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“Só para Loucos” (muitos poucos) II

Um presente de grego e de Esfinge (decifra-me ou te devoro<sensualmente ou  metaforicamente?>)

“As Portas da Percepção” – Aldous Huxley/retalhado/questionado por um loucodidata em formação fazendo Pós-pós-pós-pós-pós-Doutorado em ARTESCULTURASLOUCURAS. Presidente da Associação dos Loucos, Ex-loucos e Amigos dos Loucos da Via Láctea-Secsional SCIARÁ   

 “  ……….E pelo menos um

 filósofo profissional

 tomou mescalina pela

luzque ela pode lançar em enigmas antigos e inexplicados

o lugar da mente na natureza

e a relação entre o cérebro e a consciência.

Assim ficaram as coisas até que, há dois ou três anos, um fato novo e talvez

extremamente significativo foi observado. Na verdade, esse fato havia várias décadas era visível aos olhos de todos, mas ninguém o percebera até que um jovem psiquiatra inglês, presentemente trabalhando no Canadá, ficou impressionado pela grande semelhança, na

composição química, entre a mescalina e a adrenalina.

Pesquisas posteriores revelaram que o ácido lisérgico, um alucinógeno extremamente potente derivado da cravagem do centeio, tem uma relação de estrutura bioquímica com os outros dois. Depois veio a descoberta de que o adrenocromo, que é um produto da decomposição da adrenalina, pode produzir muito dos sintomas observados na intoxicação por mescalina. Mas o adrenocromo provavelmente ocorre espontaneamente no corpo humano.

Em outras palavras,

cada um de nós pode ser capaz de fabricar uma (várias?) substância química da qual doses minúsculas causam profundas modificações na consciência.

Algumas dessas mudanças são similares às que ocorrem na praga (?) mais característica do século XX,

a esquizofrenia(?).

A desordem mental é causada por uma desordem química?

E essa desordem química é devida, por sua vez, a aflições psicológicas que afetam as glândulas adrenais?

Seria precipitado e prematuro afirmar isso. O máximo que podemos dizer é que existe um

caso prim facie.

Enquanto isso a pista está sendo sistematicamente seguida e os detetives – bioquímicos, psiquiatras, psicólogos (neurocientistas, xamã, psicólogos transpessoais e loucodidatas)

estão na trilha……..”

“ ……encontrei-me repentinamente à beira do pânico.

Isso, senti de súbito, estava indo longe demais.

Longe demais,

mesmo que fosse na direção de uma

beleza mais intensa e um significado mais profundo.

O medo, como analiso em retrospecto, era de ser dominado, de

desintegrar

sob uma pressão de realidade maior que pudesse agüentar uma

mente acostumada a viver a maior parte do tempo

num aconchegante mundo de símbolos.

A literatura sobre experiências religiosas abunda em referências aos

sofrimentos e terrores

que dominam aqueles que chegaram,

demasiado súbito,

face a face com alguma manifestação do

Mysterium tremendum.

Em linguagem teológica, esse medo é devido. à incompatibilidade

entre o egoísmo do homem e a pureza divina, entre

a individualidade auto-intensificada do homem

e a infinidade de Deus (do principio). Seguindo Boehme e William Law, podemos dizer que, pelas almas não-regeneradas (?), a Luz divina em todo o seu esplendor só pode ser apreendida como

um fogo purgatorial ardente. Uma doutrina quase idêntica é encontrada em

O Livro Tibetano dos Mortos,

onde a alma que partiu é descrita como encolhendo-se’ em agonia para longe da Luz Pura do Vazio,

e mesmo das Luzes menos brilhantes, para mergulhar de cabeça na

consoladora escuridão do eu como um ser humano renascido, ou mesmo como uma fera, um fantasma infeliz, um habitante do inferno. Qualquer coisa que não o brilho ardente da Realidade implacável – qualquer coisa!…”””

“”“ ….. O esquizofrênico (?)

é como um homem permanentemente sob a in-fluência de mescalina, e portanto incapaz de fazer cessar a experiência de

uma realidade com a qual ele não é suficientemente santo(sábio?) para viver,

Que ele O esquizofrênico é uma alma não apenas não-regenerada (?), mas

também

desesperadamente doente.

Sua doença. consiste na incapacidade de refugiar-se da

realidade interior e exterior (como a pessoa sã (?) faz habitualmente)

dentro do universo feito em casa(?) do bom(?) senso(comum)

– o mundo estritamente humano de teorias úteis(objetivas?), símbolos compartilhados e convenções socialmente (impostas/aceitas)…..

pode explicar por que ela é o mais renitente dos fatos primários, e que, por jamais permitir que ele olhe

para o mundo

com olhos simplesmente humanos,

assusta-o,

fazendo com que ele interprete essa

estranheza ininterrupta,

essa intensidade ardente de significados,

como manifestações de malevolência humana ou até mesmo cósmica,

procurando(provocando?) as reações mais desesperadas, de violência assassina em um extremo da escala até a catatonia, ou

 suicídio psicológico,

no outro. E uma vez na infernal estrada para baixo, a pessoa nunca conseguirá parar (será?).…..”

Então você acha que sabe onde  Jaz (z)

A     Lou(CURA)?

“  Minha resposta foi um “sim” sincero e convicto.

E você não poderia controlá-la?

– Eu não poderia controlá-la, não.

Se eu iniciasse com medo e ódio como premissa principal, teria que continuar até a conclusão.

– Você conseguiria – perguntou minha esposa – fixar sua atenção no que

O Livro Tibetano dos Mortos chama de Luz Clara?

Fiquei em dúvida. – Isso manteria o mal distante, se você conseguisse apreendê-lo? Ou você não conseguiria apreende-lo?

Pensei um pouco na pergunta. “Talvez”, respondi finalmente. “Talvez eu pudesse” –mas só se houvesse

alguém

ali para me falar da Luz Clara. Não se poderia fazer isso

sozinho.

Acho que essa é a razão para o ritual tibetano – alguém sentado ali o tempo todo,dizendo o que é o quê.

Depois de ouvir a gravação dessa parte da experiência, peguei meu exemplar da edição de Evans-Wentz de

O Livro Tibetano dos Mortos

e abri-o ao acaso.

“Oh, nobres de

berço, não deixeis que vossas mentes sejam dis(traídas)!”

Esse era o problema – não se distrair.

 Não se distrair com a lembrança de erros passados, com prazeres imaginários, com o gosto amargo de antigos males e humilhações, com todos os temores, ódios e desejos que normalmente eclipsam a Luz. O que esses monges budistas faziam pelos moribundos e pelos mortos, os psiquiatras modernos não poderiam fazer pelos dementes?

(psiuquiatras não, nem psiucólogos ou psiucanalistas, somente aqueles que trilharam/trilham os caminhos do vale da morte e de lá retornaram renascidos. Será ? “O caminho do xamã”  em “Emergência Espiritual” Stan. e CristinaGroff)

Que haja uma

voz

para assegurar-lhes, de dia e mesmo enquanto eles estão adormecidos,

que apesar de tudo

o terror, toda a perplexidade e confusão,

a Realidade definitiva permanece inabalavelmente a

mesma (?) e é feita da mesma substância da luz interior da

mente mais cruelmente atormentada.

Por meio de mecanismos como gravadores, interruptores de controle de

tempo, sistemas de alto-falantes e pequenos ditafones para uso sob o travesseiro, deveria ser bem fácil manter os pacientes, até numa instituição com falta de pessoal, constantemente cônscios desse fato primordial.

Talvez algumas poucas das almas perdidas (?) pudessem assim

Ser ajudadas a obter uma

certa medida de controle sobre o universo – ao

mesmo tempo belo e apavorante,

mas sempre algo

não humano,

sempre totalmente incompreensível

– no qual

se acham condenados a viver.”

(pere-Ser?)

“..Em tempo fui afastado dos inquietantes esplendores ……”(“ufa! are égua…..”.)

PSiiiuuuuu……… “…Caindo em parábolas verdes da cerca, as folhas de hera reluziam com uma espécie de radiância vítrea, similar ao jade. Um. momento mais tarde, uma touceira de flores cor de fogo, em plena floração, tinha explodido em meu campo de visão.

Tão apaixonadamente vivas que pareciam estar à beira da expressão oral, as flores esforçavam-se para cima na direção do azul. Como a cadeira sob o caramanchão, elas protegiam demais. Baixei o olhar para as folhas e descobri uma complexidade cavernosa de delicadíssimas luzes e sombras verdes, latejando com um mistério indecifrável.

Roses:

The flowers ore easy to paint, The leaves difficult.

O haicai de Shiki (que citei na tradução de É. H. Blyth) expressa, de modo indireto, exatamente o que eu senti então –

a glória excessiva, demasiado óbvia, das flores, contrastadas com o milagre mais sutil de sua folhagem.”

PSiiiuuu……..I-Trilha/ pista dos caminhos pela loucura(“quem caminha para a loucura não precisa de condução “(?))   / /escribasvirtuais.blogspost.com/

PSiiiuuuu…… II-Ganha U$ 22 milhões  quem advinhar de quem é essa poesia:

DEMOGORGON

Na rua cheia de sol vago há casas paradas e gente que anda.

Uma tristeza cheia de pavor esfria-me.

Pressinto um acontecimento do lado de lá das fronteiras e

                                                                             [ dos movimentos.

Não, não, isso não!

Tudo menos saber o que é o Mistério!

Superfície do Universo, ó Pálpebras Descidas,

Não vos  ergais  nunca !

O olhar da Verdade Final  não deve poder suportar-se !

Deixai-me viver sem  nada saber,

e morrer sem ir saber nada !

A  razão de haver ser, a razão de haver seres, de haver tudo,

Deve trazer uma loucura maior que os espaços

Entre as almas e entre as estrelas. 

Não, não, a verdade não! Deixai-me estas casas e esta gente;

Assim mesmo, sem mais nada, estas casas e esta gente…

Que bafo horrível e frio me toca  em olhos fechados?

Não os quero abrir de viver!  Ó Verdade, esquece-te de mim!

* Jorge
Loucodidata em formaçáo fazendo Pós-pós-pós-pós-pós-Doutorado em ARTESCULTURASLOUCURAS na
Real Academia dos Zeladores e Despenseiros dos BENS de PSIQUÊ.

SÓ PARA LOUCOS (MUITOS POUCOS) (ou Só para poucos e muito LOUCOS)

O tema mítico de Dionisos

Nos profundos e intrincados labirintos da psique vivem ainda os deuses pagãos. Dois mil anos de cristianismo representam apenas a superfície. Pesquisas arqueológicas e pesquisas psicológicas são trabalhos paralelos feitos em áreas diferentes. Dionisos manifesta-se em nítidas imagens sob múltiplos aspectos de sua natureza dual, jovem e velho, bissexuado, animalesco, orgiástico, frenético, o inventor do vinho, dom deste deus aos homens para ajudá-los a provar, embora fugazmente, a euforia da embriaguez e até mesmo o êxtase religioso.

Em meados dos anos 60, “O lobo da Estepe” (1927), de Hermann Hesse (1877-1962), começou a ser lido como uma espécie de “O Pequeno Príncipe” por toda uma geração influenciada primeiro pela psicanálise e em seguida pelos ecos do movimento hippie.

Hesse virou moda. Seus livros foram devorados com um espírito de culto. Se você passou a infância naqueles anos psicodélicos, deve ter tropeçado pelo menos uma vez em algum dos romances do autor (Prêmio Nobel Literatura de 1946), esquecidos na borda de uma piscina ou ao lado de uma cadeira de praia e discutidos pelos adultos como alegorias da procura espiritual do EU pelo viés do inconsciente psicanalítico (“Demian”) ou do misticismo orientalista (“Sidharta”).

É muito provável que a “literatura de mensagem” de Hesse, que tanto marcou os leitores nos anos 60/70, também esteja ironicamente na origem dos livros de Paulo Coelho, em seu aspecto massificado de “pérolas de sabedoria”.

Ironicamente, porque, ao contrário do que pode parecer, “O Lobo da Estepe” não é um romance fácil. Ainda mais num mercado que é avesso dos valores que o livro propõe, um mundo em que a idéia de auto-conhecimento foi invertida e transformada em impostura e lugar-comum, vulgarizada como estratégia de marketing e vendas.

O que chamamos cultura, o que chamamos espírito, alma, o que temos por belo, formoso e santo (sagrado/espiritual), seria simplesmente um fantasma, já morto há muito, e considerado vivo e verdadeiro só por meia dúzia de loucos como nós?”, pergunta o protagonista.

Com a distância de tempo, a atual reedição (26) de “O Lobo da Estepe” prova que, a despeito de seu lado “filosófico”, que o tornava aparentemente mais acessível nos anos 60, o romance de Hesse é, do ponto de vista literário, extremamente complexo, imaginativo e inovador para a época em que foi escrito. Um texto que oscila entre o simbolismo e o surrealismo, criando um mundo onírico que lembra os pesadelos das novelas de Schnitzler e dos contos de Hoffmann.

A misantropia, o solipsismo e a inadequação de seu protagonista ao mundo, descontadas as eventuais referências á ânsia de um “encontro com Deus”, também estão de alguma forma na origem dos personagens de Thomas Bernhard: “O Lobo da Estepe, o sem pátria e solitário odiador do mundo burgês (…) Não se devem considerar suicidas apenas aqueles que se matam (…) Essa classe de homens se caracteriza na trajetória de seu destino porque para eles o suicídio é a forma de morte mais verossímil (…) Não estou satisfeito em ser feliz. (…) A infelicidade de que necessito (…) me permitiria sofrer com ânsia e morrer com prazer (…)Anseio por uma dor que me prepare e me faça desejar a morte”, diz o narrador do romance de Hesse.

Bernhard chegou a declarar numa entrevista a TV austríaca: “Quando descrevo este gênero de situações centrífugas encaminhadas na direção do suicídio, trata-se certamente da descrição de estados em que eu próprio me encontro e em que, por outro lado, talvez me sinta bem enquanto escrevo, justamente porque não me suicidei, porque escapei disso”.

Assim também, ao final de “O Lobo da Estepe”, o protagonista entra num teatro mágico, que lhe abre, como uma droga, as portas da percepção (leiam “As Chaves das Portas da Percepção”, Aldous Huxley) para o interior do seu inconsciente e se depara com um letreiro que lembra bastante a literatura de Bernhard: “Delicioso suicídio! Você se arrebenta de rir!”

Todo o problema do personagem do livro de Hesse é um permanente mal-estar cuja fonte é a inadequação do seu espírito à sociedade, à massa, à média e à vulgarização burguesa da vida e dos valores. É por isso que ele se define como “lobo da estepe”.

Aos 48 anos, aluga um quarto mobiliado na casa de uma senhora onde passa a viver isolado do mundo. É um intelectual misantropo. Suas andanças são ao mesmo tempo um mergulho simbólico dentro de si mesmo e uma redescoberta sensorial dos prazeres físicos.

Quando sai para a rua, as coisas se sucedem como se ele estivesse sonhando ou alucinando e como se tudo dissesse respeito a si mesmo. Um mundo bem mais imaginário e simbólico do que real (o que é [o real]?).

À certa altura, recebe de um propagandista ambulante um panfleto que é a espantosa análise de sua própria personalidade. Encontra uma mulher que é, ao mesmo tempo, a lembrança de um amigo de infância e seu duplo (anima-Jung). É levado a um teatro mágico, “só para loucos”, cujo efeito é semelhante ao de uma droga de autoconhecimento. (plantas de poder – psicologia transpessoal – “Emergência Espiritual” Stan e Cristina Groff).

A duplicação de si se estende por todo o romance e culmina no jogo de espelho desse teatro mágico, em que o protagonista descobre que o eu é múltiplo. O autor se duplica em narrador e este, em elementos de sua própria narrativa. “Assim como a LOUCURA, em seu mais alto sentido, é o princípio de toda sabedoria, assim a esquizofrenia é o princípio de toda arte, de toda fantasia”. Ao que só lhe resta, como em Thomas Bernhard, “VIVER E APRENDER A RIR”.

Aviso aos navegantes/delirantes/leitores deste SKiZOeM@IL: Ler 22 (número do LOUCO no Tarô de Marselha-Leiam “Jung e o Tarô” A. Jaffete) vezes e depois responder este email escrevendo 22 (já sabem porque) linhas (mínimo) sobre os sentimentos que afloraram do seu inconsciente pessoal/coletivo (se é que vcs conseguiram se conectar a (22 MB/ps)).

Um abraço de camisa de força e um cheiro/pirado no cangote (das mulheres).

*Jorge M. Gouvêa – LOUCODIDATA EM FORMAÇÁO FAZENDO PÓS-PÓS-PÓS-PÓS-PÓS-DOUTORADO EM ARTECULTURALOUCURA

HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS DE 23 ESTADOS SOFRERÃO AUDITORIAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Diante da realidade de sofrimento, maus tratos, e terapias anti-humana que os pacientes psiquiátricos estão submetidos na maioria dos hospitais psiquiátricos do Brasil, e depois de constatar, por investigação, que um grande número de pacientes internados em hospitais psiquiátricos morreram, o Ministério da Saúde decidiu realizar auditorias nas instituições psiquiátricas de 23 estados. Segundo matéria publicada no jornal ultraconservador Folha de São Paulo, 104 pacientes morreram em 2010 nas instituições manicomiais paulistas.

Segundo informação do Ministério da Saúde, desde abril deste ano, foi instalada uma investigação, que já se encontra em fase final, para apurar denúncias de mortes e concentração de pacientes no Hospital Vera Cruz, em Sorocaba, e mais seis instituições da região.

Durante a auditoria, que será coordenada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), os técnicos do ministério vão se concentrar nos seguintes pontos: avaliação da estrutura física dos hospitais, a relação dos profissionais com os internos e a eficácia do tratamento dos pacientes.

As auditorias terão 60 dias para apresentar os resultados depois do dia 1º de setembro.

TRANSTORNO BIPOLAR NÃO TEM TRATAMENTO ADEQUADO

Mais de 2,4% de pessoas são acometidas de transtorno bipolar no mundo. E mais da metade, 57,3%, não recebe tratamento. O estudo foi realizado em 11 países com 61.392 pessoas, todas acima de 18 anos.

No estudo feito no Brasil com 5 mil pessoas, centrado na região metropolitana de São Paulo, somente 42,7% dos entrevistados estavam em tratamento. O que significa que a maioria dos entrevistados não tem recebido tratamento, isto porque, na maioria dos casos, essas pessoas não são diagnosticadas, e, como não são diagnosticadas, a doença se agrava, comprometendo a qualidade de suas vidas. Porque elas, capturadas pelo quadro clínico, oscilam entre o estado de euforia e depressão, quase sempre acompanhado de irritabilidade, agressividade e ideias suicidas. Como o quadro começa muito cedo na vida da pessoa, ela sofre prejuízos em seu desenvolvimento pessoal, educacional e profissional. O que faz com que possa ser inferido no estudo a razão de 10% dos casos no ano anterior à entrevista revelar que trata-se casos graves registrados como quadros crônicos.

Para mais pessoas serem diagnosticadas é preciso haver campanhas de esclarecimento, treinamento do profissional de saúde no atendimento primário que recebe a pessoa com problemas de comportamento com álcool e drogas, e o transtorno bipolar não é reconhecido.

Compromete a vida toda do indivíduo e da família. O quadro é grave, porque pode ser associado a taxas maiores de suicídio”, analisou Laura Helena de Andrade, coordenadora de Epidemiologia do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), responsável pela pesquisa no Brasil.

A obrigação de se preocupar com o paciente com transtorno bipolar é que ele deve ser tratado durante toda sua vida com estabilizadores de humor e não só nos surtos de depressão e euforia.

Muitas vezes o médico recebe o paciente em estado de depressão e diagnostica como depressão unipolar erroneamente sem levar em consideração, episódios anteriores ao quadro atual. Se paciente apresentar episódio de mania, euforia ou hipomania e depressão é fechado o diagnóstico de transtorno bipolar”, explicou Ricardo Alberto Moreno, coordenador de Transtornos Afetivos do Instituto de Psiquiatria.

Para Moreno, as crises do transtorno bipolar podem aumentar, e causar grande sofrimento à pessoa quando a doença é concomitantemente imbricada com o uso de álcool e drogas.

Podem aumentar as crises, os comportamentos de risco, a baixa adesão ao tratamento, fora a deterioração física ao longo do tempo. O importante é estabelecer estratégias diferenciadas, tratando cada doença com os recursos disponíveis.

Temos que lidar com alguns aspectos: a ignorância e a desinformação, o preconceito, inclusive instruindo o paciente de que ele não pode cair nessa armadilha. Eu costumo dizer que o transtorno bipolar é um aspecto da vida do paciente, mas não a vida toda dele”.

CNJ VAI ANALISAR TODOS OS MANICÔMIOS JUDICIAIS DO PAÍS

Começou ontem, dia 12, em Salvador, o mutirão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que vai analisar em todo país a situação dos manicômios judiciais. O governo quer “apontar soluções” para os problemas que possam ser detectados nos mutirões, muito mais do que simplesmente produzir um relatório com a radiografia do sistema psiquiátrico de custódia, afirmou o juiz a auxiliar da presidência do CNJ, Márcio André Klepper Fraga.

São problemas de atendimentos mais dignos, questões de recursos humanos, carência de pessoal qualificado, questões materiais, questões de higiene, de alimentação”, considerou o juiz Márcio Fraga, sobre o que vai ser necessário realizar através do mutirão.

O juiz falou sobre o desafio quanto aos casos dos presos no manicômio portadores de psicoses e que têm tratamento diferentes dos outros internos.

O que ocorre em muitos casos é que o inimputável acaba recebendo tratamento mais grave que o próprio criminoso. Ele é jogado lá e não tem prazo para sair. Acaba institucionalizado, fica sem contato com a família, sem lugar para recebê-lo, fica lá cumprindo uma situação absolutamente surreal. Pode ficar preso ad eternum.

Temos que trazer para cena esse problema que não tem visibilidade muito boa e é um problema sério, de saúde pública, de segurança pública”, analisou o juiz Márcio Fraga.

NO BRASIL 23 MILHÕES DE PESSOAS SOFREM DE TRANSTORNOS MENTAIS

A Sociedade Brasileira de Psiquiatria divulgou estudo que mostra que 23 milhões de brasileiros sofrem de algum transtorno mental. O que corresponde a 12% da população brasileira. Entre esse percentual, 5% sofrem de transtornos graves e persistentes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, os transtornos predominantes são ansiedade, depressão e transtornos de ajustamentos. Quanto à política de saúde mental no Brasil, há uma maior prioridade para os transtornos como esquizofrenia e transtorno bipolar, considerados os mais graves. Em sua política de saúde mental, o governo brasileiro aplicou R$1,4 bilhão. Essa verba tem uma relação direta com a Lei da Reforma da Psiquiatria, Lei nº 10.216/2001 cujo investimento é mais direcionado para a aplicação de uma terapêutica que venha a auxiliar no tratamento da loucura e estimular o processo de desinstitucionalização dos usuários de hospitais e clínicas psiquiátricas, fazendo com que eles possam viver com suas famílias ou nos centros comunitários.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 400 milhões de pessoas são afetadas por transtornos mentais, o que faz com essas pessoas tenham dificuldade de participar no mundo como sujeitos produtivos e transformadores.

Com a Reforma da Psiquiatria, que obrigou a mudança de métodos em relação aos pacientes, foram criados em alguns dos estados do Brasil os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entretanto ainda há uma grande influência do antigo método de internação manicomial prolongada.

Embora tenha havido uma grande mudança nesse tema psiquiátrico, alguns estados ainda não possuem instalados em quantidades suficientes para suas demandas seus territórios, esses CAPS. No caso do Amazonas, que tem uma população de 3 milhões de habitantes, só foram instalados apenas quatro. E exatamente como ocorre com os estados do Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins, Alagoas e Distrito Federal, no Amazonas ainda não foram instaladas as residências terapêuticas.

DIA DA LUTA ANTIMANICOMIAL VAI À PRAÇA

Embora a política de Saúde Mental no Brasil já tenha conseguido alguns avanços com algumas mudanças nos tratamentos terapêuticos, e liberação do confinamento hospitalar, entretanto, ainda exige muito o que se fazer quanto ao que ainda resta de segregador aos usuários dos corpus psiquiátricos, tanto em alguns hospitais, algumas clínicas, como também no comportamento de grande parte da comunidade.

Todavia, vários seguimento da sociedade não ligados diretamente à causa da Saúde Mental, não esmorecem em suas lutas para que ocorram mudanças mais profundas no conceito e nas atitudes sobre que convencionou chamar de doença mental e paciente psiquiátrico. É exatamente nessa dimensão ontológica que a Luta Antimanicomial não diminui sua política de ação. E foi exatamente por essa política de ação que o movimento da Luta Antimanicomial do Rio de Janeiro foi à praça para, no Dia da Luta Manicomial, mostrar, protestar e reivindicar novas formas de posturas públicas e sociais com o tema.

Em um ato político alegre, reuniram-se na Praça da Cinelândia, no Rio de Janeiro, para comemoração, pacientes psiquiátricos, representantes do Conselho Nacional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP/RJ), representantes da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), representantes da TV Pinel, e representantes de outros centros psicossociais. Em um palco montado na Praça da Cinelândia, participantes do Grupo Harmonia Enlouquece, e do Bloco Tá Pirando Pirado Pirou, formados por usuários e funcionários do serviço de saúde mental, realizaram a festa saudável diante de uma plateia que correspondeu ao evento com aplausos.

A coordenadora da A TV Pinel, criada no hospital psiquiátrico Instituto Phillippe Pinel, Vera Roçado, falando sobre as produções da TV, disse: “Ensinamos as pessoas a fazer um vídeo, para que essas pessoas possam se expressar e reproduzir os conhecimentos em suas unidades de tratamento de origem”.

Já o poeta Renato da Poesia, paciente do Centro Psicossocial de Bangu, campeão do samba-enredo do Bloco Tá Pirando Pirado Pirou, em 2006, e sétimo lugar na disputa de samba-enredo na Escola de Samba Império Serrano, falou sobre seu trabalho: “Eu escrevo porque eu gosto. Sempre tenho objetivo de crescer e dar alegria para nosso povo, que sofre tanto”.

Falando sobre a luta para acabar com os manicômios, os ganhos e a ocupação de espaços para reivindicações, a representante do Movimento Antimanicomial e do CRP/RJ, Beatriz Adura, afirmou: “São 23 anos de luta pelo fim dos manicômios e ainda existem sete mil leitos no estado do Rio de Janeiro. Mas não se vai acabar com os manicômios só com a assistência a saúde, e, sim, com uma nova forma de olhar para a loucura”.

O deputado estadual do Partido dos Trabalhadores, Carlos Minc, criador da lei do passe livre para os pacientes mentais, da lei que estabelece os direitos fundamentais dos usuários de serviços de saúde mental e da lei que criou a Comissão Estadual de Reforma Psiquiátrica, para humanização da saúde mental e ressocialização dos pacientes, que se encontrava no evento, afirmou: “Existe o passe livre e milhares de pessoas têm acesso, mas muitas ainda não têm por causa de exigências burocráticas. Então, temos que promover eventos como esses para ouvir as pessoas e saber se a lei está sendo cumprida e acionar o poder público”.

CONFERÊNCIA PARA DISCUTIR DOENÇA MENTAL NO BRASIL

Os representantes da Marcha Pela Reforma do Sistema Psiquiátrico no Brasil, que se realizou ontem, dia 30, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, onde os participantes exigiram a humanização das políticas públicas para o tratamento de 23 milhões de brasileiros com distúrbios mentais, receberam do chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, a notificação de que o presidente vai convocar a 4ª Conferência Nacional de Saúde Mental do Brasil, para tratar dos principais temas que tocam na Saúde Mental do país.

Na ocasião, os representantes da Marcha entregaram a Gilberto Carvalho um relatório que descreve as mortes de pacientes com transtornos mentais nas unidades de internação por uso de medicamentos. Segundo Nelma Melo, secretária executiva da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila), o chefe de gabinete, Gilberto, entendeu a urgência das medidas para combater os problemas das mortes nos hospitais psiquiátricos. Para Nelma, a Conferência deve ocorrer em 2010, já que a última ocorreu em 2001.

DUNGA, O TRIUNFO DA ESTUPIDEZ

dunga

A estupidez é produto da repressão”, afirmou Freud. Entretanto, mesmo fazendo alusão à máxima freudiana, não se faz necessário uma análise-hipotética sobre o passado/infância de qualquer personagem aqui referido, como intérprete da estupidez. O que interessa é considerar a estupidez como uma conduta maléfica à sociedade, já que ela comprova a supremacia da irracionalidade sobre a racionalidade. O que coloca em perigo a segurança do corpus social. Ainda mais quando esta estupidez é aureolada pelos elementos sedutores da mídia, que, em sua insensibilidade, pretende ser a mensageira do que é certo e necessário.

Sendo o Brasil um país alcunhado de “Pátria de chuteiras”, é notório que o futebol tenha seu status esportivo em primeira posição. Assim como os que estão nele envolvidos. E, tratando-se de seleção brasileira, sua atuação social se amplia. É aqui que as condutas de seu técnico e de seus jogadores passam a ser mais observadas e julgadas pelos torcedores, que emitem suas opiniões sobre elas. Muitas destas condutas até aplaudidas e imitadas.

A conduta do técnico da seleção brasileira, Dunga, depois do quarto gol da seleção brasileira contra a torcida baiana, que se opunha ao seu método de conduzir a partida contra a seleção do Chile – que perdeu de 4×2 -, gritando ensandecido aos berros, cheio de ódio: “Filho da puta!”, mostrado para todo Brasil, e outros países, nos joga para a evidência lógica da máxima freudiana. Trata-se de um comportamento de uma pessoa insegura, cheia de ódio, que, para não ser descoberta em sua fraqueza, usa um dos recursos mais velhos recorridos pelos covardes: a violência. Como diria o filósofo Nietzsche: a reação da “besta loura” que, acometida da impotência do niilismo, espreita na escuridão de seu medo, aquele que considera seu inimigo pronto para dar o bote da vingança. “Um homem perigoso”, diria o alemão teatrólogo Brecht. Uma reação nazi-fascista em pleno estádio de futebol, em um país vivendo uma racional democracia, que busca com todos esforços combater a violência.

Mas Dunga, como agente da brutalidade, não se encontra só. Além de seus auxiliares deprimentes, que compõem o quadro jornalístico que lhe ampara e incentiva, ele conta também com a companhia de alguns jogadores, seus sócios nesta confraria do ódio e da dor. Jogadores que expressam claramente suas inseguranças e frustrações quando se encontram em campo, fazendo uso da violência como se qualquer jogada adversa fosse uma ameaça às suas integridades psíquicas, capaz de revelar o quanto são inferiores e medrosos. Entre estes jogadores, encontram-se Lúcio, Daniel Alves, Luizão, Luiz Fabiano, Felipe Melo, jogadores perigosos para um esporte que é tido como uma esporte solidário de grande força de comunhão social. Mas, para eles, é como se fosse um território propício para sublimarem suas ansiedades angustiantes.

Como Dunga, estes seus comandados não têm alegria, pois lutam o tempo inteiro para não deixar vazar seus medos, por isso as partidas que disputam são sempre deprimentes. Não somente porque são inferiores técnica e taticamente, mas porque estão aprisionados em seus corpos vitimados pelo medo de se fazerem confiáveis e reflexivos. O que os tornaria solidários e amigos, tudo que lhes causa pavor.

TEATRO MAQUÍNICO DA AFIN NO CURSO DE PSICOLOGIA DA UFAM

Diálogo 01 por você.

Nas comemorações do Dia do Psicólogo, promovida pelos estudantes de Psicologia da UFAM, entre outras expressões, expressou-se naquele território o Teatro Maquínico da AFIN. Um vetor de produção desejante de práxis de saberes e dizeres sociais constitutivos da teatralidade humana como potência/comunalidade criativa. A estética do existir ontologicamente desmitificada do conceito de beleza ascética abraçada nos“bocejos e sonhos matinais” (Belchior).

Diante de uma platéia acessível ao tema, corte Esquizo-Analítico sobre a Psicanálise, foi encenada “Dialogo Psicanalítico”. Peça maquínica produzida desejantemente pela AFIN do diálogo (?) gravado pelo ex-analisável Jean-Jacques Abrahams com seu analista depois de passar mais 14 anos sob a violenta prisão mistificada da análise interminável sustentada nos dogmas da falta, da triangulação edípica e da castração.

Diálogo 02 por você.

Como dizem os filósofos Deleuze e Guattari, um dia entra no consultório um “analisável” com seu gravador, e pronto: acaba o contrato psicanalítico. É a inclusão do terceiro, que até então encontrava-se excluído do acordo tácito da chantagem analítica, nada simbólica.

Abrahams entra no consultório e resolve gravar a conversa com o doutor. “Isto vai acabar mal”, diz o doutor, apavorado, diante do gravador. É verdade. Tudo “acaba mal”, mas para o doutor. A fraude da Psicanálise é revelada. O doutor torna-se o objeto neurótico do sujeito livre da falta simbólica que vende a psicoterapia freudiana. Uma sessão “ab-reação” (o doutor fala seus “segredinhos sujos” que durante todos os anos tentou ocultar do paciente) que revela todos os truques fraudulentos da técnica de manipular as pessoas e impedir que elas experimentem por si mesmas a vida com sua realidade nada simbólica, como diz Abrahams.

Diálogo 03 por você.

Impotente, diante do projeto existencial do ex-analisando, desfeito de sua couraça psicanalítica, o doutor quer o pai na autoridade da polícia para expulsar Abrahams do consultório. “É o papai que está chamando?”, pergunta ele. O velho inconsciente teatral, cena burguesa edípica com seus personagens, Pai-Mãe-Filho-Fálus. Representações manifestas nas relações cotidianas da vítima, transferidas no momento da análise interminável. As personagens da neurose que só o psicanalista diz ver, ouvir, analisar, compreender e curar. O blefe da cura que sustenta o capital-fetiche do preço da consulta. A libido convertida em estoque e falta, dívida nunca paga com o psicanalista. A mesma conversão do capital em estoque e falta do sistema capitalista, a mais-valia interminável sobre o trabalhador.

O FILÓSOFO SARTRE E O DIÁLOGO GRAVADO DE ABRAHAMS

Certo dia o filósofo Sartre, que era um dos editores da Revista Tempos Modernos, recebeu uma fita com a gravação de uma diálogo entre um paciente e um psicanalista. Como filósofo, escutou a gravação. Ficou impressionado com o conteúdo da gravação. Ainda mais porque escrevera em sua obra maior, “O Ser e o Nada”, um texto sobre Psicanálise Existencial. E mais ainda, porque escrevera o roteiro cinematográfico, a pedido do diretor de cinema John Huston, “Freud Além da Alma”, certo que foi filmado mas com adulteração do original. Então, como filósofo da Liberdade, resolveu publicar. Antes mostrou para seus amigos da Revista. Principalmente o psicanalista Pontalis. Depois de uma certa relutância para não publicar, ficou decidido que fosse publicado. Estamos em 1966. Bons tempos de lutas libertárias para novas transformações. Novos saberes e novos dizeres. 68 vem aí!

Diálogo 04 por você.

O texto correu o mundo, e como o Brasil faz parte do mundo, e, embora muitos não queiram, Manaus também faz parte do mundo, um torto dia (só podia ser torto) conhecemos um dos caras mais importante para o desmonte da fraude que é a Psicanálise, Jorge “Daime” Gouveia, que nos apresentou o texto em uma revista coordenada pela ativista das “loucuras”, Silveira. Aí, não deu outra: hoje faz parte do movimento do Teatro Maquínico. Este que esteve compondo com o pessoal da Psicologia da UFAM, cortes, fissuras, rasuras, dobraduras, “delírios” e disjunções Equizo-Analíticas. Esta coisa de alisamento do espaço estriado com seus buracos negros capitalísticos capturadores dos movimentos moleculares. Esta coisa de devir mulher, criança, negro, operário, homossexual, afro, loucos, artistas, oprimidos, etc, que se pretendem criativos e enunciados e ecos de suas próprias vozes. Um mundo maquínico produtor de desejos, e não de falta, a menina dos olhos da Psicanálise.

Diálogo 05 por você.

ELENCO ENUNCIATIVO

Psicanalista ……………………….. Peterson Colares

Paciente …………………………… Maurício Colares

TÉCNICA-TEATRALIZANTE

Adaptação do texto e encenação …….. Marcos José

CONTRA-REGRA …………………. Evanilson Andrade

TOQUES LÚDICOS …….. As crianças Kalian, Naianaquê

TOQUES LÚDICOS …….. Hannah, Aruã e Vitorinha

ADEREÇOS ESTÉTICOS …………….. Alci Madureira e

ADEREÇOS ESTÉTICOS …………….. Bianca Sotero

AFETOS ESQUIZO-TERAPÊUTICOS …….. Katiane Silva e

AFETOS ESQUIZO-TERAPÊUTICOS ….. … Vinicius Padila

Este vetor-teatral a AFIN oferece ao desconstrutor das verdade da psicanálise e psiquiatria, Jorge “Daime” Gouveia.

REFORMA PSIQUIÁTRICA: MODELO BRASILEIRO É REFERÊNCIA INTERNACIONAL. O AMAZONAS FAZ PARTE DO BRASIL?

O governo brasileiro foi convidado, neste final de semana, para compor uma comissão internacional, juntamente com Itália, Holanda e Egito, na elaboração de um programa global de atenção à saúde mental para a Organização Mundial de Saúde.

Segundo o diretor de saúde mental e abuso de substâncias da OMS, Benedetto Saraceno, o objetivo do grupo é traçar uma estratégia mundial de tratamento de pacientes com distúrbios mentais e abuso de drogas. Para ele, o modelo brasileiro, que tem como marco inicial a Lei Paulo Delgado (10.216 de 06/04/2001), é um dos mais desenvolvidos do mundo, ainda que desperte críticas quanto à lentidão de sua implantação.

O modelo instituído pela Lei Paulo Delgado prevê a substituição do modelo psiquiátrico tradicional, de internação e isolamento do paciente mental, por uma descentralização dos serviços, a criação de redes alternativas de atendimento e prevenção, e a extinção da internação, encarnada nos hospitais psiquiátricos.

MANAUS NÃO FICA NO BRASIL? (OU A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO NÃO PASSOU POR AQUI…)

Se é que o modelo brasileiro é referência internacional, a despeito de suas falhas, fica a pergunta: o Amazonas faz parte do Brasil?

No Estado que vai ser sub-sede da copa 2014, a rede de atendimento aos pacientes mentais padece de uma dupla ineficácia:

Institucional: aqui, a reforma não pegou. Sequer no plano numérico, já que a pulverização dos serviços para facilitar o acesso dos pacientes e famílias jamais aconteceu. As referências continuam sendo o HPER (Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro) e o CAPS da Zona Norte, ambos insuficientes para a demanda que diariamente é produzida pelo modelo econômico e associal que predomina numa cidade que não se faz democrática.

Há ainda a predominância de grupos aos quais não interessa a publicidade da questão da saúde mental no Amazonas. Estes grupos, visceralmente ligados aos governos que, historicamente, têm transformado a cidade em terreno fértil para o delírio social, fazem com que o olhar institucionalizado da saúde mental no Amazonas se reduza ao plano financeiro/institucional. Ou nem isso, se considerarmos, à título de ilustração, que o prometido hospital da zona sul, há pelo menos 4 anos, é anunciado sempre “para o mês que vem”, e até o mês atual, não iniciou as suas atividades.

Desinstitucional: o psiquiatra Franco Rotelli, atuante na reforma psiquiátrica italiana e na questão do uso de substâncias narcóticas, afirma que o processual de desinstitucionalização não se reduz à análise do aparelho institucional psiquiátrico, ele próprio residual, criado para absorver aquilo que escapou da semiótica do modo de produção do capital, mas que passa por uma intervenção prática e política sobre “a cadeia das determinações normativas, das definições científicas, das estruturas institucionais, através das quais a doença mental – isto é, o problema, assumiu aquelas formas de existência e de expressão”.

Daí que a psiquiatria que se quer revolucionária – e não meramente reformista – deve se debruçar sobre os modos de produção de sentido e de subjetivação, e nas relações de produção e corte que se constituem num plano social, quer como linha de fuga revolucionária, quer como força reativa de atração para o campo do buraco negro social.

Haverá máquina produtora de ‘doença mental’ – entendida aqui como desequilíbrio da produtividade existencial ético-estética, diminuição da potência de agir diante dos maus encontros – mais eficiente que uma cidade onde as condições sociais de existência são inexistentes? Uma cidade onde os serviços básicos de condições de existência são regidos menos por uma lógica do movimento ativo que pela lógica da mais-valia e da exploração? Onde a exploração telemidiática da miséria social é trampolim certo para o estrelato na ribalta do legislativo e executivo? Onde os governos estão mais interessados em preparar armadilhas para o povo do que produzir as condições necessárias ao surgimento de novas comunalidades, e se quer o detentor/controlador de todas as formas de expressão e criação, eliminando a autonomia de seus cidadãos? De uma arte decadente e subserviente ao signo da força reativa: o capital? Onde as lideranças da chamada reforma psiquiátrica sentam à mesa e compartilham das mesmas certezas e verdades que estes governantes, igualmente infantilizados em sua capacidade crítica e de análise?

Manaus conta com essa peculiaridade: de um lado, uma máquina produtora de doença mental, e de outro, um sistema de atendimento ao paciente mental quase inexistente. Nada que passe próximo de outras experiências brasileiras e sudamericanas, por uma psiquiatria do oprimido, que sacudiu a ditadura argentina ou as experiências pós-ditadura no Chile. Nada que chegue perto de uma psiquiatria que não procure a cura, mas a possibilidade de “produção de vida, de sentido, de sociabilidade e produção de espaços e formas de convivência dispersas”.

XUXA: UM PRÍNCIPE PARA SASHA

Uma das vertentes da psicanálise diz que em se tratando de amor Eros é, deslocado da mitologia para as proposições existências, o personagem que simboliza o amor adulto dessublimado da fantasia. O amor do Princípio da Realidade. O conluio racional dos casais. Já o personagem que simboliza o amor imaturo, a infantilização dos afetos e da genitália, é Cupido. A criança danadinha que sempre está aprontando as suas e jamais cresce. Fica sempre nas névoas da fantasia do Princípio do Prazer. A atrofia da vida. Segundo esta vertente psicanalística.

Tomada esta vertente como modelar dos programas “infantis” das televisões, de Maísa a Angélica, todas são atrofiadas. Só que a atrofia maior é Xuxa. Não por que é a mais velha na ordem da sublimação, tia sem simbolização, mas porque ficou presa nos brinquedos ‘desbrincados’ da infância. Daí porque Xuxa não permitiu que sua filhota Sasha crescesse. Jogou a criança, ainda criança, nas miras de Cupido. O pior Cupido: o Cupido televisivo da sociedade de consumo. Bem provável que Xuxa tenha acreditado na sentença castradora de que os pais sabem muito bem o que é bom para seus filhos.

Desta forma, Xuxa pretende que sua filhota seja sua continuadora no espetáculo de atrofia pedófila – no sentido grego em que as crianças não recebem orientação pedagógica de acordo com suas condições cognitivas e afetivas infantis –, por isto programou o concurso “Procura-se um Príncipe”, para selecionar um mancebo capaz de contracenar com sua filhota no filme “O Mistério da Feiurinha”, que será dirigido pela ‘ex-cineasta’ Tizuka Yamazaki (como decaiu).

É certo que a Xuxa não seria esta obreira de Cupido se não houvesse um número gritante de pais também atrofiados em seus amores afetivos e genitais. Por isso, a ex-Pelé, consegue 6.000 concorrentes cupidianos, com 15 anos, com a intenção de contracenar com sua filhota de 10.

Tudo que permite Xuxa, no meio de sua eterna “infância”, proferir, no momento da graduação do escolhido, Bernardo Mesquita, a culposa condenação: “Com o posto de Rainha dos Baixinhos, eu te consagro agora Príncipe do filme, “O Mistério da Feiurinha”. Como diria o moralista do deboche: “Que coisa feia, Tia Xuxa”!

OS LOUCOS DA JUSTIÇA DEMOCRÁTICA

No acervo dos saberes coletivos, existem três série de conceituações sobre a loucura. Uma na ordem do discurso psiquiátrico, em que toma como loucura um estado psicótico delirante em que o sujeito rompe com o discurso constituído pela chamada realidade tida como normal. É a conhecida loucura clínica. Outra, a da ordem moral-social, em que o sujeito, ao agir, age contra os valores constituídos como normas coletivas. Um exemplo: o corrupto. E por terceiro, a loucura daqueles que assim são rotulados pelos da segunda ordem, porque agem, em suas funções públicas, de acordo com o organismo jurídico-administrativo do Bem Comum que expressa a democracia.

Há outra série de loucura, mas esta é da ordem filosófica da criação de novos saberes e dizeres constituídos pelas intensidades do devir. Aquela que emerge como Idéia-pura, sem imagem, fora dos saberes determinados da dogmática da imagem do pensamento do Estado. Aqui estamos tratando dos conceitos produzidos como enunciações em uma sociedade definida.

OS LOUCOS: PROTÓGENES, DE SANCTIS, DE GRANDIS, JOAQUIM BARBOSA E MARIA EUNICE

Toda sociedade se expressa através de um sistema que cria um princípio de equilíbrio. Um princípio axiológico como regra de valores que serve para preservação e manutenção desta sociedade. São valores que orientam os sujeitos quanto a seus atos de agir. Valores como bom, mau, justo, injusto, verdadeiro, falso, função, finalidade, sujeito, objeto, etc. Em uma democracia, o princípio de equilíbrio é fundado no valor-coletividade. O que obriga que todos seus agente funcionais-públicos orientem seus processuais, seus atos, para satisfação do direito de todos. O que constitui a práxis jurídica-administrativa de cidadania.

Entretanto, alguns indivíduos, não podendo existir com este princípio de equilíbrio, passam a agir contrário ao dever democrático da coletividade. Como o sistema econômico é capitalista, não conseguem viver com suas rendas financeiras oriundas de um trabalho democrático. Então, passam a corromper as instâncias sociais que possam lhes facilitar um lucro de acordo com seus anseios materiais. Alguns se lançam avidamente direto à fonte onde se encontra o dinheiro, outros, fazem atalhos para chegar a esta fonte. São os casos de ‘políticos’, alguns donos de empreiteiras, presidentes ou diretores de órgãos públicos.

Assim, com este quadro composto, surgem aqueles que seguem os valores democráticos do princípio de equilíbrio da sociedade em que existem, e em suas funções fazem valer a realidade da justiça coletiva. Tentam impedir que os corruptos se beneficiem individualmente dos bens coletivos: o dinheiro público. É neste momento que os corruptos, e parte da mídia corrupta, tentam rotular estes funcionários de loucos. Em uma estúpida tentativa de denegri-los e mostrar que o normal é corrupção, e não a democracia. Isto porque classes dominantes procuraram no Brasil impor como normalidade a lei do mais forte economicamente. A lei que segue a palavra de ordem: “O dinheiro pode tudo”.

Nesta enunciação, estes sujeitados, sem qualquer formação psiquiátrica — a não ser de suas próprias patologias-sociais —, usam a palavra loucura como adjetivo pejorativo, contra personalidades como Protógenes, os juízes De Sanctis e De Grandis, o ministro Joaquim Barbosa, e, aqui em Manaus, contra a juíza Maria Eunice.

Mas há uma bela ironia nesta fraude psiquiátrica com sua rotulação. É que a maior parte dos brasileiros está a favor dos atos dos adjetivados de loucos. Logo, vivemos em um lindo país de loucos. Que loucura um povo saber de seus direitos democráticos! Que bom ser louco e saber que o ‘normal’ é um grupo e não a coletividade!

PATOLOGIA SOCIAL SE EVIDENCIA NOS IRMÃOS SOUZA, SEGUNDO DEPOIMENTO DE ‘MOA’

O capitalismo, em sua organização semiótica, suas relações de força e de tensões, é um regime patológico e produtor de patologias. Sobretudo as de caráter psiquiátrico. O modo de produção que exclui a diversidade e captura as produções semióticas, submetendo-as à sua lógica paranóide produz no social determinados tipos de comportamentos absolutamente nocivos à coletividade, e que são tomados muitas vezes pela psiquiatria como patologias individuais, mas que na realidade são sintomas de uma sociedade produtora de doença.

Ao tomarmos como matéria de observação os depoimentos do ex-segurança dos irmãos Carlos (vice-prefeito de Manaus, sub judice) e Wallace (deputado estadual) Souza, que construíram carreira através de programas televisivos de exploração da miséria social, Moacir, o ‘Moa’, preso pela polícia federal por tráfico, percebemos a patologia social se manifestando e se evidenciando, a despeito das tentativas midiáticas para ocultação, incluindo aí a estreiteza intelectiva sempre presente no analismo político de jornais e programas de tevê.

Moa teria afirmado, segundo trechos de depoimentos que foram disponibilizados à imprensa, que o filho de Wallace, Rafael Souza, já indiciado em mais de 12 processos na polícia civil, e investigado pela PF, tem ligações íntimas com o tráfico, e esteve envolvido nas últimas execuções de traficantes na cidade. Ele sustenta ainda que Rafael não age sem prévia assunção do pai.

Interessa-nos, do ponto de vista de um exame do grau de periculosidade social deste tipo de enunciação, sublinhar a linha de atuação dos irmãos Souza em seu programa, para compreender que a questão é ainda mais grave do que a existência de parlamentares envolvidos diretamente com o crime organizado.

No início do programa, o viés policialesco – que não é invenção dos dois – suplantou o da exploração da miserabilidade econômica, a compaixão social, também uma espécie de patologia do capital. O policialesco evidencia, neste caso, o patológico, na sua vertente individual (quando se perde o contato com o real e já não há suporte epistemológico, desaparecendo o si e o outro):

No início: o acompanhamento de batidas policiais, plantões em delegacias, exposição de presos e detidos ao escárnio televisivo. Evidência do uso dos próprios medos como suporte a um mundo circundante tomado como ameaçador. Assim, por exemplo, a criança que não obteve o suporte necessário ao estabelecimento de afetos e sua distribuição na relação com o outro, acaba compondo com outras instâncias como a Lei, a Ordem, elementos abstratos de garantia e segurança ficcionais, do plano da fantasia. Para ocultar o medo, travestem-se de corajosos. Mas ainda estão no plano do real, ainda elaboram os signos no plano do real.

A busca pela audiência: houve um ponto em que essas incursões “evoluíram”, e os irmãos Souza – com a conivência do governo do Estado – passaram a realizar eles próprios batidas policiais, sem no entanto possuir o poder de polícia. Daí, passar para a famosa frase “permissão para matar”, prática a que se refere Moa em seus depoimentos, quando afirma que o programa era justificativa e se alimentava de casos de traficantes presos e mortos, na realidade, concorrentes dos Souza. Aqui as engrenagens do capital se coadunam com as patologias sociais. A máquina de corte do lucro compõe com a máquina de corte (in)desejante. Jamais, sem um suporte de outras instâncias do poder público (não falamos aqui de omissão, mas de participação ativa), dois apresentadores de tevê, plantonistas de porta de delegacia, conseguiriam status de comando, não de direito, mas de fato, das polícias. Sem a participação do executivo, estadual e municipal, do legislativo e do judiciário, os irmãos Souza jamais conseguiram chegar ao grau de envolvimento com os chamados poderes de estado que ora têm, um vice-prefeito, um deputado estadual e um vereador.

Simulacros e Simulações: eles passam a simular crimes e ameaças, como um sequestro, no qual Wallace Souza oferece o filho, Rafael, para troca de reféns, e que na realidade não existiu. No plano da satisfação do delírio tanático/paranóide, o real já não satisfaz. Não se trata aqui de mera busca pela audiência, mas de realização do ideal paranóide: a aniquilação do real.

Desterritorialização do Real – O Significante Despótico: no programa, as cenas são cada vez mais grotescas. Execuções, corpos dilacerados, um inimigo agonizando durante dois minutos, em pleno horário de almoço na tevê amazonense. ‘Moa’ afirma que os dois minutos do inimigo agonizando exibidos no programa faziam parte de uma filmagem em que ocorreram dez minutos de tortura, todos filmados pela equipe dos Souza. Rafael costumava colocar a fita e assistir por vezes seguidas, afirmando que a cena lhe dava profundo prazer. O desaparecimento do real no plano psiquiátrico se evidencia, a patologia se estabelece. O hiperreal se estabelece. A telinha cor-de-sangue engole a família Souza.

A questão; como é possível que toda uma estrutura de governo seja mobilizada por interesses patológicos de ordem psicopática? Não devem faltar, convenhamos, pontos de conversão. Ou como afirma a sabedoria popular, travestida em frase-clichê do cinema hollywoodiano: não se fica rico sem deixar para trás um armário cheio de cadáveres e uma turma de comparsas.

Nenhum estupor ou surpresa se justifica no caso dos irmãos Souza. Menos ainda, suspeitas de envolvimento de instâncias ainda superiores. Na máquina de corte semióticos do Capital, as patologias se compões, em iguais. O caso é muito mais grave do que quer parecer os inúmeros inquéritos e processos arrolados. Trata-se da evidência de uma estrutura de governo infiltrada no Estado, e que o confirma como patologização da existência, num plano onde a política como práxis do homem em coletividade é apenas um espectro, sem nada guardar com o seu objeto real.

PLANO DE CURSO DE PSICOLOGIA PRODUTIVA – EDUCAÇÃO BÁSICA

O extemporâneo, o inatual, o intempestivo. O que foge à regra cultural do bom e do útil na sociedade de consumo é da alçada das chamadas ciências psi: Psicologia, Psiquiatria, Psicanálise. Não para posicioná-los no mundo como o Novo, mas, na maioria das vezes, para neutralizar sua potência ativa, a tríade psi acaba, quando observada da perspectiva academicista, sem um olhar que desmonte sua constituição epistemológica e sua função social, se tornando um dispositivo a serviço do Estado (como o podem ser uma certa “filosofia” e/ou as ciências).

Neste sentido, a Psicologia Produtiva compõe uma linha de fuga nos saberes psi, modificando a paisagem existencial do saber, no sentido de deslocar a perspectiva. Fazer a Psicologia “dar a volta em si” (Foucault) e produzir outros entendimentos sobre o si e o mundo.

Assim, na sua relação com a Filosofia, a Psiquiatria, a Psicanálise e na produção de linhas intensivas de corte que foram produzidas nas suas diversas vertentes, este Bloguinho enuncia um plano de curso para a educação básica, que faz parte do núcleo esquizo-terapêutico da AFIN.

LINHA INTENSIVA I

ENUNCIADOS PSICOLOGIZANTES NA FILOSOFIA E O “SALTO”.

- A Falsificação do Mundo;

- O homocentrismo de Sócrates/Platão e a decadência de Atenas;

- O Cogito Binário de Descartes;

- Teorias do Conhecimento:

Idealismo

Realismo

Racionalismo

Empirismo

- A Psicologia de Willian James

- O Enunciado Cientificizante: a Psicologia vai ao laboratório.

LINHA INTENSIVA II

A “CIÊNCIA” PSICOLÓGICA

- O Homem Mensurável de Wilhelm Wundt;

- A Instrospecção;

- O Comportamentalismo;

- Funcionalismo, Associacionismo,

- Psicologia da Gestalt;

- Psicologia Genética (Piaget);

- O Cérebro-Mundo e as Neuro-Ciências;

LINHA INTENSIVA III

AS CIÊNCIAS ‘PSY’ COMO ESTRATÉGIAS DE LAMINAÇÃO

- A Estética e o Cuidado de Si;

- O Enunciado da Igreja na Idade Média e os Signos do Saber Vertical;

- O Poder Político Emana dos Corpos na Monarquia Absolutista;

- A Sociedade Disciplinar;

- A Sociedade de Controle;

- As Psicanálises e a Edipianização do Sujeito;

Apêndice: o hiperreal na sociedade das teletecnologias e a midiotização das relações;

LINHA INTENSIVA IV

LINHAS DE CORTE INTENSIVAS

- A Física de Lucrécio: turbulências, declinação, clinâmen;

- A Ética de Spinoza – Uma Psicologia das Afecções;

- Uma Psicologia em Nietzsche;

- Uma Epistemologia Bergsoniana;

- A Anti-Psiquiatria / A Reforma Psiquiátrica;

- Esquizoanálise;

Apêndice: Uma terapêutica das Afecções – esquizo-terapia e existência comunitária;

O PEDÓFILO NÃO AMA!

Sem pseudo moralismo, inclusive encontrado em alguns membros da CPI de combate a exploração sexual de crianças e adolescentes, pode-se afirmar que o pedófilo não ama a criança. A pedofilia é uma perversão produzida pelo desvio bio-sexual/cognitivo/afetivo e cultural de seu agente que o impossibilita de compor prazer e relações concretas com adultos. Sua vida genital foi desviada de seu fim natural: a satisfação sexual orgástica. Seu ato de abusar de crianças é apenas um sintoma de sua patologia-desviante. Não tem orgasmo. É impulsionado por fantasias perversas de retaliações. Quando homem, tem pavor da genitália feminina/adulta. Quando mulher, tem pavor da genitália masculina/adulta. Psiquiatricamente, há muito de elementos de incesto e culpa paranóica.

Nada carrega de amor como potência de criação coletiva que faz com que homens e mulheres atuem em suas comunidades como sujeitos criadores de laços cognitivo e afetivos que aumentam a potência de agir ontologicamente. Entretanto, infelizmente, em nossa sociedade não é só o pedófilo que se encontra impossibilitado de amar. Existem outras formas de existências que perversamente não amam. Nesse campo de investimento psicopatológico encontram-se muitos profissionais do legislativo e executivo, onde a demonstrabilidade é encontrada em suas disposições em causar sofrimentos em crianças e adolescentes pela recusa de uma política voltada aos seus direitos, e que só é manifestada no protocolo técnico-burocrático. Esse é muito perigoso, pois circula impunemente, e muitas vezes com aplausos, no meio social com a maior “evidência” de normalidade.

A PSICOPATIA INSTITUCIONAL DO TRE/AM SE EVIDENCIA NO CASO HENRIQUE OLIVEIRA

O corpo da Lei é o corpo do Estado. Ela constitui a organização do social e estabelece regras de co-existência, e não apenas isso, mas induz modos de existir.

No entanto, como enunciação paranóide, o corpo do Estado burguês tenta capturar, tal como o buraco negro captura todas as energias e toda a matéria na sua órbita, tudo aqui que surge como produção social e que diverge da semiótica deste Estado. Ainda que essas produções sejam contrárias ao próprio corpo. É o que está acontecendo com o Tribunal Regional Eleitoral, no caso do apresentador e explorador da miséria social, Henrique Oliveira, que foi eleito vereador ao mesmo tempo em que é funcionário público concursado do TRE, o que é proibido pelo Código Eleitoral.

A comissão interna do TRE/AM, responsável pela análise da situação de Henrique, apresentou relatório em que pede a demissão com data retroativa a 29 de setembro de 2005, quando Henrique pediu licença remunerada do trabalho para tratar de “assuntos particulares”.

A decisão abre precedente legal para que o apresentador e explorador da miséria social seja empossado como vereador, apesar da fraude cometida, já que, segundo o desembargador do Pleno do TRE/AM Ari Moutinho, “é independente uma coisa da outra”.

O DISCURSO PSICOPÁTICO NÃO RECONHECE A CONTRADIÇÃO

O TRE/AM afirma que não pretende favorecer Henrique, mas tão somente cortar “o erro na sua raiz”. No entanto, parece não perceber a desrealização espacial que a sua conclusão afirma. Ao decidir que Henrique Oliveira não era mais funcionário do TRE a partir de 29 de setembro de 2005, a comissão afirma a inexistência do próprio TRE, já que numa “outra dimensão espaço-temporal”, a qual pertence este Bloguinho, a cidade de Manaus, o Brasil, o mundo e o universo, menos o TRE, o funcionário Henrique Oliveira, demitido em 29 de setembro de 2005, continuou recebendo os proventos (5000 Reais), e continua recebendo, até onde se sabe. A decisão da comissão não prevê o ressarcimento dos cofres públicos por parte de Henrique. Qual o TRE que existe? O que continua pagando um funcionário que cometeu uma fraude eleitoral, ou o que, “desde 2005”, não conta mais com os prestimosos serviços do técnico Henrique Oliveira (mas continuou e continua pagando um funcionário que não existe)? Para a comissão, as duas “dimensões” convivem pacificamente, sem contradição aparente.

DE VOLTA PARA O PASSADO (ou ENTRE O PASSADO E O FUTURO, VALE TUDO)

Um outro aspecto da psicopatia institucional é a desrealização temporal. Se Henrique pediu licença em setembro de 2005, então não pode ter sido demitido. É ainda funcionário do Tribunal. Quando a comissão afirma que ele foi/será demitido em 2005, significa que hoje, em 2008, ele não é mais funcionário do TRE. Se ele não é funcionário do TRE desde 2005, então, numa desrealização temporal quântico-existencial, a própria comissão deixa de existir em 2008, já que não há funcionário a ser investigado!

Delírio espaço-temporal já registrado nos anais da literatura de análise psiquiátrica institucional: no romance 1984, de George Orwell, a personagem principal, o funcionário Winston Smith trabalha no Ministério da Verdade, no Departamento de Registro. Sua missão: “retocar” o passado de modo a justificar o presente. Se no presente o governo diz que tal coisa ocorreu assim e assim, então foi assim desde sempre, já que o governo não erra.

Enunciado paranóide que Orwell capturou nos governos autoritários europeus de sua época, e que aparecem como sintoma na instituição eleitoral amazonense. Alterações na noção de tempo, espaço e de coerência nos atos é sintoma psiquiátrico de psicopatia funcional.

Caso Henrique seja absolvido pelo Pleno do TRE e assuma o posto de vereador, então o delírio paranóide institucional estará confirmado. A psicopatologia institucional, diagnosticada.

SAÚDE PÚBLICA: teste psiquiátrico de detecção de psicopatologia institucional

Como território atualizante dos saberes como enunciados da potência intempestiva comunitária, este Bloguinho elaborou um teste para que o leitor intempestivo possa verificar se o encadeamento lógico da inteligência do TRE permite que ele, em sociedade, esteja capacitado para julgar este e outros casos de corrupção eleitoral:

Fato: sujeito A atirou em sujeito B. B morreu.

Análise a partir do encadeamento espaço-temporal dos acontecimentos:

A é detido, a arma do crime tem traços de pólvora que combinam com os traços encontrados no ferimento do cadáver de B. A não tem porte de arma. A é condenado por homicídio e preso”.

Análise a partir da lógica do TRE/AM:

A é detido, a arma do crime tem traços de pólvora que combinam com os traços encontrados no ferimento do cadáver de B. A não tem porte de arma. Se não o tem, então retroativamente ao dia do assassinato, A não portava arma, pois não tinha autorização para tal. Logo, que A seja solto e que B seja imediatamente ressuscitado”.

!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

A HOMOGENIA PAULINA DE BENTO XVI

A Igreja Católica Apostólica Romana tem muito mais de Paulo de Tarso do que de Cristo. Aquilo que Jesus, o Palestino, trouxe como mensagem de alegria, uma mensagem política, de libertação das paixões e de atuação comunitária, foi transformado por Paulo – não ele, individualmente, mas auxiliado pela subjetividade da época – em uma igreja cultuadora da dor, da imobilidade, do ressentimento, da inveja, da mentira, da ilusão.

O grande jejuador, aquele que despreza o próprio corpo e o transforma no santuário da privação, independente da igreja ou denominação religiosa que professe, é um decadente. Humano, demasiado humano, portador de uma enfermidade: a daqueles que renegam sua própria natureza – natureza aqui não como essência, mas como condição estética-materialista de existir – e cultuam a autoflagelação. Direcionam o ódio nascido de uma existência passiva contra si mesmos, e são adoradores do sofrimento e da dor. Daí Paulo inserir na sua igreja figuras como o Cristo eternamente crucificado, a Dívida Eterna, impagável pelos mortais que ousaram matar o avatar do Divino, o Pecador, que só resgatará a dívida eterna após a morte, e o próprio Pecado, deterioração de atos humanos sob a ótica corrompida do dever através de uma causa externa. É o comercio entre seres imaginários, segundo o filosofante Nietzsche, que amou Rilke e Lou-Salomé.

Este é o tipo que compõe a igreja católica – e, por tabela, as disangélicas apocalípticas – e que, através de seu sacerdote-mor, Ratzinger, instituiu a figura do psicólogo nos seminários, a fim de identificar e segregar candidatos com perfil homoerótico. Segundo o documento, elaborado pelo próprio Ratzinger a partir de uma ordem do então Papa João Paulo II, os psicólogos deverão identificar traços de “dependência afetiva forte, identidade sexual incerta e tendência arraigada à homossexualidade”. A justificativa é evitar os casos de pedofilia e pederastia que constituem epidemia mundial entre os padres.

Há que se fazer duas observações sobre o caso:

Primeiro, o motivo da segregação – que em alguns países, incluindo o Brasil, é ilegal – não se reduz à discriminação, saída do culto ao esvaziamento da potência política-sexual do corpo, mas envolve interesses econômicos também. Assim o foi com o celibato clerical: a vedação ao casamento e procriação, foi instituída primeiramente no Concílio de Elvira, em 307 d.C., e posteriormente confirmada e transformada em regra no Concílio de Latrão, em 1123. No entanto, ela não é um dogma e nem consta nas leis do Direito Canônico. O motivo principal, portanto, é econômico: os padres, e principalmente os papas, não podiam ter descendência, sob o risco de, pelas leis de linhagem e herança, requererem legalmente as riquezas católicas que eram administradas por seus pais. Da mesma maneira hoje, milhões de dólares, principalmente nos EUA, são gastos com processos jurídicos contra padres, bispos e outras autoridades eclesiásticas acusadas de pedofilia e pederastia. Homos e héteros.

Segundo, o papel da Psicologia e dos psicólogos como portadores do saber necessários à política segregacionista do Vaticano. Não é, também, de hoje que a Psicologia se presta a estudos e práticas nocivas aos Direitos Humanos. A pretensa ciência que se encarrega de estudar o comportamento, motivações e paixões humanas, na sua vertente Organizacional, ou Empresarial, nasceu a partir de estudos neuropsiquiátricos dos exércitos beligerantes, sobretudo na Segunda Guerra Mundial. Segundo aponta o psicólogo existencialista Erich Fromm, a psicologia de estudo dos padrões, e que atualmente é usada em processos de seleção para emprego em indústrias e no comércio, foi originalmente usada em benefício da guerra. Os avanços na psiquiatria forense e na psicologia das habilidades se davam a partir do momento em que o exército demandava pessoas com características individuais precisas para determinada atividade (por exemplo, um caráter detalhista, quase obsessivo, trabalha bem em atividades que exigem grande concentração, como na indústria balística). Para atirar à queima-roupa em um inimigo, é preciso que o soldado tenha algum grau de desvio do senso de solidariedade e de empatia com o outro. Cabe ao psicólogo descobrir os melhores “matadores”. Atualmente, a figura do psicólogo é essencial às forças armadas, desde a seleção dos candidatos até o desenvolvimento de novas armas (como por exemplo, a bomba-gay).

Assim, a questão é de homogenia: a produção de “humanos-padrão”, com os mesmos hábitos, os mesmos gostos, e o mesmo amor à Deus. O homoerotismo faz parte do Cristianismo desde os tempos de Jesus, que escolheu 12 homens para segui-lo, embora amasse mesmo Maria Madalena, com quem, segundo evidências ocultadas pelo Vaticano, casou e teve filhos. No século das Luzes, o filósofo e enciclopedista Denis Diderot usou o humor para evidenciar o moralismo teocrático, em sua obra “A Religiosa”, que mostra o homoerotismo e os abusos sexuais nos conventos europeus. Assim, a igreja apenas coloca em prática mais uma tentativa natimorta de expurgar o estranho. No caso da doutrina da decadência, o ideal ascético, o estranho é o si-mesmo como espectro. O estranho “prazer” de renegar aquilo que Deus, auspiciosamente colocou logo abaixo da cintura, à frente e atrás, para deleite e prazer dos seres humanos na Terra.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ SE O MUNDO É GAY, O FUTEBOL TAMBÉM É. A FA (Football Association), da Inglaterra, promoveu na semana passada o fórum “Homofobia: o fim do tabu no futebol”. Lá, o ex-jogador John Elliot disse ter conhecido pelo menos 12 jogadores homoeróticos nos clubes por onde passou. Elliot jogou no Chelsea, Aston Villa e Celtic (Escócia). Segundo ele, o maior impedimento para que os jogadores assumam a sua orientação sexual é o medo da reação dos fãs. Na mesma linha de combate, o grupo “Kick Out!” pretende lançar um programa de palestras de jogadores em escolas e outros ambientes públicos, sobre a incompatibilidade entre homofobia e futebol. Haverá também, por parte da comissão de direitos humanos, a iniciativa de produzir um vídeo com mensagens contra a homofobia, gravadas por jogadores heteros, e divulgado na MTV, em escolas, e antes das partidas do campeonato inglês. Excelente iniciativa, afinal é o amor, e não o ódio, que leva 22 homens a brincarem juntos tendo uma bola como justificativa. E não nos venham com essa de que futebol é coisa para macho! Nem se fosse pela biologia, seria, afinal, as fêmeas se dão bem no quadrado riscado em giz dos gramados. Não por acaso, a Frangisleyne foi convidada para ser beque-central de um time do torneio do campo do Roma, lá no Novo Aleixo, zona Leste de Manaus. Sentiu a brisa, Neném?

Φ SISTEMA PRISIONAL PERNAMBUCANO DISCUTE HOMOFOBIA. Começou a funcionar na semana passada, em Pernambuco, o projeto “Unidades Prisionais Sem Homofobia”. A iniciativa saiu de um estudo feito pela ONG “Movimento Gay Leões do Norte”, que detectou a situação vexatória dos prisioneiros LGBT em presídios do Estado. O projeto consiste em palestras e encontros com os detentos, a iniciar-se pelos de orientação sexual definida, e nesses encontros, se discutirão questões de saúde e cidadania, além de informações sobre como se define a orientação sexual. O movimento ainda organizou o Centro de Referência Contra a Homofobia, que reunirá advogado, assistente social e psicólogo, e atuará na defesa dos direitos LGBT. Excelente iniciativa, de um movimento que realmente movimenta intensivamente e democraticamente o Estado de Pernambuco. Pena que esta energia, esta potência de agir não contamine outros movimentos Brasil afora. Teríamos certamente um impacto na violência social homofóbica que é reinante neste país. Sentiu a brisa, Neném?

Φ SÃO JOSÉ DO RIO PRETO TEM AMBULATÓRIO “T”. A cidade do interior paulista acaba de inaugurar o ambulatório de saúde T, localizado na UBS do Jardim Vetorazzo, especializado no atendimento de travestis e transsexuais. O diferencial fica por conta do treinamento dos funcionários que atuarão no ambulatório, e no tratamento especial, que começa pelo uso do nome social. A iniciativa é da ARTTS (Associação Rio Pretense de Travestis e Transsexuais), Secretaria Municipal de Saúde e o Centro de Referência no Combate à Homofobia. O objetivo principal é atrair o segmento para os programas de saúde oferecidos pelo SUS, já que o ambulatório tradicional costuma afastar este público. E não se trata de segregação ou mesmo de beneficiamento de um segmento: aqui vale o mesmo entendimento da Lei Maria da Penha, o de que, na prática, o Estado deve promover ações de diferenciação para garantir a igualdade civil. Sentiu a brisa, Neném?

Φ GOVERNO DO RIO GARANTE PENSÃO A EX-COMPANHEIRO. A Polícia Militar do Rio de Janeiro negou; mas o governador Sérgio Cabral, como chefe maior da polícia, desnegou e concedeu ao companheiro do soldado Franklin Pereira Duarte, morto em serviço há 11 anos, pensão previdenciária. Cabral usou a lei estadual 5034/07, que garante o benefício a casais do mesmo sexo. O casal vivia junto desde 1989, e comprovou através de documentação e testemunhas. Um avanço que mostra que o governo carioca não é aliado somente em época de eleição, e que garante na prática a execução de leis que auxiliem na consolidação da cidadania LGBT. Nesse quesito em especial, o governo do Rio tem sido atuante. Ai, bate 10 Sergito! Sentiu a brisa, Neném?

Φ BEIJAÇO GAY CONTRA A HOMOFOBIA NA USP. Alunos do curso de Letras, Jarbas Lima e José Eduardo foram expulsos e constrangidos de uma festa do centro acadêmico de veterinária da USP, na semana passada. O ato foi registrado como homofobia na polícia, e foi programado um beijaço gay na frente do centro acadêmico, como forma de protestar. O CA de Veterinária contra-argumentou que o ato ocorreu por conta de “excessos”, e não pelo beijo em si. Afirmaram também que existem gays no centro acadêmico (justificativa na ponta da língua de dez entre dez homofóbicos: “eu não sou homofóbico, tenho até amigos gays” – falaremos sobre isso em breve). O certo é que um beijo incomoda a quem já é incomodado pela própria insegurança sexual, e desmonta o argumento de que homofobia e classe social são inversamente proporcionais. Alguém se habilita a ir a este protesto e protestar com a Janderlayne? Sentiu a brisa, Neném?

Φ GLOBO ABUSA DE CLICHÊS HOMOFÁLICOS. Enquanto alguns capturados pelo romantismo sequelado, o mesmo de Lindemberg, esperam a redenção moral pela transfiguração do beijo no hiper-real da telinha plim-plim da homofóbica Globo, a emissora-castradora continua utilizando o homoerotismo no seu aspecto mais pobre para lucrar: o clichê, signo-icônico que fortalece no receptor os enunciados que ele já possui, sem provocar alterações. Ou em outras palavras: fortalece a homofobia. Em uma cena de novela, uma personagem homoerótica, ao ver o amigo dar de presente a um recém-nascido um uniforme do Corinthians, afirmar que a criança será São-Paulina. Clichê vindo do homofóbico futebol brasileiro, fortalecido pelo inseguro-sexual Vampeta, que apelidou os tricolores de “bambis”. Torcedores do time do Morumbi protestaram, telefonando à emissora. Não se sabe de reações de grupos homoeróticos à comparação com torcedores do clube. Nos dois casos, caberia processo, já que o objetivo de uma concessão pública de canal de televisão deve servi a interesses democráticos, e não de disseminação de homofobia e de censura à inteligência. No entanto, além do processo jurídico que cabe neste caso, o processo mais eloquente e determinante pode ser dado individualmente, por cada inteligênciaque ainda não o fez: condenar em primeira e única instância a sequelada Globomofóbica, desligando a tevê. Cruuuzes, Jakelayne, se nenhum programa presta, então desliga essa desgraça! Sentiu a brisa, Neném?

Φ OUTRO MILITAR SOFRE DISCRIMINAÇÃO NA CORPORAÇÃO. Em 2004, o tenente Ícaro Ceita assumiu sua homoeroticidade dentro da corporação da PM baiana. A partir daí, passou a sofrer todo tipo de discriminação, tendo desenvolvido sintomas de depressão, ao mesmo tempo em que sofria processo por suposta deserção. Em entrevista ao jornal Correio da Bahia, o militar relatou sofrer retaliações, e ter sido chamado de “a vergonha da corporação” em público. Esta semana, saiu o parecer do procurador Luiz Augusto de Santana, do Ministério Público da Bahia, que afirma, dentre outras coisas, que a homossexualidade é incompatível com a carreira militar. A revista “A Capa” trouxe alguns trechos do depoimento, que trazemos, a título de humor involuntário do promotor, para os leitores intempestivos. Os grifos são nossos: 1) “…É que no militarismo todas as atividades são coletivas, ou seja, dormimos juntos em alojamentos comemos em ranchos coletivos, tomamos banhos de forma coletiva, usamos os mesmo vaso sanitário …. e por isso não sei quais reações teria um homossexual no meio de pessoas do mesmo sexo despidos, mas certamente não reagiria como os heteros, por que eu por exemplo, afloraria minha libido. Em curtas palavras, ficaria excitado na presença de uma mulher despedia, ou a mulher na presença de um homem, coisa natural a qual quer ser normal”; 2) “Contudo, como cientificamente já provaram que a mente do homossexual funciona igualzinho a mente do hetero do sexo oposto, a coisa ficaria complicada, e possíveis reações de assédio poderiam desaguar em instabilidade disciplinar, com prejuízos sérios para a própria corporação...”; 3) “Um homossexual jamais pode ser apontado como pessoa discreta em suas atitudes e maneiras, e que pode servir de exemplo a quem é alvo do seu preparo moral. Isso pode funcionar até em outra nação, mas ainda não no Brasil, embora tenhamos avançado muito nessa questão…”. Em determinado momento do parecer, o promotor cita a deontologia do militarismo, que versa sobre a “boa” prática, a que beira a perfeição. Pois bem, percebemos o quão distante estão os métodos, crenças e competência técnica do promoto, de um deontologia do Direito. No primeiro trecho, ele usa a si mesmo como exemplo, partindo do particular para o geral, quando o sentido do uso de uma lei é bem o contrário: julgar o particular pelo geral. Se o argumento do promotor fosse verdadeiro, não haveria um só lugar no mundo onde homens e mulheres pudessem estar juntos que não fosse no ato sexual. No segundo trecho, o pseudocientificismo do promotor vai de encontro às últimas descobertas das neurociências sobre o cérebro, além, é claro, do emprego da palavra “igualzinho”, bem coloquial para uma peça jurídica. No terceiro trecho, o promotor julga o Brasil inferior à outros países na questão dos direitos LGBT, que são mais “avançados”, embora acredite que “jamais” um homoerótico poderá se adaptar moralmente à sociedade. Mais paradoxal impossível. Vê-se bem que o poder judiciário da Bahia está muy bem representado, na competência, justeza e progressividade deste representante ora citado aqui. Ironias à parte, a peça jurídica dá abertura para um processo contra o Estado e contra o promotor, já que extrapola os limites do argumento cabível e recai no pseudocientificismo e no “achismo” do promotor, que age de acordo com seus próprios preceitos morais. Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

ELEIÇÕES EM MANAUS TAMBÉM PASSAM PELO TRANSTORNO MENTAL

Chegam a este Bloguinho através de fontes intempestivas informações que dão conta da ausência de profissionais ligados à área da saúde mental no DISA – Sul. Quem vai a este local em busca de informações ou orientações quanto à cobertura médica na saúde mental tem que se contentar com o fato de que não há nenhum profissional respondendo pela área atualmente.

Segundo as fontes afinadas, os profissionais que ali atuavam teriam se desligado da SEMSA, alegando receber pressões por parte de superiores para apoiar a candidatura de Serafim. Como estava todos “fechados” com Amazonino, preferiram sair, alegando que “em breve retornariam”.

O resultado final do cabo de guerra eleitoral é que a zona sul de Manaus não dispõe de nenhum tipo de coordenação na área de saúde mental até o final do ano. A ação dos profissionais, se realmente houve, demonstra o grau de entendimento que eles carregam sobe o que vem a ser uma política pública de saúde mental.

Se é verdade que os profissionais de saúde mental no Amazonas estão fazendo a “reforma psiquiátrica”, como afirmam lideranças do Estado e do Município, estão anos-luz distantes de compreender que a desinstitucionalização passa por pressões políticas e não se reduz em acabar com a internação ou com a marginalização do doente mental. A atitude de abandonar um trabalho – se é que aconteceu, e se é que existia este trabalho – nesta área por pressões políticas – também se estas existiram – apenas evidencia que o entendimento sobre a saúde e a doença mental por parte destes profissionais ainda não saiu do século XIX, onde o paradigma médico-clínico era dominante.

Ignoram eles que a mesma subjetividade perversa e antidemocrática que permite a existência de pressões corporativas a um candidato, ou mesmo a própria candidatura de um Amazonino Mendes, um Paulo Maluf, um Berlusconi, um Bush, é a mesma que produz as moléstias mentais, e que o trabalho de combate epidêmico neste aspecto não pode se dissociar de um embate político, de uma transformação no sentido de busca de mais autonomia e consolidação dos direitos políticos desta população. Nada que passe pelo “eu voltei, voltei para ficar” da prepotência e ressentimento de funcionários que perderam as benesses quatro anos atrás e que agora se insinuam para retornar à gostosa prefeitura. E la nave vá…

LULA ALÉM DE FREUD

O nome de Freud é quase tão conhecido como a farinha. Tão famoso quanto outros homens famosos: Jesus Cristo, Marx, Nietzsche, Che Guevara, Maradona. Serve para variadas alusões: “Freud, explica! Freud explica, mas não resolve! É uma questão freudiana! É Freud, rapaziada! Este jogo tá Freud!”. E assim o psicanalista vai conferindo seu nome em muito territórios e estados de coisas, até na psicótica mídia-seqüelada. Escrever ou falar Freud ainda dá glamour, alguns acreditam. Até mesmo aberrando a pronúncia alemã: “O psicanalista Freudi…”. Mas o que vale é a intenção de freudianizar a ocasião. Para difundir mais ainda o nome do descendente do império Austro-Húngaro, a convite do diretor de cinema John Huston, o filósofo Sartre escreveu um roteiro sobre o edipiano-psicanalista, com o nome “Freud, Além da Alma”, que para o bem da filosofia, o diretor quis romantizá-lo, mas o filósofo da liberdade-Para-Si não aceitou. Agora tem estudante de psicologia e incautos afins acreditando que assistem o original. Mas parte da propagação do nome.

Muito sabem que Freud, mesmo patriarcalizado e emburguesado, revolucionou o pensamento. Criou a terceira ferida narcísica (a primeira foi Galileu, mostrando que a terra não era o centro do universo; e a segunda Darwin, mostrando que o homem é descendente do bom primata): o homem no subterrâneo de sua mente é um horror. Implosão da moral judaica-cristã-burguesa. Apesar de seus pseudos seguidores, e sua triangulação edipiana-familial, mostrou que o inconsciente é um oficina produtiva. Uma potência transformadora, muito diferente do que pretendem os sacerdotes da psicanálise, que o querem arcaicamente perdido em um passado destruidor do presente: a dívida do neurótico.

Todavia, o mestre vacilou quanto à terapia dos revolucionários loucos: era impossível sua cura, pois os mesmos não fazem transferência sobre o analista como fazem os neuróticos. Aí surgiram os anti-psiquiatras e trouxeram os fraturadores da mente e passaram pela fissura da censuradora normalidade. Nesta festa, estão os psiquiatras David Cooper, Ronald Laing, Berlinguer, Basaglia, Guattari, entre poucos.

Eis que hoje, pela manhã, no estado da Bahia, no município de Lauro de Freitas, foi lançado o PAC Plano de Aceleração do Crescimento. Como já habitual, onde Lula se encontra o povo está presente, expressando, compondo encontros que aumentam sua potência de agir. Passado a cerimônia introdutória, a prefeita Moema Gramacho, com uma verve e graça pouco encontrada na maioria dos prefeitos, mandou elogios reconhecedores aos presentes. Não teve preocupação, como acontece com outros administradores, em agradecer à presença dos estudantes que não tiveram aula para ir ao encontro do Sapo Barbudo. Listou as obras e trabalhos executados durante sua gestão com apoio do Governo Federal. Graciosa, comandou a festa. Foi então que colocou Freud e Lula. Falou da política de saúde mental que estavam realizando no município. E, agora sim, Freud treme, ofereceu a Lula um boneco idealizado e criado pelos revolucionários fragmentadores do desejo-burguês e do inconsciente-passivo, com o nome de “Lulinha Amigo”. Foi a cura da psicanálise: os loucos de Freud se libertaram fazendo transferência a Lula.

Sem querermos ameaçar o emprego de ninguém, mas sugerimos que, após o fim do mandato, Lula passe a atuar na política da saúde mental. Transferência ele consegue. Te cuida, Freud! Entretanto, em BG, em efeito sonoro, o povo em coro cantava: “Um, dois, três, Lula outra vez!”.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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