ENTREVISTA: JOANNA MARANHÃO FALA SOBRE CARREIRA, ATIVISMO E CORRUPÇÃO NO ESPORTE, MATÉRIA DE GABRIEL VALERY, DA REDE BRASIL ATUAL

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São Paulo – “Sempre falei abertamente que eles eram corruptos e todos me chamavam de louca, cricri, causadora de problemas e que ficava procurando desculpa para o fracasso”, afirma a nadadora Joanna Maranhão, em entrevista à RBA, sobre os recentes casos de corrupção na Confederação Brasileira de Despostos Aquáticos (CBDA), que culminou com a prisão do presidente do órgão, Coaracy Nunes. “Sou retaliada pela CBDA há anos”, desabafa Joanna, que diz não ter recebido, durante a preparação para as Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016), seu salário corretamente.

Deflagrada no início do mês, a Operação Águas Claras, realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, investiga o destino de 40 milhões de reais repassados à CBDA, que não chegaram a ser aplicados nas piscinas. Nunes esteve à frente da confederação desde 1988. “Eles foram presos, desviaram este dinheiro apenas no último ciclo olímpico”, explica Joanna. A nadadora, com frequência, tece críticas que vão além do universo esportivo, ao alcançar também a seara política.

“Nós (esportistas) não somos uma comunidade, o esporte de alto rendimento não carrega praticamente nenhum dos valores idôneos que as pessoas gostam de repetir, e é por todos os lados: atletas, técnicos, clubes, federações, confederações, comitê olímpico, Ministério dos Esportes… então, o meu papel não é somente nadar. O dia tem 24 horas e eu posso cumprir minhas obrigações e combater essa crise moral do desporto brasileiro. É isso que venho fazendo”, afirma.

A recifense de 29 anos representou a natação brasileira nos últimos quatro Jogos Olímpicos, única atleta do país a alcançar tal feito. “E se duvidarem tento uma quinta”, diz, referindo-se às Olimpíadas de Tóquio (2020). Joanna reuniu, em 2016, todos os recordes sul-americanos em provas mistas do esporte.

Sua disposição para o debate político já resultou em críticas, incluindo mensagens de ódio em redes sociais, em diferentes situações, como em 2015, nas vésperas dos Jogos Pan-Americanos do Canadá. “Vou defender o meu país, mas não vou estar representando essas pessoas que batem palmas para Marco Feliciano (PSC-SP), Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Eduardo Cunha (PMDB-RJ)”, atacou na ocasião, mirando parlamentares conservadores que, com frequência, promovem discursos racistas, sexistas e homofóbicos.

“A internet revelou o que a gente vem repetindo: ‘que a cadela do fascismo está sempre no cio, e ela deu cria’”, continua. Visando ampliar seu ativismo social, Joanna se filiou ao Partido Socialismo e Liberdade (Psol), em fevereiro. O presidente da legenda, Luiz Araújo, comemorou o ato da nadadora: “É uma demonstração de que está surgindo um novo polo de reaglutinação da esquerda no Brasil. E isso não apenas dos velhos militantes, mas também das novas lideranças”.

Questionada sobre a possibilidade de pleitear algum cargo público no futuro, Joanna afirma que “não foi essa a razão” de sua filiação. “Mas sei lá, em 2014 falei que ia parar de nadar para nunca mais voltar, e dois anos depois estava nadando os Jogos Olímpicos pela quarta vez e fazendo os melhores tempos da minha vida. Sigo meu coração, vou aonde puder ser útil”, completa.

Qual foi o seu caminho até o esporte? Até a profissionalização?

Comecei aos três anos, por questões de saúde e pelo medo da minha mãe de afogamento. Nunca tivemos atletas na família, então fomos descobrindo como é esse caminho aos poucos. Acho que sempre fui atleta de alto rendimento, sabe? Sempre levei mais a sério do que meus coleguinhas de treino, a rotina, de um modo geral, nunca foi um grande sacrifício pra mim.

Quais os principais momentos da sua carreira como nadadora?

As finais olímpicas, conquistas de índices olímpicos nas seletivas, as oito medalhas em Jogos Pan Americanos e principalmente, o momento que melhorei minha marca dos 400 metros medley após 11 anos.

Um momento difícil neste caminho?

Enfrentar a história da minha infância (quando foi vítima de abuso sexual) e combater a depressão enquanto atleta.

Como surgiu o seu interesse, disposição, por política?

Desde sempre, minha família, apesar de ser de classe média e branca, teve um olhar crítico pros privilégios da gente. Meu irmão Luiz foi meu mentor, me indicava livros e leituras.

A recente filiação ao Psol representa uma vontade de disputar algum cargo público?

Não foi por essa razão, eu me identifico com as pautas do partido, conheci pessoas incríveis que têm me ensinado muito. Todo mundo repete isso: “quando você vai se candidatar?”. Mas sei lá, em 2014 falei que ia parar de nadar pra nunca mais voltar, e dois anos depois estava nadando os Jogos Olímpicos pela quarta vez e fazendo os melhores tempos da minha vida. Sigo meu coração, vou aonde puder ser útil.

Acha que existe uma alienação ou falta de envolvimento da comunidade esportiva em causas coletivas?

É só o que existe. Não somos uma comunidade, somos um grupo de nadadores cuidando cada um de sua carreira.

Quais os principais legados da Copa e das Olimpíadas?

Que não sabemos gerir um grande evento esportivo, não tivemos nenhum olhar para a base e os responsáveis superfaturaram obras e lavaram muito dinheiro.

Quando o Luciano Huck disse que estava na hora de a geração ‘dele’ tomar o poder, você rebateu dizendo que esta já é a realidade. O que a sua geração pode fazer para mudar esse triste cenário?

Reflexão interna, quem não olha pra dentro de si e se propõe a combater as pequenas corrupções entranhadas dentro da gente não vai mudar absolutamente nada.

A internet e o acirramento das opiniões revelaram que país em sua opinião? 

Revelou o que a gente vem repetindo: “que a cadela do fascismo tá sempre no cio, e ela deu cria”.

Assim como as redes se tornaram um dos poucos instrumentos de contestação da narrativa hegemônica, a direita e o conservadorismo também estão lá, como você disse outrora, sustentando a lógica racista, homofóbica, misógina impregnada em nossa sociedade. Como enfrentar essa lógica se todos os espaços parecem ocupados por ela?

Nosso maior desafio é respirar fundo e encontrar uma maneira de dialogar com essas pessoas, a grande maioria repete o mesmo discurso, não problematiza, não relativiza nada. Agora, como fazer isso? Quem está disposto a fazer isso?

O ódio nas redes sociais contra atletas que se posicionam atrapalha seu desempenho? E no meio esportivo, existe algum tipo de bloqueio, perseguição ou preconceito?

Sou retaliada pela CBDA há 11 anos, sempre falei abertamente que eles eram corruptos e todos me chamavam de louca, cricri, causadora de problema e que ficava procurando desculpa para o fracasso. Semana passada, eles foram presos, desviaram mais de 40 milhões só no último ciclo olímpico. É como eu disse lá atrás, nós não somos uma comunidade, o esporte de alto rendimento não carrega praticamente nenhum desses valores idôneos que as pessoas gostam de repetir, e é por todos os lados: atletas, técnicos, Clubes, Federações. Confederações, Comitê olímpico, Ministério dos Esportes… Então, o meu papel não é somente nadar. O dia tem 24 horas, posso cumprir minhas obrigações e combater essa crise moral do desporto brasileiro, e é isso que venho fazendo.

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"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

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