Archive for the 'Coluna do Meio' Category

A MAIORIA DAS ATIVIDADES NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE SÃO ANTINATURAIS (III)

A Zona Franca de Manaus e a degradação ambiental

Michel Foucault fala da importância das lutas locais ou específicas para fazer fissuras no poder constituído. Pois tá, em Manaus, em vez de se discutirem as questões em torno do falacioso projeto Zona Franca Verde ou da morosidade do Prosamim, por exemplo, as atividades em torno da Semana do Meio Ambiente se dividem ou no desespero global ou em ínfimas soluções inexequíveis. De um lado o buraco na camada de ozônio, o efeito estufa, o aquecimento global, o perigo nuclear; de outro fazer sabão com óleo de cozinha, fazer enfeites e objetos com garrafa plástica, desenhar a estúpida árvore chorona, fazer maquetes para culpabilizar a população pela poluição dos igarapés e outras coisas parecidas. Tudo simulações que servem apenas para desviar as verdadeiras questões ambientais da cidade. Se se quer partir da raiz da questão, como diria Marx, para se falar em degradação ambiental em Manaus, tem-se de partir da instituição da Zona Franca de Manaus (ZFM) em 1967, mas a partir da realização de uma descontinuidade na História do Amazonas, realizando uma linha que traça a genealogia e as tristes consequências da degradação ambiental.

Primeiro Surto da Borracha. Como os manauaras sabem, afora o genocídio dos índios por assassinos sanguinários como Pedro Teixeira e o Marquês de Pombal, onde hoje é o estado do Amazonas foi o último espaço do Brasil a ser colonizado. Só existiam vilarejos até o período áureo da borracha (1879-1912), quando Manaus foi transformada na Paris dos Trópicos. Nesse período foram construídos todos aqueles “prédios históricos” de hoje (a maioria já sem qualquer semelhança com o original): o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Palácio Rio Negro, a Alfândega, etc. A cidade de Manaus, que compreendia apenas o que hoje é apenas o Centro – o Cemitério São João Batista era fora da cidade -, era a cidade mais moderna do Brasil, depois de Belém, é claro. Tinha energia elétrica (o que não era comum na maioria das cidades ainda), bonde elétrico, água encanada, em 1909 foi criada aqui a primeira universidade do Brasil (embora outros estados apontem o mesmo acontecimento com séculos de diferença). Tudo para os barões do látex, enquanto os tapuias estavam pelos matagais matando-se com os últimos indígenas. Até que as sementes de seringa foram traficadas pela biopirataria e o ouro branco jorrou na Ásia. Manaus foi abandonada. Alguns dos barões da borracha estavam tão ricos que não fizeram sequer questão dos seus imóveis na cidade.

Segundo Surto da Borracha. Nos prédios se criaram teias de aranha, começou a falta d’água, o bonde da história quebrou… A cidade de Manaus – assim como todo o estado do Amazonas -, ficou abandonado até a Segunda Guerra, quando o Japão fechou a saída de borracha asiática para a Europa e os Estados Unidos, e os aliados lembraram que havia seringueiras em outro lugar do mundo. Fizeram propaganda e, em três anos, de 1942 a 1945, cerca de 100 mil nordestinos migraram para o Amazonas para trabalhar na extração do látex. Os Soldados da Borracha. Se você perguntar nos bairros, muita gente teve um avô, um bisavô que foi soldado da borracha. Ainda há muitos remanescentes vivos em Manaus que podem relatar essa história. Depois da enganação, até hoje muitos lutam para ter sequer uma aposentadoria com a patente que desempenharam, mas como não têm medalhas para comprovar, só ferimentos…

Terceiro Surto Econômico – Zona Franca de Manaus. Após o fim da guerra, os aliados se desalinharam e a cidade, que já havia se expandido um pouco além do cemitério, virou uma cidade fantasma até que, em pleno recrudescimento da ditadura militar no Brasil, pelo Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, foi fundada a Zona Franca de Manaus, permitindo vantajosos incentivos fiscais e isenção de tarifas alfandegárias para empresas multinacionais.

Os ditadores militares precisam ser julgados não só pelas torturas e assassinatos, mas aqui principalmente pelo crime ambiental que cometeram no Amazonas. Além de deixarem os interiores na sua fantasmagoria, a cidade de Manaus inchou como um cachorro morto caído à rua. Não houve qualquer previsão e controle do aumento populacional e suas consequências. Os trabalhadores-mão-de-obra barata, que vieram de todos os rincões dos interiores e de outros estados que não tiveram o privilégio de uma zona franca, rapidamente ocuparam a beirada dos igarapés centrais e depois se expandiram em invasões. Na verdade, estas invasões ocorreram em áreas que acabaram e acabam sendo indenizadas pelo Estado a senhores que ninguém sabe como conseguiram os títulos de propriedade da terra. Nas zonas Norte e Leste de Manaus, as duas maiores zonas de Manaus, todos bairros foram formados ou por invasões da população necessitada ou por loteamentos de grileiros bem-nascidos, amigos de juízes e governadores.

Os antigos falam dos piqueniques nos igarapés centrais de Manaus, mas como os tirânicos governantes (Gilberto, Amazonino, Eduardo Braga), que des-governam o Amazonas há três décadas, e que sucederam os ditadores pós-ditadura continuaram o crime ambiental, o que se vê aí até hoje são as consequências. Em nenhum bairro de Manaus, seja na periferia ou nos bairros nobres, há saneamento básico. Todos os dejetos, não só geladeira velha, sofá e televisão, mas mijo, bosta, água suja, vão todos para os igarapés. O esgoto do Hotel Tropical desemboca diretamente na Ponta Negra. Talvez as pessoas que se banham, pegam bronze, fazem marquinha não se incomodem, já que, como diria Cazuza, merda de rico é mais cheirosa, pois eles têm dinheiro pra comprar perfume e ninguém vê os coliformes fecais nas fotografias dos cartões postais, ou no orkut.

Manaus, embora com um dos maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do país, sofre com uma miséria galopante e serviços públicos inexistentes ou depauperados. Há muito se sabe que a Zona Franca de Manaus serve mais como ponte aérea do capital de multinacionais, como suporte eleitoreiro de políticos demagogos e, agora mais do que comprovado, como sustentáculo de enriquecimento ilícito de inúmeros agentes públicos corruptos, a começar pela eterna dirigente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Flávia Grosso, que recentemente teve os bens bloqueados pela Justiça federal.

Quem vai querer ir na raiz da questão? Para grande parte da população amazomanoniquim, a ZFM é a garantia de nossos empregos, o maior lema das campanhas eleitorais do estado, principalmente no que diz respeito às campanhas para deputado federal e senador, é: “Pela defesa da ZFM!” Mas a ZFM está sempre fragilizada. É uma patologia congênita recorrente nos surtos antinaturais. Está sempre próxima de um colapso, como agora com a Medida Provisória (MP) 354, que garante a produção de tlabets e displays em outras cidades brasileiras, mas que está impedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas todo ano há uma ameaça para ZFM. Bom para os políticos profissionais, que lucram os dividendos na defesa de um perverso e irresponsável projeto da ditadura militar, justamente porque não tem e nunca tiveram projetos autênticos para o estado do Amazonas, seja para os interiores, seja para a capital.

Como disse recentemente o deputado estadual José Ricardo, uma das pouquíssimas vozes que tem coragem de questionar o modelo ZFM: “Por que depois de 44 anos de ZFM e de quase 30 anos com o mesmo grupo político não se pensou em outra atividade de desenvolvimento para a capital e o interior do Amazonas? Por que não temos fábrica para enlatar pescado e hoje somos obrigados a comprar sardinha enlatada de outros estados? Por que não temos as maiores indústrias de barcos do Brasil? Por que não fabricamos medicamentos e não produzimos mais alimentos? Por que tudo vem de fora? Por que todas as nossas riquezas não são revertidas em prol do povo, como o minério e o gás?”

A resposta é simples: no Amazonas nunca existiram gestores públicos lúcidos quanto mais pensantes e a corruptela da nossa medíocre classe política é o maior problema de nosso ambiente.

COLUNA DO MEIO

.A FRAUDE DA ZONA FRANCA VERDE E OUTROS NEGÓCIOS.

Entre abril e agosto de 2005, aconteceu no Palais de la Découverte (Paris) a exposição Amazonia-Brasil, em comemoraçao ao Ano do Brasil na França. A abertura do evento ficou a cargo do governador do Amazonas com o “Seminário Desenvolvimento Sustentável no Amazonas: da Zona Franca de Manaus à Zona Franca Verde”. O programa foi inventado em 2003 e até hoje a maior parte dos municípios do Amazonas não receberam um centavo dos investimentos anunciados pelo governador. A alavancada marketeira desse governo guardião da floresta veio com a adesão do “Banco do Planeta” — o Bradesco — ao projeto megalomaníaco e desenvolvimentista que se adequa ao que o “Guerreiro de Sempre” chama de “mercado saudável” saudável para os produtos da Amazônia, e que essa “iniciativa” deve ser mostrada para o mundo inteiro.

Ano de 2008, município de Fonte Boa, a 665 Km de Manaus, teve o quarto maior PIB do Estado do Amazonas em 2007. Ao chegar no porto da cidade, encontramos uma placa com os dizeres: “Bem vido a Fonte Boa. A terra do manejo sustentável”. O governador poderia usar como exemplo e mostrar para o mundo esse município, que exibe diversos cartazes sobre o programa Zona Franca Verde, mas que desde 2004 não recebe sequer R$ 1 do Programa Zona Franca Verde. Porém, todos os anos no mês de novembro, quando encerram os trabalhos da pesca manejada, leva a mídia seqüelada para exibir os louros de mais uma conquista. O município e sede da Reserva Extrativista Auati-Parana, próxima da RDS Mamirauá (cuja sede se encontra em Tefé), ambas responsáveis por grande parte da producão pesqueira no período do manejo. Mas, ao conversar com as pessoas, percebemos a recessão e a falta de circulação de dinheiro na cidade, tanto que aqui ainda encontramos as notas de R$ 1, que já foram extintas. Os rapazes se revezam em dois tipos de atividades para conseguir dinheiro e sustentar a família: seu emprego oficial e o trabalho como mototaxista. Outra característica do município nesse período: constante falta de energia. Com isso, as pessoas se acumulam em enormes filas na frente do Correio e do único banco, o “Banco do Planeta”, suportando o calor e a espera. Mas isso não é revelado ao mundo. Esses são os benefícios que o programa mais famoso do estado na atualidade estão trazendo para o município.

As esquipes do Bolsa Floresta já estão na cidade fazendo o cadastramento dos moradores das comunidades. Filas enormes na sede do IDS (Instituto de Desenvolvimento Sustentável) do município — uma junção da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Secretaria). Eles têm a missão de proteger a floresta em pé e para tal empreitada receberão a quantia de R$ 50, como uma tentativa pobre de copiar o Bolsa Família do Governo Federal, que vem melhorando a vida da população brasileira.

A cidade ainda está em clima pós-eleição. Ainda encontramos os cartazes e os números dos candidatos pelos muros e nas portas das casas. Até aqui o prefeito foi reeleito, um candidato do PMDB, que contou com o apoio do “Pequeno Gigante” do PT Oh!, my Darling!, Sinésio Campos, que esteve em Fonte Boa para fazer campanha para o amigo.

Os negócios estão indo muito bem: frigoríficos enriquecem a cada ano de execução do manejo do peixe, o governo estadual, além de arrecadar dinheiro, aumenta seu prestígio midiático nos principais redutos dos “crentes” da preservação do Meio Ambiente, o “Banco do Planeta” aumenta suas reservas. Preservar o Meio Ambiente é o melhor negócio para os próximos anos. A “crise financeira mundial” passou despercebida em Fonte Boa. A noite não tem energia para assistir o Jornal Nacional e muito menos a novela. Crise é uma palavra desconhecida, já que em geral os moradores apenas sonham com aquilo que os indicadores do Pnud e Pnuma chamam de qualidade de vida. Como disse uma das pessoas com quem este bloguinho conversou: “Aqui é assim: as pessoas vão levando a vida com a barriga e é preciso ter muita criatividade pra isso”.

COLUNA DO MEIO

PAAnet — AGRICULTORES FAMILIARES E PROGRAMAS SOCIAIS

Na semana passada aconteceu em Manaus uma oficina sobre a utilização do PAAnet, um sistema que possibilita a participação de agricultores familiares (incluindo pescadores artesanais, extrativistas, silvicultores, aqüicultores, piscicultores, comunidades quilombolas, povos indígenas) no Programa de Aquisição de Alimentos – PAA. O PAA é um instrumento político desenvolvido numa parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)Fome Zero e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, para facilitar a entrada do agricultor familiar ao mercado e a possibilidade de comercializar seus produtos de maneira mais efetiva. Participaram dessa oficina representantes de associações, cooperativas, reservas extrativistas, “comunidades tradicionais”, Ministério do Meio Ambiente, e das instituições promotoras do curso.

Ao utilizarem este sistema os agricultores familiares, por meio de cooperativas e associações, poderão enviar suas propostas ou projetos pela internet para a Conab, que gerencia o envio desses produtos aos beneficiados pelo PAA. Assim, o governo compra produtos desses agricultores e os encaminha a outros programas, principalmente ao Fome Zero e às escolas para serem utilizados na merenda escolar, numa parceria entre a Conab e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para promover a segurança alimentar e nutricional dos estudantes. Os municípios do estado do Amazonas que já foram beneficiados pelo PAA são: Manacapuru, Manaus, Manicoré, Maués, Rio Preto e Tapauá.

O PAA tem cinco anos, desde 2003 vem investindo cerca de R$ 1,5 bilhão na agricultura familiar, como uma das ações do Fome Zero para garantir a possibilidade de consumo de alimentos não apenas em quantidade, mas em qualidade e além disso promover o que o governo chama de inclusão social das famílias que vivem no campo com o fortalecimento da agricultura familiar. Foi instituído pelo artigo 19 da Lei nº. 10.696, de 2 de julho de 2003, e regulamentado pelo Decreto nº. 6.447, de 07 de maio de 2008. E desde então faz parte de um conjunto de estratégias do Fome Zero para atuar na produção de alimentos na agricultura familiar e no abastecimento alimentar da rede de proteção e promoção social.

Ainda se constata o fornecimento e consumo nas escolas públicas de alimentos pobres nutricionalmente, por isso agora a uma das prioridades deste programa é a articulação com as chamadas “comunidades tradicionais” e o fornecimento de sua produção para a alimentação escolar, além de garantir a estabilidade das parcerias para a continuidade e a melhoria no fornecimento dos alimentos.

Em junho deste ano houve um seminário em Brasília para discussão e avaliação do programa. Nesse seminário foi elaborado um documento síntese sobre os cinco anos de existência do programa, suas perspectivas e propostas, que pode ser consultado aqui.

COLUNA DO MEIO

.A ELIMINAÇÃO DO HOMEM E DA NATUREZA PELAS GRANDES EMPRESAS NA AMAZÔNIA.

Em diversos estudos e pesquisas, a grande ameaça do desmatamento na Amazônia está praticamente associado ao trabalho escravo. Dentre os principais executores da destruição da floresta estão as empresas madeireiras, os frigoríficos e a agroindústria, que constantemente lideram as “listas negras” do desmatamento. Porém geralmente ficam excluídos da discussão outros segmentos que se beneficiam dessa situação desde os primeiros saques europeus e o estabelecimento dos colonos.

Houve o deslocamento iniciado na costa brasileira, que ainda nem era brasileira, e foi se interiorizando e cristalizando os traçados das cartas que hoje conhecemos como Brasil. Essa relação não se trata de mais uma fábula das aventuras de Robinson Crusoé, que numa de suas viagens (antes de chegar na ilha deserta onde passou 28 anos sozinho), já desgastado por outros naufrágios, narra a sua chegada traumática ao Brasil e como ele conseguiu deixar a miséria econômica, prosperar, superar as desavenças com os selvagens e estabelecer um negócio lucrativo na agricultura.

Esta semana foi divulgada uma pesquisa, Conexões Sustentáveis São Paulo-Amazônia, que mostra a relação entre o desmatamento da Amazônia, o trabalho escravo e o envolvimento direito e indireto de empresas de São Paulo nesse processo. A pesquisa expõe o caso de 13 organizações que de alguma forma de beneficiam com o desmatamento da floresta Amazônica. São empresas constantemente multadas por órgãos ambientais e diretamente ligadas ao trabalho escravo na Amazônia. São elas:

Pecuária: Quatro Marcos, Friboi, Marfrig, Braslo

Extrativismo vegetal: Tramontina, Indusparquet, Sincol, Metalsider

Extrativismo mineral: Mahle

Soja e outros grãos: Bungue Alimentos, ADM do Brasil, Caramuru Alimentos, São João Alimentos

Apesar das diferenças entre duas regiões equivocadamente consideradas distantes, São Paulo tem uma relação íntima com a Amazônia e as pesquisas que estão aparecendo e as listas negras do desmatamento e do trabalho escravo demonstram ainda que os envolvidos possuem nome, endereço e não são entidades fictícias escondidas atrás das nuvens que impedem os satélites de captarem fotos mais precisas e nítidas das áreas devastadas.

COLUNA DO MEIO

AS ÁGUAS DA AMAZÔNIA

Enquanto muitos discutem sobre quem o é dono da Amazônia ou quem realmente sabe cuidar e tutelar este “menor incapaz”, constantemente abusado por diversos monstros, Les énergies du progrès trazem os ares francófonos na luta mundial para trazer o desenvolvimento econômico e evitar futuros problemas de falta de energia no Brasil. Há os que preferem cavar e tentar restaurar, com constantes ataques de xenofobia, amarrados ao passado glamouroso e jamais vivido, cavam, cavam, cavam, a procura do glamour da Belle Époque debaixo da terra.

Por enquanto os olhares estão atentos ao desmatamento da Amazônia, ao estiloso ministro do meio ambiente e seu desempenho ao tentar conversar com os vilões e negociar um bom preço para “manter a floresta em pé”. E os negócios dão continuidade ao progresso. Em maio passado, o consórcio Energia Sustentável do Brasil venceu o leilão da Usina Hidrelétrica Jirau, no Rio Madeira – Rondônia. O consórcio é liderado pelo Groupe Suez, grupo franco-belga, uma das maiores multinacionais no segmento da energia (elétrica ou gás) e ambiente (água e saneamento), uma antiga conhecida da não-cidade de Manaus. Teoricamente o maior grupo privado gerador de energia elétrica, presta serviços de utilidade pública, como fornecimento de eletricidade, gás, energia, água, administração do lixo. Na América do Sul, se encontra no Peru, Chile, Argentina e Brasil.

O grupo, segundo Dirk Beeuwsaert (da SUEZ Energy International), dispõe de grande experiência que pode proporcionar o desenvolvimento e a construção de novos projetos para Brasil e está empenhado para participar do crescimento do setor energético brasileiro. Mas o objetivo principal é aumentar sua participação nos projeto rentáveis. A Usina Hidrelétrica Jirau é um dos empreendimentos que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), considerado o mais importante para a região como uma estratégia para a geração de energia limpa e renovável. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vibrou com o resultado do leilão e está certo da garantia da energia disponível a partir de 2013, pelo prazo de 30 anos. O PAC realmente é um investimento rentável, pois as estimativas são boas do ponto de vista do desenvolvimento e a geração de lucro para uma multinacional já consolidada no Brasil, atuando há mais de 50 anos.

Na busca pelo negócio rentável, temos como exemplo o trabalho do Grupo Suez/Águas do Amazonas em Manaus, desde 2000, quando assumiu o serviço de saneamento básico e distribuição de água. Foi a primeira privatização do setor de saneamento básico de uma capital brasileira. Disso os xenófobos podem se orgulhar. Mas a gestão à moda francesa se constitui na prática da opacidade, superfaturamento e monopólio não só em Manaus, mas onde suas filiais estão, até em muitas cidades francesas. Onde criou dispositivos para assegurar os lucros previstos pelo grupo, pois qualquer acontecimento político, econômico ou social poderia ser uma ameaça aos seus objetivos. Aqui o experiente grupo instituiu o que chamam de apartheid da água, dividindo Manaus em duas grandes áreas: uma consolidada, com água potável distribuída; outra não regularizada, a periferia onde não tem água e se tivesse as normas de potabilidade não seriam respeitadas.

Os principais opositores deste grande negócio seguem a mesma linha de atuação das ONGs, de alguns chamados movimentos sociais e mídia apocalípticos, tornando-se seus principais investidores. A mídia investe pesado tanto no mercado das notícias sobre pedofilia quanto dos vilões da floresta. A Amazônia continua indefesa. Um grupo de franceses está na região fazendo um documentário para constatar se o Brasil realmente está cuidando do “menor indefeso”, mas há quem acredite que a única forma de resolver o problema do desmatamento e internacionalização é por meio de uma CPI. Já que a palavra de ordem é o lucro, a CPI da pedofilia já alcança este objetivo.

COLUNA DO MEIO

.UFANISMOS E TOTALITARISMOS EM TORNO DA AMAZÔNIA.

A segmentaridade moderna e dura há muito tempo conforma o espaço inventado da Amazônia. A política nesta segmentaridade se faz por meio de “alianças”, sejam partidárias ou não, na qual as decisões compartimentadas tendem à binarização das ações no governo. Mas os diversos setores sociais não compreendem que “um campo social não pára de ser animado por toda espécie de movimentos de descodificação e de desterritorialização que afeta as ‘massas’, segundo velocidades e andamentos diferentes. Não são contradições, são fugas” (Deleuze e Guattari); e que o poder centralizado, no qual o sistema arborescente se encarrega de disciplinar o espaço, composto pelos saberes científicos, políticos, culturais. Por isso, o sistema político funciona como um todo global e não existem lugares isolados, como tentam massificar a mídia e os ambientalistas apocalípticos. O que analisamos em alguns fatos ocorridos neste mês sobre as chamadas políticas ambientais.

O novo ministro do Meio Ambiente, ao contrário da atuação de Marina Silva, que acreditava na impossibilidade de se governar a Amazônia só com ações de comando e controle, o atual ministro, Carlos Minc, ameaça: “Tremei, poluidores!”. Uma afirmação perigosa, infantilizada no discurso do “ambientalista padrão”, para a população de várias cidades brasileiras. Se tomarmos como exemplo a falta de saneamento básico na cidade de Manaus, todos nós, moradores desta cidade que já foi o ciúme de certos políticos, nesta lógica controladora-policial, podemos ser presos a qualquer momento. A questão não é somente esta, é preciso perceber a própria ineficiência de políticas públicas de diferentes segmentos. Em Manaus, por exemplo, a SEMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) persiste na política do enfeite de flores de garrafa PET, está alheia à coleção de esgotos da cidade de Manaus, despejando na “cobiçada-maior-bacia-hidrográfica-do-mundo” todo tipo de dejetos.

Plano Amazonas Sustentável (PAS) ou o novo modelo de desenvolvimento na Amazônia brasileira (abrangendo os 9 estados-membros da Amazônia Legal), lançado do dia 8 de Maio, já começa a apresentar indícios de “tremedeira”, por parte do seu coordenador. Os 16 compromissos assumidos pelo Governo Federal parecem causar estremecimento no ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, que reconheceu limitações na coordenação do PAS. A pasta geral deste ministério, segundo Unger, seria ideal para o controle deste programa grandioso. Mas ao perceber a complexidade da situação, tremeu: “Preciso confiar no patriotismo e generosidade dos brasileiros nesse trabalho de construção coletiva. A causa da Amazônia sustentável, mais do que qualquer outra, é capaz de comover a nação”. Quem espera trabalhar com comoção geralmente não está preparado para trabalhar com a razão.

Amazônia Brasileira tem dono: os brasileiros Os países ricos tentam fazer ingerência na política para a Amazônia brasileira, Lula responde: “O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono e que o dono da Amazônia é o povo brasileiro: são os índios, os seringueiros, os pescadores, somos nós, que somos brasileiros, e que temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, é preciso diminuir as queimadas”. Enquanto isso, o Greenpeace, em mais uma de suas investidas midiáticas, luta pelo clamor do povo ao “Salvem as baleias!”, tentando impor a hierarquia do poder totalitário. Mas parece que estas ONG’s vão enfrentar a resistência não só de Lula, mas até da própria direita, que agora já fala em mais uma CPI, a das ONG’s que atuam na Amazônia. No caso da direita, é claro que é uma defesa de patrimônio particular, haja vista as intenções da bancada ruralista, sem a mínima percepção da importância da floresta, dos rios, dos bichos para a coletividade.

COLUNA DO MEIO

.DOS QUE SÃO CONTRA OS BIOCOMBUSTÍVEIS E A FAVOR DA FOME.

Cientistas e assessores dos governos britânico e francês afirmaram neste mês que o incentivo brasileiro à produção de biocombustíveis pode desequilibrar as negociações dos blocos europeus, devido à queda dos impostos e ao favorecimento de empresas brasileiras, e ameaçar a produção mundial de alimentos. ONG’s reforçam essa declaração, fazendo relatórios e preparando o terreno para de outras formas tentar combater as diversas medidas do governo brasileiro em juntar o combate à fome ao desenvolvimento econômico, desconhecido até então.

A alta dos preços dos alimentos impactou principalmente a América Latina e o Caribe, dizem os jornais de grande circulação. Repare que até o meio do ano passado os causadores desse aumento foram cotados como o aumento da temperatura mundial e o processo de desertificação. Os principais prejudicados seriam os países da África, América Latina e Ásia. Segundo dados de pesquisas britânicas (cujo rigor científico que os próprios europeus impõem é questionável), daqui a 20 anos a comida será escassa devido ao aumento da população mundial. O aumento da demanda já está acontecendo e os milhões de famintos da população brasileira modificam sua condição existencial. O que não se discute é o fato de o mercado se aproveitar de especulações e relatórios publicados prevendo “catástrofes” na Amazônia e no mundo desde o ano passado, que propiciaram alarmes em vários setores mundiais, e o possível aumento de 40% em média dos produtos básicos de consumo. O aumento no preço dos alimentos está relacionado às barreiras alfandegárias e subsídios que os países europeus e os Estados Unidos concedem aos agricultores, tornando os produtos europeus e norte-americanos mais competitivos, causando prejuízo nos países pobres.

Ao londo dos últimos oito anos a situação se modifica. O Brasil não é mais um país miserável e tão insignificante. Agora é uma ameaça, seja à economia francesa, norte-americana e aos grandes países que por muito tempo saquearam o quanto puderam. Agora que o brasileiro acrescentou mais itens na sua cesta básica, o mercado não foi capaz de suprir as necessidades dessas transformações, pois “o mundo não está preparado para ver milhões de africanos, asiáticos e brasileiros comerem três vezes ao dia”, reforçou Lula num discurso em Brasília. O relatório divulgado na Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) mostra que a diferença entre os países ricos e pobres está diminuindo, passou da proporção de 20 para 1 em 1990 a 16 para 1 em 2006.

A atual “crise” que se acredita acontecer por causa do crescimento de países como o Brasil ameaça a hegemonia dos países ricos, como por exemplo a França, onde a preocupação número um da população é o aumento do poder aquisitivo, prometido por Sarko. A tentativa de categorizar a produção brasileira de biocombustível como principal causa da fome mundial atesta que as mudanças e o desenvolvimento que vêm ocorrendo na América do Sul, diferente de como o bloco europeu atuou durante muito tempo, não são bem vindas pelos países ricos. Possivelmente porque o governo brasileiro e iniciativas dos países sul-americanos demonstram que não é preciso impor uma política esmagadora e imperialista para se desenvolver.

Ao que tudo parece, tem muita gente contra os biocombustíveis, assim como muita gente a favor da fome. Ao que tudo indica são os mesmos.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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