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CHÁVEZ VIAJA PARA CUBA PARA REALIZAR A ÚLTIMA SESSÃO DE RADIOTERAPIA

O presidente venezuelano Hugo Chávez, que se encontra em tratamento para curar um câncer na região pélvica, retornou a Cuba para realizar sua última sessão de radioterapia. Chávez depois de lançar por terra as noticias veiculadas pela extrema direita de que havia morrido reaparecendo em público em Cuba, e posteriormente em seu próprio país, e agora retornando a terra de Fidel Castro, vem mostrando o quanto está preparado para concorrer às eleições.

Cada vez mais esperançoso, o presidente venezuelano acredita que poderá ser reeleito nas próximas eleições. Sua nova viagem a Cuba foi aprovada pela Assembleia Nacional, depois da oposição haver se contrariado afirmando que Chávez estava governando de Cuba. Ele, antes de viajar, assinou a nova Lei Orgânica do Trabalho cujas regras incluem indenização paga em dobro em caso de demissão imotivada, jornada de trabalho máxima de quarenta horas semanais e eliminação da terceirização do trabalho.

Em direção a Cuba, Chávez, mostrou seu otimismo com o tratamento dizendo que vai a Cuba “para continuar a reta final” do tratamento.

“Espero em poucas semanas jogar uma partida de futebol e estar de novo a percorrer as ruas queridas da pátria, os campos queridos da Venezuela.

Esses dias não têm sido fáceis. Ma, como guerreiro que somos, enfrentaremos as adversidades com fé em Deus, no Cristo Redentor e no imenso amor do povo venezuelano, com a vontade de lutar, viver e vencer”, disse Chávez.

O famigerado “Doutor Cureta”

Clínica clandestina de aborto? O adjetivo “clandestina”, atribuído, pela imprensa amazonense, ao local de trabalho de Durval Herculano Carriço, de fato, não o faz justiça.

Desde o final da década de 1980, quando este vosso escrivinhador circulava, em diagonal, pelas estreitas ruas do Alvorada em um coletivo de rodas dianteiras e traseiras bastante desalinhadas, era possível ver a fila de mulheres gestantes que se formava em certa casa da Rua Lóris Cordovil.
A atividade que, portanto, era bastante conhecida do manauara e, evidentemente contou, por décadas, com o aval e a complacência do Poder Público poderia ser adjetivada de muitas coisas, mas nunca de clandestina.
Doutor “Cureta” não é um destes tantos médicos amazonenses assistencialistas, que posam de semideuses para faturar dividendos econômicos e políticos. Não fazia consultas “grátis”, não era engajado como um “médico sem fronteira”, um “cruz-vermelha”. Durval é um comerciante, um homem que faz negócios voltados para mulheres das classes populares. Ao menos este era o perfil das mulheres que vi, diariamente, em frente ao seu consultório, durante os quatro anos em que fui usuário do “Alvorada-Ceasa”, hoje mais conhecido pela alcunha metropolitana de “ 213” .
Em suas falas, tantas vezes registradas pelos periódicos locais, nunca se via qualquer julgamento moral em relação à escolha de suas pacientes. Durval não admoesta nem estimula suas pacientes a abortar. Orienta e executa.
Doutor Cureta assim procede, conforme ele próprio afirma, há mais de 40 anos. Com ele não há erro médico, já que não pode arriscar-se a ser denunciado, a chamar a atenção dos “agentes da lei”.
No Brasil cristão, mais de um milhão de abortos são realizados, anualmente, boa parte deles em condições precárias, sem a experiência e a tecnologia oferecidas por médicos como Durval, hoje um foragido da justiça.
Abortos não ocorrem por causa da existência de médicos que os executam. Milhões de abortos são realizados, em todo o mundo, com ou sem assistência médica. Fechar os olhos para esta realidade, como querem tantos moralistas cristãos, é condenar, sobretudo, mulheres de baixa renda, já abandonadas por seus parceiros, a outra forma de abandono: a falta de assistência médico-hospitalar.
Mulheres que abortam são consideradas criminosas, pela justiça. De seus parceiros homens, co-responsáveis pela gravidez, a justiça brasileira nada exige. Ao arrepio da lei, na clínica de Durval, suas clientes nunca foram tratadas como criminosas.

CHÁVEZ APARECE BRINCANDO COM NETO E EMUDECE A DIREITA SOBRE SUA MORTE

Durante a semana passada os noticiários conservadores e elementos também submetidos à subjetividade paranoica do capitalismo não se cansaram de divulgar, por todos os meios possíveis, que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que se encontra em tratamento radioterápico em Cuba, para tratar de um câncer na pelves, havia morrido.

Diante da enunciação agourenta dos inimigos pervertidos, Chávez, no domingo, por telefone, derrubou os impropérios tanáticos. Disse que tratava-se de uma campanha sórdida de seus inimigos e inimigos da revolução bolivariana, mas que encontrava-se bem vivo seguindo o tratamento.

Para fortalecer mais inda sua decisão de mostra-se bem no tratamento, ontem, dia 24, publicou uma foto onde aparece brincando, ao ar livre, com seu neto Jorge, filho de sua filha Rosa.

Chávez disse aos repórteres que era preciso conviver com os rumores.

“Lamentavelmente, temos que ir nos acostumando a viver em meio a rumores”, disse o presidente da Venezuela.

AMAZONAS RECEBE DO MINISTÈRIO DA SAÚDE R$ 970 MIL PARA ATENDER OS HAITIANOS

Governo do Amazonas, habituado a reclamar por não ter uma política autóctone para o estado, dessa vez não terá motivo para exercer a deplorável reclamação. O governo federal através do Ministério da Saúde liberou nada menos do que R$ 970 mil para ser aplicado na política de proteção e segurança dos imigrantes haitianos que se encontram com quase nenhuma assistência no estado.

O dinheiro, que será repassado ao Fundo de Saúde no Amazonas em seis parcelas de R$ 161,7 mil, deverá ser usado para custear exames em hospitais, serviço de odontologia, compra de remédios e emergências pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O dinheiro procura auxiliar a Secretaria de Saúde do Amazonas em avaliar a saúde do imigrante haitiano no estado.

LULA GRAVA VÍDEO PARA O DIA MUNDIAL DA VOZ

O ex-presidente Lula gravou vídeo para a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia para ser usado pela entidade no Dia Mundial da Voz que ocorreu ontem. Lula na gravação fala de sua experiência com a doença que o acometeu, suas apreensões e suas expectativas durante o tratamento. Inclusive diz que chegou a ter medo de perder a voz. O que seria doloroso para democracia, já que ele tem o dom da homologia, a identidade do discurso em democracia. O que carrega a voz do povo reverberada.

“Recebi as fonoaudiólogas e fizemos exercícios diários para minimizar os efeitos da radioterapia em minha voz e deglutição. Em determinado momento do tratamento, fiquei mais rouco e senti muita dificuldade de engolir. As orientações que recebi me permitiram continuar me comunicando de forma efetiva e me alimentando pela boca, ainda com algumas restrições. Continuo fazendo fonoterapia porque tenho certeza de que minha voz pode melhorar ainda mais.

Espero que todas as pessoas que tenham o mesmo problema que eu tive possam ter acesso ao mesmo tratamento que eu estou tendo. Afinal de contas, todos precisam ter o melhor neste país.

Espero que a partir do dia 16, eu possa estar cantando melhor do que eu canto hoje”, gravou Lula.

Aborto não é um prazer e deve ser um direito

A luta pela positivação do direito da interrupção de gravidez indesejada, enquanto indesejada, é requisito inegociável não só da luta das mulheres, mas do estado de direito moderno, que sobrepujou a tralha jusnaturalista da constituição moderna do conceito de Estado de Direito.

Katarina Peixoto

Não conheço uma mulher que tenha abortado e que tenha saído saltitante ou mesmo tranquila depois de consumado o ato. E mesmo mulheres que, como eu, são no mínimo agnósticas. Abortar é doloroso, é incapacitante em alguma medida um tanto indizível, adoece a alma, machuca, interdita coisas. Aborto não é motivo de alegria para ninguém.

As razões por que um aborto dói variam e não importa exatamente quais. Não interessa: pode ser que alguma mulher se sinta aliviada ou que não se deprima depois de um procedimento de interrupção de gravidez e não há razão que autorize a acusação de imoralidade sobre essa pessoa, menos ainda de delinquência.

Evitar o sofrimento nem sempre implica não sofrer. Aliás, quase nunca, ensina a experiência. Evitar mais sofrimento pode implicar menos sofrimento. Esta talvez seja uma alternativa decente e no caso do aborto parece ser uma alternativa compromissada com a vida.

A mulher tem essa prerrogativa historicamente bizarra de ter o seu corpo e o seu prazer sexual invadidos pelos dispositivos morais que parasitam as sociedades adoecidas de religião. Dispositivos morais religiosos, como aprendemos nas escolas, não são necessariamente dispositivos éticos. Entre o costume e a decência a regra é a distância, não a proximidade.

No caso do aborto a regra tem sido a indecência, a indignidade e a covardia. Os números são escabrosos de mulheres mortas por falta de reconhecimento de um direito elementar, de uma prerrogativa da igualdade de direitos.

Não é demais, infelizmente, lembrar que somente mulheres muito pobres morrem por conta de aborto. E que médicos enriquecem no mercado ilícito de abortos limpinhos, em que cometem as suas obrigações naturais sobre as quais não pode haver imputação penal ou civil, em caso de erro médico, por exemplo.

A Política brasileira parece que amadurece quando as forças das trevas se manifestam com liberdade. Por mais paradoxal que isso soe, o que se passa parece mais com um avanço do que com uma ameaça ou com um retrocesso.

O espanto que pastores evangélicos ou que um bispo revisionista do holocausto podem causar hoje na sociedade é muito bem vindo. Um pastor ministro causar rebuliço nas bases que apoiam o governo federal é uma coisa que tem um lado luminoso, obviamente que na oposição a tal gesto infeliz.

Durante os anos de resistência à ditadura e de reconstrução da democracia brasileira, as agendas dos direitos civis e das liberdades políticas eram prerrogativas de guetos. Quem defendia o meio ambiente, os gays, as mulheres, as crianças e a laicidade do estado republicano eram setores em regra ligados às esquerdas partidárias, não só do PT, mas do PMDB, do PSDB, do PSB e etc. A grande agenda era o controle inflacionário, a distribuição de renda, o crescimento econômico, a dívida externa, o desenvolvimento, a fome, a miséria, a destruição da esfera pública estatal, a privatização, a não privatização, a industrialização, a desindustrialização. E a pequena grande agenda de ocasião midiática era e segue sendo a corrupção, mas ela, como se sabe, é sempre ou quase sempre cortina de fumaça, vide o molequinho, o jornalista e o editor organizados com o contraventor lá de Goiânia.

O mundo dos direitos civis e das liberdades políticas parecia um tanto distante da “vida real” brasileira e hoje, passadas décadas de refazimento do quadro democrático institucional do país, finalmente demos um passo adiante.

Ao contrário do que apressadamente se pode perceber, Malafaias e Crivellas emergiram como exceções e diferenças frente aos avanços democráticos. E por isso, e unicamente por isso eles se tornaram publicamente repugnantes. Porque a existência desses lixões religiosos sempre parasitou a vida simbólica e cultural do Brasil. Este é um país católico e protestante, evangélico, místico, desde sempre.

Quando é que a República se tornou um valor reivindicado com tamanha clareza e ira? Hoje, não por acaso quando o fim da miséria e da fome endêmica e a estabilidade democrática se tornaram possibilidades reais no horizonte.

Defender o casamento gay no Brasil, hoje, não é mais uma idiossincrasia dos malucos da Quarta Internacional, mas uma agenda defendida por quem tem tico e teco em bom estado mental e moral. E isso é bom. É motivo de reflexão e de reconhecimento do quanto avançamos nos requisitos materiais e políticos do exercício pleno da democracia. Não estou dizendo com isso que é bom ter religiosos na base do governo nem mesmo que é razoável ter religiosos num partido de esquerda. Mas o meu jacobinismo sem guilhotina é decerto muitíssimo menos relevante que o estado das coisas no país, hoje, e sobretudo, do que o direito das mulheres interromperem gravidez indesejada.

Defender a abertura dos arquivos da ditadura militar brasileira, a resistência a Belo Monte e defender o escárnio e a desmoralização dos parasitas religiosos da Política virou um lugar comum de quem sabe e sobretudo de quem vive o estado de direito no cotidiano. Não se trata mais de uma coisa de hippies, de militantes profissionais partidários e nem de estudantes de graduação de direito bem formados na tradição republicana e, vai de si, antijusnaturalista.

Defender o direito da mulher à interrupção de gravidez indesejada anda de par com o horror trivial que sentimos frente à isenção tributária de instituições religiosas, e à repulsa que Malafaias e Dom Dadeus Grings causam em nossos fígados. Essa gente não tem mais lugar de direito “natural”, misturados, indiferentes, entre quem se julga democrático e leva a sério as próprias crenças.

Para quem é capaz de ler um livrinho por ano, a defesa desse direito das mulheres e da sociedade se tornou intuitiva. E isso é muito bom.

Também não é estranho que o STF esteja ainda às voltas com o debate sobre a legitimidade da interrupção de gravidez em caso de anencefalia, embora seja em si mesmo algo lamentável, pelo atraso e pela insuficiência da demanda. O Judiciário é e em certa medida deve ser um poder retardatário. O direito vem depois da história e na melhor das hipóteses, que é aquela legada pelo positivismo jurídico, ele vem junto com a história e pode, então, fazer história no sentido esclarecido, isto é, racional, da palavra.

O que se tornou estranho e inaceitável é a acusação de indecência, de imoralidade e de crime sobre nós, mulheres, que já abortamos ou que podemos vir a abortar. Tornou-se estranho mesmo, muito mais estranho e indecente do que o era há dez ou quinze ou vinte anos atrás. Não nos esqueçamos que a esquerda brasileira sempre foi predominantemente católica, para a sua desgraça.

O jusnaturalismo que saiu do armário militantemente desde as últimas eleições presidenciais é a maior ameaça ao processo democrático em curso no país. O jusnaturalismo é irmão do fascismo e inimigo da democracia. Por isso, também, a luta pela positivação do direito da interrupção de gravidez indesejada, enquanto indesejada, é requisito inegociável não só da luta das mulheres, mas do estado de direito moderno, que sobrepujou a tralha religiosa da constituição moderna do conceito de Estado de direito.

À Fé o que lhe é de direito, e ao Direito o que lhe é de Direito, cada um na sua, como deve ser, segundo a Constituição Brasileira. Nenhuma mulher deve respeitar juridicamente o que um padre, um pastor ou pai de santo lhe recomenda nos seus templos. Quem leu Tomás de Aquino e entendeu alguma coisa pode saber disso.

Aborto não é prazer, nem é pecado. Aborto deve ser um direito, nada menos e nada mais.

(*) Bacharela pela Faculdade de Direito do Recife, Mestre em Filosofia, Doutoranda em Filosofia Moderna, na UFRGS, sub-editora e tradutora da Carta Maior.

Quem são os donos do cardápio infantil?

Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil? O artigo é de Noemia Perli Goldraich.

Noemia Perli Goldraich (*)

Há 40 anos trabalho como Nefrologista Pediátrica. Não recordo de ter identificado, antes dos anos 90, um único caso de pressão alta em criança que não estivesse relacionada a algum problema grave como doença nos rins, nas artérias renais, na aorta ou a tumores raros. Pressão alta era uma doença de adultos. Era!

Infelizmente, na última década, mais crianças passaram a sofrer de hipertensão arterial, uma doença crônica, isto é, que se arrasta por toda a vida e que necessita de medicação continuada. E qual a causa dessa repentina mudança? Múltiplos fatores podem causar a pressão alta mais comum – também chamada de hipertensão arterial essencial – mas os principais são a combinação de obesidade e ingestão de quantidades excessivas de sal na alimentação.

Antes de seguir em frente, é preciso que se diga que a pressão alta não é um probleminha qualquer. É fator de risco importante para infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (os derrames cerebrais), entre tantas outras consequências. E o resultado da obesidade iniciada na infância é o aparecimento de hipertensão arterial em crianças e adolescentes, de diabetes melito, doenças vasculares como infarto do miocárdio, tromboses, derrames cerebrais e todas as suas complicações.

Bem, mas não é de hoje que o sal está presente na alimentação humana. Então, por que agora estaria prejudicando também as crianças? O problema não é exatamente o sal, mas sim o sódio presente nele e é esse último que causa o aumento da pressão. É aí que entram os alimentos industrializados ou altamente processados. Há muita diferença na quantidade de sal (cloreto de sódio) colocado numa refeição cotidiana preparada em casa e os tais produtos industrializados. Nesses, o sódio está presente, além do sal, na estrutura dos conservantes e aromatizantes, usados para aumentar o período de validade ou para realçar o sabor, resultando em quantidades exageradamente grandes de sódio.

Nesse contexto, é preciso considerar que os hábitos alimentares dos brasileiros mudaram significativamente nos últimos anos. Saímos do feijão, arroz e bife para as comidas congeladas, as pré-prontas, os salgadinhos, os biscoitos e refrigerantes. Atraídas por propagandas fascinantes que prometem um mundo de sonhos em um pacote de salgadinhos ou um pirulito, por brindes-brinquedos e pelas intermináveis coleções, as crianças se tornaram as principais vítimas desses alimentos e passaram a influenciar nas compras de toda a família. Sem entender o que leem ou sem ler o que informam os rótulos, os pais também se seduzem pelos coloridos sinais de adição a anunciar + ferro, + cálcio, + vitaminas. Na verdade, estão comprando gordura, sal e açúcar, crentes de que seus filhos estão sendo bem alimentados. É isso mesmo. Em geral, as fantásticas embalagens coloridas contêm muita caloria e baixíssimo valor nutricional.

Estudos que vem sendo amplamente divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o brasileiro está ingerindo mais que o dobro de sal da quantidade diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5 gramas, o que equivale a uma colher de chá. O brasileiro, em média, está consumindo 12 gramas ao dia, o equivalente a uma colher de sopa. Muitos produtos que hoje fazem parte da dieta usual de crianças contêm quantidades exageradas de sal, sem que os pais percebam o perigo. Você sabe que um pacote de massa instantânea pré-cozida tipo miojo contém 5g de sal, que é a quantidade máxima diária recomendada para um adulto? Haja rins para dar conta!

Pesquisa publicada neste janeiro por um grupo da Filadélfia, no American Journal of Clinical Nutrition, uma importante revista da área, mostrou a relação entre o desenvolvimento da aceitação do gosto salgado e uma alimentação complementar, administrada a bebês, contendo amido (batatas, arroz, trigo, pão, bolachas). Foram comparados dois grupos de lactentes: um recebeu alimentação complementar com amido e o outro só comeu frutas em complemento ao leite. A aceitação para o gosto salgado já estava presente aos seis meses nos lactentes alimentados com amido e ausente nos que receberam só frutas. Os lactentes do primeiro grupo apresentaram maior probabilidade de lamber o sal da superfície dos alimentos na pré-escola, bem como de comer sal puro. Assim, segundo a pesquisa, experiências alimentares bem precoces (primeiros meses de vida) exercem um papel muito importante em moldar a resposta ao gosto salgado de lactentes e pré-escolares.

Sabemos que a formação do hábito alimentar se dá desde a gestação até cerca de dois anos de idade. E uma vez consolidado o padrão de gosto, fica difícil mudar. A isso, é preciso associar o padrão de uma infância sedentária em frente à televisão, computador e vídeo games. O resultado tem sido a obesidade. Dados do IBGE mostram que o excesso de peso e a obesidade são encontrados com grande frequência, aos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda e em todas as regiões brasileiras. Houve um salto no número de crianças de 5 a 9 anos com excesso de peso ao longo de 34 anos: em 2008-2009, 34,8% dos meninos estavam com o peso acima da faixa considerada saudável pela OMS. Em 1989, este índice era de 15%, contra 10,9% em 1974-75. Observou-se padrão semelhante nas meninas que, de 8,6% na década de 70, foram para 11,9% no final dos anos 80, e chegaram aos 32% em 2008-09.

O tempo de exposição à mídia também vem aumentando. Em média, as crianças ficam mais de 5 horas diárias em frente à TV, tempo superior ao permanecido na escola, que é de 4h30min. Além disso, o padrão das crianças de hoje é acessar varias mídias ao mesmo tempo e em quase todas há inserção de propaganda, ou seja, as crianças ficam expostas a um bombardeio mercadológico. Estudo feito pela Universidade de São Paulo, em 2007, mostrou que 82% dos comerciais televisivos sugeriam o consumo imediato de alimentos ultraprocessados, 78% mostravam personagens ingerindo-os no ato e 24% dos alunos expostos a tais mensagens apresentaram sobrepeso ou obesidade. Já um levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em 2009 identificou que apenas 25% das crianças entre 2 e 5 anos e 38% das crianças entre 5 e 10 anos consomem frutas, legumes e verduras. Guloseimas como balas, biscoitos recheados, refrigerantes e salgadinhos ocuparam o espaço de refeições principais.

E a água? De repente esse bem essencial ao bom funcionamento do corpo humano foi sendo esquecido. Em creches, escolas e hospitais é comum não encontrarmos bebedouros. A água não está franqueada justamente a quem deveria receber estímulo constante para ingeri-la. O estímulo está focado nos sucos industrializados e nos refrigerantes.

E agora, já podemos responder quem são os donos do cardápio das nossas crianças? E quais as conseqüências de seguirmos ao sabor do vento das grandes corporações fabricantes de alimentos? E de não termos controle sobre a publicidade dirigida ao público infantil?

Se o que queremos para nossas crianças não é um futuro de obesos desnutridos, precisamos tomar as rédeas da situação e já. A informação continua sendo a chave-mestra e, pais, educadores e profissionais da saúde precisam saber identificar o que está escrito nos rótulos. Se tomamos tantas medidas para a identificação de pessoas que entram nas nossas casas e nas escolas, porque não adotamos estes mesmos cuidados antes de permitir a entrada de substâncias no nosso organismo e das nossas crianças? Nunca é demais lembrar que bons hábitos alimentares começam a ser transmitidos na vida intra-uterina, que criança até dois anos não deve ser exposta ao sal e que não se deve colocar açúcar em chás e mamadeiras de bebês. Muito menos achocolatados, que contém açúcar e gordura em excesso.

Seguindo orientações da OMS, estão surgindo políticas públicas para redução do sal nos alimentos industrializados, assim como campanhas de esclarecimento ao público. Foram identificadas ações em 38 países, sendo a maioria na Europa. Já o Brasil recém está iniciando algumas medidas nessa área. Em janeiro deste ano, a Anvisa fez recomendações não obrigatórias para a redução, até 2014, em 10% no conteúdo de sal do pão francês.

Também em países europeus, há regras rígidas em relação à propaganda dirigida a crianças. Em terras nativas, dispensam-se comentários. Felizmente a sociedade começa a dar sinais de reação.

Acreditando que um outro mundo é possível, que tal a gente sonhar com uma sociedade em que a saúde das nossas crianças esteja acima dos interesses das megacorporações?

(*) Noemia Perli Goldraich é doutora em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-doutora em Nefrologia Pediátrica pela Universidade de Londres, professora-associada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, nefrologista pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Doenças Crônicas na Infância da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS.

*Carta Maior

LULA ENCONTRA-SE CURADO

Lula depois de ser diagnosticado com um câncer na laringe, foi internado no Hospital Sírio-Libanês e passou a ser submetido a tratamento para cura da doença. Primeiramente, Lula, foi ao tratamento quimioterápico para depois passa a radioterapia, encerrado no dia 17 de fevereiro. Lula voltou para casa para o estágio de convalescença, mas logo em seguida Lula teve uma pneumonia que foi tratada no próprio Hospital Sírio-Libanês.

Agora, realizando sessões de fonoaudiologia, Lula, recebeu de seus médicos o diagnóstico final afirmando que ele encontra-se curado do câncer. Como é da própria terapia, Lula, passará a partir desse momento por avaliações periódicas.

“Foram realizados exames de ressonância nuclear magnética e laringoscopia, que mostraram a ausência de tumor visível, revelando apenas leve processo inflamatório nas áreas submetidas à radioterapia, como seria esperado”, diz trecho do boletim médico divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês.

Uma notícia que engrandece a democracia e alegra todos que sentem a política como a potência natural humana. Uma notícia boa que alegra, mas desespera Serra. Agora, Lula, vai de encontro à candidatura de Fernando Haddad, candidato à prefeitura de São Paulo, assim como Serra, o candidato de ‘uma palavra’.

MINISTÉRIO DA SAÚDE SUSPENDE CONTRATOS COM EMPRESAS ACUSADAS DE FRAUDES EM LICITAÇÕES

 As empresas Toesa Service, locadora de veículos; Locanty Soluções, coleta de lixo; Bella Vista Refeições Industriais; e Rufolo Serviços Técnicos terão seus contratos suspensos pelo Ministério da Saúde. A decisão do ministério sai hoje, dia 20, no Diário Oficial da União (DOU).

       As quatro empresas prestadoras de serviços são acusadas de oferecer propina para fraudar licitações de emergência do Instituto de Pediatria do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

    Das quatro empresas denunciadas somente a Bella Vista Refeições Industriais, segundo o Ministério da Saúde, foi confirmada com contrato para fornecer alimentação ao Hospital do Andaraí, no Rio de Janeiro. De acordo com o ministério, todos os contratos de terceirização dos hospitais públicos federais sofrerão auditoria.

     Ao tomar ciência das denúncias o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou nota informando que também vai investigar os casos.

    “O TCU informa que já adotou providências para apurar as responsabilidades, inclusive para investigar a possível atuação, em outras unidades que gerem recursos federais, das empresas mencionadas e de outras que possam ter comportamento similar.

     O uso do pregão eletrônico para contratar serviços, “procedimento licitatórios que dificulta o conluio e a formação de grupos, fraudes mais recorrentes na modalidade convite, em que a publicidade e transparência são prejudicadas e ocorre o favorecimento de licitantes”, é o que recomenda o TCU para evitar fraudes.

    Depois que uma auditoria preliminar da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou desperdício de dinheiro, formação de cartel entre fornecedores, direcionamento de licitações e cobrança de subpreço, em diversas empresas, o ministério suspendeu, em janeiro, 37 contratos de obras.

      Não basta um governo não se querer corrupto, é preciso que ele saiba e fique atento aos que orbitam em seu centro. Estes estão sempre prontos para colocar em prática sua prática lucrativa que não considera o que é publico, mas tão somente o que privado. Sua patologia social.

ESTADO DE SAÚDE DE LULA MELHORA

 Em consequência do tratamento para combater um câncer na laringe Lula teve queda de imunidade e com isso contraiu uma pneumonia apresentando leve febre, segundo seus médicos, e por este fator internado no Hospital Sírio-Libanês, onde fez todos os tratamentos quimioterápicos e radioterapia.

         Ao ser internado Lula foi examinado e logo em seguida foi lhe aplicado antibiótico endovenoso. Resultado: hoje Lula encontra-se sem febre e demonstrando contagiante animação. Uma boa notícia para os que pretendem vê-lo em seu processual político que tanto lhe faz bem e a democracia brasileira. Como também do mundo.  

 

CHÁVEZ VIAJA A CUBA PARA FAZER CIRURGIA

O presidente venezuelano Hugo Chávez, 57 anos, viaja hoje, dia 34, para Cuba para ser submetido outra vez a uma cirurgia na mesma região pélvica onde foi operado no ano passado para tratar um câncer. A cirurgia deve ocorrer nos primeiros dias da semana que vem.

Chávez recebeu autorização da Assembléia Nacional para viajar e ficara afastado do governo pelo tempo que for necessário.

“Mais uma vez na batalha! A intervenção cirúrgica será nos próximos dias da semana, segunda ou terça-feira… Seguramente estarei em Cuba durante vários dias. Ainda não sabemos exatamente quantos, mas serão muitos, estou certo.

Vou voltar como sempre, com mais energia, mais entusiasmo, mais alegrioa e determinação para assumir meu lugar na vanguarda.

Estou completamente seguro que iremos vencer essa nova batalha”, disse Chávez.

A notícia na nova cirurgia de Chávez acendeu a chama da esperança dos reacionários venezuelanos. Com as eleições se configurando o único candidato dos reacionários, Henrique Capriles, 39 anos, se entusiasmou com a doença de Chávez, crente que o enfraquecimento físico do presidente pode facilitar em sua eleição. Uma aposta por demais distante do real. Uma aposta que não leva em conta a chamada força mitificadora do herói. Tema antropológico fortemente presente no imaginário latino-americano. 

FRATERNIDADE E SAÚDE PÚBLICA É O TEMA DA 49ª CAMPANHA DA FRATERNIDADE DA CNBB

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou no dia de ontem, 22, a 49ª  Campanha da Fraternidade cujo tema é Fraternidade e Saúde Pública. O objetivo do tema de 2012 é sensibilizar os brasileiros sobre a situação das pessoas que sofrem durante demoradas esperas nas longas filas nos órgãos de atendimentos e a falta de vagas nos hospitais públicos do país.

Na opinião de Leonardo Steiner, presidente da CNBB, não é exagero afirma que a situação da saúde no Brasil não vai bem. Para ele é preocupante o governo ter cortado 5 bilhões da verba da saúde.

“Os problemas verificados na área da saúde são reflexos do contexto mais amplo de nossa economia de mercado, que não tem, muitas vezes, como horizonte, os valores éticos, morais e sociais”, disse o presidente da CNBB.

Embora tenha feito um apanhado negativo da saúde pública no Brasil, o presidente da CNBB, disse que o país, no setor da saúde, teve grandes avanços nas últimas décadas.

“São significativos os avanços verificados nas últimas décadas na área da saúde pública”, disse.

Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também participou do lançamento da Campanha da Fraternidade, afirmou que houve um aumento este ano no orçamento para a saúde superior ao ano passado.

“O aumento de 13 bilhões é o maior aumento nominal que já existiu de recursos para saúde de um ano para outro, desde o ano 2000. O meu papel como ministro não é ficar esperando os recursos virem, mas, sobretudo, fazer mais com o que temos.

Tudo que estava programado pelo Ministério da Saúde e foi encaminhado para o Congresso Nacional está absolutamente mantido”, comentou o ministro.

Falando sobre a Campanha da Fraternidade, Clóvis Boufleur, membro do Conselho Nacional de Saúde, disse que a intenção da campanha é efetivar a participação de conselhos estaduais e municipais de saúde e debater temas como a violência doméstica, a obesidade e gravidez na adolescência.

“A violência dentro de casa se transformou em um problema de saúde. A partir dos 4 anos de idade, os acidentes e a violência são as principais causas de mortes de crianças e jovens”, disse Clóvis.

MENSAGEM DE LULA À GAVIÕES DA FIEL

SEXTA-FEIRA É O DIA LULA: É A DATA DO TERMINO DAS SESSÕES DE RADIOTERAPIA PARA A CURA DO CÂNCER

Desde o dia 4 de fevereiro o ex-presidente Lula vem sendo submetido diariamente, excluindo sábados e domingos, a sessões de radioterapia para combater um câncer de laringe. Disciplinadamente, como dizem seus médicos, Lula passou por todas às sessões como um estóico. Espírito inquebrantável. Sem perturbações quaisquer que pudessem lhe desviar de seu propósito: ficar saudável para poder continuar tendo prazeres democráticos junto com o povo brasileiro.

Desde sábado Lula encontra-se internado no Hospital Sírio-Libanês quando reclamou de se encontrar com astenia e falta de apetite. Hoje, dia 16, Lula será submetido à penúltima sessão de rádio, para na sexta-feira completar o ciclo tão esperado.

A saúde de Lula, segundo seus médicos, está ótima, para o desespero dos nazifascistas. Todavia, ainda segundo seus médicos, a certeza definitiva só ocorrerá quando depois de alguns dias ele fizer o exame de endoscopia que mostrará o fim do câncer confirmando o prognóstico de seus médicos quando dos primeiros exames.

Vamos lá, Lula! Como diz o Chico, “amanhã vai ser outro dia”. Aproveita a festa com Momo e tua Gaviões da Fiel. 

NOVA MINISTRA DA SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES DIZ QUE A PRIORIDADE É O COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

A nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, a professora e socióloga, Eleonora Menicucci, que tomará posse na próxima sexta-feira, dia 10, em coletiva para a imprensa, disse que a prioridade de sua gestão será o combate à violência doméstica e sexual contra a mulher. Ela defendeu ainda, entre outras medidas, a punição de estupradores, mesmo quando a vítima não fizer queixa em uma delegacia. Tema que está sendo apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), hoje, dia 8.

A ministra falou também que considera a discussão do aborto no Brasil uma questão de saúde pública. E que a matéria da legalização e descriminalização do aborto não diz respeito ao Executivo, mas ao Legislativo. E acrescentou que o aborto no Brasil é a quarta causa da mortalidade materna e a quinta entre as internações.

Eleonora se mostrou favorável a descriminalização do aborto, mas afirmou que da feita que assumir a Secretaria de Políticas para as Mulheres sua posição em relação ao assunto é a mesma que o governo.

“Não é uma questão ideológica, é uma questão de saúde pública, como o crack e outras drogas, a dengue, o HIV e todas as doenças infectocontagiosas.

Minha posição pessoal, a partir de hoje, não diz respeito, não interessa. A matéria da legalização do aborto ou descriminalização do aborto é uma matéria que não diz respeito ao Executivo, mas ao Legislativo”, disse a ministra Eleonora.  

A Transformação Interior

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NÃO HÁ CONFIRMAÇÃO DE ROTAVÍRUS EM ALDEIA INDÍGENA NO ACRE

Diante das notícias veiculadas pela imprensa de que há um surto de rotavírus atingindo crianças de aldeias indígenas no estado do Acre, a Secretaria Especial da Saúde Indígena Sesai, que está ligada diretamente ao Ministério da Saúde divulgou nota afirmando que não confirmação de surto de rotavírus atingindo crianças indígenas.

Segundo a nota, do dia15 de dezembro até ontem, dia 18, foram notificadas oito mortes de crianças com diarréia aguda. De acordo com o ministério, as mortes não foram confirmadas por exames laboratoriais e continuam sendo investigadas.

Na nota a Sesai, diz que as crianças que morreram eram das etnias Kaxinawá e Kulina e viviam nas aldeias de Nova Família, Morada Nova, Novo Repouso, Nova Fronteira, Nova Aliança, Kanamari e Moema.

Falando sobre o fato, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou não haver confirmação e que não é a primeira vez que se registram casos de diarréia aguda na região.

Crack é usado por miseráveis porque é barato

A explicação é tão simples que parece óbvia, mas para o especialista Dartiu Xavier da Silveira apenas o preço define o fato de que na Cracolância se fuma o crack. A droga vicia tanto quanto qualquer outra, inclusive o álcool, e as taxas de sucesso no tratamento são as mesmas. A diferença é que, neste caso, o “ser miserável” precede o “fumar crack”. Qualquer política de combate ao uso da droga tende ao fracasso, se não for precedida de uma política social conseqüente. Silveira define o lobby da comunidade terapêutica para drogados junto ao Sistema Único de Saúde (SUS) como “pesado”, e diz que a ação policial na Cracolândia é simplesmente “política e midiática”. A reportagem é de Maria Inês Nassif.

Maria Inês Nassif

São Paulo – O grande equívoco da ação policial do governo do Estado de São Paulo e da prefeitura da capital na chamada Cracolândia, o perímetro onde se aglomeram moradores de rua e dependentes de crack na cidade, definiu, de cara, o fracasso da operação: o poder público partiu do princípio de que a droga colocou aqueles usuários em situação de miséria, quando na verdade foi a miséria que os levou à droga. Esse erro de avaliação, segundo o psiquiatra e professor Dartiu Xavier da Silveira, por si só já desqualifica a ação policial.

Professor do Departamento de Psiquiatria e coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (PROAD), Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Silveira há 25 anos orienta pesquisas com usuários de drogas e moradores de rua, normalmente patrocinadas pela Organização das Nações Unidas, e tem sido consultor do Ministério da Saúde na definição do Plano de Combate ao Crack. Nas horas vagas, ele desmistifica os argumentos usados pela prefeitura, município e uma parcela de psiquiatras sobre usuários de drogas.

A primeira contestação é essa: o abandono social vem antes, o crack vem depois. E a política social tem que preceder qualquer ação junto a essa comunidade, inclusive a médica.

Outras desmistificações vêm a tiracolo. O crack é droga pesada, concorda ele, mas o dependente da droga tem as mesmas chances de cair no vício do que um usuário de álcool, por exemplo. “Em qualquer droga existem os usuários ocasionais e os dependentes”, diz o médico. Inclusive no caso do crack. O tratamento por internação compulsória de qualquer uma – álcool, cocaína etc – situa-se na ordem de 2%, ou seja, 98% dos usuários internados compulsoriamente, inclusive os de crack, não conseguem manter abstinência. O tratamento ambulatorial garante a maior taxa de sucesso, de 35% a 40% dos usuários tratados. Isso também vale para os usuários de crack.

Daí, outra mistificação é derrubada pelo médico: não se joga simplesmente fora os outros 60% a 65% que não vão conseguir se manter abstinentes. Do ponto de vista da saúde pública, é um ganho se o usuário se beneficiar de uma política de redução dos riscos. “O usuário não vai parar, mas pode reduzir o uso e até estudar ou trabalhar”, afirma. Isso vale também para o viciado em crack.

Por que o crack e não outra droga? Porque a população miserável só pode comprar o crack. Existem usuários de classe média, concorda Silveira, mas crack, pobreza e população em situação de rua são situações que convergem. “A gente sempre tem essa noção de que a rua é um espaço horrível, e é mesmo, mas em muitos casos a situação da família é tão agressiva que é um alivio para a criança estar fora de casa.”

Com todas essas evidências de que o problema da Cracolândia é fundamentalmente social, Silveira apenas consegue atribuir ações policiais na área e a defesa instransigente que políticos e profissionais de saúde fazem da internação compulsória como ligadas a “causas menos nobres”. Que envolvem também interesses econômicos de alguns médicos.

CARTA MAIOR: Como o crack pode deixar de ser tratado como um caso de polícia para tornar-se política pública?

DARTIU XAVIER DA SILVEIRA: Essa ação (policial) na Cracolândia começou com um equívoco básico, que é atribuir aquela situação à presença da droga. É como se a droga tivesse colocado aquelas pessoas em situação de miséria, e isso não é verdade. Todos os estudos feitos com população de rua mostram que, na realidade, o que leva essas pessoas ao crack é a exclusão social, a falta de acesso à educação, saúde e moradia, ou seja, a privação da própria cidadania e identidade. Isto, sim, é um fator de risco para a droga. A droga vem porque tem um prato cheio para florescer. A droga é consequência, não é causa disso.

CARTA MAIOR: Então, essa história de que o crack está atingindo as famílias de classe média no geral é uma bobagem?

SILVEIRA: Ela atinge também a classe média, mas não com a gravidade com que atinge as pessoas mais pobres, porque a situação delas é grave do ponto de vista social, não apenas do ponto de vista do consumo da droga. É uma população mais vulnerável. E por que é o crack? Porque é a droga mais barata para essa população mais miserável. Se fosse na Europa não seria o crack. As populações excluídas da Europa do Leste também abusam, mas de heroína ou de álcool, porque lá crack seria muito caro. Mas essa é a situação que se vê no mundo inteiro entre as populações excluídas. O abuso de drogas é igual, só que a droga usada é a mais barata. Por conta desse equívoco básico, existe esse discurso que diaboliza o crack, faz da droga a causa de tudo.

CARTA MAIOR: A política social, então, deve preceder qualquer outro tipo de política?

SILVEIRA: Exatamente. Existe outro dado alarmante, e as pessoas se esquecem disso, que é um dado epidemiológico. As pesquisas mostram: pode pegar qualquer droga, lícita ou ilícita – álcool, cocaína, qualquer substância. Existem sempre os usuários ocasionais e as pessoas que são dependentes. E isso ocorre também com o crack. Até para drogas pesadas existem usuários ocasionais. Do ponto de vista médico, as pesquisas são direcionadas para entender isso: por que, por exemplo, pessoas conseguem beber socialmente e outras viram alcoólatras. Por que tem gente que consegue cheirar cocaína esporadicamente e tem gente que é dependente? As respostas são muito parecidas. O que vai diferenciar um usuário ocasional de um dependente são outros fatores que não têm nada a ver com a droga: se a pessoa tem outro problema psíquico associado, como depressão e ansiedade, e começa a usar o álcool e a cocaína para resolver problemas, ou situações de muito stress… Numa situação como a das pessoas que vivem na Cracolândia, ser morador de rua já é, por si só, uma situação de risco.

CARTA MAIOR: No caso de criança é uma situação de abandono completo? Não dá para imaginar uma criança com grande problema psíquico ou stress em condições minimamente normais, não é?

SILVEIRA: Sim, é uma situação de abandono completo. O stress que estou falando é de forma geral, que afeta também a classe média. Na situação da Cracolândia, o abandono é fundamentalmente a situação de risco. Têm crianças de classe média que abusam de algumas drogas também, mas elas normalmente vêm de famílias muito desestruturadas, têm pais muito agressivos. Esse não é um ‘privilégio’ da classe desfavorecida. Mas numa situação extrema de crianças de rua, o risco é altíssimo, porque essa criança é privada de tudo.

CARTA MAIOR: Como é a família de uma criança de rua e usuária de droga? Ela tem alguma possibilidade de reatar laços afetivos?

SILVEIRA: Algumas famílias têm condições, e quanto a gente identifica essa possibilidade, faz a intermediação. Outras famílias, não. A gente tem sempre essa noção de que a rua é um espaço horrível – e é mesmo horrível morar na rua – mas em muitos casos a situação da família é tão agressiva que ir para a rua é um alívio para a criança. Por exemplo, muitas crianças vão para a rua porque não aguentam o abuso sexual dentro de casa, por parte do pai, ou do irmão mais velho. Ir para a rua pode ser uma progressão positiva, pode representar escapar de uma situação muito inóspita de vida. Tem uma situação até emblemática, relatada em um trabalho que fizemos com adolescentes de rua. Identificamos vários adolescentes usando drogas. A uma delas, a gente perguntou: por que você usa droga, o que você está procurando na droga? A resposta dela foi um tapa na cara da gente. Ela virou e disse: ‘olha, tio (veja você, uma cabecinha de criança, me chamando de tio), eu nem gosto muito do efeito da droga, mas o problema é que para eu sobreviver na rua eu preciso me prostituir, e para eu suportar uma relação sexual com um adulto só sob o efeito de droga.’ Agora, como dizer que a droga é um problema na vida dessa menina? A droga é uma forma de solução, para ela conseguir sobreviver. A droga já é consequência de uma situação de prostituição que ela foi obrigada a encarar por omissão do Estado, da sociedade como um todo. O depoimento dessa menina torna todas essas justificativas para as ações feitas na Cracolândia uma hipocrisia, uma total falta de sensibilidade para reconhecer o fenômeno.

CARTA MAIOR: Outro mito do crack é que é a droga definitiva, que é impossível livrar-se dela. Isso é verdade?

SILVEIRA: É um mito completo. Ela não é uma droga pior que heroína, que a cocaína, em termos de grau de dependência. É difícil sair? É, mas é difícil como qualquer droga. O crack não é pior.

CARTA MAIOR: Então, para essa população, a questão é muito mais uma política social do que médica.

SILVEIRA: Exatamente. Por isso que os trabalhos mais bem-sucedidos são os feitos in loco, por meio de educadores de rua, desses agentes de saúde. Não são médicos que vão fazer uma consulta médica na rua. A gente chama de consultório de rua mas não é um consultório. A equipe vai investigar o que está acontecendo caso a caso, se a pessoa está com falta do quê, de lugar para morar, ou o problema é o relacionamento com a família, ou o problema é assédio de algum tipo, por parte de alguém. É uma coisa mais social, mesmo.

CARTA MAIOR: É um encaminhamento de assistência social e os profissionais de saúde só entram quando for o caso para aquela pessoa?

SILVEIRA: Frequentemente os aspectos psicológicos são muito relevantes, porque essas crianças estão psicologicamente abaladas – não apenas elas, aliás, mas os jovens, os moradores de rua em geral. Mas a intervenção médica, mesmo nesses casos – e não estou desqualificando a importância dela – não é primordial.

CARTA MAIOR: Então a intervenção médica é só para casos extremos.

SILVEIRA: Exatamente.

CARTA MAIOR: E desde que não seja internação compulsória?

SILVEIRA: Desde que não seja compulsória. As experiências de internação compulsória são simplesmente um fracasso. As taxas de insucesso chegam a 98%. Na hora que você interna compulsoriamente uma pessoa, ela não vai ter acesso à droga porque está em isolamento social. Nessa condição, é fácil para um dependente se manter abstinente. Na hora que sair de lá e voltar para os problemas da vida, no entanto, essa pessoa recai. 98% recaem. Isso, sem questionar que o governo não tem equipamento para fazer internação compulsória de todo mundo. As internações são feitas geralmente em verdadeiros depósitos de drogados. Parecem mais um campo de concentração do que uma estrutura hospitalar.

CARTA MAIOR: E é tudo privatizado, não é?

SILVEIRA: E a privatização não melhorou nada essa situação. Os hospitais psiquiátricos privados têm um custo baixíssimo. A economia é feita com a contratação de pessoal. Não existem equipes adequadas para tratar esses dependentes. É um trabalho muito porco, de segunda categoria.

CARTA MAIOR: Esse atendimento privado se misturou muito com religião?

SILVEIRA: Sim, e isso não é bom. Eu não tenho nada contra religião, não é uma questão de princípio, mas o que se vê são diversos grupos religiosos montando o que eles chamam de “comunidades terapêuticas” que partem do princípio de que só a intenção e a conversão religiosa são fator de cura. A maioria dos casos não tem bom resultado. E por quê? Porque a gente sabe que o melhor tipo de tratamento para a dependência química é feito por uma equipe multidisciplinar. A grande maioria das comunidades terapêuticas não tem equipes para trabalhar com dependentes.

CARTA MAIOR: O relatório do Conselho Federal de Medicina sobre as clínicas de tratamento para drogados é impressionante.

SILVEIRA: O relatório é dramático. E é verdadeiro. No relatório tem até denúncias de abuso, espancamento, maus-tratos a pacientes, ou seja, não são pessoas minimamente capacitadas para darem conta do problema que estão lidando com os usuários nesses lugares.

CARTA MAIOR: Isso acaba sendo a reintrodução do manicômio, mas para dependente químico?

SILVEIRA: Exatamente. A Lei Antimanicomial vai por água abaixo, porque o sistema manicomial está voltando sob a justificativa de que a droga demanda uma intervenção urgente. E isso não é verdade.

CARTA MAIOR: Isso está sendo um motivo de discórdia grande dentro da sua área de especialidade? Não faz muito tempo, a luta pela Lei Antimanicomial foi abraçada como uma luta pelos Direitos Humanos.

SILVEIRA: E a lei foi um ganho muito importante. Só vou abrir parênteses nessa questão: eu não sou contra a internação, eu interno meus pacientes, mas apenas quando eles precisam. Eu não interno por questão social, ou porque a família está me pressionando, ou porque não se aguenta o paciente em casa. Os abusos que se cometiam nessas internações, isso acho intolerável, se internava muito mais do que era necessário. Hoje em dia se interna ainda, é importante ter espaços de internação, mas é para casos excepcionais, não para a regra. É para surto psicótico ou risco de suicídio. Ponto. Não tem outra aplicação.

CARTA MAIOR: Dos programas que estão sendo anunciados por município, Estados e União, tem algum que não assume essas orientação da internação compulsória?

SILVEIRA: Os programas de intervenção mais eficazes para dependentes são os que adotam o modelo ambulatorial, onde o paciente aprende a se manter abstinente convivendo em sociedade, com a ajuda de uma equipe multidisciplinar. Essa proposta estaria plenamente contemplada nas orientações do Ministério da Saúde e dentro da filosofia do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS), e existe um número mínimo de CAPS para fazer esse trabalho. O problema, no entanto, são as equipes dos CAPS – falta gente e falta gente bem treinada. Existem exceções, é lógico, como o da Água Funda, um modelo que deu muito certo. Porque não é desumano.

CARTA MAIOR: Ainda assim os resultados são melhores do que a internação compulsória?

SILVEIRA: Em regra, os melhores resultados, em relação à dependência química, giram em torno de 35% a 40%, contra os 2% da internação compulsória. Os que sobram, de 60% a 65%, no entanto, não podem ser apenas considerados um fracasso e pronto. O que nós aprendemos nos últimos anos é que mesmo as pessoas que não conseguem ficar em abstinência podem se beneficiar de política de redução de danos. Esse usuário pode não vai ficar completamente abstinente, não vai parar, mas vai se drogar com uma frequência menor, em circunstâncias de menos risco. Do ponto de vista da saúde pública, é um avanço se esse usuário for mantido em condições de estudar, trabalhar, levar uma vida normal.

CARTA MAIOR: A internação ajuda a desintoxicação inicial, ao menos?

SILVEIRA: A desintoxicação não precisa ser feita na internação, e se as pessoas forem internadas, o ideal é que não ultrapasse os 90 dias. Para a grande maioria das pessoas, é possível fazer a desintoxicação com medicamentos que tiram a crise de abstinência. Elas podem levar vida normal. Isso já é possível com o avanço da medicina. Os CAPS-AD (específicos para dependentes de álcool e drogas) têm esse tipo de medicação, mas poucas equipes capacitadas a administrá-las.

CARTA MAIOR: Se as diferenças de resultado são tão grandes, por que ainda se defende a internação?

SILVEIRA: As causas para defesa da internação não são nada nobres. Em primeiro lugar, acho que a ação feita na Cracolândia foi uma mera ação política e midiática. Para uma população menos informada, a impressão que se tem, numa ação policial como essa, é que o poder público está desempenhando muito bem suas funções. A grande maioria das pessoas que defende a internação compulsória ou é despreparada, ou é de médicos que têm interesses econômicos nisso. Como o SUS (Sistema Único de Saúde) não tem leitos para atender uma demanda dessa, vai ter que contratar leitos de hospitais particulares. E isso interessa a muitos médicos.

CARTA MAIOR: O lobby das clínicas é pesado, então?

SILVEIRA: A atual gestão do Ministério da Saúde é muito séria e está tentando fazer o melhor possível, mas enfrenta uma série de problemas. O pior deles é, de fato, o grande lobby da comunidade terapêutica para drogados junto ao SUS. O Ministério está sendo obrigado a engolir goela abaixo essas pressões, em prejuízo de seu próprio projeto, que é muito mais eficiente.

*Fonte: Blog Carta Maior

DEFENSORIA PÚBLICA/SP CONFIRMA VIOLÊNCIA POLICIAL CONTRA MORADORES DA CRACOLÂNDIA

Operações policiais na região, do centro de São Paulo, resultaram em 32 denúncias na Defensoria Pública sobre abusos policiais contra usuários de crak na cracolândia. Para o coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, Carlos Weis, os casos exemplificam como a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) estão realizando as operações. O defensor público teceu seus comentários diante das comissões de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal que queriam ouvi-los falar sobre a ação da polícia para acabar com o uso e a venda de droga no centro da capital.

No entendimento de Carlos Weis, que detém a forma de como os procedimentos das operações devem ser realizados, os métodos dos dois órgãos repressores são “absolutamente exacerbados, em face das pessoas, que são pobres, miseráveis, e desarmadas”.  

Para tentar mudar o método usado nas operações a Defensoria mantém reuniões com os órgãos dos governos. Para o defensor Carlos Weis, o caso é mais uma questão de saúde e social do que policial, como entendem os dirigentes e os executores. De acordo com o defensor havia poucos agentes de saúde nas operações.

“Nós entendemos que se trata fundamentalmente de uma questão de saúde e social na cracolandia. Não tanto uma questão policial.

As pessoas não estiveram cometendo o crime de tráfico de drogas tem todo o direito de permanecer aglomerada, reunidas, e não se locomover, se não quiserem”, disse.

Mas para justificar o uso da força, Clóvis Roberto Pereira, diretor do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos, disse que não há ordem para bater, mas sim tirar os usuários da área.

“Não tem nada escrito que é para bater nas pessoas, mas que as pessoas têm que sair, tem que ser retiradas”, afirmou Pereira.

Para o desembargador Antônio Carlos Malheiros, que trabalha na área há mais de cinco anos, houve abuso dos policiais, mas depois da fala do Ministério Publico deve diminuir o uso da força.

“Algo que parecia nas primeiras horas de ser uma operação para caçar traficante, transformou-se e, uma caçada a usuários. Um grande desastre. Nos desestruturou completamente. Vou ter que começar tudo de novo.

Tenho a impressão que depois da fala corajosa do Ministério Público ontem, as truculências tendem a ceder”, sentenciou o desembargador.

IPEA MOSTRA QUE O NORTE E O NORDESTE TEM MENOR NÚMERO DE MÉDICOS NO SUS

A pesquisa o Estado no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que a média de médicos por habitantes que atendem no Sistema Único de Saúde (SUS) é menor nas regiões Norte e Nordeste sendo de 3,1, enquanto na região Sul é de 1,9, e na região Sudeste 2,4. Para o IPEA pode-se inferir através da pesquisa que os médicos mais bem qualificados encontram-se nos centros mais desenvolvidos.

Para Márcio Pochmann, presidente do IPEA a desigualdade na saúde é resultante dos equipamentos e a presença dos profissionais diferenciada.

“O Estado tem uma atuação bastante complexa do ponto de vista de um país continental e com uma população que é a quinta do mundo. Essa complexidade é maior pelo fato de termos um sistema único d saúde especialmente na atuação pública fazendo com que todo o país seja atendido embora as regiões mais ricas sejam aquelas que possuem melhores equipamentos e maior presença de profissionais, quando os estados mais pobres não têm o mesmo padrão de intervenção”, disse Marcio.

O resultado do estudo mostrando as diferenças de estados quanto ao ensino fundamental e médio, confirma que o acesso à presença na escola não é universalizado no país. A freqüência permanente no ensino fundamental é maior no Mato Grosso Sul com 94,4%, no Ceará com 93,5%, e em São Paulo com 93,4%, Pernambuco 87,6%, Sergipe 87,3%, e Pará 87,2%.

Quanto ao ensino médio o Distrito Federal tem a maior taxa com 68,8%, Goiás 64,1%. As piores taxas então com Roraima 31,6%, Acre 33,3% e Amazonas com 34,4%.

“A taxa de freqüência do ensino médio é inaceitável. O Brasil precisa universalizar não apenas o ensino fundamental, mas também o médio, pois eles são requisitos básicos da sociedade de conhecimento e construção”, afirmou Pochmann.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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