O ano letivo escolar iniciou dia 01 de fevereiro de 2012 com jornada pedagógica nas escolas estaduais e municipais da capital. No dia 02, a SEDUC-AM recepcionou os professores aprovados no último concurso com a presença de convidados dentre estes o deputado federal Carlos Souza, irmão do falecido Wallace Souza, que deveria estar na abertura da Câmara Federal e do vice-governador José Melo e ontem, dia 03/02/2012 a SEMED-MANAUS reuniu no auditório Canãa, da igreja Assembleia de Deus, os professores municipais. É sobre esses dois encontros que falaremos.
Que o governo do Estado através da Secretaria de Estado da Educação e Qualidade de Ensino promova um encontro de recepção aos professores concursados para orientá-los quanto à relação professor-aluno, período probatório, metodologia de ensino, critérios de avaliação até que não seria ruim porque os profissionais ali presentes estariam lidando com temas relacionados à futura carreira profissional, mas trazer para palestrar um bacharel em administração e técnicas de liderança e gestão de pessoas não foi a melhor iniciativa.
Terminada as falas da professora responsável pelo projeto Eureka, do Secretário Gedeão Amorim e do vice-governador o cerimonial liberou os presente para o “mata a broca”, para um “rango” de 5 “minutinhos”. Como, mais de 1.200 pessoas poderiam “rangar” em 5 minutos, quitutes como bacalhau, segundo nos informaram, salgados, refrigerantes, doces, café, leite, salada de frutas, etc? Não deu outra, o palestrante das lideranças chamava os presentes para seus lugares e não era atendido e nem adiantou declarar que naquela manhã havia conversado com Deus (está aí o novo Moisés, declarou um professor) para este iluminá-lo em mais uma rentável palestra que só interessa para vendedores no capitalismo.
A educação no Amazonas é vista como mercado. Mercado que injeta muito dinheiro em buffet, aluguel do Clube do Trabalhador, pagamento do palestrante que viu sua platéia depois de satisfeita, de “barriga cheia”, não lhe dar bolas e rumar para suas respectivas moradias.
VIOLÊNCIA SOBREPÕE-SE À TERNURA – UFC NAS ESCOLAS
A abertura do ano letivo da SEMED-MANAUS foi semelhante. No momento que se luta contra a violência na não cidade de Manaus e nas escolas, o prefeito e o secretário municipal de educação receberam no encontro o lutador de UFC José Aldo Júnior, campeão na modalidade peso pena. Esse tipo de luta que só era apresentada na TV por assinatura, agora a TV Globo mostra ao vivo com o penteador de macaco, Galvão Bueno e que vem recebendo inúmeras críticas por ser uma concessão pública autorizada pelo governo federal. Como o tal lutador identifica-se com uma não cidade violenta, como Manaus, o prefeito que é candidato à reeleição o utilizou como escudo para evitar as vaias e ainda entregou a chave da cidade ao mesmo. Entendemos como uma violência esse encontro com o lutador. Que o prefeito quisesse recebê-lo, que o fizesse noutro lugar, na sua casa, por exemplo, mas não num lugar público. Essa modalidade de violência é perniciosa, e motiva crianças, adolescentes e jovens a praticá-las no dia, inclusive dentro das próprias escolas.
Menos glamoroso no tocante ao “rango”, o prefeito que foi cassado pela juíza Maria Eunice Torres do Nascimento declarou que a cidade é outra, que está investindo maciçamente na educação, reformou escolas, aumentou salário de professores (aquele aumento que os professores discutiriam em inúmeros outros encontros e que foram enganados, embora tenham sido alertados que aquilo era jogo de cena) e foi até condecorado por esses feitos com placas de plástico, bronze e ferro. O que o gestor público faz nada mais é do que sua obrigação e para isso não tem porque se auto-elogiar a não ser com terceiras intenções: manter-se no cargo para conseguir mais benefícios para si e seus seguidores, como aqueles de branco que enfileirados lhe deram passagem, aliás esses nada auferem, pois a claque só tem uma função: ser claque. Se a claque fosse craque, não teríamos políticos como o prefeito da não cidade de Manaus.
De educação mesmo, nos dois encontros não tivemos nada. Tivemos sim, os velhos clichês de que nossa educação é a melhor, o Estado e a Prefeitura estão preocupados com a educação das pessoas, sendo que não é o que vemos na prática. Vemos sim, a manutenção do misticismo, o fato de um palestrante ter falado com Deus e uma prefeitura utilizado o auditório de uma Igreja comandada pelo Deputado Federal Silas Câmara que está sendo investigado por crimes como falsidade ideológica, abuso de poder econômico, dentre outros. Não vemos isso como referência para mudanças na educação de crianças, adolescentes, jovens e das pessoas de uma não cidade. Manaus, assim, continuará sendo uma não cidade.
SOBROU PARA O SINTEAM
Um sindicato é o organismo representativo, de luta e de defesa dos interesses de seus associados. Num Sindicato, assim como nos governos, deve haver alternâncias de comando. Deve haver reuniões com a participação de seus associados. Mas não é o que vemos no atual SINTEAM. Nesses 32 anos de existência, boa parte da história da luta dos professores ainda remonta à antiga APPAM até idos de 1989. Depois, aqueles que combatiam os pelegos, tornaram-se pelegos e não querem “deixar o osso.” Em época de eleição armam-se dos mais variados vícios para perpetuarem-se no comando do Sindicato, tanto é, que depois da última greve de professores inúmeros associados desligaram-se porque viram que seu sindicato não mais os representava. Se não mudar não adianta carta de boas-vindas nem convite para os professores associarem-se.
PROFESSORES DO PSS COM CONTRATOS RESCINDIDOS NÃO RECEBEM SUAS FÉRIAS E NEM UM TERÇO DAS MESMAS
Se o SINTEAM defendesse seus professores entraria com uma ação coletiva na justiça do trabalho para que o governo do Estado do Amazonas efetuasse o pagamento das férias e de um terço que os mesmos teem direito. Muitos professores foram dispensados da SEDUC-AM e não recorrem à justiça porque temem represálias. É nessa hora que o Sindicato deve posicionar-se e tomar uma atitude. Diferente de muitas empresas que saldam seus débitos trabalhistas, muitas vezes via judicial, é claro, o Estado do Amazonas é omisso nesta questão.
Concluímos dizendo que mudanças na educação jamais passarão por essas iniciativas. Não adianta gastar-se dinheiro dessa forma inútil quando nas escolas faltam máquinas xerográficas para reprodução de textos de história, língua portuguesa, física, matemática. Como cobrar resultados na Prova Brasil, olimpíada de matemática, de língua portuguesa, SADEAM, PISA, ENEM, PSC se faltam recursos que são utilizados noutros fins?
Leitores Intempestivos