Arquivo de junho \30\UTC 2015

O FILÒSOFO NIETZSCHE, DILMA E A REPUGNANTE CONDIÇÃO DO DELATOR DISCÍPULO DE SILVÉRIO DOS REIS

nietzsche“Orgulho – Ah, nenhum de vocês conhece o sentimento que o torturado experimenta ao retornar para a cela após a tortura, sem ter revelado o seu segredo! – ele ainda o mantém cerrado entre os dentes. Que sabem vocês do júbilo do orgulho humano”. Aforismo 229 do livro Aurora do filósofo Nietzsche.

Um homem tem uma empresa em um sistema capitalista e conhece as leis que geram, guardam e protegem esse sistema. Caso contrário não se arriscaria a empregar seu dinheiro no mercado. Detentor dessas leis ele então se envolve em vários negócios que são da estrutura de sua empresa e fica rico e influente. Rico e influente, no sistema capitalista, ele se sente poderoso, como ocorre com todos de seu ramo.

As leis foram criadas para ter duas funções, antecipar um ato contrário ao que é considerado legal e punir o transgressor desse ato ilegal. No sistema capitalista as leis são para insinuar uma moralidade monetária. Uma honestidade que chega ao limite da insolência, visto que se apoia na exploração desumana do trabalhador. Uma honestidade também vista no modelo de concorrência que o sistema-capital impõe.

Aí, que certos empresários, consciente dessa realidade, praticam atos que julgam como respostas a essa insinuação. Assim, esses empresários são tidos como homens fortes capazes de se defenderem, com rigidez de todas as acusações que possam pesar contra eles.

Esses empresários conhecem também o sistema partidário do Brasil. Então, eles, para obterem mais lucros, financiam campanhas de candidatos. É então que as direitas, que também são capitalistas, simulam um espectro de moralidade. Encenam um quadro como se estivessem acima de qualquer suspeita. Puras, límpidas, inodoras, as deusas da moral. Mas, em verdade, todas farisaicas.  

Os empresários são presos e diante das ameaças das leis que eles conhecem, pedem arrego. Toda arrogância, segurança, prepotência e poder desaparecem. Os personagens responsáveis pela investigação pedem que eles delatem quem recebeu dinheiro para campanha. Eles, no maior arrego, delatam. Quer dizer, deduram, já que eles transitavam junto das pessoas que eles financiaram suas campanhas.

Não é preciso afirmar. Todo delator é duas vezes covarde. Uma porque, antes de ser preso, simulava segurança. Outra porque, depois de ser preso, tenta escapar delatando todos. Nessa condição de querer salvar a própria pele, sequer sabe que se a polícia quer saber quem são os implicados ela que deveria investigar, já que essa é que sua função. Não precisaria recorrer à delação embora seja lei. O que também é lei do menor esforço e da comodidade.

O delator é um personagem repugnante como o dedo-duro profissional ou não. O tipo clássico das ditaduras que entregam pessoas para serem presas, torturas e assassinadas. Foi exatamente por ter passado por essa situação de jovem presa pelo método de dedo-durar, que a presidenta Dilma Vana Roussef, em vista aos Estados Unidos para afirmação de negócios, afirmou que não respeita delator. Dilma, como todos que chegaram a dimensão humana, tem aversão a Silveiro dos Reis.

“Eu não respeito delator, até porque estive presa na ditadura militar e sei o que é. Tentaram me transformar em uma delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas, e garanto para vocês que resisti bravamente. Até, em alguns momentos, fui mal interpretada quando disse que em tortura, a gente tem que resistir, porque se não você entrega seus presos”, disse a personagem do filósofo Nietzsche.

O capitalismo é um sistema individualista, de exclusão do outro. Sua moral é a do quem for podre que se quebre. Ou, o meu pirão primeiro. Essa individualidade é o impulso que os empresários atualizam suas delações que já se encontravam contidas neles. Eles querem salvar seus pirões. E nesse modelo de existir não há dignidade.

Pelo que se sabe, além da insegurança de se sentir preso, distante da família e dos amigos, e medo do futuro, não há qualquer notícia de que algum empresário foi torturado fisicamente. Mas, é lógico, que o preso se sinta torturado psicologicamente.

Porém, se eles tivessem sido torturados fisicamente para delatar, eles não seriam nem o personagem de Nietzsche e nem teriam qualquer semelhança com Dilma, posto que sob tortura ela não delatou nenhum companheiro de luta. Entretanto, é possível que estes delatores se sintam orgulhosos em suas delações. Orgulhosos da mesma forma que se sentiam quando se tomavam por poderosos.

Mas o orgulho é um afeto triste nascido de uma ideia superior que o orgulhoso tem de si, como diz o filósofo Spinoza. Como personagem execrável o delator realiza a moral que Brecht nos mostra: Todo burguês se sente seguro em sua própria pela.

O FÓRUM PERMANENTE EM DEFESA DOS TRABALHADORES AMEAÇADOS PELA TERCEIRIZAÇÃO CONTINUA EM ATUAÇÃO

78d85c39-45a6-40e7-9593-c34072aa97c2Composto pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), centrais sindicais, movimentos sociais, especialistas e outras entidades expressão da sociedade civil o Fórum Permanente em Defesa dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização continua em intensa campanha para que os inimigos dos trabalhadores não tornem lei o Projeto de Lei da Câmara (PL) 30 que na própria Câmara foi aprovado como Projeto de Lei 4,330. A aprovação da terceirização em todas as atividades. A maior catástrofe trabalhista onde os trabalhadores perderão direitos conquistados em lutas históricas.

Como o projeto foi aprovado na Câmara, agora se encontra no Senado para ser votado, mas o presidente da Casa, Renan Calheiros, já afirmou que ele não passa e que não se colocar contra os trabalhadores. Todavia, como trata-se de uma real ameaça aos direito dos trabalhadores, e como a sociedade brasileira tem o mais reacionário, irracional e bruto Congresso Nacional, é preciso todo cuidado. Por isso, a sociedade em geral deve se prontificar e lançar sua voz contra esse crime social-trabalhista.

Foi com esse entendimento que o fórum foi criado. Para o senador e relator do PLC na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, Paulo Paim (PT/RG) as posições das entidades servem para fortalecer a luta contra a aprovação do projeto que, segundo ele, não vai ser votado ainda esse ano. Para ele, a “terceirização é quase a revogação da Lei Áurea. Precariza e desorganiza o mundo do trabalho”. O senador tem viajado a vários estados fazendo palestras sobre o tema com vários seguimentos da sociedade civil.  

“Se o rufar dos tambores acontecer, o Congresso recua. A continuar essa pressão, que os movimentos sociais estão fazendo corretamente, nós derrubamos o projeto. A nossa intenção é derrubar. Só fazer um substitutivo não adianta. É preciso partir de um novo projeto, que será construído por essa cruzada pelos direitos dos trabalhadores.

Além das manifestações de rua, recebemos carta de apoio assinada por 19 dos 21 ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), apoio da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho.

Não queremos que 40 milhões de trabalhadores com carteira assinada sejam terceirizados. Queremos que os 12 milhões nessa situação sejam regulamentados, tenham seus direitos assegurados.

A terceirização é quase a revogação da Lei Áurea. Precariza e desorganiza o mundo do trabalho. Não mais ter metalúrgico ou enfermeiro. Todos serão funcionários de uma empresa qualquer, que contrata trabalhadores e os envia para áreas que contratem.

Se o projeto for aprovado a Justiça do Trabalho vai ficara travada”, analisou o senador.

 Não esquecer que no momento as ações na Justiça do Trabalho são em sua maioria de trabalhadores terceirizados que foram lesados em seus direitos.

A SIMULAÇÃO COMO ÊXTASE DA INFORMAÇÃO, MAIS VERDADEIRO QUE A VERDADE, PRATICADA PELA MÍDIA ACÉFALA DE MERCADO

manipulao-mafiomiditicaO filósofo Jean Baudrillard é considerado como um outsider, um rebelde, da filosofia. E não é para menos. Ele consegue mostrar a dissipação da sociedade pós-moderna através de seus agentes teratogênicos. Onde todas as formas de trocas e relações chegaram a exaustão. E já não funcionam, porque seu sistema de valor entrou no estado de catástrofe. Sujeito-objeto, pensamento-ser, normal-anormal, bem-mal, etc. foram desrrealizados pela tirania da simulação.

É ele quem pode nos mostrar o vazio que representa a mídia de mercado que não tem como objetivo a informação, mas o deslocamento do fato. A ilusão. Como se sabe, todo ser tem suas etapas de vida. Nascimento, desenvolvimento, amadurecimento e fim. O que significa que todo ser tem seu limite, território onde realiza suas trocas com o meio. Na verdade, meio mutante onde ele transita, com suas necessidades, em busca de suas satisfações naturais e sociais. Suas trocas reais.

O mundo como objetividade e subjetividade permite que os bens necessários a este ser tornem-se materializados através das trocas que ele experimente em seus limites. Daí que nenhum ser pode processar suas trocas se não for, em seu limite que alguns consideram como sua singularidade. Ou multiplicidade das singularidades.

Entretanto, quando um ser vai além de sua singularidade ele atinge uma zona de não mais ser. Ele chegou ao ex-terminis, extremo, “além de seu fim”. Parou seu crescimento e chegou a excrescência. Chegou ao fim o movimento e a mudança para prevalecer a estase. O que significa que ele já não é seu natural e social. Ele tornou-se um êxtase. Um mais do que ele mesmo. Uma espécie de metástase.

No Brasil atual é essa mídia estase – paralisia – como êxtase da comunicação que prevalece. A informação desapareceu e passou a predominar a simulação. Fingir ser o que não é. Não conta mais informar, mas simular que informa. Mídias como a Rede Globo, Band, Folha de São Paulo, Estadão, o Globo, Época, Veja, IstoÉ, em seus impulsos paranoicos com o objetivo de atingir o governo Dilma e o Partido dos Trabalhadores fabricam esse mundo teratogênico de simulações em que a informação se mostra substituída pela mentira. Fazer com que o outro tome como verdade a mentira que eu divulgo. Em um entendimento em maior magnitude: tornar o mundo um laboratório simulante.

Baudrillard nos mostra que assim como o êxtase do tempo é o tempo real, instantaneidade: mais presente que o presente; o êxtase do real é o hiper-real: mais real que o real; o êxtase da informação é a simulação: mais verdadeira que a verdade. Essa a verdade das mídias acéfalas de mercado. Uma verdade que não reflete o corpo do fato verdadeiro, mas de um simulacro elaborado por seus agentes.

E é aí que ela não produz, para si, o efeito desejado. Como foi além de seu limite que é informar, ela entrou no estado de excrecência: além de seu fim. O que significa que nesse fora, ela não pode comunicar nada com os que transitam em seus limites-singulares. A simulação, como mais verdadeira do que a verdade, não tem concretude, posto que não é um prolongamento discursivo do real. Não é substrato que sai da experiência. Daí não suportar a prova da suspeita e da comprovação, pois se trata de uma lógica abstrata que simula um mundo virtual. Onde não há possibilidade de trocas.

Em síntese, essas mídias de mercado trabalham (trabalham ?) com miríades-virtuais que não são cópias e nem semelhanças da verdade. Por tal condição vem há anos sofrendo com os malogros de suas intenções simuladoras.

E vai ser sempre assim, enquanto assim for!

Golpe: a derrubada em marcha

A357F9D0D8191F3539117BCA012B6F1AA0BFB03A3E047F4C86823AA7564FFE5DDê-se a isso o nome que se quiser. Estamos em meio a um processo de derrubada do governo da Presidenta da República, Dilma Rousseff.

por: Joaquim Palhares – Diretor de redação

Todos sabemos qual é a hora congelada no relógio da história brasileira neste momento.

Certamente não é hora de reiterar platitudes.

Ou de repetir lamentos, ainda que justos, pertinentes. Tampouco de replicar constatações.

Todas as constatações que de forma procedente apontam a cota de equívocos do governo e do PT na crise atual já foram feitas. Não será a sua reiteração que levará o partido assumi-las ou equaciona-las.

Os fatos caminham à frente das ideias: a história apertou o passo.

A dinâmica política assumiu a vertiginosa transparência de um confronto em campo aberto no país.

Trata-se de escolher um dos lados e tomar posição para o combate. Este que já começou e avança de forma acelerada.

É o seu desfecho que decidirá o aluvião das pendências, críticas, autocríticas, repactuações, concessões e escolhas estratégicas que vão modelar o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

De um modo direto: o desfecho desse confronto vertiginoso consolidará o novo ponto de equilíbrio da correlação de forças que se esgarçou e caminha para definir seu novo ponto de coagulação.

Qual será esse ponto?

Depende do discernimento histórico, do sentido de urgência e da capacidade de articulação das forças progressistas nessa hora decisiva.

Estamos em meio a um processo de derrubada do governo democraticamente eleito da Presidenta da República, Dilma Rousseff.

Dê-se a isso o nome que se quiser.

Todos aqueles ensaiados pela direita latino-americana nos últimos anos:  golpe constitucional; derrubada parlamentar; golpe em câmera lenta. Ou as marcas de fantasia da mesma ofensiva, todas elas embrulhadas no rótulo de uma peculiar luta anticorrupção.

A singularidade dessa maratona ética é ter o PT como único grande alvo; Lula como meta antecipada, a mídia como juiz do domínio do fato e a consagração do financiamento empresarial como a nota de escárnio e desfaçatez a desnudar toda lógica do processo.

Tudo isso já foi dito pelos canais disponíveis, que não são muitos, e dentre os quais Carta Maior se inclui com muito orgulho.

Vive-se um adestramento da resignação brasileira para o desfecho golpista deflagrado no processo de reeleição de Lula, em 2005/2006, quando ficou claro que a direita brasileira não tinha capacidade de voltar ao poder pelas urnas.

Passo a passo vem sendo cumprido desde então o objetivo histórico a que se propôs a elite brasileira e internacional.

Trata-se de um objetivo ancorado em três metas:
a) desqualificar o Partido dos Trabalhadores e tornar suas lideranças sentenciadas e inelegíveis;

b) inviabilizar, levar ao impeachment o governo da Presidenta Dilma; e

c) desmontar e fazer regredir todos os avanços populares obtidos na organização da economia, do mercado de trabalho, das políticas públicas e sociais e da soberania geopolítica.

Em uma palavra: completar o trabalho iniciado no ciclo de governo do PSDB nos anos 90, com o desmonte do Estado, a regressão dos direitos sociais democráticos e a substituição desses direitos por serviços pagos, acessíveis a quem puder compra-los.

A crispação da escalada, agora aguda, valeu-se de um componente da correlação de forças intocado em todos esses anos naquele que talvez tenha sido o erro superlativo dos governos liderados pelo PT: a hegemonia do aparato comunicação nas mãos da direita brasileira.

Esse trunfo sabotou cada iniciativa do projeto progressista e coordenou o cerco que ora se fecha.

Alimentou, ademais, a disseminação do ódio na opinião pública, que se expressa na agressividade inaudita observada nas redes sociais desde a campanha de 2014.

É nessa estufa de preconceito e ódio de classe que brotam os esporos da ofensiva fascista, traduzida na escalada em curso.

Inclui-se nessa espiral as agressões públicas a ministros e ex-ministros de Estado, o ataque à reputação de lideranças progressistas e a de seus familiares, a onda de boatos e acusações infundadas contra o governo, as lideranças petistas e populares; enfim, o adestramento progressivo e diuturno do imaginário social para a aceitação passiva, ou engajada, da derrubada do governo da Presidenta Dilma.

Iludem-se os que confundem esse aluvião tóxico como evidência da banalidade do mal.

É de luta de classes que estamos falando. Não de Hannah Arendet.

É de intolerância fascista a pavimentar a derrubada de um governo escolhido por 54 milhões de brasileiros.

Os que pautaram o grito de ’escravo’ no desembarque dos cubanos engajados no ‘Mais Médicos’, agora conduzem o jogral que grita ‘corruptos e impeachment’.

Não sejamos ingênuos.

É curta a ponte que leva o ódio antipetista a se propagar em ódio anticomunista,  em intolerância religiosa e desta para a demonização da livre escolha sexual e daí para a higienização social.

Em nome do combate ao crime e à violência ultimam-se as providências legais para lotar penitenciárias com adolescentes pretos e pobres.

Quando uma sociedade simplesmente interna o seu futuro assim, em jaulas, qual futuro reserva a sua gente?

Um futuro nascido do intercurso entre a intolerância fascista e a livre mobilidade dos capitais chama-se regressão.

É esse o programa da derrubada em marcha do regime democrático brasileiro.

Não errará quem encontrar pontos de identidade com outras escaladas em curso na política latino-americana, marmorizada  de redes sociais, movimentos e  lideranças jovens treinados e financiados por fundações de extrema direita dos EUA. Os novos  braços privados da CIA e do Departamento de Estado.

O processo que ora avulta na caçada ao PT culminará com a caça a todo e qualquer desvio à norma de conduta que determina a subordinação esférica da sociedade à lógica rentista local e global.

Carta Maior nasceu como um espaço de reflexão da intelectualidade progressista brasileira.

Seu compromisso explícito com a construção da democracia social  torna-a um veículo imiscível com a derrubada em marcha do governo do país –em relação ao sustenta um apoio crítico claro e independente.

Elegemos uma prioridade diante das provas cruciais que nos impelem –os progressistas , democratas e nacionalistas sinceros—ao engajamento nesse divisor que se aproxima.

Exortamos os intelectuais a irem além do debate convencional.

Estamos propondo a incômoda operação de concretizar o geral no particular.

Trata-se de uma exortação à Universidade pública, para que ela volte a ser um ator do desenvolvimento. E não apenas um cronista da crise. Ou um coadjuvante do mercado.

Não basta mais produzir manifestos contra os golpistas.

É preciso afrontar o projeto de país embutido no golpe com um outro projeto.

E, sobretudo, com um outro método de escrutiná-lo .

Estamos exortando a universidade brasileira a se declarar uma trincheira em vigília permanente contra a derrubada do governo da Presidenta Dilma Rousseff.

E de fazê-lo transformando essa trincheira na rede da legalidade dos dias que correm.

Uma rede debruçada no debate do projeto de desenvolvimento que rompa os gargalos e as subordinações responsáveis pelo impasse atual.

E que transforme em práxis anti-golpista a costura das linhas de passagem do Brasil que somos, para o país que queremos ser.

O desafio de vida ou morte nesse momento consiste em restaurar a transparência dos dois campos em confronto na sociedade.

Na aparente neutralidade de certas iniciativas pulsa a rigidez feroz dos interesses estruturais que impulsionam a derrubada em marcha do governo.

A universidade pode, deve e precisa assumir a sua cota como um solvente, capaz de devolver à sociedade a clareza sobre as escolhas em confronto agudo nas horas que correm.

É essa urgência que CM quer compartilhar com a comunidade universitária, à qual se oferece como um canal de expressão democrático e progressista.

Mãos à obra.

A VELHA E PERVERSA HIPOCRISIA DAS DIREITAS FRENTE AO FINANCIAMENTO DE EMPRESAS A CANDIDATOS

globo-espectroVelha no sentido de um fato ter sido repetido tão fortemente que se tornou pelo seu próprio fator cronológico um hábito. E perversa no sentido de um desejo que foi deslocado de sua meta. Impedido na meta. Uma ilusão já que perdeu seu objeto de prazer-real. Hipocrisia no sentido da mentira em ação. O que significa que todo hipócrita é um canastrão. Sua interpretação que quer se passar como verdade, por ser tão ineficaz, revela sua mentira.

São pontos que fazem das direitas uma rígida unidade paranoica molar. O que impede a fluência da práxis intelectiva e a práxis ética. O que resulta em opiniões sem qualquer elemento realístico. O caso das opiniões sobre os financiamentos de candidatos por empresas exemplificam essa ausência intelectiva e ética.

Há anos, principalmente nos desgovernos Fernando Henrique, a sociedade brasileira tem conhecimento dessa aliança pútrida entre candidatos e empreiteiras. Nos próprios desgovernos de Fernando Henrique, a oposição, que era criativa e militante, tentou instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as empreiteiras, mas não conseguiu. A maioria do Congresso Nacional, como sempre, reacionária, comandada pelo próprio Fernando Henrique, abortou-a. Sabia-se do espúrio conluio dos partidos com as empreiteiras.

Agora, com as investigações realizadas pela Operação Lava Jato nomes de parlamentares estão sendo divulgados como tendo tido suas campanhas financiadas pelas empreiteiras como se fosse novidade. Como inicialmente os nomes divulgados eram feitos seletivamente para atingir o governo Dilma, esses nomes eram de membros do PT e aliados. Depois que os organismos jurídicos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), juristas e outras entidades ligadas à correta aplicação da Justiça passaram a denunciar o fato irregular, começaram a ser divulgados nomes de parlamentares da oposição. Como no caso do ex-governador de Minas Gerais, amicíssimo de Aécio Cunha, Anastasia.

É então que entra a velha e perversa hipocrisia das direitas. Os parlamentares da alcunhada oposição como Aécio, o eterno derrotado-ressentido, as mídias acéfalas e os coxinhas desvairados, tentaram construir um muro para que seus membros não fossem vistos pela sociedade. Ilusão. Há anos a sociedade sabe dessa aliança pútrida entre empresas e partidos. Ela sabe por que entende que a democracia representativa em um sistema capitalista provoca essa aliança pútrida. A maioria dos parlamentares, governadores, prefeitos e presidentes para ser eleito, precisa barganhar com os empresários. Eleição em um sistema como este é sinônimo de dinheiro investido. Poucos se elegem sem dinheiro, visto que a concorrência é desleal. Daí que eleição em uma democracia representativa passou a ser sinônimo de relação capitalista.

O empresário Ricardo Pessoa, em delação premiada na Lava Jato, dedurou vários parlamentares que sua empresa, UTC, financiou e entre eles o pornofônico ex-coomunista, motorista de Marighela, Aloysio Nunes, 300, do PSDB e o ressentido interminável Aécio Cunha que só na campanha de 2014 recebeu R$ 8,7 milhões. Muito superior à doação concedida a campanha de Dilma. As direitas correram para protegê-los afirmando que tudo foi na mais tranquila e transparente transação. Legal, legalíssimo como um gol de Messi. Só que Messi é craquíssimo e não canastrão. Não falseia.

Parafraseando os filósofos Deleuze e Guattari, o Brasil não é só políticos hipócritas, mas há políticos hipócritas por todo Brasil. 

QUANDO ALGUÉM É CAPTURADO POR UM AGENCIAMENTO COLETIVO DE ENUNCIADOS MOLARES, ELE ACREDITA QUE FALA, MAS NÃO FALA. ASSIM É A MÍDIA ACÉFALA E SEUS SEGUIDORES: TODOS MUDOS

bocaFECHADA_2(4)A linguagem em um sistema capitalista é uma voz de comando fincada em três estratos de defesa: organização, significante e subjetividade. Uma voz de comando para que aqueles que são seus sujeitos de enunciados conservem e alimentem os seus elementos sobrecodificadores que mantém esse sistema nos seguimentos de seleção, classificação e hierarquização.

Para que o sistema capitalista se sinta bem protegido ele necessita de uma forma de agenciamento coletivo de enunciações molares para ser reverberado pelo sujeito do enunciado. Aquele que foi capturado nesse agenciamento para ser seu defensor. Mero propagador de seus códigos dominantes. Como se trata de um agenciamento cuja atuação é simuladora o sujeito de enunciado não sabe por que tem esse comportamento que ele toma como seu, saído de sua vontade. Ele acredita que fala quando não fala. Ele apenas reverbera os códigos agenciados pelo sistema capitalista dominante.

Apanhado nesses enunciados sobrecodificadores ele jamais se desterritolizaliza em mutação para outro território como um novo modo de ser. Ele é sempre a ressonância do mesmo. Por mais que troque de mulher, de homem, de roupa, de endereço, de carro, de profissão, de colegas, até de pele, faça inúmeras viagens, ele é sempre agente ecolálico desse sistema. O teatrólogo Bertolt Brecht diz que um homem sente protegido em sua própria pele. Nesse caso ele se equivocou, porque um sujeito de enunciado não tem pele própria. Sua pele é nada mais do que o invólucro produzido pelo agenciamento coletivo de enunciados que é o sistema capitalista.

Capturado nessa sobrecodificação molar, o sujeito de enunciado sequer tagarela, visto que até no tagarelar é possível escapar um tique em forma de atos falhos revelando um além de tal mudez. O que levaria a exclamação: “Olha, ele pode falar!”. Mas ele não fala, porque, também, perdeu o sentido da suspeita. Se ele tivesse o sentido da suspeita ele descobriria que sua mudez não muda nada. Pelo contrário, conserva tudo da mesma forma, substância e expressão. Sem suspeita o mundo não existe, já que ele se mostra em uma harmonia, uma hegemonia e uma paz que perturba até Deus. Tudo o que ele propende: estar acima de Deus. Já que não consegue ser Deus, que seja superior a Ele.

O que ocorre no Brasil atual é essa dificuldade de se perceber e tentar mudar a ditadura da não-linguagem. Perceber que Fernando Henrique não fala, Aécio não fala, Caiado não fala, Eduardo Cunha não fala, Rena Calheiros não fala, todas a mídias acéfalas não falam, muitos empresários não falam, falsos intelectuais não falam, só reverberam os agrupamentos molares da subjetividade estratificada pelos códigos do sistema capitalista. Os ecos desses personagens são fantasmas que esvoaçam seus mantos com o intuito de manter o medo nos fantasmagorizados. Estão todos a serviço do castelo mal-assombrado que refletem os estratos capitalistas.

Daí, que quando alguém tenta responder ao eco de um desses fantasmas não só se ilude como também se paralisa, já que a mudez deles não é traspassada por movimento. A linguagem institui o homem como um ser em movimento que se desloca criando os mundos como conceitos mutantes. Responder a eco é eliminar a linguagem como conceito mutante e desterritorializante. Enquanto alguém se ilude comentando o eco, o eco jamais vai procurar saber de onde vem à voz de comando que ele ecoa. O comentário sobre o eco leva o eco acreditar que é amado, por isso deve continuar ecoando. Tudo que a voz de comando persegue.

Mas o Brasil não é só ecolalia que se quer dominante. Ele tem seus epistratos e paraestratos que se movimentam fora e dentro dos estratos bem organizados, significados e subjetivados. São potências que compõem um corpo social como máquina abstrata de mutação como singularidades periféricas que enfraquecem e deslocam as forças do centro nuclear, estratos-sedimentados, e emergem como políticas movimentos sociais que vão além do Partido dos Trabalhadores que, em verdade, também, em parte, encontra-se sedimentado por esses estratos molares que impedem a passagem das intensidades produtoras de novas formas de existências.  

São singularidades, multiplicidades, corpos moleculares, fluxos mutantes, quantas desterritorializantes que constituem a voz do dono e o dono da voz. A linguagem do corpo que fala por si mesmo. Uma voz inaudível e ininteligível aos sujeitos-sujeitados dos enunciados. 

OAB DIVULGA NOTA MOSTRANDO PREOCUPAÇÃO CONTRA AS DECISÕES INCONSTITUCIONAIS DO JUIZ MORO DA LAVA JATO

Senhores Conselheiros.

Cumprimentando-os, venho à presença de V.Exas., de acordo com a deliberação do Plenário do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, instá-los a pronunciarem-se sobre a inconstitucionalidade da determinação de prisão provisória com intuito de obtenção de  delação premiada.

Como esta Presidência afirmou no Plenário do Supremo Tribunal Federal por ocasião da cerimônia de abertura do Ano Jurídico, em fevereiro deste ano,  a todos é devido um julgamento justo, respeitando-se o devido processo legal e as demais garantias constitucionais,  como a presunção da inocência e a utilização apenas de provas obtidas por meios lícitos. A defesa é tão importante quanto a acusação. Todos os fatos devem ser investigados com profundidade,  denunciados com fundamentação,  defendidos com altivez e julgados com isenção e imparcialidade.

O descumprimento das garantias constitucionais pode determinar a anulação de investigações e processos, a exemplo do que ocorreu, recentemente, com a Operação Satiagraha, não interessando à sociedade desfechos dessa natureza em procedimentos que envolvam denúncias de malversação de recursos públicos.

Nesse sentido, em harmonia com a decisão proferida pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, reunido em sessão plenária no dia 15 de junho último, ocasião em que foi acolhida a ponderação do Decano desta Entidade, Conselheiro Federal Paulo Roberto Gouvêa de Medina (MG), solicito o pronunciamento de V.Exas. perante o Conselho Nacional do Ministério Público advertindo o egrégio Colegiado sobre a inconstitucionalidade do procedimento adotado por alguns membros do Ministério Público Federal em utilizar as prisões provisórias como meio de persuasão para a obtenção de delações premiadas, sendo certo que a lei faz previsão de outros tipos de medida cautelar penal, distinta da privativa de liberdade, aptos a proteger de modo proporcional o patrimônio público, com o resguardo das garantias constitucionais.

Colho o ensejo para renovar os protestos de estima e consideração.

Atenciosamente,

Marcus Vinicius Furtado Coêlho

Presidente Nacional da OAB


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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A Confluência das Torcidas!
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Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

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