Arquivo para 9 de março de 2017

O DESLUMBRADO-BEIJOQUEIRO, DEPUTADO CHICO ALENCAR DO PSOL, E O FALSO REVOLUCIONÁRIO DE MARX

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Resultado de imagem para imagens do jornalista noblat Não que a humanidade seja dividida entre os bons e os maus. Ou, entre os que se consideram bons e os que se consideram maus de acordo com suas orientações (ou desorientações) para seus objetivos que são tomadas como finalidade de suas existências. Nada disso. Existem as noções comuns, mostradas pelo filósofo holandês, Spinoza. Há sempre corpos que se relacionam entre todos.

  Porém, essas noções comuns, mesmo sendo comuns a todos, levam cada um escolher o que lhe é conveniente para perseverar na vida. Perseverar pelo que é fundamental para o homem, ou outro animal, possa continuar seu processual vital. Não sucumbir. Na escolha de uma existência contrária a práxis do conactus, ato de perseverar mostrado por Spinoza, não há como a vida se fazer um processual gratificantemente sensorial, cognitivo e ético, como confirma a existência burguesa-capitalista.

   É pois, pelo ato de perseverar na vida, que é um ato coletivo, já que a vida é uma plano de imanência, como dizem os filósofos Deleuze e Guattari, que se pode entender as escolhas dos indivíduos. E são as duas subjetividades-políticas mais expressadas no mundo, a subjetividade-política economia política capitalista, e economia política socialista, que levam os indivíduos a cortarem as noções comuns que os dispõem às relações. No sentido coletivo, não há no burguês-capitalista qualquer corpo que seja necessário ao socialista. Assim, como não há no socialista qualquer corpo necessário ao burguês-capitalista. Logo, politicamente, não há noções comuns entre essas duas subjetividades políticas.

    O deputado Chico Alencar do Psol que se diz socialista (ou comunista?) e que se toma como combatente ao ‘lulismo’, claro que para se autopromover ressentidamente, já que nasceu no Partido dos Trabalhadores, compareceu de livre escolha ao regabofe dos golpistas promovido por um dos mais submissos representantes da imprensa brasileira defensora do capital norte-americano: Ricardo Noblat. No rega estavam as principais figuras do golpe e, por tal, os representantes da burguesia-capitalista. De Aécio a Temer. Uma burguesia brasileira, mas brasileira.

  O socialista (ou comunista?), entre umas e outras, resolveu expressar no recinto a indecorosa subjetividade da casa parlamentar. Passou a comentar relações dos personagens presentes. Entre esses comentários sobrou para Aécio, no bom sentido, para eles. Além de elogiar Aécio, um dos mais delatados na Lava Jato e Furnas, ainda lhe beijou a mão.

  Com a publicidade em torno do caso beijoqueiro, ele tentou tirar as broncas, e entre as broncas disse que era amigo de Noblat das antigas e escrevia em seu blog por isso havia ido ao rega. Um socialista (comunista?) amigo de um burguês cuja consciência-ideológica-teclados -antigamente se dizia a pena- defende avidamente o patrão Marinho, proprietário da maior inimiga do Brasil a Rede Globo, defensor e mantenedor do capital. Um Noblat conhecido como um importante reacionário que inveja os sujeitos-ativos que pensam um mundo em que a vida persevere como alegria de viver.

  Agora, corre informação que seus lábios não ficaram só na mão de Aécio (que traição). Ele beijou também o invejoso amigo do reacionário Roberto Freire, Raul Jungmann, todos golpistas que estão se locupletando com o desmonte das estruturas do Estado brasileiro. Pode ser que as umas e outras tenham liberado o verdadeiro burguês do socialista (ou comunista?) Chico Alencar que, no caso dele, ninguém é de ferro. Só que nem alcoólatra vive toda a vida nos braços de umas e outras. Sendo assim, ele vai ter que lutar muito para representar para seus eleitores o socialista (ou comunista?) que antes da cenas beijoqueiras ele representava.

  Mas é Marx quem nos mostra que Chico Alencar, o socialista (ou comunista?) é um o falso socialista (ou comunista?), mas um verdadeiro burguês. Marx diz que nas lutas revolucionárias se unem três tipos para lutar.

   – Um, o revolucionário engajado comprometido com as causas libertárias e conhecedor das necessidades de libertação do proletariado. Esses são os autênticos revolucionários. Os que estão sempre em luta. Lutam todas horas, todos os dias, todas as semanas, meses e séculos (Há uma certa relação com o poemas de Brecht que tratam dos homens que lutam.

   – Dois, os que lutam porque conhecem a necessidade da libertação do proletariado e em todas as lutas eles contribuem com suas presenças, porque aspiram outra sociedade, embora não tenham o engajamento dos primeiros.

   – E por terceiro, os que se envolvem nas lutas, mas não tem qualquer compromisso com a revolução. Estão sempre aproveitando o momento dos conflitos para conseguirem respeitabilidade como se fossem revolucionários. São tipos que não servem para a autêntica revolução do proletariado. No Brasil existem milhares. A ditadura de 64 mostrou. São burgueses travestidos de revolucionário, já que a vestimenta, para eles, lhes conferem, ilusoriamente, um glamour de esquerdistas. Claro, que só para otário alienado historicamente.

  Um beijo para quem adivinhar em quais dos três Chico Alencar se encaixa perfeitamente! 

PROFESSORA PROTESTA CONTRA RACISMO NA ESCOLA EM QUE TRABALHA, TEXTO DA ILUSTRE E ENGAJADA JORNALISTA CONCEIÇÃO LEMES E DO TAMBÉM ILUSTRE JORNALISTA MARCELO NASSIF

Camila 2

por Conceição Lemes e Marcelo Nassif

Nessa segunda-feira (06/03), estava tudo organizado, para ser uma grande festa no IFSP (Instituto Federal São Paulo) — Campus Avaré.

A chapa “Nada a temer”, vencedora da eleição do grêmio estudantil da instituto, tomaria posse.

A professora de Artes, Camila Aparecida da Silva, 34 anos, aproveitaria a reunião com os 300 alunos do ensino médio integrado para tirar dúvidas sobre o estatuto do grêmio.

Até que algumas alunas chegaram, mostrando fotos que haviam feito da porta do banheiro das mulheres, com três frases rascistas: #Fora pretas; #Pretas fedidas; #IF Branko

Logo pela manhã as frases não estavam lá.

O responsável foi um aluno ou um grupo?

Independentemente do número, uma covardia racista sem limites.

Os alvos desse crime hediondo foram os negros da comunidade escolar, entre os quais a professora Camila, que é muito querida pelos alunos tanto na sala de aula quanto nos eventos.

Além do anonimato típico de canalhas fascistas, o autor ou autores escolheram tudo a dedo.

Um momento democrático de uma escola inclusiva (ingresso é feito pelo Enem e pelas diversas cotas previstas em lei) e uma professora progressista.

Pior que não foi a primeira vez.

Concursada do IFSP-Campus Avaré, Camila reagiu à altura a mais esta agressão anônima, como vocês podem ver no vídeo acima, gravado e legendado pelos próprios alunos.

Paulista de Marília, Camila e mais quatro irmãos foram criados  apenas pela mãe, dona Sílvia, separada do marido.

Na casa, todos são formados, sendo quatro professores e um advogado.

Graduada em Educação Artística pela Universidade de Londrina (PR), ela é mestre e doutoranda em Políticas Educacionais pelo Uninove.

Sobre Camila os alunos observam:”A fala dela é sempre apaixonada, na busca de transformar, construir um senso crítico”.

A direção do IFSP encaminhou o caso à Reitoria.

Tomara que esse crime não fique impune. Um boletim de ocorrência já foi feito para as medidas judiciais cabíveis.

Se descobertos, que sejam punidos pela Lei Afonso Arinos.

Pedimos à professora mineira Luana Tolentino, militante dos movimentos negro e feminista, que assistisse ao vídeo.

“Forte, doloroso”, reage.

“A Sueli Carneiro afirma que as manifestações racistas estão cada vez mais violentas, pois o negro saiu do lugar”, expõe.

“Ela tem razão. Para os racistas é inaceitável uma negra doutoranda”, arremata.

Sueli Carneiro é doutora em Educação pela USP e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra.

    Veja, ouça o vídeo e potencialize sua consciência anti-racista. 

APÓS 22 DIAS NA PAULISTA. MTST CONSEGUE RETOMADA DO MINHA CASA, MINHA VIDA. MATÉRIA DA REDAÇÃO DA REDE BRASIL ATUAL

MTST Ocupação

São Paulo – O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) anunciou na manhã desta quinta-feira (9) que conseguiu compromisso do Ministério das Cidades pela retomada das contratações de moradia na faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida, que haviam sido suspensas com a chegada de Michel Temer ao poder, há quase um ano. O movimento ocupava a Avenida Paulista, em frente ao escritório da Presidência da República em São Paulo, desde 15 de fevereiro. 

Segundo o MTST, o compromisso firmado ontem (8), em reunião com o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), prevê a publicação, ainda neste mês de uma nova resolução para os projetos e a imediata a retomada das contratações de moradias para famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil.

“O acampamento atingiu seu objetivo. Foram 22 dias de muita resistência, formação e cultura. Agradecemos a todas e todos que contribuíram de algum modo com esta grande luta. Aos que doaram alimentos, colchões, roupas. Aos que se apresentaram na tenda cultural, compartilhando seu conhecimento ou sua arte. A todos os movimentos, sindicatos e ativistas que foram solidários e passaram, em algum momento, por lá”, afirmou o movimento, em nota.

No vácuo 

O prefeito João Doria (PSDB) tentou se aproveitar da vitória do movimento, afirmando que o MTST “aceitou deixar as calçadas da Paulista” após sua solicitação, e divulgou fotos com um “antes e depois” da região ocupada.

Já o movimento promete manter-se em mobilização permanente: “O MTST sabe que ganhamos uma batalha, mas estamos em meio a uma dura guerra. Por isso, nossa luta não pára por aqui. Seguiremos nas ruas contra todos os ataques a direitos realizados pelo governo Temer e em luta pela democracia. Ontem não dissemos ‘adeus’ à Paulista, mas só um ‘até logo’. No dia 15 tomaremos novamente esta avenida, com milhares de sem-teto, no dia de lutas contra a reforma da Previdência. Assim também em todo o Brasil, nas mobilizações unitárias do movimento social”.

registrado em:

“IGUALAR MULHERES E HOMENS NA PREVIDÊNCIA É UMA INJUSTIÇA”, AFIRMA A ECONOMISTA E PROFESSORA DA USP, LEDA PAULANI

Do site Agência Pública.

Qual a sua opinião sobre a proposta de reforma da Previdência defendida pelo governo Michel Temer? Ela ataca os principais problemas do sistema previdenciário brasileiro?

A Previdência é uma questão que tem que ser discutida, de fato, por várias razões. É discutida no mundo inteiro, principalmente por conta do aumento da expectativa de vida. Porém, este projeto parte de premissas que não são verdadeiras e é absolutamente desumano, desnecessário, só vai causar um enorme retrocesso social, porque as parcelas mais negativamente afetadas por ele são aquelas que mais dependem, hoje, das rendas previdenciárias. É uma coisa muito ruim para o país, pode haver um retrocesso social violento.

O PMDB tem divulgado em suas redes sociais campanha condicionando a existência de programas sociais – como Fies e Bolsa Família – à aprovação da reforma da Previdência. Isso é verdadeiro?

Isso não é verdadeiro. Na realidade, hoje, a principal despesa que o governo tem é com o pagamento de juros, que são elevados por uma razão que ninguém sabe explicar exatamente qual é; não há razão nem teórica, nem empírica que justifique esse patamar de juros no Brasil já há mais de duas décadas. O regime de seguridade social geral – o INSS –, se for considerado da forma como está prevista sua estruturação na Constituição, não é deficitário. Boa parte de diversas fontes de receitas acabam não indo parar na Previdência e na assistência social por mecanismos como o da desvinculação de recursos da União – a famosa DRU – e, por outro lado, acaba-se considerando como receita do sistema previdenciário apenas as contribuições dos trabalhadores e empresas, sendo que, no desenho deste tipo de regime, considerado de repartição, necessariamente há a participação do governo. Se você considerar, dentro do regime, a contribuição com a qual o governo deveria entrar, ele é superavitário. O que não quer dizer que a gente não possa ter problemas lá na frente por conta dessa questão do aumento da expectativa de vida, mas hoje, por exemplo, ele [o regime] é bastante superavitário. A campanha [do PMDB] magnifica o problema da Previdência e a coloca como se fosse a causa de todos os males: déficit público, paralisação dos investimentos públicos – seria tudo causado pela Previdência. Isso não é verdade: o que o Brasil gasta com o pagamento dos juros, por exemplo, é mais do que se gasta com Previdência, incluindo os benefícios previdenciários do tipo BPC – benefícios de prestação continuada –, que hoje atingem mais de 4 milhões de pessoas.

Você impor que mulheres tenham que atingir o mesmo tempo de trabalho que os homens para se aposentar é uma injustiça

Por que a reforma da Previdência, nos termos em que está sendo proposta, prejudicaria mais as mulheres do que os homens?

Porque, tradicionalmente, e por razões bastante conhecidas, a idade mínima de aposentadoria para as mulheres é cinco anos inferior à dos homens – 65 e 60, respectivamente –, ou, nos casos em que também se computa o tempo de contribuição, a fórmula em vigor hoje é a 85/95 – 85 para mulheres, 95 para homens [o valor representa a soma da idade ao tempo de contribuição]. Em suma, as mulheres sempre têm um benefício em termos de tempo, não em termos de valor da aposentadoria. Esse benefício é completamente retirado nessa proposta. Por que ele é justo? Apesar de as mulheres terem uma expectativa de vida até um pouco mais elevada no Brasil, o que é uma tendência mundial, elas têm também dupla, tripla ou quádrupla jornada de trabalho. Isso não deixou de existir em nenhum lugar do mundo, mas no Brasil, principalmente; aqui isso é regra, a exceção é quando realmente há uma divisão integral das tarefas domésticas entre a mulher e seu companheiro. Até porque hoje muitas famílias são chefiadas por mulheres, elas têm uma jornada de trabalho absolutamente exaustiva. Então, você impor que as mulheres tenham que atingir o mesmo tempo de trabalho que os homens para se aposentar é uma injustiça. Retira-se da mulher um direito há muito tempo conquistado.  

Mulheres negras e pobres podem ser ainda mais penalizadas, por ocuparem postos de trabalho mais precarizados, muitas vezes informais?

Sem dúvida. As mulheres, como um todo, são mais prejudicadas que os homens em termos relativos porque perdem benefícios que já tinham e, dentro do conjunto das mulheres, as de renda mais baixa, que, em sua maioria, são negras ou afrodescendentes, vão sofrer ainda mais. Em relação a essa questão da idade mínima de 65 anos, você está condenando regiões inteiras do Brasil a morrerem trabalhando. A expectativa de vida no Brasil, que é de 73 anos, é uma média. Se pegarmos os bairros ricos de São Paulo, por exemplo, ela chega a 83 anos, [equivalente à] expectativa de vida mais elevada do mundo, que ocorre no Japão. Essa expectativa de vida é a que encontramos nos bairros ricos de São Paulo, na zona oeste, em Pinheiros, nos Jardins, Itaim Bibi, Vila Olímpia, Moema. Agora, quando vamos para as periferias da cidade, essa expectativa cai para 60, 59 anos. No Nordeste, a mesma coisa. E quem mora nessas periferias? Em geral, pessoas de baixa renda, afrodescendentes em sua maioria. Por isso, é absolutamente desumana essa proposta [de reforma da Previdência], porque condena uma parcela da população – parcela esta já mais sofrida, sem apoio e com condições de vida muito ruins – a pagar o pato. É esta parcela que, em média, não vai sobreviver aos anos exigidos para ter acesso à aposentadoria.

Apoiadores da PEC 287/2016 defendem que não é mais necessário que as idades mínimas de aposentadoria para homens e mulheres sejam diferentes. Como argumento, citam países europeus onde todos os cidadãos, independentemente do gênero, se aposentam com a mesma idade, como Islândia, Dinamarca e Alemanha. A comparação faz sentido?

De jeito nenhum. Para começo de conversa, a renda per capita desses países é muito maior do que a do Brasil. Além disso, esses países são muito mais homogêneos. Nosso país tem uma desigualdade brutal, profunda. Se entrarmos em bairros de classe média, classe média alta [no Brasil], as mulheres são menos sofridas, mas ainda assim é injusta [a extinção do benefício], porque, apesar de tudo, são elas as responsáveis por seus lares e têm dupla jornada de trabalho – à exceção da alta burguesia, que tem um batalhão de empregados domésticos para cuidar de tudo. Quando extrapolamos isso para as regiões mais pobres, a injustiça é absurdamente gritante. Vou dar um exemplo pessoal: tinha uma senhora que trabalhava uma vez por semana na minha casa, era diarista, mas eu gostava muito dela e comecei a pagar sua aposentadoria como se fosse de fato empregada minha. Ela se aposentou quando tinha 57, 58 anos – hoje deve ter por volta de 70 –, já muito cansada e com muitos problemas de saúde. Você imagine se essa mulher tivesse que esperar até os 65 anos para se aposentar, ou então, se quisesse ter direito à integralidade do salário, esperar para juntar com o tempo de contribuição e atingir o valor total. Estaria trabalhando até hoje, sendo que passou por condições desumanas a vida toda. As mulheres como um todo são prejudicadas, mas, sobretudo, as mulheres dos grupos de renda mais baixa que, em sua maioria, são afrodescendentes, como é o caso dessa senhora. Fazer comparações entre um país como o Brasil e a Islândia é completamente descabido, não faz o menor sentido. A Islândia é um país de 400 mil habitantes, minúsculo, com renda altíssima e IDH dos maiores do mundo. Agora, o que tem que ser comparado, eles não comparam. Não dizem, por exemplo, que nos países europeus, quando se analisa os sistemas previdenciários, a média de contribuição dos Estados é em torno de 40% e no Brasil é zero, porque esse dinheiro não é posto na conta. O tal do déficit do qual partem só aparece quando se faz a conta sem colocar a contribuição do governo. Mas, no desenho que está na Constituição, o governo tem que contribuir, e foram criados tributos, inclusive, para isso, como a CSLL [Contribuição Social sobre o Lucro Líquido] e o Cofins [Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social]. Só que isso não é colocado na conta.

É absolutamente desumana essa proposta porque condena uma parcela da população a pagar o pato

O Brasil difere muito dos demais países do mundo quando o assunto é sistema previdenciário?

Não estamos muito diferentes do que ocorre em outros países do mundo em quase nada, a não ser em relação à contribuição do Estado. Muitos argumentos a favor da reforma dão conta de que o sistema previdenciário brasileiro é muito generoso, mas não é, de modo nenhum. Após as reformas feitas a partir do governo Fernando Henrique Cardoso, muita coisa mudou – inclusive, apareceu essa coisa da idade mínima, que não existia – e depois houve outra reforma em 2015. Estamos mais ou menos seguindo o que se faz no mundo, não há nenhum absurdo gritante que tornaria inviável ou insustentável o sistema previdenciário no Brasil por conta de benefícios exagerados ou coisa do tipo. Voltando à questão das diferenças de expectativa de vida, em Alto de Pinheiros [bairro nobre de São Paulo], ela é em torno de 80 anos; em Cidade Tiradentes, em torno de 54. Em Cidade Tiradentes, o povo vai morrer antes de se aposentar, pode escrever. Sessenta e cinco anos [como idade mínima de aposentadoria] para esta realidade, destas populações, é uma crueldade enorme. E não há nada que justifique isso do ponto de vista de comparações internacionais ou do que quer que seja. Há de fato um problema que precisa ser pensado, mas com a participação da população, não com um projeto regressivo socialmente e imposto de cima para baixo por um governo ilegítimo. Isso não se pode aceitar.

Na sua opinião, qual seria o modelo de Previdência ideal para o Brasil, levando em conta mecanismos que garantam a igualdade de gênero? São necessários muitos ajustes em relação ao que existe hoje?

Talvez a gente precise entender um contexto mais amplo. Existem dois tipos de regimes previdenciários: um deles é esse regime que segue o INSS, chamado regime de repartição. Como funciona? Ele tem esse princípio de que os trabalhadores contribuem, as empresas contribuem, o Estado contribui. Há algum tipo de solidariedade intergeracional, de modo que aqueles que trabalham geram renda para aqueles que já trabalharam. Não há um vínculo tão firme entre benefício e contribuição – por exemplo, hoje, os trabalhadores rurais que não contribuem têm o benefício –, porque [este regime] inclui o espírito da seguridade social, de que a sociedade é responsável por seus membros, a visão da sociedade como um conjunto. Tem suas raízes na política de Bismarck na Alemanha no final do século 19, foi reforçado por todos os mecanismos do Estado do bem-estar social ao longo do século 20 etc. Este regime vai tão melhor quanto melhor andar a economia. Claro que os resultados começaram a piorar porque agora a economia brasileira está andando para trás, e é claro que a arrecadação que cai não é somente a dos impostos, cai também a arrecadação previdenciária, afinal há menos gente empregada. Ainda que seja verdade que a situação piorou de uns anos para cá, apesar dele não ser deficitário se as contas forem feitas corretamente, isso se deve não a um desequilíbrio do regime, mas ao fato de que a economia entrou em recessão e passou a funcionar muito mal. O outro regime é o chamado regime de capitalização, que amarra completamente o benefício à contribuição – você vai usufruir lá na frente daquilo que contribuiu; se não contribuiu, não tem direito nenhum. Este regime em geral produz coisas como os fundos de pensão, por exemplo: se você participa deles, lá na frente se beneficia, se não participar, não há benefício. Este segundo tipo de regime normalmente vai bem quando as finanças vão bem, não quando a economia vai bem. Por exemplo, juro alto, para este regime, é uma beleza, porque vai somando fundos de riqueza financeira que têm que ser aplicados ao longo de dez, vinte, trinta anos para pagar os beneficiários lá na frente, e é óbvio que, quanto mais elevados os juros, tanto melhor para eles. O regime assentado nesses fundos anda junto com a financeirização do capitalismo, com o crescimento da riqueza financeira. Por conta disso, desde os anos 70, 80, houve uma onda mundial de redução dos regimes de repartição – que são os regimes gerais, como o INSS – e de aumento do espaço para os regimes privados, que representam um mercado enorme, pois a maior parte das pessoas vai demorar muitos anos para se aposentar e, mesmo assim, vai se aposentar sem a integralidade. Diante disso, faz o quê? Começa a contribuir para um fundo privado. A tentativa de redução do espaço do regime de repartição e de aumento do espaço do regime de capitalização – que a gente chama respectivamente de universal, social e de fechado, privado – foi uma tendência geral no mundo. Aqui no Brasil, quem deu o pontapé inicial nisso foram as reformas do Fernando Henrique, que o governo Lula, em alguma medida, aprofundou, e houve ainda um último aprofundamento em 2015. Tem muita gente que acha que nem deveria existir o regime geral. O Brasil, segundo consta, tem um dos maiores regimes de repartição do mundo, em termos de volume de recursos que mobiliza, o que representa um potencial violento para o sistema financeiro. Há, então, esse subproduto da reforma previdenciária que é, sem dúvida nenhuma, reduzir o espaço do regime de repartição e abrir espaço para o regime de capitalização, na intenção de que estes fundos floresçam. Agora, estes fundos já provocaram desastres no mundo inteiro, ao ponto de hoje, em determinados deles, haver situações em que a pessoa não recebe porque “viveu mais do que o previsto”. Fora que, embora tenham regras de segurança para aplicação de recursos e tudo mais, na crise de 2008, vários fundos de pensão italianos e espanhóis se arrebentaram e botaram muita gente na miséria, pois são feitos dentro desta lógica: você vai acumulando a riqueza financeira e aplicando nos próprios ativos financeiros, sujeitos à formação de bolhas, que estouram e provocam a redução brutal do valor dessa riqueza. Concluindo, você me perguntou qual seria o regime ideal para o Brasil: o ideal é a gente não deixar passar essa PEC para não reduzir o espaço do regime de repartição por aqui, pois em um país como o nosso, de renda per capita ainda baixa e com uma desigualdade brutal, o risco é produzir uma regressão social sem tamanho, já que, sem dúvida nenhuma, os mais afetados serão as populações de baixa renda.

Fazer comparações entre um país como o Brasil e a Islândia é completamente descabido

Como é ser mulher num campo tão dominado por homens como a economia? De que forma o machismo de manifesta nesta área?

Essa área é bastante masculina. Quando entrei na faculdade, na minha sala tinha, se muito, 10% de mulheres, a maioria era de homens. Hoje dou aula na FEA, onde estudei, e a coisa é um pouco diferente, mas ainda assim é uma área predominantemente masculina. Tenho uma história para contar: quando me formei, fui trabalhar no Banco Itaú, na área de investimentos. Meu chefe direto gostava muito de mim e me colocou para coordenar uma área de estudos macroeconômicos. De vez em quando, tínhamos reunião com o diretor-geral, cujo nome não me lembro, mas era um sujeito muito conservador e bem pouco simpático. Nessas reuniões, éramos cerca de 15 pessoas, sendo que a única mulher era eu, e ele nunca se dirigia a mim, falava com meu chefe direto e dizia simplesmente: “Você tem que pedir para a mocinha aí fazer tal coisa”. Ele nunca se dirigia a mim para dizer “Olha, Leda, acho que é bom fazermos isso ou aquilo”. Fiquei muito tempo assessorando meu chefe e depois, quando se criou oficialmente um grupo, não fui para o cargo de coordenação, e meu chefe me disse: “Você, aqui no banco, já chegou o mais longe possível para uma mulher”. Isso foi no começo dos anos 80. O cenário deve ter mudado um pouco, mas certamente deve haver muita discriminação. Ainda que formalmente não haja, a probabilidade de existirem homens machistas neste meio é muito alta, então há um machismo que mora nas relações, na forma de tratamento.

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NI UNA MENOS:’TECEMOS UMA REDE FEMINISTA QUE VAI ABALAR A TERRA’

divulgaçãodivulgação

Texto da Mariana Serafini, – Vermelho.org

Do Sul do mundo ecoou um grito: “Ni Una Menos!”. Em poucas semanas, o movimento subiu pela América Latina, chegou à Europa e aos Estados Unidos. Com os punhos cerrados, as mulheres argentinas mostraram que não há fronteiras na luta para combater a violência de gênero e de 2015 pra cá, fortaleceram e expandiram o a articulação global. “Tecemos uma rede mundial de feminismo que neste 8 de Março  vai abalar a terra”, diz uma das organizadoras do coletivo, Cecília Palmeiro.
 
Em conversa exclusiva com o Vermelho, Cecília, conta como este grupo de mulheres comunicadoras uniu forças para dizer “basta” à violência de gênero. Ela é doutora em Literatura Latino-americana pela Universidade de Princeton (EUA), professora de estudos culturais latino-americanos especializada em gênero e sexualidade na Universidade de Nova York em Buenos Aires e na Universidade Nacional de Três de Febrero e autora da obra Desbunde e Felicidade, que em breve será publicado no Brasil. “O coletivo Ni Una Menos de Buenos Aires é um grupo independente e autogestionado de mulheres profissionais

Do Sul do mundo ecoou um grito: “Ni Una Menos!”. Em poucas semanas, o movimento subiu pela América Latina, chegou à Europa e aos Estados Unidos. Com os punhos cerrados, as mulheres argentinas mostraram que não há fronteiras na luta para combater a violência de gênero e de 2015 pra cá, fortaleceram e expandiram o a articulação global. “Tecemos uma rede mundial de feminismo que neste 8 de Março  vai abalar a terra”, diz uma das organizadoras do coletivo, Cecília Palmeiro.
 
Em conversa exclusiva com o Vermelho, Cecília, conta como este grupo de mulheres comunicadoras uniu forças para dizer “basta” à violência de gênero. Ela é doutora em Literatura Latino-americana pela Universidade de Princeton (EUA), professora de estudos culturais latino-americanos especializada em gênero e sexualidade na Universidade de Nova York em Buenos Aires e na Universidade Nacional de Três de Febrero e autora da obra Desbunde e Felicidade, que em breve será publicado no Brasil. “O coletivo Ni Una Menos de Buenos Aires é um grupo independente e autogestionado de mulheres profissionais da comunicação. Somos escritoras, poetas, editoras, jornalistas, artistas e acadêmicas que decidimos colocar nossos saberes e práticas à disposição para eliminar a violência contra as mulheres”, explica.
 
Os números relacionados à violência contra a mulher no Brasil são estarrecedores. Uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, agredida a cada 5 minutos e assassinada a cada duas horas. Dos casos de estupro registrados, 89% das vítimas são mulheres, destas, 70% crianças e adolescentes que normalmente tem uma relação afetiva com o agressor, ou seja, estes são pais, padrastos, tios, avós, amigos da família, ou têm uma proximidade. Não é à toa que o movimento contra a violência tem ganhado cada dia mais adeptas.
 
De acordo com Cecília, na Argentina a violência aumentou no último ano. Em 2015 e 2016 uma mulher era assassinada a cada 30 horas, apenas neste início de 2017 o registro de feminicídio quase dobrou e uma mulher é assassinada a cada 18 horas. Ela denuncia também que aumentou a crueldade dos casos e a espetacularização da violência nos meios de comunicação. “Isso é parte do que chamamos de reação conservadora, através da qual o patriarcado defende seus privilégios, mas também da restauração conservadora que ataca nosso continente através de governos neoliberais que destruíram os logros obtidos em matéria de direitos e liberdades conquistados durante os governos progressistas”.
 
Com o mote em defesa da vida das mulheres, o coletivo conseguiu ampliar o discurso e propor o debate sobre outras formas de violência “menos óbvias”, explica Cecília, como os casos de abuso no ambiente de trabalho e as questões econômica e cultural. A conquista, neste sentido, é a transformação na opinião pública e a percepção das mulheres sobre a própria condição, sobre os direitos trabalhistas e as formas de opressão. “Ativamos o nervo revolucionário das mulheres em nosso continente e liberamos nossa imaginação para criar novas formas de comunidade. Infelizmente padecemos atualmente com um governo tremendamente misógino, racista e classista e, apesar de seus gestos vazios, é o principal responsável pela guerra contra as mulheres em nosso país”.
 
Assim como Michel Temer no Brasil, o presidente da Argentina, Maurício Macri, também propõe uma agenda neoliberal. Ao isentar o Estado de suas responsabilidades e ampliar o poder do mercado, as mulheres, os trabalhadores, os estudantes, os idosos, as crianças e grupos vulneráveis são imediatamente atingidos. É o caso da Reforma da Previdência, no Brasil, por exemplo, que vai prejudicar especialmente as mulheres.
 
Por isso no 8 de Março levanta-se a bandeira contra a violência, mas também em defesa de direitos. Diante desta onda de retrocessos que assola o Brasil, a América Latina e diversos outros países, partiu dos Estados Unidos uma palavra de ordem para mobilizar mulheres de todo o globo a fim de barrar esta agenda neoliberal. O manifesto assinado por Angela Davis e outras intelectuais norte-americanas é enfático: “Precisamos alvejar o ataque neoliberal em curso sobre os direitos sociais e trabalhistas”.
 
Da Argentina, Cecília endossa a campanha: “O 8 de março voltará a ser o dia internacional da mulher trabalhadora, por isso decidimos fazer a greve nesta data histórica que recorda as trabalhadoras assassinadas por protestar nos Estados Unidos. Não queremos flores, queremos igualdade econômica e autonomia sobre nossos corpos. Nosso desafio agora é seguir articulando um movimento unido e interseccional, capaz de abrigar mulheres e corpos indígenas, afrodescendentes, migrantes, trabalhadoras, travestis e trans, presas e escravizadas de todas as religiões, culturas e classes sociais. Temos que poder seguir articulando um discurso radical que não seja cooptado pelas agendas neoliberais”.
 
Neste sentido, o movimento Ni Una Menos é “enorme, popular e massivo. Somos o feminismo anticapitalista, antipatriarcal, anticolonial e antirracista. Impomos na agenda política as questões de gênero e conseguimos que no mundo inteiro a violência contra as mulheres seja percebida como tal, e não como parte natural da paisagem social. Mesmo que os governos não tenham cumprido com nossas demandas, sentem a pressão do eleitorado feminino que já não está disposto a tolerar o machismo e a supremacia masculina”.
 
Articulação global de mulheres
 
O Ni Una Menos não é ligado a algum partido político, mas é formado por mulheres que trazem consigo a luta política e se articulam em redes de assembleias em todo o território argentino. No ano passado, elas ampliaram a rede de articulação com outras ativistas do continente e do mundo e todas as ações são realizadas de forma colaborativa e solidária com movimentos feministas que já existiam, através de assembleias e convocatórias abertas, explica Cecília.

 
Neste 8 de Março, obviamente, elas estarão nas ruas e a próxima grande ação regional acontecerá no dia 3 de junho, que em 2015 foi estabelecido como o dia de luta contra o feminicídio.

Créditos da foto: divulgação

DEFESA DE LULA CHAMA CINCO LÍDERES INTERNACIONAIS PARA EXPLICAR À JUSTIÇA ABSURDO DE ACUSAÇÃO DA ZELOTES

Três ex-presidentes e dois atuais mandatários das repúblicas de Brasil, França e Suécia servirão de testemunha de Defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em processo movido contra ele no âmbito da Operação Zelotes, na Justiça Federal de Brasília. São eles: Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Stefan Löfven (Suécia),  François Hollande e Nicolas Sarkozy  (França).

A Defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta quarta-feira a resposta à acusação feita pelo Ministério Público Federal do DF na 10ª Vara Federal Criminal de Brasília. A peça acusatória, que contém documentos em língua inglesa sem tradução e outros problemas de forma, é baseada em uma mirabolante e inconsequente teoria sem provas que termina por tentar condenar Lula por supostamente ter vendido uma influência no governo Federal após sua saída do cargo, que os próprios procuradores afirmam que o ex-presidente de fato não tinha, muito embora tentasse parecer que tinha.

É neste contexto que o MPF-DF acusa Lula de ter “vendido” a falsa ideia de que teria como influenciar o governo Dilma Rousseff para que este comprasse 36 aviões-caça de uma empresa sueca, e não de uma empresa francesa que com ela competia, dentro de um intrincado processo de compra de equipamentos militares pelo Estado brasileiro, que vinha sendo negociado desde o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e cuja conclusão só se deu no governo Dilma, em agosto de 2015.

Para tentar sustentar a exótica tese, os procuradores afirmam que o atual primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven, teria tentado marcar uma reunião com o ex-presidente Lula no final de 2013, e que esta reunião seria para que Lula usasse de sua influência no governo Dilma para convencê-la a comprar os caças suecos. Os procuradores alegam ainda que o mandatário sueco (que, à época, ainda não era primeiro-ministro daquele país), teria escrito uma carta a Lula pedindo que este fizesse este favor.

Isso é o que alega o MPF-DF, mas não apresenta nenhuma prova – nenhuma! – de que a tal carta chegou a Lula, muito menos a de que o ex-presidente teria intercedido junto ao governo federal para que a compra se efetivasse. Até porque, nos oito anos em que presidiu o país, Lula poderia ele mesmo ter coordenado esta compra, além de ter defendido, publicamente, a compra dos caças franceses Rafale.

Assim, para que não pairem dúvidas da mirabolância da tese dos procuradores, o primeiro-ministro sueco foi chamado pela defesa de Lula a depor e esclarecer os fatos.

No mesmo contexto, encaixam-se os pedidos para que deponham Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso: para que possam explicar como funciona uma compra militar internacional deste porte, como a decisão final de se adquirir os caças suecos se concretizou e pela análise de quantas pessoas passa uma aquisição dessa envergadura. Um exemplo é o alto comando da FAB (Força Aérea Brasileira), que, desde 2010, assentou entendimento de que os aviões suecos eram os que melhor serviriam ao Brasil.

Por fim, o ex-presidente e o atual mandatário francês foram chamados ao processo para que possam contar aos procuradores e ao juizado brasileiro como se deram as negociações entre os dois países, quais foram os pontos que tornaram a negociação mais difícil e todas as circunstâncias que fizeram com que o negócio entre as duas nações não se concretizasse.

Conforme está explicado na resposta à acusação protocolada pelos advogados de Lula, “o processo de aquisição dos caças Gripen NG foi permeado de profunda transparência, debate público, apuro técnico e atenção às questões econômico-financeiras e à situação fiscal do País.” 

“ A complexidade de fatores envolvidos não permite que justificativas singelas elaboradas pela acusação expliquem o processo decisório. Assim, é pouco relevante a contribuição do Parquet (Ministério Público) ao emitir opiniões rasas sobre temas que fogem de sua alçada, como ao afirmar que “o fator determinante na opção da ex-presidente [Dilma Rousseff] parece mesmo ter sido a crise dela com o então presidente americano, Barack Obama, a partir de documentos vazados pro Edward Snowden”.

“INFÂMIA: O QUEM-É-QUEM DA BURGUESIA BRASILEIRA”, ARTIGO DE IGOR FUSER, NO SITE OUTRAS PALAVRAS

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, à época dos patos. Hoje, implicado em delações da Odebrecht, ele sumiu...

Onze meses após o golpe, país afundou em recessão e retrocessos. Não se vê, entre as elites, o menor arrependimento ou intenção de alterar o rumo. Por que?

Por Igor Fuser

O golpe de estado de 17 de abril de 2016 atropelou as ilusões de quem acreditava nas virtudes infinitas da política de conciliação de classes – a ideia de que seria possível superar o apartheid social e o subdesenvolvimento no Brasil sem confronto com as elites dominantes, mas apenas por meio do crescimento da economia. No pós-golpe, essas mesmas elites demonstram plena convicção de que agiram corretamente, em defesa dos seus interesses.

Tal como ocorreu em tragédias históricas anteriores, como o golpe de 1964, o campo progressista discutirá ainda por muito tempo os fatores e as circunstâncias da derrubada de Dilma Rousseff, a começar pelos motivos da espantosa passividade das camadas mais pobres da população, as mais beneficiadas pelos governos liderados pelo PT.

Outro traço marcante no golpe de 2016 – tema da presente coluna – é o alto grau de coesão que as classes dominantes demonstraram na agressiva ofensiva contra o governo legítimo.

TEXTO-MEIOCom a óbvia exceção dos empreiteiros da engenharia pesada, enrolados na Operação Lava Jato (que claramente inclui entre seus objetivos a destruição desse setor estratégico da economia nacional), o que se viu na mobilização golpista foi um verdadeiro quem-é-quem da burguesia brasileira.

Lá estavam, unidos pelo “fora Dilma”, os banqueiros, os barões do agronegócio, os magnatas da mídia, os caciques da indústria brasileira remanescente, a fina flor do “PIB” nacional de mãos dadas com os grupelhos fascistas, os políticos picaretas e os pit bulls do Judiciário. Não faltou nem mesmo a rede de lanchonetes Habib’s, hoje tristemente famosa pela morte de um menino numa de suas lojas, que deu um desconto especial aos clientes que comparecessem aos atos pró-impeachment.

Na vanguarda, para eliminar eventuais dúvidas sobre os interesses de classe em jogo, marchava o patético pato da Fiesp. Justamente a Fiesp, aquela mesma entidade que, tradicionalmente, é vista como principal porta-voz de uma burguesia brasileira, “interna” como dizem alguns teóricos. Por esse termo se costuma designar um segmento da classe dominante supostamente autônomo e portador de interesses próprios, contraditórios (dizem) com as preferências do imperialismo estadunidense e dos seus aliados no país.

De acordo com essa teoria, que não se confunde com a fé ingênua da cúpula ex-governista na conciliação de classes, as gestões presidenciais de Lula e Dilma seriam a expressão política de uma “frente neodesenvolvimentista”, articulada em torno de uma “grande burguesia interna” que estaria gerindo o país em aliança com a classe trabalhadora e em conflito com uma chamada “burguesia associada”, neoliberal e pró-imperialista.

Enquanto o primeiro grupo burguês teria o foco dos seus interesses voltado para o mercado interno e a expansão produtiva, o segundo grupo agiria a serviço dos interesses externos, do bloqueio a qualquer tipo de desenvolvimento autônomo.

A “grande burguesia interna” incluiria os maiores grupos econômicos de capital nacional em todas as áreas, desde o agronegócio até empresas financeiras como o Bradesco e o Itaú, gigantes empresariais como a JBS Friboi, a Votorantim, a Ambev, a Gerdau e a Vale, os grandes grupos de ensino e saúde privados, além, é claro, dos colossos da construção civil – Odebrecht & cia.

Essas e outras empresas, favorecidas com linhas de crédito e todo tipo de apoio oficial, amealharam, de fato, lucros fabulosos no ciclo de governos progressistas. Porém em momento algum mostraram qualquer compromisso ou apoio ativo ao projeto político liderado pelo PT. Aceitaram todas as benesses, pressionaram (em geral, com sucesso) por vantagens setoriais aqui e ali. Mas no campo político se limitaram, nos melhores casos, a tolerar os governos “de esquerda” como uma extravagância temporária numa trajetória histórica de cinco séculos de poder irrestrito da elite dominante.

Houve quem encarasse essa postura pragmática como expressão de uma sólida aliança de classes, o que explicaria a relativa estabilidade política naquele período, apesar da permanente campanha midiática anti-PT e anti-governo.

Quando surgiu a oportunidade, a burguesia agiu em bloco para golpear a democracia. Se alguém ainda tem alguma dúvida, recomendo que leia a bela reportagem da jornalista Aline Maciel, da Agência Pública, sobre o envolvimento ativo das entidades representativas da indústria brasileira, em nível nacional e nos estados mais importantes, para pressionar os parlamentares indecisos nas vésperas da votação na Câmara dos Deputados (25/08/2016).

Muita coisa aconteceu nos onze meses que se passaram depois daquele dia de infâmia. Ministros do desgoverno golpista caíram e foram trocados em meio a denúncias de corrupção. Um deles chegou a comparar o núcleo do poder político em Brasília a uma suruba. A economia mergulhou de vez na recessão. A soberania nacional está sendo desmantelada e a imensa riqueza do pré-sal entregue de bandeja às empresas estrangeiras.

E não se verifica no seio da burguesia brasileira o menor sinal de arrependimento, a menor intenção de alterar o rumo do retrocesso em curso. Alguém ousaria, nesse cenário, profetizar a reconstituição da “frente neodesenvolvimentista”? Difícil.

De concreto, o que se vê nos meios empresariais, além do entusiasmo pela destruição de direitos trabalhistas, pelo desmonte da previdência pública e pelo congelamento dos investimentos sociais, são, no máximo, queixas pontuais, sem maior relevância no cenário político.

A mesma Fiesp que liderou as multidões de verde-amarelo na Avenida Paulista agora reclama do desmonte das políticas de “conteúdo local” na exploração do pré-sal. Mas sua insatisfação fica por aí mesmo, sem qualquer desdobramento prático, sem ao menos a intenção de inserir esse assunto na agenda política geral (quem quiser conferir, olhe o site da entidade).

A burguesia, como classe, vê os seus interesses essenciais contemplados pelo retrocesso histórico que o governo golpista tenta impor à sociedade brasileira. Nunca teve interesse genuíno no projeto (neo) desenvolvimentista defendido pelo PT, por setores da burocracia estatal e sindical e por alguns intelectuais independentes, como Luiz Carlos Bresser-Pereira.

Desde sua ascensão à classe dirigente, na primeira metade do século 20, a burguesia brasileira tem clara consciência de que seu futuro está associado à dominação imperialista e à inserção numa ordem mundial capitalista sob hegemonia dos EUA.

Os burgueses brasileiros – isto está no seu DNA – desconfiam dos projetos de desenvolvimento nacional porque sentem que esse caminho os levaria a se marginalizar do sistema imperialista ao qual associam sua existência e seu futuro. Odeiam os trabalhadores, desprezam os pobres e têm dificuldade até mesmo em assumir plenamente uma identidade nacional brasileira.

“Queremos o nosso país de volta”, gritavam, nas ruas. Agora o têm, espero que não por muito tempo. Dessa gente, nada de bom se pode esperar.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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