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PSDB BUSCA A PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA E PROVAM TER UM ENTENDIMENTO ERRADO SOBRE O BRASIL

O assim chamado Partido da Social Democracia Brasileira entraram com um recurso na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que se apure o pronunciamento televisivo da Presidenta Dilma na semana passada sobre a redução da tarifa de energia.

Segundo os tucanos houve no pronunciamento o uso da máquina pública do Partido dos Trabalhadores que fez o anúncio fosse além do informativo e abrisse espaço para criticar a oposição. Ainda por cima informaram que na ocasião houve uso “eleitoral” de “configuração gráfica” semelhante a feita na campanha que elegeu Dilma Vana Rousseff e desta forma buscando confundir o eleitor. Colocamos abaixo o vídeo completo do pronunciamento que mostra o equívoco do PSDB.

Primeiramente o quesito visual não tem nada a ver com a acusão tucana. Dilma como sempre está elegante, alegre e confiante e utiliza sua sala no Planalto para fazer o pronunciamento. O mesmo ocorreu durante os outros pronunciamentos no ano passado, inclusive no de fim de ano. Esta acusação nada mais mostra o medo do PSDB, que não distingue a variação afetiva de Dilma Vana Rousseff Presidenta da República que por sua vez tem aprovação recorde, e foi a candidata que os derrotou. Em outras palavras eles ainda não perceberam que é a mesma mulher em sua singularidade, mas é outra mulher que se transformou em seu fazer democrático presidencial. Mas como explicar isto a alguém que só enxerga seu processo delirante  fantasmagórico?

No pronunciamento, além informar a população Dilma, que é doutora em economia, deu uma aula sobre as reservas de energia do país em suas mais diversas formas (biomassa, xisto, termelétricas, etc). Ao fim do pronunciamento Dilma  comentou sobre a parte mais reacionária da sociedade , os “sempre do contra” que estão ficando para trás. Ela ainda informou que erraram os que achavam que o país não tinha capacidade de “crescer e distribuir renda, sair da miséria”. Dilma não se refere a nenhum grupo e usa contra  todos os equivocados seu otimismo e determinação sociopolítica.

Esta última parte é a questionada pelo PSDB. Porém foi evidente em vários momentos no fim do ano passado e no início deste ano que a mídia reacionária e a direitaça usou de seu espaço e voltou-se a população para inventar que o país passaria por um apagão, racionamento de energia, que a taxa energética subiria elevadamente, que não haveria água nos reservatórios. Isto sim é especulação e falta de ética política/jornalística.

Dilma no pronunciamento apenas respondeu a estes grupos que eles erraram, e enquanto insistirem em sua caturrice pessimista, continuarão ficando para trás. O incômodo do PSDB é devido eles sentirem que o que Dilma falou é verdade e se identificarem no grupo dos que são “sempre do contra”, se sentindo ofendido pela presidenta ao afirmar que eles erraram. A angústia da culpa somada com raiva e ressentimento após o puxão de  orelha da “mãe imaginária” como diria o velho Freud. E Dilma também precisa falar didaticamente ao povo brasileiro para que não se desespere e não acredite nestes falsos profetas da direitaça que se apoia na mídia mais reacionária e que busca deturpar com seu ódio cada fala de Dilma. Este fato tinha que ser exposto afinal a cada dia mais falsos boatos são espalhados. E isto também prova que o PSDB não entendeu o posicionamento do governo federal e comprova ser um partido reacionário que busca apenas saciar sua sede de poder.

Dilma, no entanto, nunca utilizou de desprezo ou desdêm por estes grupos reacionários para subir. Ela nunca “desceu para precisar subir” como cantou Clara Nunes em um samba. E além do mais Dilma não precisa. Tem um grande talento, uma aprovação recorde, a economia brasileira vai bem, e a população melhora a cada mês com mais emprego e com a redução da miséria e desigualdade social. Mesmo se Dilma algum dia precisasse utilizar da chamada “baixaria política” ela não o faria visto que é uma mulher integra com grande hombridade e dignidade.

E assim independente de ser candidata ou não no próximo pleito, a maior preocupação de Dilma, ao contrário do PSDB, é com um governo que traga reais benefícios ao povo brasileiro e construa um Brasil diferente. Como nunca antes na história deste país.

ENCONTROS CASUAIS

? O avião se encontrava no mais alto ponto de sua condição de voo, quando o comandante chegou em frente dos noventa passageiros e perguntou quem era ateu. Sete passageiros responderam que eram. O comandante, então, avisou que eles ficassem no mesmo lugar, em silêncio, pois para eles não havia esperança. Logo em seguida, perguntou quem acreditava em Deus, e com exceção de dois casais que dormiam bêbados, o resto respondeu que acreditava. Diante das duas formas de crença, o comandante, resoluto, então comecem a rezar e afirmou que naquele momento o avião entrara em pane, e logo, logo cairia.

?? UM CASO DE AMOR TOCANDO DE LEVE EM UMA COMÉDIA FRANCESA — O namoro foi o bicho. O noivado mais bicho. O casamento… no casamento, já não havia tanto bicho. Com o desenrolar da vida íntima, o fogo abrasador das grandes transas rasgadas madrugadas a dentro foi substituído por uma tênue chama de uma vela de Dia dos Finados. Não era para menos, além da condenação do cotidiano burguês que o casamento impõe, havia a presença imperialista da sogra, que infernizava a vida do casal, principalmente a do genro. Era a provação em sua própria casa. A essência do sofrimento. Casado aos 22 anos, dois anos depois ele apareceu diante dela intimando-a ao divórcio. Era o bom momento, pois ainda não tinha filhos. Ela, distante, consentiu o convite, que já vem inscrito no sacramento, com um sorriso. Como quem dissesse: “Casamento bom é o que não dura.”

Acreditando que existem acasos bons e maus, e para não compor com um acaso mau, encontrar em um belo dia, em uma rua da cidade, sua ex-sogra mudou de estado. Vida nova, arranjou emprego, entrou para uma universidade, foi graduado, fez todos os percursos da carreira universitária, e, então, aconteceu um bom acaso: ao 44 anos se apaixonou por uma bela aluna de 20 anos. Se amaram. Ela também se apaixonou. Casaram. Um dia a esposa convidou-o para visitar a mãe, que ela chamava por um apelido carinhoso. Viajaram a um estado desconhecido dele. Chegaram na residência da mãe, ela abriu a porta sorridente, e ele viu o que jamais pretendia ver até o fim de sua vida: sua ex-mulher. A mãe de sua esposa era sua ex-mulher, e, agora, sua sogra.

??? Era medíocre, preguiçoso, invejoso, e acima de tudo, um total imbecil. Sem reconhecer em si esses atributos impermeáveis, fantasiava ser uma lenda. Movido por um sopro maníaco, a todo momento imaginava-se uma lenda. Em qualquer lugar, junto de qualquer pessoa, comentava querer ser uma lenda para o povo de sua terra.

Uma noite escura, passando por uma viela, falando sozinho que queria ser uma lenda para ninguém esquecer dele, nem depois da morte, ouviu uma cavernosa voz acompanhada de uma gargalhada gutural, afirmando que poderia realizar seu sonho, mas que em troca ele queria sua vida eterna. Ou seja, ele jamais morreria. Não deu outra, ele aceitou, e no outro dia, cedinho, ao chegar à rua o jornaleiro, exclamou: “Bom dia, lenda!” Ele ficou maravilhado. Saiu pela rua saltitante, e por onde passava só ouvia o povo chamá-lo de lenda.

O tempo passou e com ele o entusiasmo lendário. Não queria mais ser uma lenda. Nada feito. Havia o contrato de existir eternamente como lenda. Quis desfazer o vaticínio. Tentou vários vezes se suicidar, sem lograr êxito. Estava amarrado na ordem do misterioso da voz cavernosa.

Decidiu se separar dos homens: foi morar no interior de uma caverna onde sequer veria um fio de luz. Passou a conviver com insetos, principalmente com as baratas de que se tornou grande amigo e imitador de seus hábitos. Ao sentir passar muitos anos, resolveu dar uma espiadela no exterior. Quando chegou do lado de fora da caverna, tomou um susto que lhe paralisou: a cidade não existia mais. Uma guerra nuclear havia acabado com todos os habitantes da terra. Ficou triste, lembrando de seus semelhantes, mas logo ficou contente. Com todos mortos, ninguém lhe reconheceria mais como lenda. De tão contente, subiu em uma pedra e gritou profundamente de braços abertos: “Estou livre!” Quando ia descendo da pedra, viu uma cena que lhe causou profunda angústia. Milhares de baratas em redor da pedra se movimentavam em uma coreografia que se distinguia claramente uma dança com movimentos de asas em forma de celebração. Ou ritual de reconhecimento totêmico.

ENCONTROS CASUAIS

! Quando do tempo da ditadura, em encontros familiais, murmurando temeroso, dizia que sem liberdade não há vida. Na ditadura o povo é transformado em zumbi.

Construída a democracia pela subjetividade potência-coletiva, com a volta ao estado de direito, com as instituições funcionando livremente, e com os partidos organizados politicamente, ele se lançou candidato em nome dos direitos dos iguais e foi eleito.

Hoje, no parlamento, faz parte do grupo mais reacionário da história de seu povo: o que conspira contra o governo popular constituído por militantes que lutaram tenazmente contra as forças repressoras das liberdades democráticas.

!! Os comandantes das aeronaves em vôo em todo o espaço aéreo terrestre informaram desesperadamente aos passageiros que os veículos onde se encontravam não podiam aterrizar: o planeta terra, em sua globalidade, estava sendo destruído por um incontrolável incêndio. Transformara-se em uma bola de fogo vagando no espaço.

Envolvidos pelo “presente absoluto” (Baudrillard), o instante da morte. O intransferível, os passageiros despediram-se de seus mitos e valores místicos, iniciaram um canto de alegria e pediram aos comandantes das aeronaves que mergulhassem em direção à bola de fogo. Felizes, concordaram entre si, que não era humano ficar vagando pelo espaço até que o combustível acabasse e então, morressem, quando o fogo era o desejo da Vida, pois “quem se afasta do fogo se afasta da Vida” (Cristo). E ironizaram: “O espaço é frio!”.

!!! Era uma vez um escritor famoso. Tão famoso que vivia sempre fora de sua terra sempre realizando palestras em países distantes. Envolvido por seus temas e personagens, que se tornaram compulsivos pelas exigências mercadológicas de seu editor, jamais prestou atenção aos acontecimentos que abalavam sua pátria.

Certo dia, uma ditadura terrível fora instalada em sua terra. Quando voltou do oriente, depois de longa ausência, nada percebeu. Continuou escrevendo e fazendo sucesso.

!!!! Eram oito candidatos a prefeito da cidade. Todos eles o povo conhecia. No dia das eleições a cidade amanheceu com apenas oito habitantes.

ENCONTROS CASUAIS

Com a chegado do pique momesco, a ordem do conselho evangélico era manter os fiéis o mais distante possível das tentações pagãs do carnaval. Nem sonhar em cair na tentação dionisíaca do carne vai. Para tal, os pastores da igreja resolveram conduzir suas ovelhinhas para o ponto mais distante da cidade. Lugar onde não se ouvisse qualquer som profano. Na sexta-feira gorda, ao meio dia, partiram em caravana composta de vários ônibus, caminhonetas, carros particulares, alugados em busca da terra prometida à salvação. Encararam as quilometragens do asfalto, barro, areia, e já na hora do lusco-fusco avistaram um ponto, segundo os pastores, maravilhoso para levantar o sagrado acampamento. Colocaram as mãos às obras e pronto: o lugar estava povoado pelos abnegados fiéis. Depois de um lanche caprichado, foram fazer as orações. Mal começaram os agradecimentos ao Senhor, ouviram um som trazido pelo vento que arrepiou todos. Do jeito que chegava desaparecia. Ficaram atentos, em silêncio, e tiveram a certeza: o vento trazia música carnavalesca de alguma festa distante que ele aproximava. Praguejaram, levantaram acampamento e partiram em busca de outra terra prometida. Um pastor no ônibus da frente, pela luz do farol, leu em uma placa ao lado direito os dizeres: “Você está saindo dos Cafundós do Judas”. Apertou a bíblia durante uma hora para afrouxá-la só quando avistou um belo lugar. Alegres, desceram dos veículos, montaram acampamento, e se postaram para louvar ao Senhor. Como se fosse uma invasão de bárbaros, músicas de carnaval invadiram o ambiente. Apressaram-se, desmontaram tudo, e tomaram a estrada. Uma obreira, no último carro, leu em uma placa a direita: “Você está saindo da fazenda Quintos dos Infernos”.  À meia-noite chegaram em um terreno com alguns platôs. Lugar ideal para prática da salvação. Mais alegres que das outras vezes, armaram o acampamento ao som de hinos sagrados. Tudo bonitinho. Cansados, preparam-se para dormir. Com um minuto de descanso, o terreno foi invadido por carnavalescos mascarados pulando com tochas nas mãos seguidos por dois carros alegóricos  que pararam no meio do terreno. Desesperados, viram quando desceram dos carros, imponentes, Jesus e o Diabo convidando-os a entrarem na folia, ao mesmo tempo em que o infernal afirmava que nenhum homem pode ser religioso sem provar da alegria desregrada da vida, e Jesus endossava afirmando: “Quem está perto de mim, está perto do fogo. Quem se distancia de mim, se distancia da vida”.  Como eles não queriam ficar distante de Jesus, caíram na folia.

Os darks queriam participar em Londres do Encontro Mundial do Dark-Dor, mas não tinham dinheiro. Pensaram em uma solução e não encontram nenhuma. Foi então que a facção Down Gótico Sofrido propôs uma saída: realizar um carnaval dark cobrando ingresso. Piração total: carnaval dark, nem sonhar! Dark não pode ser alegre, tem que ser sofrido. A facção não se deu por vencida. Apresentou convictamente seus argumentos e ganhou a parada. O baile seria realizado só com música de carnaval-doloroso do tipo: “Bandeira branca, amor… Carnaval desengano… Tanto riso, oh!… Você falou que junto comigo não mais desfilava…”. Aconteceu que o proprietário de um canal de TV mais alguns empresários, ao se certificarem que o carnaval há muito tempo era a maior tristeza, resolveram atribuir um prêmio ao mais doloroso. Para escolher o ganhador, visitaram todos os bailes, bandas, escolas… O resultado criou um dilema: todos eram ‘horroríveis’ de tristes, e a regra do concurso era só premiar o único mais triste. Foi então que alguém lembrou que ainda não haviam ido ao baile dark. Foram, e não deu outra: os darks ganharam. O resto foi chegar em Londres e realizar o pentagrama nos mausoléus da família real.

Então a igreja proferiu a sentença anti-carnavalesca: “Este ano não vai ser igual aquele que passou”, ninguém vai poder cantar “Oh, quarta-feira ingrata chega tão depressa só pra contrariar!”. Ao que os foliões, reagiram: “Não vamos poder cantar ‘quarta-feira ingrata’, então vão acabar as têmporas da igreja. Se não há quarta-feira, a carne não vai, não vai haver quaresma, Cristo não ressuscita e acaba o mundo!”. A igreja tremeu, baixou a bola, foi o ano que mais se cantou “quarta-feira ingrata”, e Cristo saiu fortalecido.

Embriagados pela festa carnavalesca mais as bebidas, os foliões resolveram segurar por mais tempo a carne: foram para um motel. Entre babas de beijos e grude do suor, chegaram ao ninho do love que estava fazendo uma promoção: um dia inteiro pelo preço de três horas, com a condição de só poder sair depois de 24 horas. Antes, nem com a polícia. Os dois zombaram da promoção e disseram que do jeito que estavam só tutano, nem mil anos secava a fonte. O funcionário apresentou o documento que selava o compromisso juridicamente do qual debocharam, mas assinaram. Entraram no quarto tortos de love. A noite correndo e eles só… Uma, duas, três, quatro, cinco, seis… Tantas que o bode de Dionísio dormiu. Treze horas, acordaram sem saber onde estavam e com quem estavam. Na base do “Quem é você? Diga logo que eu quero saber…”, olharam-se e se rejeitaram: a lombra havia passado e deixara eles querendo se desvencilhar um do outro. Chamaram o serviço, dizendo que iam sair, e ouviram a resposta: o carnaval está apenas começando. “Desesperaram. Tentaram várias vezes, e a resposta era: “Contrato é contrato. Vocês estão levando um boi. Vocês foram os únicos que ganharam esta promoção”. Enojados um do outro, vomitaram mais vezes que as transas que realizaram. Dominados pelo intransponível, entregaram os pontos e ficaram a ouvir o tempo se arrastar. Consumado o tempo do contrato, cada um tomou seu rumo. Ela para uma igreja dita evangélica, e ele para um baile gay.

ENCONTROS CASUAIS

Sentado desolado no banco da praça, ficou a considerar seus momentos inquietos. Como em um solilóquio, considerou como tudo era engraçado. Em todos os natais que passou sem grana, a festa familiar fora maravilhosa. Nada de onda, de vexame, tudo muito cristão. Este ano foi o contrário. Estava abonado. Bastou no dia vinte e três ganhar só três otários para encher os bolsos, e ainda se dar ao luxo de não assaltar mais ninguém e lhe conceder uma folga. Gente era que não faltava se oferecendo para ser assaltada. Todo mundo estava endinheirado, por cima do jaraqui frito. Coisa nunca vista em nenhum fim de ano. Ia ser o melhor natal. Dentro do táxi, o motorista, feliz com a féria da quadra natalina, comentou a quantidade de pessoas comprando como grande feito do governo Lula. Ao que concordou com um “podes crer”. Chegou em casa carregado de compras e convidou os familiares e amigos para a comemoração ao nascimento do filho de Maria. A noite do vinte quatro era só alegria e solidariedade. Porém, quando bateu meia-noite, o momento da comunhão natalina maior, a bebida subiu-lhe a cabeça, olhou com ódio ao pai, e não deu outra: partiu para cima do patriarca e sapecou-lhe um direto no meio da cara. Senhor de um porte físico invejado, nem sentiu a ousadia filial. Levantou-o pela gola da camisa, deu-lhe quatro tabefes e arrastou-o até a delegacia, que ficava perto da casa. Envolvido nos mistérios familiares-cristãos, viu passando uma jovem e lembrou sua primeira namorada. E junto com a lembrança ecoou  a frase que ela  dissera no momento em que lhe abandonou: “O teu problema é que tu não entendes o sistema capitalista”.

!! De jeito nenhum aceitava se transformar em alguém que espera a morte morto em vida. Era assim que se encontrava depois do atropelamento provocado por um carro dirigido por um pastor e que lhe deixara paraplégico. Não! Jamais aceitaria uma vida improdutiva, confinada em uma cama sem poder se locomover para outros lugares por não possuir uma cadeira de rodas. Só porque não tinha dinheiro para comprá-la? Mesmo assim não aceitava a injusta realidade. Tentara reverter o quadro. Recorreu a vereador, deputado, senador, prefeito e governador, e nada. Só promessa. As eleições estavam chegando, quem sabe não conseguiria. Mas esperar até outubro? E o tempo que perderia sem produzir nada até lá? Certa noite, assistindo a um programa de uma igreja evangélica, teve uma idéia boa. Chamou um primo, que era motorista, e pediu que ele lhe levasse no outro dia à tal igreja, pois era dia de milagre. O primo ainda tentou demovê-lo da idéia boa, afirmando que tudo não passava de picaretagem, que os tais religiosos só enganavam os otários para ficarem ricos, mas nada disso mudou sua decisão. No outro dia, o primo zarpou com ele para a igreja. Chegando dentro da igreja pediu ao primo para deixá-lo perto das pessoas aleijadas que iam receber os milagres. O pastor mandou bronca. Amaciou as ovelhinhas e anunciou que ia começar a sessão dos milagres. Ele atento, viu um aleijado em uma luzente e novíssima cadeira de rodas motorizada. O pastor começou as orações, foi aumentando o tom da voz, uma música enrockcida emaranhou-se com a voz milagrosa, e ele berrou que os irmãos largassem as muletas, deixassem as cadeiras de rodas e corressem para junto dele, como prova da cura. Nisto que os ex-aleijados correram, ele chamou o primo e pediu para, ligeiro, colocá-lo na luzente e novíssima cadeira de rodas motorizada. O primo taludinho, pois era nas horas vagas carregador de sacos no porto, não contou conversa: colocou-o fácil, fácil na cadeira. Sentadinho, sorrindo feliz, ele ligou o motor da cadeira e se mandou pelas ruas vislumbrando uma nova vida. Quando foi chegando em casa, uma vizinha ao vê-lo, falou contagiada de fervor que até que enfim Deus ouvira suas preces.

ENCONTROS CASUAIS

! O blogueiro fez uma pausa nos trabalhos blogais, juntou umas poucas moedas e foi à feira comprar verduras e frutas frescas. Encontrou pela rua um homem juntando objetos jogados. Lembrou que poderia doar-lhe o velho aparelho de som. Ofereceu e o outro aceitou. Enquanto caminhavam até a casa para pegar o aparelho, conversaram. Era um gari que, estando de férias, transformava-se em faz-tudo. Juntara aquela porta de geladeira para botá-la em uma que estava sem porta; contou que já trabalhara catorze anos como cozinheiro, e explanou sua receita de pimentão recheado com pé de galinha. Quando o escritor falou das condições do aparelho, disse que não tinha problema, ele entendia, só aquela manhã já consertara quatro televisões. Como sua televisão estava pifada, o blogueiro interessou-se. Ouviu os detalhes dos consertos que o faz-tudo operara. Convenceu-se. Entregou-lhe a televisão para que consertasse. O faz-tudo prometeu-lhe que a traria daqui a pouco, consertada. Como criara rapidamente uma familiaridade, o blogueiro nem ao menos pediu o endereço do faz-tudo. Sentou-se novamente ao computador, e foi somente ao olhar para o local onde antes estava a televisão que lhe veio a desconfiança: e se o faz-tudo se transformasse também em ladrão. Não. Mas as horas passaram. Chegou a tardinha e nada. Lá pelas 18h resolveu ir procurar. Apenas lembrava que ele fizera referência ao campo de futebol. Andou. Perguntou por um gari que consertava televisão; mas nem sequer o nome sabia. As pessoas estranhavam, algumas riam, outras olhavam-no desconfiadas. Não o encontrou. Sentindo-se logrado, retornou à casa. Perdera uma televisão. Está certo que estava esculhambada, mas era só questão de algum ‘consertinho’.

Àquela noite de quarta para quinta era dia da coluna de contos no blog. Procurava uma situação. Foi tomando uma cerveja que pensou: poque não a história do faz-tudo? Alegrou-se. De repente, o roubo da televisão parecia apenas um leit motiv, como gostam os literofastros. Escreveu até a parte que voltara para casa, mas não conseguia dar um desfecho. Já eram 3h da madrugada, resolveu publicar assim mesmo pela metade. Olhava para o editor do blog e exitava. Enfim, clicou. Como se o clique reverberasse, ouviu uma batida forte na porta. Quem seria? Olhou pelo olho-mágico. Era o faz-tudo, com a televisão no ombro. Assim que a porta foi aberta, ele foi logo contando de como um vizinho seu insistira que aquela televisão era uma sua que havia sido roubada há uns dois meses. Por mais que explicasse a procedência, o vizinho não se convenceu e chamou a polícia, que o fez entregar a televisão, de modo que ele teve que esperar o vizinho dormir para roubá-la e restituí-la. O blogueiro disse que não era necessário fazer isso, que tinha os documentos de compra da televisão e, portanto, poderia reavê-la. Mas ele explicou que não tinha problema, que isto ele já havia feito, apenas de outro jeito. Perguntou ao blogueiro se ele tinha um pouco de miúdo de frango para lhe dar. O blogueiro havia tratado um frango à tarde passada e guardara os restos na geladeira, que iriam ao lixo pela manhã. Ele saiu dizendo que no outro dia viria consertar a televisão e traria para o blogueiro provar as delícias que eram os pimentões recheados com pés de galinha.

O blogueiro ficou pensando se escreveria a continuação do conto; mas resolveu deixá-lo assim mesmo pela metade. Se escrevesse uma continuação, estaria fazendo realismo. Desligou o computador. Deitou-se e se pôs a pensar sobre a relação entre a literatura e a vida e adormeceu.

ENCONTROS CASUAIS

! Era uma vez uma cidade em que as distorções sócio-econômicas eram tão visivelmente cruéis que ela se mostrava, sem nenhum pudor, na forma de duas realidades de classes. Uma realidade representada por uma classe abastada, sendo a minoria, e outra realidade representada por uma classe pobre, a maioria. Mas era exatamente na época da quadra natalina que estas duas realidades contrastantes tornavam-se mais visíveis. Os ricos a comentavam com entusiasmos os festejos e os presentes a serem distribuídos entre si. Enquanto que os pobres, alheios aos festejos, lembravam apenas do sinal de Cristo. Entretanto, como na cidade rolava a lenda de colocar os sapatos na janela para Papai Noel deixar os presentes, as crianças, tantos as pobres como as ricas esmeravam-se na esperança lúdica que o bom velhinho traria a elas.

Chegada a noite do dia 24, as crianças ricas, depois da abundante ceia, foram dormir alegres, imaginando os presentes que Papai Noel colocaria em seus ricos sapatinhos postados nas janelas. As crianças pobres, que apesar de não terem o que comer na grande noite da família cristã e muito menos sapatinhos para deixarem na janela à espera de Papai Noel, foram dormir esperançosas de acordar e encontrar a maravilhosa surpresa.

Chegada a manhã do Natal, as crianças ricas festejaram com entusiasmo os presentes recebidos. Enquanto as crianças pobres se conformaram com a ausência dos presentes. Entretanto, na manhã do dia 26, as crianças pobres foram surpreendidas com a variedade de brinquedos, roupas e bombons depositados em suas janelas. Aconteceu que estando as crianças ricas, na manhã do dia 25, inebriadas com seus presentes de classe alta, não perceberam que seus sapatos tinham desaparecido das janelas. Obra de um certo Papai Noel que pegara os sapatos, vendera, e como eram caríssimos, todos importados, deu para levantar uma boa quantidade de dinheiro, comprar os objetos da alegria das crianças pobres e distribuí-los até para crianças das cidades vizinhas. E assim, pela primeira vez, todas as crianças desta cidade foram ludicamente felizes. Tudo porque um certo Papai Noel compreendera que Natal verdadeiro é aquele em que o verdadeiro Cristo se mostra homem.

!! Enquanto, pela manhã, membros participantes do Encontro Mundial Sobre Defesa do Meio-Ambiente se dirigiam para o grande centro onde se realizaria o magno debate sobre o destino da terra, animais, vegetais e minerais despertaram conscienciosos. Depois de sentirem e perceberem suas vidas, atraídos pela força subjetivadora irradiada do centro ambientalista, partiram nesta direção. Chegando lá, mantiveram-se distantes ouvindo os discursos e analisando-os. A cada conferência e debates iam percebendo que ninguém entendia de Vida. Uns, apoiados na teoria causa e efeito do filósofo Aristóteles, defendiam que a natureza se movimentava como uma força utilidade/fim. “Tudo que existe e existirá é fruto deste mecanismo”. Outros, amparados por elucubrações teológicas, afirmavam ser a natureza, Deus. E todas as coisas eram saídas de Sua Providência. “Daí porque destruí-la ser uma atentado contra os desígnios Dele”. Todos atribuíram uma causa para existência da Vida. Ninguém sequer mencionou o artifício, a facticidade, não-duração, o acaso. A impossibilidade da comunicação com o ser. Então, eles tiveram a certeza que tudo aquilo não passava de um embuste. Ninguém sabia o que era ambiente, e muito menos o que era natureza. Diante de tamanha fantasia, saltaram sobre todos e os devoraram.

!!! Loucos de amor, saíram à caça. De repente, encontraram-se. Não precisaram palavras. Partiram direto para ao jogo sensual. Nus, atracaram-se com tamanha violência que tornaram-se função chave de fenda e função alicate. Assim, os corpos aprisionados em suas próprias forças, anularam os movimentos pélvicos. Foi então que, fundidos em um só, entenderam a armadilha que caíram. O que era loucura do amor transfigurou-se em tortura do ódio. Então, depois de várias tentativas, conseguiram desvencilhar-se um do outro e partiram correndo pelas ruas urrando ensandecidos.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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