Arquivo para 21 de agosto de 2017

EM SERGIPE LULA RECEBE MAIS UM TÍTULO DE DOUTOR HONORIS CAUSA DA UNIVERSIDADE FEDERAL PARA ESTIMULAR OS RESSENTIDOS

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PROCURADORES DE CURITIBA AGORA DIZEM QUE DELAÇÕES FORAM USADAS PARA “PROTEGER” DILMA, LULA E O PT

A turma de Curitiba – com algumas exceções – joga no mesmo time de Michel Temer. Estão pouco interessados que mais uma delação contra o presidente surja antes que a OAS ofereça mais munição contra Lula
Foto: Reprodução/IstoÉ
 
Jornal GGN – O jornalismo, quando exercido sem nenhum compromisso com a honestidade intelectual, além de indevidamente subestimar o leitor, corre o risco de revelar um pezinho na loucura. É o caso de IstoÉ e a matéria da última edição, que tenta colocar Michel Temer e aliados como vítimas da perseguição de Rodrigo Janot, um petista enrustido na visão dos procuradores de Curitiba e outros.
 
Basicamente, a revista disse aos leitores o seguinte: sabe aquelas delações da Lava Jato (Delcídio do Amaral, Sergio Machado e Joesley Batista) que outrora ajudaram a sacar Dilma Rousseff do poder, multiplicaram as ações penais contra Lula e continuam sendo usadas para destruir a imagem do pretenso candidato à presidência da República? Pois bem, acreditem ou não, elas fazem parte de um grande esquema montado pelo atual procurador-geral da República para “proteger o PT” e perseguir seus adversários políticos, de PMDB a PSDB.
 
É o nível de argumentação de quem está comprometido com o atual governo e seus vultosos recursos publicitários. 
 
 
Nos calçados dos procuradores de Curitiba, IstoÉ escreveu que não é de hoje que Janot vem “ajudando” o PT.
 
Um outro procurador sem nome, do Rio Grande do Sul, também teria dito que Janot tentou usar as delações da Lava Jato para salvar Dilma do impeachment. A tentantiva (fracassada, por sinal) de mostrar isenção com as delações tinha o objetivo de “evitar o impeachment colocando os líderes de todos os partidos em um mesmo saco”, disse a fonte.
 
Segundo a tese, Janot lançou a delação de Sergio Machado – que inclui o áudio sobre o “grande acordo nacional” – para tentar reverter o impeachment de Dilma no Senado. O grampo que deveria trazer problemas para o PMDB foi revelado em maio e a votação final se deu em agosto.
 
Para a revista/procuradores de Curitiba, o time de Janot agora tenta “desarmar” não só a delação de Machado, mas também a de Delcídio do Amaral. Isso justificaria o aparecimento de procuradores e policiais federais de Brasília criticando a falta de provas nas duas delações.
 
No caso da delação de Delcídio, a revista disse que Janot demorou para fechar o acordo para ajudar Dilma. E a estratégia que encontrou foi mandar investigar se o que Delcídio dizia tinha alguma fundamentação. Sim, a obrigação da PGR virou mera tática para interferir na política.
 
Acima de tudo, IstoÉ simplesmente ignorou que Lula tem 6 processos nas costas, sendo que os 3 que estão em Curitiba são alimentados com as falas de Delcídio. Outros 3 estão em Brasilia, pelo menos um instaurado precisamente graças à delação vazia e patrocinada pela turma da PGR.
 
A delação da JBS tampouco blindou Dilma e Lula. Ao contrário disso, levantou uma acusação que, pouco a pouco, vem sendo desmontada com ajuda do próprio MPF, que reconhece a falta de provas na história das contas no exterior com 150 milhões de dólares para os ex-presidentes.
 
O que Janot inaugurou e andou desagradando a turma anti-PT foi a chamada operação controlada, que pegou Aécio Neves no pulo, assim como pegou Temer abrindo as portas do governo a Joesley Batista em troca de um esquema de propina que pudesse abastecer PMDB pelas próximas duas décadas.
 
Mas contrariando o raciocínio lógico, IstoÉ publicou: “O mais flagrante esquema de favorecimento ao PT implantado por Janot na PGR se deu com a delação do empresário Joesley Batista. (…) O objetivo do grupo de Janot ao acelerar a delação da JBS era o de desestabilizar a gestão de Temer ás vésperas da votação das reformas e obter elementos para forçar uma denúncia oficial contra o presidente.”
 
No final, o leitor mais atento percebeu que o jogo da revista em favor do governo reside nesse trecho publicado:
 
“O estopim [da crise entre a turma de Curitiba e Janot] foi a maneira como se desenrolaram as tratativas para a delação de Eduardo Cunha. O acordo estava sendo negociado havia mais de três meses. São cerca de 100 anexos, que comprometem 20 políticos entre parlamentares e governadores. Os procuradores de Curitiba sustentam que já têm provas suficientes para apontar Cunha como chefe de uma organização criminosa e afirmam que o que ele está revelando agora já está bem caracterizado nas investigações da Lava Jato.”
 
Em outras palavras: a turma de Dallagnol – com algumas exceções – está no mesmo time de Michel Temer. Estão pouco interessados que mais uma delação contra Michel Temer ou o PSDB saia antes que a OAS ofereça mais munição contra Lula.

EXTRA CLASSE ENTREVISTA A FILÓSOFA MÁRCIA TIBURI – O FASCISMO E O RIDÍCULO ANDAM JUNTOS

Por Marcelo Menna Barreto
 
Foto: Simone Marinho/Ed Record/Divulgação

Para a filósofa e professora Marcia Tiburi, a propaganda nazista está na linha direta que leva ao surgimento da sociedade do espetáculo numa espécie de círculo vicioso. Portanto, segundo ela, a intimidade entre fascismo e ridículo político é evidente. A gaúcha de Vacaria, mestra e doutora pela UFRGS, não é uma filósofa qualquer. É filósofa, romancista e ensaísta. Mas hoje, ela prefere mesmo ser chamada de professora. Principalmente depois que a categoria começou a ser atacada pela turma da “escola sem partido”. Uma professora que atendeu o Extra Classe no meio de uma maratona que incluiu suas aulas no Rio de Janeiro, uma ida a São Paulo, uma palestra em Florianópolis e uma aula sobre Juan Rulfo, em Curitiba.  Sem deixar nunca deixar a simpatia de lado, a professora Marcia, mesmo tendo que reler Pedro Páramo inteiro para o último compromisso que listamos, em hipótese alguma deixou o Extra Classe sem respostas, falando um pouco mais do seus últimos trabalhos.  Depois do sucesso do seu livro Como conversar com um fascista (Record 2015)  ela  lança pela mesma editora o Ridículo Político, outro ensaio que, parafraseando alguns membros do nosso diligente Ministério Público, está no timing correto, analisando a política e o fazer política em nossa atualidade 

Extra Classe – Usando uma palavrinha da moda no mundo das artes, em que o Ridículo Político ‘dialoga’ com o seu livro anterior Como conversar com um fascista?

Márcia Tiburi – De fato, os livros podem ser lidos tendo em vista o diálogo entre eles. Em Como conversar com um fascista, eu tentei mostrar que o ódio não é um afeto natural, mas que ele se prolifera pelos discursos e que esse discurso se tornou um capital. As pessoas não imaginam como são “afetadas” pelas falas dos outros e pelos discursos vigentes. As pessoas “odeiam” tanto, em grande medida porque há muito estímulo ao ódio. Não há ódio sem linguagem, sem expressão de ódio, sem exposição de ódio. Mas odiar é mais do que um afeto, é também um jogo de linguagem. Um jogo em que quem pode mais chora menos. Odiar virou moda em uma época em que o desvalor se torna um valor.  A mesma coisa acontece com o ridículo. Ele é algo negativo que se torna valor, no sentido de capital mesmo. Em nossa época, aqueles que não se importam em cair no ridículo podem tirar vantagem dele. Muitos aprendem a fazer uso do que é vergonhoso como vantagem política. Em Ridículo Político eu tento colocar a atenção na estranha capitalização que vem acontecendo por meio do discurso preconceituoso e das cenas vexatórias. O que antes causava vergonha, transformou-se em mérito. E isso constitui uma profunda mutação na cultura política. O papelão é a moeda da política transformada em publicidade na era do espetáculo.

EC – Sabemos que a retórica fascista é vazia pois não apresenta ideias ou argumentos que fujam ao senso comum, mostrando-se alheia a qualquer limite ou reflexão. Neste contexto, o fascismo além de perigosos também é um ridículo político?

Marcia – O fascismo sempre teve algo de espetacular. Hitler, e Mussolini em certa medida, não seria ninguém sem a propaganda que ele ajudou a criar. Eles fazem parte da pré-história do que ainda chamamos de fascismo, a postura que nega o outro em um sentido cognitivo, ético e político. O discurso fascista vive de clichês e de um certo modo de aparecer. Um fascista quer aparecer mesmo que não tenha nada a dizer. Ele sabe que o mero aparecer rende capitalização na cultura do espetáculo. A propaganda nazista está na linha direta que leva ao surgimento da sociedade do espetáculo numa espécie de círculo vicioso. A intimidade entre fascismo e ridículo político é realmente evidente, sobretudo se pensarmos no poder de capitalização, de influência que os discurso preconceituosos, de ódio, os clichês expostos sem vergonha, tem sobre as pessoas e a sociedade como um todo.

EC – Já no prólogo do seu novo livro, mesmo brincando, você diz “Se o leitor espera divertir-se, deixe-o agora ou cale-se para sempre”. Não tens medo, de cara, de perder o seu leitor (risos)?

O fascismo e o ridículo andam juntos

Foto: Divulgação

Marcia – Eu confio na inteligência de quem lê o meu livro. O título de “Como conversar com um fascista” já era uma ironia que, por sorte, muita gente percebeu. Foucault disse em algum lugar que desejava a maldade do leitor. Como professora de filosofia, eu posso dizer o mesmo, não me interessa um leitor conformado. Nesse sentido, a ironia é uma boa maldade. O contrário da má fé que vemos hoje naqueles que fingem que não entendem e da fraqueza cognitiva daqueles que não entendem mesmo. Há pessoas que não gostam do meu livro e nem o leram. Não argumentam, e muitas vezes o xingam, ou xingam a mim. E isso não apenas entre aqueles que hoje praticam abertamente o discurso de ódio. Eu soube de um professor de uma importante universidade que não leu o livro e falou muito mal dele, e de mim, inclusive confessando em aula que ao entrar nas livrarias, escondia o meu livro atrás de outros. E era um professor alinhado com a esquerda. Cito esse caso, para que vejamos que o avanço da tendência fascista vai muito mais longe do que se imagina. Infelizmente, uma postura como essa apenas comprova concretamente as minhas teses. O próprio sucesso e o ódio que há contra o livro dão a ele certa centralidade na cena brasileira desse momento.EC – Você fala do hábito de não tratar com seriedade as coisas políticas. Isso, na sua opinião, vem, no Brasil, com o certo desalento com tudo o que está acontecendo ou deixa de ser um fenômeno conjuntural e permeia a história?

Marcia – Talvez seja possível buscar essa falta de seriedade na história no sentido de que as pessoas talvez não tenham se preocupado muito com o poder no momento em que deveriam ter feito isso. Mas seria conjecturar no vazio desde que não temos como escrever uma história do descaso. A história é a história do descaso, mas não temos acesso a ele. A meu ver, esse descaso, cujo conteúdo não conseguimos acessar, vem se aprofundando. Deixamos de lado, aquilo que não conseguimos resolver. Não se trata, portanto, de falta de seriedade em função de um gosto pela piada. Mas de uma incapacidade de nos relacionarmos com a coisa política. E, nesse sentido, de cuidar da coisa política. Eu me refiro, portanto, mais à falta de seriedade que surge na eminência de perigos que podemos avaliar. Porque pensamos que a vida se resolve em termos de economia, deixamos de lado a política. Mas essa visão nos foi vendida, não é autêntica. Ela nos foi vendida pelo neoliberalismo.

EC – Você afirma que perceber a relação entre a política e a estética é algo cada vez mais urgente. Sem a óbvia resposta, leiam o livro por favor (risos) poderia nos dar uma pincelada sobre o isto?

Marcia – Às vezes eu realmente tenho que sugerir isso, pois é incrível a quantidade de pessoas que falam sem demonstrar ter lido. Me impressiona que um livro possa incomodar tanto. Não é, evidentemente, o caso diante de sua pergunta que me pede para expor um pouco mais o meu ponto de partida. Em termos muito simples, quando falo de estética e política, estou me referindo tanto ao teatro da política, do aparecer em política, quanto ao universo daquilo que podemos chamar de sensibilidade psicossocial, os afetos que fazem parte do cotidiano político, não apenas do macropoder, mas do micropoder, do simples cidadão. A meu ver, se não compreendermos essa esfera não saberemos muita coisa sobre política. Atualmente, as pessoas falam demais sobre política sem conhecimento de causa e isso não tem ajudado a produzir mais discernimento.

O fascismo e o ridículo andam juntos

Foto: Simone Marinho/Ed. Record/Divulgação

“Odiar virou moda em uma época
em que o desvalor se torna um valor.
A mesma coisa acontece com o ridículo.
Ele é algo negativo que se 
torna valor,
no sentido de capital”

EC – Se para você política não é algo que se destrói, mas algo que se transforma, em que se transformou a política no Brasil?

Marcia – Você já ouviu neurocientistas dizerem que o cérebro é plástico? Ou seja, que ele se molda, que ele se adapta? Pois podemos dizer que a política tem a mesma qualidade plástica. Ela se molda, ela se adapta, ela é absolutamente moldável. Infelizmente, atualmente ela tem sido apenas manipulável para os fins de interesses privados contra os fins públicos que importam a um país e a uma sociedade democrática. Podemos dizer que a política vem sendo manipulada na direção da publicidade. Nossos representantes se apresentam como bufões e canastrões de um mau teatro com um péssimo enredo. No entanto, não devemos perder as esperanças, pois a política pode ser transformada em outra coisa, vai depender do nosso desejo. Aí mora um problema imenso, mas é esse o que deveria ser resolvido. Pois se não houver desejo não haverá entendimento, compreensão e transformação concreta do estado atual da política.

EC – Com a vitória de Trump nos EUA e a ameaça de quase chegada ao poder de Marine Le Pen, da Frente Nacional (de extrema direita) na França, como você avalia a política contemporânea no mundo. O ridículo também está presente?

 Marcia – De fato, não estou falando de um fenômeno brasileiro apenas. A questão é global, em todos os sentidos. Não foram os brasileiros que inventaram isso, mas o Brasil nesse momento, serve de exemplo. A Itália de Berlusconi, os EUA de Trump impressionam, mas podemos buscar a aparição do fenômeno em vários outros lugares. Trata-se de uma tendência dominante que tanto demonstra a falta de criatividade em política, como um perigo de destruição generalizada dos valores políticos conhecidos ate aqui.

“Um fascista quer aparecer mesmo que não tenha nada a dizer. Ele sabe que o mero aparecer rende capitalização na cultura do espetáculo.”O fascismo e o ridículo andam juntos

Foto: Divulgação

EC – Você diz que ninguém quer ocupar a posição ridícula, apesar de falar da instrumentalização do ridículo na política. No Brasil nós temos os famosos candidatos folclóricos, alguns, inclusive, com votações expressivas como o caso de Enéas Carneiro,  candidato três vezes à presidência da República (1989, 1994, 1998) que com o sua agilidade de raciocínio e fala, além do famoso bordão “Meu nome é Enéas!, foi eleito Deputado  pelo estado de São Paulo, com a maior votação já registrada no país para a Câmara Federal (mais de 1,57 milhão de votos). Votação, aliás, que quase foi batida por Tiririca, também de São Paulo, que com o seu bordão “Pior que está não fica”. Eles estão em que pé?Marcia – Esse é justamente o paradoxo do ridículo político, ninguém quer ser menosprezado por meio do ridículo, já que o ridículo implica uma desvalorização. Ninguém quer essa marca, mas aquele que ela assinala, adquire um valor. Isso não acontece ao natural, digamos assim. Os exemplos trazidos por você são todos perfeitos. Nenhum desses cidadãos se promoveu politicamente por meio do reconhecimento de algo como “competência” ou capacidade. Nenhum deles representava nada de admirável, de nobre ou sublime, digamos assim, muito menos de belo e verdadeiro, para usar termos antigos que em momentos diversos da história humana designaram valores estéticos e morais. Todos foram votados porque apareceram como personagens histriônicos, imagens, “personas”, no sentido de máscaras mesmo, com textos específicos, bordões, clichês, falas prontas. Quem cresce e aparece é porque se torna personagem, “figura”. Podemos citar candidatos eleitos em diversas cidades e estados pelo país afora. Os agentes populistas mais canastrões estão por aí exercendo seus governos de fachada. O que eu quero dizer com isso, não é que a política perdeu o estilo, pois há personagens também no passado, mas que o “estilo” do momento acoberta uma tremenda inconsistência política. Me refiro ao conhecimento, à capacidade mesma de governar visando a complexidade de um país. Quando ouvimos o discurso baseado em clichês, não estamos só diante de um ignorante que se elegeu, mas estamos diante de um caso de ignorância que foi capturada para efeito do poder. A ignorância tornou-se capital político, percebe?

EC – Você cita um exemplo de ridículo político no caso de um deputado que teria sido cantor sertanejo, com apresentações bem “sensuais”, que tornou-se pastor e propôs uma lei para proibir a masturbação. Sendo benevolente com a sua excelência, que pode alegar que suas dancinhas ocorriam antes da sua conversão, como você classificaria a maioria dos deputados da Frente contra a Corrupção que apoia as ditas 10 medidas do Ministério Público que votaram recentemente contra o afastamento de Temer para responder processo no STF?

Marcia – Digamos que, neste momento, os personagens das cenas que denominei sob o conceito de Ridículo Político, poderiam criar um partido novo. O Partido do Ridículo Político no qual se filiariam os políticos ridículos. Eu trabalho com essa distinção. Não podemos falar de um ridículo próprio a pessoas que desconhecemos, mas podemos elaborar essa categoria para dar conta das cenas em que ocorre essa inversão de valores. A saber, o que era vergonhoso se torna valioso, o que era papelão, tornou-se capital. Nessa linha, o que era considerado no passado como falta de ética tornou-se hábito. O que era imoral, tornou-se costume e, à medida que naturalizado, menos evidente. É como se não percebêssemos mais o ridículo, porque estamos todos mergulhados nele.

“O papelão é a moeda da política transformada
em publicidade na era do espetáculo”

EC – Quando você diz que o ridículo parece algo que não está acontecendo e, por isso, dá  a sensação de algo absurdo, como a política que oculta a política ao dizer-se não política, estás sendo bem direta para alguns que nas últimas eleições usaram como elemento de sua propaganda o “Eu não sou político, sou gestor”. Aliás, você entende que o marketing, a propaganda, ajudou muito nesse processo de ridicularização da política. Até que ponto alguém que se elege com um discurso desses, o da negação da política, deixa de ter uma atitude cínica e cai no ridículo?

Marcia – Fui absolutamente direta. Citei exemplos. Não há nenhum problema em relação a isso, pois não estou xingando ninguém de ridículo, como alguns podem pensar. Estou falando da capitalização a partir de um estilo em um contexto em que o “aparecer” é capital, o da sociedade do espetáculo. É a mutação da cultura política na época da sociedade do espetáculo o que me interessa avaliar. O estilo, aliás, ao qual me refiro deve ser entendido como modo de aparecer, de encenar, de realizar a performance que é parte do “fazer política”. Não há campanha sem performance e não há aparecer na cena pública sem performance. Mas existem performances mais espontâneas e outras menos espontâneas. As dos políticos são, em geral, programadas. É raro o político que não precisa “fazer tipo” disso ou daquilo. O que eu estou dizendo a transformação da política em publicidade leva a esse estilo. Quando o aparecer importa mais do que o ser, vemos essas cenas aberrantes. O cinismo não é o posto do ridículo, ele é a sua continuação. O populismo de hoje em certos personagens é orquestrado milimetricamente. Criam-se políticos como se criam cantores de sertanejo universitário ou bandas de forró fake. Há uma indústria cultural da política. Sua característica é vender o “gestor” neoliberal. Esse que promete sustentar a economia sem ideologia e está necessariamente ou enganando ou mentindo.

Foto: Simone Marinho/Ed Record/Divulgação

EC  – Para você, um ridículo especial que lhe serviu de estímulo para teorizar a relação entre estética e política foi o ocorrido no dia 17 de abril de 2016, quando a Câmara votou pelo impeachment de Dilma Rousseff. Sem dúvidas, o Brasil inteiro experimentou um certo mal-estar diante das declarações de votos mais bizarras. Segundo você,  uma sensação estranha, uma vontade de rir que era impossibilitada por um tipo de vergonha que analisas no livro, a vergonha alheia. Mas, se a vergonha alheia é o ato de sentir vergonha pelo próximo, você acha mesmo que houve esse sentimento ou o sentimento que seu livro também aborda, o nojo, uma categoria que entendes estar no limiar da estética?

O fascismo e o ridículo andam juntos
Marcia – Uma coisa não exclui a outra. O nojo da política está dado, é vivido diariamente como uma ambiguidade entre querer, desejar e perder e, por isso, recalcar o próprio desejo. Já aquele sentimento de vergonha alheia veio à tona naquele momento, pois aqueles que esperavam alguma coisa melhor da política, viram que daquele mato não sairia coelho, digamos assim. Quero dizer que, sentimos vergonha alheia diante daqueles que não sentem vergonha. Por que diante de quem tem vergonha sentimos compaixão, pena, ficamos tocados com alguém que se envergonha. Mas a vergonha alheia é uma sensação péssima que temos diante de uma desordem, digamos assim, diante de uma contradição gritante. No caso, vimos os representantes da nação se portando como imbecis despreparados para o cargo que ocupam. Em termos coloquiais, impressionava a falta de noção, a boçalidade, o patético.  A democracia estava em jogo e eles falavam e agiam como mentecaptos. Ao mesmo tempo, aqueles que odiavam Dilma Rousseff talvez tenham visto ali que os que a expulsavam ignominiosamente de seu lugar de presidente da República eram piores do que ela. E nessa medida, quem realmente pode estar contente com o que sobrou disso tudo? Será que os que, nas ruas, pediram o impeachment, não foram traídos por seu próprio desejo?

 

MST OCUPA FAZENDA DO ESTADO QUE ALCKMIN QUER VENDER

Famílias ocupam área pública no Vale do Paraíba (SP) para reivindicar criação no local de assentamento agroecológico, para produção agrícola e pecuária sem transgênicos e agrotóxicos
Por Cida de Oliveira, da RBA .
 
MST
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Antes de ser sucateada, fazenda experimental ocupada desenvolvia pesquisas em parceria com pequenos agricultores

São Paulo – Desde a manhã de hoje (21), 60 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam parte da fazenda pertencente ao polo regional do Vale do Paraíba da Agência Paulista de Tecnologia do Agronegócio (Apta). Localizada no município de Pindamonhangaba, interior paulista, tem área total de 1.425 hectares, considerada improdutiva. As famílias reivindicam a área de 350 hectares, correspondente a 30% do total, que consta da lista de imóveis com venda autorizada pela Lei 16.338, criada e sancionada em 2016 pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Na área ocupada estão instalações do polo, onde eram realizadas pesquisas em agroecologia em parceria com famílias assentadas pela reforma agrária. Atualmente, está sem atividade científica devido ao sucateamento e à falta de investimentos públicos para pesquisas. Além dessa fazenda, outras 55 áreas estão na lista de Alckmin, a maioria pertencente à institutos de pesquisa em tecnologia agrícola e pecuária.

A área já havia sido ocupada em 2015, quando famílias do MST foram despejadas de outra fazenda estadual. Com capacidade para assentar 30 famílias, o projeto de assentamento leva em conta a manutenção da parceria técnico-científica com o polo regional. 

Recuperação ambiental

“Já temos parceria com a Apta em agricultura e pecuária ecológica, produção de leite e alimentos sem venenos, sistemas florestais para recuperação de áreas degradadas. Por isso, reivindicamos a destinação dessa área, que deverá ser vendida, para assentamento agroecológico”, diz Suelyn da Luz, da direção regional do MST. “A ocupação é também para chamar a atenção da população contra esse projeto do governo, de vender ou privatizar essas áreas para outros fins quando podem ser destinados ao assentamento de famílias sem terra.”

De acordo com a liderança, a sociedade tem mais a ganhar com a criação do assentamento no local do que com a destinação incerta, conforme o perfil de quem vier a comprar. “Além do cumprimento da função social da terra, a produção agroecológica contribui para a recuperação vegetal do terreno degradado e a preservação ambiental, e para a saúde das pessoas da região, que poderão comprar alimentos sem venenos e mais baratos, produzidos perto de casa.”  

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Pela manhã, policiais estiveram na ocupação. Mas não houve tensão.

Ainda segundo Suelyn, a direção da Apta já esteve no local acompanhada por agentes da Polícia Militar e jornalistas. Não houve tensão no encontro, e as famílias esperam que a autarquia entre com pedido de reintegração de posse.

No último sábado (19), famílias ocuparam a fazenda Lageado, no município de Itaporanga, pertencente ao estado, e a fazenda Caximba, conhecida como Consteca, em Apiaí, em processo de arrecadação judicial para pagamento de dívida do falido Banco América do Sul. Os Sem Terra denunciam a existência de cinco terras públicas no estado e reivindicam a destinação para assentamento.

Uma delas é o Horto Estadual, entre os municípios de Itapeva e Itaberá, reivindicado pelo acampamento Nova Esperança desde 2014. O projeto vem sendo discutido há anos por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), que pretendem transformar as áreas da Fazenda Pirituba, dominadas pelo monocultivo de pinus, em assentamento sustentável. 

registrado em:           

LULA EM SERGIPE: “TEMER QUE MEXA NA APOSENTADORIA DELE”

Foto: Ricardo Stuckert

“Se você quiser mexer com aposentadoria, Temer, mexa na sua. Eles não sabem o que significa aposentadoria rural num município pequeno”, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste domingo (20), a uma multidão aglomerada para recepcionar a chegada da caravana Lula pelo Brasil ao estado do Sergipe.

Lula discursou a milhares de pessoas reunidas no centro da cidade de Estância, de onde recebeu o título de cidadão estanciano, em uma cerimônia com direito à Batucada Quebra Coco e muita festa. ‘Vocês têm de se preocupar é com essas meninas que vieram dançar aqui hoje cheias de esperanças no futuro. Vocês não tem que estar preocupados comigo, têm de se preocupar com vocês e com os filhos de vocês”.

Foi o primeiro dia do ex-presidente no estado, onde deve permanecer até terça-feira. Ele visitará ainda as cidades de Lagarto, Itabaiana e Nossa Senhora da Glória. “Resolvi viajar o Brasil pra escutar vocês, ouvir vocês e discutir sonhos com vocês. E na hora em que a gente constrói um sonho, a gente começa a trabalhar pra esse sonho virar realidade”, afirmou.

Legado

Lula relembrou a era de ouro vivida durante os governos petistas e declarou que, sendo ou não candidato, ele seguirá andando pelo Brasil para mostrar que o país é possível. “O problema deles é com o fato de que todas as categorias tiveram aumento de salário em 12 anos; criamos 22 milhões de empregos. E esse nordestino que não falava inglês nem francês passou a presidir um país respeitado no mundo todo”, ressaltou.

Nesta segunda-feira (21), a caravana Lula pelo Brasil volta à estrada e começa o dia pela cidade de Lagarto. 


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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