Arquivo para 2 de setembro de 2017

BOB FERNANDES: OS HERÓIS DO FILME DE HOMENAGEM A MORO SÃO ELEITORES DE AÉCIO

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MOBILIZAÇÃO PARA CARAVANA LULA NA ESTRADA DO PIAUÍ

LULA EM PICOS, PIAUÍ

A imagem pode conter: 1 pessoa, barba e atividades ao ar livre

Facebook de Lula.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na manhã deste sábado (2) de ato em defesa do empreendedorismo e do emprego, na cidade de Picos, no Piauí. Pela manhã, Lula visitou a Casa Apis, uma cooperativa apícola.

Fotos: Ricardo Stuckert

5 LIÇÕES DO PROCURADOR QUE PEDIU A ABSOLVIÇÃO DE LULA À TURMA DE CURITIBA

 

Texto da ilustre, honrada e comprometida jornalista Cíntia Alves, do GGN.

Jornal GGN – O procurador da República Ivan Cláudio Marx, tendo em mãos uma das denúncias mais esdrúxulas apresentadas contra Lula no âmbito da Lava Jato, tinha duas opções: pedir a absolvição do ex-presidente por carência de provas na delação de Delcídio do Amaral ou reciclar a fórmula dos curitibanos e requerer a condenação em cima de teses mais esdrúxulas ainda.
 
Ivan Marx – um dos primeiros procuradores a atuar na justiça de transição, membro da Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos – escolheu corresponder ao que se espera de um membro do Ministério Público Federal: investigar e apresentar a verdade dos fatos. 
 
Ao sugerir ao juiz da 10ª Vara Federal, Vallisney Oliveira, que Lula seja absolvido do crime de obstrução de Justiça, Ivan Marx deu algumas lições aos colegas liderados por Deltan Dallagnol.
 
A mais simbólica delas é resumida na seguinte frase: “(…) a crença forte prova apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se crê.”
 
1- O ônus da prova é de quem acusa
 
Nas alegações finais do MPF, endereçadas ao juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Ivan Cláudio Marx afirmou que buscou de várias formas comprovar a delação de Delcídio contra Lula durante o julgamento, mas falhou. 
 
Contudo, ao invés de argumentar que as provas não foram encontradas porque organizações criminosas são especialistas em não deixar rastros dos ilícitos praticados, Ivan Marx apenas admitiu que o ônus da prova é de quem acusa.
 
“(…) a culpa pela impossibilidade de provar as afirmações da testemunha – que fazem prova crucial para a defesa de Lula – recai sobre o órgão acusador, que é uno e indivisível para tais fins”, escreveu.
 
2 – Delação sem prova não condena (exceto numa “cruzada acusatória”)
 
Ao contrário da turma de Curitiba, Ivan Marx não supervaloriza delações sem provas. Ao contrário, reproduziu o que diz a lei que regulamenta o instituto mais explorado na Lava Jato: “nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador.”
 
“(…) Ignorar isso, em prol de uma cruzada acusatória, seria desconsiderar a já referida máxima nietzschiana no sentido de que ‘a crença forte prova apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se crê'”, completou Ivan Marx.
 
3 – Convicção não substitui provas
 
Rechear a denúncia apresentada à Justiça com ilações encorpadas por algumas teses de ciência política para colocar Lula como o “grande chefe do esquema criminoso investigado na Lava Jato” não adianta nada se essa investigação cabe à Procuradoria Geral da República, em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal, disse Ivan Marx, contrariando outro expediente pelos curitibanos nos processos sob a jurisdição de Sergio Moro.
 
“Como esse chefe ainda não foi apontado, não nos cabe, na presente ação penal, tomar ilações ou convicções pessoais como verdade suficiente para uma condenação”, disse Ivan Marx.
 
4 – Se não há provas, a “melhor hipótese” não é a que prejudica o réu
 
Sem provas de que Lula foi o mentor do plano para comprar o silêncio de Nestor Cerveró, Ivan Marx poderia usar o explanacionismo defendido por Deltan Dallagnol e criar uma hipótese “acima da dúvida razoável” na tentativa de explicar como ocorreram os crimes denunciados pelo Ministério Público.
 
Mas a melhor hipótese, na visão do procurador do DF, não pode prejudicar o réu se ela está recheada de lacunas. Afinal, “in dubio pro reu”, lembrou.
 
Na página 55 das alegações finais, Ivan Marx ainda empresta a tese usada em Curitiba para defender Lula em Brasília.
 
 
5 – É preciso admitir que o MP errou
 
Ivan Marx ainda avaliou que “Delcídio dificilmente teria recebido os mesmos benefícios angariados com a implicação de Lula no caso.”
 
Foi ofertando a cabeça de Lula que Delcídio, “com sua boa retórica, levou o MPF a erro, criando uma situação realmente esdrúxula: o chefe do esquema sagrou-se livre entregando fumaça.”
 
Ao menos o procurador do DF admite que Delcídio goza de liberdade em função do acordo de colaboração firmado com o critério de se chegar a Lula.
 
Os procuradores de Curitiba nada disseram sobre os acordos de delação que levaram Sergio Moro a condenar João Vaccari Neto, absolvido em segunda instância por falta de provas. Todos os 5 delatores do ex-tesoureiro do PT foram poupados por Moro na sentença.

BROTOS VERDES NO SERTÃO

Multidões imprevistas afluem à passagem de Lula no sertão. A passividade eleitoral talvez não seja mais o fio condutor desse anseio por existir.

 
 

por: Saul Leblon

 

Tem um filme novo passando nas telas de cinema; não é a superprodução da Lava Jato.
 
Invisível na mídia conservadora, um Brasil pobre, mas teimoso em seu viço, emergiu nas redes alternativas e delas atingiu uma parte do imaginário nacional em imagens exuberantes.
 O que elas contam é a arrebatadora história de uma fronteira onde o Brasil impossível se mistura ao da esperança.
 Colhidas ao longo da caravana na qual Presidente Lula percorre 25 cidades em nove estados do Nordeste, desde o dia 17 de agosto, as imagens estabelecem um contraste chocante com a estética e a agenda do país oficial.
 Ambas são recortes da mesma realidade.
 Essa, retorcida, convulsionada, exasperante, tal a distância estabelecida entre as suas partes contrapostas, a partir do golpe que agora completa um ano.
 A dificuldade que tem a mídia conservadora de incluir os dois lados na sua pauta, e de contempla-los com o mínimo de equidade jornalística, ilustra o asfixiante esgotamento do sistema de representação do conflito social na democracia brasileira.
 Não há nesse momento nenhuma dimensão institucional na qual o Brasil possa se enxergar por inteiro na diversidade de seus interesses e possibilidades.
 Nem o conservadorismo, essa é a verdade, se identifica plenamente com a sua representação golpista.
 Ademais do habitual oportunismo, as dissidências no interior do PSDB refletem  esse descompasso.
 De um Congresso vocalizado pelo repertório do boi, da bíblia e da bala, tampouco se espera a modulação das partes em um todo que contemple o interesse mais geral da nação e do seu desenvolvimento.
Falta ar democrático nos pulmões da nação.
 
Alvo-síntese da gigantesca asfixia em marcha, Lula respondeu ao seu pretendido velório com um salto para a vida que está desconcertando seus coveiros de togas e pautas.
 No histórico anseio nordestino por inclusão, o retirante de Garanhuns que se tornaria o maior líder popular da história brasileira, foi escancarar a existência de uma nação irredutível à estreiteza do projeto conservador imposto ao conjunto da sociedade.
 O resultado é um transbordamento arrebatador.
 Tudo o que se pretendia envazar e lacrar por pelo menos vinte anos, como preconiza a purga do teto fiscal, jorra em tintas de um vigor que cativa e desarruma a narrativa da ordem usurpadora.
 O fato é que o morto, esse Brasil abduzido dos noticiosos, não apenas respira.
 Ele irradia a teimosa demanda por uma vida melhor e nisso converge o seu repto ao de Lula.
 Impactos semelhantes ao desse transbordamento itinerante tiveram também, para citar duas referências históricas, a Coluna Prestes, nos anos 20, e a Marcha sobre Washington, organizada há 54 anos (agosto de 1963) por Martin Luther King, que levaria 250 mil pessoas à capital norte-americana.
 A multidão incomum que afluiu a Washington de todos os cantos do país exigia cidadania plena aos negros dos EUA.
 
Nos dois casos, o sistema institucional ao redor mostrava-se impermeável à expressão dos interesses externos aos círculos associados ao poder.
 
Nos EUA, embora as Emendas à Constituição (13, 14 e 15) tenham estendido cidadania e direito de voto aos negros desde o final da Guerra da Secessão ( 1861/65), na prática as barreiras da pobreza e do preconceito interditavam o caminho para a liberdade e a igualdade. O sistema político era funcional à exclusão.
 A Coluna Prestes percorreria 25 mil quilômetros no Brasil nos anos 1925, 1926 e 1927, empurrada igualmente pelo duplo efeito ejetor de um sistema oligárquico fechado, ademais de varado por crise terminal.
 A República Velha tornara-se incapaz de responder aos desafios sociais e econômicos de um país que deixaria de ser escravocrata, sem dispor ainda de uma representação política capaz de expressar a nova diversidade dos seus conflitos.
 Essa deficiência impedia o país de repactuar o passo seguinte da economia e da sociedade, que se desdobrava em colapsos retroalimentados.
 O engessamento transbordou nas revoltas oriundas do próprio estamento burocrático, refletindo uma circularidade ilustrativa da ausência de um projeto para a nação que emergia.
 O Tenentismo foi a expressão fardada desse interlúdio convulsivo.
 A Coluna Prestes, a versão épica de uma fuga para frente, só concluída quando o aguçamento da crise rachou o tenentismo e Prestes, anos depois, personificou um lado da resposta ao aderir ao marxismo.
 Sendo uma mobilização em defesa de direitos negados e subtraídos, a exemplo das marchas de Luther King, mas também a expressão de um Brasil interditado pela obtusidade histórica das elites, como na República Velha, a caravana de Lula carrega também o carisma da esperança, num intermezzo histórico em que um ciclo de desenvolvimento se esgotou e outro precisa ser construído.
 
Sua marcha, porém, encerra singularidades não negligenciáveis.
 Prestes, nos anos 20, a exemplo do Tenentismo, não tinha um projeto de nação no qual o povo se enxergasse e fosse visto –por ele inclusive–  como o protagonista decisivo do processo.
 Sua coluna arregimentou adesões, mas não organizou a população por onde passava, nunca vista como o novo sujeito histórico.
 A caravana de Lula tampouco se propôs, originalmente, a arregimentação popular para a luta por uma democracia social efetiva, que inclui mas vai além da eleição de 2018  na construção de um novo sujeito coletivo.
 Talvez seja arriscado dize-lo, mas as imagens insistem em sugerir.
 Lula e a caravana foram surpreendidos –como de resto, todo o país.
 Multidões imprevistas barraram a comitiva no interior nordestino, impedindo-a de prosseguir com impressionante recorrência e determinação, exceto depois de cumprido um acordo.
 
Qual?
 
Lula falar à gente do lugar.
 Falar o que ele sempre disse e fez.
 Mas que desde 31 de agosto de 2016, o golpe, sua mídia, seus colunistas engomados, os economistas de banco e suas prioridades argentárias decidiram sonegar.
 Qual seja, o lugar do povo brasileiro no bonde da nação.
 O que os barramentos queriam ouvir da voz rouca familiar é que o seu assento é um direito e será restituído.
 Os fatos sugerem que a passividade meramente eleitoral talvez não seja mais o fio condutor desse anseio.
 
Vale recordar.
 
Um dos episódios mais emblemáticos da luta antirracista nos EUA deu-se em 1955, em Montgomery, na capital do Alabama,
 
Uma negra, Rosa Parks, ocupou um assento nas fileiras intermediárias do ônibus e se recusou a ceder o lugar a um branco, como mandava a lei segregacionista do lugar.
 
Presa, Rosa ganharia a solidariedade de um massivo movimento civil liderado, entre outros, por Martin Luther King.
 
Um ano depois, os negros conquistariam o direito de ocupar qualquer assento nos coletivos de Montgomery.
 
O que o golpe está dizendo –e o país sertanejo parece determinado a não aquiescer clamando por alguém que o desminta— é que o povo brasileiro, a vasta maioria da sociedade, incluindo-se boa parte das camadas médias, deve ceder seu lugar no ônibus do desenvolvimento.
 
Para quê?
 
Para preservar a segurança e o conforto da riqueza e do poder em mais uma transição turbulenta da história nacional.
 
As cenas observadas no interior sertanejo sugerem a possibilidade de uma coisa.
 
Possivelmente um horizonte mais amplo de participação, e mais profundo na resposta à crise, do que o teto previsto pelo calendário eleitoral de 2018, ainda que sem excluí-lo.
 
A mídia conservadora desdenha dessa que talvez seja a novidade política capaz de sacudir o tabuleiro de um golpe que apenas aguardaria a condenação agalopada de Lula para consagrar seu xeque-mate contra o povo e o país.
 
Esse lance derradeiro do jogo viciado talvez não seja mais suficiente.
 
As manifestações populares no caminho de Lula podem indicar que a suposta passividade atribuída ao povo brasileiro talvez decorra muito mais da falta de um catalisador convincente – originalmente até involuntário, neste caso– do que da prostração decorrente do conformismo ou da indiferença com a própria sorte e o destino do Brasil.
 
O transbordamento nordestino adiciona outras variáveis importantes à equação sobre a qual o conservadorismo imaginava ter controle absoluto.
 
 O jogo está longe de terminar, é um primeiro ponto.
 
Mesmo que Lula seja barrado na cédula de 2018 –como se planeja desde o início–  seu carisma e poder de liderança demonstram inegável resiliência, ademais de ecoarem  junto a uma juventude atenta que prestigia a caravana em cada parada.
 
Como ele mesmo diz: se não for candidato, será o mais poderoso cabo eleitoral da disputa de 2018. Ponto pacífico.
 
Mais que isso: preso, tornar-se-á o símbolo carismático da injustiça social e política a ser apeada. Pelo voto ou pela rua.
 
Há outras novidades afloradas sob o sol do sertão.
 
Lula continua a ser o líder popular de extração sindical que acredita na necessidade da mobilização e da negociação para empurrar a fronteira da justiça social e da correlação de força em cada ciclo de luta.
 
A altura do sarrafo, porém, pautada pela origem de berço e de aprendizado político, mudou de novo.
 
As causas e consequências do golpe, ruminadas durante um ano de cerco impiedoso a ele, à família, ao PT, ao governo Dilma e ao seu legado afloraram em brotos verdes sob o sol sertanejo.
 
Lula é um mestre da tradição oral. Pensa falando e fala pensando, talento de poucos — Brizola era um caso– que dá fluência magnetizadora à oratória.
 
O que ele pensou e disse às multidões que acorreram generosamente para ouvi-lo revela sinapses amadurecidas, que esperavam o calor dos discursos massivos para aflorarem.
 
Um futuro governo popular –seu ou com o seu apoio – buscará alianças, reafirmou mais e uma vez sua convicção.
 
Mas o discernimento da sociedade sobre os desafios do país, requisito para uma repactuação participativa do desenvolvimento –ou não haverá repactuação alguma e sim rendição ao mercado–  não pode mais ser manipulado diariamente, advertiu, ‘pelas mentiras da Globo’.
 
Lula asseverou com todas as letras a determinação de atravessar um divisor sempre evitado desde 2003: vai regular a mídia.
 
Não abdica da interlocução ecumênica com o amplo espectro político do centro à centro-direita.
 
Subiu no palanque com Renan; jantou com a família de Eduardo Campos, foi elogioso a prefeitos do PSDB, como o de Ouricuri (CE), que o recepcionaram com honras de chefe de Estado.
 
Mas vai revogar medidas antissociais e antinacionais tomadas pelo golpe, disse-o de novo explicitamente.
 
Porque acredita que só assim, com crescimento e soberania, será possível dilatar outra vez a fronteira da inclusão social, que persiste como o seu Norte, seu Sul, seu Leste e seu Oeste político.
 
Há mais.
 
Lula não subestima o poder de boicote do exército rentista.
 
Mas vai utilizar um pedaço das reservas para compor um fundo garantidor do investimento em infraestrutura, de modo a acionar a ignição do crescimento.
 
Vai perseguir a retomada do PIB, do emprego e da renda.
 
E o fará ainda que isso implique, de início, algum crescimento da dívida interna.
 
A ressalva pressupõe medidas mitigadoras desse impacto, seja pela negociação, seja pela redução do juro, seja por alguma forma de controle da conta de capitais para evitar a previsível chantagem cambial.
 
Terá que ser assim até que a recuperação da receita reequilibre o processo.
 
Alianças pontuais que a correlação de forças determinar ele as fará.
 
‘Quantos representantes dos sindicatos nós teremos no Congresso? Cinquenta? Hoje são três. A bancada ruralista tem 240’, argumentou em entrevista em Pernambuco, questionado sobre o tema.
 
 Ele as fará, mas sob o escopo da nova altura do sarrafo.
 
O conjunto sugere um líder em trânsito.
 
Sem abdicar de seu enraizamento negociador, Lula talvez chegue ao final da caravana receptivo ao broto mais viçoso da colheita nordestina.
 
Esse que define a mobilização e a organização popular como a variável-chave na reordenação democrática de um novo ciclo de desenvolvimento brasileiro.
 
Trata-se de um passo crucial.
 
Já no final do primeiro mandato da Presidenta Dilma, a quilha da governabilidade progressista gritava a necessidade de outro mix entre a rua e a negociação parlamentar.
 
Gargalos clamavam a necessidade de mudar o lastro para o exercício do poder –e isso implicava uma recomposição de prioridades, mas sobretudo do método de luta.
 
A política fiscal contracíclica  havia esgotado seu fôlego diante de uma persistente desordem global do neoliberalismo. A escolha de um ajuste rápido baseado em aperto de gastos e desvalorização cambial  –para crescer ancorado em exportações, subestimaria a natureza sistêmica da crise internacional e a voracidade da conspiração doméstica
 
Ao negligenciar a dimensão política do impasse econômico, o governo perdeu o lastro junto ao empresariado sem amplia-lo no campo popular.
 
O golpismo nativo –ademais do Departamento de Estado e suas sucursais no país– farejou a deriva.
 
A aliança da mídia com a escória, o dinheiro e o judiciário fez o resto.
 
A exata compreensão da encruzilhada que propiciou o golpe de 31 de agosto tornar-se-ia assim uma questão de vida ou morte à retomada da iniciativa popular, que inclui 2018, repita-se, mas vai além da urna, imperiosamente.
 
A caravana nordestina talvez tenha trazido a energia necessária para fazer girar essa roda da história — na cabeça de Lula e nas fileiras progressistas que o tem como referência.
 
O desafio não é pequeno.
 
A agenda antissocial e antinacional do golpe terá que ser afrontada por bandeiras e projetos, mas sobretudo por formas de organização que ofereçam ao conjunto da sociedade uma nova referência crível de futuro e estabilidade para a economia, o seu cotidiano e a sua esperança.
 
Foi essa conjunção que talvez tenha começado a fazer sentido na atilada intuição de Lula ao se deparar com o cerco das multidões num roteiro que escolheu as estradas de um Brasil normalmente ignorado nas incursões aéreas dos políticos.
 
O requisito subjacente a essa mutação é o desassombro para enxergar o esgotamento de um ciclo e as balizas que podem pavimentar o próximo.
 
Entre elas, como já se disse neste espaço, inclui-se o requisito de trazer uma parte da classe média brasileira para fora da agenda do golpe e assim estender as linhas de passagem entre uma nação dilacerada por fraturas imobilizantes e a repactuação do seu desenvolvimento.
 
A ‘caravana’ capaz de semear esse broto verde nos redutos da classe média precisa ser construída.
 
E não poderá se pautar pelo acanhamento se não quiser fracassar  esfericamente.
 
 Contra a espiral descendente vivida pelas faixas de renda média, atingidas globalmente pela precarização do trabalho e o esgarçamento industrial, é inútil prometer uma ‘volta’ a um status que sustentou a afluência no pós-guerra.
 
Esse mundo de mobilidade ascendente de extratos de renda intermediária não voltará a existir.
 
 Nem existirá um outro que  compense sem uma reforma tributária corajosa que atinja o núcleo duro da riqueza, sobretudo a financeira.
 
Repita-se o que expôs em artigo recente o economista Sergi Gobetti: a classe média com renda de R$ 7.000 mensais, na verdade é tão vítima da injustiça fiscal quanto os pobres. Proporcionalmente mais taxada que os ricos, ressente-se, como os pobres, de um retorno equivalente em serviços públicos dignos e suficientes.
 
 Encontra-se nesse anseio sonegado a trilha da nova ‘caravana’ que desafia um futuro estirão progressista de repactuação do país com o seu desenvolvimento.
 
 O gargalo mora mais acima.
 
Os verdadeiramente muito ricos formam hoje 0,05% da população brasileira ativa–  detém 8,2% da renda.
 
Juntamente com bancos e corporações, emprestam ao Estado o que deveriam pagar em tributos. Recebem em troca 6,9% do PIB em juros, todos os anos.
 
Sua riqueza é a contraface  de uma dívida pública que avança para atingir 80% do PIB e ameaça engarrafar a nação em um formol de arrocho e carência constitucional, como quer o golpe.
 
É nesse sumidouro rentista que se degradam e escasseiam os serviços públicos, de cuja oferta e qualidade os pobres e a classe média reclamam com razão.
 
 À descrença, ao medo, à incerteza e à angústia que flertam com o autoritarismo trata-se, portanto, de contrapor o horizonte de uma rede de segurança feita de justiça fiscal, serviços públicos e espaços públicos de inédita audácia e qualidade.
 
Só recauchutar a máquina do desenvolvimento brasileiro, como em ciclos anteriores, não basta mais.
 
É preciso reorientar o seu rumo.
 
A valorização cambial acumulada nas últimas três décadas asfixiou o parque fabril do país sob a avalanche das importações asiáticas. Cristalizou-se uma inserção internacional capenga, que já perdera o bonde tecnológico dos anos 80/90, engasgada na digestão da dívida externa da ditadura.
 
O risco agora é perder o comboio da revolução 4.0 que adiciona a inteligência artificial, automação e saltos de produtividade aos sistemas industriais, com abate correspondente de vagas.
 
O bonde perdido de um ciclo mundial não passa de novo. O que os chineses tomaram da manufatura brasileira –liderança em bens duráveis etc—não volta.
 
Por isso o pré-sal e o mercado de consumo doméstico –restauradas as balizas sociais do ciclo do PT–  bem como o PAC na infraestrutura e, objetivamente, o agronegócio, são tão importantes.
 
Esse é o novo chão do desenvolvimento brasileiro no século XXI.
 
Os encadeamentos inscritos na partilha do pré-sal e a exigência de conteúdo nacional, ambos demonizados e revogados pelo golpe, encerram potencial industrializante de ponta, com escala capaz de criar, aí sim, a adesão virtuosa do país à revolução  4.0.
 
A costura da travessia de excelência em serviços públicos, infraestrutura em expansão e aderência à revolução tecnológica envolve uma operação essencialmente política.
 
Alguém precisa querer tenazmente esse Brasil.
 
Ou seja, um sujeito coletivo que enxergue aí o requisito à vigência efetiva do arcabouço de direitos inscrito na Carta Cidadã de 1988, que o golpe quer destripar para tomar de volta o pedaço do PIB aí destinado à emancipação da cidadania brasileira.
 
A opção por maior igualdade pressupõe maior justiça tributária.
 
A alternativa conservadora é regredir o eixo orçamentário para tornar a inclusão social tão rígida quanto o eletrocardiograma de um morto.
 
Os que hoje se avocam em depuradores da nação entendem desse açougue.
 
Eles sangraram Getúlio em 54; sangraram Jango em 1964; sangrariam Lula em 2005 se não tivesse reagido; sangraram a Presidenta Dilma em 2016 até derruba-la.
 
Esse retrospecto não endossa projetos exclamativos que descartem a negociação (entre interesses distintos, por definição) na longa marcha para se construir uma verdadeira democracia social no país.
 
Ao contrário.
 
É na renovada capacidade de arregimentar forças para liderar essa travessia, como se viu nos transbordamentos massivos em torno da caravana nordestina, que se reafirma o espaço de Lula à revelia dos seus algozes.
 
O passo seguinte da marcha ficou esboçado nos brotos verdes aflorados no sertão.
 
Mas o economista Ianis Varoufakis, ex-ministro das finanças da Grécia, que experimentou na carne as feridas de uma negociação com o capital na era da globalização, extraiu dessa experiência uma lição histórica que serve agora referência ao desafio posto diante do povo brasileiro e de sua principal liderança:
 
‘Só tem algo a negociar quem está preparado para romper’.

ADVOGADOS DE LULA PEDEM SUSPENSÃO DE INTERROGATÓRIOS POR CERCEAMENTO DE DEFESA

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, barba, close-up e atividades ao ar livre

Na condição de advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedimos na data de hoje (1º/09) a suspensão da Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000/PR, que tramita perante a 13ª. Vara Federal Criminal de Curitiba — inclusive em relação aos interrogatórios já marcados para os próximos dias 03, 05 e 13 — porque não foi dado acesso à Defesa a material que o Ministério Público Federal tem disponível de longa data e que faz uso na acusação contra o ex-Presidente.

Desde 07/07/2017 a Defesa do ex-presidente Lula pede acesso aos sistemas que seriam utilizados pela empresa Odebrecht no chamado “setor de operações estruturadas” – o “My Web Day” (contabilidade) e o “Drousys” (comunicação). O Ministério Público Federal alegou, inicialmente, que “não tem acesso ao sistema utilizado pelo Grupo Odebrecht, denominado My Web Day, nem dispõe de cópias” (evento 829) e, depois, afirmou contraditoriamente, que “não tem cópia integral” (evento 917).

Embora o juiz da causa tenha chegado a afirmar que era preciso ter “fé” na negativa apresentada, em 23/08/2017 o MPF reconheceu na ação que tem acesso ao “My Web Day” desde 08/08/2017, mas não disponibilizou à Defesa acesso ao sistema. Além disso, em 30/08/2017 — dois dias úteis antes do início dos interrogatórios — o MPF juntou aos autos relatório unilateral com suposta análise de uma “cópia forense” de uma suposta versão “Drousys”, mas também não disponibilizou à defesa acesso ao sistema.

O processo é ilegítimo quando a defesa não tem o direito de ter acesso ao mesmo material que o MPF utiliza para promover a acusação.

Ainda nesta data foi requerida a instauração de incidente de falsidade em relação a outros papéis apresentados nos autos no dia 30/08/2017 pelo MPF e por Marcelo Odebrecht. Nesse procedimento também pedimos a suspensão da tramitação do processo até que seja concluída a apuração sobre as dúvidas relativas a autenticidade do material apresentado.

CRISTIANO ZANIN MARTINS

Confira AQUI a íntegra da petição.

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NO JUSTIFICANDO – MAÍRA ZAPATER COMENTA CASO DE EJACULAÇÃO NO ÔNIBUS


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
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