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A IMPRENSA ESPORTIVA E A INTELIGÊNCIA DO JOGADOR

A inteligência é a faculdade de organizar os estímulos recebidos pelo sistema nervoso, transformando-os neurologicamente numa “interpretação” dos arredores e do mundo em si. Inteligir significa organizar e compreender o mundo onde se vive. Daí poder se afirmar que todas as pessoas são intelectuais. Dominam esta capacidade, mesmo aqueles que são considerados pela medicina e pelo senso comum, portador de necessidades especiais.

No ‘mundo’ futebolístico, predomina um enunciado social do chamado senso comum: o jogador de futebol é, invariavelmente, desprovido de intelecto. Equívoco neurológico, e discriminação de classe. É evidente que os jogadores de futebol não são mais ou menos inteligentes que ninguém. A questão é que eles não carregam os signos constituídos da classe média, mesmo que eventualmente algum deles se destaque no paupérrimo futebol brasileiro, e consiga a ascensão financeira, que nem sempre vem acompanhada, de imediato, da ascensão social.

A imprensa esportiva, quando entrevista um jogador, adora expôr esse ódio de classe. Os jogadores, se são medianos com a bola no pé, com o microfone são ainda piores. Sintoma de uma educação que não vivifica e não auxilia na produção de dizeres produzidos a partir da razão, e de uma sociedade segregadora, a qual se reflete no futebol. Daí a imprensa esportiva cair no seu próprio engôdo: se considera superior intelectualmente aos jogadores.

O DRIBLE DOS ‘ESTRANGEIROS’ E O COMPLEXO DE INFERIORIDADE DO FUTEBOL BRAZINIQUIM

Quando um jogador brasileiro vai trabalhar na Europa, acaba adquirindo, em maior ou menor grau, alguns elementos de ordem dos signos constitutivos da chamada ‘boa educação’. Em alguns casos, como o de Raí, por exemplo, há um envolvimento autêntico e efetivo com as artes, com a cultura artística e social do local (Raí viveu em Paris por vários anos), que auxilia o jogador-cidadão a compreender, pelo movimento de reflexão, outros mundos possíveis, o que lhe permite compreender mais amplamente aquele de onde saiu. O mesmo não aconteceu, por exemplo, com o bom menino Kaká, que mesmo em contato com outras ambiências – e algumas nem tanto… – não conseguiu ultrapassar o enunciado patricarcal-familialista-dogmático, embora ainda sonhe ser Raí. Ou Robinho, ou Luís Fabiano… Estes não fizeram bons encontros, não produziram outras afecções com o corpo Europa.

Daí a tranquilidade mediocrizante da imprensa esportiva: é possível manter, com esses jogadores, o jogo do não-jogar. As mesmas perguntas, as mesmas respostas: nenhuma, nem outra. Jogam na Espanha, Itália, Inglaterra, mas jamais saíram do Brasil.

No entanto, quando a imprensa encontra um jogador que não aceita este não-jogo, que sabe articular as palavras, emitir uma sentença que expresse uma operação cognitivo-epistemológica simples, mas resultado de sua ação e reflexão no mundo, quem dança e leva um drible desconcertante é essa mesma imprensa. Foi o caso do jornal Diário do Amazonas, de ontem, segunda-feira, em sua manchete esportiva:

ESPANHÓIS SE COMPARAM A BRASIL E ARGENTINA”

A reportagem foi feita a partir de uma declaração do atacante espanhol Fernando Torres:

A seleção [espanhola] tem fome de títulos. Vamos ver até onde chegamos. Os adversários vão nos conhecendo, querem fazer marcações individuais e, por isso, fica mais difícil ganhar as partidas. Para eles, vencer a Espanha é como era antes bater Brasil ou Argentina

Drible epistemológico de Fernando Torres na redação do esportivo manoniquim – e em quantos mais tenham errado na interpretação do texto, matéria de 1a série do ensino fundamental, o que vale é que o jornal repetiu o erro. Fernando Torres compreendeu que o futebol mudou, menos para a Espanha, que exprime em sua seleção e com o time do Barcelona, ocasionalmente, a fusão entre o belo futebol (haverá outro? Cremos que não.), a ofensividade e a efetividade. Não por acaso, o clube catalão conquistou a tríplice coroa encantando os olhares mendicantes do bom futebol, e a Espanha transformou o combalido torneio da Eurocopa em um festival das belas artes com a bola nos pés.

Coisa que brasileiros e argentinos há muito não o fazem, nem com Dunga, nem com Maradona, como bem observou o atacante espanhol, e que não sacou o jornal. Deficiência intelectiva, demonstrada pela incapacidade de coordenar e organizar o real para além das armadilhas dos clichês.

Neste ponto, o jornal pode respirar aliviado, ao menos. Está no mesmo nível que a rede Globo, quando faz sempre a mesma pergunta para um sorridente Robinho, Luis Fabiano ou Kaká, recebendo, invariavelmente, a mesma resposta. O telespectador, irônico, sorri.

O BARULHO DOS AFRICANOS E O SILÊNCIO DOS ‘BOLEIROS’

A relação do homem com o tempo não é uma relação direta. É necessário ao homem, para suportar o real, estabelecer com ele uma relação de territorialidade: organização dos signos e elementos (corporais e incorporais) de modo a estabelecer não uma referência de ordem estática (identidade, pertencimento), mas uma linha a-significante, que no entanto remete a uma territorialização que permite o estabelecimento de um modo de existir, em toda a sua complexidade.

A cultura africana têm, entre diversas outras culturas, uma relação de proximidade e intimidade singular com os sons e ritmos. Longe de um mimetismo da natureza, assim como os povos nativos da Amazônia, por exemplo, os africanos compõem com os objetos novas formas e corpos, outros afetos e perceptos. Um organizador semiótico que produz territórios existenciais, que diferentemente de uma identidade ou de uma subjetivação, não é estática e nem pode ser capturada. Daí a explosão transbordante dos sons africanos em todos os outros continentes, com toda a complexidade e riqueza: os atabaques e os orixás que o digam…

O SOM QUE INCOMODA O MERCADO DA BOLA

Em meio a um torneio caça-níqueis, menos futebolístico que financeiro, são elas que estão em voga: as vuvuzelas. Não que sejam novidade no mundo do futebol. Desde a década de 60 elas estão aí, pelos estádios. Mas, com a força do capital, chegaram à África e compuseram com a musicalidade dos africanos uma poderosa melodia.

Contam que jogadores, técnicos e equipes de tevê e rádio presentes à África do Sul têm reclamado do barulho ensurdecedor das vuvuzelas, sopradas desde antes até muito depois das partidas da Copa das Confederações. Mais ainda quando um time do continente, como o Egito, apronta, como o fez, para cima de Brasil e Itália.

Estranhamento em realidade estranho, se considerarmos que outros “ruídos”, bem mais daninhos ao futebol e aos jogadores são ignorados ou bem suportados. Os jogadores, submetidos ao ritmo alucinante de treinamentos, concentrações, confinamentos, pressão física e psicológica, alterações de fuso horário, rotina determinada por outrem, sem direito a férias, jogando um torneio posicionado cirurgicamente nas semanas que sucedem o término da anterior temporada européia (onde jogam a maioria deles) e precedem a seguinte. Nenhuma reclamação. Igualmente, o ruído estranho ao futebol como produção ludoestética do homem, ao transformar o jogo em mercadoria, tentando interditar o intempestivo. O anódino circo do futebol se incomoda com um objeto que faz parte do bestiário deste mesmo mercado (alguém levou as ‘vuvuzelas’ para a África com o claro intento de lucrar), e que encontrou numa composição entre objeto e humano, uma produção de som que transborda a ordem do futebusiness. Por que os jogadores não se incomodam com o estranho ruído do silêncio que é a ausência do futebol (e a presença saturada do negócio, do futebusiness) num torneio internacional de seleções? Por que à imprensa esportiva não incomoda o silêncio dos jogadores das chamadas grandes potências (Brasil, Itália), mais preocupados com o gerenciamento da carreira, e que encaram o torneio como uma obrigação contratual, em contraposição aos jogadores, por exemplo, de um Egito, que correm, brigam e se entregam à disputa do jogo sem a intromissão de elementos exógenos?

Enquanto os ‘boleiros’ não ouvem o ensurdecedor silêncio do futebol que lhes falta, terão de se contentar em se incomodar com as vuvuzelas. Pode ser que, em termos de espetáculo, só reste ao torcedor mirar a alegria dançante e contagiante da torcida africana, ainda que seja pelo mistificado olhar do pseudo-antropólogo do exótico.

BRASIL x EGITO: O JOGO E A LÓGICA DO LUCRO

O técnico Dunga e a imprensa esportiva epistemologicamente reduzida comemoram a vitória, agora há pouco, do Brasil sobre o Egito, por 4 a 3. O que é objeto da atenção e da comemoração é o placar da partida, que indica os três pontos conquistados, necessários à obtenção do título, objetivo principal da seledunga. Mas a semiótica adotada pelo escrete nada tem a ver com o futebol enquanto jogo…

Na lógica do capital, o que vale é o lucro. A qualquer preço. Por isso, o produto, no mercado capitalista, tem seu valor determinado menos pela necessidade social que se tem dele do que por uma relação de flutuações entre a demanda e a oferta. Laminado pelo valor/equivalência geral – o dinheiro, o produto deixa de ser produto, para o capitalista. Tanto faz uma cadeira, um saco de farinha, uma enfiada de jaraquis, tudo, para o capitalista, é um meio para se chegar a um fim: o lucro.

Assim, na corruptela do futebol, engendramento teratológico surgido da financeirização do mundo da bola, a que chamamos futebusiness, a lógica do lucro coaduna com a lógica do título. Igualmente, a qualquer preço.

Assim, depois de não ter compreendido a derrota de um futebol vistoso, na Copa de 1982, a imprensa esportiva e parte dos grupos econômicos envolvidos com o futebol passaram a perseguir – ainda mais vorazmente – o título mundial para o futebol brasileiro. O que culminou com o fatídico título de 1994, quando o futebol foi enterrado a sete palmos abaixo de terras norte-americanas, sob um escaldante verão, numa final, pela primeira vez na história, decidida nas penalidades máximas, depois de entediantes 120 minutos de tortura. O que a imprensa chama de consagração da geração do volante Dunga, foi na realidade o estabelecer da lógica do lucro dentro das quatro linhas. Não importa o valor em si do objeto (no caso, o futebol, como expressão lúdica ético-estética do jogar humano), mas sim a sua fetichização, transformado em simulacro do desejo territorializado na taça do mundo. Vencer uma copa do mundo de futebol, sem que nela tenha havido futebol.

TINHA UMA ESPANHA NO MEIO DO CAMINHO…

Não se trata, evidentemente, de personalizar a redução do futebol à ordem paranóide do capital, atribuindo-a à Dunga. Ele é apenas um sintoma, um corolário, resultante de décadas deste processo, que já vinha ocorrendo desde antes do tempo em que o jovem João Havelange cunhou a frase “vim aqui para vender um produto chamado futebol”. Dunga, como Parreira e tantos outros, é resultado desta subjetividade intercessora.

Não fosse a tibieza dos adversários, a seleção brasileira comandada pelo ex-volante do Internacional não iria longe. Porém, no vácuo da ausência da potência criadora no futebol mundial, sobretudo nas seleções nacionais (ainda o território onde os signos compósitos do que é o futebol em nível internacional se encontram), as vitórias – sempre com o futebol ausente – foram dando um status de grande empreendimento. Mesmo adversários de mesmo nível técnico (ou superior), como Argentina e Itália, pouco puderam, já que o país do belo futebol havia aprendido bem, nos 24 anos de ‘seca’ de títulos internacionais, como anular a potência do jogo em favor da lógica do lucro (=título) a qualquer preço. A Dunga non le gusta el Samba, estampou o diário esportivo Ovación, dias antes da goleada sofrida pela sofrível seleção uruguaia diante do selecionado amarelo. Nem os quatro gols contrariaram a sentença.

Se o problema da seleção uruguaia é viver à sombra da geração de Obdulio Varela, a brasileira atual é vítima do fantasma de seu passado. Embora a estrela do atual escrete, Luís Fabiano, não saiba quem foram os jogadores que levantaram a taça do mundo em 1958, não obstante eles – e o futebol mágico apresentado – existiram. Daí que o discurso de que o futebol não pode aliar beleza e efetividade ser impossível como materialização no real, e só ficar na idealização marketística.

Pior: havia uma Espanha no meio do caminho. Com um futebol exuberante, que se mostrou clubisticamente no Barcelona desta temporada, os espanhóis mostraram que é possível unir talento e eficiência, e varreram a sisudez do futebol burocrático do mapa europeu. Barcelona e Espanha têm, até aqui, como diziam os antigos cronistas, jogado por música. Tudo o que a platéia, que nada tem de passiva, queria. Os espanhóis mostraram que é possível vencer campeonatos sem abrir mão da potência ofensiva e da beleza do esporte enquanto jogo. O que menos importa é o placar, e mesmo àqueles a quem ele importa, bem, a Fúria foi campeã européia inconteste, e mesmo mudando de técnico, manteve a base e o modo de jogar. Nada a ver com o Brasil de Dunga, nem mesmo com a Argentina de Maradona, que tenta, até agora em vão, ‘espanianizar’ a Albiceleste.

Daí o placar da partida entre Brasil e Egito não refletir exatamente o que foi o jogo. Reflete o produto vendido: a vitória vendida como a essência. Mas nada do Belo futebolístico. Nem mesmo do Egito, que tem fraquíssimo time, mas que pelo menos aceitou entrar no jogo para além da lógica do lucro: correu, suou, sacrificou-se, tocou a bola e chutou quando possível, mesmo sem brilhantismo. É também uma espécie de beleza. Do lado brasileiro, a apatia predominou, e não fossem duas jogadas ensaiadas (o que seria do futebol burocrático sem as bolas paradas?), não haveria vitória. Jogo, não houve. Somente um time mostrou disposição ao embate. O outro não era time; era um produto, que bem vendido, pode garantir mais uma compra eficiente com lucro garantido: mais uma taça para o quadro.

Isso, é claro, se uma Espanha não pintar pelo meio do caminho…

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ELIMINATÓRIAS DA COPA DO MUNDO – AMÉRICA DO SUL E NOTAS

SUFREAFRICA 2010”

A manchete do diário eletrônico Olé resume bem a situação da Albiceleste nas eliminatórias. Embora tenha jogado un poquito mejor que na partida do final de semana, parece que os portenhos andam mais para portunhol do que para o castellano com a pelota nos pés. Depois de perder um penal e um gol (quase) imperdível, o time não ficou nisso e perdeu também a partida. A situação é tão ruim que a imprensa local faz as contas: com quatro rodadas para o final, e apenas dois pontos à frente do sexto colocado – o primeiro eliminado da copa 2010 – a seleção tem pela frente Brasil (em casa) e Paraguai (fora), enquanto o Equador, rival direto pela vaga, terá Colômbia e Bolívia. A Argentina fecha a sua participação contra Peru e Uruguai.

PARAGUAI, AH, PARAGUAI…

No duelo dos líderes, o Paraguai fez um primeiro tempo melhor que o Brasil, e poderia sair com melhor resultado, não fosse a cochilada de sua zaga, que até então não vinha dando chances aos brasileiros. O ex-gordito Salvador Cabañas atazanou a defesa brasileira, acabando com os argumentos de que se trata de uma das melhores do mundo, e cansou de perder oportunidades. O selecionado brasileiro, mais burocrático, e com a cara do futebol do clone de Parreira, fez apenas o suficiente para vencer: um gol a mais. Mas, para variar, o futebol, ainda que pouco, ficou do lado dos tricolores.

CURTAS DAS ELIMINATÓRIAS DA EUROPA

Enquanto a Holanda está classificada com 100% de aproveitamento no seu grupo, Portugal parece ver a vaga cada vez mais longe. Apesar da magra vitória sobre a Albânia, o time vê a Dinamarca liderar o grupo e está em terceiro, atrás da Hungria, e ainda conta com a Suécia nos seus calcanhares. Em seus respectivos grupos, Inglaterra, Alemanha e Espanha precisam apenas de mais uma vitória para se garantir no mundial. República Tcheca, surpreendentemente está quase fora, enquanto que uma sofrível França deve se classificar.

Confira a rodada 14 das eliminatórias sudamericanas, a próxima rodada e a classificação:

Rodada 14

Equador 2–0 Argentina

Colômbia 1–0 Peru

Brasil 2–1 Paraguai

Venezuela 2–2 Uruguai

Chile 4–0 Bolívia

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Rodada 15: 05 e 06/09

Chile – Venezuela

Peru – Uruguai

Paraguai – Bolívia

Colômbia – Equador

Argentina – Brasil

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Classificação:

Brasil – 27

Chile – 26

Paraguai – 24

Argentina – 22

Equador – 20

Uruguai – 18

Colômbia – 17

Venezuela – 17

Bolívia – 12

Peru – 07

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COPA DAS CONFEDERAÇÕES

O torneio, organizado pela FIFA, e que serve de “teste” para o país que sedia a próxima copa do mundo, começa neste final de semana. Reúne os campeões das copas continentais, mais o país sede. Os selecionados estão divididos em dois grupos, e os jogos desta fase ocorrem neste final de semana e no próximo. Abaixo, a tabela de cada grupo:

Grupo A:

África do Sul

Espanha

Iraque

Nova Zelândia

Jogos:

14/06

Iraque – África do Sul

Nova Zelândia – Espanha

17/06

Espanha – Iraque

África do Sul – Nova Zelândia

20/06

Iraque – Nova Zelândia

Espanha – África do Sul

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Grupo B:

Brasil

Egito

Estados Unidos

Itália

Jogos:

15/06

Brasil – Egito

Estados Unidos – Itália

18/06

Estados Unidos – Brasil

Egito – Itália

21/06

Itália – Brasil

Egito – Estados Unidos

O CAMPEÃO DA MORAL KAKÁ E A AMANTE TORCIDA DO MILAN

O mito do amor eterno se desfaz quando a fascinação, névoa a-filosófica, se desfaz, revelando a má fé dos amantes. O filósofo Sartre, em sua análise fenomenológica/existencial das relações do homem, aponta que o amor, nos tempos do capital, surge como uma relação de tentativa – em vão – de ocultação e escamoteamento da liberdade sob o véu da ilusão do querer do outro.

Assim, numa mesa de restaurante, a mulher sabe bem o que o seu pretendente quer – e não é ela -, mas precisa, a fim de completar a fantasia, necessária ao malogro de si, acreditar piamente que é desejada. O homem, para conseguir realizar o ser escamoteado da moral social que carrega, efeito sem jamais poder ser causa, precisa igualmente acreditar que a mulher acredita estar sendo seduzida. Enganando um ao outro, alcançam o objetivo do malogro e da má-fé: enganam a si mesmos. Apoteoticamente, caem as ilusões e resta a insuportável consequência de uma vida falseada. Às vezes, vivida durante décadas.

Assim a amante torcida do Milan caiu nos galanteios do imberbe Kaká, que hasteou a camisa 22 rossonera na janela de sua casa no início deste ano, quando mostrou que acredita na máxima do capitalismo (todo homem tem seu preço) e balançou diante dos petrodólares do Manchester City. Como o amante, que em meio a mil juras eternas à única amada, não resiste aos negaceios eróticos da outra, Kaká suou mais que Cristo no Gólgota, mas resistiu à tentação (resistiu?). O problema, para ele, na época, foi dogmático-teológico: pecar em pensamento, para a doutrina cristã paulina, é também pecar.

Mas a torcida do Milan (e a imprensa brasileira), embotados que são pelos signos-clichê que carrega o campeão da moral, Kaká, preferiram não ver que o amante ideal, marido perfeito e cumpridor das obrigações celestiais flertou.

Da torcida milanesa, não se esperava muito: quem crê em Berlusconi pode muito bem ser enganado por Kaká, e a mesma torcida que endeusou o clone do Bebeto, hostilizou o zagueiro Paolo Maldini, mais de duas décadas vergando a camiseta do clube, capitão honorário, e que foi humilhado na sua despedida duplamente: pelo Roma, que venceu a partida, e pela própria torcida, que o chamou mercenário. Coisas, certamente, do futebusiness, não do futebol.

Kaká vai para um clube que carrega signos semelhantes a ele: o Real Madrid, profundamente identificado com o ideário fascista da ditadura de Franco, aglutinador da torcida da direita política espanhola, manipulador do mercado da bola a ponto de usar um jornal esportivo da capital espanhola como fonte de factóides a fim de desestabilizar clubes e jogadores (o Kaká luso, Cristiano Ronaldo, que o diga). Não por acaso, José Maria Aznar, o presidente espanhol que enviou tropas ao Iraque, que confraternizou com Bush Jr, e que nos atentados no metrô de Madrid tentou, em vão, manipular as informações em proveito próprio, torce pelo Real, enquanto o atual presidente, Zapatero, de esquerda moderadíssima, torce pelo Barcelona. Kaká, como no Milan de Berlusconi, troca de camisa sem trocar de ambiência. A Europa, que elegeu como o mais votado o próprio Berlusca ao parlamento continental, que o diga.

Kaká, como o bom burguês, o amante da comédia de costumes bem ao estilo burlesco, não faz por menos, e repete o seu papel. Diante da amada traída, afirma ainda a fantasia psicopatológica, e diz que a relação acaba, mas o amor é eterno. São os ossos do ofício, os males do profissionalismo, dirão alguns. Até mesmo o ingênuo Edson Arantes do Nascimento, que como Pelé inaugurou a era dos jogadores marketistas, foi driblado pela sanha capitalística do futebusiness: também ele acreditou nas juras de amor eterno do futuro pastor da igreja Renascer.

Mas se agora se fala em profissionalismo, em necessidade, em modernismo no futebol, onde estava a inteligentsia da mídia esportiva quando Kaká, há pouco menos de seis meses, afirmava não aceitar (enquanto o pai e agente se reunia com os representantes do time anglo-oriental) sair do Milan por dinheiro algum, e que pretendia fazer toda a sua carreira no clube rossonero?

Para esta mídia, nostálgica da virgindade perdida, e eternamente à procura do malogro do amor do capital, e para a torcida milanesa – como de resto, também a torcida merengue, novo alvo dos galanteios do galã imberbe – resta o cancioneiro popular, repleto de loas à mágoa de ser infiel a si mesmo, insuportável consequência das armadilhas que certas existências preparam para si mesmas:

Vá embora,

Pois me resta o consolo e a alegria

De dizer que depois da boemia,

É de mim que você

Gosta mais”.

*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

ELIMINATÓRIAS DA COPA DO MUNDO – AMÉRICA DO SUL

Embora endeusado atualmente como o elemento principal determinante do sucesso ou fracasso de um time, o técnico, ao menos no caso dos selecionados nacionais, não parece ter grande influência. Fato é que a seleção brasileira é a cara do técnico Dunga, e é a exaltação maior do não-futebol da década de 90, culminante no título de 1994. Mas o que dizer da Argentina? Com jogadores individualmente considerados superiores aos brasileiros, e com um técnico amante do ataque e do bom futebol, o time não consegue engrenar. Enquanto o feio futebol da seleção brasileira vai na contramão da história (Barcelona e Espanha que o digam…), do lado dos portenhos, a coisa não parece funcionar. No mais, o vexame uruguaio e a derrota do Paraguai para o Chile dominaram o cenário desta 13a rodada das eliminatórias. Brasil e Paraguai lideram, empatados em pontos. Chile e Argentina abiscoitam as outras duas vagas, enquanto o Uruguai vai levando a da repescagem, empatado com o Equador. Confira os resultados e a próxima rodada:

Rodada 13:

Uruguai 0-4 Brasil

Bolívia 0-1 Venezuela

Argentina 1-0 Colômbia

Paraguai 0-2 Chile

Peru 1-2 Equador

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Rodada 14: 10/06/2009

Equador – Argentina

Colômbia – Peru

Brasil – Paraguai

Venezuela – Uruguai

Chile – Bolívia

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CAMPEONATO BRASILEIRO – SÉRIE A

Novidade mesmo nesta quinta rodada do Brasileirão, só o empate entre os dois times que esta coluna aponta como favoritos a levantar o caneco: Cruzeiro e Internacional ficaram no 1 a 1, e se o Colorado perdeu a eficiência de 100%, ao menos manteve-se invicto, e não saiu no prejuízo ao empatar com o Cruzeiro em pleno Mineirão. Do lado dos paulistas, enquanto o Corinthians se reabilitou diante do debilitado Coritiba, o Palmeiras venceu o Vitória e o São Paulo não passou de um empate insípido contra o Avaí. Já o Leão sabia que imperador Adriano, só mesmo o sábio estóico. O resto é plágio: não contou conversa, e devorou o Mengão na bela Recife. Resultados e classificação:

CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE A

5A RODADA

Grêmio 3-0 Náutico

Santo André 3-3 Santos

Corinthians 2-0 Coritiba

Atlético/PR 0-4 Atlético/MG

Palmeiras 2-1 Vitória

Sport Recife 4-2 Flamengo

Avaí 0-0 São Paulo

Cruzeiro 1-1 Internacional

Fluminense 1-0 Botafogo

Goiás 2-2 Barueri

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CLASSIFICAÇÃO GERAL

Internacional – 13

Atlético/MG – 11

Vitória – 09

Santos – 09

Náutico – 08

Palmeiras – 08

Fluminense – 08

Grêmio – 07

Corinthians – 07

Flamengo – 07

Cruzeiro – 07

São Paulo – 06

Goiás – 06

Santo André – 06

Sport Recife – 05

Barueri – 04

Avaí – 04

Botafogo – 03

Atlético/PR – 01

Coritiba – 01

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.. – Zona Libertadores.

.. – Zona Sulamericana.

.. – Zona Rebaixamento.

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CAMPEONATO BRASILEIRO – SÉRIE B

Ninguém consegue parar o Bugrino na série B. O time foi à Santa Catarina e não respeitou o Figueirense em casa. Já o Vasco empacou, repetindo a finalíssima do Brasileirão com o São Caetano, desta vez sem Eurico e sem desabamento de arquibancada. O placar não saiu dos dois bocejos. Ipatinga e Brasiliense também tropeçaram, e tudo está embolado neste início de certame. Confira os resultados e a classificação.

CAMPEONATO BRASILEIRO SÉRIE B

5A RODADA

Bragantino 1-1 Ipatinga

Juventude 0-1 Paraná

Figueirense 0-1 Guarani

Vila Nova 1-0 Ceará

Fortaleza 1-1 Duque de Caxias

Campinense 2-1 Atlético/GO

Bahia 4-0 ABC

América/RN 2-1 Brasiliense

Vasco 0-0 São Caetano

Ponte Preta 5-2 Portuguesa

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CLASSIFICAÇÃO GERAL

Guarani – 15

Ipatinga – 10

Bahia – 10

Vasco – 10

Vila Nova – 10

Brasiliense – 09

América/RN – 09

Ponte Preta – 08

Portuguesa – 08

Figueirense – 07

Bragantino – 07

Atlético/GO – 07

Duque de Caxias – 07

Paraná Clube – 07

Juventude – 04

São Caetano – 04

Campinense – 03

ABC/RN – 03

Ceará – 02

Fortaleza – 01

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.. – Zona de Acesso.

.. – Zona Rebaixamento.

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CAMPEONATO AMAZONENSE 2009

Encerrada a fase de returno do Amazonense, já conhecemos os semifinalistas que disputarão o direito de ir à final da segunda etapa do certame, disputando uma vaga na série C, na Copa do Brasil 2010 e na finalíssima, contra o Nacional. Rebaixados para a segundinha baré, temos o Rio Negro (de novo!) e o Holanda. O Galo já havia sido rebaixado no ano passado, e este ano nem deveria estar na primeira divisão, mas graças a um trampolim da cartolagem local, o clube conseguiu disputar no mesmo ano (2008) a primeira e a segunda divisões, retornando em 2009. O que o tapetão dá, o campo tira. Rio Negro de volta à segunda divisão. A surpresa do returno foi o Ameriquinha, que sagrou-se campeão do grupo 1, e disputa uma vaga na final contra o Princesa do Solimões, enquanto Nacional e Fast fazem o clássico na outra semifinal. Os jogos são apenas em turno, e os vencedores fazem a final do returno no dia 21 deste mês.

CAMPEONATO AMAZONENSE

2O TURNO

5A RODADA

América 1-0 Holanda

Penarol 1-3 Nacional

Princesa 3-0 Rio Negro

Fast Clube 2-1 São Raimundo

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Semifinais 10 e 14/06

Fast Clube – Nacional

Princesa do Solimões – América

CAMPEONATOS AMÉRICA DO SUL

CLAUSURA ARGENTINO 2009

Devido aos jogos das eliminatórias da copa, a rodada 17 do Clausura só ocorrerá no próximo sábado.

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CLAUSURA URUGUAIO 2009

A última rodada do clausura uruguaio acontece no próximo domingo.

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CURTAS NEM SEMPRE DO MUNDO DA BOLA

MÉXICO GANHA DA CONMEBOL CINCO VAGAS PARA A PRÓXIMA LIBERTADORES

Chivas e San Luís, times que foram retirados das oitavas-de-final da Libertadores H1N1, estão garantidos diretamente na mesma fase do torneio do ano que vem. Além deles, as três vagas destinadas aos representantes daquele país estão também garantidas. Longe do senso de justiça que se quis fazer aparecer pela Conmebol e pela FMF, a questão reside nos direitos de transmissão dos jogos para a América do Norte. A Fox é a principal patrocinadora da Libertadores, e sem a presença mexicana, o torneio ficaria financeiramente inviável. Nada de futebol envolvido. De qualquer sorte, o principal torneio intracontinental da América do Sul tem como critérios muito menos a origem geopolítica dos clubes do que os interesses do capital que o alimenta.

COPA DO BRASIL

Semifinais:

Semifinais

Vasco da Gama 1-1 Corinthians (Ida)

Corinthians 0-0 Vasco da Gama (Volta)

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Internacional 3-1 Coritiba

Coritiba 1-0 Internacional

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FINALÍSSIMAS

17/06 e 01/07

Corinthians – Internacional


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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BLOG PÚBLICO

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