Archive for the 'Grito dos Excluídos' Category

19º GRITO D@S EXCLUÍD@S 2013

IMG_3815 Ontem a tarde, como ocorre todo o dia 7 de setembro, o 19º Grito dos Excluídos e Excluídas de Manaus levou o povo e suas múltiplas vozes para as ruas de Manaus. A concentração se deu a partir das 14:30 horas na Av. Grande Circular (Autaz Mirim) em frente ao Shopping Grande Circular, bairro de São José. A passeata seguiu até a bola do Jorge Teixeira e reuniu diversos movimentos sociais e milhares de pessoas que trouxeram de seus bairros para as ruas sua luta cotidiana pela construção de uma real cidade.

Diferente dos últimos anos, onde esteve presente apenas em espaços não-ressonantes da voz libertária,o Grito mais uma vez mostrou sua potência política-social levando a todas artérias da cidade o verdadeiro grito das organizações populares.

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Na foto acima vemos o arcebispo de Manaus Dom Sérgio Eduardo Castriani que esteve presente no grito e falou com nosso bloguinho sobre a importância deste grito estar presente nas ruas de Manaus trazendo além da união popular, um espírito libertário onde seja possível criar mudanças.

Dentre os movimentos sociais presentes no grito estavam as Associações de Catadores, Associação das Donas de casa,Fórum Permanente das Mulheres de Manaus – FPMM, Movimento de Luta pela moradia, Associações de catadores, Rede pela Vida, Pastorais sociais como a da Aids, da Criança, da Juventude etc.

E não podia faltar é claro a presença alegre e contagiante da juventude que também se manifestava por melhores condições sociais como cultura, saúde, emprego, transporte, entre outros.

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A irmã Irene da Pastoral da Aids se dirigiu ao público tratando sobre a importância da juventude se prevenir contra esta endemia, além de lutar contra o preconceito e por melhores condições de tratamento dos soros positivos em nossa cidade.

Outro aspecto tratado foi a importância da luta dos movimentos sociais e da Igreja para acabar com o preconceito e prevenir novos casos desta doença que pode ser tratada e dar uma longa sobrevida aos que estiverem contaminados. Porém isto não impede que a sociedade produza junto com estas pessoas, que levam uma vida normal, um espaço social mais saudável.

IMG_3766IMG_3777Lideranças indígenas falaram das condições degradantes que o Estado do Amazonas submete os povos autóctones, sem acesso a saúde de qualidade, sem segurança e outros questionamentos necessários para a preservação sociocultural destes povos nas terras em que lhes são destinadas.

A companheira Francy Júnior, que sempre está presente e dando força ao grito falou sobre sobre o trabalho do Fórum das Mulheres do Amazonas e da importância do grito para debater alguns temas. Foi debatido a violência crescente contra as mulheres e o descaso de parte da população quanto isto. Além disto, Francy falou da imposição dos valores machistas na sociedade que estão presentes desde as mais simples relações familiares até nas situações formais como no trabalho, educação etc.

E a caminhada seguiu com muita alegria, uma vez que a participação popular sempre  aumenta a potência de agir no mundo. E em cada esquina que passava os milhares de manauaras que modificavam participavam envolviam os moradores, transeuntes, comerciantes, trabalhadores no espírito de que juntos podemos sempre ir mais além.

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Acima vemos algumas presenças tradicionais no Grito como os íntegros e sempre presentes representantes do povo José Ricardo e Waldemir José que em conversa com nosso bloguinho reinteraram a posição do Grito como espaço essencial dos movimentos populares/sociais de se manifestar e de auxiliar na transformação social

Ainda vemos a moçada da Rede de Enfrentamento ao tráfico de pessoas: Irmã Fátima que segura uma faixa e irmã Santina segurando um cartaz. Abaixo vemos o carrinho-cidadão que levou também seu protesto contra os gêmeos Arthuramazonino que vem desgovernando há décadas a não-cidade de Manaus.

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E a moçada da Afin também esteve presente debatendo temas, fotografando, produzindo afetos e distribuindo o prospecto sobre a regulação da concessões mídiaticas (cujo texto que continua sendo distribuido se encontra na lateral deste bloguinho) além do prospecto peça “A Exceção e a Regra” que vem sendo apresentada gratuitamente nas comunidades, sindicatos, escolas, universidades, centro comunitários, igrejas e onde houver pessoas dispostas a discutir os temas afinantes… Os telefones para contato também estão na faixa lateral deste blog.

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O GRITO DOS EXCLUÍDOS EM SUA 19° EDIÇÃO VAI ALÉM DOS SIGNOS TEO-IGREJEIROS TOCANDO NOS TEMAS POLÍTICO, ECONÔMICO E SOCIAL

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Hoje, dia 7 de setembro, a Igreja Católica expressa nas ruas do Brasil o mais forte e tocante signo de seu discurso religioso. O Grito dos Excluídos. Hoje, esse evento ecumênico de multidões, formado por pessoas inquietas, pessoas que não se acomodam com os estados de coisas dominantes, está em sua 19° edição afirmando que todos os anos passados foram passos para essa consagração que tem o sentido comunicacional-humano que pensava Cristo. O amor das multidões.

Foram anos de muitas incertezas, perspectivas e otimismo racional. Anos que viram o Brasil sofrer entregue diretamente ao capital estrangeiro sem qualquer nesga nacional de autonomia. Anos de dores desesperadoras, principalmente, nos anos do desgoverno Fernando Henrique em que o país estava de joelhos diante do Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros trustes capitalistas representados por monopólios financeiros. Anos de profundos gritos por mudanças. Anos de corrupção ocultada pelo governo federal de parceria com as mídias reacionárias que lutavam para que o Brasil continuasse dependente das decisões norte-americana.

Mas eis, que de tantos gritos, o Brasil começou a mudar. Foi eleito um governo popular com apoio da ala progressista da Igreja Católica. Foi eleito Luiz Inácio Lula da Silva, personagem que sempre a Igreja Católica esteve ligada desde a época em que era o líder metalúrgico que ajudaria a mudar as percepções e os entendimentos sobre o Brasil. Pode-se se dizer, sem medo de errar – “ou de ser feliz” -, que foram esses gritos uma das grandes vozes para essa mudança. Pela primeira vez, um governo direcionava suas políticas sociais para os mais carentes. Ou melhor, para os excluídos. A politica de transferência de renda veio mexer com os alicerces da pobreza que tanto gratificava as classes privilegiadas, que não gostaram nada, e se tornaram as vozes negativas contrárias ao que estava acontecendo no país: a maior parcela da população mudando seu status quo. É certo que no meio dessa mudança ocorreu uma claramente hipócrita. Foi a transformação de alguns excluídos em incluídos. Alguns personagens que se diziam engajados, e que militavam nos gritos, aproveitaram a eleição de Lula e passaram a perseguir, e conseguir privilégios, e deixaram de gritar como bons burgueses. Melhor para o grito.

Hoje, dia 7 de setembro de 2013, vão ocorrer gritos pelo Brasil a fora. O Brasil tem a primeira mulher presidenta. E melhor, de um governo popular. Mas o país não estar bem, como deveria estar. Existem algumas fendas, econômica, política e social que precisam ser fechadas. Ainda existem grandes desigualdades de condições de existências na sociedade. A parcela da população mais carente ainda sofre com ausência da satisfação de necessidades básicas como moradia, emprego, saneamento e transporte coletivo. Esses de responsabilidade dos prefeitos e governadores que por limitação de inteligência e malvadeza nada fazem além de fantasiarem suas administrações com marketing. Em Manaus, uma não-cidade metropolitana, essas necessidades desafiam a sensatez dos que são tocados por elas.

Por isso, a importância da participação da população nesses gritos que se espalham pelo Brasil. Daí a importância da participação da população acordada nesse grito de Manaus. Agora, de volta do território de onde nunca deveria ter saído: a periferia. É na periferia que o grito é maior. O bairro escolhido foi o São José, território de grande ambição dos políticofastros – falsos políticos – que querem manter sua população na condição de miséria para melhor explorá-la. Foi na periferia que Cristo caminhou e dialogou com o povo. Duas edições do grito no centro – 2011 e 2012 – já foi demais para sua vocação cristã. Agora, o grito sai mais forte e vibrátil. Agora, o devir-mudança se movimenta como enunciação transformadora.

Durante o dia de hoje, alguns grupos de extrema-direita vão aproveitar a data cívica para exercitarem suas taras nazifascistas. Estes grupos não tem nenhuma ligação com a democracia. O que eles pretendem mesmo, como já mostraram no mês de junho, é criar uma atmosfera de terror no país acreditando que podem atingir o governo Dilma. Esses grupos não tem nenhuma reivindicação democrática. A democracia deles é a mesma do deputado Bolsonaro. Como diria Freud, o que eles querem mesmo é sublimar suas taras com atos de violência, pois em verdade, são uns covardes. Uns menininhos apavorados de medo produzido em suas infâncias abandonadas. Muitos deles de classe elite. Como poderia dizer a filósofa Marilene Chauí, umas aberrações.

Portanto, não esqueça! Hoje é Dia de Grito dos Excluídos! Vamos lá, moçada!

QUE GRITO É ESTE QUE NÃO SAI DE LUGAR ALGUM E VAI PARA LUGAR NENHUM

O GRITO

O Grito dos Excluídos e Excluídas, historicamente, é um evento promovido por entidades da Igreja Católica mais próximas de causas sociais como as Pastorais, por movimentos sociais, entidades ligadas a sociedade civil e por pessoas que de um modo ou de outro sentem-se excluídas dos processos econômicos, políticos representativos, sociais, civis e culturais promovidos e organizados pelo sistema capitalista.

Com este histórico, o Grito insistiria na perseverança de um modo de ser crítico, ou seja, uma postura humana frente ao real, capaz de analisar as perversidades próprias ao sistema capitalista responsáveis não somente por excluir as pessoas dos processos mencionados acima, mas de privá-los da vida, uma vez que na sociedade capitalista, para se obter o lucro, tudo se torna uma mercadoria, inclusive ideias, comportamentos e até o próprio ser humano, pois uma das exigências da exploração capitalista é o esgotamento das energias do corpo e do espírito humano através de atividades mortas, alienadoras e sem significado, atividades que forçam a ação humana está reduzida à sobrevivência diária, tendo que fazer da luta não uma revolução do atual estado de coisas constituído, mas uma sofrida e exaustiva luta pelo pão de cada dia.

O GRITO EM MANAUS: A PRÁTICA DE UM PECADO

Mas, ao que parece e tudo indica, o Grito ao passar dos anos em Manaus, foi se desviando deste objetivo estético-ético-político. E deste modo passou a viver em pecado. E nem poderíamos dizer que sua coordenação está a cometer equívocos, pois, partindo da premissa que o grito trabalha com uma percepção de Cristo institucionalizado pela Igreja, o que pode haver é desvio do caminho certo, fazendo com que o Grito caia em erro, isto é, em pecado como dissemos. Isto dentro do maniqueísmo do cristianismo oficial.

Este desvio, digo, pecado, ocorre por um fato que vem se repetindo nos últimos Gritos. As últimas versões do evento, abandonando a critica e a vida das ruas e o calor da vida pulsante dos bairros com suas estruturas sociais decadentes e a alegria e criatividade do pobre afastado dos centros de comércio e centros simbólicos da classe alta manauara, começou a realizar suas concentrações em lugares, que no mínimo, desvirtuam o real objetivo de um grito que não reproduz o poder constituído, mas que atravessa a existência como potência de criação nas falas autênticas de todos aqueles que são responsáveis por produzirem suas próprias condições de vida.

Este desvio também veio cada vez mais acompanhado de uma necessidade irracional de aproximar o grito dos políticos profissionais, numa crença mítica e mistificada de que a democracia representativa, quando desvinculada da corrupção e de práticas nefastas como a mentira, por exemplo, pode ser a via de acesso às mudanças desejadas. Mas como poderia acontecer algo assim, se a democracia representativa é justamente uma derivação da primeira forma prática do capitalismo exposta pelo mercantilismo onde o surgimento do Estado moderno se deu justamente para a organização política-econômica da melhor acumulação de riquezas através da exploração nos seus vário0s segmentos?

Ora, a corrupção, a mentira e outras impotências no humano, são próprias do modelo representativo democrático, pois são próprios de um capitalismo que impõe a necessidade do capital ser uma relação entre dominadores e dominados. Deste modo, quem acredita que a democracia representativa é a única via de acesso para as mudanças, acredita em um capitalismo humanizado onde uma minoria toma para si a palavra da maioria e acredita falar por essa maioria.

Eis que seguindo o desvio, o pecado, o Grito, como já vinha ocorrendo antes, vai realizar a versão do evento cristão-social de 2012 em uma avenida de Manaus que carrega consigo todo o simbolismo da moral burguesa e força os excluídos a se sentirem mais excluídos ainda. Este ano a concentração será  nesta sexta-feira, dia 07 de setembro, na  Av. Constantino Neri, em frente ao parque dos bilhares, à partir das 16:00h, passando pela avenida Caco Caminha indo até a ponte da Compensa no Prosamim. Mas não foi apenas isso.

Para a definição dos detalhes ( ao que parece aqueles que importam realmente) do Grito deste ano, no dia 29 de agosto, a coordenação da Igreja reuniu líderes comunitários, representantes da Cáritas Arquidiocesana, movimentos sociais e candidatos à prefeitura de Manaus para pedir uma cidade mais digna. Mas nos perguntamos: como fazer tal pedido para candidatos que do auto da fama de cargos políticos-profissionais como o de senador, prometem uma surra na autoridade constituída maior da nação, fazendo com que nem a hierarquia estabelecida seja respeitada; ou para candidatos que estejam sendo apoiados por um político responsável pelos quase trinta anos de estagnação social, política, cultural, econômica em Manaus que contribuíram para que ela torna-se uma não-cidade.

É claro que a coordenação do grito poderá dizer fazer parte da democracia o diálogo. Mas como usar da razão, ou seja, da produção de argumentos, com pessoas que fizeram da violência seus modos de existência? E, talvez o que seja pior, como se fazer ouvir o grito dos excluídos fazendo acordos com aqueles que proporcionaram a exclusão do povo? Atitude irracional! Que motivo teria o torturado(@)/excluído(@) em fazer acordos com o seu carrasco?, para parafrasear a alegria Brecht na peça A exceção e a regra. Talvez, o motivo seja para deixar claro que a melhor forma de tratar os excluídos no capitalismo é fazendo com que eles se mantenham excluídos, mas contribuindo para a nervura do sistema através de seus votos, da reprodução de discursos constituídos, de perdões, de compaixões…

O QUE É PRÓPRIO DOS REGIMES AUTORITÁRIOS

A circulação política deve ser menosprezada nos sistemas autoritários, seja qual for a bandeira ou ideologia que eles carreguem. Deve-se estagnar o movimento. E este movimento não é apenas o livre andar, mas também o livre gritar. Um grito que não seja eco e ressonância dos aparelhos de Estado. O cuidado maior é o de perceber que o poder político, como nos indica o filósofo Paul Virilio, desenvolve-se, secundariamente, em um poder da classe dominante, fazendo com que seus discursos, seus comportamentos e suas crenças sejam tidos como modelos a serem reproduzidos, no intuito de fazer de nós os pretendentes deste modelo e que para isso teríamos que cortejar os donos do poder.

O Grito, ao contrário disso, poderia esclarecer que o estado não existe se não houver as pessoas com suas atividades diárias, com seus trabalhos, com suas existências, criativamente, inventadas todos os dias. O Estado é tão somente o produto das relações que nascem destes movimentos reais. Não basta criticar o neoliberalismo e a política tomada pela economia especulativa/fictícia, sem fazer com que os reais atores, responsáveis pela produção do que vai do local ao global, que são os pobres, os exclíd@s, a minoria no sentido que Deleuze e Guattari produzem este conceito, não como numeral, mas como práxis constituinte que se afasta dos modelos impostos pelo poder constituído, não forem percebidos como os mais importantes.

Deste modo, não há um grito, mas uma polivocidade de gritos que são produzidos de modo autêntico quando o homem faz da sua existência a luta para transforma sua vida, para sair da condição de sobrevivência a qual lhe foi imposta, sair das privações calculadas, das explorações e fetiches que lhe tiram a condição de humano. Um grito que venha do espírito, um grito que venha de um Cristo da existência (Leonardo Boff) capaz de modificar os menores maus provocados por tudo que é contra o humano no sentido que podemos tirar do alegre Marx.

Assim, o próprio tema do 18º Grito, “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!”, nos parece confuso. Não teríamos que partir daqueles que são excluídos para compreender como a exclusão é ruim e triste e assim, perceber de onde ela provém, sua causa, para depois, conhecendo o problema como verdadeiro, podermos buscar alternativas e outras soluções que sejam autênticas e não cópias disfarçadas do próprio poder que oprime?

 …

 A voz do povo só pode ser a voz do povo. E passar por privações não é condição nem da filosofia nem da existência como diz a suavidade filosófica Antonio Negri. Gritaremos sempre que sentirmos a necessidade de lutar contra o autoritarismo do Estado e de qualquer outra forma de despotismo, mas nossos gritos serão irreconhecíveis, não saberão identificar seu ponto de partida, pois seremos muitos, não o saberão classificar, pois ele será uma mistura, não o poderão capturar, pois ele estará sempre migrando em movimento contínuo. E teremos uma única exigência política-ética para todos que se juntarem a nós: o grito não pode ser de dor.

Neste grito, não há a origem mas o envolvimento com a produção da existência em seus infindáveis começos, repetições e diferenças. Mas o que fazer de um grito que não sai de lugar algum e vai para lugar nenhum?   

GRITO D@S EXCLUÍD@S MANAUS 2011 QUASE CAI NO ILOCUTÓRIO

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O Grito dos Excluídos, embora não tenha podido excluir-se todo ano da presença de algum embusteiro – como muitos politicofastros amazomanoniquins -, realizou-se sempre como um processual de produção de subjetividade para construção de alternativas sociais e políticas. Mas esse ano o Grito, em Manaus, foi centralizado, hierarquizado, e deu muita vazão ao discurso constituído.

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Como uma produção da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), conjuntamente com grupos de base e entidades envolvidas com as análises das condições econômicas e sociais dos menos atingidos pelas políticas sociais de Estado, o Grito movimentou sempre dizeres e fazeres propiciadores de encontros de inúmeros segmentos atuantes em suas atividades, resistências, desejos. No entanto, esse ano, além de ser deslocado dos bairros periféricos, viu-se enturmados um número muito maior de interesses partidários canhestros, com a presença de todos os partidos da direita que se diz direita e da direita que se diz esquerda. Além disso, foram citados na concentração alguns personagens que, por suas pontuações históricas, nunca participaram nem participariam do Grito, muito menos fazem parte de alguma movimentação social atuante.

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Pelo exposto acima, a Associação Filosofia Itinerante – AFIN, de quem este intempestivo bloguinho é vetor virtualizante, como fez desde seu surgimento – como já faziam vários de seus membros mesmo antes de seu surgimento oficial em 2001 -, compareceu e compartilhou um texto como tentativa de disjunção da linguagem hegemônica que quase fez o Grito, em Manaus, cair no ilocutório, ou seja, na tartamudez dos que compactuam com o opressor.

UM GRITO QUASE INCLUÍDO

Talvez, como diz o poeta, “por descuido ou fantasia”, o Grito dos Excluídos desse ano, 2011, tirando os temas fundamentais discutidos na concentração, equivocou-se em parte de sua programação itinerante (Potência-Poiética). De uma práxis que age na fronteira entre o sócio-opressor e a produção cartográfica de desejos libertários – zona esquiza –, o Grito ficou mais incluído na zona molar burguesa. A zona da aparência quando se perde o real, como diz Marx.

Dessa zona molar-burguesa, três equívocos podem ser extraídos.

1 – A escolha de uma avenida onde os fluxos desterritorializantes e os quantas mutantes do existir encontram-se desativados como potência dromológica (a lógica da corrida, ou marcha) se comparados com o Devir-Povo dos bairros. Área de produção.

2 – A parada em frente ao hospital psiquiátrico, território de sublimação da culpa paranoica de uma sociedade que se toma por normal enquanto faz prevalecer seus delírios capitalistas de exclusão da vida, protegida pelo discurso da psiquiatria institucional, como ocorreu no governo Eduardo Braga. Uma parada como ir à Disney: fingir que há uma sociedade adulta.

3 – A conclusão na Arena Amadeu Teixeira, passando antes pelos destroços do Vivaldão, túmulo do futebol amazonense, herança da ditadura. Um equívoco cujo Grito não reverbera com as consciências das três maiores torcidas – do Coringão, do Mengão e do Vascão –, que se encontram nos bairros. Estas sim com potência capaz de fragmentar o ufanismo da Copa do Mundo e agitar as águas dos rios Negro e Solimões. Devir que prescinde o sobrecodificado SOS.

Não fossem a honestidade e sinceridade dos organizadores do Grito, se poderia dizer que ele foi sabotado, como quando foi confinado pelo governo Eduardo Braga ao Sambódromo. Onde se encontra hoje, nostalgicamente, a Parada Gay.

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Embora não tenha percebido no Grito “um coro que falava em comum contra o sistema global” (Toni Negri e Michael Hardt), embora o próprio número de participantes tenha sido perceptivelmente menor em comparação com o ano passado (vide clicando aqui), embora não tenha – por posição e pela não compactuação do que estava escancarado no Grito e que com ele não tinha nada a ver – participado da caminhada, a Afin, enquanto distribuía o texto disjuntor, entrou em composições alegres com diversas pessoas e entidades realmente atuantes e que estavam ali presentes para participarem suas atuações a cada ano.

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Pessoas fazendo manifestações, grupos de jovens, pastorais, trabalhadores, associações comunitárias, anarco-punks, organizações não-governamentais, artistas populares, entidades defensoras de direitos humanos, defensoras de causas homossexuais, das mulheres… a todos que estão numa luta real pela construção de novos espaços públicos e novas formas de comunidade, a Afin entra em proximidade afetiva/atuante com suas ações fundamentais…

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Aproveitando a presença da companheira Ângela (centro), uma moçada da Afin que esteve presente e que convida os verdadeiros movimentadores do Grito como prática de libertação para continuar na linha democratizante e não permitir em outros anos a centralização e a hierarquização da organização desse evento para não cair no ilocutório da linguagem constituída dos embusteiros. Vamos nessa!

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Programção do Grito dos Excluíd@s – Manaus 2011

Concentração: a partir das 15 horas ► Em frente a Stock Casa – av. Constantino Nery ► Temas/Responsáveis → Grandes Projetos para Amazônia (CIMI/CPT); Copa do Mundo e as implicações sociais para a cidade de Manaus (Comitê Popular Copa 2014 Manaus); Extermínio da Juventude (Pastoral da Juventude); Corrupção (Fórum de Combate a Corrupção) e Comarcas/Judiciário (CDH). O tempo de apresentação para cada tema ficou definido entre 5 a 10 minutos. Ficou definido que haverá uma Tribuna Aberta, quando haverá manifestação de movimentos e reivindicações localizadas, o tempo para o uso da tribuna será de 3 minuntos

Primeira Parada ► Em frente a Fechacon ► Tema/Responsável → Trabalho (Pastoral Operária).

Segunda Parada ► Em frente a quadra da Chapada ► Tema/Responsável → Moradia (Movimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLM).

Terceira Parada ► Em frente ao hospital Eduardo Ribeiro ► Tema/Responsáveis → Saúde Mental (Pastoral da Saúde/Rogelio Casado).

Quarta Parada ► Em frente ao Vivaldão ► Tema/Responsáveis → Exploração sexual de crianças, jovens e mulheres e tráfico de mulheres (Fórum Permanente das Mulheres de Manaus – FPMM e Pastoral do Menor)

Ato Final ► Área externa da arena Amadeu Teixeira ► Ato simbólico sob responsabilidade da coordenação.

Coletiva de Imprensa: será realizada no dia 1º de setembro a coletiva de imprensa com objetivo de divulga o Grito e as temáticas que serão abordadas. Entidades e/ou Fóruns que comporão a mesa: Arquidiocese de Manaus, Movimento Nacional de Luta pela Moradia – MNLM, SOS Encontro das Águas, CDH, Fórum Permanente de Mulheres de Manaus – FPMM e CIMI ou CPT.

*Enviado pela companheira Ellis Regina Silva do Carmo.

GRITO DOS EXCLUÍDOS 17ª EDIÇÃO, CUJO TEMA É “PELA VIDA GRITA A TERRA. POR DIREITOS, TODOS NÓS”, DIZ TER MUITOS FATOS

Os fatos que estão ocorrendo no Brasil envolvendo denúncias de corrupção, devastação das florestas, construção da Usina de Belo Monte, entre outros, vem sendo considerado pelos organizadores da 17ª edição do Grito dos Excluídos conteúdos de grande importância para movimentar o evento que correrá no dia 7 de setembro, Dia da Independência.

Para os organizadores, esses fatos caem bem no tema do Grito que é “Pela Vida grita a Terra. Por Direitos todos Nós!”. Isto porque o Grito é movimentado sempre com temas de matizes social, política, econômica, ética e cultural. E as ocorrências atuais no Brasil remetem para essas cores.

Para o membro da coordenação do evento, Ari Alberti, o Grito tem como um dos seus objetivos mudar a forma como é pensada a semana da pátria. Mudar também o entendimento que se tem sobre o Congresso Nacional, que, segundo Ari, não vem cumprindo seu papel. E também analisar a condição atual da população pobre no Brasil.

Se a gente ficar calado, com certeza as mudanças não virão. Temos de avançar em nossa democracia. Não podemos ficar apenas na nossa democracia representativa. Precisamos chegar à democracia participativa.

Os direitos estão na Constituição, queremos cumpri-los. Precisa de uma ventilada de uma limpeza. Queremos construir um projeto popular, um projeto de sociedade. O Congresso parece um balcão de negócio. É triste chagar a este ponto.

Da impressão, se você olhar à primeira vista, que está tudo bem no Brasil”, disse Ari.

REUNIÃO DE PREPARAÇÃO DO 17º GRITO D@S EXCLUÍD@S MANAUS 2011

“Pela Vida Grita a TERRA… Por direitos, todos nós!”

É com força e vontade que vamos juntos e juntas preparar o 17º Grito dos Excluídos e Excluídas 2011.

Amanhã quinta-feira dia 05 de maio de 2011, as 18:00 horas, na sala 06 no CEFAM teremos a quinta reunião de preparação do Grito 2011.

Todos são convidados e convidadas à participar. Queremos re-lembrar e motivar a cada uma e cada um de vocês que sua presença é de fundamental importância para juntos construir e repercutir as lutas e Gritos do dia a dia.

Saúde e Paz,

Coordenação das Pastorais Sociais

Informações: Guadalupe Peres 8226-3264 / 9120-7657 e 8401-1117


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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