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Entidades realizam marcha contra o racismo em SP

Entidades convocam marcha para este sábado (11), às 14 horas, com saída marcada na praça do metrô Santa Cecília, no centro de São Paulo. Para organizadores da manifestação, racismo, higienização sócio-racial e criminalização da pobreza são algumas marcas da administração do Estado e da cidade de São Paulo. Ações recentes da Polícia Militar mostrariam ligação entre esses temas.

Fábio Nassif

Racismo, higienização sócio-racial e criminalização da pobreza. Essas são algumas marcas da administração do Estado e da cidade de São Paulo, na opinião de diversas entidades que realizarão uma marcha neste sábado (11), às 14 horas, que será iniciada na Praça do metrô Santa Cecília, no centro da capital.

Ações recentes da Polícia Militar mostram a ligação entre os dois temas. São majoritariamente negros os desalojados na Favela do Moinho e no Pinheirinho, os expulsos da Cracolândia e os executados pela polícia paulista por “resistência seguida de morte”.

No manifesto de convocatória do ato, são citados os casos de Ester Elisa da Silva Cesário, obrigada a alisar o cabelo para permanecer com seu emprego; Michel Silveira, preso injustamente por dois meses (apesar das provas evidentes de inocência), e Nicolas Barretos, agredido pela PM dentro da USP.

“O racismo brasileiro é isso: assassinato direto e indireto, maus tratos, falta de políticas públicas, desleixo, naturalização da desgraça, criminalização da pobreza”, afirma o texto. Douglas Belchior, da Uneafro (União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora), afirma que o racismo é o pano de fundo de várias ações do Estado.

“De um lado está o poder, a arma, a força repressiva e do outro lado está o povo pobre na sua esmagadora maioria composta por negros”, disse Belchior. Perguntado se ele enxerga um aumento de casos de racismo no último período, o professor de história se indigna com fatos que não param de acontecer, mas diz que “a diferença é que isso tem sido mais explorado, pois nosso povo tem gritado mais. As pessoas têm ficado menos calada diante da discriminação racial. Isso pra nós é positivo”.

O Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra, que organiza a marcha, pretende ainda realizar uma aula pública, apresentação de grupos culturais e outras atividades na quinta-feira (9), em frente ao Teatro Municipal, como forma de convocação para a marcha.

*Carta Maior

VÍDEO MOSTRA POLICIAL MILITAR AGREDINDO ESTUDANTE NO CAMPUS DA USP

A agressão policial ocorreu no momento em que uma equipe da Polícia Militar entrou na sede do Diretório Central dos Estudantes para desalojá-los por ordem da atual administração da Reitoria que diz pretender reformar.

No auge da discussão entre os estudantes e um policial que comandava a equipe para desalojá-los, um estudante disse que a policia deveria ter uma ordem legal para realizar ação, o que, segundo ele, o policial não tinha.

De repente, o policial perde o controle e ao ouvir outro estudante protestar, se dirige a ele perguntando se ele era estudante, ao que rapaz respondeu que sim. O policial pede que ele se identifique com a carteira, e o rapaz responde dizendo que tem é sua palavra. Então o policial destrambelho e foi para cima do rapaz, esmurrando, chegando a lhe ameaçar com o revolver. Uma demonstração de despreparo de um funcionário público cuja função é realizar a segurança da sociedade.

Entrevistado pelo Blog Outro Brasil o estudante agredido Nicolas Menezes Barreto, músico e aluno do curso de Ciências da Natureza, na Escola de Artes, Ciências e Humanidade (EACH/USP), afirmou que foi escolhido para ser agredido por ser negro e ser o único lá, com dread – cabelo rastafári.

“Eu era o único negro lá, com dread. Sem dúvida foi racismo. Ele foi falar comigo porque pensou que eu não era um estudante, e sim um traficante, algo assim. Tanto que se surpreendeu quando viu que eu era estudante.

 O cara estava virado no capeta, não sei o que aconteceu. Tem de pagar as contas também, né. Mas não aceito.

Quando eu falo no vídeo, com o punho de mão fechado, estava dizendo que nós estávamos cuidando do espaço e que não precisamos da reforma da Reitoria. Ele não entendeu isso e veio pra cima de mim.

Tentei me defender para não tomar um tapa na cara, ou um tiro na barriga, pois ele me apontou a arama”, disse Nicolas.

Para o comandante da PM na zona oeste da capital paulista, o sargento Andre Luiz Ferreira, o tresloucado agressor, teve um comportamento que pode ser classificado como “destempero emocional”.

De acordo com o comandante da PM o sargento agressor foi afastado de suas funções temporariamente.

Ver o vídeo para desdobrar análise do que é segurança pública.

ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL COMPLETA 1 ANO CIENTE DE SUA IMPORTÂNCIA

Hoje, dia 20 de julho, o Estatuto da Igualdade Racial completa 1 ano de sua criação, contando alguns ganhos, algumas perspectivas, mas ciente de sua importância. O projeto de lei que deu origem ao estatuto de autoria do senador Paulo Paim (PT/RG), e que foi sancionado pelo presidente Lula como Lei 12.288/2010, antes de ser promulgado, tramitou por quase uma década pelo Congresso, tal sua importância demonstrada pelos obstáculos que teve que superar.

Mas o estatuto ainda não se encontra em total funcionamento. Alguns artigos considerados polêmicos foram extraídos, e o Executivo, através da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), analisará os pontos da lei para que sejam desdobrados em leis específicas para facilitar sua aplicação.

O senador Paim, embora lamente que a regulamentação desses pontos ainda não tenha ocorrido, mesmo passado 1 ano da sanção da Lei, ele considera que houve um avanço na aplicação dos direitos das pessoas que sofrem discriminação.

Quando você aprova um estatuto em 2010 para combater o preconceito significa que a sociedade e o Congresso brasileiro reconhecem que o preconceito é forte no Brasil.

O texto é uma compilação do que há de melhor em matéria de legislação e aponta caminhos para se quebrar e combater preconceito”, analisou Paim.

NO ENTENDER DA MINISTRA DA IGUALDADE RACIAL, BOLSONARO PRATICOU CRIME DE RACISMO

Não podemos confundir liberdade de expressão com a possibilidade de cometer um crime. O racismo é crime previsto na Constituição. Qualquer caso de discriminação deve ser repudiado.

Cada setor do Estado e da sociedade deve assumir o seu papel de combate ao racismo. Nós devemos deixar para que a Câmara Federal encaminhe esse caso e tome decisões contra o deputado dentro das instâncias do Legislativo. O crime tem que ser punido e tem que ser combatido em qualquer lugar, principalmente se ele é cometido em um espaço como o Parlamento brasileiro.

Nós não devemos ficar assustados com esse tipo de declaração, e é isso que o movimento negro tem denunciado nas últimas décadas. O que deixa a sociedade indignada é ela ter partido de um deputado federal.

Espera-se que o Legislativo tenha capacidade de tomar a decisão mais coerente com o que tem sido discutido pelos movimentos negros e LGBT”, afirmou a ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial.

O DEPUTADO RACISTA JAIR BOLSONARO PODERÁ SER INVESTIGADO PELA CORREGEDORIA DA CÂMARA

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados recebeu ontem, dia 29, uma representação assinada por 20 parlamentares do P-SOL, PDT e PC do B, pedindo que a corregedoria da Casa investigue o deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) por ter feito comentários racistas ao responder pergunta feita no programa CQC, apresentado na noite de segunda-feira, dia 28, pela cantora e apresentadora Preta Gil. Preta Gil é filha do cantor, compositor e ex-ministro da Cultura do governo Lula, Gilberto Gil.

O deputado comentarista racista poderá também perder seu cargo na Comissão dos Direitos Humanos e Memória da Câmara Federal se seu partido atender ao pedido feito pelos parlamentares, incluso na representação. De acordo com a análise da deputada do PC do B, Manuela D’Ávila, um parlamentar que não defende os direitos humanos não pode ser membro de uma comissão que tem como objetivo esse ideal.

O deputado Bolsonaro é conhecido nos meios políticos e parte da sociedade como um alguém que defende as posições retrógradas que caracterizam os amantes da opressão. É contra os direitos humanos, consequentemente contra a criação da Comissão Nacional da Verdade, contra a liberdade dos homossexuais, a favor da repressão policial como forma de combater a violência, a favor da tortura, e agora se mostrou em público o que já se suspeitava: um racista.

No programa, depois de afirmar que se pegasse seu filho fumando maconha, o torturaria, e se posicionar contra a cota para os negros, ao ser indagado o que faria se seu filho se apaixonasse por uma negra, como um alguém profundamente interditado pela moral castradora patriarcal/burguesa/cristã, respondeu o que todos ‘alguéns’ similares respondem.

Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu.”

Qualquer estudante iniciante de psiquiatria sabe que ao ler os enunciados de Bolsonaro encontra-se diante de um alguém com a mente controlada pelas mais terríveis forças de acusação, eis porque ele faz questão de mostrar o controle que tem sobre seus filhos, porque trata-se do pavor de se descontrolar e aí permitir que as forças paranoides rompam e um outro alguém se manifeste indefeso. O que os estudos psiquiátricos encontraram nas mentes dos nazistas e dos ditadores. Seres acuados, em estados entrópicos, onde a identificação com a opressão é a sublimação do medo da vida. Medo da liberdade. Em linguagem psiquiátrica elementar, consciência tanática, amante da morte. Todo tirano é o pretendente-imagem da sentença de seu juiz. Seu opressor-moral.

CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO PARA A IGUALDADE RACIAL É LANÇADA PELO GOVERNO FEDERAL

Aproveitando as comemorações do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, o governo federal, através da Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), lançou uma campanha de conscientização para a igualdade racial no Brasil, que vai fazer também parte das ações do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes.

De acordo com ministra Luiza Bairros, da Seppir, a campanha é para fazer com que a sociedade repense a questão das diferenças raciais. “O objetivo é promover a igualdade. Isso não é uma ação exclusiva do movimento negro e não é uma responsabilidade apenas do Estado brasileiro. É uma preocupação coletiva”, asseverou a ministra.

A campanha também, segundo a ministra, servirá para tentar diminuir os números de homicídios praticados contra os negros, principalmente jovens. “Todo o nosso esforço será tendo em vista a redução desses índices. Essas mortes violentas que acontecem na população negra, em especial na juventude, não são questões de âmbito exclusivo da segurança pública, mas de cunho social”, afirmou Luiza.

Ainda na cerimônia de lançamento da campanha, foi entregue para as escolas municipais e estaduais de educação o Selo Educação para Igualdade Racial, em comemoração à implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Etnicorraciais e para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, que obteve um grande êxito.

RACISTAS AMEAÇAM A ESCOLA DE SAMBA DE TUCURUVI (SP) POR APRESENTAR SAMBA ENREDO HOMENAGEANDO OS NORDESTINOS

Sabe-se que a posição discriminatória de alguns indivíduos, grupos e entidades contra os nordestinos em São Paulo já vem de longos anos. As causas dessa posição paranoica/nazista são várias. Todavia, nesses últimos oito anos uma causa trouxe à visibilidade dessa posição preconceituosa, segregadora e separatista: a eleição do presidente Lula. Um nordestino que em nenhum momento nega sua origem regional. Pelo contrário, sempre deixa amostra, sem jamais, como presidente ou como um cidadão comum, fazer desse exercício regionalista, uma diferenciação em relação às outras regiões. A política administrativa de seu governo está limpidamente direcionada para todas as regiões do Brasil.

Mas os indivíduos capturados pela força da tirania que degenera a vida não podem conceber essa realidade, visto que se encontram aprisionados em seus próprios mundos tanáticos, onde as forças imóveis são as que lhes servem de impulso para suas reações. Mundos que lhes fixaram no mais baixo grau de inteligência. No gênero da percepção do ter ouvido, o que forma o preconceito. O estado do sujeito/sujeitado para quem o mundo é um pré-juízo; não um exame racional, mas tão somente o prolongamento da opinião que herdou de outros sem passar pelo exame racional. A base da subjetividade nazista.

Essa reação nazista contra os nordestinos que está ocorrendo em São Paulo, no momento, por força da coincidência ou não, recrudesceu exatamente nessas eleições de 2010, para a Presidência da República quando a candidata Dilma Vana Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, disputou o cargo presidencial contra o candidato da ultra-direita, José Serra, do partido PSDB, partido com 16 anos no poder Executivo do Estado de São Paulo.

Os comentários difamatórios que serviram de armas antidemocráticas contra a candidata Dilma Vana Rousseff não se resumiram apenas nela, se estenderam até o presidente Lula. Mesmo até após as eleições que deram a candidata Dilma a Presidência da República. Exemplo, foi a mensagem divulgada no Twitter da estudante de direito Maiara, que sentenciava: “Nordestino não é gente, faça um favor a SP, mate um nordestino afogado”.

Agora, dando continuidade à tara nazista, os segregadores e separatistas atacam a Escola de Samba Acadêmicos de Tucuruvi, cujo samba enredo é uma homenagem aos nordestinos que, com seus trabalhos, ajudam São Paulo crescer, ameaçando-a com e-mails claramente psicopáticos. Como sempre ocorre nestes casos, onde a covardia prevalece, já que a coragem e a prudência são princípios dos sábios, os e-mails não são assinados. Mas com a denúncia feita pela direção da escola, à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), foi instalado um inquérito para que tudo seja apurado.

Foram oito e-mails recebidos pela escola. Todos com mensagens com o mesmo teor nazista. “Eu, como paulistano, tenho nojo dessa escola de samba e seu samba enredo. Assim como vários paulistas e paulistanos, repudio esse enredo nojento e absurdo. Querem exaltar o Nordeste, desfilem por lá.”

Como a polícia já se encontra investigando o caso racista, e estamos vivendo uma quadra duplamente de alegria, as festas de fim de ano e a posse da primeira presidente do Brasil, é preciso ficar atento a essa reação nazista e denunciá-la, mas sem perder a alegria. Para isso nada melhor do que cantar o samba enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Tucuruvi. Vamos nessa que Momo quer festa.

Oxente, o que seria da gente sem essa gente? São Paulo: a capital do Nordeste”

Sou cabra da peste, vim lá do Nordeste
São Paulo é minha capital
Levando alegria, eu vou por aí
Eu sou valente, sou Tucuruvi
.
Vou embarcar nessa aventura
Em busca de um lugar ao sol
Trago no peito desafio e esperança
Na bagagem a lembrança,
sonho ou realidade.
Vou construindo ilusão,
erguendo os pilares da cidade,
deixando marcas da minha tradição:
Ao som do tambor, a fé em louvor, religião
“Oxente” festeira, acende a fogueira, é São João
.
Vem, vem provar
O sabor que vem de lá
Esse gosto, esse tempero
é de fato brasileiro.
Da sanfona um acorde tocou forte o coração
Olha o povo dançando pra lá,
arrastando a sandália pra cá,
o forró ta danado de bom
Um sorriso é a moldura do meu traço cultural
Quando a gente se encontra, a mistura é natural.
Carrego na alma a bravura
e o orgulho de ser quem eu sou
Vai meu samba, vai! reconheça o meu valor!

Para ouvir o samba, clique no caminho abaixo:

http://www.academicosdotucuruvi.com.br/sambaenredo.html

UMA GENEALOGIA E ESCAMOTEAÇÕES DO RACISMO NO BRASIL

Aqui no Brasil o problema do racismo é mais social.” O enunciado foi proclamado em 1979 advindo nada menos do que da verve do Rei do Futebol e remete a uma ideologia americanizada.

Los brasileños dirão: “Lá vem sacanear Pelé esses cabeludos da Afin, esses fãs de Maradona, aquele cheirador.” Está claro que existe um preconceito de estratificação social senão não existiria um adjetivo nefasto como “pobretão”. Sim, e também há o de localização geográfica, como o dos amazonenses contra os paraenses, dos paulistas contra os nordestinos. Há o preconceito devido à diferença de crença religiosa, que analisaremos com profundidade em outro texto. Há ainda o preconceito que opera na ordem da sexualidade, entre várias outras formas de manifestação do estatuto da intolerância.

Todas as formas de preconceito operam a partir da fantasia, do irracional, do fascismo, em suma, a partir do “mais baixo grau de entendimento”, como diria Spinoza. Esses são os pontos molares que ligam as diversas formas de discriminação.

Mas há também pontos de distinção entre essas diversas formas de segregação. Sem nos ater a cada uma delas, distingamos na prática em que consiste o racismo. Tomemos o jogo ocorrido anteontem em que a Itália empatou em 1 a 1 com a Romênia, quando os italianos passaram a xingar com enunciados racistas o jogador Mario Balotelli. Não é a primeira vez que Balotelli sofre este tipo de ataque nazista. Pelo mundo, e mesmo no Brasil, onde os jogadores negros são em sua maioria, isso é um problema recorrente.

Acontece que nunca se viu algum fanático torcedor xingar um jogador chamando-o, por exemplo, de “branquelo”, enquanto há infindáveis exemplos de termos e expressões ofensivas contra jogadores negros. Ou seja, se um torcedor for xingar um jogador branco, fará de uma forma localizada e particular e não de uma forma universal e totalitária. É nisso que se constitui o racismo, ele ataca toda uma raça em todos os tempos e lugares. No Brasil há outras formas, mormente aos casos ligados à xenofobia, mas nada se compara ao racismo contra os negros.

Tomamos aqui o futebol para uma demonstração de como se preenche o abominável imaginário do racismo, assim como tomaremos para análise outros temas e áreas ligadas a questões em torno do Dia da Consciência Negra. Este dia, assim como toda a Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece “História e Cultura Afro-Brasileira” nas escolas, se faz fundamental na medida que o racismo é provavelmente a prática mais violenta arraigada historicamente no Brasil. Para tornar o racismo mais pernicioso ainda, há formas de escamoteação veiculadas às vezes até por cidadãos negros desavisados.

Muitos sociólogos e filósofos já estudaram essa questão, como a engajada literata Heloisa Buarque de Hollanda, que aponta essa forma “americanizada” que diria não haver racismo para um negro bem-sucedido. Ora, um negro conhecido mundialmente, que tira suas “casquinhas” com uma modelo loirinha e de olhos azuis que, após uma temporada como atriz pornô, viria a tornar-se a “Rainha dos Baixinhos”, só poderia oferecer o tri-campeonato mundial da seleção brasileira para as “criancinhas do Brasil”, enquanto entidades de Direitos Humanos pediam que ele o oferecesse aos negros e pobres. O enunciado proferido por Pelé não se esconde: “Não há racismo no Brasil” é sua verdadeira face. Dessa forma, não há racismo no Brasil e em lugar nenhum. Pelé pode até ser o Rei do Futebol, mas nas escamoteações do racismo não é o único. Outros negros vestiram o anátema da americanização, como o tresloucado Wilson Simonal, de quem se dizia ter sido informante da ditadura, e Toni Tornado, que se tornaria alienado ator globólico.

Em outras áreas, como na política, por exemplo, a situação é ainda pior. Depõem hoje contra essa “americanização do negro” a luta que Obama teve enfrentar para ser eleito. E podemos dizer que os argumentos torpes contra ele, mesmo após sua consolidação nas urnas (isso antes das últimas eleições parlamentares), não advém apenas de sua ineficiente, até então, política econômica.

Balotelli tem razão quando percebe que a questão não é individual. “Eu estava muito decepcionado ontem (quarta-feira) e não quis dizer nada. Sei apenas que não posso fazer nada sozinho. Todos precisam ajudar na luta contra o racismo”, diz ele. Assim é que todos os dias, negros “bem sucedidos” ou “homens simples do povo” lutam contra ofensas que, além de serem calúnias e difamações individuais, estigmatizam toda sua raça, todos os seus irmãos.

No Brasil, em todas as áreas, em toda a sua história, sempre houve resistência de muitos negros que não iam pelo viés americanizado. Para citar um exemplo apenas, desde a juventude até os dias de hoje, Paulo César Caju, craque do Botafogo e da seleção de 1978, sempre disse que os jogadores brasileiros são alienados, indiferentes e não sabem a força que tem.

E as questões da negritude são questões de todas as minorias. Assim, compañeros, Maradona, que, por sua ações, não se deixa estigmatizar pelos apedrejamentos moralistas e sempre salta das quatro linhas para a política e para a vida, está sempre, ao contrário de Pelé, engajado na liberdade e defesa dos direitos da pessoa humana. As outras formas de preconceitos não devem servir como escamoteação do racismo, mas sim para apresentar com mais clareza suas entranhas e criar a possibilidade de fissurá-lo no Brasil e em todo o mundo.

SÓ OS HOMENS BRANCOS ESTÃO CONTENTES COM A REPRESENTATIVIDADE DE MULHERES E NEGROS NAS GRANDES EMPRESAS

Duas constatações da segregação racial e de gênero que perdura no Brasil foram confirmadas hoje pela pesquisa publicada pelo Instituto Ethos/Ibope, conforme foi observado em duas matérias na Rede Brasil Atual: a primeira que “mulheres e negros são barrados na diretoria de grandes empresas” e a segunda que “presidentes de grandes empresas consideram suficiente a presença de negros e mulheres”.

O levantamento voluntário, denominado “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas”, enviou questionários às 500 maiores empresas segundo ranking do anuário “Melhores e Maiores 2009″, da revista Exame.

De 1.162 diretores, há somente 119 mulheres executivas, o que corresponde a 13,7% do total dos executivos nessas empresas. Para acirrar ainda mais a disparidade, somente 6 mulheres – ou seja, 0,5% dessas mulheres – são negras ou pardas. No caso dos homens negros, apenas 5,3% são executivos nessas grandes empresas.

Segundo as notícias com os links acima, onde se pode colher números mais detalhados, a pesquisa tem como objetivo dar bases às corporações e ao poder público para combater a baixa presença de negros e mulheres nas empresas. “Esses estudos podem aproximar as empresas dos movimentos que estão acontecendo na sociedade. Queremos incentivar a criação de políticas afirmativas”, afirma o presidente do Ethos, Jorge Abrahão.

No entanto, pela posição dos presidentes das empresas, vê-se que não é tarefa fácil. A grande maioria dos presidentes, 85%, vê como normal – para não dizer natural – a representatividade das mulheres e dos negros no cargos executivos e até tentam justificar essa realidade.

Segundo eles, a baixa presença das mulheres e dos negros se dá devido a “falta de qualificação, ausência de interesse e de experiência. As mulheres são preteridas, na visão de 49% dos presidentes, por falta de conhecimento da empresa para lidar com as responsabilidades. Em relação a negros, 61% dos presidentes avalia que falta qualificação profissional”.

O ignominioso preconceito aparece bem ao se saber, pela pesquisa, que “as mulheres têm um número médio de anos de estudo superior ao dos homens (7,4, ante 7, respectivamente) e são maioria entre os brasileiros que atingiram pelo menos 11 anos de estudo”.

Por sua vez, Paulo Itacarambi, diretor-executivo do Instituto Ethos, percebe que “não há disposição para mudanças” e que “falta interesse de ações afirmativas para reverter o quadro (4% e 3% para mulheres e negros, respectivamente)”. “Segundo o estudo, 62% das empresas não têm nenhuma medida de incentivo à presença de mulheres em cargos de direção. Apenas 4% possuem ações nesse sentido planejada. O estímulo à participação dos negros tem um quadro ainda pior: 72% das empresas não tem nenhuma medida, enquanto apenas 3% têm metas específicas.”

Para Jorge Abrahão, “a desigualdade racial existente no universo corporativo resulta de uma questão cultural e da falta de ações afirmativas”. Ele cita o estabelecimento de cotas como uma possibilidade para as empresas irem revertendo esse nefasto quadro que demonstra todo o preconceito racista e machista ainda existente no Brasil, mesmo quando vemos um negro Obama, tornar-se o presidente dos Estados Unidos e, aqui mesmo no Brasil, termos recentemente elegido a primeira presidenta de nossa história.

Só os homens brancos estão contentes com a representatividade de mulheres e negros nas grandes empresas.

ESTUDANTE PAULISTA É PROCESSADA PELA OAB/PE POR RACISMO CONTRA NORDESTINOS

Movida pelo ódio, a estudante de direito Mayara Petruso, depois da derrota de seu candidato, José Serra, usou o microblog Twitter para divulgar palavras de ordens racistas contra os nordestinos, que, segundo a alucinada jovem, foram responsáveis pela eleição de Dilma Vana Rousseff à Presidência da República.

Em sua tara racista, a estudante paulista deu vazão a todo seu ódio tirânico escrevendo no Twitter a frase nazista: “Nordestino não é gente. Façam um favor a SP, matem um nordestino afogado”. Diante da sordidez da jovem racista, os twitteiros reagiram de formas variadas, mas protestando, todos, contra a posição da irracional jovem estudante de direito.

Entendo que se trata de crime de racismo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PE), secção estado de Pernambuco, resolveu entrar na Justiça de São Paulo com uma representação criminal contra a estudante.

De acordo com Henrique Mariano, presidente da OAB/PE, Mayara pode responder por crime de racismo com pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa. E responder também por crime de incitação pública de prática de ato delituoso com pena de três a seis meses de detenção, ou multa.

É uma atitude lastimável vinda de uma futura profissional que deveria defender a justiça social e os direitos humanos. O fato dela ser estudante de direito só agrava sua situação. Esse comportamento não condiz com um bacharel de direito”, disse Henrique Mariano.

Henrique Mariano ainda falou sobre a abrangência das redes sociais e a área da Justiça em que elas estão submetidas. “As redes sociais hoje têm maior alcance que os meios de comunicação convencionais. Elas atingem o país inteiro e se difundem de forma rápida. Os crimes cometidos nesse meio são de ordem federal”, disse Mariano.

Como a estudante odiosa era estagiária do escritório de advocacia Peixoto e Cury Advogados, os responsáveis se apressaram em divulgar uma nota. “O Peixoto e Cury Advogados confirma que a estudante de Direito Mayara Petruso foi sua estagiária, porém, não faz mais parte dos quadros do escritório. Com muito pesar e indignação, lamenta a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, pela mesma, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia e que veemente é contrário, deixando, assim, ao crivo das autoridades competentes as providências cabíveis”.

SANCIONADO POR LULA O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL E A LEI QUE CRIA A UNILAB

Depois de tramitar por mais de sete anos no Congresso Nacional, e ser aprovado pelo Senado no mês passado, foi sancionado pelo presidente Lula o Estatuto da Igualdade Racial, que estabelece garantias de políticas públicas e valorização dos negros.

A sanção do Estatuto da Igualdade Racial, segundo o ministro Eloi Ferreira de Araújo, “coroa o esforço de muitos e muitos anos das comunidades negras do Brasil”. Uma luta que não contou só com os grupos, entidades, quilombolas, expressividades do movimento negro, mas também de outras entidades que estão envolvidas nas reivindicações pela diminuição das discriminações contra as minorias. O acontecimento é um avanço democrático do povo brasileiro irmanado com o presidente Lula.

O documento do Estatuto da Igualdade Racial é constituído de 65 artigos, e, de acordo com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, tem como objetivo a correção de desigualdades históricas referentes às oportunidades e os direitos dos descendentes dos escravos do país.

No ato, o presidente Lula também sancionou a Lei que cria a Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira, a UNILAB, cuja localização será no município de Redenção, no maciço de Baturité, a 66 quilômetros de Fortaleza.

Embora a construção do Campus da UNILAB só comece nos meados de 2011, entretanto as atividades acadêmicas iniciarão no começo do ano, provisoriamente, em prédios cedidos pela prefeitura de Redenção.

O objetivo geral da UNILAB é promover atividades de cooperação internacional com os países da África, através de acordos, convênios e programa de cooperação internacional. Como também contribuir na formação acadêmica de estudantes dos países que formam o grupo de parcerias.

AFIRMAÇÃO DAS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS E COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NA CONFERÊNCIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DE IGUALDADE RACIAL

Os líderes das religiões de matriz africana tiveram atuação marcante na 2ª Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial, encerrada nesse domingo (28). A plenária final referendou uma série de propostas destinadas a garantir o combate à intolerância religiosa.

Os delegados recomendaram o mapeamento cartográfico social dos terreiros de todo o país, a garantia de aposentadoria para religiosos e a responsabilização de emissoras de TV ou rádio pela veiculação de matérias de cunho racista e discriminatório, com multas diárias no caso de práticas de intolerância.
O ministro da Secretaria Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, se comprometeu a formular um plano nacional de combate à intolerância religiosa e a apoiar a criação de um fórum nacional do movimento de religiosos de matriz africana. “Estamos à disposição das entidades para essa luta, que consideramos extremamente legítima”, diz o ministro.
O diretor de projetos e pesquisa da Federação Brasiliense e Entorno de Umbanda e Candomblé, Ribamar Veleda, acredita que a conferência marcará uma novo momento na conscientização da sociedade. “É uma luz que estávamos buscando ao longo de muito anos e que agora começa a se acender. Sabemos que muito tem a ser feito, mas sabemos que o pontapé inicial está sendo dado aqui hoje”.

A comunidade indígena também avalia como positivos os debates e encaminhamentos da 2ª Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial. A defesa dos territórios indígenas e do processo de regularização foi reforçada na plenária final por representante de outros movimentos, como negros e ciganos. No âmbito institucional, a Seppir se comprometeu a analisar a proposta de criação de uma subsecretaria indígena.

Para a representante do Conselho Nacional das Mulheres Indígenas, Maria Helena Azumezohero, a garantia de espaço para as comunidades na conferência e o diálogo com outros movimentos também são importantes conquistas. “Tivemos a participação aqui de representantes indígenas de todos os estados e, por isso, conseguimos avançar nas nossas propostas. Agora vamos aguardar uma resposta sobre a subsecretaria na Seppir.”

A liderança indígena também levou para aprovação na plenária final recomendações na área de educação, principalmente visando ao cumprimento do Plano Nacional de Educação Indígena e ao aumento da oferta de vagas para índios no ensino superior.

Reproduzido da Agência Brasil.

TÉCNICO DO MILAN DEIXA RASTRO DE RACISMO AO COMPARAR PATO COM BALOTELLI

Existem duas formas politicamente de se compreender o individual e o coletivo no plano das relações políticas: uma intensiva, outra extensiva.

Na forma extensiva, o número: um versus o coletivo. Extensividade num plano da quantidade. Um é menor que dois, dois é menor que dez, mil é menor que um milhão. Assim, é preciso ser sempre mais no plano perceptivo/cognitivo. Agem desta forma as tiranias, ditaduras, formas de governo contrárias à potência ativa da democracia agem e se estabelecem.

Na forma intensiva, desaparecem os referenciais perceptivos/cognitivos: a questão é da ordem da intelecção, das afecções. Não se trata mais do valor numérico, mas do movimento, engendramento de forças imateriais e velocidades, aumento/diminuição das potências de agir. Um regime democrático, um movimento social revolucionário, formas de existir, de comportamento, de sentir que não estão capturadas pelas estratégias de interdição da subjetividade capitalística.

Na Espanha onde predominavam forças reacionárias corporificadas pelo Generalíssimo Franco, por exemplo, havia a personificação do EU da ditadura através do Real Madrid, clube que vencia todas as competições que disputava, e era o baluarte do regime de ultra-direita que matou e violentou todo o país. Contrário à ele, o Barcelona, que nem era tão contrário assim, já que atuava no mesmo plano semiótico (EU x EU), e apenas equilibrava a correlação de forças.

No entanto, ainda no futebol, a torcida do Athletic Bilbao, representante do País Basco, despersonalizava-se, gritava, cantava e falava no dialeto basco, como multidão, sem rosto, dentro do estádio San Mamés. Uma resistência que não podia sequer ser combatida pelo regime franquista. Como lutar com um inimigo que não tem corpo? Como prender e capturar uma força semiótica cultural manifesta em multidão, sem rosto, sem referência? O regime franquista jamais conseguiu eliminar a multidão que cantava em basco nos jogos do Athletic.

Outra ilustração: a Inglaterra conseguiu eliminar os hooligans e implantou um dos mais seguros sistemas de monitoramento de estádios, transformando em menos de dez anos uma combalida liga de futebol no mais bem sucedido empreendimento do futebusiness pós-moderno, que causa calafrios até no todo-poderoso Josef Blatter, que vê o poder da FIFA enfraquecer diante dos oligopólios financeiros que suportam os clubes. Sem brigas, sem feridos, sem mortos. Mas os signos, os enunciados da extrema-direita, da xenofobia, da homofobia, da violência dos torcedores, persiste. Não chegou sequer a se enfraquecer; apenas encontrou outras formas de se manifestar. O que houve não foi uma cura, mas uma operação de assepssia moral e policial.

A XENOFOBIA ITALIANA NO (E PARA ALÉM DOS) GRAMADOS

A resistência espanhola, bem como a operação de ortopedia policial à inglesa não funcionaram no futebol italiano, que perdeu, dos anos 80 e 90 para cá, o status de principal liga nacional européia.

A xenofobia, produto do acirramento das desigualdades sociais de um modo de produção nocivo, naquele país, ultrapassa a questão pontual, e chega aos corredores do alcunhado poder: Berlusconi, ou Berlusca, ou Il Caimano, primeiro-ministro pelo terceiro mandato, traduz tudo o que a direita xenofóbica italiana tem de pior.

No futebol, são comuns os cânticos xenofóbicos, racistas, homofóbicos. As agressões, as violências, a rivalidade fratricida entre o sul pobre e o norte rico se manifestam igualmente nas arquibancadas. Os times grandes, os que disputam o scudetto, são controlados por megacorporações que vêem nele menos uma entidade futebolística que um investimento ou passatempo. Nada a ver com futebol.

Quando é a “torcida” que grita, o que pode fazer um governo, principalmente quando ele próprio é de extrema-direita e dissemina os signos da exclusão? Nada. Pertencem ao mesmo território, carregam os mesmos signos.

Ainda assim, no plano das relações internacionais, é preciso ao menos fazer o jogo do não-jogar, e fingir que combate-se a violência nos estádios. Quando um jogador é hostilizado por uma torcida, pune-se o clube, com multa ou com jogos sem a presença dos torcedores. Mas e quando a xenofobia/racismo vem de um técnico do time do primeiro-ministro?

O técnico do Milan (time que pertence a Berlusconi), Carlo Ancelotti, ao responder a comentários de que o time rossonero não revela jovens talentos, cometeu um equívoco técnico e outro de ordem criminal/discriminatório. Primeiro, citou o avante Alexandre Pato como revelação do clube italiano: os dirigentes e torcedores do Internacional de Porto Alegre discordam veementemente. Ilusão de quem crê ser possível comprar tudo, de reputações ao próprio tempo.

Segundo, e mais grave. Ao comparar o jovem jogador do Milan ao igualmente jovem atacante do Inter de Milão (arquirrivais), Mario Balotelli, filho de ganeses, negro com passaporte italiano, Carlo Ancelotti apelou para uma nem-um-pouco sutil carga racista: “Balotelli? Não. Ele não é nem parecido com o Pato”.

Apenas uma comparação futebolística, diria a imprensa esportiva epistemologicamente reduzida. Racismo nada dissimulado, diria quem consegue fazer ao menos uma conexão sináptica.

Fosse futebol o assunto, Carlo Ancelotti teria usado de outros argumentos, ou não seria técnico de futebol. Não se compara o talento de dois jogadores sob hipótese alguma, principalmente evocando a aparência, como o fez Ancelotti. Trata-se de racismo, chamar a atenção para as diferenças de cor e de etnia.

Ancelotti, com esta atitude, não apenas se iguala ao patrão, mas também ao primeiro-ministro, aos torcedores e à maioria que elegeu Berlusconi como o representante do ódio a si mesmo e ao outro que predomina politicamente na Itália e na maior parte do mundo, bem como à subjetividade intercessora que asfixia o futebol como manifestação livre do homem em coletividade.

Quem se encarregará de puni-lo?

ILAN PAPPE CONTA A HISTÓRIA DO MASSACRE NA PALESTINA

O filósofo Paul Virilio, no seu livro Estratégia da Decepção, ao falar sobre as estratégias de guerra teletecnológica do final do século XX, diz que a informação – ou a ausência dela – é essencial para se obter a vantagem em um conflito. Fabricar uma verdade torna-se mais importante que conquistar um território. Ao menos é o que pensam os aspirantes a Göebbels do novo milênio, a despeito das derrotas fragorosas a que têm sido submetidos, desde antes do Vietnam até hoje.

E é no sentido de enfraquecer a estratégia midiática da (des)informação que este bloguinho traz a transcrição de uma reveladora entrevista com o historiador israelense Ilan Pappe (Universidade de Oxford), autor do livro The Ethnic Cleansing of Palestine – A Limpeza Étnica da Palestina, transmitida pelo programa Milênio, da tevê fechada, no meio do ano passado. Nela, embora o repórter Silio Bocanera refira-se constantemente aos palestinos como “eles” – o outro, o inimigo, na semântica paranóide estadunidense, o relato do engajado historiador acaba prevalecendo, e traz informações relevantes para a compreensão do conflito e do massacre de Gaza.

O vídeo rolou por vários blogues ativistas e, de nossa parte, pescamo-lo do companheiro Lukas, do Casa do Noca. Você pode conferir, se tiver paciência e conexão banda larga, clicando aqui.

Silio Boccanera – A sua pesquisa para o livro indicou que havia um plano evidente de tirar da Palestina uma vasta área habitada para formação de um Estado Judeu, antes de o mesmo ter sido criado. Desde quando houve este planejamento, e quem o fez?

Ilan Pappe – A idéia de eliminar a Palestina de sua população nativa, dos árabes, surgiu como um conceito claro nos anos 1930. Foi idealizada por David Ben Gurion, que se tornou o Primeiro-Ministro de Israel. Na época, líder da comunidade judaica, na Palestina de 1948, antes de Israel existir. No entanto, a idéia de como traduzir esse desejo, essa estratégia em um plano só se desenvolveu após a II Guerra Mundial. Na realidade, o primeiro passo foi fazer um registro de todas as aldeias palestinas. É um registro espantoso. Quando o vi, mal pude acreditar. Era tão meticuloso que detalhava quantas árvores frutíferas haviam em cada aldeia e de quais frutas eram, além, é claro, dos poços que havia e da qualidade do solo nas aldeias. Foi um levantamento sério da futura propriedade do Estado Judeu.

SB – Como disse, os árabes não tinham poder, porque seus líderes haviam sido eliminados na revolta de 1936. E a liderança judaica se voltou contra os britânicos após a II Guerra Mundial…

IP – Sim, absolutamente tem razão. A decisão veio porque, ao contrário do que esperavam, a Grã-Bretanha resolveu não deixar a Palestina. Buscava um tipo de acordo que envolvesse judeus e palestinos juntos, sob o poder britânico, e era contra a vontade da liderança sionista. Creio que analisaram corretamente a fraqueza da Grã-Bretanha pós II Guerra Mundial e iniciaram uma guerrilha contra os britânicos. Mas ela não durou muito, pois os britânicos já estavam de saída. Apenas ajudou as autoridades britânicas a concluírem que não queriam mais a Palestina.

Os judeus eram 1/3 da população apenas, e a ONU lhes havia prometido metade da Palestina. A maioria dos judeus chegara 2 ou 3 anos antes e já tinha direito a metade do país”.

SB – Transferiram o poder para a ONU, inclinada a favor de Israel, que decidiu por um plano de partilha. Israel concordou com o plano, os árabes não. Por que o senhor acha que não concordaram?

IP – Pelo ponto de vista dos palestinos, os colonizadores judeus não eram diferentes dos colonizadores franceses da Argélia. Era impensável para o povo argelino concordar com a divisão do país entre os franceses e eles. Do ponto de vista palestino, seria a mesma coisa, mas há outros fatores que podem explicar a decisão palestina, embora tenha sido melhor, na época, aceitar que era uma tática. Mas é possível entender os motivos. Os judeus eram 1/3 da população apenas, e a ONU lhes havia prometido metade da Palestina. A maioria dos judeus chegara 2 ou 3 anos antes e já tinha direito a metade do país. E, acima de tudo, alguns membros da ONU sabiam que estavam oferecendo um estado judeu com muitos palestinos – quase o mesmo número de palestinos e judeus – o que era inaceitável para o movimento sionista. A tendência do movimento sionista à limpeza étnica já era conhecida de alguns no mundo árabe, e os palestinos foram contra a decisão da ONU.

SB – Daí até a criação do Estado de Israel em maio do ano seguinte, em 1948, foi o momento crucial, quando a lideraná judaica se reuniu e, segundo sua pesquisa, tentou atacar os árabes. Como eles fizeram isso? Qual foi o plano?

IP – Esse foi exatamente o período formativo. Em primeiro lugar, eles procuraram preparar os meios para o que pensaram que seria uma luta em duas frentes. Pensaram que o mundo árabe tentaria, simbolicamente, não de maneira séria, desafiar a resolução de divisão da ONU invadindo a Palestina. Precisavam de um exército que pudesse enfrentar os exércitos árabes. A segunda frente de batalha em que pensaram era na parte da Palestina que queriam transformar no estado judeu. Não conseguiram a divisão feita pela ONU. Resolveram tomar a Palestina toda. Uma parte do que hoje é a Cisjordânia, que eles prometeram ao rei Abdala, da Jordânia, o bisavô do atual rei Abdala representava 80% da Palestina, habitada por 1 milhão de palestinos. Eles, primeiro, procuraram meios de expulsar esse 1 milhão de palestinos. Em segundo lugar, eles estavam cientes de que o mundo ainda observava. Os oficiais britânicos continuaram na Palestina até maio de 1948, havia representantes da ONU no local e a imprensa ocidental continuava lá. Havia muitas pessoas ainda interessadas nos acontecimentos, principalmente nos EUA. Então, não começou em um dia. Eles procuravam os inevitáveis confrontos e tensões que aconteciam entre as comunidades palestina e judaica principalmente nos centros urbanos, onde as pessoas moravam próximas. Onde havia algum grande evento, como a resolução de partilha da ONU, ocorriam atentados em ambos os lados. Decidiram executar tais ações com os palestinos como pretexto para, primeiro, expulsar uma aldeia. Depois, expulsar duas, cinco aldeias. Não ocorreu em ritmo acelerado até uma data muito importante, 10 de maio de 1948, quando sentiram que o mandato britânico estava prestes a acabar, e eles ainda não tinham limpado a Palestina. Foi nesse momento que decidiram agir de forma mais sistemática.

(…) não conseguiram acreditar quando o exército israelense chegou e lhes deu menos de 1 hora para levarem o que pudessem das aldeias onde moravam há milhares de anos, atirando para o alto, para acelerar a fuga, massacrando aqueles que resistissem e estuprando as mulheres”.

SB – A narrativa oficial do Estado é que os árabes tomaram a decisão a partir, em parte, da propaganda árabe de transmissões de rádio e porque os países vizinhos aconseharam-nos a partir. Então, 800 mil árabes partiram por conta própria. Não é o seu ponto de vista.

IP – Não, isso é pura mentira. Hoje em dia, entre historiadores profissionais, as pessoas hesitam em repetir essa fábula. Não existe prova de tal ordem ou transmissão. E tivemos boas fontes. Os britânicos gravavam tudo que ia ao ar desde os anos 1930 na Palestina e no Oriente Médio em geral. Eu sei que a versão popular de Israel ainda é a que citou, de que o povo fugiu voluntariamente. Mas, se pensar na linguística, seja em hebraico, em português ou inglês, é uma expressão muito bizarra a de que o povo “fugiu voluntariamente”. Só maratonistas correm voluntariamente. Quem foge não o faz voluntariamente. A imagem que está vívida em minha mente e, em muitos aspectos, embasa o livro, são as histórias que vi nas aldeias litorâneas da Palestina e, mais tarde, de Israel, pois eram próximas de onde eu morava em Israel. Nessas aldeias, as pessoas, segundo a resolução de partilha da ONU, deveriam ser cidadãs israelenses. Faziam parte do futuro estado judaico. E elas se resignaram à essa idéia. Disseram: “os otomanos nos oprimiram, os turcos e os britânicos também. Agora os judeus mandarão em nós”. Eram camponeses e fazendeiros humildes que viram apenas com outro novo governo. Mas não conseguiram acreditar quando o exército israelense chegou e lhes deu menos de 1 hora para levarem o que pudessem das aldeias onde moravam há milhares de anos, atirando para o alto, para acelerar a fuga, massacrando aqueles que resistissem e estuprando as mulheres. Para mim, como relato no livro, alguém cuja família soberviveu ao holocausto nazista, embora a minha não tenha sobrevivido, a idéia de que os judeus pudessem fazer isso três anos após o holocausto ainda hoje é incompreensível para mim.

Diminuição do território palestino, entre 1946 - 1999 (clique para ampliar).

Diminuição do território palestino, entre 1946 - 1999 (clique para ampliar).

SB – Como o senhor citou, uma das principais figuras deste procedimento que seu livro chama de “limpeza étnica” foi Ben Gurion. O senhor o vê como arquiteto da limpeza étnica?

IP – É como eu o vejo. É verdade em relação ao sionismo como um todo. Meu falecido amigo, Edward Said, dizia… Ele tinha uma visão muito peculiar e pungente. Ele dizia que o sionismo, o que também vale para David Ben Gurion, foi bom para os judeus. O sionismo salvou minha família da Alemanha. O sionismo teve muitas conquistas, e Ben Gurion foi responsável por várias delas. Mas no que se refere aos palestinos, o sionismo foi a pior coisa que poderia acontecer. Acabou com eles.

SB – Outro nome que o senhor cita de forma não muito favorável nessa época é Yitzhak Rabin.

IP – Sem dúvida.

SB – O que ele fez?

IP – Ele era muito mais jovem que Ben Gurion. Tinha 40 anos a menos. Ben Gurion tinha pouco mais de 60 anos, e Yitzhak Rabin, pouco mais de 20. Ele foi responsável por uma parte da limpeza étnica, porém uma parte horrenda. No centro da Palestina haviam duas cidades, chamadas Lydda e Ramla, onde viviam cerca de 100 mil pessoas. Ele foi o responsável por erradicá-las no verão de 1948. O verão na Palestina é muito quente. Ele e seus colegas os obrigaram a marchar até a Cisjordânia, a dezenas de quilômetros. Muitos morreram no caminho, de fome e sede. Um aspecto muito desumano da limpeza étnica. Como eu disse antes, um crime contra a Humanidade.

No centro da Palestina haviam duas cidades, chamadas Lydda e Ramla, onde viviam cerca de 100 mil pessoas. Ele foi o responsável por erradicá-las no verão de 1948. O verão na Palestina é muito quente. Ele e seus colegas os obrigaram a marchar até a Cisjordânia, a dezenas de quilômetros. Muitos morreram no caminho, de fome e sede”.

SB – Menachem Begin e Yitzhak Shamir também estavam envolvidos nesta fase ou não?

IP – Esse é o grande… Não o grande, mas um dos sucessos da propaganda israelense. Os piores crimes contra os palestinos foram cometidos pelo movimento trabalhista. Eu nunca admirei Shamir e Begin. Mas pode-se dizer que fizeram bem menos que os líderes do movimento trabalhista. Mesmo quando foram primeiros-ministros, fizeram coisas horríveis nos territórios ocupados, e Begin obviamente é responsável pela destruição do Líbano em 1982. Mas ainda mal se compara ao que os líderes do movimento trabalhista fizeram em 1948.

SB – Passando para os anos 1950, essa limpeza étnica prosseguiu?

IP – Ela persiste ainda hoje, neste momento. Há limpeza étnica em Jerusalém e em toda parte. Sim, ela prosseguiu nos anos 1950. O interessante é que Ben Gurion é o responsável. A limpeza étnica não se completou. Foi uma grande operação, e tiveram de deixar, pelo menos, 10% da população que desejavam eliminar. Foi assim que as minorias árabes e israelense surgiram. Para Ben Gurion e seus assessores pessoais, era um número muito alto. Ele queria um estado judeu limpo. Então, tentaram de formas diferentes, pois não havia mais guerra e o mundo estava mais sensível do que antes. Tentaram obrigar as pessoas a imigrar e, em alguns casos, como ocorreu em mais de 30 aldeias, a maioria delas pequena, continuaram com a expulsão. Não houve um dia na história da Palestina e de Israel, desde 1948, em que a máquina da limpeza étnica tenha parado. Ela funciona o tempo inteiro. Há uma definição muito interessante no meu livro, dada no site do Departamento de Estado Americano, eles dizem que após toda operação de limpeza étnica na história, foi apagada a história de seu povo. Não se limitou ao extermínio do povo, mas também apagar a sua história. Eles apagam o povo dos livros de História e do próprio local. Com Israel, não é diferente. Como explico no meu livro, há um mecanismo muito elaborado que inclui a plantação de florestas, a substituição de nomes palestinos por hebreus, o que teve início em 1948 e persiste na Cisjordânia, na grande Jerusalém.

SB – Subitamente, uma nova liderança, novos movimentos nacionalistas começam a crescer no início dos anos 1960, a OLP, a Fatah, a Frente Democrática e outros grupos como esses. O senhor vê um paralelo entre o que começaram a fazer e o que o Irgun, o Haganah e o Stern fizeram?

IP – De certa forma. Há alguns paralelos entre os métodos e a luta de guerrilha. Mas há uma grande diferença entre um grupo de colonialistas modernos, colonialistas do século XX, que tentam, como ocorreu na Argélia, não permitir que o movimento entre na era pós-colonialista e um movimento anticolonialismo como o dos palestinos. É uma grande diferença a meu ver. A OLP era e continua sendo um movimento anticolonialista. O Irgun e o Haganah não eram anticolonialistas, eram um pouco como os brancos na África do Sul. Tentavam reter uma realidade aceitável no século XIX, mas não mais no mundo pós II guerra Mundial pela visão ética surgida ao menos no Ocidente.

[A limpeza étnica] Não se limitou ao extermínio do povo, mas também apagar a sua história. Eles apagam o povo dos livros de História e do próprio local. Com Israel, não é diferente”.

SB – Mas o senhor vê um paralelo com os métodos, ataques a civis por motivos políticos, é a definição básica de terrorismo.

IP – Sim, claro. E é importante lembrar isso aos israelenses quando chamam os palestinos de terroristas. Eles também já foram terroristas.

SB – Deste conceito de limpeza étnica, de eliminação dos árabes, passamos para a chamada bomba demográfica que existe na região. Chamavam de ‘problema demográfico’, agora é um perigo demográfico, uma bomba. O que é essa bomba, esse perigo, pelo ponto de vista deles?

IP – É um conceito muito claro. É um consenso entre os maiores políticos de Israel ou membros principais da elite política. Há uma maneira quantitativa de saber quando os árabes se tornam um perigo. Está entre 20 e 25%. Eu sei este número porque vivem citando. Entre 20 e 25% da população de Israel. Quando determina o que é o Estado de Israel, se nesse estado houver 25 mil não-judeus, com cidadania israelense mas etnia árabe, aos olhos da elite política de Israel, será o sinal do final do Estado.

SB – E claro que o índice de natalidade é muito maior entre eles.

IP – Muito maior. Vai acontecer. Mesmo que devolvam metade da Cisjordânia ou transfiram pequenos grupos de Jerusalem Oriental. Isto me preocupa muito. Não vejo como impedir. Eu temo que os políticos populares israelenses pensem que, caso isto aconteça, pois ainda somam menos de 20%, mas que caso aconteça, podem usar de quaisquer meios à disposição deles, incluindo a limpeza étnica, para evitar esta situação. Se perguntar a qualquer israelense nas ruas, ele dirá que esse é o valor mais importante, acima da democracia, dos direitos humanos e civis.

Os israelenses não podem mais separar as populações judaicas e palestinas na região. Eles fizeram muitos assentamentos na Cisjordânia. E continuam fazendo. As comunidades estão entrelaçadas. Às vezes, a realidade pode mandar nas elites políticas. Geralmente, ocorre o contrário, mas neste caso já vemos indícios disso.

SB – É concebível que Israel desista de ser um estado judeu e seja como outros estados, acomodando crenças sem ser exclusivamente o chamado estado judeu, mas um estado mais aberto, normal e democrático?

IP – Não a curto prazo. A curto prazo, não seria possível. Mas há uma boa chance a longo prazo, por dois motivos principais. Acho que estão exagerando no momento. No passado, foram sensatos em não fazer certas coisas por achar que o mundo estava atento. Felizmente, estão exagerando agora. E acho que estão testando a paciência mundial. Quando o poder global americano diminuir, e ele vai diminuir dentro em breve, o mundo ficará ainda mais corajoso ao tentar expor o lado mais racista do estado judeu. Em outras palavras, prevejo uma pressão muito forte e até externa sobre Israel. Mas não será de imediato. Em segundo lugar, penso nas realidades locais. Os israelenses não podem mais separar as populações judaicas e palestinas na região. Eles fizeram muitos assentamentos na Cisjordânia. E continuam fazendo. As comunidades estão entrelaçadas. Às vezes, a realidade pode mandar nas elites políticas. Geralmente, ocorre o contrário, mas neste caso já vemos indícios disso. Até os israelenses mais racistas, digamos assim, acham que os filhos devem aprender árabe, e jamais quiseram isso antes. Começam a notar que fazem parte desta realidade. E até os palestinos mais fanáticos querem que os filhos aprendam hebraico, apesar do que dizem sobre matarem uns aos outros.

SB – Vêem uma realidade diferente no futuro. Um estado binacional.

IP – Sim. Um estado binacional, comunidades entrelaçadas. Não necessariamente começando com muito amor, não necessariamente felizes com tal realidade, mas chegando cada vez mais à conclusão de que qualquer outra situação é o que os americanos chamam de “destruição mútua”. Acho que os processos locais e a impaciência mundial com os problemas que Israel vai causar ao mundo, pois ainda não chegamos ao fim deles, sobretudo no front, contra o Irã e a Síria, um dia, não imediatamente, trarão a chance de se construir uma nova realidade na Palestina. Claro que há hipóteses bem mais terríveis, como o sucesso de Israel na eliminação dos palestinos, antes que o mundo possa agir. É, infelizmente, uma possibilidade. Mas espero… Não quero nem pensar nisso.

DELEGACIAS DE COMBATE A CRIMES RACIAIS

O ministro da Secretaria especial de Políticas de promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, sustente a criação de delegacias de combate a crimes raciais em todo o Brasil. A notícia é da Agência Brasil.

O combate ao racismo, segundo o ministro, não se restringem somente a crimes contra os negros. Santos tem como objetivo colocar este assunto em pauta para que as Secretarias de Segurança pública do país possam aderir a esta iniciativa as quais tem competência para isso.

Para o ministro:

As denúncias de agressão racista muitas vezes são qualificadas como calúnia, que é uma pena leve. Isso acaba por estimular as pessoas a continuar com esse tipo de agressão. À medida que [o racismo] seja tipificado como crime inafiançável, isso com certeza vai desencorajar as pessoas a ter reações que busquem desqualificar o seu próximo com agressões racistas.

No Brasil nós temos judeus, palestinos, ciganos, indígenas, que também são vítimas de agressões étnico-raciais.”

[As delegacias de combate aos crimes raciais] É um programa que pressupõe a adesão dos governadores e dos Secretários de Segurança. Nosso papel é estimulá-los para tomarem esse tipo de iniciativa.”

ELEIÇÕES NORTE-AMERICANAS VALEM “SALVAÇÃO ETERNA”

A democracia representativa capitalizada tem ecos semelhantes em todos os territórios por onde se derrama. A derrama financeira que faz pulsar seu coração ambicioso, entrada larga da corrupção. Por isso, vale todas as evocações para levar vantagem na desregrada contenda.

Nos Estados Unidos, como aqui nessa sofredora Manaus, as guardiãs da fé e esperança, as sociedades financeiras apresentadas como igrejas defensoras da palavra do Senhor, têm também seus interesses terrenos colados na corrida eleitoral. Para isso, escolhem candidatos, caboeleitoralizam-se, obrigam e ameaçam os fiéis a votarem em seus candidatos de seus sagrados corações.

Nessa condição, o Bispo norte-americano do Kansas, Joseph Robert Finn, agente téo-marketeiro do republicano McCain, vociferou contra seus fiéis, admoestando-os que se votassem em Obama não teriam a “Salvação Eterna”. Para o Bispo, Obama é um espécie de Lúcifer por ter idéias favoráveis ao aborto.

Para alguns, a imposição do Bispo recende mais a discriminação racial mesclada com dogmática que propriamente atitude democrática, mesmo democracia capitalizada. Nisso salta a inquietação: e se Deus for negro? Pelo menos um fato étnico é certo: as pesquisas genéticas/antropológicas deixam enunciações que no tempo em que o sentido de Deus criado pelos judeus expandiu-se, a maior parte da população da terra era negra. Sendo assim, o Bispo está ameaçando em vão.

OPINIÃO RACIÁTICA DE MÃE

A boa senhora, mãe do candidato republicano McCain, afirmou que Obama é mais branco que ela. Parece que escapa desta sentença racial uma auto-discriminação. Seria: “Nem adianta se postar de negro, Obama, porque tu és mais branco que eu”. Compreensão da lógica racial-maternal: “Como branco, estás enganando os negros. Nós, brancos, somos todos iguais: individualistas e belicistas. Não vem que não tem, meu nego.”

MALUF DISCRIMINA NEGROS EM CAMPANHA NA CIDADE DE SÃO PAULO

Candidato a prefeito em São Paulo, da mesma lavra de Amazonino, Paulo Maluf tem feito campanha nas ruas, onde encontra eleitores com e sem memória. Ontem, um eleitor chamado Leandro Ferreira, com uma pergunta, demonstrou aos eleitores e ao próprio Maluf que a luta do homem contra a exploração é a luta da memória contra o esquecimento. Leandro apresentou a Maluf a promessa de campanha feita pelo político profissional quando da eleição de Celso Pitta:

O senhor fez uma declaração, certa vez, que se o Pitta não fosse um bom prefeito, ‘nunca mais votasse em mim‘. O que o senhor me diz agora, nesse momento, com toda a repercussão que deu no último caso dele?”.

Ao que Maluf respondeu:

“São Paulo deu uma lição para o país de que não tem preconceito. Elegeu um carioca e negro. Então, nós quisemos é favorecer a raça. Eu acreditei nele. Agora, você deve ser responsável pelo ato de seu filho?” (o grifo é nosso).

A notícia está na Folha de São Paulo, que não destacou a discriminação, mas ao menos a registrou, diferente do gêmeo-igual Estadão, que passou batido da frase e apenas registrou o bate-boca.

AS ARMADILHAS DE ALGUNS HOMENS PÚBLICOS PARA O POVO

Maluf, que tentou tergiversar, caiu na própria armadilha. Ao procurar ocultar as relações ilícitas com o seu ex-pupilo, Celso Pitta, preso na operação Satiagraha, evidenciou uma característica comum nas pessoas que têm compulsão por subtrair o erário público: a discriminação.

A discriminação é resultado de um equívoco da inteligência. Como Maluf abriu mão do uso da razão, as idéias que tem a respeito dos objetos que compõem o mundo são produzidas a partir das primeiras impressões, as da infância, que não diferenciam causa de efeito. Daí, Maluf ainda acreditar que o açúcar é doce, que os objetos têm cor, e que os negros são inferiores aos brancos. Enunciado pseudo-científico que se fortaleceu – por razões de ordem da economia de mercado da época das grandes navegações – e que ainda encontra eco nas inteligências menos ativas.

Maluf conta com o voto de seus iguais: aqueles que enxergam o mundo através da lente da primeira espécie de conhecimento. Aquele que não diferencia causas de efeitos, e segue uma vida onde os acasos predominam. Em geral, são vítimas frequentes das chamadas moléstias mentais (depressão, síndrome do pânico). Como têm um entendimento equivocado do mundo, caem mais facilmente nas armadilhas que certos políticos armam para o povo, acreditando na ilusão de que o significante democracia carrega em si o seu significado. Igual vota em igual.

A LUTA DA MEMÓRIA CONTRA O ESQUECIMENTO

Maluf, como Amazonino, é incapaz de compreender os elementos corporais e incorporais que mudaram dos últimos seis anos pra cá. Não compreendeu a mudança no entendimento de muitos eleitores, que antes votavam sem o uso do recurso memorial.

A memória carrega um elemento afetivo-afetante. Ao recordar o passado, o eleitor entra novamente em contato com o afeto triste, diminuidor da sua potência de agir, que foram as administrações destes políticos profissionais. Cá e lá, as lembranças não são ativadoras da Vida, mas confirmadoras da decadência que carregam as duas candidaturas.

No entanto, sem mudança aparente, o eleitor não podia fazer uma operação básica da cognição: a comparação. Com as mudanças no seu modo de existir, advindas das políticas públicas adotadas no governo Lula, o eleitor pôde experimentar memórias alegres, que aumentaram a sua potência de agir. Assim, já é possível a ele – e a eleição passada mostrou que a grande maioria, a despeito da ferrenha campanha midiática capitaneada dos bastidores pelo Orelhudo DanDan contra o presidente Lula – discernir quem são os inimigos, aqueles que preparam as armadilhas que impedem o surgimento da democracia. Lá e cá, cada vez mais os eleitores usam a máxima espinosiana da filósofa Dercy Gonçalves: “Aprendi como as galinhas, ciscando, o que não me fazia sofrer eu achava bom”.

CONFERÊNCIA DAS POLÍTICAS CONTRA O RACISMO

Com o objetivo de combater o racismo, a discriminação e a intolerância racial, começou hoje, em Brasília, A Conferência Regional Para América Latina e Caribe. Esta Conferência tem como fator a reflexão sobre o anterior encontro na África do Sul, e conta com participação dos países dos dois blocos membros das políticas contra a violência racial da ONU. A abertura contou com o discurso do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos. Não confundir com Edson Arantes, o Pelé, que não tem nada a ver com a luta da negritude.


Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Efeitos Justos para Suas Causas.
ADVOGADO ARNALDO TRIBUZY - RUA COMENDADOR CLEMENTINO, 379, SALA C (8114-5043 / 3234-6084).

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PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

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Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
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