Archive for the 'Judas' Category

CRIANÇAS AFINADAS MALHAM OS JUDAS

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Dois Judas, um referente ao Judas real e outro referente ao Judas imaginário. O primeiro é reflexo histórico constituído pelas experiências de mundo do próprio personagem que antes de ser incluído no discurso paulino bíblico, foi protagonista de suas ideias políticas e sociais. O segundo é reflexo da transfiguração do real em personagem mistificado pelo discurso paulino bíblico que fez uso da propaganda para transfigurá-lo em personagem traidor de Cristo, que o vendeu por 30 denários e o dedurou com beijo. O imaginário beijo de Judas. IMG_7842 IMG_7843 IMG_7844 IMG_7849 IMG_7850 O segundo tem sua representação maior nos anseios de Paulo que precisava de alguém para justificar a permanência de Cristo crucificado que morreu para nos salvar, e aí, então, instituir a culpa, a dívida, o ressentimento, a má consciência que abolidas com o perdão. Um perdão que se conquista através do autoconhecimento como pecador. Nada do que Cristo pregou. Cristo só amou. Não um amor banal, individualista, de classe, de grupo, mas um amor coletivo que não funciona como compensação como pretendem os tiranos exploradores da fé verdadeiramente cristã. IMG_7860 IMG_7861 IMG_7862 IMG_7863 IMG_7866 ENTÃO, AS CRIANÇAS FESTEJARAM Nesse ano houve na festa do Judas uma inovação. O testamento do colega Judas não foi escrito antecipadamente para ser lido no momento da festa. Dessa vez, as próprias crianças criaram, versejaram e rimaram as estrofes. Quer dizer: criaram as estrofes de forma coletiva. Exemplo: pergunta-se qual a criança que quer receber uma lembrança de Judas. Uma criança, em questão, Eduardo, que quer receber. Então, começa a estrofe: “Ao meu amigo Eduardo”. Pergunta-se ao Eduardo de que ele gosta, ele responde: “Gosto de feijão”. Aí, pergunta-se (alguém que coordena a construção da estrofe), às crianças: “O que Judas deixa como lembrança ao Eduardo que, no fim do verso, rima com feijão? Uma criança (responde de sua criação), responde (respondeu na festa): ”Arroz, farinha e macarrão”. E a estrofe lembrança de Judas fica: IMG_7867 IMG_7868 IMG_7871 IMG_7872 IMG_7873 IMG_7874 “Ao meu amigo Eduardo Que gosta de feijão Deixo como lembrança Arroz, farinha e macarrão”. E a festa continua rimada até enquanto crianças queiram ganhar lembranças de Judas. Nessa festa de Judas de 2014, foram realizadas outras brincadeiras com elementos teatrais todos referentes à Páscoa e Judas. Mas sempre ocorrem dois grandes momentos nessa festa: tirar foto abraçado com o bom Judas, e a hora da malhação. Antes era só malhar. Extravasar energias, e muitas vezes ressonâncias a-históricas: “O Judas é mal, traiu Jesus”! Agora, a malhação mudou: as crianças malham o Judas para encontrar presentes dentro deles, principalmente bombons.. IMG_7880 IMG_7883 IMG_7884 IMG_7890 IMG_7902 Como criança é devir humano que necessita de nutrientes para colocar sempre em práxis suas faculdades intelectiva, sensorial, imaginativa, memorial, biológica, tem sempre que haver o mata broca, além do tradicional ovo de Páscoa caseiro. Nada de ovo industrial. Cristo sempre se considerou um Homem-Natural. Carregava elementos da filosofia estoica e epicurista que cultivavam amorosamente a Natureza. Daí o nome da habitação do filósofo Epicuro ser chamada Jardim de Epicuro. IMG_7908 IMG_7910 IMG_7912 IMG_7913 IMG_7917 IMG_7919 IMG_7921 IMG_7922 IMG_7926 IMG_7929 IMG_7930 No mais, é só bradar: Valeu, criançada! Valeu, Judas!

O TESTAMENTO DE JUDAS ANO 2014

Que tempo bom, amigos brasileiros! Que bom tempo de Páscoa! Tempo da passagem em meu amicíssimo Jesus Cristo. Transubstancial mudança sempre para melhor. Que alegria incontida de me encontrar novamente aqui no Brasil. Não podia ser diferente: eu amo vocês, brasileiros! E nesse tempo pascoal, tempo de Copa do Mundo, a maior expressão futebolística desse povo guerreiro que quer festa o ano inteiro. Tempo também de eleições. A festa democrática de um povo que soube suplantar uma ditadura desumana. Que tautologia a minha: toda ditadura é desumana.

É isso aí, amigos brasileiros! É isso aí, gente boa! É isso aí, gente fina! Aquela história mitificada e mistificada que inimigos de Cristo propagaram: que eu o traí por 30 moedas, não precisa mais tratar. Vocês já sabem o que verdadeiramente ocorreu. A história-real já explicou. Esse blog da Associação Filosofia Itinerante (Afin), também já explicou. Nossa luta era política. Cristo queria primeiramente a liberdade das almas individuais para depois realizar a liberdade coletiva. Eu pensava que deveria ser o contrário: a liberdade coletiva, primeiro. Errei. E feio, torcida brasileira!

Um povo não pode ser livre sem antes libertar sua alma individual. Cristo sabia disso. Esse o terrível medo dos imperadores romanos e judeus. O ladrão crucificado sabia dessa verdade. Barrabás, que era um militante político pró-Israel, também sabia. Barrabás, cujo sufixo aramaico Abbas, que significa pai, depois passou a ser o nome de uma banda sueca de rock romântico. Não é minha praia, mas fazer o quê? Por isso fizeram a propaganda para denegrir a Cristo e a mim. Todo tirano tem medo dos homens livres, por isso eles cultivam a escravidão. O medo do escravo é a grande segurança do tirano. Cristo era livre. Esse o medo dos tiranos. Para Cristo não havia dívida, não havia culpa para pagar, como quer Paulo. Nada de ressentimento, má consciência, remissão dos pecados, são invencionices dos que queriam Cristo como um tirano, como diz meu amigo filósofo Nietzsche.

Mas a verdadeira história já guardou em sua arqueologia o tempo verdadeiro da Boa Mensagem, e não a história mitificada e mistificada. Agora, se há ainda alguém que credita no tal do beijo da traição, para justificar sua ignorância, nada há o que fazer. Assim como não há o que fazer com alguém que acredita que 30 moedas poderiam comprar um Homem como Cristo.

A prova da trapaça histórica perpetrada pelos tiranos é a minha presença aqui junto de vocês. Se eu tivesse sido um traidor como eu estaria aqui no Brasil, com vocês, meus amigos, se esse é o país mais católico e cristão do mundo? Só se vocês fossem um povo otário. O que não é verdade. Se vocês fossem otários não teriam elegido o meu amigo Lula duas vezes e elegido Dilma, e não estriam prontos para reelegê-la. Quem é tão democrata assim, não é otário.  

Agora vou enunciar, com a permissão de todos vocês, o meu Testamento 2014. 

E agora preclaros brasileiros

Nesta festa pascoal

Vou abrir meu testamento

Com lembranças do bem e do mal

Porque amo esse povo

Desse país tropical.

Agora sem mais delongas

Vou enunciar meu testamento

Espero que cada agraciado

Mostre o seu contentamento

Pois se há coisa que não curto

É falta de reconhecimento.

 

Vou começar com minha amiga Dilma

Que governa com os sentidos e a razão

Por isso deixou-lhe inconteste presente

Sua comprovada reeleição

 

Ao meu companheiro Lula

Que faz tremer candidato afoito

Deixo-lhe a irrefutável realidade

Sua vitória em 2018.

 

Ao príncipe sem trono, Fernando Henrique

Campeão de rejeição

Deixo-lhe o Ulisses de James Joyce

Para lhe acompanhar na solidão.

 

Para o senador Aécio Neves

Candidato da ignara-burguesia

Deixo-lhe muito Sonrisal

Para tratar de sua azia.

 

Ao candidato Eduardo Campos

Socialista de fabulação

Deixo-lhe as orações de Marina

Para acalmar a frustração.

 

Para conspiradora TV Globo

Que todo dia perde audiência

Deixo a inteligência do povo

Para lhe levar a falência.

 

Para a trupe dos jornalistas reacionários

Que tramam contra o governo popular

Deixo-lhe o Troféu Cabo Anselmo

Para de sua missão se orgulhar.

 

Para a dublê de jornalista, Sheherazade

Apologista da tortura

Deixo a dignidade dos presos

Vítimas da ditadura.

 

Ao Paulo Henrique Amorim

Molière da ironia afiada

Deixo-lhe as virtudes de Serra

Uma fonte de piada.

 

Ao jornalista Mino Carta

Senhor de inteligência engajada

Deixo-lhe o elixir dos sábios

Para enfrentar a mídia depravada.

 

Aos companheiros da Carta Maior

A potência do jornalismo virtual

Deixo-lhes minha biblioteca

Inclusive a 1º edição do Capital.

 

Aos blogueiros-progressistas

Chamados pelos reaças de sujos

Deixo-lhes documentos inéditos

Que mostram quem são os ditos cujos.

 

Aos parlamentares calculistas

Que assinaram a CPI da Petrobrás

Deixo mais quatro anos pra Dilma

Pra eles curtirem seus ais.

 

Para burguesia-ignara

Cujo espírito é ambição e egoísmo

Deixo-lhe o fim de sua ilusão

A morte do neoliberalismo.

 

Aos médicos-burgueses

Defensores da medicina de mercado

Deixo-lhes o paciente do SUS

Feliz, confiante e curado.

 

Aos profissionais do Mais Médicos

Que os médicos-burgueses querem a destruição  

Deixo-lhes a fé inquebrantável

Praga de invejoso não pega em cristão.

 

Ao deputado Praciano

Que com o PT está frustrado

Deixo-lhe a essência do partido

Que ele não tem lembrado.

 

Ao prefeito Arthur Neto

Que se diz “orgulho do Amazonas”

Deixo o festival de buracos

Com Manaus enterrado em suas zonas.

 

Ainda para o prefeito do PSDB

Cuja administração é marketing puro

Deixo-lhe o quadro que lhe espera

Um fim de mandato obscuro.

 

E o transporte coletivo

Que por ele nada é feito

Reafirma mais uma vez

Que Manaus não tem prefeito.

 

Aos alienados professores de Manaus

Analfabetos políticos por opção

Deixo a inteligência dos estudantes

Para que mudem de profissão.

 

Para a imprensa do Amazonas

Submissa aos governadores

Deixo-lhe o calote desses

Para ver se criam pudores.

 

Aos ‘políticos’ do Amazonas

Que dos governantes são efeitos

Deixo o eleitor consciente

Para jamais sejam eleitos.

 

Para as igrejas pecadoras

Que exploram a fé do cristão

Deixo-lhes a falta de memória

Pra não lembrarem as palavras Deus e religião.

 

Ao ex-prefeito de Coari, Adail

Que se julga acima do bem e do mal

Deixo-lhe o julgamento preciso

Da Justiça Federal.

 

Em tempo de Copa do Mundo

Que para o brasileiro é paixão

Deixo-lhe o caneco de ouro

Embora não tenha seleção.

 

“Nem Cristo agradou a todos”

É o que se ouve falar

E eu como amigo Dele

Também não vou agradar

Por isso peço desculpas

A quem não pude presentear.

 

Porém prometo enviar breve

A lembrança a quem compete

Mas é preciso forçar o Senado

A provar o Marco Civil da Internet.

 

Agora acabo meu testamento

Impregnado de saudade

Mas crente que o brasileiro

Vai impor-se contra a maldade

Porque só ele pode produzir

A democracia com liberdade.

Beijos deste amigo iscarioticamente, Judas!

MALHAÇÃO DOS AMIGOS DA CRIANÇADA JUDAS E JUDINHA

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Como já é uma grande festa anual no Bairro do Novo Aleixo, as crianças de todas as redondezas aparecem para a grande festa dos companheiros Judas e Jesus. E o domingo de Páscoa se encheu de alegria com a presença de Judas que neste ano veio com o rosto repleto de pirulitos e outros doces e trouxe junto um seu companheiro, o Judinha.

A festa afinada não carrega o ressentimento do cristianismo em culpabilizar Judas, e a brincadeira não busca expressar raiva ou agressividade contra este personagem expiado pela história. Pelo contrário Judas vem trazer sua alegria e festividade e no auge da noite é malhado e deixa doces e afetos que estão em seu corpo. Assim Judas não é abominado ou violentado, mas se desfaz no ar junto com seu mito de corpus histórico e faz com que a criançada espere um novo encontro no ano seguinte. Mas como a vida é produção contínua sempre é um novo Judas, uma nova noite, uma nova composição.

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E para começar a noite alegre as crianças afinadas começaram uma encenação envolvendo Judas, Jesus, Madalena, os centuriões romanos e outros personagens bíblicos para que com os próprios diálogos das crianças, houvesse uma resignificação da história bíblica.

Aos poucos várias crianças iam chegando e encenavam a relação de Jesus com Judas, Madalena, com o povo e com os apóstolos. E assim a brincadeira envolveu diversos atores que entraram na cena pascal em suas atuações vívidas. Além disto algumas crianças também cantaram músicas de páscoa e

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Depois da encenação chegou a hora da tradicional foto com o Judas. Neste ano também o jovem Judinha fez um grande  sucesso com a criançada.

A fotografia junto a Judas também é um recurso que diminui a raiva que existe na representação cristã de Judas, algo que não existiu em Cristo e nem em seus verdadeiros seguidores. Na foto com Judas e Judinha vemos a lembrança destes companheiros que aparecem na celebração da páscoa.

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Chegou então a hora da transubstanciação do corpo de Judas em doces que trazem mais júbilo para as crianças. Aos poucos as crianças foram tirando a cabeleira de pirulito do Judas e se aquecendo para pegar os outros doces que estavam por dentro do companheiro.

Neste ano o Judinha apareceu como uma forma das crianças menores também poderem brincar tranquilos com um Judas pequenino. Então chegou o grande momento. Primeiro com o lançamento do Judinha.

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Com todos os bombons recolhidos e o chão limpo novamente chegou a hora do Judas grande se encontrar com as crianças. Os maiores não viam a hora de entrar na brincadeira, e é claro também conseguir vários doces deixados pelo companheiro pascal.

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Depois de tantos doces e brincadeiras a grande hora do mata-broca pascal chegou e trouxe os afinadadíssimos sanduiches, biscoitos e a trufa de chocolate com castanha do Pará e de Caju  preparada especialmente pelo mestre chocolateiro afinado que esteve inspirado na festa de Jesus e Judas.

E assim a festa da Páscoa e da Malhação do Judas trouxe muitas atividades e produções, e no ano que vem Judas e Judinha voltam como o novo, assim como é a renovação de Cristo.

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O TESTAMENTO DO JUDAS 2013

O Beijo de Judas, Pintor Anônimo do Século XII

O Beijo de Judas, Pintor Anônimo do Século XII

O Cristianismo em seu decorrer histórico após a morte de Cristo tinha que escolher um culpado pela morte de Jesus, o que aumentaria mais ainda a culpa cristã. Como sabiam que os sacerdotes e o governo dos romanos e judeus se opuseram por várias vezes aos ensinamentos de Jesus, eles não poderiam ser “demonizados” pela condenação. Era preciso que houvesse algo que incutisse mais profundo a culpa e foi utilizado o recurso da traição. Um homem que mesmo traído segue firme em seu caminho à morte é algo que aumenta a dívida impagável deixada pelo cristianismo paulíneo.

Judas então é colocado como o grande traidor, aquele que mostrou ao exército quem era Jesus com um beijo. Porém, sabemos que Jesus era bastante conhecido por diversos povos com o qual teve contato, e não  necessitava de alguém que informasse quem era Jesus. Logo, o recurso de expiar Judas usado pelo cristianismo paulino buscava somente mitificar ainda mais Cristo e fortalecer o dogma da igreja.

Judas, tendo ou não tendo beijado Cristo, não deve ser “demonizado”, afinal Cristo foi morto pelos romanos e judeus, pois não quis ser rei de nenhum povo, e tinha grande influência. Assim, Judas que descendia de uma família de posses nunca precisou de 30 moedas para entregar o Homem, e a cada ano não deve ser execrado e sim, lembrado como apóstolo de Cristo que ao morrer deixa seus bens em seu testamento que é escrito neste Bloguinho. Judas, assim como Cristo é a renovação da morte, da vida, da partilha.

Neste ano o testamento do Judas é inspirado nas sextilhas do cordel que fez sua presença no nordeste brasileiro. Cabra bão que é Judas…

À presidenta Dilma Vanna Rousseff
Que governa com sabedoria e razão
Mulher valente e guerreira
Com recorde de aprovação
Deixo a alegria dos brasileiros
Que lhe garantirá a reeleição.

Ao Companheiro Lula
Que tanto lutou pelo povo
Amigo de longas caminhadas
Produzindo sempre um Brasil novo
Deixo minha força e esperança
Para que sejas Tu e Dilma de novo.

Ao Pastor Marco Feliciano
Que compõe tristeza com seu racismo e homofobia
Não representa nosso povo
Que vive com alegria
Deixo a força do nosso povo
Que deixará sua cadeira vazia.

Para a direitaça reacionária
Que vê o Brasil melhorar
Criam o Instituto Milleniumm
Para disso discordar
Deixo os sem mídias
Para no Brasil prosperar.
 
Para  a mídia golpista
Voltada aos interesse do mal
Tentando manipular o povo
Com seu discurso parcial
Deixo a escrita libertária dos blogs
E da redação da Carta Capital.

Ao meu amigo Mino
Que tem no jornalismo um compromisso existencial
E em sua escrita carrega
A liberdade editorial
Deixo minha camisa do pobre palestra
E uma adega para o degustar do intelectual.

Ao Principe sem Trono Fernando Henrique
Que tem um existir malogrado
Maldizendo a presidenta Dilma
Invejando o Sapo Barbado
Deixo o Zaratustra de Nietzche
Para que não continue escravizado.

Aos movimentos sem mídia
Que lutam por uma outra sociedade
Com sua busca pela informação
Não aceitando qualquer verdade
Deixo os escritos de Qorpo Santo
Para que criem a mídia para a comunalidade.

Para o ministro Joaquim Barbosa
Que com suas dores julgou
Não teve mensalão algum
Mas Dirceu, Genoíno e outros
 Ele os  condenou
Deixo-lhe uma nova Ordem jurídica
Que Lewandosky compilou.
 
Para o Sindicato dos professores do Amazonas
Que atrelado ao governo está
Não defende professor
E desse jeito não dá
Deixo minha idéia revolucionária
Para uma nova diretoria chegar lá.

Aos deputados e senadores
Que pelo royalties do petróleo vem brigando
E na ganância pelo dinheiro
Vão logo se anulando
Deixo a coleção dos petrolíferos discos de vinils
Para que façam as pazes ao som de Wando.

Às Comissões da Verdade
Que com coragem vem investigando
Parte negra da nossa história
De torturas, mortes, e atos tão nefandos
Deixo meu baú de memórias
Para que nunca mais haja tamanho desmando.

Ao prefeito Arthur Neto
Que desgoverna a não-cidade de Manaus
Aumentando a passagem, os buracos, as filas
Tornando  maior o caos
Deixo a revolta do povo
Para que você continue de pior a mau.

Ao movimento dos sem terra
Que buscam a reforma agrária
Na luta pelo direito à vida
Façam que a luta não retraia
Deixo a experiência de Anapu
Da Anoni, de São Félix do Araguaia.

Ao movimento sem-teto
Lutando pelo direito constitucional da moradia
Exigindo uma cidade mais justa
Onde haja a alegria
Deixo meus lençois e cobertas
Para enquanto durarem as noites frias.

Ao Técnico Felipão
Cuja seleção ninguém dá bola
Infestada de pernas de pau
Que o cupinzal adora
Deixo o futebol arte de Maradona e Messi
Com el tango bailante de Piazzolla.

Ao povo palestino
Que resiste a brutalidade de Israel
Tem suas cidades destruídas
E tem que suportar seu fel
Deixo os ensinamentos do Palestino Jesus
Pois, é dos oprimidos o reino do céu.

Para o presidente Nicolas Maduro
Que de Chaves foi Chanceler
Governa hoje a Venezuela
Tendo sido já chofer
Deixo milhares de votos
Pois, assim o povo quer.

As Coréias do Sul e do Norte
Que o imperialismo as quer ver guerrear
Dependentes dos americanos
Buscam a guerra nuclear
Deixo a lembraça de Hiroshima e Nagasaki
Que viu a vida aniquilar.

Às companheiras domésticas
Cujo trabalho foi reconhecido
Pela nova lei que vai deixar
Os direitos garantidos
Deixo o saber marxista de Paulo Freire
E sua Pedagogia do Oprimido.

À presidenta Cristina Kichner
Cuja a luta pelas Malvinas é notória
Enfrentando os imperialistas ingleses
Que criou uma guerra tão inglória
Deixo a música de Che e Violeta Parra
“Hasta la Victória”.

 
Para o PT “Oh My Darling”
Que em Manaus não tem vida
Não reúne e nem discute
Nem se mostra comprometido
Deixo-lhe a obra de Marx
Para um dia ser lida.
 
Assim encerro meu testamento
E ao povo brasileiro
Desejo um bom ano
Deixando um abraço verdadeiro
Na próxima páscoa voltarei
Versando pro mundo inteiro.

MALHAÇÃO AFINADA DE JUDAS 2012

No último domingo o bairro do Novo Aleixo em Manaus se reuniu afinadamente mais uma vez em sua produção do afeto criança. Desta vez não foi voltado ao cinema Kinemasófico, mas a uma festa especial ao grande companheiro Judas Iscariot.

Acusado injustamente de ser o algoz de Jesus, é sabido do povo que Judas sempre foi um amigo de Jesus e quem assassinou Jesus foi o Império Romano e os judeus que queriam ele para rei. E neste ano não foi diferente. Judas foi chegando diretamente da Palestina, distribuindo seus bens no testamento, promovendo um encontro alegre e deixando o seu corpo fazer parte da festa e comunhão.

Antes da tradicional malhação de Judas as crianças participaram de uma série de atividades, brincadeiras e produções, sendo que a primeira delas foi a leitura dos bens de Judas que foram criados pelas crianças e dados aos amigos de Judas da forma: Ao meu amigo____, deixo como lembrança______…

Logo depois foi a hora de se tirar a foto com o amigo Judas que veio de tão longe para passar algumas horas com a criançada. E como o Judas de cada ano é um novo Judas, sempre as crianças podem ser outras também.

E a festa não pode parar. Depois de várias poses e fotos, o Judas colocou todo mundo em cena para que não se deixem ser colocado de lado de suas história e passem a serem atuantes em seu tempo e seu espaço, assim como não conseguiram apagar o Judas e seu evangelho.

ATUAÇÕES CENICAS JUDASAFIN

A criançada entrou em cena nas mais diversas representações. Primeiro delas que o palestino Judas sugeri foi de um dialogo onde um dos atores representaria ele, Judas, enquanto outro faria seu amigo Jesus. A dupla Vizinho e Tiago mostraram que assim como bons de break e de pião são também ótimos atores criando a conversa na hora… Quem é bom….

Outra encenação que Judas desafio era quem fazia a melhor cruz. Mas não podia ser uma cruz enterrada pela tristeza milenar criada a partir da dívida de Jesus levado a cruz por nós. A cruz de Judas tinha que ser criadora,uma cruz que se movimente e transforme.

E Judas decidiu tirar um sarro com os que acreditam na sua culpa e pediu pras crianças enforcar toda esta estória. E em cena os atores mandaram ver.

Por fim Judas pediu que fizessem a última encenação para ver quem era bom mesmo. E a cena tinha que sair divina e de uma criação poderosa, já que a cena é Jesus conversando com Deus nas montanhas.

MALHAÇÃO DE JUDAS

Por fim Judas deixou seu corpo cheio de muitos bombons e alegrias para a renovação pascoal e chamou para vir a si as criancinhas, primeiro…. E os pequeninos conseguiram tirar os braços e pegar vários bombons deixados por Judas.

Daí o Judas pode ser por fim disseminado e deixar toda sua alegria entre todas as crianças e renovar a festa em que ele e Jesus foram mortos. E seu amigo Jesus também continua sendo lembrado como o revolucionário que buscou condenar todos os homens a liberdade.

Por fim chegou a hora da distribuição do matabroca do Judas, que este ano veio da Palestina especial trazendo o bolo da resistência, a pipoca cristiana de todas as horas e o chocolate temperado pascoalmente que se multiplica e constroi em cada dia.

A MALHAÇÃO INTEMPESTIVA DO JUDAS CAMARADA 2011

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Dizem por aí as línguas maléficas – não pelo poder de causar malefícios, mas pela sua impotência em colocar qualquer tese – que a catártica brincadeira da Malhação do Judas no Sábado de Aleluia está se acabando. Quem diz isso é a ecolalia da mídia sequelada, porque nos bairros e comunidades a tradição continua tanto em sua forma ortodoxa quanto com novos elementos de atualização da festa do discípulo preferido de Cristo, o filho de Maria.

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E é nesse sentido de inovação que a Afin realiza todos os anos com uma garotada da zona leste de Manaus e outras áreas. A começar que o evento se realiza no domingo e não no sábado, o que não tem mesmo importância depois que um historiador descobriu que a última ceia não ocorreu numa quinta, mas sim numa quarta-feira. Para a moçada afinada quem faz a data é a afecção produtora da alegria de se encontrar com o Judas camarada.

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Pra começar, foi feita uma encenação improvisada na rua Rio Jaú por dois atores da Afin, mais a talentosa atriz Pollyana, que interpretou Maria Madalena e mais o Anderson e o Erick, que fizeram um centurião romano e uma criança respectivamente.

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JUDAS (Gritando de um lado) – Jesus! Jesus!

JESUS (Gritando de outro lado) – Judas! Judas!

JUDAS – Eu estava te procurando.

JESUS – Eu também estava te procurando.

JUDAS – Estão querendo me colocar contra ti.

JESUS – Já escolheram até a árvore onde deves te enforcar.

JUDAS – Eu sei.

JESUS – Estão propagando que vais me trair por 30 denários.

JUDAS – Que aqui no Brasil equivale a 30 reais.

JESUS – Uma revolução não vale 30 reais; vale a dignidade de um povo.

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MADALENA (Entrando) – Jesus! Vem nos salvar! Vem salvar teu povo!

JESUS – Eu vou salvar, mas não só eu. Eu vou com você, Madalena. Eu vou com você, companheiro Judas!

UMA CRIANÇA (Vindo da plateia) – Jesus, as crianças estão contigo.

JESUS – Então vamos todas as crianças, todas estas senhoras que estão aqui, toda a população, porque um povo revolucionário salva a si mesmo.

TODOS – Abaixo à tirania! Abaixo à tirania! Abaixo à tirania!

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Depois deste entendimento de uma verdadeira Páscoa como libertação, passou-se às brincadeiras envolvidas na ludicidade-judas, onde todas as crianças participaram, dançando, cantando, pulando, de acordo com os afetos que passaram sem bloqueio pela dor das paixões tristes ao livre movimento dos corpos.

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Depois dessa movimentação toda, era hora de repor as energias com um desbrocante, também chamado mata-broca, um cachorro-quente preparado pela companheira Ana Cristina e a Bianca.

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Então veio o momento da malhação, que, como a Afin tem feito um trabalho pedagógico ano a ano de desmitificação e desmistificação da traição de Judas, assim como nada há de ver com Cristo quanto a uma vingança movida pelo ressentimento, a malhação se dá entre risos e gargalhadas, como uma brincadeira e não pelo ódio que move os impotentes.

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E pra finalizar a festa, quando cada criança já tinha pegado um pedaço, uma peça de roupa do amigo Judas, além dos bombons e outras guloseimas que haviam em sua vestimenta, veio aquele sorvelito do Noelson e as bolotas de chocolate feitas pela Lucicleia e outros afinados.

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Numa Páscoa com essa produção alegre da liberdade, com um Judas companheiro desses é que a moçada Afin e toda a criançada vão tecendo os encontros para realizar uma outra cidade, um outro mundo possível. Valeu, manô!

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O TESTAMENTO DE JUDAS 2011

Naquele tempo, ano 33, o mundo andava muito conturbado. Havia muitas ilusões, muitas descrenças, mas algumas certezas de que o Novo estava acontecendo. Nessas subjetividades de ilusões, e descrenças, duas enunciações de faziam visíveis: o desespero da ruína do Império Romano e a ansiedade dos sacerdotes hebreus, que depois de assassinarem Moisés, e esperarem a vinda do Messias, como restauração da culpa do assassinato, o que outro judeu no século XIX, o criador da psicanálise, Freud, conceituou como síndrome da impotência, desatinavam, condenando Cristo como traidor de suas ilusões místicas.

Nestas subjetividades negadoras da Vida, algumas pessoas tentavam compor percursos entre a única fissura que se fazia real: Jesus Cristo, filho de Maria. Filho da mulher-devir, a mulher-liberdade poiética.

Foi então que, estando estas subjetividades expostas, necessitando serem fragmentadas para que a Vida brotasse em sua potência coletiva, eis que surge um homem com consciência revolucionária, colocando sua inteligência e seu vigor em composição com outras potências produtivas de Alegria, voltadas para a construção de outro Existir, diferente do que era pregado, principalmente, pelo Império Romano. Esse homem, crente na potência da desutopia, por saber que a Vida é produção e não privação, era conhecido como Judas.

Certo dia, estando Jesus dialogando com seus companheiros sobre a libertação das almas individuais, foi lhe apresentado Judas, que lhe causara grande admiração. Por sua vez, Judas, diante de Jesus, tornou-se maravilhado com a fluidez e a clareza das palavras coletivas que Cristo usava, fazendo aparecer diante de todos o que o próprio Cristo já havia visto: a Vida. Naquele momento, Judas teve a certeza que se encontrava diante do homem que se identificava com seus ideais revolucionários. E como a amizade só existe entre aqueles que são livres, daquele momento em diante Cristo e Judas tornaram-se amigos.

Mas como as subjetividades negadoras se originam, se alimentam, e se mantém pelo medo, o medo fez com as subjetividades-tirânicas, pela força-persecutória, passassem a destruir as duas amizades. Sacerdotes e Império se uniram para destruir Cristo e Judas.

Assim, foi arquitetada uma rede de intrigas para inimizar os dois grandes homens, propagada pelos sacerdotes e o Império Romano. E a base das notícias espalhadas entre a sociedade era a traição que Judas tecia contra Cristo.

Estando Cristo, meditando sobre sua obra, eis que lhe apareceu diante seu pensamento o amigo Judas. Cristo, sorrindo, disse: “Não te preocupes, ainda esta noite estarei contigo”. Cristo permaneceu meditando, e em seguida foi ao encontro do amigo na taverna do Dionísio, na orla da cidade, onde o mar, vento e o aroma compunham a beatitude do encontro.

Cristo, adentro na taverna, em um ambiente de contagiante alegria, cumprimentou a todos os presentes, e se dirigiu à mesa onde se encontrava Judas, sozinho. Ao ver Cristo, Judas levantou- se e abraçou o amigo profundamente. Os dois sentaram-se, e Dionísio serviu Cristo com uma caneca do vinho de sua preferência, a mesma preferência de Judas.

JUDAS (Muito contente) – Pois não é que eu estava lembrando de ti, e de repente tu apareceste. Parece que adivinhaste o meu lembrar.

CRISTO (Sorrindo) – Não esquece que eu sou filho de Deus (os dois gargalharam).

JUDAS – Pois não é!

CRISTO – Eu vim, porque como logo mais vamos todos cear, eu precisava falar contigo em particular, e tu sabes que se este assunto for colocado entre todos companheiros, vai ser o maior auê. Parece que estou vendo Pedro fazendo uso da pedra que carrega, querendo resolver tudo como uma rocha. Sem falar em André, que na força de sua juventude ainda não atentou para a potência da quietude.

JUDAS (Apreensivo) – É.

CRISTO – Eu quero que tu não te angusties com o que a imprensa fascista anda propagando contra mim e contra ti.

JUDAS – Eu não posso negar que não esteja angustiado, mas não por mim, e sim pelo que o povo possa acreditar, e então se afastar da luta pela nossa libertação. Essa imprensa fascista sabe como estimular os sentimentos fracos, e individualistas de uma parte da sociedade.

CRISTO – Eu sei que as notícias que estão sendo propagadas te colocando contra mim não te angustiam, porque eu também não me angustio por saber de seu propósito mentiroso. Os infelizes não suportam ninguém feliz, por isso eles nos odeiam. Mas o ódio maior deles é contra o povo, que vem acreditando em nossa causa. E é aí que eu peço que não te angusties, porque o povo, por sua própria potência, vai ser povo. Pode não ser enquanto estivermos vivos, mas vai acontecer.

JUDAS (Sereno) – Muito antes de te encontrar, eu sempre acreditei em tuas palavras. Agora, estou mais confortado.

CRISTO – Também não te preocupa com a notícia que propagam, afirmando que vais me trair por trinta denários.

JUDAS – Mas se essa mentira passar para a história como verdade?

CRISTO (Sorvendo uma talagada, sorrindo) – Isso vai acontecer. Mas só acreditarão os fariseus antidemocratas, a ralé mais baixa da inteligência, como os sacerdotes e imperadores, mas os democratas, os que não acreditam na dor maléfica das intrigas, nos que persevera a potência de agir, não.

JUDAS (Gargalhando) – Mas aí criamos um problema.

CRISTO (Também gargalhando) – Ora, se criamos um problema, e como um problema real é uma criação, é lógico que ele mesmo traz sua solução. Isso até o filósofo grego Aristóteles sabia.

JUDAS (Irônico) – Será que ele sabia mesmo? Sei não…

CRISTO (Também irônico) – É… Quem deu uma finalidade para a Vida não pode ter sabido dessa verdade criadora. Mas qual é o problema?

JUDAS – O problema é o seguinte… Mas antes vamos meter mais umas canecas. Dionísio, meu santo, solta mais duas canecas com o néctar dos deuses. (Olhando para porta de entrada) Olha quem chegou.

CRISTO (Olhando) – Linda!

JUDAS – Que mulher, essa Maria Madalena! Sabe quem é afim dela?

CRISTO (Sorrindo) – Não, o afeto amoroso particular das pessoas não me interessa.

JUDAS – Que é isso, Cristo, logo tu responderes assim. Tu o mais amoroso, o ser do Amor Absoluto. (Dionísio chega com as canecas com vinho) E tu, Dionísio, sabes quem é afim de Madalena?

DIONÍSIO (Olhando para Cristo, e depois saindo) – “Só sei que nada sei.”

JUDAS – Porra, Cristo, fostes falar em Aristóteles, apareceu logo o Sócrates.

CRISTO – Mas sim, qual é o problema que te incomoda?

JUDAS – Escuta. Se eu não te trair por trina denários, tu não vais morrer, e tu não morrendo, eu não vou me culpar, e, de quebra, não vou me enforcar.

CRISTO (Batendo palmas) – Mas é isso que vai acontecer, companheiro!

JUDAS – Então vai mudar tudo.

CRISTO – Não vai mudar nada, a história vai se fazer real.

JUDAS – Mas assim não serei o traidor, o AntiCristo, o elemento motivo da catarse social. O fator da liberação da culpa social dos verdadeiros traidores de ti. O que sustenta aqueles parasitas indiferentes que querem que tu morras para salvá-los.

CRISTO – Cada homem é responsável por sua própria escolha, se essa raça de parasitas escolheu uma existência indiferente, malograda, cheia de subterfúgios, não serei eu quem lhe salvará.

JUDAS (Batendo palmas) – Grande Jesus! É por isso que ninguém te pega para cristo! Sabe, já saquei a solução. É que tu falas nas fissuras das palavras. O meu problema era como ficariam os festejos de Sábado de Aleluia, sem a malhação do Judas, que é tão lúdico para as pessoas.

CRISTO – Elas vão te malhar na maior.

JUDAS – Tô sabendo. E sabendo por que.

CRISTO – É por isso mesmo. Como não me traíste, elas te malharão porque tu não fizeste o que elas queriam fazer: me trair. Era esse o trunfo da imprensa fascista: ela quer me matar, mas coloca a culpa em ti, e aqueles que acreditaram são os que querem te malhar. Como já disseste, uma expiação de suas próprias culpas.

JUDAS (Batendo palmas) – Grande Jesus! Não canso de reafirmar, ninguém te faz de cristo. Ecce Home. Eis o Homem!

CRISTO (Empurrando uma dose do néctar dos deuses) – “Tu o dizes!”

JUDAS (Gargalhando) – Essa Pilatos não esperava, não vai poder se elevar usando tua pessoa. Então eu, livre da história infeliz, como um homem historicamente real, fora da ficção dos cultuadores do medo, posso elaborar um testamento real para os democratas e os antidemocratas.

CRISTO – Perfeito, perfeitamente perfeito! A hora é essa!

MADALENA (Puxando uma cadeira para sentar) – Se Cristo falou, tá falado! Pisa forte que a terra é tua, o Brasil, o povo mais cristão do mundo.

Agora, tenho a grata e cristã honra de apresentar o Testamento de Judas. Quer dizer, o meu testamento, a transferência do que me é material e imaterial para aqueles que acredito merecerem. Alguns odiarão o legado que receberão, e outros ficarão alegres. Fazer o quê? Como disse Cristo/Sartre, cada homem é responsável pelo que faz de si mesmo. Aos ativos, suas alegrias. Aos enfermos, suas tristezas.

Para o companheiro Lula
Da direita, temor e tremor
Deixo o saber de seu povo
O mais nobre título de doutor.

Para a companheira Dilma
Que faz do Brasil um sucesso
Deixo-lhe a chave do futuro
Para que a direita não tenha regresso.

Para o invejoso Fernando Henrique
Que tem alergia do povão
Deixo o coaxar do Sapo Barbudo
Para perturbar sua solidão.

Ao insosso José Serra
Da direita candidato eterno
Deixo uma cadeira de balanço
Para curtir seu nostálgico inverno.

Aos membros reacionários partidos
PPS, DEM e o líder PSDB
Deixo a canção que odeiam
A irônica “Apesar de Você”.

Ao boyzinho Aécio Neves
Flagrado com carteira vencida
Deixo a certeza eleitoral
De uma Presidência perdida.

À sequelada mídia de mercado
Que escamoteia a comunicação
Deixo a Lei dos Médios
Para acabar com a manipulação.

Ao derrotado senador Arthur Neto
Que quer exercer a diplomacia
Deixo as conferências de Lula
Para aprender o que é democracia.

Para o deputado Bolsonaro
Que o nazismo vive a cultuar
Deixo sua cassação
Por decoro parlamentar.

Para todos os amigos homossexuais
Que clamam por Justiça e Lei
Deixo minha ação maior
Meu eterno beijo gay.

À deputada Jaqueline Roriz
Que pegou a grana e se diz inocente
Deixo mais outros vídeos
Para saber que o eleitor não é demente.

Aos latifundiários
Que combatem o Código Florestal
Deixo os pequenos agricultores
Como defesa ambiental.

Ao jornalista engajado
Cuja escrita a grana não ata
Deixo o troféu da Ética
“Jornalista Mino Carta”.

Para o triste Roberto Carlos
Agora um setentão
Deixo o povo feliz
Protegido de sua depressão.

Para os movimentos sociais
Consciência atuante do Brasil
Deixo meu método de combate
“Como me impus ao Império Vil”.

Para todo blogueiro engajado
Cuja informação real não larga
Deixo maior velocidade
Na tecnologia da banda larga.

Para o prefeito cassado Amazonino
Que fez de Manaus a cidade da dor
Deixo contra si a arma do povo
O seu título de eleitor.

Aos estudantes de Manaus
Que lutam contra o aumento da condução
Deixo a certeza democrática
Amazonino jamais ganhará eleição.

Para a mídia do Amazonas
Cuja subserviência é um encanto
Deixo o Decálogo jornalístico
De meu amigo Qorpo Santo.

Para o ex-governador Eduardo Braga
Hoje senador, pretendendo ser prefeito
Deixo o manauara atento
Para que ele não seja eleito.

Para a esquerda do Amazonas
Que fez da submissão sua profissão de fé
Deixo o diploma dos capachos
“Como é bom ser Zé Mané”.

Para todos os times de futebol
Que para a Globo abriram as pernas
Deixo o Atlético Mineiro Campeão
Com todos eles com suas lanternas.

Aqui termino meu Testamento
Que para alguns não foi do agrado
Cristo também não agradou
Embora não tenha errado.
Mas o que importa mesmo
É que não me sinto culpado.
Em 2012 estarei de volta
E farei outro Testamento
Para um mundo menos descrente
Com mais contentamento
E, como é lógico, um Brasil
Em pleno desenvolvimento.

Abraços Judasianos Cristãos!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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