Arquivo para 11 de julho de 2017

ECCE MULHER! GLEISI HOFFMANN!

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SENADO APROVA O PROJETO DE REFORMA TRABALHISTA, SEM ALTERAÇÕES

Da Redação da Rede Brasil Atual.

São Paulo – O plenário do Senado aprovou o projeto de lei (PLC 38) de “reforma” da legislação trabalhista. Foram 50 votos a favor e 26 contrários, com uma abstenção. A votação foi concluída por volta das 19h50, depois de mais de seis horas de sessão suspensa, devido a uma ocupação organizada por um grupo de senadoras da oposição. Conforme queria o governo, o texto foi aprovado sem mudanças.

A oposição ainda tentava aprovar algum destaque, para que o projeto voltasse à Câmara. Sem mudanças, o PLC 38 vai à sanção de Michel Temer. O governo diz que fará alterações via medida provisória. “Esta reforma é para diminuir a rede de proteção social e precarizar as condições de trabalho”, disse Humberto Costa (PT-PE). “Este projeto não vai criar empregos, e sim subempregos”, afirmou Telmário Mota (PTB-RR).

“Uma parte de mim morre hoje”, disse Paulo Paim (PT-RS), que desde o início da discussão tentou um acordo para incluir alterações no texto. “Vesti a minha melhor roupa (hoje), como se fosse o dia da minha morte.”

“Este é um dia muito triste para o Senado Federal”, reagiu Renan Calheiros (PMDB-AL). “O Senado se submete, por várias razões, a fazer o desmonte do Estado social. Da noite para o dia”, acrescentou o ex-líder do partido, para quem o projeto prejudica sobretudo os mais pobres. Do ponto de vista da representação política, este talvez seja o “pior momento” do Senado, disse Renan. “O que os senhores estão fazendo com o Brasil?”, afirmou o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ). “O trabalho intermitente é uma nova forma de escravidão.”

“O que aconteceu aqui envergonha a nação”, afirmou Gleisi Hoffmann (PR), presidenta nacional do PT, pouco depois de a sessão ser retomada. “A classe dominante deste país não tem projeto para o Brasil. Quando há crise na economia, vocês disputam verba do orçamento. Os senhores deviam se envergonhar do que estão fazendo. A cabeça dos senhores é escravocrata”, acrescentou, dirigindo-se aos governistas.

“Nós tínhamos acabado com a fome neste país, os senhores fizeram voltar. Os senhores rasgaram a Constituição, tiraram a Dilma, fizeram uma emenda constitucional para retirar dinheiro das políticas sociais e agora estão tirando direitos”, disse ainda a senadora, uma das parlamentares que permaneceram na mesa diretora desde a manhã desta terça-feira (11). “O que ganha uma pessoa com o Bolsa Família vocês gastam em um almoço.”

“Esta reforma trabalhista não tem uma vírgula a favor do trabalhador”, afirmou João Capiberipe (PSB-AP). “É uma reforma unilateral e é burra, porque é recessiva. A renda do trabalhador vai despencar. E nós aqui estamos surdos, não enxergamos o óbvio”, afirmando que a queda da renda levará à diminuição do consumo e da arrecadação da própria Previdência. “Este Congresso brincou com a democracia. Não se sai da crise agradando só a um  lado.”

Durante o dia, a oposição reafirmou a posição “insustentável” do presidente da República, denunciado pelo Ministério Público Federal. “O Michel Temer a um passo da guilhotina e o Senado insiste em manter a votação da reforma trabalhista”, escreveu Paulo Paim (PT-RS) em rede social.

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O tema ocupou os debates na internet. “Quero manifestar o meu apoio às senadoras de oposição que ocuparam a mesa do Senado hoje para impedir a votação da reforma trabalhista”, declarou, por exemplo, o vereador paulistano e ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP).  O senador Magno Alves (PR-ES) chamou de “pantomima” a manifestação das senadoras, enquanto José Medeiros (PSD-MT) entrou com representação no Conselho de Ética da Casa contra as parlamentares.

A oposição também questionou o fato de o Senado não fazer nenhuma mudança no texto vindo da Câmara. “É claro que não é bom (o episódio de hoje), mas, por outro lado, como é que pode se fazer uma reforma trabalhista sem que o Senado possa alterar um inciso, um artigo de uma lei tão importante?”, disse Jorge Viana (PT-AC).

“Os próprios parlamentares do governo reconhecem que há distorções. Nós, aqui, vamos abrir mão do nosso papel de Casa revisora do Legislativo? Em, nome de quê?”, questionou Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para quem o único motivo é dar “alguma sobrevida” ao governo Temer. O ex-presidente Fernando Collor (PTC-AL) disse que o projeto apenas causará mais intranquilidade social. Eduardo Braga (PMDB-AM) também criticou o fato de o Senado não fazer alterações ao texto, mesmo considerando a necessidade de uma reforma na legislação.

Uma possível medida provisória para “corrigir” itens do projeto, conforme acena a base governista, também é posta em dúvida pela oposição. “Quem confia em Michel Temer?”, disse Jorge Viana. Segundo ele, se o problema é de tempo, seria mais rápido aprovar alterações no projeto, que voltaria para a Câmara e seria sancionado pelo presidente. Uma MP, segundo ele, ficará meses tramitando.

“Esse projeto não retira direitos do trabalhador”, reafirmou o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-AL). Segundo ele, alguns “ajustes” serão feitos, como nos itens sobre trabalho intermitente, trabalho em gestantes e lactantes em locais insalubres e representação nos locais de trabalho. 

Confira quadro comparativo elaborado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que analisou as mudanças em relação ao projeto original.

Confira a votação de cada senador.
 
Sim
Aécio Neves (PSDB-MG)
Airton Sandoval (PMDB-SP)
Ana Amélia (PP-RS)
Antonio Anastasia (PSDB-MG)
Armando Monteiro (PTB-PE)
Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
Benedito de Lira (PP-AL)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Ciro Nogueira (PP-PI)
Cristovam Buarque (PPS-DF)
Dalirio Beber (PSDB-SC)
Dário Berger (PMDB-SC)
Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Edison Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Elmano Férrer (PMDB-PI)
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Gladison Carmeli (PP-AC)
Ivo Cassol (PP-RO)
Jader Barbalho (PMDB-PA)
João Alberto Souza (PMDB-MA)
José Agripino (DEM-RN)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Medeiros (PSD-MT)
José Serra (PSDB-SP)
Lasier Martins (PSD-RS)
Marta Suplicy (PMDB-SP)
Omar Aziz (PSD-AM)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Raimundo Lira (PMDB-PB)
Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
Roberto Muniz (PP-BA)
Roberto Rocha (PSB-MA)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Ronaldo Caiado (DEM-GO)
Rose de Freitas (PMDB-ES)
Sérgio Petecão (PSD-AC)
Simone Tebet (PMDB-MS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Wilder Morais (PP-GO)
Zezé Perrella (PMDB-MG)
 
 
Não
Álvaro Dias (Podemos-PR)
Ângela Portela (PDT-RR)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Eduardo Amorim (PSDB-SE)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Fátima Bezerra (PT-RN)
Fernando Collor (PTC-AL)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Humberto Costa (PT-PE)
João Capiberibe (PSB-AP)
Jorge Viana (PT-AC)
José Pimentel (PT-CE)
Kátia Abreu (PMDB-TO)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Otto Alencar (PSD-BA)
Paulo Rocha (PT-PA)
Paulo Paim (PT-RS)
Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
Regina Sousa (PT-PI)
Reguffe (Sem partido-DF)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roberto Requião (PMDB-PR)
Romário (Podemos-RJ)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
 
Abstenção
Lúcia Vânia (PSB-GO)
 
Ausente
Acir Gurgacz (PDT-RO)
Hélio José (PMDB-DF)
Maria do Carmo Alves (DEM-SE)

registrado em:   

EUNÍCIO MANDOU APAGAR A LUZ E SOM DO SENADO E DEPOIS AFIRMOU: OS TRABALHOS SÓ DEPOIS QUE A DITADURA DEIXAR”. LUZ, SOM E DITADURA SÍMBOLOS FORTES

Fotos de Lula Marques.

 Produção Afinsophia.

  As senadoras Regina Souza, Lídece da Mata, Gleisi Hoffmann, Fátima Bezerra e Vanessa Grazziotin realizavam suas defesas da democracia se posicionando contra a deforma trabalhista provocada pelos estúpidos e embrutecidos direitistas inimigos dos trabalhadores, quando o acusado de corrupção, senador Eunício de Oliveira, presidente da Casa, arbitrariamente, como lacaio do capital personificado partidariamente no golpista-mor Temer, arrancou agressivamente o microfone da senadora Fátima Bezzera e mandou cortar o som e apagar as luzes.  logo, em seguida, afirmou que os trabalhos só seriam reiniciados quando “a ditadura deixar”. Ele o próprio ditador.

  O desprezível Eunício, tentou se passar por Deus mandando apagar as luzes e cortar o som. Fiat Lux!, Faça-se a Luz! Não! Não faça-se a Lux, mas não se faça a luz. Ele delirou ser o Senhor do Universo. Mas, logo em seguida vem o velho Freud e afirma que toda pessoa que sofre de delírio de onipotência carrega um grande recalque causado por forte frustração libidinal. Ou seja, é um impotente em relação ao mundo objetivo, porque sua libido narcisa voltou (introversão, diz Jung) contra si mesmo por não encontrar referente no mundo exterior.

 Quer dizer: Eunício delirou, porque a luz continuou e o som também. Não só as luzes projetadas pelos celulares, mas as luzes do saber das senadoras. Luzes que nenhum tirano pode apagar. Aqui a luz não é um símbolo. É o real. O saber que nenhum golpista é traspassado. Diferente do quadro expresso pelos golpista pintado pela estupidez, a brutalidade, a insensibilidade, indigência epistemológica e a atrofia ética. É o quadro quase que geral do Congresso Nacional se não fossem as presenças de poucas deputadas, deputados, senadoras e senadores progressistas e, por tal, democratas. 

  Em sua brutalidade de direitista impulsionada pela moral burguesa, Eunício, mostrou que é ignorante da cultural mundial e regional. Não viu que estava diante de um movimento feminista no específico molde da peça do grego Aristófanes, Lisístrata, mulheres que lutam por seus direitos. E no movimento da expressão nordestina de Gonzagão: “O candieiro se apagou, o sanfoneiro cochilou e a sanfona não parou e o forró continuou”.

   Nada a surpreender, as direitas são subproduto atrofiados filo e ontogeneticamente. 

 

MPF ARQUIVA INVESTIGAÇÃO CONTRA LULA POR OBSTRUÇÃO DE JUSTIÇA NO CASO DELCÍDIO

O Ministério Público do DF arquivou uma das investigações contra Lula por obstrução da Justiça a partir de delação de Delcídio do Amaral.

 O procurador Ivan Marx pediu arquivamento do caso. Delcídio relatou que Lula pediu um “gabinete de crise” no Senado contra a Lava Jato para atrasar as investigações.

Segundo o ex-senador, em 2015, ele, o ex-presidente, Renan Calheiros e Lobão se reuniram no Instituto Lula.

Marx disse que foi interpretação de Delcídio.

“Não se pode olvidar o interesse do delator em encontrar fatos que o permitissem delatar terceiros, e dentre esses especialmente o ex-presidente Lula, como forma de aumentar seu poder de barganha ante a Procuradoria-Geral da República no seu acordo de delação”, afirmou no parecer. (leia a íntegra)

 

“O POVO QUE NÃO CONHECE SUA HISTÓRIA E SEU PASSADO NÃO TERÁ A CHANCE DE CONSTRUIR UM FUTURO MELHOR”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (10), em Belo Horizonte (MG), do lançamento da 2ª fase do projeto Memorial da Democracia.

O Palácio das Artes, onde a cerimônia foi realizada, ficou completamente lotado para o evento, que contou com a presença do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do coordenador do Memorial da Democracia, Franklin Martins, além de historiadores, intelectuais, trabalhadores e representantes de movimentos sociais e partidos políticos. 

Durante o lançamento, Lula afirmou que é preciso retomar a democracia no Brasil para o povo voltar a ter seus direitos garantidos. “Parece fácil, mas nem todo mundo consegue entender a importância da democracia. O povo que não conhece a sua história e o seu passado não terá a chance de construir um futuro melhor”, acredita o ex-presidente.  

Para Lula, o golpe parlamentar contra a ex-presidenta Dilma Rousseff está afetando diretamente os mais pobres. “No meu governo e da Dilma, o Palácio do Planalto passou a receber sem-teto, quilombolas, indígenas e toda a sociedade brasileira. Eu nunca vi tanto ódio disseminado neste país como eu vi em 2013. Eu imaginava que era contra o Lula, mas era contra a democracia”, disse. 

Lula durante o lançamento do Memorial da Democracia, em Belo Horizonte (MG). Foto: Ricardo Stuckert 

Para ver as fotos do lançamento em alta resolução, clique aqui.

Veja as principais falas do ex-presidente durante o evento: 

Democracia 

Não acreditava que fosse possível um trabalhador chegar à presidência. Em 89, por meio da democracia, descobri que era possível. Espero que retomemos a democracia no Brasil para que possamos investir mais em saúde, inclusão social e educação. Precisamos de mais gente pobre na universidade, mais gente pobre trabalhando. Democracia é para as pessoas serem felizes. É importante ter claro que a democracia exige compromisso. Qual é o estado democrático que queremos construir no futuro?

Instituições desmoralizadas 

Hoje nós estamos com as instituições todas desmoralizadas. Ninguém acredita em ninguém. Ninguém acredita no poder judiciário, na Presidência da República, na Câmara dos Deputados. Essa negação de tudo não ajuda em nada. É por isso que não existe saída fora da política. Fazer política é discutir os problemas e suas soluções.

Foto: Ricardo Stuckert

Fora Temer

Já perceberam que estamos gritando Fora Temer há mais de um ano? E que, de repente, a Globo resolve dar um golpe no Temer? Será que a razão pela qual a Rede Globo quer derrubar o Temer é a mesma razão pela qual eu quero? Eu quero derrubar o Temer porque quero reconquistar a democracia para que o povo tenha direito de eleger o presidente da República. Porque sou contra as reformas que eles estão fazendo. Não podemos jogar a crise econômica em cima do aposentado, do pescador. 

Pagar a conta

É preciso que os ricos desse país entendam que têm responsabilidade de pagar a conta. Não é para ficar com raiva quando a empregada doméstica garante seus direitos e diz que quer férias para viajar de avião para a sua terra. Não é para ficar com raiva, é para ficar orgulhoso. Significa que as pessoas estão tendo acesso aos bens de consumo. Democracia não é casa grande para um lado e senzala para outro. Democracia é direitos iguais para todos.

Veja como foi a transmissão completa do evento: 

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FLula%2Fvideos%2F1370861432982853%2F&show_text=1&width=560

GOVERNO TENTA MUDAR LOCAL DE VOTAÇÃO, ACUSA A OPOSIÇÃO. DA REDAÇÃO DA REDE BRASIL ATUAL

São Paulo – Diante da manifestação da oposição, que ocupou a mesa diretora do Senado, o presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), tenta transferir a sessão do plenário para o Auditório Petrônio Portela, acusam senadores e sindicalistas. Pouco depois do meio-dia, sem conseguir ocupar a mesa, Eunício mandou apagar a luz e cortar os microfones, retirando-se em seguida. Em pauta, o projeto de “reforma” trabalhista (PLC 38).

Em nova transmissão feita há pouco por rede social, o presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que a base governista tenta mudar o local de votação. “Daqui a pouco farão a votação no banheiro”, ironizou, protestando contra o fato de sindicalistas teriam sido barrados enquanto, segundo ele, representantes patronais têm livre acesso.

“Estão claramente preparando o Petrônio Portela para ter uma sessão alternativa. Isso vai trazer mais tensão ainda”, comentou o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ).

Enquanto tentam forçar a votação, parlamentares da base governista estariam tentando fechar uma medida provisória que veta e altera itens do projeto. Mesmo com críticas internas ao texto, os governistas querem aprovar o PLC 38 sem alterações, para evitar retorno do texto à Câmara. 

Neste momento (14h30), Eunício e oposição estão reunidos para tentar um acordo que permita a retomada da sessão.

XADREZ DO FIM DA LAVA JATO E DO AVANÇO DA ULTRA-DIREITA, POR LUIS NASSIF

Vamos colocar alguns balizamentos nesse mar revolto da política nacional.

Peça 1 – a admissibilidade do julgamento de Temer

Artigo 52 da Constituição:

Compete privativamente ao Senado Federal:

I – processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles; 

Como é definido o crime de responsabilidade:

Segundo o Senado Federal,

“a rigor, não é crime, e sim a conduta ou comportamento de inteiro conteúdo político, apenas tipificado e nomeado como crime, sem que tenha essa natureza. A sanção nesse caso é substancialmente política: perda do cargo ou, eventualmente, inabilitação para exercício de cargo público e inelegibilidade para cargo político”.

Temer recebeu no Palácio do Jaburu um interlocutor da JBS que entrou disfarçado, de acordo com recomendação sua. Indicou um interlocutor para falar em seu nome com a JBS. O interlocutor negociou um favor à JBS e recebeu, em troca, uma mala com R$ 500 mil. Foi filmado. Depois de preso, o dinheiro foi devolvido.

Não há a menor dúvida de que Temer cometeu um crime de responsabilidade. Para saber se foi crime comum, necessita ser investigado. E a investigação depende da autorização do Congresso.

Espertamente, o advogado der Temer, Antônio Mariz de Oliveira, fez uma defesa baseada em princípios penais: se cometeu ou não o crime comum. O julgamento era de crime de responsabilidade. Indagou: cadê o dinheiro?, sabendo que o dinheiro foi devolvido apenas após o intermediário ter sido preso. Só se saberá se cometeu, também, crime comum, após a autorização para ser processado.

Em suma, torna-se difícil segurar a peteca do governo Temer. Mas há mais coisa em jogo do que a moral do Congresso: centenas de cargos e verbas distribuídas. Portanto, o resultado ainda é incerto.

Peça 2 – o fator Rodrigo Maia

Montou-se num golpe parlamentar tendo como objetivo enfiar goela abaixo do eleitor um conjunto de reformas que não seriam aceitas em processo eleitoral aberto, mantendo alguns ritos para dar a aparência de legalidade.

Essa estratégia foi desmoralizada quando a opinião pública internacional passou conhecer Temer e sua gang. Aí ruiu a tentativa de dar uma aparência legalista ao golpe.

Culminou com a Globo endossando a delação da JBS.

A hipótese aventada pelo Xadrez foi a de que o estardalhaço mal planejado em torno da JBS visava encobrir o indiciamento da Globo pela Ministério Público espanhol e pelo FBI, em função da compra da Copa Brasil da CBF de Ricardo Teixeira.

Esta semana, fonte com contato direto com os Marinho confirmou a suspeita. Apenas três membros do grupo – João Roberto Marinho, Ali Kamel e um executivo – souberam do indiciamento da Globo nas investigações poucos dias antes do vazamento das delações da JBS. E a intenção de bater bumbo visou justamente ocultar as repercussões do escândalo CBF.

A exposição dos feitos do grupo de Temer torna impossível manter a pantomima.  Tenta-se a gambiarra Rodrigo Maia.

A mídia, especialmente a Globo, enche a bola de Maia e passa a sensação de que a queda de Temer é irreversível.

Joga com uma esperteza típica dos acordos de delação. Dá a impressão de que o governo Temer afunda e quem pular por último no governo Maia, ficará sem lugar no barco.

O jogo das deslealdades políticas funciona assim.

Os jornais levantam o nome do possível presidenciável, Rodrigo Maia.

O presidenciável é aliado do presidente, e não quer passar por desleal. Mas é mordido pela mosca azul, como são todos aqueles que vêm passar à sua frente um cavalo selado muito acima dos seus sonhos mais rocambolescos.

Aí ele fica quieto. Não desmente nem confirma os boatos.

Ao ficar quieto, provoca desconforto nas hostes do presidente. E os jornais começam a difundir as fofocas palacianas.

Aí o presidenciável começa a romper com o presidente com o argumento “como é que eles podem desconfiar da minha lealdade”. E a desconfiança em relação à lealdade se transforma no grande álibi para a deslealdade.

Simples assim.

Há três possibilidades em jogo.

Possibilidade 1 – Temer se arrastando até 2018. Com o flagrante da mala de R$ 500 mil, dificilmente se manterá no cargo. Mas não se deve duvidar da capacidade de auto desmoralização do Congresso.

Possibilidade 2 – Rodrigo Maia assumindo dentro de um pacto de fortalecimento do centro.

Possibilidade 3 – Maia assumindo para completar o trabalho incompleto de Temer.

Em qualquer hipótese, há que se invocar a prova do pudim.

Se Maia suspender a tramitação das reformas e negociar a constituição de um conselho para discuti-las, contemplando todos os setores, abrirá caminho para a pacificação e a legitimação de Maia. Caso contrário, não. O tal fortalecimento do centro resolverá apenas a vida de Aldo Rabelo, que saiu do PCdoB esperançoso de ser o vice-presidente de Maia. O centro sou eu, deve pensar Aldo.

O mais provável será a tentativa de continuidade das reformas com Maia.

Peça 3 – fim da Lava Jato

Seja qual for o resultado da permissão de Temer ser investigado, a Lava Jato já entrou em contagem regressiva.

Dois pontos centrais indicam seu fim.

O primeiro, o enquadramento do Ministério Público Federal (MPF) nos limites da lei. A provável nova Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, tem histórico de severidade em relação à corrupção política, convicção em defesa dos direitos sociais e respeito aos limites constitucionais. Sua indicação será um caso típico de se escrever direito por linhas tortas.

O segundo, o fato óbvio de que a Lava Jato passou a avançar sobre alvos não-petistas. As mudanças de posição do Estadão e da Globo são desmoralizantes, ao dividir as propinas entre caixa 2 do bem e do mal.

Não duvide de que, daqui a algum tempo, Deltan Dallagnol e outras figuras da Lava Jato deixarão o MPF e se lançarão na política. Ninguém usa a própria corporação como escada, como eles, se não for para pular para patamares superiores.

Serão novos Pedro Taques, o ex-procurador que se notabilizou pela luta contra a corrupção, foi eleito governador do Mato Grosso, e está envolvido em vários escândalos de financiamento de campanha, porque não há como fugir do modelo político em voga.

A volta à legalidade deverá passar impreterivelmente pelos seguintes fatos.

Fim dos vazamentos

Dodge já anunciou um conjunto de medidas visando coibir vazamentos. E, sem vazamentos, a Lava Jato perde expressão. À medida em que as denúncias vão sendo divulgadas, o que se vê é um episódio canhestro de delações sendo referendadas por novas delações que, por sua vez, só tem como provas novas delações.

Sem o bate-bumbo da mídia, grande parte das denúncias da Lava Jato não para de pé. Ficam exclusivamente com as contas no exterior, levantadas pela cooperação internacional e com parte do conteúdo de algumas delações. São os chamados investigadores de araque e de computador.

Revisão do instituto da delação

Um dos grandes abusos da Lava Jato foi a desmoralização precoce do instituto da delação premiada.

É um absurdo extraordinário o fato dos procuradores buscarem a condenação a todo preço, em lugar de se comportarem como promotores de justiça; terem o poder absoluto de definir a pena a ser negociada com o delator, assim como definir o que pretendem do delator.

Criou-se essa desmoralização do inquérito. O delator aceitava as condições propostas, dizia o que os procuradores desejavam ouvir, as declarações íam alimentar manchetes políticas da mídia. Depois, na hora de apresentar as provas, pernas para o ar que ninguém é de ferro.

O instituto terá que ser recriado em bases sérias e recuperado do mau uso que foi feito pela Lava Jato. O modelo do procurador que investiga ser o juiz da oportunidade da delação mostrou-se fracassado.

Punição das infrações cometidas

Ponto central na volta da legalidade será a punição dos crimes e abusos cometidos no período. Como vazamento de conversas privadas, não associadas à investigação, abuso na condução coercitiva, vazamentos que comprometeram suspeitos, depois inocentados, manifestações de procuradores e delegados fora dos autos, como a partidarização nas redes sociais, grampos ilegais nas celas, perseguições a companheiros, por delegados da PF.

Provavelmente não se irá revolver o passado. Mas não se tenha dúvida de que a nova PGR estará com a bala na agulha esperando a primeira manifestação de descumprimento dos códigos do MPF.

Peça 4 – a crise do partido do mercado

E aí se entra em um nó montado pela conspirata.

O PSDB deixou um vácuo na representação do mercado. Perdeu suas principais lideranças, deixou há tempos de ser um partido programático e João Dória Jr não infunde confiança em nenhum dos grandes grupos paulistas que investem em um liberalismo mais moderno. Disparou como um foguete para um público sequioso do novo. Mas não tem pique de gestor público, nem vontade. A cada dia aparecem as vulnerabilidades de sua gestão em São Paulo e um estilo arrogante que não atrai aliados.

Hoje em dia, sua base de apoio na mídia se reduz ao portal iG, cooptado por seu cabo eleitoral Ivan Zurita, ex-presidente da Nestlé, e possivelmente a IstoÉ – depois que Aécio Neves naufragou. É possível que consiga a adesão do Estadão, se os CEOs da Lide conseguirem driblar as regras de distribuição das campanhas pelas agências. Mas CEO não é dono.

Dória tenta investir tudo no anti-lulismo, mas não é de raça pura. Sua agressividade será tão contraproducente quanto a de José Serra, quando, em 2010, se transmudou em profeta louco, e Aécio Neves quando deixou de lado a imagem de conciliador para enveredar pela agressividade.

É fato que a estrada dos candidatos outsiders será pavimentada pelos discursos anticorrupção, anti-Lula e, ironicamente, anti-mídia.

Esses conspiradores primários conseguiram cavar uma trincheira de desconfiança tão grande em relação à institucionalidade, que nela cabem o PSDB, a mídia, a Justiça, PT e Lula. E, à sua frente, o avanço das verdadeiras tropas bárbaras, comandadas por Bolsonaro.

O que se tem, agora, é um moto contínuo:

1.     Tiraram a besta da jaula para devorar Lula.

2.     A besta ganhou vida própria e passou a avançar sobre os seus aliados.

3.     Se não seguram a besta, em breve até seus criadores, os grupos de mídia, serão devorados.

4.     Toca, então, a trazer a besta de volta para a jaula.

5.     Trazendo, enfraquecem a ofensiva política contra Lula. A cada dia que passa, mais improvável será sua condenação.

6.     Liberando Lula e os tucanos, alimentarão fortemente outra besta, a candidatura que melhor representa não apenas o anti-Lula, mas o anti-mídia: Bolsonaro.

E os hunos de Bolsonaro não dependem um segundo da mídia. Montaram uma horda bárbara nas redes sociais que, a cada dia, é engrossada com seguidores verdadeiramente apaixonados.

São as grandes alavancas da Lava Jato e por ela são alimentados.

Ainda não há condições de saber o preço final que o país pagará pelo golpe do impeachment.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

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