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PLEBISCITO PARA DIVISÃO DO PARÁ. CUIDADO!!! POVO PARAENSE CORRE PERIGO

Quando um povo vive num determinado território ele cria os mais variados vínculos. Materiais, espirituais, afetivos. A Terra é para o povo um local sagrado, não o sagrado  paulíneo, forjado, teológico, imposto por dogmas religiosos, ela não é vista como fonte de riqueza. Com o passar do tempo, claro que isso modifica-se.

Observando o que está acontecendo neste momento no Estado do Pará,  onde sua população eleitora  responde duas perguntas sobre a criação do Estado do Tapajós e de Carajás, afirmamos  que é mais uma tentativa do sistema capitalista impor sua ganância pelo lucro em detrimento do povo.

Há na relação com a posse da terra, muitos tipos de invasores, divisores. Os relatos históricos estão cheios deles. Os judeus subtraem a terra dos palestinos,  os curdos enfrentam esse problemas com os países limítrofes. Os índios, os Sem Terra os sem teto no Brasil.  A Terra sempre foi motivo de disputas e sempre foi muito valiosa. Por isso existiu o feudalismo na Europa, mais tarde, no Brasil, as capitanias hereditárias, as sesmarias, o senhor de engenho e mais recentemente os latifundiários, responsáveis, em todo o Brasil e mais precisamente no Estado do Pará por um número considerável de  assassinatos envolvendo disputas de terras. Só no massacre de Eldorado dos Carajás  foram assassinados 19 trabalhadores.

No capitalismo, diferente do socialismo, só há divisão. E para os agentes do capitalismo, o que pensam, é tudo relacionado ao “desenvolvimento.” Desenvolvimento capitalístico deles. Porque se o Estado do Pará, com as dimensões territoriais que possui se houvesse políticas públicas de atendimento ao povo, que só começaram a ter com o governo do presidente Lula, não era mais para se usar a bandeira da divisão para que este se desenvolvesse.

Uma forma de postergar atenção a essas regiões faz parte do processo colonialista desde a invasão portuguesa. Belém desponta nesse cenário em 1616 e a partir daí consegue  impor-se política e economicamente na região sendo esta reconhecida pelo governo imperial como Estado do Grão Pará.

Exerceu forte hegemonia durante muitos anos. O Amazonas desvincula-se politicamente do Pará por ocasião da criação da Província em 1850. Por lá, os paraenses já havia participado de guerras, levantes e da Cabanagem contra a política regencial que os sujeitavam à miséria e a dominação oligárquica de grupos que prosperaram explorando o trabalhador. Diferente de nós que nunca nos levantamos, nunca fizemos guerra. Pra não dizer que não participamos da Cabanagem, a região do baixo Amazonas deu guarida a muitos cabanos. Parintins, Maués receberam balas cabanas. A arqueologia desses municípios comprovam o fato. Por cá, excetuando-se Ajuricaba, levante nenhum houve. Há muita lenda urbana.  A “batalha do Igarapé de Manaus” nunca existiu. O que houve foi o seguinte. Os professores da rede estadual insatisfeitos com seus proventos salariais, apoiados pela Vanessa Grazziotin, Eron Bezerra, e outros partidários  pcdobistas resolveram cutucar o Boto Tucuxi com arpão em vez de arpuá-lo. Gilberto não contou desgraça como diz o dito popular, mandou a polícia militar sentar o cacete. Subiram a Rua Major Gabriel correndo e foram abrigar-se no antigo ICHL onde foram recebidos por seu diretor Bosco Araújo. Este fato, segundo José Ribamar Bessa Freire passou a  ser chamado de a “batalha do Igarapé de Manaus”.

No Pará não. A moçada sempre foi politicamente contestadora e defensora de seus direitos. Não vai ser agora, que correndo perigo de ver seu Estado retaliado que ela vai corroborar com isso.

Falamos aqui em post anterior que há por trás dessa divisão muitos interesses políticos, econômicos e pessoais. Há políticos no Amazonas de olho em candidatar-se pelo Estado do Tapajós, porque por aqui só ganha graças à puxada pelo colarinho e à legenda. Há muitos lobistas querendo a divisão. A região de Carajás é rica em minérios. Daniel Dantas numa possível divisão será um dos principais beneficiados, pois as melhores terras estão sob seu domínio. A BBC Brasil diz que “caso seja criado, Tapajós teria quase metade de seu território ocupado por reservas indígenas ou florestais, incluindo o vale do Xingu, onde o governo pretende construir a usina hidrelétrica de Belo Monte.”

Para finalizar queremos dizer que um povo se configura por suas singularidades dentro de um território onde estabelece suas relações com o meio: rios, terras, igapós, praias, montanhas. Há nisso criações de códigos construído no caso do Estado do Pará por indígenas, negros, escravocratas que vai constituir  o povo paraense, que mesmo com a divisão não deixará de ser paraense. Fazer essa divisão fragmenta a unidade que foi configurada pelo trabalho e pelas lutas de valorosos paraenses que de quebra causa dor de muitos amazonenses que não compreendem o processo político, cultural e traduzem num preconceito inútil chegando à intolelância de um “Que morra!” proferido pelo prefeito cassado da não cidade de Manaus, Amazonino Mendes.

Paraenses, não deixem o Estado ser dividido. Os capitalistas, os homens da privataria querem entregar para o sistema capitalístico mundial recursos que cada vez mais estão ficando escassos: minérios, carbono, água potável, a Terra e nisso os paraenses são ricos. Votem, votem pelo NÃO a Carajás, NÃO ao Tapajós. Com Lula e Dilma o Brasil passou a ver o desenvolvimento de outra maneira.

GRANDE JOGADA POR TRÁS DA DIVISÃO DO ESTADO DO PARÁ

Dedicamos este texto ao Comandante Fidel Castro, que está escrevendo “Cinismo Genocida” e a todos os camaradas que tombaram no campo no Estado do Pará.

Por que dividir o Estado do Pará? Para o jurista Dalmo Dallari essa consulta deveria ter a participação de todos os brasileiros detentores de seus direitos políticos. Para o Superior Tribunal Federal participam apenas os paraenses que deverão responder a uma pergunta se aceitam ou não a divisão territorial em três  unidades da federação: Tapajós, Carajás e Pará.

O plebiscito vai ocorrer no dia 11 de dezembro de 2011 e a campanha começou dia 11 deste mês. Duda Mendonça foi contratado para defender a idéia da divisão. Mas há pessoas, movimentos sociais, professores, populares que são contra a divisão.

As primeiras tentativas de divisão do Pará do Brasil remontam ao período colonial. Ingleses e Holandeses, franceses, irlandeses,  fizeram várias tentativas nesse sentido./strong>

Mas em 1616 é fundado o Forte do Presépio que dará origem à Cidade de Belém. Caio Prado Júnior na sua obra, História Econômica do Brasil, assim descreve essa região na época: “Na mata espessa e semi-aquática que borda o grande rio; em terreno baixo e submetido a um regime fluvial cuja irregularidade, como o volume enorme de águas que arrasta, assume proporções catastróficas, alagando nas cheias áreas imensas, deslocando grandes tratos de solo que são arrancados às margens e arrastados pela correnteza; nesta remodelação fisiográfica ininterrupta de um território longe ainda do equilíbrio, o homem se amesquinha, se anula.”

Durante a colônia e  durante o império pouca atenção foi dada  a essa região. O povo vivia abandonado. O comércio vivia do extrativismo que rendia  bons lucros para os comerciantes de sorva, cacau, salsaparrilha, castanha, tartaruga, peixe boi, pirarucu. O povo vivia nas cabanas que um dia se tornou Cabanagem. Já estávamos em 1835. O povo cansado de viver na miséria armou-se com arco e flecha, zagaia, arpão, espingarda, bacamarte, parabelo e comandado por líderes populares como os irmãos Vinagre que havia sucedido Clemente Malcher e aos padres João Gonçalves Batista Campos e Silvestre Antunes Pereira da Serra tomaram o governo, mataram e morreram pra mais de 40.000 mil pessoas.

Desse povo, nessa época, há um incidente que se pode dizer que foi um marco político de autonomia. O navio Clio que transportava armas para uma firma britânica foi assaltado em Salinas e sua tripulação morta. O governo inglês exigia que a bandeira inglesa fosse colocada acima da brasileira, que fosse pago indenização, reparos e que os responsáveis fossem extraditados para a Inglaterra, era o que dizia o documento que o seringueiro Eduardo Angelim, no comando do governo mandou traduzir e como resposta disse aos ingleses: “não entregarei nenhum criminoso ao governo inglês sem ordem da corte porque temos leis para punir e não sujeitarei a bandeira da minha Nação à humilhação exigida”.

Fruto dessa luta, o Grão-Pará obteve grande desenvolvimento, embora sua população não desfrutasse da riqueza. Na região, tanto política, futebolística e economicamente sempre foi destaque.  O Estado do Amazonas iguala-se a eles politicamente quanto às oligarquias de coronéis de barranco. Jader Barbalho e Amazonino Mendes dentre outros de lá e de cá.

Arthur César Ferreira Reis, padre Casimiro Beksta, Benedito Nunes dentre outros, a muito tempo falavam da cobiça nacional e internacional pela Amazônia. Essa disputa no Brasil acirrou-se depois do golpe militar de 1964 quando parte da nossa riqueza começou a ser explorada por empresas multinacionais. A região do Estado do Pará  recebeu nesse período grandes empreendimentos como o projeto Jari, do americano Daniel Ludwig e cidades foram desbravadas nas matas como a Fordilândia. Políticos como Jarbas Passarinho,  Jader Barbalho e Curió foram e ainda este último é destaque desse período.  Sempre à direita do povo. Mas havia também a reação. A guerrilha do Araguaia era a Cabanagem pós 1835.

A divisão do Estado do Pará no atual contexto interessa a políticos da velha oligarquia e a grandes empresas multinacionais.  Essa região é rica em minérios, biodiversidades e água. Ainda possui muito ouro e a maior jazida de ferro da terra. E os satélites ianques já os identificaram a muito tempo.

Para concluir, reproduzimos parte de uma reportagem produzida por Márcio Zonta, de Marabá,  (PA), – Brasil de Fato – do dia 25/08/2011, extraído do Jornal Correio do Brasil.

 “Mas se a esperança e a desconfiança estão presentes nas ruas, para muitos, antes de qualquer debate precisa-se perguntar quem seriam realmente os principais interessados na divisão do Estado do Pará. Residente em Marabá, Rogério Paulo Hohn, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) discorda da forma como vem sendo abordado o assunto. “Em vez de dizermos se somos favor ou contra, temos que discutir: Carajás e Tapajós para quê? E para quem? Num debate muito mais político”.

Sentado numa mesa do Tapiri, o professor do departamento de sociologia da UFPA Cloves Barbosa remete à história do estado paraense para elucidar a alguns alunos sobre os interesses inclusos nessa divisão. “Esta região já passou por fragmentações e fusões desde a época do império, tanto português, quanto nacional com os governos de Pedro I, Pedro II e Princesa Isabel. No início, o território que hoje é denominado de estado do Pará já fez parte da província do Grão-Pará. Esta província abrangia os estados do Maranhão, do Pará e do Tapajós. A reorganização territorial da República, e mesmo antes, redimensionou os territórios e chegou-se à atual configuração geopolítica”.

E diz aos alunos que tem verdadeira clareza sobre os que querem fazer a divisão do estado. “É uma fração da classe composta pelas pessoas que exercitam o agronegócio. A razão para isto é que as exportações brasileiras vêm enfrentando uma série de restrições, principalmente da região do euro, que é composta de boa parte de pessoas que são sensíveis às questões ecológicas e fitossanitárias”. Com a criação, especificamente do estado de Carajás, o professor diz que seria uma forma de isentar preocupações com os impactos de suas atividades sobre a floresta amazônica. “Estes agentes poderão dizer que no estado de Carajás não existem mais remanescentes de floresta nativa, e que a região é de pastagens e de extrativismo mineral. Trata-se, portanto, de um negócio puramente burguês”, explana.

Vale e Dantas

Falando em mineração, a principal transnacional da região, a Vale, isenta-se de qualquer debate sobre o assunto, e por e-mail apenas respondeu a reportagem: “Não temos comentários sobre este assunto”. Mas Barbosa alerta, “pode ser que seja mais fácil para a empresa realizar negociações com um estado iniciante e necessitando de recursos do que com uma máquina administrativa estabelecida e que apresenta seus interesses específicos já bem definidos”.

Mas nem só a Vale poderá ser beneficiada com o surgimento de duas novas federações. O grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, seria um dos principais interessados, sobretudo, na criação de Carajás. Segundo relata o diretor regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Jandir Merla, Marabá seria uma capital provisória e a capital definitiva seria construída entre os municípios de Eldorado dos Carajás, Xinguara, Sapucaia e Rio Maria. “É justamente nessa faixa do estado paraense que Dantas mais comprou terras nos últimos tempos, vejo o gado como fachada, pretexto. Para mim, o grupo de Dantas por ser muito forte teve informações privilegiadas e sabia que a nova capital de Carajás poderia ser construída naquela região”, diz.

Tanto que parte dessas terras de Dantas, no momento litigado pelo INCRA, para desapropriação para fim de reforma agrária, é negada veementemente pelo grupo de advogados que defende o banqueiro. “O grupo Santa Bárbara oferece outras terras que estão fora dessa área, mas essas ele não aceita vender para o INCRA”, revela Merla. Vai caindo a noite em Marabá. Antes de o professor Cloves levantar-se para ir embora, dá o último aviso aos alunos: “trata-se de uma grande jogada, e que, se vitoriosa, exigirá que os trabalhadores do campo e da cidade repensem e redimensionem as suas lutas por um mundo igualitário”.

Vai amanhecendo o dia 15 de novembro de 2011 em Manaus. Aniversário de 122 anos de nossa República. Aos paraenses que opinarão sobre essa situação, desejamos que reflitam, discutam, para que seus filhos, na terra de oligarcas não se deseje que morram, como assim desejou o prefeito cassado de Manaus, Amazonino Armando Mendes para uma senhora, paraense, que lutava nesta não-cidade para morar, para sobreviver.v


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Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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