Arquivo para a categoria 'Simulação'

AMAZONINO E SUA MANAUS VIRTUAL

I – As Teorias da Virtualização

O filosofo francês Pierre Lévy, seguidor da teoria do virtual, possível, atual e real do filósofo Deleuze, ao desdobrar os pressupostos deleuzianos, estabeleceu a certeza de que o processo da virtualização, com suas teletecnologias, pode auxiliar profundamente na criação de novos saberes ligados às novas formas de relações e produções sociais. Ou seja, Pierre Lévy acredita que essas teletecnologias são instrumentos capazes de criar facilidades na ordem da administração e direção dos componentes sociais.

Já para os filósofos Jean Baudrillard e Paul Virilio, essas novas teletecnologias são em verdade agentes do desaparecimento das potências criativas do homem. Elas contribuem para desaparecimento da experiência sensorial e mental, fundando o vazio com suas imagens e ideias simulacros – que substituem o real – forjadas fora da percepção direta que se realiza em um campo composto de figura e fundo, o fundamento do conhecimento. Para os dois filósofos, o que predominam são imagens virtualizadas alienadas do campo da troca e suas equivalências. O sujeito e o mundo, com seus atributos naturais relevo, velocidade, lentidão, movimento e repouso são despojados dos sentidos e sua mente produtiva. Propriedades necessárias para o conhecimento humano. Espaço, tempo, campo de profundidade, ação, relação, alternância, fatores do conhecimento humano desaparecem no ato da virtualização.

O filósofo Pierre Lévy tem razão em sua defesa da teoria da virtualização quando manifesta a necessidade do uso dessas teletecnologias com o objetivo não de substituir a realidade, mas como fator pedagógico capaz de produzir problemas e através de suas conclusões estabelecer redes de conhecimentos que sejam eficazes nas relações sociais. O que ainda não foi absorvido na maior parte da prática contemporânea.

Entretanto, o que se tem observado é a proliferação em todos os quadrantes da sociedade os pressupostos apresentado pelos filósofos Baudrillard e Virilio. Contestando os seus desafetos, que os chamam de filósofos da catástrofe. O mundo vem se tornando virtual. De Big Brother ao filme pornô, passando pelos candidatos aos cargos legislativos e executivos. A realidade de uma sociedade do simulacro vem se alastrando em todas as formas ditas de comunicação que nada comunicam, pois não tem matéria para comunicar. Disseminou-se um mercado onde o irreal está sendo vendido como real. O shopping virtual se alastra em sua obscenidade-replicante na televisão, nos computadores, nos meios de comunicação e, pateticamente, nas escolas, como verdadeiro acinte e violência aos estudantes.

A regra é simular e dissimular, como diz Baudrillard. Fingir ter o que não se tem, e fingir não ter o que se tem. No primeiro caso, o fingir persegue a afirmação de que tem realidade. No segundo, finge não ter o vazio. Usados em política antidemocrática, o primeiro serve para toda forma escamoteadora de publicidade, e o segundo para esconder o cretinismo hipócrita.

II – A Dissipação da Cidade de Manaus

O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, cassado em primeira instância pela proba juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, depois de fazer uma campanha eleitoral mostrando os erros administrativos de seu antecessor, ex-prefeito Serafim (PSB), caiu na mesma incongruência administrativa que já havia apresentado aos amazonenses quando fora prefeito biônico e governador por três vezes.

A cidade de Manaus – que nunca foi filosoficamente uma cidade, visto que jamais foi à expressão das potências de todas as famílias, mas somente dos interesses das famílias dos governantes e apaniguados – é hoje um cenário muito pior do que na gestão Serafim. Todas as necessidades básicas da população não seguem os princípios democráticos dos direitos que fazem de seus habitantes cidadãos, mas tão somente servos, como dizem os filósofos Spinoza/Negri. Do transporte coletivo à escola, saltando pelos atávicos buracos das ruas, tudo se encontra fora do que se chama filosoficamente de cidade, morada democrática dos cidadãos. Polis da associação, do diálogo e da amizade, como pensam os filósofos Guatarri/Deleuze sobre a democracia grega.

Mas eis que se aproximam as eleições, e como Amazonino foi liberado pelo ministro Marcelo Ribeiro em seu processo de cassação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por causa de um histórico lamentável cochilo do MPE/AM, ele já se colocou como candidato do PDT – ai, ai, ai, Brizola, secou o chimarrão? – à reeleição. Então, em processo de campanha antecipada, dissimulada em prestação de contas de sua gestão à população manauara, Amazonino recorreu às teletecnologias virtuais e gravou um DVD com imagens de uma cidade que ele apresenta como Manaus. Uma cidade virtual, que dissimula o real da cidade cotidiana da população amazonense. Principalmente a parte que cabe aos bairros. A parte que mais depende de uma administração democraticamente pública.

Como o virtual não pode substituir o real quando ele é materializado pelos sujeitos concretos, sujeitos históricos, como diz Marx, e como a população de Manaus experimenta em seu cotidiano as agruras produzidas pela ausência de uma administração real, ela, ao tomar ciência do DVD, anda gargalhando do espetáculo virtual promovido pelo prefeito da cidade virtual. A cidade é tão virtualmente perfeita que a população dos bairros – onde fica o maior número de eleitores – vem dizendo que não gostaria de morar nesse topos cibernético, pois nada que desperte a dimensão ativa dos habitantes é sugerido nela de tão virtual que é. Na verdade não é uma cidade, mas sim o paraíso. E paraíso na terra é angustiante. Puro tédio.

O certo é que o prefeito Amazonino, com sua Manaus virtual, conseguiu atingir dois pontos decorrentes de sua investida na virtualização. Um, é que se ele acreditava que o DVD ia lhe conferir eleitores, esse ponto pode ser descartado. A reação de quem entrou em contato com o DVD confirma o contrário. O que pode acontecer é ele ser prefeito de sua cidade virtual, já que ele, nesse momento, ocupa duas prefeituras: a prefeitura da Manaus real, do descaso, e a prefeitura da Manaus virtual, a da aparência. Dois, é que ele, por tanto querer ser tomado como intelectual e amante dos pensadores, conseguiu o intento. Realizou os pressupostos das filosofias de Baudrillard e Virilio: a virtualização realiza o desaparecimento do real.

AMAZONINO CASSADO APERFEIÇOA MANAUS-GAME POR MAIS R$ 732,8 MILHÕES

As antigas sociedades de soberania manejavam máquinas simples, alavancas, roldanas, relógios; as sociedades disciplinares recentes tinham por equipamento máquinas energéticas; as sociedades de controle operam por máquinas de uma terceira espécie, máquinas de informática e computadores.” Esse trecho prenunciador de Deleuze, tantas vezes citado como epígrafes não para de realizar-se a partir das des-realizações fictícias imprimidas por in-gestões governamentais por toda parte do mundo, assim como em Manaus.

Aqui (e talvez essa palavra seja empregada apenas como uma forma antiga de falar), há muito que a mentalidade de “concreto e ferro” cedeu lugar à holografia computadorizada. Do amazonímico Terceiro Ciclo, passando pela Zona Franca Verde, Nova Veneza e Metrô de Superfície, Monotrilho, até este Pacote de Obras lançado ontem pela Prefeitura de Manaus, na in-gestão de Amazonino cassado, cada vez mais os programadores trabalham melhor para incrementar a Realidade Virtual. Que Realidade?

Esse virtual tomou a acepção de irrealizável aqui. Muito diferindo da virtú (Maquiavel) ou do virtual deleuzeano, que tem como presença o atual. Esse virtual mercadológico, devido à instantaneidade das informações, não sofre nenhum processo que irá atualizá-lo em algum momento, em algum lugar. Por outro lado, tudo é atual, sem a névoa da virtualização, devido à superposição de imagens fixadas ao infinito. É assim que a cada vez as coletivas para a imprensa sequelada manô são convocadas para anunciar os tais “projetos que vão mudar Manaus para melhor”, percebe-se que as imagens-simulações apresentadas mais parecem com os últimos lançamentos de games-de-computador.

Mas, ao contrário de crianças jogando por um determinado tempo para não prejudicar a visão e a capacidade cognitiva que tais jogos podem causar, temos governantes infantilizados por tempo indeterminado (já se vão ao menos trinta anos), que vão penalizando o corpo da cidade a partir de seus caprichos pueris. O pior disso tudo é que quem perde nessa jogatina é a população, que não vê nenhuma mudança, enquanto os meninões privilegiados apostam cada vez mais alto para continuar no jogo do não-jogar eternamente.

Nessa ausência de jogo democrático, há um sadismo cruel desses governantes contra a população, quando se depara com os sofrimentos impostos por eles. Dê um passeio pelo Igarapé do 40. Tome um transporte coletivo em horário de pico. Observe a qualidade do serviço da operação tapa-buracos.

Para a população, resta então movimentar uma “inteligência vital”, restituindo a realidade humana ao real, no sentido do engajamento sartrista, de escolhermos o nosso próprio destino enquanto sujeitos de enunciação (Deleuze/Guattari) e não como sujeitáveis às últimas ferramentas de programação informática.

A VELOCIDADE DA INFORMAÇÃO DA IMAGEM FOLHA DE SÃO PAULO

Alguns chamam estes tempos pós-televisão, tempos de internet, de Era da Informação. O filósofo/urbanista Paul Virilio diz que mais certo seria chamar de Era da Velocidade. Ou seja, mais do que o conteúdo/sentido real/verdadeiro da informação, interessa mais o imediatismo da informação e a velocidade de sua difusão.

Assim, em tempos de sintetismos pós-modernos, como diria o subterfúgio/falso-amante, “uma imagem vale mais que mil palavras”. Mas há também casos em que as imagens valem tanto quanto as palavras, numa junção marketeológica capaz de vender mísseis para anti-sionistas, assim como, talvez mais ainda, pedras para o exército israelense. É o caso da imagem e das palavras apresentadas ontem no jornal(?) Folha de São Paulo: enquanto a manchete dizia “UNIVERSAL É ACUSADA DE LAVAR DINHEIRO”, a imagem mostrava, entre risos e abraços, Lula, Rafael Correa e Michele Bachelet durante a 3ª Cúpula da UnaSul.

Mas sob as pedras rústicas estão os armamentos químicos sofisticados. É caso semelhante, embora sem nenhuma sofisticação, da Folha, que, sem criatividade, inteligência e humor, tenta valer-se de uma falseação fascista, mas não consegue, pois quase ninguém, a não ser da classe média reacionária. Quem ainda lê a Folha? Há quem paute seu noticiário nacional neste embuste jornalístico?

Como este bloguinho está certo de estar reproduzindo uma amenidade, não nos prolongaremos, deixamos apenas a imagem que demonstra a velocidade da Folha de São Paulo em veicular as fundamentais informações sintetizadas em sua imagem…

Folha Imagem

O QUE É A AMAZÔNIA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA

Apesar do marketing e frisson em torno Floresta Amazônica, o “guerreiro de sempre” não conseguiu trazer tanta gente para prestigiar a 61ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) que acontece em Manaus-Amazonas, no campus da Universidade Federal do Amazonas, e termina hoje, com o tema “Amazônia: ciência e cultura”. Durante a abertura, que foi transmitida ao vivo do Largo de São Sebastião, houve farta distribuição de elogios e babações ao anfitrião desta badalada reunião científica, numa demonstração de que a ciência no Brasil (talvez não só no Brasil) está intimamente ligada à produção industrial em massa e repetição do que já está constituído, reificando e fortalecendo o estado de coisas. Não foi à toa que o “governador da floresta” recebeu um prêmio e é considerado pelos holofotes da mídia científica como “o governador da ciência e tecnologia”. É uma campanha que se arrasta desde o lançamento do Programa Zona Franca Verde e se consolidando com o estabelecimento da Fundação Amazonas Sustentável e o Bolsa Floresta. Simulações para capitalização da floresta.

DES-GOVERNOS POR TRÁS DO DISCURSO AMBIENTALISTA

Podemos lembrar que enquanto o governador estava fazendo palestras em Paris sobre a importância da floresta em pé, dos serviços ambientais para o mundo, as “mazelas amazônicas” continuam existido. E nesta lógica da troca mecânica, a poluição produzida pelos países ricos é um problema que a Floresta Amazônica resolve rapidamente com o “sequestro de carbono” (doravante nome de fantasia da nossa velha conhecida fotossíntese). Se, por algum descuido ou acaso da existência, os pesquisadores brasileiros e estrangeiros que estiverem aqui palestrando e ministrando cursos olharem para os lados e observarem a situação social da cidade, eles talvez tenham consciência da farsa e, quem sabe, em sua reunião final façam uma moção de repúdio ao descaso com que os governantes administram (?) esta cidade e este estado. E neste caso não há como velar, disfarçar a situação em que este estado, com seu governador falastrão, e esta cidade sem prefeito se encontra, ela só reafirma as falácias do circo formado: para se chegar ao campus é necessário passar por pontos intransitáveis da cidade, como por exemplo a Bola do Coroado, ou talvez quem sabe dar um passeio pelo PROSAMIN e sentir aquele cheirinho de podridão que vem se acumulando desde a construção do projeto ditatorial da Zona Franca de Manaus, um dos símbolos de campanha e de preocupação deste governo com o meio ambiente.

PQUENOS ESPETÁCULOS AMAZÔNICOS

A ciência progredindo e nem por isso baixou o preço do peixe. E por falar em peixe, ao visitarmos a Expotec, um galpão localizado no estacionamento da reitoria, encontramos o stand do MUSA (Museu da Amazônia) exibindo aquários com as Espécies amazônicas. Um projeto coordenado pelo físico Enio Candotti, ex-presidente da SBPC, a mais recente invenção megalomaníaca de cunho espetacular, que vai retratar apenas um “pedacinho da Amazônia”. Mais uma atração para compor o quadro turístico da cidade, como o Centro Cultural dos Povos da Amazônia, o Centro de Biotecnologia da Amazônia e outros…

INCÔMODDOS ALÉM DO CALOR DO CALOR DE 39 GRAUS

Ao passear pelos corredores da universidade, percebemos que não era apenas o calor que incomodava os pesquisadores estrangeiros. Havia algo mais. Havia o excesso de vigilância! A presença maciça da polícia militar e das Forças Armadas deram o toque que faltava ao evento. E por onde andavam os índios? O que a polícia militar do governador tem a ver com ciência e tecnologia? As pessoas se aproximavam do stand da polícia para ver o helicóptero usado em suas ações; além disso, o stand das Forças Armadas era o mais visitado de todos, havia sempre uma fila enorme para brincar de tiro ao alvo: um militar ensinava as pessoas a atirarem com armas “verdadeiras” que simulavam o ataque ao inimigo. Um recurso pedagógico para mostrar que o inimigo da Amazônia pode ser invisível, mas está lá! Num ritual de formalização da violência, que deixa fluir os microfascismos disseminados em todos os lugares. A Amazônia, semelhante ao Oriente dos Orientalistas, ainda é sinônimo do exótico, do índio genérico, do inimigo, do exército para proteger, do bicho empalhado e panfletagem, no mais requintado estilo do antropólogo clássico quando afirma que os trópicos cheiram a sexo e violência.

Será que o Progresso da Ciência está a serviço da violência e da simulação?

MILTON HATOUM: ESCRITOR INDIFERENTE SE QUER ENGAJADO

Milton Hatoum, escritor amazonense descendente de árabes que conseguiram no Amazonas feitos econômicos capazes de constituir famílias respeitadas. É professor do Departamento de Letras da Universidade do Amazonas, viveu parte de sua adolescência na Avenida Getúlio Vargas, em Manaus, local de habitação da classe média manauara. Como filho de classe média, onde a maioria da população era pobre, manteve sempre relações projetivas com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Viveu em Paris, onde foi, nos finais da década de 70, correspondente da revista Isto é. Já com o tino de escritor de mercado, manteve relações com os grupos midiáticos, principalmente com a família Frias, proprietária da Folha de São Paulo.

Tomando sua filiação oriental como eidos literário, se dedicou a escrever os rastros árabes no Amazonas, subjetividade cultural nunca explorada pela literatura manauara. Movido por este mote, escreveu Relato de Um Certo Oriente, romance com nuances de realismo com ficção, onde o realismo é mantido no anódino predicado da ficção. Como quando troca o nome do estudante Delmo, assassinado por motorista de Manaus, por Selmo, concebendo-lhe uma representação a-social e despolitizada. Quando foi o crime mais sádico cometido contra um manauara com a complacência da indiferença do medo social. O mesmo acontecendo com o real Dr. Dourado, fundador do Hospital Tropical, próximo dos ditadores, que é colocado, no romance semi-realista, como um boníssimo médico de família.

A INDIFERENÇA ENGAJADA DE HATOUM

Como diz o filósofo Deleuze, que estes escritores que escrevem com suas neuroses são os grande mantenedores da força opressiva do Estado despótico, porque são vozes que ecoam, em suas literaturas, as vozes de comando da imobilidade molar representadas no reconhecimento do mercado, assim Milton Hatoum se fez um grande representante desta mercadoria, livro, que serve aos concursos literários. Daí sua vasta premiação.

No entanto, ontem, dia 3, dia em que a Portuguesa, em pleno Canindé, ganhou de 1 a 0 do Paraná, o Goiás empatou em 0 a 0 com o Guarany e o ABC empatou em 1 a 1 com o Ipatinga, o escritor Milton Hatoum, participando da 7ª Edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), deu uma entrevista à Agência Brasil, como um verdadeiro escritor engajado nas causas políticas sociais, arrogando-se a cobrar posicionamentos do governo para melhorar a condição da população pobre, que não tem acesso a livros. Logo ele que, em Manaus, é indiferente ao que acontece na cidade, onde que o único ato social que se envolveu foi ser contra a derrubada de uma árvore em frente ao local que mora. E que, existindo escotomizado, como todos os chamados artistas e intelectuais locais, em um Estado em que todas suas decisões não passam por um debate coletivo, dado a indiferença que predomina nesta fálicas forças, não compreende que sua ausência auxilia na irracionalidade dos governos.

Mas Hatoum, que cultua a ilusão da re-cognição, e não aprendeu com Foucault que se escreve para não ter fisionomia, mandou seu panegírico de si mesmo:

Eu, que ando por esse país, observo que os livros do Ministério da Educação estão chegando às escolas e às bibliotecas. Isso é um alento para quem escreve, para quem dá tanta importância à leitura. Mas política pública tem que ser feita no miúdo, nos municípios.

Mas é um absurdo, para não dizer um crime, você não permitir o acesso à leitura a milhões de crianças pobres do Brasil. A política do livro deve ser uma prioridade de qualquer governo. Não há cidade sem leitura.

O Brasil de hoje ainda é desigual e injusto, mas há avanços pontuais que prometem uma mudança futura. Eu sinto falta de uma mudança mais estrutural, ética. Veja o que acontece no Senado.”

Observemos algumas citações rebeldes de Hatoum:

Eu, que ando por esse país.” Em que país Hatoum anda? Se for o Brasil, pior: compromete a si mesmo, já que não é um sujeito atuante. Mas um bom menino cordato para a “crítica” passiva.

Os livros estão chegando nas escolas e bibliotecas. É uma alento para quem escreve.” E para quem lê? Serve? A literatura de Hatoum serve para auxiliar na criação de novos saberes e dizeres dos pobres? Pobre conhece, Hatoum? Hatoum conhece pobre?

É um absurdo, para não dizer um crime, não permitir acesso à leitura.” Acesso a que literatura? Quem deixou de ser escritor para escrever? Quem faz uma literatura de disjunção, como Kafka, Lawrence, etc?

Não há cidade sem leitura.” Toda cidade tem escrita, mas só há leitura quando se escreve sem escritor. Quando a literatura deixa de ser uma mera reprodução da imagem dogmática do pensamento do Estado. Quando ela cria fissura, cortes, dobras, movimentos esquizos, devires-loucos, nada do que Hatoum adesiva como literatura, que ele entende como necessária aos pobres. O que serve aos seus concursos literários segmentados pela lei do mercado.

Falta de mudança estrutural, ética.” Se ele deixar de ser escritor, como pensa Foucault e Deleuze, acontece a mudança e a fundação da Ética como a arte de compor bons encontros democráticos.

No mais, a literatura continua como o que acontece no Senado: a subjetividade do mercado. E tome Jabuti…

O INTELECTUAL MANAUARA E SUA INSEGURANÇA HISTÓRICA

Uns dizem, “tempos de chumbo”. Outros, tempos opressivos. Outros, simplesmente ditadura. Foi nestes tempos em que, em um certo dia, um renomado arquiteto, não amazonense, foi levado à casa de uma família burguesa, para conversar sobre temas variados com alguns auto-considerados intelectuais amazonenses.

Chegando na entrada da sala, onde se encontrava o tal grupo de amazonenses seletos, o arquiteto, ainda em pé, ouviu o anfitrião, burguês, apresentar seus pares. Este aqui é o fulano, musicólogo. Este é o sicrano, poeta. Este, o escritor. Este, o crítico de cinema. Este, o pintor… E apresentou, orgulhoso, a plêiade de amazonenses auto-notabilizados. O arquiteto olhou-os, sempre calado, balançou a cabeça, deu meia volta e saiu da casa, acompanhado por seu cicerone.

Já na rua, o cicerone, perguntou por que saíra. Ao que o renomado arquiteto respondeu: “Diante de tantas sumidades, o que eu poderia fazer lá?”

Um espetáculo deprimente de busca de reconhecimento, onde qualquer sinal de intelectualidade é vista como dor.

Esta semana houve apresentação de tese no Curso de Comunicação da Universidade do Amazonas. Como convidado da mesa encontrava-se o notório e engajado jornalista Bernardo Kucinski. Terminada a sessão de apresentação e comentários, o jornalista foi levado por um professor-doutor do Departamento de Ciências Sociais para conhecer as dependências do ICHL, Mini-Campus. Em indicações e indicações, chegaram na LUA (Livraria da Universidade do Amazonas). Em seu interior, observando alguns exemplares, Kucinski, ouviu do professor-doutor a seguinte exaltação egóica:

— Eu leio quatro livros por semana.

O jornalista sorriu e afirmou:

— Eu não leio nenhum. — E acrescentou. — Eu tenho uma falha na minha formação intelectual: não li quase nada da literatura amazonense.

O professor-doutor, em solicitude de auto-reconhecimento, observou:

— Aqui tem bons livros sobre o tema. — Apontou uns livros, e continuou. — Tem estes livros do Márcio Souza.

Ainda não satisfeito em sua campanha de auto-promoção, o professor-doutor, mostrando um livro, disse que se tratava de um livro escrito por sua ex-mulher com ajuda de material colhido por ele mesmo. Uma auto-promoção pela anulação da ex-mulher. E Kucinski, sempre sorridente.

Quase 40 anos depois, em tempos sem ditadura, o intelectual professor-doutor repete a ilusão da fama de seus amigos diante do arquiteto. Nada lhe serviu ter vivido um tempo brutal, desumano, onde se entende com melhor facilidade que a vaidade é uma desgraça, vazio, que cada vez mais degenera o homem, como diz o filósofo Nietzsche. Um recurso dos que vivem no medo da desaprovação do outro. E, assim, nada constroem.

Quase 40 anos, o professor-doutor, chegando aos 70 anos, continua uma patética sombra de se querer valorado pelos conceitos dos outros. Da mesma maneira que seus antigos amigos. Nenhum momento suspeitou que se os saberes não forem para abrir brechas para fazer brotar o nome, nada nos serve. E que só se lê um livro quando ele é cortado como hecceidade. Como individuação, quando auxilia o leitor em individuações desterritorializantes.

O CAMPEÃO DA MORAL KAKÁ E A AMANTE TORCIDA DO MILAN

O mito do amor eterno se desfaz quando a fascinação, névoa a-filosófica, se desfaz, revelando a má fé dos amantes. O filósofo Sartre, em sua análise fenomenológica/existencial das relações do homem, aponta que o amor, nos tempos do capital, surge como uma relação de tentativa – em vão – de ocultação e escamoteamento da liberdade sob o véu da ilusão do querer do outro.

Assim, numa mesa de restaurante, a mulher sabe bem o que o seu pretendente quer – e não é ela -, mas precisa, a fim de completar a fantasia, necessária ao malogro de si, acreditar piamente que é desejada. O homem, para conseguir realizar o ser escamoteado da moral social que carrega, efeito sem jamais poder ser causa, precisa igualmente acreditar que a mulher acredita estar sendo seduzida. Enganando um ao outro, alcançam o objetivo do malogro e da má-fé: enganam a si mesmos. Apoteoticamente, caem as ilusões e resta a insuportável consequência de uma vida falseada. Às vezes, vivida durante décadas.

Assim a amante torcida do Milan caiu nos galanteios do imberbe Kaká, que hasteou a camisa 22 rossonera na janela de sua casa no início deste ano, quando mostrou que acredita na máxima do capitalismo (todo homem tem seu preço) e balançou diante dos petrodólares do Manchester City. Como o amante, que em meio a mil juras eternas à única amada, não resiste aos negaceios eróticos da outra, Kaká suou mais que Cristo no Gólgota, mas resistiu à tentação (resistiu?). O problema, para ele, na época, foi dogmático-teológico: pecar em pensamento, para a doutrina cristã paulina, é também pecar.

Mas a torcida do Milan (e a imprensa brasileira), embotados que são pelos signos-clichê que carrega o campeão da moral, Kaká, preferiram não ver que o amante ideal, marido perfeito e cumpridor das obrigações celestiais flertou.

Da torcida milanesa, não se esperava muito: quem crê em Berlusconi pode muito bem ser enganado por Kaká, e a mesma torcida que endeusou o clone do Bebeto, hostilizou o zagueiro Paolo Maldini, mais de duas décadas vergando a camiseta do clube, capitão honorário, e que foi humilhado na sua despedida duplamente: pelo Roma, que venceu a partida, e pela própria torcida, que o chamou mercenário. Coisas, certamente, do futebusiness, não do futebol.

Kaká vai para um clube que carrega signos semelhantes a ele: o Real Madrid, profundamente identificado com o ideário fascista da ditadura de Franco, aglutinador da torcida da direita política espanhola, manipulador do mercado da bola a ponto de usar um jornal esportivo da capital espanhola como fonte de factóides a fim de desestabilizar clubes e jogadores (o Kaká luso, Cristiano Ronaldo, que o diga). Não por acaso, José Maria Aznar, o presidente espanhol que enviou tropas ao Iraque, que confraternizou com Bush Jr, e que nos atentados no metrô de Madrid tentou, em vão, manipular as informações em proveito próprio, torce pelo Real, enquanto o atual presidente, Zapatero, de esquerda moderadíssima, torce pelo Barcelona. Kaká, como no Milan de Berlusconi, troca de camisa sem trocar de ambiência. A Europa, que elegeu como o mais votado o próprio Berlusca ao parlamento continental, que o diga.

Kaká, como o bom burguês, o amante da comédia de costumes bem ao estilo burlesco, não faz por menos, e repete o seu papel. Diante da amada traída, afirma ainda a fantasia psicopatológica, e diz que a relação acaba, mas o amor é eterno. São os ossos do ofício, os males do profissionalismo, dirão alguns. Até mesmo o ingênuo Edson Arantes do Nascimento, que como Pelé inaugurou a era dos jogadores marketistas, foi driblado pela sanha capitalística do futebusiness: também ele acreditou nas juras de amor eterno do futuro pastor da igreja Renascer.

Mas se agora se fala em profissionalismo, em necessidade, em modernismo no futebol, onde estava a inteligentsia da mídia esportiva quando Kaká, há pouco menos de seis meses, afirmava não aceitar (enquanto o pai e agente se reunia com os representantes do time anglo-oriental) sair do Milan por dinheiro algum, e que pretendia fazer toda a sua carreira no clube rossonero?

Para esta mídia, nostálgica da virgindade perdida, e eternamente à procura do malogro do amor do capital, e para a torcida milanesa – como de resto, também a torcida merengue, novo alvo dos galanteios do galã imberbe – resta o cancioneiro popular, repleto de loas à mágoa de ser infiel a si mesmo, insuportável consequência das armadilhas que certas existências preparam para si mesmas:

Vá embora,

Pois me resta o consolo e a alegria

De dizer que depois da boemia,

É de mim que você

Gosta mais”.

LULA CHAFURDA NA LAMA AMAZONIQUIM

Na peça As Medidas Tomadas (Die Massnahame), também traduzida no Brasil como A Decisão, de Bertolt Brecht, há uma canção que é constantemente, como muitos trechos do dramaturgo alemão, publicado em livros do poeta Brecht. Inclusive aqui neste bloguinho já o publicamos no texto Lula é uma anta?, quando o amestrado da não-Veja, Diogo Mainardi publicou suas pústulas num suposto livro chamado Lula é minha anta. Enquanto quase todos os bons companheiros diziam “Mainardi é que é uma anta”, a partir do conhecimento cabocal in locus (como gostam os antropólogos) do que é uma anta e do conceito deleuziano/guattaririano de devir-animal, afirmamos que Lula é que é realmente uma anta.

Com quem o justo se recusa a ir à mesa
Se se trata de ajudar a justiça
Que remédio pareceria demasiado amargo
Ao moribundo?

E outra vez esse texto vem ao caso justamente quando Lula está no Amazonas, terra de anta, hoje animal em extinção; mas que, antes da chegada do contrabando e caça predatória, já fora um delicioso assado nas terras do Purus, da qual a unha sempre serviu para ajudar com o entravante reumatismo.

Que baixeza você recusaria cometer
Para extirpar toda a baixeza?
Se você pudesse transformar o mundo, o que
Você não aceitaria fazer?

O Amazonas é governado há praticamente três décadas — e não seria absurdo dizer, desde a invasão européia — pela mesma oligarquia. José Lindoso, Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Alfredo Nascimento, acompanhados sempre de seus pards no Legislativo — como os Lins, da qual Belarmino Lins, o Belão, hoje é o dono da casa —, contando sempre com os mesmos eternos secretários — José Mello, Terezinha Ruiz, entre outros. Não se deve esquecer que todos esses sempre estiveram em palanques opostos ao de Lula tanto no que diz respeito à luta operária e político-partidária. Seria estafante e desnecessário puxar a ficha corrida dessa trupe toda. E eis que agora todos estão com o Sapo Barbudo e não abrem. Alguns, que gostariam que Lula fosse mais seletivo, ficam incomodados. Mas é uma coisa engraçada ver tanta babação, tanta lambança destas personagens grotescas da política amazoniquim, rodeando Lula e Dilma como mosca em doce de cupu.

Quem é você?

Eduardo “Guerreiro de Sempre” Braga, a começar pelo governador, disse que o Amazonas se orgulha de estar ao lado de Lula, “um presidente do povo”, e elencou os vários feitos da ministra Dilma para o Amazonas, entre tantos, a viabilização do gasoduto Coari-Manaus. Ao contrário de Dilma, sabe-se há muito os rastros da quadrilha liderada pelo ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, chega à sede do governo.

Amazonino Cassado ousou fazer cobranças: “Antes a economia era interiorana, quando tivemos o apogeu da borracha. Depois veio o declínio e com a criação da Zona Franca 97% da economia ficaram concentrados em Manaus. É preciso resgatar a população interiorana.” Um docinho pra quem disser quantas vezes Amazonino já foi governador e quantas vezes o Terceiro Ciclo foi realizado. Ele afirmou ainda que Lula é o maior presidente que o Brasil já teve e foi esperançoso: “Presidente Lula, estaremos unidos na próxima eleição sob a sua liderança fazendo do Amazonas uma referência em todo o Brasil”. Além de pilora, Cassado está sofrendo de ‘deslembrança’. E se o TSE cassá-lo num dos dois processos que já se encontram lá, faltando subir mais dois, e ele ficar inelegível?

Na Assembléia Legislativa foi só rasgação de seda, principalmente do presidente Baelão, e, na Câmara Municipal de Manaus, imagine-se que Lula recebeu uma medalha de ouro que leva o seu nome: “A Câmara Municipal prestou um reconhecimento justo a um homem que demonstra ser um grande estadista e está fazendo muito pelo Amazonas”, justificou-se o presidente da casa, Carijó (PTB). E assim vão as favas cantadas e decantadas das peripécias dos ilustres amazoniquins…

Mergulhe no lodo,
Beije o carniceiro, mas
Transforme o mundo.
Ele precisa ser transformado.

Às vezes, achamos, e até já o publicamos aqui algumas vezes, apesar de nosso apreço pelo Sapo Barbudo, que ele dá muitas penas a todos esta politimerdia, como diria o de-compositor Tom Zé, que eles acabam transformando em asas para voar. Mas é certo que tudo que eles dizem que Lula não personaliticamente, mas governante democrático — faz pelo Amazonas é verdadeiro; enquanto governador e prefeito, psicanaliticamente, vão tão somente delimitando o caminho e passando cal por onde a comitiva presidencial irá passar.

Como diz o vereador José Ricardo (PT): “A impressão que temos é que quem governa por aqui é o Lula, e não os governos municipal e estadual”. Ou seja, se houvesse Governo e Prefeituras atuantes, a educação municipal e estadual não estariam entre as piores do Brasil, não haveria toda a buraqueira nas ruas, não faltaria água, energia nos interiores, emprego, as chuvas não provocariam tanta calamidade. Aliás, são estes agentes públicos e, além da corrupção, suas reduções intelectivas que produzem toda essas violentações físicas e epistemológicas na população.

Enquanto isso, Lula, como uma anta, sabe a hora de mergulhar, para boiar de novo em outro lugar, quanto mais agora que Dilma se consolidou como uma parceira, formando uma potência democrática, que vai criando novas formas de relações por onde passa, mesmo em meio a tanta baixeza, lodo e carniceiros, que já não podem interceptar seu movimento.

O BURACO QUE NÃO QUER TAPAR- AS TONELADAS DE ASFALTO DA PREFEITURA DE MANAUS

É sabido da população de Manaus que o prefeito cassado, Amazonino, anda angustiado com a sua possível cassação terminal, já que estar-prefeito, por efeito (para rimar) de uma medida cautelar, e por isso não tem sido visto atuando concretamente de acordo com o afinco que o cargo exige. Diante desta situação, os secretários responsáveis pela administração-cassada recorrem a todo tipo de estratagema de marketing para fazer de conta, diante da população, que tudo ocorre segundo os princípios políticos administrativos de uma cidade.

Neste invólucro do faz de conta, publicidades de todas as formas e matizes são espalhadas nos meios de comunicação e pela cidade. Todavia, uma chamou a atenção do manauara. Um outdoor quase na esquina da Ruas General Glicério com a Leonardo Malcher, trazendo, além do surrado clichê, “Reconstruindo Manaus”, a seguinte mensagem anti-matemática/geográfica: “600 toneladas de asfalto por dia, em 70 dias”. Imaginemos 600 toneladas de asfalto por dia, em 70 dias, quantas Manaus poderiam ser asfaltadas? Que refinaria suportaria tamanha quantidade de produção de asfalto?

Mas que tanta ironia: os buracos continuam dando a ordem do dia em Manaus. Hoje, dia24, foi visto mais um buraco se exibindo no centro da cidade. Ali, na Avenida Getúlio Vargas, como se diz, “confronte o PAM”.

Aproveitando as toneladas, façamos uma sugestão para as crianças que vão participar da Provinha Brasil.

Quantas vezes você asfaltaria a rua em que você mora com 600 toneladas de asfalto por dia?

Os acertadores vão ganhar uma bolsa-estudante da prefeitura-real.

A OBNUBILAÇÃO DA IMAGEM FUTEBOLÍSTICA NA GLOBO

A Globo acredita, equivocadamente, que a câmera é o olho. Guiada pela lógica do lucro, ela crê produzir imagens que seduzem o telespectador-videota, capturando o seu olhar, transformando este olhar no produtor da mais-valia imagética, transfigurada na audiência.

A televisão não é o cinema. O cinema, arte, imagem e pensamento, resolveu a questão do corte imagético do real, problema proposto por uma psicanálise do cinema: cada plano é um recorte do real. O cinema, kinema, resolve isso criando imagens que transbordam o ecrã, corpos afetantes, imagem-tempo, imagem-pensamento. Nada de clichês; estes, são cortes no real e interdições à inteligência, independente do tamanho do plano. Mesmo que ele reproduzisse o olhar em sua amplitude neurocerebral, de 360o, jamais sairia da interdição.

Assim, a Globo se quer produtora do novo, sem carregar os elementos epistemológicos para tal. Ao mesmo tempo em que corta a imagem, retirando dela aquilo que não interessa à sua lógica, ela vende como real a possibilidade irrealizável de exibir tudo de uma partida de futebol. Duas ilustrações, opostas e iguais:

Um: os clubes, a título de exibir na telinha global – como de resto, em todas as outras – o logotipo do patrocinador, passou a realizar suas entrevistas tendo como pano de fundo um padrão de imagem seriada com o dito logotipo, geralmente em dupla com o escudo. A Globo inventou o superclose, que mostra até as rugas das rugas dos entrevistados, a fim de não exibir a parede de fundo. Lance de resposta dos clubes: o microfone, item indispensável à capturação da imagem do falante, posto que está à frente do rosto, carrega o logotipo. A globo já acena com mostrar apenas parte do olho, da boca, ou mesmo um plano longínquo, usando para tal o recurso telemático de borrar as imagens indesejadas. Corte perceptivo.

Dois: na partida entre Flamento e Botafogo ontem, pela final da Taça Guanabara, o repórter, muito saltitante, entrevista um jogador do rubro-negro, e mostra-lhe uma pequena tela, donde, afirma ele, é possível capturar as imagens da tevê digital, na qual o jogador, no intervalo, caso faça um gol, poderá vê-lo. Microfone de volta ao locutor, este decreta, muito solene, o fim do radinho de pilha nos estádios, e prevê que em breve as pessoas levarão suas pequenas tevês aos estádios para assistir aos jogos.

Duas obliterações da imagem: sem referencial no plano do real, e sem os elementos de diferenciação formal e de conteúdo, necessários para que o aparelho neurocognitivo a forme como representação mental, a imagem desaparece. Quando a Globo castra a imagem em nome do lucro, e faz desaparecer o fundo, automaticamente destrói a figura. Quando, ao contrário, pretende fazer prevalecer a ilusão de que o torcedor-consumidor verá “tudo”, igualmente faz desaparecer a imagem. A imagem na telinha obnubila o estádio, os jogadores, o árbitro, o gol. Se a imagem da tevê é o hiper-real futebolístico, câmera-corte epistemológico que mutila a visão do jogo real, o que dizer de um torcedor que vai ao estádio, mas prefere levar consigo o seu seguro e imóvel olhar amestrado, videota da pelota? O hiper-real nunca foi tão hiper, e o torcedor que nisso crê nunca foi tão “torcido” na sua inteligência. Dupla censura. Duplo corte, desaparecimento do real. Sem real, não há imagem. Sem imagem, o que resta?

Nem mesmo um indiferenciado. A Globo, como de resto todas as emissoras de tevê, praticam uma antipedagogia do olhar: pobres dos torcedores que não têm tevê! Não; pobres dos torcedores que precisam da tevê. Pois nela não se vê.

PATOLOGIA SOCIAL SE EVIDENCIA NOS IRMÃOS SOUZA, SEGUNDO DEPOIMENTO DE ‘MOA’

O capitalismo, em sua organização semiótica, suas relações de força e de tensões, é um regime patológico e produtor de patologias. Sobretudo as de caráter psiquiátrico. O modo de produção que exclui a diversidade e captura as produções semióticas, submetendo-as à sua lógica paranóide produz no social determinados tipos de comportamentos absolutamente nocivos à coletividade, e que são tomados muitas vezes pela psiquiatria como patologias individuais, mas que na realidade são sintomas de uma sociedade produtora de doença.

Ao tomarmos como matéria de observação os depoimentos do ex-segurança dos irmãos Carlos (vice-prefeito de Manaus, sub judice) e Wallace (deputado estadual) Souza, que construíram carreira através de programas televisivos de exploração da miséria social, Moacir, o ‘Moa’, preso pela polícia federal por tráfico, percebemos a patologia social se manifestando e se evidenciando, a despeito das tentativas midiáticas para ocultação, incluindo aí a estreiteza intelectiva sempre presente no analismo político de jornais e programas de tevê.

Moa teria afirmado, segundo trechos de depoimentos que foram disponibilizados à imprensa, que o filho de Wallace, Rafael Souza, já indiciado em mais de 12 processos na polícia civil, e investigado pela PF, tem ligações íntimas com o tráfico, e esteve envolvido nas últimas execuções de traficantes na cidade. Ele sustenta ainda que Rafael não age sem prévia assunção do pai.

Interessa-nos, do ponto de vista de um exame do grau de periculosidade social deste tipo de enunciação, sublinhar a linha de atuação dos irmãos Souza em seu programa, para compreender que a questão é ainda mais grave do que a existência de parlamentares envolvidos diretamente com o crime organizado.

No início do programa, o viés policialesco – que não é invenção dos dois – suplantou o da exploração da miserabilidade econômica, a compaixão social, também uma espécie de patologia do capital. O policialesco evidencia, neste caso, o patológico, na sua vertente individual (quando se perde o contato com o real e já não há suporte epistemológico, desaparecendo o si e o outro):

No início: o acompanhamento de batidas policiais, plantões em delegacias, exposição de presos e detidos ao escárnio televisivo. Evidência do uso dos próprios medos como suporte a um mundo circundante tomado como ameaçador. Assim, por exemplo, a criança que não obteve o suporte necessário ao estabelecimento de afetos e sua distribuição na relação com o outro, acaba compondo com outras instâncias como a Lei, a Ordem, elementos abstratos de garantia e segurança ficcionais, do plano da fantasia. Para ocultar o medo, travestem-se de corajosos. Mas ainda estão no plano do real, ainda elaboram os signos no plano do real.

A busca pela audiência: houve um ponto em que essas incursões “evoluíram”, e os irmãos Souza – com a conivência do governo do Estado – passaram a realizar eles próprios batidas policiais, sem no entanto possuir o poder de polícia. Daí, passar para a famosa frase “permissão para matar”, prática a que se refere Moa em seus depoimentos, quando afirma que o programa era justificativa e se alimentava de casos de traficantes presos e mortos, na realidade, concorrentes dos Souza. Aqui as engrenagens do capital se coadunam com as patologias sociais. A máquina de corte do lucro compõe com a máquina de corte (in)desejante. Jamais, sem um suporte de outras instâncias do poder público (não falamos aqui de omissão, mas de participação ativa), dois apresentadores de tevê, plantonistas de porta de delegacia, conseguiriam status de comando, não de direito, mas de fato, das polícias. Sem a participação do executivo, estadual e municipal, do legislativo e do judiciário, os irmãos Souza jamais conseguiram chegar ao grau de envolvimento com os chamados poderes de estado que ora têm, um vice-prefeito, um deputado estadual e um vereador.

Simulacros e Simulações: eles passam a simular crimes e ameaças, como um sequestro, no qual Wallace Souza oferece o filho, Rafael, para troca de reféns, e que na realidade não existiu. No plano da satisfação do delírio tanático/paranóide, o real já não satisfaz. Não se trata aqui de mera busca pela audiência, mas de realização do ideal paranóide: a aniquilação do real.

Desterritorialização do Real – O Significante Despótico: no programa, as cenas são cada vez mais grotescas. Execuções, corpos dilacerados, um inimigo agonizando durante dois minutos, em pleno horário de almoço na tevê amazonense. ‘Moa’ afirma que os dois minutos do inimigo agonizando exibidos no programa faziam parte de uma filmagem em que ocorreram dez minutos de tortura, todos filmados pela equipe dos Souza. Rafael costumava colocar a fita e assistir por vezes seguidas, afirmando que a cena lhe dava profundo prazer. O desaparecimento do real no plano psiquiátrico se evidencia, a patologia se estabelece. O hiperreal se estabelece. A telinha cor-de-sangue engole a família Souza.

A questão; como é possível que toda uma estrutura de governo seja mobilizada por interesses patológicos de ordem psicopática? Não devem faltar, convenhamos, pontos de conversão. Ou como afirma a sabedoria popular, travestida em frase-clichê do cinema hollywoodiano: não se fica rico sem deixar para trás um armário cheio de cadáveres e uma turma de comparsas.

Nenhum estupor ou surpresa se justifica no caso dos irmãos Souza. Menos ainda, suspeitas de envolvimento de instâncias ainda superiores. Na máquina de corte semióticos do Capital, as patologias se compões, em iguais. O caso é muito mais grave do que quer parecer os inúmeros inquéritos e processos arrolados. Trata-se da evidência de uma estrutura de governo infiltrada no Estado, e que o confirma como patologização da existência, num plano onde a política como práxis do homem em coletividade é apenas um espectro, sem nada guardar com o seu objeto real.

A SECRETÁRIA DA SEMED, TEREZINHA RUIZ, NÃO FOI DEMITIDA

O filósofo Baudrillard diz que todo sistema cria um “princípio de equilíbrio, que se mantém por suas trocas” relativas aos valores, as causalidades, e as finalidades sob regras duais do bem e mal, verdadeiro e falso, o signo e seu referente, e sujeito e objeto. Quando esse princípio de equilíbrio é abalado, ocorre o cataclismo: os homens não sabem como se orientar no mundo. Ou, particularmente, em seu mundo.

Com a cassação do “prefeito” (aspas em virtude da medida cautelar que lhe sustenta) Amazonino pela magna juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, aquilo que era para ser um “princípio de equilíbrio” da administração pública municipal, passou a se mostrar como uma cataclismo baudrillardiano. A gestão que teria um equilíbrio legal com suas regras de trocas, tornou-se um “faz de conta”. Cassado em primeira instância, e sob ameaça de a qualquer momento ter a sentença definitiva que lhe afastará de vez do indicativo “prefeito”, Amazonino, não se aventurou a arriscar uma performance administrativa a ponto de seus atos serem tomados como reais.

Em meio a abolição do sistema como “princípio de equilíbrio”, portanto coberto pelo véu da obnubilação do indefinido ameaçante, a sua administração não poderia apresentar a lógica coesa das nomeações democráticas. O que significa dizer, que todos seus secretários, também, encontram-se na ordem do cataclismo, por isso atuam no “faz de conta”. O que leva a população a não ter como designação real quando é anunciado mais uma nomeação, ou mais uma demissão de membros de seu secretariado.

Daí que, como não existe nomeações, não existem demissões. O fato é tão da esfera fragmentária do supra-real, que não dá nem para qualquer secretário adaptar, para si, a frase do ministro da educação, na ditadura, Eduardo Portela, que disse: “Não sou ministro, estou ministro”. Ninguém pode estar (do filósofo alemão, Heidegger) sem que não tenha uma procedência ontológica. O que até os alunos do curso de filosofia da UFAM sabem.

Desta maneira, a eterna secretária de educação do grupão da direita, Terezinha Ruiz, não foi demitida, já que jamais fora admitida.

ELEIÇÕES NA UFAM SEGUEM RUMO NORMAL DA DIREITA

As eleições para Reitor da Universidade do Amazonas realizadas ontem, dia 2, transcorreram em clima de total candura como só ocorre nas normalidades das proposições de direita.

Levadas ao segundo turno, com as eleições dos candidatos Márcia Perales em primeiro lugar, que é apoiada pelo atual reitor, que reduziu o sentido de gestão universitária às concepções rígidas das tecnologias e estatísticas (quantos cursos você criou em sua gestão? Eu criei mais), e Nelson Fraiji, médico, que já foi reitor também, com concepção tecnicista produzida pela rigidez do pragmatismo norte-americano, embora tenha sido apoiado pelo PCdoB (e daí?), o sentido de universidade não escapa nada que possa se apresentar com uma possível mudança na concepção do que pode ser uma universidade. Nada relativo às idéia Universitárias de um Kant, um Schopenhauer, um Derrida, e muito menos um Foucault/Deleuze.

Se na primeira eleição para Reitor realizada pós-ditadura com o médico Marcus Barros elevado à condição de reitor, a Universidade Amazonense apresentou uma gestão também presa nos números, sem qualquer preocupação em mudar a subjetividade seca dominante em seus territórios, nas eleições deste ano, a indiferença política que sempre teve presente no Campus, se mostrou altivamente como a força reativa dominante de todos os quadrantes da UFAM. Não é a toa que existe um número grande de estudantes que já no primeiro período de seus cursos se encontram anemizados pela subjetividade reativa que lhes ataca impiedosamente, e quando não abandonam seu cursos, passam a freqüentar suas instâncias como zumbis que perambulam desesperados esperando que o tempo corra célere para chegar o dia em que não terão mais que participar do ritual macabro dos saberes-imóveis.

Todas as chapas apresentadas aos eleitores, como já foi confirmado, confluem para a mesma semelhança de um programa reacionário. Seja quem venha a ser eleito, a UFAM, estará mal servida como instituição transformadora e produtora poiética de saberes moventes, dado o grau de entrelaçamento nocivo infectoepistemológico que passou a dominar seu organismo. A força retrógrada da direita.

OS CONCEITOS “RECONSTRUINDO” E “FORMA LEGAL” NA GESTÃO CASSADA

O sistema capitalista é o produto da transformação da experiência objetiva do capitalista em fetiche. Em outras — ou nas mesmas — palavras, a abstração da mercadoria, extraída da força de produção do trabalhador como alienação transfigurada em lucro. Um “absurdo”, como sentenciou Marx.

Isto faz com que o capitalismo, como sistema, tenha como seu organismo de sustentação um princípio de valores sem suporte real. Uma inconsequente abstração sem relação sujeito e objeto produtivo. Mas tão somente fetichismo: o objeto reificado em uma idéia que o oculta e é tomada como construção social. Daí que, como fetichismo, os problemas que a sociedade capitalista põe ao homem são falsos problemas. O que torna este homem, na busca das soluções, uma simulador. Como os problemas e as soluções são falsas, a sociedade capitalista é doente: o homem é uma abstração.

Então cabe à dialética social “apropriar-se da matéria em pormenor, analisar todas suas formar de desenvolvimento, e encontrar os seu elos internos” (Marx), para, assim, realizar a desconstrução fetichista em que está envolvida a matéria. E então construir o mundo objetivo real à experiência e ao conhecimento. O fim da abstração.

Desconstruir é apanhar as falsas proposições do capitalismo em todos seus encadeamentos, que em seu conjunto se apresenta como construção representativa, e tentar, “pacientemente”, com novos signos-disjuntivos, liberar as forças aprisionadas que no exterior são travestidas de necessidades pelo capitalismo, para torná-las forças produtivas. Pois, fora do método social da dialética, o mundo permanece abstração.

A ABSTRAÇÃO DA GESTÃO CASSADA

Observando em geral as manifestações das enunciações políticas e publicitárias, a maior parte da população entende que é muito difícil encontrar aí vida inteligente. Se o Brasil dependesse dos arroubos intelectuais/criativos destes profissionais, sua história seria muito prior. Peguemos o que nos mostra a gestão, em Manaus, da “nova prefeitura”.

Com quase três meses de empossado, em função de uma medida cautelar, pois fora cassado em Primeira Instância pela ilustríssima juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, a gestão auto-denominada de “nova prefeitura” de Amazonino, convivendo com a angústia de a qualquer momento ser afastada definitivamente do cargo municipal, e, ao mesmo tempo, tendo que apresentar respostas ás indagações administrativas da população, usa como recurso, a mais escabrosa técnica de persuasão coletiva: o marketing. Para isto, usa os chavões “reconstruindo” e “forma legal”. O fracassado método de denegrir o outro para tentar ser tido como importante. É aí que a “nova prefeitura” mostra suas veias em estases: paralisia do sangue administrativo.

SOBRE O “RECONSTRUINDO”

Dois entendimentos — Um entendimento. No entendimento senso comuníssimo, que é da ordem demagógica, reconstruir é sempre sobre o que foi desconstruído. Logo, reconstruir com o mesmo modelo. Dar continuidade. Ou seja: nada de novo. Aqui, a “nova prefeitura” está somente simulando o novo com seu marketing. Outro entendimento. Este é da ordem do novo. Para reconstruir é preciso desconstruir a estrutura antiga para fazer emergir uma nova, como dizem os filósofos marxistas da Escola de Frankfurt. Aqui, a gestão Serafim revela o engodo da “nova prefeitura”. Como Manaus foi tomada durante décadas pelas gestões da direita, e sendo Serafim, prefeito da gestão passada, do PSB, ele teve que desconstruir as estruturas fetichistas que predominavam na administração pública de Manaus para revelar, pelo menos em partes, o novo. Síntese da obra ficcional: A “nova prefeitura” está realmente “reconstruindo” Manaus: está recorrendo ao velho modelo que Serafim desconstruiu.

SOBRE A “FORMA LEGAL”

Dizem os psicólogos da Gestalt que a forma é o que salta do fundo como conhecimento. A lógica da figura/fundo para o homem conhecer e criar o seu habitat natural e social. A forma como potência poiética. Nada que exista em marketing. Portanto, a forma do marketing da “nova prefeitura” é um espectro.

Quanto ao legal, dizem o juristas que são as normas que direcionam os homens em sociedade para suas atitudes de direito. Como diria o filósofo Platão: a justiça como justo. A “nova prefeitura” sentencia “forma legal” como uma claríssima alusão que a administração Serafim não foi legal. Digamos que não seja isto. Então saltam duas morais: a que servia a Serafim, e a que, agora, serve à “nova prefeitura”. Como no Estado não existem duas justiças sociais, uma das duas não é justa. Ou então confirma-se o objetivo persuasivo do marketing: o blefe. O que faz do blefe na administração pública um ato ilegal. Vender o que não existe, e ainda comprometendo a honra de outro. No mínimo do mínino jurídico, dá Procom. E coletivo.

É bem provável que todo este desconforto administrativo tenha sua causa principal no entendimento do que seja democracia constitutiva. A democracia em que as potências do povo são quem constrói a cidade. A polis dos desejos coletivos, onde não há espaço para o fetichismo social e nem o blefe publicitário.

DO FARDAMENTO COMO MARCADOR DE PODER

Diferentemente do imperativo hierárquico da Idade Média, as formas de dominação na modernidade funcionam por uma marcação milimétrica e minuciosa do espaço e do tempo para subjugar o corpo. E, como ensina Spinoza, aquilo que ocorre ao corpo se estende à alma. Um dos detalhes utilizados tanto para incluir uns quanto para excluir outros é o fardamento. Através dele se decide quem pode entrar, sair, dar ordens, realizar determinadas atividades, etc. As justificativas para a rigorosidade no traje nas instituições são, geralmente, as mais absurdas. Por exemplo, nas escolas é para diferenciar quem é aluno e quem não é por medidas de segurança. E quase sempre, quanto mais rigorosa sua atenção, este expediente numa instituição funciona para maquiar, criar um rosto belo e encantador onde existe apenas vazio, insegurança, simulação.

NUMA ESCOLA DE MANAUS

Um exemplo desse tipo de cuidado excessivo com o fardamento vem sendo denunciado neste bloguinho intempestivo por pais e responsáveis de alunos da Escola Estadual Ernesto Penafort. Segundo eles, hoje pela manhã, ao levar os filhos para a escola, cerca de 80 crianças foram barradas na entrada devido à calça comprida que trajavam. Segundo o vigia e outros funcionários, a ordem da diretora da escola, Graciete Simão, era somente permitir a entrada dos alunos trajando calça comprida jeans azul ou preta. Segundo pais, o rigor era tão forte que se a calça tivesse algum outro tipo de coloração — um pouco esverdeada, um jeans envelhecido, arroxeado, etc — não era permitida a entrada, parecendo-lhe um critério na verdade muito abstrato. Segundo pais, havia uma dificuldade dos funcionários em verificar a cor de calça de determinadas crianças, que, embora estando totalmente dentro dos critérios adotados, foram impedidos de entrar. Outros dizem que, sabendo-se a dificuldade de se encontrar em lojas de Manaus calças jeans as mais básicas possíveis, será difícil enquadrar as crianças no fardamento exigido na escola.

Detalhe, as crianças estavam todas usando camisa de farda “comprada” da escola. Algo comum em Manaus, onde, mesmo sendo obrigatória a distribuição de fardamento gratuito na rede pública de ensino, as escolas adotam outra farda “particular” para diferenciar-se notoriamente das outras.

Depois de acalorada discussão no portão da escola Ernesto Penafort, na qual os pais e responsáveis presentes acusaram a direção da escola de “irresponsabilidade”, “abuso de poder” e “discriminação”, somente quando um grupo de mães, indignadas, resolveram derrubar o portão foi que o acesso das crianças foi permitido. Uma das mães filmou a ocorrência, e os pais pretendem organizar-se e fazer denúncia formal da situação. Segundo eles, amanhã estarão preparados novamente pela manhã à frente da escola.

Como quase todas as escolas de Manaus se avultam entre as melhores do estado do Amazonas, a escola Ernesto Penafort há muitos anos se autointitula entre estas. Enquanto isso, o Amazonas vai garantindo a lanterna do Enem, enquanto esse rosto mascarado, formado por detalhes como fardamento, esconde a fraude de um sistema educacional defasado e inconsistente. Como diria Michel Foucault, o poder é muito frágil, por isso ele necessita de uma infinidade de nós para se manter, mas qualquer sopro pode fazer desmoroná-lo.

O FASCISTA BERLUSCONI SIMPLIFICA AS PALAVRAS POVO E LIBERDADE

A Itália é um país que, politicamente, é fácil de se compreender. Sempre criou forças democráticas historicamente capazes de influenciar alguns países da Europa. Entretanto, ao mesmo tempo em que se configura como forças não consegue fazer emergir estas forças permitindo ser ocultada pelas armadilhas místicas/capitalistas dos grupos reacionários. Constatação: a configuração do fascismo.

Desta maneira, vista pela crítica política, a Itália é um país de esquerda, só que sofre de uma síndrome que se manifesta com grande vigor no momento em que é convocada a se constituir poder. É neste momento que a potência democrática/socialista/comunista carregada pelos filósofos, intelectuais, artistas, cientistas, professores, operários, todos anti-fascistas, se separam pelo fator “minha idéia é mais adequada”, e a direita aproveita e faz a festa. Assim, a esquerda na Itália tem se mostrado nestas últimas décadas o elemento político construtor da hegemonia da direita fascista.

É neste constante andante de ruptura desnarcisada das esquerda que um fascista como Berlusconi esparge seu dom de canastrão do universo da desrealização do mundo. Desta maneira, dando seqüência a este dom, ele invade palavras originariamente políticas e as simplifica, vampirizando suas potências sociais, transfigurando-as em semiótica esvaziada de qualquer sentido político. Aí está ele como presidente do novo Partido do Povo da Liberdade. Misto de dois partidos fascistas, o seu, Forza Itália, mais o Aliança Nacional.

Povo e Liberdade, duas práxis historicamente políticas, transfiguradas em uma alusão linguística vazia. Duas quimeras. Visto que não possuem essência como vivência multitudo, povo, como afirma o filósofo italiano Toni Negri, e nem existência, como engajamento político das classes trabalhadoras representantes produtivas do povo.

Diante de uma esquerda romantizada e rivalizada, o fascista chefe do governo italiano, Berlusconi, faz das palavras Povo e Liberdade dois signos vazios suficientes para usá-los como simulacros democráticos facilmente casados com as colorações de seu show delirantes.

E neste realismo fantástico da política italiana, onde a esquerda é tão somente coadjuvante, a crítica socialista não aceita a jocosidade reducionista: enquanto Berlusconi debocha, a esquerda se afrouxa. Mas sim, em Povo e Liberdade, Berlusconi não é verdade!

XUXA TEM ORGASMOS ENTRE DUENDES E BAIXINHOS

O homem, em sua fantasia hedonista (do grego, prazer) sexual, sempre sentiu que não anda muito bem com essa coisa chamada de volúpia genital. Para tal, inventou mil estratagemas sensuais para ver se conseguia o tão cantado e decantado gozo confortante e reconfortante da matéria erótica.

Mas um dia apareceu um tal de Freud e afirmou que estava difícil a liberação orgástica tal a repressão moral imposta pela tirania patriarcal/judaica/cristã: negação da carne. Em outro dia, para piorar, apareceu um tal de Reich com uma teoria do orgasmo fundado em uma couraça muscular e mais a força cerceadora do capitalismo, que rouba o prazer do homem através da anulação de sua força de produção. O necessário para impossibilitar orgasmo. Nada de alívio sexual: não dá para gozar no pecado, e muito menos tendo sua força de produção alienada. A condenação da igreja e do capital. Ambos com um único objetivo: transformar o infortunado sexual em escravo produtivo para seus propósitos. Um, extra-terreno e, outro, exclusivamente econômico.

O certo é, ou errado, que tanto Freud, como Reich/Marx acreditaram que o orgasmo só é possível em alguém livre. Alguém em que as forças repressoras místicas/míticas e econômicas não interferem em sua saúde produtiva. Alguém cuja paranóia castradora dos pais, e ditos educadoras, não foram suficientemente eficazes a ponto de inibir o jogo erótico do orgasmo. Alguém que, como bem disse Reich, carrega a força da saúde realizada no trabalho e no amor.

OS ORGASMOS DA XUXA COM UM DUENDE EMBAIXO DA CAMA

Eis que a rainha dos baixinhos, no auge dos seus 46 anos, afirma em programa de televisão que já viu um duende embaixo de sua cama, ao mesmo tempo que confessa ter orgasmos múltiplos.

Os duendes são entes imaginários nascidos e provenientes das florestas européias, principalmente da Baviera, que habitam os contos de fadas. São entidades graciosas para as crianças brincarem com suas imaginações férteis. O que significa que os duendes nunca são atualizados pelo pensamento como entes reais. Jamais saem da fantasia do princípio do prazer freudiano. Como é gostoso brincar de roda!

Quanto ao orgasmo, como é um fator de matéria genética/biológica/genital, quase sempre é confundido, nas mulheres, com viração de olhinhos acompanhada de gritinhos nervosos e, no homem, com ereção e ejaculação. Nunca com o que realmente é: revolucionário. Daí porque muitos não o vivenciam e muitos tem dele o maior pavor, pois trata-se de fator da natureza e da ordem da turbulência. Da declinação e do choque no espaço do Clinamen.

Assim é que, em meio aos duendes e baixinhos, muitos pais afirmam que tiveram seus filhos no compromisso sagrado do amor. Ejaculou no período fértil da fêmea, ela engravidou, depois nasceu o filho sacramentado. Mas os duendes são da mulher e do homem produto fictício cultural. Da mesma forma que os programas de TV que assaltam o genético e o democrático das crianças.

Então lá vai Xuxa entre duendes, fadas, e baixinhos contando frêmitos de seus suspiros/fálicos orgásticos, sem nunca desconfiar que para ter orgasmo no capitalismo é preciso transformar João e Maria em seres reais que caminham nas superfícies tórridas dos asfaltos das urbes.

ROBÔ-MODELO ANUNCIA FIM DO IMPÉRIO DAS MODELOS

Os cientistas japoneses presentearam o mundo da moda com uma robô modelo que, além de andar, mexe os olhos, fala, e demonstra sentimentos(?). A robô-modelo abriu o desfile mundial de moda no Japão encantando os presentes com seus movimentos muito bem planejados e teleguiados.

Como a profissão de modelo é uma das mais desativadas (o profissional assim é, por seu grau de ausência ontológica) da sociedade de consumo do sistema capitalista, visto que ser modelo é sofrer no psicodélico paraíso da moda sem direito aos princípios integrais do sensual, do intelectual, o clone, robô-modelo japonês não vem acrescentar nada no império da moda. A não ser tornar evidente o que já se sabia: que um modelo, como um mero ente carregador dos signos vazios da moda, não existe como um corpo-sexual. Mesmo que a propaganda simule sua existência no momento do desfile. Nenhuma nota do sexo se manifesta. Nada em uma modelo salta como sexualizado, dado sua precípua função de se tornar ausente sob a peça que finge mostrar.

A Bioenergética do psiquiatra Reich — descobridor da couraça muscular, ponto de tensão onde a energia do corpo é contraída —, mostrou em seu conceito de corpo traído, o estágio esquizóide bem visível na maioria das modelos: cabeça caída sobre o pescoço, e os olhos distantes. Uma posição superior do corpo que se evidencia mais pelo deslocamento dos quadris. O robô-modelo não desloca os quadris, mas carrega a mesma ausência espaço temporal, e o mesmo olhar perdido em profundidade, das ditas modelos de “carne e osso”.

O filósofo da “Troca Impossível”, Baudrillard, em seu conceito de “crime perfeito”, onde prevalece a igualdade como vazio total, em que não existe testemunha de nada, já havia nos apresentado essa realidade virtual que engolia — engoliu — o mundo real. O que ele disse é que todos são replicantes. No caso das modelos, a replicância é mais visível. Se Gisele B. desponta é só pela força sedutora do marketing, pois ela também faz parte do comando replicante, agora tornado público pela robô-modelo que anuncia o fim do império das modelos simuladas de “carne e osso”. Quando do “osso” e da “carne” só havia o espectro, agora revelado pela ‘amiga’ robô-modelo japonês.

Para quem duvidar, dar uma olhada no cinema de Chaplin.

TRÊS NOTAS CURTAS DO MICROFASCISMO ANTIFUTEBOLISTA

QUANDO A BOLA MURCHA, O CORPO SOCIAL PADECE

O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, mostrou o quanto entende de futebol ao tratar sobre uma partida do campeonato paulista em que o tricolor enfrentará o São Caetano. O time interiorano quer transferir a partida para a cidade de Presidente Prudente, e o cartola tricolor “ameaçou” colocar os juvenis do clube para jogar a partida. Juvêncio afirmou que o time prioriza a Libertadores, e que não coloca os juvenis “em respeito ao torcedor, à mídia e às empresas que investem dinheiro”. Faltou falar do (des)respeito aos futuros profissionais do clube, que são usados como arma de vingança, evidenciando o aspecto mais marketista do que futebolista do clube. O “patrão” Juvenal, com sua atitude, além de evidenciar a ignorância sobre futebol, comete assédio moral, já que deprecia a qualidade ou o trabalho de seus subordinados. Caso para para a Delegacia Regional do Trabalho paulista. Ou o time juvenil do São Paulo é tão ruim quanto o adulto?

O Corinthians também anda usando técnicas de marketing de guerra para sobreviver no deserto futebolístico brasileiro. Mas o alvinegro paulista, diferente do irmão siamês tricolor, não ameaçou: já colocou em prática o seu plano antifutebolístico. O clube anda cobrando “couvert” artístico para colocar Ronaldo em campo. Contra Itumbiara e Palmeiras, foram 450 mil reais a mais nos cofres, graças à presença estática do ex-jogador em campo. Mas do que um sintoma de que no futebol brasileiro, fala-se de tudo, menos de futebol, a atitude é no mínimo engraçada. Resta saber se a atração bisonha vai arrastar multidões curiosas com o inusitado mais tempo do que o artista da fome de Kafka… Na ficção, o artista foi substituído por uma pantera. E no hiper-real, quem substituirá o artista do fastio futebolístico?

Restou à psicanálise explicar porque meandros a homossexualidade latente, o desejo refreado e interdito pela Lei e pela ordem da moral social, se manifesta inconscientemente no plano consciente. A homofobia é um deles. Bate-se num homossexual não pelo ódio ao outro, mas pela impossibilidade de suportar a homossexualidade mal resolvida em si. O futebol, que pode ser entendido como uma sublimação dos investimentos libidinais homossexuais, já que promove a confraternização entre homens tendo a bola como efêmera justificativa, não por acaso, é palco-mor da homo e da xenofobia. Assim, o machão, machinho, machasso técnico do Figueirense, de Santa Catarina, Roberto Fernandes, usa um vestido cor-de-rosa como método (anti)pedagógico de punição. O jogador que treinar e apresentar baixo rendimento deve usar durante todo o dia um vestidinho rosa, e ser vítima de achaques e chistes de seus colegas. Considerações analíticas à parte, trata-se de uma evidência de estreiteza epistemológica. Fosse em uma escola, seria passível de processo. Já que se trata de futebol (tratar-se-á?) a questão é de ordem intelectiva: ou como afirma o ditado popular dos tempos de guerra: amedronta o inimigo com aquilo que a ti causa pavor.

KAKÁ E O MANCHESTER CITY: TODO HOMEM TEM SEU PREÇO

Reza um velho ditado do capitalismo, e talvez anterior a ele, que todo homem tem seu preço. Se o ditado é anterior ou não ao modo de produção do capital burguês, não sabemos, mas que o enunciado expõe de maneira inequívoca o seu funcionamento, isto é certo.

No capitalismo, os objetos valem menos pelo seu valor enquanto utilitários à existência humana em coletividade do que pelas flutuações da necessidade coletiva em função da sua demanda. De forma que os objetos, transmutados em mercadoria, se equivalem, ainda que em sua funcionalidade sejam incompatíveis.

Não apenas os objetos mais usuais, mas praticamente tudo o que pode ser alienado acaba por se transformar em mercadoria. A força de trabalho, por exemplo. As crenças, o chamado caráter, a moralidade individual, tudo, pela ótica do capitalismo, pode ser comprado. Incluindo Deus.

A CÉSAR, O QUE É DE CÉSAR

O craque santificado e futuro pastor da Igreja Renascer, do casal presidiário Sônia e Estevam Hernandez, meia do Milan, Kaká, vem sendo sondado desde o início da temporada pelo Manchester City, time inglês turbinado pelo capital oriental do Sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, para fazer parte do elenco do clube. Nahyan, em termos de dinheiro, deixa o multibilionário russo Roman Abramovich, com seus 2 bilhões (perdeu 16 bi na queda das bolsas de valores no ano passado) muito para trás. Desde que comprou o bibelô futebolístico, o sheik tem tentado comprar o meia brasileiro.

Na primeira tentativa, a negativa do santo craque: o Manchester City é time pequeno, não tem estrutura para disputar títulos e nem projetar seus jogadores aos prêmios internacionais. Kaká desdenhou. Como prêmio de consolação, Zayed comprou Robinho, que saiu do Real Madrid sob uma chuva de moedas.

Na segunda tentativa, semanas atrás, o sheik ofereceu 120 milhões ao Milan, que lavou as mãos e disse que aceitava. Kaká, mais uma vez santificado pelo espírito santo da dupla Hernandez (condenada por fraude fiscal), afirmou que dinheiro não importava, e que não trocaria um time com projeto a longo prazo por uma aventura em um time que está namorando a zona de rebaixamento da Premier League. Prefere ser campeão da Champions League e eleito o melhor do mundo, e não o conseguiria a curto e médio prazo no City.

Na terceira tentativa, esta semana, Kaká balançou. O Sheik ordenou que as bombas petrolíferas fossem colocadas a todo vapor, e ofereceu US$ 150 milhões ao Milan (Berlusca já falou que topa…), além de mais de R$ 1 milhão por semana ao craque de Deus (US$ 500 mil).

Kaká, que não é Pedro, não esperou o cantar do galo e nem negou a seu deus pela terceira vez. Deve arrumar as malas e mudar-se da glamourosa Milano para a operária Manchester, tendo ido o pai à frente para fazer o trabalho de receber as 30 moedas, com juros e correção monetária. Não, Kaká não traiu o Milan, que está mais interessado nas verdinhas que entrarão e poderão ajudar o clube a arrumar a defesa modelo anos 80 que ainda exibe. Mas arranha, para quem ainda acreditava, a sua imagem sacrossanta de pureza.

Segundo o evangelho de Lucas (16, 12): “ninguém pode servir a dois senhores, porque odiará a um, e amará o outro, ou se prederá a um e desprezará o outro. Não se pode servir a Deus e a Mamon”. Mamon, para quem não sabe, era o deus da riqueza dos Sírios, feito todo em ouro e prata. Parece-nos que este versículo não consta da versão Hernandez da Bíblia.

Contradiz também a fala de Pelé que, na semana passada, pediu que Kaká continuasse como ídolo do Milan. No entendimento do Rei, a mudança constante de jogadores de um clube para o outro, em ritmo mais frenético que porta de motel em época de carnaval, prejudica o futebol, pois não permite que as crianças criem um vínculo com o clube e seu ídolo. Pelé levou um drible do futebusiness se realmente acredita nisso.

Kaká, que não é Pelé, muito menos Maradona, já não fala em Champions League (a não ser, como afirma a reportagem do periódico espanhol El Mundo Deportivo, para solicitar um acréscimo no pagamento como consolo por não disputar a taça), e muito menos em projeto a longo prazo. Projeto, só mesmo o da independência financeira dele, que pretende ser pastor quando se aposentar. Bom saber que, na sua trajetória, já está aprendendo a construir o reino de Deus na Terra.

Enquanto isso, Cristo só…

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…”

(Liberdade, do poeta lusitano Fernando Pessoa)

Próxima Página »


Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Você quer um corte de cabelo para completar o seu corpo ativo vá ao SALÃO DO SOUZA, o cabelereiro do executivo. Rua Rio Javari- Vieiralves

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
SORVETERIA SEMPRE FRIO (Todos os dias, na Praça de Alimentação do Dom Pedro).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Efeitos Justos para Suas Causas.
ADVOGADO ARNALDO TRIBUZY - RUA COMENDADOR CLEMENTINO, 379, SALA C (8114-5043 / 3234-6084).

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Frente Blogueira LGBT

Outras Comunalidades

   

Categorias

Blog Stats

  • 2,485,564 hits

Páginas

 

junho 2012
D S T Q Q S S
« mai    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 77 other followers