Arquivo para a categoria 'Psicologia'

A Transformação Interior

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RELATÓRIO DO CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA DENUNCIA COMUNIDADES TERAPÊUTICAS PARA USUÁRIOS DE DROGAS

Um verdadeiro quadro de violência contra os direitos humanos dos usuários de drogas foi denunciado pelos membros da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que visitaram 24 estados e o Distrito Federal e computaram a prática em 68 instituições de internação.

Imposição de credo, desrespeito à orientação sexual, violências físicas como castigos e torturas, isolamentos em quartos fechados com cadeado, escuro e pouco arejado para onde são levados os usuários recém-chegados ou que têm comportamento agressivo, são alguns dos desrespeitos aos direitos humanos constatados nessas comunidades terapêuticas.

Mas não é só esse tipo de violência que os internos sofrem nessas comunidades terapêuticas, de acordo com o relatório. Em algumas instituições os internos são enterrados até o pescoço e são obrigados, como castigo, a beber água do vaso sanitário, além de comerem comida preparada com alimentos estragados. Usando o eufemismo de laborterapia, elas aplicam trabalho forçado aos internos.

Ana Luiza Castro, conselheira do CFP, comentando o relatório, afirmou que os dependentes químicos não são tratados nas comunidades terapêuticas.

“Eles estão sendo mantidos em lugares baseados na fé religiosa e no trabalho sem remuneração. A maioria não tem psicólogos, assistentes sociais, médicos ou técnicos em enfermagem”, disse Ana Luiza.

Ainda de acordo com a conselheira, muitas comunidades terapêuticas ainda não têm convênios e recebem verbas públicas, e não se sabe quantas comunidades terapêuticas existem.

“A gente desconfia de que tem muitas instituições funcionando à margem da lei, de qualquer regularização. A maioria desses locais é afastada. Não conseguimos localizar o site ou não tem telefone”, afirmou  Ana Luiza Castro.

A situação dessas comunidades terapêuticas força o surgimento de um problema. O governo federal, tendo como modelo as comunidades terapêuticas, vai tentar criar unidades de acolhimento de usuários de álcool e outras drogas, dentro do Sistema único de Saúde (SUS). Se essas comunidades terapêuticas denunciadas pelo relatório servissem de modelo seria uma loucura. Mas é claro que o governo não às tomará como referência.

O relatório foi entregue ao ouvidor nacional dos Direitos Humanos, Domingos da Silveira, que irá entregar à ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

“Vou encaminhar o relatório à ministra Maria do Rosário, e vou estudá-lo e, é meu dever, percebendo algumas consistências nas denúncias, instaurar um procedimento coletivo de apuração”, disse.

Por sua vez, diante das acusações, o diretor executivo da Federação Brasileira das Comunidades Terapêuticas, Maurício Landre, disse que os conselhos regionais e Federal de Psicologia estão fazendo um movimento para atacar o nome das comunidades terapêuticas.

“O que eles têm observado na maioria dos casos de violação e problemas com a questão manicomial não são comunidades terapêuticas.

Tudo que é involuntário, ou seja, o caso das internações compulsórias não é comunidade terapêutica mesmo que use esse nome. Eles resolveram colocar tudo no mesmo saco e tratar do mesmo jeito”, afirmou Landre.

SÓ PARA LOUCOS (MUITOS POUCOS) (ou Só para poucos e muito LOUCOS)

O tema mítico de Dionisos

Nos profundos e intrincados labirintos da psique vivem ainda os deuses pagãos. Dois mil anos de cristianismo representam apenas a superfície. Pesquisas arqueológicas e pesquisas psicológicas são trabalhos paralelos feitos em áreas diferentes. Dionisos manifesta-se em nítidas imagens sob múltiplos aspectos de sua natureza dual, jovem e velho, bissexuado, animalesco, orgiástico, frenético, o inventor do vinho, dom deste deus aos homens para ajudá-los a provar, embora fugazmente, a euforia da embriaguez e até mesmo o êxtase religioso.

Em meados dos anos 60, “O lobo da Estepe” (1927), de Hermann Hesse (1877-1962), começou a ser lido como uma espécie de “O Pequeno Príncipe” por toda uma geração influenciada primeiro pela psicanálise e em seguida pelos ecos do movimento hippie.

Hesse virou moda. Seus livros foram devorados com um espírito de culto. Se você passou a infância naqueles anos psicodélicos, deve ter tropeçado pelo menos uma vez em algum dos romances do autor (Prêmio Nobel Literatura de 1946), esquecidos na borda de uma piscina ou ao lado de uma cadeira de praia e discutidos pelos adultos como alegorias da procura espiritual do EU pelo viés do inconsciente psicanalítico (“Demian”) ou do misticismo orientalista (“Sidharta”).

É muito provável que a “literatura de mensagem” de Hesse, que tanto marcou os leitores nos anos 60/70, também esteja ironicamente na origem dos livros de Paulo Coelho, em seu aspecto massificado de “pérolas de sabedoria”.

Ironicamente, porque, ao contrário do que pode parecer, “O Lobo da Estepe” não é um romance fácil. Ainda mais num mercado que é avesso dos valores que o livro propõe, um mundo em que a idéia de auto-conhecimento foi invertida e transformada em impostura e lugar-comum, vulgarizada como estratégia de marketing e vendas.

O que chamamos cultura, o que chamamos espírito, alma, o que temos por belo, formoso e santo (sagrado/espiritual), seria simplesmente um fantasma, já morto há muito, e considerado vivo e verdadeiro só por meia dúzia de loucos como nós?”, pergunta o protagonista.

Com a distância de tempo, a atual reedição (26) de “O Lobo da Estepe” prova que, a despeito de seu lado “filosófico”, que o tornava aparentemente mais acessível nos anos 60, o romance de Hesse é, do ponto de vista literário, extremamente complexo, imaginativo e inovador para a época em que foi escrito. Um texto que oscila entre o simbolismo e o surrealismo, criando um mundo onírico que lembra os pesadelos das novelas de Schnitzler e dos contos de Hoffmann.

A misantropia, o solipsismo e a inadequação de seu protagonista ao mundo, descontadas as eventuais referências á ânsia de um “encontro com Deus”, também estão de alguma forma na origem dos personagens de Thomas Bernhard: “O Lobo da Estepe, o sem pátria e solitário odiador do mundo burgês (…) Não se devem considerar suicidas apenas aqueles que se matam (…) Essa classe de homens se caracteriza na trajetória de seu destino porque para eles o suicídio é a forma de morte mais verossímil (…) Não estou satisfeito em ser feliz. (…) A infelicidade de que necessito (…) me permitiria sofrer com ânsia e morrer com prazer (…)Anseio por uma dor que me prepare e me faça desejar a morte”, diz o narrador do romance de Hesse.

Bernhard chegou a declarar numa entrevista a TV austríaca: “Quando descrevo este gênero de situações centrífugas encaminhadas na direção do suicídio, trata-se certamente da descrição de estados em que eu próprio me encontro e em que, por outro lado, talvez me sinta bem enquanto escrevo, justamente porque não me suicidei, porque escapei disso”.

Assim também, ao final de “O Lobo da Estepe”, o protagonista entra num teatro mágico, que lhe abre, como uma droga, as portas da percepção (leiam “As Chaves das Portas da Percepção”, Aldous Huxley) para o interior do seu inconsciente e se depara com um letreiro que lembra bastante a literatura de Bernhard: “Delicioso suicídio! Você se arrebenta de rir!”

Todo o problema do personagem do livro de Hesse é um permanente mal-estar cuja fonte é a inadequação do seu espírito à sociedade, à massa, à média e à vulgarização burguesa da vida e dos valores. É por isso que ele se define como “lobo da estepe”.

Aos 48 anos, aluga um quarto mobiliado na casa de uma senhora onde passa a viver isolado do mundo. É um intelectual misantropo. Suas andanças são ao mesmo tempo um mergulho simbólico dentro de si mesmo e uma redescoberta sensorial dos prazeres físicos.

Quando sai para a rua, as coisas se sucedem como se ele estivesse sonhando ou alucinando e como se tudo dissesse respeito a si mesmo. Um mundo bem mais imaginário e simbólico do que real (o que é [o real]?).

À certa altura, recebe de um propagandista ambulante um panfleto que é a espantosa análise de sua própria personalidade. Encontra uma mulher que é, ao mesmo tempo, a lembrança de um amigo de infância e seu duplo (anima-Jung). É levado a um teatro mágico, “só para loucos”, cujo efeito é semelhante ao de uma droga de autoconhecimento. (plantas de poder – psicologia transpessoal – “Emergência Espiritual” Stan e Cristina Groff).

A duplicação de si se estende por todo o romance e culmina no jogo de espelho desse teatro mágico, em que o protagonista descobre que o eu é múltiplo. O autor se duplica em narrador e este, em elementos de sua própria narrativa. “Assim como a LOUCURA, em seu mais alto sentido, é o princípio de toda sabedoria, assim a esquizofrenia é o princípio de toda arte, de toda fantasia”. Ao que só lhe resta, como em Thomas Bernhard, “VIVER E APRENDER A RIR”.

Aviso aos navegantes/delirantes/leitores deste SKiZOeM@IL: Ler 22 (número do LOUCO no Tarô de Marselha-Leiam “Jung e o Tarô” A. Jaffete) vezes e depois responder este email escrevendo 22 (já sabem porque) linhas (mínimo) sobre os sentimentos que afloraram do seu inconsciente pessoal/coletivo (se é que vcs conseguiram se conectar a (22 MB/ps)).

Um abraço de camisa de força e um cheiro/pirado no cangote (das mulheres).

*Jorge M. Gouvêa – LOUCODIDATA EM FORMAÇÁO FAZENDO PÓS-PÓS-PÓS-PÓS-PÓS-DOUTORADO EM ARTECULTURALOUCURA

OS PAIS COMO AGENTES DO BULLYING FAMILIAR

Pesquisadores da violência praticada pelos adultos em crianças e adolescentes sugeriram que quando a lei que proíbe o uso da violência na educação delas for aprovada, que sejam criadas nacionalmente campanhas com crianças sendo encorajadas a falar sobre os assuntos que mais lhes afligem. É uma boa ação pedagógica, mas é preciso também que as campanhas mostrem os traços psicóticos que carregam os pais espancadores, ou adultos espancadores, já que não é preciso ser pai e mãe para espancar.

Mostrar que se eles espancam é porque internalizaram como forma de educar os resíduos paranoicos de seus pais que os espancaram também, visto que já é notória a máxima de Freud que diz que a violência é estupidez, e toda estupidez é produto da repressão. Como se sabe, a violência é o fim do diálogo, e onde não há diálogo prevalece a estupidez em forma de medo, materializado em violência. É o que fazem os países do império em nome da democracia. Vide exemplos as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) intervindo nos países que elas consideram inimigos. Ou ameaçadores.

Desta forma, os adultos que espancam crianças e adolescentes são sujeitos-sujeitados frustrados, privados em criança de suas liberdades pela repressão paranoica exercida por seus pais em nome de um modelo moral coercitivo. Traumatizados na infância pela força da presença paranoica dos pais, ele tornam-se adultos – nada de adulto – pretendentes da violência dos pais com os quais se assemelham, e então procuram sublimar a violência sofrida espancando os filhos apoiados no modelo moral paranoico internalizado e, quando profissionais, tratando as pessoas, fora de seu núcleo familiar, com desprezo e prepotência.

É um patrão que explora o trabalhador, um polícia que não sabe que é funcionário público, um torturador que tortura porque acredita que é assim que se faz justiça, um pastor que usa seu medo para ameaçar os fiéis, um professor que persegue os estudantes porque os toma como ameaça, um governador que, em seu proveito, anula o sentido de democracia, um advogado que defende qualquer crápula com tanto que lhe pague, etc. E por aí vai a onda ecolálica da repressão infantil sendo sublimada pela violência. Sujeitos-sujeitados exaltando a aparência, como diz Marx, produzida pela moral capitalista.

E nunca esquecer também que a violência praticada pelos adultos sobre as crianças e adolescentes não é só a física, mas é também afetiva. Aquela que corta sem deixar marcas visíveis. E que também, que todos os dois tipos de violências não são privilégios de uma classe, mas de todas. O burguês é tão violento com seus filhos como um pobre é com os seus.

HOSPITAIS PSIQUIÁTRICOS DE 23 ESTADOS SOFRERÃO AUDITORIAS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Diante da realidade de sofrimento, maus tratos, e terapias anti-humana que os pacientes psiquiátricos estão submetidos na maioria dos hospitais psiquiátricos do Brasil, e depois de constatar, por investigação, que um grande número de pacientes internados em hospitais psiquiátricos morreram, o Ministério da Saúde decidiu realizar auditorias nas instituições psiquiátricas de 23 estados. Segundo matéria publicada no jornal ultraconservador Folha de São Paulo, 104 pacientes morreram em 2010 nas instituições manicomiais paulistas.

Segundo informação do Ministério da Saúde, desde abril deste ano, foi instalada uma investigação, que já se encontra em fase final, para apurar denúncias de mortes e concentração de pacientes no Hospital Vera Cruz, em Sorocaba, e mais seis instituições da região.

Durante a auditoria, que será coordenada pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), os técnicos do ministério vão se concentrar nos seguintes pontos: avaliação da estrutura física dos hospitais, a relação dos profissionais com os internos e a eficácia do tratamento dos pacientes.

As auditorias terão 60 dias para apresentar os resultados depois do dia 1º de setembro.

PSICÓLOGOS SE UNEM A DILMA CONTRA A GRANDE MÍDIA E A CAMPANHA DIFAMATÓRIA DE JOSÉ SERRA

Na luta pelos direitos dos trabalhadores e das políticas sociais os psicólogos decidiram mostrar que sua profissão não é composta da leseira e torpor da classe média que busca cada vez mais o aprisionamente e resignação do ser humano.

O Manifesto dos Psicologos a favor de Dilma e contra a boataria da campanha de José Serra, foi divulgado em uma carta aberta pela ABRAPSO (Associação Brasileira de Psicologia Social) sob o título: “Eleições 2010: o projeto  de sociedade que queremos e estamos construindo?

A carta inicia falando sobre as enormes mudanças  no trabalho social da psicologia que ocorreram nestes 8 anos de governo Lula:

“Nos últimos oito anos de governo, pudemos observar que nosso país alcançou crescimentos importantes em diversas áreas da vida social, na busca pela erradicação da miséria e em favor de uma maior redistribuição de renda. O atual governo se coloca diferente dos anteriores, os quais se pautavam apenas em um desenvolvimento econômico, atrelado a receitas internacionais que ignoravam as desigualdades crescentes em nosso país e colocavam em jogo a nossa soberania. Também, no atual governo, foram construídos importantes fóruns de diálogos com os movimentos sociais, por meio de Conferências Temáticas, que possibilitaram tornar visíveis debates sempre marginalizados na sociedade brasileira, garantindo a efetiva participação da população no controle social de políticas públicas. Essas são conquistas fundamentais que não podem ser negligenciadas.”

E ainda acrescenta:

o segundo turno desta eleição foi motivado, sobretudo, por um desejo da sociedade em ampliar o debate sobre projetos de governo que dessem continuidade a essa fase da vida política brasileira (…) Porém, o que temos observado é o retorno de práticas antigas de disseminar boatos, que, ao invés de ampliarem o debate, objetivam promover efeitos moralistas, que ao invés de convidar ao debate político, estagnam as discussões.”

Em relação a boataria, a ABRAPSO posiciona-se veemente contra, ao mesmo tempo em que manifesta apoio ao atual governo, “que se coloca diferente dos anteriores, os quais se pautavam apenas em um desenvolvimento econômico, atrelado a receitas internacionais que ignoravam as desigualdades crescentes em nosso país e colocavam em jogo a nossa soberania.”


O Conselho Federal de Psicologia contra a grande mídia


O primeiro passo foi do Conselho Federal de Psicologia que se manifestou oficialmente em uma nota de repúdio à demissão da psicologa Maria Rita Kehl que ocorreu no ínicio deste mês. Em um dos trechos da carta assinada pelo conselho mostra a tendenciosidade e afronte a diversidade de opiniões feita pela grande mídia brasileira:

“O Conselho Federal de Psicologia (CFP) repudia a demissão de Kehl, solidariza-se a ela e externa preocupação com a atitude do Estadão que, ao demitir uma articulista que se posiciona de maneira contrária ao discurso do jornal, fere o direito à liberdade de expressão e de pensamento. Ou não é para garantir a diversidade de opiniões que os jornais, além de editoriais, publicam artigos?

A grande mídia tem acusado o governo de cercear a liberdade de expressão e o Estadão há meses questiona um processo de censura. Entretanto, a demissão da colunista expõe a fissura entre o discurso da mídia que se diz ameaçada em sua liberdade de expressão e suas práticas cotidianas, restritivas à liberdade de opinião.”

UNIFEM DIVULGA NOTA DE REPÚDIO À VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

O Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) divulgou nota repudiando os atos de violências praticados contra mulheres que, além de causarem grande danos físicos, psicológicos e morais, também as transformam em vítimas fatais.

Rebecca Reichmann, representante no Brasil do Unifem, falando sobre os dois casos de violência contra a advogada Mércia Nakashima, que foi assassinada em Guarulhos, município de São Paulo, e o caso da ex-namorada do goleiro do Flamengo, Bruno, desaparecida há mais de um mês, afirmou que as investigações policiais mostram “tramas cruéis da violência contra a mulher, sucessivas violações de direitos de decisão e autonomia das mulheres que culminam com o feminicídio”.

Citando outros casos, a nota apresenta o caso da jornalista Márcia Pache, que foi agredida pelo vereador do DEM do município de Pontes e Lacerda, no Mato Grosso, Lourivaldo Rodrigues de Moraes. “Nem mesmo no exercício profissional, como no caso da jornalista Márcia Pache, que foi agredida fisicamente durante uma entrevista, as mulheres estão imunes a práticas violentas”.

A nota, que ressalta a importância da denúncia de toda violência contra a mulher, finaliza afirmando: “Por fim, manifestamos pesar à memória daquelas mulheres que, infelizmente, são assassinadas por atos criminosos de violência”.

DIA DA LUTA ANTIMANICOMIAL VAI À PRAÇA

Embora a política de Saúde Mental no Brasil já tenha conseguido alguns avanços com algumas mudanças nos tratamentos terapêuticos, e liberação do confinamento hospitalar, entretanto, ainda exige muito o que se fazer quanto ao que ainda resta de segregador aos usuários dos corpus psiquiátricos, tanto em alguns hospitais, algumas clínicas, como também no comportamento de grande parte da comunidade.

Todavia, vários seguimento da sociedade não ligados diretamente à causa da Saúde Mental, não esmorecem em suas lutas para que ocorram mudanças mais profundas no conceito e nas atitudes sobre que convencionou chamar de doença mental e paciente psiquiátrico. É exatamente nessa dimensão ontológica que a Luta Antimanicomial não diminui sua política de ação. E foi exatamente por essa política de ação que o movimento da Luta Antimanicomial do Rio de Janeiro foi à praça para, no Dia da Luta Manicomial, mostrar, protestar e reivindicar novas formas de posturas públicas e sociais com o tema.

Em um ato político alegre, reuniram-se na Praça da Cinelândia, no Rio de Janeiro, para comemoração, pacientes psiquiátricos, representantes do Conselho Nacional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP/RJ), representantes da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), representantes da TV Pinel, e representantes de outros centros psicossociais. Em um palco montado na Praça da Cinelândia, participantes do Grupo Harmonia Enlouquece, e do Bloco Tá Pirando Pirado Pirou, formados por usuários e funcionários do serviço de saúde mental, realizaram a festa saudável diante de uma plateia que correspondeu ao evento com aplausos.

A coordenadora da A TV Pinel, criada no hospital psiquiátrico Instituto Phillippe Pinel, Vera Roçado, falando sobre as produções da TV, disse: “Ensinamos as pessoas a fazer um vídeo, para que essas pessoas possam se expressar e reproduzir os conhecimentos em suas unidades de tratamento de origem”.

Já o poeta Renato da Poesia, paciente do Centro Psicossocial de Bangu, campeão do samba-enredo do Bloco Tá Pirando Pirado Pirou, em 2006, e sétimo lugar na disputa de samba-enredo na Escola de Samba Império Serrano, falou sobre seu trabalho: “Eu escrevo porque eu gosto. Sempre tenho objetivo de crescer e dar alegria para nosso povo, que sofre tanto”.

Falando sobre a luta para acabar com os manicômios, os ganhos e a ocupação de espaços para reivindicações, a representante do Movimento Antimanicomial e do CRP/RJ, Beatriz Adura, afirmou: “São 23 anos de luta pelo fim dos manicômios e ainda existem sete mil leitos no estado do Rio de Janeiro. Mas não se vai acabar com os manicômios só com a assistência a saúde, e, sim, com uma nova forma de olhar para a loucura”.

O deputado estadual do Partido dos Trabalhadores, Carlos Minc, criador da lei do passe livre para os pacientes mentais, da lei que estabelece os direitos fundamentais dos usuários de serviços de saúde mental e da lei que criou a Comissão Estadual de Reforma Psiquiátrica, para humanização da saúde mental e ressocialização dos pacientes, que se encontrava no evento, afirmou: “Existe o passe livre e milhares de pessoas têm acesso, mas muitas ainda não têm por causa de exigências burocráticas. Então, temos que promover eventos como esses para ouvir as pessoas e saber se a lei está sendo cumprida e acionar o poder público”.

AIDS CAUSA MAIS PROBLEMAS PSICOLÓGICOS E SOCIAIS

Dia Mundial De Luta Contra a AIDS

Pessoas soropositivas, no Brasil, que se encontram em tratamento sofrem muito mais com problemas psicológicos e sociais do que propriamente com a doença. A ansiedade e a depressão são as principais disfunções psicológicas. O quadro foi revelado pela pesquisa Percepção da Qualidade de Vida e do Desempenho do Sistema de Saúde entre Pacientes em Terapia Antirretroviral no Brasil, divulgada pelo Ministério da Saúde, cujos dados foram levantados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que entrevistou 1.260 pacientes com AIDS em tratamento, das 200 mil em todo Brasil.

A pesquisa afirma que os problemas psicológicos e sociais dos que estão em tratamento com coquetel antiaids é pior do que os 65% dos portadores de HIV que se dizem em estado de saúde bom ou ótimo. Daqueles, 33% das mulheres soropositivas afirmam sentir graus intensos ou muito intensos de tristeza ou depressão, já 47% afirmam sentir graus intensos de preocupação e ansiedade. Nos homens, os índices são menores, chegando a 23% e 34% dos que são acometidos pelo sofrimento psicológico.

Esse quadro psicológico apresentado ontem, dia 1º, no Dia Mundial de Luta contra a AIDS, é preocupante, pois traz uma diminuição na qualidade de vida dos pacientes, visto que apresentou um grande aumento nos graus de sofrimentos destes soropositivos. Pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no ano de 2003 mostrava que apenas 15% da população mundial afirmou sentir graus intensos ou muito intensos de tristeza e depressão. Os graus de preocupação e ansiedade foram menos que 23%. Ainda de acordo com a pesquisa, o que causa esse sofrimento é a dificuldade de elaborar o trauma provocado pelo diagnóstico da AIDS.

OTIMISMO EM GOTAS AMARGAS

O capitalismo como um sistema tem como sua ortodoxia a rigidez da representação. Daí que ser capitalista é ser sujeito-sujeitado a essa representação em sua enunciação semiótica como forma de doutrina definida como realidade inalterada. E como sujeito-sujeitado defensor e propagador dessa ortodoxia doutrinária.

Entretanto, a doutrina capitalista não se satisfaz apenas com a representação psicológica que cotidianamente o sujeito-sujeitado confirma com sua percepção obliterada, sua cognição senso comum e sua linguagem coisificada. A representação fundamental da doutrina capitalista é a que apresenta como seu fator social máximo o lucro. A forma fetichista do dinheiro que enseja no sujeito-sujeitado seu discurso de sucesso. Sem representação-lucro não há capitalismo, posto que essa representação-lucro se multifaceta nas expressões variadas de todas as representações da ortodoxia.

A LÓGICA DA TRAPAÇA OTIMISTA

Foi nesse espaço extenso sem diferenças e sem alteridades, muito bem segmentado economicamente, e eficazmente distribuído em territórios qualificados pelo valor representação-lucro que a Psicologia do Otimismo, que produz a esperança do sucesso pessoal e empresarial emergiu e floresceu, e provocou, subsequentemente, a manifestação da Psicologia do Marketing sustentada pela linguagem-tropo e as imagens entorpecidas como recursos sedutores imprescindíveis à vitória, ao brilho, à respeitabilidade e à inveja que todos os envolvidos nesse carrossel efusivo com suas faculdades sensorial e intelectiva obstruídas perseguem.

Assim, fixada a ordem do otimismo psicológico capitalista, produtos significados por este modelo, passaram a ser exibidos e vendidos nos mercados dos sonhos de não ser mais um rosto perdido no meio da multidão. Livros, cursos, conferências, truques, técnicas, passaram a ser oferecidos pelo preço da ambição do sucesso. “Querer é Poder”, “A Medida do Sucesso”, “Só os Fracos Não Vencem”, “A Vida é Dura para Quem é Mole”, “Vencer é Possível”, “Os maiores Vencedores da História”, “Seja um Vencedor”, “Otimismo em Gotas”, “O Triunfo é para os Fortes”, “Seja um Empresário Vencedor”, etcs, inúmeras fórmulas que só pretendem manter a ilusão do capital, que todos podem ser ricos, a grande fraude capitalista, já que se a riqueza social fosse distribuída para todos não seria o capitalismo. A patologia social.

Desta forma, sendo a representação-lucro a expressão e o conteúdo predominante da sociedade capitalista, tudo passou a ser submetido a sua realidade. E, entre eles, o conceito de pensar. Assim, o psicólogo da otimização norte-americana Napolleon Hill, o guru criador da enunciação-triste do sucesso pessoal, pesquisou 500 nomes dos que compõem as maiores fortunas do mundo e encontrou entre eles 15 itens responsáveis por seus sucessos. Aí, depois de publicar várias obras milagreiras da medida do sucesso sobre a tal psicologia, lançou o seu atual best seller “Quem Pensa Enriquece”, a bíblia dos desesperados do vale de lágrimas da ortodoxia capitalista. Como Hill sabe o que é pensar, e aqueles que não estão presos à ordem ortodoxa do capital não sabem, só resta atribuir a Hill a medalha da epistemologia capitalista, já que filósofos como Spinoza, Nietzsche, Marx, Sartre, Beauvoir, Hannah Arendt, Foucault, Deleuze, Guattari, entre tantos, não enriqueceram. Prova que Hill estava certo. Se não enriqueceram é porque não pensavam. Elementar, Wall Street, Manhattan!

TEATRO MAQUÍNICO DA AFIN NO CURSO DE PSICOLOGIA DA UFAM

Diálogo 01 por você.

Nas comemorações do Dia do Psicólogo, promovida pelos estudantes de Psicologia da UFAM, entre outras expressões, expressou-se naquele território o Teatro Maquínico da AFIN. Um vetor de produção desejante de práxis de saberes e dizeres sociais constitutivos da teatralidade humana como potência/comunalidade criativa. A estética do existir ontologicamente desmitificada do conceito de beleza ascética abraçada nos“bocejos e sonhos matinais” (Belchior).

Diante de uma platéia acessível ao tema, corte Esquizo-Analítico sobre a Psicanálise, foi encenada “Dialogo Psicanalítico”. Peça maquínica produzida desejantemente pela AFIN do diálogo (?) gravado pelo ex-analisável Jean-Jacques Abrahams com seu analista depois de passar mais 14 anos sob a violenta prisão mistificada da análise interminável sustentada nos dogmas da falta, da triangulação edípica e da castração.

Diálogo 02 por você.

Como dizem os filósofos Deleuze e Guattari, um dia entra no consultório um “analisável” com seu gravador, e pronto: acaba o contrato psicanalítico. É a inclusão do terceiro, que até então encontrava-se excluído do acordo tácito da chantagem analítica, nada simbólica.

Abrahams entra no consultório e resolve gravar a conversa com o doutor. “Isto vai acabar mal”, diz o doutor, apavorado, diante do gravador. É verdade. Tudo “acaba mal”, mas para o doutor. A fraude da Psicanálise é revelada. O doutor torna-se o objeto neurótico do sujeito livre da falta simbólica que vende a psicoterapia freudiana. Uma sessão “ab-reação” (o doutor fala seus “segredinhos sujos” que durante todos os anos tentou ocultar do paciente) que revela todos os truques fraudulentos da técnica de manipular as pessoas e impedir que elas experimentem por si mesmas a vida com sua realidade nada simbólica, como diz Abrahams.

Diálogo 03 por você.

Impotente, diante do projeto existencial do ex-analisando, desfeito de sua couraça psicanalítica, o doutor quer o pai na autoridade da polícia para expulsar Abrahams do consultório. “É o papai que está chamando?”, pergunta ele. O velho inconsciente teatral, cena burguesa edípica com seus personagens, Pai-Mãe-Filho-Fálus. Representações manifestas nas relações cotidianas da vítima, transferidas no momento da análise interminável. As personagens da neurose que só o psicanalista diz ver, ouvir, analisar, compreender e curar. O blefe da cura que sustenta o capital-fetiche do preço da consulta. A libido convertida em estoque e falta, dívida nunca paga com o psicanalista. A mesma conversão do capital em estoque e falta do sistema capitalista, a mais-valia interminável sobre o trabalhador.

O FILÓSOFO SARTRE E O DIÁLOGO GRAVADO DE ABRAHAMS

Certo dia o filósofo Sartre, que era um dos editores da Revista Tempos Modernos, recebeu uma fita com a gravação de uma diálogo entre um paciente e um psicanalista. Como filósofo, escutou a gravação. Ficou impressionado com o conteúdo da gravação. Ainda mais porque escrevera em sua obra maior, “O Ser e o Nada”, um texto sobre Psicanálise Existencial. E mais ainda, porque escrevera o roteiro cinematográfico, a pedido do diretor de cinema John Huston, “Freud Além da Alma”, certo que foi filmado mas com adulteração do original. Então, como filósofo da Liberdade, resolveu publicar. Antes mostrou para seus amigos da Revista. Principalmente o psicanalista Pontalis. Depois de uma certa relutância para não publicar, ficou decidido que fosse publicado. Estamos em 1966. Bons tempos de lutas libertárias para novas transformações. Novos saberes e novos dizeres. 68 vem aí!

Diálogo 04 por você.

O texto correu o mundo, e como o Brasil faz parte do mundo, e, embora muitos não queiram, Manaus também faz parte do mundo, um torto dia (só podia ser torto) conhecemos um dos caras mais importante para o desmonte da fraude que é a Psicanálise, Jorge “Daime” Gouveia, que nos apresentou o texto em uma revista coordenada pela ativista das “loucuras”, Silveira. Aí, não deu outra: hoje faz parte do movimento do Teatro Maquínico. Este que esteve compondo com o pessoal da Psicologia da UFAM, cortes, fissuras, rasuras, dobraduras, “delírios” e disjunções Equizo-Analíticas. Esta coisa de alisamento do espaço estriado com seus buracos negros capitalísticos capturadores dos movimentos moleculares. Esta coisa de devir mulher, criança, negro, operário, homossexual, afro, loucos, artistas, oprimidos, etc, que se pretendem criativos e enunciados e ecos de suas próprias vozes. Um mundo maquínico produtor de desejos, e não de falta, a menina dos olhos da Psicanálise.

Diálogo 05 por você.

ELENCO ENUNCIATIVO

Psicanalista ……………………….. Peterson Colares

Paciente …………………………… Maurício Colares

TÉCNICA-TEATRALIZANTE

Adaptação do texto e encenação …….. Marcos José

CONTRA-REGRA …………………. Evanilson Andrade

TOQUES LÚDICOS …….. As crianças Kalian, Naianaquê

TOQUES LÚDICOS …….. Hannah, Aruã e Vitorinha

ADEREÇOS ESTÉTICOS …………….. Alci Madureira e

ADEREÇOS ESTÉTICOS …………….. Bianca Sotero

AFETOS ESQUIZO-TERAPÊUTICOS …….. Katiane Silva e

AFETOS ESQUIZO-TERAPÊUTICOS ….. … Vinicius Padila

Este vetor-teatral a AFIN oferece ao desconstrutor das verdade da psicanálise e psiquiatria, Jorge “Daime” Gouveia.

PSICÓLOGA NÃO ENTENDE: HOMOSSEXUALISMO NÃO É DOENÇA

A relação do homem no mundo sempre se dá em forma de matéria. É pela matéria que homem constitui consciência, e como consciência reflexiva visa, observa, analisa e transforma a matéria dada a si. Daí que uma patologia é uma matéria dada a uma consciência-médica que exige ação terapêutica de cura. Sendo assim, esta matéria se mostra como visibilidade através de suas notas, propriedades epistemológicas a serem conhecidas. No caso médico, a serem decodificadas além de sua linguagem sintomática. O que incomoda o sujeito-enfermo, cujo corpo material ou imaterial apresenta uma composição patológica. A matéria enferma.

A psicóloga carioca Rosangela Alves, acreditando que homossexualismo é matéria-psicológica, portanto, psicopatológica, anulando em si a determinação do Conselho Federal de Psicologia, que diz, desde 1999, que o homossexualismo não carrega notas materiais, sintomatológicas de doença, perversão ou desvio, resolveu psicoterapeutizar pessoas clivadas pela moral repressora, e discriminadora de homossexuais. Diante de tal delírio – no caso da psicóloga, fantasia sem matéria presente -, as entidades ligadas aos Movimento de Defesa das Minorias Discriminadas foram para cima, e não deu outra. O Conselho Regional de Psicologia puniu a moralizante psicóloga, e no mesmo seguimento o Conselho Federal de Psicologia, na autoridade de seu presidente, Humberto Verone, aplicou-lhe a mesma pena: Censura Pública. Que, segundo Humberto, a pena não foi mais grave por que a própria psicóloga recorreu ao Conselho.

E aproveitando um conselho, mano, desconfia de quem vê o invisível. E mais ainda, quem vê o invisível, e ainda quer salvar este invisível tomando-o como matéria-moralizante.

ABGLT APÓIA CASSAÇÃO DE REGISTRO DE PSICÓLOGA HOMOFÓBICA

Como já foi colocado na coluna “O Mundo é Gay!”, deste bloguinho, a questão da homofobia é menos legal que “cultural”, no sentido de que se trata de modos de subjetivação que passam por interdições de ordem cognitivo-epistemológicas que impedem o livre fluxo dos afetos, permitindo o estabelecimento das relações malogradas do microfascismo, terreno fértil para os enunciados do capital.

É o caso do enunciado teológico que perpassa setores conservadores das igrejas, principalmente as chamadas evangélicas, mas não somente, e que submetem outras enunciações ao código castrador do Deus ciumento e vingativo dos hebreus.

No entanto, quando se trata de uma profissão, principalmente quando regulada pelo estado laico, a questão não pode, de maneira alguma, ficar a cargo da discussão moral. Trata-se de legalidade e cientificidade, num plano mais amplo que apenas o do método científico.

É o caso da Psicologia, que tem todo um estatuto legal para o exercício da profissão, regido pelo Conselho Federal. Há exatos dez anos, uma resolução, a 01/99, proíbe a patologização da homossexualidade, punindo aqueles profissionais que pretendem “curar”o “homossexualismo”. É o caso da psicóloga missionária (sic), Rozangela Justino, cujo caso vai a julgamento no próximo dia 31.

Como forma de manifestação, a ABGLT está organizando um abaixo-assinado, pedindo a suspensão dos direitos de atuação profissional da psicóloga, que já conta com 25 representantes de entidades nacionais ligadas à prevenção da AIDS, direitos humanos e movimento LGBT.

Quem quiser participar, assinando, deve enviar emeio para presidencia@abglt.org.br, com nome da organização, cidade, estado e nome do representante.

Abaixo, a íntegra do abaixo assinado:

ABAIXO ASSINADO

Nós, organizações abaixo relacionadas, vimos nos manifestar publicamente para pedir que seja cassado o registro profissional da psicóloga Rozângela Alves Justino, a qual será julgada no dia 31 de julho/2009 pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) por afirmar ser possível curar pessoas LGBT e ter confirmado que curou pacientes homossexuais em suas terapias. A Resolução n°01/99 do CFP proíbe há 10 (dez) anos os psicólogos de tratarem a homossexualidade como doença e, portanto, impede estes profissionais de realizar atendimentos que visem curar seus pacientes.

Nós, organizações abaixo-assinadas, somos a favor da cassação pelo Conselho Federal de Psicologia do registro profissional da Sra. Rozângela Alves Justino.

AGTLA Associação de Gays Transgêneros e Lésbicas de Anápolis      / Anápolis – GO /       Cícero Aparecido da Silva

APPAD- Associação Paranaense da Parada da Diversidade / Curitiba – PR / Márcio Marins

Artêmis – Associação Paranaense de Lésbicas / Curitiba –PR /Kelly Vasconcellos

Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) /Rio de Janeiro – RJ /Claudio Oliveira

Associação das Travestis da Paraíba – ASTRAPA / João Pessoa – PB /Felipe Santos

Centro de Educação Sexual – CEDUS / Rio de Janeiro –      RJ /Roberto Pereira

Centro de Referência em Direitos Humanos e Combate a Homofobia de João Pessoa/PB/ João Pessoa-PB/Felipe Santos

Centro Paranaense da Cidadania / Curitiba-PR/Igo Martini

Coletivo Setorial do Partido dos Trabalhadores da Paraíba / João Pessoa-PB/Felipe Santos

Dom da Terra / Curitiba-PR/Márcio Marins

E-Sampa /São Paulo-SP/Flávio Orsollan

Famílias Alternativas / Diversas (grupo virtual) / Maria Rita Lemos

Grupo CORSA / São Paulo-SP / Lula Ramires

Grupo de pais homossexuais (G-Pai-H) / São Paulo-SP / Vera Moris

Grupo Dignidade / Curitiba-PR / Rafaelly Wiest

IPEC/FIOCRUZ / Rio de Janeiro-RJ / Nilo Martinez Fernandes

LEPPA/HESFA/UFRJ / Rio de Janeiro-RJ / Elizabeth Cristina da Silva Fernandes

Libertos Comunicação / Belo Horizonte-MG / Osmar Rezende

MGS – MOVIMENTO GAY E SIMPATIZANTE DO VALE DO AÇO /    Ipatinga-MG /Antonio Carlos Lopes

Movimento D’ELLAS / Rio de Janeiro- RJ /  Yone Lindgren

Programa para America Latina y el Caribe de la Comision Internacional de los Derechos Humanos para Gays y Lesbianas – IGLHRC / Buenos Aires / Marcelo Ernesto Ferreyra

Rede de Negras e Negros LGBT – REDE AFRO LGBT / João Pessoa-PB / Felipe Santos

Transgrupo Marcela Prado / Curitiba-PR / Carla do Amaral

SAIBA MAIS:

No próximo dia 31 de julho, o Conselho Federal de Psicologia (CPF) vai decidir se cassa o registro profissional da psicóloga Rozângela Alves Justino.

Justino enfrenta julgamento pelo Conselho por desrespeitar a Resolução n°01/99 do CFP, que proíbe já há 10 anos os psicólogos de tratarem a homossexualidade como doença e, portanto, impede estes profissionais de realizar atendimentos que visem curar seus pacientes.

Justino tem afirmado repetida e publicamente ser possível curar pessoas LGBT e confirmado que curou “centenas” de pacientes homossexuais em suas terapias nos últimos 21 anos.

Reportagem da Folha de São Paulo publicada em 14/07 atribui a seguinte afirmação a Justino: a homossexualidade “é uma doença. E uma doença que estão querendo implantar em toda sociedade. Há um grupo com finalidades políticas e econômicas que quer estabelecer a liberação sexual, inclusive o abuso sexual contra criança.”

Vale relembrar que a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da classificação internacional de doenças em 1990, e que essa decisão entrou em vigor em 1993. Ainda, o Conselho Federal de Medicina já havia tomado essa mesma decisão em 1985, em relação especificamente em relação ao Brasil.

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), vem solicitar seu apoio para distribuir o abaixo-assinado anexo para ONG, Fóruns e outras entidades contrárias à atuação de Justino na sua conduta profissional em relação aos homossexuais, para que seja cassado seu registro profissional de psicóloga.

REFORMA PSIQUIÁTRICA: MODELO BRASILEIRO É REFERÊNCIA INTERNACIONAL. O AMAZONAS FAZ PARTE DO BRASIL?

O governo brasileiro foi convidado, neste final de semana, para compor uma comissão internacional, juntamente com Itália, Holanda e Egito, na elaboração de um programa global de atenção à saúde mental para a Organização Mundial de Saúde.

Segundo o diretor de saúde mental e abuso de substâncias da OMS, Benedetto Saraceno, o objetivo do grupo é traçar uma estratégia mundial de tratamento de pacientes com distúrbios mentais e abuso de drogas. Para ele, o modelo brasileiro, que tem como marco inicial a Lei Paulo Delgado (10.216 de 06/04/2001), é um dos mais desenvolvidos do mundo, ainda que desperte críticas quanto à lentidão de sua implantação.

O modelo instituído pela Lei Paulo Delgado prevê a substituição do modelo psiquiátrico tradicional, de internação e isolamento do paciente mental, por uma descentralização dos serviços, a criação de redes alternativas de atendimento e prevenção, e a extinção da internação, encarnada nos hospitais psiquiátricos.

MANAUS NÃO FICA NO BRASIL? (OU A DESINSTITUCIONALIZAÇÃO NÃO PASSOU POR AQUI…)

Se é que o modelo brasileiro é referência internacional, a despeito de suas falhas, fica a pergunta: o Amazonas faz parte do Brasil?

No Estado que vai ser sub-sede da copa 2014, a rede de atendimento aos pacientes mentais padece de uma dupla ineficácia:

Institucional: aqui, a reforma não pegou. Sequer no plano numérico, já que a pulverização dos serviços para facilitar o acesso dos pacientes e famílias jamais aconteceu. As referências continuam sendo o HPER (Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro) e o CAPS da Zona Norte, ambos insuficientes para a demanda que diariamente é produzida pelo modelo econômico e associal que predomina numa cidade que não se faz democrática.

Há ainda a predominância de grupos aos quais não interessa a publicidade da questão da saúde mental no Amazonas. Estes grupos, visceralmente ligados aos governos que, historicamente, têm transformado a cidade em terreno fértil para o delírio social, fazem com que o olhar institucionalizado da saúde mental no Amazonas se reduza ao plano financeiro/institucional. Ou nem isso, se considerarmos, à título de ilustração, que o prometido hospital da zona sul, há pelo menos 4 anos, é anunciado sempre “para o mês que vem”, e até o mês atual, não iniciou as suas atividades.

Desinstitucional: o psiquiatra Franco Rotelli, atuante na reforma psiquiátrica italiana e na questão do uso de substâncias narcóticas, afirma que o processual de desinstitucionalização não se reduz à análise do aparelho institucional psiquiátrico, ele próprio residual, criado para absorver aquilo que escapou da semiótica do modo de produção do capital, mas que passa por uma intervenção prática e política sobre “a cadeia das determinações normativas, das definições científicas, das estruturas institucionais, através das quais a doença mental – isto é, o problema, assumiu aquelas formas de existência e de expressão”.

Daí que a psiquiatria que se quer revolucionária – e não meramente reformista – deve se debruçar sobre os modos de produção de sentido e de subjetivação, e nas relações de produção e corte que se constituem num plano social, quer como linha de fuga revolucionária, quer como força reativa de atração para o campo do buraco negro social.

Haverá máquina produtora de ‘doença mental’ – entendida aqui como desequilíbrio da produtividade existencial ético-estética, diminuição da potência de agir diante dos maus encontros – mais eficiente que uma cidade onde as condições sociais de existência são inexistentes? Uma cidade onde os serviços básicos de condições de existência são regidos menos por uma lógica do movimento ativo que pela lógica da mais-valia e da exploração? Onde a exploração telemidiática da miséria social é trampolim certo para o estrelato na ribalta do legislativo e executivo? Onde os governos estão mais interessados em preparar armadilhas para o povo do que produzir as condições necessárias ao surgimento de novas comunalidades, e se quer o detentor/controlador de todas as formas de expressão e criação, eliminando a autonomia de seus cidadãos? De uma arte decadente e subserviente ao signo da força reativa: o capital? Onde as lideranças da chamada reforma psiquiátrica sentam à mesa e compartilham das mesmas certezas e verdades que estes governantes, igualmente infantilizados em sua capacidade crítica e de análise?

Manaus conta com essa peculiaridade: de um lado, uma máquina produtora de doença mental, e de outro, um sistema de atendimento ao paciente mental quase inexistente. Nada que passe próximo de outras experiências brasileiras e sudamericanas, por uma psiquiatria do oprimido, que sacudiu a ditadura argentina ou as experiências pós-ditadura no Chile. Nada que chegue perto de uma psiquiatria que não procure a cura, mas a possibilidade de “produção de vida, de sentido, de sociabilidade e produção de espaços e formas de convivência dispersas”.

O OLHAR VIGILANTE DA PREFEITURA E O OLHAR DOS ESTUDANTES

A prefeitura irregular de Manaus, em gestão sub judice e conflituosa da dupla Amazonino e Carlos Souza, apresenta uma nova ferramenta da “educação”: agora os pais dos alunos da rede pública e particular de ensino poderão, se desejarem, acessar via internet quais as rotas de ônibus que seus filhos tomaram nos últimos 30 dias.

O dispositivo, antes usado somente pela força policial para elucidar situações de crime agora será colocada à disposição e deleite paranóide de pais e educastradores em toda a cidade.

Evidência de que a gestão da dupla Amazonino/Souza tem menos um viés de interesses particulares sobrepondo-se sobre o público do que a patologia social do tirano. As duas vertentes, aliás, andam juntas. No entanto, a uma gestão patológica, amplamente contraditória a qualquer senso democrático, não basta criarem situações que facilitem a subtração do bem público a interesses privados: ela pretende submeter a cidade a uma enunciação de controle absoluto, de imobilidade e impossibilidade criadora. O panóptico. “Podes fazer de tudo, mas Eu saberei”, enunciado capturador que se encontra já na teologia cristã-paulina, e que é atualizada nas novas teletecnologias por governos cujo entendimento de mundo passa pela mesma má consciência que elaborou um deus ciumento e vingativo.

Nada, portanto, de educação. A ponto de revelar para qualquer estudante de primeiro período de qualquer curso de Psicologia, até da UFAM, a psicologia educastradora da SEMED, quando a sua psicopedagoga vai a um jornal local afirmar que a ferramenta “educativa” (as aspas são nossas) é útil, mas não substitui o diálogo familiar. Ignora a psicopedagoga que, em uma sociedade onde predominam elementos de ordem da democracia efetiva, o diálogo é condição de existência na medida em que seja produtor de novos dizeres e saberes, e que não se reduz à família, mas transborda por todo o social. Comum Unidade. Se não há diálogo, não há democracia. Se há democracia, ferramentas de controle não só não seriam úteis; elas simplesmente não seriam necessárias.

A ausência do diálogo que constrói da democracia já se encontra em cada escola, em cada secretaria do município e do estado, e se evidenciou claramente no conluio entre Executivo e Legislativo municipais, imprensa domesticada e setores reacionários do movimento estudantil, ao subtrair o direito à meia-passagem dos estudantes, beneficiando os interesses do empresário e prefeito vitalício de Manaus, Acyr Gurgacz. Acyr, aliás, como prefeito, já teria até anunciado a desativação dos terminais I e II (Constantino Nery e Cachoeirinha) sem que o IMTT ou a assessoria de imprensa da prefeitura viessem desmentir a informação.

O OLHAR DOS ESTUDANTES SOBRE A PREFEITURA NÃO É PANÓPTICO…

De seu lado, os estudantes, subtraídos em seu direito constituído, mas no exercício do seu direito constitutivo, vão às ruas, se mobilizam e lançam a campanha pedindo o impeachment do atual prefeito e de seu vice.

Uma evidência de que o olhar estudantil nada têm de controlado e embotado, e que, diferente do olhar institucional da gestão Amazonino, consegue vislumbrar uma cidade para além da cidade. Os estudantes sabem que um tirano controlador é antes uma consciência controlada e insegura, incapaz de lidar com produções coletivas que engendrem a potência democrática. Daí, o olhar crítico e clínico dos estudantes desejarem a subtração deste corpo que não carrega com a democracia nenhuma noção comum, e que só consegue compor, há mais de três décadas, afetos tristes, que impedem o surgimento da democracia de fato.

CASO WALLACE SOUZA: ASSEMBLÉIA DO AMAZONAS EDIPIANIZADA E O INOCENTE DEPUTADO

A Assembléia Legislativa do Amazonas, através de seus ilustres representantes, esta semana, dá sinais de que pretende ignorar os indícios de culpabilidade e envolvimento do deputado Wallace Souza no esquema de tráfico de armas e drogas pelo qual o seu filho, Raphael Souza, é apontado como chefe e foi preso.

Entre as falas dos deputados, predomina a versão de que Wallace não teve envolvimento com a quadrilha desbaratada pela polícia civil. Entre os mais ostensivos defensores do deputado tele-miserabilista, Liberman Moreno (PHS) chegou a afirmar que não se poderia cometer contra Wallace o mesmo erro cometido ao cassar o deputado Antonio Cordeiro (da Operação Albatroz), processo feito, segundo Liberman, por pressão da mídia e sem que ficasse provada a culpa de Cordeiro.

Do outro lado, o promotor-geral de justiça, Otávio Gomes, afirmou que as investigações se concentraram na quadrilha, e o nome de Wallace surgiu em escutas telefônicas autorizadas, e que ele não era o alvo das investigações, por isso não teria sido indiciado. No entanto, o relatório apresentado traz indícios suficientes para que a procuradoria da ALE abra processo por quebra de decoro parlamentar, que após a perda da imunidade parlamentar, será indiciado pela polícia civil.

A “PSICANÁLISE” DA ALE/AM

O sujeito edipianizado constrói sua existência a partir dos elementos constituídos pela ordem subjetivadora do Capital: a dependência em órbita do Significante Despótico – regime de signos que opera uma desterritorialização relativa aos signos, enunciando-os a partir de uma ordenação que segrega, seleciona, hierarquiza, classifica e atribui valor, sempre em função do esvaziamento do sentido efetivo.

Daí que este sujeito edipianizado, capturado como sujeito-sujeitado, não pode sequer cogitar um sujeito que carregue um estatuto diverso. Assim, a uma ALE/AM subserviente aos interesses nada republicanos do governo do Estado, torna-se um enunciado que apenas evidencia a sua inocuidade o fato de não conseguir visualizar a culpabilidade de Wallace, apesar dos fortes indícios. Assim como cada voto, discurso e ato favorável ao governo do Estado denoda a dependência da ALE aos interesses braguísticos, o fato de Raphael Souza ter afirmado em depoimento que nada fazia sem o consentimento e conhecimento do pai é, para bom psicanalista, assinatura de confissão.

Como estão presos ao mesmo estatuto sígnico, ALE e Wallace não poderiam mesmo julgar um ao outro. Neste sentido, edipianamente, como diria Ruy Brito, estão todos certos…

PATOLOGIA SOCIAL SE EVIDENCIA NOS IRMÃOS SOUZA, SEGUNDO DEPOIMENTO DE ‘MOA’

O capitalismo, em sua organização semiótica, suas relações de força e de tensões, é um regime patológico e produtor de patologias. Sobretudo as de caráter psiquiátrico. O modo de produção que exclui a diversidade e captura as produções semióticas, submetendo-as à sua lógica paranóide produz no social determinados tipos de comportamentos absolutamente nocivos à coletividade, e que são tomados muitas vezes pela psiquiatria como patologias individuais, mas que na realidade são sintomas de uma sociedade produtora de doença.

Ao tomarmos como matéria de observação os depoimentos do ex-segurança dos irmãos Carlos (vice-prefeito de Manaus, sub judice) e Wallace (deputado estadual) Souza, que construíram carreira através de programas televisivos de exploração da miséria social, Moacir, o ‘Moa’, preso pela polícia federal por tráfico, percebemos a patologia social se manifestando e se evidenciando, a despeito das tentativas midiáticas para ocultação, incluindo aí a estreiteza intelectiva sempre presente no analismo político de jornais e programas de tevê.

Moa teria afirmado, segundo trechos de depoimentos que foram disponibilizados à imprensa, que o filho de Wallace, Rafael Souza, já indiciado em mais de 12 processos na polícia civil, e investigado pela PF, tem ligações íntimas com o tráfico, e esteve envolvido nas últimas execuções de traficantes na cidade. Ele sustenta ainda que Rafael não age sem prévia assunção do pai.

Interessa-nos, do ponto de vista de um exame do grau de periculosidade social deste tipo de enunciação, sublinhar a linha de atuação dos irmãos Souza em seu programa, para compreender que a questão é ainda mais grave do que a existência de parlamentares envolvidos diretamente com o crime organizado.

No início do programa, o viés policialesco – que não é invenção dos dois – suplantou o da exploração da miserabilidade econômica, a compaixão social, também uma espécie de patologia do capital. O policialesco evidencia, neste caso, o patológico, na sua vertente individual (quando se perde o contato com o real e já não há suporte epistemológico, desaparecendo o si e o outro):

No início: o acompanhamento de batidas policiais, plantões em delegacias, exposição de presos e detidos ao escárnio televisivo. Evidência do uso dos próprios medos como suporte a um mundo circundante tomado como ameaçador. Assim, por exemplo, a criança que não obteve o suporte necessário ao estabelecimento de afetos e sua distribuição na relação com o outro, acaba compondo com outras instâncias como a Lei, a Ordem, elementos abstratos de garantia e segurança ficcionais, do plano da fantasia. Para ocultar o medo, travestem-se de corajosos. Mas ainda estão no plano do real, ainda elaboram os signos no plano do real.

A busca pela audiência: houve um ponto em que essas incursões “evoluíram”, e os irmãos Souza – com a conivência do governo do Estado – passaram a realizar eles próprios batidas policiais, sem no entanto possuir o poder de polícia. Daí, passar para a famosa frase “permissão para matar”, prática a que se refere Moa em seus depoimentos, quando afirma que o programa era justificativa e se alimentava de casos de traficantes presos e mortos, na realidade, concorrentes dos Souza. Aqui as engrenagens do capital se coadunam com as patologias sociais. A máquina de corte do lucro compõe com a máquina de corte (in)desejante. Jamais, sem um suporte de outras instâncias do poder público (não falamos aqui de omissão, mas de participação ativa), dois apresentadores de tevê, plantonistas de porta de delegacia, conseguiriam status de comando, não de direito, mas de fato, das polícias. Sem a participação do executivo, estadual e municipal, do legislativo e do judiciário, os irmãos Souza jamais conseguiram chegar ao grau de envolvimento com os chamados poderes de estado que ora têm, um vice-prefeito, um deputado estadual e um vereador.

Simulacros e Simulações: eles passam a simular crimes e ameaças, como um sequestro, no qual Wallace Souza oferece o filho, Rafael, para troca de reféns, e que na realidade não existiu. No plano da satisfação do delírio tanático/paranóide, o real já não satisfaz. Não se trata aqui de mera busca pela audiência, mas de realização do ideal paranóide: a aniquilação do real.

Desterritorialização do Real – O Significante Despótico: no programa, as cenas são cada vez mais grotescas. Execuções, corpos dilacerados, um inimigo agonizando durante dois minutos, em pleno horário de almoço na tevê amazonense. ‘Moa’ afirma que os dois minutos do inimigo agonizando exibidos no programa faziam parte de uma filmagem em que ocorreram dez minutos de tortura, todos filmados pela equipe dos Souza. Rafael costumava colocar a fita e assistir por vezes seguidas, afirmando que a cena lhe dava profundo prazer. O desaparecimento do real no plano psiquiátrico se evidencia, a patologia se estabelece. O hiperreal se estabelece. A telinha cor-de-sangue engole a família Souza.

A questão; como é possível que toda uma estrutura de governo seja mobilizada por interesses patológicos de ordem psicopática? Não devem faltar, convenhamos, pontos de conversão. Ou como afirma a sabedoria popular, travestida em frase-clichê do cinema hollywoodiano: não se fica rico sem deixar para trás um armário cheio de cadáveres e uma turma de comparsas.

Nenhum estupor ou surpresa se justifica no caso dos irmãos Souza. Menos ainda, suspeitas de envolvimento de instâncias ainda superiores. Na máquina de corte semióticos do Capital, as patologias se compões, em iguais. O caso é muito mais grave do que quer parecer os inúmeros inquéritos e processos arrolados. Trata-se da evidência de uma estrutura de governo infiltrada no Estado, e que o confirma como patologização da existência, num plano onde a política como práxis do homem em coletividade é apenas um espectro, sem nada guardar com o seu objeto real.

PLANO DE CURSO DE PSICOLOGIA PRODUTIVA – EDUCAÇÃO BÁSICA

O extemporâneo, o inatual, o intempestivo. O que foge à regra cultural do bom e do útil na sociedade de consumo é da alçada das chamadas ciências psi: Psicologia, Psiquiatria, Psicanálise. Não para posicioná-los no mundo como o Novo, mas, na maioria das vezes, para neutralizar sua potência ativa, a tríade psi acaba, quando observada da perspectiva academicista, sem um olhar que desmonte sua constituição epistemológica e sua função social, se tornando um dispositivo a serviço do Estado (como o podem ser uma certa “filosofia” e/ou as ciências).

Neste sentido, a Psicologia Produtiva compõe uma linha de fuga nos saberes psi, modificando a paisagem existencial do saber, no sentido de deslocar a perspectiva. Fazer a Psicologia “dar a volta em si” (Foucault) e produzir outros entendimentos sobre o si e o mundo.

Assim, na sua relação com a Filosofia, a Psiquiatria, a Psicanálise e na produção de linhas intensivas de corte que foram produzidas nas suas diversas vertentes, este Bloguinho enuncia um plano de curso para a educação básica, que faz parte do núcleo esquizo-terapêutico da AFIN.

LINHA INTENSIVA I

ENUNCIADOS PSICOLOGIZANTES NA FILOSOFIA E O “SALTO”.

- A Falsificação do Mundo;

- O homocentrismo de Sócrates/Platão e a decadência de Atenas;

- O Cogito Binário de Descartes;

- Teorias do Conhecimento:

Idealismo

Realismo

Racionalismo

Empirismo

- A Psicologia de Willian James

- O Enunciado Cientificizante: a Psicologia vai ao laboratório.

LINHA INTENSIVA II

A “CIÊNCIA” PSICOLÓGICA

- O Homem Mensurável de Wilhelm Wundt;

- A Instrospecção;

- O Comportamentalismo;

- Funcionalismo, Associacionismo,

- Psicologia da Gestalt;

- Psicologia Genética (Piaget);

- O Cérebro-Mundo e as Neuro-Ciências;

LINHA INTENSIVA III

AS CIÊNCIAS ‘PSY’ COMO ESTRATÉGIAS DE LAMINAÇÃO

- A Estética e o Cuidado de Si;

- O Enunciado da Igreja na Idade Média e os Signos do Saber Vertical;

- O Poder Político Emana dos Corpos na Monarquia Absolutista;

- A Sociedade Disciplinar;

- A Sociedade de Controle;

- As Psicanálises e a Edipianização do Sujeito;

Apêndice: o hiperreal na sociedade das teletecnologias e a midiotização das relações;

LINHA INTENSIVA IV

LINHAS DE CORTE INTENSIVAS

- A Física de Lucrécio: turbulências, declinação, clinâmen;

- A Ética de Spinoza – Uma Psicologia das Afecções;

- Uma Psicologia em Nietzsche;

- Uma Epistemologia Bergsoniana;

- A Anti-Psiquiatria / A Reforma Psiquiátrica;

- Esquizoanálise;

Apêndice: Uma terapêutica das Afecções – esquizo-terapia e existência comunitária;

TSE CONDENA PREFEITA EM SERGIPE BASEADO EM LEI QUE O TRE/AM ATROPELOU

O Tribunal Superior Eleitoral aplicou o artigo 366 do Código Eleitoral para deferir a candidatura de Glória Grazielle da Costa, prefeita reeleita de Moita Bonita (SE). Glória, no exercício de seu mandato atual, concorreu e foi aprovada em concurso público para o TRE/SE, assumindo o cargo e se licenciando, para continuar como prefeita. Na prática, significa que Glória Grazielle poderá continuar como prefeita, mas terá de ser exonerada do cargo que sequer chegou a exercer no TRE/SE.

O motivo? O Artigo 366 do Código Eleitoral, que diz que “os servidores de qualquer órgão da Justiça Eleitoral não poderão pertencer a diretório de partido político ou exercer qualquer atividade partidária, sob pena de demissão”.

Destacamos, aqui, o trecho final da notícia postada no site do TSE:

O ministro Marcelo Ribeiro, relator do caso, afirmou em seu voto que, pelo artigo 366 do Código Eleitoral, para preservar a moralidade, “não é compatível a filiação partidária com o exercício do cargo de servidor da Justiça Eleitoral”. O ministro ressaltou que o artigo também se aplica ao caso de Glória Grazielle, no que foi acompanhado pelos demais ministros”.

O QUE É BOM PARA O BRASIL NÃO É BOM PARA O AMAZONAS, AFIRMOU O TRE/AM

A decisão do TSE, pautada não apenas na moralidade, como afirma o relator do caso, ministro Marcelo Ribeiro, não fica somente na obediência à lei, mas é um recurso lógico-jurídico que procura garantir a lisura na atuação da Justiça Eleitoral. O mesmo princípio se estende a outras áreas.

Por exemplo, se uma empresa realiza um concurso, nenhum parente ou funcionário desta empresa poderá ser contemplado pela premiação. Nenhum funcionário da Loteria Federal jamais poderá sonhar com a bolada da Mega-sena enquanto não pedir exoneração do seu emprego.

No entanto, no Amazonas, o mesmo artigo 366 do Código Eleitoral foi atropelado psicopaticamente pelo TRE. Para quem não lembra ou não acompanhou, o surto psicótico do TRE foi previsto por este Bloguinho:

O corpo da Lei é o corpo do Estado. Ela constitui a organização do social e estabelece regras de co-existência, e não apenas isso, mas induz modos de existir.

No entanto, como enunciação paranóide, o corpo do Estado burguês tenta capturar, tal como o buraco negro captura todas as energias e toda a matéria na sua órbita, tudo aqui que surge como produção social e que diverge da semiótica deste Estado. Ainda que essas produções sejam contrárias ao próprio corpo. É o que está acontecendo com o Tribunal Regional Eleitoral, no caso do apresentador e explorador da miséria social, Henrique Oliveira, que foi eleito vereador ao mesmo tempo em que é funcionário público concursado do TRE, o que é proibido pelo Código Eleitoral.

A comissão interna do TRE/AM, responsável pela análise da situação de Henrique, apresentou relatório em que pede a demissão com data retroativa a 29 de setembro de 2005, quando Henrique pediu licença remunerada do trabalho para tratar de “assuntos particulares”.

A decisão abre precedente legal para que o apresentador e explorador da miséria social seja empossado como vereador, apesar da fraude cometida, já que, segundo o desembargador do Pleno do TRE/AM Ari Moutinho, ‘é independente uma coisa da outra’”. (continua aqui…)

Dias depois, o surto se comprovou, e o mesmo Presidente do TRE/AM, Ari Moutinho ‘Pai’, que havia dito que uma coisa é independente da outra, afirmou que chegara à “simples conclusão” de que o artigo 366 é anterior à Constituição de 1988, e por isso inválido, ainda que não tenha sido defenestrado do código eleitoral por meios lícitos:

Votaram a favor de Henrique o relator do processo, Francisco Maciel, Graça Figueiredo, Elci Simões e Mário Augusto Costa. Contrários a Henrique e a favor da lucidez institucional, Agliberto Machado e Joana Meirelles.

O argumento da relatoria do processo é o de que o artigo 366 do código eleitoral é anterior à constituinte de 1988, e conflitaria com a constituição federal, já que restringe o direito à participação do cidadão Henrique Oliveira no processo eleitoral.

Argumento que causou estranheza à juíza Joana Meirelles, que chamou a atenção ao fato da lei, mesmo anterior à Constituição Federal, ainda estar valendo, já que nenhuma outra lhe veio sobrepor. Atentou, portanto, para o fato pura e simples de que a lei existe e tem de ser cumprida, e se há distorções, devem ser sanadas pelo Legislativo, e não pelos juízes do pleito amazoniquim.

Já a desembargadora Graça Figueiredo alegou que a “simples” filiação partidária não implica necessariamente atividade política. Entendimento que contradiz a tese aristotélica, filósofo caro aos fundamentos do Direito, para quem todo homem “é um animal político”. Graça, com seu gracioso argumento, deixa dúvidas se realmente tem conhecimento do caso analisado, já que o julgado, Henrique Oliveira, “simplesmente” se filiou, disputou e venceu uma eleição, apesar de ser funcionário do TRE/AM e haver uma legislação proibitiva à ação dele. Para Graça, também a legislação é antiga, remonta à Ditadura Militar, e por isso não deve ser levada em conta” (continue lendo aqui…)

Cabe acrescentar que o juiz Agliberto Machado, em seu voto, usou a palavra “perplexidade” para se referir ao caso. Para ele, o TRE foi lento, e deveria ter julgado o caso antes das eleições, para evitar o vexame de cassar o candidato mais votado. Agliberto é o relator do processo de cassação de Amazonino Mendes, que deve ir ao Pleno na próxima semana.

O TRE/AM PRECISA DE UM PSICANALISTA

É certo que os enunciados da disciplina psicanalítica há muito foram ultrapassados pelo Real, e que certos preceitos já não dão conta de compreender e terapeutizar os conflitos da alcunhada pós-modernidade.

No entanto, o enunciado psicanalítico ainda pode ser usado quando os elementos de ordem neurótica são de uma intensidade primitiva, que regride aos primeiros contatos da estrutura psíquica com o chamado mundo real.

Para a psicanálise, o inconsciente é dominado pelo princípio do prazer, o qual atemporalmente e aespacialmente procura satisfação para seus impulsos primitivos. Quando em choque com o Princípio da Realidade, que impõe restrições ao caoticismo do Inconsciente, dá-se a neurose, que é uma falha, um “buraco” no real. Esta “falha” tanto pode ser débil ao ponto de não impedir o contato com o real, apenas restringindo a consciência ao conflito semântico-semiótico com determinados enunciados (religião, sexualidade, guerra, racismo, amor…) como um rompimento com o Real e a produção de enunciados desconexos em relação à chamada lógica do Real.

Assim, num surto, é possível que algúem mate outrem e creia firme e sinceramente que tinha razão, à margem da lei. Este alguém ficará sinceramente magoado se for preso, pois acredita que a sua crença e suas razões são superiores à normal social. Se não for psicopata, cederá à culpa, à vergonha (autocomiseração) e ao ressentimento, assim que o princípio do Real se estabelecer, e for ressignificado o seu ato num plano coletivo, social. Sentimento de culpa, ressaca moral, como queiram.

Da mesma maneira, um tribunal pode – como o efetivamente o fez – passar por cima de uma lei, fingindo a inexistência ou inoperância da mesma, sob os mais débeis argumentos, e acreditar fiel e sinceramente que nada lhe acontecerá, e nenhuma outra instância virá quebrar a frágil certeza que carrega da veracidade de seu ato. Mas basta que o princípio da Realidade – no caso, o TSE, que aplicou o artigo 366 ipsi literis – para demonstrar o absurdo da psicopatia institucional do tribunal eleitoral manoniquim.

Como será a ressaca moral de Ari Moutinho ‘Pai’, quando o ministro Carlos Ayres Britto tomar para leitura o caso Henrique Oliveira – o MP Eleitoral recorreu à instância federal – e ver a “fácil conclusão” a que chegou o magistrado local? Como ficará a grandiloquente Maria das Graças Figueiredo quando for lido em voz alta no Pleno do TSE que ela acredita que a filiação partidária não significa atividade política? Pior: como ficarão os magistrados do TSE quando lerem o argumento do relator Francisco Maciel, que chamou o artigo 366 de “inconstitucional”, já que o egrégio tribunal federal utilizou o mesmo para corrigir uma irregularidade no Sergipe? Pela lógica – com a qual o TRE/AM não possui familiaridade – o jurista manoniquim chamou o TSE de inconstitucional.

A tempo: a juíza do pleito, Maria Eunice do Nascimento, rejeitou as contas de campanha de Henrique Oliveira. Segundo a magistrada, o candidato apresentou recibos rasurados e as informações apresentadas ao tribunal não coincidem com o relatório apresentado pelo comitê de campanha. Mesmo que Henrique seja diplomado e assuma, deve ser enquadrado por captação ilícita de votos e uso de recursos não-contabilizados, o famoso “caixa 2”.

Como afirmou o juiz Agliberto, com outras palavras, o TRE/AM podia ter passado sem essa.

O PEDÓFILO NÃO AMA!

Sem pseudo moralismo, inclusive encontrado em alguns membros da CPI de combate a exploração sexual de crianças e adolescentes, pode-se afirmar que o pedófilo não ama a criança. A pedofilia é uma perversão produzida pelo desvio bio-sexual/cognitivo/afetivo e cultural de seu agente que o impossibilita de compor prazer e relações concretas com adultos. Sua vida genital foi desviada de seu fim natural: a satisfação sexual orgástica. Seu ato de abusar de crianças é apenas um sintoma de sua patologia-desviante. Não tem orgasmo. É impulsionado por fantasias perversas de retaliações. Quando homem, tem pavor da genitália feminina/adulta. Quando mulher, tem pavor da genitália masculina/adulta. Psiquiatricamente, há muito de elementos de incesto e culpa paranóica.

Nada carrega de amor como potência de criação coletiva que faz com que homens e mulheres atuem em suas comunidades como sujeitos criadores de laços cognitivo e afetivos que aumentam a potência de agir ontologicamente. Entretanto, infelizmente, em nossa sociedade não é só o pedófilo que se encontra impossibilitado de amar. Existem outras formas de existências que perversamente não amam. Nesse campo de investimento psicopatológico encontram-se muitos profissionais do legislativo e executivo, onde a demonstrabilidade é encontrada em suas disposições em causar sofrimentos em crianças e adolescentes pela recusa de uma política voltada aos seus direitos, e que só é manifestada no protocolo técnico-burocrático. Esse é muito perigoso, pois circula impunemente, e muitas vezes com aplausos, no meio social com a maior “evidência” de normalidade.

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Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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