Archive for the 'Velhice' Category

OSCAR NIEMEYER, O CONATUS POLÍTICO DO VIVER CRIATIVO

Oscar Niemeyer architect arquiteto brazil brasileiro

Oscar Niemeyer não está preocupado com sua idade. Ele sempre carregou o si um conatus político, onde sua potência de criação sempre afirmando a vida, nunca deixando de reagir com o novo e a todo momento produzindo artisticamente sua existência. Também foi um homem de seu tempo, presente nas transformações e criações de nossa sociedade. Um político que com sua potência criadora participou de

Há muitos adjetivos para descrever Niemeyer, mas nenhum consegue em seu corpo de qualidades envolver uma pessoa cujo a existência foi repleta de vivências tão ricas e importantes para o Brasil e o mundo. Não pelo tempo cronológico de 104 anos (e quase mais um) que esteve presente, mas pela intensidade de sua presença.

OSCAR, O POLÍTICO

Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir,Oscar Niemeyer, Jorge Amado

Simone de Beauvoir,Oscar Niemeyer, Jean-Paul Sartre, Jorge Amado

Niemeyer e Israel Pinheiro conversam com Fidel Castro no Palácio da Alvorada, em abril de 1959

Niemeyer e Israel Pinheiro conversam com Fidel Castro no Palácio da Alvorada, em abril de 1959

Oscar Niemeyer PCB Roberto Freire

Oscar Niemeyer e Roberto Freire PCB

Além de sua transformação das sociedades através da arte, Oscar como homem político, produtor de composições com o corpus democrático. Não apenas político por sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) do qual deixou em 1991, mas por seu posicionamento social e engajamento em diversas causas.

Sua convicção na mudança que lhe fez arquiteto, assim como lhe fez comunista. Esta luta pela liberdade e pela não aceitação das imposições do capitalismo que o fizeram proibido de trabalhar e morar nos Estados Unidos e posteriormente deixar o país durante a ditadura militar. Seu comunismo sempre foi na prática cotidiana em não aceitar imposição de uma cultura cultuadora da morte e da sabotagem da vida por uma alienação da importância de cada um nas práticas cotidianas.

Oscar Niemeyer e Fidel Castro

Oscar Niemeyer e Fidel Castro

Envolvido em encontros que aumentaram sua potência democrática, Niemeyer esteve ao lado de Fidel Castro, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Lula, Jorge Amado, Luís Carlos Prestes, Hugo Chávez, Ulisses Guimarães, Dilma Vana Rousseff, entre diversos outros nomes políticos.

Artistas participam duma passeata contra a repressão aos estudantes. Rio, 1968.da esq. p dir.Carlos Scliar, Helio Pellegrino, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer, Glauce Rocha, Ziraldo e Milton Nascimento.

Artistas participam duma passeata contra a repressão aos estudantes. Rio, 1968.Carlos Scliar, Helio Pellegrino, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer, Glauce Rocha, Ziraldo e Milton Nascimento.

OSCAR, O ARTISTA

Oscar Niemeyer

Sua carreira como artista começou com seu ingresso na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1929, e que dois anos depois seria dirigida, por Lucio Costa. Lá ele se formou arquiteto e participou de uma palestra de Le Corbusier. Seu primeiro grande trabalho foi o Ministério da Educação e Saúde, e foi seguido de outra obra que aconteceu quando ele conhece o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek (JK), em 1940 e assumiu o projeto da Pampulha. Na mesma década recebe reconhecimento internacional e projeta a Sede da ONU junto com outros arquitetos.

Seu grande impulso foi o convite de JK para a construção de Brasília em 1956, sendo ele nomeado diretor da Escola de Arquitetura da recém-criada Universidade de Brasília – UnB, cargo que manteve durante três anos e que terminou com protesto e pedido de demissão junto com vários acadêmicos devido o golpe militar. Impossibilitado de produzir devido as linhas duras da ditadura, Oscar ganhou o mundo, trabalhando em Paris e várias cidades da Europa durante 10 anos.

Oscar Niemeyer e Gilberto GilOscar Niemeyer Brasília

Oscar Niemeyer (de frente) conversa com funcionários do Departamento de Arquitetura da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), em Brasília.

Oscar Niemeyer com funcionários do Departamento de Arquitetura da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), em Brasília.

Desde criança Oscar desenhava no ar e sua produção continuou até o dia de ontem, quando foi interrompida. Seus traços produziram uma estética única que está presente em todo o mundo nos cinco continentes e em diversos prédios de importância mundial a Sede do Partido Comunista Francês, a Mesquita de Argel, o Centro Cultural Le Havre e vários outros. A simplicidade dos traços e curvas além da presença mais humana nas construções são características da obra de Niemeyer.

OSCAR, HUMANO

O arquiteto Oscar Niemeyer participou de ensaio da Beija-Flor de Nilópolis no sambódromo do Rio

O arquiteto Oscar Niemeyer no ensaio da Beija-Flor de Nilópolis, Carnaval 2012

Como Oscar sempre soube que a vida não é algo divisível, sendo diversos percursos continuos, ele nunca caiu no conto da melhor idade, e não soube o que era ser estigmatizado de velho. É claro que seu corpo sentiu as mudanças fisico-químicas comuns aos seres humanos, mas devido a sua persistência no ser ele nunca deixou de produzir sua vida e sua arte, pois só assim nutria a existência.

Muitos podem criticar sua existência, mas dificilmente conseguirão alcançar a livre produção e o gozo de vida que Niemeyer sempre teve. Mesmo que digam sobre seus habitos como o tabagismo, Oscar estava presente e nunca negou a vida. Com sua vida ativou o pensamento, e com seu pensamento afirmou sua vida (Nietzche).

Oscar Niemeyer e Martinho da VilaOscar Niemeyer mostra maquete a Ulysses Guimarães

Lúcio Costa, Israel Pinheiro, Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer observam maquete da Praça dos Três Poderes no Rio de Janeiro, em novembro de 1958.

Lúcio Costa, Israel Pinheiro, Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer observam maquete da Praça dos Três Poderes no Rio de Janeiro, em novembro de 1958.

Um homem eterno em seus traços políticos que semeiou a quatro ventos novas visões da urbes. Oscar com uma caneta ou lápis na mão era capaz de criar uma nova realidade com algumas poucas linhas e curvas. Muitas destas estão concretizadas e outras surgirão, mas ambas o vivificam. Seu fazer continuará presente no mundo quando estes olhos que nos lêem verem os últimos raios de luz, e que estes sejam belos e produtivos como todo o traçado deste arquiteto que brasileiro sempre foi uma parte de nosso povo e nosso tempo, tanto que hoje nos brasileiros e todo o mundo está sorrindo para a celebração vida junto com os dedos curvados e a caneta repousada.

Oscar Niemeyer com o economista Celso Furtado e o antropólogo e amigo Darci Ribeiro em 1987

Oscar Niemeyer com o economista Celso Furtado e o antropólogo e amigo Darci Ribeiro em 1987

Oscar Niemeyer, Gilberto Gil e Lula

Este Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, amante da existência, da transformação do que está constituido e busca se impor, da arte, da mulher, da possibilidade do novo. Seu patrimônio que hoje está presente em diversos paises no mundo nos mostra novas possibilidades de estarmos presente nos espaços e vermos que também podemos modifica-los com o tempo. E este espirito do tempo que com seus minutos, horas, anos impõe o real nos faz perene, muda nosso caminhar, mas mantem muitas construções em pé, principalmente como as de Oscar, que tanto demonstram vitalidade e humanidade. Assim, Oscar conseguiu com seus riscos na tinta e papel renovar, através de uma arquitetura não burguesa e não voltada aos interesses do mercado, uma estrutura massificadora em seus espaços e formas que nos interpelam negativamente. Com a tinta e papel, mostrou que nem sempre a tinta e o papel do capital é o que importa, pois esta apenas carrega linhas duras, enquanto a arte sempre se abre nas linhas de corte. Sempre para o novo, como Niemeyer viveu.

Brazilian architect Oscar Niemeyer in Le Havre, France

SARNEY DEIXARÁ A POLÍTICA PELA LITERATURA E ROSEANA, PELA FAMÍLIA. IMAGINE!

Durante um evento no lançamento do livro Sarney, a Biografia, da jornalista Regina Echeverria, o presidente do Senado e ex-presidente da República, José Sarney (PMDB-AP), que este ano completou 81 anos, afirmou que não mais participará de eleições após concluir o atual mandato, que se encerra em 2014.

Após, a declaração de Sarney foi confirmada depois por sua filha, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney. “Não foi uma declaração intempestiva — apenas perguntaram e ele respondeu. Ele quer se dedicar mais à literatura. Já está muito dividido, mas é um político nato, faz parte da história do país”, disse.

O Brasil e o Maranhão ficam sentem-se gratificados com a saída de Sarney, mas da declaração de sua filha saltam pelo menos quatro questões. Primeiro, se a questão do pai é a idade, muitos outros homens e mulheres na faixa etária ou até mais velhos, como Antônio Cândido e Oscar Niemeyer, continuam suas vidas ativas. Mas não existe comparação. É questão de composição. Pelas composições sórdidas na biografia de Sarney, mesmo que ele tivesse 17, 38 anos, em qualquer idade ele estaria senil. Nada da velhice como potência ativa da vida.

Segunda, o sentido de “política”. Sarney é um “político nato”, o que significa que compreende e controla há décadas os conchavos e conchavos da politicogastria nacional. Nada da política que movimenta a potência democrática do povo enquanto multidão, no sentido de Toni Negri e Michel Hardt.

Terceira, é hilária a afirmação de que Sarney vai se dedicar à literatura. Escrever para Sarney é apenas compilar as obviedades cristalizadas de sua existência malograda. Nada enquanto literatura como movimentação para fazer passar “a vida na linguagem que constitui as Idéias” (Deleuze).

Para acrescentarmos mais algumas questões, Roseana acrescentou que Sarney quer “encerrar enquanto está bem de saúde” e quer mais “paz para conviver com a família” depois de ter “prestado um serviço à nação”.

E ela mesma, aos 58 anos, reclamando da falta de reconhecimento, afirmou que também se distanciará da política após o fim do atual mandato de governadora. “Vou fazer o melhor governo da minha vida e vou ficar também de assistente. Cansei de não me reconhecerem. Sempre sou filha de alguém, ou então é a tal oligarquia”, concluiu.

O que Sarney chama de saúde para si é a doença para a população, para a democracia. O despeito de Roseana com o pai é uma tentativa de afirmar alguma individualidade. Mas os Sarney são na verdade uma única subjetividade dura que tenta manter a ordem constituída histórica de subtração do público em torno do privado.

Mas talvez os Sarney queiram se distanciar justamente no momento que vai sendo implantado no Brasil, desde o governo Lula, e agora com a presidenta Dilma, uma composição de avanços democráticos que força mesmo os mais reacionários e corruptos politicopáticos a trabalhar para o governo democrático, em detrimento de seus intentos sórdidos. Ou seja, não é uma saída, é uma verdadeira expulsão pelos novos corpos da política brasileira.

Alguém pode dizer que três anos ainda é muito tempo para suportar os Sarney, mas provavelmente muitos outros de mesma subjetividade sejam expulsos nesse período.

Bom para o Maranhão, bom para o Brasil, bom para a democracia.

A CONDIÇÃO DO IDOSO NA SOCIEDADE DE CONTROLE: SEIS ANOS DE ESTATUTO

Hoje comemora-se o Dia Internacional do Idoso. Pontuação burocrática temporalizante, armadilha da sociedade de consumo, atribuir um dia especial a uma categoria social que, se bem capturada, enredada na teia da semiótica capitalística, cai, e se acredita especial nesta data, ignorando que os outros 364 dias do ano – igualmente uma pontuação burocrática! – também serão especiais se eles assim o fizerem.

Idoso é todo aquele que possui idade. Uma criança de um ano é idosa, pois possui já na contagem cronológica uma idade. A sociedade do consumo e do culto à um ideal de vida que nada tem da Vida, mas que é uma caricatura tanática, criou modos de ser cujas expressões anulam a potência de agir e transformam o corpo em dócil produtor do que interessa aos ditames desta sociedade.

Daí a chamada “terceira idade” ser o retrato da passividade e da morte-em-vida no plano político, social, e principalmente ético-estético, nas produções coletivas do corpo. Uma velhice apassivada, triste, que não tem envolvimento com a coletividade, e que concentra a existência no consumo, comprando e aceitando docilmente o mote “saúde é o que interessa”, é o efeito de uma existência dentro da estratificação sócio-temporal que se produz na sociedade burguesa: nesta chamada terceira idade, cuida-se das mazelas adquiridas nas décadas anteriores, de exploração absoluta da força de trabalho.

Resultante de uma existência falhada na sua potência de agir, o idoso que cai no engôdo da terceira idade cultua um corpo destroçado por décadas de trabalho explorado e improdutividade existencial, e só não é descartado imediatamente porque ainda têm capacidade de consumo. A indústria de fármacos que o diga.

Ao contrário, a velhice como efeito de uma existência ativa e produtiva é apenas uma mudança, sutil mudança nos modos de sentir e perceber. É, como afirma o filósofo Deleuze, uma outra suavidade, um modo diferente de sentir a existência. Plenitude e beatitude, um corpo ativado pelo aumento da potência de agir, e que não aceita a passividade e o lugar que lhe destina a sociedade de controle. Daí outro filósofo, Toni Negri, afirmar ser inaceitável a aposentadoria, já que ela não coaduna com os fluxos criadores da vida. Se não sabemos do que um corpo é capaz (Spinoza), em termos de produção de afetos (modos de existir), também não podemos lhe determinar um “prazo de validade”, nem mesmo do ponto de vista biológico.

Ainda que produtivo, é evidente que do ponto de vista físico/fisiológico, as relações são outras. E numa sociedade que privilegia a produção extensiva e a exploração da força de trabalho em todos os sentidos possíveis, é preciso, do ponto de vista do direito, garantir a essas pessoas a possibilidade de exercer sua cidadania de forma equitativa. Daí a importância do Estatuto do Idoso, que completa hoje seis anos, garantindo direitos básicos dentro de uma sociedade que é feita para uma velocidade extensiva, mas que não carrega nada de produção intensiva. Coisa que somente uma existência suave poderia trazer. Esta sociedade precisa da velhice mais do que a velhice precisa dela.

O CASTELO DE AREIA DE DE FERNANDO HENRIQUE E O MANEQUIM DASLU DE GILBERTO DIMENSTEIN

Há uma passagem fascinante num romance de Fitzgerald (o número do esqui aquático), dez páginas de imensa beleza sobre não saber envelhecer… Vocês sabem, os espetáculos que são constrangedores para os próprios espectadores.”

Spinoza, Gilles Deleuze

Nas velhas artimanhas morais ou superstições, a velhice, comumente associada ao eufemismo “terceira idade, melhor idade”, amplamente utilizado em falsos projetos governamentais, deve ser inquestionavelmente respeitada pela cronologia que se lhe acrescenta até a morte, da qual, por uma juventude artificialmente forjada, escapa-se até o inadiável. Para a filosofia, ao contrário, envelhecer é sempre uma meditação sobre a vida (Deleuze), nunca sobre a morte, da qual nada se sabe; sendo esta, portanto, filosoficamente, uma falsa questão. Falsas questões da falseação da velhice de “notáveis” brasileiros, auxiliados pela sequelada Folha de São Paulo, nas duas operações da Polícia Federal Republicana.

A DIMINUIÇÃO DA POTÊNCIA “VELHO”

Como a cena do romance Suave é a Noite, de F. Scott Fitzgerald, a que Deleuze se refere no trecho que colocamos no início destas linhas, quanto mais velho fica Fernando Henrique em mais maus encontros ele se envolve. Pois, no alto dos seus 77 anos, o “principesco dos sociólogos”, diante do democrático acontecimento Operação Castelo de Areia, resolveu sair em defesa da Camargo Correa: “O apoio da Camargo Corrêa, pelo que vi, era legal, não tinha nada de irregular.” E tentou ser sarcástico ao tentar incluir, suspeitosamente, o PT por força do ressentimento, sem um mero indício, entre as siglas constantes na caderneta da empresa: “Terá sido a única empresa grande que não deu dinheiro para o PT. Acho que o PT deve protestar.” Um velho estúpido, a pior imagem que se pode ter da velhice.

SENILIDADE NÃO É QUESTÃO DE IDADE

Não tão, cronologicamente, velho, Gilberto Dimenstein, nos seus ainda 52 anos, querendo-se educador da ignara classe média paulistana, diante da Operação Narciso, formula também a sua falsa questão: “A prisão de Eliana Tranchesi é um espetáculo?” Sensitivo e preocupado com o estado de saúde da dona da Daslu, ele apela para metempsicose, respondendo: “O que pode argumentar é que, se fosse pobre, Eliana não chamaria tanta atenção é verdade. Mas a minha sensação é de que se trata de um espetáculo midiático.” Por estas e outras, não se lhe diga nunca que ainda é jovem, muito menos velho, pois que já é senil.

Assim, estes, a cada mau encontro se deparam com a morte, uma quimera, e nunca poderão nem mesmo ser chamados de velhos rabugentos, o que já seria atingir uma preservação do ser, quanto mais vivenciar a velhice como potência ativa da vida.

APOSENTADORIA EM 30 MINUTOS DEPOIS DE 60/65 ANOS

Segundo a lei complementar publicada ontem (22) no Diário Oficial da União, que amplia a base de dados certificados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), para as aposentadorias “por idade”, você não precisará mais levar 90 kg de documentos e esperar 20 anos para transcorrer seu processo de aposentadoria. A partir do próximo 2 de janeiro de 2009, você só precisará apresentar a carteira de identidade que, a partir da base de dados do CNIS, em menos de 30 minutos você estará aposentado(a). Isso, é claro, como aquela história do pintor perguntado sobre quanto tempo levara para pintar um quadro, o qual responde algo como “15 minutos e 17 anos”. A partir de agora, então, em 30 minutos, mas só depois que completar 65 anos, para o homem, e 60, para a mulher, você estará aposentado(a).

Como disse o ministro da Previdência Social, José Pimentel, no programa Bom dia Ministro:

Nós vamos aposentar o saco de documentos que o trabalhador trazia para ter a concessão do seu benefício. É um conjunto de ações que estão sendo tomadas para simplificar a concessão do benefício previdenciário, agilizar o atendimento e, ao mesmo tempo, combater as fraudes.”

Para quem vem contribuindo para garantir uma segurança para si e os seus no tempo em que o Capitalismo lhe classifica com o perverso eufemismo “melhor idade”, esse tipo de atendimento está previsto para funcionar a partir de março do ano que vem. E, em julho, também os chamados segurados especiais agricultores, familiares, pescadores e extrativistas — também estarão incluídos nesse sistema. Para quem tem uma avó, um padrinho, uma namorada que foi “soldado da borracha”, por exemplo, é um alívio, pois aposentar-se era mais duro do que enfrentar onça, capangas do seringalista, malária, frio, muriçoca nas estradas do seringal.

Como todo mundo sabe, o INSS é um dos órgãos públicos mais visados para fraudes bilionárias, por isso o ministro avisa que os funcionários estão sendo treinados também para identificar possíveis tentativas de fraudes. As facilidades devem servir apenas para quem fez/faz por merecer.

Para todos e todas que sabem que a aposentadoria, economicamente é benéfica, mas que do ponto de vista das produções/criações de um corpo, como diz o filósofo Toni Negri, é um absurdo, é só correr no próximo dia 2 para usar a verba para produzir encontros alegres e gratificantes com o cascalho que chega em boa hora.

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

SEXO NÃO TEM IDADE. PROTEÇÃO TAMBÉM NÃO” – A “QUALIDADE DE VIDA” E A MORAL DE CLASSE SÃO OS VETORES DA AIDS.

O JARDIM DO AMOR

Fui até o jardim do amor

E vi o que jamais vira antes:

Uma Capela erguida no centro

Onde eu costumava na relva brincar.

E estavam fechados os portões da Capela,

E havia mandamentos inscritos sobre a porta;

Por isso voltei-me para o jardim do amor.

Que tantas flores lindas tinha.

E vi que estava cheio de covas

E lápides onde as flores deveriam estar:

E Padres de negro faziam estas rondas

Atando com espinhos minhas alegrias e paixões.

In “Songs of Experience”, de Willian Blake.

Amanhã é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, e o mote da campanha deste ano no Brasil é: “Clube dos Enta”. Cinquenta, sessenta, setenta, oitenta, noventa. É o novo nicho onde a AIDS tem se propagado.

Esta população, compreendida para a classificação cronológica como a terceira idade, tem se contaminado com impressionante rapidez nos últimos anos. Do ano 2000 para cá, o número de infectados dobrou, passando de 7,5 casos por 100 mil habitantes para 15,7/100 mil. Segundo o ministério da saúde, em 1996, na região Norte, haviam 3 casos por 100 mil, e em 2006 este número já era de 13/100.000. Aliás, é nesta região, juntamente com o Nordeste, que a epidemia tem avançado, enquanto no Sul estabilizou-se (ainda que com números preocupantes) e tem recrudescido no Sudeste e Centro-Oeste. Há, no entanto, que se comemorar o aumento da sobrevida dos pacientes acompanhados: de 58 meses/média em 1995, passou para 108 meses/média em 2008.

A explicação para o crescimento na população idosa, segundo alguns especialistas, é a melhoria da qualidade de vida desta população, patrocinado pelo avanço da medicina em relação ao funcionamento de certos processos biológicos, como a reposição/correção hormonal e os tratamentos mara disfunção erétil. Carlos Alberto Moraes e Sá, do hospital Gafree Guinle, no Rio de Janeiro, afirma até que o aumento da contaminação é um sinal positivo, que mostra a efetiva melhoria da qualidade de vida desta população (no link, a transcrição da entrevista dada por ele ao canal Globonews, interessante. Para ver em vídeo, clique aqui).

Um outro aspecto apontado para este aumento impressionante das contaminações nesta faixa etária são as experiências extraconjugais, e aí se insere o tema do homoerotismo. Muitos homens heterossexuais se contaminam em experiências sexuais homo, e contaminam suas parceiras, que nem desconfiam das “escapadelas” de seus íntegros maridos. O mesmo ocorre invertendo-se os papéis, mas culturalmente, a força falocrática coloca o homem como o agente da hipocrisia moral.

O governo, do ponto de vista técnico-científico, faz a sua parte, e a sociedade deve engajar-se nesta luta, que é de todos. Mas, sem o exame dos enunciados que constituem a subjetividAIDS (o conjunto de elementos corporais e incorporais, signos sociais que sustentam a propagação da epidemia), não se poderá combatê-la de modo eficiente.

QUALIDADE DE VIDA?

A sociedade alcunhada moderna (ou seria pós-moderna?) elegeu o mote qualidade de vida como o principal produto do século XXI. Através da ciência e das tecnologias, procura-se ampliar o tempo que é dado ao sujeito existir como corpo bio-social. Seus principais avatares são a medicina (em suas várias vertentes, dadas ao funcionamento do corpo, a boa alimentação, etc) e as tecnologias de facilitação da vida, do contato social, da locomoção, da informação.

No entanto, a sociedade que entende e cultua a vida como prolongação dos sinais vitais biofísicos não se pergunta: “O que é a Vida?”. “E a vida, e a vida o que é, diga lá meu irmão / Ela é a batida de um coração, ela é uma doce ilusão”, cantou o alegre-revolucionário Gonzaguinha. A sociedade que cultua um modo de existir sem compreender seus bloqueios, rachaduras e transbordamentos, não cultua a Vida, mas é tanática.

Tomemos o que se chama qualidade de vida na terceira idade. A medicina evolui como ciência/nicho mercadológico complementar à indústria alimentícia. Os diversos tratamentos de reposição hormonal visam sanar um problema metabólico criado pelas substâncias contidas nos alimentos processados, conservantes, corantes, realçadores de sabor, hormônios artificiais usados nos animais, manipulação genética e outros sintéticos. Um sintoma da relação de estranheza com a comida cotidiana foi visto numa escola particular de Manaus, cujos alunos se espantam quando descobrem que o animal que estão a dissecar na aula de ciências nada mais é do que o frango que comem no almoço. E o frango dissecado nem era o animal in natura, mas sua versão “supermercado”, congelado e embalado.

Ainda: a chamada terceira idade torna-se, com suas zil doenças, a maioria proveniente do modo de existência da moral de classe, o grande nicho da indústria médico-farmacológica, que tende a reduzir tudo ao espectro biofísico.

Medicina que vai anos-luz longe de uma medicina grega, uma medicina anti-socrática, uma medicina nietzscheana. Medicina que entende a vida como realização e produção existencial-ético-éstética. O que é uma ruga? Para a sociedade de consumo, um sinal indelével do fracasso em paralisar a passagem do tempo. O mote “terceira idade” se traveste: “melhor idade”. Sentença judicativa vinda de fora, falseação do existir. Não há melhor idade, se não se é causa da própria biografia.

O idoso a quem se destinam as políticas públicas – e que excluem o idoso homoerótico! – é uma falseação, tem que viver a existência como simulação decadente do tempo paralisado. Jovens outra vez, sem jamais o ter sido? Impossível. O idoso, improdutivo, preso no enredo dos “anos dourados” de uma nostalgia perversa, tentando resgatar o que lhe foi tomado nos anos de pujança biofísica, este não tem nada a ver com a vida. Vive, sem o saber, no ressentimento de tentar reviver o que não viveu. A sociedade de consumo aprisiona a Vida como devir. Gerações inteiras nascem já com os cabelos brancos, epígonos, ou como afirma o filosofante Nietzsche, os carregadores de valores, os camelos da sociedade, os escravos do “Tu Deves!”.

A sociedade de consumo, o trabalho dissociado da sua função ontológica, as relações humanas calcadas no ressentimento, é difícil escapar à armadilha da decadência, e ela inclui um papel para o velho: não ser velho.

Ser velho, efetivamente, é perigoso para o capital. É encontrar outras intensidades, outros devires, uma outra serenidade. O filósofo Deleuze afirma que tornar-se velho é encontrar/produzir um outro gosto pela existência. Gostar a vida, experimentá-la, não no sentido da experimentação do consumo, mas deixar-se atravessar por outras intensidades e produzir outros modos de sentir e existir. A lucidez e a maturidade não são uma maldição, mas uma beatitude. Nada disso passa pela armadilha terceira idade-melhor idade do capitalismo.

Como ter qualidade de vida numa sociedade que prolonga a performance biofísica/sexual do corpo, mas esta sexualidade é resultante de uma moral castradora? Se os corpos são estranhos a seus donos? O não uso do preservativo, neste sentido, é um dos sintomas de uma sexualidade alheada de si. Como chamar de qualidade de vida uma existência preservada pelos fármacos do mercado laboratorial, resultante da deterioração das funções biofísicas do corpo em virtude dos insumos artificiais produzidos pela indústria alimentícia? Trata-se de uma ciência que não vai às causas, mas confunde-a com seus efeitos. Não há, aí, nenhum rastro de Vida.

A SEXUALIDADE BINÁRIA E A DOMESTICAÇÃO DO HOMOEROTISMO

A sexualidade binária é menos uma função biológica que resultante de uma cultura falocrática. O binômio macho/fêmea não é equivalente ao binômio homem/mulher. Na Grécia, o comportamento homoerótico não tinha este viés sexista que carrega na sociedade capitalista, e mesmo lá, aquilo que era considerado “masculino” e “feminino” tinha a ver menos com a anatomia biofísica que com o comportamento, as atitudes e crenças. Mas foi na sociedade capitalista que esta binariedade passou a excluir qualquer tipo de alternativa, classificando-a como desvio. Percebe-se claramente isto na psiquiatria do século XX, que chamava o homoerótico de invertido.

Mesmo em alguns setores do movimento LGBT, procura-se transformar o homoerotismo numa espécie de terceira via, domesticação da sexualidade. É o que ocorre com os conteúdos pretensamente pró-causa que surgem na mídia, como o propalado beijo gay, ou a presença de gays nas novelas: trata-se mais de uma capturação de ordem consumista do que um aumento da potência política. Todo o elemento intempestivo, do uso e do auto-conhecimento do corpo correm risco à medida em que a ciência/mercado domestica a sexualidade desviante transformando-a em uma inócua (consegue?) prática ordeira.

Daí esta binariedade, esta pseudo-intimidade implodir quando se trata de falar e combater o vírus HIV. O comportamento sexual-padrão (homem-mulher-fidelidade) é, certamente, o menos praticado no mundo, e aquilo que se faz por debaixo das cobertas da moral (ainda que dissimulada) torna-se mais perigoso. A AIDS é uma doença menos eficientemente combatida de um viés médico/clínico (embora este seja essencial), do que por uma desmistificação da moral sexual. A prevenção ao vírus da AIDS passa por um auto-conhecimento do corpo e da própria sexualidade, bem como a sua publicidade, não no sentido do exibicionismo, mas no sentido de ser esta uma relação de honestidade consigo mesmo e com as pessoas do entorno.

Quando isto começar a ocorrer, teremos enfim a possibilidade de acabar com a epidemia.

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

INSS PAGA PENSIONISTAS E APOSENTADOS

O Instituto Nacional de Seguridade Social, INSS, iniciou hoje o pagamento da segunda parcela dos aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário, cujo cartões têm os dígitos com as terminações 2 e 7.

Também depositou os proventos dos que recebem até um salário com terminação dígito 7.

Se você tiver dúvidas quanto o calendário de pagamentos, favor ligar para Central 135. Ou pela internet, clicar o Link: Extrato de Pagamento do Benefício.

Aí, moçada! Vai pegar a grana, votar e comemorar a vitória do seu candidato!


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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