Arquivo para 16 de julho de 2017

PORTAL FORUM: GILBERTO CARVALHO CONTA COMO SERÁ A DEFESA DE LULA NAS RUAS APÓS A CONDENAÇÃO DE MRO

Gilberto Carvalho sempre foi uma das pessoas mais próximas do ex-presidente Lula. Conversei com ele por aproximadamente 30 minutos na manhã de ontem sobre como será a estratégia dos movimentos que apoiam o ex-presidente depois do resultado do processo que condenou Lula a 9 anos e meio de detenção em primeira instância. Gilberto revelou que, além do ato da próxima quinta-feira, está sendo articulado em nível nacional uma série de eventos nas faculdades de Direito para o dia 11 de agosto, com o intuito de debater o processo de Lula. E também contou como serão as caravanas do ex-presidente pelo país e as articulações com a Igreja Católica, que ele entende estar muito mais atenta para o que está acontecendo. Leia a íntegra a seguir.

O que o PT e os movimentos estão preparando na defesa do ex-presidente Lula?

Na verdade nós temos que ter a compreensão que a nossa luta agora não é uma corrida de 100 metros, de tiro curto. Temos uma grande maratona pela frente. Se tivesse havido a loucura da prisão do Lula, aí seria uma corrida de tiro curto por que teríamos que fazer uma pressão imediata de liberação, etc. Felizmente, não se trata disso. Não que seja menos grave, porque essa condenação, como todo mundo sabe, tem por objetivo tirar o Lula do processo eleitoral. Dentro desse contexto entendemos que temos que ter um processo crescente de mobilização e que seja o mais amplo possível. Tanto do ponto de vista de forças políticas como de segmentos sociais. É fundamental que a gente faça uma ação muito urgente e muito massiva de esclarecimento da população sobre as razões e o contexto dessa condenação. Da parte deles, o que se trata, é de tentar espalhar que o Lula está condenado, não é mais candidato, acabou, e que a condenação foi uma coisa justa por que ninguém está acima da lei. É o que a mídia dominante vem fazendo ao buscar especialistas que dizem que o Moro tem razão e coisa e tal.

Da nossa parte, já começamos aqui em Brasília, por exemplo, a fazer materiais bem populares e entregar nas rodoviárias e nos pontos de concentração popular. Isso nós temos que fazer em todo o Brasil. Outro meio fundamental são as redes sociais. Esses veículos que vocês constroem são fundamentais na luta pela democracia.

Diante dessa perspectiva é que foi combinado para o dia 20 juntar o povo que a gente conseguir pra começar a expressar de maneira mais organizada e mais massiva possível a nossa rejeição e a nossa decisão de lutar até o fim pra reverter esse absurdo dessa condenação.

Além disso, no dia 11 de agosto a ideia é fazer em todas as faculdades de direito do país atos e tribunais, ou júris populares, para marcar esse julgamento e difundir o absurdo que é uma condenação sem prova. O pessoal que luta pela democracia no âmbito do direito também está começando a preparar atos em todas as capitais reunindo juristas pra debater tecnicamente este processo. Nos interessa muito mostrar que, tecnicamente, esse julgamento é um absurdo. Para além da questão política há uma questão evidentemente técnica, da tal da condenação sem provas, baseada apenas numa delação absolutamente constrangida, como sabemos. Daqui para frente a ideia é, de fato, fazer esse processo numa crescente.

Então a caravana pelo Nordeste faz parte desta agenda?

Na verdade, a caravana ao Nordeste precedeu a historia da condenação. Já fazia parte de um projeto que estávamos pensando de construção de um novo programa de governo, como foi a que o Lula nos anos 90. Já tínhamos trabalhado a ideia de isso começar pelo Nordeste, fazer uma caravana de quase 20 dias de ônibus, pelos 9 estados do Nordeste e, em seguida, organizar caravanas da mesma natureza nas outras regiões do pais. Lula me ligou sexta-feira (14) para tratar disso. Como eu estava em Porto Alegre, já pedi pro pessoal me sugerir um roteiro no Sul. E e assim faremos no Sudeste, Centro-oeste, Norte…

E todo o deslocamento será de ônibus?

Onde for possível, sim. Claro que na Amazônia é mais complicado. Mas nas outras regiões a ideia é ir de ônibus. A ideia é colocar o Lula em contato com a população, para ouvir a população, para retomar o reconhecimento do Brasil pós governo Lula e também pós golpe. E com isso mostrar para o país e para o mundo aquilo que o golpe está fazendo no nível do desmonte, sobretudo na inclusão social. Naturalmente que agora ganha isso passa a ter um ingrediente novo. O da condenação e assim por diante. Nós entendemos que o julgamento no TRF-4 é muito importante, mas ao mesmo tempo não queremos fazer qualquer tipo de pressão no TRF-4. Nós queremos é construir um convencimento de que é preciso corrigir esse erro absurdo que foi praticado. Por isso nos interessa o debate entre intelectuais e juristas nesse período. Ele é de grande importância.

Você então entende que é possível reverter essa decisão do juiz Sérgio Moro no âmbito jurídico?

Não temos ilusão. Não será fácil reverter essa condenação, por que o Moro é apenas um ator de um processo muito mais amplo que conta com a mídia, judiciário, parlamentares corrompidos, poder econômico e com uso do judiciário fortemente contra nos. O golpe não veio para brincar. Por isso a seriedade com que nós também estamos encarando essa luta.

 E como está a relação com outras partes da sociedade que não a parte tradicionalmente de esquerda? Tem havido um processo de diálogo com setores empresarias, setores do judiciário, setores da política tradicional na tentativa de convencer que este processo contra o Lula pode se tornar algo maior e contra esses setores também?

Eu diria que não. Os contatos são muito tímidos, por enquanto. O que mais avançou, e eu acho isso extraordinário e muito importante, é a nossa relação com as entidades sociais, que estão no campo popular. E eu saúdo com muita ênfase a unidade em torno das duas frentes desse campo. Além disso, o que houve foi uma reaproximação muito forte com as igrejas. Eu diria que de um lado a influencia do Papa Francisco ajudou, mas de outro lado a crueldade das medidas e a clareza das razões do golpe, provocou uma aproximação inédita, não com o PT, mas com a causa social. Tem sido muito intenso o diálogo, da CUT em particular, com a CNBB.

Isso pode ser visto na última greve geral, onde aconteceu um apoio inédito da CNBB aos movimentos sociais. Eu diria que não vai faltar também um apoio forte da igreja pra que se faça justiça nesse caso do Lula. Tua pergunta é importante por que nós, necessariamente, vamos ter que buscar contatos com outros setores. A gente sabe que há um descontentamento de uma parte do empresariado, mas ele ainda é pequeno, em relação a essa política antinacional. Infelizmente, o que prevalece é a covardia dos empresários, sobretudo suas entidades. O papel da CNI, da Fiesp, é lamentável, é um papel de traidores da pátria. Mas há setores com os quais temos uma relação histórica e que temos interesse em conversar mais para mostrar a eles que a estabilidade do país passa pela possibilidade de Lula unificar um amplo setor nacionalista e reconstruir as redes, o tecido social, para um projeto que resgate da soberania do país.


Para terminar, tem gente falando que se o Lula não puder ser candidato a esquerda não deve lançar nenhum candidato e que inclusive o PT não deve lançar candidatos para concorrer a nenhum cargo eletivo. O que você acha dessa tese?

Eu não gosto de bravatas. Acho que a gente precisa ter muita prudência e não ficar buscando planos B, C etc. Acho também que temos que concentrar nossa energia na luta pela absolvição do Lula e para que ele seja candidato. Esse é nosso mote. E não só do PT, acho que de todo o setor democrático. Depois, Lula sendo candidato ou não sendo, ai é outra coisa. Mas não se pode agora, e buscando não ferir a unidade, ficar com bravatas. Muita água vai passar por baixo das pontes e pelos rios deste país até lá. E tem uma coisa também: não podemos ter a ilusão que será um processo fácil. O golpe não veio pra ficar um ano, dois. É um enquadramento neoliberal que vamos ter de enfrentar com muita dificuldade. Não podemos subestimar e achar que tudo vai correr bem, que Lula vai ser candidato e tudo vai mudar. Ao mesmo tempo o derrotismo não ajuda em nada. Temos que ter pé no chão, mas ter confiança também de que estamos do lado certo da história. E que nós convenceremos cada vez mais nosso povo a se rebelar contra essas medidas. Acho que a atitude das senadoras no dia da votação da reforma trabalhista foi muito importante. Por que ela mostra que tem que mudar de qualidade a nossa ação política. Não podemos nos submeter a essa ilegalidade que eles estão fazendo. Eles romperam a legalidade. Nós vamos ter que ter muita clareza e capacidade de radicalizar as lutas, mas com um detalhe: não é uma coisa de vanguarda, é com o povo junto. Por isso, a recomendação é a seguinte: nós temos que conversar com o povo, fazer material, ir aos bairros populares, temos que, mais do que nunca, dar força para vocês que fazem esse trabalho heroico de resistência na área da comunicação. E falar para as mentes e corações: se a esquerda, os movimentos populares, esse campo social continuarem pequenos nessa história, nós teremos muita razão, mas poucos apoiadores. Isso não nos interessa. Nós precisamos ampliar nosso leque, sobretudo entre os pobres.

quatro contra o impeachment.jpg

São Paulo – A ação popular em favor da anulação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff avança com a assinatura de trabalhadores, estudantes, artistas, intelectuais e ganha força com a adesão de nomes de peso dentro e fora do cenário político. Depois da presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), e do senador Lindbergh Farias (RJ), que assinaram no último dia 5, ocasião da posse da senadora como dirigente nacional do PT, foi a vez do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula assinou na noite da última segunda-feira (10), em lançamento da segunda fase do Memorial da Democracia, em Belo Horizonte. “Não conseguimos falar diretamente com o presidente, mas o Paulo Okamoto se prontificou a levar a ficha até ele, que assinou”, conta a compositora e ativista digital Malu Aires, da coordenação do comitê em Belo Horizonte

De acordo com ela, é cada vez maior o engajamento na ação popular. “Muita gente que nem conhecemos está espalhando as fichas, coletando assinaturas. E não se trata de um simples abaixo-assinado. É uma ação popular que tem força legal. Anular o impeachment significa trazer de volta a credibilidade ao ato de votar, porque o povo votou e rasgaram seu voto ao afastar a presidenta eleita democraticamente sem crime de responsabilidade”, diz.

Malu destaca que depende do Supremo Tribunal Federal (STF) trazer de volta a legalidade democrática e o equilíbrio das instituições. “Aí sim a gente pode confiar que as próximas eleições serão respeitadas. Caso contrário, como confiar em uma eleição se houve impeachment sem legalidade democrática, o que dirá dentro de um golpe de Estado? Só a volta de Dilma para caracterizar que o governo Temer é usurpador e poder revogar todas as medidas aprovadas em seu governo”, pondera. “Claro que não é algo automático, mas a partir daí podemos questionar tudo judicialmente”.

O músico Damu Silva, da coordenação do comitê do Rio de Janeiro, também destaca o envolvimento da população. “As pessoas formam fila diante da nossa tenda na Candelária para assinar a ação. São pessoas de todas as classes sociais, trabalhadores, gente quer dar sua contribuição. Muitas até dizem que não votaram em Dilma, mas entendem que ela tem de voltar”, diz.

Damu, que aproveitou um evento para pegar a assinatura do ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, conta que a ex-ministra da Cultura de Dilma, Ana de Hollanda, logo que soube da ação entrou em contato. “E apareceu com mais de cem assinaturas, inclusive do irmão Chico Buarque, da ex-cunhada Marieta Severo e tantos outros artistas”. O vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) também assinou a ação.

Fernanda Pieruzzi, do comitê de Brasília, conta que a anulação do impeachment chegou a ser discutida no congresso do PT realizado no início de junho, em Brasília. E que foi aprovada moção de apoio a iniciativas como a ação popular. “Em ato contra a votação da reforma trabalhista no Senado, companheiros anunciaram dos carros de som a coleta de assinaturas”, conta.

Por mais remota que pareça a possibilidade de o STF anular o impeachment, Fernanda pensa diferente. “Os ministros ainda não se pronunciaram. Seria diferente se julgassem improcedente. Além disso, muitas pessoas ainda desconhecem essa alternativa do mandado de segurança. E Dilma viaja o mundo denunciando o golpe, tendo dito até não se sentir aliviada porque ainda é presidenta. E voltando, ela pode pedir as eleições diretas. Uma coisa não anula a outra”, destaca. 

Lançada no dia nacional de paralisação convocado pelas centrais sindicais e pelos movimentos sociais, no último dia 30, a ação popular pretende reunir 1,3 milhão de assinaturas para pressionar o Supremo Tribunal Federal a anular o impeachment.

Com comitês em diversas capitais, o Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment contesta o mérito do processo que depôs Dilma mesmo sem ter sido comprovado crime de responsabilidade. 

“A gente sabe que o Supremo é golpista, que está alinhado com as forças do golpe, mas a gente tem que fazer um contraponto, uma oposição a isso. Se o povo pressionar, vai ser outra força e vai fazê-los se posicionar. A colocar ou não as suas digitais formalmente no golpe. É isso que está faltando aqui no Brasil, essa resistência popular de fato”, afirma a enfermeira aposentada e militante Edva Aguilar, da coordenação nacional do Movimento Nacional pela Anulação do Impeachment.

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EM ERA DE CINISMO, NADA MAIS INTERESSA ALÉM DA DISPUTA DE PODER

Brasília- DF- Brasil- 07/04/2015-  O juiz federal Sérgio Moro participa de apresentação de um conjunto de medidas contra a impunidade e pela efetividade da Justiça, na sede Associação dos Juízes Federais do Brasil (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
A era do cinismo pelo qual estamos passando permite que alguém como o ex-prefeito de São Paulo, condenado por lavagem de dinheiro pela corte francesa, torne isso completamente irrelevante e invisível. E dita as regras numa comissão que traz no nome as palavras constituição e justiça.

A condenação de Lula por Sérgio Moro, criou o ambiente propício para o tipo de disputa narrativa que se tornou o grande embate na política brasileira atual. Lula é um símbolo, é impossível negar isso, e, como todo símbolo, seu sentido, ou o sentido de tudo que diz respeito a ele, será, inevitavelmente, disputado, concorrido, requerido, reivindicado permanentemente.

Cinismo generalizado

De um lado, falando sobre Lula, a senadora Ana Amélia (PP-RS) dizia que “agora, felizmente, estamos vendo que a lei é igual para todos, porque antes só pobres, ladrões de galinha ou negros iam para a cadeia”. É o cinismo de quem sabe que uma frase como essa nem deveria ser pronunciada, porque é um escárnio diante das diversas histórias cotidianas da seletividade da justiça e do sistema penal brasileiro. Ana Amélia, crítica dos excessivos cargos comissionados do governo do seu estado, mas que foi servidora do Senadoenquanto era diretora da RBS, na década de 1980.

O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) fez questão de ressaltar que “ninguém está acima da lei, que foi feita para ser cumprida por todos os cidadãos brasileiros”. Ele que, acima da lei, nos custou quase 150 mil reais, alugando carros de luxo para uso particular, para se deslocar no seu estado, Santa Catarina.

Por outro lado, o senador Carlos Zarattini, líder do PT na Câmara, chama atenção para o fato de a condenação de Lula ter de ser reprovada por todos os brasileiros, porque ela atropela a democracia e os processos jurídicos. Cinismo e desonestidade é associar a prisão de Lula a um atropelo da democracia, mas não reconhecer a violação da democracia com a sanção, pelo governo Dilma, da chamada Lei Antiterrorismo em 2016.

In June 2013 huge demonstrations that took place in dozens of cities in Brazil through which people expressed their discontent with increased public transportation costs, high World Cup spending and insufficient investment in public services. The police response to the wave of protests in 2013 was, in many instances, violent and abusive. Military police units used tear gas indiscriminately against protesters, fired rubber bullets at people who posed no threat and beat people with hand-held batons. Hundreds were injured and hundreds more were indiscriminately rounded up and detained, some under laws targeting organized crime, without any indication that they were involved in criminal activity. In May 2014, Amnesty International launched the campaign “No foul play, Brazil” warning about restrictions to freedom of expression and police abuses during protests and urging the authorities to ensure security forces “play by the rules” during demonstrations expected to take place ahead and during the World Cup 2014.

Lei e ordem: manifestante é “contido” durante as manifestações contra a Copa, em 2014, em São Paulo.

Mídia Ninja

À revelia dos vetos feitos por Dilma, a lei foi o balde de água fria definitivo em grande parte da herança do junho de 2013. Aliás, em junho de 2013, as manifestações foram, sobretudo no Rio e em São Paulo, reprimidas com força desproporcional, com diversas violações de direitos.

É cínico não reconhecer o atropelo da democracia na assinatura de uma portaria casuística como a 3.461, em 2013, feita por Celso Amorim, à época ministro da Defesa, para garantir a Lei e a Ordem: leia-se, reprimir, com o Exército, todo levante popular contra a maneira que os grandes eventos foram pensados (e pagos) para o Brasil, com a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas/Paraolimpíadas.

O cinismo de Moro

Tomados pelo cinismo que inspira e pauta as relações na política no país, nada mais coerente que a construção como herói de uma figura como Sérgio Moro. É ele, hoje, a principal referência de ética e honestidade, à revelia do cinismo com o qual age, mas envolto em uma áurea de imparcialidade inquebrável.

Celebrado pela elite política conservadora que tem nitidamente asco da política de ascensão dos pobres empreendida pela gestão de Lula e celebrado pela elite midiática que não quer mesmo ver o petista novamente no centro do poder, Moro exerce bem sua aparente capacidade de revestir frieza e cinismo de serenidade.

SÃO PAULO, SP, 13.07.2017: LULA-SP - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou entrevista coletiva a jornalistas na sede do Partido dos Trabalhadores, em São Paulo, na manhã desta quinta (13) para falar, pela primeira vez, sobre a sua condenação a 9 anos e 6 meses de prisão pela Lava Jato. O juiz Sergio Moro, responsável pelo processo em primeira instância, sentenciou o presidente por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). (Foto: Diego Padgurschi /Folhapress)

Lukla durante coletiva na sede do PT em São Paulo, na quinta (13)

Lula, se preso preventivamente, só se fortalece como herói, e Moro corre o risco de se afundar na imagem de juiz a serviço de uma torcida, em grande parte, rica e conservadora.

Faz isso quando diz que não decretou prisão preventiva de Lula por prudência, e para evitar “certos traumas”, por se tratar de um ex-presidente da república. Envolto no ambiente do cinismo que envolve a todos, Moro sabe que as provas para a condenação de Lula são frágeis, e as provas produzidas pelo MPF não lhe dão a garantia de que sua decisão não passe na revisão de instância superior.

Neste caso, Lula, preso preventivamente, só se fortalece como herói, e Moro corre o risco de se afundar na imagem de juiz a serviço de uma torcida, em grande parte, rica e conservadora. Dizer “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”  é o cinismo típico de quem confunde-se com a própria lei, e que, portanto, está ele mesmo acima de qualquer um.

O cinismo de Renan

E o que diríamos ao ver Renan Calheiros rompendo publicamente com Temer, acusando o governo e criticando a reforma trabalhista. Assim como no caso de Maluf, chega a ser constrangedor sob a luz da troca de carinhos entre os dois políticos, em novembro de 2016, portanto menos de um ano atrás, em que Renan prometia sua fidelidade a Temer, colocando o Senado aos seus serviços para votações, disposto inclusive a cancelar as férias.

Logo ele, que votou contra a PEC do Trabalho Escravo, em 2012. Só o cinismo explica.

Mas no nosso universo cínico, Renan Calheiros critica a reforma trabalhista como um homem preocupado com o direito dos trabalhadores pobres, assim como o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) critica o governo e a reforma da previdência. Logo ele, que votou contra a PEC do Trabalho Escravo, em 2012. Só o cinismo explica.

BRASÍLIA,DF,04.07.2017:SESSÃO-SENADO-MOVIMENTAÇÃO - O senador Renan Calheiros participa de sessão no Senado Federal em Brasília (DF), nesta terça-feira (04). (Foto: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress)

Renan em sessão do Senado em abril de 2017: grande defensor dos trabalhadores.

Também soa muito cínico o PSDB dissimular uma disputa interna, como se fosse quase uma crise de consciência, sobre deixar o governo ou ficar com o governo, alegando como única questão dessa crise a falta de ética da gestão Temer. Depois de ser marcado por uma geração de políticos de relevância – José Gregori, Mário Covas, Sergio Motta, Celso Lafer, além do próprio Fernando Henrique Cardoso – o PSDB alcança um momento medíocre de sua história, mendigando espaço na cúpula do poder, em crise internamente porque não consegue ocupar e manter este espaço.

É este cinismo que sustenta cada declaração da cúpula do PSDB

O ninho tucano vê a queda política do senador Aécio Neves, sua outrora principal estrela e aposta, enquanto vê agora sua única força política para cargos majoritários, ser possível na figura de um ambíguo e outsider João Doria, prefeito de São Paulo. É o partido cuja metade da bancada fecha com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) para blindar membros da linha sucessória da presidência e volta atrás vergonhosamente diante da repercussão negativa.

É este cinismo que sustenta cada declaração da cúpula do PSDB, simulando unidade e compromisso com os interesses do Brasil, enquanto tudo o que querem é que seus poderes e privilégios não percam espaço.

O fato é que, politicamente, o Brasil parece se encontrar no seu momento mais cínico. E o seu momento mais cínico é também o seu momento mais frustrante e diametralmente oposto ao que junho de 2013 esboçou pautar, antes de ser também capitulado por uma pauta cínica anticorrupção.

O que temos no Legislativo  é uma coleção de correlações de forças, onde  tudo se torna imprevisível, toda trama é obscura, a rua está distante, e a democracia é só recurso narrativo impregnado de muito cinismo.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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