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PRÊMIO NOBEL DA PAZ 2011 FICA COM TRÊS MULHERES MILITANTES DAS CAUSAS LIBERTÁRIAS

Em uma sociedade onde predomina a moral irracional, as premiações soam como hipocrisias. Por isso, enquanto o homem não se dispõe a produzir existências reais, as abstrações reconhecedoras vão permanecer como objetos fálicos. Como substitutos do que não pode ser realizado. Uma sociedade humana.

Todavia, mesmo que se acredite que o Prêmio Nobel é uma abstração da moral burguesa, apesar de se querer passar como não sendo, mas sendo, a escolha das três mulheres, a presidenta da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a ativista Leymah Gboweee e a jornalista-ativista iemenita Tawakkul Karman, escapa do glamour burguês da premiação. As três mulheres carregam dimensões históricas otológicas que por si só eliminam qualquer possibilidade delas, inteligentes e engajadas, serem atingidas em suas categorias pelas notas que sustentam as cerimônias de premiação do Nobel, que se constitui em um ritual fálico. Mas que serve muito bem para sustentar a insegurança e o reconhecimento vaidoso de personagens como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Nesse plano, o prêmio surge mais como um alimento enfermo aos vaidosos que, tíbios, não entendem que viver é se comprometer com a vida e não representar uma aparência calcada em uma moral abstrata sustentada pelo patogênico afeto-orgulho.

Muito distantes da premiação do Nobel, essas três mulheres militam pelas causas que dignificam a vida. Ellen Johnson-Sirleaf e Gbowee, unidas com outras mulheres, lutaram contra a guerra civil em seu país. E continuam lutando pelas causas políticas em favor da liberdade. Karman lutou, e luta, pela democracia e o direito das mulheres, no Iêmen. Escolhas, como diz o filósofo Sartre, que as tornam responsáveis pelo sentido histórico do Mundo. Ato que nenhum Nobel pode envolver.

CHINA ACUSA OS PAÍSES QUE ATACAM A LÍBIA DE QUEBRAREM REGRAS INTERNACIONAIS

Nessa segunda-feira, dia 21, o mais importante jornal comunista da China, O Diário do Povo, órgão do Partido Comunista, publicou matéria afirmando que autoridades chinesas acusam os países que invadiram a Líbia de quebrarem as regras dos tratados internacionais.

Para os chineses, as manobras militares do Ocidente na Líbia contra o líder Khadafi, executadas pelos Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá e Itália, podem se transformar em mais uma forte força de atrito entre Pequim e Washington. Para o Diário, a invasão da Líbia contém semelhanças com a invasão norte-americana no Iraque.

As tempestades ensanguentadas que o Iraque sofre há oito anos e o sofrimento indizível de seu povo são um reflexo e um alerta.

Os ataques militares à Líbia são, após as guerras no Afeganistão e no Iraque, a terceira vez que alguns países lançaram ações armadas contra países soberanos.

Deveria ser notado que toda vez que os meios militares são usados para lidar com crises, é um golpe na Carta das Nações Unidas e nas regras das relações internacionais”, diz trecho da matéria.

PARA STÉDILE, OS “OS MAIORES TERRORISTAS DO MUNDO” SÃO OS EUA

Falando em entrevista ao sítio Ópera Mundi sobre a declaração do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, que afirmou, em documento da inteligência norte-americana divulgado pelo sítio Wikileaks que o maior obstáculo para criação de uma lei antiterrorista no Brasil é Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), seu principal coordenador, João Pedro Stédile, disse que essa é uma prova da ingerência da política dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil e da América Latina.

O governo dos EUA continua tratando os países da América Latina como meras colônias que devem obedecer e ser orientadas.

É evidente que as pressões do governo dos EUA, tentando influenciar governos democráticos e progressistas a aderirem à sua sanha paranóica de terrorismo, visa criminalizar e controlar qualquer movimento de massa que lute por seus direitos e que ocasionalmente apresente manifestações contra os interesses das empresas estadunidenses.

No passado, eles criaram a paranóia da União Soviética, depois dos inimigos internos e, agora, querem transformar toda luta social em luta terrorista.

Imaginem uma situação contrária, em que o embaixador brasileiro em Washington chamasse o diretor da CIA para propor novas leis que beneficiassem os imigrantes latinos ou qualquer outro assunto. Certamente, seria expulso do país em poucas horas.

Todos sabem que o governo e o Estado dos EUA são na atualidade o maior terrorista do mundo. O Estado norte-americano comete todo o tipo de crimes contra a humanidade, possui mais 800 bases militares em todo o mundo, financia e pratica golpe de Estado, como o que destituiu recentemente o presidente Manuel Zelaya; mantém dezenas de prisioneiros sem nenhum amparo das Nações Unidas em Guantánamo; atacaram o Iraque e lá mataram mais de 300 mil civis apenas para controlar o petróleo, já que se comprovou a mentira das armas químicas; atacaram o Afeganistão com a desculpa da busca por Bin Laden, que sempre foi amigo da família Bush; e, pior, financiam toda a máquina de guerra emitindo dólares sem controle, como uma moeda internacional, a que todos os países do mundo têm de se submeter”, analisou Stédile.

NO BRASIL 23 MILHÕES DE PESSOAS SOFREM DE TRANSTORNOS MENTAIS

A Sociedade Brasileira de Psiquiatria divulgou estudo que mostra que 23 milhões de brasileiros sofrem de algum transtorno mental. O que corresponde a 12% da população brasileira. Entre esse percentual, 5% sofrem de transtornos graves e persistentes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, os transtornos predominantes são ansiedade, depressão e transtornos de ajustamentos. Quanto à política de saúde mental no Brasil, há uma maior prioridade para os transtornos como esquizofrenia e transtorno bipolar, considerados os mais graves. Em sua política de saúde mental, o governo brasileiro aplicou R$1,4 bilhão. Essa verba tem uma relação direta com a Lei da Reforma da Psiquiatria, Lei nº 10.216/2001 cujo investimento é mais direcionado para a aplicação de uma terapêutica que venha a auxiliar no tratamento da loucura e estimular o processo de desinstitucionalização dos usuários de hospitais e clínicas psiquiátricas, fazendo com que eles possam viver com suas famílias ou nos centros comunitários.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 400 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais, o que faz com essas pessoas tenham dificuldade de participar no mundo como sujeitos produtivos e transformadores.

Com a Reforma da Psiquiatria, que obrigou a mudança de métodos em relação aos pacientes, foram criados em alguns dos estados do Brasil os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entretanto ainda há uma grande influência do antigo método de internação manicomial prolongada.

Embora tenha havido uma grande mudança nesse tema psiquiátrico, alguns estados ainda não possuem instalados em quantidades suficientes para suas demandas seus territórios, esses CAPS. No caso do Amazonas, que tem uma população de 3 milhões de habitantes, só foram instalados apenas quatro. E exatamente como ocorre com os estados do Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins, Alagoas e Distrito Federal, no Amazonas ainda não foram instaladas as residências terapêuticas.

A ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO NÃO TEM UNANIMIDADE NO PAÍS

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, falando durante o 1º Encontro Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, cujo evento termina amanhã, quinta-feira, dia 27, afirmou que a erradicação do trabalho escravo no Brasil torna-se difícil porque não é tema de unanimidade no país. Alguns setores do país acreditam que é um exagero a divulgação da grande quantidade de trabalho escravo, por isso não participam na campanha dos direitos humanos para o setor.

Embora exista denúncia de exploração do trabalho escravo no Brasil desde o ano de 1970, e as tentativas de implementação de políticas públicas como enfrentamento do caso pelo governo federal só começaram no ano de 1995.

Durante o evento, especialistas vão debater propostas alternativas para combater o trabalho escravo. Ainda discutiram a proposta de emenda à Constituição, que prevê a expropriação da propriedade rural em que seja confirmada a prática de trabalho escravo.

O que foi encarado como trabalho escravo nas condicionalidades da Constituição Federal vai ser combatido como tal. As irregularidades trabalhistas ficarão ao cargo do ministro do Trabalho”, considerou o ministro Vannuchi.

INSEGURANÇA NO SPA DO BAIRRO DE SÃO RAIMUNDO

Quando o serviço público deixa de ser uma práxis social democrática, o resultado não é outro senão a violência contra a sociedade, seus usuários e, também, seus servidores, predominando o abuso tirânico dos responsáveis administrativos da entidade pública, que deixa de ser serviço público para se tornar serviço privado.

Em Manaus, essa “princesinha” do Norte, que nunca cresce para se tornar rainha, essa realidade é tristemente óbvia. Isso porque as direções destas instituições são sempre resultantes de relações de dependências com os governos. Seus dirigentes são nomeados, em sua quase totalidade, para esses cargos não por princípios epistemológicos ou éticos, mas de acordo com sua aproximação com os governantes ou com parlamentares próximos dos governos. O chamado conluio partidário. Ou, em linguagem psiquiátrica: submissão depressiva de servilidade.

Todas as instituições públicas tem em suas axiomáticas (funções) sociais, direcionamentos de atendimento público diferentes, o que as torna específicas em suas práxis. Algumas trabalham com ações longas; outras, breves e outras, brevíssimas. Nas primeiras pode-se encontrar instituições econômicas, nas segundas instituições educacionais e na terceira instituições de saúde. Essa, a que nos diz respeito. E muito respeito, pois trata-se das vidas de pessoas.

A VIOLÊNCIA NO SERVIÇO DE PRONTO ATENDIMENTO

É sabido pela população amazonense que todos os governos do Amazonas jamais apresentaram em público um projeto sobre as políticas de saúde que facilitasse o entendimento do usuário desse serviço público quanto suas condições e reais objetivos. Em razão dessa insuficiência administrativa, a cruel piada se fez mote entre o povo: “A saúde no Amazonas é um caso de saúde psiquiátrica”. Dessa inoperância administrativa quanto ao serviço de saúde pública, manifesta-se um desentendimento sobre as funções das unidades de saúde do estado. Como não há uma pedagogia informativa sobre os territórios de saúde pública do estado e suas funções para a população, ela fica sem saber quais as entidades de saúde responsáveis pelo exame, diagnóstico e tratamento de várias enfermidades. Em síntese, grande parte da população não sabe quais as funções do Hospital, Posto de Saúde e Serviço de Pronto Atendimento. É aí que aparece o administrador da aproximação governamental.

Segundo informações de funcionários do SPA do bairro de São Raimundo, e pacientes que procuram seus serviços, é visível nesse órgão de saúde a ausência de uma práxis administrativa democrática. São vários casos de ocorrências alheias ao serviço público nesse estabelecimento que já foram até denunciados no Ministério Público, dado o grau de desatenção e comprometimento da direção diante da violenta realidade a das denúncias.

A violência contra a democracia vai desde as ameaças que médicos, enfermeiras e funcionários sofrem por parte de alguns pacientes, que por não saberem qual a função de um SPA, somada à ordem da direção para “atender tudo” – o que aumenta a demanda -, apresentam sintomas de enfermidades para outras unidades, mas querem ser atendidos nesse território. Somam-se a isso os constantes roubos de pertences de funcionários, como celulares e carteiras porta-cédulas. Uma cozinha terceirizada de uma empresa que oferece seus serviços alimentares e que, além de não alimentar, vem causando nos funcionários, médicos e enfermeiras disfunções gastrointestinais. De acordo com as informações, o proprietário da empresa é do rol de amigos do diretor.

Outra reclamação é quanto ao aumento de pacientes que ocorre em tempo de eleição. Com a ordem de “atender tudo’, chega paciente até do Iranduba. Embora a maior parte dos SPAs sofram de um grande afluxo de pacientes, o que leva o corpo de saúde e atendentes ao desespero, o SPA de São Raimundo é considerado o campeão em demanda. Mas há algo que também chama atenção nessa crueldade. O silêncio dos dirigentes das cooperativas de saúde que servem esses SPAs com seus médicos, odontólogos e enfermeiras. Eles não tomam qualquer providência para que o serviço que oferecem à população seja condizente com a racionalidade científica e ética.

Tudo um caso de saúde democrática desconhecida por esses personagens da cena do serviço público no Amazonas.

ADOÇÃO DE CRIANÇAS HAITIANAS DEVE SER SUSPENSA

As ONGs Save The Children, a World Vision e a Cruz Vermelha Britânica pediram ao Fundo Das Nações Unidas Para a Infância (Unicef), que apoiou a saída rápida de menores cujos processos foram concluídos antes do terremoto, que sejam suspensas as adoções.

Para as três ONGs, o processo de adoções rápidas pode traumatizar para sempre famílias inteiras que hoje estão em estado de choque. Por isso, é preciso suspender as adoções até que todos os esforços sejam realizados para reunir centenas de milhares de crianças separadas de suas famílias. Os processos de adoção foram acelerados a pedido dos Estados Unidos, Espanha e França.

Tirar as crianças do país as separará permanentemente de suas famílias, uma separação que agravará o trauma agudo que já estão sofrendo”, afirmou Jasmine Whtibread, diretora executiva da Save The Children.

As crianças não devem sair do Haiti nesse momento a não ser com familiares sobreviventes ou em caso de adoções que já estavam em curso e com todos documentos legais requeridos”, disse Justin Byworth.

Segundo a estimativa da Unicef, 2 milhões de crianças foram atingidas pelo terremoto.

O PROPÓSITO HUMANÍSTICO DOS EUA NO HAITI

Há Deus, há fraternidade, há empatia na dor. Há homens e mulheres que estão no Haiti impulsionados por esses elementos-corporais que os permitem auxiliar os atingidos pela catástrofe natural. O terremoto é natureza. Um movimento da terra. Mas a dor é da cidade, visto que a cidade se faz cidade pelo homem. O filósofo Sartre já comentava esse habita do que é humano.

Em sua história, o Haiti teve momentos de prosperidade, mas uma prosperidade malsã. Uma prosperidade de classe que não historiciza um povo. Com o fim dessa inútil prosperidade, o país passou séculos sem poder construir uma história independente. Inúmeras ditaduras se revezaram jogando o povo para um dos piores guetos de um Estado. Nessa condição, o Haiti não tinha grande interesse para as grandes potências internacionais. Foi exatamente a Organização das Nações Unidas (ONU) que uma vez ou outra, em sua clara impotência de ações em políticas exteriores, lembrou da existência dos haitianos.

Com o crescimento das lutas internas entre gangues rivais, e o arbítrio dos governos tirânicos, o país chamou a atenção do mundo, principalmente das Américas. É aí que entra o governo brasileiro com o envio de tropas militares para auxiliar na chamada construção da paz, com direito a partida de futebol entre as seleções do Brasil e do Haiti. A dor futebolizada.

Agora vive-se uma das maiores catástrofes humanas. Agora países que matam no Iraque, Afeganistão e África enchem-se de pruridos cristãos de amor ao próximo. Luta-se pela hegemonia de suas forças nacionais. Querem-se os únicos comandantes da tarefa humanitária. A ONU, como sempre impotente, não decide nada. Agora o Haiti é importante. Agora ele precisa dos ‘deuses’, e como os ‘deuses’ sabem bem dessa necessidade.

Então os Estados Unidos chegam com sua bandeira de “paz” embrulhada no Fundo Bush-Clinton, abençoados pelo mesmo ‘deus’ que os ordena matar em outros países. Fervorosos em sua “paz” imperial, eles se apossam logo do aeroporto e do palácio. Alguém, obtusamente, pode dizer: “Mas o palácio foi destruído”. Os americanos sabem que o palácio não foi destruído. O que foi destruído foi a arquitetura. O palácio permanece. É um corpo imaterial que age sobre o povo. O que os norte-americanos querem ativado. Faz parte de sua “ajuda humanitária”. O povo vai ver o palácio-americano. Fusão/confusão. Perversa ilusão.

O aeroporto é um território concretamente político. É um corpo estriado bem segmentarizado, com seu axiomas distribuídos em uma pragmática de domínio e controle. Nas condições em que se encontra o Haiti, o aeroporto é o grande prolongamento do olho paranoico do Estado Americano, que observa tudo que se descola como seu interesse intervencionista. Só pousa ou decola o que o olho manda, depois de ser investigado, selecionado e classificado. A lógica imperialista do Estados Unidos: o palácio e o aeroporto são o Estado do Haiti. O que significa politicamente que os Estados Unidos, por posse, são o Estado haitiano. Mesmo que ele e outros governos não entendam assim. Ou melhor, não enunciem assim.

No que se sabe da política externa dos Estados Unidos, a participação do governo Obama no Haiti, no entendimento daqueles que sabem o que significa ajuda humanitária, com todo louvor a Deus, proferido, não passa de uma perversa intervenção que não tem compromisso nenhum com o povo haitiano.

DIREITA VOLVER NO CHILE OURIÇA DIREITA DO BRASIL

A direita volver no Chile não excitou apenas os reacionários chilenos. Ultrapassou fronteiras. Chegou em todos os territórios das Américas – por que não dizer do mundo? -, onde ela não dormita um só segundo tal sua avidez capitalista. Nessa sua ultrapassem fronteiriça, ela mostrou seus tentáculos, principalmente no Brasil, que não satisfeita, e saudosa, com apenas sete anos fora do que ela alucina ser poder, e próximo às eleições gerais de 2010, babou de contentamento com Piñera eleito.

De acordo com seu entendimento – o mais baixo grau de inteligência, diria o filósofo Spinoza – a elevação da direita ao poder chileno, disputando com um candidato centro-esquerda, apoiado pela presidente Bachelet, com 81% de aprovação de seu governo pela população, e que não conseguiu ser eleito, permite-lhe acreditar que a eleição para Presidência da República, com seu eterno candidato Serra, está no papo.

Como a interpretação não é, fundamentalmente, atributo da razão, mas da imaginação e superstição, ao contrário do exame e da análise, fatores dialéticos, e como o que a move são suas próprias fantasias produzidas no absurdo de sua alienação, ela crê, de pés juntos, que Lula será a Bachelet de Dilma. Assim como Dilma será o Eduardo Frei de Lula nas eleições no Brasil. Um ridículo reducionismo que compromete a genitalidade dos personagens e sua opções sexuais.

Imobilizada nessa interpretação, e agora amparada pelas declarações do reacionário Piñera, afirmando que popularidade de governante não é transferida em eleição para o seu candidato, ela se pôs a ‘polivociferar’. E haja ‘agripinagem’, misturada com’ ‘demostenagens’ e ‘psdbzagem’, as vozes do múltiplo ignorante-ignóbil.

A POESIA DE NERUDA E LULA

Qualquer aluno da oitava série sabe que Marx disse que “todos os grandes acontecimentos e personagens históricos se repetem por assim dizer… a primeira vez como tragédia e a segunda vez como farsa”. Como tragédia, é o novo, onde cabe a eleição de Lula, em um Brasil amaldiçoado pela direita. Como farsa, em um passado próximo, a eleição de Fernando Henrique. No Chile, a eleição de Piñera, o velho conservadorismo apoiado pelas oligarquias chilenas, militares que participaram da ditadura, a classe média indiferente, uma grande parte da juventude alienada, e o antigo modelo político do tempo da sangrenta ditadura Pinochet.

Como o velho conservadorismo é uma subjetividade despótica mundial, não foi acidental que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) afirmou, em meio às suas fantasias farsescas, que Piñera – uma espécie de Berlusconi chileno, visto ser proprietário de um time de futebol, o Colo-Colo, e detentor de concessões de canais de TV, além de um dos homens mais ricos do Chile -, pode fazer grandes reformas políticas e sociais que a esquerda não fez no Chile, durante seus vinte anos no poder. Uma clara “lógica” de que se a direita ganhar no Brasil, fará as reformas que o governo Lula não fez. Diante dessa afirmação estapafúrdia de Torres, todo aluno da oitava série entende que ele não leu Marx. E o mais terrível é que ainda há sujeitos que afirmam ter sido o ensino antigo muito melhor do que o de hoje.

Deste modo, a interpretação da direita leva à desaparição antropológica, biológica, cultural, social, econômica, política, religiosa, e até esportiva, dos dois países, magicando em seus lugares a unicidade projetada por seu delírio. Para ela não contam as experiências originais de cada povo, que fazem com que cada um seja singular para o outro. Nisso, ela não vê que o povo, com Lula, carrega afecções que Neruda carregava com o povo chileno, e que não se encontram nos eleitores de Piñera. Afecções que não são capturáveis pelas enfermidades conservadoras. Aí a poesia de ambos. O que não há na cacografia da direita.

Mas há algo de bom para a democracia brasileira na interpretação da direita. Ela afirma que está se pelando (por nossa educação francesa, não podemos usar outro termo) de medo da Dona Dilma, e tem certeza que seu grande cabo eleitoral é Lula. E que ele vai compor sua potência de agir com o povo como modus de eleição da companheira. Esse medo mostra que, apesar da direita não ter lido Marx, e nem ter feito a oitava série, ela sente que a história se faz, apesar das contradições impostas pelos reacionários.

NO FUNDO OBAMA, BUSH E CLINTON NÃO É IRONIA

O presidente democrata dos Estados Unidos, Barack Obama, criou, com o objetivo de dar maior rapidez às ações humanitárias de seu país no Haiti, um fundo por ele cognominado de Fundo Bush-Clinton. Fundo este que será coordenado pelos dois ex-presidentes.

Talvez algum inocente inútil para a política internacional, diga: “Mas que ironia! Obama, explicitamente junto com Bush! Com Clinton, vá lá, são do mesmo partido”. Mas a ironia é só a do inocente inútil. Não há ironia na trilogia. A política que Obama vem praticando desde que assumiu (?) o comando do Estado Americano, em relação às políticas exteriores, é a mesma que os dois ex-presidentes praticaram.

Sobre Bush, tendo como base a ética democrática relativa aos povos estrangeiros, não há nada a comentar. Tudo já foi dito sobre sua ação nefasta contra os Direitos Humanos. Invasões de países considerados inimigos da paz mundial, terrorismo oficial, prisões arbitrárias, tortura, confinamento de presos estrangeiros, assassinato de crianças, idosos, genocídio, etc, tudo que um Estado imperialista carrega como sua medida de segurança.

Quanto a Bill Clinton, só foi diferente a Bush porque não invadiu o Iraque, mas sua política intervencionista, proposta pelas leis americanas contra o terror, foi a mesma que de todo Hitler e Stalin. Que o digam os bombardeios, por ele, dirigidos contra as instalações da Al-Shifa, no Sudão, em agosto de 1998, que segundo o ativista político, o filólogo Noam Chomsky, foi “um crime horrendo com absoluta e medonha crueldade”, nos moldes do 11 de setembro. Foram vítimas que não morreram apenas no momento do bombardeio, mas também em consequência deste. Dezenas de milhares de pessoas morreram, entre elas crianças. Com a destruição das instalações que fabricavam remédios, pessoas acometidas de malária, tuberculose, e outras enfermidades, morreram sem remédios para tratá-las.

Quanto a Obama, sua política intervencionista de ocupar territórios tomados como inimigos por suas Forças Armadas faz, nesse momento de terrível sofrimento no Haiti, uma simulação de paz, enviando soldados para auxiliar no programa de ajuda humanitária. Aí a ironia que o inocente inútil não saca. Um Estado que treina seus soldados para matar, vai em missão para salvar vidas.

Como diria o filósofo social Rui Brito, vendo esse trio de ataque junto: “No Fundo eles são iguais”. Nada de ironia.

ESTUPRO DE MULHERES INDÍGENAS

Em seu relatório sobre os direitos dos índios apresentado ontem, dia 14, à sociedade, a Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que no mundo as mulheres indígenas são as que tem maiores chances de serem estupradas. Em pesquisa à ONU, mostra que em três mulheres índias mais de uma é estuprada.

O relatório mostra ainda, que além da violência sexual sofrida pelas índias, elas lideram os índices de mortalidade materna, são também vítimas indiretas de conflitos armados ou de desastres naturais, que lhes impede o acesso à educação, à terra e a recursos econômicos.

Na situação geral dos povos indígenas, segundo o relatório, eles sofrem de várias enfermidades como malária, tuberculose, desnutrição, doenças cardiovasculares, mortalidade infantil e AIDS.

Analisando a violência contra as mulheres indígenas, e as discriminações contra os povos indígenas, Marcos Terena, articulador do Comitê Intertribal – Memória e Ciência Indígena (ITC), disse: “A forma mais fácil de destruir um povo é desmoralizá-lo. Atingir a parte mais vulnerável do grupo tem esse objetivo. Este tipo de discriminação é difícil de quantificar e verificar porque, ou não é documentado, ou não desagrega por etnia”.

HOLANDA AFIRMA QUE FOI ILEGÍTIMA INVASÃO DOS EUA NO IRAQUE

Comissão Investigativa Independente da Holanda, criada em 2009 pelo governo holandês para responder às pressões da oposição, que questionava o apoio dado por esse Estado à invasão do Iraque pelos comandados de Bush, publicou hoje, dia 12, o que os homens livres do mundo já sabiam: os Estados Unidos da América do Norte invadiram o Iraque ilegitimamente, de acordo com o Direito Internacional.

O relatório da Comissão critica o governo holandês, que não informou o Parlamento sobre o fundamento do apoio político desse país, dado à invasão desencadeada pelos ianques em sua política expansionista de dominação de países estrangeiros. Para o documento, os Serviços de Inteligências da Holanda não investigaram diretamente o programa iraquiano, baseando seus estudos em fontes indiretas.

Willibrord Davids, presidente da Comissão, afirmou à imprensa que “as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o Iraque nos anos 90 não concediam mandato para uma intervenção militar norte-americana-britânica”.

O primeiro-ministro Jan Peter Balkenende, que recebeu o informe, é criticado no relatório, porque na época, em 2003, como membro do Executivo, não tomou nenhuma medida para impedir o apoio à guerra.

Em 2003, o governo da Holanda enviou para participar da força multinacional, comandada pelos Estados Unidos, no sul do Iraque, 1.100 soldados, cuja missão terminou em 2005.

CASAMENTO GAY É AMEAÇA AO DESEJO DO CRIADOR, DIZ PAPA

Falando para diplomatas de 170 países, e se dizendo preocupado com o fracasso da reunião da ONU, em Copenhague, para criar um programa de combate ao aquecimento global, o papa Bento XVI mostrou-se, mais uma vez, muito preocupado com o que ele chama de “proteção à Criação”.

No auge de sua exposição, construída com os elementos teológicos da igreja católica, no tangente à Criação, o papa tomou posição clara – como já vem fazendo – contra o casamento gay, afirmando que o caminho do homem “deve corresponder à estrutura desejada pelo Criador”. E o casamento gay segue à “destruição do trabalho do Senhor”.

Em seu posicionamento anti-gay, o papa não livrou os países das Américas e Europa que elaboraram leis e projetos de incentivos ao casamento gay. Envolvido em seu propósito ambientalista, ele, que já havia falado que “um tipo de ecologia humana é necessária”, voltou a afirmar que essas leis e projetos “atingem a base biológica das diferenças entre os sexos”.

Para apoiar mais seu discurso, o papa sentenciou que “as pessoas diferem umas das outras e podem ser protegidas ou ameaçadas”. E, para ele, as ameaças são as leis e os projetos de casamento gay.

OS ‘OUTS-DOR’ DOS DEMOCRATAS DE MANAUS

LÓGICA DO MARKETING: LUGAR DE MERCADORIA É NA RUA.

Fim de ano. Congratulações, votos de solidariedade, promessas, expectativas e exibicionismos classistas. Os auto-cognominados políticos deram o ar de suas intenções à população.

Como soe acontecer todo fim de ano nessa bela Princesinha do Norte, daí não poder deixar de ocorrer nessa enganosa passagem, os impulsos fantasiosos dos auto-cognominados se fizeram presentes.

Lá estão nas ruas e avenidas, da cite maltratada, expostos às chuvas, ao calor e à zombaria, os personagens da esdrúxula cena manauara. Governador, prefeito, senador, deputado federal, estadual, vereador, todos com auréola da “santificada-política” manoniquim.

Todavia, a visível estreiteza de inteligência e de verdades apresentadas nos conteúdos dos ‘outs-dor’, enunciando fabulações exacerbadas contrárias às verdadeiras performances dos personagens, manifestas em um triste senso narcísico que só pretende iludir, a população, vivendo numa perversa realidade, compreendeu o objetivo de tamanha “cristandade”. Até de comunista ateu capitalista. Entendeu, recorrendo ao método comparativo, que os ‘outs-dor’ são mais uma armadilha em caça de votos do que uma confirmação de engajamento político.

Desta forma, senhora dessa certeza, a população infere dos ‘outs-dor’ que eles estão nas ruas e avenidas apenas para confirmação do que já fazem todos os anos: ocultar a Manaus real, submersa na pobreza contagiante, por meio do marketing de todos “os santos dias”. O que já é do domínio da opinião pública de Manaus.

Assim, polegar para cima, casal vitorioso, senador amoroso, entre outros, só servem de mote para a glosa debochada de eleitores que jamais soem acontecer como meros replicantes dos auto-cognominados.

PAI DE SANTO ACERTA PREVISÃO OBITUÁRIA

Conforme esse Bloguinho Intempestivo combinou com seus acessantes, que depois da passagem do ano ele informaria se a previsão do Pai de Santo que anunciou as mortes de dois políticos da cena manauara se concretizara mesmo ou foi apenas charlatanismo transcendental, o que não saiu da imanência local, hoje, o que foi combinado será concretizado.

Realmente, o Pai de Santo acertou. Morreram dois políticos em Manaus. Diante dessa revelação, possivelmente muitos manauaras parem de ler essa informação, afirmando tratar-se de uma trapaça jornalística esse Bloguinho informar como verdade o que não aconteceu. Entretanto, nada disso causa espasmos de ofensas, posto que a maioria dos manauaras é totalmente a-perceptível ao óbvio da cidade que desfila diante de si. Não é por acaso que os demagogos deitam e rolam com as coisas públicas. Tudo pelo alto grau de passividade de nossa ordeira gente.

Esses manauaras, para apoiarem suas acusações, dirão que só morreu um político, que foi o ex-governador Gilberto Mestrinho. Lógico que, em função de suas obnubilações, eles estão certos. Só veem sua internas realidades, e não o que salta no exterior. Por tal, colocam em suspeição a previsão do sincero Pai de Santo que acertou no que afirmou.

Por toda essa realidade a-perceptiva, eles não viram e nem ouviram quando, diante do cadáver do ex-governador Gilberto Mestrinho, Amazonino, em sua homenagem póstuma, afirmou que com Gilberto Mestrinho ia uma parte dele, Amazonino. Como se tratava da morte de um grande amigo, que o colocou na cena política amazonense, que o permitiu tornar-se, durante mais de 25 anos, o maior representante da direita retrógrada local – quiçá do Norte -, Amazonino, em seu discurso, confirma que uma parte sua também morria.

Dessa forma, o Pai de Santo entendeu que foram dois que morreram. O que leva a outra parte dos manauaras a acreditarem que quem eles veem na prefeitura não é o Amazonino que existia antes da morte do ex-governador Gilberto Mestrinho, e cassado em primeira instância pela proba juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, mas o Amazonino sem a parte que desmaterializou-se. Agora, o difícil é saber qual a parte que desmaterializou-se, pois Amazonino continua com as mesmas posições dos tempos das antigas, que o fizeram ser o magno representante da direitaça.

E AÍ, ANO 2010, QUALÉ?

2009 (Sorrindo) – Mano, essa história cronológica, tempo pulsado, ano com 12 meses, passagem de ano, é uma das belas pirraças desse mundo de meu Deus. Nada passa. Está tudo travado, bloqueado, imobilizado, fixo, capturado no denso buraco negro que é o capitalismo. É toda uma axiomática sujeitante. Tudo não passa de uma infantilizada trapaça cronológica. Pavor de Aión. O tempo não dividido.

Quando eu substitui o ano 2008, foi a mesma presepada. Felicitações, esperanças, desejo, sonhos, congratulações, juras de mudanças, beijos, abraços, suspiros, afagos, vislumbres, fogos, lentinhas, toda forma de consolo, de conforto, mas nada do real. Nada que é necessário: chegar ao limiar para criar outras formas de agenciamentos que enfraqueçam a subjetividade da dor espalhada pelo mundo como um isomorfismo capitalístico.

Foi assim, mano 2010. Enquanto eu fazia que entrava, eu via, pelas costas, o mano 2008 fazendo também que saía. Falsa percepção. Nem eu entrava e nem ele saía. Estava lá o prefeito de Manaus, Amazonino, cassado pela insigne juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, por suspeita de crime eleitoral. Hoje, dia 1º, está lá, ele, ainda ameaçado de cassação. Um passado se querendo novo. Próximas eleições estaduais visualizadas nos mesmos recursos ardilosos negadores da democracia. Ganhar, ganhar, não importa a moral! Uma Câmara composta de vereadores cúmplices do prefeito. Uma assembleia cúmplice do governador. Tudo como dantes, como em outros manos passados. Uma cidade sem face de cidade, negando o conceito estético de urbe. Uma cidade triste, em que seus corpos nada mais expressam que não uma baixa potência de agir, tentando ser dissimulada em delirante ufanismo megalomaníaco. Uma chamada classe intelectual ficcional. Um corpo de professores universitários presos nas garras do carreirismo paranoico. Um jornalismo subserviente, principalmente aos governos reacionários que há décadas impedem que nós, anos, sejamos novos. Artistas atoleimados. Uma classe média avara e indiferente. TV’s e Rádios submissas também aos governantes com programação alienante. Partidos ditos de esquerda dolentes-coniventes com a anti-democracia. E a apoteose da dor de ser chamada de Princesinha do Norte.

É isso, mano 2010, o que tu vais herdar, o que eles chamam de “Ano Novo, vida Nova!”. É por toda essa velhice psicótica que seus “sinos dobram”. Nesse teu primeiro(?) dia, olha a cara deles. A velha e dolorosa depressão de quem fez da vida uma entropia. Um olhar niilista sobre o mundo. Um peso milenar de valores a serem protegidos e carregados. Um peso bom para desculpas, subterfúgios, atalhos, fugas persecutórias. Inebriamentos confortantes.

Mano 2010, mas as coisas não estão só localizadas nessa zona muito franca, Manaus. Tudo seria inglório para voracidade do capitalismo se a dor ficasse reduzida a esse fator regional. Não, mano! O Capitalismo Mundial Integrado, como nos bem fala o filósofo Félix Guattari, territorializou todo o planeta Terra com seu capital-financeiro-flutuante. Segmentarizou o corpo-terra com sua axiomática do lucro. Sua subjetividade sujeitante. Nisso, temos um novo Obama-Bush, como diz o índio Evo Morales. Uma irracional impossibilidade de soluções das questões climáticas. Um perverso bloqueio à economia cubana imposto pelo Tio Sam. Povos inteiros morrendo de fome. Uma corrida armamentista implacável. Assassinatos de inocentes cometidos pelas potências. Uma explosão demográfica que acirra a fome do mundo. Emissões de gases estufas além do limite que coloca em risco a saúde do planeta. Ameaças terroristas de todas as ordens.

Essas e outras terríveis questões tu vais herdar. O que te faz um ano velho, como eu fui. É bem verdade que vais ter um gostinho saboroso de herdar grandes feitos do governo Lula, com suas políticas públicas que diminuíram os níveis de pobreza, e elevaram as classes pobres nos estratos sociais. É certo que dentro da perspectiva da unidade do Capitalismo Mundial Integrado. Fora isso, nada mais terás de bom para comemorares tua gestão cronológica. Tudo já está posto como velharia. Como diziam os velhos sábios gregos: “Não há nada de novo sob a luz do sol”.

2010 (Sorrindo) – E a vitória da Dilma, nas eleições para Presidente do Brasil?

O SERVIÇO PÚBLICO A SERVIÇO DA DOR DO CAPACHO

No conceito de corrompido concebido pelo filósofo Nietzsche, para quem o corrupto é um degenerado, aquele que optou pela existência enferma, o capacho encontra-se bem ajustado nessa série. O filósofo Sartre diria que o capacho sempre está em Má-Fé. Nunca é um homem livre. É um malogrado, um frustrado, que, em razão de seu medo, produzido por um profundo sentimento de inferioridade, se submete a todos que acreditam ser detentores do poder – sem nunca suspeitar que o poder não existe – para, assim, pela fantasia, também se sentir importante diante daqueles que ele considera seus subalternos. Uma espécie de imagem emprestada.

Com uma infância malograda, capturada pela interferência alienada de seus pais, e uma adolescência confusa, onde exercita os primeiros passos da submissão, ele entra na existência adulta pronto para sua patológica missão. Seja representando um personagem tímido, ou um personagem colérico. Não importa a personagem, o certo é que sua existência é uma insuportável sensação de fracasso, que ele alimenta com a ilusão de ser amado por aquele que toma como poderoso, e por aquele que ele toma como seu subalterno. Sim, porque embaixo de um capacho há sempre outro capacho. Aliás, a sociedade não é formada só de capacho, mas que ele está espalhado por toda sociedade, está. Em casa, na escola, no trabalho, em todos os quadrantes sociais. É por isso que é difícil produzir uma democracia constitutiva. O capacho é de direita, de centro, de esquerda, e de outros lados, justo porque ele é produto/produtor de uma cadeia viral. Como a democracia é a sociedade dos homens livres, e sendo o capacho um escravo, é difícil ela se tornar uma práxis ontológica. Vejamos o caso do Amazonas, mormente Manaus, no que tange ao que se convencionou, eufemisticamente, chamar de política.

UM CASO EXPLÍCITO DE CAPACHO NO SERVIÇO PÚBLICO

Dia 24, véspera de Natal, ponto facultativo nas repartições públicas. Funcionários contentes pela efeméride cristã, e também contentes pelos dias de folga, que ninguém é de ferro para suportar a temporalidade sujeitante da mais-valia expressada no limitado salário. Em casa, os planejamentos para a ceia, ou, quem sabe, aquela visita “serra” à casa de um parente, ou amigo, ou talvez uma descansada em uma boa rede ouvindo os fogos lá fora, imaginando um amor.

Pois bem, seguros pelo feriado oficial, funcionários de uma instituição estadual passaram a ter suas seguranças comprometidas. Motivo: o diretor dessa instituição pública recebeu um comunicado que o governador Eduardo Braga iria fazer uma visita nas instituições do Estado. Azáfama, corre-corre! “Chama os funcionários para vir para cá!” E tome telefonadas intranquilizadoras para os servidores envoltos na paz natalina. O diretor, personagem colérico, queria por tudo mostrar ao governador – que estava mais para Robério Braga do que para a instituição do tal diretor – que ali na “sua” instituição se trabalhava com denodo, até nos dias de Cristo.

Como diria o pedagogo-teatrólogo Abdiel, “resulta, resultado”, alguns servidores servis (quem sabe também capachos) foram, outros não deram bolas, ficaram nos seus envolvimentos natalinos. E o personagem central causador da cena capachista, o governador, necas de aparecimento. Não deu as caras. Enquanto, por seu lado, o ‘concordino’ diretor, ficou com aquela cara do tipo, “o que foi que eu fiz para não ser amado?”.

Na segunda-feira, na dita instituição, um funcionário, aos risos debochados, disse: “Lembra daquele fim de ano que a direção deu um almoço pra gente dizendo que o governador viria visitar a instituição, e a gente ficou quatro horas esperando, olhando para comida que não era servida, e ele não apareceu? Pois é, eu lembro. Por isso não vim dessa vez. Não sou otário e nem moleque para ser tratado desse jeito.

Moral do fato: o diretor-capacho sofreu, mas não desesperou. Ele terá outros momentos para exibir sua submissão. Assim como a maioria que exerce funções semelhantes a dele, e que são institucionalmente enfermos como ele. Aliás, o que é a regra nos cargos indicados. Perdulariamente, comissionados.

ENQUANTO CRISTO É FESTA, O GOVERNADOR CHORA SEM NATAL

A Vida é uma Festa!

Cristo, o evangelista, o Devir do Amor, da Nova Semiótica, o Companheiro dos homens livres, é filosofante. Porque a filosofia é uma Festa. E Cristo, como filosofante, com suas ações conduz à Festa. A Alegria como Estética de novos saberes e novos dizeres. A Educação transcendente dos sentidos e da cognição para que os homens não sucumbam na privação imposta pelos tiranos, onde os sentidos e a cognição encontram-se em estado entrópico, impossibilitados do sensível e do intelectível como matéria do exterior. O que sustenta os ímpios.

Mas eis que o entendimento oficial, em Manaus, apanhou a sonoridade e a grafia do nome Cristo, e se pôs a caricaturá-lo. Confeccionou um bonecão, crente ser a imagem de Cristo, chamou o espírito de Michael Jackson, lançou luzes lagrimosas(?), pegou a sempre disposta Ednelza Saddo, mais a condescendente Lucilene Castro, embrulhou canoa com celular, fez que mexeu e mandou bronca.

Sentadinhos em seus pontos indicativos estavam as designadas autoridades, o governador Eduardo Braga, com seu inseparável séquito, e o representante teo-metafísico, Dom Luiz. Bonecão-antiCristo pra lá, Michael Jackson pra cá, Ednelza e Lucilene para acolá, e vamos que vamos. É o espírito natalino do secretário de Educação, com sua trupe projetando na Praça São Sebastião imagens super-dimensionadas, produtos de suas internalizações imagéticas que não se metamorfosearam em ideias. Imagens de objetos amplificados com pretensão à elevação hipnogógica. Inebriamento pelo espetacular. Um recurso mágico para ocultar o vazio das Ideias. Ampliar as formas áudio-visuais no exterior com intenção de causar efeito de grandeza manipuladora. Síndrome do Colosso de Rodes. Em Hitler, grandes exércitos, grandes aviões e tanques de guerra, na urbe inadequada, grandes edifícios na 5ª Avenida, grandes pontes, grandes elevados, grandes estádios de futebol, tudo hiper, ou macro, mas tudo sem força, presos na ordem da impotência.

Terminado o cerimonial hipnótico, entrou em cena a sempre e boa amestrada imprensa. Entrevistando o governador sobre o que viu e ouviu, ele, Eduardo Braga, não se conteve: chorou. Pronto, estava comprovada a caricata festa anticristã. Se tudo que se refere a Cristo, o amoroso, é Festa, é Alegria, se o governador chora em um ritual que se dizia cristão, nada havia de Cristo. Comprova-se mais ainda quando Dom Luiz, embasbacado, afirma que é o maior Auto de Natal do Brasil. Logo ele, uma santidade usando o peso e a medida para invocar o espírito de Cristo. Assim, de acordo com as autoridades, não houve Natal, e muito menos Cristo. Mas a imprensa não viu o que o governador e o prelado viram.

No outro dia, a comprovação maior do caricato natalino. Pessoas que passavam na avenida Eduardo Ribeiro, e ruas adjacentes, viam, atrás do Teatro Amazonas, jogado, aquele que a oficialidade tentou passar como o espírito de Cristo: o bonecão anticristão.

NATAL SEM JESUS CRISTO

Foi o filósofo alemão Nietzsche quem melhor entendeu historicamente o homem revolucionário Jesus Cristo. Foi ele quem o chamou de mais amoroso, o que carregava o Devir do Novo. Cristo, o que pregava a libertação das almas individuais do julgo da tirania para construir a liberdade coletiva. O Cristo, que não pregou o sentimento da culpa, do remorso, da redenção, do ressentimento, do rancor, da dívida eterna. Mas um Cristo sublime, singular, que vai além da superstição. Um Cristo Amor Comunalidade.

Entretanto, assim como a democracia é uma enunciação coletiva processada ainda na infância, como educação, quando os pais, como companheiros de seus filhos, não carregam ensinamentos, mas conduzem um diálogo, como diz o filósofo Buber, o Afeto-Deus é resultante dessa criação amiga ou não. A Democracia é uma vivência coletiva produzida em família, assim como o Afeto-Deus. Se os pais conduzem seus filhos no diálogo, eles serão Democratas entrelaçados no Afeto-Deus. Ao contrário, quando os pais são apenas representações dirigidas por forças de captura, seus filhos se disporão a todas as formas de tirania e, consequentemente, seus deus será uma fantasia.

Desta forma, o capitalismo consumista captura os dizeres de uma sociedade transformando toda sorte de expressões em objeto de lucro, mercadoria. Nisso as festas comemorativas cronológicas são muito bem aproveitadas. Até mesmo as cristãs. É assim que se expressa o conceito de Natal da oficialidade estadual no Amazonas.

Amparados por uma enunciação que se queria poética, sem nada carregar da poesia como singularidade do Novo, o governo do Amazonas, através de sua Secretaria de Cultura, conduzida por afecções místicas e míticas, recorreu ao senhor imortal Max Carpentier para mostrar que entende de Deus e Família.

Em uma cidade zonafranqueada, os personagens oficiais, muito distantes do sentido de beleza do filósofo Aristóteles, e mais ainda do sentido do filósofo alemão Schelling, para quem a beleza é a afirmação da liberdade humana, como soe acontecer nessa última década, deram continuidade à aberração do que eles entendem de Natal.

Feudalizaram a Praça São Sebastião – que colonizadamente chamam de Largo – e transformaram-na em uma macabra cerimônia da vitória da tecnologia predadora como enunciação cristã em conluio com falsos artistas e desatentos pais, que entregaram seus filhos para serem coadjuvantes do uso perverso do nome de Jesus Cristo com propósito eleitoral. Nada do que expressa Cristo.

Todavia, apesar do ‘alegro desbum’ oficial natalino, a maior parte da população de Manaus, principalmente a suburbana, sequer soube da armadilha governamental. Sequer soube do hollywoodianismo delirante promovido pela classe média ignara conduzida por seus representantes governamentais.

Resultado: a caricatura oficial fomentada pelo ex-governador Amazonino e continuada no governo dos Bragas, teima em se manter como escárnio. Natal para eles só sem Jesus Cristo. Com a complacência de Dom Luiz que viu, maravilhado, a presença de Jesus Cristo na cerimônia macabra sem condições de terapia teratológica.

O que o povo entende.

TRÊS REIS MAGOS PERDIDOS EM UMA CIDADE SUJA

Aproximando-se a meia-noite do nascimento do sagrado bebê, filho de Maria e José, concebido pela graça do Espírito Santo, e que se chamaria Jesus Cristo, e seria pregado na cruz pelos ímpios, que usariam seu nome santo para proteger seus atos infames, os três Reis Magos – Baltazar, Melchior e Gaspar – preparam-se, juntamente com os presentes a serem ofertados ao bom bebê, para seguir viajem a Belém, cidade natal de Jesus.

Contagiados pela alegria, montaram em seus camelos e seguiram rumo a dentro para a cidade de Jesus, cantando felizes a música paraense, “Jesus em Belém foi nascer, quem me dera morrer em Belém do Pará. Ta aqui o tucupi, tem mais o jambu, quem quer camarão, quem quer tacacá”. Cantando, inebriados pela celestial missão, e no sacolejo das corcovas dos camelos, os Reis Magos dormiram confiantes que seus animais sabiam o caminho.

Horas depois, perturbados pelo barulho dos cascos dos camelos em um chão sólido, acordaram. Surpresos, perceberam que estavam em uma praça. Mais surpreso ainda ficaram quando entenderam que se tratava de uma praça adornada com elementos alegóricos querendo insinuar ser referentes a Jesus. Ficaram observando todo o cenário, quando escutaram um homem, com modos servis, falar como seria a festa do Natal, e depois passou a ler um texto fazendo referência ao Natal com analogias às tecnologias. Também ouviram outro homem servil afirmar que Papai Noel desceria em um guindaste para tornar o espetáculo natalino mais realista. Viram muitas crianças ensaiando uma coreografia para a dita festa, com seus pais maravilhados. Confusos, se interrogaram se ali onde se encontravam era a cidade de Belém. Sentiram uma forte decepção. Como não tinham certeza se a cidade era Belém, resolveram ali mesmo formar um Conselho para discutir o que fazer para descobrir o enigma geográfico-urbano.

OS REIS MAGOS DESCOBREM MANAUS

No final do Conselho, chegaram ao consenso que deveriam andar pela cidade e conversar com pessoas para saber que cidade estranha era aquela. Procuram uma estalagem para deixar seus camelos, mas só encontraram estacionamentos. O proprietário de um estacionamento, vendo que algumas crianças estavam atraídas pelos camelos, e sentindo a possibilidade de levantar uma grana exibindo os camelos, aceitou que os animais ali ficassem, mesmo ameaçado de ser multado pela prefeitura ávida por dinheiro.

Resolvida a questão ‘cameloante’, os Reis Magos se puseram a itinerar. Chegaram próximo de uma banca de vender jornais e leram as manchetes: “Prefeito Amazonino é cassado pela insigne juíza Maria Eunice Torres dos Nascimento”; “Deputado estadual Wallace Souza, depois de cassado, foi preso suspeito de autoria de vários crimes”; “Vice prefeito é preso por suspeita de cumplicidade com seu irmão Wallace”; “Vereadores aprovam taxa do lixo”. “Vereadores rejeitam os pedidos de impeachment”, etc. Diante das notícias jurídicas/policiais, bradaram em uníssono: “Arre, égua! Aqui não pode ser Belém. A cobrança dos impostos mostra muito bem!” Então resolveram pegar um ônibus. Depois de duas horas esperando, que aproveitaram para conversar com o povo, conseguiram entrar em um totalmente avariado, além de superlotado. Depois de uns quilômetros, resolveram descer. Logo na descida, os três caíram em um buraco e foram sair no quintal da casa de uma senhora que esta assando um jaraqui. A senhora, sorrindo, perguntou se eles eram servidos no comer do povo. Provaram um pouco do peixe, gostaram, disseram que era o alimento do Senhor, e logo em seguida perguntaram o preço. A senhora disse e eles tomaram um puta susto, exclamando: “Como pode um peixe do povo ter esse preço?!”. Deram duas moedas de ouro à senhora e partiram. Passaram por uma escola caindo aos pedaços e disseram: “Como que uma criança pode aprender em um lugar como esse?” Viram operários trabalhando em uma construção sem nenhuma proteção. Viram meninas se prostituindo, rapazes se drogando, outdoor de propaganda dos governantes, deputados e senadores, todos usando o nome de Jesus.

Sentaram em uns bancos em uma calçada onde uma senhora vendia churrasco de peixe, pediram três, e começaram a papear com a mulher. Em poucos minutos a senhora falou que naquela cidade o povo sofria muito com falta de emprego, falta de moradia, falta de água, falta de energia, falta de segurança, e eles, pensativos, não acreditavam que aquela cidade com tanta pobreza e tanta violência instituída pudesse ser Belém, a terra natal de Jesus Cristo. Pagaram a senhora com três moedas de ouro, e aproveitaram para pegar um ônibus que parou logo em frente.

Depois de muito empurra-empurra, amassa-amassa e solavancos, desceram do ônibus ouvindo um homem gritar dentro do veículo para uma moça: “Quer conforto? Pega um táxi, otária. Aqui quem for podre que se foda! Aqui é a Zona Leste, porra! Tá achando ruim? Vota outra vez nesse prefeito!” Uns dez metros à frente um homem pediu uma esmola, dizendo ser para comprar o Natal de seus filhos. Recebendo cada um uma dose de 25 centavos nos rostos, eles deram uma moeda de prata ao bom pai. Embrenharam-se por ruas e mais ruas. Quando deram por si, perceberam que estavam no meio do mato e já era noite. Caminharam mais alguns metros na escuridão, quando viram distante uma luz.

Seguiram em direção à luz. Conforme iam se aproximando, começaram a ouvir diálogos familiares. Chegaram bem perto, viram algumas pessoas pobres assistindo contentes uma peça de teatro, encenada por atores amadores, que contava a história do nascimento de Cristo. Um casal que sai do interior para a jovem-mãe ter o filho na cidade, porque onde os dois moravam não havia qualquer condição para o parto. Chegados à cidade, os dois passam por todos os sofrimentos que a miséria administrativa impõe ao povo. Assalto, ameaça, expulsão, falta de assistência hospitalar para o nascimento da criança, total ausência de solidariedade. Só que sempre protegidos contra o pior por dois anjos. Então, depois de não conseguirem nada na cidade para a realização do parto, eles são empurrados para a periferia. Entram no mato e encontram um grupo de pessoas que os acolhem. A criança nasce em parto natural feito por uma parteira do grupo, meia-noite, na chegada de Natal.

Foi, então, que eles entenderam que a cidade que eles atravessaram não era Belém, o lugar onde o menino Jesus ia nascer. Belém era o lugar distante onde eles se encontravam no meio do povo, participando pela primeira vez em suas histórias do nascimento de Jesus Cristo, em presença.

Muito felizes com o que viram e participaram, distribuíram presentes e moedas de ouro aos atores e aos moradores da comunidade, que converteram as moedas de ouro – que eram muitas – em real e aplicaram na comunidade, asfaltando as ruas, melhorando as casas, saneamento básico, escola, posto médico, o necessário para viver dignamente. Movidos pela práxis política, elegeram um prefeito. Como a comunidade era fora da cidade, nenhuma dita autoridade da cidade miserável teve ingerência sobre ela. Assim, viveram por muitos e muitos anos, até o momento em que a Terra desapareceu.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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