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CASOS DE EUROPEUS VÍTIMAS DE TRÁFICO DE PESSOAS NO BRASIL SÃO IDENTIFICADOS PELO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Seminário Internacional Brasil-União Europeia sobre Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas discutiu casos de europeus no Brasil vítimas de tráficos de pessoas e seu crescimento cujos objetivos são tanto para exploração sexual, como para o trabalho escravo e transplantes de órgãos e tecidos. Segundo a análise do Ministério da Justiça estes europeus chegam ao Brasil trazidos em função do crescimento econômico e iludidos por melhoria de vida.

De acordo com Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça, a descoberta de problemas comuns entre esses países resultou na necessidade de se planejar ações e definir parâmetros para a troca de informações.

Durante muito tempo os brasileiros eram as maiores vítimas, quando iam aos países centrais. Agora, temos percebido que há ocorrência de tráfico de pessoas a partir da América Latina e dos países centrais, que estão em crise. Neles, existem ocorrências de tentativas de tráfico de pessoas enviadas ao Brasil com o mesmo propósito.

São principalmente mulheres entre 19 e 24 anos. Em geral, são traficadas para diferentes fins. Entre as modalidades mais comuns estão a exploração sexual, a remoção de órgãos e tecidos humanos, trabalho escravo ou servidão em casamento.

Vamos padronizar essa coleta de informações, para que, em um ano tenhamos dados confiáveis para formular novas políticas. O tráfico de pessoas já se constitui como o terceiro maior volume de ativos ilícitos no mundo”, disse Paulo Abrão.

Participando também no seminário, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que é necessário a cooperação de todos para combater o tráfico.

Esse é um problema que preocupa muitos países do mundo, em especial a comunidade europeia. Portanto, o enfrentamento não passa apenas por medidas internas de nosso país. Sem uma relação internacional aprofundada e sem conjugação de esforços, não será possível encontrarmos a solução”, afirmou o ministro.

Falando sobre como a sociedade pode ajudar no combate ao tráfico de pessoas, Paulo Abrão, disse que basta denunciar nos núcleos e postos de enfrentamento ao tráfico de pessoas instalados em pontos de entrada no país e rodovias de diversos estados.

As pessoas podem procurar esses locais para apresentar suas demandas, pois são eles que administram, in loco, a ocorrência dos fatos e depois os levam ao âmbito federal, nível federal, para eventual ação articulada com a Polícia Federal”, disse Paulo Abrão.  

PEC DO TRABALHO ESCRAVO É APROVADA EM SEGUNDO TURNO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS, MAS NÃO AGRADOU OS RURALISTAS. É BOM

Deputados, trabalhadores rurais e defensores deram vivas à aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo em segundo turno, ocorrida na Câmara dos Deputados. Na opinião do deputado Marco Maia (PT/RG), a aprovação da PEC expressa o protesto dos deputados contra o trabalho escravo. Ele disse também, que os cinco deputados e cinco senadores que formarão a comissão que irá produzir o texto à ser votado no Senado, devem estabelecer a diferença entre o que é trabalho escravo e o que é desrespeito à legislação trabalhista.

“O importante é a demonstração que o Parlamento passou ao Brasil que não é mais possível que convivamos com situação análoga ao trabalho escravo. Foram nove anos entre a votação do primeiro e segundo turno da PEC.

Precisamos ajustar melhor a legislação, inclusive, para estabelecer prazos, definir quem tem o poder de julgar as situações onde for necessária a desapropriação de terra em função de trabalho escravo”, afirmou Marco Mai.

Por sua vez, o deputado Luiz Carlos Heinze, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária disse que votou contra a PEC porque não foram corrigidas nela as distorções, mas que os trabalhadores são contra o trabalho escravo e espera que o Senado faça as correções.

“Tentamos, exaustivamente, um acordo até a hora da votação para uma proposta que alterasse o Código Penal, uma vez que estas questões constantes da PEC são trabalhistas e não de trabalho escravo. O assunto é puramente trabalhista. Esperamos que o Senado faça as correções que não conseguimos fazer”, lamentou o ruralista.

A PEC determina que as propriedades rurais e urbanas onde foram encontradas culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo sofrerão expropriação e passaram a integrar os programas de reforma agrária e habitação popular. Os proprietários não terão direito a nenhuma indenização. Também todos os bens de valor econômico apreendidos, decorrentes do tráfico de entorpecentes e escravo serão confiscados.

POR FORÇA DA TRAMA DOS RURALISTAS MAIS UMA VEZ A CÂMARA ADIA A VOTAÇÃO DA PEC DO TRABALHO ESCRAVO

Depois de ser adiada na terça-feira a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438/2001 do Trabalho Escravo por imposição de questionamentos da reacionária bancada ruralista, ficando transferida a votação para ontem, quarta-feira, novamente foi adiada. Os parlamentares aceitaram a proposta do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RG), líder do partido, para que a PEC seja votada no dia 22.

A PEC do Trabalho Escravo tramita pelo Congresso há mais de dez anos, e só teve sua primeira votação em primeiro turno no ano de 2004. Há uma grande mobilização da sociedade brasileira para sua aprovação. São organizações Não Governamentais, entidades dos Direitos Humanos, Movimentos dos Negros, estudantes, trabalhadores rurais, índios, centrais sindicais e o próprio governo federal todos preocupados com o andamento da votação para que a situação de opressão trabalhista não continue a vigorar.

Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia (PT/MG), que durante todo o dia de ontem tentou articulara a aprovação da PEC, os parlamentares estão buscando entendimentos para que a aprovação da matéria seja por unanimidade.

“Há uma discussão sobre o que é trabalho escravo e o não cumprimento da legislação trabalhista precisa ficar mais claro”, disse Marco Maia.

Defendendo a posição de sua base, Moreira Mendes (PSD/RO), presidente da reacionária Frente Parlamentar da Agropecuária, afirmou que eles não nada do que vem sendo divulgado: que são contrários a PEC. Para ele esse entendimento não é correto.

“Somos literalmente contra o trabalho escravo. Queremos tranquilidade e segurança jurídica para aprovar. Não temos nenhum problema com o texto da PEC, mas com a lei infraconstitucional sobre o tema”, dissimulou Mendes.

Por sua vez, o deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP), com um discurso fortemente nazifascista, contestando a matéria que destina a reforma agrária terra na qual seja flagrada a utilização de mão de obra escrava, disse que sua propriedade vale mais que a vida de qualquer ser humano.

“Se eu, na minha propriedade, matar alguém, tenho direito a defesa. Se tiver bom advogado, não vou nem preso. Mas se der a um funcionário um trabalho que será visto como trabalho escravo. Minha esposa e meus herdeiros vão ficar sem um imóvel. É uma penalidade muito maior do que tirar a vida de alguém. A espinha dorsal da Constituição brasileira é o direito d a propriedade”, orou nazifascistamente o deputado da extrema-direita. 

Já a não votação por mais uma vez da PEC surpreendeu o deputado Chico Alencar (PSOL/RJ).

“Eram 418 deputados, todos a favor e não se vota a PEC. Vai se consolidar o quê? Todo senso comum sabe o que é trabalho escravo”, considerou estupefato Chico.

Dilma: reduzir juros, proteger câmbio e diminuir impostos

Cerimônia de posse de novo ministro do Trabalho foi recheada de referências à Brizola, João Goulart e Getúlio Vargas. Em seu discurso, a presidenta Dilma Rousseff destacou as três metas centrais do seu governo no momento: ter taxas de juros compatíveis com aquelas praticadas no mercado internacional, um câmbio que não seja objeto de políticas que, de forma artificial, valorizem a moeda brasileira e impostos mais baixos. A reportagem é de Vinicius Mansur.

Vinicius Mansur

Brasília – O novo ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT-RJ), foi empossado pela presidenta Dilma Roussef, nesta quinta-feira (3), com discurso emocionado e elogioso a herança do trabalhismo no Brasil. “O sobrenome que possuo, integra a linhagem de brasileiros ilustres que se inicia com Vargas, prossegue com João Goulart e flui para figura querida e saudosa de meu avô Leonel Brizola, este sobrenome está – e não pela minha humilde presença – indissoluvelmente ligado a essa trajetória que agora se redesenha com Luiz Inácio Lula da Silva e hoje com Dilma Rousseff”, disse.

O pedetista elogiou os governos federais petistas por terem rompido com o receituário neoliberal no qual o desemprego era “uma fatalidade, um componente necessário a uma economia em desenvolvimento”. “Não temos apenas o ciclo de progresso econômico, mas experimentamos um avanço social que incorporou mais de 40 milhões de brasileiros à vida moderna”, considerou.

Em seu discurso, o novo ministro lembrou o período Vargas – onde “começou-se a romper um mito de que o trabalho era apenas uma mercadoria a ser negociada com a liberdade selvagem”-, defendeu a presença do Estado para se avançar “no caminho da valorização do trabalho, da dignificação do trabalhador e no entendimento de que é o ser humano o princípio e o fim de toda atividade econômica” e cutucou a imprensa:

“Ainda hoje em um jornal se escreve que a presença do Estado como elemento na obtenção deste equilíbrio – sem o qual não há nem justiça, nem progresso, nem humanidade – seria um anacronismo.”

As três metas centrais do governo
Dilma Roussef iniciou seu discurso ressaltando que o desemprego no Brasil está nos patamares mais baixos de sua história – 6,5% em março -, em contraste com países desenvolvidos onde o este índice, em média, é de 10,8%, chegando a 52%, se medido apenas na juventude de alguns países europeus. “Nessa semana, a OIT mostrou que, em relação a 2007, antes da eclosão da crise, só nesse período, o mundo perdeu 50 milhões de vagas formais de emprego (…). Nós navegamos na contramão dessa tendência e desse quadro sombrio. No mesmo período, ou seja, nós criamos 9 milhões de empregos com carteira assinada”, ressaltou.

As metas agora, de acordo com a presidenta, são três: ter taxas de juros compatíveis com aquelas praticadas no mercado internacional, um câmbio que não seja objeto de políticas que, de forma artificial, valorizem a moeda brasileira e impostos mais baixos.

Nestas circunstâncias, Dilma qualificou de significativa a nomeação daquele que, além de carregar o sobrenome Brizola carrega a história do seu tio-avô João Goulart, o Jango:

“Nomear como ministro do Trabalho e Emprego Carlos Daudt Brizola Neto reforça, em meu governo, o reconhecimento da importância histórica do Trabalhismo na formação do nosso país.”

A presidenta destacou que foi o Trabalhismo o responsável por conquistas como a jornada de oito horas de trabalho, o salário mínimo, o direito à organização sindical e a adoção de uma legislação de proteção ao trabalhador.
Apoio

O deputado Paulinho da Força Sindical (PDT-SP) apontou que Brizola Neto é apoiado por todas as centrais sindicais, entretanto, não foi tão firme quando perguntado sobre o apoio do seu partido. “Posso garantir que o Brizola Neto terá o apoio da maioria da bancada de deputados e senadores”, afirmou. Manoel Dias, secretário-geral do PDT e Vieira da Cunha , deputado federal pelo partido, também foram cotados para assumir o ministério.

O presidente da CUT, Artur Henrique , espera que Brizola retome uma agenda positiva no ministério recolocando a pauta sindical na ordem do dia. “Para isso, ele precisará de muita ajuda das centrais”, disse. Entre os temas estão o fator previdenciário, a terceirização, a redução da jornada de trabalho e, de imediato, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438, de combate ao trabalho escravo, que será votada possivelmente na semana que vem.

O dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Alexandre Conceição, avaliou o discurso de Brizola como um bom “resgate histórico e de esquerda”, mas falta elaborar a pauta. “O ministério é muito voltado para a cidade, conhece pouco o campo, precisa fiscalizar e punir os abusos em grandes fazendas, inclusive transnacionais. A PEC do Trabalho Escravo será importante nisso ”, afirmou.

Biografia
Brizola Neto é agora o ministro mais novo do governo Dilma, com 34 anos. Nascido em Porto Alegre (RS), em 11 de outubro de 1978, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1982, quando seu avô foi eleito governador do estado. Em 2004, foi eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro e, em 2006, foi eleito deputado federal, sendo reeleito em 2010. Em 2011 foi secretário de Trabalho e Renda do estado do Rio de Janeiro. Brizola Neto também se destacou na militância virtual através do blog Tijolaço.

Fotos: Antonio Cruz/ABr

Carta Maioe

TRABALHADORES DE VÁRIOS PAÍSES DO MUNDO FIZERAM DO 1° DE MAIO DIA DE PROTESTO

As comemorações do Dia do Trabalho em vários países do mundo foram materializadas com amplos movimentos de protestos. A mola principal que impulsionou os movimentos de protestos foi a crise econômica mundial que vem tirando emprego de milhares de trabalhadores em todos os continentes e empobrecendo vastas sociedades. Um quadro desumano provocado pela voracidade financeira dos grandes bancos e empresas que praticantes do neoliberalismo só acreditam no lucro como o leimotiv de suas existências. Capitalismo paranoico que reflete a patologia de 1% dos que detém o poder econômico como denuncia os manifestantes do Ocupe Wall Street.

Nos Estados Unidos o movimento Occupy Wall Street realizaram suas manifestações em várias cidades do país e os protestos foram concretizados em frente aos edifícios bancários, grandes empresas multinacionais, praças e parques. Em alguns lugares a força policial braço violento protetor do capitalismo oprimiu os manifestantes usando cassetetes e bombas de efeitos moral, além de usarem alto-falantes para dispersar os manifestantes.

Na Grécia houve paralisação geral que contou com milhares de trabalhadores de vários setores produtivos, hoje muito desativado. Ônibus, trens e metrôs não funcionaram com paralisação de quatro na capital Atenas. Hospitais públicos e privados funcionaram com seus corpos médicos diminuídos.

Na França, em várias cidades, ocorreram 280 manifestações produzidas pelas lideranças sindicais. De acordo com os sindicalistas não houve espaço para mensagens de partidos políticos e candidatos que concorrem no segundo turno das eleições para Presidência da República francesa.

Vivendo dias apreensão contra pacotes de medidas econômicas de austeridades propagadas pelos governos de seus países, trabalhadores da Espanha e Portugal realizaram protestos contagiantes contra a situação de quase penúria que vivem os trabalhadores dos dois países europeus.

Na Turquia, especificamente em Istambul, milhares de representantes de partidos políticos e trabalhadores foram às ruas. Diante da gigantesca concentração o governo enviou mais de 20 mil policiais para a Praça Taksim, logradouro público de maior importância da cidade e território de reivindicações.

Em Cuba, o Dia 1° de Maio teve outras cores em vista de ser o dia de maior relevância no país. As festividades comandadas pelo governo Castro homenagearam os trabalhadores do mundo e os trabalhadores cubanos que construíram o socialismo latino

Manifestantes saíram às ruas de várias localidades da ilha para defender o socialismo carregando faixas com dizeres enaltecedores ao país e ao socialismo. Alguns cartazes com dizeres “Preservar e aperfeiçoar o socialismo”, se destacaram nas manifestações.

No Brasil, algumas manifestações em algumas cidades lembraram os trabalhadores na ótica bem realista, onde ele aparece ainda lutando por alguns direitos que ainda não foram conquistados e também empregos.

No Amazonas, particularmente em Manaus, não houve movimento de trabalhadores em função da miserável situação em que se encontra a maioria dos sindicatos. Uma maioria formada pela pelegada. Triste realidade com dirigentes alienados submissos aos governos municipal e estadual, ambos da ultradireita.

Mobilizações de maio serão decisivas, dizem Negri e Cocco

“No curto prazo, o mês de maio já se apresenta como um momento decisivo para sabermos se vamos poder contar com uma possível nova fase constituinte de lutas, depois daquela que conhecemos no ano passado. Muito depende de como o Primeiro de Maio organizado pelos “occupy” nos EUA e a mobilização global dos dias 12 e 15 de maio acontecerão. A grande questão é saber se o 15M e as redes sindicais conseguirão se encontrar num terreno não corporativo”, defendem Antonio Negri e Giuseppe Cocco em entrevista concedida na Espanha, onde ocorrerá esta semana o Seminário Internacional Crise da Representação e os Desafios da Democracia no século XXI.

Redação

Madri – No momento em que o movimento de contestação popular democrática 15M, também chamado de movimento dos indignados, completa um ano, o Governo do Estado do RS vai até a Espanha para apresentar seu sistema de participação cidadã. O Seminário Internacional Crise da Representação e os Desafios da Democracia no século XXI vai reunir pensadores, ativistas, representantes de sindicatos e governos para analisar experiências e soluções encontradas em várias partes do mundo, nos dias 4 e 5 de maio, na sede da Comissão Europeia, em Madri.

Nesta entrevista, Antonio Negri e Giuseppe Cocco traçam um panorama das mudanças provocadas por movimentos como o 15M, a crise da democracia nos países europeus e o papel que os países do sul podem desempenhar na busca por novos modelos de democracia, com novos canais e espaços de participação popular.

Antonio Negri, filósofo italiano, é professor titular aposentado da Universidade de Pádua (Itália) e professor de filosofia do Colégio Internacional de Paris (França). Entre outras obras, escreveu, em parceria com Michael Hardt, os livros “Império” e “Multidão”. Giuseppe Cocco, cientista político, doutor em história social pela Universidade de Paris, é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre outras obras, escreveu, com Antonio Negri, o livro “Glob(AL): Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada”.

Depois de um ano do início do movimento 15M, qual a força de mobilização e capacidade de renovação dos protestos?

Antonio Negri e Giuseppe Cocco: Uma boa maneira de se responder a essa pergunta é começando por uma definição adequada do que é o 15M, ou seja, o movimento da multidão na Espanha do ano passado. Uma primeira definição é muito simples: trata-se de um formidável processo de (re)apropriação da política por milhares de pessoas. Esses milhares de pessoas não se reúnem a partir de alguma identidade prévia (por exemplo, a condição objetiva dentro da divisão técnica e social do trabalho), mas se constituem como uma multidão de singularidades (a classe que nós podemos enxergar nessas lutas é uma produção de subjetividade).

Usando as palavras de Raúl Sanchez, podemos definir o 15M e as primaveras árabes também como movimentos de revolução democrática: inventores de democracia e radicalizadores da democracia. A invenção da democracia acontece na sua radicalização: na imanência que contém a forma e o conteúdo dessas lutas. Hoje o 15M está chegando a um ano de existência e se constitui como que um prisma a partir do qual se pode olhar para os movimentos que o anteciparam (a primavera árabe) e para os que o seguiram (o occupy wall street). Seu horizonte é o da sua globalização!

Os protestos e as mobilizações nunca pararam e continuaram a se propagar de maneira viral: atravessaram o Mediterrâneo até as praças de Tel Aviv, e depois atravessaram o Atlântico no Occupy Wall Street (que, por sua vez, teve como referência as longas manifestações na Assembléia Estadual em Wisconsin), generalizando-se em dezenas de cidades dos Estados Unidos, de costa a costa; depois disso, as lutas voltaram para a Praça Tahrir no Egito e para a Praça Syntagma de Atenas. No dia 15 de outubro do ano passado as manifestações foram globais e chegaram também ao Brasil (embora de maneira ainda embrionária).

Os contextos de cada um desses movimentos foram muito diferente e em nenhum deles se repetiu o que acontecia em outro lugar. Contudo, cada um deles conseguiu traduzir para a sua singularidade alguns elementos comuns. Como dissemos, esses movimentos desenvolveram-se numa “forma multidão”, algo como um “fazer-se da multidão”: frequentes assembléias e decisões participativas. As mídias sociais (como Facebook e Twitter) foram instrumentos de rede: evidentemente, elas não criam os movimentos, mas são ferramentas úteis, porque, em vários sentidos, correspondem à estrutura dos experimentos horizontais e democráticos dos próprios movimentos. Em outras palavras, o Twitter é útil, não porque divulga eventos, mas porque reúne as ideias de uma grande assembléia para uma decisão específica, em tempo real. Na rede, em seus códigos e protocolos, reside o mecanismo de ativação e modulação de um movimento que funciona como um enxame.

Assim, o movimento espanhol se constituiu numa primeira e potente resposta às consequências políticas e sociais da crise sistêmica do capitalismo global. Nesse sentido, ele herdou e requalificou os protestos da multidão grega, articulando a “recusa a pagar” pela crise do neoliberalismo com uma capacidade de mobilização autônoma e horizontal de tipo novo e constituinte, fortemente inspirada na relação estreita que as revoluções árabes estabeleceram entre as mídias sociais e as praças.

Além disso, o 15M foi também a invenção de uma zona de mobilização autônoma diante do impasse gerado pela gestão totalitária que o governo socialista espanhol optou por fazer da crise, obedecendo passivamente às medidas impostas pelas finanças, pela União Européia e agências de rating. O PSOE de Zapatero esvaziou totalmente o terreno da representação como possível espaço de negociação e acabou transformando a anunciada vitória da direita neofranquista em um verdadeiro pesadelo: sem alternativas.

Na impossibilidade de apelar para um voto reformista ou até simplesmente “útil” (pois teria significado aceitar e legitimar a chantagem da gestão antissocial e antidemocrática da crise implementada pelo PSOE a partir da ditadura das finanças) o movimento foi a única brecha encontrada; e podemos dizer ainda que um de seus grandes resultados foi o de esvaziar antecipadamente a legitimidade da vitória eleitoral da direita. Contudo, o movimento enfrenta hoje dois desafios: um primeiro – de tipo geral – é renovar-se nas mobilizações de rua e com isso avançar no terreno da luta contra a crise; um segundo – mais especifico – é conseguir inovar nas formas de mobilização, agora que a representação (o governo) se apresenta como aberta regressão reacionária e os espaços de manifestação democrática são submetidos à chantagem da repressão e da violência.

De maneira um pouco mais geral, a questão que se coloca hoje é de saber se esses protestos e mobilizações conseguirão continuar suas lutas com uma capacidade adequada de inovação. Podemos então reformular a questão inicial nesses termos: a multiplicação dos protestos que já acontece e se aprofundará, além de se constituir em horizonte inevitável de toda reflexão teórica e política, pode voltar a renovar suas dimensões constituintes? As múltiplas instâncias do 15M e dos movimentos “occupy” já enfrentaram o desafio apostando na recomposição dos movimentos em dois grandes momentos: o primeiro de maio (o May Day) lançado pelo Occupy Wall Street nos Estados Unidos, e o 12 e 15 de maio lançado pelo 15M espanhol.

O 15M – enquanto movimento global – já pode também contar com mais uma inovação: a mobilização operária e sindical. Houve uma grande manifestação nacional do sindicato dos trabalhadores metalúrgicos na Itália (a FIOM) e uma greve geral (de 24 horas) na Espanha. Na Itália, os metalúrgicos protagonizaram greves espontâneas, manifestações e piquetes de rua contra a reforma trabalhista e enfim confluíram numa grande manifestação nacional no dia 9 de março de 2012. Na Espanha, as duas principais centrais sindicais (UGT e CCOO) mobilizaram um vasto protesto contra a flexibilização selvagem do mercado do trabalho, tentando inclusive se tornar o eixo de referência do conjunto da oposição social à ditadura financeira consolidada no governo de direita (do PP). A greve geral foi atravessada pela constelação de realidades dos movimentos oriundos do 15M rumo à mobilização global de 12 e 15 de maio. Nas manifestações, a multidão dos jovens precários e desempregados clamava pela apropriação da greve (Toma la huelga) para preparar uma outra greve (Otra huelga).

Ao invés de constituir uma normalização do movimento nos moldes tradicionais de organização sindical, a greve geral espanhola acabou se mestiçando nas práticas de luta dos trabalhadores que já estão fora da relação salarial e precisam de novas formas de organização e, sobretudo, de um novo programa. Apareceu com clareza o desafio de juntar a greve “geral” contra a austeridade e o endividamento com a as lutas de defesa das condições gerais de vida (biopolíticas) democrática. A questão que está colocada é, pois, como a “greve geral” saberá se tornar uma outra greve, uma resistência geral contra a chantagem da austeridade e do endividamento, rumo a um programa que tenha como base a defesa da própria vida, das bases biopolíticas da democracia: greve geral e renda universal!

Quais as possibilidades de construção de sínteses a partir dessas novas mobilizações para uma nova agenda democrática?

AN e GC: Mais do que pensar na construção de novas “sínteses”, o desafio atualmente é a renovação e a propagação dos movimentos “constituintes” e, dentro e a partir deles, de uma nova agenda democrática, de um novo “programa”, um programa da multidão. O eixo desses esforços foi definido pelos próprios movimentos: trata-se da luta para a reapropriação social de tudo que a renda financeira expropria; uma luta rumo à construção de um “novo welfare”, capaz de libertar as vidas da chantagem dos dispositivos de endividamento e das infinitas modulações dos fragmentos de inclusão-exclusão, exclusão-inclusão.

Dito de outra maneira, diante do ataque generalizado a toda produção social, a única maneira de defender o trabalho é defender a cooperação social como um todo. A defesa do “trabalho” precisa enraizar-se na defesa de toda a produção social, ou seja, da conexão das lutas por salário “dentro” da empresa com as lutas de todas as subjetividades pela renda “fora” da empresa. Sem essa conexão, as lutas são incompreensíveis e impotentes. Já temos aqui o conteúdo e a função do programa. O novo programa será adequado se souber construir essa conexão: renda incondicional, welfare universal e a apropriação dos serviços e dos bens para além da clivagem público/privado, no terreno da constituição do comum.

A gestão da crise do capitalismo global está se dando num terreno de exceção, à qual somente as dinâmicas constituintes dos movimentos de tipo novo podem responder para transformá-la em radicalização democrática. Nesse sentido, as manifestações sindicais de 9 de março na Itália e a greve geral de 29 de março na Espanha constituíram importantes momentos de generalização das lutas. No curto prazo, o mês de maio já se apresenta como um momento decisivo para sabermos se vamos poder contar com uma possível nova fase constituinte, depois daquela que conhecemos no ano passado. Muito depende de como o May Day (Primeiro de Maio) organizado pelos “occupy” nos Estados Unidos e a mobilização global dos dias 12 e 15 de maio acontecerão.

De maneira mais geral, a questão é de saber se o 15M e as redes sindicais conseguirão se encontrar num terreno não corporativo, ou seja, na construção de uma agenda adequada. E a agenda somente será adequada se houver clareza sobre o fato de que não se trata de defender (apenas) o trabalho dentro da relação salarial (dentro do emprego), mas as bases sociais gerais de um trabalho que acontece também e, sobretudo, fora da relação de emprego, envolvendo a vida como um todo: no setor terciário (serviços), nas redes sociais, na precariedade e na informalidade. Sem esta compreensão das dimensões pós-industriais do trabalho produtivo, das qualidades cognitivas da força de trabalho e, enfim, das dimensões sociais que a qualificam ao mesmo tempo em que qualificam a produção como um todo, não haverá recomposição de classe. É nesse sentido que hoje a luta é pela defesa das condições gerais de vida e implica a construção de uma nova agenda democrática a partir do tema geral da Renda de Cidadania.

Mais ainda, sindicatos e movimentos têm que construir frentes e instituições como “Bolsas de trabalho” ou “Pontos de trabalho” para poder organizar reivindicações salariais para todos: para os que têm um emprego e para os que não o têm, para os que têm um estatuto e para os que estão na precariedade, e isso passa necessariamente pela luta em prol de uma renda social incondicional. Quando a empresa se torna social, o sindicato também deve tornar-se social. Isso é de grande atualidade no Brasil! Pensemos, por exemplo, em como as lutas dos sindicatos dos professores ficam hoje limitadas e corporativas ao não conseguirem se articular com os territórios.

Sem a reconquista da riqueza socialmente produzida por meio de uma renda social universal e incondicional, a relação salarial não saberá se tornar a base constituinte de uma agenda democrática, de maior liberdade e igualdade, para superar o neoliberalismo. O salário é hoje uma ferramenta social. É por isso que o capital financeiro controla direta ou indiretamente a indústria, os serviços, o trabalho social em geral; e sua atuação é imediatamente política: por essa razão o capital ocupa diretamente os governos que, por sua vez, operam a partir das métricas, das medições (ratings) que as próprias finanças impõem. Diante da governança financeira do trabalho social, os governos se tornam órgãos de execução de seu comando direto. Assistimos a uma inversão das tradicionais relações de servilismo entre governos e capital: os ministros não são mais empregados do capital, mas são os empregados do capital que se tornam ministros.

As acampadas do 15M, do Occupy, da Praça Syntagma e também aquelas embrionárias que aconteceram no Rio de Janeiro, em São Paulo e Salvador – a partir do conflito com o capital e seu governo – estão trilhando um terreno novo, ou seja recompondo – entre as redes e as praças – as lutas operárias, as lutas por moradia, por escola, pela saúde, e vão também começando a intervir na gestão das escolas e dos hospitais, elaborando experimentações de inovação do mercado do trabalho. Trata-se mesmo de fazer isso, de reconstruir desde baixo as redes das relações sociais que hoje permitem que as empresas funcionem; apontar as contradições no plano concreto, os elos inovadores e os que destroem as redes; apreender, junto dos trabalhadores e/ou dos cidadãos, os modos de produção de subjetividade que os instauram.

A síntese que hoje faz sentido é mesmo aquela de um “estilo de militância” que associe a luta pela generalização da renda universal em todos os segmentos do trabalho social e a recomposição das lutas das forças de trabalho sociais com as lutas dos operários industriais, no terreno da constituição do comum.

Quais perspectivas podem vir do Sul, onde a tradição democrática é mais jovem, mas as experiências das novas metodologias têm sido referência, como no caso do Brasil e o Rio Grande do Sul?

AN e GC: O governo da crise sistêmica do capitalismo global se apresenta como uma “revolução desde cima”. O capital financeiro, longe de ser reduzido dentro dos marcos de regulação que supostamente deveriam restabelecer seus critérios prudenciais (conservadores!), está se mostrando não como um desvio, mas como o próprio modo de ser do capitalismo contemporâneo. Com a crise, sua ação não se reduz, mas alcança um novo patamar: depois de ter assumido o controle das redes sociais de produção, de ter substituído a relação capital–trabalho por aquela de crédito e débito, o capital financeiro se torna abertamente governo, passando por cima das próprias regras da democracia formal. É um poder de exceção que atua ao longo de duas linhas: por um lado, a redução dos governos e de todo o mecanismo da representação a meros executores técnicos das diretivas dos mercados; pelo outro, a destruição do welfare residual e com isso a destruição das próprias condições biopolíticas da democracia formal assim como a conhecemos no segundo pós-guerra.

Os governos da América do Sul se constituíram, nessa primeira década do novo milênio, numa tímida porém real contratendência: depois de ter abandonado as políticas de privatização, passaram a elaborar novas formas de proteção social (em particular, com a distribuição de renda e a valorização do salário mínimo) e algumas inovações democráticas: no Brasil podemos destacar as novas formas de participação (o orçamento participativo de Porto Alegre), as brechas de transversalidade abertas no Ministério da Cultura de Gilberto Gil, as conferências nacionais de comunicação, cultura, segurança, além de outros elementos de inovação reformista no terreno, como por exemplo, da política de cotas raciais nas universidades, de democratização do acesso ao ensino superior (Prouni e Reuni), da política indígena (como no caso da demarcação contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima).

Na Argentina, as lutas pela democracia (em particular, com as políticas de direitos humanos e os processos da ditadura) e os “planes” de distribuição de renda foram particularmente importantes. Na Bolívia e no Equador tivemos intensos momentos constituintes. Além disso, os governos da América do Sul em geral e do Brasil em particular se engajaram nos rumos de uma nova política externa que articula criativamente o governo da interdependência com a multiplicação das relações Sul-Sul (no âmbito do G20, dos Brics, da Unasul etc.).

Nesse sentido, o Sul em geral e a América do Sul em particular pode ter um papel fundamental a desempenhar dentro da crise, colocando-se como um novo ponto de referência para os movimentos, no terreno da resistência democrática e de um reformismo inovador. Agora, esse papel não é nem automático e nem está consolidado. Pelo contrário, já existem inúmeras inflexões que nos fazem pensar em uma homologação dos projetos e das políticas dentro dos valores – decadentes, mas sempre em vigor – do capitalismo global.

Na Bolívia, por exemplo, onde parecia que as relações entre movimentos e governos fossem as mais abertas e íntimas, assistimos à multiplicação de conflitos (o gazolinazo no El Alto de La Paz, a marcha indígena no Tipnis contra a estrada construída com financiamento brasileiro por uma empreiteira brasileira) que envolvem diretamente a questão dos ‘projetos’ e dos ‘sujeitos’.

A solução “estatal” das escolhas de valores parece prevalecer sobre a opção da radicalização democrática. No Brasil também, o primeiro ano do governo Dilma conseguiu fechar – com rara obtusidade – uma série de interstícios que o pragmatismo da era Lula tinha deixado acontecer: a distribuição de renda continua fechada nos limites (neoliberais) da condicionalidade, mantendo o foco numa erradicação da pobreza que mais se assemelha a uma remoção dos pobres; a experiência inovadora do MinC foi destruída e com ela todas as políticas inovadoras em termos de uma política de redes; as relações com os movimentos sociais (organizados ou não) tornaram-se praticamente nulas; o Ministério das Comunicações abriu mão do plano de banda larga para agradar aos interesses das operadoras multinacionais de telefonia; as grandes obras (como Belo Monte, os Estádios da Copa e as Olimpíadas do Rio) são implementadas segundo uma lógica autoritária que é exatamente aquela da racionalidade capitalista; um governo oriundo das forças sindicais sequer é capaz de entender as revoltas endêmicas dos operários das barragens; a regulação dos vistos para os imigrantes estrangeiros reproduz para pior as piores políticas de discriminação dos mais pobres (os haitianos e os africanos) que os países do norte aplicaram (e aplicam) contra os brasileiros.

Enfim, parece que tudo se resolve em termos de taxa de juros e de crescimento, segundo linhas de valor transcendentes; ou seja segundo os padrões de valor dominantes. Acontece que esses valores estão hoje totalmente em crise e só se reproduzem com base numa preocupante redução dos espaços democráticos.

Enfim, a questão que se coloca é mesmo de saber se o Sul – e o Brasil em particular – quer mesmo se homologar pelos valores transcendentes (e decadentes) do Norte e de seu capitalismo financeiro ou se, ao contrário, é sua alteridade radical e a sua capacidade de produzir novos valores que interessa. No cerne dessa alternativa se encontra a questão dos pobres e da classe. Por um lado, as forças residuais do movimento socialista mantêm o que de pior houve na experiência socialista, ou seja, suas dimensões positivistas e desenvolvimentistas, aquelas que estiveram na base da degeneração totalitária do stalinismo e consideram a ciência e a indústria como um prêmio da luta de classe.

Nessa tradição – teoricamente extenuada mas ideologicamente ainda ativa – os “pobres” são um estorvo, fruto da anarquia do capital, algo a ser removido pelo crescimento e pela racionalidade, de modo a transformá-los todos em operários e classe média. Por outro lado, na tradição da classe entendida como constituição e luta (o “comunismo” na definição marxiana!), a ciência e indústria não constituem nenhum prêmio, mas são o próprio terreno do conflito, rumo a outros valores. Aqui, a luta dos pobres afirma sua alteridade, ou seja, a riqueza que somente os pobres produzem, em outras palavras, uma outra riqueza, uma outra sociedade. E a alteridade dos pobres tem como sua maior riqueza a diferença, isto é, a capacidade que os pobres têm de serem índios, favelados, negros, imigrantes, mulheres etc. – esta é a riqueza do Sul.

É esta riqueza que se tornou a referência nas montanhas de Chiapas e nos Fóruns Sociais de Porto Alegre. E essa alternativa tem um terreno bastante definido: por um lado, a comemoração da emergência de uma “nova classe média”; pelo outro, o trabalho de reconhecimento do processo de constituição de uma nova classe trabalhadora.

O governo do Rio Grande do Sul pode, nesse panorama, renovar a experiência que foi a base do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, trabalhando ao longo de dois eixos: por um lado, com a inovação das práticas de participação no terreno da mobilização política e produtiva, retomando e qualificando as políticas mais inovadoras dos governos Lula (como está sendo feito com as cotas de cor nos concursos públicos); pelo outro, se apresentando diretamente na cena global junto aos movimentos, proporcionando ocasiões de debate sobre os espaços de construção democrática, entre expressão e representação.

O governo do Rio Grande do Sul tem dois terrenos fundamentais para a experimentação democrática: a evolução das políticas sociais de distribuição de renda em direção a uma Renda Universal (experimentações que podem envolver os próprios dispositivos das políticas sociais, mas também uma nova maneira de enfrentar e dialogar com o corporativismo sindical); a democracia em rede, que a experiência inovadora do Gabinete Digital prefigura como um consistente espaço de mobilização política e de radicalização democrática.

Carta Maior

David Harvey propõe retomada de espaços públicos nas cidades

Em entrevista ao programa Democracy Now, o geógrafo David Harvey fala sobre os desafios colocados para os trabalhadores neste 1º de maio e para os novos movimentos sociais nos Estados Unidos, na Europa, no Oriente Médio, África e outras regiões. Harvey destaca a eclosão do direitos das cidades, a mobilização das comunidades em defesa da reocupação de espaços públicos que já foram seus. Em Nova York, exemplifica, o espaço público não é verdadeiramento aberto ao público.

Amy Goodman – Democracy Now

(*) O teor da entrevista de Harvey está transcrito (editado) abaixo em português.

AMY GOODMAN: Terça-feira é 1º de maio, também conhecido como Dia Internacional dos Trabalhadores, um feriado em que se celebra os direitos e as conquistas dos trabalhadores organizados, como a jornada de oito horas. Este ano, a campanha do Ocupe Wall Street espera mobilizar dezenas de milhares de pessoas ao redor do país com o slogan “Greve Geral. Sem Trabalho. Sem compras. Ocupe em toda parte”. São planejados eventos em 125 cidades. A campanha Ocupe planeja protestar em 99 alvos só em Manhattan, inclusive nos escritórios do JP Morgan Chase e Bank of America.

Na última quinta os ativistas se reuniram no Parque Union na cidade de Nova York para anunciar os planos dos protestos massivos para o Primeiro de Maio, incluindo grupos de imigrantes, trabalhadores sindicalizados, membros do Ocupe Wall Street.

Bem, para falar mais a respeito do Primeiro de Maio e da campanha Ocupe, estamos hoje com o professor de antropologia David Harvey, do Graduate Center da Universidade da Universidade da Cidade de Nova York. Ele vem dando aulas sobre O Capital, de Karl Marx, há quase 40 anos, é autor de uma série de livros, incluindo Os Limites do Capital e Uma Breve História do Neoliberalismo. Seu livro mais recente se chama Cidades Rebelde: do direito às cidades à Revolução Urbana. Explique, David Harvey.

DAVID HARVEY: Eu estou tentando olhar a história dos levantes urbanos. E, na verdade, se você olha para a situação ao redor do mundo hoje, você vê exemplos em Berlim. Você os vê também no Cairo. Vê-los sendo levados a cabo com o movimento dos indignados na Espanha e, é claro, na Grécia. E também os vê no Chile. Nos últimos anos, temos visto levantes como o de Los Angeles, vinte anos atrás. Então é isso – e eu estou interessado no tipo de significado político desses movimentos. E eu penso que em certo aspecto o Movimento Ocupe Wall Street está nessa linha.

E as ações combinadas para este 1º de maio, que serão descentralizadas em toda a cidade, de certo modo estão dizendo “Vamos tomar a cidade de volta e chamá-la de nossa cidade, em vez de ser a cidade que pertence ao 1%”. E assim, é como se disséssemos: “Vamos ter a nossa cidade, e vamos torná-la nossa cidade”. E, é claro, um dos exemplos em que isso ocorreu de maneira mais enfática foi na Comuna de Paris, em 1871.

AMY GOODMAN: O que foi a Comuna de Paris de 1871?

DAVID HARVEY: A Comuna de Paris foi um levante contra o governo, numa tentativa de criar uma forma alternativa de governo da cidade em Paris, em 1871, num contexto de guerra e coisas do gênero. E, é claro, foi brutalmente reprimida, assim como estamos vendo na Síria, neste exato momento, em Homs, na verdade. Então, isso, esses movimentos podem às vezes dar certo e às vezes serem brutalmente reprimidos.

AMY GOODMAN: Indo além da Comuna de Paris, você fala a respeito do direito das cidades. O que significa isso?

DAVID HARVEY: O direito das cidades significa – quem tem direito à cidade de Nova York? Quem pode mudar as coisas aqui? Quem pode realmente mudar a vida aqui? E quando falamos a respeito do poder do 1%, estamos falando de um grupo extremamente poderoso que na verdade domina a maior parte dos investimentos na cidade, a maior parte de sua reconstrução da cidade. E temos um prefeito bilionário que é aliado deles. Em todo caso esta dificilmente seria uma cidade governada pela imagem de sem tetos ou da população empobrecida. Assim, ao reivindicar o direito – ao exigir o direito à cidade, estamos tentando de fato falar a respeito das pessoas comuns que podem mudar a vida urbana e definir um padrão diferente de ambiente urbano, no qual vão viver.

AMY GOODMAN: No começo deste mês (abril), o prefeito de Nova York, Michel Bloomberg comparou o projeto de lei que instituía um salário mínimo para os trabalhadores da cidade com o comunismo. O projeto aumentaria o salário dos trabalhadores com subsídio da cidade. Bloomberg fez esse comentário numa entrevista na rádio WOR. Qual a sua opinião sobre isso?

DAVID HARVEY: Esta é a história de sempre. Mas olhe para a situação. Os 1% da cidade de Nova York ganham – em retorno de impostos, algo como 3,75 milhões de dólares por ano. Isso é o que o topo dos 1% ganham, em média. Há 34 mil famílias, quase 100 mil pessoas que tentam viver na cidade com com 10 mil dólares por ano. Metade da população da cidade de Nova York está tentando viver com com 30 mil dólares por ano. Isto é, os níveis de desigualdade na cidade são absolutamente assombrosos, e estão crescendo imensamente desde os anos 1970.

Quem domina a vida urbana? Quem comanda das decisões? Bem, é o 1%. Assim, eu penso que o Ocupe Wall Street e o resto estão dizendo que nós só temos uma forma de poder, que é o poder do povo nas ruas, das ações nas ruas. Nós não temos o poder de dominar a mídia. Não temos o poder do dinheiro, de comandar a política. E esta é a situação em que estamos. Assim, o Ocupe Wall Street está tentando dar uma expressão política diferente à política tradicional.

AMY GOODMAN: O movimento Ocupe tem enfrentando respostas repressivas crescentes, da polícia. Em novembro o Democracy Now! falou com Stephen Graham, que escreveu o “Cidades sitiadas: o Novo Urbanismo Militar” [Cities Under Siege: The New Military Urbanism], que analisa a influência crescente da tecnologia militar nas forças policiais locais. Você sabe, nós temos uma lei, a Posse Comitatus, que diz que soldados não podem marchar nas ruas, mas parece que o jeito que as autoridades encontraram de lidar com essas novas situações é a militarização da polícia.

DAVID HARVEY: Sim, é. Mas eu tomo isso como um sinal de como o 1% está nervoso. Quero dizer, entramos nesta crise e efetivamente o 1% tem passado muito bem fora da crise. Ninguém foi preso por tudo o que sabemos que fizeram de errado. E eu penso que o 1% está é apavorado, com a possibilidade de que o povo venha a escutar a retórica do Ocupe Wall Street. E em algum grau, as pessoas já o fizeram, porque a conversa mudou um pouco em relação à desigualdade social e à pobreza no país. E eu penso que os movimentos repressivos da polícia não estão ocorrendo apenas na cidade de Nova York, mas em todo o país. Parece quase coordenado, parece-me que há quase uma linha direta de instrução de conduta, você sabe, como se o JP Morgan desse mundo e todos os caras ricos meio que dissessem: “Vocês tem de manter essa gente quieta, vocês têm de esmagá-los pela raiz. Pela raiz”.

AMY GOODMAN: E a polícia acabou com todos os acampamentos.

DAVID HARVEY: E a polícia tem feito isso. E eu penso que o Ocupe Wall Street está se inspirando um pouco, parece-me, na coragem do povo da Praça Tahir ou no Bahrein, e em todo o resto, para dizer, “Olha, as coisas tem de mudar. E nós estamos tentando fazer com que isso aconteça de maneira pacífica”. Eu quero dizer, isto é, de novo um dos sinais disso. Esta é uma forma pacífica de demonstração e tem se tornado implacavelmente, algumas vezes, tumultos policiais.

AMY GOODMAN: Você fala a respeito da criação de espaços urbanos comuns.

DAVID HARVEY: Sim. Bem, a coisa impressionante da cidade de Nova York, por exemplo, é que há todos esses espaços públicos, mas há um espaço que de que possamos dispor como uma Ágora ateniense, e ter discussões políticas? A resposta é não. Você tem de protocolar permissões, de todos os tipos, para o uso, e é altamente regulado. Assim, de fato o espaço público não é verdadeiramente aberto ao público. Muito dos parque se tornou agora, claro, canteiros de flores, de modo que temos grandes lugares para a mistura de tulipas, mas não temos um lugar em que o povo possa se reunir. E assim, uma das coisa que estamos tentando fazer neste 1° de maio é dispor de lugares para nos reunirmos, de espaços em que possamos falar sobre as coisas. Então, há um certo tipo de universidade livre no Parque Madison. Eu vou participar disso. Assim de muitas outras ações desse tipo, em que se visa a liberar espaços na cidade nos quais se possa ter discussão política e nos quais se tenha diálogo político aberto.

AMY GOODMAN: Você fala a respeito da festa de Wall Street estar encontrando a sua Nemesis.

DAVID HARVEY: Bem, eu penso que o Ocupe Wall Street realmente se tornou algo. A coisa tocou um acorde. E a grande – eu falo da repressão sobre ele, mas – e eu penso que o acorde que o movimento tocou é, de fato, medido pela velocidade e virulência dos movimentos repressivos acionados. Então, eu penso que está começando a ser escutado, e eu espero que amanhã (hoje, 1 de maio) haverá uma situação em que muita gente dirá “Olha, a coisa tem de mudar. Algo diferente tem de acontecer.”

Tradução: Katarina Peixoto

Carta Maior

DILMA E O DIA DO TRABALHADOR

A presidenta Dilma Vana Rousseff fez pronunciamento ao povo brasileiro na noite de ontem, dia 30, em cadeia de rádio e televisão comemorando o Dia do Trabalho. A presidenta que é representante do Partido dos Trabalhadores, o partido que mudou historicamente a concepção retrógada do conceito de trabalhador, embora hoje tenha se transfigurado, em seu discurso pontuou a ênfase nas políticas sociais que inserem ao homem dignidade como força de produção de trabalho capaz de produzir uma sociedade mais justa que satisfaça as necessidades do homem.

Por isso, Dilma, se pronunciou afirmando que não quer ser lembrada como uma presidenta que soube tratar bem com a economia, mas uma presidenta que seja conhecida pela defesa da capacitação profissional do trabalhador brasileiro. Para ela, a capacitação profissional contribui para luta contra a pobreza extrema, conquista de melhores salários, e permite ao trabalhador ter acesso a mais bens e serviços.

“Não quero ser a presidenta que cuida apenas do desenvolvimento do país, mas aquela que cuida, em especial, do desenvolvimento das pessoas”, discursou Dilma.

Dilma no transcurso de seu discurso não deixou fora a corrupção cujas consequências atinge em cheio os trabalhadores, visto que ao desviar dinheiro público faz com que falte para aplicação de políticas que beneficiem os trabalhadores.

Sobre a corrupção ela afirmou que vai continuar combatendo os “malfeitos e os malfeitores” e estimular as pessoas honestas do Brasil.

“Garanto às trabalhadoras e trabalhadores brasileiros que vamos continuar buscando meios de baixar impostos, de combater os malfeitos e os malfeitores e, cada vez mais, estimulara as coisas bem feitas e as pessoas honestas de nosso país”, discursou a presidenta.

Dilma também falou sobre a disparidade dos impostos cobrados pelos bancos aos empresários e aos consumidores, e pediu que os consumidores escolham as empresas que lhes oferecem melhores condições.

“É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Esses valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso. Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para as empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos.

O setor financeiro, portanto, não tem como explicar esta lógica perversa aos brasileiros. A Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros de cheque especial, das prestações ou do cartão de crédito não diminuem.

É bom, também que você consumidor, faça prevalecer os seus direitos escolhendo as empresas que lhe ofereçam as melhores condições”, discursou Dilma, contra a especulação perversa de um dos maiores representante – quiçá o maior – da trapaça do capitalismo, o sistema financeiro.  

BRIZOLA É O NOVO MINISTRO DO TRABALHO

Com posse marcada para o dia, quinta-feira, o deputado federal Brizola Neto (PDT), um dos mais atuantes herdeiros políticos de Leonel de Moura Brizola, o homem do socialismo moreno, grande militante de esquerda, e que por isso a Globo tentou derrotar, mas saiu derrotada, foi escolhido o novo ministro do Trabalho.

Uma escolha com grande significância. Primeiro porque Brizola Neto não era o preferido pelo do partido que por clara demonstração do ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi, os mais indicados eram o deputado Vieira da Cunha (PDT/RG) e o secretário-geral do partido Manuel Dias. Nas lides intestinais do partido, Lupi, é adversário de Brizola Neto e não gostaria de vê-lo como ministro. Mas agora vai vê-lo e, como diria Zagalo, ter que engoli-lo. Segunda porque a escolha ocorre exatamente na véspera do Dia do Trabalho. Uma data que no Brasil atual expressa às transformações visíveis ocorridas no governo Lula, que bateu o recorde de vagas de emprego e carteiras assinadas.

Depois da escolha de Brizola, a presidenta Dilma Vana Rousseff divulgou nota em que reconhece o talento e a importância de Brizola Neto para  cargo maior do trabalho no país. Na nota ela diz que Brizola neto “prestará grande contribuição ao país”.

Venezuela, salário mínimo e mentiras

A partir deste Primeiro de Maio a Venezuela terá o mais alto salário mínimo de toda a América Latina. Será equivalente a R$ 1.310, contando com o ticket alimentação, obrigatório. Lá pagam-se, obrigatoriamente 15 salários anuais – o famoso “aguinaldo” -, assim, na média, o ganho mensal do trabalhador que recebe salário mínimo passa a ser de R$ 1.637.

O aumento beneficiará a 4 milhões de venezuelanos, incluindo cerca de 2 milhões de aposentados e pensionistas.

O aumento do mínimo terá impacto político importantíssimo na guerra que o imperialismo e a oligarquia venezuelana travam, sem cessar, contra Chávez. Apresentam a Venezuela como um país caótico, desordenado. Agora, agregam à guerra ideológica permanente uma overdose de veneno para explorar a doença de Chávez.

Até setores progressistas, distraídos, impressionam-se ante este dilúvio de mentiras e repetem que Chávez impediu o surgimento de novas lideranças ou que não resolveu o caos do abastecimento. Na realidade, a Revolução Bolivariana promove intensamente o florescimento de milhares e milhares de novas lideranças, estimula a politização das massas. Segmentos antes avessos à política hoje andam com a Constituição no bolso, conscientes de seus direitos.

A nova Lei do Trabalho vai formalizar conquistas quando na Europa se destrói o Estado do Bem-Estar Social. Foi ampliada a comunicação pública e estimulada a leitura de jornais e livros, com distribuição gratuita e pesquisas apontam a Venezuela como o terceiro país em que mais se lê na América Latina. E sem analfabetismo.

O uso da TV por Chávez é uma verdadeira escola de quadros a céu aberto estimulando o povo a pensar em política, ideologia, economia, história e cultura. Estimula, também, um controle popular para enfrentar a sabotagem ao abastecimento – a burguesia esconde toneladas de alimentos – já há filmes denunciando esta crime, também combatido com a criação de mercados estatais que vendem produtos a preços 70 % mais baixos.

Chávez enfrenta o câncer e a Revolução Bolivariana consolida-se para enfrentar os desafios que toda revolução enfrenta.

Beto Almeida é jornalista.
Publicado originariamente no jornal Brasil de Fato

1º DE MAIO: A GÊNESE DO PELEGUISMO

Cada patrão mandou dez funcionários para cá. A gente tem que ficar até o fim [do evento] e levar o comprovante de que veio, para não descontar o dia de trabalho” . A confidência foi feita por um dos participantes do primeiro congresso do “núcleo sindical” do PSDB, realizado em São Paulo, na última sexta-feira, conforme relato da Folha (28-04). Uma espécie de avant-première do 1º de Maio, o encontro liberou caciques tucanos para o feriadão prolongado com a consciência do dever cumprido.

A lotação proletária foi assegurada pelo engajamento natural das bases: donos de construtoras e empreiteiras que prestam serviços ao Estado convocaram seus trabalhadores à luta, com direito a sanduíche de queijo, suco, biscoito e maçã. Mediante comprovante de comparecimento, a militância teria o dia abonado trocando o saco de cimento pela faiscante oratória tucana.

Cada empresa foi convocada a encaminhar pelos menos dez operários ao meeting. Serra nem gaguejou ao afirmar aos presentes que a relação do PSDB com sindicatos ‘não é novidade’; em seguida, pediu apoio à candidatura a prefeito de SP. “Temos nossa primeira tarefa: mobilizar nossos sindicalistas para a campanha eleitoral deste ano”, disse o ex-governador com indisfarçável mal humor diante do rival Aécio Neves (leia mais aqui : ‘Por que Serra está nervoso?’). Alckmin foi de longe o mais combativo; sapecou um ‘companheiros e companheiras’ na saudação e arrematou com a frase cuja autenticidade sintetiza a de todo o evento: “O PSDB é um partido que dá prevalência ao trabalho sobre o capital.

Carta Maior

HOJE É DIA DE GREVE! DIA NACIONAL DE LUTAS

Os sindicatos das categorias dos servidores públicos federais de todo o país promovem hoje, dia 25, o Dia Nacional de Lutas. A manifestação, que envolve todos os funcionários públicos federais, tem como objetivo pressionar o governo federal que durante três anos não concede aumento aos servidores.

A reunião da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) com o Ministério do Planejamento realizada ontem, dia 24, acabou sem acordo, por isso a confederação criticou com veemência a intransigência do governo.

Os trabalhadores reivindicam a definição de uma política salarial, reajuste emergência de 28, 8% e de benefícios, definição de data-base, e retomada dos debates sobre o Projeto de Lei 2203/11, eu criou mudanças remuneratórias e estruturais em mais de 30 categorias do funcionalismo público federal.

E vamos à luta!     

TRABALHADORES REALIZAM GREVE NA USINA DE BELO MONTE

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Pará (SINTRAPAV) anunciou ontem, dia 23, que os trabalhadores da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no estado do Pará, descontentes com o descaso do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) que os trabalhadores entraram em greve.

Os trabalhadores tomaram a decisão depois de verem suas reivindicações não cumpridas pelo CCBM. Entre elas redução do período de baixada – quando o trabalhador recebe uma folga de nove dias para visitar a família, com passagem paga pelo CCBM -, e o aumento do vale alimentação para R$ 300, que agora é de R$ 95. Somente 850 trabalhadores encontram-se em atividades nos serviços essenciais para os alojamentos nos cinco canteiros da obra, nas áreas de saúde, água, esgoto, alimentação, segurança patrimonial. Na obra estão alojados 7,7 mil trabalhadores.

Como estratégia de greve os trabalhadores montaram barricadas no acesso ao travessão 27, que liga a Rodovia Trasamazônica à estrada de terras para os sítios Pimental e Canais e Diques. De acordo com Roginel Gobbo, vice-presidente do SINTRAPAV, ocorreram as barricadas, mas os serviços essenciais foram mantidos.

“Fizemos alguma barricadas, mas apenas para explicar aos trabalhadores o que estava acontecendo. Não impedimos ninguém de trabalhar, mas deixamos clara a necessidade de eles aderirem à greve, até porque ela foi votada e decidida por eles. Além disso, pedimos ao CCBM que identificasse os ônibus que transportariam os funcionários responsáveis pelos serviços essenciais. Não houve nenhuma objeção a eles serem levados aos canteiros.

 Estamos abertos à negociação e aguardamos a manifestação do CCBM. Qualquer movimentação deles, no sentido de atender nossas propostas, pode interromper a greve”, disse Gobbo.

Mas a empresa vem se mostrando intransigente e afirmou que “a princípio, não deverá haver negociação com o sindicato”.

O trabalho escravo segundo o ministro Gilmar Mendes

De acordo com o Brasil de Fato, “Por sete votos a três, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e transformou em réu por trabalho escravo o senador João Ribeiro (PR-TO). Ele é acusado, desde 2004, de manter 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma fazenda de sua propriedade no interior do Pará. Entre eles, havia duas mulheres e um menor de 18 anos”. Os ministros contra a aceitação da denuncia do MPF foram Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello.

O Brasil de Fato explica ainda que “O julgamento do caso foi interrompido a pedido de Gilmar Mendes em outubro de 2010, quando (a ministra) Ellen Gracie apresentou seu voto a favor do recebimento da denúncia. O ministro pediu mais tempo para analisar os autos. O processo ficou um ano e dois meses parado no gabinete de Gilmar. Para ele, não houve coação, ameaça ou imposição de jornada excessiva. “Todos podiam exercer o direito de ir e vir”, disse o ministro”.

O ministro Gilmar Mendes justificou seu vota contra, servindo-se do seguinte argumento: “A inexistência de refeitórios, chuveiros, banheiros, pisos em cimento, rede de saneamento, coleta de lixo é deficiência estrutural básica que assola de forma vergonhosa grande parte da população brasileira, mas o exercício de atividades sob essas condições que refletem padrões deploráveis e abaixo da linha da pobreza não pode ser considerado ilícito penal, sob pena de estarmos criminalizando a nossa própria deficiência”.

Ao que tudo indica, lembrando de outras posições no STF de Gilmar Mendes, o ministro parece não compreender o quanto a ordem jurídica pode favorecer as relações de dominação engendradas pelo capitalismo. A ordem jurídica quando reduzida em um poder fechado como Constituição faz com que a dinâmica social e política democrática sejam suplantadas pela lei. Isto significa dizer que a lei toma sua legitimidade em si mesma, amparada pela constituição formal, ao invés de participar do movimento constitutivo das experiências reais dos homens em sociedade, responsável pela construção da constituição material.

A construção do trabalhador como pessoa jurídica apóia-se no fato das relações sócio-políticas impostas pelo capitalismo, necessitarem de um amparo jurídico-legal para resolver sua carência moral de coação física do corpo do trabalhador. Deste modo, o contrato legal entre trabalhadores e empresas/patrões, e a entrada “livre” do trabalhador neste contrato, resolveu de modo legal e amparado pelo Estado, as relações sociais e políticas do capitalismo com os trabalhadores. Contudo, a ordem jurídica, alienou as ações praticadas e sofridas pelos trabalhadores para a esfera dos direitos jurídicos, fazendo com que os trabalhadores tivessem sua vida social reduzida a legalidade da conquista legitima de direitos.

É óbvio o fato de que a organização das relações capitalistas entre trabalhadores e patrões através de direitos constitucionais legais, também resultou na luta por direitos e, por conseguinte, em direitos conquistados que puderam melhorar a vida do trabalhador em seu ambiente de trabalho. Todavia, estes direitos operaram um dispositivo (mecanismo) invertido: ao invés de somente garantir direitos que legitimassem o trabalhador como pessoa jurídica e humana, denunciou, de modo radical, a exploração exercida contra os trabalhadores, pois proclamou o quanto os trabalhadores são explorados através do direito à propriedade privada, do individualismo (neo)liberal, assim como, limitou juridicamente o direito à resistência e à revolta (Karl Marx).

Deste modo, a ordem jurídica pode ser compreendida menos como legitimadora de direitos para o trabalhador do que denunciadora das explorações sofridas pela classe trabalhadora. Isto se fundamenta no caráter publicitário da lei, ou seja, no seu papel público de demonstrar como a constituição material é prenhe de desigualdades e como se torna necessário o conhecimento de tal situação política, social e econômica, para que a sociedade possa intervir de modo positivo. De outro modo: a constituição formal, fechada em si mesma, faz com que as leis sirvam apenas para legitimar as ações do Estado; enquanto uma constituição aberta para o poder constituinte, sempre participando dos elementos constitutivos dos eventos, pode assegurar uma participação, menos mediada, do trabalhador nos direitos que lhe são conferidos.

O ministro Gilmar Mendes, de acordo com seu argumento para votar contra a denuncia do MPF, entendeu a liberdade como algo eternizado em uma ordem jurídica imutável, absoluta. Não percebeu o quanto a liberdade jurídica reduzida ao axioma “Todos podiam exercer o direito de ir e vir”, é válida somente dentro dos limites da ordem jurídica constituída. Assim como não percebeu que ao elencar todas as privações dos trabalhadores na propriedade do senador João Ribeiro (PR-TO), demonstrou a precariedade de se “ir e vir” livremente. Sem falar no fato de que, pelo contrato legal ao quais os trabalhadores estão subordinados, eles se mantêm na dependência dos deveres do patrão para com os trabalhadores, que não estavam sendo cumpridos.

O entendimento legal-jurídico de condições de trabalho análogos à escravidão, após a instituição da ordem jurídica como mediadora de direitos e deveres entre trabalhadores e patrão na modernidade, é o não cumprimento de direitos de trabalhadores e deveres do patrão que constitui condição degradante para a saúde física e mental do trabalhador. Se Gilmar Mendes não viu condições análogas à escravidão no caso em questão, talvez ele compreenda que a escravidão é o fato de uma pessoa se tornar propriedade de um senhor que teria todo o direito, para além da ordem jurídica, de praticar todos os tipos de violência, possíveis e impossíveis, contra um corpo que lhe pertence. Ou seja: uma visão de trabalho escravo anterior às leis como dispositivo de liberdade e humanização da sociedade civil. O ministro Gilmar Mendes não conseguiu, brechtianamente, realizar o distanciamento do axioma da lei da produção material dos direitos jurídicos

SEDUC-AM NÃO ESCLARECE O PORQUÊ NÃO CONVOCA TODOS OS PROFESSORES CONCURSADOS

A professora Bia através de um comentário solicitou que fizéssemos uma matéria sobre a situação dos candidatos aprovados no último concurso da SEDUC-AM- 2011 e que ainda não foram convocados.

A SEDUC-AM convocou no dia 29 de dezembro de 2011 professores e administrativos. Não constou nessa convocação nenhuma outra categoria, como os pedagogos por exemplo. Mas o que vem deixando a professora Bia apreensiva, preocupada é que ela fez o concurso para as séries iniciais do ensino fundamental e foram oferecidas 395 vagas e 31 para portadores de deficiência especial, totalizando 426.

A SEDUC-AM convocou os concursados das séries iniciais do ensino fundamental do 1º ao 300º e do 301º ao 382º. Faltaram entrar nessa lista 13 aprovados, sem contar com os portadores de deficiência especial, que são 31.

A professora declara, que busca incansavelmente resposta para o porquê dessa não convocação e não vem obtendo resposta. Relata  que já foi à SEDUC-AM, já contatou com funcionários, escreveu email para o Secretário, mas até agora não foi atendida nem obteve respostas para as suas indagações.

E o que causa mais preocupação à professora Bia e a todos os aprovados que não foram convocados ainda, é que foi feito um Processo Seletivo Simplificado em 2011 e já iniciaram as convocações.  A Secretaria poderá dizer, não, é só para aquela áreas que não houve aprovados, sim, mais isso precisa ser dito de forma oficial.

Nosso país, no período de 1964 a 1985 viveu um período de ditadura militar. Naquela época, eles através do SNI controlavam a vida das pessoas através da espionagem para identificarem quem era a favor ou contra a ditadura. Os contra a ditadura eram torturados física, moral e psicologicamente, que o diga Frei Tito, Marighela,  nossa Presidenta e milhares de outros brasileiros que amavam e amam nosso Brasil.

A partir de 1988 quando se promulgou a nova Constituição da República Federativa do Brasil, um dos pontos chaves nessa nova carta foi exatamente voltado para que os órgãos públicos prestassem todas as informações solicitadas por seus cidadãos e disse que os feitos públicos deveriam obedecer a impessoalidade e a transparência, especialmente nos órgãos do Estado.

Mas não é o que vemos na SEDUC-AM quanto ao pleito da professora Bia. E, logo numa Secretaria responsável pela formação do estudante como cidadão. O que dizer para os alunos sobre cidadania, direitos, deveres, quando um órgão público se nega a emitir um comunicado dizendo: Nos dias tais e tais convocaremos os demais concursados.

Insistimos. O que nos preocupa, é que temos histórias no Amazonas e especialmente na cidade de Manaus de desconcusados. E antes mesmo da SEDUC-AM ter convocado os professores no dia 29/12/2011, nós, aqui no Blog já havíamos nos manifestado sobre esse tema.

Somos pródigos em  fraudes. A última foi no concurso da Defensoria Pública do Estado do Amazonas onde filhos de funcionários públicos foram beneficiados. Ainda bem que foi anulado. Não queremos com isso, em hipótese alguma aventar, colocar sob suspeita o Concurso feito pela SEDUC-AM e executado pelo CESPE, mas queremos sim, que se fale francamente com aqueles que aguardam ser convocados e pertencer ao quadro de servidores do Estado, pois para isso submeteram-se a um concurso e foram aprovados.

Não podemos deixar de mencionar também, que o concurso da SEDUC-AM poderia ter formado cadastro de reserva, pois vários candidatos obtiveram notas excelentes, mas ficaram fora do limite de vagas oferecidas e com isso, se mantêm o PSS que é uma forma que prejudica o funcionário porque ele trabalha com um contrato determinado e depois pode ser demitido como está acontecendo desde o final do ano passado. O Estado lucra com isso, mas o trabalhador perde. E o SINTEAM, não faz nada.

Uma resposta para Bia, esse era o título que tínhamos imaginado para esta matéria, mas trocamos, visto que, a postada acima provocará  os agentes do Estado, e eles responderão às indagações que lhes são dirigidas, caso contrário, Bia, é só constituir um advogado, que seja conhecedor dos trâmites processuais e que dependa da profissão, e entrar na justiça, pois, já  há jurisprudência que reza que  nenhum candidato aprovado em concurso público de provas e títulos poderá ser alijado de sua posse nos entes federativos.  Valeu, Mana!

GREVE DE POLICIAIS MILITARES E BOMBEIROS NO CEARÁ CAUSA APREENSÃO NA POPULAÇÃO

Há mais de cinco dias paralisados, policiais militares e bombeiros estão causando apreensão na população cearense. A greve que tomou conta de várias regiões do estado, modificando a rotina dos que necessitam dos serviços das duas instituições, como aeroportos, praias, comércio em geral, hospitais, prontos-socorros, logradouros públicos, etc, é resultado das reivindicações dos dois grupos que pretendem aumento salarial, melhores condições de trabalho, nomeação dos agentes que passaram em concurso público e seleção de novos profissionais.

Cidades como Juazeiro do Norte, Iguatu, Icó, Pique Carneiro, Acopiara, Baturité, Maciço de Baturité, entre outros municípios os agentes das duas instituições entraram em greve, até mesmo nas penitenciárias. E segundo últimas informações, a Polícia Civil pode também aderir ao movimento.

Com receio de algumas violências, como assaltos, motoristas e cobradores estão na possibilidade de parar, seguindo os comerciantes que por força dos arrastões fecharam suas portas.

Na sociedade humana, onde o medo criou a necessidade de proteção, principalmente institucional, quando esta falta só resta procurar a proteção metafísica. Assim, no caso especial do Ceará, haja Padim Pade Ciço!

Entretanto, a invocação ao Padim, parece que não vai ser tão intensa, visto que no começo da noite do ontem, o comando de greve dos policiais militares decidiu começar a tecer um acordo com o governo.

CONCURSADOS DA SEDUC-AM PODERÃO CONTINUAR NO PSS E CORREM PERIGO DE TORNAREM-SE DESCONCURSADOS

Fazer concurso no Amazonas além  dos candidatos irem para a prova temendo que filhos de procuradores, secretários já tenham a resposta das questões vem sendo uma característica a outra  éque os aprovados na SUSAM, SEMSA, SEMED da época do português e que Amazonino não convocou e nem prorrogou o prazo já conhecem muito bem: tornaram-se desconcursados.

Cantado e decantado como o maior concurso público já realizado pelo governo do Estado através do CESPE, o da SEDUC-AM, divulgou o resultado final e os aprovados aguardam suas respectivas convocações para entrega de documentos e exames médicos a partir de janeiro de 2012. A junta médica do Estado vai virar verdadeiro pandemônio.

Estranha-se neste momento a divulgação de que essa mesma SEDUC-AM promoverá mais um Processo Seletivo Simplificado/2012 tanto para a capital como para o interior.

O Processo será feito através do CETAM para todos os componentes curriculares. Inicialmente as inscrições serão feitas pela internet no site, HTTP://www.concursoscopec.com.br, entre zero hora de 22 de dezembro de 2011 até as 23h59min do dia 26 de dezembro de 2011, preenchendo a Ficha de Inscrição e imprimindo-a, declarando atender às condições exigidas. Depois de feito isso o candidato deverá dirigir-se ao local de efetivação da inscrição para a entrega dos documentos, juntamente com a ficha de inscrição no período de 26 a 28 de dezembro de 2011 das 8h às 14h nos respectivos Distritos.

A justificativa dada para a realização desse processo é que o número de concursados não suprirá as vagas que a secretaria necessita. Há, no entanto alguma coisa errada nisso. Ou os técnicos da SEDUC-AM não tem visão administrativa, não calculam, estimam a necessidade de profissionais que a Secretaria necessita ou por trás disso continua o Estado mantendo um número considerado de trabalhadores apenas com vínculo contratual temporário não tendo com este nenhuma responsabilidade futura e deve lucrar financeiramente com o prejuízo do trabalhador temporário.

Que o concurso vigente estabeleceu número de vagas não há como discordar, mas pelo fato de não formar cadastro de reservas foi um item que ninguém questionou. Nem os candidatos nem o Sindicato. Apenas quem reagiu foi a Associação dos Sociólogos que viu sua proposta sendo atendida. O concurso atual, além dos aprovados, aparece centenas de candidatos com notas elevadas, mas que não serão convocados porque o concurso não formou cadastro de reserva, exatamente para dar margem para que houvesse sempre essa forma de manter o trabalhador dependente de processos seletivos, mazela viciada que historicamente mantém milhares de trabalhadores sem vínculo efetivo com o Estado. E depois ainda cobram que a educação melhore, que os índices do SADEAM, PISA, PROVINHA E PROVONA BRASIL e ENEM  obtenham as médias projetadas. Da forma como se trata o professor fica difícil mudar essa situação.

MINISTRO LUPI TEM SUA EXONERAÇÃO ENCOMENDADA PELA COMISSÃO DE ÉTICA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Em sua última reunião do ano a Comissão de Ética da Presidência da República analisou o caso do ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi, que é denunciado pela mídia de praticar irregularidades em sua pasta beneficiando contratos com Organizações Não-Governamentais. Ao final da reunião o conselheiro ex-ministro da Justiça, Sepúlveda Pertence, disse que a comissão resolveu pedir à presidenta Dilma Vana Rousseff, a exoneração do ministro, porque ele não apresentou provas convincentes contra as denúncias capazes de prova sua lisura.

Segundo o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, a decisão de a exoneração do ministro ocorreu de forma unânime pelos seis conselheiros.

A decisão já foi encaminhada à presidenta Dilma Rousseff e ela foi unânime.

A história dos convênios irregulares firmados com pessoas de seu partido e a própria resposta apresentada pelo ministro ao juízo da comissão motivaram a decisão”, afirmou o presidente da comissão.

PDT PRESTA APOIO AO MINISTRO DO TRABALHO CARLOS LUPI

Mesmo com o arrefecimento das denúncias feitas pela imprensa conspiradora contra o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, sem apresentar qualquer prova substancial de sua conivência com irregularidades em sua pasta, envolvendo contratos com ONGs; a Executiva Nacional do PDT, os presidentes dos diretórios estaduais e suas bancadas na Câmara Federal e no Senado se reuniram, em Brasília, para prestar total apoio ao ministro para que ele permaneça à frente da pasta.      

Durante a solidariedade ao ministro os participantes da reunião afirmaram que não há qualquer motivo para que Lupi deixe o ministério por causa das denúncias de envolvimentos com contratos das ONGs e o uso de um avião particular em viagem para o interior do Maranhão, acompanhado do empresário e diretor de ONGs, Adair Meira.

Falando com jornalistas, o deputado federal Giovanni Queiroz do estado do Pará, e líder do PDT na Câmara, disse que a maioria absoluta do partido reiterou apoio ao ministro Lupi.

“Não tem cogitação de substituição do ministério. Tirá-lo seria uma confissão de uma dívida que não devemos”, disse.

Nem tanto no mesmo seguimento de posição se postou o deputado federal do Ceará, e presidente do partido interinamente, André Figueiredo.

“Não cabe ao PDT dizer se Lupi fica ou não no governo”, afirmou André.   

O NOVO SALÁRIO MÍNIMO SERÁ DE R$ 622,73

A partir de 1° de janeiro de 2012, o novo salário mínimo será de R$ 622,73. Foi o que anunciou o governo federal ao Congresso Nacional. O aumento de R$ 3,52 no salário que estava previsto para R$ 619,21, decorreu da atualização dos parâmetros econômicos utilizados na proposta orçamentária de 2012.

O projeto orçamentário foi realizado com previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 5,7%. Com a atualização que elevou a inflação para 6,3%, também haverá a elevação do reajuste do salário mínimo, que era de 13,62% para 14,26% em relação ao salário atual que é de R$ 545,00.

O salário mínimo é reajustado baseado na inflação do ano de 2011 mais a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2010, que chegou a 7,5%. Para os que recebem mais de um salário mínimo haverá aumento nos benefícios assistenciais e previdenciários de acordo com a projeção de aumento do INPC.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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