionista. Nesse contexto, dá para entender quem pensa que o fundador do site é movido não só pelo zelo à transparência como também pelas várias contas que tem a acertar. Mas mesmo os críticos mais duros do WikiLeaks devem se opor à tentativa do Senado norte-americano de rotulá-lo como “agência de inteligência não-estatal e hostil” no projeto de lei que define o orçamento deste ano para os serviços de inteligência dos EUA.

Ron Wyden, por exemplo, não é exatamente um amigo do WikiLeaks. Em maio, o gabinete do senador de Oregon publicou no Twitter que era “um fato estabelecido” que “Trump estimulou ativamente os russos e o WikiLeaks a atacar a democracia [norte-americana]”. Também destacou os suspeitos elogios de Trump ao WikiLeaks durante a campanha eleitoral. Assim como seus colegas democratas do Comitê de Inteligência do Senado, Wyden aderiu à linguagem dura, usada no projeto de lei, para se referir à intromissão russa. Mas, diferentemente de seus pares, votou contra o texto por conta da seguinte frase: “O Congresso entende que o WikiLeaks e a liderança do WikiLeaks se assemelham a um serviço de inteligência não-estatal e hostil, frequentemente apoiado por agentes do Estado, e devem ser tratados como tal pelos Estados Unidos”.

Mas então, o que é exatamente um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”? Excelente pergunta. “Serviço de inteligência” significa agência de espionagem. E agências de espionagem, por sua vez, são ferramentas do governo – ou seja, nunca são não-estatais. É exatamente por isso que Wyden, apesar de se opor ao WikiLeaks e de estar determinado a investigar a interferência russa no processo eleitoral, saiu em defesa do site. Resoluções oficiais são perigosas quando ninguém sabe ao certo a que se aplicam. Pode até ser que a expressão seja puramente simbólica. Mas a cláusula pode ser bem mais nociva, ameaçando muitas publicações que consideramos que não têm nada a ver com interferência externa.

O jornal “The Hill” relata que Wyden se opos ao uso da “frase heterodoxa” para definir o WikiLeaks porque o termo ambíguo “pode ter consequências legais, constitucionais e políticas, principalmente se for aplicado a jornalistas que estejam investigando assuntos sigilosos”. Wyden afirma ainda que a ideia de que “o governo dos EUA tenha um plano de ação não declarado contra ‘serviços de inteligência não-estatais e hostis’ é igualmente perturbadora”. Quando o diretor da CIA Mike Pompeo usou essa mesma expressão para descrever o WikiLeaks durante uma palestra em um think tank, em abril, as palavras já haviam soado bem obscuras. Nada mudou quatro meses depois, a não ser a possibilidade de esse tipo de linguagem se tornar de fato uma política de governo. Isso é muito sintomático e preocupante, mesmo que você odeie o WikiLeaks.

O assessor de imprensa de Wyden, Keith Chu, afirma que, apesar de o senador “ter reiteradamente criticado o WikiLeaks pelo papel a que se prestou na última eleição, de ferramenta da Rússia”, é fácil imaginar “como esse tipo de classificação poderia vir a ser empregado contra veículos de imprensa legítimos ou contra jornalistas que tenham usado materiais publicados pelo WikiLeaks”. Resumindo, independentemente da opinião que alguém possa ter sobre Assange e seu site, “o precedente aberto por essa nova categoria de inimigo dos EUA é perigoso”.

O governo dos Estados Unidos abomina o WikiLeaks pelo menos desde 2010, quando o grupo divulgou mais de meio milhão de documentos que revelaram segredos de décadas da diplomacia norte-americana e das guerras do Iraque e do Afeganistão. Esse desprezo oficial não é segredo para ninguém. O site existe para antagonizar e constranger governos do mundo inteiro, mas o poder norte-americano sempre foi seu principal alvo – e a bête noire de Assange. O ódio ao fundador do WikiLeaks e o desejo de vê-lo fracassar são comuns a políticos de todo o espectro norte-americano, eleitos ou não. São sentimentos amplamente conhecidos da opinião pública – assim como a hostilidade irredutível de Assange aos Estados Unidos.

O que permanece nas sombras é uma prova clara de que o WikiLeaks seja um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”, o que quer que isso signifique. A versão não-sigilosa do relatório da Comunidade de Inteligência dos EUA sobre a suposta interferência russa no processo eleitoral diz: “Avaliamos, com um alto grau de certeza, que a inteligência militar russa (o Departamento Central de Inteligência ou GRU) obteve material via operações cibernéticas, de maneira pública, e via veículos de mídia, de maneira reservada, e o repassou ao WikiLeaks”. O relatório aponta que “é muito provável que Moscou tenha escolhido o WikiLeaks por conta de sua autoproclamada reputação de autenticidade”, mas não diz mais sobre a colaboração entre as duas entidades. É importante estabelecer a diferença entre endossar uma ação e fazer de fato parte dela. Se não houvesse distinção entre os dois, a redação do Breibart News, portal de notícias de extrema-direita, ficaria numa barraca no próprio Jardim Sul da Casa Branca.

Parece bem plausível que o WikiLeaks tenha em alguma medida conspirado com parte do governo russo. O hacker de pseudônimo Guccifer 2.0, considerado por analistas privados e pelo governo dos EUA como uma invenção da inteligência russa, foi transparente quanto à sua colaboração com o WikiLeaks (no verão passado, Guccifer 2.0 me disse que eles estavam prestes a repassar informações sobre o Partido Democrata para o WikiLeaks, o que de fato aconteceu pouco depois). O alinhamento de Putin, Assange e Trump em termos de valores e objetivos também é inegável. Por essa razão, ao longo do último ano, o site angariou muitos e firmes opositores (e, para ser justo, apoiadores também). Mas nada disso descarta a possibilidade de Assange ter recebido material de hackers russos sem se preocupar com a origem, com o único objetivo de constranger e desestabilizar sua arqui-inimiga Hillary Clinton. A partir daí, seria válido um debate público sobre se Assange está pessoalmente envolvido demais. Mas será que a simples suspeita sobre o que motiva uma publicação deveria mesmo virar lei? Assange pode até ser um picareta com um projeto bem claro e pouquíssimos escrúpulos, mas ele está longe de ser o único.

O lendário advogado Floyd Abrams, especialista em Primeira Emenda, afirmou a The Intercept que ele é “bastante crítico” do comportamento do WikiLeaks. Mas que “a questão de saber exatamente o que WikiLeaks fez, que contatos tem ou teve com adversários do país e tudo o mais” não pode se misturar à questão de uma classificação oficial por parte do governo:

A questão maior é se o governo [dos EUA] deveria classificar uma entidade como agência de inteligência não-estatal e hostil. Ainda não sei ao certo quais são as consequências pretendidas com esse tipo de classificação. Mas tenho certeza de que poderia deixar o WikiLeaks vulnerável a ameaças e talvez até à violência. Soa como se fosse uma descoberta oficial, mas não é; com um significado legal, que também não existe. Então apesar de eu não ter nenhuma objeção a oficiais de inteligência de alta patente criticarem o WikiLeaks, eu ficaria longe de falsas denominações oficiais.

Trevor Timm, diretor-executivo da Freedom of the Press Foundation, organização sem fins lucrativos que financia e apoia a liberdade de imprensa, disse a The Intercept que “Ron Wyden tem razão, a cláusula sobre o WikiLeaks é inédita, obscura e potencialmente muito perigosa”:

Não importa se você ama ou odeia o WikiLeaks. O fato de o Congresso visar uma publicação usando uma expressão tão vaga e inventada quanto “serviço de inteligência não-estatal e hostil” para potencialmente reprimir direitos previstos na Primeira Emenda, abrindo a porta para aumentar o monitoramento de fontes, deveria preocupar todos os jornalistas. É uma pena que outros membros do Congresso não consigam enxergar esse perigo tão óbvio.

(Freedom of the Press Foundation recebe recursos da empresa controladora de The Intercept.)

Para resumir, ainda que você ache que Julian Assange não passa de um sórdido, um  mentiroso, um putinista – e mesmo que de fato fosse tudo isso –, ele publica informações autênticas às quais ele não deveria ter acesso. Por motivações políticas, sem dúvidas, mas publica. Considerar uma pessoa como essa inimiga do Estado coloca em perigo qualquer outro veículo de mídia que esteja trabalhando ou interessado em trabalhar com materiais e informações aos quais não deveria ter acesso. Em 2017, isso significa quase todos os veículos. Do Departamento de Justiça à Casa Branca e ao Congresso, a moda é ser antivazamentos, e o uso de termos abertamente ameaçadores para definir os que publicam informações verdadeiras é sem precedentes. O WikiLeaks é o alvo perfeito para defensores de segredos de Estado porque a reputação do site está na lama fora da Trumplândia. Mas vamos pesar as consequências disso.

“Serviço de inteligência não-estatal e hostil” não significa tecnicamente nada. O que impediria um jornal como o New York Times (ou qualquer parceiro ou concorrente dele) de cair nessa definição ao fazer reportagens sobre e-mails hackeados pelo WikiLeaks?

Qual é exatamente o status legal de um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”? Uma doação para o WikiLeaks poderia ser considerada assistência material ao inimigo?

E quanto aos muitos e respeitáveis jornalistas que já trabalharam em parceria com o WikiLeaks, do New York Times ao Der Spiegel? Eles agora serão considerados culpados de ter colaborado com um “serviço de inteligência não-estatal e hostil”?

Se o WikiLeaks vier a publicar um vazamento tão revolucionário e valioso quanto o que foi feito por Chelsea Manning, e aí? Jornalistas poderiam escrever reportagens sobre o que tiver sido obtido por essa agência espiã inimiga?

São perguntas sem respostas. A estratégia de rotular o WikiLeaks, além de arriscada, contribuirá pouco para reformar ou mudar significativamente Assange ou o próprio WikiLeaks. O mais provável é que o fundador do site veja nisso tudo mais uma prova de que ele é vítima de perseguição por parte do governo dos EUA. A nova classificação não adiantaria muito, no entanto, para convencê-lo de que promover Marine Le Pen ou espalhar falsas teorias da conspiração sobre cozinha ritualística não são de interesse público. Mas poderia ser um balde de água fria nos que estão trabalhando para valer. Não dê a Assange, ou a Pompeo, essa vitória.

Foto em destaque: Julian Assange após conversar com a mídia da varanda da Embaixada do Equador em Londres (19/05/2017).

Tradução: Carla Camargo Fanha

EM ERA DE CINISMO, NADA MAIS INTERESSA ALÉM DA DISPUTA DE PODER

Brasília- DF- Brasil- 07/04/2015-  O juiz federal Sérgio Moro participa de apresentação de um conjunto de medidas contra a impunidade e pela efetividade da Justiça, na sede Associação dos Juízes Federais do Brasil (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
A era do cinismo pelo qual estamos passando permite que alguém como o ex-prefeito de São Paulo, condenado por lavagem de dinheiro pela corte francesa, torne isso completamente irrelevante e invisível. E dita as regras numa comissão que traz no nome as palavras constituição e justiça.

A condenação de Lula por Sérgio Moro, criou o ambiente propício para o tipo de disputa narrativa que se tornou o grande embate na política brasileira atual. Lula é um símbolo, é impossível negar isso, e, como todo símbolo, seu sentido, ou o sentido de tudo que diz respeito a ele, será, inevitavelmente, disputado, concorrido, requerido, reivindicado permanentemente.

Cinismo generalizado

De um lado, falando sobre Lula, a senadora Ana Amélia (PP-RS) dizia que “agora, felizmente, estamos vendo que a lei é igual para todos, porque antes só pobres, ladrões de galinha ou negros iam para a cadeia”. É o cinismo de quem sabe que uma frase como essa nem deveria ser pronunciada, porque é um escárnio diante das diversas histórias cotidianas da seletividade da justiça e do sistema penal brasileiro. Ana Amélia, crítica dos excessivos cargos comissionados do governo do seu estado, mas que foi servidora do Senadoenquanto era diretora da RBS, na década de 1980.

O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) fez questão de ressaltar que “ninguém está acima da lei, que foi feita para ser cumprida por todos os cidadãos brasileiros”. Ele que, acima da lei, nos custou quase 150 mil reais, alugando carros de luxo para uso particular, para se deslocar no seu estado, Santa Catarina.

Por outro lado, o senador Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara, chama atenção para o fato de a condenação de Lula ter de ser reprovada por todos os brasileiros, porque ela atropela a democracia e os processos jurídicos. Cinismo e desonestidade é associar a prisão de Lula a um atropelo da democracia, mas não reconhecer a violação da democracia com a sanção, pelo governo Dilma, da chamada Lei Antiterrorismo em 2016.

In June 2013 huge demonstrations that took place in dozens of cities in Brazil through which people expressed their discontent with increased public transportation costs, high World Cup spending and insufficient investment in public services. The police response to the wave of protests in 2013 was, in many instances, violent and abusive. Military police units used tear gas indiscriminately against protesters, fired rubber bullets at people who posed no threat and beat people with hand-held batons. Hundreds were injured and hundreds more were indiscriminately rounded up and detained, some under laws targeting organized crime, without any indication that they were involved in criminal activity. In May 2014, Amnesty International launched the campaign “No foul play, Brazil” warning about restrictions to freedom of expression and police abuses during protests and urging the authorities to ensure security forces “play by the rules” during demonstrations expected to take place ahead and during the World Cup 2014.

Lei e ordem: manifestante é “contido” durante as manifestações contra a Copa, em 2014, em São Paulo.

Mídia Ninja

À revelia dos vetos feitos por Dilma, a lei foi o balde de água fria definitivo em grande parte da herança do junho de 2013. Aliás, em junho de 2013, as manifestações foram, sobretudo no Rio e em São Paulo, reprimidas com força desproporcional, com diversas violações de direitos.

É cínico não reconhecer o atropelo da democracia na assinatura de uma portaria casuística como a 3.461, em 2013, feita por Celso Amorim, à época ministro da Defesa, para garantir a Lei e a Ordem: leia-se, reprimir, com o Exército, todo levante popular contra a maneira que os grandes eventos foram pensados (e pagos) para o Brasil, com a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas/Paraolimpíadas.

O cinismo de Moro

Tomados pelo cinismo que inspira e pauta as relações na política no país, nada mais coerente que a construção como herói de uma figura como Sérgio Moro. É ele, hoje, a principal referência de ética e honestidade, à revelia do cinismo com o qual age, mas envolto em uma áurea de imparcialidade inquebrável.

Celebrado pela elite política conservadora que tem nitidamente asco da política de ascensão dos pobres empreendida pela gestão de Lula e celebrado pela elite midiática que não quer mesmo ver o petista novamente no centro do poder, Moro exerce bem sua aparente capacidade de revestir frieza e cinismo de serenidade.

SÃO PAULO, SP, 13.07.2017: LULA-SP - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou entrevista coletiva a jornalistas na sede do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, na manhã desta quinta (13) para falar, pela primeira vez, sobre a sua condenação a 9 anos e 6 meses de prisão pela Lava Jato. O juiz Sergio Moro, responsável pelo processo em primeira instância, sentenciou o presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)

Lukla durante coletiva na sede do PT em São Paulo, na quinta (13)

Lula, se preso preventivamente, só se fortalece como herói, e Moro corre o risco de se afundar na imagem de juiz a serviço de uma torcida, em grande parte, rica e conservadora.

Faz isso quando diz que não decretou prisão preventiva de Lula por prudência, e para evitar “certos traumas”, por se tratar de um ex-presidente da república. Envolto no ambiente do cinismo que envolve a todos, Moro sabe que as provas para a condenação de Lula são frágeis, e as provas produzidas pelo MPF não lhe dão a garantia de que sua decisão não passe na revisão de instância superior.

Neste caso, Lula, preso preventivamente, só se fortalece como herói, e Moro corre o risco de se afundar na imagem de juiz a serviço de uma torcida, em grande parte, rica e conservadora. Dizer “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”  é o cinismo típico de quem confunde-se com a própria lei, e que, portanto, está ele mesmo acima de qualquer um.

O cinismo de Renan

E o que diríamos ao ver Renan Calheiros rompendo publicamente com Temer, acusando o governo e criticando a reforma trabalhista. Assim como no caso de Maluf, chega a ser constrangedor sob a luz da troca de carinhos entre os dois políticos, em novembro de 2016, portanto menos de um ano atrás, em que Renan prometia sua fidelidade a Temer, colocando o Senado aos seus serviços para votações, disposto inclusive a cancelar as férias.

Logo ele, que votou contra a PEC do Trabalho Escravo, em 2012. Só o cinismo explica.

Mas no nosso universo cínico, Renan Calheiros critica a reforma trabalhista como um homem preocupado com o direito dos trabalhadores pobres, assim como o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) critica o governo e a reforma da previdência. Logo ele, que votou contra a PEC do Trabalho Escravo, em 2012. Só o cinismo explica.

BRASÍLIA,DF,04.07.2017:SESSÃO-SENADO-MOVIMENTAÇÃO - O senador Renan Calheiros participa de sessão no Senado Federal em Brasília (DF), nesta terça-feira (04). (Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress)

Renan em sessão do Senado em abril de 2017: grande defensor dos trabalhadores.

Também soa muito cínico o PSDB dissimular uma disputa interna, como se fosse quase uma crise de consciência, sobre deixar o governo ou ficar com o governo, alegando como única questão dessa crise a falta de ética da gestão Temer. Depois de ser marcado por uma geração de políticos de relevância – José Gregori, Mário Covas, Sergio Motta, Celso Lafer, além do próprio Fernando Henrique Cardoso – o PSDB alcança um momento medíocre de sua história, mendigando espaço na cúpula do poder, em crise internamente porque não consegue ocupar e manter este espaço.

É este cinismo que sustenta cada declaração da cúpula do PSDB

O ninho tucano vê a queda política do senador Aécio Neves, sua outrora principal estrela e aposta, enquanto vê agora sua única força política para cargos majoritários, ser possível na figura de um ambíguo e outsider João Doria, prefeito de São Paulo. É o partido cuja metade da bancada fecha com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) para blindar membros da linha sucessória da presidência e volta atrás vergonhosamente diante da repercussão negativa.

É este cinismo que sustenta cada declaração da cúpula do PSDB, simulando unidade e compromisso com os interesses do Brasil, enquanto tudo o que querem é que seus poderes e privilégios não percam espaço.

O fato é que, politicamente, o Brasil parece se encontrar no seu momento mais cínico. E o seu momento mais cínico é também o seu momento mais frustrante e diametralmente oposto ao que junho de 2013 esboçou pautar, antes de ser também capitulado por uma pauta cínica anticorrupção.

O que temos no Legislativo  é uma coleção de correlações de forças, onde  tudo se torna imprevisível, toda trama é obscura, a rua está distante, e a democracia é só recurso narrativo impregnado de muito cinismo.

USP ADERE COTAS RACIAIS, MAS RACISMO AINDA É DETERMINANTE NA ACADEMIA

SÃO PAULO, SP - 05.07.2017: USP APROVA COTAS RACIAIS E ESCOLA PÚBLICA - O Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou na noite da última terça-ferira (4), a reserva de vagas para alunos de escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas nos cursos de graduação da instituição a partir do próximo ano. Esta é a primeira vez que a USP vai adotar um sistema de cotas sociais e raciais. (Foto: Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1350928

CONSELHO DA USP (Universidade de São Paulo) aceitou a instituição de cotas sociais e raciais para o seu concorridíssimo vestibular a partir de 2018 na última terça-feira(4). A repercussão da notícia, tanto nas redes sociais, quanto nos sites, dá a dimensão da importância de uma instituição como a USP se incluir entre as universidades públicas que reconhecem a necessidade de instrumentos que possibilitem o acesso e a reparação, via sistema de cotas raciais, das desigualdades que distanciam, sobretudo, jovens negros e negras, das mais importantes universidades do país.

Mas o dilema vai muito além disso. Em junho, o Coletivo Nuvem Negra, fundado em 2015 por alunos negros e negras da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, divulgaram uma pesquisa, fruto da campanha “Quantos professores negras/os tem na PUC-Rio?”.

Dados de 2016 gerados pelo Sistema de Gerência Universitária (SGU) da universidade apontaram que apenas 4,3% do corpo docente da PUC-Rio é negro. Mais precisamente: 1,6% de professoras negras e 3,2% de professores negros. Ou seja: apenas 86 dos 1985 professores e professoras da prestigiada universidade da Zona Sul do Rio de Janeiro., A pesquisa também diz – e aqui é extremamente importante observar – que, se for mantido o ritmo dos últimos 10 anos, o número de professores negros na universidade  só irá igualar o de brancos em 2136. Estes 120 anos de intervalo são quase os 128 anos de intervalo da assinatura da Lei Áurea em 1888 até aqui. É um intervalo emblemático, porque, mais de um século depois, a população negra no Brasil não tem sequer os mesmos patamares na medição do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU), que a população branca.

Nenhuma instituição representa tanto a ideia de “produção de saber” do que a universidade. Por isso é tão significativo que o recorte racial dos professores das instituições brasileiras receba a devida atenção.

Se a universidade representa o lugar da produção de saber, não é razoável desconsiderar que a condição social e racial influencie no saber produzido?

 

A USP, que só agora se abre às cotas sociais e raciais como possibilidade de acesso, é a mesma que, em pesquisa publicada em 2005,  no livro de José Jorge de Carvalho, tinha apenas 0,2% de professores negros no seu quadro docente, em 2005. Dos mais de 4,5 mil professores que possuía então, apenas cerca de dez professores eram negros. Isso numa pesquisa que identificava os professores negros como apenas 1% de todo o corpo docente das universidades brasileiras Mesmo a UnB (Universidade de Brasília), pioneira na adesão das cotas raciais, possuía, em 2016, apenas 1,77% de professores negros no seu quadro docente.

Se a universidade representa o lugar da produção de saber, não é razoável desconsiderar que a condição social e racial influencie no saber produzido?

Há de se perguntar, por exemplo, pela ausência de pesquisadores e intelectuais negros nas bibliografias dos cursos de graduação do país. Lélia González, Guerreiro Ramos, Abdias Nascimento, Muniz Sodré, Sueli Carneiro, Jurema Werneck, Luiz Gama, Conceição Evaristo, Nei Lopes, Joel Rufino dos Santos são muitas as referências  para as diversas áreas do pensamento brasileiro que são absolutamente invisibilizados e sua contribuição sempre posta à margem do “cânon” acadêmico.

E o que dizer da ausência da obra de Guerreiro Ramos nos estudos de relações raciais e sobre a condição do negro no Brasil? Em que universidade ele divide o lugar obrigatório de referência ao lado de Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Holanda? Ao que parece, talvez apenas Milton Santos fura parte (e apenas parte) desse bloqueio, dado sua presença referencial na bibliografia dos cursos de Geografia.

Na própria PUC-Rio, a antropóloga Lélia González tem a sua trajetória acadêmica, construída ali nesta mesma universidade, completamente esquecida. Lélia chegou a ser diretora do departamento de Ciências Sociais na PUC-Rio, mas sua produção é apagada da bibliografia da graduação na própria universidade, ao passo que Roberto DaMatta, também antropólogo, também professor na mesma instituição, habita o Olimpo acadêmico e desfruta de ser literatura obrigatória na bibliografia não só da PUC-Rio, mas de qualquer departamento de antropologia no país.

Não quero, evidentemente, diminuir a importância de DaMatta, e, inclusive deve-se considerar a produção extremamente distinta dos dois, mas não podemos deixar que apenas esta diferença seja a explicação da relevância e influência de um e o esquecimento e marginalização de outra.

Quantos professores negros você tem?

A campanha do coletivo da PUC-Rio não é a primeira com a intenção de despertar a atenção da sociedade, ou, no mínimo, da academia, para a segregação racial das universidades brasileiras. Em 2015, a Diretoria de Ações Afirmativas da UFJF (Universidade Federal d e Juiz de Fora) lançou a campanha “Quantos professores negros você tem?”, espalhando cartazes gigantes pela cidade e a universidade. Em cada carta, a foto do professor e a frase eram acompanhadas da hashtag #NãoÉCoincidência. E parece não ser mesmo.

Há uma dificuldade histórica no Brasil de se reconhecer os danos da escravidão

Há uma dificuldade histórica no Brasil de se reconhecer os danos da escravidão do período colonial e imperial, além da condição subalternizada e sub-humana das pessoas negras no período republicano, de negras e negros livres, mas em situações absolutamente miseráveis.

A naturalidade com que a presença mínima de professores negros é tratada, sempre abaixo dos 5% em qualquer universidade públicas e particulares de ponta, como PUC e FGV, mostra, de maneira nítida e constrangedora, que os esforços continuam tímidos, e o problema continua não sendo olhado de frente

Mesmo no caso da adesão das cotas pelo Conselho da USP, as cotas raciais entraram como destaque, e não estavam na proposta inicial, que era apenas de cotas sociais. As cotas raciais vieram como fruto de uma pressão de cerca de 300 professores, que exigiram um passo mais ousado na reparação desta desigualdade histórica.

Campanhas como a do Coletivo Nuvem Negra da PUC-Rio vêm nos dizer que nos mantemos distantes do núcleo da questão, distantes de tocar na ferida causada pelo racismo estrutural.

Saberes também disputam, também compõem relações de forças. Há de se perguntar por que vinga o conceito de “democracia racial” e cai no esquecimento, marginalização ou na invisibilidade o conceito de “quilombismo”. Como sai vitorioso o conceito de “homem cordial”e como é ignorado e minimizado o conceito de “amefricanidade”. O coração da estrutura de poder permanece intacto. E branco.

PSDB VIROU O PMDB DO PMDB E, AGORA, OS DOIS PODEM AFUNDAR ABRAÇADOS A TEMER E AÉCIO

NA CARTA ENDEREÇADA a Michel Temer em forma de artigo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que aprovou no muque (maldosos usarão outro termo) a emenda da própria reeleição e agora defende mandato presidencial de cinco anos, fez um apelo ao bom senso do peemedebista para encurtar sua estadia no Planalto. O gesto seria, nas palavras do grão-tucano, uma demonstração de “grandeza”. Uma gentileza, claro, veja bem, se não for muito incômodo, faltou dizer FHC.

O convite antes revela um desejo do que um mero conselho, dado de graça pela principal liderança tucana. Temer renunciando, PSDB e PMDB tratariam com outros termos a estratégia para aprofundar o abraço mútuo que não levasse ao afogamento. Aqui entram dois cálculos políticos. Um é relativo à sobrevivência a curto prazo. O outro é eleitoral.

A essa altura, quando todos parecem alvejados, ninguém tem condições de deixar o aliado ferido na estrada.

A essa altura, quando todos parecem alvejados, ninguém tem condições de deixar o aliado ferido na estrada. Sabe que vai precisar de amparo em breve. Na ausência de coisa melhor, fala-se em bom senso por desencargo de consciência.

Na vida real, não haveria janela de oportunidade maior para o primeiro presidente da República denunciado formalmente por um procurador-geral do que a desgraça do fiador da aliança com os tucanos, o senador e presidente afastado do PSDB, Aécio Neves (MG). Seu partido, que decidiu recentemente permanecer no governo, tem hoje quatro ministérios na Esplanada, entre eles a Secretaria do Governo e o Ministério das Relações Internacionais.

Em autoexílio desde que teve conversas divulgadas com o dono da JBS, Joesley Batista, Aécio poderia ter o destino selado pelos colegas peemedebistas no Senado caso o STF aceitasse o pedido de prisão e da perda do cargo feito pela Procuradoria Geral da República. O ministro Marco Aurélio, porém, decidiu atender um pedido da defesa do tucano, que teve o pedido de prisão rejeitado e poderá voltar ao Senado. Em seu argumento, o magistrado disse considerar normais, esperadas e decorrentes do exercício legítimo da função legislativa as críticas feitas por Aécio à atuação do ministro da Justiça –na conversa com Batista, ele detonava o ministro por não endereçar as investigações para os delegados certos, seja lá o que isso signifique.

 

Na semana passada, um indício de que o cálculo político pode ser determinante sobre o imbróglio jurídico foi dado pelo senador João Alberto Souza (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética que arquivou uma representação contra o tucano por não estar convencido das acusações.

Nos bastidores, o PMDB já sinalizava que só rejeitaria o pedido de prisão contra Aécio, se ele avançasse, caso os tucanos demonstrarem apoio incondicional.

Este apoio incondicional pode significar muita coisa, de votos às reformas ao abraço tóxico, em termos eleitorais, ao mandato de Temer.

Se não quiser virar réu, Temer precisará reunir forças em outra Casa, a Câmara dos Deputados, para a denúncia não ser remetida de volta ao Supremo Tribunal Federal, que pode determinar o afastamento do presidente do cargo caso haja acolhimento. Para avançar, o pedido precisa do apoio de dois terços dos deputados.

Em outras palavras: os deputados terão de mostrar aos eleitores a lealdade ou não a um presidente formalmente acusado e com atuais 7% de aprovação.

Em outras palavras: os deputados terão de mostrar aos eleitores a lealdade ou não a um presidente formalmente acusado e com atuais 7% de aprovação, segundo o Datafolha. A um ano da eleição, a escolha pode representar o suicídio político de quem até ontem bradava contra a corrupção e o ataque aos bons costumes da República. Daí o apego a um detalhe aparentemente banal, mas determinante para a sucessão das coisas: quando e como será a sessão? Na madrugada? No meio da semana? Ou num domingo à tarde, com todos os holofotes acionados, como aconteceu na sessão de impeachment de Dilma Rousseff?

FHC, que agora apela ao bom senso de Temer, poderia usar o mesmo argumento sobre o presidente afastado de sua legenda, que já mandou avisar ter uma memória boa dos últimos 20 anos de acordos e negociações como deputado, governador e, até pouquíssimo atrás, senador também afastado.

Falta combinar com quem não quer colocar a cabeça a prêmio para salvar a coroa. Segundo as contas da Folha de S.Paulo, três dos sete integrantes tucanos da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pretendem votar a favor da admissibilidade da denúncia contra Temer – a análise é uma prévia da votação no Plenário. Apenas um parece disposto a sair em defesa do peemedebista.

Temer terá de apostar nos votos de outros partidos.

Em um ano, o PSDB se tornou o PMDB do PMDB, que hoje exige fidelidade integral mas observa um remedo de apoio calculado sob outros critérios, sobretudo eleitorais. Bom senso é outra coisa.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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