Arquivo para a categoria 'Negritude'

DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA LATINO-AMERICANA TEM COMEMORAÇÃO INICIADA HOJE

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana, cuja realização é dia 25 de julho, teve o início de sua comemoração hoje. O evento, que contará com conferências, desfiles de moda, gastronomia e shows, começa com o Festival da Cor da Raça, Nação Mulher, no Centro Cultural Ação Cidadania, no Rio de Janeiro.

Segundo Luciana Pereira, uma das organizadoras das comemorações, o que as mulheres estão fazendo é aproveitar a decisão da Organização da Nações Unidas (ONU), que estabeleceu o Dia Internacional dos Afrodescendentes para movimentar as questões das mulheres negras na América Latina, com suas lutas, resistências, e contribuições para a cultura latino-americana, que “mesmo oprimidas elas superam barreiras com garra e educação”.

Abrindo o ciclo de palestras, a professora e dermatologista Magali da Silva Almeida, coordenadora do Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-Americanos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, apresentará, para discussão, o tema Repensando o Negro Olhar e Diversidade. Além de junto com mais duas médicas, uma gastroenterologista e a outra ginecologista, apresentar uma exposição sobre saúde, mostrando e explicando quais as principais doenças que atingem a população negra, sem deixar de comentar sobre o preconceito na rede de saúde.

Na agenda cultural dos shows, hoje tem o grupo Revelação, amanhã, dia 22, tem Alcione, baile de black music, no sábado, e no domingo, a imperdível talentosa Nilze Carvalho. Na parte das comilanças os presentes, vão conhecer a herança da gastrofilia africana através do sabor e talento da Tia Surica, da Velha Guarda da Portela, que exporá sua tradicional feijoada, que tem íntima gastronomia com a feijoada da Vicentina, tão cantada por Pulinho da Vila e Lecy Brandão.

Grande jogada e sacada do movimento das mulheres negras, que com suas potências de agir criam novas enunciações de subjetivação que escapa da subjetividade laminadora da semiótica capitalística branca.

NO VELÓRIO DO LÍDER NEGRO ABDIAS DO NASCIMENTO, LULA DIZ QUE RACISMO É DOENÇA DE DIFÍCIL CURA

Participando do velório do líder negro, militante, ator, teatrólogo, economista e ex-senador Abdias do Nascimento, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o ex-presidente do Brasil, Lula, amigo de Abdias, falando sobre a importância do militante negro na luta pelo fim da discriminação racial, disse que o preconceito é uma doença de difícil cura.

Acho que os negros já conquistaram muitos espaços desde a Constituição de 1988, mais ainda falta muito. O preconceito é uma doença que não tem cura fácil. O remédio para combater o preconceito leva anos, mas eu penso que estamos avançando.

Eu acho que o Brasil perde uma das figuras mais extraordinárias contra a desigualdade racial, na luta pela redemocratização, na luta pelos direitos do povo negro. Eu convivi com Abdias desde os anos 80. Ele morreu, mas as ideias dele vão permanecer.

As cotas nas universidades são uma realidade. O ProUni, colocando 40% de jovens negros nas universidades, é uma revolução e Abdias faz parte de todas essas conquistas”, considerou Lula.

ABDIAS DO NASCIMENTO DO ÀIYÉ AO ÒRUN

Ò tó ‘ rù egbé ma sokún omo ò tó ‘ rù egbé ma sokún omo
Égun ko gbe eyin o! Ekikan ejare àgbà
Orixá gbe ni másè ekikan esin enia niyi r’ òrun*

No Candomblé, segundo o dialeto africano yorubá, quando um negro nasce e recebe o sopro dado por Olorum, vem ao Àiyé, de onde, um dia seguirá para o Òrun. Na África, os grandes guerreiros da tribo tinham direito ao Adósù, um ritual sagrado para essa passagem. Com certeza é o caso de Abdias de Nascimento.

Economista, poeta, escritor, pintor, ensaísta, jornalista, dramaturgo, teatrólogo e ator-negro, Abdias declinou a linha poiética da negritude com vozes, movimentos, tambores, tanto como realizador quanto como defensor das produções afetivas políticas artísticas dos negros no Brasil e no mundo.

Publicou diversos livros de poesia e de diversas áreas das ciências humanas, fundou em 1944 o Teatro Experimental do Negro (T.E.N.) e foi um dos mais ativos participantes do Movimento Negro no Brasil. Recebeu diversos títulos e prêmios nacionais e internacionais pelas causas que lutava, como a Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador, a honraria mais alta outorgada pelo governo brasileiro, que ele recebeu ano passado das mãos de Lula.

Abdias do Nascimento não nasceu na França, nasceu em França, interior de São Paulo, em 14 de março de 1914, e faleceu ontem, 24 de maio de 2011, no Rio de Janeiro. Mas, como soi acontecer às entidades dos cultos afro, Abdias por aí entre nós com suas ideias, seu vigor, sua integridade, sua alegria, humor e inteligência…

Vem do fundo escuro do tambor
esse aflito olhar magoado
(não vencido apenas derrotado)
das irmãs e irmãos em África
fixo olhar pungente
absorvendo a beleza vital do meu corpo
incrustação do ixé
projeção amorosa de Oxum
em minha origem plantado
por desígnio paterno de Olorum
o olhar a devolvendo
à intensidade e pungência
da antiga luta comum
processada à regência
do agadá transformador
e do nosso cálido
recíproco
e solidário amor
Ogunhiê!
(Trecho d’O Agadá da Transformação)

*Tradução do trecho do Adòsú acima (aqui): Ele alcançou o tempo (de converter-se) no érù egbé (o carrego que representa o egbé). Não chore, filho (oficiante do rito), não chore. Alcançou o tempo (de converter-se) no carrego (no representante) do egbé. Não chore, filho. Que Égun nos proteja a todos! Proclamai o que é justo. Que Àgbà Orixá nos proteja a todos! Proclamai (que) foi enterrado um dos seus, que foi para o òrun.(Isto quer dizer, falai alto, com justa razão, porque enterram alguém venerável que irá ao òrun).

Leia também a entrevista que este bloguinho intempestivo fez com Abdias do Nascimento no Quilombolas Bar:

TEATRO NEGRO DO BRASIL — UMA EXPERIÊNCIA SÓCIO-RACIAL

FOPAAM REALIZA CURSO SOBRE INICIATIVAS NEGRAS NA AMAZÔNIA

O FOPAAM– Fórum Permanente de Afrodescendente do Amazonas em parceria com a Universidade Federal do Ceará – Campus Cariri, tem a honra de convidá-lo(a), para participar do Curso de Extensão: Iniciativas Negras – Trocando Experiências na Região Amazônica, que se realizará nos dias 23, 24 e 25 de maio de 2011, no Auditório do CEFAM – Centro de Formação da Arquidiocese de Manaus, localizado na Avenida Joaquim Nabuco Nº 1023 – Centro. Asolenidade de Abertura se dará no dia 23 de maio às 18h.

Este ano de 2011 é dedicado aos Afrodescendentes do Mundo inteiro, compromisso esse assumido e decretado pela ONU, que em uma de suas Convenções se sensibilizou com a vida dos africanos e seus descendentes vitimados por conta de um racismo cultural perpetuado.

Valorizar as diferenças na infância e cultivar Igualdades”(UNICEF). Agradecemos o apoio recebido e destacamos que Vossa presença é de fundamental importância, na caminhada conjunta que empreendemos rumo a uma sociedade equânime onde o preconceito e o racismo não mais se façam presentes.

Clique nas imagens abaixo para ver o panfleto com a programação e demais informações:


13 DE MAIO, DIA DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA, TERÁ MANIFESTAÇÔES EM VÁRIAS PARTE DO PAÍS

Os movimentos negros realizarão hoje, dia 13 (em alguns lugares já começou ontem, dia 12), o Dia da Libertação da Escravatura, manifestações reivindicando os direitos dos negros, entre eles o fim do genocídio contra a população negra, a manutenção de cotas em universidades e a reparação histórica para os negros. Além de exigir as cassações dos deputados nazi/racistas Jair Bolsonaro (PP/RJ) e Marco Feliciano (PSC/SP).

No dia de ontem, dia 12, “A 15ª Marcha Noturna pelos 123 anos da falsa abolição da escravatura”, se concentrou às 18 horas, em São Paulo, na Rua do Carmo, na Sé, e terminou no Largo do Paissandu. Durante o evento, foram realizadas homenagens às memórias das personalidades negras, como o Padre Batista, o criador da Pastoral-Afro.

Hoje é o “Dia Nacional de Denúncia de Racismo”. As mobilizações terão início às 12 horas, em frente ao Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, onde serão realizadas várias manifestações como atos políticos e apresentações culturais. Em seguida, os manifestantes farão passeatas pelas ruas do Centro.

A reivindicação pelo fim do genocídio contra a população negra teve maior impulso após a divulgação do estudo do Mapa da Violência publicado em 2010 pelo Ministério da Justiça, que afirma que de 2006 a 2012, 33,5 mil jovens serão assassinados no Brasil, com clara probabilidade de que a maioria seja negra. Os ativistas também chamam atenção quanto à privação dos direitos fundamentais dos negros, como a saúde, onde 40,9% das mulheres negras nunca realizaram exames de mamografia e Papanicolau, de acordo com o Relatório Desigualdades Racial de 2010, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Por sua vez, a Uneafro, articuladora dos dois atos, divulgou nota, protestando contra as posições racistas dos dois deputados antidemocratas.

Infelizmente as palavras destes parlamentares racistas soam apenas como versão em prosa e verso de uma dura realidade que, 123 anos após a abolição, persiste: a morte física, cultural e simbólica de negras e negros”, diz o texto que é usado para convocação das manifestações…

Pela luta das liberdades, pela honra de poder ser existente produtivo, pelo afeto construtor de novas formas de sentir, perceber e pensar, como estão se movimentando os negros, e outros não negros, ou seja, todos que sabem que e liberdade é uma produção, nós desse Bloguinho Intempestivo queremos nos solidarizar mais uma vez – continuamente – com as companheiras e companheiros negras e negros para que a liberdade seja real, e em nome de todos do movimento oferecer esse embate ao cabra que vai nascer hoje nesse 13 de Maio, nessa sexta-feira 13, João Benedito!

MOVIMENTOS CONTRA O DEPUTADO NAZI/RACISTA JAIR BOLSONARO CRESCEM EM TODO O BRASIL

Embora diga que não tem medo de perder o mandato de deputado federal e que ande exibindo espetáculo de fanfarronice, dizendo que “o soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde”, o deputado nazi/racista Jair Bolsonaro (PP/RJ) vem demonstrando muita preocupação com a armadilha que armou para si próprio, em mais uma de suas destemperanças ao chamar os negros de promíscuos quando da resposta à cantora e apresentadora Preta Gil.

Preocupado, o deputado nazi/racista tentou emendar sua armadilha, recorrendo à descaracterização do que falou à Preta Gil. O embusteiro deputado nazi/racista afirmou que não entendeu a pergunta e no lugar da palavra negra ouviu gay. “Se seu filho de apaixonasse por uma negra?” Embuste total. A sonorização e a grafia/fonemática /negra/ é totalmente diferente, de /gey/. Como não conseguiu convencer ninguém, e muito menos a si mesmo, ao sentir que não pegava, mudou o embuste. Afirmou que houve problema de edição da produção do programa.

Mas agora, todos esses embustes pouco importam. As entidades que viram nas declarações do deputado nazi/racista propósito ofensivo, estão se movimentado para que a Câmara dos Deputados tome medida para que o antidemocrata seja processado por quebra de decoro parlamentar.

Cada vez que ele se defende complica mais a situação jurídica”, analisou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Rio de Janeiro, Wadih Damous, que encaminhou uma representação à Corregedoria da Câmara dos Deputados para que seja aberto um inquérito por quebra de decoro parlamentar contra o nazi/racista.

Falando sobre as declarações persecutórias do deputado, que, envolto na névoa do medo revelador, desqualificou homossexuais e negros, o presidente da OAB/RJ disse que “o teor foi altamente ofensivo”.

As declarações têm um teor altamente ofensivo de cunho racista e homofóbico. O deputado deixou explícita a hostilidade a esses setores da sociedade brasileira. Ele manifesta ódio e desqualifica aquele ou esse grupo da população. Parece-me que isso não condiz com as responsabilidades de um parlamentar”, afirmou Damous.

Por sua vez, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CNCD/LGBT), vinculado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), divulgou nota pedindo que a Procuradoria-Geral da República instaure “investigação criminal para apuração para apuração do crime de racismo e injúria e difamação contra a população de mulheres e LGBT”.

Já o Movimento Negro e associações defensoras de igualdade racial se manifestaram, condenando as declarações do deputado nazi/racista.

Todos pretendem tomar posição para que ele não saia desse episódio sem nenhuma punição.

CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO PARA A IGUALDADE RACIAL É LANÇADA PELO GOVERNO FEDERAL

Aproveitando as comemorações do Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, o governo federal, através da Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), lançou uma campanha de conscientização para a igualdade racial no Brasil, que vai fazer também parte das ações do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes.

De acordo com ministra Luiza Bairros, da Seppir, a campanha é para fazer com que a sociedade repense a questão das diferenças raciais. “O objetivo é promover a igualdade. Isso não é uma ação exclusiva do movimento negro e não é uma responsabilidade apenas do Estado brasileiro. É uma preocupação coletiva”, asseverou a ministra.

A campanha também, segundo a ministra, servirá para tentar diminuir os números de homicídios praticados contra os negros, principalmente jovens. “Todo o nosso esforço será tendo em vista a redução desses índices. Essas mortes violentas que acontecem na população negra, em especial na juventude, não são questões de âmbito exclusivo da segurança pública, mas de cunho social”, afirmou Luiza.

Ainda na cerimônia de lançamento da campanha, foi entregue para as escolas municipais e estaduais de educação o Selo Educação para Igualdade Racial, em comemoração à implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Etnicorraciais e para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, que obteve um grande êxito.

CURSO DE CAPOEIRA NAGÔ EM MANAUS

MINISTRA DA IGUALDADE RACIAL DIZ QUE É PRECISO CONSOLIDAR CIDADANIA NEGRA

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Helena de Barros, disse que em sua gestão irá implementar políticas para consolidar a cidadania através da educação, saúde e segurança, além de procurar incluir a demanda das minorias como os índios, ciganos, judeus e palestinos. Ela disse ainda que, seguindo pedido da presidenta Dilma Rousseff, irá aproximar sua pasta do Ministério da Justiça para tentar diminuir a violência contra os jovens negros que apresentam um grande grau de homicídios.

As taxas de homicídios entre os jovens negros têm crescido de forma assustadora. Qualquer coisa que seja um obstáculo para a sociedade é um problema para o governo.

Os primeiros passos da Seppir serão no sentido de provocar os ministérios a apresentarem uma coisa muito especial para marcar esse ano. Queremos que cada ministério apresente uma ação emblemática de impacto que vai marcar os passos deste ministério para os próximos quatro anos”, disse a ministra.

A ministra também comentou sobre a cota de 30% para os negros que pretendam ingressar na carreira de diplomata de iniciativa do Ministério das Relações Exteriores. “As cotas são sempre um instrumento possível dentro de um leque de ações afirmativas que têm sido adotadas pelo governo. A cota é um instrumento, não a política afirmativa, como um todo. Esse sistema tem se mostrado eficiente para combater a exclusão.”

2º BATIZADO DO GRUPO DE CAPOEIRA RAÍZES

Eu vou fugir
Eu vou capitão do mato

Minhas mãos tão calejadas
Minha alma está cansada
Já não aguento esse lugar
O Quilombo dos Palmares
Ajude a me curar

Eu vou fugir
Eu vou capitão do mato

Sem mim não tinha riqueza
Conheci fome e tristeza
E o chicote a me espancar
Vou prá perto de Zumbi
Ele está a me esperar

foto
Em seu segundo ano de atividade retomada, o Grupo de Capoeira Raízes, sob o comando do famoso mestre Espiga, reuniu-se no Ginásio Zezão, na zona Leste de Manaus, no sábado passado (4), para seu 2º Batizado e Troca de Cordas.

Formado por diversos núcleos, havia capoeiristas do grupo Manaus e outros municípios, além de mestres e outras graduações de vários outros grupos, como: Ginga de Ouro, Legião Brasileira, Senzala Negra, Guerreiros na Selva, Marabaiana, Capoeira Brasil, Capoeira Nagô, entre outros.

foto
Para entrar na comunhão com o Grupo Raízes, antes de formar a roda para a capoeira foi formada a roda para uma apresentação de hip-hop de uma garotada que faz um trabalho fundamental de integração e inclusão educacional durante a semana também no ginásio.
E a moçada da capoeira também curte o hip-hop e também acompanhou na roda a batida que também é uma manifestação de origem negra.
Os b-bys e b-girls fizeram no final fizeram demonstrações individuais de uma batalha de b-boys, da qual participaram muitos capoeiristas.
foto


Depois do hip-hop, a roda só fez aumentar e entrou imediatamente o belo som do berimbau, animando o tradicional jogo da benguela e da regional, envolvendo crianças e pessoas de todas as idades, sem distinção de qualquer espécie. Cada um recebia uma corda nova, que havia se desenvolvido, jogava com os demais.

foto

Que navio é esse
que chegou agora
é o navio negreiro
com os escravos de Angola
acorrentados no porão do navio
muitos morreram de banzo e de frio

foto
Enquanto a roda se desenvolvia, conversamos pelo responsável por esse maravilhoso trabalho, o lendário Mestre Espiga, que passou seus entendimentos da capoeira, como faz toda a semana no Zezão.
foto
“Este é o batizado geral unificado do grupo, no qual vêm pessoas não só daqui de Manaus, mas também de outros municípios, como Parintins, Barreirinha, Boa Vista do Ramos. Então a gente centraliza aqui no Zezão em Manaus, e vem muitos convidados, muitos amigos, mestres, que vem prestar o seu apoio e também observar um trabalho que tem resgatado jovens, que tem mostrado um outro lado da vida, um trabalho que diz não à violência. Esse ano nós tivemos muitas surpresas, o grupo cresceu mais, o nível cresceu mais, em quantidade e qualidade.
foto
foto

A capoeira foi criada no tempo da escravidão como luta de libertação. Hoje a capoeira continua sendo uma luta de libertação, mas não como era antigamente. Libertação de quê? Dos vícios, da marginalidade, a capoeira é um elemento de resgate. A capoeira tem essa força maravilhosa de unir as pessoas. Inclusive hoje a capoeira ajuda a difundir nossa própria língua no exterior. Uma das condições no exterior é que o aluno só é graduado se ele falar português, a conhecer a cultura brasileira. Então a capoeira cria uma integração entre as nações.”

foto

foto

Sou Raízes livres de coração
Sou Raízes livres com malícia e tradição
Yá-Yá me deu de presente uma guia
Pra me livrar de mau olhado e magia

SENZALA NEGRA REALIZOU O 4º JOGOS DE CAPOEIRA MESTRE VERMELHO

“Vento que balança a cana no canavial
Na capela da fazenda
Sinhazinha se confessa
Coberta num manto de renda
Ajoelhada no altar

Vento que balança a cana no canavial
Na varanda da fazenda
Coronel deitado na rede
O negro no canavial
Morria de fome e de sede

Vento que balança a cana no canavial
Quando eu lembro do passado
Dá uma dor no coração
Corda que amarrava o negro
Hoje é graduação

Vento que balança a cana no canavial
Quando eu lembro do passado
Oh!, me dá um desespero
Lembro da minha família
Que sofria no seu cativeiro”

foto
A Associação de Capoeira Senzala Negra, realizou na tarde ensolarada do sábado passado, na quadra da Escola Estadual Vasco Vasquez, no Jorge Teixeira IV, zona Leste de Manaus, o 4º Jogos de Capoeira Mestre Vermelho, do qual trazemos aqui algumas imagens de mais de uma dezena de grupos que compareceram, em diversas categorias. Todos estavam muito alegres e havia para os ganhadores, além das parabenizações, várias medalhas e troféus.
foto
O evento começou com uma demonstração de tae kwon do realizado pelos alunos da Associação Pinheiro, localizada no bairro do João Paulo, também na zona Leste de Manaus. Conversamos com Reginaldo, que trabalha na Associação Pinheiro e que é presidente da Federação Amazonense de Tae kwon do:

O tae kwon do é um estilo de vida. A filosofia dele é para a vida. Não é simplesmente um ato de chutar, ele traz princípios para a vida, e isso é o mais importante. A luta do tae kwon do é na verdade para construir um mundo mais pacífico. As artes marciais nunca foram feitas apenas como forma de defesa, mas também como manutenção da saúde, e isso ainda continua sendo feita. Isso liga todas as artes marciais. Pode ser a coreana, a japonesa, a capoeira, que a gente considera brasileira. A arte marcial sempre fez parte da vida do homem. Hoje muitos mestres buscam união de diferentes tipos de lutas. Hoje tem o MMA, que são lutas mistas, com o principal objetivo de mostrar que a gente pode viver em harmonia.

foto

A preparação tem de ser por uma vida melhor e não lutar para fazer algo errado ou mal, mas lutar sim pela vida. Tenho um amigo que diz que nós não devemos nunca lutar e perder a vida, mas lutar e ganhar a vida. A gente hoje luta mais para manter a saúde, para melhorar a qualidade de vida. Tem alunos que buscam também como esporte. Há vários benefícios. Eu sempre fiz trabalho na área acadêmica voltados pra luta. Meu trabalho de graduação na faculdade foi “Tae kwon do como alternativa pedagógica para alternativa escolar”. Depois eu fiz pós-graduação em gerontologia social, e meu trabalho foi “Benefícios da prática de artes marciais na qualidade de vida do idoso”. Assim eu acabei fazendo um trabalho da criança ao adulto e do adulto ao idoso.”

foto
Numa comunhão de diferentes culturas, houve ainda mais uma demonstração de alunos da Associação Pinheiro, dessa vez da luta tailandesa Muay Thai.


foto

E então a Formada Abelha, coordenadora do Senzala Negra, uma lutadora que há décadas realiza esse trabalho de luta e que é ao mesmo tempo educacional e social. Ela começou falando sobre o Dia da Consciência Negra.

“Sendo hoje dia 20 de novembro, nós comemoramos o Dia da Consciência Negra, um dia onde todas as nossas lutas, um dia em que todas as nossas resistências são representadas. É uma data muito bonita, mas é também o dia da morte de Zumbi. Toda coisa bonita tem que ter também alguém sacrificado para que no futuro as coisas possam mudar. Zumbi morreu no dia 20 de novembro de 1695, e por isso nós estamos aqui falando sobre o Dia da Consciência Negra. Isso mostra que a nossa luta é uma luta de resistência. Nós temos que resistir, persistir, desistir jamais, porque somos negros e somos brasileiros.”

foto
foto

E como a turma da avaliação já estava a postos, o professor Formiga, presidente do Senzala Negra, já passava as instruções, os juízes, entre eles Mestre Espiga, já estavam colocados e Zumbi já estava no centro da roda, era hora de soar o berimbau para movimentá-la.

foto

foto

Formada Abelha também nos falou que ainda existem muitos preconceitos contra a capoeira, apesar de ela ser mesmo utilizada como um patrimônio nacional. Preconceito que se torna duplo quando se estende às religiões de amtriz africana.

foto

Existe muito preconceito ainda. Não são todas as portas que são abertas, porque começa que as pessoas acham, por ter o atabaque, elas chegam a confundir e acham que a capoeira está envolvida com o Candomblé, como se a capoeira fosse um segmento de religião. Muitas vezes as pessoas chegam a dizer ostensivamente: ‘Isto é coisa de preto.’ Às vezes nós vamos instalar um projeto de capoeira numa escola, aí o diretor diz: ‘Eu não quero, a capoeira é um negócio muito violento.’ Ou então arranja uma desculpa. Depois ele diz: ‘Eu não quero esse negócio aqui não. Tem umas músicas que parece que estão fazendo é macumba.’ Nós temos músicas de capoeira que foram feitas por mestres que são do candomblecistas, são da Umbanda, isso é uma coisa independente, assim como a capoeira recebe, e tem músicas também, que pega o católico, o evangélico, o espírita, budista, kardecista. Então ele acha que aquele mestre segue, mas não é isso. Só o preconceito que ainda maior, porque é também religioso. Mesmo a capoeira tendo se espalhado por todas as partes do mundo, ainda há preconceito no Brasil. Dizer que o nosso país não tem preconceito, não tem racismo é tapar o sol com a peneira. O brasileiro, infelizmente, ainda é racista, ainda é preconceituoso. Nós temos que aprender a aceitar as diferenças. Você tem a sua religião, eu tenho a minha, mas eu tenho que respeitá-lo. Não é necessário, para que eu tenha que respeitá-lo, você aderir à minha religião ou eu aderir à sua. Se um mestre fez músicas louvando Iemanjá, por exemplo, nós temos que cantar, senão nós vamos estar discriminando o mestre que a fez. Eu acho que a gente ainda vai levar um tempinho, mas creio que a gente vai conseguir acabar com isso. Tem que acabar. As pessoas têm que ver que a capoeira é um monte de coisa. A capoeira é uma arte marcial, mas é também dança, esporte, e um exemplo maravilhoso para a vida e que vem diretamente de nossas raízes, de nossa cultura negra.”

foto
“Me ajuda, por favor, eu tô passando mal
Eu tô de capoeira e febre de berimbau

Só não me dê remédio, que eu não quero melhorar
Eu tô de capoeira e febre de berimbau”

LULA COMENTA SOBRE O PROGRAMA DA IGUALDADE RACIAL

O presidente Lula, hoje, pela parte da manhã, teceu um comentário sobre as políticas de seu governo que têm auxiliado fortemente no combate às desigualdades na sociedade. Entre essas políticas, ele destacou a política de Promoção da Igualdade Racial.

Para o presidente, o Programa Universidade para Todos (ProUni) exemplifica claramente o bom resultado da política de Promoção da Igualdade Racial. O programa contém, atualmente, 40% de bolsistas negros. Todavia, mesmo com a visível diminuição da desigualdade social que vem ocorrendo no Brasil, Lula acredita que ainda é preciso realizar outros feitos.

Para Lula, o que pode auxiliar muito nas mudanças que o Brasil necessita é a “evolução” na consciência política de cada brasileiro, o combate à discriminação, aperfeiçoamento da legislação e a punição rigorosa.

Para confirmar as mudanças que vem ocorrendo nas formas de relações na sociedade, o presidente comentou o crescimento da consciência negra.

Acho que estamos avançando. Os quilombolas estão sendo reconhecidos, os quilombos estão sendo legalizados e a gente está criando condições de não haver, definitivamente, mais discriminação no Brasil. Estou convencido que nós fizemos muito, mas estou convencido, também, de que ainda falta muito a ser feito”, comentou Lula.

PELA LIBERDADE DE CULTO ÀS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Seu doutorzinho quer que chame de doutor
Seu doutorzinho quer que chame de doutor
É duvidoso, cativeiro acabou
É duvidoso, cativeiro acabou
Branco sabe ler, também sabe escrever
Só não sabe dia em que morre
O preto é quem vai dizer!

Em memória ao Pai Francisco do Morro da Catita, com seu Umbandão pé no chão, que foi para o Orun no início desse ano.

Uma das principais questões hoje no Brasil, como ficou visível nas últimas eleições, é a defesa da liberdade religiosa, é a defesa constitucional do Estado laico que é o Brasil, onde se pode, segundo a lei, desde que não se ofenda a outrem, cultuar a religião que se quiser: Cristianismo, Budismo, Hinduísmo, Xamanismo, Agnosticismo, Espiritismo, Candomblé, Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô…

É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” (Constituição, Art 5º-VI)

Quem não quiser também estará livre para não cultuar nenhuma: Ateísmo. E há no Brasil até quem invente novas formas de religião a partir do que venha a ser religião e da importância de se cultuar uma religião. No emaranhado de interesses mesquinhos em que se consagram todos os sistemas de todas as eras, praticamente todas as religiões se jogam na busca pela Verdade, seja para auto-aperfeiçoamento, seja como direcionador de ações. Atualizemos filosoficamente a questão em Aldous Huxley, quando ele trata a religião como sendo um filtro para conhecimento da realidade, ou no sentido de “ver o íntimo das coisas”, como diz Nietzsche sobre a poesia. Assim, mesmo alguém que se diz ateu pode estar imbuído de religiosidade.

Que lindo! Poderíamos até dizer que foi assim que Jesus Cristo, o palestino, sonhou. Mas por que a intolerância gera tantos conflitos que até se gerou um leniente ditado que diz que “religião e política não se discute” quando, ao contrário, quando a religião sai da esfera do foro íntimo – crença individual – e adentra à esfera da coletividade – persuasão política -, tem-se que se discutir? Elementar: é que grande parte das religiões, principalmente as chamadas Grandes Religiões, se emaranharam a mesquinhos interesses. Por isso que, no Brasil, dentre as inúmeras formas de discriminação que constituem o racismo está a intolerância religiosa aos cultos afro.

Para se perceber as discrepâncias que daí resultam sobre as religiões afro, basta observar um fato ocorrido numa das escolas onde a AFIN, de quem este bloguinho é vetor virtualizante, foi fazer sua explanação com o tema que vai no título deste texto. Acontece que se um adepto de uma religião cristã procura uma escola, fato corriqueiro em Manaus, para “pregar a palavra do Senhor”, ninguém chega sequer a aventar uma falta de “interesse público”, como prevê a Constituição, de catequização religiosa em espaços públicos; agora se o pessoal da AFIN aparece com um pai de santo, e neste caso com “interesse público” comprovado, e sem catequização, mas sim discutir a autenticidade das religiões afro e desfazer certas estigmatizações, há professores que protestam e ameaçam se retirar. Daí se percebe que a laicidade do Estado não está sendo observada por parte de muitos cristãos.

Não fazemos aqui uma crítica ao Cristianismo em si, que acreditamos uma religião autêntica, mas à irracionalidade de adeptos individuais e de vis interesses que subvencionam essa religião desde pelo menos sua oficialização no Império Romano, quando tendências distintas, à época de Santo Agostinho, se engalfinhavam com palavras esdrúxulas, pedras e armas, até que uma dessas tendências prevaleceu pela força física mais do que ideológica ou de fé. Desde aí, passando pelas Cruzadas, pela Reforma Protestante, pela Contra Reforma, pela Caça às Bruxas, chegando até os dias atuais com a deprimente divisão do mundo entre Ocidente cristão e Oriente islâmico, vê-se uma epopeia sangrenta que pouco tem a ver com a simplicidade e ternura do filho de Maria.

Como o Cristianismo é a maior religião no Brasil, muitas igrejas e manifestações individuais demonizam outras religiões, julgando-as violentamente segundo seus dogmas irredutíveis. Em Manaus conhecemos budistas que se queixam do preconceito que sofrem. Quer dizer, não são apenas os cultos de matriz africana, mas como os adeptos dos cultos afro, tendo o Brasil nos negros uma das etnias de nossa formação, as condenações sumárias para estes é muito mais abundante e frequente, sabendo-se que só em Manaus há cerca de 3 mil lugares, entre terreiros, barracões e bancas, onde se cultua alguma religião de matriz africana.

Talvez isso não ocorra em todo o Brasil. Ouvimos seu Baianinho do Tambor de Mina, na cabeça de Pai Miguel de Vondoreji, do Terreiro da Fé em Deus, contar que no Maranhão há padres que rezam a missa e que depois vão ao terreiro e incorporam aí suas entidades. Mas em Manaus, e provavelmente em muitos outros lugares, a lista de estigmatizações é imensa. Semana passada ouvimos uma jovem dizer que “nos terreiros de macumba as pessoas bebem sangue”. É muito comum ouvirmos que os orixás, cabocos e voduns são demônios e que todos os macumbeiros vão para o inferno.

Com argumentos rápidos e certeiros, mesmo para nós deste bloguinho, que não somos diretamente adeptos dessas religiões nem antropólogos especializados, é fácil derrubar tais preconceitos aberrantes. Esses três anos de trabalho incansável, desde que num domingo à tarde baixamos no terreiro de Pai Jeovaņo de Ajagùnnọn, já nos levaram a entrar em contato com cerca de uns 100 terreiros e barracões e nos deram algumas informações necessárias para isso, ao que juntamos nossa filosofante vontade de amor e comunhão. “Os homens são diferentes, mas não desiguais, nem separados: são como os dedos da mão. Iká ko dogbá, os dedos não são iguais, diz um aforismo nagô”, declara o filósofo candomblecista Muniz Sodré.

Para começar, vulgarmente se utiliza a palavra “macumba” de forma pejorativa e generalizada. As pessoas que assim o fazem não sabem sequer que não existe apenas uma religião afro, mas diversas, entre elas o Candomblé, a Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô. Sem falar que os cultos afro congregam na verdade vários outros credos e entidades que não são propriamente de matriz africana, como as pombogiras, como os cabocos indígenas, o povo cigano, santos, anjos e até bruxas.

No Brasil, o caso mais curioso é a aproximação de santos católicos com orixás dos cultos afro, o que se denomina sincretismo. Como os escravos não tinham permissão para cultuar seus orixás, eles escondiam uma imagem deles entre os santos ou cultuavam algum santo que de alguma forma tinha característica que se aproximava de um orixá. Por exemplo, como a entidade por assim dizer maior católica era Jesus Cristo, então os negros relacionavam-no a Oxalá, seu orixá maior. Assim foi que Nossa Senhora da Conceição virou Oxum, São Sebastião virou Oxóssi, São Jorge virou Ogum, São Lázaro virou Obaluaê, Santa Bárbara virou Iansã e por aí vai.

Uma das maiores polêmicas ocorre na aproximação vulgarizada de Exu com o Diabo. Mas se percebe que essas aproximações são apenas providenciais; mas não, essenciais. Enquanto no Cristianismo o Diabo, o Satanás é tido como uma entidade terrível com a qual nenhum acordo deve ser feito, a não ser que se queira vender a alma ao capiroto, nos cultos afro Exu é o primeiro orixá a se louvar, sendo que é ele quem abre os bons caminhos e fecha a soleira da porta do barracão para o mau olhado. Hoje há também quem diga que Exu é na verdade o Espírito Santo. De qualquer modo, todos os adeptos dos cultos afro com os quais conversamos foram sempre unânimes de não levar a sério essa história de sincretismo, que, para eles mais auxiliaria na demonização de suas religiões, uma vez que prevaleceria, embora o Brasil sendo laico, a religião dominante.

Se observamos que uma religião como o Candomblé é muito mais antiga do que o Cristianismo, mais antiga até que o Judaísmo, e originada em uma outra realidade geográfico-política, como que ela poderia ser julgada por este? Só há uma forma: até hoje, muitos cristãos – não todos, claro – tendem a querer impor à força para as outras nações, para outras pessoas o seu credo como único e verdadeiro. Já houve muitos casos em que meios de comunicação usaram de truculência contra as religiões de matriz africana, e é por isso que existem hoje leis contra racismo e intolerância religiosa para punir as manifestações violentas e agressivas.

Em Manaus há entidades que lidam diretamente com a questão, como a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM), presidida pela querida Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, e a Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM), presidida por Pai Lairton da Oxum. A luta dessas entidades se faz também na medida de modernizar as práticas nos terreiros, como já explicou em entrevista neste bloguinho Pai Ribamar de Xangô, coordenador no Amazonas da Federação Nacional dos Cultos Afro-Brasileiros no Amazonas (FENACABI). Há ainda a Associação Movimento Orgulho Negro do Amazonas (AMONAM), presidida pelo companheiro Luiz Costa, que faz um trabalho diretamente nas escolas.

Mas há pessoas que, embora estando no “mais baixo grau de entendimento”, repetem estigmatizações ofensivos às religiões afro apenas por medo e falso misticismo, mas que merecem alguns argumentos que lhes faça abrir os olhos. “Ter os olhos abertos é derrubar as paredes divisórias das ditas raças, classes, crenças e conceitos. Apertar o Outro contra o coração como se fosse um membro de sua própria família é coisa digna só de gente” (Muniz Sodré).

Como já dissemos, as religiões afro congregam vários outros credos. E se há preconceitos de muitos cristãos contra as afro-religiões, não os há destas para com aqueles. “Agradeço a todos os orixás e a Nosso Senhor Jesus Cristo…”, é o que dizem praticamente todos os pais de santo. Em Manaus há vários centros que realizam festas católicas, mormente os que praticam Mina Jeje-Nagô, com direito a novenas, terços e cânticos hagiográficos. Transparece que o preconceito é mais arraigado entre os chamados evangélicos, mas também estes, além de não estarem acima das leis, devem aprender a con-viver com a diferença e perceber o Outro sem as barreiras extremistas do fanatismo.

Deixamos a melhor parte para o final. Como não somos adeptos, não estamos fazendo nenhum estudo antropológico sistemático, não ganhamos nada a não ser a bênção dos orixás, cabocos, voduns e outras entidades, uma pergunta sempre recorrente nos é colocada: “Você acreditam nisso?” O filósofo da Feira de Santana citado acima, numa entrevista de 2003, falando sobre Pierre Verger, explica que a palavra “acreditar” tem vários sentidos, entre eles “aceitar”, “confiar” e “dar crédito”. Um dos motivos que causam o medo que provoca o preconceito de muitos é o vigor das religiões afro e sua autenticidade. Para quem observou fotos e conversas que tivemos, alguém que nunca foi num terreiro, se souber olhar, verá uma pequeníssima demonstração de toda a beleza que vimos nessas noites inteiras acompanhando esses rituais. Sabe quanto conhecimento e ternura há numa conversa com um preto velho? Você já viu alguém mais alegre do que aquela pombogira? Onde já se viu cigana tão linda? Que harmonia no gingado das baianas! Tantos pontos, tantas rezas maravilhosas! E o que é para os ouvidos toda a musicalidade do tambor de mina? A voz daquele caboco lembra uma história que não foi contada pela História oficial…

O papel que nos propomos não é convencer ninguém, mas não nos repitam mais aquela pergunta tola. Lutar pela liberdade de culto às religiões afro-brasileiras é hoje no Brasil a principal luta contra o racismo e, ainda mais, é a defesa constitucional do Estado laico.

Nosso papel também não é convidar ninguém para ir ao terreiro, mas se quiser ir com certeza lá nos encontraremos, porque, livres de todos os medos e preconceitos, lá sempre nos sentiremos bem e completos de corpo e alma. Axé!

A POTÊNCIA DA NEGRITUDE

Na Semana da Consciência Negra, seguindo os preceitos da Lei 10.639, todos os anos se realizam várias atividades nas escolas, onde se fazem colagens com imagens de vultos negros da História, como Anastácia e Zumbi, Luther King e Malcom X, Mandela, hoje heroicizados. Ouve-se samba e hip-hop; pula-se o Carnaval; faz-se uma roda de capoeira; comidas típicas da culinária negra; vestimentas…

Lembrar dos auspícios da escravidão vale para nos aproximar das lutas por direitos das comunidades quilombolas hoje. E vale também para ver claramente na linha dura que escravidão e exploração são duas faces das relações de trabalho do mesmo Capitalismo, que perdura na desigual hierarquização de cargos e salários. Enfim, na defasagem salarial de todos os trabalhadores.

Lembrar do assassinato dos maiores líderes da luta contra a segregação racial nos Estados Unidos vale como denúncia de que não há segurança para os negros enquanto existe lá a Ku-Klux-Klan e grupos de skinheads também aqui, queimando mendigos, violentando mulheres, agredindo homossexuais, segregando negros com anedotas e revólveres.

É bom fazer uma roda de samba como a que a Afin fez na periferia de Manaus no dia da vitória de Dilma-Mulher sem que se corra mais o risco de que a qualquer momento a rádio patrulha encherá seu camburão, mas não se pode deixar de perceber que há poucos dias atrás na mesma rua da sede da Afin foi feita uma revista completa sob metralhadora da polícia em uma turma de garotos negros, pardos e brancos pobres (segundo a classificação do IBGE) que se tornaram “suspeitos” só porque estavam, à boca da noite, à beira da rua tomando um guaraná.

Olhando assim, parte-se para a decodificação de uma linha histórica dura de discurso para a prática de flexibilização que se concretiza nos últimos anos na já citada Lei 10.639, que estabelece História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas públicas e particulares, passando pelas Leis das Cotas em vários estados e universidades federais e a recente aprovada Lei 12.288, que institui o Estatuto da Igualdade Racial.

O melhor é saber que tais avanços não foram uma simples doação do Estado de Direito, mas que vem desde a insubordinação de escravos, está na formação dos quilombos, em décadas de luta contra o preconceito e pela observação dos direitos constitucionais, na incansável luta política dia a dia, ano a ano.

Pode-se dizer que a própria eleição do presidente-operário Lula faz parte dessa luta, assim como a eleição da primeira mulher em nosso país é a possibilidade real de garantir outros direitos, como a universalização por lei federal das políticas afirmativas que são as cotas raciais nas universidades, que não foram contempladas especificamente pelo Estatuto da Igualdade Racial.

Assim, o Dia da Consciência Negra é um dia em se conjugam séculos de resistências e lutas de todos os dias dos negros e de todas as minorias pela afirmação da Vida, da potência da Negritude.

UMA GENEALOGIA E ESCAMOTEAÇÕES DO RACISMO NO BRASIL

Aqui no Brasil o problema do racismo é mais social.” O enunciado foi proclamado em 1979 advindo nada menos do que da verve do Rei do Futebol e remete a uma ideologia americanizada.

Los brasileños dirão: “Lá vem sacanear Pelé esses cabeludos da Afin, esses fãs de Maradona, aquele cheirador.” Está claro que existe um preconceito de estratificação social senão não existiria um adjetivo nefasto como “pobretão”. Sim, e também há o de localização geográfica, como o dos amazonenses contra os paraenses, dos paulistas contra os nordestinos. Há o preconceito devido à diferença de crença religiosa, que analisaremos com profundidade em outro texto. Há ainda o preconceito que opera na ordem da sexualidade, entre várias outras formas de manifestação do estatuto da intolerância.

Todas as formas de preconceito operam a partir da fantasia, do irracional, do fascismo, em suma, a partir do “mais baixo grau de entendimento”, como diria Spinoza. Esses são os pontos molares que ligam as diversas formas de discriminação.

Mas há também pontos de distinção entre essas diversas formas de segregação. Sem nos ater a cada uma delas, distingamos na prática em que consiste o racismo. Tomemos o jogo ocorrido anteontem em que a Itália empatou em 1 a 1 com a Romênia, quando os italianos passaram a xingar com enunciados racistas o jogador Mario Balotelli. Não é a primeira vez que Balotelli sofre este tipo de ataque nazista. Pelo mundo, e mesmo no Brasil, onde os jogadores negros são em sua maioria, isso é um problema recorrente.

Acontece que nunca se viu algum fanático torcedor xingar um jogador chamando-o, por exemplo, de “branquelo”, enquanto há infindáveis exemplos de termos e expressões ofensivas contra jogadores negros. Ou seja, se um torcedor for xingar um jogador branco, fará de uma forma localizada e particular e não de uma forma universal e totalitária. É nisso que se constitui o racismo, ele ataca toda uma raça em todos os tempos e lugares. No Brasil há outras formas, mormente aos casos ligados à xenofobia, mas nada se compara ao racismo contra os negros.

Tomamos aqui o futebol para uma demonstração de como se preenche o abominável imaginário do racismo, assim como tomaremos para análise outros temas e áreas ligadas a questões em torno do Dia da Consciência Negra. Este dia, assim como toda a Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece “História e Cultura Afro-Brasileira” nas escolas, se faz fundamental na medida que o racismo é provavelmente a prática mais violenta arraigada historicamente no Brasil. Para tornar o racismo mais pernicioso ainda, há formas de escamoteação veiculadas às vezes até por cidadãos negros desavisados.

Muitos sociólogos e filósofos já estudaram essa questão, como a engajada literata Heloisa Buarque de Hollanda, que aponta essa forma “americanizada” que diria não haver racismo para um negro bem-sucedido. Ora, um negro conhecido mundialmente, que tira suas “casquinhas” com uma modelo loirinha e de olhos azuis que, após uma temporada como atriz pornô, viria a tornar-se a “Rainha dos Baixinhos”, só poderia oferecer o tri-campeonato mundial da seleção brasileira para as “criancinhas do Brasil”, enquanto entidades de Direitos Humanos pediam que ele o oferecesse aos negros e pobres. O enunciado proferido por Pelé não se esconde: “Não há racismo no Brasil” é sua verdadeira face. Dessa forma, não há racismo no Brasil e em lugar nenhum. Pelé pode até ser o Rei do Futebol, mas nas escamoteações do racismo não é o único. Outros negros vestiram o anátema da americanização, como o tresloucado Wilson Simonal, de quem se dizia ter sido informante da ditadura, e Toni Tornado, que se tornaria alienado ator globólico.

Em outras áreas, como na política, por exemplo, a situação é ainda pior. Depõem hoje contra essa “americanização do negro” a luta que Obama teve enfrentar para ser eleito. E podemos dizer que os argumentos torpes contra ele, mesmo após sua consolidação nas urnas (isso antes das últimas eleições parlamentares), não advém apenas de sua ineficiente, até então, política econômica.

Balotelli tem razão quando percebe que a questão não é individual. “Eu estava muito decepcionado ontem (quarta-feira) e não quis dizer nada. Sei apenas que não posso fazer nada sozinho. Todos precisam ajudar na luta contra o racismo”, diz ele. Assim é que todos os dias, negros “bem sucedidos” ou “homens simples do povo” lutam contra ofensas que, além de serem calúnias e difamações individuais, estigmatizam toda sua raça, todos os seus irmãos.

No Brasil, em todas as áreas, em toda a sua história, sempre houve resistência de muitos negros que não iam pelo viés americanizado. Para citar um exemplo apenas, desde a juventude até os dias de hoje, Paulo César Caju, craque do Botafogo e da seleção de 1978, sempre disse que os jogadores brasileiros são alienados, indiferentes e não sabem a força que tem.

E as questões da negritude são questões de todas as minorias. Assim, compañeros, Maradona, que, por sua ações, não se deixa estigmatizar pelos apedrejamentos moralistas e sempre salta das quatro linhas para a política e para a vida, está sempre, ao contrário de Pelé, engajado na liberdade e defesa dos direitos da pessoa humana. As outras formas de preconceitos não devem servir como escamoteação do racismo, mas sim para apresentar com mais clareza suas entranhas e criar a possibilidade de fissurá-lo no Brasil e em todo o mundo.

DIA DA CONSCIÊNCAI NEGRA: ATIVIDADE DA AFIN EM ESCOLA DE MANAUS

foto

Como se sabe, um dos trabalhos mais conhecidos e mais acessados deste bloguinho intempestivo é o trabalho realizado em torno das religiões afro-brasileiras. Daí que, em suas atividades em torno do Dia da Consciência Negra, a Escola Municipal Francisco Guedes de Queiroz, situada no bairro Tancredo Neves, na zona Leste de Manaus, convidou a Associação Filosofia Itinerante – AFIN para movimentar ontem (18) questões junto aos estudantes do turno noturno dessa escola. Um trabalho que a Afin vem realizando regularmente.

foto

Pra começar a atividade, foi exibido o curta-metragem Vista a Minha Pele, filme do diretor Joel Zito Araujo, realizado pelo Ministério da Educação (MEC) para auxiliar educadores no debate contra o preconceito racial. Causa estranhamento ao apresentar uma sociedade brasileira invertida, onde a classe dominante é a dos negros, sendo que os brancos foram escravizados e a grande maioria é pobre.

foto

A história gira em torno de Maria, uma menina branca e pobre, que estuda num colégio particular devido devido a uma bolsa concedida pelo fato de sua mãe ser faxineira da escola. Maria sofre muitas discriminações e segregações por parte dos colegas, menos de Luana, filha de um diplomata que viveu em países pobres, como a Inglaterra e a Alemanha. Uma das falas enunciativas do filme temos a que o pai de Maria diz: Há 500 anos seguramos esse país nas costas…

foto

A partir daí passou-se a uma conversa sobre as diversas formas de preconceito e discriminação apresentadas na sociedade brasileira e mundial, observando-se a linha dura que permeia todas elas e os pontos molares de distinção. Fixando-se uma conceituação clara sobre o que é e como se caracteriza o racismo.

Desmistificações e Afirmações das Religiões Afro-Brasileiras

Após a discussão sobre vários exemplos de discriminação racial, centramo-nos no debate em torno das religiões afro-brasileiras, detalhando algumas experiências nesses mais de três anos de trabalho deste bloguinho intempestivo sobre os diferentes tipos de cultos afro e as mistificações que muitas vezes sofrem.

Várias pessoas interviram com questionamentos e posições em todos os momentos, como o companheiro José: “Qual a forma de as religiões afro-descendentes cultuarem? Existe um local no qual as religiões afro cultuam suas entidades?

Conversamos sobre supostos motivos que podem levar uma pessoa à religiosidade, seja ou não de uma religião. Fizemos uma explanação da grande quantidade de formas de culto afro, que vão desde pessoas que cultuam individualmente em suas residências, outras que tem pequenas bancas, além de milhares de terreiros e barracões espalhados por toda a cidade de Manaus e todos os interiores do Amazonas. Citamos diversos exemplos na própria zona Leste, onde estávamos.

Outra questão importante foi a levantada pela companheira Sônia: “Eu gostaria de saber porque muitas pessoas dizem que os adeptos da Umbanda, do Candomblé vão para o inferno. Por quê, se somos todos filhos de Deus?”

Aproveitamos para afirmar que o nosso trabalho não é de ordem da catequização, mas da defesa da laicidade do Estado, que um dos motivos que nos levou a realizar esse trabalho foi justamente devido ao problema da intolerância religiosa que faz com que algumas denominações religiosas demonizem as religiões afro de forma errônea e leviana, neste caso considerado pela aluna, por exemplo, atrelado ao dogmatismo de religiões dominantes.

foto

Muitas outras questões surgiram e foram discutidas durante o evento, mas as companheiras acima já avisavam que o mata-broca, o ageum, como se diria na comida dos santos nos cultos afro, distribuída ao povo já estava pronta, então fomos pegar a canja numa comunhão religiosa, educativa, política.

foto
foto

EXPOSIÇÃO – PROJETO OXUMARÊ, A COR DA CULTURA

A Associação das Donas de Casa do Estado do Amazonas (ADCEA), observa a RES. 75/2010-CEE/AM:

Art. 4º – Recomendar às instituições de ensino que atentem para o desenvolvimento das Diretrizes Curriculares constantes na Resolução 03/99-CNE e Parecer Nº 14/99-CNE/CP, tomando providências para:

I – qualificar os educadores na temática afro-brasileira, africana e indígena, promovendo cursos, seminários, oficinas, intercâmbios e outras modalidades de estudo e aperfeiçoamento, estimulando e garantindo a sua participação;

Art. 6º – Considerar que a luta pela superação do preconceito e da discriminação é, pois, tarefa de todo e qualquer educador, independentemente de seu pertencimento étnico racial, crença religiosa ou posição política.

E por isso convida o público em geral para a:

EXPOSIÇÃO – PROJETO OXUMARÊ, A COR DA CULTURA

Acervo Fotográfico, Vídeo, Vestuários, Comidas, plantas e Rezas da Religião Afro brasileiro / Candomblé

ABERTO para visita de: EDUCADOR@S, PESQUISADOR@S e interessad@s

Data: Dia 19 de Novembro de 2010, das 10h às 16h

As 19h00min – Sessão Multicine (Vídeo MOJUBÁ e Heróis de todo Mundo)

LOCAL: YLÊ AXÉ

Rua 28, QD. 53, Casa 10 – Amazonino Mendes (Manaus-AM)

Contatos: (92) 9138-8790 / 8817-5345 / 9202-0775

SÓ OS HOMENS BRANCOS ESTÃO CONTENTES COM A REPRESENTATIVIDADE DE MULHERES E NEGROS NAS GRANDES EMPRESAS

Duas constatações da segregação racial e de gênero que perdura no Brasil foram confirmadas hoje pela pesquisa publicada pelo Instituto Ethos/Ibope, conforme foi observado em duas matérias na Rede Brasil Atual: a primeira que “mulheres e negros são barrados na diretoria de grandes empresas” e a segunda que “presidentes de grandes empresas consideram suficiente a presença de negros e mulheres”.

O levantamento voluntário, denominado “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas”, enviou questionários às 500 maiores empresas segundo ranking do anuário “Melhores e Maiores 2009″, da revista Exame.

De 1.162 diretores, há somente 119 mulheres executivas, o que corresponde a 13,7% do total dos executivos nessas empresas. Para acirrar ainda mais a disparidade, somente 6 mulheres – ou seja, 0,5% dessas mulheres – são negras ou pardas. No caso dos homens negros, apenas 5,3% são executivos nessas grandes empresas.

Segundo as notícias com os links acima, onde se pode colher números mais detalhados, a pesquisa tem como objetivo dar bases às corporações e ao poder público para combater a baixa presença de negros e mulheres nas empresas. “Esses estudos podem aproximar as empresas dos movimentos que estão acontecendo na sociedade. Queremos incentivar a criação de políticas afirmativas”, afirma o presidente do Ethos, Jorge Abrahão.

No entanto, pela posição dos presidentes das empresas, vê-se que não é tarefa fácil. A grande maioria dos presidentes, 85%, vê como normal – para não dizer natural – a representatividade das mulheres e dos negros no cargos executivos e até tentam justificar essa realidade.

Segundo eles, a baixa presença das mulheres e dos negros se dá devido a “falta de qualificação, ausência de interesse e de experiência. As mulheres são preteridas, na visão de 49% dos presidentes, por falta de conhecimento da empresa para lidar com as responsabilidades. Em relação a negros, 61% dos presidentes avalia que falta qualificação profissional”.

O ignominioso preconceito aparece bem ao se saber, pela pesquisa, que “as mulheres têm um número médio de anos de estudo superior ao dos homens (7,4, ante 7, respectivamente) e são maioria entre os brasileiros que atingiram pelo menos 11 anos de estudo”.

Por sua vez, Paulo Itacarambi, diretor-executivo do Instituto Ethos, percebe que “não há disposição para mudanças” e que “falta interesse de ações afirmativas para reverter o quadro (4% e 3% para mulheres e negros, respectivamente)”. “Segundo o estudo, 62% das empresas não têm nenhuma medida de incentivo à presença de mulheres em cargos de direção. Apenas 4% possuem ações nesse sentido planejada. O estímulo à participação dos negros tem um quadro ainda pior: 72% das empresas não tem nenhuma medida, enquanto apenas 3% têm metas específicas.”

Para Jorge Abrahão, “a desigualdade racial existente no universo corporativo resulta de uma questão cultural e da falta de ações afirmativas”. Ele cita o estabelecimento de cotas como uma possibilidade para as empresas irem revertendo esse nefasto quadro que demonstra todo o preconceito racista e machista ainda existente no Brasil, mesmo quando vemos um negro Obama, tornar-se o presidente dos Estados Unidos e, aqui mesmo no Brasil, termos recentemente elegido a primeira presidenta de nossa história.

Só os homens brancos estão contentes com a representatividade de mulheres e negros nas grandes empresas.

POLICIAL QUE TORTUROU LÍDER DO MOVIMENTO NEGRO DIZ QUE “A TORTURA É CULTURA E CORRIQUEIRA”

No dia 23 de outubro, policiais da Policia Militar da Bahia invadiram o Assentamento Dom Helder Câmara, em Ilhéus, área sob jurisdição do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Diante do fato, a líder religiosa do Candomblé, e militante do Movimento Negro, Bernadete Sousa Ferreira, se aproximou dos policiais perguntando sobre a causa da invasão, o que provocou uma discussão. Em seguida, segundo Bernadete, os policiais lhe prenderam, lhe algemaram e iniciaram a seção de tortura. Alegando desacato à autoridade.

A líder do Movimento Negro foi arrastada pelos cabelos e jogada em um formigueiro. A notícia envolvendo os policiais na tortura chegou até o governador reeleito da Bahia, Jacques Wagner, do Partido dos trabalhadores, através de denúncia feita pela entidade de defesa dos direitos dos negros, Movimento Negro Unificado, onde Bernadete é líder, e a União de Negros Pela Igualdade (Unegro), e mais outras entidades.

Hoje, o governador Jacques Wagner vai se encontrar com Bernadete e as entidades envolvidas na defesa dos direitos dos negros, onde irá analisar a grave situação produzida pelos policiais contra os direitos humanos.

Em sua defesa, a Polícia Militar, que ainda se encontra na comunidade de Banco Preto, onde mora Bernadete com mais 26 famílias de Sem Terra, afirmou que invadiu a área para procurar um homem que portava droga e havia se escondido na comunidade.

Por sua vez, o policial militar Maurício Lopes Lima, acusado como o líder da tortura, perguntado sobre a prática da tortura, respondeu: “A tortura é cultural e corriqueira”.

Um tema para ser discutido por toda sociedade brasileira. O que obriga a maior participação nas comemorações do Dia da Consciência Negra que serão realizadas na semana que vem entre os dias 15 e 20.

I SEMINÁRIO DE PERSONALIDADES NEGRAS NO AMAZONAS

Os Negros Minas, tão fortes e valentes,

onde não alcançaram com os braços,

alcançarão com sua fé e tradição em seus ancestrais.”

A Associação Movimento Orgulho Negro do Amazonas (AMONAM) organizou na sexta-feira passada, o I Seminário de Personalidades Negras do Amazonas, que contou com a presença de diversas pessoas que estão inseridas nas tradições da cultura negra, que são ligadas ao movimento negro na cidade de Manaus e que vêm fazendo um trabalho para diminuição do racismo no estado e cumprimento das leis que garantem o estatuto da cidadania ao negro no Brasil.

Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, presidnete da Fucabeam, juntamente com Pai Dantas e Pai Tota.

Além das palestras, juntamente com a Federação de Umbanda e Cultos Afros Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM), o AMONAM conferiu o Prêmio Personalidade Negra do Estado do Amazonas – Nestor Nascimento para aqueles que têm “relevantes trabalhos prestados e militância em defesa da cultura afrobrasileira em sua plenitude no Estado do Amazonas”. Vários babalorixás e pessoas atuantes quanto às causas negras receberam o prêmio. Neste caso, este bloguinho intempestivo também recebeu pelo contínuo trabalho que vêm realizando nos terreiros com as religiões afro, além do trabalho com a capoeira e na defesa dos direitos humanos das minorias excluídas de forma geral.

Conversamos com o presidente do AMONAM, Luiz Costa, que fez uma avaliação sobre os trabalhos realizados e os objetivos do movimento.

O AMONAM foi constituído oficialmente em 2006, e a gente se propõe a fazer uma luta contra a discriminação em todos os sentidos. Ele também tem por finalidade proteger e fazer todo um processo histórico sobre a cultura africana e afro-brasileira no estado do Amazonas. Ele foi criado para que a gente pudesse falar sobre a história, falar um pouco da influência dos africanos aqui no Brasil. Há sérios problemas aqui no Amazonas, porque pela forte presença indígena aqui muitas pessoas acabam por propagar que não tem negro no estado, o que uma visão mentirosa. Há muitos indígenas, mas há também muitos negros, a ponto, é preciso saber, que nós temos remanescentes no Amazonas de quinze quilombos, inclusive remanescentes urbanos de quilombos. A gente opera então de uma forma de levar educação, porque a Lei 10.639, que foi criada em 2003, que contempla a história e a cultura afro-brasileira, que partiu da cobrança da ONU em Dubai, para que os países fizessem uma reparação histórica com os descendentes africanos. Isso foi importante se reuniram as principais entidades que já militavam na causa negra desde o tempo da repressão. E eles conseguiram elaborar um plano nacional que contempla muita coisa mesmo. Então a gente procura trabalhar de forma, além de efetivar a Lei, também sensibilizar a população a perceber isso. E é isso que a gente tem feito, trabalhado para que as pessoas entendam e compreendam a necessidade de compreender e interpretar essa Lei.

Sobre o Prêmio Nestor Nascimento

Hoje esse prêmio fala de um grupo de pessoas que chegaram por aqui, uma parte maçons, outros eram militares que vieram de outros estados, criaram um grupo para defender e proteger esses grupos, e desde lá a gente vem trabalhando sucessivamente até chegar a mim agora, a minha presidência, que vai ser oficializada agora no final do mês. Desde o ano passado nós temos ido às escolas e outras instituições dando uma série de palestras. O Fórum ao qual o AMONAM está ligado tem uma parceria com o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e mais a Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH). Há muitas dificuldades na luta pela diminuição dessa condição de sub à qual a raça negra é submetida. A gente precisa aglutinar as ações, para que elas não fiquem isoladas. É importante dizer também que a gente tem avançado pelos interiores. Já fomos a Presidente Figueiredo, já fomos ao Novo Airão, já fomos a Manacapuru. No caso de Novo Airão, é muito importante porque lá tem um quilombo. O único quilombo com certificado aqui no estado do Amazonas está lá. Agora pro segundo semestre, estamos indo pra Barreirinha, que é um local que tem quinze comunidades. O AMONAM não é uma luta só de negros; é uma lutar para propagar informações e lutar de forma geral pra tornar a sociedade um pouco mais igualitária e um pouco justa. Quando eu falo pouco, é para inquietar, para que as pessoas comecem a pensar até onde vai esse pouco, levando-a com esse processo a questionar os mecanismos de segregação e preconceito que nós temos.

Sobre a intolerância religiosa

As religiões afro foram colocadas como demoníacas. O grande processo da Igreja Católica era baseado sobretudo naquilo que ela não reconhecia como sendo próprio da Igreja. Então houve a caça às bruxas, houve a inquisição, e os grupos negros também entraram nesse processo, a ponto de as pessoas não poderem demonstrar nenhuma capacidade fazer chás e outras práticas, pois já era chamado de mago e muito mais. A religião afro mexe, então, com uma coisa que as outras pessoas não tem domínio. Às vezes desperta a curiosidade, mas geralmente desperta um medo porque as pessoas não compreendem os mecanismos ali envolvidos. Por isso é necessário que as pessoa conheçam a religião com certa profundidade. Teria que ser assim com qualquer religião. A gente está avançando também na luta pelo respeito à religião. Hoje as pessoas viram e ouviram vários pais e mães de santo, e as pessoas receberam com muita simpatia.

Também conversamos com a atuante Joana Carmem Machado, que foi uma das palestrantes do seminário e que atua no movimento negro no estado vizinho Pará, envolvida em diversos projetos de inclusão sócio-cultural dos negros no Estado Democrático de Direito.

Eu sou do movimento negro do Estado do Pará, do CEDENPA (Centro de Defesa e Estudo do Negro do Pará). E na Universidade Federal do Pará (UFPA) nós temos o Grupo de Estudos Afro-Amazônicos, que é o NEAB. É o Movimento Negro dentro da academia discutindo as relações das questões etno-raciais, discutindo o papel do negro na sociedade, principalmente discutindo o acesso do negro dentro da universidade e a permanência dele dentro da universidade, como a ação do Gean, que é o Grupo de Estudo Afro-Amazônico. Em 2006, a gente entrou com processo de cotas da universidade. Demorou muito para o conselho votar, demorou 3 anos para o conselho colocar em votação, quando colocou, não foi a proposta que a gente tinha pautado. Já em 2008 quando, enfim, as cotas foram implementadas, onde 50% ou 40% é negra, o restante é escola pública. No outro dia as escolas particulares fizeram uma manifestação na rua, e tal, contra as cotas. Mas, enfim, já era fato consumado. E esse ano houve vestibular índigena. As primeiras turmas ingressaram com reserva de vagas para indígenas, 2 vagas dentro de cada curso da universidade. E agora a gente teve uma audiência com o reitor, no dia 25 agora, de maio, Dia da África, em que a gente entregou uma solicitação de cota para quilombolas. O reitor está convencido de que são necessárias, mas precisa levar para discussão do conselho. E agora a gente vai fazer uma ação via Ministério Público Federal, para a criação de cotas quilombolas na UFPA.

O intercâmbio com a África

Em 2006, três professores da UFPA foram para Guiné-Bissau como consultores do Unicef para fazer um trabalho com formação de professores e elaboração de material didático. A Jaqueline Serra-Freire, Salomão Lage e o Ilton Pereira da Silva. Os dois primeiros são do Centro de Educação, são pedagogos. E o Ilton, ele é do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA. E na volta deles para o Brasil começou um trabalho de estreitar as relações com a Guiné pela necessidade de implementação da lei 10639, e pela necessidade que a Guiné-Bissau têm na área educacional. Há um alto índice de analfabetismo, professores sem formação e nós estamos pretendendo fazer um intercâmbio de professores do Pará com a Guiné-Bissau. É uma proposta de fazer um ensino técnico e tecnológico na Guiné-Bissau com a estrutura que se tem no IFPA – Pará, onde têm os cursos de pesca, agricultura e agro-ecologia. Os professores de lá vindo para o Brasil com a experiência deles para serem formados, também aqui pelo IFPA – Pará. É uma proposta que nós estamos pautando agora dia 22, numa reunião que a gente vai para Brasília, conversar com a CETEC e com a CECAD.

Educação e diversidade afro-amazônica

Como aqui tem o Fórum Permanente de Educação e Diversidade, no Pará também tem o Fórum Permanente de Educação e Diversidade, em que o Gean, do Grupo de Estudo Afro-Amazônicos faz parte do Fórum. E a gente veio nessa troca de experiência e dizer o que o Fórum de Belém têm feito e o que o Fórum daqui de Manaus está fazendo, para vê se a gente consegue caminhar, dá uma implementação maior na lei 10639, por conta da carência que se tem de estudos africanos e inserção de africanos aqui no Amazonas. No Pará, a gente já tem conseguida andar um pouco mais por conta de estudos, de trabalhos já a nível de pós-graduação, do prof. Vicente Sales, da professora Naísa Virgulino, da professora Marilú Campelo, do professor Ilton da Silva, que é médico e esteve nesse convênio com a Guiné-Bissau. E a gente teve, em 2008, uma turma de especialização específica só para professores da rede estadual de ensino, para a implementação da lei 10639. O fruto dessa especialização, os próprios professores, que são da rede, já disseminaram , no curso de aperfeiçoamento em 5 municípios. E desses 5 municípios, cada um com 60 alunos. Então, já está acontecendo essa multiplicação, a partir dessa especialização. Ano passado se aprovou mais uma especialização pelo UNIAFRO, que é em saberes africanos e afro-brasileiros na Amazônia. E pelo UNIAFRO, agora mais duas turmas com a SEDUC, com recursos da SEDUC, que banca os estudos em 2 municípios, um em Belém e outro em Bragança. E também estamos participando da rede de formação de professores na Educação Básica, com projeto de 200 horas. Esse já vai ser em 4 municípios, um curso de aperfeiçoamento para a educação das relações etno-raciais, que eu vou dá a temática História e Cultura Africana e Afro-brasileira no âmbito do currículo. Então, é pouco ainda, para o contingente de professores, só na rede estadual são 37 mil professores. Então, ainda é pouco, mas a gente tem avançado, principalmente nesses estudos africanos e afro-diaspóricos na Amazônia, tem-se se debruçado. E a Casa Brasil-África, que é uma instituição dentro da UFPA, tá discutindo agora um mestrado, também em nível de intercâmbio, mas já com Cabo Verde. Intercâmbio entre Cabo Verde e Brasil para o curso de mestrado na temática da diáspora africana.

Vim falar disso e mobilizar as pessoas para também comporem o Fórum, não é. E o Movimento Negro na participação dessa construção, dessa participação na formação desses professores. Se você vê a Lei 10.639, você tem que ler a ação do Movimento Negro. Então, se o Movimento Negro foi capaz de mudar, de alterar a legislação brasileira, o Movimento têm também condições de fazer a formação desses professores, de ajudar esses professores por dentro dessas instituições.

A questão da mestiçagem

Eu acho que o preconceito contra os paraenses tem menos perigo aqui que a questão dos mestiços. Mas isso é uma questão tão ampla. A mestiçagem, ela apaga qualquer ato de diferença. Você já viu branco dizer que é mestiço? Ah, somos um país de mestiços. O IBGE não tem nenhum instrumento estatístico que trata a mestiçagem como uma série de identificação. Não há nenhuma política voltada para a questão mestiça. Quem é que vai se identificar enquanto mestiço? Não tem nenhum dado, nenhum instrumento estatístico que faça a diferença entre branco, negro e mestiço. Porque a mestiçagem é um projeto que foi posto neste país para apagar as diferenças. Hoje na apresentação dos meninos, em que eles cantavam ao Amazonas, que se referia aos rios, a floresta e o fenótipo das crianças muito mais ameríndios que negros. Tu vias nitidamente as marcas diferentes ali. O fenótipo ameríndio mais o som, o ritmo africano. E eu vou dizer que isto é mestiçagem? Não. Eu tenho que dá a César o que é de César, não é camarada? O ritmo é africano, isso aqui é africanidade na Amazônia. Eu não posso apagar isso e colocar na vala da mestiçagem. Por que a mestiçagem acaba com toda essa diversidade. Por que tenta unificar. Nós somos diferentes, nós não somos iguais. Nós somos diferentes. Agora os tratamentos precisam ser iguais. A igualdade de direitos são iguais. Agora é preciso marcar diferenças, e a mestiçagem, ela destrói as diferenças.

Próxima Página »


Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Você quer um corte de cabelo para completar o seu corpo ativo vá ao SALÃO DO SOUZA, o cabelereiro do executivo. Rua Rio Javari- Vieiralves

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
SORVETERIA SEMPRE FRIO (Todos os dias, na Praça de Alimentação do Dom Pedro).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Efeitos Justos para Suas Causas.
ADVOGADO ARNALDO TRIBUZY - RUA COMENDADOR CLEMENTINO, 379, SALA C (8114-5043 / 3234-6084).

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Frente Blogueira LGBT

Outras Comunalidades

   

Categorias

Blog Stats

  • 2,485,564 hits

Páginas

 

junho 2012
D S T Q Q S S
« mai    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 77 other followers