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CONSUMO DE DROGAS PSICOATIVAS AUMENTA NO MUNDO

da Agência Brasil

Um relatório lançado hoje (5) pela Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) mostra de forma regionalizada a situação das drogas lícitas e ilícitas em diversas partes do mundo. O material, que corresponde ao ano de 2012, ajudará a entidade a cumprir seu papel de contribuir para implementação das convenções internacionais da Organização das Nações Unidas para o controle das drogas.

Em termos mundiais, o estudo mostra um aumento de admissões em salas de emergência e de ligações para centros de toxicologia em decorrência de novas substâncias psicoativas. Entre elas, muitas drogas legais e as chamadas designer drugs – drogas cujas fórmulas químicas são ligeiramente alteradas para evitar o enquadramento delas como substância ilícita, mas que mantêm o seu princípio ativo.

Há, segundo a Jife, centenas de designer drugs sendo vendidas com facilidade na internet. A tendência é que esse tipo de droga cresça de forma constante. A Jife informa que essas substâncias representam uma ameaça à saúde pública e que são necessárias ações conjuntas dos países para prevenir sua fabricação, tráfico e uso.

Apesar de, nos últimos anos, o uso de drogas ilícitas ter se estabilizado na Europa, ele ainda se mantém em nível considerado alto e o grande desafio do continente é o consumo das novas substâncias psicoativas. O número de sites que vendem essas drogas para países da União Europeia aumentou mais de quatro vezes em dois anos. A Jife contabilizou 690 sites desse tipo em janeiro de 2012.

Segundo o relatório, a área total de cultivo de coca na América do Sul diminuiu em 2011 em comparação com o ano anterior. No entanto, a Jife considera “motivo de preocupação” o fato de as grandes apreensões de maconha indicarem “aumento significativo” da produção de cannabis na região.

América Central e Caribe continuam sendo grandes áreas de trânsito para o tráfico da cocaína sul-americana na direção da América do Norte, que permanece como o maior mercado de drogas ilícitas do mundo e a que tem maiores índices de mortes relacionadas a ela. Lá, aproximadamente uma em cada 20 mortes de pessoas entre 15 e 64 anos está relacionada a drogas.

O tráfico de drogas tem, segundo o relatório, “efeito desestabilizador” na segurança regional das áreas sob sua influência. É o caso do México, onde mais de 60 mil pessoas foram mortas desde 2006 como resultado da violência relacionada a elas.

A maconha se mantém como a droga mais cultivada, traficada e usada no continente africano, mas estimulantes do tipo anfetamina são considerados pela Jife como “a mais nova ameaça na região”. O relatório aponta também aumento no abuso de cocaína na África Ocidental. Nos últimos anos, a região passou a ser rota de narcóticos, com destaque à cocaína vinda da América do Sul, com destino à Europa.

De acordo com a Jife, o Sudeste Asiático é um centro de fabricação ilícita de estimulantes como anfetamina e metanfetamina. A região foi responsável por quase a metade das apreensões desse tipo de droga, feitas em todo o mundo.

Junto com o leste do continente, esta é a segunda maior área de cultivo de papoula de ópio, com um quinto de toda a produção global, atrás apenas da Ásia Ocidental. O maior produtor continua sendo o Afeganistão. A apreensão de estimulantes ilícitos como cocaína e metanfetamina aumentou 20 vezes, entre 2001 e 2010, na Ásia Ocidental.

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ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU) RECONHECE O DIREITO DE BOLIVIANOS DE MASTIGAR FOLHA DE COCA

A Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu que o fato do povo boliviano mascar folha da coca é um fator cultural proveniente dos custumes deste povo.

O “acullico”, como é chamado, é usada para fins medicinais e rituais indígenas, assim como outras formas de preparo medicinal da folha (como em chá), sem contar o uso industrial da folha para fazer calçados e outros produtos.

A ONU afirma que este reconhecimento passa a vigorar no dia 10 de fevereiro. Porém o interessante é que esta prática milenar dos povos andinos só seja reconhecida agora. Aparentemente a ONU busca cada vez mais se desvencilhar das garras dos membros mais reacionários como Estados Unidos, Israel, Inglaterra e França somente para citar alguns. Esta posição já produziu o reconhecimento do território palestino, algo que para o povo boliviano que tem esta prática há milenios, o reconhecimento da ONU não possui tanta força, mas para um mundo onde existe um grande interesse de dominação principalmente pelos Estados Unidos, este reconhecimento é de extrema importância em uma estratégia que mantenha as práticas tradicionais dos povos ameríndios.

O presidente da Bolívia, Evo Morales,  em pronunciamento disse que a atitude da ONU é um “reconhecimento internacional da identidade do povo boliviano”. Além disto o governo boliviano vem tentando descriminalizar a plantação de coca já que é uma tradição milenar dos indígenas.

Segundo Morales somente 15 países se opuseram ao reconhecimento e 169 votaram a favor e vê como uma vitória do povo e governo da Bolívia, pois a medida já havia sido rejeitada por duas vezes.

O ‘BARATO’ QUE PREOCUPA À ONU NÃO DÁ BARATO (V)

ENTRE O BURACO NEGRO E A LINHA DE FUGA

Que bebam, se droguem, o que quiserem, não somos policiais, nem pais, não sou eu quem deve impedi-los, mas fazer tudo para que não virem trapos… Sobretudo o caso de um jovem, não suporto um jovem que se ferra, não é suportável… Sempre fiquei dividido entre a impossibilidade de criticar alguém e o desejo absoluto, a recusa absoluta de que ele vire trapo… É verdade que o papel das pessoas, nesse momento, é de tentar salvar os garotos, o quanto se pode. E salvá-los não significa fazer com que sigam o caminho certo, mas impedi-los de virar trapo.” (Gilles Deleuze, filósofo francês)

INÚTEIS CAMPANHAS DE EFEITO MORAL

Quando há uma palestra nas escolas, um debate na televisão em torno da questão do uso de drogas, geralmente se parte de um ponto de vista arraigado de moralidade, sem a observância de inúmeras questões sobre o uso de entorpecentes, como a distinção que vimos fazendo neste trabalho sobre o uso na zona rural e nos meios ditos urbanos. Aqui, predomina hoje, sobretudo, as campanhas de efeito moral que demonstram em chocantes imagens no data-show o que acontece com o usuário de drogas, acompanhadas de análises condenatórias que podem partir tanto de uma visão científica limitada de psicólogos quanto da opção religiosa do palestrante e do seu “testemunho” de ex-viciado. “Aliada do Diabo”. Às vezes, e raramente, apenas para mostrar alguns pontos discordantes, convida-se para a mesa também algum apologista, defensor incondicional da legalização da maconha, por exemplo. Mas todas essas posições são ingênuas sobre as reais questões em torno do uso de entorpecentes, pois, na sua demonização ou apologia, partem de um ponto de vista concebido preconceituosamente e não, racional.

Assim como a compulsão alcoólica, grande parte do uso indiscriminado e exagerado de drogas se dá como tosca fuga da realidade: a namorada que o traiu, aquele patrão explorador, o tédio da classe média, está desempregado, seu time perdeu, papai é castrador, vazio existencial, o professor carrasco, falta água, falta luz, trabalho, dinheiro, etc. Falsa fuga; buraco negro na ordem do capital. “Depois que passa a lombra acaba a festa” que nunca foi festa. A dor de cabeça da ressaca faz doer fisicamente o chifre metafisicado das possessões amorosas; segunda-feira você terá que competir com a máquina-patrão; não verá nada de novo da janela de seu apê, caso tenha disposição de chegar até a janela. Mas se a fuga é tosca, os processuais de subjetivação engendrados aí não o são, passam por questões emocionais, econômicas, sociais, políticas, tudo que constitui o ordinário como sendo imutável, fazendo humanos demasiado humanos (Nietzsche) individualistas, ressentidos, impotentes. Anulação das possibilidades de aumentar a potência de agir como causa de si mesmo (Spinoza), e recorrendo a causas exteriores como último grau de tentativa de individuação. Bem situadas na ordem do dia, as campanhas de efeito moral não conseguirão, e nunca pretenderam, a benevolência, na sua acepção filosófica, de atacar o corpo mau do moralismo da família nuclear burguesa-cristã, do estado autoritário, da corrupção dos governos, da violentação capitalística, estes sim os verdeiros instauradores da miséria e degradação do corpo e da alma. Podemos até dizer que a causa de todos estes crimes imputados ao álcool e às drogas não é precisamente seu consumo (alto ou baixo). Sem ter nem pretender tais compreensões, as campanhas de efeito moral, religiosas ou pseudocientíficas, só tendem a ajudar na disseminação de preconceitos, na passividade de quem se abstém diante do terrorismo como apelo à consciência padecida ou, ao contrário, na repulsa às proibições (como o aumento do alcoolismo nos Estados Unidos a partir das sanções marcartistas), e ainda na consolidação de uma das fatias do mercado mundial mais promissoras: o narcotráfico.

PARA ALÉM DO CORPO-SOCIUS CONSTITUÍDO

Na sua forma mercadológica, teologizada ou apologizada, as drogas, legalizadas ou não, servem mais aos mecanismos de poder do que ao trabalho criador. A cocaína tornou os amigos de Freud dependentes não mais somente da farsa psicanalítica. Os Rolling Stones, atualmente, são incondicionalmente contra o uso de drogas; mas, com elas ou sem elas, sempre estiveram bem situados na ordem do mercado drogas, sexo e rock’n roll. A apologia à legalização da maconha pelo deputado Fernando Gabeira não o livrou da porralouquice alienante, por isso se juntou ao coro insano dos que arremetiam contra Lula. Todos falsos loucos, como diria Deleuze. Mera alucinação, nada a escapar para novas percepções. Tudo numa confluência com a moralidade condenatória e a ação policialesca. Geralmente estes e outros na mesma semiótica acreditam que tais substâncias os ajuda no importante trabalho criativo que realizam, quando na verdade não podem nem ajudar nem prejudicar, já que estão bem territorializados na ordem do delírio constituído. A questão estudada na Universidade Hebraica de Jerusalém pelo psicólogo cognitivo Benny Shanon — se Moisés, quando criou os dez mandamentos, estava sob os efeitos da ayhuasca, conhecida no Brasil como chá do Daime — não é pertinente. A questão que deve ser posta é por que o regime de liberação judaico-cristão constantemente resvale para um regime misto de signos autoritário/despótico.

Tudo bem beber, se drogar, pode-se fazer tudo o que se quer, desde que isso não o impeça de trabalhar, se for um excitante é normal oferecer algo de seu corpo em sacrifício” (Gilles Deleuze)

Mas existem outras tentativas, daqueles que bebem ou usam alguma substância alucinógena para além da dor e do desespero. Verdadeiras linhas de fuga. Livre das amarras morais, Lou Reed, o compositor de Heroin, que nunca entrou nessas disputas, continua no rock como posição artística-existencial. As experiências de Aldous Huxley com a mescalina mexicana, que lhe vão abrir “as portas da percepção”, levam-no para além e aquém do estado de coisas autoritário. Quase todos os surrealistas, à exceção de Miró, fizeram uso de estímulos externos — a cocaína, o álcool, a mescalina, o ópio, o absinto — nas suas produções, que fragmentam a realidade, fazendo ver o imperceptível, o que só pode ser visto no sonho-não-psicanalisado, no delírio geopolítico, numa embriaguez cósmica. Deleuze fala de algo muito grande na vida que talvez só possa ser possível perceber/sentir/suportar através de um excitante. “Poder capaz de transportar um homem além dos limites dele próprio… Transportar o feiticeiro para o reino da realidade não comum… Temperar o coração e adquirir o equilíbrio”, diz a Erva do Diabo, experiência antroposófica de Carlos Castañeda, que torna perceptíveis outros espaços e outros tempos inimagináveis a partir de substâncias aliadas.

EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS FILOSOFANTES

O papel do educador-filósofo não é, franciscanamente, dar bons conselhos, muito menos, capitaliscamente, vendê-los bem pesados em científica balança. Essa não é a função nem da religião nem da ciência. Somente será possível entrar numa discussão na ordem da razão quando houver uma saída das formas de preconceito carregadas por todas as inscrições de poder sobre os corpos. É preciso perceber que há primeiramente uma diferença muito grande entre as utilizações tradicionais da coca, da maconha, do cânhamo e suas utilizações nas grandes cidades. Os motivos que levam uma velhinha a tecer um cigarrinho de maconha é muito diferente dos que levam um adolescente (des)urbano a apertar um baseado. Lá, é para uma espécie de afrouxamento da realidade objetiva numa comunhão natural com a vida; enquanto que por aqui, quase sempre é para o endurecimento ou para a dissipação da realidade objetiva massacrante. E, finalmente, além do uso medicinal, culinário, etc, destas plantas, é preciso ter-se em conta os processuais de subjetivação produzidos na cidade. A quantidade das mortes no trânsito não é culpa do álcool, e, provavelmente, não diminuiria significativamente com a proibição de bebidas alcoólicas. São frutos de uma sociedade (sem socialidade) tanática instaurada/instauradora de uma psicopatia que tenta a destruição do outro ôntica e ontologicamente, emparedando-o na miséria material e/ou emocional. Se a legalização gradual ou abrupta da maconha, por exemplo, diminuiria o uso de substâncias quimicamente alteradas, não é uma questão educativa/filosófica; independente da resposta, a questão fundamental é se aumentou ou diminuiu a potência de agir das pessoas na cidade. Como dizíamos, há drogados muito bem ajustados, viciados de poder. O papel da polícia é punir, o das igrejas e associações de bons costumes é converter; como não conseguem controlar, desesperam-se, caem no niilismo. A questão posta para os educadores/filósofos é, então, a deleuzeana de tentar evitar que pessoas, sobretudo os jovens, não virem trapos e, outra, não deixar que se ajustem à territorialidade molar, ao controle, para que, pelo aumento da potência de agir, como causa de si mesmo (Spinoza) decidam sobre seu corpo, sua cidade, sua experiência intransferível, e assim, aquém e além da lombra, a vida continue.

O formidável impacto do terror no nível da consciência sóbria teve a qualidade especial de minar a certeza de que a realidade da vida de todo dia fosse implicitamente real, a certeza de que eu, em matéria de realidade comum, poderia fornecer-me um consenso indefinidamente. Até aquele ponto, o rumo de meu aprendizado parece ter sido um trabalho contínuo para o colapso daquela certeza.” (A Erva do Diabo, Carlos Castañeda)

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O ‘BARATO’ QUE PREOCUPA À ONU NÃO DÁ BARATO (IV)

A COLONIZAÇÃO HOLOGRÁFICA DA AMAZÔNIA

Os narcóticos [do grego, ναρκωσις, narkosis] são vistos como substâncias que embotam a percepção, alterando os sentidos e reduzindo a sensibilidade, tornando os usuários dependentes e acarretando seqüelas físicas e emocionais. Mas é preciso estender o olhar a diferentes níveis de realidade. Primeiro que há uma diferença no uso de plantas naturais (como a coca e a maconha) nos Andes e no uso destas mesmas plantas, ou quimicamente alteradas, nas grandes cidades. Não é a mesma planta, há variações subjetivas subjacentes. Em toda a zona rural da América do Sul, começa-se a “coquear” na infância para burlar a fome, o frio, a altitude, a fadiga no trabalho. As desigualdades sociais, a miséria, a fome também levam crianças a cheirar cola em vielas de Manaus. Mas há distinções fundamentais. Ainda hoje, o hábito de mascar a folha da maconha e do ipadu é comum nos interiores do Amazonas, mas aí não se encontram viciados (no sentido policialesco), salvo quando já introjetadas as subjetivações desurbanizadas. Esse é na verdade o momento em que plantas naturais como a coca e a maconha saem da linha contínua que passa pelo ritual sagrado, pela medicina popular, pela expansão perceptiva, pela terapêutica natural, passando a ser utilizadas como narcótico. Efeitos de toda a ordem do Capitalismo Mundial Integrado (CMI), do qual fala Guattari. Os índios só se tornam alcoólatras depois que se tornaram índios e deixaram de mascar a coca, tomar o caxiri, a caiçuma, o aluá. Além da gripe e da malária, a civilização trouxe-lhes a etiqueta de como beber com ódio ou medo. Hoje o velho índio bebe o caxiri nas ruas de São Gabriel da Cachoeira numa relação com a civilização degradante, bebe porque precisa ir até o limite para suportar a dor do massacre que continua.

Mas há outras formas de narcose disseminadas. A distância do poder constituído, que aboliu violentamente o estado natural de guerra (Spinoza), mas reluta em preservar um estado civil, instaura a dependência não somente a drogas, mas primeiramente ao poder. Narcose, necrose pelo saber-poder. O poder sempre é um saber, e vice-versa (Foucault). Se no vilarejo de Iauaretê, os índios de todas as idades permanecem embriagados, entediados, sem perspectivas, que trabalho foi esse realizado pelo INPA, ISA, USP, UFRJ, o premiado IPCC, Pierre Clastre, Viveiros de Castro, um batalhão de bolsistas-carregadores-de-bolsa, mestres-amestrados, doutores-feitores, cada qual levando a sua parte em cifras e canudos? O que fizeram realmente para a população de Iauaretê? Não digamos “nada”, pois que um vazio, uma simulação, no sentido de Baudrillard, passa na verdade por uma fabricação de uma uma hiper-realidade. Aventureiros de toda a parte do Brasil e do mundo continuam a aportar na Amazônia. A colonização continua. Não são nem a sombra da sombra dos antigos colonizadores, mas são tão ou mais perversos do que os que traziam a cruz e a espada. E agora já se acrescenta a primeira turma de mestrado em Antropologia Social no buraco-negro Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Se se perseguir essa linha dura, a única diferença será que não precisaremos que venham fazer o simulacro: nós o manteremos e o aperfeiçoaremos. É só dá uma olhada na lista de professores: praticamente na totalidade do sul/sudeste. Mas não cultuemos preconceitos regionais, a questão é que em todos esses anos o trabalho dos mesmos se reduziu à inútil produção de um amontoado de teses (sem produção do novo), livros, álbuns, catálogos, conferências. Museus do etnocídio. E quando Lula foi a São Gabriel, os índios fizeram questão de ter uma conversa a sós com ele, para falar de problemas de saúde, de educação, de trabalho, saneamento básico, etc, o que não conseguiram discutir em todos estes anos num plano lógico-racional com os especialistas-turistas. Por isso, quando o professor Alfredo Wagner faz na aula inaugural uma antropologia do conceito de Amazônia, nem desconfia que na verdade está trabalhando com uma imagem holográfica. Zero de real. Nem uma palavra que não fosse imaginação, ficção, quimera. O PAC, do Governo Federal, é uma tentativa de restituir um pouco de real, como diria Sartre, não como sofrimento na realidade objetiva, mas como construção do próprio destino.

Talvez salte aos obstáculos do olhar escotomizado SP/RIO—>MANAUS—>INTERIOR. Talvez se abra à percepção da formação da holografia amazônica, para fragmentá-la, tornando possível aos chamados indígenas usarem alguma substância alucinógena como forma da preservação do ser de sua natureza.

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O ‘BARATO’ QUE PREOCUPA À ONU NÃO DÁ BARATO (III)

POR ONDE PASSA A ROTA DO TRÁFICO

Quem vicia é o Mercado. O Grande Mercado, Mercado Global. Deus-Mercado. Nas cidades é que se generalizam os usos de entorpecentes, legalizados ou não-legalizados. Mas não são os “aviões”, “passadores” ou “mulas” que lucram com o lucrativo mercado mundial da droga. No Amazonas, além das famosas “festinhas” regadas não somente a álcool, muitos são os boatos de políticos que se fizeram em milionárias campanhas com a fortuna feita no tráfico de drogas. Destes, quem não se lembra em Manaus, do atual prefeiturável pelo PSC, deputado Silas Câmara (que tem um processo correndo em segredo de justiça no Supremo Tribunal Federal), que já foi acusado de envolvimento com o narcotráfico, contrabando, falsificação de dólares e dupla identidade? Em todo o Brasil, não só abundam “boatos”, não são poucos os casos comprovados de envolvimento de empresários e políticos com o crime organizado e o narcotráfico, que vão desde o truculento Hildebrando Pascoal (ex-deputado acreano), passando por Eustáquio da Silveira e Vera Carla da Cruz Silveira (casal de juízes que foram condenados à aposentadoria compulsória por liberação de sentenças de narcotraficantes). Até o Corinthians vinha servindo para lavar dinheiro da máfia russa. (Veja no Mídia Independente uma lista de políticos e juízes envolvidos nestas tramas). Enquanto, através do famigerado Plano Colômbia, os Estados Unidos acusa as FARC de ligação com o narcotráfico, o presidente Uribe, chamado de Dr. Varito pelo amigo Pablo Escobar, criou as bases para a globalização do narcotráfico colombiano (aqui). Segundo Virginia Vallejo, ex-namorada do chefão do Cartel de Medelin, foi Uribe, quando diretor da Aeronáutica colombiana, que deu licença a “Pablito”, para a construção de centenas de pistas de aterrizagem.

“Pablo sempre dizia: ‘se não fosse por esse bendito rapaz teríamos de estar nadando até Miami para levar a droga aos gringos’.”

Pode-se dizer que a origem do narcotráfico sul-americano está na forma com que alguns indivíduos perceberam como tornar-se bilionários explorando a condição de países do 3º mundo, ou em desenvolvimento, ou ainda emergente, conforme a nomenclatura de momento pela sociologia tradicional: países com os quais as chamadas grandes potências podem negociar/explorar. Neocolonização. A indústria que transforma a coca da Colômbia, Peru, Bolívia em cocaína para os Estados Unidos não vai daqui pra lá; ao contrário, vem de lá pra cá, passando pelo FMI, o BIRD, pela Bolsa de Nova York e pelos paraísos fiscais. Na América do Sul, em certa medida, é com o neoliberalismo que o narcotráfico se perpetua, quando a ditadura militar vai embora, deixando surgir uma nova ditadura apoiada em leis que mantêm as desigualdades sociais, uma destituição de todos os estatutos da cidadania, tudo sob o signo redemocratização. Mas esse prefixo “re” indica aí “para longe” da democracia. E assim no restante do mundo. Giovanni Quaglia, que agora está preocupado com a situação de Tabatinga-Am, trabalhou no Afeganistão (1996-97), preparando o banimento do cultivo da papoula, mas a cada ano só faz aumentar exponencialmente naquele país a produção e o tráfico de ópio. Outras bases eram feitas antes, no tempo do “Eixo do Bem” nos resquícios da Guerra Fria, pela relação do governo de Bush pai com o governo afegão, na época da resistência afegã contra os russos, continuando hoje com a consolidação por Bush filho da condição de miséria e falta de alternativa da população do país. E miséria é uma palavra que não soa nem ressoa dentro dos esquemas do narcotráfico. Atualmente o tráfico de drogas movimenta uma quantia por volta de US$ 1 trilhão ao ano. É de longe o mercado mais lucrativo do mundo, dando até 3.000% de lucros, pois um kg de folha de coca, que custa pouco mais de 2 dólares nos Andes, depois de refinado, chega na forma de cocaína por 10 mil em São Paulo, sobe a 40 mil nos Estados Unidos e chega a 100 mil no Japão, tudo com um custo de produção e distribuição baixíssimos. Apesar do combate ao tráfico de drogas, a cocaína, a heroína e outros derivados e sintéticos vão tomando as maiores cidades do mundo como ponto de chegada. Nova York, Tóquio, São Paulo, Cidade do México, Rio, Santiago… A visão sobre a força avassaladora do narcotráfico depende da posição geográfica, mas demonstra o mesmo desespero. O que faz Eduardo Primo da Silva, delegado subchefe da Polícia Federal em Tabatinga, afirmar:

Quem não traficou, um dia, vai traficar droga em Tabatinga. Só neste ano já apreendemos cerca de 200 kg de pasta base de cocaína.”

O mesmo desespero constante nos últimos números do dia 20 deste mês de março em um relatório independente divulgado em Washington D.C. de que “a América e Europa estão ‘perdendo’ a guerra contra as drogas ilícitas”. Vários fatores contribuem para isso. O primeiro fator é apenas aparente: o fato do narcotráfico caminhar a partir de organizações secretas, nas quais reina um código de conduta muito rígido. O Cartel de Medelin, de Pablo Escobar, foi um exemplo de organização com tais características. No México, atualmente é que se encontram alguns cartéis com estas características centralizadas e hierárquicas, devido a negligência e corruptibilidade dos três últimos governos é o que firma o jornalista Ricardo Ravello. Diferente do Cartel de Medelin, que foi desbaratado com a morte do chefão, o Cartel de Cali, com a captura dos irmãos Orejuelas, utilizou a estratégia de se dividir em centenas de pontos descentralizados e sem hierarquia, em rede entre si e com outros grupos (financeiros, políticos, policiais, órgãos governamentais, comunitários, etc), tornando a perseguição e o ataque centralizado tradicional totalmente infrutíferos. Dizer que Abadía é sucessor de Escobar é uma pura ilusão para massagear o ego narcísico policialesco. Beira-Mar, Marcola, em si eles pouco representam. O Narcotráfico se tornou em uma velocíssima máquina que as polícias do mundo não conseguem rastrear, perseguir, capturar. Ainda mais porque não houve um abandono das antigas estratégias. As negociações continuam. Por isso o primeiro fator que citamos é apenas aparente. Toda vez que se acirra o combate ao narcotráfico, chega-se a um barreira intransponível: a CIA, o FBI e o governo dos Estados Unidos, justamente os que mais alardeiam combatê-lo. Ao que parece, é apenas uma forma de manter o controle dos fluxos dessa mega operação financeira. Que o estado civil colombiano continue destroçado faz parte da agenda de saldo estadunidense. Aqueles que condenam as ações das FARC não observam que mesmo que queiram, como têm apontado as tentativas de negociação apoiadas por outros chefes de estado, como Hugo Chávez e até o direitaço-francês Sarkosy, não tem como prosperar, enquanto a Colômbia for (des)governada por governantes subservientes à Casa Branca.

Os processuais de subjetivação que perpassam à utilização da folha de coca, que serve para o ritual milenar, o alimento, etc, e a transformam, a partir de insumos químicos, em cocaína, não podem ser estudados longe dos malefícios da Globalização. Os indígenas andinos não criaram o tráfico, os cabocos nos interiores do amazonas muito menos, ele se forma e se consolida enquanto consolida e é consolidado por empresas, governos, senhores ilustres, sentados à mesa com os grandes cartéis.

Como por qualquer frente que se ataque muitos outros micropontos surgem, a quem quiser agir para a diminuição do tráfico, terá que partir de dois princípios: ética e inteligência. Se Lula produzir alguma alteração a respeito do tráfico no Rio de Janeiro a partir do PAC, é porque não senta na mesa da truculência, nem policial, nem narcotraficante. Vai pelo meio, numa tentativa de modificação das subjetivações da forma de governar e de olhar as favelas, para agir na criação de outras alternativas para o jovem, para a criança, para o ancião.

Continua depois de amanhã…

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O ‘BARATO’ QUE PREOCUPA À ONU NÃO DÁ BARATO (II)

Coma coca, una hoja de coca comida

es una hoja de coca menos para el narcotrafico.

Con una hoja de coca legal podremos curar

y alimentar a la humanidad entera.”
(Agustín Guzmán)

Imagine que a mandioca com a qual os índios e cabocos produzem a farinha acabasse sendo proibida porque dela também se faz o caxiri, uma fortíssima bebida também produzida pelos índios a partir de seus tubérculos. Imagine que a papoula não pudesse mais enfeitar um jardim ou ser usada na culinária porque dela também se faz um chá alucinógeno e, mais refinadamente, o ópio. Seguindo a linha, imagine que do milho, que se faz o aluá… Imagine da cana, que se faz o açúcar, mas também a cachaça… Existem inúmeras plantas que podem servir para o alimento do corpo, mas também para a destruição da alma ou tão somente para alegrar uma festa, uma conversa. Assim como da cobra pode sair a essência para o perfume ou o remédio, mas também o veneno letal. Tudo está na subjetivação dos homens que a manipulam. Por que, embora o representante do Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes (UNODC) para o Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia, reconheça que “existe a coca nativa, que é usada tradicionalmente pelos indígenas há milênios”, por que se formou essa diabolização da coca, a ponto da ONU tentar, a despeito de não ser o seu papel, obrigar Peru e Bolívia a proibir o “coquear”? Por que se sobrepõe ao uso tradicional o uso ilegal pelo comércio ilegal e as sanções se estendem a eles àqueles?

Quem vicia é o Mercado. Mas no próprio Mercado Mundial há formas de introjeção legalizadas. Nos Estados Unidos, embora a Suprema Corte tenha decidido em contrário em 2005, vários estados continuam a permitir o uso medicinal da maconha. Se o consumo aumenta a cada ano, se tem se tornado a primeira cultura da agricultura norte-americana a culpa não é da medicina, muito menos dos andinos. Com a coca, o exemplo mais provado e arrotado é a coca-cola. Inventado no final do século XIX, era inicialmente um remédio para tosse (Pemberton’s French Wine Coca), tornando-se refrigerante, recebeu o nome atual por usar coca e noz-de-cola em sua fórmula. Apesar de divulgar que atualmente baniu a coca de sua fórmula, a Coca-Cola Company compra 115 toneladas de folha de coca do Peru e 105 toneladas da Bolívia por ano. Testes da Polícia Federal brasileira comprovaram ano passado que a Coca-Cola ainda usa a Erythoxylon em sua fórmula secreta de refrigerante. Como, segundo as análises feitas no início de 2006, não houve comprovação de que o emprego da coca gerasse o aparecimento de cocaína ou outro entorpecente na coca-cola, a multinacional apresentou uma defesa, dizendo “não há nenhuma substância ilegal na fórmula do produto”. No entanto, no mínimo isso fere diretamente o código de defesa do consumidor, pois não se especifica no produto tal ingrediente; além disso, conforme a Agência Brasil de Fato, pela Lei de Fiscalização de Entorpecentes em vigor no país, o Decreto-Lei 891 de 25 de novembro de 1938, o uso desta substância e de suas preparações é terminantemente proibido, mesmo que não acusem alcalóides entorpecentes”. No Brasil, até então a Coca-Cola parece não ter alterado em nada sua fórmula secreta, e continua vendendo livremente. Enquanto isso, na Colômbia, as ordens de Bush Jr. ao seu refém, Álvaro Uribe, para proibir todo e qualquer produto contendo coca vai sendo cumprida, menos para uma empresa. Advinha qual? Enquanto o Coca-Sek, refrigerante preferido da juventude colombiana, foi proibido, a Coca-Cola continua vendendo melhor ainda, sem seu principal concorrente. Segundo os nasa, como são chamadas diversas tribos cocaleras, foi a própria Coca-Cola Company que pressionou o Instituto Nacional de Vigilância de Medicamentos e Alimentos (INVIMA) para fazer essa intervenção. Tudo porque a multinacional estadunidense, não conseguindo emplacar sua marca nos colombianos, entrou na justiça com uma representação contra a Coca-Sek, acusando a empresa colombiana de roubo de seus direitos autorais, mas em outubro do ano passado perdeu a ação, e agora em fevereiro, como observa David Curtidor (representante de vendas dos nasa e encarregado pela Coca-Sek), aparece esta sanção. Aí está pra todo mundo ver a fórmula secreta da Coca-Cola. Não somos contra o uso de coca pela coca-cola, somente discordamos de seus métodos e seus fins globalitatários, como a parte de impostos doados pela empresa para compra de armas para serem usadas no Iraque. Por isso, Evo Morales, um índio cocalero que chegou a presidência com promessas de estabilizar a situação das tribos e comunidades cocaleras da Bolívia, constantemente ameaçadas pelo Grande Capital, afirma:

“Não é possível que a coca seja legal para a Coca-Cola e ilegal para a comunidade andina. É preciso revalorizar a folha.”

Entre os andinos, há milhares de anos, a coca é uma planta não só usada para outros tantos milhares de fins, como também é venerada pela população. Com ela, sacerdotes fazem oferendas a Pachmama, a Mãe Terra, por ter lhes dado a Coca Mãe. E com as folhas desta fazem desde adivinhações da sorte e do futuro até rezas e curas de todos os tipos de doenças. Para os incréus, cientificamente são comprovados por estudos até na Universidade de Harvard as propriedades da coca:

Os efeitos medicinais da folha da coca são como de um estimulante, além de melhorar o metabolismo, a orxigenação do sangue, a freqüência respiratória, o mal de altura (mal de puna ou soroche), diarréias, dores de cabeça, anemias, tirar a fome e ajudar em problemas estomacais. Por ser estimulante e revigorante, as folhas de coca são mastigadas pelos camponeses com o propósito de recarga das energias no duro trabalho empreendido nos campos e nas grandes altitudes. A composição da folha de coca contém fósforo, ferro, cálcio, proteínas, carboidratos, vitaminas como a A, B1, B2 e C.” (no Terra Mística)

Como permite suportar a fome, a Organização Mundial da Saúde diz que seu uso prejudica a nutrição. Quem prejudica, mais uma vez e sempre, é o Deus Mercado e todos os seus profetas (alguns citados aqui neste texto: chefes de Estado e representantes multinacionais), com seus mecanismos formadores e mantenedores da exploração e das desigualdades, com as quais ele se alimenta. Além do chá da coca, que já está sendo exportado oficialmente para o Japão, “a folha origina produtos como chicletes, desinfetantes e até um alimento – uma massa composta de sua matéria prima” (EngAlimentos). E o índio-cocalero-presidente não está só falando, suas palavras são ação no mundo. Evo Morales legalizou a plantação de coca na Bolívia e até propôs logo no início de seu governo a utilização da coca como alimento na merenda escolar. Por outro lado, comprometeu-se em combater a produção de cocaína e o narcotráfico, o que não é uma tarefa fácil, pelo seu poder decorrente do envolvimento com o poder constituído. Para os Estados Unidos, por exemplo, o combate ao narcotráfico serve apenas como desculpa para os Estados Unidos destruir a história e a singularidade de outras nações e controlá-la para tirar proveito econômico, como faz por todos os cantos por onde passa. A estratégia não é atacar o narcotráfico, que tem o seu importante lugar na decadente economia norte-americana, mas principalmente impedir que países como a Bolívia, Peru e Colômbia não desenvolvam formas alternativas próprias de sobrevivência, enquanto os interesses de suas multinacionais, como a Coca-Cola, é preservado.

Así como la uva no es vino, la coca no es cocaína.”

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O ‘BARATO’ QUE PREOCUPA À ONU NÃO DÁ BARATO (I)

 

Uma lenda nos conta que o Deus do Sol disse ao sacerdote Khana Chuyma: “Sobe esta montanha e encontrarás uma pequena planta com grande poder. Guarda suas folhas com amor e usa-a quando doer teu coração ou quando tua carne sentir fome e tua mente estiver obscura. Mas quando o conquistador branco a tocar, encontrará veneno para seu corpo e loucura para sua mente”.

Texto pesquisado e desenvolvido por Rosane Volpatto

Só agora a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) descobriu que existe plantação de coca em tribos indígenas do Brasil. Dado este sinal, o Exército brasileiro “descobriu” cerca de 7 mil pés de coca em Tabatinga (Amazonas), o que deixou Giovanni Quaglia, do Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes (UNODC) para a América do Sul, “mui preocupado”. Também ficaríamos, não soubéssemos como se põem a funcionar as leis destes mecanismos internacionais. Há muito tempo que Tabatinga é tida entre os boatos das populações de outros municípios do estado do Amazonas não só como rota utilizada pelo narcotráfico; todos que entraram em contato com os “povos da floresta” sabem que não usam apenas o caxiri, o aluá e a caiçuma nos rituais; além disso, nos interiores do Amazonas a folha da maconha e do “ipadu” (nome cabocal da coca) sempre foram usadas para ‘mascar’. Por que tais “descobertas” só ocorrem agora, justamente na encruzilhada entre Brasil, Colômbia, de longe o maior exportador (legalmente e ilegalmente) de coca para todo o mundo, e Peru, um dos países da América do Sul que mais cultiva as tradições cocaleras?

Para este bloguinho, muitas outras questões estão envolvidas do que simplesmente a jurídica de legalidade ou ilegalidade, mas passando também por questões políticas, sociológicas, mercadológicas, psicológicas, filosóficas, ecológicas.

SER OU NÃO SER “LEGAL”

Partindo da questão que diz respeito à divisão em drogas legalizadas e não-legalizadas. No Brasil, o cigarro e as bebidas alcoólicas a partir de determinado momento passam a ser considerados drogas, mas até então não são ilegais para maiores de 18 anos. Já a maconha, a cocaína, o ópio, a heroína, êxtase, crack e outros passam neste mesmo momento a serem classificados pela Convenção Única das Nações Unidas sobre os Entorpecentes, de 1961, como “venenos”, sendo a utilização de alguns deles muito restritamente a fins farmacêuticos. Mas há variações culturais subjetivas de acordo com a história e a legislação de cada país que fazem uma distinção entre a matéria-prima e os entorpecentes refinados. No caso da coca, tomando apenas a América do Sul, no Brasil é proibido o cultivo, o consumo privado e o refinamento; na Colômbia, Peru e Bolívia só o refinamento é proibido. Na Bolívia, por exemplo, a coca é uma das principais culturas nacionais, estando inclusive em tramitação o processo para substituir as folhas de louro do brasão nacional por ramos do “akulliku”; assim como no Peru os congressistas acabaram de fazer uma manifestação na qual mascaram coletivamente folhas de coca no congresso peruano no dia 14 deste mês de março a favor do uso tradicional da planta, repudiando a decisão da ONU de forçar Peru e Bolívia a proibir o “coquear”, o hábito de mascar a folha, comum entre a população destes dois países. Também no início deste ano, há 26 de janeiro, Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que não perde uma, acompanhado de vários outros chefes de estado, aproveitou a VI Cimeira Presidencial da Alternativa Bolivariana para os Povos das Américas (ALBA) para mascar algumas folhas de coca recebidas diretamente das mãos de Evo Morales: “Isto sim é coca, a tradicional. É a folha sagrada dos ‘aymará'”. Essa tradição segundo estudos arqueológicos é comprovado desde 2 mil anos a.C. na região andina. E praticamente todos os cronistas que passaram a partir do século XV observaram o uso das folhas verde-oliva da Erythoxylon coca na totalidade da vida dos andinos, desde o “picchar”, como os índios denominam o ato de mascar, indo aos rituais religiosos, e passando na culinária como chá e como tempero. Atualmente, com a industrialização, além desses usos, passou a servir na fabricação de creme dental e está sendo desenvolvida a produção de tecidos com a folha da coca. Até Condoleeza Rice recebeu das mãos de Evo Morales, em 2005, na Bolívia, um instrumento musical boliviano semelhante a um violão, revestido de folhas de coca. Metida a certas tiradas ao piano e voz (só se for na composição de louvores ao massacre e à tortura), a víbora-mensageira de Bush Jr. ficou toda errada e desafinou ao perceber que o instrumento estava todo revestido de folhas de coca.

Diante destas questões, percebe-se que a distinção jurídica em legal ou ilegal está em outro lugar, ou seja, no tipo de utilização que é feita pelas pessoas nas grandes nações européias e nos Estados Unidos. Mas questões como as formações subjetivas que levam ao grande e sempre crescente número de usuários de entorpecentes nas grandes cidades não são colocadas pelas Nações Unidas, e as tradições culturais e os saberes de populações milenares são desprezadas pelas últimas regras do mercado e respaldadas pela ONU.

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USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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