Archive for the 'Rio+20' Category

EVO MORALES DISCURSA NA RIO+20, PROTESTA CONTRA O CONCEITO DE ECONOMIA VERDE, E É APLAUDIDO

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pela orientação oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, RIO+20, referente às palavras dos chefes de Estados, tinha apenas cinco minutos para discursar, mas diante de um público receptivo composto por manifestantes e índios, ele ultrapassou o tempo que lhe fora dada para gáudio da plateia não reacionária.

Evo Morales além de exaltar os países de orientação libertadoras como os atuais países da América do Sul, também desconcertou o conceito de economia verde disseminado e defendido pelos países capitalistas. Também aconselhou os países a estatizarem seus recursos naturais e serviços fundamentais prestados aos cidadãos. Além de recorrer a Fidel Castro para fortalecer seu discurso.

“Os serviços básicos jamais podem ser privatizados. É obrigação do Estado. A economia verde é o novo colonialismo para submeter os povos e os governo anticapitalistas. Coloniza e privatiza a biodiversidade a serviço de poucos. Verticaliza os recursos naturais e transforma a natureza em uma mercadoria. A economia verde converte todas as fontes da natureza em um bem privado a serviço de poucos.

Acabe com a fome, não com o homem. É preciso pagar a dívida ecológica e não a dívida externa.

Querem criar mecanismos de intromissão, para julgar e monitorar nossas políticas nacionais com argumentos ambientalistas.

Não é possível que uma civilização de cerca de 200 anos ou 300 anos tenha conseguido destruir a vida harmônica que os povos indígenas desfrutaram durante mais de 5 mil anos”, discursou o presidente boliviano.

Enquanto isso, na reunião sobre combate ao desmatamento a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e alguns ambientalistas entraram em litígio sobre a política adotada pelo governo referente ao tema. Os ambientalistas com cartazes e palavras de irdem protestaram contra as ações do governo e a liberação de grandes obras como a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu, no estado do Pará.

“Isto aqui é um espaço democrático. Por isso, vocês interromperam a reunião e se pronunciaram. Não há nenhuma restrição, mas sempre há mais de uma posição a ser dita. No Código Florestal, realmente a luta não acabou. Mas vamos ter que ir para o Congresso Nacional, um espaço democrático da sociedade brasileira, defender os nosso interesses. E eu gostaria que os ambientalistas elegessem mais deputados e senadores ambientalistas.

Fiquem juntos com o Ministério do Meio Ambiente. Não fiquem contra. Porque nós já somos muito poucos perante àqueles que não querem deixar a Amazônia em pé”, disse a ministra.

As ambientalistas Maíra Irigaray, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, e Malu Ribeiro, da Fundação SOS Mata Atlântica, justificaram a razão dos protestos.

“Temos tentado um diálogo aberto com o governo sobre a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e sobre o retrocesso do Código Florestal, mas não existe um diálogo verdadeiro. Inúmeras vezes tentamos audiências, mas não fomos recebidos. As obras avançam sem nenhum monitoramento”, justificou Maíra.

“Mostrar aos presentes que a questão do Código Florestal, embora a ministra tenha dito que não acabou este jogo, faz o Brasil retroceder. Nunciam o pacto pela desmatamento zero na Amazônia na mesma época em que sancionam um código florestal que permite a redução de áreas protegidas e consolida as ocupações da soja e do gado na Bacia Amazônica”, justificou a ambientalista Malu Ribeiro.

NA ABERTURA OFICIAL DA RIO+20 DILMA DIZ QUE PAÍSES RICOS DEVEM FINANCIAR DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DOS POBRES

Na cerimônia de abertura oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, RIO+20, a presidenta Dilma Vana Rousseff cobrou dos países ricos financiamento para o desenvolvimento sustentável dos países pobres. O discurso de Dilma visava atingir os países ricos que participam da conferência e que são contrário a criação de um fundo de financiamento para o desenvolvimento sustentável dos países mais pobres. Segundo ela os países ricos têm mais responsabilidade na promoção do desenvolvimento sustentável que os pobres.

Dilma também chamou atenção para outros compromissos que não foram consumadas. Ela lembrou dos compromissos da redução da emissões de gases poluentes, previstos no Protocolo de Kyoto, e outras conquistas da Rio92, que permaneceram no papel. Dilma também comentou que em razão da crise financeira internacional, os interesses nacionais das nações ricas é muito maior que os interesses globais. Ela disse também que o Brasil se encontra na posição de cobrar desses países por causa de seu avanço na sustentabilidade.

“A transferência das indústrias mais poluentes, do Norte para o Sul do mundo, colocou as economias desenvolvidas no rumo de uma produção tida como mais limpa. Mas deixou pesada a carga e conta socioambiental para os países em desenvolvimento. A promessa de financiamento do mundo desenvolvido para o mundo em desenvolvimento com vistas à adaptação e à mitigação ainda não se materializou nos níveis prometidos e necessários.

Temos a responsabilidade de agir para mudar esse quadro.

A disposição política para acordos vinculantes fica muito fragilizada. Não podemos deixar isso acontecer”, discursou Dilma.

Por sua vez, Luiz Alberto Figueiredo Machado, secretário executivo da delegação do Brasil na Rio+20, diante das posições contrárias dos países desenvolvidos ao documento final da conferência,  respondeu que esses países não podem cobrar porque são eles que menos cooperam.

“Tem de por dinheiro em cima da mesa. Se alguém tem ambição de ação e não põe dinheiro sobre a mesa é incoerente. Foi a negociação mais democrática da última década. O Brasil fez questão de demonstrar transparência”, observou Figueiredo Machado.

Pondo-se na contramão do otimismo dos representantes da Rio+20, principalmente ao documento final, o representante da Rede de Ação Climática, Wael Hmaiden, em nome de mais de 1.000 organizações não governamentais pediu para a referência de apoio atribuída às entidades civis organizadas seja tirada do texto final.

Para as organizações o texto não atende às demandas básicas que envolvem questões sociais e ambientais. O documento não faz menção ao direito reprodutivo das mulheres, limitação sobre o uso e a produção de energia nuclear, regulação detalhada das águas oceânicas, além de metas e prazos.

Hmaiden precisou apenas de cinco minutos para mostrar o protesto das entidades não governamentais contra o documento. Cinco minutos eficientes e efetivos.

Participantes da Rio+20 fazem ato por comunidade ameaçada de remoção no RJ

Mais de mil integrantes de movimentos sociais e ONGs brasileiros e estrangeiros que participam da Cúpula dos Povos – evento paralelo à Rio+20 – foram até a comunidade da Vila Autódromo, zona oeste da cidade, e, com seus moradores, fizeram um ato em sua defesa nesta quarta-feira (20). O motivo alegado para a remoção são as obras viárias e o Parque Olímpico na região, de modo a adequar a infraestrutura local aos Jogos Olímpicos de 2016.

Igor Ojeda

Rio de Janeiro – Seu Lúcio tem 84 anos, 22 dos quais vividos na Vila Autódromo, comunidade da baixada de Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Sua vida está toda ali. Amigos, família, trabalho. Ele é estufador: trabalha consertando poltronas e sofás. Atualmente, no entanto, ele se sente como vivendo “numa balança”.

Pois sua casa, assim como toda a comunidade, sofre a ameaça de ser removida pelo poder público. O motivo alegado é a necessidade da realização de obras viárias e o Parque Olímpico na região, de modo a adequar a infraestrutura local aos Jogos Olímpicos de 2016. Os moradores da Vila Autódromo, estudiosos e advogados que o apoiam, porém, dizem que o evento esportivo é apenas um pretexto; segundo eles, a verdadeira intenção é atender os interesses do setor imobiliário.
Como isso em mente, mais de mil integrantes de movimentos sociais e ONGs brasileiros e estrangeiros que participam da Cúpula dos Povos – evento paralelo à conferência oficial – foram até a comunidade e, juntamente com seus moradores, fizeram um ato em sua defesa nesta quarta-feira (20). O objetivo era denunciar a desterritorialização dos povos em todo o mundo. Aproveitaram para questionar as “falsas soluções” apresentadas pelo Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que começou em 13 de junho e vai até dia 22.

Movimentos indígenas, camponeses, quilombolas, de mulheres, de luta por moradia, assim como entidades de defesa de direitos desses grupos chegaram em diversos ônibus, que saíram de vários pontos do centro carioca. Com muita música, cantos e batuques, os manifestantes se juntaram aos moradores da Vila Autódromo e caminharam pelas ruas de terra da comunidade. Em seguida, tentaram se dirigir rumo ao Rio Centro – local de convenções onde acontece a cúpula oficial –, mas foram impedidos de prosseguir por uma forte barreira policial.
Um grupo grande de indígenas de todo o país que insistia em entrar no Rio Centro conseguiu que o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, comparecesse ao local para negociar. Após alguns minutos de conversas com o líder caiapó Raoni, ficou acordado que o ministro receberia na cúpula oficial 12 lideranças indígenas. O encontro estava previsto para acontecer às 15 horas desta quarta. Entre as reivindicações dos indígenas, estavam incluídas a interrupção das obras de Belo Monte, a demarcação de terras e questões relacionadas à saúde e educação.

Durante o ato, podia-se ouvir gritos de guerra e músicas contra o capitalismo e a chamada economia verde. “Capitalismo é um horror! Destrói a vida, a natureza e o amor!” e “O povo unido, organizado, não precisa de polícia nem Estado” eram algumas das palavras de ordem. Já os indígenas entoavam músicas contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Sobre o asfalto foram colocadas quatro grandes faixas que formavam a frase: “Vila Autódromo resiste há 40 anos”. “Eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci…” era uma das músicas entoadas pelos manifestantes. Outra faixa dizia: “Remoção não é sustentabilidade”.

Localizada ao lado do autódromo do Jacarepaguá, muito utilizado até os anos 1980 para a etapa brasileira do campeonato de Fórmula 1, a Vila Autódromo abriga cerca de 4 mil pessoas em casas simples de alvenaria e ruas sem pavimentação. Segundo Eliomar Coelho, vereador carioca pelo Psol, a remoção da comunidade não é tão simples de ser executada, pois seus moradores teriam o título de uso, o que daria a eles o direito real de uso do terreno por 99 anos. Assim mesmo, a pressão continua grande. “A prefeitura do Rio fez uma grande articulação entre os grandes interesses econômicos, os governos das três esferas [federal, estadual e municipal] e a mídia. Então, é um poder de fogo enorme. Mas a população da comunidade está devidamente mobilizada. Cada morador vem ganhando consciência sobre seus direitos”.

Um exemplo disso é Jane Nascimento, de 56 anos, diretora-social da Associação dos Moradores e Pescadores de Vila Autódromo (AMPVA), que atua organizando a população local para resistir à remoção. Ela afirma que, embora muitos moradores estejam criando coragem, a mobilização não é fácil. “A Secretaria de Habitação do município vive querendo seduzir o povo, oferecendo ajuda social. Mas, sutilmente, avisa que se a pessoa não sair por bem, terá que sair do mesmo jeito.” Como alternativa, diz, o poder público promete o cadastramento no Programa Minha Casa Minha Vida, “para o povo adquirir dívida”.

Para demonstrar que a Vila Autódromo é viável socialmente, ambientalmente e urbanisticamente, a AMPVA, juntamente com o Núcleo Experimental de Planejamento Conflitual (ETTERN/IPPUR/UFRJ), elaboraram o “Plano Popular da Vila Autódromo”, que propõe a urbanização da comunidade como alternativa mais barata do que a remoção. O projeto engloba planos para os setores habitacional, educacional, ambiental, cultural, de saneamento, economia local e transporte. “A implementação desse plano pode tornar a Vila Autódromo um modelo de integração urbanística e ambiental de uma comunidade, em consonância com o discurso de sustentabilidade que é o centro da Rio+20. Tecnicamente, não existe razão para a remoção, pois apresentamos soluções para todas as áreas”, explica Regina Bienenstein, coordenadora do Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu) da Universidade Federal Fluminense (UFF) e uma das elaboradoras do plano.

É tudo que seu Lúcio quer: permanecer onde vive há mais de duas décadas. “Conheço todo mundo, gosto daqui. É muito bom aqui, nem ponto de bicho tem”. Observando com atenção a mobilização, ele comenta: “Espero que isso toque o coração desse pessoal que só pensa em dinheiro. As grandes empresas que querem fazer apartamentos. Não é por causa dos Jogos Olímpicos que querem tirar a gente daqui, é por causa da especulação imobiliária”.

Fotos: Arquivo

Carta Maior

RASCUNHO DO DOCUMENTO FINAL DA RIO+20 É APROVADO, SOCIEDADE CIVIL PROTESTA E DILMA DIZ QUE FOI “VITÓRIA DO BRASIL”

Vazio, fraco, sem metas claras e compromissos definidos, foi como a sociedade civil definiu o rascunho d documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, RIO+20, que passou a ser chamada, zombeteiramente, de RIO-20.

Diante das fortes críticas apresentadas pela sociedade civil, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que ela tem toda razão de protestar, visto que o texto apresentado pelos negociadores, e que será entregue aos chefes de Estado e governos, não está completo e poderá sofrer alterações. Os chefes de Estados começam a chegar hoje.

Ele disse também que não houve fracasso do governo promover a Rio+20. Por sua vez, a sociedade civil vai apresentar 30 projetos para serem entregues aos chefes de Estados e governos.

“A crítica da sociedade civil deverá ser levada em consideração. Não vamos dar este texto por definitivo. É um texto-base. Haverá ainda muita discussão e as críticas são importantes para contribuir para este debate. Os chefes de Estados não vêm aqui só para assinar. Pode haver mudanças. O que vai acontecer nos próximos três dias não é apenas um ritual de passagem.

Não posso enxergar fracasso. É Preciso que se olhe para o conjunto do processo”, observou Gilberto Carvalho.

A presidenta Dilma Vana Rousseff falando, em Los Cabos, no México, onde participou da Cúpula G20, sobre a aprovação do texto-base, resultado de grandes contradições em suas discussões e finalizações, disse que foi “uma vitória do Brasil”.

“Um acordo entre 191 países e delegações é um acordo complexo. É sempre bom olhar que há a necessidade de um balanço entre os países. A questão do documento não é uma questão que diga respeito a um só país. Estamos fazendo um documento que é o documento possível entre diferentes países e diferentes visões do processo relativo à questão ambiental.

Eu acho que temos que comemorar, sim, como uma vitória do Brasil, ter conseguido aprovar um documento que seja um documento oficial entre os diferentes países, contemplando posições distintas. Não tem só europeus, não tem só asiáticos, não tem só países do G77. Todos, cada um é voto, e cada um tem a mesma consideração que o outro, ou então não tem reunião possível entre países”, afirmou Dilma.

Participando de eventos paralelos à Rio+20, representantes de organizações de defesa do meio ambiente, do setor de saúde, sindicalistas de vários países do mundo se mobilizaram para apoiar a criação da Taxa Internacional sobre as Transações Financeiras, a conhecida Taxa Robin Hood.

O objetivo é pressionar os chefes de Estados a se comprometerem a criação do imposto destinado a criação de postos de trabalho dignos e sustentáveis; ao combate à pobreza e a desigualdade; ao fortalecimento das ações contra as mudanças climáticas; como também promoção de serviços públicos, como saúde e educação. De acordo com a Confederação Sindical Internacional (CSI) em 13 países, 63% da população pesquisada apoia a Taxa Robin Hood.

“Esse seria um imposto sobre o capital que é usado para especulação e investimentos, e que não gera nada de positivo, a não ser o lucro para seu proprietário”, afirmou Jocélio Drummond, presidente da CSI. 

Rio+20: a Idade da Razão

A Cúpula da Terra, a ‘Rio+20’, acontece num divisor histórico que cobra, ao mesmo tempo legitima a busca de novos caminhos para a continuidade da aventura humana no planeta. A singularidade desta reunião, o seu maior trunfo, não pode ser abstraído,  tampouco amesquinhado pelas organizações, lideranças e chefes de Estado reunidos a partir desta 4ª feira no Rio de Janeiro: a Rio+20 reverbera o colapso da ordem neoliberal.

Não é um acaso, nem deve ser tratado assim. Se a Rio+20 não associar organicamente a agenda do meio ambiente a um elenco de medidas destinadas a enfrentar a derrocada em curso suas propostas serão contaminadas pelo bafejo da irrelevância. O movimento ambientalista, cuja pertinência está sedimentada em estudos e indicadores científicos que evidenciam o assalto aos recursos que formam as bases da vida na Terra,  enfrenta aqui a idade da razão.

Sua responsabilidade é dar consequência política à  bandeira do Estado anfitrião desse encontro, ou seja, o futuro sustentável não será conquistado apenas na esfera  ambiental.

Novas formas de viver e de produzir, intrinsecamente  convergentes na distribuição de direitos e riquezas devem compor o passo seguinte da história.

Neomalthusianos tingidos de verde, alguns até bem-intencionados, podem constatar, ao contrário, que a bandeira da ‘estagnação benigna’ já se encontra em vigor em sociedades da periferia do euro, por exemplo, com os desdobramentos sabidos. Hoje 1/3 da humanidade ainda depende da queima de lenha ou carvão (leia-se, derrubada de florestas)  para preparar uma simples refeição. Um bilhão de seres humanos vive no calabouço da fome crônica. Um bilhão no campo, sem acesso pleno a recursos e conquistas da civilização. Nem a estagnação, nem a devastação resolvem  o desafio gêmeo do nosso tempo. Qualquer dissociação entre  justiça social e equilíbrio ambiental  condena o futuro ao desastre,  da humanidade e da natureza.

A Rio+20 não pode ser apenas uma versão atualizada do balanço do fim do mundo. Para ser mais que isso precisa ouvir as circunstâncias da história. Nas últimas décadas, a desregulação imposta a todos os níveis da atividade humana agravou os contornos da crise social e ambiental. Se os chamados ‘fundos alfa’ –altamente agressivos e especulativos– conseguem dobrar o rendimento dos detentores de riqueza em um par de meses, todos os demais setores da economia capitalista terão que perseguir idêntica voragem. Do contrário, acionistas insaciáveis fritarão o fígado de gestores empedernidos numa  grande queima de ações em Bolsas. A dominância financeira impôs quase 40 anos de aceleração turbinada e  predatória em todas as latitudes, do macro ao micro.

Acelerar significa, por exemplo, desregular. O quê? Tudo: do mercado de trabalho à exploração das riquezas naturais. Privatizando e liberalizando o mercado da água, por exemplo. Ou permitindo o plantio e o desmatamento ensandecido  nas beiras de rios, como querem os exportadores brasileiros de commodities.

A engrenagem que esfarelou seres humanos e territórios com intensidade inaudita nas últimas décadas está agônica. Mas seus operadores e o poder político que os respalda continuam a dar as cartas da vida e da morte do planeta. O epicentro do jogo nesse momento consiste na brutal determinação desses interesses  em validar títulos que lhes dão direitos de saque sobre a riqueza disponível, cujo montante repune um valor de face da ordem de US$ 600 trilhões: 10 vezes a soma do PIB planetário. Fazer valer essa riqueza papeleira que começa a evaporar, requer de seus detentores uma disposição bélica para romper qualquer regra de equilíbrio. Exemplos como o escalpo imposto à Grécia demonstram que eles não são amadores no ramo.Mas a Grécia é só a cabeça do alfinete de uma dança das cadeiras cuja regra é mate nove se quer resgatar tudo o que nunca poderia ter sido seu.

Os encontros da Rio+20 estão emparedados pela matemática desse saque de proporções diluvianas contra direitos sociais, espaços e bens públicos e qualquer resquício da natureza capaz de emprestar valor eetivo a um papelório financeiro que se esfuma.

Assim como é apavorante que o G-7 e o G-20 não incluam o risco ambiental na sua agenda de urgências face ao desmanche financeiro, constitui identica insensatez ambientalistas discutirem o ‘futuro que queremos’, sem assumir que o sistema financeiro atual não cabe nesse futuro. Ou melhor, representa a principal ameaça a ele. E como tal não poderia sair ileso e intocado da Cúpula da Terra, na Rio+20.

Saul Leblon

Carta Maior

Rio+20 também esculacha

Centenas de jovens, entre militantes brasileiros e de outros países latino-americanos, participaram do “esculacho” de Dulene Aleixo Garcez do Reis, no Rio de Janeiro. Amparado na Lei de Anistia, Garcez do Reis reside no apartamento 1409 do prédio localizado na Avenida Lauro Muller, 96, onde dois de seus vizinhos disseram ignorar que viviam junto a um repressor que em 1970 torturou o secretário geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário Mario Alves, morto pouco depois no Batalhão da Polícia do Exército na Barra da Tijuca. A reportagem é de Darío Pignotti.

Darío Pignotti – Especial para Carta Maior

Rio de Janeiro – Ana Bursztym-Miranda, ex-companheira de prisão de Dilma Rousseff, foi feita prisioneira por agentes da ditadura aqui, na zona universitária da Urca, há 30 anos. “Me sequestraram a três quadras desta praça onde agora estão estes jovens do Levante Popular, é necessário que os repressores sejam esculachados para recuperar a memória, para que se conheça a verdade e se faça justiça, não vamos desistir até que se faça justiça”.

“Estes jovens não são da geração de meus filhos, porque nossos filhos cresceram com temor por serem tratados como filhos de bandidos, esta nova geração não está intimidada pela repressão, eles vão de frente à busca da verdade”.

Ana participou hoje, junto a centenas de jovens entre os quais havia militantes brasileiros e de países latino-americanos, na marcha até o domicilio do torturador Dulene Aleixo Garcez do Reis, no Botafogo. Amparado na Lei de Anistia, Garcez do Reis reside no apartamento 1409 do prédio localizado na Avenida Lauro Muller, 96, onde dois de seus vizinhos me disseram ignorar que viviam junto a um repressor que em 1970 torturou o secretário geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário Mario Alves, morto pouco depois no Batalhão da Polícia do Exército na Barra da Tijuca.

Há bandeiras do MST, um estandarte multicolor que representa as nações indígenas bolivianas, militantes com bonés verdes nos quais se lê um repúdio ao “capitalismo verde” e campesinos paraguaios. Boa parte dos presentes está participando na Cúpula dos Povos que acontece no Aterro do Flamengo, a umas poucas quadras da residência do torturador.

Todos os entrevistados – fora César, que trabalha na segurança privada – coincidiram que os esculachos devem gerar consciência e aumentar a pressão por um objetivo crucial: que haja Justiça com os repressores da ditadura.

Carolina Dias, estudante da Faculdade de Ciências Sociais, é uma das coordenadoras do esculacho e me explica que esta modalidade de denúncia “se inspirou no que fizeram os companheiros da Argentina e do Uruguai contra os repressores”. “A gente acredita muito na força do povo e se o Povo toma consciência da necessidade de que se puna os repressores não haverá imprensa, por mais hegemônica que seja, que possa frear o avanço até a Justiça” assegura Carolina.

“O importante desta marcha é que há companheiros de vários estados vindos à Cúpula dos Povos, a partir deste ano os esculachos se nacionalizaram, em maio fizemos esculachos simultâneos em 11 estados, vamos avançando a passos curtos, não podemos avançar além de nossas próprias pernas” opina Carolina, de 22 anos.

Eliete Ferrer foi presa no Chile em 1973, pouco depois do golpe de Estado, financiado e apoiado pela ditadura brasileira em conluio com o Departamento de Estado.

“Se o esculacho é uma prática que está sendo realizada em todos os países da região, também temos que realizar investigações coordenadas sobre a Operação Condor para esclarecer como se reprimiu e matou os militantes em vários países” me disse Ferrer, que acaba de publicar um livro sobre as vítimas da repressão.

Rosa Britez veio do Paraguai para participar da Cúpula. “Esculachar os militares está muito bem, para que se faça Justiça. No Paraguai a Justiça é muito corrupta e muito lenta, e quase ninguém foi preso. Se todos os jovens e os militantes fizerem pressão, vai poder haver justiça. Nós sabemos que (o ditador) Stroessner recebeu muita ajuda do Brasil, que trocavam prisioneiros na Operação Condor”.

Só faltava o Capitão Nascimento Nunca havia visto um caveirão ao vivo até o meio-dia de hoje. O veículo estava parado em frente ao prédio do repressor Garcez dos Reis, atrás e dando cobertura a um nutrido número de efetivos da polícia de choque, liderados pelo robusto major Pires. Pelo menos cinco viaturas, outras tantas motocicletas e um helicóptero que depois de sobrevoar pelo menos quatro vezes a marcha, permaneceu uns 5 minutos estático sobre os manifestantes.

“Isto não é um ato de proteção à marcha, é uma provocação. Colocam o helicóptero aqui em cima para impedir que se ouçam os oradores… ninguém sabe para que trazer um caveirão… isto acontece porque o Estado que torturou continua sendo igual agora, um Estado repressivo” disse Neyrivam, do MST de Pernambuco.

A maioria das janelas do edifício está fechada, salvo algumas onde se notam alguns vizinhos que tiram fotos dos manifestantes quando aplaudem um orador que diz “somos um país pária na justiça internacional… os esculachos continuarão enquanto não houver uma revisão da anistia”.

Tradução: Libório Júnior

Fotos: http://levante.org.br

CRISE ECONÔMICA INTERNACIONAL É IMPASSE PARA CONCLUSÃO DO DOCUMENTO FINAL DA RIO+20

Representantes dos países que encontram-se na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, encontraram na crise econômica internacional o fator básico par impedir a conclusão do documento final da Rio+20. Diante do impasse aumenta a expectativa de entregar o texto finalizado para os chefes de Estados e governo nos entre os dias 20 e 22.

De acordo com observadores do processo, o texto, como resultado final das negociações, terá uma linguagem leve e clara, sem muitos detalhes, mas trazendo projeções para o futuro em áreas especiais. Em relação aos compromissos firmados na Rio92, ocorrerão poucos avanços.

O formato que se dará o fortalecimento do Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (Pnuma) é um obstáculo para s responsabilidades das economias sobre os novos padrões de desenvolvimento. Em razão da falta de consenso em torno da criação de um organismo autônomo da ONU para cuidar das questões ambientais, as negociações levaram a redesenhar o programa que já existia. Assim, fica claro o impacto da crise econômica sobre o fortalecimento do Pnuma. Ma o G77, que formado pelo Brasil e os países emergentes, querem recursos adicionais para garantia do programa.

Por sua vez, os representantes dos países desenvolvidos afirmam que não dispõem de condições para o comprometimento na definição e planejamento mencionando cifras precisas. A Comissão de Meio Ambiente da União Europeia depois de tecer observações sobre a condição econômica, disse que tem disposição de colocar dinheiro, mas somente nas condições considerads concretas e acertadas pelos europeus.

“Se tiver que colocar dinheiro, vamos colocar”, disse Janez Potocnik, comissário de Meio Ambiente do bloco.

A União Europeia, embora elogiando os esforços dos brasileiros, não aceita suas propostas que se refere à locação de mais recursos e a de definir, em detalhes, metas e compromissos assumidos por todas as nações aos próximos anos. Para os representantes da União Europeia os temas devem ficar a cargo dos ministros.

“Nesta fase final, os nossos colegas ministeriais estão em melhor posição para alcançar um acordo político com a substância necessária para trazer o mundo para um futuro sustentável.

Permanecemos comprometidos, durante o tempo que for preciso, para o alcance dos resultados concretos e ambiciosos das negociações da Rio+20”, diz trecho da nota assinada pela ministra do Meio Ambiente da Dinamarca, Ida Auken, e o comissário Janez Potocnik.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Blog Stats

  • 3,938,801 hits

Páginas

abril 2017
D S T Q Q S S
« mar    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30