Arquivo para a categoria 'Rua'

MAUÉS-AM, UMA NÃO-CIDADE TAMBÉM

O markenting propagandistíco transforma pedra em ouro. Simula-se tudo para mostrar o real não real. Assim como ocorre na capital do Estados que a chamamos de não cidade, também ocorre no interior. Estamos na cidade de Maués. Nossa equipe já esteve no rio Apocuitaua onde observou, conversou e entrevistou moradores que falaram da maneira como vivem. O material está sendo preparado para divulgação. Entretanto, o relato de hoje, é para ratificar o que já escrevemos anteriormente sobre a antiga Luseia.

Maués situa-se no Médio Amazonas. É uma  não-cidade que durante sua existência sempre foi governada por pessoas da classe dominante, da elite. A única vez que conseguiu ser administrada por uma pessoa, filho da classe trabalhadora, o atual prefeito, não conseguiu fazer um governo voltado para os interesses da população porque esteve sempre amarrado aos governantes anti-povo: Alfredo Nascimento, Eduardo Braga e agora ao atual governador.

A não cidade de Maués, que já foi alvo de inspeção pela CGU possui inúmeras obras do governo federal conveniadas com a prefeitura municipal que “entra e sai ano”, como diz o ditado popular, e  tais obras não são concluídas. O porto da cidade que foi projetado para embarque e desembarque de passageiros e mercadorias está embargado. As vigas de sustentação da ponte que liga ao terminal não suporta um caminhão carregado. E a obra vem de quando o ex-ministro Alfredo Nascimento estava no Ministério dos Transportes. Se gastou tanto dinheiro e a obra está inacabada e não oferece condições de utilização.

 A ampliação da orla da frente da cidade também segue inacabada. É um serviço que não se conclui e bastante dinheiro já foi empregado na obra. O muro de arrimo foi feito, carradas de barro foram depositados e o que vemos é muita lama e uma frente da não-cidade, suja.

 O cartão postal do que seria uma cidade,  Maués, a praia da ponta da Maresia está repleta de lixo. Garrafas pets, copos descartáveis, garrafas de vidro, restos de alimentos estão poluindo o rio Maués-açu.

 No bairro Ramalho Júnior,  consta que o governo federal através da Caixa Econômica Federal  firmou um convênio de R$ 1.500.000,00 do qual já repassou  R$ 500.000,00 para a Prefeitura construir um empreendimento voltado para a juventude. Já passaram vários meses e até agora só existe os piquetes demarcando a área a ser construída.

As ruas estão sujas, há muito capim, cerrados e a cidade tem uma grande quantidade de carapanãs que nunca acabam. Por estarmos no período chuvoso a lixeira que não parava de emitir fumaça poluidora para a região urbana deu uma trégua, mas ainda há muito por fazer por esta cidade para que o dito popular não se torne fato. “Maués, mal fostes, mal serás.”

Depois de tudo isso e do que está acontecendo no sudeste do Brasil, não vamos culpar a natureza pelas catástrofes naturais, pois de acordo como que dissemos ontem, o resultado de tudo isso é cultural, obra e criação única do homem.

 

MANAUS: A NÃO-CIDADE

Quando a polis grega surgiu foi devido as necessidades daquele povo   estabelecer relações políticas e religiosas. A cidade grega compreendia a organização de todas as famílias para a manutenção e preservação. Ela possuia um local chamado ágora (praça) onde as questões relacionadas à vida dos homens eram discutidas e solucionadas.

Noutros cantos bárbaros, cidades foram soerguendo-se. Na Europa, com a passagem e convivência do feudalismo com a nascente burguesia capitalística, esse modelo foi ganhando maiores proporções. A vida urbana a partir das crises européias e com o advento da revolução industrial na Inglaterra o homem passou a relacionar-se com uma cidade que vai oferecê-lo de tudo.

O capitalismo vai criar mecanismos de capturas do homem, ditando procedimentos e impondo formas de comportamento. Comportamento para o consumo e também para o alheamento, a não tomada de atitudes, ao servilhismo e  à imobilidade.

Manaus, que para nós a consideramos não-cidade, foge ao modelo grego acima mencionado. O local público onde se deveria discutir  temas relacionados à não-cidade, anula-se porque ali referenda-se as decisões do executivo municipal e poucas são as vozes contrárias na Câmara de Vereadores.

Neste blog já enumeramos várias características de Manaus que justificam o título de não-cidade. Mas a fundamental de onde saem todos os males é que ela sempre foi governada por famílias que mantiveram poder centralizador em detrimento da participação coletiva e disso resulta o alto índice de homicídios, tráfico de drogas, assaltos, falta de transporte coletivo, de atendimento médico-hospitalar satisfatório, educação reprovada tanto no nível fundamental, médio e superior como demonstrou o último ENADE com a maioria das faculdades sediadas aqui, falta de um plano diretor que fez com que a cidade transbordasse.

Manaus, a não-cidade é a única em que as casas andam e ruas se transformam em prédios particulares. Exemplo: A Casa do Eletricista foi construída numa apropriação de parte da Rua Barcelos com a Silva Ramos com a conivência da Prefeitura Municipal da não cidade de Manaus.  Ainda quando o português Eira governava por aqui, na Rua Silva Ramos, próximo ao Colégio Auxiliadora, uma casa avançou 35 cm sobre o passeio público e continua lá com seus porcelanatos reluzentes.

Nesta não-cidade, o pedestre arrisca a vida andando no meio da rua porque o passeio é tomado por carros que estacionam num total desrespeito às leis de trânsito.

Conhecemos  pessoas menos aquinhoadas que resolveram reformar ou construir casas de alvenaria, algumas modestas, outras não tanto, fruto das transformações econômicas vividas e proporcionadas pelo governo Lula. Talvez por denúncias, quando menos se esperava, os fiscais da antiga URBAN chegavam embargando a construção por falta da licença do órgão.

Em Manaus, a não-cidade, ocorrem fatos que não podemos deixar de questioná-los. Próximo ao 6º Batalhão, no Mutirão, há uma igreja da Assembléia de Deus e  um “largo” público. Primeiro construíram no “largo” um palco e agora está lá a lanchonete do Barroso. Tudo indica que a igreja ganha la babita orando e vendendo lo ranguito.

Um fato mais concreto que denega a cidade foi a violência praticada  contra um professor da UFAM pelo irmão do atual governador do Estado do Amazonas e que a título de indenização coube-lhe R$ 15.300,00 que foi recusado e repassado para uma casa que trata de crianças com câncer.

Pra finalizar, queremos noticiar, que na Avenida Autaz Mirim, antes Grande Circular, Zona Leste da não-cidade de Manaus, confronte a UBS Leonor Brilhante está sendo construído um prédio muito grande que populares declaram que será um shopping .

O que chama atenção é que no prédio,  pela Grande Circular não há nenhuma placa da Prefeitura com a licença onde indique o proprietário, o ramo de atividade, engenheiro responsável e valor da obra. Se por ventura, tal placa está para o lado do igarapé do Mindu que corta o Tancredo Neves, mesmo assim, indagamos: por que não está na Grande Circular.

Essa Avenida é bastante movimentada e ali passam diariamente deputados, vereadores e será que ninguém atentou para esse fato? Se por ventura, a placa esteja fixada  para o lado do Igarapé, o empreendimento cumpre o que determina a lei, caso contrário infringe-a.

A infração poderia ser estranha numa cidade, mas como trata-se de  uma não cidade, para os amigos os favores da lei, para os pobres o embargo da obra e os rigores da lei.

REINO UNIDO CONTINUA PALCO DE PROTESTOS

Pelo quarto dia consecutivo a Inglaterra foi palco de protestos provocados por moradores revoltados com o assassinato do jovem negro de 29, pela polícia, no sábado, quando foi abordado por policiais dentro de um taxi. O jovem pai de quatro crianças, foi acusado de ter entrado em confronto com a polícia, mas exame de balística divulgado ontem, dia 8, mostrou que a bala é de arma usada pela polícia de Londres.

Os protestos que tem se espalhado por várias cidades do Reino Unido, principalmente em Londres, já fez com que a força policial prendesse mais de 650 pessoas só na capital e em Birmingham. Os protestos que são marcados por incêndios em prédios e veículos, além de saques em lojas e supermercados, e que, como conseqüência, provocou a morte de uma pessoa, além de outras cidades, já atingiu as cidades de West Bromwich, Wolverhampton, Manchester e Salford, mesmo com a presença e repressão exercida por mais de 16 mil policiais nas ruas das cidades.

O recrudescimento dos protestos levou o governo inglês a pedir que os policiais deixem suas folgas para se juntarem às tropas de repressão contra os distúrbios. Enquanto isso, com medo das revoltas lojistas estão deixando de abrir seus comércios.

LULA REALIZA A FESTA DO OITAVO NATAL JUNTO COM CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS E MORADORES DE RUA

Foram oito anos ininterruptos nos quais o presidente Lula realizou junto com os catadores de materiais recicláveis e os moradores de rua o natal feliz como “nunca antes na história deste país” aconteceu. E, mais ainda, levou a sua companheira Dilma Vana Rousseff à presidência eleita, para a festa que contou com as presenças de ministros e outros membros de seu governo, que chega ao seu final em um incontestável progresso político/administrativo.

A rua cata, a rua canta e encanta com luta”. “A luta é boa, a luta é dura, mas continua”. Esses dizeres escritos no painel do evento, por si só já mostravam a força construtiva de uma composição que se revelou grandiosa. O governo Lula e os companheiros trabalhadores catadores de materiais recicláveis e a população de rua.

Foram mais de dois mil participantes na festa em que Lula, felicíssimo, abraçou e foi abraçado com direito à centena de presentes e votos de felicitações dados pelos catadores e moradores. Todos queriam tirar foto junto com o presidente, que com políticas sociais conseguiu fazer com que esses trabalhadores aumentassem suas auto-estimas e passassem a se sentir integrados na sociedade como força de trabalho necessário, e não párias esperando apenas o fim de suas existências sem terem tido oportunidade de escrever seus próprios textos existenciais.

Se em 2009, o governo Lula assinou o Plano Nacional do População de Rua, este anos, além da concretização de parte do plano, foi assinada a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Programa Pró-Catador. E no dia 28, terça-feira, será assinada a Medida Provisória de incentivos tributários aos empresários para que eles comprem materiais recolhidos por catadores.

Como sempre ocorre todos anos nessa festa natalina, vários quadros artísticos são apresentados como atrações. Quase todas as atrações com criação e atuação dos próprios trabalhadores. Esse ano não foi diferente. Um verdadeiro espetáculo de criatividade e alegria tomou conta da festa que por sua singela composição heterogênea já afirmava a priori seu sucesso.

Foram vários os discursos em tom de despedida do presidente Lula, agradecimentos e cobrança do próximo governo para que as políticas iniciadas pelo governo que finda continuem. Alguns líderes de movimento sociais se fizeram ouvir pelos presentes e através da mídia.

A matemática antes era muito simples: se não havia contagem (da população de rua), então não havia população de rua, e portanto não precisava de políticas públicas”, analisou a representante do Movimento Nacional da População de Rua, Maria Lúcia Santos Pereira, para quem, no governo Lula a invisibilidade dessas pessoas acabou.

Por sua vez, disse o artista plástico Ubiratan Freire, sintetizando Lula. “Lula é trabalhador, humano, uma pessoa que sofreu e que conseguiu manter a personalidade”.

Alguns membros do governo Lula também usaram da palavra para analisar a situação dos trabalhadores catadores e a população de rua, como foi o caso do chefe de Gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

Muito à vontade, sempre sorrindo, alegre e tentado acompanhar cantando as músicas entoadas pelos participantes, a presidenta eleita, Dilma Rousseff, em seu discurso, se comprometeu em dar continuidade aos encontros com os catadores e a população de rua.

É época de natal e temos de fazer duas coisas: a primeira é olhar o mundo e pensar o que fizemos nesse período para transformá-lo e o que devemos fazer para continuar essa transformação”, considerou a presidenta eleita para quem “a profissão de catador será um instrumento de trabalho.

Dilma disse também que fará tudo para equiparar catadores a outras profissões. “Uma política permanente de financiamento bancário, para equipara catadores a outras profissões.

Não descansarei enquanto não conseguir dar as melhores condições possíveis para que esse processo avance e os catadores, cada vez mais, saiam do lixão, organizem cooperativas, tenham seus caminhões, suas máquinas.”

Não é possível que o poder público não encontre uma resposta para o problema dessas pessoas. É a mentalidade geral do governante brasileiro. Para aquele que aparentemente só ‘incomoda’, você tenta tirar da rua, mandar para a prisão, tenta de alguma forma fazer desaparecer”, considerou Gilberto Carvalho.

Quando Lula foi fazer uso de suas palavras para falar sobre as políticas sociais que engrandeceram as existências dos presentes, e elevou o sentido de seu governo, assim como agradecer a todos, foi um verdadeiro frenesi. Uma exultação que afetou de contentamento todos os presente. Lula lagrimou e falou balbuciando com tanto afeto singular.

Quando foi que se imaginou que o presidente do BNDES viria ao encontro com catadores de papeis? Jamais! Essa quantidade de ministros, a Fundação Banco do Brasil. Dois presidentes de uma vez só. O entrante e o ‘sainte’.

O compromisso que tenho com vocês não é porque eu era presidente. É o compromisso de um ser humano, de um brasileiro que sabe a importância que vocês têm”, discursou Lula.

MORADORES DE RUA TERÃO ACESSO À JUSTIÇA

Os moradores de rua de todo o país poderão ter acesso à Justiça com maior facilidade. É o que propõe um novo projeto do Ministério da Justiça que irá potencializar os resultados de políticas sociais, como a Política Nacional para a População em Situação de Rua, que foi instituída no ano passado pelo presidente Lula, cujo programa é desenvolvido pela Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça e pela Defensoria Pública.

Nossa intenção é trazer um pouco da experiência do movimento da população em situação de rua para que os defensores possam mapear quais são os principais problemas, as principais demandas que eles possam encontrar e qual seria a forma de abordagem e de atendimento desse público”, considerou Marivaldo Pereira, secretário de Reforma do Judiciário.

Com o resultado satisfatório do seminário sobre o programa ocorrido em novembro, voltado para a troca de experiências entre defensores públicos, especialistas no atendimento e desenvolvimento de políticas públicas para a população de rua e de entidades representativas, outros seminários e oficinas de capacitação, irão acontecer no país. O objetivo é estabelecer diretrizes e metodologias para viabilizarem o atendimento da população da rua, irão acontecer em todo o país.

O objetivo é capacitar essas pessoas que estão em contato direto com a população de rua para que elas saibam quais são as situações em que cabe encaminhamento à Defensoria Pública e como fazer esse encaminhamento.

Há estados em que a melhor forma de atendimento é o assistente social encaminhar e a defensoria fazer o atendimento. Há situações em que não há atendimento nenhum e , por isso, terá de ser feito por uma parceria entre a Defensoria Pública e entidades religiosas. Também serão feito atendimentos itinerantes”, afirmou Marivaldo.

MOVIMENTO DOS MORADORES DE RUA DISCUTE A VIOLAÇÃO DE SEUS DIREITOS

Falando no Seminário Nacional Sobre Direitos e Garantias da População, que ocorre hoje e a amanhã, em Brasília, e que é promovido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Anderson Lopes Miranda, um dos coordenadores do Movimento Nacional dos Moradores de Rua (MNMR), expôs a situação que se encontram os moradores de rua. Anderson deu ênfase às violências que são submetidos pelas polícias militar, civil e guarda municipal. O Seminário tem como objetivo articular as políticas sociais e aproximar os órgãos de proteção, como as defensorias públicas e o Ministério Público.

Não adianta falar da esfera federal se não convencer os estados e municípios, que são os maiores violadores dessa população. Os prefeitos ainda pagam passagens para expulsar moradores de rua de sua cidade, as polícias dos estados violam direitos e guardas municipais agridem”, expôs Anderson.

Ele falou ainda sobre violências que são cometidas através de decisões de alguns governos como “o choque de ordem” no Rio de Janeiro; “ações higienistas” em São Paulo, e as ações violentas da guarda municipal de Belo Horizonte, que “tomam documentos dos moradores de rua”. Para Anderson, os estados e municípios erram quanto às suas ações para os moradores de rua quando destinam os recursos da assistência social só para o atendimento dos moradores de rua e não criam políticas para moradia, saúde, educação, trabalho, lazer e cultura.

Pedimos que o Ministério Público seja sensibilizado. As pessoas de bermuda e camiseta não podem entrar no Ministério Público”, disse Anderson. De acordo com sua análise, os moradores de rua incomodam porque são pobres. “A gente incomoda. É uma situação que ninguém quer ver, ninguém quer participar. A sociedade começa a criticar: ‘tem gente dormindo na minha rua, tem gente dormindo na minha porta’”. Ele defende a tese de que a falta de políticas sociais conserva “a violação de direitos dos pobres que querem se incluir na sociedade”.

Mas para Anderson há o vislumbre de mudança de situação com o governo da presidenta eleita Dilma Rousseff. É que no período eleitoral Dilma Rousseff se encontrou com os moradores de rua e o tema deixou de ser pauta para ser agenda da presidenta.

POLICIAIS FEDERAIS MORREM NO AMAZONAS EM OPERAÇÃO CONTRA O TRÁFICO

Dois policiais federais que participavam hoje, dia 17, pela parte da madrugada, em operação contra o tráfico de drogas no município de Anamã, no Amazonas, foram mortos em confronto contra os traficantes.

O fato ocorreu quando a equipe da Polícia Federal, composta por sete policiais, tentou se aproximar de uma embarcação suspeita de transportar meia tonelada de cocaína. Logo depois outro barco, que escoltava o anterior, se aproximou e iniciou o confronto.

Os policiais mortos foram Mauro Lobo e Leonardo Matsunaga. Seus corpos serão transferidos para Manaus e Brasília.

TRÊS REIS MAGOS PERDIDOS EM UMA CIDADE SUJA

Aproximando-se a meia-noite do nascimento do sagrado bebê, filho de Maria e José, concebido pela graça do Espírito Santo, e que se chamaria Jesus Cristo, e seria pregado na cruz pelos ímpios, que usariam seu nome santo para proteger seus atos infames, os três Reis Magos – Baltazar, Melchior e Gaspar – preparam-se, juntamente com os presentes a serem ofertados ao bom bebê, para seguir viajem a Belém, cidade natal de Jesus.

Contagiados pela alegria, montaram em seus camelos e seguiram rumo a dentro para a cidade de Jesus, cantando felizes a música paraense, “Jesus em Belém foi nascer, quem me dera morrer em Belém do Pará. Ta aqui o tucupi, tem mais o jambu, quem quer camarão, quem quer tacacá”. Cantando, inebriados pela celestial missão, e no sacolejo das corcovas dos camelos, os Reis Magos dormiram confiantes que seus animais sabiam o caminho.

Horas depois, perturbados pelo barulho dos cascos dos camelos em um chão sólido, acordaram. Surpresos, perceberam que estavam em uma praça. Mais surpreso ainda ficaram quando entenderam que se tratava de uma praça adornada com elementos alegóricos querendo insinuar ser referentes a Jesus. Ficaram observando todo o cenário, quando escutaram um homem, com modos servis, falar como seria a festa do Natal, e depois passou a ler um texto fazendo referência ao Natal com analogias às tecnologias. Também ouviram outro homem servil afirmar que Papai Noel desceria em um guindaste para tornar o espetáculo natalino mais realista. Viram muitas crianças ensaiando uma coreografia para a dita festa, com seus pais maravilhados. Confusos, se interrogaram se ali onde se encontravam era a cidade de Belém. Sentiram uma forte decepção. Como não tinham certeza se a cidade era Belém, resolveram ali mesmo formar um Conselho para discutir o que fazer para descobrir o enigma geográfico-urbano.

OS REIS MAGOS DESCOBREM MANAUS

No final do Conselho, chegaram ao consenso que deveriam andar pela cidade e conversar com pessoas para saber que cidade estranha era aquela. Procuram uma estalagem para deixar seus camelos, mas só encontraram estacionamentos. O proprietário de um estacionamento, vendo que algumas crianças estavam atraídas pelos camelos, e sentindo a possibilidade de levantar uma grana exibindo os camelos, aceitou que os animais ali ficassem, mesmo ameaçado de ser multado pela prefeitura ávida por dinheiro.

Resolvida a questão ‘cameloante’, os Reis Magos se puseram a itinerar. Chegaram próximo de uma banca de vender jornais e leram as manchetes: “Prefeito Amazonino é cassado pela insigne juíza Maria Eunice Torres dos Nascimento”; “Deputado estadual Wallace Souza, depois de cassado, foi preso suspeito de autoria de vários crimes”; “Vice prefeito é preso por suspeita de cumplicidade com seu irmão Wallace”; “Vereadores aprovam taxa do lixo”. “Vereadores rejeitam os pedidos de impeachment”, etc. Diante das notícias jurídicas/policiais, bradaram em uníssono: “Arre, égua! Aqui não pode ser Belém. A cobrança dos impostos mostra muito bem!” Então resolveram pegar um ônibus. Depois de duas horas esperando, que aproveitaram para conversar com o povo, conseguiram entrar em um totalmente avariado, além de superlotado. Depois de uns quilômetros, resolveram descer. Logo na descida, os três caíram em um buraco e foram sair no quintal da casa de uma senhora que esta assando um jaraqui. A senhora, sorrindo, perguntou se eles eram servidos no comer do povo. Provaram um pouco do peixe, gostaram, disseram que era o alimento do Senhor, e logo em seguida perguntaram o preço. A senhora disse e eles tomaram um puta susto, exclamando: “Como pode um peixe do povo ter esse preço?!”. Deram duas moedas de ouro à senhora e partiram. Passaram por uma escola caindo aos pedaços e disseram: “Como que uma criança pode aprender em um lugar como esse?” Viram operários trabalhando em uma construção sem nenhuma proteção. Viram meninas se prostituindo, rapazes se drogando, outdoor de propaganda dos governantes, deputados e senadores, todos usando o nome de Jesus.

Sentaram em uns bancos em uma calçada onde uma senhora vendia churrasco de peixe, pediram três, e começaram a papear com a mulher. Em poucos minutos a senhora falou que naquela cidade o povo sofria muito com falta de emprego, falta de moradia, falta de água, falta de energia, falta de segurança, e eles, pensativos, não acreditavam que aquela cidade com tanta pobreza e tanta violência instituída pudesse ser Belém, a terra natal de Jesus Cristo. Pagaram a senhora com três moedas de ouro, e aproveitaram para pegar um ônibus que parou logo em frente.

Depois de muito empurra-empurra, amassa-amassa e solavancos, desceram do ônibus ouvindo um homem gritar dentro do veículo para uma moça: “Quer conforto? Pega um táxi, otária. Aqui quem for podre que se foda! Aqui é a Zona Leste, porra! Tá achando ruim? Vota outra vez nesse prefeito!” Uns dez metros à frente um homem pediu uma esmola, dizendo ser para comprar o Natal de seus filhos. Recebendo cada um uma dose de 25 centavos nos rostos, eles deram uma moeda de prata ao bom pai. Embrenharam-se por ruas e mais ruas. Quando deram por si, perceberam que estavam no meio do mato e já era noite. Caminharam mais alguns metros na escuridão, quando viram distante uma luz.

Seguiram em direção à luz. Conforme iam se aproximando, começaram a ouvir diálogos familiares. Chegaram bem perto, viram algumas pessoas pobres assistindo contentes uma peça de teatro, encenada por atores amadores, que contava a história do nascimento de Cristo. Um casal que sai do interior para a jovem-mãe ter o filho na cidade, porque onde os dois moravam não havia qualquer condição para o parto. Chegados à cidade, os dois passam por todos os sofrimentos que a miséria administrativa impõe ao povo. Assalto, ameaça, expulsão, falta de assistência hospitalar para o nascimento da criança, total ausência de solidariedade. Só que sempre protegidos contra o pior por dois anjos. Então, depois de não conseguirem nada na cidade para a realização do parto, eles são empurrados para a periferia. Entram no mato e encontram um grupo de pessoas que os acolhem. A criança nasce em parto natural feito por uma parteira do grupo, meia-noite, na chegada de Natal.

Foi, então, que eles entenderam que a cidade que eles atravessaram não era Belém, o lugar onde o menino Jesus ia nascer. Belém era o lugar distante onde eles se encontravam no meio do povo, participando pela primeira vez em suas histórias do nascimento de Jesus Cristo, em presença.

Muito felizes com o que viram e participaram, distribuíram presentes e moedas de ouro aos atores e aos moradores da comunidade, que converteram as moedas de ouro – que eram muitas – em real e aplicaram na comunidade, asfaltando as ruas, melhorando as casas, saneamento básico, escola, posto médico, o necessário para viver dignamente. Movidos pela práxis política, elegeram um prefeito. Como a comunidade era fora da cidade, nenhuma dita autoridade da cidade miserável teve ingerência sobre ela. Assim, viveram por muitos e muitos anos, até o momento em que a Terra desapareceu.

LULA ASSINA DECRETO QUE PROMOVE OS DIREITOS DA POPULAÇÃO DE RUA

Com o objetivo de promover os direitos humanos, políticos, sociais, econômicos, civis da população de rua, o presidente Lula, em cerimônia em São Paulo, assinou um decreto instituindo a política nacional que trata dessa população, e que ficará a cargo da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

Inicialmente, segundo Lula, serão criados em todo o Brasil centros nacionais de referência em direitos humanos como parte da política para população de rua.

Significa que vai ter um local em cada estado e quando acontecer um desrespeito aos direitos humanos vocês não vão ter que ficar como uma barata tonta, porque terão um centro de referência onde poderão encontrar alguém para ajudar vocês”, afirmou Lula.

Para atender exigências dos movimentos sociais por moradia popular, Lula assinou um convênio para doação de dois prédios do centro de São Paulo. Falando sobre o ato, Lula disse: “Foram dois de um lote de 25 prédios da União para fazermos a repartição no valor de R$ 20 milhões. Todos eles terão que ser reformados, adequados e dedicados à moradia popular nas áreas centrais das grandes cidades brasileiras”.


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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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