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PREVISÕES DA MÃE TRANSVISÃO PARA O ANO DE 2016

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Embora conhecendo o adágio temporal-sacro de que “o futuro a Deus pertence”, membros dos vetores comunicacionais da Associação Filosofia Itinerante (Afin), Blog Esquizofia e Blog Afinsophia , fizeram uma vista a Casa da Mãe Transvisão com o intuito de pedir a ela que, em sua potência-transcendental, realizasse algumas previsões para o ano de 2016 que já se encontra adentrando no ano de 2015. Ano em que as direitas do Brasil contam minuciosamente os segundos para que encerre seu ciclo, visto que fora um ano em que elas não tiveram qualquer de suas intenções conspiradoras consumadas. Entre elas, depor Dilma e prender Lula, dois expressivos brasileiros por suas originalidades.

Mãe Transvisão, como sempre carinhosa, solícita, meiga e inteligente atendeu os consultantes. Em seu salão nobre, completamente colorido, de um psicodelismo envolvente, enlevado por aromas agradáveis, sonorização fluente, ela, em seu traje singular composto por traços cativantes, envolveu-se com a transcelestidade, transtemporalidade, transhistoricidade e trancedência e realizou seus contatos que nos foram comunicados como formas de previsões.

Como Mãe Transvisão é uma mulher eminentemente politizada, ela começou suas previsões pelo que há de pior no Brasil: as ignóbeis trapaças das direitas golpistas comandadas pelo seu persona non grata, Eduardo Cunha.

Então, leiamos as previsões da infalível Mãe Transvisão.

  • No começo do ano de 2016, Eduardo Cunha conquistará a tríplice coroa: será destituído da presidência da Câmara Federal será cassado e preso.

  • Aécio Cunha vai aumentar mais ainda seu tônus biliar: Dilma continuará seu objeto de desejo inatingível. Continuará tramando, mas vai aos pousos ficando mais isolado que já se encontra. Até os coxinhas lhe abandonarão. E para acabar de vez com sua simulação de honestidade, Janot vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) investigação sobre a Lista de Furnas. Esquema de corrupção comandado pelo PSDB sob a orientação do próprio ressentido-compulsivo.

  • Fernando Henrique vai sofrer um grande baque em seu narcisismo já tão anêmico: Dilma vai ter a popularidade de seu governo aumentada.

  • Serra sofrerá investigações e terá seus projeto entreguista do pré-sal totalmente combalido.

  • O senador Agripino Maia vai ser condenado pelos crimes de corrupção e perder o mandato.

  • O vice-presidente Michel Temer, continuará sendo apenas uma figura decorativa no governo Dilma. E sua fama de golpista vai aumentar e nem as mídias aberrantes, suas defensoras, vão conseguir protege-lo.

  • O deputado Jean Wyllys do PSOL vai conseguir maior aderência em suas ideias que serão compartilhadas por grande parte da sociedade brasileira.

  • A deputada Jandira Fegalli do PCdoB vai se tornar a representação-mor das mulheres combativas do mundo indicada por organismos internacionais.

  • Os institutos de pesquisa eleitoral vão sofrer o ano inteiro: terão que divulgar resultados de suas pesquisas para a eleição presidencial de 2018 com Lula disparado na liderança.

  • O deputado racista e homofóbico Bolsonaro será definitivamente condenado por ter ofendido a deputada Maria do Rosário (PT/RG).

  • Fernando Henrique terá um ano doloroso e tenso: as investigações sobre esquema de propina na Petrobrás em seus governos aumentarão de tal forma que nem as mídias, suas protetoras, poderão escamotear as notícias sobre esse esquema de onde se originaram Paulo Roberto Costas e Pedro Borusco, ambos presos pela Operação Lava Jato.

  • Dilma não vai sofrer impeachment, a economia vai voltar a crescer, a maioria dos brasileiros terão suas vidas melhoradas e parte das direitas vai morar na Argentina para apoiar o governo Macri.

  • Lula será indicado ao Prêmio Nobel da Paz e Fernando Henrique será acometido de forte crise de invejite-tremules.

  • Os movimentos sociais e os sindicatos serão mais fortalecidos e terão maiores participações em decisões importantes para a sociedade brasileira.

  • As artes como o cinema, teatro, música, literatura, dança, todas as formas de expressões populares terão maiores investimentos.

  • Os estudantes do ensino público do estado de São Paulo, que mudaram o conceito de educação no estado defendido pelo governador Geraldo Alckmin com seu plano de ‘reorganização’, vão constatar o fim desse plano.

  • O compositor, cantor, escritor, teatrólogo, poeta, articulista Chico Buarque receberá das mãos de um organismo internacional o título de representante-maior da sensibilidade e inteligência frente estupidez-arrogante da burguesia-desvairada.

  • A surpresa das eleições municipais de 2016 será o número de prefeitos eleitos de partidos progressistas, assim como vereadores.

  • Em Manaus, o prefeito que jurou aplicar uma surra em Lula, Arthur Neto, não será reeleito apesar do grande esquema de cooptação de funcionários como cabo eleitorais. Seu pior cabo eleitoral serão os buracos que ele produziu em Manaus como continuação das gestões de prefeitos anteriores como seu amigo Amazonino, ex-prefeitos Serafim e Alfredo. Professores, médicos e outros profissionais lambaios continuarão votando nele, mas não será um número insuficiente para reelegê-lo.

  • Muitos vereadores que usam as igrejas como catapulta para a vereança não serão reeleitos, assim como os chamados novos também.

  • Os principais candidatos que disputarão a prefeito de Manaus serão um de partido progressista e outro, como é comum no Brasil, de um partido reacionário. Mas não serão do PSDB, PPS, DEM, SD e REDE.

  • O governador do Amazonas, José Melo, será cassado, mas vai recorrer em outra instância. Porém, no final será cassado de vez.

  • No mesmo momento da derrota de Arthur e a cassação de Melo, jornalistas e empresas de comunicação submissas e calculistas a ambos cuspirão nos pratos que babaram.  

  • A TV Globo vai continuar perdendo audiência junto com sua emissora de rádio CBN, e será denunciada e investigada pelo FBI no esquema de corrupção da FIFA e ainda será, terminantemente, obrigada a pagar sua dívida com a Receita Federal.

  • As inúteis revistas lamê Veja, Época e IstoÉ diminuirão suas finanças, irão despedir funcionários e ficarão com os pés na cova do capitalismo.

  • Por sua vez, os blogs, sites, portais progressivos, também conhecidos como “sujos”, aumentarão seus acessos. E também terão aumentados seus anúncios de publicidades.

  • A Seleção Brasileira vai continuar sofrendo em busca de sua classificação para a Copa do Mundo. Porém, só no ano que vem é que se saberá ao certo se será classificada ou não.

No fim das previsões, os membros dos blogs pediram que Mãe Transvisão, fizesse algumas previsões para a Afin. Então, ela pousou nos membros dos blogs um olhar cândido e sorrindo suavemente disse que a Afin apenas processasse seus devires com confiança, engajamento e responsabilidade como vem fazendo há mais de 13 anos.

O que eles queriam mesmo era saber qual seria a conclusão do processo que a Afin vem respondendo no Paraná porque seu Blog Afinsophia publicou um artigo, em 2012, sobre um caso de racismo e foi acusada de prática de ofensa e ter que pagar R$ 30 mil de indenização.

Ao saírem da casa sagrada Mãe Transvisão abraçou todos os abençoando  proferindo louvor: “Axé, meus filhos e filhas!”. Ao que eles responderam: “Axé, Mãe Transvisão!”

VAMOS FALAR SOBRE GÊNERO?

IMG-20150915-WA0013Por: Brenda Oliveira*

Existem muitas características que nos tornam diferentes um dos outros ao passo que somos muito parecidos em outros aspectos. Dependendo da localidade onde nascemos e nos desenvolvemos adquirimos características bem diferentes em relação a uma região bem próxima da nossa. A escolaridade, a religião e a cultura nos fazem tão diversos.

Desde criança somos ensinados se comportar de maneira a corresponder às expectativas que foram colocadas no momento da nossa concepção. Se nascermos com uma vagina nossos pais nos ensinam tudo o que uma menina deve fazer e nós devemos seguir a risca esse padrão, ou contrário, seremos confundida com outro gênero, e isso é inaceitável.  

Crescemos dentro de uma perspectiva, que meninos jogam bola e meninas brincam de boneca, e nenhum pode entrar na brincadeira do outro. É como se em duas caixas fossem colocados os papéis de menina e os papéis de meninos. Cada um só pode usar as características das caixas que correspondem ao seu gênero imposto no momento do nascimento. Se alguém ousar sair da regra pode sofrer várias consequências.

Observamos isso de forma muita clara na sociedade, onde os papéis de gênero são construídos socialmente. Ser mulher é uma construção social, assim com o ser homem também é uma construção e isso nada tem a ver com o genital.

Para a biologia, o sexo é definido pelo tamanho das suas células reprodutivas (pequenas: espermatozoides, logo, macho; grandes: óvulos, logo, fêmea), e só. Mas isso não define um comportamento feminino ou masculino a forma como vou me colocar no mundo, a forma como meu gênero será imposto e como será minha expressão de gênero.  Isso varia conforme nossa cultura.

O conceito de ser homem e ser mulher é diferente em cada cultura, assim o que é considerado papel de mulher na Islândia pode ser considerado papel de homem no Brasil. Ser masculino no Japão é bem diferente de ser masculino no Brasil, por exemplo.

O gênero é social, e isso nada tem a ver com seus cromossomos ou o formato da sua genitália, tem a ver com o autoconceito, sua autopercepção. O papel de gênero que vamos adotar ou não independe de nossos genitais, está mais ligado à expressão social.

Se observarmos o tempo e a história, em algum momento passamos por mudanças e inversão de papel. Comportamos-nos como é imposto ao gênero oposto, seja em uma brincadeira de criança, ou seja, em caso de sobrevivência como foi para Maria Quitéria que se vestiu de homem para lutar na guerra da independência.

Dentro dessas nuances que é o ser humano, nasce a transexualidade. Atualmente o DSM V aponta a transexualidade como Disforia de Gênero, patologizante. Só que a transexualidade não é uma doença, não é contagiosa e muito menos uma perversão sexual. É uma questão de identidade de gênero. Vamos deixar claro aqui que nada tem a ver com a orientação sexual. A orientação sexual está no campo da afetividade, por quem ou por qual eu direciono minha libido, meu desejo sexual ou não. Transexualidade está no campo do autoconceito, da forma como me vejo e me coloco no mundo. Logo uma pessoa transexual pode ser hétero, bissexual, homossexual, pansexual ou assexuada.  

A transexualidade não é um capricho, podemos inclusive observar ao longo da historia. Para ser bem claro, mulher transexual é qualquer pessoa que reinvidica o reconhecimento como mulher. E homem transexual é qualquer pessoa que reinvidica o reconhecimento como homem, como bem definiu Jaqueline Gomes de Jesus.

O reconhecimento da identidade trans* ocorre ainda na infância para algumas pessoas, mas para outros ocorre ao longo da vida, principalmente na adolescência. Em sua maioria, tardam esse reconhecimento por diversos motivos, os principais são o preconceito (aqui vamos usar o termo transfobia, que é o termo usado dentro da comunidade T para se referir a discriminação de pessoas travestis e transexuais), repressão e a falta de conhecimento sobre o assunto.

Muitas mulheres trans* no inicio de sua identificação são lidas e se leem como homens gays afeminados e com os homens trans* a mesma coisa, no inicio são lidos como mulheres lésbicas masculinizadas.

Depois que chegam ao entendimento sobre sua identidade essas pessoas passa pela transição, ou seja, a adequação do corpo ao gênero com o qual se identifica. E graças aos avanços da medicina homens e mulheres trans* podem se hormonizar e alcançar um corpo igual ao de homens e mulheres biológicos, ou seja, cisgêneros. Isso claro, se a pessoa tiver dinheiro para custear todo o tratamento.

Do contrário o que o senso comum diz a cirurgia de adequação genital não muda o gênero. Como sempre diz Daniela Andrade, mulher transexual e ativista do movimento T no Brasil, “ninguém deita em uma mesa de cirurgia homem e levanta de lá mulher, assim como ninguém deita mulher e levanta homem” existe todo um trabalho que antecede essa cirurgia, incluindo uma equipe multidisciplinar de pessoas cisgêneras que vai “julgar” se você pode ou não ir para uma fila de espera (aproximadamente 10 anos). Existe um protocolo transexualizador, além de uma hormonização compulsória que as pessoas transexuais passam para poder ter o aval da equipe multidisciplinar.

Assim cada pessoa adota uma expressão de gênero correspondente ao que se identificam, mulheres transexuais reivindicam o direito de serem tratadas como qualquer outra mulher, com os deveres e direitos que lhe são reservados, assim como os homens transexuais também adotam uma expressão de gênero masculino e reivindicam nome e tratamento conforme sua identidade de gênero.

Para essas pessoas, a necessidade de viver de forma completa como se sentem interiormente é prioritária. Por isso a necessidade de um novo nome, usar o banheiro adequado ao gênero, trabalho, aceitação social e a cirurgia de transgenitalização. Algumas pessoas optam por não fazer essa cirurgia.  

Outra nuance do ser humano é a travestilidade. Como bem definiu Jaqueline Gomes de Jesus, “entende-se, nesta perspectiva, que são travestis as pessoas que vivenciam papéis de gênero feminino, mas não se reconhecem como homens ou como mulheres, mas como membros de um terceiro gênero ou de um não-gênero.”

Para esse grupo, é imprescindível o tratamento no feminino. É considerado um insulto tratar uma travesti no masculino. Não se trata de homens travestidos, mas sim de uma figura feminina, que não é homem e nem mulher. Por isso enfrentam tanta dificuldade de adentrar no mercado de trabalho, muitas empresas são discriminatórias, preferem não associar sua imagem a esse ser, inusitado, uma incógnita, um terceiro sexo.

Dada a situação social de uma travesti, visto que muitas saem cedo da escola sem terminar os estudos por conta de sua condição, o abandono da família e dos amigos, muitas recorrem a prostituição como única fonte de sustento. Isso não quer dizer que toda travesti é uma profissional do sexo.

A grande dificuldade do homem é entender que a transexualidade e a travestilidade é mais uma forma de ser e de se manifestar do ser humano. Por isso ele marginaliza e o trata de forma tão excluída pessoas que pertençam a esse grupo. Para deixar o preconceito de lado é preciso humanizar-se.

*Brenda Oliveira estudante do curso de Psicologia e pesquisadora sobre sexualidade e transgêneros. 

HUGO CHÁVES FRIAS NON SE CALOU PARA O IMPÉRIO E SUBJETIVIDADE REVOLUCIONÁRIA CONTINUARÁ

Enganaram-se os senadores do PSDB que por ocasião da votação para entrada da Venezuela no MERCOSUL falavam que o presidente Hugo Chaves, um dia morreria.

Malogram-se em pensar que Hugo Chaves morreria a imprensa golpista venezuelana, a imprensa golpista do Brasil e  grandes capitalistas predadores da riqueza andina.  

O que Hugo Chaves produziu na Venezuela continuará. O que estes senhores poderosos não perceberam é que cada venezuelano, cada venezuelana seguidor, seguidora de Chaves continuará pulsando, disseminando a política construída por ele em benefício do povo e das classes menos favorecidas. A subjetividade Chaves perpassa cada venezuelano, cada brasileiro que gosta dele, apóia-o e dissemina a revolução Bolivariana prenúncio do Socialismo do século XXI.

Hugo Chaves continuará combatendo “os lacaios das grandes empresas multinacionais”. Hugo Chaves continuará não se calando para imperador e nem presidente norte americano. Hugo Chaves não permitirá que diretores entreguistas ocupem a direção da petrolífera PDVSA.

Hugo Chaves não permitirá que grandes latifundiários retomem terras que foram distribuídas no projeto de reforma agrária para o povo. Hugo Chaves não permitirá que grandes quantidades de dinheiro sejam destinados para o exterior enquanto seu povo passa necessidade.

Hugo Chaves não se calará para os exploradores. Quer sejam imperadores espanhóis, quer seja presidente americano que já fala em nova relação com a Venezuela. Este dá uma demonstração de que não entende mesmo de relações sócio-políticas com o povo que tem um líder. A política bolivariana continuará com cada venezuelana, com cada venezuelano, com cada latino americano, pois foi assim com Simão Bolívar, Che Guevara, Salvador Allende. Assim foi com Peron e Evita e Getúlio Vargas. O que Hugo Chaves produz e cria vai além do “pulo do muro”. Continuará nas pessoas, nos corações de todos que desejam e querem uma América Latina sem as “Veias Abertas” da exploração e da dominação imperial.

Governo de São Paulo decide implantar internação involuntária de usuário de Crack

Em uma parceria  do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), com o Ministério Público e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, decidiu implantar a internação involuntária de usuários de crack.

De acordo com a Agência Brasil, a internação involuntária será da seguinte maneira:

“A internação começará no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras Drogas, que será criado para casos de emergência. Após ser atendido pelo serviço de saúde, o dependente químico será avaliado por médicos que oferecerão tratamento.

Caso o paciente recuse o auxílio, um juiz poderá determinar a internação compulsória depois de a equipe médica atestar que o usuário perdeu o domínio sobre sua saúde e condição física. O governo estadual informa que a internação involuntária será aplicada em conjunto com a família”.

Na opinião de Geraldo Alckmin a internação involuntária é um avanço: “Estamos avançando; essa é uma tarefa permanente. Temos consciência do problema, que já melhorou muito. Estamos reduzindo o número [de dependentes nas ruas] e vamos continuar, de um lado com as equipes de abordagem e de outro a internação, agora com juiz, promotor e advogados para os casos mais graves”.

Já faz um ano que usuários de crack foram violentamente removidos da chamada Cracolândia, em São Paulo. Uma operação policial, reunindo a força da Polícia Militar e da Guarda Metropolitana, agiram ostensivamente contra traficantes e usuários. Contudo a violência na retirada dos usuários foi tão evidente que o próprio ministério público de São Paulo se manifestou contra a operação, considerando-a inútil.

Nesta ocasião, o ministério público de São Paulo entrou com uma ação civil pública contra o governo paulista pedindo indenização de R$ 40 milhões por danos morais individuais e coletivos, acreditando que estava havendo violação dos direitos humanos por parte do governo estadual.

Em operações como esta, pode-se claramente perceber o quanto o Estado de Direito, abusando de seus poderes constitucionais e do controle da violência — seja a praticada pelo próprio Estado e/ou a praticada para conter ações subversivas à sua ordenação — deriva para ações repressivas.

Neste caso, é instalada, por meio de um controle político-sanitário, uma divisão entre aqueles que podem circular na cidade e os que não podem. Não se trata aqui de negar o problema que as drogas apresentam para a cidade. Ao contrário, queremos dizer, que o problema não é percebido e tratado de forma clara e adequada. Não se percebe o usuário de droga como um efeito de uma sociedade drogatizada e, tanáticamente, fundamentada na lógica do capital, onde o que menos importa é o humano como produção do bem comum.

Este controle, também, é uma forma de vigilância que avança até o registro de pessoas que serão vistas pelo Estado como possíveis suspeitos, uma vez que estão sob constante vigilância, tanto criminal como médica. Aqui, o controle se apresenta de modo econômico. O espaço público da cidade deixa de ser a construção livre dos corpos produtores. A cidade é vista unicamente no seu sentido mercadológico, que precisa ser regulado através, por exemplo, de corpos unificados, homogêneos. Não há lugar, neste tipo de cidade, para corpos que escapem a esta regulação, a esta vigilância e ao controle político-sanitário imposto.

A melhor forma de garantir tal regulação passa a ser, portanto, tanto a ação do Estado quanto o direito, neste caso, com a defesa da Ordem dos Advogados do Brasil. Nem se imagina questionar o porquê dependentes de drogas surgirem no mundo. O quanto eles procuram se esquivar de uma realidade advinda de uma subjetividade insuportável.

Junto com Mireille Delmas-Marty, podemos perceber o quanto o Estado, em casos como estes, deixa de lado sua responsabilidade social e política, pois fica evidente como “Todos nós podemos nos tornar suspeitos sob vigilância”. Pois não são apenas usuários de crack que estão na mira do controle, da vigilância, do registro e da internação involuntária imposta pelo Estado, mas qualquer um que possa representar o mínimo perigo à sua ordem.

Para quem procura uma identidade no uso de drogas, fica claro o quanto as leis, o direito e os aparelhos de Estado não fazem parte da existência de muitos. Para resolver este problema, basta uma forma de tratamento que, como tudo indica, tem como objetivo a ocultação de suas causas?

Ação Penal 470 e Direito sensível: da corrupção a geração

Concluído o julgamento da Ação Penal 470, conhecida pela alcunha de Mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF), após quatro meses e meio (faltando ainda a redação do acórdão do processo e a análise de eventuais recursos), resta um tanto de discussões em torno da ciência do Direito e da ação do Direito em assuntos de interesse de toda sociedade, como é o caso da corrupção.

Ficou para o atual presidente do STF e relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, o papel de evidenciar a corrupção como um grande mal capaz de destruir a integridade de todo um país, logo tendo que ser combatida, através de ferramentas jurídicas de que dispõe a maior instância da justiça brasileira. Por esta razão, talvez, ele tenha declarado por ocasião do fim do julgamento: “Vocês nunca mais vão ouvir falar de uma ação tão longa, de um julgamento tão complexo”.

Indubitavelmente complexo. Mas entendamos: não pela complicação jurídica inerente à ação, mas porque reuniu uma série de interesses, próprios da produção da existência, que evidenciaram o jogo de afirmar e negar, de tornar algo absoluto e depois limitá-lo, tão exercitado pela ciência jurídica (Antonio Negri). 

Ao longo do processo, o primado deste jogo pode ser considerado a extenuante preocupação demonstrada por alguns ministros, principalmente por Joaquim Barbosa, e endossada pela mídia maior (representante das regras morais constituídas como fundamento dos vínculos sociais e das grandes representações sociais) de se manter uma luta contra a corrupção no campo político profissional do Brasil. Reivindicação antiga esta, tão antiga quanto o entendimento de que a corrupção é um ato que se fecha no desvio de dinheiro público por pessoas que cumprem mandatos políticos. Com a ação 470, tornou-se comum pensar que o combate a esta corrupção pode ser encontrado na normatividade exercida pelo Direito e que a justiça será cumprida se a decisão tomada sobre um julgamento desta natureza constituir um vínculo entre a decisão tomada e o texto da lei. Deste modo, entende-se que a justiça é realizada quando se é cumprida uma norma.

É óbvio o fato de que o Direito, em sua história e grandes escolas, acolheu a normatividade como forma de objetivar a produção da existência. Pode-se considerar óbvio, também, o fato de o normativismo ter ganhado uma forte identidade com o Estado e a organização de sua estrutura. Contudo, esta aparente obviedade pretende ocultar o lugar do Direito como sendo o das problematizações da existência, da potência e não do poder, da política e da democracia absoluta (Spinoza/Antonio Negri) e não da representação e do Estado. O lugar do direito, portanto, é o lugar da existência, da rua, onde as produções existenciais, constitutivamente, vão engendrando os próprios contratos, as leis, processos e ações responsáveis por compor a realidade, seja ela do poder, do Estado, do Direito e das decisões tomadas segundo o normativismo jurídico.

 

Poder Constituinte e Representação

De modo breve, o Poder Constituinte, na práxis constitutiva de Antonio Negri, é o movimento absoluto da potência criadora da multitudo, ou seja, a produção da existência pelas singularidades que resistem ao autoproduzirem-se, sem ser efeito de uma realidade constituída ou de uma classe, sem ser efeito de uma ideologia; é o trabalho vivo e criador que não é absorvido pelo poder constituído. Este conceito de poder constituinte problematiza uma crise engendrada pelo poder do Estado que tem, por fundamento, a representação.

Sabe-se que esta representação se deu devido à teoria do poder de Thomas Hobbes, na qual a alienação das liberdades individuais da multidão é necessária para impedir que haja a “guerra de todos contra todos”. É por medo que o contrato social se torna o poder do Estado, como organizador e tutor da sociedade, uma necessidade. E é a justiça (entenda-se Direito normativo) a responsável por mediar as relações entre sociedade e Estado. Esta perspectiva do poder do Estado encontra seus ecos nas teorias desenvolvidas por Rousseau e Hegel, citando apenas os mais influentes.

Muitas teorias da ciência do Direito, que trataram do poder constituinte, encerram-no na representação. O poder constituinte como fundamento da Constituição, como movimento livre de falas que vão desdobrando significados e sentidos, vai definindo-se à medida que se reduz à dinâmica orgânica dos poderes constituídos. Deste modo, o poder constituinte é absorvido pela representação e os elementos constitutivos de sua produção livre são regulados pelo poder do Estado e mediado pelo poder jurídico.

Neste caso, para usarmos um exemplo breve, as leis perdem sua característica de produção humana, de efeito de problematizações sociais, políticas e econômicas e passam a existir a partir de suas próprias sentenças. Pior ainda é o fato de surgir o pensamento de que a lei seria uma produção que teria seu inicio, meio e fim no poder legislativo, pois apagado o movimento de produção da lei nos agenciamentos que se encontram na existência material, ela é recolocada como função e ação pura de membros do poder legislativo.

Assim, a Ação Penal 470 imputou, à coerção da lei, a restrita responsabilidade de combater a corrupção. Segundo alguns, até mesmo passando por cima do poder legislativo (aqui). Mas isto pouco importaria, se percebermos o quanto o poder constituinte, enquanto potência criadora da multitudo resiste à sua subsunção ao poder constituído. Esta percepção contribui para que o poder e a ciência jurídica não sejam tratados somente dentro das categorias normativas, mas, pelo contrário, como produções existenciais onde o dever-ser do Direito positivo comece a fazer parte do ser como produção dos desejos. É aí que um direito sensível pode nos interessar.

 

Direito Sensível, Corrupção e Geração

Luís Alberto Warat afirma a necessidade de se elaborar outra concepção do Direito que esteja apartada do normativismo. Para Warat, “O mundo do Direito, suas práticas, discursos, representações simbólicas e circunstâncias institucionais, seguem apresentando um núcleo muito forte de inacessibilidades, quase blindado, a qualquer aproximação interpretativa ou reflexão filosófica.” Seguindo os estudos da vida reflexiva de Warat, pode-se compreender esta afirmação de modo radical: o Direito se afastou da vida, isto é, do movimento material e espiritual (logos/verbo/razão) da produção da existência, que conta com uma política e economia dos afectos, com uma produção das singularidades, da produção da alteridade como aproximação e afirmação das diferenças, da potência que não se reduz ao poder, de um amor político que vai além das instituições prescritivas.

Este direito pode ser chamado de sensível. É sensível, pois não concebe o Direito como algo estranho à produção da existência. O Direito não é concebido de modo arbitrário, mas é compreendido pelos vários modos de ser que compõe percepções novas, isto é, percepções que procuram se afastar dos sentimentos constituídos e desenvolver entendimentos na materialidade da existência de modo radical, indo à raiz do que é produção humana e a problematizando. A verdade do Direito não consistiria no normativismo, mas na produção de saberes e das práticas que fazem com que estes saberes sejam capazes de construir outras vivências. Em uma palavra: estas mudanças jurídicas reivindicam não apenas direitos e deveres, mas acima de tudo, uma práxis constitutiva das singularidades, aonde a produção da existência venha não do universal abstrato, mas de proposições subjetivas capazes de afirmar diferenças e reinventar o campo do real.

Com efeito, do modo em que este texto vem se desenvolvendo, a corrupção não pode ser entendida dentro das modulações do Direito normativo que se identificam com o Estado. A corrupção, segundo esta concepção, encontra seu lugar nos regimes de governo e na contradição de seus atos. Assim, só poderiam ser resolvidos a partir de suas próprias categorias normativas. A corrupção aqui é concebida, segundo Antonio Negri e Michel Hardt, como o rompimento da cadeia de desejos. A corrupção é o que enfraquece e até esvazia a produção ontológica, fazendo da existência apenas a reprodução da perversa realidade capitalista que anula as singularidades.

Deste modo, a corrupção é um alastramento das práticas responsáveis por fazer do bem comum um punhado de pressupostos a serem seguidos como imagens morais impostas. A corrupção está em todo lugar onde o capitalismo estiver, ou seja, em todo lugar onde o individual ocupa o lugar da solidariedade da comunidade e transforma a existência e os objetos e práticas dela resultante em fetichismos para a manutenção do poder do capital.

A Ação Penal 470 trabalhou com o sentido de corrupção reduzido a regimes de governo e não fez com que o Direito se aproximasse da vida. Não tomou o Direito de modo generativo. A geração é o que combate a corrupção, ou seja, os modos de ser moldados pelo capitalismo. A geração é da ordem do desejo, da produção, de uma nova subjetividade que problematize a materialidade da existência. Somos nós, nosso trabalho, nossas ações, a composição de nossos afectos que produzem o mundo.

“Para que a geração ocorra, o político precisa ceder ao amor e ao desejo, isto é, às forças fundamentais da produção biopolítica. A política não é aquilo que nos ensina hoje o cínico maquiavelismo dos políticos; é, antes, como o democrático Maquiavel nos diz, o poder de geração, desejo e amor. A teoria política precisa se reorientar nessa linha e assumir a linguagem da geração” (Antonio Negri e Michel Hardt).

Tornou-se um senso comum dizer o quanto é inelutável a verdade normativa do Direito. Mas podemos sim exercitar a geração como alternativa para um Direito que esteja mais próximo da produção da existência. Não sendo assim, estaremos reduzidos à crença de que somente existimos quando somos representados pelo poder constituído.

QUE GRITO É ESTE QUE NÃO SAI DE LUGAR ALGUM E VAI PARA LUGAR NENHUM

O GRITO

O Grito dos Excluídos e Excluídas, historicamente, é um evento promovido por entidades da Igreja Católica mais próximas de causas sociais como as Pastorais, por movimentos sociais, entidades ligadas a sociedade civil e por pessoas que de um modo ou de outro sentem-se excluídas dos processos econômicos, políticos representativos, sociais, civis e culturais promovidos e organizados pelo sistema capitalista.

Com este histórico, o Grito insistiria na perseverança de um modo de ser crítico, ou seja, uma postura humana frente ao real, capaz de analisar as perversidades próprias ao sistema capitalista responsáveis não somente por excluir as pessoas dos processos mencionados acima, mas de privá-los da vida, uma vez que na sociedade capitalista, para se obter o lucro, tudo se torna uma mercadoria, inclusive ideias, comportamentos e até o próprio ser humano, pois uma das exigências da exploração capitalista é o esgotamento das energias do corpo e do espírito humano através de atividades mortas, alienadoras e sem significado, atividades que forçam a ação humana está reduzida à sobrevivência diária, tendo que fazer da luta não uma revolução do atual estado de coisas constituído, mas uma sofrida e exaustiva luta pelo pão de cada dia.

O GRITO EM MANAUS: A PRÁTICA DE UM PECADO

Mas, ao que parece e tudo indica, o Grito ao passar dos anos em Manaus, foi se desviando deste objetivo estético-ético-político. E deste modo passou a viver em pecado. E nem poderíamos dizer que sua coordenação está a cometer equívocos, pois, partindo da premissa que o grito trabalha com uma percepção de Cristo institucionalizado pela Igreja, o que pode haver é desvio do caminho certo, fazendo com que o Grito caia em erro, isto é, em pecado como dissemos. Isto dentro do maniqueísmo do cristianismo oficial.

Este desvio, digo, pecado, ocorre por um fato que vem se repetindo nos últimos Gritos. As últimas versões do evento, abandonando a critica e a vida das ruas e o calor da vida pulsante dos bairros com suas estruturas sociais decadentes e a alegria e criatividade do pobre afastado dos centros de comércio e centros simbólicos da classe alta manauara, começou a realizar suas concentrações em lugares, que no mínimo, desvirtuam o real objetivo de um grito que não reproduz o poder constituído, mas que atravessa a existência como potência de criação nas falas autênticas de todos aqueles que são responsáveis por produzirem suas próprias condições de vida.

Este desvio também veio cada vez mais acompanhado de uma necessidade irracional de aproximar o grito dos políticos profissionais, numa crença mítica e mistificada de que a democracia representativa, quando desvinculada da corrupção e de práticas nefastas como a mentira, por exemplo, pode ser a via de acesso às mudanças desejadas. Mas como poderia acontecer algo assim, se a democracia representativa é justamente uma derivação da primeira forma prática do capitalismo exposta pelo mercantilismo onde o surgimento do Estado moderno se deu justamente para a organização política-econômica da melhor acumulação de riquezas através da exploração nos seus vário0s segmentos?

Ora, a corrupção, a mentira e outras impotências no humano, são próprias do modelo representativo democrático, pois são próprios de um capitalismo que impõe a necessidade do capital ser uma relação entre dominadores e dominados. Deste modo, quem acredita que a democracia representativa é a única via de acesso para as mudanças, acredita em um capitalismo humanizado onde uma minoria toma para si a palavra da maioria e acredita falar por essa maioria.

Eis que seguindo o desvio, o pecado, o Grito, como já vinha ocorrendo antes, vai realizar a versão do evento cristão-social de 2012 em uma avenida de Manaus que carrega consigo todo o simbolismo da moral burguesa e força os excluídos a se sentirem mais excluídos ainda. Este ano a concentração será  nesta sexta-feira, dia 07 de setembro, na  Av. Constantino Neri, em frente ao parque dos bilhares, à partir das 16:00h, passando pela avenida Caco Caminha indo até a ponte da Compensa no Prosamim. Mas não foi apenas isso.

Para a definição dos detalhes ( ao que parece aqueles que importam realmente) do Grito deste ano, no dia 29 de agosto, a coordenação da Igreja reuniu líderes comunitários, representantes da Cáritas Arquidiocesana, movimentos sociais e candidatos à prefeitura de Manaus para pedir uma cidade mais digna. Mas nos perguntamos: como fazer tal pedido para candidatos que do auto da fama de cargos políticos-profissionais como o de senador, prometem uma surra na autoridade constituída maior da nação, fazendo com que nem a hierarquia estabelecida seja respeitada; ou para candidatos que estejam sendo apoiados por um político responsável pelos quase trinta anos de estagnação social, política, cultural, econômica em Manaus que contribuíram para que ela torna-se uma não-cidade.

É claro que a coordenação do grito poderá dizer fazer parte da democracia o diálogo. Mas como usar da razão, ou seja, da produção de argumentos, com pessoas que fizeram da violência seus modos de existência? E, talvez o que seja pior, como se fazer ouvir o grito dos excluídos fazendo acordos com aqueles que proporcionaram a exclusão do povo? Atitude irracional! Que motivo teria o torturado(@)/excluído(@) em fazer acordos com o seu carrasco?, para parafrasear a alegria Brecht na peça A exceção e a regra. Talvez, o motivo seja para deixar claro que a melhor forma de tratar os excluídos no capitalismo é fazendo com que eles se mantenham excluídos, mas contribuindo para a nervura do sistema através de seus votos, da reprodução de discursos constituídos, de perdões, de compaixões…

O QUE É PRÓPRIO DOS REGIMES AUTORITÁRIOS

A circulação política deve ser menosprezada nos sistemas autoritários, seja qual for a bandeira ou ideologia que eles carreguem. Deve-se estagnar o movimento. E este movimento não é apenas o livre andar, mas também o livre gritar. Um grito que não seja eco e ressonância dos aparelhos de Estado. O cuidado maior é o de perceber que o poder político, como nos indica o filósofo Paul Virilio, desenvolve-se, secundariamente, em um poder da classe dominante, fazendo com que seus discursos, seus comportamentos e suas crenças sejam tidos como modelos a serem reproduzidos, no intuito de fazer de nós os pretendentes deste modelo e que para isso teríamos que cortejar os donos do poder.

O Grito, ao contrário disso, poderia esclarecer que o estado não existe se não houver as pessoas com suas atividades diárias, com seus trabalhos, com suas existências, criativamente, inventadas todos os dias. O Estado é tão somente o produto das relações que nascem destes movimentos reais. Não basta criticar o neoliberalismo e a política tomada pela economia especulativa/fictícia, sem fazer com que os reais atores, responsáveis pela produção do que vai do local ao global, que são os pobres, os exclíd@s, a minoria no sentido que Deleuze e Guattari produzem este conceito, não como numeral, mas como práxis constituinte que se afasta dos modelos impostos pelo poder constituído, não forem percebidos como os mais importantes.

Deste modo, não há um grito, mas uma polivocidade de gritos que são produzidos de modo autêntico quando o homem faz da sua existência a luta para transforma sua vida, para sair da condição de sobrevivência a qual lhe foi imposta, sair das privações calculadas, das explorações e fetiches que lhe tiram a condição de humano. Um grito que venha do espírito, um grito que venha de um Cristo da existência (Leonardo Boff) capaz de modificar os menores maus provocados por tudo que é contra o humano no sentido que podemos tirar do alegre Marx.

Assim, o próprio tema do 18º Grito, “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!”, nos parece confuso. Não teríamos que partir daqueles que são excluídos para compreender como a exclusão é ruim e triste e assim, perceber de onde ela provém, sua causa, para depois, conhecendo o problema como verdadeiro, podermos buscar alternativas e outras soluções que sejam autênticas e não cópias disfarçadas do próprio poder que oprime?

 …

 A voz do povo só pode ser a voz do povo. E passar por privações não é condição nem da filosofia nem da existência como diz a suavidade filosófica Antonio Negri. Gritaremos sempre que sentirmos a necessidade de lutar contra o autoritarismo do Estado e de qualquer outra forma de despotismo, mas nossos gritos serão irreconhecíveis, não saberão identificar seu ponto de partida, pois seremos muitos, não o saberão classificar, pois ele será uma mistura, não o poderão capturar, pois ele estará sempre migrando em movimento contínuo. E teremos uma única exigência política-ética para todos que se juntarem a nós: o grito não pode ser de dor.

Neste grito, não há a origem mas o envolvimento com a produção da existência em seus infindáveis começos, repetições e diferenças. Mas o que fazer de um grito que não sai de lugar algum e vai para lugar nenhum?   

O MUNDO É GAY

(enunciações sobre a democracia representativa e seus preconceitos)

O primeiro a falar de democracia absoluta foi a grande alegria Spinoza. Sei, podemos dizer que sua coragem partiu da compreesão da democracia absoluta como regime de governo organizado pelas ações livres dos homens, manifestadas de modo racional na imanência das leis e da participação direta de todos nas decisões da cidade. E não sei; mas temos que entender que tanto as leis quanto os cidadãos, em Spinoza, agem de acordo com o “direito comum da cidade”. Realmente; um direito que torna-se civil e público não por fazer parte do Estado somente, mas porque é desenvolvido por todos e para todos, para o comum, fazendo da multiodão a carne da produção política, econômica, social e cultural. Por isso que o cidadão, na democracia absoluta, “não nascem como cidadãos, mas formam-se como tais”. Lindo isso, ainda mais quando colocado em prática. Mas todo a filosofia de Spinoza é uma prática, um plano de imanência puro, absoluto. Daí a cidade não poder ser o efeito do medo, do rancor, da obediência cega às paixões. Pior; da inércia e da servidão dos seus viventes. Como diz o próprio Spinoza, se assim for, isto não seria uma cidade, mas uma solidão. Poderíamos dizer, junto com outra alegria chamada Antonio Negri, que a cidade, na democracia absoluta, é vivida na práxis constitutiva que nos constitui no amor. Ah!; sempre o amor político. Mas espera aí! O que foi? Se assim é na democracia absoluta… Já sei: é completamente diferente na democracia representativa. Exatamente. É porque na democracia representativa o que prevalece é a intecionalidade das classes abastadas constituídas que procuram manter o estado de servidão através das instituições e discursos oficiais. Como o do sufrágio geral que não é geral. E não é! É a palavra representação o importante a se observar aí. Diga lá. Digo sim: a representação surgiu no interesse dos súditos poderem ter seus direitos garantidos por representantes em, toda extensão do Estado-nação. É, mas não disseram também que a representação tranto liga o povo ao governo como o separa radicalmente, pois os súditos alienam suas liberdades para os representantes. Daí passa a existir algo estranho na proposta democrática representativa. O quê? Uma minoria passa a governar uma maioria. E não é. Daí pensarem, neste tipo de democracia, que a liberdade é apenas a conquista de direitos (o direito a ter direitos). Sim, ao contrário de uma liberdade que é a produção de si mesmo preocupada com o direito comum da cidade. Uma produção singular que se envolve e produz o bem comum.

(conversações para além do Espaço/tempo constituído)

Vou te contar, esta representação é um instrumento contra a democracia absoluta. E não é, assim como é também geradora de preconceitos. Veja só! Só, não, amor. Deixa de lezeira! Então mande junto. Tá, O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (AGLBT), Toni Reis está criticando a postura do candidado do tucanato paulistano, José serra, por classificar como ridículo e impróprios alguns aspectos do Kit anti-homofobia do governo. Tou sabendo. Mas houve alguns equivócos por parte do amigo Toni Reis. Foi? Ele escreveu uma carta aberta dizendo estar triste com a posição de Serra, pois este, segundo palavras de Toni Reis na carta,  “liderou várias iniciativas de vanguarda na promoção do respeito à diversidade sexual e às pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT)”.  Em outros trechos, Reis, de certo modo, elogia as gestões de Serra e pedi para que o kit não seja usado para gerar polêmica em epóca eleitoral, e pede também, para que Serra não “manche” sua biografia. Realmente um equivóco, em nossa opinião. Realmente, pois Serra usou parte da carta aberta de Toni Reis para sua própria campanha, para se aproximar do público LGBT. Sim, parece haver uma compreensão de que as diferenças serão o mote principal da democracia somente através de direitos garantidos por representantes e constituídos pelo poder do Estado e não pelo poder da produção da cidade através das singularidades e das paixões positivas. Por isso acreditamos que a discussão de gêneros, da sexualidade, dos preconceitos entre outros passa primeiro pela produção de novos modos de subjetividade onde o mais importante são ações deslocadas dos lugares de poder constituído.

E esta representação persegue as tentativas de modificação do atual estado de coisa constituído. Esta representação veio disvorciar a razão da democracia e celebrar o matrimônio entre o patriarcalismo e o Estado. E sendo a educação, através da escola, uma responsabilidade do Estado, o que vale é a rep´resentação patriarcal. Tou sabendo o que aconteceu, deixa que eu conto. Então diga, amor.  Um professor de inglês, em uma escola de Brazlândia, no Distrito Federal, usou a música “I Kissed a Girl”, da cantora Katy Perry, para mionistrar uma aula e não foi afastado? Tou sabendo, mas agora já pode voltar a dar aulas. Sim graças ao Conselho Distrital de Direitos Humanos que já fez a recomendação ‘a Secretaria de Educação. Sim, isso mesmo! Isso já faz um tempo e olha que ele nem teve seu contrato renovado em 2009 e somente agora vai poder voltar. Para o ógão citado acima houve violação dos direitos humanos e pode caber processo administrativo para apurar a posição do diretor da escola. Poxa! Que foi? Era só uma forma alegre de estudar inglês com minha querida Perry.

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E os preconceitos continuam. Tu queres falar do caso que está ocorrendo numa escola pública e de responsabilidade do município de Indianópolis, nos EUA? Esta mesmo. Até parece que nos comunicamos pela mente. É que não estamnos somente ligadas fisicamente, mas afetivamenete. Minha nossa!!! Sim, mas o caso, presta atenção: Darnell Young, de 17 anos está processando esta escola; ele acusa-a de não protegê-lo contra agressões verbais e físicas motivadas por homofobia, o estudante entrou com processo na Justiça contra a instituição. Sei também que ele está sendo defendido por Chistopher Stoll, de uma entidade LGBT. Segundo este advogado: “Todo aluno deve ser protegido no seu direito de estudar e ser protegido contra agressões. E a escola é quem deveria cuidar disso.” disse confirmando ser correta a ação do menino Young.

E olha o que o preconceito pode também gerar. Diga aí. Segundo a Agência de Notícia da AIDS, “As pessoas com orientação homossexual e bissexual têm três vezes mais chances de adiar o teste de HIV do que as heterossexuais, informa um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Saúde, Faculdade de Medicina da USP e do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de estado da Saúde de São Paulo”. Minha nossa, notícia triste. Mas sabe por quê? Não, fale, por favor. “Os principais motivos apontados para postergar o diagnóstico foram a falta de oportunidade ou a dificuldade de ter acesso aos serviços (50%); o medo da doença e do preconceito que existe em torno dela (15%); e os problemas organizacionais dos serviços, com limitação de horário, exigência de documentos e lotação (15%)”. Quer ver mais? Quero. Então vai aqui.

Agora vamos para as coisas coloridas. Lindas como o arco-iris. Ainda é utilidade pública. Então fale que já estou com os vernos à flor da pele desabrochando. Segura-te que lá vai. Quem for precisar passar pelo centro de Salvador nos dias  8 e 9 deste mês terá que seguir as instruções da Superintendência de Trânsito e Transporte do Salvador (Transalvador). Por quê? Ora, por conta da realização da XI Parada do Orgulho Gay da Bahia e Semana da Diversidade Cultural LGBT. Eu não te falei que nós somos de parar o trânsito. Ah!; me poupe, esta já é muito antiga, mas é verdade. Então veja as mudanças no trânsito de salvador aqui.

Outra parada, mas esta agora é em Manaus. Manaus? Sim, Manaus. Conheço, já fui muito lá. A Associação Garotos da Noite (AGN) celebra o Dia da Visibilidade Lésbica em Manaus com evento na Ponta Negra no dia 23 deste mês. Eu ouvir falar que tá morrendo muita gente nesta Ponta Negra. Tá mesmo, por conta da incopetência do poder público municipal em privatizar este espaço público. Fizeram uma besteira com uma tal de praia artificial. É bom tomar cuidado por lá. Mesmo o Dia da Visibilidade Lésbica, ser instituído no dia 29 de agosto, todo dia é dia para se engajar na existência para que a diferença seja percebida como produção democrática. Você que tá nos percebendo clica aqui e aqui para saber mais.

A última amor deixamos para o fim sem fim. Quem conta? Vamos em uma polivocidade: passaram a perbna no Vaticano e no Papa Bento XVI. Para de rir que já tou que tou me mijando. Vamos contar direito. A produtora Bel Ami, que vai estrear um filme sobre dois jovens sacerdotes católicos que tem experiências gay, filmou o momento em que os dois atores do filme, disfarçados de seminaristas, são abençoados pelo Papa. Ocorreu mesmo! Esta fimagem será incluído na produção da empresa de filmes adultos mencionada. “Não é comum na minha carreira ir para a igreja. Vim aqui por meio da indústria de filmes adultos” disse Trevor Yates, um dos atores do filme. Sabes o nome do filme? Se sei! Diga. “Escândalo no Vaticano”. Mas onde está a importância política nisso? Saberemos quando o filme for assistido.

“tudo aquilo que desejamos pelo fato de estarmos afetados pelo ódio é vergonhoso e, no Estado, injusto” (Spinoza)


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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