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OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

UMA SACADA FORA (OB) DA CENA (SCENUS) DO LUGAR DA AÇÃO (TORIUS) DA IMPRENSA

–> A FOLHA DE SÃO PAULO NÃO SABE O QUE É DEMOCRACIA.

TV de Lula Faz Um Ano Sem Conteúdo”. A manchete é de notícia da FSP do último dia 24. O objetivo da matéria era mostrar que a TV Brasil, estatal criada no governo Lula, ainda não produz 100% de sua programação (aproveita programas da TVE), não chega a todo o país e não aparece nas estatísticas do IBOPE. Observações do jornal paulista que mostra ainda pulsar a veia pró-ditadura que lhe valeu a liberdade de se tornar, na época da ditadura militar, um dos jornais de maior circulação na cidade de São Paulo. Primeiro, as acusações de que a TV seria usada como bunker de propaganda governamental foram à pique mesmo antes da tevê entrar no ar. Como os programas e políticas públicas do governo são afetivamente aplicados no plano coletivo, a tevê “do Lula” acaba fazendo o papel informativo de levar à população aquilo que está sendo feito pelo governo. E cabe à população discernir se concorda ou não com aquilo que está sendo informado. Papel que caberia aos outros meios de comunicação, caso estes não estivessem enredados nas tramas do capital. Quanto à programação, o que a TV Brasil tem apresentado configura-se, no âmbito brasileiro, como o novo, já que a programação de TODAS as outras emissoras segue o mesmo padrão do entretenimento esvaziado e redundante dos clichês da sociedade de consumo. Daí, por tabela, não ser capturado pelo índice do consumo televisivo: o IBOPE. Como lhe é impossível discernir que o aprendizado e o informar-se se dá numa transação cognitivo-epistemológica que requer o movimento intensivo de afectos e perceptos, o colunista da FSP apenas reverbera aquilo que o galo cantou alhures em sua coluna, aliás, desnecessária justamente por isso. Quanto à TV Brasil, que não é de Lula, como também não o é o Bolsa Família, no pouquíssimo (em termos de número) que produziu até agora, já superou todas as outras emissoras, que não produzem nada.

–> A PRESTIDIGITAÇÃO DROMOLÓGICA DA IMPRENSA

O filósofo Paul Virilio, em seus estudos sobre a sociedade atual, afirma que um dos grandes trunfos que a mídia televisiva, radiofônica, escrita e internética utilizam para re-formar sem in-formar. A Dromologia de Virilio propõe a investigação do processo de aceleração do tempo, que elimina o espaço e o próprio tempo, impedindo assim o exercício cognitivo-reflexivo: a tomada de consciência do mundo em que vivemos. Exemplo disto é a situação dos navios petroleiros e cargueiros retidos na costa da Somália. A imprensa mundial em massa (equivocadamente chamada de massa) utiliza a palavra “PIRATA” para se referir aos somalis que abordam os navios e cobram somas vultosas de dinheiro para liberá-los. O Estado de São Paulo, reeditando uma notícia de agências internacionais, vai na mesma onda e repete o erro. Ocorre que a nenhuma agência calhou ouvir os supostos piratas, e sequer investigar no dicionário o que quer dizer a palavra pirata, que é aquele que se apossa ilegalmente e por meio de violência da carga e dos pertences de outro em meio hídrico. Nenhum somali roubou nem uma gota do petróleo transportado, nem abriu sequer um contâiner da carga levada pelos navios retidos. Um representante dos somalis afirmou que não considera a atividade um crime, mas apenas a cobrança de pedágio, já que o país não tem um governo centralizado que possa patrulhar as águas sob sua jurisdição. A informação “produzida” pelos meios de comunicação em massa tem menos como foco a veracidade que a velocidade. Desaparecimento do tempo. Ao utilizar a palavra “piratas” sem evocar outros acontecimentos em que a pirataria esteve presente, a mídia oculta – ou supõe ocultar – outras ligações da pitararia no mundo: a pirataria que europeus, estadunidenses, japoneses e outros bem-nascidos fazem na Amazônia, com ou sem consentimento dos governos locais, com suas mochilas lotadas de animais, sementes e frutas que só existem aqui, ou xeretando via satélite a vida dos povos nativos. Outros: a pirataria européia, responsável pelo “descobrimento” do Brasil e do continente americano, a pirataria inglesa (os corsários), sem os quais a Inglaterra jamais poderia se tornar o império que foi. A pirataria violentadora dos povos africanos, que resultou em séculos de parasitismo econômico e deixou como herança as pseudo-democracias, dentre as quais a Somália, que hoje se pirataria fizesse – e não o faz – apenas imitaria o que aprendeu com seus algozes. E se algum programa televisivo quisesse ir mais longe, como bem lembra o blogueiro Georges Bourdoukan, teria que viajar até o Egito antigo e à Palestina, eterna vítima de saques e de pirataria terrestre, desde os tempos do alucinado Moisés. Sem esse solo histórico-epistemológico, resta ao espectador-ledor-videota conformar-se com a versão midiótica dos fatos. Desaparecimento do espaço. A técnica que transforma os somalis em malvados piratas é a mesma que transforma os catarinenses isolados pelas águas, e que têm que pagar 200 reais em um garrafão de água, quando tomam produtos de supermercados ilhados, em saqueadores. Voilá!

–> A CONDENAÇÃO DE DANTAS E O PAVOR MIDIÓTICO.

Daniel Dantas tem ao seu redor toda uma trama midiótica, que vai desde as principais revistas semanais e a maior parte dos alcunhados articulistas destas revistas em seu bolso, até telejornais, passando por economistas, profissionais do Executivo, Legislativo e Judiciário. Com a condenação de DanDan pela justiça (não pelo juiz De Sanctis, como afirma a mídia, desonestamente confundindo o agente com a instituição), muitos deles começam a se desesperar. Cômica, a reação, por exemplo, d’O Estado de São Paulo, que deu uma matéria inteira que, a um leitor desatento, pode achar que Nélio Machado é articulista do jornal, já que mais de 75% do texto é “ditado” por ele. No blogue do jornalista Luis Nassif, mil outros exemplos de articulistas, comentaristas, jornalistas e outros “istas” que vendem a garganta e a pena a favor dos favores de Dan Dan, que conta até com assessoria especial do STF. Como já dito neste bloguinho a respeito de outra condenação histórica, não se trata da condenação, da prisão, da punição que, de resto, já se mostrou ineficaz como método de recuperação moral, mas de fazer funcionar, talvez como nunca na história deste país, uma instituição para aquilo que ela foi criada: garantir a igualdade entre os cidadãos. Expõe, portanto, a quem queira e possa ver, a nulidade de todos os agentes que se prestam ao papel de subserviência aos interesses do capital, em detrimento da socialidade. Na midiose, na (in)justiça, nas instâncias governamentais…

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

UMA SACADA FORA (OB) DA CENA (SCENUS) DO LUGAR DA AÇÃO (TORIUS) DA IMPRENSA

–> A DEMOCRACIA DO COLUNISTA DO ESTADÃO.

Os movimentos de defesa dos homossexuais parecem ter problemas com a democracia”. Assim o colunista do site d’O Estado de São Paulo, Marcos Guterman, explica a reação dos grupos LGBT estadunidenses e internacionais que protestam contra o resultado do referendo sobre a Proposta 8 na Califórnia. Ele cita como exemplo de violência dos grupos LGBT (que ele chama de defesa dos homossexuais) o site antigayblacklist.com, que reúne os nomes dos doadores para a campanha do SIM à Proposta 8, de anônimos a megaempresários. Guterman, quem sabe fiel ao conceito de democracia do Estadão, que apoiou a ditadura militar brasileira e é abertamente de direita, confunde o conceito de democracia com o regime de governo “democracia representativa”. O erro lhe convém, pois permite colocar, graças a um débil estratagema de linguagem, os grupos LGBT no paredão judicativo da boa moral, num falso paradoxo. Se lutam pela democracia, ao contrário, quando são por ela prejudicados, estes grupos não a respeitam, é o que a coluna quis fazer o leitor crer. No entanto, basta uma sinapse para saber que o conceito de democracia não se reduz ao ineficiente sistema de governo que produz no Brasil e na maior parte do mundo, uma ditadura civil-midiótica. Senão vejamos: foi em nome da democracia que a dupla Bush e Blair invadiram o Iraque, a pretexto de proteger o mundo, e até hoje não encontraram as armas de destruição em massa. Também graças à democracia, parte da imprensa brasileira faz verdadeira grita sempre que seus interesses econômicos são ameaçados, mas não hesitam em fazer o necessário para aumentar a audiência, incluindo entrevistar “ao vivo” um sequestrador. O conceito de democracia envolve a confluência das potências de agir dos habitantes da cidade, sendo a própria cidade um corpo-potência, no qual podem predominar afetos democratizantes ou tirânicos. O regime democrático ofendido – segundo Guterman – pelos grupos LGBT é o mesmo que não impede a eleição, via eleição, de um Hitler, ou de um Bush, que não foram democráticos. Fosse uma democracia, o regime jamais permitiria eleger este tipo de gente, não por uma proibição ou restrição, mas porque os afetos e a subjetividade não permitiriam a ascensão e a visibilidade destes afetos tirânicos dos quais se beneficiaram Bush, Hitler e outros ainda por vir. Assim, para o colunista, o direito de restringir os direitos civis dos homoeróticos por parte da sociedade californiana é democrático, mas fazer oposição – não extremada e violenta, que fique claro – à restrição dos direitos civis é anti-democrático. Igualmente, para o colunista, fazer boicote econômico a quem é contra os direitos civis é “violência”. A estratégia de boicote foi usada pelo estadista Mahatma Gandhi na luta pela independência da Índia. Guterman, pela lógica, classificaria como terrorismo. Isso se chama simbiose laboral: Guterman defende hoje o que defenderam os jornalistas do Estadão à época do golpe militar. Restrição das liberdades em nome da liberdade de torturar, matar, censurar. Só perde no quesito intelectual: seus antecessores sabiam, ao menos, escrever e argumentar.

–> A MÍDIA ECOLÁLICA PERDIDA NAS SUAS PRÓPRIAS ILUSÕES

Quando Gilmar Mendes chamou Lula às falas para explicar suposto grampo na sala da presidência do STF – com a ajuda da prestimosa Veja, já não era difícil desconfiar do imbróglio para despistar as descobertas na operação Satiagraha. Com a ausência do áudio, que nunca apareceu, da misteriosa conversa entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (ex-PFL/GO), ficou cada vez mais complicado provar que o inexistente existia. Depois, a farsa se desfez (menos para a Veja e para o Jornal Nacional) quando foi descoberto que o “grampeador” do ministro não era ninguém menos que o araponga que costuma vazar informações internas para a revista semanal da Abril. Antes disso, ao completar 90 dias, nenhum grampo havia sido comprovado efetivamente, e a história só servia para mostrar de que lado está a grande mídia nativa. Eis que, no último domingo, no apagar das luzes, o Estadão tentou dar sobrevida ao assunto, ao “noticiar” (eufemismo para insinuar) que Protógenes, na já famosa gravação da reunião com a cúpula da PF que o afastou do caso, teria confessado os grampos. Os dados eram tão subjetivos à fabulação obsessiva de versões esdrúxulas que até um campeonato de audição para ver quem conseguia psico-audio-captar o momento em que Protógenes confessava. Ninguém levou o prêmio. No trecho destacado pelo jornalão, Protógenes fala em “inteligência”. Explicado: o jornal se confundiu, não sabe o que é isso.

–> O ATO FALHO REVELADOR DE RICARDO NOBLAT.

O ato falho, para o companheiro Freud, indica uma manifestação de um conteúdo inconsciente, rejeitado pelo sujeito, mas que se manifesta pela força de sua influência na existência. Assim, aquilo que se pretende ocultar surge inadvertidamente no discurso ou nos atos. Embora todo o país já saiba das relações íntimas entre Gilmar Mendes, setores da chamada oposição, o governo anterior e setores do atual governo. Mas o clima de “imparcialidade” impede que muitos jornalistas revelem o que pensam ou o que sabem realmente sobre essas relações. Eis que a psicanálise freudiana surge e realiza sua função terapêutico-política, auxiliando na compreensão de certas falas professadas ultimamente. Assim, a quem ainda duvidava de que a mídia sabe mais do que diz, ou que crê saber mais do que noticia, o jornalista Ricardo Noblat, em seu blogue, realizou o que muitos gostariam de fazer abertamente e outros nem nos sonhos mais profundos teriam coragem: sequer ele tem, mas o ato falho escapou. Noblat em notícia sobre a descoberta do araponga que “grampeou” o STF se referiu a vossa excelência, ministro do STF, Gilmar Mendes, de GILMAR DANTAS. Touché!

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UMA SACADA FORA (OB) DA CENA (SCENUS) DO LUGAR DA AÇÃO (TORIUS) DA IMPRENSA

–> A BONDADE, A JUSTIÇA E A CARIDADE MIDIÁTICAS NO CASO ELOÁ.

A mídia necrófila suga até a última gota dos fatos, transformando-os em notícia. Até uma palavra, uma gota de sangue, se “bem” aproveitados, dão meia hora de “notícia”. Algumas vezes, a mídia deliberadamente e sem escusas, sai da sua condição de autodefesa, a de que pretende informar com isenção, para abraçar certas campanhas ditas de caridade. Após explorar até o último filão do caso Lindemberg/Eloá (ao menos até o próximo espirro de Lindemberg na cadeia, ou a próxima revelação bombástica da sobrevivente sequestrada), a mídia agora ataca de transformar a dor em esperança. Mostra os beneficiários com a decisão da família da moça em doar os órgãos, e aponta um aumento do número de doadores, desde que começou esse filão benemerente. Crente que elogio em boca própria é vitupério, a mídia apenas joga a linha, noticiando o aumento, esperando que o esperto telespectador-videota fisgue o anzol e reconheça que ela, a mídia, tem responsabilidade neste aumento, como divulgadora e propagadora da atitude do Bem. Seria a tal responsabilidade social? De qualquer sorte, o preconceito contra a doação de órgãos quase sempre tem origem na ignorância, no desconhecimento, no enunciado supersticioso das igrejas. Enunciado repetido à exaustão pela mídia, através de suas corruptelas, o culto ao simulacro do corpo, o consumismo constante, o individualismo como modo de existir. A caridade só tem razão de existir em um mundo onde a miséria seja a regra. Se o que move os doadores de órgãos que aumentaram as estatísticas da saúde é a compaixão, então nada mudou, e teremos que sacrificar uma nova Eloá por semana para que os índices de doação não voltem aos anteriores. A mídia apenas embarca no plano da espetacularização da dor. Como diz Saramago, direto da Ilha de Lanzarote, mas vendo o mundo com maior acuidade que os arautos da opinião pública: “a caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça”.

–> OS INTERESSES DA MÍDIA APARECEM NAS MANCHETES (I)

A linguagem, do ponto de vista da chamada comunicação de massas, é simples: como seu objetivo não é comunicar, mas ordenar, ela está sempre numa figuração imperativa, mesmo que o modo verbal seja outro. Quando se trata de uma chamada para uma matéria cujo objetivo é fazer crer, a linguagem é objetiva: “Fulano Fez”, “Cicrano Afirmou”. Quando se trata de confundir (o efeito negativo do imperativo, o “não”, usam-se dos mesmos recursos. A manchete de notícia da Folha de São Paulo do último dia 06 é um exemplo disso: “Delegado Afirma Ter Sofrido ‘Violência’ em uma ‘Trama’”. Assim mesmo, sem nomes, sem referências. Quem quiser saber de que delegado se trata, e de que “trama” – as aspas fazem a diferença, ainda que para destacar a fala atribuída a outrem – ele está falando. A Folha de São Paulo avisou a Daniel Dantas, meses antes de sua prisão, que uma investigação estava ocorrendo. Tem, portanto, ligações íntimas com o acusado pela operação Satiagraha. Quando a notícia não é lesiva ao inimigo, não se usa o nome dele nas manchetes. O texto da notícia é igualmente evasivo, evita tomar posições, como se as acusações de Protógenes fossem apenas dele. Aridez informativa. Fosse DD o falante, certamente a notícia teria mais destaque. Não por acaso a mesma operação anti-Satiagraha que prendeu, violentou e tramou (sem as aspas, assim mesmo) contra Protógenes, De Sanctis e Lacerda evitou citar jornalistas judicialmente envolvidos na investigação, e de veículos envolvidos, como a própria Folha. Advogam em causa própria, e não é no editorial do jornal.

–> OS INTERESSES DA MÍDIA APARECEM NAS MANCHETES (II)

Quando o governo ajuda, a manchete fica mais fácil ainda de se fazer. É o caso da atuação pífia do Ministro da Justiça, Tarso Genro, na condução da Polícia Federal e a sua facção pró-Daniel Dantas. O colunista Kennedy Alencar deita e rola, primeiro elogia o ministro na sua atuação contra o abafamento dos casos de tortura durante a ditadura, para em seguida chamá-lo de ditatorial na operação que invadiu a casa de Protógenes e pode levá-lo à prisão. O título da nota: “Os Polêmicos Tarso e Protógenes”. Esquece-se, no entanto, de Daniel Dantas, aquele cujos tentáculos organizacionais incluem o jornal onde ele trabalha. Discutir a amplitude da operação Satiagraha, e o porquê do abafamento multinstitucional do caso (PF, STF, Ministério da Justiça, Grande Mídia), nem pensar. Alencar somente cita DD de passagem, como o acusado na operação que não deu certo. Enquanto Protógenes pode ser preso, o delegado Bruno, aquele que vazou a foto do dinheiro dos “aloprados” para a rede Globo continua delegando. E a mídia favorável a Dantas continua atuando, ainda mais quando facilitada pela atuação pífia, para não dizer conivente do governo brasileiro.

–> A MÍDIA NÃO QUER INFORMAR; QUER PROTAGONIZAR (I)

Tempos sombrios para a arte, quando o artista é mais importante que a obra, ou quando a visibilidade social se presta menos ao conhecimento que ao panoptismo travestido de fascinação vouyeurística. O mesmo vale para o jornalismo: quando o repórter é mais importante que a notícia, então já não há mais jornalismo. Na rede Globo, no último dia 04, em plena eleição estadunidense, o repórter e dublê de erudito Pedro Bial, teve um ataque de ódio com a equipe técnica do Jornal Nacional. Tudo porque ele era o escalado para trazer notícias dos EUA, e na hora, por problemas técnicos, quem entrou para dar as notícias foi outra apresentadora. O que vale mais, a notícia ou o noticiador? Para Bial, vítima do simulacro do reality show televisivo, mais vale o ideal dele mesmo. Ainda que como espectro, ele desapareça na telinha tão rápido quanto a informação que trouxe, e tenha tanta importância quanto ela.

–> A MÍDIA NÃO QUER INFORMAR; QUER PROTAGONIZAR (II)

Se o espetáculo translúcido do desaparecimento de Bial provocou uma crise agressiva do intemperado jornalista, é quase certo que ele ficaria felicíssimo se fosse ele o protagonista do mais recente “boom” telemático da tevê estadunidense, vanguarda mundial (inclusive na desfaçatez nas práticas politicofastras). Na cobertura das eleições presidenciais, a CNN colocou em seu estúdio, em Nova Iorque, imagem holográfica da repórter Jessica Yellin, que estava em Chicago. Uma dúzia de câmeras em HD filmaram a repórter de vários ângulos e sua imagem foi reproduzida no estúdio. O hiper-real se fazendo hiper-ultra real na sociedade midiotizada. A mídia holográfica não se diferencia da mídia analógica: não houve nenhuma mudança na forma como a notícia é produzida. Pouco importa aos iraquianos que a CNN, em consonância com o governo Bush, afirme a existência de armas de destruição em massa no Iraque com uma repórter holográfica ou com uma nota em papel lida pelo apresentador: os efeitos catastróficos de um terrorismo de Estado já se instalaram por lá. Quanto ao repórter, que já não existe como corpo-potência produtor, já o era exatamente por isso, espectral. A tecnologia apenas se encarregou de dar forma perceptiva ao que já, há muito, é um telejornalismo holográfico, espectral, inexistente.

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

UMA SACADA FORA (OB) DA CENA (SCENUS) DO LUGAR DA AÇÃO (TORIUS) DA IMPRENSA

–> A VOLTA DO CIPÓ NO LOMBO MIDIÁTICO DE QUEM MANDOU DAR: O “CQC” DE KASSAB.

Diego Barreto, diretor do programa “CQC”, custe o que custar, da Band, pediu à assessoria da campanha de Kassab, antes do final da propaganda eleitoral do segundo turno, que retirasse do ar uma cena em que o próprio candidato “adesiva” o paletó do repórter Rafael Cortez. Enquanto Cortez tentava fazer piada com Kassab, o candidato é quem “pegou” o repórter, e transformou-o em garoto-propaganda do 25. O programa, que sobrevive de tentar constranger políticos e as chamadas “celebridades” em troca da audiência, vendendo um viés “intelectual” (e tem quem compre), na realidade não faz humor: não passa de uma versão do casseta & planeta, que não carrega o humor por não movimentar as estratificações sociais, apenas reforçando os preconceitos. A diferença é apenas de ordem superficial: ao invés de homoeróticos, negros, gente feia e pobre, eles capturam o entendimento cristalizado de corrupção, de imoralidade e de ridicularização da política e transformam em clichê: nisso não são sequer originais, já que os próprios profissionais do executivo, se encarregam de parodiar-se a si mesmos e à política. Não faz a leitura do simulacro midiático, mas o reforça. Por isso não pode fazer humor. Daí o marketing eleitoral do DEM/PSDB kassabiano não se sentir constrangido em se aproximar e capturar a imagem do programa em benefício próprio, e para fins meramente comerciais. E ainda tem gente que custa a acreditar…

–> A NECROFILIA DO SIMULACRO MIDIÁTICO

A necrofilia midiática é um sintoma de que a mídia não tem interesse em informar, mas em ser a notícia. E ela, mais que nenhuma outra instância social – mais até do que as igrejas – reverbera a má consciência, o (in)desejo manifesto pela superstição de eliminar o efeito per si, e não a partir do conhecimento das causas. Um gosto pela violência social, mas apenas aquela que expõe a luta de classes e mobiliza claramente o enunciado da moral, caracteriza essa mídia necrófaga e necrófila. Daí a impossibilidade de compreensão dos fatos para além dos clichês. Por isso, lucra a Rede Record e o Portal Terra, quando mostram imagens de Lindemberg Alves, detido e espancado, obviamente pela polícia paulista. A informação também foi dada pela revista eletrônica Terra Magazine, do jornalista Bob Fernandes, voz lúcida que não se perde nem se confunde no meio midiático, que analisou mais racionalmente o fato, questionando a legalidade da ação, e chamando a atenção – através das palavras do jurista Luis Flávio Gomes – para o aviltamento dos direitos civis básicos, em nome do sentimento de vingança, da má consciência. No afã de satisfazer o corpo “mídia-videota” necrófago, atropela-se o fato de agentes do Estado terem simplesmente ignorado direitos civis e espancado uma pessoa ainda não julgada e condenada. O que abre um perigoso precedente para a tortura. Infelizmente, esta tem se tornado banal na residência da maior parte das pessoas: é só apertar o botão LIGA no controle remoto e começar a sessão.

–> O “ESPECIALISMO” DA TEVÊ ÀS VEZES FALHA

Em seu simulacro do real, a mídia, para sustentar e dar um verniz de credibilidade às notícias que produz, e por não possuir os signos da ordem do Estado como detentora dos saberes oficiais, apela a agentes externos quando o assunto em questão requer um “sublinhado” menos corriqueiro. Para isso, tem o seu exército de “especialistas”, dos quais se destacam com maior prevalência os economistas e os psicólogos. No caso dos economistas, o objetivo é menos tornar claro os falsos movimentos da economia de mercado e analisar as causas da alcunhada crise (como o foi na época de ouro do também alcunhado Neoliberalismo) do que envolver o telespectador-videota na verborragia econofástrica, donde o receptor deve sempre compreender o binômio “bem/mal” como entes absolutos. Miriam Leitão que o diga. No caso dos psicólogos, em sua maçiça maioria, o objetivo é reforçar e dar verniz pseudocientífico aos preconceitos abordados nas notícias. Não foi o caso, no entanto, do psicanalista e psiquiatra Raul Gorayeb, que foi ao insosso Jornal Hoje, apresentado pela ex-comediante Sandra Annenberg, e não endossou o discurso judicativo-condenatório a Lindenberg Alves. Ao contrário, colocou uma questão de ordem social necessária: a responsabilidade da sociedade. Atingiu em cheio a mídia, que se quer porta-voz e porta-estandarte desta sociedade. Ferida de morte, a ex-comediante tenta retomar o script de condenações e culpabilizações. Gorayeb nos sai com Shakespeare, o intérprete das paixões humanas, demasiado humanas. Este sim, o psicólogo de seu tempo, que soube, a despeito do isolamento autoimposto, fazer a leitura dos acontecimentos sociais e do envolvimento dos corpos-afetos na existência das pessoas. Quem matou Romeu e Julieta não foi o amor, mas o ódio cultivado pela sociedade. Da mesma forma, Gorayeb esboça um questionamento que deveria ser corrente nas análises midiáticas destes fatos. Infelizmente, pela cara dos apresentadores do referido jornal, ele não deve retornar tão cedo à cadeira de “especialista de plantão”.

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UMA SACADA FORA (OB) DA CENA (SCENUS) DO LUGAR DA AÇÃO (TORIUS) DA IMPRENSA

–> HOMOFOBIA SELETIVA: O “CU” DE GABEIRA

Se a imprensa paulista (e a nacional a reboque) aproveitou a marcada da campanha de Marta Suplicy, que não foi homofóbica, mas apelou ao senso de moralismo xenofóbico dos eleitores paulistas, e fez contracampanha, inoculando uma sentença judicativa de suposta homofobia, o que dizer do silêncio midiático diante da fala, esta sim, claramente homofóbica do candidato Gabeira, no Rio, na última quinta-feira? Ao ser interpelado por gritos de “viado, viado”, respondeu a homofobia com discriminação: “se sou viado ou não, o problema é meu. Sou casado e pai de dois filhos. Vou trabalhar com a cabeça e não com o cu!”. A notícia é do site Mix Brasil. Sentença que permite extrair do candidato dois entendimentos que ele expressa: um, a redução do homoerotismo ao cu, perigosa redução epistemológica para alguém que precisa fazer a leitura do social e atuar como prefeito. Como será a política de saúde para os homos, no governo Gabeira? Só contemplará a parte da urologia? Outro: a insinuação de que um homo jamais poderá ser prefeito de uma cidade ou exercer atividade intelectual, já que “trabalha com o cu”. Equívocos anais à parte, nenhum pio da imprensa, nem mesmo a imprensa LGBT, que continua massacrando Marta Suplicy, e até aplaudiu a iniciativa de Gabeira. Interesse partidário ou incapacidade de compreender o insulto? Acreditamos no segundo caso.

–> O (DES)ENTENDIMENTO SOBRE DEUS NA IMPRENSA NECRÓFAGA

São comuns as analogias entre a forma como a imprensa se aproveita dos acontecimentos e produz as notícias e a maneira como o urubu se aproveita de ações alheias para se alimentar da carniça. No entanto, a comparação urubulina só vale no reino da fantasia, já que ao urubu não interessa o que seja a imprensa ou a carniça, contanto que a última não lhe falte. Se a notícia é a narrativa do fato, e deve servir ao interesse público, então a imprensa, pela lógica, inexiste. Um acontecimento jornalístico: anos atrás, na cobertura de uma festa religiosa, o repórter pergunta à uma senhora, recém saída da procissão, se ela já teria alcançado muitas graças com a santa do dia. Ela respondeu que já alcançou tantas graças, que até “Deus duvida”. Nem desconfiou o repórter do assassinato de Deus realizado pela gentil senhora, que inverte a ordem hierárquica da teologia cristã, que diz que o santo intercede junto a Deus para conseguir a graça ao fiel, e de quebra, ainda elimina a onipresença e onipotência do Divino. Outro acontecimento: nos rescaldos do caso da adolescente sequestrada pelo ex-namorado, a tevê Globo, irmã siamesa em rapinagem necrológica da Record, acompanha o coração da jovem falecida, num “conto de fadas” jornalístico, onde o Bem prevalecerá sobre o Mal. A irmã da pessoa que recebeu o coração de Eloá, na imperativa necessidade de justificar o fato banal e corriqueiro de receber um órgão transplantado diante do mar de microfones e câmeras, afirmou que a irmã teria dito que o coração foi um “presente de Deus” recebido no dia de seu aniversário. Pergunta-se: terá sido a mão de Deus quem guiou o revólver na mão do apassionatto ex-namorado e puxou o gatilho, para beneficiar uma filha mais querida? À mídia, só importou o fantasioso, o gracioso de um happy end. Pela lógica aplicada, Deus inexiste, nas duas sentenças. A imprensa também.

–> A NEUTRALIDADE E A CREDIBILIDADE DA IMPRENSA ‘SHOW BIZZ’

Em seu cinema engajado “O Quarto Poder”, o grego Costa-Gavras abordou o modus operandi da mídia quando a questão é lucrar com o sofrimento alheio. E extraiu algumas conclusões. Uma delas é a de que a noção de neutralidade é necessária ao pacto necrológico entre canal de comunicação, empresa anunciante e telespectador-consumidor. Quanto mais o canal de comunicação alardeia neutralidade e não-envolvimento nos fatos, mais oferece ao espectador-consumidor a ilusão da credibilidade, que é também aproveitada pelos anunciantes de produtos. No caso do sequestro das adolescentes paulistas, foram expostas as “letras miúdas” do contrato necrológico: a mídia não mais ocultou a necessidade de ser não mais observador, mas protagonista do espetáculo da vida cotidiana. Em meio a rumores de que um repórter da Record foi solicitado pelo próprio namorado rejeitado para “resolver a situação”, a apresentadora de programa explorador do exibicionismo infantilizado, Sônia Abrão, entrevista o sequestrador, e parece não se importar com as complicações psicológicas decorrentes da inclusão de novos agentes na negociação (outros jornais, da Globo e Record, também entrevistaram). Para esta mídia, não há diferença entre noticiar e ser a notícia. Desde que venda. E no crime perfeito da chamada pós-modernidade, todos são ao mesmo tempo vítimas e assassinos, incluindo a mídia e os telespectadores.

–> A NUDEZ INTELECTUAL DO GLOBAL PEDRO CARDOSO

O ator globístico Pedro Cardoso lançou manifesto contra a nudez televisiva, minutos antes de uma exibição do filme “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, de Domingos de Oliveira. Cardoso é produtor, e sua namorada, a também atriz globística Graziella Moretto, participa do filme. Segundo o ator globístico, a nudez impede o ato de representar, pois sempre quem fica nu é o ator, e nunca o personagem. Entendimento do qual podem-se extrair algumas enunciações: como ficam as séries e novelas globísticas, das quais Cardoso é tributário, diante da lógica “apelativa” da nudez? Que ator é este que acredita na corporeidade do ator, mas não acredita no corpo da personagem? Brecht, que não cria na composição metafísica das personagens, trabalhava em suas peças a nudez: nudez da signagem capitalística, des-decalcando dos corpos os elementos materiais e imateriais da exploração da mão-de-obra pelo capital. O que é o efeito de Distanciamento (efeito V) senão um desnudamento das relações perversas entre as pessoas, engendrada pelo capitalismo? Mas Cardoso parece preocupado com uma objetização/comercialização da nudez, da qual a sua patroa, a rede Globo, é campeã. Quantos nus reais ele vê na telinha cinematográfica e televisiva nacionais? Nenhum, exceto o simulacro do nu, corpos cobertos por signos subjetivadores. Há em um corpo nu tudo o que se pode imaginar, menos a nudez. Cardoso não corre o risco de perder o emprego.

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

Um sacada fora (ob) da cena (scenus) do lugar da ação (torius) da imprensa

Obscenatório da Imprensa

<- “Lula afirma em entrevista que não pensa em terceiro mandato, mas se o cavalo passar arriado pela frente da porta ele senta”, afirmou o ex-protegido de Adolf Bloch, jornalista Carlos Heitor Cony, em seu Diário Íntimo na BADNEWS. Cony se mostra como aqueles sujeitos que têm complexo de Deus: conhecem o futuro, principalmente se este futuro é das pessoas que ele nutre aversão. Nisto não contam a autonomia das pessoas, suas experiências, os acasos construtores de realidades, não, nada disso conta. A história futura é previsível pelas evidências presentes, que de acordo com que podemos inferir de sua afirmativa, para ele Lula é um deslumbrado pelo poder. Por isso, espera um acontecimento favorável que lhe conduza ao terceiro mandato. Cony, em seu hábito de fantasiar o outro com sua própria fantasia, o que o jornalismo sequelado proporciona, não atina que projeta em Lula suas idéias/teológicas moralizadas em conturbados rastros democráticos saídas de seu indefinido conceito de socialista juvenil. Bons tempos aqueles da ditadura, hein, Cony.

<- “No Brasil, a despeito do desejo de um naco expressivo do petismo, Lula jura que não pretende disputar a re-releição… Ainda assim, não custa lembrar o que dizia o líder do socialismo bolivariano do século 21 antes de chegar ao poder”, adverte Josias de Souza, da Folha de São Paulo. O mesmo enunciado paranóico de Cony. Ou seja, de toda mídia sequelada. Os Lulafóbicos. O pavor de Lula. Por que pavor? Lula é um tirano? Está destruindo o pais? Cerceando as liberdades? Não. O Brasil vive o contrário destes temores antidemocráticos. A descrença no outro, que é própria destes mídias mercadológicos, faz com que ignorem que é inconstitucional o terceiro mandato. E nesta ignorância aniquilam o povo brasileiro que construiu a democracia e permitiu a redação da Lei Maior. Mas esperar o quê de gente como o Lula? Ele pode rasgar a Constituição e aí… É a moral da consciência vil. A subjetividade do jornalismo intrigante, velhaco e estereotipado. Josias faz essa pauta. É muito bem amestrado para servir a Folha.

<- “A palavra ‘Petralha’ não é a fusão de “Petista” com “Canalha”, ou eu teria optado, sei lá, por ‘Petinalha’. Petralha é a variação petistas dos ‘irmãos metralhas’: sempre de olho na caixa forte”, respondeu Reinaldo Azevedo, da Veja, ao jornalista Daniel Henrique Diniz Barbosa, que analisou a fúria do vejafrênico contra todos que não se identificam com seu infantilismo midiático. Como um atoleimado fronteiriço entre a encenação de machinho, machinho e a auto piedade, o Naldinho se quer um respeitado examinador político. Mas Naldinho, em sua oralidade lítero/bom-bom, não pode perceber a impossibilidade da formação de imagens e idéias. Não sabe que na zona fronteira predominam imagos simulantes saídas da escotomização perceptiva e intelectiva. É por isso que seus textos não se fundam como realidade (pelo menos dominante) política/social. E se manifestam como regressivos. “Sei lá”, ele enuncia de uma forma que dar para ouvir a inflexão. Daí recorrer a entes infantilizados como “irmãos metralhas”. Que por sua vez saíram do moralismo/oral polimórfico capitalista de seu autor norte-americano, que lhe cai bem como ilusão de dominação. Naldinho põe palavras, frases, sentenças como ataque de quem se amargurou. Põe sempre a dor. A dor da tristeza de seu olhar temeroso do fora. Naldinho brinca de ir até fora, mas não vai. Então, como Rei, se tranca em sua torre de marfim e fica jogando garatujas pela janela imaginando que é ele quem está brincando na rua junto com os outros meninos, principalmente do PT. Mas ReiNaldinho não brinca. Até isso ele simula. Simulando ele passa para outro compartimento da torre e faz que brinca com o outro, que também não brinca, seu amiguinho Mainardinho. E assim são felizes, mas se alguém lhes contrariara, eles batem os pezinhos.

<- “Sugiro diariamente sites, blogs e fotologs que valham a pena ser acessados”, escreve Noblat. Ibraim Sued, se vivo, processaria o colunista do Globo por tão mal plágio que lhe faz. Nem é colunismo social e nem político. É Noblat, com seu limitadíssimo senso de análise dos fatos, somado a sua ojeriza ao governo Lula, como prova inconteste de duas realidades da comunicação que se vive no Brasil. Uma, os cursos de comunicação estão cada vez piores. Duas, a imprensa vive seu maior momento de liberdade. Até a liberdade de ir e vir pelos braços da ignorância. Acesse os indicados por Noblat e seja bem informado, mas agüente as conseqüências quando se deparar com outra realidade.

<- “Que valores os pais estão passando para seus filhos?”, pergunta Ruth de Aquino, editora-chefe da revista Época, em um texto que tem a pretensão de ser a pedagogia midiática dos pais com filhos playboys. Os filhos que apelam e são defendidos pelos pais. Atos inconcebíveis pela editora-chefe. Como dublê de pedagoga, D. Aquino deveria perguntar também que valores o jornalismo de mercado, que ela sustenta e é sustentada, está fazendo pelos filhos? Ou ela acredita que a educação social é muito bem pontuada? Em família é assim, na escola é assim, na igreja é assim, no bailinho é assim,… tudo com uma identidade própria? Não é. Há uma circularidade de experiências e o jornalismo tece também esta circularidade de códigos. Fala, se impõe. E seu jornalismo preconceituosamente sequelado contribui fortemente para as fantasias de dominação destes playboyzinhos que ela contesta.

OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA

Um sacada fora (ob) da cena (scenus) do lugar da ação (torius) da imprensa

<- “Memória Ativa”, afirma a BANDNEWS. Publicidade de si mesma composta por imagens de fatos do Brasil tomadas como jornalisticamente importantes, cujas imagens finais apresentam os ridículos cansadosfrênicos. Muito importante para quem tem Mitre, sensitivamente PSDBista, como chefe de jornalismo. Marketing televisivo bombástico eminentemente raso como só acontece na mídia de mercado. Desconhecimento óbvio dos conceitos Memória e Ativa. No primeiro, desconhece que a memória não é ativa, mas um inventário de imagens-lembranças – passado – sem força de atualização de novas percepções para construir o real. Como afirma o filósofo Bergson: “O que não atua mais”. No segundo, desconhece o ativo como ídeo-motor: o atuante da percepção pura como presente experimentador modificante do real anterior para surgir o real futuro/movente. Marx sacava: a repetição é farsa. Farsa não como teatro, mas como caricatura do passado: o irrecuperável. Nietzsche ironizaria dito jornalismo como niilista, tal o desfile de saberes pessimistas não ativadores do pensamento. Nada esperar de território imóvel onde imagens Jabour, Miriam Leitão, Nêummane Pinto, Hipólito, etc, se mostram espectrais. Daí, a BAND ser New só na imaginação.

<- “Tirando o fato de Huck ser uma celebridade, há uma tendência, visível em todo o mundo, de maior valorização do local, do cotidiano, do que está mais próximo do consumidor de notícias”, afirmou o jornalista Gilberto Dimenstein do Conselho Editor da Folha de São Paulo, ao escrever sobre a repercussão do roubo do Rollex do ilustre globiano. Seu texto ao negar a existência de democracia no Brasil, citar insegurança, Congresso desrespeitado, nos mostra a ingenuidade do realismo/jornalístico da Folha. Escreve “celebridade” sem notar que a classificação saiu da miséria cognitiva do jornalismo midiático. “Valorização do local’. Todo local tem valor seja ele aterrador ou acolhedor. E representa uma pré condição de se situar como dentro ou fora de um sistema. Como o jornalista, o ladrão e o globiano estão inseridos no mesmo sistema, não pode sair um texto examinador com rastros de um outro sistema. “Está mais próximo do consumidor de notícias”. Estas metrificações jornalísticas de próximo e distante o filósofo da dromografia, Paul Virilio, já tratou muito bem: a dissipação ofuscou o espaço e o tempo. Estas notícias próximas carregam discursos/miragens por isso atraem um público tomado pelo jornalista como interessado pelo político. Infelizmente o texto de Dimenstein continua “infanto/juvenil”. Principalmente quando pretende tratar sobre educação.

<- “O porco fedorento Che Guevara”, exclamou o possesso guru da Veja, Mainardi. Em sua miséria cognitiva, o boy continua ridicularizando a si mesmo em um Show lítero/cacográfico proto-risível. Boy, não sabe que o porco nada tem a ver com o enfraquecimento do ânimo de viver anêmico estereotipado. Além do mais, o referido porco, como animal, não é porco. E não sendo porco/humano, não pode ser responsabilizado por quem carrega fedor. Em seu viver não há fedor. O fedorento é com os homens, principalmente com os jornalistas venais. Como carrega infantilização a expressão ”Porco fedorento!”. Quanta dor. Quanta infância interditada. Lembra menino babão na escola dedurando o coleguinha à professora. Quanto a Che, o que o boy/burguês/bem nutrido e conformado pode saber de liberdade, de Sartre, de América Latina, de mundo? Nada. A existência ressentida, travada pela culpa lhe imposta, manifestada pela inveja dos que são livres, não concede esse saber ao boy.

<- “Tem algo errado com os telespectadores, que até pouco tempo eram tão fanáticos pelo que a TV lhes mostravam”, concebeu o telenovelista Aguinaldo Silva, respondendo à Globo que lhe cobra por maior audiência. Aguinaldo Silva é daqueles tele/escritores possuidores de um túnel de inutilidades, que chamam de realismo, sempre com várias luzes em seu começo, meio e fim. O mago da cultura descartável que alguns sociólogos, antropólogos urbanos, jornalistas, acreditam ser necessário. E chegam a classificar telenovela de arte. Embora não passem de seqüências ininterruptas de clichês compostos de paixões tristes fortalecedores da apatia/social. Sem contar com as técnicas de filmagens apresentadas com seus enfraquecidos/empáticos/planos hipnogógicos direcionados ao inebriamento dos sentidos, inteligência, atenção, vontade e autonomia. É o gênio brasileiro responsável pela adaptação, segundo ele, da vida de Zé Dirceu à sua telenovela despencada em audiência. Elogiada, como saque genial, pela ‘inteligentísssima’ Ruth de Aquino, editora-chefe da revista Época, também da Globo. Tudo em casa. Pois o Aguinaldo, não fazendo jus ao Silva, não sabe por onde andam os telespectadores. Como um gênio da TV não sabe por onde andam os telespectadores? Se deixar a megalomania fantasiosa do psicodelismo midiático vai saber. Como vai saber também, porque a cansada Ana Maria Braga com seu desqualificante, “Mais Você”, está em curva decadente juntamente com o “Fantástico o Show da Vida” da Globo e outros. E saber que existe a turbulência, como diria o filósofo Michel Serres, a declinação do ângulo dos “sem mídias”.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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