TEMER ABRE O COFRE PARA SALVAR O PESCOÇO

Michel Temer e Rodrigo Maia

Texto de Sérgio Lirio, na Carta Capital.

Michel Temer tem aproveitado os dias de baixa temperatura em Brasília, real e metafórica, para tentar desapertar a corda em volta do pescoço. Em meio ao recesso parlamentar, o peemedebista esforça-se em reordenar sua base de apoio com ofertas generosas de liberação de emendas e o estímulo ao troca-troca de partidos.

O mercado persa não se limita ao mundo político. Disposto a reafirmar sua utilidade ao poder econômico, Temer tirou da gaveta uma série de projetos de privatização e concessão em energia, mineração e petróleo e prometeu encaminhar ao Congresso uma reforma tributária nos moldes desejados pelas empresas: cortes brutais de impostos a despeito do equilíbrio das contas públicas e da distribuição de renda.

Apenas em emendas parlamentares, o Planalto empenhou 4,1 bilhões de reais neste ano, sendo 2,1 bilhões apenas em julho, segundo um levantamento da ONG Contas Abertas. A fuga do presidente do cadafalso, tudo indica, terá um alto custo, pago com “o seu, o meu, o nosso” dinheiro, para usar uma expressão cunhada pelo economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central.

Leia Mais:

Governo contra empresariado e eleva tributo sobre combustíveis
Denúncia será votada em 2 de agosto. Entenda a situação de Temer
Ele voltou! Fiesp exibe pato amarelo após aumento de imposto

As artimanhas na área política do Palácio do Planalto moveram algumas placas tectônicas em Brasília, mas não abalaram os rumos da operação salva-pescoço. Temer empenhou-se pessoalmente em atrair para o PMDB a ala de insatisfeitos do PSB.

Um grupo de parlamentares da legenda que ensaia um retorno às origens de centro-esquerda deve abandonar o barco em breve. Em princípio, a turma migraria para o DEM, agremiação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que assumirá a Presidência da República caso a denúncia contra o peemedebista seja aceita pelo Congresso em 2 de agosto.

A interferência de Temer causou atritos com pessebistas e demistas. Carlos Siqueira, presidente do PSB, acusou o ocupante do Palácio do Planalto de agir como chefe de partido: “O presidente saiu dos seus afazeres presidenciais para fazer articulações políticas, o que mostra que a preocupação dele não é com os problemas do País, mas em salvar a própria pele”.

A crítica é reforçada por Renato Casagrande, presidente da Fundação João Mangabeira e ex-governador do Espírito Santo: “Nesse episódio, assistimos a um torneio para ver quem tem menos noção das funções públicas que exerce. São práticas políticas antiquadas, sem compromisso com o Brasil”.

Chateado com as críticas, Temer adiou uma visita a Pernambuco, principal reduto político do PSB.
Com o DEM, uma de suas colunas de sustentação no Congresso, o peemedebista foi mais jeitoso. Na noite da terça-feira 18, fez questão de explicar-se ao partido durante um jantar na casa de Maia. Negou a intenção de atravessar as negociações com os dissidentes do PSB e reafirmou a confiança na legenda.

RodrigoJanot.jpg
Antes de viajar aos EUA, Janot prometia muitas flechadas. O ímpeto já não é mais o mesmo (Foto: Evaristo Sa/AFP)

Maia, que mais cedo afirmara a pretensão de disputar a Presidência da República “em duas ou três eleições” e não agora, aparentemente aceitou as explicações de Temer. O presidente da Câmara paga o preço de sua afoiteza. Quando emergiu a delação premiada do empresário Joesley Batista, Maia ensaiou conspirar contra Temer assim como este havia feito com Dilma Rousseff.

O deputado chegou a projetar a atração de cem parlamentares para o DEM, grupo que formaria sua base de apoio em uma eleição indireta. A precipitação assustou outras legendas e deu fôlego ao atual ocupante do Palácio do Planalto.

Desde então, Maia substituiu a fome de poder por uma determinada “apatia”. Esse passo em falso, somado a um evidente recuo do procurador-geral Rodrigo Janot, despertou na oposição uma desconfiança em relação ao desfecho da votação da denúncia contra o presidente no retorno das atividades no Congresso, embora a Rede Globo mantenha a pressão e prometa, a exemplo do processo contra Dilma Rousseff, transmitir ao vivo a sessão parlamentar.

“Enquanto só o Aécio Neves pregava o impeachment da Dilma, nada de muito sério aconteceu”, relembra o deputado Carlos Zarattini, líder do PT. “O movimento só prosperou quando o Temer passou a conspirar contra a presidenta e a montar um gabinete paralelo. Não há sinais de que o Maia atue da mesma maneira neste momento. Ele deixou de se apresentar como um polo de poder.”

O governo quer vender 14 hidrelétricas sob controle da Eletrobras… (Foto: Cadu Rolim/FotoArena)

Zarattini estranha ainda a mudança de tom de Janot. Antes de viajar aos Estados Unidos, o procurador-geral evocou uma frase de efeito que revelava sua disposição em prosseguir nas denúncias contra Temer. “Enquanto houver bambu”, afirmou, “haverá flechas”. A passagem pelo Hemisfério Norte parece ter acalmado o arqueiro-chefe do Ministério Público.Na segunda-feira 17, Janot disse que a rejeição da denúncia pelo Congresso “não seria uma surpresa” e que o MP “não tem pressa” em apresentar uma nova acusação. Em setembro, Janot será substituído no comando da PGR por Raquel Dodge.

Não se sabe se o procurador tenta despistar o alvo das denúncias ou se o ímpeto foi contido pela revelação de que o FBI teria sido acionado pelo Ministério Público brasileiro para gravar um eventual encontro entre Temer e Batista nos EUA. A ação controlada só não teria sido realizada, segundo informações vazadas na mídia, porque Temer evitou comparecer à reunião. Enviou em seu lugar o assessor Rodrigo Rocha Loures, atualmente em prisão domiciliar. Aliados do presidente pretendem explorar o episódio como uma prova de afronta à soberania nacional.

Enquanto manobra no Congresso, pune parlamentares dissidentes e premia os fiéis com cargos e emendas, Temer fia-se em indicadores inconclusivos de recuperação da economia (um saldo positivo de 9,8 mil postos de trabalho em junho e uma alta de 3% na arrecadação no mesmo mês) e anuncia ao setor privado um saldão de ativos públicos, a maioria na área de minas e energia. No fim de junho, o governo prometeu leiloar 20 mil novas áreas de mineração até 2018. A primeira oferta, de mil lotes, está prevista para dezembro.

Na segunda-feira 17, veio à tona a intenção do governo de repassar à iniciativa privada 14 usinas hoje operadas pela Eletrobras. A privatização, segundo cálculos do próprio Ministério de Minas e Energia, tende a elevar em 7% em média o custo da conta de luz. Por um motivo simples: para tornar atrativas as usinas, o preço do megawatt-hora subiria dos atuais 60 para 200 reais.

Todas as unidades postas a leilão foram amortizadas, ou seja, zeraram os pagamentos de construção e concessão. Triplicar o valor da energia, como pretende o governo, propiciará uma rentabilidade invejável aos compradores. Entre as hidrelétricas listadas estão Furnas, Chesf e Eletronorte. Somadas, as subsidiárias da Eletrobras suprem a demanda de 25 milhões de residências.

O novo pacote une-se a outra vantagem ao setor privado que custará 63 bilhões de reais aos cofres públicos. Em maio, a Medida Provisória nº 783 autorizou um vultoso programa de regularização tributária, com abatimento de 90% nos juros e 50% nas multas das dívidas de empresas com a União. Relator da MP na Câmara, o tucano Newton Cardoso Jr. achou pouco.

Elevou os descontos para 99%, além de acolher emendas que estendem os benefícios a clubes de futebol, entidades religiosas, escolas confessionais e produtores de álcool, que poderão, inclusive, usar recursos de subvenções para abater parcelas do Refis.

“É uma farra, um escárnio. Com todas as mudanças, o Estado abre mão de mais de 220 bilhões de reais, recursos que poderiam reforçar o caixa de áreas sensíveis, como saúde, educação e Previdência”, lamenta Achilles Linhares de Campos Frias, presidente do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional.

…Além de anunciar o leião de 20 mil novas áreas de mineração (Foto: Joao Marcos Rosa/Nitro)

É um incentivo e tanto para a inadimplência. Além dos descontos de até 99% dos juros e multas, os beneficiários poderão parcelar os débitos em 180 meses. Na prática, pagarão o valor nominal de dívidas com a União acumuladas anos antes. Dono de empresas que devem 67 milhões de reais à União, Cardoso Jr. reconhece, em seu próprio relatório, que esta é a sétima vez que o governo federal facilita a vida dos grandes devedores.“Em um país sério, um parlamentar jamais poderia relatar uma matéria na qual tem interesses pessoais, talvez fosse impedido até de votar”, observa Frias. “Esse perdão é injusto com o assalariado, que tem impostos descontados na fonte pagadora ou tributos embutidos nos produtos que consome, e também com o empresário adimplente, vítima de uma competição desleal.

Este último usa parte de seu capital para pagar os tributos. Se faltar recursos para investir na produção, vai tomar empréstimos a juros no sistema financeiro.”

Dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, obtidos pelo Sinprofaz com base na Lei de Acesso à Informação, revelam que os bancos comerciais figuram entre os maiores devedores da União. As instituições financeiras acumulam uma dívida de 124,4 bilhões de reais.

Desse montante, a maior parte dos débitos, exatos 82,6 bilhões, está em situação irregular, em razão da ausência de pagamentos parcelados, inexistência de garantia ou penhora de bens nas execuções fiscais. “O governo poderia executar a dívida desses bancos, que acumularam expressivos lucros nos últimos anos, a despeito da crise.

Em vez disso, busca restringir os gastos com saúde, educação e Previdência Social, o que abre mercado para a comercialização de planos privados”, diz Frias. “Quem paga o pato da crise é o trabalhador, e só ele.”

Desde a chegada de Temer e aliados ao poder, os direitos dos trabalhadores têm sido saqueados em nome de um suposto equilíbrio das contas públicas.

A projetada economia com o arrocho contra os trabalhadores tem sido drenada pelas corporações do Estado que produziram ou não impediram o golpe e pelos interesses privados. Desde a denúncia da PGR contra Temer, a liquidação dos ativos do Brasil e o balcão de negócios em Brasília ganharam, porém, um novo e urgente sentido: livrar o peemedebista das garras da Justiça.

O sofisma de Moro

Ao rejeitar os primeiros recursos da defesa de Lula, o juiz Sergio Moro recorreu a uma comparação descabida. Segundo o magistrado, o ex-presidente, ao negar a propriedade do apartamento triplex na praia paulista do Guarujá, age como o ex-deputado Eduardo Cunha, que não reconheceu a titularidade de contas bancárias na Suíça. “Se a titularidade fosse determinante”, anotou em despacho, “caberia a absolvição de Cunha, pois ele também afirmava como álibi que não era titular das contas no exterior.”

Há diferenças fundamentais. Cunha negou possuir as contas na Suíça, mas deixou rastros inegáveis. Além de ter assinado documentos para a abertura do registro bancário, o ex-deputado utilizou cópias do seu passaporte e da mulher, Cláudia Cruz, e comprovantes de endereço no Brasil e forneceu telefones de seu gabinete na Câmara dos Deputados para a instituição financeira.

SergioMoro.jpg
Moro fez uma comparação esdrúxula e incorreta (Foto: Lula Marques/Agência PT)

Mais: Moro absolveu Cláudia Cruz por falta de provas, embora tenha ficado evidente que 1 milhão de dólares supostamente desviados por Cunha abasteceu uma outra conta da mulher. A transação financeira não foi suficiente para despertar a convicção de que Cruz sabia das falcatruas.

A falecida mulher de Lula, Marisa Letícia, não foi tratada com a mesma condescendência pelo juiz. Moro não achou necessário decretar a inocência da companheira do ex-presidente no processo do triplex.

No caso de Lula, não há um único documento ou prova da posse ou usufruto do apartamento. Para consubstanciar as 280 páginas da condenação, Moro apoiou-se em um termo de adesão do imóvel de 2004 sem a assinatura do petista. Não há um único papel a ligar o ex-presidente ao imóvel, apenas a delação premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, de que o triplex teria sido reservado para Lula.Acreditar que o ex-presidente recebeu em benefício por atos corruptos um apartamento que não está em seu nome e do qual nunca usufruiu tornou-se uma questão de fé.

Na quarta-feira 19, Moro pediu o bloqueio de três imóveis, incluída a atual residência de Lula em São Bernardo do Campo, dois automóveis e 606 mil reais distribuídos em quatro contas bancárias. Na quinta 20, outros 9 milhões de reais foram bloqueados de planos de previdência privada em nome do petista e de sua empresa de palestras, a LILS. 

O magistrado pretendia sequestrar 16 milhões de reais supostamente repassados pela OAS.

ALIANÇA PROGRESSISTA EMITE NOTA DE APOIO A LULA

A Aliança Progressista, entidade internacional que congrega partidos progressistas de esquerda em todo o mundo, manifestou repúdio à sentença do juiz de primeira instância Sérgio Moro, que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e meio de prisão. A entidade reúne partidos como ​o Partido Social Democrata Alemão (SPD), o Partido Democrata Italiano, o Partido Socialista da França, Partido do Congresso Indiano, além dos Democratas dos EUA. De acordo com a nota, a condenação aponta para uma “extrema polarização e por uma politização preocupante da Justiça brasileira”. Leia a íntegra:

Declaração da Aliança Progressista

O ex-presidente do Brasil e antigo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi condenado em um processo extremamente polêmico de primeira instância por corrupção passiva. 

As acusações, a argumentação e a motivação da sentença são altamente questionáveis porque ninguém pode ser condenado unicamente com base em denúncias e sem provas. Isso se pode explicar unicamente perante a extrema polarização e por uma politização preocupante da Justiça brasileira. 

As dúvidas quanto à imparcialidade de partes da Justiça, incluindo o juiz Sérgio Moro, não surgiram sem razão. Suas posições parciais e os permanentes ataques e tentativas de deslegitimar Lula nos meios  de comunicação brasileiros criaram um clima de condenação de antemão. 

Sob tais circunstâncias dificilmente se pode falar em um juízo justo. 

Agora a sentença deverá ser examinada pela segunda instância. Só assim a Justiça brasileira pode mostrar que por motivos políticos não desempenharam um papel, sobretudo o de impedir uma nova candidatura presencial de Lula.

Qualquer falha na revisão da sentença afetará inevitavelmente o processo democrático das próximas eleições presidenciais. 

Lula fez o Brasil avançar durante sua presidência, reanimando o projeto de progresso socialista, lutando firme contra a fome, a pobreza e a discriminação no Brasil – reduzindo a grande desigualdade social. A nível internacional, Lula deu ao Brasil uma voz importante a favor do multilateralismo, da paz e da justiça. Precisamos de um Brasil novo e progressista – sob a direção de Lula e do PT.

JÁ É VÍCIO: PESQUISA MOSTRA AUMENTO DA REPROVAÇÃO DO GOLPISTA-TEMER

Resultado de imagem para imagens de temer

 Enquanto a democracia festeja a contínua subida de Lula nas pesquisas para a eleição de 2018, mostrando que o eterno-operário não tem qualquer concorrente para impedir sua volta à Presidência da República, que seria seu terceiro mandato presidencial, as pesquisas que avaliam a provação do golpista-mor Temer, com sua prática pedradora que vem destruindo o corpo-funcional da Estado Brasileiro, continuam, como vício, mostrando que o inimigo-público número 1 do país é rejeitado por quase toda a sociedade brasileira.

  Hoje, dia 25, o Instituto Ipsos divulgou pesquisa em que mostrar o golpista-mor com 95% de desaprovação pelo povo brasileiro. O que significa que 95% do povo brasileiro é contra o desgoverno imposto de forma irracional e bruta cujo objetivo único é sublimar conflitos psicopatológicos de seus responsáveis causando dor no povo. São as conhecidas aberrações antidemocráticas que não são possuidoras de dimensão política e entram nesse território com um único objetivo: causar a mal ao corpo-democrático para se dar bem materialmente. Sem eufemismo: se apropriar de verbas públicas. 

    Desta forma, a pesquisa Ipsos só vem solidificar o vício que passou a  ser a avaliação do desgoverno golpista. Assim, a cada pesquisa o vício é fortalecido.

      Porém, existe uma forma de cura para esse vício: Eleições Diretas Já!

MST OCUPA FAZENDAS DE BLARIO MAGGI, RICARDO TEIXEIRA E AMIGO DE TEMER

Redação da Rede Brasil Atual.
Ocupações fazem parte parte da Jornada Nacional de Lutas do movimento, que tem em 2017 o lema “Corruptos Devolvam Nossas Terras”
 São Paulo – O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciou na manhã desta terça-feira (25) sua Jornada Nacional de Lutas, que tem como lema “Corruptos Devolvam Nossas Terras”. Diversas ocupações foram feitas para cobrar do poder público a destinação das propriedades para a reforma agrária, e também para pressionar a Câmara dos Deputados a autorizar a denúncia contra Michel Temer, que será votada em plenário na primeira semana de agosto.

“O objetivo da nossa luta é pautar a reforma agrária, que está paralisada. Também há o desmonte da política do campo, que acontece por meio de medidas como a MP 759 (da regularização fundiária). Nós vamos manter a nossa luta pela terra e identificar os corruptos do Brasil para desapropriar suas terras e fazermos a reforma agrária”, diz o coordenador nacional do MST, Alexandre Conceição.

Uma das propriedades ocupadas é a Fazenda Esmeralda, que está em nome de João Baptista Lima Filho, também conhecido como Coronel Lima, ex-assessor e amigo pessoal de Temer, localizada entre as cidades de Lucianópolis e Duartina, interior de São Paulo. É a segunda vez que o movimento ocupa o local; na primeira, em maio de 2016, integrantes do MST encontraram uma carta escrita endereçada a Temer nos anos 1990, e materiais de campanha do peemedebista à Câmara em 2006. A assessoria do presidente afirmou na ocasião que ele teria utilizado a fazenda como “refúgio” durante a campanha de 2014.

No município de Piraí, a 120 quilômetros do Rio de Janeiro, sem terra ocuparam , a Fazenda Santa Rosa, uma propriedade de 920 hectares pertencente a Ricardo Teixeira, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O local está relacionado a uma denúncia feita em 2012. Uma empresa chamada VSV Agropecuária Empreendimentos, cujo endereço é a Fazenda Santa Rosa, teria sido beneficiada com recursos superfaturados no total de R$ 9 milhões, referentes à realização de um jogo amistoso entre a seleção brasileira e Portugal, em 2008.

Integrantes do movimento também ocuparam uma propriedade pertencente ao grupo comandado pelo ministro da agricultura Blairo Maggi. “A área é um dos latifúndios do Grupo Amaggi (SM 02) e está localizada nas margens da BR 163 em torno de 25 km da Cidade de Rondonópolis sentido Campo Grande próximo do terminal da ferrovia Norte Sul”, diz nota do MST. Segundo o movimento, Maggi “exerce a função de ministro para garantir o as condições necessárias para o desenvolvimento das suas fazendas e do agronegócio”, diz em nota, ressaltando que “entre as principais ações se destacam apoio para autorizar a venda de mais veneno para usar na agropecuária, redução das áreas de preservação ambiental como é o caso da Reserva do Jamanxim no estado do Pará”.

Aproximadamente mil famílias ocuparam a fazenda Junco, na região metropolitana de Teresina (PI), pertencente ao presidente nacional do Partido Progressista (PP) e senador Ciro Nogueira. De acordo com João Luiz Vieira de Sousa, integrante da direção nacional do MST no estado, o terreno tem uma área de 1800 hectares e serve somente para especulação imobiliária. “Algumas pessoas na região nos disseram que, na verdade, o terreno tem 2800 hectares, ou seja, além de a terra ser improdutiva, há suspeitas de grilagem”, declarou Sousa ao Brasil de Fato.

Segundo Alexandre Conceição, a jornada vai até o dia 2 de agosto, quando está prevista a votação da autorização da aceitação da denúncia contra Temer. Também foi ocupada a Fazenda Lupus, do grupo Nutriara, e 400 manifestantes bloqueiam os acessos do Centro de Lançamento de Alcântara no Maranhão.

Com informações do Brasil de Fato

O SILÊNCIO DAS RUAS DO BRASIL

Manifestação contra Dilma Rousseff
                                   Manifestação contra Dilma Rousseff em março de 2016, em Brasília. Por que agora as ruas se calam?
Por Deutsche Welle , na Carta Capital.
Impopular, suspeito de corrupção e à frente de controversas reformas, Temer tem sido poupado em manifestações. Por quê agora as ruas se calam?
Um presidente extremamente impopular que tenta aprovar reformas rejeitadas pela maioria da população; escândalos de corrupção envolvendo diretamente o próprio ocupante do Planalto; economia que dá sinais apenas tímidos de recuperação; apoio parlamentar sendo largamente negociado com verbas e loteamento de cargos; pesquisas que apontam que a maioria da população deseja eleições diretas.

Diante de cenários com bem menos elementos, os ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff tiveram que enfrentar multidões que foram às ruas do Brasil para pedir suas cabeças.

Por que então Michel Temer, que foi gravado em uma conversa comprometedora com um empresário e amarga popularidade de apenas 7% (segundo último levantamento do Datafolha) não está sofrendo com grandes protestos tal como ocorreu com seus antecessores?

Temer enfrentou em seu governo algumas manifestações convocadas por centrais sindicais contra as reformas ou concentrações de apoio à Lava Jato. Mas todas as iniciativas tiveram adesão que ficou longe dos números registrados ao longo de 2015 e início de 2016.

Uma greve geral organizada no final de junho acabou sendo um evento esvaziado, mesmo após a apresentação da denúncia criminal contra o presidente. Mais de 2.500 policiais foram convocados para acompanhar manifestantes em Brasília, mas pouca gente apareceu.

O mesmo se repetiu nos dias do julgamento da chapa Dilma-Temer pela Justiça Eleitoral, no julgamento pelo Supremo sobre a permanência de Edson Fachin como relator da delação da JBS e após a divulgação do fim da força-tarefa da Polícia Federal em Curitiba que se encarregava dos casos da Lava Jato.

Fadiga?

O silêncio das ruas tem chamado a atenção da imprensa internacional. O jornal Süddeutsche Zeitung, da Alemanha, chegou a publicar em junho que é “surpreendente que não haja milhões nas ruas para exigir a saída de Temer.”

Sensação de “fadiga” e “apatia” foram algumas das palavras usadas por jornais estrangeiros para explicar a passividade das ruas diante dos escândalos e da insatisfação com o governo.

À DW Brasil, o brasilianista Peter Hakim, presidente emérito do Inter-American Dialogue, com sede em Washington, opina que “fadiga” não é a definição mais precisa para explicar o que está acontecendo.

“Não é que as pessoas não queiram protestar, mas elas estão sendo desencorajadas pela conjuntura”, afirma.

Segundo Hakim , muitos que protestaram contra Dilma desejam a saída de Temer, mas agora hesitam em sair porque isso pode beneficiar o PT e Lula – aqueles que foram originalmente alvo de protestos.

“A polarização da sociedade continua a desempenhar um papel que impede as pessoas de se unirem. Já o PT e parte da esquerda que convoca protestos transformam regularmente seus atos em um ‘volta, Lula’, e não em um ‘Fora, Temer’ ou algo que aponte para uma solução política eficaz que seja capaz atrair mais pessoas”, completa o brasilianista.

Ainda de acordo com Hakim, isso cria um efeito em que “muitas pessoas acabam ficando com a sensação de que a ação política não está resolvendo a situação”.

“Não há liderança, não há ninguém que seja capaz de apresentar uma direção ou novas ideias. As pesquisas mostram que a maioria das pessoas quer eleições diretas, mas fica claro elas também não sabem o que vai acontecer na sequência.

Nesse meio tempo, ninguém quer fazer algo que acabe beneficiando o outro lado.”

Agenda oculta

Entre os principais movimentos que pediram a saída de Dilma em 2015 e 2016, a mensagem adotada nas convocações dos protestos esvaziados deste ano tem, por enquanto, passado longe de um “Fora, Temer”, sendo substituída pela defesa da Lava Jato e repúdio às medidas de anistia para políticos envolvidos com corrupção.

Já o lado que defendeu Dilma tem mostrado oficialmente repúdio às reformas de Temer e pedido eleições diretas para presidente. Mas os eventos muitas vezes se transformam em palco para comícios do ex-presidente Lula, que não esconde o desejo de voltar ao poder.

Segundo o professor de gestão de políticas públicas Pablo Ortellado, da USP, a explicação para a falta de protestos mais incisivos pode ser explicada também pelo comprometimento e agenda de interesses das lideranças que têm a influência para fazer grandes mobilizações.

“Não acho que seja fadiga, não há uma pesquisa que não demonstre insatisfação. O que parece claro é que as lideranças que conquistaram legitimidade para mobilizar manifestações, seja na esquerda ou na direita, não estão se empenhando na organização de novos protestos”, diz.

Segundo Ortellado, essas lideranças de ambos os lados “estão altamente comprometidas com o sistema político, que naturalmente não está interessada em manifestações”.

“É preciso muito esforço para mobilizar, são poucos os grupos que conseguem fazer isso. Mas justamente esses atores têm feito pouco ou nenhum esforço. As lideranças dos grupos que pediram a saída de Dilma deixaram claro que defendem as reformas econômicas de Temer, então não querem que o presidente saia.”

“Já na esquerda petista e nos sindicatos ligados ao partido, a falta de empenho ficou nítida na última e esvaziada greve geral”, continua o especialista.

“Esses grupos adotam um discurso oficial de ‘Fora, Temer’, mas é possível especular que a manutenção do presidente interessa aos políticos aos quais eles são ligados. Quanto mais impopular Temer fica, mais Lula conquista a preferência do eleitorado. Então é interessante que eles deixem Temer sangrando até 2018. O presidente atual também está empenhando em fazer reformas similares àquelas que a própria Dilma propôs no final do seu governo. Dessa forma, também é conveniente deixar outro presidente enfrentar o desgaste de aprová-las.”

Histórico

Em maio, logo depois da divulgação da delação do empresário Joesley Batista, da JBS, que acabou rendendo ao presidente uma denúncia por corrupção, os movimentos de direita Vem Pra Rua (VPR) e Movimento Brasil Livre (MBL) chegaram a convocar um ato em São Paulo contra o presidente. Mas esses movimentos que tanto se esforçaram para encher as ruas contra Dilma logo voltaram atrás e cancelaram a manifestação.

A justificativa foi que a PM não poderia garantir a segurança – a decisão contrastou com o ato que foi convocado em cima da hora em março de 2016 logo após a divulgação de um grampo de um diálogo entre o ex-presidente Lula e Dilma. Dias depois da divulgação do escândalo envolvendo Temer, o MBL recuou da sua posição de pedir a renúncia do presidente.

Oficialmente, até agora o VPR é o único que abraçou publicamente o “Fora, Temer”. O grupo chegou a anunciar um site com um mapa da intenção de voto de cada deputado em relação à denúncia criminal contra Temer.

Por outro lado, uma convocação para protestos, com o slogan genérico de “contra a impunidade”, só foi marcada para o distante 27 de agosto, quando se espera que a denúncia já tenha sido votada pela Câmara.

Na quinta-feira 20, centrais sindicais e o PT convocaram uma série de protestos pelo País. Apesar de as demandas incluírem um “Fora, Temer”, a pauta principal foi mesmo a exaltação do ex-presidente Lula, recentemente condenado pelo juiz Sérgio Moro.

 

ELEIÇÕES DIRETAS PARA TIRAR O BRASIL DA CRISE

O patrimônio financeiro de Lula equivale a menos de um ano do salário de Sérgio Moro - Créditos: Lula Marques/AGPT

EDITORIAL

Condenação de Lula atinge direitos políticos dos pobres

Redação | Brasil de Fato

Belo Horizonte (MG)

O patrimônio financeiro de Lula equivale a menos de um ano do salário de Sérgio Moro / Lula Marques/AGPT

Na quinta-feira (20) a Frente Brasil Popular realizou atos em mais de 20 capitais do Brasil. O protesto nacional foi contra o desmonte da Previdência, pela revogação da reforma trabalhista, em defesa da democracia e contra a condenação sem provas do ex-presidente Lula.

A condenação de Lula é um atentado contra a democracia brasileira, que já era atrasada, e vem se degradando desde o primeiro ato do golpe parlamentar. Essa condenação busca retirar o partido de base popular do processo eleitoral. Se na semana anterior liquidaram a CLT, retirando direitos sociais, a condenação de Lula retira direitos políticos dos trabalhadores, algo tão ou mais grave. 

Na quarta-feira (19), mais uma sentença do juiz federal de primeira instância, Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, ganhou novo tom de revanche política. Ele ordenou que o Banco Central bloqueie R$ 606 mil, a soma dos bens pessoais de Lula.

Vamos fazer uma conta. De acordo com Moro, Lula tem um patrimônio financeiro de 600 mil, acumulados ao longo da vida. Parece que o tal tríplex do Guarujá não entra nessa conta… Além disso, o dito juiz que prega a moralidade da política ganha bem acima do teto constitucional para servidores públicos.

Em consulta aos dados públicos do TRF-4, onde trabalha Moro, o jornalista Rodrigo Vianna constatou que, em apenas um mês – julho de 2015, Moro recebeu um salário bruto de R$ 63.694. 

Assim, o patrimônio financeiro de Lula, fruto do trabalho de toda uma vida, equivale a menos de um ano de salário do juiz que o persegue.

Reformas são desmonte de políticas públicas

Os atos têm denunciado as reformas que alimentam a crise econômica, política e social. Se hoje eles divergem entre eles – com a Globo pedindo o “Fora Temer”, por exemplo – por outro lado, estão todos unificados no programa, que é radicalmente neoliberal. Esta é a missão do que ainda sobra ao governo Temer (PMDB): encaminhar as tais “reformas” o mais rápido possível.

Essas ditas “reformas” – que na verdade são o desmonte de políticas públicas –  jogam o peso da crise nas costas dos mais pobres. Depois de tanto retrocesso, o governo agora acena também com uma reforma tributária, além da Previdência social. Mudanças drásticas que podem ser implementadas sem consulta à população.

A Frente Brasil Popular, como expressão da unidade das forças progressistas e democráticas desse país, é, nesse sentido, sinal de esperança. É uma Frente que aponta a convocatória de eleições diretas como saída democrática para a crise política. Afinal, como diz a articulação, “o povo deve decidir qual projeto, quais medidas e qual representante quer na presidência”.
Edição: Joana Tavares

JURISTAS DENUNCIAM ATAQUES SOFRIDOS POR EDITOR DO JUSTIFICANDO APÓS CRÍTICA A EVENTO DO MP-RJ

 

Juristas denunciam ataques sofridos por editor do Justificando após crítica a evento do MP-RJ

Do site Justificando.

O evento organizado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) com a presença do Procurador Geral do Estado e painéis sobre “desencarceramento mata”, “bandidolatria”, além das reflexões de Kim Kataguiri, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), acerca da segurança pública no país repercutiu amplamente no meio jurídico. 

Brenno Tardelli, diretor de redação no Justificando, publicou um artigo na oportunidade com o título: “Finalmente, um evento que honra o Ministério Público”, onde tecia duras críticas ao pensamento autoritário que, na sua visão, está vigente na instituição:

“Fico muito feliz em saber que finalmente o Ministério Público organizou um evento à altura de seu trabalho em desfavor da população. Quem conseguiu a proeza do sincericídio foi a sucursal do Rio de Janeiro que chamou seus melhores think tanks para brindar-nos todos com brilhantismo de suas análises sobre a bandidolatria, o democídio e com reflexões de Kim Kataguiri sobre segurança pública. Para quem não conhece muito a instituição, trata-se de uma excelente oportunidade de entender bem de perto o chorume generalizado que escorre da boca de promotores e promotoras de justiça todos os dias”, afirmou na publicação. 

O artigo foi recebido com impacto. Em nota, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) afirmou que as críticas ao evento sobre “Segurança Pública como Direito Fundamental” revelam “inaceitável preconceito intelectual”. Além disso, para a instituição “a democracia deve ser praticada diariamente e não apenas utilizada como recurso retórico. É merecedora de veemente repúdio toda e qualquer discriminação de pensamento, porque reduz à condição de inimigo quem ousa pensar de modo diverso”.

Ocorre que, em razão do artigo, diversos promotores e promotoras de justiça utilizaram de seus perfis individuais para tecer críticas pessoais ao diretor de redação, além de ofender pessoalmente seu pai e sua namorada. Em publicações com ampla repercussão, promotores divulgaram fotos da vida pessoal de Brenno para desqualificá-lo, além de expor foto de terceiras pessoas. 

Postagens públicas de promotores de justiça passaram a trazer fotos pessoais do diretor de redação do Justificando. Além disso, foto de sua namorada e publicações ofensivas a seus familiares se espalharam pelas redes sociais.

O comportamento de retaliação por promotores de justiça de quem criticou duramente o evento também atingiu a professora de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luciana Boiteux, que fez um post em sua página no Facebook criticando os rumos da instituição e questionando o evento.

No caso da professora, a manifestação de seu pensamento gerou ofensas pessoais por parte do representante do Ministério Público, Marcelo Rocha Monteiro, que falou publicamente que ela seria “defensora de bandidos”. Nos comentários feitos por amigos no post do Procurador – ainda no ar – há ainda outras ofensas como, por exemplo, “feminazi” e “abortista”. Em resposta, Luciana fez uma publicação denunciando o baixo nível de debate e contou com a solidariedade de grande parte da comunidade jurídica e acadêmica.

Com relação ao editor do Justificando, diversos juristas organizaram uma nota de solidariedade e de repúdio aos ataques pessoais em razão da crítica no artigo. “Brenno Tardelli foi alvo de ataques, inclusive de ordem pessoal, em razão de sua postura sempre crítica em favor da liberdade e das garantias fundamentais, notadamente em razão de seu artigo”, denuncia a nota.

Juristas signatários, dentre os quais o Advogado e Doutor em Direito Leonardo Isaac Yarochewsky, o Professor Titular de Direito Processual Penal da UFPR, Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, e o Advogado criminalista Alberto Zacharias Toron afirmaram ainda que “Independentemente de estar “certo” ou “errado” – isso não importa aqui – os ataques perpetrados contra o articulista Brenno Tardelli assaltam a liberdade de expressão indispensável e fundamental na democracia. A liberdade de expressão, incluída como liberdade de pensamento, está ao lado da liberdade de opinião, de culto, de ensino, de crença e organização religiosa. De tal modo, a liberdade de pensamento deve ser atendida como a soma de todas as liberdades citadas. Distinguida, por isso, como a liberdade primária da qual derivam as demais, neste particular”.

No Rio de Janeiro, as professoras da Universidade Federal do estado, Carol Proner e Juliana Neuenschwander Magalhães, e em São Paulo,⁠⁠⁠⁠ as professoras da PUC, Adriana Ancona de Faria, Marcia Pelegrini e Ana Amélia Camargos também assinaram a nota.

Também assinam a nota juristas renomados como, por exemplo, o Professor emérito da PUC/SP Celso Antônio Bandeira de Mello, o Professor titular da Unisinos e UNESA e ex-Procurador de Justiça no Ministério Público do Rio Grande do Sul, Lênio Luiz Streck, e o ex-ministro da Justiça e ex-Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo.

Leia a nota na íntegra

“Nota de repúdio em favor de Brenno Tardelli

Nós abaixo-assinados comprometidos com a legalidade democrática, com os direitos e garantias fundamentais que norteiam o Estado Democrático de Direito, viemos repudiar os ataques injustificáveis e vis sofridos pelo advogado e diretor de redação do “Justificando” Brenno Tardelli.

Brenno Tardelli foi alvo de ataques, inclusive de ordem pessoal, em razão de sua postura sempre crítica em favor da liberdade e das garantias fundamentais, notadamente em razão de seu artigo intitulado “Finalmente, um evento que honra o que é o Ministério Público” (http://justificando.cartacapital.com.br/2017/07/19/finalmente-um-evento-que-honra-o-que-e-o-ministerio-publico/). No referido artigo Tardelli critica evento promovido pelo MPRJ sobre “Segurança Pública com direito fundamental”. Nota-se que o referido evento foi duramente criticado por vários juristas, inclusive do MP, que são verdadeiramente comprometidos com o Estado Democrático de Direito.

Contudo, independentemente de estar “certo” ou “errado” – isso não importa aqui – os ataques perpetrados contra o articulista Brenno Tardelli assaltam a liberdade de expressão indispensável e fundamental na democracia.

A liberdade de expressão, incluída como liberdade de pensamento, está ao lado da liberdade de opinião, de culto, de ensino, de crença e organização religiosa. De tal modo, a liberdade de pensamento deve ser atendida como a soma de todas as liberdades citadas. Distinguida, por isso, como a liberdade primária da qual derivam as demais, neste particular.

Não é demais salientar que o direito penal e processual penal de garantias – que o evento do MPRJ ataca – é inerente ao Estado de direito uma vez que as garantias penais e processuais penais constituem, no dizer sempre lúcido Raúl Zaffaroni, ‘a essência da cápsula que encerra o Estado de polícia, ou seja, são o próprio Estado de direito’.

No Estado de direito é inadmissível, intolerável e inaceitável – como pretende aqueles que atacam Brenno Tardelli – flexibilizar direitos e garantias individuais em nome do combate deste ou daquele delito. A investigação, a acusação e o julgamento devem ser orientados pelos princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa, da presunção de inocência, do juiz imparcial, da proibição de prova ilícita, da proporcionalidade etc.

Assim sendo, nós abaixo-assinados repudiamos veementemente o atentado à democracia, ao direito constitucional da liberdade de expressão que foi atacada na pessoa de Brenno Tardelli, em nome do autoritarismo e de propostas draconianas”.

Assinam a nota:

Leonardo Isaac Yarochewsky – advogado, mestre e doutor em ciências penais (UFMG)

Jacinto Nelson de Miranda Coutinho – Professor Titular de Direito Processual Penal da UFPR.

Rômulo de Andrade Moreira – Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia e Professor de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito da Universidade Salvador – UNIFACS

Alberto Zacharias Toron – Doutor em Direito Penal pela USP. Advogado Criminalista.

Fabio Tofic Simantob – Advogado Criminalista e Presidente do Instituto de Defesa ao Direito de Defesa (IDD).

Celso Antônio Bandeira de Mello – Professor Emérito da Puc/SP.

Cristiano Zanin Martins – Advogado de Lula, especialista em direito processual civil pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é sócio do escritório Teixeira, Martins & Advogados.

Valeska Teixeira Martins – Advogada de Lula, é membro efetivo da comissão de direito aeronáutico da OAB de São Paulo e sócia do escritório Teixeira, Martins & Advogados.

Pedro Estevam Serrano – mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC/SP com pós-doutorado pela Universidade de Lisboa. Professor de Direito Constitucional da PUC-SP. Advogado.

Weida Zancaner – Especialista e Mestre em Direito Administrativo pela PUC/SP

Rafael Valim – Doutor e Mestre em Direito Administrativo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP. Professor de Direito Administrativo da PUC/SP.

Fabiano Silva dos Santos – advogado e mestre e doutorando em Direito pela PUC/SP

Ernesto Tzirulnik – Advogado e Doutor em Direito FDUSP.

Bruno Salles Ribeiro – Advogado Criminalista.

Luis Carlos Moro – Advogado e secretário geral da Associação Americana de Juristas

Luciano Rollo Duarte – Advogado

Marco Aurélio de Carvalho – Advogado

José Francisco Siqueira Neto – Advogado, Doutor em Direito pela Universidade de São Paulo e diretor da Universidade Presbiteriana Mackenzie de 2013/2016

José Eduardo Cardozo – Advogado, ex-Ministro de Estado da Justiça, ex-Advogado Geral da União

Marcelo Nobre – Advogado

Fernando Fernandes – Advogado criminalista e Doutor em ciência política

Anderson Bezerra Lopes – Advogado Criminalista

Gisele Cittadino – Doutora em Ciência Política. Professora Associada da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Alfredo Copetti Neto – Doutor em Teoria do Direito e da Democracia pela Università degli Studi Roma Tre e Professor Adjunto de Teoria do Direito da Universidade Estadual do Paraná (UNIOESTE)

Antonio Eduardo Ramires Santoro – Professor Titular do IBMEC/RJ; professor adjunto da FND/UFRJ e do PPGD/UCP

Paulo Ferrareze Filho – Doutorando em Direito (UFSC). Mestre em Direito (UNISINOS/RS). Professor de Psicologia Jurídica (AVANTIS). Advogado.

Eduardo Januário Newton – Defensor Público do estado do Rio de Janeiro. Mestre em direitos fundamentais e novos direitos pela UNESA.

Djefferson Amadeus – Mestre em Direito e Hermenêutica Filosófica (UNESA-RJ), bolsista Capes, pós-graduado em filosofia (PUC-RJ), Ciências Criminais (Uerj) e Processo Penal (ABDCONST).

Alberto Sampaio de Oliveira Junior – Advogado Criminalista.

Rubens Casara – Doutor em Direito, Juiz de direito do TJRJ e professor convidado da FIOCRUZ.

⁠⁠⁠⁠⁠Marcia Pelegrini –  advogada, mestre e doutora em Direito do Estado e professora da PUC/SP

Ana Amélia Camargos – Advogada e professora PUC/SP

Maurício Zockun – Advogado, Doutor e Livre-docente em direito administrativo pela PUC/SP; Mestre em direito tributário pela PUC/SP; Professor de direito administrativo na PUC/SP

Alexandre Morais da Rosa – Doutor em Direito (UFPR). Professor de Direito na Universidade Federal de Santa Catarina e na Univali. Juiz de Direito no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

Lênio Luiz Streck – Professor titular da Unisinos e UNESA. Ex-Procurador de Justica no Ministério Público do RS e Advogado.

Flávio Crocce Caetano – Advogado e Professor da PUC -SP

Carol Proner – Professora de Direito Internacional da UFRJ

⁠⁠⁠⁠Adriana Ancona de Faria -Doutora em Direito Constitucional e Professora de Direito Administrativo na PUC/SP.  

Jefferson de Carvalho Gomes – Advogado. Mestrando em Direito UCP. Pesquisador do Núcleo de Direito e Psicanálise da UFPR.

Thiago M Minagé – Doutorando e Mestre em Direito pela Universidade Estácio de Sá/RJ. Professor na UFRJ/FND, UNESA, EMERJ e ABDConst-Rio.

Thiago Fabres de Carvalho – Doutor e Mestre em Direito. Professor na Faculdades de Direito de Vitória, FDV e na Universidade Federal do Espírito Santo.

Otavio Pinto e Silva – Advogado e Professor da Faculdade de Direito da USP

Marcio Sotelo Felippe – Procurador do Estado de São Paulo, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000.

Rodrigo Machado Gonçalves – Professor Assistente de Direito Processual Penal e Prática Jurídica Penal da FND/UFRJ, do Centro Universitário La Salle e da UCAM/Centro, Advogado Criminalista.

Ricardo Lodi Ribeiro – Professor de Direito Financeiro da UERJ

Renato Afonso Gonçalves – Advogado e Mestre pela PUC/SP

Bárbara Bastos – Advogada

Pedro Henrique Viana Martinez – Advogado Criminalista

Juliana Neuenschwander Magalhães – Professora Titular de Sociologia Jurídica e História do Direito na Faculdade de Direito da UFRJ

Marcelo Neves – Professor Titular de Direito Público da Faculdade de Direito da UnB, Ex-Conselheiro do CNJ e Advogado.

Igor Leone – diretor executivo do Justificando.

André Zanardo – diretor executivo do Justificando.

Salah H. Khaled Jr. – Professor Doutor de Direito na Universidade Federal do Rio Grande.

Átila da Rold Roesler – Juiz do Trabalho no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região.

Geraldo Prado – Professor Doutor de Direito Processual Penal na Universidade Federal do Rio de Janeiro.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Outras Comunalidades

   

Categorias

Arquivos

Blog Stats

  • 3,999,535 hits

Páginas

julho 2017
D S T Q Q S S
« jun    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031