Archive for the 'Negro' Category

A “NOITE NEGRA” SE MOSTROU NEGRITUDE NO PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN COMO CINEMA, PALESTRA, MÚSICA, POESIA, CAPOEIRA E, PRINCIPALMENTE, CRIANÇA

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A intenção era atualizar o virtual ou realizar o possível. E aconteceu. Artistas, capoeiristas e crianças como composto-estético produziram outras formas de sentir, ver, ouvir e pensar no Pórtico das Artes da Associação Filosofia Itinerante (Afin) no Bairro Nova Cidade, em Manaus.DSC01804 DSC01809 DSC01825 DSC01832 DSC01834

Foi uma Noite Negra que se mostrou singularmente Negritude: a consciência livre do negro sobre si mesmo fora da brancura opressiva do sistema capitalista. Seu engajamento história em viver por si mesmo, sem modelo macho, homem, branco e europeu, como mostram os filósofos Deleuze e Guattari.

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A Negritude do eu-mesmo como liberdade do negro, negando a história branca que o oprimiu, como diz o filósofo da liberdade, Jean Paul Sartre. A estrutura ontológica do negro como resultantes da reflexão que fez sobre a a-história imposta pela voracidade branca. O negro deixando de ser objeto de dominação do olhar do branco para se tornar sujeito de seu próprio olhar sobre o branco. Mostrar o branco como objeto do olhar do outro. Sendo o olhar do negro sua potência criadora livre. Sua Negritude.

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Já na quinta-feira, membros da Afin estiveram na Escola Francisco Guedes de Queiroz, no Bairro Tancredo Neves, mais um bairro pobre da pobre Manaus. Lá, realizaram, junto com os estudantes, professores e pedagogos, a conferência, O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito de Negritude. Foi uma festa filosófica-política, já que trata-se de poiesis e práxis. Os corpos que produzem transformação.

DSC01909 DSC01914 DSC01915 DSC01916DSC01922 DSC01924 DSC01925Como a vivência não pode ser traduzida em palavras, visto que viver é atuar em consistência e existência em presença, como dizem os filósofos existencialistas, oferecemos aos acessantes deste blog algumas imagens, movimentos e sons, criados nos acontecimentos Negritude. 

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DIZERES E FAZERES DA VIOLÊNCIA CONTRA OS NEGROS ENTENDIDOS POR QUEM QUER SER SUJEITO-HISTÓRICO

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Eis aqui alguns dizeres e fazeres da violência contra o negro no Brasil. O Mapa da Violência 2014, já mostrou a realidade perversa e cruel desse quando onde apresenta que entre os jovens os negros são os que mais são assassinados em comparação com os brancos. E mais, são os jovens negros da periferia que sofrem essa letal exclusão.

Embora esse quadro seja muito preocupante por trata-se de pessoas com direito à vida, em um passado recente o quadro era ainda pior. O número de negros assassinados, discriminados e perseguidos em todas as funções era gritante. Comparado com hoje, a situação melhorou, mas exclusivamente pela própria política-humana adotada pelos negros que passaram a tentar serem autores de suas próprias histórias. Embora nos governos Lula, pela primeira vez na história brasileira, se passou, oficialmente, a criar políticas que visassem os direitos dos negros.

Depois da reflexão sobre a história de sua opressão eles passaram a querer a construção de suas consciências como sujeitos de si mesmos. Querer o seu ser-no-mundo, seu Dasein, como reflexo de suas produções. A criação de sua negritude: a liberdade de construir a sua consciência fora da consciência opressora do branco. Deixar de ser negro na concepção capturadora do brando para ampliar suas atitudes originais. Escapar da brancura-imperial imposta pelo opressor branco em forma do capitalismo-antropofágico-negro.  

Leiamos algumas compreensões desses sujeitos-históricos.

“Ele tem que estar morto em certa idade ou, se conseguir resistir, vai para uma unidade de internação e, quando ficar maior de idade, para uma penitenciária. Existe um plano traçado para ele. A carta branca do Estado, tanto para a polícia que mata quanto para o encarceramento em massa, é uma estratégia montada para um negro de periferia”, analisa o educador social e Happer, Henrique QI, 22 anos.

“Segurança pública é a área de maior preocupação, porque não nos sentimos seguros. Na verdade, as políticas de segurança pública são erguidas contra essa população e não para promover o direito à vida e à segurança”, afirmou Elder Costa, coordenador do Fórum Nacional da Juventude Negra.

“O crime de genocídio diz respeito à eliminação física, cultural e espiritual de um povo inteiro em sua fase mais produtiva. É isso o que está acontecendo. A saída é a organização dos negros e a conscientização dos demais grupos.

Se nós não forjarmos a nossa própria existência com luta, com radicalidade e com força, não seremos nada daqui a 60 anos”, observou Hamilton Borges, membro do Movimento Negro Unificado (MNU).

“Uma das formas com que o Estado costumou se relacionar com a população negra, já no pós-escravidão, foi por meio dessa política sistemática de escravidão. O primeiro passo nós demos, que é o reconhecimento dessa política. O segundo passo é um conjunto de ações coordenadas, a partir do governo federal, articulando de forma inédita 13 ministérios para enfrentar um problema comum: o extermínio da juventude negra”, disse a presidenta do Conselho Nacional de Juventude e integrante da Secretaria Nacional de Juventude da Presidência da República, Ângela Guimarães.

A Anistia Internacional Brasil com o objetivo de lutar contra a violência que atinge os negros, lançou a campanha Jovem Negro Vivo em que pede as assinaturas de pessoas para elaborar um documento para ser entregue à presidenta Dilma e os governadores dos estados.

Não se omita! Assine o documento aqui na página da Anistia Internacional Brasil. E veja mais dados sobre a violência contra os negros no vídeo elaborado pela anistia. http://www.anistia.org.br/entre-em-acao/peticao/chegadehomicidios/

PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN ENUNCIA: “UMA NOITE NEGRA”

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“O pistão d’Armstrong será no dia do Juízo Final o intérprete dos sofrimentos do homem”

Paul Niger

“África guardei tua memória África

Tu estás em mim

Como o espinho na ferida

Como um fetiche tutelar no centro da aldeia

Faz de mim a pedra de tua funda

De minha boca os lábios de tua chaga

De meus joelhos as colunas quebradas de sua queda

E no entanto

Quero ser apenas de vossa raça operários camponeses de todo os países”.

Jacques Roumain                                                                                                                                                                                                         A Associação Filosofia Itinerante (Afin) é um corpus filosófico, político e estético que sendo apanhada pelos dizeres dos não-filósofos estoicos, Epicuro, Spinoza, Machiavel, Nietzsche, Marx, Engels, Michel Foucault,  Deleuze, Guattari, Toni Negri, Jean Baudrillard, Clément Rosset, Bárbara Cassin, entre outros e outras tenta produzir  novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar. E dessa forma, possibilitar novas formas de existências que transcendam os sentidos e os entendimentos cristalizados pelo sistema dominante alienador. A imagem do pensamento dominante  como Estado-paranoico.

Para que essas produções se tornem enunciações políticas, filosóficas e estéticas, a Afin parte de alguns vetores como o teatrosófico, cinemasófico, esquizosom, poiesofia, letrasófica, marionetesófia e etc. O que significa trabalhar com a inteligência coletiva como devir-produtivo continuou.

“Aguardas o próximo chmadao

A inevitável imobilização

Porque tua guerra só conheceu tréguas

Porque não existe terra onde não tenha corrido teu sangue

Língua em que tua cor não tenha sido insultada

Sorris, Black Boy

Cantas,

Danças,

Embalas as gerações

Que em todas as horas partem

Para as frentes do trabalho e do tormento

Que vão lançar-se amanhã ao assalto das bastilhas

Rumo aos bastiões do futuro

Para escrever em todas as línguas

Nas claras páginas de todos os céus

A declaração de teus direitos menosprezados

Há mais de cinco séculos…”

Césaire

Trata-se de uma práxis e poiética que já desenrola, em Manaus, há 13 anos, e sempre sem quaisquer fins lucrativos.  E quase sempre nos território menos atingidos pelas políticas públicas dos governos locais. Que em verdade, são historicamente, omissos por limitação de inteligência política e falta de sentido de solidariedade social.

Embora a Afin sempre esteja envolvida pelas questões das etnias, como a indígena e negra, todavia, como estamos na semana de comemoração da Consciência Negra, ela decidiu produzir uma festa na noite de hoje em seu singular território rizomático filosófico, político e estético: Pórtico das Artes. Local cujo nome foi influenciado pelo templo Pórtico das Pinturas da Escola Estoica (Stoá Pokilé).

“Me devolvam minhas bonecas pretas quero com elas brincar

Os jogos ingênuos de meu instinto

Ficar à sombra de suas leis

Recobrar minha coragem

Minha audácia

Me sentir eu-mesmo.

De novo eu-mesmo como eu era

Ontem

Sem complexidade

Ontem

Quando chegou a hora do desenraizamento…

Eles arrombaram o espaço que era meu”.

A festa cujo título é Uma Noite Negra contará com alguns enunciados como a conferência O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito Negritude. E mais cantos-negros, poesia-negra, sambas, hip-hop, candomblé, uma roda de capoeira sob a movimentação do Contra Mestre, Salvador, da Academia Manduca da Praia cuja escola é no próprio Pórtico das Artes. Serão apresentadasm, também, algumas iguarias da culinária negra. A festa tem uma cor especial, porque irá compor com os moradores do bairro que são desprovidos de qualquer enunciação política, filosófica e estética. 

 O Pórtico das Artes fica no Bairro Nova Cidade, rua 72, n° 4, quadra 149. É um dos  bairros mais pobres de Manaus, entre tantos.

“Minha negritude não é uma pedra, surdez que é lançada contra o clamor do dia,

Minha negritude não é uma catarata de água morta

Sobre o olho morto da terra

Minha negritude não é nem torre nem catedral

Ela mergulha na carne rubra da terra

Ela mergulha na ardente carne do céu

Ela fura o opaco desânimo com sua precisa paciência”.

“O negro não é uma cor, mas a destruição desta clareza

De empréstimo que cai do sol branco.

A liberdade é cor da noite”.

Césaire

Uma Noite Negra.

MAPA DA VIOLÊNCIA NO BRASIL MOSTRA QUE EM CADA DUAS HORAS SETE JOVENS NEGROS SÃO ASSASSINADOS

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Um dos principais sintomas apresentados no corpus patológico das organizações sociais é o assassinato de jovens negros. A violência física, psicológica, moral e humana desfechada contra os negros historicamente no Brasil não terminou com a chamada libertação dos escravos.

Os corpos étnicos-antropológicos clivados pelos códigos de dominação do branco sobre o negro permanecem como chagas incuráveis tanto no espaço urbano como no espaço rural da alcunhada modernidade. Sua exclusão não é só uma questão de uma perspectiva, mas de várias. Política, econômica, social, estética e até moral. Moral, porque o negro é visto como alguém que não tem fundamentos de valores que lhe permitam uma confiança por parte do branco-dominador. O negro é sempre o outro, o estranho, ou seja, aquele que ameaça por sua estrutura primitiva.

Essa psicologia nazifascista cunhada na estupidez do desconhecimento genético-humano leva por parte dessa classe discriminadora, a perseguição de todas as formas contra os negros. Sejam perseguições explícitas como faz a polícia, ou de forma implícita como no caso da procura de um emprego. Esse racismo ostensivo comprova o grau de irracionalidade da patologia que domina o corpus das organizações sociais, que Marx diz que só se transforma quando tiver uma nova direção que escape do capitalismo.

O capitalismo promove o racismo principalmente porque ele representa o espírito condutor da maioria da população como elemento das posses. Como o negro é tido, pelas forças repressivas do capital, como uma alteração moral é também clivado como uma ameaça aos chamados bens pessoais. Diante de um assalto em que estejam por perto dois jovens, um branco e um negro, é do negro de quem a polícia, primeiro suspeita. Mesmo que o branco tenha cometido o delito, a suspeita sobre ele é posterior. É como se a polícia já estivesse robotizada em relação ao racismo. Tudo isso, porque ela faz parte do corpo repressivo do sistema capitalista a quem deve defender.  

Foi a partir desse quadro racistante, que o sociólogo Júlio Jacobo Weiselfisz, tomando os dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, trabalhou o Mapa da Violência no Brasil que mostra a cruel realidade que em duas horas sete jovens negros são mortos no Brasil.

A pesquisa que 82 jovens que morrem por dia, 30 mil por ano, e todos entre as idades de 15 anos a 29 anos. Desses jovens assassinados, 77% são negros, 93,30% são do sexo masculino. São moradores dos espaços periféricos das regiões metropolitanas dos centros urbanos.

Uma parte que chama atenção de forma preocupante na pesquisa é quanto a diminuição dos homicídios entre os jovens. Enquanto homicídio de brancos diminuiu, o número de vítimas negras aumentou. Em 2002, havia um número de 19.846 vítimas brancas. Em 2012, caiu para 14.928. Um percentual de queda de 24,8%. No mesmo período, 2002 e 2012, o numero de vítimas negras passou de 26.656 para 41.127. Um percentual de crescimento de 38,7%.

Não precisa ser cristão ou pertencer a uma sociedade humanista para saber que essa cruel realidade tem que mudar. E os princípios mutantes capazes de efetuaram essa mudança são a educação, o direito ao respeito, a inclusão na sociedade, como sujeito de produção de novas formas de existir e a ética social que tenha o homem como um ser vocacionado para a vida.

ANISTIA NACIONAL LANÇA O “PROGRAMA JOVEM NEGRO VIVO”

Em cada duas horas, no Brasil, são assassinados sete jovens negros. Esse quadro violento que mostra a verdade cruel do racismo no Brasil tem mudar. Mas esse quadro só pode mudar com as participações dos governos, instituições, partidos políticos, movimentos sociais e toda a sociedade civil. É preciso entender que ninguém se salva sozinho.

Veja, ouça, analise o vídeo e tome sua posição.

POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA TEM QUE SER REVISTA, DIZ DOUTORA MARIA INÊS BARNOSA, DA OPAS

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Já como parte das manifestações da comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra q1ue ocorrerá no próximo dia 20, A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) pede que a Política Nacional de Saúde da População Negra faça uma revisão transversal em sua atuação focando mais os indivíduos. A preocupação encontra-se, principalmente, no fato de que os negros representam a maior parte da população brasileira.

Para Maria Inês da Silva Barbosa, doutora em saúde pública, e consultora da Opas, embora a política de saúde das populações negras seja transversal, a maioria dos gestores não a entendem. Para ela, a política de saúde dos negros depende também de vontade política, porque é tão complexa como o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Falar da Política Nacional de Saúde da População Negra é falar de mais da metade do Brasil. E a política é tratada como uma política especial. Para que o sistema de saúde dê certo, a política tem que tratada coma propriedade que merece.

Temos mais tem de experiência em escravidão do que em liberdade. Temos que voltar atrás para gestar o novo. É preciso querer e estar preparado para isso.

Me parece que só sermos maioria não está sendo suficiente. É preciso reconhecer limites e possibilidades. É uma política complexa, assim como o SUS é complexo. Precisa haver compromisso efetivo e desracializante. Estamos falando da imensa maioria da população brasileira. Não é um problema localizado”, observou a doutora Maria Inês Barbosa.

Falando sobre a questão do racismo contra os negros, Maria Zenó Soares, coordenadora-geral da Federação Nacional das Associações de Pessoas com Doença Falciforme, doença hereditária que atinge mais os afrodescendentes, disse que vivenciou em si própria e necessidade de que é preciso avanço.

“Não há como falar de doença Falciforme sem falar de dor. A dor física, coma morfina, passa. Mas a dor que a gente carrega na alma, do racismo e da falta de atendimento não passa. Já esperei seis horas por atendimento. Rolava no chão de dor – a ponto de fazer minhas necessidades fisiológicas ali mesmo, na roupa”, disse Maria Zenó, para quem a primeiro passo é reconhecer que existe o racismo institucional e depois focalizar a política de saúde no indivíduo.

A LENDÁRIA ATIVISTA NEGRA DO BLACK POWER, ANGELA DAVIS, EM ENTREVISTA NA TV BRASIL, MOSTRA O QUE É SER UM DEVIR-POLÍTICO

Uma das personagens mais importantes da luta intensiva pelos direitos dos povos oprimidos, principalmente os negros, a lendária ativista do movimento, Panteras Negras e do Partido Comunista dos Estados Unidos, Angela Davis, esteve no programa Espaço Público, da TV Brasil.

Angela Davis, na década de 70, em função de sua luta, foi presa pelo FBI e colocada na lista dos mais procurados pela força policial norte-americana. Sua atuação pelos direitos humanos era tão forte que gerou o movimento coletivo “Libertem Angela Davis” que produziu uma reverberação internacional envolvendo artistas, intelectuais, filósofos, sociólogos, antropólogos, políticos ente outros.

A filósofa, escritora, conferencista, professora veio ao Brasil para participar do Festival Latinidade 2014: Griôs da Diáspora Negra, que ocorreu em Brasília, e terminou na segunda-feira. Ela foi entrevista pelos jornalistas Paulo Moreira Leite, apresentador do programa, a jornalista Juliana César Nunes, da Radioagência Nacional e o jornalista Florestan Fernandes Jr, da TV Brasil.

A visão que o Brasil tem de você ainda é muito conectada a Angela desse movimento Black Power da década de 1970, quando brasileiros faziam campanha pela sua libertação e pela libertação de Mandela e, ao mesmo tempo, pensavam em como libertar a Angela e o Mandela que existiam entre nós, entre homens e mulheres negras. Hoje, em que Angela as pessoas precisam pensar em libertar, em deixar fluir?

A campanha pela minha libertação foi de fato um momento importante. Eu sempre digo que meu nome só é conhecido hoje não tanto pelo que eu fiz, mas pelo que fizeram por mim. Nunca vou esquecer o enorme movimento de solidariedade que mobilizou pessoas em quase todos os continentes. Mas eu era apenas uma, e já naquela época, tinha consciência de que havia muitos outros presos políticos. Percebi que o problema não era só a repressão aos presos políticos, mas também o papel racista e repressor do sistema carcerário. Nas últimas décadas, venho batalhando pela libertação dos presos políticos e combatendo a indústria carcerária e muitos militantes desse movimento anticarcerário nos autodenominamos “abolicionistas”, porque defendemos a abolição da cadeia como forma dominante de punição.

Angela, você popõe a extinção dos presídios. A pessoa quando comete um crime, um crime bárbaro, um crime hediondo, ela tem que ser punida, tem que pagar pelo crime que cometeu e ser ressocializada para voltar à comunidade. Se acabam os presídios, que eu concordo que virou depósito de pessoas, o que fazer com os criminosos?

Concordo plenamente que quem tem conduta antissocial, quem faz mal a outras pessoas deve responder por isso. Mas isso não significa que basta punir. Quando simplesmente punimos os culpados, em geral o que acontece é que eles saem da cadeia pior do que entraram para cumprir a pena. As cadeias contribuem para reproduzir a violência e a conduta antissocial. A grande questão é como transformar a sociedade e lidar com essa questão da violência de tal forma que o agressor retorne à sociedade com uma perspectiva de vida melhor, sem revolta, sem recaída, mas disposto a contribuir com a sociedade. Acredito muito na reabilitação. Mas não acredito que ela seja possível na cadeia. É por isso que precisamos encontrar outras formas de responsabilizar as pessoas pelos crimes que cometem. E o pior é que muitas pessoas estão presas não porque cometeram um crime, mas por serem negras, jovens, ou porque estavam no lugar errado, na hora errada.

Angela, você tem criticado as políticas de combate à violência doméstica. Como garantir proteção para as mulheres de uma outra forma que não seja a criminalização dos agressores?

Estou com as pessoas que acreditam que simplesmente criminalizar a violência doméstica não basta para erradicá-la. Eu me preocupo com as vítimas da violência conjugal. E também porque é uma das formas mais comuns de violência no mundo. É uma forma de violência que ocorre em quase todo o mundo, inclusive nos países onde ela foi criminalizada. O índice de violência contra a mulher, de violência de gênero, não diminuiu. Alguma coisa está errada. Não podemos continuar simplesmente mandando as pessoas para a cadeia. Isso nos faz esquecer o problema. É por isso que sou contra o uso da pena de detenção. De certa forma, isso nos exime da responsabilidade de descobrir como acabar com essa violência horrível que tantas mulheres sofrem. Em muitos lugares, já surgiram alternativas à execução penal. Elas incluem Justiça restaurativa, ou até censura pública. Evidentemente, a perspectiva evolucionista não sugere que o agressor não deva responder pelo que fez. Em muitos aspectos, é mais difícil para o agressor encarar a vítima de frente e encontrar uma forma de se redimir do que ir para a cadeia. É mais fácil ficar na cadeia. É muito mais difícil localizar a raiz da violência dentro de si e encontrar uma forma de erradicá-la do mundo.

Onde fica o centro da sua força, essa força com que luta pelos direitos dos negros, tanto na África, quanto na diáspora?

De onde tiro minha força? Acho que posso dizer que ela vem das minhas comunidades, das pessoas com quem trabalho, meu sentimento de união com as pessoas que se dedicam às lutas por justiça e igualdade. Costumo contar uma história que aconteceu na época em que eu estava presa. O FBI foi me buscar. Fui levada para um presídio onde eu fiquei incomunicável, sem poder falar com ninguém. Puseram-me em uma ala do presídio reservada para pessoas com problemas psiquiátricos. Fiquei deitada ali na cela, sentindo-me totalmente sozinha. De repente, ouvi umas vozes ao longe. Mal dava para entender o que diziam. De repente, percebi o que estavam dizendo: “Soltem Angela Davis!”. As pessoas se aglomeravam fora do presídio, tarde da noite, e isso antes mesmo da campanha pela minha libertação. Elas vieram e aquilo me fez sentir que eu não estava só. Fiquei com essas lembranças, essa ligação com as pessoas e percebi que, por piores que fossem os meus problemas, eles não chegavam aos pés dos problemas das pessoas que passam a vida na cadeia, das pessoas na Palestina, das pessoas que têm de lutar pela própria liberdade de várias maneiras. Enfim, também tiro muita força dos jovens, porque continuo trabalhando com ativistas. Vejo que eles estão cada vez mais jovens. E eu estou cada vez mais velha. Isso é bom, é muito importante trabalhar com outras gerações. Vejo que os jovens estão dispostos a correr mais riscos que os mais velhos, porque às vezes somos prudentes demais.

Atualmente, temos algumas mulheres no comando de países. Aqui na América Latina, temos três mulheres coordenando três países, temos uma mulher na Europa. Como a senhora vê a atuação dessas mulheres no poder ? Houve uma modificação dos rumos do capitalismo? Agora, é a hora, depois de um negro, os EUA terem uma mulher?

Acho positivo que tenham elegido mulheres para cargos políticos na América do Sul e na Europa. Assim como foi bom um negro ter sido eleito nos EUA. Mas não sei se isso resolve nossos problemas. Não sei se ficar tentando apenas mudar o rosto das pessoas que estão no topo das hierarquias políticas ou econômicas vai mudar a realidade dos que estão na base. Como já disse algumas vezes, quando Obama disputou as eleições, se houvesse um candidato de outra identidade racial concorrendo com um programa mais ousado, com certeza ele teria o meu voto. Eu preferiria mil vezes um candidato branco que propusesse uma crítica ao capitalismo, ao inter-racismo e ao sistema carcerário a um candidato negro que deixasse as coisas como estão. É uma questão política. Precisamos superar essa mentalidade de que trocar apenas um rosto vai trazer uma revolução e entender que é preciso criar movimentos de massa, é preciso promover mudanças na base do sistema.

Como você vê o papel da mídia nesse contexto, basta democratizar o acesso? É preciso que haja uma mudança, na forma, no discurso da mídia, especialmente sobre a população negra, para mexer nas estruturas do racismo?  Aqui no Brasil, a imprensa, de maneira geral, é contra as cotas. Quase todo dia sai alguma notícia criticando a distribuição de cotas tanto nas universidades, quanto no serviço público.

Acredito que a mídia tem um grande poder de mudar a forma de pensar das pessoas, mudar a nossa forma de ver o mundo. Com o advento das mídias sociais, estamos nos deparando com a ampla influência de ideias que se propagam instantaneamente. Vejo que nos EUA, a grande mídia continua a promover algumas ideias retrógradas. O sistema de cotas – não gosto muito de usar o termo “cotas” porque ação afirmativa não é sinônimo de cotas, não é a mesma coisa, e quando chamamos assim, como a mídia costuma fazer, isso transmite uma impressão de que estamos jogando as pessoas umas contra as outras, quando, na verdade, trata-se de uma tentativa de começar um processo para reverter algo que já há muito […] Um processo que vem de muito longa data. Costuma-se falar em ação afirmativa como se fosse um homem branco contra, digamos, uma mulher negra, por exemplo. Mas quando se entende que a ação afirmativa é uma forma de modificar a distribuição demográfica no mercado de trabalho, nas universidades, não se trata só de indivíduos, trata-se de comunidades, é uma questão de permitir a ascensão de comunidades, e isso também acaba beneficiando indivíduos. Mas acho que é preciso começar a mudar essa concepção de ação afirmativa como mera oposição entre brancos e negros. Ela está aí para mudar o mundo, para promover justiça e igualdade.


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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