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BLOCO QUE FARIA HOMENAGEM A TORTURADORES TEMEU SOFRER VIOLÊNCIA NO CARNAVAL

NO MOMENTO em que a paulicéia tenta se levantar do túmulo do carnaval para cair na folia, um grupo bolsominions decide botar o bloco Porão do DOPS na rua. Será uma homenagem aos subterrâneos da delegacia onde se torturou e matou os que ousaram desafiar a ditadura.

Essa mesma meia dúzia de gatos pingados adoradores de Tio Sam já havia se juntado na Av. Paulista, em outubro de 2016, para apoiar a candidatura Trump. “O mundo decente quer Trump presidente!”, gritavam os representantes da decência paulistana.

Alguns meses depois, a mesma turminha reacionária voltou para a avenida para uma série de protestos contra a Lei de Imigração, que revoga o Estatuto do Estrangeiro de 1980, criado pela ditadura militar. A nova lei, proposta pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), regulariza a entrada e a permanência de migrantes e está norteada pelos direitos humanos – um prato cheio para a revolta de qualquer cidadão de bem. Os gritos de guerra e os cartazes deixavam claro o caráter xenófobo do movimento, apesar de 100% dos manifestantes serem descendentes de imigrantes. Um deles afirmou que a lei – vejam só que escândalo! – “democratiza a entrada de suspeitos e daqueles que não são cidadãos de bem, mas sim possíveis criminosos que podem se aproveitar das brechas da lei para trazer terror, crime e destruição”. No megafone, uma outra líder espalhava mais chorume no ar: “a comunidade europeia não quer mais os islâmicos que estupram as meninas”.

Esses lunáticos formam o grupo Direita São Paulo. Para eles, o secretário especial de assuntos estratégicos de Temer, Hussen Kalout, é membro do Hezbollah (parece que até o governo americano desconfiou), e as relações comerciais entre João Doria e Emirados Árabes são suspeitíssimas.

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Reprodução/Facebook

Reprodução/Facebook

O grupo foi ganhando adeptos e intensificando sua participação em protestos. Com mais de 200 mil seguidores no Facebook, os fascistóides do Direita São Paulo ainda organizaram o protesto contra a filósofa Judith Butler no SESC Pompéia, se juntaram ao MBL na Câmara para pressionar pelo bizarro projeto Escola Sem Partido, e convocaram uma marcha em apoio à candidatura de Jair Bolsonaro. Só close errado.

Reprodução/Facebook

Assassinos e torturadores do regime militar serão louvados. Haverá um concurso para escolher a melhor fantasia do delegado Sérgio Paranhos Fleury. O vencedor será agraciado um livro do Coronel Ustra. Os dois monstros serão os principais nomes a serem celebrados e contam com suas imagens estampando os cards que convidam para o bloco.

Ná página do evento, os organizadores prometem “cerveja, opressão, carne, opressão e marchinhas opressoras”. “Se você é anticomunista, não pode perder! Venham à caça, soldados!”.

 

Apologia à tortura?

Procuradores do MP-SP entraram com uma ação tentando impedir que o bloco desfilasse com esse nome, alegando apologia ao crime de tortura. O vice-presidente do grupo disse cinicamente que não há apologia, porque, no seu entendimento, “não houve aplicação desse tipo de método aplicado durante a ditadura militar. O que a gente está pedindo é um revisionismo histórico”. A juíza entendeu que a proibição representaria censura prévia e violação da liberdade de expressão. Mandou seguir o baile, o que me pareceu correto.

No último sábado, um dos integrantes do bloco levou uns sopapos de antifascistas enquanto se dirigia a uma palestra sobre o regime militar na sede do Direita Brasil. O fã-clube da tortura reagiu com indignação  e repudiou a covardia. Só faltou clamarem pelos Direitos Humanos.

Os organizadores ficaram preocupadinhos com possíveis retaliações e resolveram alterar o endereço do evento, que seria em frente ao DOI-CODI, o famoso palco de tortura de presos políticos. Para a proteção dos viúvos da ditadura, agora o bloco desfilará em local fechado e endereço secreto, quase que clandestinamente. “A gente também queria sair na rua, mas como você percebeu aqui não é um país democrático”, lembrou o vice-presidente do grupo e fã da ditadura militar. “Como vão famílias, não quero ser responsável por uma carnificina”. Bom, então acho que podemos ficar tranquilos. Não haverá carnificina, apenas a exaltação dela.

Na última quinta-feira, uma decisão do TJ-SP mudou tudo. O bloco foi proibido de desfilar. É uma pena. Acho que esses reaças paulistanos tinham o direito de passar essa vergonha na avenida.

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QUANDO VAMOS ABRIR A CAIXA-PRETA DO JUDICIÁRIO?

LOGO NO INÍCIO do seu primeiro mandato, Lula questionou o excesso de autonomia do Poder Judiciário e defendeu a existência de um controle externo. “Não é meter a mão na decisão do juiz. É pelo menos saber como funciona a caixa-preta de um Judiciário que muitas vezes se sente intocável”. A declaração causou grande mal-estar entre os magistrados. Imediatamente, presidentes de tribunais superiores e de entidades de classe dos juízes a repudiaram. Essa grande reação corporativista é um padrão, acontece toda vez que a categoria é criticada publicamente.

Em 2004, sob muitas críticas, foi criado o importante Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como órgão de controle, mas a caixa-preta do judiciário ainda segue intocável. O Brasil tem o poder judiciário e o Ministério Público mais caros do mundo e boa parte dos seus integrantes não quer que isso mude.

O juiz Marcelo Bretas, um dos heróis anti-corrupção forjados nos tribunais, virou notícia esta semana ao recorrer à Justiça para garantir o direito de sua esposa receber auxílio-moradia, contrariando uma proibição do CNJ – criada justamente após o ministro Fux autorizar o pagamento do benefício para toda a magistratura, e não apenas a quem não tem residência na cidade em que trabalha.

Além de Bretas, diversos outros colegas recorreram aos tribunais para conseguir o benefício duplo. O primeiro juiz sorteado para julgar o pedido de Bretas, por exemplo, teve que se declarar impedido por também ter requerido o benefício em dose dupla. A farra do auxílio-moradia também passa pelas cortes superiores: 26 ministros recebem o penduricalho mesmo tendo imóvel próprio em Brasília (alguns tem mais de um imóvel).

Outro herói anti-corrupção que não abre mão de receber o auxílio-moradia mesmo tendo casa própria a 3 km do trabalho é Sergio Moro. O juiz se defendeu afirmando que o benefício “compensa a falta de reajuste dos vencimentos desde 1 de janeiro de 2015 e que, pela lei, deveriam ser anualmente reajustados”. Ele reivindica algo que nenhuma categoria de funcionário público tem: reajuste anual. E ainda por cima admite que o auxílio – de caráter indenizatório e que ele mesmo considera discutível –serve como um disfarce para compensar a falta de reajuste salarial.

É curioso como juízes da Lava Jato, afamados pela defesa da ética pública, se sentem à vontade para receber penduricalhos que colocam suas remunerações acima do teto.

Em um tweet cheio de ironia e emoticons, Bretas respondeu aos que criticaram o acúmulo de benefícios.

Bretas fala nas redes como se fosse um cidadão latino-americano, sem dinheiro no banco, que estava apenas lutando pelos seus direitos. Acredita ser justo que ele e sua esposa recebam dos cofres públicos um auxílio-moradia em dose dupla mesmo morando debaixo do mesmo teto. O magistrado, que afirma ser a bíblia o livro principal da sua Vara, considera moralmente aceitável que o Estado ajude o casal a custear uma espaçosa residência com vista para o Pão de Açúcar em um dos endereços mais valorizados do Rio de Janeiro.

Casa do juiz Marcelo Bretas.

Reprodução

Bretas não suportou as críticas e saiu bloqueando todo mundo no Twitter. Logo em seguida, anunciou que daria um tempo da rede social – um espaço que ele usava com frequência, inclusive para bater boca com políticos. Foi uma saída triunfal, comemorando 30 mil seguidores, e ostentando um bizarro apoio da Associação dos Juízes Federais  (AJUFE).

Agradeço aos mais de 30 mil seguidores.
Findo este período de férias, informo que não usarei esta conta de Twitter pelos próximos meses.
Teremos um ano de muito trabalho …
Até 👋🏼

A esperada reação corporativista veio no dia seguinte. A Associação de Juízes Federais do Rio de Janeiro e Espírito Santo correu para proteger o colega dos críticos e lançou nota pública em sua defesa. Em entrevista ao The Intercept Brasil, o presidente da entidade afirmou que não só Bretas, mas toda a categoria está sofrendo uma perseguição pela sua atuação nos casos de corrupção. O magistrado, assim como Bretas, é casado com uma juíza, e também recebe o auxílio em dobro.

As respostas da nobreza judiciária às críticas quase sempre resvalam nesse humor involuntário. Não custa lembrar a famosa declaração de José Renato Nalini, ex-presidente do TJ-SP e atual secretário de Educação de São Paulo, que defendeu o pagamento do auxílio-moradia para que juízes pudessem “comprar terno em Miami”:

Mas nem sempre a reação é motivo para risadas. Quando a Gazeta do Povo iniciou uma série de reportagens sobre os vencimentos dos membros do Judiciário e do MP do Paraná, revelando que a remuneração total dos magistrados e promotores ultrapassa o teto do funcionalismo público, entidades representativas dos magistrados e dos promotores  se indignaram em nota pública.

Mas a coisa não ficaria nisso. Pelo grave crime de cometer jornalismo, o jornal e os repórteres que assinaram as matérias foram alvos de uma série de ações judiciais coordenadas por magistrados paranaenses. Foram mais de 40 ações individuais movidas em juizados especiais com pedidos de indenização que, somados, chegam a R$1,3 milhão. Um áudio publicado pelo BuzzFeed News mostrou um juiz orientando os colegas a iniciar a onda de processos contra os jornalistas.

A casta jurídica está sempre alerta em defesa dos seus privilégios.

A retaliação veio com requintes de crueldade: além dos conteúdos das ações serem praticamente os mesmos, todas foram movidas em juizados especiais – que só podem julgar causas que não ultrapassam 40 salários mínimos. Assim, não houve possibilidade de recursos a Cortes superiores, garantindo que os casos fossem julgados apenas pelos tribunais paranaenses. Parte da estratégia intimidatória é o fato das ações terem sido ajuizadas em 16 cidades do Paraná, fazendo com que os jornalistas tivessem que viajar pelo estado para participar das audiências. O recado para quem questionou os privilégios dos meritíssimos foi claro: a casta jurídica está sempre alerta em defesa dos seus privilégios.

“VER O RACISMO COMO UM ‘PROBLEMA DOS NEGROS’ É UM PRIVILÉGIO DOS BRANCOS”

O BRASIL ESTÁ longe de ser uma democracia racial, como inúmeros fatos demonstraram ao longo de 2017. A demissão do apresentador William Waack, da TV Globo, depois de dizer que uma buzina insistente era  “coisa de preto”, uma festa em que secundaristas se fantasiaram de faxineiras e entregadores de pizza, a fala do ministro Luís Roberto Barroso sobre Joaquim Barbosa ser um “negro de primeira linha”, os novos ataques online sofridos por personalidades como a atriz Taís Araújo, a apresentadora Maria Júlia Coutinho e a Miss Brasil 2017, Monalysa Alcântara, entre outros, ampliaram o debate sobre o tema. Os brancos, porém, pouco discutiram sobre seu papel nessa história.

Em entrevista a The Intercept Brasil, a pesquisadora Lia Vainer Schucman fala sobre hierarquias raciais e a sua relação com os privilégios da branquitude.

O que significa ser branco em nossa cultura? Quais acessos, possibilidades e vantagens são garantidos aos brancos em função do racismo? Qual o papel dos brancos no combate ao problema? Em entrevista a The Intercept Brasil, a pesquisadora Lia Vainer Schucman fala sobre hierarquias raciais e a sua relação com os privilégios da branquitude.

“É um processo individual, coletivo e institucional. Depois de reconhecer que há privilégios por conta do racismo, quem quer se opor ao problema tem que fazer uma vigilância constante”, diz Schucman. Doutora em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (USP), ela enfatiza que o racismo não pode ser combatido somente com educação. “O racismo é um problema material. A educação ajuda, mas não se combate o racismo sem redistribuição de renda, terra e poder”, afirma a pesquisadora.

The Intercept Brasil: O que é a branquitude? Qual a sua relação com o racismo?

Lia Vainer Schucman: Quando falamos em em branquitude, primeiro devemos pensar em contexto. Falar em branquitude pode se referir aos estudos sobre populações brancas, como italianos, alemães, portugueses etc. Mas, no contexto do movimento antirracista, trata-se dos estudos críticos da branquitude. Ou seja: pensar como a branquitude se constrói a partir do racismo. O termo ”branquitude” remete à ideia da identidade racial branca: é quando os brancos começam a ser racializados, tais como negros e indígenas nas sociedades estruturadas pela ideia de raça.

Olham-se os negros como um grupo racializado, os indígenas como grupo racializado, mas os brancos como indivíduos.

A raça é um conceito construído no século 19 por uma pseudociência que vai dizer que um determinado fenótipo vai ter uma continuidade moral, intelectual, estética. Falar em identidade racial branca é falar que há significados histórico-culturais construídos sobre o fenótipo branco – fenótipo que terá atribuições morais, intelectuais e estéticas que trazem uma ideia de civilização por trás. Esse conceito de raça foi construído com uma ideia fictícia de superioridade: o próprio grupo que inventou o conceito (brancos europeus) hierarquizou e disse que algumas atribuições eram melhores do que outras. Então, os brancos se colocaram em uma posição de superioridade em relação a outros grupos.

Ruth Frankenberg, teórica britânica do tema, diz que a branquitude que é um “lugar confortável, onde você olha os outros através da lente que você não olha a si mesmo”, e esta lente é a raça. Olham-se os negros como um grupo racializado, os indígenas como grupo racializado, mas os brancos como indivíduos. A branquitude é uma racialidade que se compõe desta noção de raça construída no século XIX, mas que não é vista enquanto tal: é vista como neutra. E, além de neutra, ela blinda aos brancos a ideia do que é negativo. Mesmo que os brancos europeus tenham feito a escravização de negros e indígenas, o genocídio dos judeus, a colonização da África e do Oriente, eles aparecem no imaginário como continente civilizatório, enquanto a África aparece como o continente da “barbárie”.

TIB Como essa branquitude funciona no Brasil?

LVS Quando pensamos identidade racial branca no Brasil, devemos entender como pensamos identidade, como pensamos raça e quem é considerado branco na sociedade brasileira. Primeiro, é importante lembrar que “identidade” é diferente de “identificações”. A identificação é um percurso individual de um sujeito. Uma pessoa pode ser branca e ter identificações com a capoeira, com o candomblé, com o samba – tidos como sendo da chamada “cultura negra”. A identidade coletiva, não: ela é construída sócio-historicamente e depende da estrutura social em que um indivíduo está inserido.

Sou negro, minha filha é branca e tenho medo de ir sozinho com ela ao shoppingLEIA TAMBÉMSou negro, minha filha é branca e tenho medo de ir sozinho com ela ao shopping

Então, pensando que no Brasil o racismo é de fenótipo, mesmo que uma pessoa tenha identificações com a chamada “cultura negra”, se sua cor da pele é vista como branca, então ela é branca. Ou seja: é o fenótipo que vai dizer quem é branco e quem não é. Vale dizer que na região Sul é um pouco diferente: a branquitude se dá não só pelo fenótipo, mas também pela origem étnica dos indivíduos. Feita essa ressalva, podemos falar que, de modo geral, os brancos no Brasil são considerados a partir do fenótipo. Então, a identidade racial aqui é esse olhar sócio-histórico construído pelo fenótipo. Essa identidade não é fluida como podemos pensar, às vezes, sobre o gênero e outras classificações. A identidade é mais fixa quando falamos de raça, no sentido de que a classificação acontece logo, pelo olhar.

Mesmo sendo um conceito que não existe biologicamente, esta ideia da raça branca como superior, construída no século XIX, foi apropriada pelos sujeitos e está em tudo no Brasil hoje.

Um negro sempre está carregando a raça, é sempre representante dos negros, enquanto um branco é representante dele mesmo.

TIB Em que situações do cotidiano se vê essa branquitude?

LVS Quando as pessoas falam que o cabelo liso é superior, mais bonito do que outros, ou quando elas elogiam “traços finos”, elas usam este conceito de raça para falar que há uma superioridade estética de um grupo sobre outro. Já vi criança de três anos de idade dizendo que acha o olho azul “o mais bonito”. De onde ela tira isso? Da mídia, das propagandas, da escola, onde professores falam para as crianças com esse fenótipo que os olhos azuis são lindos. A gente acha uma coisa pequena, mas essa pessoa com olho azul cresce com uma auto-estima muito maior do que outras que crescem ouvindo que o seu cabelo “é difícil de pentear”. Outro exemplo é quando alguém pergunta a uma pessoa negra brasileira o que ela acha do Barack Obama. Se alguém pergunta a um branco brasileiro o que ele acha do Donald Trump, associando que aquele branco (Trump) tem alguma representatividade das pessoas brancas, a pessoa vai falar que é uma generalização e vai perguntar o que ela tem a ver com o Trump. Um negro sempre está carregando a raça, é sempre representante dos negros, enquanto um branco é representante dele mesmo.

Se você pensa que a raça pode ser fluida, você pensa que as pessoas podem escolher a raça. Mas elas não podem.

Você disse que a identidade racial não é tão fluida como sexualidade e identidades de gênero. No fim de Maio, a revista feminista dos EUA Hypathia publicou um artigo de que defendia a ideia de uma “identidade transracial”. No artigo, a autora defende que os argumentos que amparam a identidade transgênero deveriam amparar a possibilidade de uma identidade ”transracial”.

Não existe essa categoria transr-racial, que pode partir da escolha dos sujeitos. Se você pensa que a raça pode ser fluida, você pensa que as pessoas podem escolher a raça. Mas elas não podem. Falando de sociedades estruturadas pelo racismo, uma pessoa negra não pode acordar um dia e falar que não é negra porque se identifica com Mozart, gosta de ouvir música clássica, estuda filosofia alemã e tem referências europeias. Não existe essa possibilidade porque a gente está em uma sociedade estruturada pelo racismo de tal forma que a polícia vai parar essa pessoa, ela vai sofrer mais batidas policiais, por exemplo.

Pessoas negras não têm o direito de se desracializar. Já as brancas podem zoar com isso, brincar com essa racialidade o tempo todo sem problemas. Isso é um privilégio da branquitude.

No início da minha tese de doutorado (“Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: branquitude, hierarquia e poder na cidade de São Paulo”), relato que fui a uma festa e perguntei a pessoas brancas qual era a raça delas. As pessoas iam respondendo “pitbull”, um outro falou “marciano”. Somente uma pessoa se declarou branca. Se um negro falar que a raça dele é “marciano”, vão falar que ele não quer admitir ou que está negando a própria raça. Pessoas negras não têm o direito de se desracializar. Já as brancas podem zoar com isso, brincar com essa racialidade o tempo todo sem problemas. Isso é um privilégio da branquitude.

Caso William Waack: a cumplicidade também é agente do racismoLEIA TAMBÉMCaso William Waack: a cumplicidade também é agente do racismo

Em junho de 2017 , uma escola de Novo Hamburgo (RS) promoveu a festa “Se nada der certo”, em que estudantes secundaristas “se fantasiaram” de faxineiras, entregadores de pizza, seguranças, atendentes de supermercado e entregadores de pizza. A festa gerou repercussões nas redes sociais e uma das críticas se refere ao racismo na escolha das profissões. Como você avalia isso?

Não dá pra pensar raça no Brasil sem pensar em trabalho – aquilo que no imaginário da população brasileira é nomeado como ”trabalho de branco” e trabalho dos ”não-brancos” (descendentes indígenas e a população negra brasileira). Em um exercício que propus em uma disciplina, coloquei fotos de uma mulher branca e de uma mulher negra com minissaia, um terninho e uma blusinha. E coloquei um homem branco e um homem negro de terno e gravata. Pedi para os estudante pensarem quais eram as profissões destas pessoas. Para a mulher branca, disseram “psicóloga”, “dentista”, “advogada”e “gerente de banco”. Tratam-se de profissões liberais, que geralmente exigem uma formação universitária. Para a mulher negra, disseram “prostituta”, “empregada doméstica” e “secretária”. Para os homens brancos, apareceram as profissões de “médico”, “dentista”, “advogado”, “gerente de banco”, “empresário”, enquanto para o homem negro disseram “jogador de futebol”, “segurança”, “motorista” e “pagodeiro”. As respostas mostram que não era por causa da roupa e que os lugares de trabalho no Brasil são racializados.

TIB O que isso mostra sobre o racismo no Brasil?

LVS Em todos os lugares onde a branquitude é hegemônica, aprende-se a ser racista. Mas em alguns, aprende-se e se adere abertamente – como ocorreu no apartheid da África do Sul. No Brasil, é difícil as pessoas aderirem ao racismo tal como se adere a um partido político ou a uma doutrina, movido por ideologia, como foi a Ku Klux Klan nos Estados Unidos ou o partido nazista na Alemanha. Existem grupos assim, como o ”o Sul é o meu país”, no Rio Grande do Sul, mas eles não chegam a 10% dos racistas brasileiros.

Aqui, as pessoas aprendem a ser racistas: elas olham um cargo de poder (como políticos, médicos, engenheiros), veem que eles são ocupados por pessoas brancas e têm um pensamento quase infantil de que isso acontece porque os brancos são melhores. Não se pensa nisso como uma relação de poder.

O fato de brancos estarem nos lugares de poder gera racismo, e o racismo faz com que só brancos estejam nestes espaços. É uma relação dialética. A resposta que as pessoas dão muitas vezes – de que não se trata de ”trabalho para negros”, mas que elas só veem negros nestas posições – não é mentirosa, porque elas veem aquilo no cotidiano. Mas é uma resposta acrítica: elas não veem que isso só acontece por causa do racismo.

É uma resposta que não faz a crítica social – esses lugares subalternos são ocupados por pessoas negras por quê? Falta resposta crítica de colocar o racismo nessa configuração do que as pessoas veem: em sua maioria, esses cargos são ocupados por negros e isso é culpa do racismo.

Onde o racismo se escondeLEIA TAMBÉMOnde o racismo se esconde

Você disse que, para o grupo branco, a raça branca aparece como “neutra”. Em 2011, muros de uma escola no bairro do Limão (Zona Norte de São Paulo) foi pichada com dizeres como “vamos cuidar de nossas crianças brancas” após a escola incluir no currículo disciplinas sobre a cultura dos negros. A raça branca não apareceu neste contexto?

Antes das cotas raciais para universidades federais, existia um discurso muito mais forte de que “somos todos misturados”, que trazia aquela ideia da mestiçagem desenvolvida pelo Gilberto Freyre. Depois das cotas, as pessoas começaram a falar sobre os próprios privilégios – de uma forma tosca, com falas do tipo “vou perder minha vaga”. Esse pensamento já traz de antemão a ideia de que a vaga é de uma pessoa branca.

Como uma pessoa negra está “roubando” uma vaga? Universidades públicas são lugares públicos, pagos pela população brasileira composta por 52% de negros. Então essa vaga “estava para” sujeitos brancos a partir de privilégios.

Em um capítulo da minha tese de doutorado, falo sobre o “medo branco”, que ocorre quando os brancos começam a se racializar. A pessoa só fala que vai perder uma vaga na universidade se ela assumir que é branca. Essa invisibilidade da raça branca cai em duas situações: quando há perda de privilégios ou nos momentos de ser racista.  Existe um interesse: a raça branca aparece ou desaparece, dependendo do contexto. Mas, em geral, pessoas brancas não são vistas como pertencendo a uma raça.

O medo branco aparece toda vez que o negro não está subalterno.

TIB Em que outras ocasiões ocorre o “medo branco”?

LVS O “medo branco” é um conceito proposto pela historiadora Celia Maria de Azevedo em sua tese de doutorado “Onda negra, medo branco“. Ela escreveu sobre o período pós-abolição, quando havia muito mais negros do que brancos na sociedade brasileira. Na época, todos os lugares, não só no Brasil, tinham medo de uma “haitização”, dos efeitos da revolução negra do Haiti. Então, se pensou no que fazer para o Brasil ficar branco. É o medo do período pós-abolição.

Eu vejo o “medo branco” como o medo da auto-determinação negra. Em geral, as pessoas nas universidades não querem achar que as cotas raciais foi resultado da auto-determinação de movimentos sociais negros. Elas dizem que a instituição “concedeu” as cotas, como se os brancos tivessem dado isso. Foi uma conquista negra.

Se 52% da população brasileira sofre racismo, é porque tem a outra porcentagem inteira para legitimar essa estrutura de poder.

É como se a branquitude tentasse o tempo todo controlar até onde os negros podem ir e o que podem ser. Isso é próprio da branquitude. Isso é um medo da auto-determinação que tem a ver com a perda de privilégios. Essa perda se dá quando brancos e negros têm uma relação sujeito-sujeito e não sujeito-subalterno. Brancos estão acostumados a estar neste lugar de poder. Em uma das 40 entrevistas para o meu doutorado, uma manicure disse que estranhou muito que a dona do salão onde ela trabalhava fosse negra. Ela diz que estranhou ter recebido ordens de uma pessoa negra e que aquilo “estava invertido”. Quando uma pessoa diz isso, ela pressupõe que há uma posição “normal” – com o branco em lugar de poder e o negro como subalterno. O medo branco aparece toda vez que o negro não está subalterno.

O que a polêmica sobre o filme “Vazante” nos ensina sobre fragilidade brancaLEIA TAMBÉMO que a polêmica sobre o filme “Vazante” nos ensina sobre fragilidade branca

TIB Qual a importância de pensar a branquitude para se falar sobre o racismo?

LVS A ideia de que o racismo é um “problema de negros” é uma forma do branco ganhar benefícios a partir do racismo e se desresponsabilizar deste problema social. Até brancos que reconhecem o racismo muitas vezes falam que esse é um “problema negro”. Mas as construções identitárias de grupos racializados só existem em relação: não existiriam negros se não existissem brancos. Um não existe sem o outro. Qualquer pessoa negra sofreu racismo na escola. Nunca ouvi um negro dizer que não ouviu colegas de escola chamando de “macaco”  ou mesmo aqueles apelidos vistos como  “carinhosos” – “Pelé”, “Mussum”, “choquito”, “brigadeiro”. Negros foram racializados a vida toda e esse processo não é feito por um único branco. Se 52% da população brasileira sofre racismo, é porque tem a outra porcentagem inteira para legitimar essa estrutura de poder. Se brancos virem o racismo como problema deles também, isso implica abrir mão de privilégios.

TIB O que seria abrir mãos de privilégios?

LVS É um processo individual e coletivo, da estrutura também. Depois de reconhecer que há privilégios por conta do racismo, quem quer se opor ao problema tem que fazer uma vigilância constante, uma auto-análise o tempo todo. Pensando na relação entre indivíduos, o privilégio pode vir quando uma pessoa branca tem mais espaço para falar em uma situação, por exemplo. Pensando na estrutura, em todas as instituições brasileiras há racismo institucional, já que o racismo é estrutural. O racismo institucional é a incapacidade de uma instituição promover a igualdade racial. Então, se uma pessoa é diretora de uma escola infantil e entrou em contato com essa leitura crítica da branquitude, ela deve pensar qual é a história contada nas aulas, que livros didáticos são usados, onde estão as bonecas negras para as crianças brincarem. Se alguém organiza um evento na área de Matemática, deve pensar se vai ter algum(a) profissional negro(a) ali. Não é para chamar negros só quando o assunto é racismo. Por isso é uma vigilância constante. Muita gente entra em contato com o tema acha que não pode fazer nada. Mas acredito que todos temos algum espaço de poder onde podemos fazer algo contra o racismo.

“FALHEI COM MINHA FAMÍLIA POR ESCOLHER SER POLICIAL”

NATAL, RN, 22.12.2017:  PROTESTO-RN - Esposas e parentes de policiais protestam em Natal (RN), nesta sexta-feira (22), exigindo salários em dia e dignidade aos profissionais da área. (Foto: Pedro Vitorino Junior/Photo Press/Folhapress)

MESES DE SALÁRIOS IRREGULARES e atrasados. Empréstimos, juros em cima de juros. Servidores públicos em um desespero tão grande que houve quem chegou ao fim da linha: tirou a própria vida. Poderia ser Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul ou outros estados em crise financeira, mas o caso crítico neste momento vem do Rio Grande do Norte.

O comandante de um dos batalhões do estado dispensou um cabo do serviço porque ele não tinha mais condições de trabalhar sem receber salários. “Não é fácil ver um homem feito chorar de desespero ao narrar a falta de pão em sua residência”.

A reunião entre governo e associações que representam policiais militares e bombeiros – que afirmam não estar em greve, e sim aquartelados, não saindo às ruas devido a falta de recebimento de salários e condições de trabalho – realizada na noite passada (04) terminou sem acordo. A Força Nacional foi acionada e atualmente está presente em quatro cidades da Grande Natal. Uma delas, Parnamirim, chegou cancelou shows e a queima de fogos no reveillon devido a insegurança.

O movimento “Segurança com segurança” começou em 19 de dezembro. A situação dos servidores sem salário não parece ser o centro da situação, tanto, que foi pedida a prisão de policiais que incentivem a paralisação, em vez de determinar o pagamento dos atrasados e a regularização das condições de trabalho.

Um cabo que não pode ser identificado e está há 16 anos na PM do Rio Grande do Norte escreveu um relato a The Intercept Brasil sobre seu atual momento na corporação. Mesmo quase se formando no curso de sargento, ele está arrependido de um dia ter escolhido vestir farda. “Hoje eu sei que falhei com minha família por escolher escolher ser policial e não poder sustentá-la”. Leia o relato do agente sobre seu atual momento na corporação:

Quando prestei concurso para a PM há quase 20 anos, jamais imaginaria que eu e meus colegas iríamos passar o que estamos vivenciando agora.

Estou com o salário de dezembro e o décimo terceiro em atraso, alguns que ganham um pouco mais estão também com o de novembro em atraso. Atrasos que já vêm se prolongando há cerca de 23 meses. Sempre fui um cara altamente controlado com dinheiro, o pouco que ganho como policial militar sempre deu, na medida do possível, para que eu suprisse as minhas necessidades e as da minha família.

Com tantos atrasos, eu, que sempre paguei em dia as minhas contas, hoje me encontro devendo o cheque especial, juros em cima de juros dos cartões de crédito, empréstimos e por aí vai. Semana passada, venceu o boleto do consórcio que pago com muito esforço e suor para, um dia, comprar meu automóvel próprio. Todo mundo sabe que andar de ônibus ou qualquer meio de transporte público hoje, sendo policial, é quase a mesma coisa que cometer um suicídio.

Esses constantes atrasos estão criando um abalo emocional muito grande, me sinto desprezado pelo governo, me sinto impotente frente às situações financeiras que passo porque não me resta mais nada a fazer. Muitas vezes me sinto um lixo.

Vou confessar algo que me aconteceu há alguns dias e, quando me lembro, meus olhos se enchem de lágrimas.

Eu tenho um filho que mora em outro estado. Ano passado, eu fiz uma promessa a ele: disse que o traria no final de 2017 para passar os meses de férias comigo. Agora, em janeiro, já faz três anos que não o vejo a não ser por fotos ou ligações. Meu filho já é um adolescente, sinto que precisa do pai junto para um conselho, uma conversa. Essa semana, por causa da falta de pagamento do meu salário, tive que ligar para o meu filho e tentar explicar que iria quebrar a promessa que tinha feito a ele porque não tinha dinheiro nem para me alimentar, quanto mais para custear sua vinda para minha casa.

Durante a conversa, pude sentir seu tom de voz mudar. Percebi o quanto ele ficou decepcionado comigo como pai. Na hora, me bateu uma dor tão grande que eu me arrependi de abraçar a carreira de policial. Até fiz um pequeno texto e enviei para uns amigos, mais ou menos assim: ‘Hoje eu sei que falhei com minha família por escolher ser policial e não poder sustentá-la.’

Eu disse essas palavras com tanta dor no coração! Em quase 20 anos de dedicação à sociedade, foi a primeira vez na vida que eu me arrependi de ser policial. Será que dá pra imaginar o quanto isso dói? Não sei, mas eu sei o quanto isso está me custando psicologicamente.

Em outros países, os policiais são vistos como heróis. Aqui, infelizmente, somos mal vistos. Alguns têm até nojo e desprezo pela gente.

Recentemente, depois de quase 20 anos de serviços prestados à PMRN [Polícia Militar do Rio Grande do Norte], fui convocado para fazer o curso de sargentos, que pode dar uma qualidade de vida melhor para mim e minha família. Esse curso era para ser comemorado, ser motivo de festa e de muitas alegrias, mas na hora que caiu a ficha, me bateu um desespero, me vieram as perguntas: como é que eu vou chegar ao local do curso se eu não tenho o dinheiro da passagem? Como é que eu vou frequentar o curso, se há três ou quatro anos eu não recebo fardamento, coturno(bota), cobertura(boné), não tenho como me alimentar durante o curso ou qualquer equipamentos para desenvolver minha atividade?

A turma do curso, que era para estar cheia de policiais alegres com as futuras ascensões, é composta por homens e mulheres cabisbaixos, com pouquíssimas palavras ditas, pessoas com a cabeça não se sabe onde.

Como pode um policial sair para trabalhar de barriga vazia, meu Deus? Onde vamos parar?

Esses comportamentos, que tanto eu quanto toda a tropa estamos tendo, já deixaram os oficiais preocupados. Eles já perceberam que eu e outros mais já estamos depressivos com tantos problemas que estamos carregando sem termos culpa, já alertaram os instrutores e monitores para que informem se notarem algum comportamento ou atitude estranha.

Ontem mesmo, um colega tentou se matar após a esposa ligar para ele chorando e dizendo que estava com fome. Eu fico me perguntando como podemos sair de nossas casas para combater o crime se não temos armas adequadas, munições suficientes, coletes (muitos, por sinal, estão vencidos), viaturas sem a menor condição de rodar, farda, e o mais importante, os nossos salários. Se eu fosse explicar, daria um livro.

Eu ouço, todos os dias, amigos e colegas dizendo ‘eu estou passando fome’. Como pode um policial sair para trabalhar de barriga vazia, meu Deus? Onde vamos parar?

Eu estou escrevendo esse texto, e minhas lágrimas estão rolando pelas teclas do teclado deste computador. Já não sei o que faço para sanar essa situação, não recebo meu salário, não posso fazer bico, e aí? O que é que eu vou fazer para comer e pagar minhas contas?

LONGE DOS HOLOFOTES, ALCKMIN APROVA CONGELAMENTO DE GASTOS PARA SÃO PAULO

SÃO PAULO, SP - 13.12.2017: PEC DO TETO É VOTADA NA ALESP - Manifestantes contra PL 920 assistem à sessão na ALESP, na tarde desta quarta-feira (13). Deputados debatem e votam a PEC. (Foto: Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress) ORG XMIT: 1447516

NA SEMANA EM que o governo federal comemorou o primeiro aniversário do congelamento dos gastos públicos, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou uma medida semelhante para o Estado. No começo da noite de quinta-feira (14) a ampla maioria dos deputados votou a favor do Projeto de Lei (PL) 920, que trata da renegociação de dívidas com a União e impede o aumento das despesas por dois anos.

A criação de uma lei que paralise os gastos do Estado era pré-requisito para que São Paulo mantivesse sua parte em um acordo celebrado com o governo federal no fim de 2016. Assim como outros 19 estados, São Paulo se comprometeu a congelar os gastos por dois anos em troca da renegociação de suas dívidas junto à União.

O acordo alongou o prazo para o pagamento de cerca de R$ 232 bilhões em dez anos e mudou o indexador. Isso, segundo cálculos do governo, gerou uma redução de 17,4 bilhões no saldo devedor, e, até junho de 2018, trará uma redução no serviço da dívida (juros, correção monetária e outros encargos) de R$ 15,6 bilhões. Caso o PL 920 não fosse aprovado, São Paulo correria o risco de perder esse desconto e poderia ter dificuldade em tomar empréstimos com o governo no futuro.

A aprovação da medida foi uma vitória importante para o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Favorito tucano na corrida presidencial, ele precisa se credenciar como o candidato do mercado, portanto bom cumpridor das imposições fiscais.

Alckmin tem ampla maioria na Alesp e costuma aprovar projetos a toque de caixa. Esse, contudo, não foi fácil. O congelamento ameaça o reajuste dos servidores públicos, sendo que a maior parte deles já está há anos sem receber sequer a correção dos salários pela inflação. Nas tardes de terça, quarta e quinta, o plenário normalmente silencioso da Assembleia estava tomado por manifestantes contrários à medida. Na tarde de quinta, PT, PSOL e PCdoB tentaram obstruir a tramitação, orientando seus deputados a não votarem, para evitar que se atingisse o quórum mínimo, mas a base aliada conseguiu  maioria e o projeto foi aprovado.

Orçamento impositivo

Em contrapartida, no fim da noite desta quinta, a Alesp aprovou uma proposta de emenda à constituição do Estado, implementando o orçamento impositivo. Com isso, o governo será obrigado a liberar dinheiro para emendas dos parlamentares. Essa havia sido uma demanda da base aliada durante todo o ano, que reclamava da seca de recursos, e ameaçava barrar pautas de interesse de Alckmin, como a aprovação do teto dos gastos.

O PL 920 é impopular desde que começou a tramitar. O próprio líder do governo, deputado Barros Munhoz (PSDB), foi enfático ao criticá-lo durante uma audiência no fim de outubro:

“Depois de três anos de sofrimento sem aumento, os servidores de São Paulo, que são o sustentáculo deste Estado, recebem a notícia de um projeto deste teor. (…) Eu já vi burro querer esconder que é burro. Mas burro se jactar de ser burro, eu nunca tinha visto”.

Os arroubos do deputado, contudo, não duraram. Pouco mais de um mês depois, na última sexta-feira (8), Munhoz voltou à tribuna para defender o texto que antes considerava burrice.

“Não é o bicho papão que estão falando”, disse.

Depois partiu para o ataque, dessa vez contra manifestantes que se opõem à medida – em grande parte servidores públicos que seriam o sustentáculo do Estado. “Esse pessoal está matraqueando o que ouve porque são pagos pra falar, alguns. Têm tarifa. É xis em dinheiro e é xis em sanduíche de mortadela”, disse o tucano.

A artilharia de Munhoz atingiu também a imprensa que, para o deputado, tem se posicionado contra o PL e é extremamente mal informada.

“Não têm nem noção do que falam”, disse.

The Intercept Brasil solicitou uma entrevista com o líder do governo, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

Emenda para aumento a servidores

Por isso não se sabe exatamente por que, de uma hora pra outra, ele mudou de ideia, tomando para si a missão de levar adiante o projeto do Bandeirantes. A principal estratégia nesse sentido foi inserir uma emenda na lei que abriu a possibilidade de oferecer reajustes e promoções a servidores.

Para o deputado Carlos Giannazi (PSOL), a solução proposta não passou de uma cortina de fumaça.

“É uma medida para inglês ver, para convencer os deputados da base do governo que estão com medo de votar porque terão um grande desgaste eleitoral”, disse na terça-feira, antes da aprovação final.

Ainda segundo o deputado, o Estado de São Paulo, por ser o mais rico da federação, poderia abrir mão dos empréstimos do governo e, consequentemente, da imposição do teto. E, de fato, estados mais pobres têm se levantado contra a medida do governo federal. Pernambuco considera a possibilidade de se manter no teto “improvável” e a Paraíba levou a questão ao Supremo Tribunal Federal. Além disso, São Paulo tem uma das maiores dívidas, o que também aumenta seu poder de barganha.

A líder da minoria na Alesp, deputada Márcia Lia (PT), comparou o projeto à Emenda Constitucional 95, promulgada há um ano, que limitou os gastos federais:  “É o mesmo projeto. De congelamento nos salários e na contratação de servidores, de diminuição de investimentos. É uma política que reflete uma ideia de diminuição do Estado”, disse. “Estão fazendo ajustes fiscais nas costas dos trabalhadores e daquilo que deveria ser prioridade, como saúde e educação”, completou.

ISENÇÃO TRILIONÁRIA É A CEREJA DO BOLO DA ENTREGA DO PRÉ-SAL

Angra dos Reis - RJ, 03/06/2011. SCAVE - Local do evento da Cerimônia de batismo da Plataforma P - 56. Foto: Ichiro Guerra/PR.

NA ÚLTIMA quarta-feira, Michel Temer e seus comparsas empreenderam mais um ataque contra os cofres públicos. A base governista aprovou uma MP que fará o país abrir mão de 1 trilhão em impostos em favor das petrolíferas estrangeiras que irão explorar o pré-sal brasileiro. Mas este é apenas um dos capítulos finais de um roteiro entreguista que começou a ser desenhado antes mesmo do golpe parlamentar.

Depois do fim do monopólio da Petrobrás em 1997, a exploração dos campos de petróleo passou a obedecer um regime de concessão. Empresas vencedoras de licitação passavam a ser as donas do petróleo e apenas pagavam royalties ao governo. Após a descoberta do pré-sal, o governo Lula propôs uma mudança no modelo de licitação: o vencedor teria que compartilhar com a União a produção do petróleo e a Petrobrás teria que ter obrigatoriamente no mínimo 30% de participação nos consórcios.

Logo após o surgimento das primeiras propostas para o novo marco regulatório, petroleiras internacionais começaram a atuar nos bastidores. Entre 2008 e 2009, telegramas trocados entre o consulado americano no Brasil e Washington, publicados pelo WikiLeaks, revelaram o lobby das petrolíferas para combater as novas regras da exploração do pré-sal. Em uma das mensagens, uma diretora da Exxon aparece preocupada porque a “Petrobrás terá todo controle sobre a compra de equipamentos, tecnologia e a contratação de pessoal, o que poderia prejudicar os fornecedores americanos”. Em outra, uma diretora da Chevron diz que o governo está fazendo uso político do novo modelo e afirma que “as regras sempre podem mudar depois”. Ela ainda afirmou que a nova estratégia a ser adotada é “recrutar novos parceiros para trabalhar no Senado, buscando aprovar emendas essenciais na lei, assim como empurrar a decisão para depois das eleições de outubro”.

Um desses parceiros foi revelado em um dos telegramas intitulado “A indústria de petróleo vai conseguir combater a lei do pré-sal?”. Era o então pré-candidato à presidência José Serra (PSDB), que fez a seguinte promessa para a Chevron: “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”.

Em fevereiro de 2016, o então senador José Serra começa a cumprir a promessa feitas às petroleiras americanas. Uma proposta de sua autoriapara derrubar a obrigatoriedade da presença da Petrobrás na exploração das camadas do pré-sal é aprovada no Senado. Estava plantada a sementinha da dilapidação do pré-sal brasileiro. A proposta também previa acabar com a exigência de contratação de conteúdo local na fabricação de equipamentos. O vice-presidente da ABIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) acredita que esta medida afetará gravemente a indústria nacional e pode desempregar mais de 1 milhão de brasileiros. Ele ainda questionou: “Imagina um governo decidir a favor de seis petroleiras estrangeiras e virar as costas para 200 mil industrias do seu próprio país? Tem alguma coisa errada”.

Após a tomada de poder, Serra foi escolhido para ser ministro das Relações Exteriores. A raposa amiga das petroleiras internacionais foi escolhida por Temer para intermediar a venda da nossa galinha dos ovos de ouro. E ele tinha pressa em atender aos interesses do lobby internacional. Às vésperas de se confirmar na Câmara sua proposta aprovada no Senado, Serra recebeu no Itamaraty a cúpula da britânica Shell. Será que nosso ministro defendeu os interesses do Brasil nesse encontro? Se levarmos em conta os telegramas interceptados pelo Wikileaks, a resposta é não.

Com a porteira aberta, o governo brasileiro deu início aos primeiros leilões de áreas do pré-sal em outubro passado sob as regras desejadas pelas empresas estrangeiras. As vendas chegaram a ser suspensas pela Justiça Federal pelo potencial de prejuízo ao patrimônio público. É que o preço inicial, estipulado pelo governo, estava muito camarada. A decisão foi revertida e a caravana de Temer e Serra pôde desfilar normalmente na passarela do entreguismo.

Em novembro, o The Guardian publicou novas informações sobre o lobby internacional que ronda o pré-sal. Um telegrama obtido pelo Greenpeace revelou que o governo do Reino Unido atuou fortemente em nome de petroleiras britânicas (Shell, BP e Premier Oil) interessadas em se dar bem nos leilões do pré-sal. Greg Hands, ministro do comércio exterior daquele país, se encontrou pelo menos 3 vezes no mês de março com Paulo Pedrosa, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia. Segundo a reportagem, Pedrosa garantiu ao ministro britânico que estava pressionando internamente o governo brasileiro para atender as demandas dos britânicos. Este lobby descarado em favor de interesses nacionais não ganhou status de escândalo, passou voando no noticiário e rapidamente caiu na vala do esquecimento.

O resultado das ações deste conluio não poderia ser diferente. Tanto as empresas britânicas quanto as americanas se deram muitíssimo bem nos leilões. A Shell, por exemplo, pode ser considerada a grande vencedora.

No lobby do ministro britânico estava também incluída a redução de impostos para os vencedores dos leilões. E como seu pedido é uma ordem, a base governista na Câmara aprovou uma isenção trilionária nesta semana, em plena crise fiscal. Não bastou vender o pré-sal a preço de banana, Temer e sua turma precisavam incrementar o sabujismo. E não se trata apenas de abrir mão de impostos, mas da soberania nacional e do nosso posicionamento na geopolítica mundial. 

Numa época em as renúncias fiscais da Lei Rouanet causam revolta, essa isenção trilionária em favor de interesses internacionais não parece ter incomodado ninguém. Se somarmos as isenções fiscais da Lei Rouanet com todo o dinheiro roubado descoberto pela Lava Jato, por exemplo, não chegaremos nem perto do montante do qual o governo está abrindo mão. É um dos maiores assaltos aos cofres públicos que já se viu. Tudo feito dentro da lei, com a conivência de boa parte do povo brasileira e sob o silêncio da grande mídia.

Assim como as reformas trabalhista e previdenciária foram feitas sob medida para atender os interesses do mercado financeiro, todas as ações do governo Temer em relação ao pré-sal foram para atender os interesses internacionais. Os vendilhões da pátria estão depenando o país e o feirão não tem data para acabar. A entrega do pré-sal virou o grande símbolo da republiqueta de bananas que o Brasil voltou a ser dentro da geopolítica mundial.

A REFORMA DO MERCADO FINANCEIRO CONTRA O POVO BRASILEIRO

DE TODAS AS crueldades impostas pelo governo ilegítimo de Michel Temer, a reforma da previdência sempre pareceu a mais difícil de ser concretizada. A rejeição popular sempre foi enorme e o governo não conta com o mesmo apoio maciço do congresso como em votações anteriores. Diante das dificuldades, foram feitas algumas mudanças no texto, mas nada a ponto de alterar a essência devastadora dos direitos previdenciários. Preocupado com a ameaça do PSDB abandonar a barca furada governista, Temer convidou o nobilíssimo senador Aécio Neves para fazer a articulação e conseguir mais votos a favor da reforma. Não havia nome mais adequado para comandar este ataque aos aposentados.

Mas a melhor estratégia encontrada pelo governo até aqui foi gastar fortunas em propaganda. Mesmo em tempos de arrocho, Temer enfiou a mão nos cofres públicos para iniciar uma gigantesca campanha publicitária a favor da reforma. Só no primeiro semestre deste ano, torrou aproximadamente R$100 milhões em publicidade para tentar torná-la palatável. Está funcionando.

Segundo pesquisa do DataPoder360, a rejeição popular à reforma vem despencando. Em abril, 66% dos pesquisados eram contra. Em novembro, a porcentagem caiu para 51%, enquanto a aprovação subiu de 24% para 32%. Temer então decidiu continuar investindo alto. Esta semana, deputados e senadores autorizaram o governo a gastar mais R$99 milhõesem publicidade pró- reforma. Não se sabe se os meus amigos do MBL estão abocanhando parte da bufunfa, mas, no ano passado, o grupo  foi convocado para ajudar a construir as estratégias de comunicação das reformas – talvez venha daí o tom terrorista adotado pelas campanhas.

Querem nos fazer acreditar que a única alternativa além da reforma é a barbárie.

Além da propaganda oficial, os grandes veículos de comunicação também não cansam de nos informar sobre o tamanho do rombo e a urgência da reforma. O discurso é único, com pouquíssimo espaço para opiniões divergentes. Querem nos fazer acreditar que a única alternativa além da reforma é a barbárie.

Em abril, uma CPI da Previdência foi criada no Senado para investigar as contas da Previdência Social. Ela foi assinada por senadores de todos os partidos, inclusive do PMDB, apesar da pressão do governo. O relatório final da comissão, aprovado por unanimidade, concluiu que não existe déficit na previdência. O que existe é uma má gestão dos recursos e uma enorme negligência na cobrança dos devedores, que deixam de pagar para depois recorrer ao Refis. Empresas privadas devem R$450 bilhões e nem se preocupam em pagar porque sabem que não serão incomodadas pelo governo. Só a JBS deve mais de R$1.8 bilhão para a previdência.

A conclusão da CPI não chega a ser uma novidade, mas um fato chama a atenção: até mesmo os integrantes da bancada governista concordam não haver rombo na previdência brasileira. É um dado relevante, mas pouco se falou a respeito. Diferente do que ocorre com a maioria das CPIs, que sempre estiveram sob holofotes, a da Previdência não recebeu praticamente nenhuma cobertura da mídia, o que talvez se explique pelo fato de que grandes anunciantes sejam também grandes devedores. Os bancos, claro, são os que mais devem.

Os milhões gastos em publicidade são para escamotear essa realidade e empurrar para o trabalhador uma conta que não é dele.

agenda pública do homem por trás da reforma, o secretário da Previdência Social Marcelo Caetano, mostra quais interesses o governo pretende atender. Foram diversos encontros com representantes de instituições financeiras, que são grandes interessados em vender planos de previdência privada. Bancos como Bradesco, Itaú e Santander, devedores milionários da previdência (só o Bradesco deve quase meio bilhão), mantêm encontros frequentes com o secretário. Houve até uma reunião com o MBL, mas não há registro de nenhuma com entidades representativas dos trabalhadores (exceto uma com a UGT, a central sindical amiga de Temer). A desfaçatez é tanta que, até ser denunciado em março deste ano, Caetano acumulava as funções de secretário da Previdência e conselheiro da BrasilPrev – uma das maiores empresas de previdência privada do Brasil.

03/02/2017- Brasília, DF, BRasil- O secretário da Previdência Social, Marcelo Caetano, e o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro, durante reunião no Ministério da Fazenda.  Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Marcelo Caetano em reunião no Ministério da Fazenda.

 

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Agências de classificação de risco internacionais seguem o discurso hegemônico pró-reforma da mídia brasileira. O tom terrorista também é o mesmo. A Standard & Poor’s chegou a emitir um alerta ameaçando rebaixar a nota do Brasil caso a reforma seja adiada.  

Assim como Dilma não foi deposta por pedaladas fiscais, o objetivo da reforma não é salvar o país da crise, mas atender aos interesses do mercado financeiro. A conta da má gestão desses recursos públicos será empurrada para o trabalhador, enquanto os grandes devedores, que foram perdoados por todos os governos, continuarão sendo preservados. Os bancos ainda serão agraciados com o abocanhamento do mercado da previdência privada que irá bombar após a reforma. É isso o que está em jogo. Os milhões gastos em publicidade são para escamotear essa realidade e empurrar para o trabalhador uma conta que não é dele. Um presidente que não foi eleito está gastando o nosso dinheiro em propaganda para nos convencer de que a única saída para a crise é o esquartejamento dos nossos direitos previdenciários. Esse é o drama brasileiro.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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