
Como dissemos neste bloguinho intempestivo no dia do anúncio da entrega dos ônibus maquiados – quando foi anunciado pelo prefeito cassado de Manaus, Amazonino Mendes, o aumento da passagem de R$ 2,25 para R$ 2,75, e de R$ 3,00 para R$ 5,50 nos chamados ‘alternativos’ -, que esta semana prometia, caso o povo manauara e os movimentos sociais resolvessem realizar um ato capaz de impedir o abusivo e irresponsável aumento da tarifa de transporte público.
Ontem, tarde de terça-feira, estudantes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e secundaristas realizaram uma passeata contra o aumento da tarifa de ônibus e a entrega de ônibus maquiados, como novos, para atuarem como transporte coletivo em Manaus. Os estudantes subiram a Av. Rodrigo Otávio e e deram a volta à Bola do Coroado. Ao mesmo tempo, outra manifestação ocorria no Centro da cidade, na Praça da Matriz.

Este bloguinho esteve presente na manifestação – que nem as fortes chuvas que tem caotizado uma cidade sem qualquer planejamento urbano conseguiu impedir – e entrou em contato com vários estudantes e outras pessoas que participaram da passeata, que parece ser a primeira de várias que devem ocorrer caso o estúpido aumento seja mantido.
“Eu acho que é um abuso aquilo que a Prefeitura de Manaus está fazendo com a população porque é uma tarifa abusiva R$ 2,75. Eu acho que está mais do que na hora de a população manauara se revoltar e vim para as ruas reivindicar seus direitos porque se passar mais um tempo a gente vai continuar sendo atropelado por aqueles que tem sempre o olho voltado pro capital, para o neoliberalismo, que tem o olho voltado sempre para os interesses dos empresários e nunca o da população verdadeiramente. Então a minha indignação é essa. Eu acho que as pessoas tem que vir mais pras ruas e movimentar por que assim juntos nós somos mais fortes.” Fabiane, estudante de Serviço Social/Ufam

“O que eu vejo é que desde de 2008 a gente não faz análises da conjuntura políticas, nada e sempre serve para fazer verdadeiros espetáculos assessorados pelas políticas, na maioria das vezes. E nosso próprio governo, que é para o qual nós devemos lutar contra, adora esse espetáculo. Depois começam a proteger esses grupinhos, aí tem o famoso apelo popular e depois acaba em nada. E a população mais uma vez fica desacreditada. Isso porque o movimento estudantil está representado por aquele grupo, a Une. Hoje o movimento estudantil passa por um grave problema: se você quer discutir dentro dele um projeto de educação, não consegue; se você reinvidicar R$0,50 centavos na passagem, todo mundo se junta; nós tentamos fazer algo com o movimento anti-manicomial, o movimento se mostra extremamente insensível às causa sociais. Pelo menos é assim que está em Manaus.” Pablo Ícaro – estudante de Ciências Sociais/Ufam

“Eu acho uma palhaçada o que o prefeito Amazonino Mendes está fazendo conosco. Não só com a gente estudante mas com toda a população. Nós pagamos impostos, portanto isso não é para ocorrer. A gente não pode dá vida fácil pra empresário. A gente tem que correr atrás do que é nosso por direito. Então é isso que a gente tá falando hoje e não ficar calado diante dessa sem vergonhice que está acontecendo. O prefeito de Manaus tem que botar a mão na consciência e saber que o estudante tem direito em Manaus, aqui ele não é o chefe! Ele tem que pedir opinião primeiro pra só depois ele fazer algo.” Taísa – estudante Solon de Lucena
“Isso daqui é só o começo da balbúrdia. Esse Estado e essa cidade aqui estão roubando a gente, eles estão espoliando o nosso direito de viver. Nosso direito à cultura. Nosso direito a arte. Nosso direito de ir e buscar, de sair e de voltar. Esse cara aí, esse Amazonino, ele está contra o povo. Ele está contra a sociedade. Ele está aumentando essa tarifa pra estragar mais a liberdade do povo. O povo já é limitado. O povo já não tem saúde boa, educação boa e o transporte é uma porcaria. Ele tá achando que esse “transporte” novo vai resolver os problemas, ele está muito enganado! Isso é uma mentira! Isso é um absurdo esse transporte que a gente tem aqui. Os ônibus podem aparecer novos, mas o terminal aí lotado, a criminalidade lá dentro, a falta de energia, um monte de problema lá dentro. Isso é o começo da enganação do povo. Maldito prefeito!” Thiago, estudante História/Ufam

“Eu tô aqui pra ajudar os estudantes nessa manifestação. Eu acho isso um absurdo porque eles colocam ônibus mal cuidados onde as pessoas são humilhadas. É uma vergonha o transporte em Manaus.” Francisca Queiroz – vendedora de doce/atua no Campus da Ufam
“Nós estamos aqui por indignação. Pergunta pro Amazonino se ele acha justo o filho dele pagar R$2,75 por um ônibus todo velho e quebrado. Você passa quase uma hora esperando um ônibus sem contar que a gente perde tempo nas nossas coisas. Então, Sr. Amazonino Mendes o senhor é responsável por essa porcaria de transporte!” Taís – estudante de Letras/Ufam
“Eu acho que todo processo é legítimo, porém esse grupo aqui de estudantes são de pessoas que não estão ligados a nenhum partido, são cidadãos preocupado com o aumento da passagem e preocupados com o que está acontecendo na cidade. Eu esclareço isso porque é um momento onde o movimento estudantil está fragilizado e certas figuras querem ganhar posição nisso e aí quem não está sabendo da história vira massa de manobra. Então essa divisão clara aqui é porque aqui, onde estamos, é outro tipo de gente. Claro que a causa é de todo mundo, mas essa galera aqui não quer virar massa de manobra.” Inara Nascimento – estudante do mestrado de Antropologia/Ufam

“Nós temos aqui estudantes do nível superior e secundaristas e temos aqui aqueles que tem envolvimento com os partidos políticos e que defendem uma ideologia partidária. Nós estamos fazendo essa manifestação porque achamos que temos o direito de manifestar a nossa indignação contra o aumento absurdo da passagem sendo que a promessa não foi cumprida e que os ônibus não foram entregues em sua totalidade. Nós temos ônibus novos pregando aí pelas ruas. Às seis horas da manhã tem ônibus novos pregando na rua com problemas mecânicos. Nós não achamos justo porque os salários não aumentaram na proporção que o preço da passagem está aumentando, que a cesta básica está aumentando. Nós temos a saúde, que nós pagamos nossos impostos, mas não temos algo de qualidade. A mesma coisa no sistema educacional e no transporte coletivo. É inconcebível pagarmos essa tarifa absurda, mais cara do que outras cidades. Em outros lugares a passagem não é tão cara quanto em Manaus e a qualidade também é um pouco melhor que a da nossa cidade. Essa é uma das nossas indignações.” Abel Bezerra dos Santos – presidente do Centro Acadêmico de Pedagogia/Ufam

Na caminhada, esteve presente o vereador Waldemir José (PT), que tem travado, via órgãos judiciais, uma vez que a Câmara Municipal de Manaus é subserviente em sua totalidade, uma luta solitária contra a sanha dos empresários e a conivência do prefeito cassado.
“O pessoal da Une esteve em contato conosco lá na Câmara e eles me informaram que haveria essa passeata. Sobre a manifestação em si eu acredito que já está tarde, o pessoal demorou muito a fazer isso, mas eu acho que ainda tem tempo. Hoje o Ministério Público está entrando na Justiça para tentar derrubar a ação, já tem pelo menos umas três ações hoje na Justiça com a possibilidade de derrubar esse aumento. Mas eu acredito o seguinte, é possível reverter desde que realmente a população consiga se mobilizar e mostrar a sua indignação em relação a esse fato que é o aumento da tarifa sem uma participação efetiva da população.” Waldemir José, vereador
DESRESPEITO À LIMINAR OU LENTIDÃO DA JUSTIÇA
Waldemir já havia entrado com uma ação no Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE), no dia 12 de setembro, contra qualquer aumento da passagem, devido à denúncia de maquiação de ônibus velhos que, pintados, são entregues como novos para rodar na cidade.
Ontem à noite, no momento em que terminava essa passeata, o juiz plantonista Rosselberto Himenes, da 7º Vara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), concedia, devido ação civil proposta pelo MPE a partir do vereador, a liminar para suspensão do reajuste da tarifa de ônibus.
No entanto, hoje os ônibus de linha estão cobrando a tarifa com aumento, ou seja, R$ 2,75, enquanto os alternativos estão sem critério definido, uns cobrando ainda a tarifa de R$ 3, outros cobrando R$ 5,50.
Segundo a Secretaria Municipal de Trasnportes Urbanos (SMTU), o cumprimento da liminar não está sendo cobrada pelo órgão devido ao não recebimento da mesma. Os usuários questionam se o caso ocorre devido à lentidão proposital da Justiça ou desse órgão municipal, que deveria defender e fazer cumprir os direitos da população. Provavelmente, as duas coisas estejam a ocorrer.

Depois da caminhada, o grupo se reuniu na frente do Campus e decidiu voltar a se reunir amanhã 13 de outubro, às 9h, na Praça do Congresso, em frente ao Instituto de Educação do Amazonas, Centro de Manaus, para uma grande passeata envolvendo todas as entidades estudantis e todas as pessoas que quiserem protestar e resistir ao aumento da tarifa.
Ao que tudo indica, poderão ocorrer novamente aquelas grandes passeatas estudantis contra o aumento arbitrário e abusivo da passagem de ônibus em Manaus, como aqueles que você acompanhou há dois anos aqui neste bloguinho. É a movimentação estudantil puxando o protesto contra a tirania e ausência do Estado de direito nessa cidade, nesse estado… Vamos nessa, moçada!

Leitores Intempestivos