A Universidade Paulista (UNIP) vai ser investigada por auditoria instalada pelo Ministério da Educação (MEC). A auditoria vai investigar denúncias encaminhadas ao governo federal de que a UNIP estaria selecionando apenas partes de seus formando para prestarem o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que afere os cursos superiores, com o único interesse de trapacear os resultados das provas.
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) e a Secretaria de Regulação e Supervisão do Ensino Superior do MEC serão os condutores da auditoria. Os auditores terão 30 dias para realizarem os trabalhos que será de análise de documentos da faculdade, como histórico escolar de alunos, atas de formaturas, entre outros.
Uma comissão de especialistas vai avaliar in loco todos os cursos da instituição que ainda estejam em faze de renovação ou de reconhecimento do credenciamento. Os cursos, em geral, que tenham nota superior a 3 – em uma escala de 1 a 5 – nos indicadores de qualidade do MEC, como o Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos não passam por esta avaliação, mas os cursos da UNIP vão passar em vista que se encontra em investigação.
Segundo as denúncias a UNIP não selecionava, para participar do Enade, os “maus alunos” do penúltimo semestre, em razão do uso deste recurso indigno o MEC resolveu mudar as regras: agora todos os alunos do penúltimo semestre serão obrigados a participar do exame de desempenho.
Enquanto isso, o MEC descredenciou a Universidade de São Marcos, de São Paulo, por ter confirmado que a instituição apresenta várias irregularidades nas ofertas de cursos. Entre as irregularidades encontram-se descumprimento de medidas cautelares determinadas pelo ministério em função do baixo desempenho da instituição nas avaliações da pasta. Além de inviabilidade financeira e desorganização acadêmica e administrativa.
Com descredenciamento a Universidade de São Marcos encerra suas atividades de ensino superior e seus cerca de 2 mil alunos deverão ser transferidos para outras faculdades. Agora, a instituição tem 90 dias para providenciar a mudança e entregar ao MEC toda a documentação acadêmica dos alunos.
Curtir o Pedro Bial E sentir tanta alegria É sinal de que você O mau-gosto aprecia Dá valor ao que é banal É preguiçoso mental E adora baixaria.
Há muito tempo não vejo Um programa tão ‘fuleiro’ Produzido pela Globo Visando Ibope e dinheiro Que além de alienar Vai por certo atrofiar A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro Que está em formação E precisa evoluir Através da Educação Mas se torna um refém Iletrado, ‘zé-ninguém’ Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão Longe da realidade Onde a bobagem fervilha Não sabendo essa gente Desprovida e inocente Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial Chega de esculhambação Respeite o trabalhador Dessa sofrida Nação Deixe de chamar de heróis Essas girls e esses boys Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe, Querido Pedro Bial, São verdadeiros heróis E merecem nosso aval Pois tiveram que lutar Pra manter e te educar Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal Com seu discurso vazio. Pessoas inteligentes Se enchem de calafrio Porque quando você fala A sua palavra é bala A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil Carente de educação Precisa de gente grande Para dar boa lição Mas você na rede Globo Faz esse papel de bobo Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bial Nosso povo brasileiro Que acorda de madrugada E trabalha o dia inteiro Da muito duro, anda rouco Paga impostos, ganha pouco: Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade Neste momento atual Se preocupa com a crise Econômica e social Você precisa entender Que queremos aprender Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo Vem nos mostrar sem engano Que tudo que ali ocorre Parece um zoológico humano Onde impera a esperteza A malandragem, a baixeza: Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência Não são mais valorizadas. Os “heróis” protagonizam Um mundo de palhaçadas Sem critério e sem ética Em que vaidade e estética São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética Nem projeto educativo. Um mar de vulgaridade Já tornou-se imperativo. O que se vê realmente É um programa deprimente Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo “professor”, Pedro Bial O que vocês tão querendo É injetar o banal Deseducando o Brasil Nesse Big Brother vil De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço Mal exemplo à juventude Que precisa de esperança Educação e atitude Porém a mediocridade Unida à banalidade Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento De pessoas confinadas Num espaço luxuoso Curtindo todas baladas: Corpos “belos” na piscina A gastar adrenalina: Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo É de nos “emburrecer” Deixando o povo demente Refém do seu poder: Pois saiba que a exceção (Amantes da educação) Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial Um mercador da ilusão Junto a “poderosa” Globo Que conduz nossa Nação Eu lhe peço esse favor: Reflita no seu labor E escute seu coração.
E vocês caros irmãos Que estão nessa cegueira Não façam mais ligações Apoiando essa besteira. Não deem sua grana à Globo Isso é papel de bobo: Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim Desse Big Brother vil Que em nada contribui Para o povo varonil Ninguém vai sentir saudade: Quem lucra é a sociedade Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor Que nós somos os culpados Porque sai do nosso bolso Esses milhões desejados Que são ligações diárias Bastante desnecessárias Pra esses desocupados.
A loja do BBB Vendendo só porcaria Enganando muita gente Que logo se contagia Com tanta futilidade Um mar de vulgaridade Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade E apelo sexual. Não somos só futebol, baixaria e carnaval. Queremos Educação E também evolução No mundo espiritual.
Cadê a cidadania Dos nossos educadores Dos alunos, dos políticos Poetas, trabalhadores? Seremos sempre enganados e vamos ficar calados diante de enganadores?
Barreto termina assim Alertando ao Bial: Reveja logo esse equívoco Reaja à força do mal. Eleve o seu coração Tomando uma decisão Ou então: siga, animal.
BIG BROTHER BRASIL UM PROGRAMA IMBECIL.
Autor: Antonio Carlos de Oliveira Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador, compositor de música popular e escritor com mais de 100 cordeis publicados como Zumbi, O Aluno Que Não Queria Crescer, O caipira e a delegada e outros.
Antonio Barreto nasceu nas caatingas do sertão baiano, Santa Bárbara/Bahia-Brasil.
Professor, poeta e cordelista. Amante da cultura popular, dos livros, da natureza, da poesia e das pessoas que vieram ao Planeta Azul para evoluir espiritualmente.
Graduado em Letras Vernáculas e pós graduado em Psicopedagogia e Literatura Brasileira.
Seu terceiro livro de poemas, Flores de Umburana, foi publicado em dezembro de 2006 pelo Selo Letras da Bahia.
Vários trabalhos em jornais, revistas e antologias, tendo publicado aproximadamente 100 folhetos de cordel abordando temas ligados à Educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa, além de vários títulos ainda inéditos.
Antonio Barreto também compõe músicas na temática regional: toadas, xotes e baiões.
De todos os filósofos que trataram a tese doença, ou enfermidade, foi o filósofo alemão Nietzsche quem melhor enunciou com brilhantismo e profundidade. Ou seja, a doença como a potência da saúde. Foi ele quem viu e sentiu na doença a potência da vontade de vida. Não a vontade de querer viver psicológico, ou religioso, mas a vontade como a competência e íntima ação da vida. Daí, Nietzsche, que sempre era acometido de alguma doença, ou enfermidade, sair do estado da dor em vigor. A bem-profunda disposição.
Foi sua filosofia da vontade de potência, que é a vida, o viver alegre, o que se processa distributivamente que alguns filósofos conceberam a doença, ou enfermidade, não como mal, castigo, provação, dor, mas como um signo que anuncia a vida que se pretende movimento. Nisso a saúde, ou cura, não surge apenas como estado de satisfação, mas manifestação da ação da vida, que antes parecia em estado de entropia. Imobilizada.
Foi esse entendimento médico-filosófico de Nietzsche que levou o filósofo Deleuze a conceber a doença também como manifestação da vontade de potência. Diz Deleuze, amparado pelo filósofo alemão, que todos que veem muito – e aí ele se refere aos não-filósofos, como Nietzsche, entre poucos – têm uma saúde frágil. Porque a vida passa mais como potência criativa neles. Nietzsche viu muito. Claro, ver não é o que já se encontra posto como referência-mundo, mas o devir-vida. O que ainda vai se tornar o novo pelo processual produtivo. Deleuze, assim como Nietzsche e Spinoza, também tinha uma saúde frágil.
Hoje, dia 14 de julho, queda da Bastilha, da nostalgia histórica da Revolução Francesa que não se fez revolução, a não ser para a burguesia, o presidente da Venezuela, cuja seleção se encontra classificada para a segunda faze da anti-bolivariana Copa América, dada a mediocridade reinante, Hugo Chávez, em comunicação com seus patrícios, citou o filósofo Nietzsche. Não citou só o filósofo alemão, mas também, sem citar, o escritor Aldous Huxley.
Chávez diz que se encontra lendo Nietzsche, Assim Falava (ou Falou, dependendo da tradução) Zaratustra. Se ele entende ou não o filósofo, o que importa é que ele manifestou para seus conterrâneos a importância da filosofia em todos os momentos da existência. E que ela trata da vida e não da morte, a tese suprema do capitalismo. A morte como sociedade tanática. Chávez, ao enunciar Nietzsche, confirmou que a filosofia é a práxis da vida. Ao mesmo tempo que trouxe Marx para o povo venezuelano: “A filosofia não é exterior ao mundo.”
“Olá. Admirável mundo novo. Bom dia, vamos continuar a vida. Eu falo do meu quartel. Com o toque da alvorada, eu começo minha batalha. Vamos viver e vencer.
Então, no entanto a vida tem sido mais querida do que jamais foi toda minha sabedoria”, twittou Chávez.
Esse bloguinho intempestivo já havia composto com Nietzsche para enunciar posições de Chávez em sua doença, ou enfermidade. Agora Chávez cita o filósofo da vida. Ou ele estuda mesmo Nietzsche ou foi mero acaso.
O Encontro Brasil Reino-Unido Sobre Mulheres e Ciências, que reuniu um grupo variado de pesquisadoras e foi realizado na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com o objetivo de formar uma rede de pesquisa para incentivar a consolidação de políticas públicas para maior inserção e participação das mulheres em todos os campos da ciência, terminou ontem, e os resultados com as propostas serão divulgados no 8º Congresso Iberoamericano em Ciência, Tecnologia e Gênero, que será realizado entre os dias 5 e 9 de abril de 2010, em Curitiba, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Promovido pelo British Council Brasil, em parceria com o CNPq e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, discutiu a necessidade continuar a inserção de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros em grupos de estudos sobre Ciência, Tecnologia e Gênero, evidenciando a importância de construir genealogias, redes e comunidades epistemológicas que valorizem os contextos de produção, construção e transmissão.
No dia 09 de dezembro, terça-feira passada, às 14 h, no auditório do departamento de Antropologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ocorreu a defesa da dissertação de mestrado da mestranda Katiane Silva, que apresentou sua dissertação: “Sociogênese de uma unidade de conservação: um estudo da Reserva Extrativista Auati-Paraná“.
O evento se caracterizou pela simplicidade, o que significa dizer que não houve aquelas mega-ultra-apresentações em ppt, slides-piscantes, pessoas impecavelmente trajadas, laptops moderníssimos, com data show e outros shows de pirotecnia que muitas vezes aparecem mais como tentativa de desviar a atenção da banca. A apresentação tornou-se uma festa para o entendimento, a inteligência e a alegria do saber.
Demonstrando que o conhecimento esteve presente no sentido discursivo-processual e não nas parafernálias tecnológicas. A mestranda relatou seus resultados diante da banca, formada por duas doutoras. Uma consideração interessante é que uma das doutoras se mostrou impressionadíssima como o trabalho e com o fato de a Katiane dominar muito bem a linguagem escrita da antropologia, já que esta migrou de outra área do conhecimento, a psicologia.
Só pra dizer que esse texto não é tão somente pura babação, já que Katiane é membro da AFIN, as duas doutoras convidadas para a banca contestaram a ausência de capítulos tratando especificamente de unidades de conservação e a ausência da pessoalidade da estudante dentro de seu trabalho.
Deixando esses psicologismos de lado, ressaltamos que a defesa de Katiane é histórica por ser a primeira defesa de mestrado no programa de pós-graduação de Antropologia da Ufam. Portanto, ela, com a aprovação, é a primeira mestra do curso.
Katiane, a orientadora Tereza...
Pelo que assistimos da defesa, foi na verdade um avanço, que, saindo da Antropologia Tradicional, abrindo-se para uma Nova Antropologia. Diríamos que a dissertação de Katiane abre-se para uma Antropologia Ativa, que não toma as populações como mero objeto de estudo antropológico para entulhar as prateleiras inúteis de milhares de dissertações. Ao contrário, faz uma interdisciplinaridade com a política, a sociologia, a filosofia, a economia e outras áreas para, em vez de apenas estudar passivamente, entrar numa relação que aponte saídas, em ação, para modificar as realidades objetivas massacrantes perpassadas pelos governo e constantemente auxiliadas pela Universidade.
Kati e os amigos do mestrado.
Na AFIN, Katiane, que já está preparando as malas para ir ao Rio de Janeiro – “se der carneiro, carneiro”, como diria Ednardo -, coordena o Esquizo-Terapêutico, é atriz de teatro, cantante e projetora do Kinemasófico, dentre outras atividades, além de mãe do Aruã “Café da Manhã”.
Em breve, o bloguinho intempestivo irá divulgar a dissetação. Aí você, leitor intempestivo, poderá avaliar também a validade para sua comunidade…
Uma Universidade é um corpus sistemático de ensino cujo objetivo social é difundir e preservar os saberes que constituem a imagem do pensamento do estado. Para tal, ela põe em atuação agentes, métodos, normas e crenças.
Como uma instituição social, para alguns; aparelho ideológico, ela carrega um organismo dividido em três partes pragmáticas:
Primeira Parte — A parte administrativa-jurídica, composta pela Reitoria, com suas sub-instâncias responsáveis pelo funcionamento técnico da administração, cujos métodos e estratégias são utilizados para fazer vigorar o pensamento do estado por meio dos conteúdos programáticos. Enunciação disciplinar.
Segunda Parte — A parte docente, com seus departamentos-administrativos, responsável pela aplicação, junto aos discentes, dos saberes instituídos como conteúdos programáticos disciplinares. Em relação à imagem do pensamento do estado, é a parte mais comprometida da instituição, já que para realização necessita tanto da crença do corpo docente como do corpo discente quanto às disciplinas. Pois, sabe-se que sua função pragmática visa unicamente disciplinar as mentes através dos saberes postos como verdades necessárias à preservação da sócio-cultura.
Terceira Parte — A parte discente, em quem a imagem do pensamento do estado procura ser refletida como verdades materializadas através dos conteúdos programáticos via atuação do corpo docente confirmadas no momento da diplomação.
SABER FORA DA CELEBRAÇÃO
Os saberes são corpos-signos instituídos como formas a serem tidas como verdadeiras. Se são necessários à preservação sócio-cultural, entretanto, não mais liberam potências criadoras em razão de se encontrarem tematizados como instrumentos à serviço da objetividade. Seus significados fazem parte da ordem dos clichês cotidianos. Servem para garantir o salário profissional, mas não servem para as transformações contínuas que a sociedade historicamente necessita.
Foi exatamente com o entendimento de que uma Universidade não deve ser apenas a transmissora inquestionável dos saberes imagem do pensamento do estado, onde os conceitos se encontram esvaziados de potências criadoras, que um grupo de estudantes criou em outubro de 1973 o GRUTA – Grupo Universitário de Teatro do Amazonas*. Uma potência/criativa/coletiva, tendo como principal fonte de produção os enunciados teatrosóficos políticos do alemão Brecht, que insistiu até os meados dos anos 80.
Com suas produções cênicas em cumplicidade com autores variados como Sófocles, Brecht, Gheon, Domingos Pelegrini, entre outros, o GRUTA, a revelia da inércia da Universidade, conseguiu estabelecer junto ao público uma textualidade social capaz de enredar a arte teatral em sua vida cotidiana como instrumento pedagógico de análise de sua condição no mundo. Mesmo sendo em tempos de ditadura. Um engajamento estético como Teatro de Encontro ao Povo. Um teatro que muito antes de Milton Nascimento, ia onde o povo estava nos passos e descompassos do Rui Brito, Marcos José, Marco Aurélio, Aparício Moraes, Dinair, Eurico Tadeu, Dinho, Socorrinho, Luis Marreiro, Ricardo Parente, Deise, Greco, Nonato Pereira, Humsilka, Luiza, Badejo, David Guarda-Belo, Silvio-Fuinha… Um grupo que se honrasse o tempo/cronos, com suas celebrações-pulsações, poderia afirmar que foi o único vetor da Universidade que levou seu nome junto ao povo como estética constituinte de novos desejos coletivos. Mas o GRUTA era intempestivo. Seus membros não eram simples alunos — sem luz —, simples crentes dos credos saídos das vozes de comando dos professores. Eram estudantes que acreditavam junto a Nietzsche, que de sua GRUTA poderia sair a potência da terra. 100 UFAMnismo, é claro.
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* A linha de atuação do GRUTA se encontra relatada no livro A Flecha do Teatro Cabocão, escrito por Marcos José e publicado pela Editora Universitária.
O FIES é um programa do Ministério da Educação, operacionalizado pela Caixa Econômica Federal, destinado a financiar a graduação no Ensino Superior de estudantes que não têm condições de arcar integralmente com os custos de sua formação.
Para os contemplados na seleção, o próximo passo é entregar na universidade as qual se inscreveram, até 19 de dezembro, os documentos que comprovem as informações prestadas no momento da inscrição. Atenção pra isso, moçada, porque o aluno que perder o prazo será ex-aluno, será desclassificado. Nesse caso, melhor para os que estão à espera, pois, havendo sobra de vagas, haverá uma segunda chamada.
Para os que comprovarem toda a documentação, ser-lhe-á entregue pela instituição de ensino superior um documento de aprovação para o financiamento. Munido deste documento, o aluno deverá fechar o contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal até 23 de janeiro.
Aí, moçada, é só correr pro abraço da vovó, mas também, e principalmente, jogar-se na construção de novos saberes construtores de um engajamento científico, social, ético no mundo, deixando de ser mero a-luno (sem luz) e tornando-se estudante, aquele que movimenta o conhecimento para a produção do Novo. Valeu!
Segundo o filósofo Michel Foucault, uma disciplina é constituída “por um domínio de objetos, um conjunto de métodos, um corpus de proposições consideradas verdadeiras, um jogo de regras e de definições, de técnicas e de instrumentos”. Como disciplina carrega elementos de um discurso ou de vários, que atuam diretamente ou indiretamente sobre os sujeitos que se tornam seus porta-vozes, muitas vezes anonimamente.
Na escola, uma disciplina é um corpus atuante da imagem do pensamento do estado colocada em prática por um agente-professor graduado e reconhecido por este estado como autoridade capaz de difundir e preservar esse pensamento através de sua semiótica discursiva jurídica-pedagógica-escolar. A prática dos conteúdos programáticos. Daí que muitos professores sejam meros passadores destes conteúdos discursivos.
Com a obrigatoriedade do ensino da disciplina filosofia nas escolas do grau médio, duas proposições se mostram para serem examinadas na compreensão do que sejam escola e filosofia.
I – PROPOSIÇÃO
Para alguns a escola é a instituição do estado — aparelho ideológico —, onde o educando busca informação-formação por via das disciplinas que lhe possibilitarão ler e interpretar os códigos sócio-culturais de sua realidade, para que, munido destes conhecimentos-instrumentos, possa produzir elementos necessários à sua existência em sociedade. Nesta proposição, a escola é um território com estados de coisas bem definidos por suas funções e suas metas, e o professor atua como agente ensignador (aquele que não examinou a ordem dos signos e métodos que o graduaram) do discurso do estado, o organismo a ser preservado. Como ensignador, o professor não suspeita que é apenas a ressonância do corpus-significante dominante e jamais um educador, o que produz novas formas de percepções, afectos e cognições juntamente com o educando. A fundação ontológica do educar. Para este ensignador, o ensino de filosofia será tratado como qualquer disciplina escolar que sustenta um discurso distante da criatividade e atuação comunitária. Nada do filosofar. Apenas ilustrações de História da Filosofia com suas doutrinas e sistemas. Na verdade uma teologia com suas definições de essência, substância, Uno, primeiras causas, coisa em si, fim último, transcendência… Nada de tomar com Marx que “os filósofos não brotam da terra como cogumelos. Eles são frutos da sua época, do seu povo”. Muito pelo contrário. Para si, os filósofos são entes vegetativos.
II – PROPOSIÇÃO
Já para outros a escola é um território que, embora com estados de coisas definidos, é o espaço-virtual de bons encontros capazes de aumentar a potência de agir do educando. Uma espécie de topos-grego democrático, sociedade dos amigos, onde se movimentam uma imanência especulativa, a amizade dos plurais e o diálogo criador. Aí o professor-educador tece, amigavelmente com os educandos, a cartografia dos desejos, os processuais fundadores de novas formas de existências. Micros-percepções poiéticas. Entra na órbita produtora de novos conceitos; outros perceptos: novas formas de ver e ouvir; e outros afectos: novas formas de sentir, como afirmam os filósofos Deleuze/Guattari. Isto tudo na condição de que educação e filosofia são inseparáveis na experiência do pensar como potência do ver e falar. “A condição de que o olho não permaneça nas coisas e se eleve até as ‘visibilidades’, e de que a linguagem não fique nas palavras ou frases e se eleve até os enunciados”, de acordo com o enunciado filosófico, Foucault/Deleuze. Este, o jogo filosofante. Tomar-se como princípio, e não insuportável conseqüência. Na linguagem esportiva, habitante do buraco negro, mero cumpridor de tabela existencial da pálida refração do que lhe foi dado a ouvir e ver. O suporte da ilusão de possuir vontade e desejos próprios.
EDUCASÓFICA
Escapar da doxa-rígida dos enunciados dos sistemas e doutrinas filosóficas que se fazem memória-arquivo-representativo, servindo apenas para citações de salão do tipo erudição inútil. Para professores carreiristas, argamassa fundamental ao alpinismo profissional. Para algumas escolas e alguns pais, arrebatamentos purpurínicos: “Nossa escola é séria, também oferece ensino de filosofia”. “Que bárbaro, meu filhinho está estudando filosofia!”. Bizarrice da inteligência burguesa. A filosofia não é séria, é uma festa. O bárbaro da filosofia são seus devires, seus sopros, suas trepidações, e não suspiros glaciais.
Desta maneira, a disciplina filosofia na escola atuará como produtora de novos saberes e novos dizeres, deslocando-se como devir e não como memória-representativa, recognição dos conceitos e das funções escolares como modelos de clichês ensignantes. O que só ressona, não cria, não declina o ângulo do conhecimento para outras experiências. Mas interdita a Vontade de Saber, a potência que ultrapassa os discursos já postos, anêmicos e anemizantes. O que é supérfluo à educação/filosófica.
No mais, Platão pode, mas na condição de não se imobilizar em subidas e descidas maníacas/depressivas que constituem o Idealismo, com todas suas faces, como a patologia da Filosofia (Deleuze).
O senado aprovou a obrigatoriedade do ensino das disciplinas Filosofia e Sociologia nas três série do Ensino Médio. Agora falta o Lula aprovar. Do que o povo conhece de Lula quanto aos saberes, já está aprovado. Apesar da oposição de grande parte dos proprietários de escolas particulares, que não pretendem ter mais gastos com professores.
Alvíssaras! Sim, alvíssaras! Todavia, agora está nas mãos dos graduados nas duas disciplinas em realizarem a práxis social que exige a sociedade. Principalmente o exercício filosófico, que é sempre confundido com história da filosofia na maioria dos cursos de filosofia. O que passa a ser mais um catecismo teológico.
Se for apenas para traçar uma figuração ilustrativa da história da filosofia, onde se vai contar apenas a parte inerte dos sistemas filosóficos, de nada vai adiantar a aprovação da lei. A práxis filosófica nas escolas não pode ser transformada em desérticas aulas como outras desérticas apresentações de outras disciplinas escolares.
A práxis filosófica é para quem está comprometido com a vida. Para quem quer compor novas formas de saberes e dizeres que estejam livres das mitificações e mistificações responsáveis pelos preconceito, discriminações, exaltações do irracional. A filosofia é um movimento de liberdade. Daí porque os tiranos a temem.
Ensinar os sistemas e as doutrinas filosóficas é necessário, mas não é filosofar. Não é a fundação de um estado democrático. Tudo que a maior parte das escolas particulares não desejam.
Quanto ao ensino de sociologia, nada de se tomar como uma deidade sociológica que ao ter nas mão dados do já ocorrido em sociedade, faz prognóstico sobre uma realidade que nem se sabe se se atualizará. Posição que nega o devir social do homem construtor de novas relações sociais.
Se as duas disciplinas não se tornarem práxis constitutivas do novo, confirmam os tiranos: são desnecessárias.
Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:
CAMPANHA AFINADA CONTRA O
VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN
Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.
"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).
Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.
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