Archive for the 'The Intercept' Category

EM ERA DE CINISMO, NADA MAIS INTERESSA ALÉM DA DISPUTA DE PODER

Brasília- DF- Brasil- 07/04/2015-  O juiz federal Sérgio Moro participa de apresentação de um conjunto de medidas contra a impunidade e pela efetividade da Justiça, na sede Associação dos Juízes Federais do Brasil (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
A era do cinismo pelo qual estamos passando permite que alguém como o ex-prefeito de São Paulo, condenado por lavagem de dinheiro pela corte francesa, torne isso completamente irrelevante e invisível. E dita as regras numa comissão que traz no nome as palavras constituição e justiça.

A condenação de Lula por Sérgio Moro, criou o ambiente propício para o tipo de disputa narrativa que se tornou o grande embate na política brasileira atual. Lula é um símbolo, é impossível negar isso, e, como todo símbolo, seu sentido, ou o sentido de tudo que diz respeito a ele, será, inevitavelmente, disputado, concorrido, requerido, reivindicado permanentemente.

Cinismo generalizado

De um lado, falando sobre Lula, a senadora Ana Amélia (PP-RS) dizia que “agora, felizmente, estamos vendo que a lei é igual para todos, porque antes só pobres, ladrões de galinha ou negros iam para a cadeia”. É o cinismo de quem sabe que uma frase como essa nem deveria ser pronunciada, porque é um escárnio diante das diversas histórias cotidianas da seletividade da justiça e do sistema penal brasileiro. Ana Amélia, crítica dos excessivos cargos comissionados do governo do seu estado, mas que foi servidora do Senadoenquanto era diretora da RBS, na década de 1980.

O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) fez questão de ressaltar que “ninguém está acima da lei, que foi feita para ser cumprida por todos os cidadãos brasileiros”. Ele que, acima da lei, nos custou quase 150 mil reais, alugando carros de luxo para uso particular, para se deslocar no seu estado, Santa Catarina.

Por outro lado, o senador Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara, chama atenção para o fato de a condenação de Lula ter de ser reprovada por todos os brasileiros, porque ela atropela a democracia e os processos jurídicos. Cinismo e desonestidade é associar a prisão de Lula a um atropelo da democracia, mas não reconhecer a violação da democracia com a sanção, pelo governo Dilma, da chamada Lei Antiterrorismo em 2016.

In June 2013 huge demonstrations that took place in dozens of cities in Brazil through which people expressed their discontent with increased public transportation costs, high World Cup spending and insufficient investment in public services. The police response to the wave of protests in 2013 was, in many instances, violent and abusive. Military police units used tear gas indiscriminately against protesters, fired rubber bullets at people who posed no threat and beat people with hand-held batons. Hundreds were injured and hundreds more were indiscriminately rounded up and detained, some under laws targeting organized crime, without any indication that they were involved in criminal activity. In May 2014, Amnesty International launched the campaign “No foul play, Brazil” warning about restrictions to freedom of expression and police abuses during protests and urging the authorities to ensure security forces “play by the rules” during demonstrations expected to take place ahead and during the World Cup 2014.

Lei e ordem: manifestante é “contido” durante as manifestações contra a Copa, em 2014, em São Paulo.

Mídia Ninja

À revelia dos vetos feitos por Dilma, a lei foi o balde de água fria definitivo em grande parte da herança do junho de 2013. Aliás, em junho de 2013, as manifestações foram, sobretudo no Rio e em São Paulo, reprimidas com força desproporcional, com diversas violações de direitos.

É cínico não reconhecer o atropelo da democracia na assinatura de uma portaria casuística como a 3.461, em 2013, feita por Celso Amorim, à época ministro da Defesa, para garantir a Lei e a Ordem: leia-se, reprimir, com o Exército, todo levante popular contra a maneira que os grandes eventos foram pensados (e pagos) para o Brasil, com a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas/Paraolimpíadas.

O cinismo de Moro

Tomados pelo cinismo que inspira e pauta as relações na política no país, nada mais coerente que a construção como herói de uma figura como Sérgio Moro. É ele, hoje, a principal referência de ética e honestidade, à revelia do cinismo com o qual age, mas envolto em uma áurea de imparcialidade inquebrável.

Celebrado pela elite política conservadora que tem nitidamente asco da política de ascensão dos pobres empreendida pela gestão de Lula e celebrado pela elite midiática que não quer mesmo ver o petista novamente no centro do poder, Moro exerce bem sua aparente capacidade de revestir frieza e cinismo de serenidade.

SÃO PAULO, SP, 13.07.2017: LULA-SP - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou entrevista coletiva a jornalistas na sede do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, na manhã desta quinta (13) para falar, pela primeira vez, sobre a sua condenação a 9 anos e 6 meses de prisão pela Lava Jato. O juiz Sergio Moro, responsável pelo processo em primeira instância, sentenciou o presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)

Lukla durante coletiva na sede do PT em São Paulo, na quinta (13)

Lula, se preso preventivamente, só se fortalece como herói, e Moro corre o risco de se afundar na imagem de juiz a serviço de uma torcida, em grande parte, rica e conservadora.

Faz isso quando diz que não decretou prisão preventiva de Lula por prudência, e para evitar “certos traumas”, por se tratar de um ex-presidente da república. Envolto no ambiente do cinismo que envolve a todos, Moro sabe que as provas para a condenação de Lula são frágeis, e as provas produzidas pelo MPF não lhe dão a garantia de que sua decisão não passe na revisão de instância superior.

Neste caso, Lula, preso preventivamente, só se fortalece como herói, e Moro corre o risco de se afundar na imagem de juiz a serviço de uma torcida, em grande parte, rica e conservadora. Dizer “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”  é o cinismo típico de quem confunde-se com a própria lei, e que, portanto, está ele mesmo acima de qualquer um.

O cinismo de Renan

E o que diríamos ao ver Renan Calheiros rompendo publicamente com Temer, acusando o governo e criticando a reforma trabalhista. Assim como no caso de Maluf, chega a ser constrangedor sob a luz da troca de carinhos entre os dois políticos, em novembro de 2016, portanto menos de um ano atrás, em que Renan prometia sua fidelidade a Temer, colocando o Senado aos seus serviços para votações, disposto inclusive a cancelar as férias.

Logo ele, que votou contra a PEC do Trabalho Escravo, em 2012. Só o cinismo explica.

Mas no nosso universo cínico, Renan Calheiros critica a reforma trabalhista como um homem preocupado com o direito dos trabalhadores pobres, assim como o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) critica o governo e a reforma da previdência. Logo ele, que votou contra a PEC do Trabalho Escravo, em 2012. Só o cinismo explica.

BRASÍLIA,DF,04.07.2017:SESSÃO-SENADO-MOVIMENTAÇÃO - O senador Renan Calheiros participa de sessão no Senado Federal em Brasília (DF), nesta terça-feira (04). (Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress)

Renan em sessão do Senado em abril de 2017: grande defensor dos trabalhadores.

Também soa muito cínico o PSDB dissimular uma disputa interna, como se fosse quase uma crise de consciência, sobre deixar o governo ou ficar com o governo, alegando como única questão dessa crise a falta de ética da gestão Temer. Depois de ser marcado por uma geração de políticos de relevância – José Gregori, Mário Covas, Sergio Motta, Celso Lafer, além do próprio Fernando Henrique Cardoso – o PSDB alcança um momento medíocre de sua história, mendigando espaço na cúpula do poder, em crise internamente porque não consegue ocupar e manter este espaço.

É este cinismo que sustenta cada declaração da cúpula do PSDB

O ninho tucano vê a queda política do senador Aécio Neves, sua outrora principal estrela e aposta, enquanto vê agora sua única força política para cargos majoritários, ser possível na figura de um ambíguo e outsider João Doria, prefeito de São Paulo. É o partido cuja metade da bancada fecha com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) para blindar membros da linha sucessória da presidência e volta atrás vergonhosamente diante da repercussão negativa.

É este cinismo que sustenta cada declaração da cúpula do PSDB, simulando unidade e compromisso com os interesses do Brasil, enquanto tudo o que querem é que seus poderes e privilégios não percam espaço.

O fato é que, politicamente, o Brasil parece se encontrar no seu momento mais cínico. E o seu momento mais cínico é também o seu momento mais frustrante e diametralmente oposto ao que junho de 2013 esboçou pautar, antes de ser também capitulado por uma pauta cínica anticorrupção.

O que temos no Legislativo  é uma coleção de correlações de forças, onde  tudo se torna imprevisível, toda trama é obscura, a rua está distante, e a democracia é só recurso narrativo impregnado de muito cinismo.

USP ADERE COTAS RACIAIS, MAS RACISMO AINDA É DETERMINANTE NA ACADEMIA

SÃO PAULO, SP - 05.07.2017: USP APROVA COTAS RACIAIS E ESCOLA PÚBLICA - O Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP) aprovou na noite da última terça-ferira (4), a reserva de vagas para alunos de escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas nos cursos de graduação da instituição a partir do próximo ano. Esta é a primeira vez que a USP vai adotar um sistema de cotas sociais e raciais. (Foto: Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1350928

CONSELHO DA USP (Universidade de São Paulo) aceitou a instituição de cotas sociais e raciais para o seu concorridíssimo vestibular a partir de 2018 na última terça-feira(4). A repercussão da notícia, tanto nas redes sociais, quanto nos sites, dá a dimensão da importância de uma instituição como a USP se incluir entre as universidades públicas que reconhecem a necessidade de instrumentos que possibilitem o acesso e a reparação, via sistema de cotas raciais, das desigualdades que distanciam, sobretudo, jovens negros e negras, das mais importantes universidades do país.

Mas o dilema vai muito além disso. Em junho, o Coletivo Nuvem Negra, fundado em 2015 por alunos negros e negras da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio, divulgaram uma pesquisa, fruto da campanha “Quantos professores negras/os tem na PUC-Rio?”.

Dados de 2016 gerados pelo Sistema de Gerência Universitária (SGU) da universidade apontaram que apenas 4,3% do corpo docente da PUC-Rio é negro. Mais precisamente: 1,6% de professoras negras e 3,2% de professores negros. Ou seja: apenas 86 dos 1985 professores e professoras da prestigiada universidade da Zona Sul do Rio de Janeiro., A pesquisa também diz – e aqui é extremamente importante observar – que, se for mantido o ritmo dos últimos 10 anos, o número de professores negros na universidade  só irá igualar o de brancos em 2136. Estes 120 anos de intervalo são quase os 128 anos de intervalo da assinatura da Lei Áurea em 1888 até aqui. É um intervalo emblemático, porque, mais de um século depois, a população negra no Brasil não tem sequer os mesmos patamares na medição do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, medido pela ONU), que a população branca.

Nenhuma instituição representa tanto a ideia de “produção de saber” do que a universidade. Por isso é tão significativo que o recorte racial dos professores das instituições brasileiras receba a devida atenção.

Se a universidade representa o lugar da produção de saber, não é razoável desconsiderar que a condição social e racial influencie no saber produzido?

 

A USP, que só agora se abre às cotas sociais e raciais como possibilidade de acesso, é a mesma que, em pesquisa publicada em 2005,  no livro de José Jorge de Carvalho, tinha apenas 0,2% de professores negros no seu quadro docente, em 2005. Dos mais de 4,5 mil professores que possuía então, apenas cerca de dez professores eram negros. Isso numa pesquisa que identificava os professores negros como apenas 1% de todo o corpo docente das universidades brasileiras Mesmo a UnB (Universidade de Brasília), pioneira na adesão das cotas raciais, possuía, em 2016, apenas 1,77% de professores negros no seu quadro docente.

Se a universidade representa o lugar da produção de saber, não é razoável desconsiderar que a condição social e racial influencie no saber produzido?

Há de se perguntar, por exemplo, pela ausência de pesquisadores e intelectuais negros nas bibliografias dos cursos de graduação do país. Lélia González, Guerreiro Ramos, Abdias Nascimento, Muniz Sodré, Sueli Carneiro, Jurema Werneck, Luiz Gama, Conceição Evaristo, Nei Lopes, Joel Rufino dos Santos são muitas as referências  para as diversas áreas do pensamento brasileiro que são absolutamente invisibilizados e sua contribuição sempre posta à margem do “cânon” acadêmico.

E o que dizer da ausência da obra de Guerreiro Ramos nos estudos de relações raciais e sobre a condição do negro no Brasil? Em que universidade ele divide o lugar obrigatório de referência ao lado de Gilberto Freyre e Sergio Buarque de Holanda? Ao que parece, talvez apenas Milton Santos fura parte (e apenas parte) desse bloqueio, dado sua presença referencial na bibliografia dos cursos de Geografia.

Na própria PUC-Rio, a antropóloga Lélia González tem a sua trajetória acadêmica, construída ali nesta mesma universidade, completamente esquecida. Lélia chegou a ser diretora do departamento de Ciências Sociais na PUC-Rio, mas sua produção é apagada da bibliografia da graduação na própria universidade, ao passo que Roberto DaMatta, também antropólogo, também professor na mesma instituição, habita o Olimpo acadêmico e desfruta de ser literatura obrigatória na bibliografia não só da PUC-Rio, mas de qualquer departamento de antropologia no país.

Não quero, evidentemente, diminuir a importância de DaMatta, e, inclusive deve-se considerar a produção extremamente distinta dos dois, mas não podemos deixar que apenas esta diferença seja a explicação da relevância e influência de um e o esquecimento e marginalização de outra.

Quantos professores negros você tem?

A campanha do coletivo da PUC-Rio não é a primeira com a intenção de despertar a atenção da sociedade, ou, no mínimo, da academia, para a segregação racial das universidades brasileiras. Em 2015, a Diretoria de Ações Afirmativas da UFJF (Universidade Federal d e Juiz de Fora) lançou a campanha “Quantos professores negros você tem?”, espalhando cartazes gigantes pela cidade e a universidade. Em cada carta, a foto do professor e a frase eram acompanhadas da hashtag #NãoÉCoincidência. E parece não ser mesmo.

Há uma dificuldade histórica no Brasil de se reconhecer os danos da escravidão

Há uma dificuldade histórica no Brasil de se reconhecer os danos da escravidão do período colonial e imperial, além da condição subalternizada e sub-humana das pessoas negras no período republicano, de negras e negros livres, mas em situações absolutamente miseráveis.

A naturalidade com que a presença mínima de professores negros é tratada, sempre abaixo dos 5% em qualquer universidade públicas e particulares de ponta, como PUC e FGV, mostra, de maneira nítida e constrangedora, que os esforços continuam tímidos, e o problema continua não sendo olhado de frente

Mesmo no caso da adesão das cotas pelo Conselho da USP, as cotas raciais entraram como destaque, e não estavam na proposta inicial, que era apenas de cotas sociais. As cotas raciais vieram como fruto de uma pressão de cerca de 300 professores, que exigiram um passo mais ousado na reparação desta desigualdade histórica.

Campanhas como a do Coletivo Nuvem Negra da PUC-Rio vêm nos dizer que nos mantemos distantes do núcleo da questão, distantes de tocar na ferida causada pelo racismo estrutural.

Saberes também disputam, também compõem relações de forças. Há de se perguntar por que vinga o conceito de “democracia racial” e cai no esquecimento, marginalização ou na invisibilidade o conceito de “quilombismo”. Como sai vitorioso o conceito de “homem cordial”e como é ignorado e minimizado o conceito de “amefricanidade”. O coração da estrutura de poder permanece intacto. E branco.

PSDB VIROU O PMDB DO PMDB E, AGORA, OS DOIS PODEM AFUNDAR ABRAÇADOS A TEMER E AÉCIO

NA CARTA ENDEREÇADA a Michel Temer em forma de artigo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que aprovou no muque (maldosos usarão outro termo) a emenda da própria reeleição e agora defende mandato presidencial de cinco anos, fez um apelo ao bom senso do peemedebista para encurtar sua estadia no Planalto. O gesto seria, nas palavras do grão-tucano, uma demonstração de “grandeza”. Uma gentileza, claro, veja bem, se não for muito incômodo, faltou dizer FHC.

O convite antes revela um desejo do que um mero conselho, dado de graça pela principal liderança tucana. Temer renunciando, PSDB e PMDB tratariam com outros termos a estratégia para aprofundar o abraço mútuo que não levasse ao afogamento. Aqui entram dois cálculos políticos. Um é relativo à sobrevivência a curto prazo. O outro é eleitoral.

A essa altura, quando todos parecem alvejados, ninguém tem condições de deixar o aliado ferido na estrada.

A essa altura, quando todos parecem alvejados, ninguém tem condições de deixar o aliado ferido na estrada. Sabe que vai precisar de amparo em breve. Na ausência de coisa melhor, fala-se em bom senso por desencargo de consciência.

Na vida real, não haveria janela de oportunidade maior para o primeiro presidente da República denunciado formalmente por um procurador-geral do que a desgraça do fiador da aliança com os tucanos, o senador e presidente afastado do PSDB, Aécio Neves (MG). Seu partido, que decidiu recentemente permanecer no governo, tem hoje quatro ministérios na Esplanada, entre eles a Secretaria do Governo e o Ministério das Relações Internacionais.

Em autoexílio desde que teve conversas divulgadas com o dono da JBS, Joesley Batista, Aécio poderia ter o destino selado pelos colegas peemedebistas no Senado caso o STF aceitasse o pedido de prisão e da perda do cargo feito pela Procuradoria Geral da República. O ministro Marco Aurélio, porém, decidiu atender um pedido da defesa do tucano, que teve o pedido de prisão rejeitado e poderá voltar ao Senado. Em seu argumento, o magistrado disse considerar normais, esperadas e decorrentes do exercício legítimo da função legislativa as críticas feitas por Aécio à atuação do ministro da Justiça –na conversa com Batista, ele detonava o ministro por não endereçar as investigações para os delegados certos, seja lá o que isso signifique.

 

Na semana passada, um indício de que o cálculo político pode ser determinante sobre o imbróglio jurídico foi dado pelo senador João Alberto Souza (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética que arquivou uma representação contra o tucano por não estar convencido das acusações.

Nos bastidores, o PMDB já sinalizava que só rejeitaria o pedido de prisão contra Aécio, se ele avançasse, caso os tucanos demonstrarem apoio incondicional.

Este apoio incondicional pode significar muita coisa, de votos às reformas ao abraço tóxico, em termos eleitorais, ao mandato de Temer.

Se não quiser virar réu, Temer precisará reunir forças em outra Casa, a Câmara dos Deputados, para a denúncia não ser remetida de volta ao Supremo Tribunal Federal, que pode determinar o afastamento do presidente do cargo caso haja acolhimento. Para avançar, o pedido precisa do apoio de dois terços dos deputados.

Em outras palavras: os deputados terão de mostrar aos eleitores a lealdade ou não a um presidente formalmente acusado e com atuais 7% de aprovação.

Em outras palavras: os deputados terão de mostrar aos eleitores a lealdade ou não a um presidente formalmente acusado e com atuais 7% de aprovação, segundo o Datafolha. A um ano da eleição, a escolha pode representar o suicídio político de quem até ontem bradava contra a corrupção e o ataque aos bons costumes da República. Daí o apego a um detalhe aparentemente banal, mas determinante para a sucessão das coisas: quando e como será a sessão? Na madrugada? No meio da semana? Ou num domingo à tarde, com todos os holofotes acionados, como aconteceu na sessão de impeachment de Dilma Rousseff?

FHC, que agora apela ao bom senso de Temer, poderia usar o mesmo argumento sobre o presidente afastado de sua legenda, que já mandou avisar ter uma memória boa dos últimos 20 anos de acordos e negociações como deputado, governador e, até pouquíssimo atrás, senador também afastado.

Falta combinar com quem não quer colocar a cabeça a prêmio para salvar a coroa. Segundo as contas da Folha de S.Paulo, três dos sete integrantes tucanos da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara pretendem votar a favor da admissibilidade da denúncia contra Temer – a análise é uma prévia da votação no Plenário. Apenas um parece disposto a sair em defesa do peemedebista.

Temer terá de apostar nos votos de outros partidos.

Em um ano, o PSDB se tornou o PMDB do PMDB, que hoje exige fidelidade integral mas observa um remedo de apoio calculado sob outros critérios, sobretudo eleitorais. Bom senso é outra coisa.

COMO RESISTIR À DOUTRINA DO CHOQUE DE DONALD TRUMP

“CHOQUE”. ESSA PALAVRA tem aparecido muito no noticiário desde novembro – por motivos óbvios.
Estudei a questão do choque durante muito tempo. Dez anos atrás, publiquei o livro A Doutrina do Choque, uma análise do fenômeno ao longo de quatro décadas: de 1970, com o golpe de Pinochet no Chile – apoiado pelos EUA –, a 2005, com o Furacão Katrina.
Notei uma tática brutal empregada repetidamente por governos de direita: se aproveitar da desorientação causada por episódios traumáticos – guerras, golpes de Estado, atentados terroristas, crises econômicas e catástrofes naturais – para suspender a democracia e implantar medidas “neoliberais”, enriquecendo os mais ricos às custas dos pobres e da classe média.

O governo dos EUA está semeando o caos. Todos os dias. É claro que muitos dos escândalos são resultado da ignorância e dos erros do presidente, e não de alguma estratégia maliciosa.
Mas não restam dúvidas de que alguns assessores muito astutos do presidente estão usando tais choques diários como um pretexto para propor medidas radicalmente pró-empresariado – medidas que contradizem muitas das promessas de campanha de Donald Trump.

E o pior é que isso deve ser apenas o começo.
Temos que nos preparar para o que o governo fará quando puder explorar uma grande crise de causas externas.
Talvez seja um crash econômico, como o de 2008. Ou um desastre natural, como a Supertempestade Sandy. Ou então um terrível ataque terrorista, como os de Manchester, nesse ano, e Paris, em 2015.
Qualquer uma dessas crises poderia alterar drasticamente a conjuntura política dos EUA, permitindo que Trump e sua equipe nos empurrem goela abaixo suas ideias mais radicais.

Mas tem uma coisa que aprendi em duas décadas cobrindo dezenas de crises no mundo todo: é possível resistir a essas táticas.
Para facilitar a exposição, tentei resumir tudo em cinco pontos principais.
Adaptado do novo livro de Naomi Klein, No Is Not Enough: Resisting Trump’s Shock Politics and Winning the World We Need. O livro será publicado em novembro de 2017 pela Bertrand Brasil.

Tradução: Bernardo Tonasse

ENQUANTO PLANALTO MINIMIZA GRAVAÇÃO, VEJA PONTOS COMPROMETEDORES DE CONVERSA ENTRE TEMER E JOESLEY

“A MONTANHA PARIU um rato.” Foi essa uma das primeiras falas do presidente Michel Temer sobre a gravação da sua conversa com o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS. A alarmante naturalidade com que o presidente tratou as gravações é ressonante ao tom de suas próprias falas captadas pelo gravador: enquanto o empresário relatava ter comprado juízes e procuradores — o que configura crime de obstrução de investigação — o presidente não apenas mostrou aprovação a tudo, como o incentivou.

Entre outras reações noticiadas de Temer sobre o áudio, ele disse “é só isso?” ao terminar de ouvir a gravação. Parafraseando a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia: “e isso não é só; e isso não é pouco”.

Joesley foi à casa de Temer na calada da noite para lhe dizer que, enquanto investigado, estava dando “conta” de um juiz e de seu juiz substituto e que ainda pretendia “dar conta de trocar o procurador” que estaria atrás dele. E qual foi a resposta do presidente? “Ótimo, ótimo…”

Após a queda do sigilo do áudio, Temer lançou nota pública afirmando que, durante a conversa, não estava acreditando no que Joesley dizia e que achava que o empresário estava a “contar vantagem”. Ou seja: um homem confessa crime de obstrução de investigação ao presidente da República e, em vez de recriminar, o chefe do Estado classifica a fala como um ato de orgulho. Questionado pelos procuradores que receberam a sua delação, Joesley afirmou que estava “blefando” sobre a compra dos juízes. Caberá ao Ministério Público Federal investigar a veracidade dessa afirmação, assim como todas as outras feitas na delação de Joesley.

Acusações de adulteração

Outra reação do Planalto foi acusar o delator de alterar digitalmente o áudio, que conta como prova para a delação de Joesley, o que acabaria por também ser uma obstrução de investigação. A qualidade do som, de fato, é péssima — lembrando que se trata de algo gravado por um gravador não profissional, escondido no bolso de um paletó —, ainda assim, a conversa gravada é reveladora. Mostra a ciência, a aprovação e o estímulo de Temer sobre as falcatruas de Joesley. Os pagamentos pelo silêncio de Eduardo Cunha são apenas uma pequena parte.

A conversa também evidencia o nível de interferência que Joesley tinha [ou acreditava ter] no governo por conta a abertura e o incentivo que o presidente e outros membros lhe davam. Isso se mostra presente não apenas em relatos que Joesley faz de obstrução de investigação e de sua influência nas escolhas de procuradores, mas também na troca de dois interlocutores sobre uma forte interferência que o empresário teria — usando o nome e o consentimento do presidente — no Ministério da Fazenda.

Para facilitar a leitura (e para que os leitores tirem suas próprias conclusões) selecionamos os trechos mais comprometedores sobre Eduardo Cunha,obstrução de investigação, controle da mídia para abafar delações e intervenções no ministério da Fazenda.

Leia a transcrição completa aqui, e ouça aqui toda a conversa.

Eduardo Cunha

Joesley: Como é que o senhor tá nessa situação toda aí do Eduardo [Cunha], não sei o quê… [inaudível]

Temer: O Eduardo resolveu me fustigar, né… você viu que…

Joesley: Eu não sei, como é que tá essa relação?

Temer: Ah, tá… bem difícil… Tá esperando a ordem da defesa… Julgou… indeferiu 21 perguntas dele que não têm é nada a ver com a defesa dele. Era pra… me trutar. Eu não fiz nada com ele… [ruído] No Supremo Tribunal Federal. Ó só [ruído]um, dois, fatalidade… [ruído]. E tá aí, rapaz…  é… aí eu [ruído] inclusive, mas… [ruído] meus onze ministros… [ruído]

Joesley: Mas eu queria falar, muito aqui na…. [ruído] Dentro do possível eu [ruído] fiz o máximo que deu ali, zerei tudo o que tinha que, alguma pendência daqui prali zerou e tal. [ruído] E olha que dei tudo e ele foi firme em cima, ele já tava lá [preso em Curitiba]. Veio, cobrou, tal, tal, tal… Eu, pronto! Acelerei o passo e tirei da frente. O outro menino, o companheiro dele que, caiu aqui né, que o Geddel sempre tava…

Temer: [inaudível/ruído]

Joesley: Isso… Geddel que andava sempre ali.

Temer: É…

Joesley: Mas o Geddel também com esse negócio, eu perdi o contato, porque ele virou investigado. Agora eu não posso…

Temer: É… é complicado, é complicado.

Joesley: Também eu não posso encontrar ele.

Temer: [inaudível/ruído]

Joesley: Isso, isso…

Temer: [inaudível] perigosíssimo, isso…

[ruído]

Joesley: Negócio dos vazamento… o telefone lá do [ruído] Eduardo com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o quê… eu tô lá me defendendo. [ruído] Como é que eu… O que que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora? Eu tô de bem com o Eduardo….

Temer: É?

Batsita: É…

Temer: Tem que manter isso, viu.

Joesley: Tô… [inaudível]

Temer: É…[inaudível]

Joesley: Não, todo mês…

Temer: [inaudível]

Joesley: Também….

Temer: É…

Joesley: Eu tô segurando as pontas, tô indo.

(…)

Joesley: Voltando um pouco para o caso Eduardo [Cunha], na época… Ele: “Oh, briguei lá e tal pra… Oh, agora tem que ver se…” Enfim, tudo bem.

Aí ele… uns 15 dias antes dele perder o cargo, o Eduardo [Cunha], aí ele veio e deu uma cobradazinha em mim: “Oh, agora eu tenho que trabalhar, né. Não sei o quê e tal”. Digo: “Eduardo não é assim também… Para aí, não é assim não…”

Temer: [inaudível]

Joesley: Mas puta que o pariu…

Temer: Ah, deu no que deu…

Joesley: Deu no que deu… Aí ele, aí eu falei “Eduardo…”, uns 15 dias antes, “Eduardo, não é assim não. Peraí, pô”. “Não, pô”, ali ele [inaudível] “pô, cê tá com a Ferrari aí?”

 

Confissão de obstrução de investigação

E os processos… Eu tô meio enrolado aqui, né… No processo assim…

Temer: [inaudível]

Joesley: Isso, isso. É… é investigado. Eu não tenho ainda denúncia.

Temer: Não tem denúncia…

Joesley: Isso, não tem denúncia. Aqui, eu dei conta de um lado o juiz, dá uma segurada. Do outro lado o juiz substituto, que é o cara que ficou…

Temer: Tá segurando os dois?

Joesley: Tô segurando os dois.

Temer: Ótimo, ótimo…

Joesley: Ô… Consegui [inaudível]ador dentro da força-tarefa que tá…

Temer: [inaudível]

Joesley: Também tá me dando informação. E eu… lá que eu tô pra dar conta de trocar o procurador, que tá atrás de mim. [ruído/inaudível]Or… Se eu der conta tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que, se vem um cara com raiva ou com não sei o quê….

Temer: Mas no que você tá…

Joesley: Bom, o que tá… o que tá me…

Temer: [inaudível]

Joesley: Não, na verdade tá bom, beleza. Agora, o principal que é um [ruído] E o que tá me, me instigando… eu consegui colar um no grupo. Agora tô tentando trocar…

Temer: O que tá [inaudível]

Joesley: Isso…

Temer: Uhum…

Joesley: Tô nessa aí… Então tá meio assim. Eles saiu de férias… Até essa semana eu fiquei preocupado, que saiu um burburinho de que iam trocar ele e não sei o quê. Eu fiquei com medo… Tudo bem! Eu tô só contando essa história pra dizer, assim, que eu tô me…

Temer: Se mexendo…

Joesley: Me defendendo aí

Temer: É…

Joesley: Tô me segurando tal, os dois lá tô mantendo, tudo bem.

 

Controle da mídia para abafar delações

Joesley: Menino disse assim: “ah, porque eu ouvi falar do Lúcio que não sei o quê… eu ouvi falar de… Bom, me rendeu um “Fantástico”, um “Jornal Nacional” e não sei o quê e uma confusão

Temer: Claro…

Joesley: Ainda bem que eu tenho boa relação com a imprensa e consegui rapidamente… Quietou. Foi um dia, dois, pronto, parou. Mas, puta merda, viu. É um…

Temer: Uma chateação

Joesley: Tudo bem. Sobre esse ponto aí, também estamos tocando.

Temer: [inaudível]

Joesley: [inaudível] To fazendo um [inaudível]quenta mil por mês.

Temer: Inaudível

Joesley: Pro rapaz e tal

Temer: [inaudível]

Joesley: [inaudível] e dá informação e tal, dá informação [inaudível/ruído] O brabo é… enfim, mas vamos lá.

Interferência no ministério da Fazenda

Joesley: Por exemplo, um dia eu falei com ele [Henrique Meirelles]. Já falei: “ministro [inaudível] no BC, como é que tá e tal”[inaudível]. E ele: “é, não, aquilo lá, o Ilan [Goldfajn] faz as coisas”. E o tira fora. E eu: “ué, não é você que manda nessa merda?”. “Não, o Ilan lá…”

Temer: É…[inaudível]

Joesley: Então, aí que eu quero… um dia eu falei assim: “Henrique, precisa mexer na Receita Federal, porra. O [Jorge] Rachid aí, tá há tanto tempo aí. Põe um outro cara aí, mais dinâmico, e tal. Um monte de coisa pra fazer”. “Ixi, não, não. Não posso mexer.” Ah, e… BNDES? “Não, BNDES é o Planejamento.” Mas foi você quem botou a Maria Sílvia [Bastos Marques] lá, porra.

Temer: É… é…

Joesley: É. “Não, não não, mas isso é do [Romero] Jucá… é outro…”

Temer: [inaudível] Na verdade, Maria Silvia fui eu [inaudível] me falou “é ótima” [inaudível] e eu conhecia a Maria Silvia [inaudível] Ligou, acertou e tal [inaudível]

Joesley: Queria ter alguma sintonia contigo pra, quando eu falar com ele, ele não jogar “Ah, não, o presidente não…”

Temer: Eu não deixo…[forçando a voz]

Joesley: “Não deixa, não quer”, coisa e tal. “Pô, Henrique, mas então você é um banana. Cê não manda, porra…”[risos]

(…)

Joesley: Isso… Aí eu: “Ei, pô, presidente do Cade, aí, tinha que botar…” “Ah, isso aí não…” Então, quer dizer, o seguinte, resumindo: Eu também não sei se é hora de mexer em uma coisa porque, dentro do contexto geral, eu também não quero importunar ele. Também, é… eu não… Se eu for mais — eu trabalhei com ele quatro anos — se eu for mais firme nele, dizendo “Pô, Henrique, cê tem que…”, eu acho, acho, que ele corresponde.

Michel Temer:  Ele [inaudível] maiores que determinaram a vinda dele pra mim [inaudível] foi você. [inaudível]

Joesley: Sim, sim

(…)

Joesley: O Henrique [Meirelles] ficou muito prestigiado. [inaudível] Peraí, o Henrique também não vai sair fazendo [inaudível] pô. [inaudível] Queria só. Não sei, se eu, te dar um toque em relação a isso e em relação a eu não sei o quanto eu vou mais engolir Henrique, o quanto eu deixo ele com essa pepineira dele aí e tal… Enfim…

Temer: [inaudível]

Joesley: Se ele jogar para cima de você, eu posso bancar e dizer assim: “não, não, não, qualquer coisa eu falo com ele…”

Temer: Claro! [inaudível]

Joesley: Pronto…

(…)

Joesley: Mas, quando eu digo de ir mais firme no Henrique é isso. É falar: “Henrique, porra, mas você vai levar? Cê vai fazer isso?”/“Vou.”/ “Ah, então, tá bom”. Que aí ele vem. Então pronto, é esse alinhamento só que eu queria ter…

Temer: Tá bom. Pode, pode fazer isso…

Joesley: E todos os, em termos mais amplos assim e genéricos, ter esse alinhamento para dizer o seguinte: “oh, quando eu falar um negócio, porra, pelo menos vai e consulta lá, vê”. Queria [inaudível] negócio do BNDES lá, daquela operação.

(…)

Temer: Mas isso aí do Meirelles é [inaudível]

Joesley: É isso que eu quero pra… E, se eles escorregar eu digo “oh…”

Temer: “Então, consulte-o.”

Joesley: Consulta lá…

Temer: “Consulte o Presidente.”

Joesley: É… “consulta e me fala desse negócio”

Greve nacional impulsionada pela conhecida dinâmica global de corrupção e impunidade da elite

HÁ POUCO MAIS de um ano, a presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff, sofreu impeachment – supostamente por descumprimento da lei orçamentária – e foi substituída pelo seu vice-presidente centrista, Michel Temer. Desde então, praticamente todos os aspectos da crise política e econômica da nação – especialmente a corrupção – pioraram.

Os índices de aprovação de Temer despencaram para um dígito. Seus aliados políticos mais próximos – as mesmas autoridades que arquitetaram o impeachment de Dilma e o puseram na presidência – tornaram-se recentemente os alvos oficiais de uma investigação criminal em larga escala. O próprio presidente foi acusado por novas revelações, salvo apenas pela imunidade legal da qual goza. É quase impossível imaginar uma presidência implodindo mais completa e rapidamente do que essa não eleita imposta pelas elites à população brasileira, na esteira do impeachment de Dilma.

O desgosto validamente causado por todas essas falhas finalmente explodiu essa semana. Uma greve geral e protestos tumultuosos em diversas cidades paralisaram grande parte do país, bloqueando e parando estradas, aeroportos e escolas. É a maior greve ocorrida no Brasil nas últimas duas décadas. Os protestos foram em sua maior parte pacíficos, mas algumas violências pontuais aconteceram.

A causa imediata da revolta é um conjunto de reformas que o governo Temer está introduzindo, que limitará os direitos dos trabalhadores, aumentará a idade da aposentadoria em muitos anos e cortará inúmeros benefícios de pensão e previdência. Essas medidas austeras estão sendo impostas em um momento de grande sofrimento, com a taxa de desemprego crescendo dramaticamente, e com as melhorias sociais da última década, que tiraram milhões de pessoas da linha da pobreza, se desconstruindo. Assim como o New York Times mencionou hoje: “A greve revelou fissuras profundas na sociedade brasileira em relação ao governo Temer e suas políticas”.

Mas a causa real é mais ampla, e conhecida muito além do Brasil. Durante os últimos três anos, os brasileiros foram submetidos a uma revelação atrás da outra sobre a corrupção extrema que permeia as classes econômicas e políticas do país.

Inúmeros executivos corporativos e líderes partidários de longa data estão presos, incluindo o chefe da gigante construtora Odebrecht; o presidente da Câmara, que conduziu o impeachment de Dilma; e o ex-governador do Rio de Janeiro. Os atuais presidentes da Câmara e do Senado, nove dos ministros de Temer, bem como inúmeros governadores são agora alvos de investigação criminal por suborno e lavagem de dinheiro.

erick-1493410142

Photo: Erick Dau/The Intercept Brasil

Em suma, a grande maioria da elite política e econômica de alto nível provou ser radicalmente corrupta. Bilhões e mais bilhões de dólares foram roubados do povo brasileiro. As gravações recentemente divulgadas com confissões judiciais de Marcelo Odebrecht, descendente de uma das famílias mais ricas do Brasil, retratam um país governado quase inteiramente por meio de subornos e crimes, independentemente da ideologia ou partido dos líderes políticos.

Ainda assim, mesmo depois de vir à tona essa corrupção incomparável da elite, o preço que está sendo pago cai intensamente sobre as vítimas – os brasileiros comuns – enquanto os culpados prosperam. Os mesmos políticos brasileiros envolvidos nessa empresa criminosa continuam a reinar em Brasilia, enquanto gozam da imunidade da lei. Pior ainda, continuam a se isentar da austeridade que impõem a todos os outros.

Imagine ser um trabalhador brasileiro, vivendo na pobreza, passando anos ouvindo histórias sobre como os executivos de empresas subornaram políticos com milhões de dólares para vencer corruptamente contratos do Estado – suborno que esses políticos eleitos usaram para adquirir iates, carros de luxo e fazer compras na Europa – para então ser comunicado de que não há dinheiro para a sua aposentadoria ou pensão, e que você terá de trabalhar muito mais anos, com menos benefícios, para salvar o país. Essa é a história que está sendo empurrada goela abaixo dos brasileiros. O único aspecto desconcertante é que esse tipo de protestos demorou até agora para emergir.

 

MAS ESSA perversão moral – na qual as vítimas, cidadãos comuns, são as únicas a carregar o fardo dos crimes da elite –  é conhecida por povos bem longe do Brasil. De fato, um dos principais autores do sofrimento econômico brasileiro – a crise econômica de 2008 causada por Wall Street – foi pioneiro nessa fórmula odiosa.

Os magnatas imprudentes e os assistentes financeiros sociopatas responsáveis pelo colapso econômico de 2008 praticamente não pagaram pelo mal que causaram. Até hoje, nenhum deles foi processado pela falcatrua financeira que o gerou. Pior ainda: o governo dos EUA rapidamente agiu para proteger os interesses dos culpados – resgatando-os com fundos públicos, protegendo-os da nacionalização ou da desintegração, preservando sua habilidade de lucrar com poucos riscos para si.

erick3-1493411763

Photo: Erick Dau/The Intercept Brasil

Ao mesmo tempo, as vítimas dessa imprudência – norte-americanos comuns – foram forçadas a suportar todo o peso das consequências. Milhões encararam despejo, desemprego e sofrimento econômico generalizado com pouca ou nenhuma ajuda do governo dos EUA, que estava ocupado protegendo os responsáveis. Acima de tudo, foi essa inequidade que gerou movimentos de protesto como Occupy Wall Street e Tea Party e, sem dúvida, lançou as bases do ressentimento e um colapso de confiança que resultou na presidência de Trump.

A controvérsia desta semana sobre o pagamento de $400.000,00 feito por uma empresa de Wall Street a Obama por um único discurso ressoou, mas não porque sugeria que ele teria agido ilegalmente ou de forma antiética. Pelo contrário, simbolizou, de maneira particularmente flagrante, o caráter oligárquico da política cultural dos EUA: o mesmo presidente que agiu repetidamente de forma a proteger a indústria financeira, depois de ela ter destruído a economia global, e que blindou seus líderes de um processo criminal, estava sendo beneficiado com recompensas.

A mesma dinâmica prevalece por toda a Europa. Eleitores indignados do Reino Unido ratificaram a Brexit, enquanto as populações antes liberais da Europa ocidental estavam abertas de forma alarmante a partidos ultranacionalistas e xenófobos. Grande parte disso também é impulsionada pela crença frequentemente válida de que instituições de elite são completamente indiferentes à sua privação e sofrimento, e agem repetidamente de forma a promover os interesses de um pequeno grupo de poderosos atores política e economicamente às custas de todos os outros. É claro que essa crença vai provocar instabilidade, ressentimento e raiva coletiva.

A austeridade e a privação que estão agora sendo impostas aos brasileiros comuns não são secundarias ou imprevistas. Pelo contrário, foi o objetivo principal e central do impeachment da presidenta no ano passado.

O partido de esquerda que governou o Brasil desde 2002, o PT, tornou-se cada vez mais neoliberal e acomodou a classe oligárquica do país, muitas vezes às custas de sua própria base de sindicalistas e trabalhadores pobres. Até mesmo os dois líderes do partido – Lula e Dilma – começaram a defender a necessidade de medidas de austeridade. Isso, ao menos em parte, explica por que a própria base do partido começou abandoná-lo, levando a uma queda no apoio a Dilma, o suficiente para permitir um impeachment.

Dilma estava determinada a ir longe com a austeridade – mas não tão longe quanto as elites brasileiras desejavam. Em um momento de rara franqueza, seu substituto, Michel Temer, admitiu a um grupo de gestores de fundo de cobertura e elites da política externa em Nova Iorque, em setembro passado, que a recusa de Dilma a aceitar uma austeridade mais severa foi uma das reais razões de seu impeachment (a outra real razão foi revelada em uma gravação do mais íntimo aliado político de Temer, o senador Romero Jucá: parar a investigação de corrupção que estava em curso antes que ela consumisse os defensores do impeachment).

Em outras palavras, as elites brasileiras – tendo saqueado o país até o ponto de deixá-lo à beira do colapso – decidiram que a única solução viável era forçar a já sofrida população brasileira de trabalhadores e desempregados pobres a sofrer mais ainda, retirando deles as medidas de proteção e segurança das quais gozavam. Eles arquitetaram o impeachment cataclísmico da presidenta para alcançar tal feito.

O substituto de Dilma – a mediocridade clássica e maleável que ele é – foi incumbido de uma tarefa abrangente: impor austeridade dura, mesmo que isso significasse tornar-se alvo de ódio público e generalizado. O político de carreira, de 75 anos de idade – literalmente proibido de concorrer ao cargo por 8 anos devido à sua violação das leis eleitorais – não tinha nenhuma intenção ou perspectiva de concorrer mais uma vez, então concordou alegremente em cumprir suas tarefas atribuídas, em troca de receber o manto de poder que ele nunca poderia ter ganhado por conta própria.

Então é esse o espetáculo indigesto da corrupção e impunidade da elite e do sofrimento em massa que alimenta o protesto nacional de hoje. Tal como aconteceu nos Estados Unidos e na Europa, essa injustiça flagrante ameaça alimentar um movimento revanchista e nacionalista da extrema-direita no Brasil: um movimento que, de fato, faz com que seus equivalentes norte-americanos e europeus pareçam amenos no que diz respeito ao seu extremismo ameaçador.

A perda da confiança em toda a classe política criou uma abertura genuinamente assustadora na disputa presidencial de 2018 para o congressista evangélico de extrema-direita Jair Bolsonaro, que anseia pela restauração de uma ditadura militar, elogia os torturadores como heróis patrióticos e rotineiramente canaliza uma retórica fascista em uma ampla gama de pautas.

O que é mais desconcertante em tudo isso é que, não importa quantas vezes as elites globais vejam o fruto podre de seu comportamento asqueroso – instabilidade, extremismo e rejeição coletiva de sua própria autoridade – elas continuam a persegui-lo, aparentemente acostumadas às suas consequências. O Brasil é apenas o exemplo mais recente, mas deveria ser conhecido pelas pessoas em todo o planeta.

Tradução: Fernando Fico

SERRA E ALCKMIN SÃO OS MAIORES BENEFICIÁRIOS DA ODEBRECHT EM 22 ANOS DE HEGEMONIA TUCANA EM SÃO PAULO

, ,

FORA DO GOVERNO central por 14 anos, entre 2002 e 2016, o PSDB demorou a entrar na espiral da Operação Lava Jato. Acompanhou com algum grau de conforto o esfarelamento do PT e de seus principais líderes em meio aos desvios da Petrobras. Mas a operação agora tem todos os elementos para fazer, nos moldes do que está em curso no Rio de Janeiro, uma devassa no maior ninho dos tucanos em todo o país: São Paulo.

Os investigadores têm em mãos um novelo robusto, cheio de pontas soltas. Ao contrário das investigações sobre a Petrobras, já desembaraçadas, essas pontas somente agora começam a ser puxadas. São oito pedidos de abertura de inquérito sobre acusações relacionadas ao universo tucano de São Paulo.

Os relatos detalhados de ao menos cinco delatores do alto escalão da Odebrecht fazem referência às gestões de Geraldo Alckmin (2001-2006; 2011-2017) e José Serra (2007-2010). Eles são protagonistas de um período de hegemonia tucana de 22 anos à frente do governo de São Paulo, iniciada em 1995, com a eleição de Mário Covas. Até hoje, esse período foi interrompido por um breve intervalo de nove meses, em que Cláudio Lembo (antigo PFL) assumiu após Alckmin deixar o posto para concorrer ao Palácio do Planalto, em 2006.

Quando se fala em corrupção no governo de São Paulo, necessariamente os esquemas envolvem tucanos – e de plumagem nobre.

Essa continuidade de atores permitiu à Odebrecht construir relações baseadas em financiamentos por caixa 2 e desvios de contratos públicos, em troca de contrapartidas de interesse da empreiteira. Com isso, quando se fala em corrupção no governo de São Paulo, necessariamente os esquemas envolvem tucanos – e de plumagem nobre.

Serra e Alckmin encabeçam a lista de beneficiados pelas negociatas praticadas ao longo das duas últimas décadas. O que os delatores contam é que os pagamentos feitos a esses políticos – dois ex-candidatos à Presidência da República – envolveram entregas de milhões em dinheiro vivo a cunhado e transferências para contas de amigos no exterior.

A distribuição de propina e acordos para financiamento ilegal de campanha pela Odebrecht em São Paulo, supostamente, envolvia também integrantes da Assembleia Legislativa e membros do Tribunal de Contas do Estado.

Fotos aéreas do trecho sul do Rodoanel. As primeiras são do trecho que passa sobre a Regis Bittencourt, a seguir, o trevo para a Rod dos Imigrantes e depois a Anchieta.10.03.2010São Paulo-SPFoto:Milton Michida/Governo do Estado de SP

Trecho sul do Rodoanel, uma das obras que foram alvo de desvio de dinheiro, segundo delatores da Odebrecht.

Foto: Milton Michida / Divulgação Governo de SP

O coração da Lava Jato no maior Estado do país está em duas grandes obras, presentes cotidianamente na vida dos paulistanos: a expansão do Metrô na capital (ainda com diversos atrasos) e a construção do Eixo Sul do Rodoanel.

“O doutor Paulo disse com clareza que era uma contribuição para campanhas futuras do PSDB.”

Aqui a peça-chave tem nome, sobrenome e apelido: Paulo Vieira de Souza, conhecido no meio político como Paulo Preto. Desde a campanha presidencial de 2010, ele vem sendo apontado como homem-bomba das administrações do PSDB em São Paulo. As delações da Odebrecht corroboram seu papel central no esquema de operacionalização do esquema de desvio de dinheiro público.

Paulo já responde a uma ação penal por suposto envolvimento num esquema de desvio de recursos nas desapropriações executadas pelo governo paulista para as obras do trecho sul do Rodoanel. Agora ele avalia com advogados uma possível delação premiada no âmbito da Lava Jato.

Ele foi nomeado em 2007, por José Serra, diretor da Dersa, a estatal responsável por gerenciar as rodovias de São Paulo. Mas sua principal ligação política era com Aloysio Nunes Ferreira, hoje chanceler e, à época, chefe da Casa Civil do governo Serra.

Com a nomeação, Paulo passou a atuar diretamente nas obras rodoviárias de responsabilidade do Estado. Dentre os grandes empreendimentos do governo, sua atuação mais específica está no Rodoanel. Somente o trecho Sul da rodovia, que circunda a capital, custou R$ 5 bilhões.

Segundo Benedicto Júnior, ex-diretor da Odebrecht, Paulo tinha acordado com a empresa o pagamento de 0,75% dos valores desviados das obras do trecho. E o dinheiro tinha destino certo:campanhas futuras do PSDB, como a de Serra e Aloysio Nunes.

Os desvios aqui, segundo os delatores, foram possibilitados por um decreto do recém-empossado governador José Serra que determinava a renegociação dos contratos com todos os consórcios de empreiteiras envolvidos na obra.

Apenas a cota que a Odebrecht deveria pagar no acerto foi de R$ 2,2 milhões. O montante foi pago, segundo documentos apresentados pelos delatores, para a offshore Circle Technical Company Inc, indicada por José Amaro Pinto Ramos. Ele é amigo de José Serra e apontado como lobista com forte ligação com os tucanos paulistas.

Outra acusação dos delatores ainda em relação ao Rodoanel envolve um outro amigo de Serra, o pecuarista Jonas Barcellos. Conforme o delator Luiz Eduardo da Rocha Soares, ele, Benedicto Júnior e Paulo Vieira de Souza acertaram numa reunião, em 2011, que a empresa iria ajudar a retirar R$ 4 milhões que estavam guardados na casa do diretor da Dersa.

Na campanha presidencial de 2010, a então candidata Dilma Rousseff afirmou, como forma de atacar seu adversário José Serra em um debate na televisão, que Paulo Vieira tinha “fugido” com R$ 4 milhões da campanha.

Soares afirmou que, depois da transferência para a conta no exterior, teve “conhecimento que o valor, embora estivesse na conta de Jonas, pertencia a José Serra”.

Barcellos já esteve envolvido com outro tucano poderoso. Ele foi apontado pela jornalista Miriam Dutra como o responsável por fazer pagamentos a ela por suposta ordem do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem teve um relacionamento.

Geraldo Alckmin não queria passar novamente pelo processo burocrático das licitações.

Nas obras do Metrô, a expansão da Linha 2 aparece em destaque nas delações que envolvem os tucanos em São Paulo. Pela Odebrecht, o caso foi acompanhado de perto por Fábio Andreani Gandolfo, então diretor responsável por gerenciar esse contrato.

Ele explicou aos procuradores o contexto de um dos casos de desvio na obra. Visando cumprir promessas de campanha para acelerar a expansão do metrô, o governador Geraldo Alckmin não queria passar novamente pelo processo burocrático das licitações. O contrato original, da década de 90, tinha dez anos e já se tornara obsoleto. Com preços defasados e faltando apenas um ano para seu encerramento, o contrato já tinha recebido 20 aditivos prorrogando a sua validade.

A atualização contratual foi possibilitada, ainda segundo Gandolfo, por meio de um acerto de propina sobre o valor do contrato. Esses pagamentos respeitariam um teto de 4% sobre os R$ 200 milhões do contrato. O valor serviria para abastecer a cúpula dos funcionários públicos do metrô paulistano e políticos do PSDB e do PFL (atual DEM). São citados, especificamente, os deputados Rodrigo Garcia e Arnaldo Madeira.

Metro SP

Linha 2 do metrô de SP, cuja expansão aparece em destaque nas delações que envolvem os tucanos no estado.

Foto: Cris Castello Branco / Divulgação Governo de SP

A propina também teria outros destinatários importantes para facilitar a aprovação das obras. Outros 0,9% do valor do contrato foram para Luiz Carlos Ferreira, que estaria atuando em nome de “representantes do TCE paulista”.

Em seu depoimento aos procuradores da Lava Jato, Gandolfo relata uma reunião com o então presidente do Metrô na qual esse acordo teria sido fechado:

Rasgado-reuniao-1492720827

Relato de Fábio Andreani Gandolfo em sua delação à Procuradoria.

Foto: Reprodução

Entre 2004 e 2006, os pagamentos a Frayze David teriam chegado a R$ 10 milhões.

Além desse acerto, Gandolfo diz ter tomado conhecimento, por meio de outro executivo da Odebrecht, Romildo José dos Santos, de que 3% do contrato da Linha 2 também iriam para José Serra.  “Posteriormente, soube que estes recursos eram destinados a campanhas do PSDB e que foram alocados ao projeto para o atendimento de José Serra”.

As obras das linhas 4, 5 e 6 do metrô também foram objetos de pagamento de propina para funcionários públicos, com o repasse mais significativo somando R$ 8 milhões para o então diretor do metrô, Sergio Brasil. Ele teria aceitado alterações sugeridas pela empresa na proposta de parceria público privada referente à Linha 6.

R$10 milhões de contrapartida para Serra, R$10,3 para Alckmin

Os pagamentos ao hoje senador José Serra não se limitaram ao caso do metrô. O delator Luiz Eduardo Soares apresentou ao Ministério Público Federal recibos de 32 transferências feitas para contas indicadas pelo lobista Amaro Ramos – todas na Suíça.

O total repassado, equivalente a mais de R$ 10 milhões, era referente a contrapartidas a Serra, pelo fato de a Odebrecht ter levado os contratos da Linha 2 do Metrô, do Rodoanel e da rodovia que liga as rodovias Carvalho Pinto e Presidente Dutra.

As transferências, nas planilhas de controle da Odebrecht, tinham como beneficiário final o codinome “Vizinho” – uma referência, segundo os delatores, ao fato de Serra ser vizinho de um outro delator do esquema, o ex-presidente da Odebrecht Pedro Novis.

A Odebrecht acertou um pagamento de R$ 23 milhões, referente a 15% do valor da dívida consolidada.

Em outro caso, já às vésperas da campanha de 2010, Serra atuou, segundo delatores, para quitar uma dívida que a Dersa tinha com a Odebrecht desde 2002, àquela altura na casa dos R$ 190 milhões. O débito seria quitado pela Dersa em 23 parcelas. Em contrapartida, a Odebrecht acertou um pagamento de R$ 23 milhões, referente a 15% do valor da dívida consolidada, supostamente para financiar a candidatura do tucano ao Planalto.

Novamente, a Suíça foi um dos endereços escolhidos para os pagamentos. O repasse foi operacionalizado por um outro delator, Carlos Armando Paschoal. O ex-diretor da empreiteira afirma que Serra indicou Ronaldo Cesar Coelho e Marcio Fortes, que eram ligados ao PSDB à época, para tratar das doações. Enquanto R$ 9 milhões foram pagos no Brasil para Marcio Fortes, 6 milhões de euros foram para contas de Coelho na Suíça.

Naquele mesmo ano, o outro grão-tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, que concorria ao Palácio dos Bandeirantes, também teria recorrido aos cofres da Odebrecht. Foi beneficiário de R$ 10,3 milhões, segundo o relato dos delatores e das planilhas do “departamento de propinas” da empresa. Um dos emissários indicados por Alckmin em reunião com Carlos Paschoal foi o cunhado do tucano, Adhemar Cesar Ribeiro. Ao fim daquele encontro, ele pediu à secretária para passar a Paschoal o contato do cunhado.

“Nenhuma irregularidade”

O senador José Serra, em nota, “reitera que não cometeu nenhuma irregularidade e que suas campanhas foram conduzidas pelo partido, na forma da lei” e que, com a derrubada do sigilo das delações, terá a “oportunidade de demonstrar essas afirmações e a lisura de sua conduta”.

Em manifestações recentes, Geraldo Alckmin tem dito que os delatores “não apontam nenhum ato ilícito do então candidato” e que o relato referente aos repasses para Adhemar Ribeiro, seu cunhado, “deixa claro que ele não presenciou conversa, pedido ou sugestão para a prática de qualquer delito”.

Paulo Vieira de Souza, em nota, afirma que as delações se tratam de “fábulas, mentiras e calúnias”. Segundo ele, as alegações dos delatores são “absurdos com tramas tão frágeis, que desdenham da competência das autoridades e não sobrevivem a uma segunda leitura”. Ele aponta inconsistências referentes a valores e datas nos diversos depoimentos prestados pelos delatores sobre seu suposto envolvimento em desvios.

Representantes de Jonas Barcellos enviaram nota à imprensa afirmando que “as empresas Brasif não comentam processos sobre os quais não tiveram conhecimento”.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 4,001,043 hits

Páginas

julho 2017
D S T Q Q S S
« jun    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031