Archive for the 'Copa Do Mundo África Nós' Category

COPA DO MUNDO ÁFRICA NÓS

A FÚRIA ESPANHOLA DESABA SOBRE A HOLANDA…

…E O FUTEBOL-ARTE SAI VENCEDOR

Este bloguinho intempestivo parabeniza David Villa, Pablo Picasso, Iniesta, Jorge Semprun, Puyol, Pedro, Paco de Lucia, Casillas, Piqué, Garcia Lorca, Xavi, Capdevila, Buñuel, Xabi Alonso, Salvador Dali, Sergio Ramos, Joan Miró, Busquets, Fabregas, Del Bosque…

NENHUM BRASILEIRO ENTRE OS DEZ CANDIDATOS A MELHOR JOGADOR DA COPA DO MUNDO ÁFRICA NÓS

Dessa vez a Fifa não deu nenhum alento para a “pátria de chuteiras”. Nem ao menos para dizer que nós ainda estamos entre os melhores do mundo. Ao divulgar a lista com os dez craques que disputam a medalha de melhor jogador da Copa do Mundo África Nós, nenhuma surpresa, nenhum brasileiro. Também, pudera…

Entre os nomes da lista, cinco jogadores estarão na final (3 espanhóis e 2 holandeses) e três na semifinal (2 alemães e 1 uruguaio). Além deles, o atual melhor jogador do mundo, Lionel Messi (que está a passeio pelo Rio de Janeiro com a namorada), também está na lista e Asamoah Gyan, o único jogador africano constante na dezena.

Aí a lista completa:

Lionel Messi (Argentina)
Andres Iniesta (Espanha)
David Villa (Espanha)
Xavi (Espanha)
Diego Forlan (Uruguai)
Arjen Robben (Holanda)
Wesley Sneijder (Holanda)
Asamoah Gyan (Gana)
Bastian Schweinsteiger (Alemanha)
Mesut Özil (Alemanha)

COPA DO MUNDO ÁFRICA NÓS

ESPANHA NÃO DEIXA VINGAR O NAZISMO DE PODOLSKI

Dilma acertou pela metade, quando disse que na final iam estar dois latinos. Não deu para o latino sulamericano, mas deu para o latino europeu.

Afora a favoritíssima Argentina, uma das equipes das que mais se esperava nesta Copa do Mundo África Nós era a Espanha; no entanto, após a derrota por 1 a 0 para a Suíça em sua primeira partida do certame, parecia que a Fúria tinha virado donzela. Foi preciso a equipe demonstrar uma zaga forte, um meio de campo talentosíssimo, principalmente com a entrada do craque Iniesta, que vinha de contusão, sem falar no imprevisível David Villa.

Ao contrário, a Alemanha foi se confirmando como uma das equipes mais fortes da caminhada, aplicando várias goleadas, culminando com os 4 a 0 nos “pibes de oro”, quando todo o mundo passou a acreditá-la invencível, misticismo maior até do que o misticismo da crença no polvo alemão que previu de quem seria a vitória em todos os jogos da copa, prevendo que hoje se encerraria o passeio dos alemães na África do Sul.

Nos desvairismos anteriores ao jogo, o ressentido Podolski, que na Copa de 2006, negando sua origem polonesa, fez uma saudação nazista pra todo o mundo ver, afirmou que a Alemanha ia vingar a derrota de 1 a 0 para a própria Espanha na final da Eurocopa 2008.

Em sua irracionalidade, Podolski e os alemães catequizaram a linguagem do ressentimento em todo o corpo, da língua aos pés, e aí o que se viu desde o início foi uma Espanha do atual Fernando del Bosque a lembrar a vigorosa formação dos tempos do Aragonês, faltando apenas aquela velocidade, destacando-se a entrada de Pedro, que até então ficara na reserva, no lugar de Fernando Torres.

Principalmente no segundo time, talvez inspirada no surrealismo de um Salvador Dali ou do poeta Lorca, nos primeiros 20 minutos, Casillas tirou um ronco atrás do gol, pois os alemães não passaram sequer uma vez sequer do meio de campo. No toque envolvente, no drible rápido, por cima de cabeça. E foi assim que o quarto-zagueiro Puyol, que quase acertara uma no primeiro tempo, subiu no meio dos imensos alemães e abriu o placar.

Muitos diziam que a grande Alemanha preparava alguma reação para o final. Mas as reações dos ressentidos são impotentes. O que se viu foi digno de Jorge Semprun, que, em épocas de generalíssimo Franco, publicava clandestinamente crônicas políticas-futebolísticas. A Espanha só não fez mais parece que, ironicamente, para manter o mesmo score de dois anos passados. O placar estava fechado para a Alemanha e a Espanha aberta a sua primeira final em um mundial.

COPA DO MUNDO ÁFRICA NÓS

URUGUAI À SOMBRA DO SOL-LARANJA DO FUTEBOL

No enviscamento ressentido da torcida irracional, muitos brasileiros torceram nesta primeira partida das semifinais da Copa do Mundo África Nós para um e outro time por duas paixões tristes. Alguns torceram para o Uruguai simplesmente porque a Holanda eliminou o Brasil nas quartas. Outros torceram para a Holanda devido ao bairrismo com o país vizinho sulamericano Uruguai.

Em campo o que se viu foram duas boas equipes jogando bem e seguindo as características com as quais chegaram até esta etapa da competição. O Uruguai, time do filo-literato Eduardo Galeano, autor do célebre Futebol Ao Sol e À Sombra, armando um impávido meio de campo, inclusive com Cavani, que é meia-armador jogando como atacante e, principalmente, dependendo de um daqueles chutes de fora da área que nos acostumamos a ver o mago Forlán fazer dos seus.

Foto: Terra

Pelo lado da pátria de Spinoza e Van Gogh, a questão sempre foi fazer boas composições para, fazendo com que os craques Robben e Sneijder limem o muro das limitações das quatro linhas e imprimam o vivo alaranjado no gramado.

Mas quem começou a pintura no primeiro tempo foi Giovanni van Bronckhorst, que aos 18′ marcou o primeiro com um golaço de fora da área lá onde teria acordado a coruja se ela lá dormisse, um dos gols mais bonitos deste certame. Mas ainda no primeiro tempo, aos 41′, Diego Forlán fez brilhar o sol Uruguaio.

Foto: Terra

O segundo time começou com ensolarada indo pra cima, mas quem acabou marcando foi a Laranja Mecânica, primeiro com o craque Sneidjer, aos 35′, e aos 38′, numa magnífica cabeçada, Robben ampliou. Para muitos, o placar estava fechado, principalmente quando um minuto depois do terceiro gol alaranjado o técnico Oscar Tabárez, que já tinha colocado “El Loco” Abreu, tirou Forlán e colocou o jovem Sebastian Fernandez. Apesar de assistirmos futebol sempre sem som, é certeza que os incautos comentaristas tenham dito, principalmente depois da saída de Forlán, que o técnico já tinha jogado a toalha. Ao contrário, o que se viu, com El Loco enfiado e Fernandez avançando, foi o Uruguai indo ao ataque como ainda não se tinha visto outro time nesta Copa do Mundo África Nós. Já nos acréscimos, Maximiliano Pereira ainda marcou um segundo gol iluminador, mas apesar de ter realizado o maior número de ataques possíveis em um minuto de jogo, o placar se fez definido ao apito do árbitro. Assim como definido está a Holanda na final e Uruguai decidindo o 3º lugar, ambas as equipes há décadas não iam tão longe num certame mundial.

No caso do Uruguai, aproveitamos para reproduzir aqui a entrevista do filo-literato Eduardo Galeano ao jornalista Gerhard Dilger, publicada hoje na Agência Carta Maior.

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“A camiseta celeste tem muita energia”

Em entrevista ao jornalista Gerhard Dilger, correspondente para a América do Sul do jornal “taz, die tageszeitung, de Berlim, Eduardo Galeano fala sobre o Mundial de Futebol da África do Sul, o desempenho sulamericano frente aos europeus e as chances de seu Uruguai. “Não sei se chegará a final, mas volta a ser milagrosamente certo que um país com menos habitantes que um bairro de Buenos Aires pode ser capaz de conquistar o troféu mundial. Festejamos isso, os poucos que somos, porque o Uruguai é um país muito futebolizado e aqui todos os bebês nascem gritando goooooool!!! A camiseta celeste tem muita energia dentro”, diz Galeano.

Dom Eduardo, quem será campeão deste mundial – e por quê?

Sou um péssimo profeta. E além disso, para completar, te confesso que não quero conhecer o futuro. Quando uma cigana pega a minha mão e me oferece lê-la, eu rogo: “Senhora, por favor, não seja cruel”. Eu não quero saber o que ocorrerá, nem sequer pressenti-lo, por que o melhor da vida está sempre esperando à volta da próxima esquina. E te acrescento algo mais: por sorte. Os prognósticos falham. O tempo brinca com quem pretende adivinhá-lo.

Qual sua opinião sobre a equipe alemã?

Assombrosa. Tem a força e a velocidade dos velhos tempos, mas uma elegância e uma alegria que talvez seja o aporte de tantos jovens incorporados em suas fileiras, em sua maioria imigrantes ou filhos de imigrantes. No futebol, como na vida, a mestiçagem melhora.

Por que os argentinos não conseguiram, finalmente?

Eles brilharam em várias partidas da Copa e agora se foram, humilhados por uma goleada. Isso me entristece, ainda que a vitória alemã tenha sido totalmente justa. Em que falhou a Argentina? Obviamente não cuidou do meio campo, faltou articulação entre a vanguarda e a retaguarda e Messi foi limpamente bloqueado, na boa lei, pela defesa alemã. Talvez isso tenha algo a ver com a “messidependência”. Quando há um jogador de qualidade tão extraordinária, inevitavelmente se produz uma realidade assim. De todos os modos, diga-se de passagem, Messi jogou, durante toda a Copa, muito melhor do que outra superestrela, Cristiano Ronaldo, que esteve no Mundial mas ninguém viu.

Pelé disse que Maradona não é um bom técnico: Está de acordo?

No futebol atual, o treinador desempenha um trabalho insalubre. Altamente tóxico, eu diria: é o bode expiatório das derrotas, e o mesmo povo que o eleva aos céus, num momento, o expulsa para o inferno logo em seguida. Há alguns anos, as pessoas sequer sabiam qual era o nome do treinador, que depois passou a ser chamado de diretor técnico.

A grande maioria das estrelas sulamericanas está jogando na Europa. Há chances de que essa exportação de recursos futebolísticos seja revertida?

Não. Nós, dos países do sul do mundo, seguiremos exportando mão de obra e pé de obra para o norte do mundo.

Qual é o seu balanço do mundial, até agora?

Meu bom amigo Pacho Maturana, que foi diretor técnico de duas seleções e de várias equipes de diversos países ,costuma dizer, e não se equivoca: “O futebol é um reino mágico, onde tudo pode ocorrer”. Nós, latinoamericanos, estávamos felizes, pois pela primeira vez na história quatro seleções nossas chegavam à antepenúltima etapa e, subitamente, paf, ficou o Uruguai solito contra a Europa. E, salvo essa exceção,o Mundial se converteu em uma eurocopa. Um pouco antes, já não havia africanos competindo. Toda África ficou fora neste Mundial que é o primeiro Mundial africano da história. Os irmãos Boateng brindam a dramática metáfora do que ocorreu: um Boateng se foi, o que jogava em Gana, e ficou o Boateng que joga na Alemanha.

Foi justamente a Celeste que acabou com o sonho africano. Como viveu os momentos finais da partida contra Gana?

Foi um filme de Hitchcock. Me cortou a respiração. A minha e a de todos que assistiram à partida mais emocionante deste mundial. Ganhou o Uruguai, como se sabe, e assim ficou selada a derrota de toda a África. Eu festejei e, ao mesmo tempo, senti uma funda tristeza. No futebol, como na vida, há alegrias que doem.

O Brasil, com sua “receita Dunga” fracassou. Que conselho daria a seus vizinhos com vistas a 2014?

Eu não gosto de dar conselhos, nem de recebê-los, mas nós, latinoamericanos, não vamos bem quando copiamos as receitas do êxito europeu. Nem no futebol, nem em nada. E não precisamos copiar. Li e escutei várias vezes, a propósito desta seleção alemã, a que compete agora, o seguinte elogio: “Parece uma equipe sulamericana”. A receita Dunga não era a melhor para o mais sulamericano dos sulamericanos: de que estava doente o Brasil para precisar desse tipo de remédio?

E por que a seleção uruguaia está tão forte?

Por que acredita no que faz, e o entusiasmo compensa o que lhe falta. Não sei se chegará á final, mas volta a ser milagrosamente certo que um país com menos habitantes que um bairro de Buenos Aires pode ser capaz de conquistar o troféu mundial. Festejamos isso, os poucos que somos, porque o Uruguai é um país muito futebolizado e aqui todos os bebês nascem gritando goooooool!!! A camiseta celeste tem muita energia dentro. E a história também ajuda. Este nosso paisito soube ganhar duas Olimpíadas de futebol, quando o Mundial ainda nem existia, e dois campeonatos mundiais, o primeiro aqui em Montevidéu, e o de 1950, quando derrotamos o Brasil na estréia do maior estádio do mundo, o Maracanã, diante do rugido de duzentos mil torcedores.

Eduardo Galeano, 69 anos, é o autor de “El fútbol a sol y sombra” y de “Espejos – Una historia casi universal”.

Gerhard Dilger é correspondente para América del Sur do diário “taz, die tageszeitung”, de Berlim.

“AVANTE MARADONA, AVANTE ARGENTINA!”, DIZ CRISTINA KIRCHNER

Foto: AFP

Quanta diferença de entendimento e relações entre Brasil e Argentina pode ser auferido da observação de um evento futebolístico como a Copa do Mundo África Nós.

Foi pedagógico ver a Argentina perder, e ver que nenhum hermano virou um desvairado Felipe Melo, que El Diez não é Dunga. Este que embiocou para o vestuário assim que soou o apito final. Quanto a Maradona, um gentleman. Maradona abraçou e beijou todos os jogadores, cumprimentou os alemães, brincou com os jornalistas (logo com os jornalistas!).

Após a derrota sonorosa de 4 a 0 para os alemães, Maradona conjeturou na coletiva de imprensa que iria pensar se permanecia à frente da Argentina ou não. Quanto a Dunga, já se sabia demitido. E o foi sumariamente, juntamente com toda a comissão técnica, por telefone. O tirano Ricardo Teixeira, eterno na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda se deu ao topete de aventar uma alegoria que está mais para eufemismo: “Quando você está no meio do Atlântico, você tem de atravessá-lo. Não tem outra opção”, afirmou o supremo numa entrevista em Joanesburgo.

Já pensou o que aconteceria se o Brasil tivesse perdido de 4 a 0?

Ao inverso, na volta para a querida Buenos Aires, Maradona foi recepcionado, juntamente com o auxiliar e amigo Mancuso, com faixas pedindo para que Dieguito fique na seleção. Ontem, a Associação do Futebol Argentino (AFA) declarou oficialmente que Maradona só sai se quiser.

Até a presidenta Cristina Kirchner entrou na onda preferencial, e publicamente no ato político nos arredores de Buenos Aires. “Quero dizer especialmente a Maradona, que no sábado não pôde me atender porque estava chorando, que estamos muito agradecidos porque nunca nenhum argentino nos deu tantas alegrias dentro de um gramado como ele”, falou.

Cristina reforçou ainda o convite para receber todos os jogadores e a comissão técnica na Casa Rosada. “Quero que nossa seleção vá à Casa Rosada. Ontem os convidei e os meninos diziam que não mereciam isso. A verdade é que acho que estão equivocados: têm todo o merecimento para ir, estou esperando”, afirmou a presidente. “Avante Maradona, a seleção, avante Argentina também! Vamos!”, exclamou entusiasmada.

Juntando-se a Cristina e a milhões de hermanos, para este bloguinho, uma das melhores coisas da Copa do Mundo África Nós: ver que Maradona está um homem jovem, íntegro, bonito, inteligente, alegre e amoroso.

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Carta abierta al señor Diego Armando Maradona

* Carlos Malbrán

PARA EL CASO DE QUE NO GANEMOS ESTE CAMPEONATO DEL MUNDO

QUERIDO DIEGO, “PELUSA”, “PIBE DE ORO”, “DIEZ”, “DIOS”, “GORDO”:

Quiero hacer memoria, para que no se te olvide a vos, ni a ninguno de los argentinos.

Eras un pibe de la villa miseria de Fiorito. Uno de esos asentamientos informales, insalubres y laberínticos, de viviendas precarias en las que se hacinan los desplazados. Síntoma brutal de la marginación y la pobreza, del que los políticos prefieren no hablar porque es poner en duda toda la estructura legal del sistema.

Jugabas porque el fútbol es la expansión de los humildes, un acto atemporal que los saca de las desdichas cotidianas. La vida te había negado casi todo, y vos, como miles de chicos argentinos, con tus zapatos rotos, te desquitabas a patadas.

En 1973 alguien te dijo:

– Che pibe, vamos a armar un equipo para jugar en el “Torneo Evita”, ¿Entrás?

Con tus piernas flacas y tu rostro de “negrito”, te convertiste en la pesadilla del torneo, nadie quería enfrentarte. “Los Cebollitas”, (así se llamaban), se llevaron la copa y al año siguiente ganaron el Campeonato de la 8ª División. El conjunto se mantuvo invicto 136 partidos y gracias a que “Los Cebollitas” se convirtieron en una sensación, conociste Perú y Uruguay, donde los invitaron a jugar. No tenías 12 años y ya eras campeón.

A alguien se le ocurrió hacerte debutar en las inferiores del Club Argentino Juniors. Resultó fácil, fue el primer acto ilícito de tu vida: te cambiaron el nombre y mintieron la edad, agregándote dos años para que te aceptaran. Algo completamente inútil porque tu brillo era tal que cuando te vieron jugar, todos preguntaban: ¿Quién ese pibe? ¿De dónde salió ese prodigio?

Entonces decidieron que era mejor ponerte en el entretiempo de los partidos de la Primera División para que entretuvieras a la hinchada haciendo malabares con la pelota. Naciste mago. Siempre la pelota ha hecho todo lo que querés, ¿O será al revés?

Llegaste a la villa eufórico:

– ¡Mamá, me pagaron!

Doña Dalma te dio un beso y tu padre Diego te regaló una sonrisa y una palmada afectuosa. Hasta hay un viejo comercial de Coca Cola, donde se ve a aquel muchachito haciendo maravillas.

La primera vez que figuraste en los diarios, (esos que cada vez que pueden, intentan destruirte por tus ideas), tenías diez años. El Clarín decía: “Había un pibe con porte y clase de ‘crack’…”. Este periodista no sabía que aún faltaban por llenar muchas páginas hablando del “Pibe de Fiorito”. Porque en dos años ascendiste ocho divisiones en Argentinos Juniors, de novena a primera, y comenzaste a dibujar tu historia con goles: en 1978, aunque te consagraste como el goleador del Metropolitano, el flaco Menotti te dejó fuera de la Selección que ganó el campeonato porque eras muy niño, pero al año siguiente nos trajiste la Copa del Mundial Juvenil.

Por ese tiempo, aunque River te quería contratar y te ofreció lo mismo que ganaba Ubaldo Fillol, el jugador mejor pagado de entonces, decidiste jugar para Boca, que estaba en serios problemas económicos y no podía comprar tu pase. Nos hiciste campeones, pero duraste poco. Europa siempre ha pagado mejor y te fuiste al Sevilla y después al Nápoles.

El Mundial de México 86, siempre será recordado como “el Mundial de Maradona” y podría escribir muchas páginas con las emociones que nos hiciste vivir, porque cada vez que mandaste la pelota al fondo de la red, no era un gol de Maradona, era un tanto de desquite de todos los humildes de tu pueblo.

La FIFA, aún a regañadientes, (los oligarcas del fútbol no te quieren Diego) tuvo que elegirte como al mejor jugador del siglo XX. Para nosotros significas mucho más. Siempre recordaré cuando como consecuencia de haber caído en los abismos de la droga, te tuvieron que internar de urgencia y una multitud angustiada hizo intransitable cuadras enteras en torno al hospital. Alguien puso un gran cartel: “El cielo tiene que esperar”, otro decía: “Siempre vivirás, Dios no quiere competencia.”, otro: “Jesús resucitó una vez. Vos, miles.”, y quizá el más significativo rezaba: “Diego, no aflojés que vas a salir. No podés perder. No te olvides que Maradona juega para vos.”

Saliste de la droga como también te levantaste de cada golpe que te dieron en la cancha, pero los medios internacionales siempre magnificaron tu adicción a las drogas y cada error que cometías, porque lo que no te perdonan es que a pesar del dinero, la fama y la gloria, nunca olvidaste al pibe de la villa de Fiorito y que cada uno de tus mensajes políticos mueva la conciencia de los pobres y explotados del mundo.

El mercado puede aceptar que seas un genio del fútbol, pero no que te hayas convertido en la compensación para una sociedad frustrada por varias dictaduras militares y desgastada por el accionar de políticos corruptos.

Se acepta, ¿qué otro remedio les queda?, que seas un campeón, más no que reflejes los sentimientos de los despojados que necesitan creer que Dios no está tan lejos.

Eso no te lo van a perdonar nunca Diego.

La FIFA no te puede perdonar que promuevas la sindicalización de los jugadores, a los que llamas “los obreros del fútbol”, porque eso echaría por tierra un negocio que mueve millones de dólares cada cuatro años.

Si Maradona dona una escuela, o promueve una colecta para los niños pobres con parálisis, no saldrá en la primera plana de ningún periódico del mundo, porque lo imperdonable no son estos actos en sí, sino que lo hagas siempre diciendo que sólo estás devolviendo algo de lo que los poderosos roban a la gente.

Demagogo, populista, oportunista, drogadicto, son los calificativos aconsejados por los señores de la SIP para poner junto a tu nombre. Como también aconsejan destacar siempre las declaraciones del señor Pelé, porque ese si es “bueno”. Se coloca debajo de un cartel de alguna firma de productos deportivos, que por supuesto le paga, para reivindicar siempre al sistema y defender sus intereses. De eso vive.

No te van a perdonar tus visitas a Chávez, o que tengas al Ché tatuado en tu hombro.

La única vez que te tuve cerca fue cuando en noviembre de 2005, con motivo de la Cumbre de Presidentes de Mar del Plata, nos invitaste a ir a repudiar la presencia de Bush en la Argentina.

Los grandes diarios del mundo, no publicaron en estos días la foto de la Selección Argentina despidiéndose rumbo a Sudáfrica con una gran pancarta que decía: “Apoyamos a las abuelas de Plaza de Mayo para el Premio Nobel de la Paz”. Ni tampoco la noticia de que recibiste en Pretoria a Estela Carlotto con un gran abrazo.

Eso no se perdona Diego.

El fútbol, vos lo sabés mejor que nadie, es un juego impredecible y como bien declaraste: “No hay favoritos. Cualquiera te puede clavar la pelota en el ángulo y todo lo que hiciste… Chau”. Todo es posible, pero por todo esto y mucho más quiero decirte que si eso sucede, no te hagas ningún problema, porque con nosotros ya cumpliste.

Gracias por ser Maradona.

Gracias por ser nuestra alegría y nuestra esperanza.

Gracias por no olvidar al pibe de Fiorito.

Gracias por representarnos siempre a todos con dignidad.

Gracias campeón.

*Carta publicada no dia 30 de junho, quando a Argentina ainda estava no páreo, no CubaDebate, e que foi pescado via Metropolitano.

COPA DO MUNDO ÁFRICA NÓS

CRUYFF TEM RAZÃO: “SELEÇÃO BRASILEIRA É UM TIME MEDÍOCRE”

Sócrates havia dito que o selecionado da CBF não passava da primeira fase. Rivelino havia dito que esse time era decepcionante. Maradona falou… Messi falou… Cruyff afirmou anteontem e confirmou ontem que não pagaria um ingresso para assistir um jogo da equipe de Dunga. Até o globólico Falcão concordou. Estavam todos “secando” o Brasil, como se diz em legi-signo dicente indicial popular (C.S. Peirce via Tom Zé)? Não. Era a opinião real de todos que entendem de futebol-arte e de como predomina hoje o futebol-mercado dentro mesmo da “pátria de chuteiras”.

Imediatamente ao segundo gol da Holanda, a pátria retirava as chuteiras contundida em sua ilusão, fomentada principalmente pela mídia televisiva, que já exigia um culpado para a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo África Nós. Neste jogo, sobretudo Felipe Melo, por ter feito gol contra na péssima saída de Júlio César, de quem se afirmava ser atualmente o melhor goleiro do mundo; sendo que Felipe Melo ainda fora expulso por dar um pisão cretino no craque alaranjado Robben.


É claro que o principal alvo, principalmente para a rede Globo, é Dunga, porque não levou Ronaldinho Gaúcho, porque não substituiu Felipe Melo. Antes mesmo do apito a engaiolar os antropomorfizados canarinhos já se estampava a manchete: “Final da Era Dunga”. Como, se a retrancada Era Dunga não fosse na verdade apenas uma subpasta da sempiterna e tirânica Era Ricardo Teixeira dentro da CBF. Como se a CBF, Dunga e a Globo não fossem um só contra o povo brasileiro.

Desanuviados desses entendimentos, outros apontam para “razões místicas” exteriores. Uma delas seria o pé-congelado de Mick Jagger, que foi ao estádio torcer pelo Brasil e – assim como ocorreu com Estados Unidos e depois com Inglaterra – não deu outra, demonstrando que nos seus 66 o rolling stone pode estar novo para o rock, mas velho para o futebol. Há ainda quem diga que o culpado mesmo foi Kaká, que, além da ausência futebolística, foi mover uma preconceituosa campanha contra as prostitutas e, como diz o ditado, contra praga de puta não há disputa.

Como toda e qualquer pessoa inteligente havia percebido, a seleção brasileira não era um time, bastava pegar um time organizado, com alguns craques, e não passaria. Bastou encontrar o incansável Robben, Van Persie, Schweinsteiger e Schneider para o “nosso time” não passar pela Laranja Mecânica e, rapidamente, o fantasmático “sonho do hexa” ficar pra próxima. A atual seleção brasileira é como o Serra, mesmo sem chance fez de conta que ia, mas não tinha pernas para tanto.

O único tanto são os milionários lucros que Fifa de Blatter, da CBF de Ricardo Teixeira, das marcas – Adidas, Vivo, Coca-Cola, Samsung, etc – que disputam cada centímetro de publicidade e dos canais abertos – Globo, Band – e fechados – ESPN, Sport Tv – que febrilmente transmitiam o espetáculo inexistente. Para todos estes, em detrimento do futebol, as cifras foram boas. Só choraram para disfarçar ou porque para os patológico capitalistas quanto mais, melhor. (Inclusive, os supostos feriados para os trabalhadores brasileiros nos dias de jogo da seleção serão todos repostos em outras datas.)

Ao contrário da sequelada mídia canarinho, que estigmatiza os argentinos, los hermanos ironizam esse merchandizing todo, estampando a manchete: “Brasil 2014!”

E por falar na Argentina, amanhã, no mesmo horário que foi o do Brasil hoje, ela pega a Alemanha. Aí, sim, há a possibilidade de jogo, quando tudo é possível!

* Fotos: jornal argentino Olé.

COPA DO MUNDO ÁFRICA NÓS

PATRÍCIOS BAIXAM A CABEÇA DO TIME DE DUNGA

Sem superar los hermanos argentinos de El Diez, Diego Armando Maradona, que conquistaram 100% de aproveitamento, vencendo todas suas partidas na primeira fase do campeonato da Fifa, versão 2010, e com o artilheiro Higuaín com três gols, os jogadores do time de Dunga contra os patrícios não superaram o zero.

Sem criatividade, arte, que não existe, e invenção, que não produzem, o time de Dunga no primeiro tempo teve o maior domínio da pelota, mas não levou perigo ao guarda meta português, exceto numa cabeçada de Luiz Fabiano e num chute resvalado de Nilmar, que bateu na trave direita do goleiro Eduardo.

Com farta distribuição de cartões amarelo, Felipe Melo, por demonstrar falta de controle emocional foi substituído no primeiro tempo para evitar uma expulsão.

No segundo tempo, o time nativo praticamente não jogou. Os portugueses tomaram a iniciativa e produziram algumas jogadas de perigo contra o guarda metas Júlio César.

Nilmar foi figura apagada no segundo tempo, embora tenha permanecido os 90 minutos em campo. Não adiantaram as entradas de Josué, Grafite e Ramires.

No tempo final, os portugueses jogaram melhor, dominaram mais a pelota, tomaram algumas iniciativas de ir pra cima dos atletas dunguianos. A sensação era quando o gajo Ronaldo dominava a Jabulani e partia pra cima dos laterais correndo como uma jaguatirica. Chegou algumas vezes a brincar com a “dendeca”, colocá-la na cabeça, bater de trivela e atemorizar Juan, que caso não metesse a mão na bola o disparado Ronaldo daria um banho de cuia em Júlio César e o jogo não terminaria com zero de futebol.

Comparando com los hermanos, o time de Dunga, apesar dos cinco títulos, chega num final de primeira fase com um futebol medíocre, deixando a desejar muito àquele time de 1982 que caiu em Sarriá e fazendo calar milhares de brasileiros que se pintaram, enfeitaram ruas, pintaram casas e hastearam bandeiras e que com suas cornetas infernizam ouvidos alheios quando o time faz um tento. Como nada fez, meteram a corneta e foguetes no saco.

Outra questão que não podemos deixar de comentar é sobre a opinião dos jogadores da CBF que estavam escolhendo time para jogar. Que se preparem. Está no páreo neste momento em que escrevemos o Chile. O time de louco Bielsa tem futebol para meter medo em quem está escolhendo adversário.

Pra finalizar. Los hermanos assistiram de camarote a peleja entre patrícios e brasileiros, e com certeza, Maradona está traçando estratégias, jogadas, criações artísticas, caso enfrente os comandados de Dunga, no final possam entoar pela América latina um tango como aquele construído, criado pelo atual técnico Maradona e regido pelo anjo Canigia em 1986.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
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