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FESTA AFINADA NATALINA EM MAIS UMA CRIAÇÃO DOMINICAL

Neste último domingo a Afin realizou junto com as crianças e toda rapaziada do Novo Aleixo uma grande festança pós-natalina com muita alegria, presentes e um delicioso jantar que incluia Vatapá, Bacalhau, Frango assado, Bolo e outros doces.

Porém a festa começou mesmo com a projeção cinematográfica com o vídeo do Projeto Quatro Cantos com a música brasileira natalina “Bate o sino” cujo video já postamos aqui neste bloguinho.

Durante a festa várias brincadeiras e adivinhações foram feitas mostrando o sentido lúdico do fazer-a-festa e que envolveram até os pais que estavam presentes.

E com a chegada do novo ano já começou na própria festa um esquenta da tradicional Bandinha do Outro Lado, que há quatro anos cria o movimento dionisiante pelo bairro do Novo Aleixo. O talentoso percursinista Rian mostrou que está com o batuque pronto para o carnaval, acompanhando algumas marchinhas no atabaque sem sair do ritmo.

Do ritmo carnavalesco para a música bailante de um ballet, que a sempre afinada Bia veio da Cidade Nova para apresentar-se para as crianças e deixou muitos olhos em sua sapatilha, mostrando na sua disposição e talento como uma jovem artista um deslocamento da vida já constituida.

Após mais algumas brincadeiras e jogos chegou o momento tão esperado… a distribuição dos brinquedos. Para fazer uma entrega mais democrática cada criança recebeu uma senha aleatória que correspondia a um número colado em algum brinquedo. Como os outros acasos desta vida a entrega poderia propiciar algo inesperado como um menino ganhar uma boneca ou um conjunto de fogãozinho e panelinhas. Só que como cada recebeu pela ‘graça do destino’ seu presente, caberia somente a ele decidir se trocaria com outra criança, ficaria com o presente, ou daria a alguém.

Assim conforme os acasos dos números foram sendo intregue os brinquedos e fazendo a alegria de todas as crianças. Cada novo brinquedo que era distribuido era celebrado e caso a criança desejasse trocar com alguém se conversava e assim recebia seus brinquedos.

Aderson mais conhecido como Vizinho mostraseu presente trazido pelo acaso: uma boneca

O jovem Yuri recebe afinadamente uma flauta para compor novos sons em sua vida.

E assim continuou a distribução até a última senha com todas as crianças presentes ganho seu brinquedo para neste novo ano poder com seu talento e criação, brincar e ter outras formas de se relacionar.

Por fim foi distribuido os deliciosos desbrocantes natalinos com bacalhau, vatapá,frango, arroz e muitas outros comes e bebes que celebrou a criação artística afinada de um novo ano realizador por todos nós.

E a partir deste domingo, o kinemasófico começa sua programação com a eleição feita pelas crianças e projeção dos melhores cinemas do ano de 2011 e que muitas imagens novas e produtivas continuem kinemasofikando nós crianças.

NELSON NOEL EM OUTRO NATAL EM COMUNALIDADES

Nesta vespera de Natal, a festa natalina não foi a mesma em Manaus. Isto pois mais uma vez o empresário e sorveteiro Nelson Rocha fez mais um Natal Solidário, evento que começou há 10 anos, e que faz a alegria das crianças e adultos Zonas mais empobrecidas e esquecidas da cidade: a Norte e Leste. Com ajuda de doações da comunidade (como fardos de açucar ) , Nelson vem realizando o Nelson Noel distribuindo 30 mil sorvetes a cada ano.

Os afinados conversaram com Nelson Noel sobre a história deste encontro comunitário e sobre a alegria que tem em mais um ano realizar esta festa com as crianças, jovens e adultos.

“O Nelson Noel surgiu quando eu nem distribuía sorvetes. Um dia vendo uma mulher descolorindo os pelos dos braços, das pernas e eu aproveitei e passei na barba e uma  amiga fez um gorro de papai Noel. Eu sai pela rua sem sorvete nem nada e percebi que as crianças me viam como papai Noel. Isto tem quase 20 anos e eu passei quase 10 anos sem pensar em nada. Quando foi em 2002 eu comecei a distribuir sorvete aqui no núcleo 5 da Cidade Nova e não era nem copinho, era caixinha de sorvete. Aí no outro ano já tomei gosto, já fiz roupa de papai Noel, aí fizemos todo o núcleo 5 levando 1000 copinhos de sorvete. Aí sucessivamente 2, 4,5, 10, 15 mil sorvetes e nestes últimos três anos, quatro contando com este ano a gente consegue distribuir 30 mil sorvetes em 5 bairros: Núcleo 5 da Cidade Nova, Bairro Nossa Senhora Perpétuo Socorro, Novo Aleixo, Carlinhos da Carbrás (Parque São Pedro) e Riacho Doce. Este ano além dos 30 mil sorvetes fizemos a confecção feita por mim desde o início até o final desde a mesa até a forma estou fazendo o maior picolé, segundo as pesquisas que eu fiz na internet, estou fazendo o maior picolé do mundo, deve entrar pro livro do Guiness Book com quase 2 metros e 80 de comprimento, 70 centímetros de largura, por 25 centímetros de altura com aproximadamente 450 litros de sorvete dentro desta forma de picolé. As crianças de toda a redondeza foram convidadas para vir comer o sorvete. A medida que ele for medido, fotografado, filmado, ele irá para degustação. É o mesmo sorvete que entregamos todo o ano em forma de um picolé gigante. Fazer este picolé foi um pouco de desafio por que o funileiro que faria a forma falhou, então eu mesmo tive que fazer a forma, fiz e fiquei com receio tremendo de não dar certo, mas deu certo.

Nesta festa o meu eu empresário fica distante deste evento por que na verdade estas coisas que eu faço toda é o Nelson Noel que faz e não faz só. Temos ajuda de muita gente tanto do núcleo 5 quanto da cidade de Manaus quase toda, pessoas que conheço, eu ligo, peço auxílio, alguém doa um fardo de açúcar, leite, um produto básico mas nunca doa dinheiro. É um trabalho junto com todas as pessoas, até gente de fora de Brasília, de Goiânia e neste caso mandam dinheiro por que fica difícil mandar um fardo de açúcar e a gente transforma isto nesta alegria que a gente faz todo ano. A minha festa maior é o sorriso da criança, aquilo que me motiva a cada ano a fazer mais, mais e mais. É uma festa feita pelas comunidades e para as comunidades.”

Porém neste natal de 2011 o sorveteiro Nelson trouxe uma novidade que certamente marcou a data na história: o maior picolé do mundo….. amazônico pelo menos. Um picolé gigante com 2 metros e 80 centímetros de comprimento e mais de 70 de largura fez a criançada da Cidade Nova, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e dos arredores trazerem suas sacolas, vasilhames, panelas para levar para casa um pedaço desta iguaria feita nos sabores uva, chocolate e creme.

Segundo as pesquisas este é o maior picolé do Brasil e provavelmente do mundo. Depois da partilha do sorvete recordista para todos os presentes, a comunidade junto com o bom Nelson Noel sairam em carreata para distribuir os sorvetes para o núcleo 5, e a comunidade toda se encheu de alegria para receber o Noelson.

“ Este trabalho é importante, por que no núcleo 5 só tem ele ajudando e mais ninguém. Este trabalho é um ótimo começo por que se todos fizessem um pouquinho melhoraria. Graças a Deus este trabalho está evoluindo cada vez mais e que ele continue sempre assim. Antes era só aqueles sorvetinhos derretidos agora já é picolé e já melhorou sendo esta iniciativa muito boa.” Ana  Francisca, Núcleo 5 Cidade Nova.

A carreata de Nelson Noel saiu pelas ruas da Cidade Nova distribuindo sorvetes levando alegria e logo chegou na comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde foi recebido com festa por todos os moradores, inclusive adultos, os trabalhadores e os passageiros dentro dos ônibus.

Nesta caminhada afectante encontramos a costureira Carmen que contou um pouco sobre a importância do trabalho de Nelson Noel para toda a comunidade:

“Este trabalho é muito bom, alegra as crianças desta comunidade que é mais carente, as crianças gostam de sorvete. Todo ano ele faz isto, este rapaz, aí eu acho importante por que eu moro aqui há 10 anos e nestes dez anos eu vejo ele fazer isto aí. É algo muito legal tanto pra criança quanto pros adultos, pois doce alegra todo mundo, tanto faz a idade” Carmen Libório, Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.”

E como não faltam crianças atrás dos deliciosos sorvetes de Nelson Noel, depois da Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, a comitiva seguiu para um rápido reabastecimento na fabrica e já rumou para o Novo Aleixo, comunidade onde a Afin tem atividades fixas há 5 anos.

Dentre as diversas ruas onde Nelson Noel passou estava também a rua Rio Jaú, onde as crianças esperavam o encontro na casa da afinada Miriam, onde logo mais estarão no cinema nesta noite, e se deliciaram com a arte sorvelística natalina. Com os carros passando, toda a comunidade saiu para saldar o bom Noelson que trazia sua presença e um doce na vida da comunidade.

Todos deixaram seus afazeres para se juntar aos vizinhos para ver a comitiva da alegria passado pelo bairro. Nesta entrega sorvetal Nelson encontrou e se emocionou no caminhar ao lado de diversas crianças.

Do Novo Aleixo mais uma rápida passagem pela fábrica onde conversamos com Roberval Silva, morador do núcleo 5 que sempre auxilia o Nelson Noel e nos contou um pouco desta participação na construção de uma comunidade mais alegre:

Tenho acompanhado desde o começo este trabalho excelente que o Nelson faz e que dificilmente as pessoas fazem algo assim. E ele faz todo ano, deixa a barba crescer passa o ano todinho com a barba crescendo e depois todo dia 24 ele faz este trabalho legal e a gente acompanha a distribuição dos picolés com ele, fazendo voluntariamente também.  Eu ajudo também na fabricação dos sorvetes dando um fardo de açucar por que ele usa muito para fazer tanto picolé e a comunidade ajuda, muitos outros como o Chico, o pessoal da taberna  por que este trabalho é único. O benefício que traz para a comunidade é a alegria enorme para as crianças e até pros adultos que as vezes pegam mais que as crianças. A gente passa pelas invasões, como a Carbrás, que é uma coisa incrivel tanta criança, e para o Nelson é muito legal pois ele adora fazer isto. Ano passado fomos e em uma casa tinha um deficiente físico na cama, aí entramos na casa da senhora por que ele queria ver o papai Noel,e chamamos o Nelson que entrou na casa e começou a chorar e eu chorei assim como todo mundo que tava lá dentro por que é um negócio muito de coração que ele faz”

sobree logo a carreata seguiu rumo o Parque São Pedro, que também é conhecido como Carlinhos da Carbrás, onde a comunidade recepcionou com vários sorrisos e abraços Nelson Noel por mais um ano de encontro na comunidade.

No fim da tarde, Nelson Noel fez o último percurso rumo ao Bairro Riacho Doce onde foram soltados os rojões e comemorou-se mais um natal de comunalidades organizado comunitariamente junto com Nelson Rocha, ou melhor Nelson Noel.

E no fim desta andança nas comunidades Nelson Noel abençoou o pessoal da Afin desejando um ano de novas criações nas comunidades de Manaus, além de mandar um feliz natal a todos os leitores do bloguinho e os corpos de todo o mundo, para que possam deixar todas as privações e viver uma vida em feliz natal..

Nelson Noel dá benção para alguns membros da Afin

E ai vai um picolézinho?


UM NATAL-MUSICAL DA BAHIA PARA O MUNDO

NO NATAL DOS CATADORES DE MATERIAL RECICLÁVEL DILMA SE COMPROMETE A COMBATER CRIMES CONTRA MORADORES DE RUA

Participando do natal dos catadores de material reciclável, a presidenta Dilma Vana Rousseff, se defrontou com uma denúncia grave feita por uma das participantes sobre a violência executada contra os moradores de rua.

A líder dos catadores Maria Lúcia apresentou à presidenta uma lista informando os assassinatos, só neste ano de 2011, de 142 moradores de rua. Muito preocupada com a revelação, Dilma, se comprometeu a dialogar com os governadores para ver se conseguem acabar com essa violência que ela chamou de “limpeza humana”.

“Muitas vezes, o que está ocorrendo é uma limpeza humana nas grandes cidades deste país.

Nós temos todo um dever em relação à população de rua e o primeiro deles é proteger a vida e proteger contra a violência. O governo federal vai fazer tudo o que puder para impedir que haja nas cidades e nos estados esse nível de violência que vocês estão aqui denunciando. Não controlamos a polícia dos governadores, mas acho fundamental criar com eles um diálogo para impedir isso que a Maria Lúcia, veio aqui denunciar. E que não denunciou tudo, conforme ela me disse”, se comprometeu Dilma.

A presidenta durante seu discurso disse que os catadores deveriam se associar em cooperativas que o governo poderia auxiliá-los através do Plano Brasil Sem Miséria. Disse também que o governo pretende incentivar os catadores para se qualificarem e trabalharem no aproveitamento dos resíduos sólidos para que essa atividade passe a ter importância econômica. Dilma pediu ainda a colaboração das lideranças para que organizem os cadastros dos catadores para que eles sejam atingidos pelas políticas do governo.

“Essa atividade tem que ter conseqüências econômicas e sociais. Nossa maior preocupação é construir cooperativas e associações. É garantir que os catadores tenham a proteção de uma organização forte para, de fato, atuar na sociedade.

Eu juro para vocês que farei o possível e o impossível para que este país, as populações que até então foram marginalizadas sejam de fato, a partir do fim do meu governo, cada mais populações com direitos, com oportunidades e, sobretudo, com elevada autoestima. Saibam que todos nós temos que ter responsabilidade conosco mesmo, mas também com toda a sociedade”, considerou a presidenta.

Depois ela foi encontra-se com o ex-presidente Lula, criador da cerimônia de natal dos catadores que hoje faz parte da agenda presidencial, para lhe entregar um presente concedido por seus companheiros e companheiras catadoras e catadores de material reciclável.

Durante todos os anos de seus dois mandatos Lula participou ativamente na festa dos catadores e catadoras.  

LULA ENVIA MENSAGEM DE BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO AOS BRASILEIROS

São Paulo, 22 de dezembro de 2011

“Minhas amigas e meus amigos
O ano de 2011 vai terminando e este momento especial do Natal, de confraternização com a família e os amigos, permite reforçar os laços de afeto e união para começarmos um novo ciclo com muita energia e amor.
Neste final de ano, quero agradecer de coração todo o carinho que recebi em 2011. A solidariedade de tantos amigos do Brasil e de outros países tem me ajudado muito durante o meu tratamento.
Desejo que todos tenham muita saúde, paz e prosperidade neste ano que vai começar. Vamos continuar juntos em 2012 com a presidenta Dilma, construindo um Brasil e um mundo cada vez melhor, mais justo e mais solidário.
Um forte abraço,
Luiz Inácio Lula da Silva”

OUTRA AFETIVIDADE DISTRIBUTIVA SORVETAL DO PAPAI NOELSON

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Clique nas imagens para vê-las de perto.

Em sua eticidade prática no mundo, indo além da redução comercial, o companheiro Nelson Rocha transmuda-se todos os anos, todos os dias do ano em Papai Noelson, ou Nelson Noel, que se plenifica sempre no dia 24 de dezembro, véspera do Natal, com a distribuição afetiva de sorvetes de sua fábrica, que transbordam na afetividade necessária para fazer a festa num encontro intenso de risos, abraços, sabores e conversas com humor e inteligência que apontam para novas práticas no mundo. Dessa vez, além dos bairros tradicionais – Núcleo 5 da Cidade Nova, Comunidade Maria do Perpétuo Socorro, Novo Aleixo e Carlinhos da Carbrás -, estava prevista também a distribuição no bairro Riacho Doce.

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Pela primeira vez presente na distribuição sorvetal, a bela Erêndira fez observações sobre sua experiência que vão além do sentido capitalístico de Natal – “Então é Natal…” -, percebendo ao mesmo tempo a alegria do encontro e a realidade objetiva massacrante que pode ser lucrativa para quem vive de explorar a miséria.

Eu achei engraçado que as pessoas que estavam comigo não sabiam às vezes como lidar com toda aquela criançada, mas acabava dando certo. Eu achei engraçado como as pessoas ficam felizes, não é só pelo sorvete que estão pegando. É como uma brincadeira. Eu achei interessante também, ao mesmo tempo que não é bom, ver o pessoal jogando de um lado para outro do igarapé. O que era aquilo? Igarapé é maneira de falar, só tem lama e imundície ali. É bom porque as pessoas que estão aqui ajudando não estão fazendo uma coisa porque tem que ser feito, elas estão fazendo porque gostam de fazer isso. Eu vi imagens que não gostaria de ver. Você ver uma criança sem roupas, próximo ou saltando num, entre aspas, igarapé, com uma água verde como aquele produto limpol de eucalipto, ali perto uma rua que não é asfaltada. É uma brincadeira, mas na verdade todas as crianças, e os adultos também, deveriam ter acesso a sorvete… quero dizer, muito mais, quero dizer de todas as suas necessidades básicas.

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E enquanto a garotada chega correndo, sentindo a presença do Natal como nascimento do Novo, Eri resolveu tornar-se uma repórter deste bloguinho intempestivo e tomou do gravador, envolvendo-se em uma outra natalização atuante de dizeres que vão por aí abaixo.

Eu faço isso não querendo favorecer ninguém, assim como não quero nada em troca, mas para me sentir bem de alma, de espírito. Eu me senti feliz porque eu já tinha isso mesmo de me doar para as pessoas, as pessoas mais carentes, mais próximas. Eu faço isso assim, para os meus semelhantes, igual como os ensinamentos de Jesus Cristo: ‘Amar o próximo como a si mesmo’.” (Cristian)

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Eu faço essa carreata porque eu me sinto alegre em ver as crianças alegres nesse projeto que o Nelson faz, junto com a gente e todo esse pessoal, tudo é muito maravilhoso. Eu me sinto feliz, parece cansativo, mas é prazeroso, sempre que eu puder eu estarei aqui participando.” (Antônio)

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Eu acho esse trabalho que o nosso Papai Noel faz maravilhoso, é um trabalho chique do Nelson Noel, é muito bom ter contato com as crianças, com as pessoas humildes. Eu ainda não tinha visto isso. Eu sou paraense, sou lá de Monte Alegre. Hoje eu estive aqui fazendo uma caridade de coração. É uma questão de carinho, de estar prestando um serviço, e hoje eu estou aqui abençoada por Deus, porque Jesus nasceu na Lapa. Já ouviu: ‘Noite feliz!…’” (Alijete do 5)

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Este bloguinho, que conhece em suas linhas o trabalho do Noelson há anos, aproveita para registrar a constatação do descaso do poder público com a cidade de Manaus. De ano a ano percebe-se que há aqui na verdade uma não-cidade. A diferença de um ano para outro no trajeto que o Noelson faz é que um buraco se tornou uma cratera, que uma rua, várias ruas se tornaram intransitáveis.

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O companheiro Garnizé, nos seus 80 anos, falou sobre o trabalho do Noelson em não se submeter às fantasias lucrativas, e passou para as compreensões do que ele está vendo, depois de todas essas décadas, acontecer no Brasil. De Noelson a Lula e Dilma. Canta, Garnizé:

Eu conheço o Nelson desde 1973. Eu acompanho todos os anos, e acho uma coisa fantástica. É gente assim que tem que existir mais no mundo. O Nelson é uma pessoa boa. Ele não tem interesse pra ele não. O interesse dele é fazer coisas boas para as pessoas. Ele vem fazendo isso desde quando o Lula entrou. O Lula é um pai deste país. Não teve outro igual a ele. E eu acho que a Dilma vai fazer um governo maravilhoso. Mulher é muito inteligente, tem o pensamento muito mais rápido e percebe muito melhor as coisas do que os homens.

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Vitória, conhecida como a Mamãe Noelson, relatou a forma como se deu, sob sua coordenação, a atividade distributiva da fábrica Sempre Frio de sorvetes e sorvelitos.

É muito bom fazer isso. É trabalhoso organizar. Mas depois de todos esses anos a gente já sabe bem o caminho para organizar da melhor forma possível. Foi satisfatório. Só houve mais criança – a gente sentiu -, mais gente para pegar sorvete. Nós resolvemos fazer também mais um bairro, o Riacho Doce. Há muito tempo, quando era uma coisa bem menor, nós fomos lá uma vez, e agora resolvemos fazer o trabalho lá também todos os anos.

Que o amor nasça no coração de cada pessoa, que só o amor transforma. Só o amor pode tirar a violência, pode tirar a miséria. Tá faltando amor nos nossos governantes. A transformação é de dentro pra fora. A gente leva nesse sorvete um pouco de esperança, de alegria, de comunhão.

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Finalmente, o Noelson revelou em seus dizeres os entendimentos afetivos e políticos-filosofantes da atividade da qual é centro propulsor, explicando a diferença entre sua atividade e as atividades assistencialistas, e como não poderia ser diferente, analisou o momento atual da política brasileira.

A expectativa maior minha é ver dois homens descendo, José Alencar descendo junto com Lula, e Dilma subindo é a continuação dessa luta que se concretizou desde 1989 com a primeira candidatura de Lula à Presidência. Perdeu para o Collor; aliás, perdeu para a Rede Globo.

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Nós fizemos esse ano esse evento sem nenhuma ‘banda’, sem grana. Desde o ano passado que eu estou em crise econômica. Vai acabar fechando. Mas a fábrica é a fábrica. A gente fecha uma, faz outra em outro lugar, e, de qualquer forma, sempre se dá um jeito de movimentar o Nelson Noel. Foi meio difícil fazer, mas eu sou persistente, e consegui tudo. Até aumentei o trajeto, fazendo também o Riacho Doce.

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Esse trabalho que a gente faz, tem que ficar claro isso, não é um trabalho assistencialista. A comunidade toda participa, e é uma festa imensa, enorme. Assistencialismo é uma outra coisa, que tem uma conotação política, ruim, feia, de quem utiliza a miséria. Por exemplo, nós temos um governo municipal aqui que fez, e que faz, e todo um grupo político que sempre agiu com assistencialismo. O trabalho que a gente faz é só reunir um monte de pessoas que querem fazer uma coisa. Aí nós vamos e fazemos.

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E é nesses percursos e engendramentos do Noelson, Vitória, Vitorinha, Erêndira, Nelsinho e toda a comunidade do Núcleo 5, assim como diversas pessoas nos outros bairros, todos atuantes numa afetividade que carrega o verdadeiro Natal, como Nascimento da alegria, do amor, do humor, da festa, da construção de uma cidade, de um mundo para além do estado de coisas constituído.

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NATAL EM DOIS CONTOS

UM CONTO

O menino estava sentado na frente de sua casa muito triste. Não por ser pobre e ser véspera de natal, mas porque sua mãe estava doente e, como eram pobres, não tinha dinheiro para comprar um remédio que ela necessitava.

Com o olhar perdido em sua dor, o menino de repente foi despertado por um papel enrolado no meio da rua. O menino, curioso, levantou-se e foi até o local onde se encontrava o papel enrolado.

Tal não foi o susto do menino quando ele viu que o papel enrolado era dinheiro. Ficou surpreso de alegre, e alegre correu para comprar o remédio que a mãe necessitava naquele momento.

Na volta da farmácia, o menino, muito contente, encontrou outro menino no meio da rua chorando, olhando para o chão como se procurasse alguma coisa. Ele então se aproximou do menino que estava chorando e perguntou por que ele estava chorando. O menino respondeu que foi comprar um presente de natal para sua mãe, mas perdeu o dinheiro.

Ele então contou que havia achado um dinheiro que poderia ser o que ele perdeu e comprou remédio para sua mãe. Os dois ficaram em silêncio. Depois começaram a caminhar tristes, chegando ao cruzamento de duas ruas. Na esquina à direita da rua em que estavam tinha um circo, e na frente o dono do circo muito preocupado. Quando viu os garotos, correu para junto deles dizendo que havia muita gente no circo e um dos seus artistas, um garoto que fazia acrobacia, piruetas como no hip-hop, estava doente e não podia fazer seu número. Então perguntou se algum deles sabia dançar o hip-hop para substituir o menino doente, que ele pagaria. O menino cuja mãe estava doente sorriu e disse que sabia.

Contente, o homem levou os dois para o circo, o menino fez sua apresentação, e foi muito aplaudido. Um sucesso para o público e o dono do circo, que retribuiu com um bom pagamento. Os dois meninos saíram felizes. Já na rua, o menino cuja mãe estava doente deu todo o dinheiro que ganhou com seu talento de artista para o menino que perdeu o dinheiro. Ele viu que era mais do que tinha perdido, e devolveu o resto para o menino artista, que não quis aceitar.

Como nenhum queria ficar com o resto do dinheiro, entraram num acordo: compraram uma bola para cada um, e o que sobrou compraram duas taças para os campeões dos torneios de pelada que cada um ia fazer na rua onde moravam no dia de natal.

OUTRO CONTO

O ambiente era o mais luxuoso possível para uma noite de natal. E as iguarias e bebidas as mais sofisticadas para acompanhar o ambiente luxuoso. Tudo parecia mais uma superprodução hollywoodiana do que uma comemoração cristã como pedia na antiguidade cristiana essa celebração. Não, ali tudo tinha que seguir os anseios cristãos dos personagens que lhe davam a função de ser.

Gargalhadas, ruídos de talheres, estouros de rolhas de champanhas, de vez em quando uma canção natalina cortando as vozes de Roberto Carlos, Simone e Fábio Júnior, entre outros. Um quadro digno da estética dos presentes.

Foi então que a meia-noite anunciou o nascimento do Homem amante da Vida. O Homem que não inventou a dívida, a culpa, o castigo, a vingança, o ressentimento, o rancor, a inveja, a ganância, a luxúria, a prepotência, a arrogância, a perseguição, a hipocrisia, o julgamento, mas somente o amor que constrói o viver como o próximo.

No repicar dos sinos e fogos, começaram os votos de boas festas e felicitações entre os presentes. “Então é Natal!” Um político eleito usando a miséria do povo, sem qualquer escrúpulo moral, abraçou seu filho e, chorando, desejou-lhe sucesso na vida. Um empresário, cuja riqueza foi construída com malversações auxiliadas por homens públicos, abraçou sua mulher, dizendo: “Cristo foi muito bondoso conosco, meu amor. Que tudo continue assim”. Ao que ela respondeu: “Na graça de Deus, meu amor”. Um médico para o qual a medicina serviu apenas para ocupar cargo no governo, ao ver sua mulher se dirigindo a ele para felicitá-lo, desviou a tempo e foi abraçar um senador.

Então é Natal!” Uma juíza que teve sua carreira erguida na submissão diante dos governadores, desejou, em nome da Justiça, um “feliz natal para todos!”. Um jovem advogado, que antes se encontrava em animado papo com um delegado de polícia, abraçou sua noiva, apertando seu braço esquerdo, admoestando-a que se ela se esquivasse de conversar com a mulher do delegado ele iria encher sua cara de porrada. A mãe de uma menina, levando-a para um dos cantos do salão, reprimiu-a severamente porque ela lhe confessara que naquele momento havia tido sua primeira menstruação. Um professor universitário ligou para sua mulher desejando “feliz natal”, lamentando não poder estar com ela por não ter conseguido voo, mas estava aproveitando para colocar em dias alguns documentos da universidade. “Então é Natal!” Um garoto bateu com uma garrafa de champanha em outro garoto porque este dissera que ia ganhar um presente do Papai Noel mais caro que o dele. Um banqueiro abraçou a mulher de seu sócio, desejando-lhe “feliz natal”, ao mesmo tempo que apertava sua bunda. Ao que ela, sorrindo, respondeu: “E próspero Ano Novo!”

E, nessa ordem moral, se desenrolaram as felicitações de “Feliz Natal!”. Até que um pastor de uma igreja ligada com os empresários e políticos lembrou que era momento de orar e agradecer a Deus por tudo que Ele havia proporcionado de bom para os presentes, ao que todos concordaram e oraram agradecendo a bondade de Deus para com eles.

Depois caíram de boca e estômago nas comilanças e bebidas, porque era Natal, momento de fartura e descontração em homenagem ao Filho de Deus Pai. Aquele que a quem protege nada de mau acontece.

ENQUANTO CRISTO É FESTA, O GOVERNADOR CHORA SEM NATAL

A Vida é uma Festa!

Cristo, o evangelista, o Devir do Amor, da Nova Semiótica, o Companheiro dos homens livres, é filosofante. Porque a filosofia é uma Festa. E Cristo, como filosofante, com suas ações conduz à Festa. A Alegria como Estética de novos saberes e novos dizeres. A Educação transcendente dos sentidos e da cognição para que os homens não sucumbam na privação imposta pelos tiranos, onde os sentidos e a cognição encontram-se em estado entrópico, impossibilitados do sensível e do intelectível como matéria do exterior. O que sustenta os ímpios.

Mas eis que o entendimento oficial, em Manaus, apanhou a sonoridade e a grafia do nome Cristo, e se pôs a caricaturá-lo. Confeccionou um bonecão, crente ser a imagem de Cristo, chamou o espírito de Michael Jackson, lançou luzes lagrimosas(?), pegou a sempre disposta Ednelza Saddo, mais a condescendente Lucilene Castro, embrulhou canoa com celular, fez que mexeu e mandou bronca.

Sentadinhos em seus pontos indicativos estavam as designadas autoridades, o governador Eduardo Braga, com seu inseparável séquito, e o representante teo-metafísico, Dom Luiz. Bonecão-antiCristo pra lá, Michael Jackson pra cá, Ednelza e Lucilene para acolá, e vamos que vamos. É o espírito natalino do secretário de Educação, com sua trupe projetando na Praça São Sebastião imagens super-dimensionadas, produtos de suas internalizações imagéticas que não se metamorfosearam em ideias. Imagens de objetos amplificados com pretensão à elevação hipnogógica. Inebriamento pelo espetacular. Um recurso mágico para ocultar o vazio das Ideias. Ampliar as formas áudio-visuais no exterior com intenção de causar efeito de grandeza manipuladora. Síndrome do Colosso de Rodes. Em Hitler, grandes exércitos, grandes aviões e tanques de guerra, na urbe inadequada, grandes edifícios na 5ª Avenida, grandes pontes, grandes elevados, grandes estádios de futebol, tudo hiper, ou macro, mas tudo sem força, presos na ordem da impotência.

Terminado o cerimonial hipnótico, entrou em cena a sempre e boa amestrada imprensa. Entrevistando o governador sobre o que viu e ouviu, ele, Eduardo Braga, não se conteve: chorou. Pronto, estava comprovada a caricata festa anticristã. Se tudo que se refere a Cristo, o amoroso, é Festa, é Alegria, se o governador chora em um ritual que se dizia cristão, nada havia de Cristo. Comprova-se mais ainda quando Dom Luiz, embasbacado, afirma que é o maior Auto de Natal do Brasil. Logo ele, uma santidade usando o peso e a medida para invocar o espírito de Cristo. Assim, de acordo com as autoridades, não houve Natal, e muito menos Cristo. Mas a imprensa não viu o que o governador e o prelado viram.

No outro dia, a comprovação maior do caricato natalino. Pessoas que passavam na avenida Eduardo Ribeiro, e ruas adjacentes, viam, atrás do Teatro Amazonas, jogado, aquele que a oficialidade tentou passar como o espírito de Cristo: o bonecão anticristão.

NATAL SEM JESUS CRISTO

Foi o filósofo alemão Nietzsche quem melhor entendeu historicamente o homem revolucionário Jesus Cristo. Foi ele quem o chamou de mais amoroso, o que carregava o Devir do Novo. Cristo, o que pregava a libertação das almas individuais do julgo da tirania para construir a liberdade coletiva. O Cristo, que não pregou o sentimento da culpa, do remorso, da redenção, do ressentimento, do rancor, da dívida eterna. Mas um Cristo sublime, singular, que vai além da superstição. Um Cristo Amor Comunalidade.

Entretanto, assim como a democracia é uma enunciação coletiva processada ainda na infância, como educação, quando os pais, como companheiros de seus filhos, não carregam ensinamentos, mas conduzem um diálogo, como diz o filósofo Buber, o Afeto-Deus é resultante dessa criação amiga ou não. A Democracia é uma vivência coletiva produzida em família, assim como o Afeto-Deus. Se os pais conduzem seus filhos no diálogo, eles serão Democratas entrelaçados no Afeto-Deus. Ao contrário, quando os pais são apenas representações dirigidas por forças de captura, seus filhos se disporão a todas as formas de tirania e, consequentemente, seus deus será uma fantasia.

Desta forma, o capitalismo consumista captura os dizeres de uma sociedade transformando toda sorte de expressões em objeto de lucro, mercadoria. Nisso as festas comemorativas cronológicas são muito bem aproveitadas. Até mesmo as cristãs. É assim que se expressa o conceito de Natal da oficialidade estadual no Amazonas.

Amparados por uma enunciação que se queria poética, sem nada carregar da poesia como singularidade do Novo, o governo do Amazonas, através de sua Secretaria de Cultura, conduzida por afecções místicas e míticas, recorreu ao senhor imortal Max Carpentier para mostrar que entende de Deus e Família.

Em uma cidade zonafranqueada, os personagens oficiais, muito distantes do sentido de beleza do filósofo Aristóteles, e mais ainda do sentido do filósofo alemão Schelling, para quem a beleza é a afirmação da liberdade humana, como soe acontecer nessa última década, deram continuidade à aberração do que eles entendem de Natal.

Feudalizaram a Praça São Sebastião – que colonizadamente chamam de Largo – e transformaram-na em uma macabra cerimônia da vitória da tecnologia predadora como enunciação cristã em conluio com falsos artistas e desatentos pais, que entregaram seus filhos para serem coadjuvantes do uso perverso do nome de Jesus Cristo com propósito eleitoral. Nada do que expressa Cristo.

Todavia, apesar do ‘alegro desbum’ oficial natalino, a maior parte da população de Manaus, principalmente a suburbana, sequer soube da armadilha governamental. Sequer soube do hollywoodianismo delirante promovido pela classe média ignara conduzida por seus representantes governamentais.

Resultado: a caricatura oficial fomentada pelo ex-governador Amazonino e continuada no governo dos Bragas, teima em se manter como escárnio. Natal para eles só sem Jesus Cristo. Com a complacência de Dom Luiz que viu, maravilhado, a presença de Jesus Cristo na cerimônia macabra sem condições de terapia teratológica.

O que o povo entende.

A AFETIVIDADE DISTRIBUTIVA SORVETAL DO PAPAI NOELSON

Papai Noelson 2009 01 por você.

E outra vez o Papai Noelson saiu pelas ruas de Manô compartilhando com a criançada de todas as idades seus afetos alegres construtores de uma festa coletiva natalina no gosto do sorvelito como prenúncio de uma ludicidade democrática que tomou conta de toda a moçada que o acompanha.

Papai Noelson 2009 04 por você.


Durante o percurso, que compreende o Núcleo 5 da Cidade Nova, a Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o Novo Aleixo e o Parque São Pedro (conhecido como invasão Carlinhos da Carbrás), este bloguinho intempestivo conversou com pessoas que deixaram seus dizeres-entendimentos de vivências reais na cidade.

Isso animou o pessoal porque aqui é muito triste, não tem animação de nada e com isso aqui o pessoal se empolgou e foi no bolo. Eu moro aqui há 8 anos e nunca vi uma coisa dessas, até me assustei e disse minha filha tá cheio de papai noel aqui, aí meus filhos tudo correram atrás, aqui são 6 crianças.” (Helena, Novo Aleixo)

Papai Noelson 2009 05 por você.


A gente deseja a todos de manaus um feliz natal, um feliz ano novo e que essas festas aconteçam com paz e amor, que as pessoas possam brincar com respeito uns com os outros pra que todo mundo passe as festas em paz. Esse papai noel é novidade pra gente aqui na rua e as crianças gostam, todas as crianças acreditam, qualquer papai noel que vê eles gostam. É importante esse trabalho que foi feito pra que as crianças se animem e aprendam o verdadeiro significado do natal, é importante isso.” (Julineia, Novo Aleixo)

Papai Noelson 2009 11 por você.

Papai Noelson 2009 07 por você.

É muito bonito o que eles tão fazendo porque as crianças tavam precisando disso, pra eles tudo é bem vindo. Eu desejo toda a felicidade pras pessoas daqui do parque são pedro e um feliz natal pra todo mundo. Estamos aguardando que o ano que vem seja melhor, porque a maioria dos politicos não quer nem olhar pras pessoas, eles não tão nem aí. E nós desejamos que eles ajudem as pessoas porque as crianças merecem muito mais do que isso. Quem é o grande papai noel? Eu diria que é o Lula, ne? Ele é o grande papai noel daqui.” (Maria, Parque São Pedro)

Papai Noelson 2009 12 por você.


Eu acho isso importante pras crianças porque nem todas tem oportunidade de ganhar um presente. Eles fazem isso já há muito tempo e eu já espero todo ano. E eu espero que no ano que vem mude pra melhor.”

Papai Noelson 2009 21 por você.

Papai Noelson 2009 20 por você.

Ano que vem a gente precisa prestar mais atenção em quem vai vir, né? Aqui não tem nenhum papai noel, só quando eles precisam quem vem atrás dos pobres. Ninguém ajuda ninguém, nem os deputados. Alguém que esteja fazendo bem pro povo é só o Lula, né? Não tem mais ninguém não.”

Papai Noelson 2009 23 por você.


Eu acho isso muito importante pra comunidade porque tem muita criança aqui que não pode comprar nenhum sorvete e picolé. Acho muito bonito, ano passado ele teve aqui e hoje de novo. E pro ano que vem eu acho que a gente deve escolher muito bem em quem votar pra não ser enganado.”

Papai Noelson 2009 27 por você.


Eu acho isso uma maravilha porque aqui é um bairro carente, ainda mais nessa data, que ta difícil pra todo mundo. Inclusive eu acredito que se pudesse fazer isso todo ano os meninos iam ficar alegres e satisfeitos. Eu acho que as pessoas que se apresentam nessa data, a maioria é por interesse e pra se beneficiar. Não só nessa data mas em muitas outras. E eles querem só se beneficiar e quando tão no poder esquecem dos bairros carentes. Hoje praticamente poucos fazem alguma coisa e não são todos que merecem esse título de papai noel. Uma parte deles não merece de jeito nenhum porque se aproveitam das necessidades das pessoas carentes pra se beneficiar. Mas no momento a gente tem asfalto, energia, a rede d’água que não tá funcionando. A gente ainda precisa de muita coisa aqui no bairro e espera que os próximos governantes consigam obter essa graça pra nós. Porque rapaz é a corrupção que a gente vê pelo país, a gente vendo o dinheiro público descendo pelo ralo e a pobreza crescendo cada vez mais. Precisamos de segurança, apoio médico, no geral. A corrupção é grande e é uns encobrindo os outros. No brasil a corrupçao é muito grande envolvendo os políticos que a gente votou, botou a maior confiança e hoje são a maior decepção pra população. Olha, aqui no Brasil, apesar de todas as dificuldades, eu dou um voto pro presidente Lula pra tudo o que ele fez e continua fazendo. Apesar de ele não governar só e ter a equipe dele, mas eu não tenho nem o que lamentar porque eles estão no poder e aperar de tudo eu dou um voto pro presidente Lula. E eu acho que no momento a Dilma é a única pessoa que é capaz de dar continuidade no trabalho que ele tá fazendo.”

Papai Noelson 2009 28 por você.


E finalmente o Papai Noelson fez a sua avaliação do evento, dos percursos e engendramentos que levaram a mais um ano de realização do natal-nascimento de novas formas de relações no mundo. Então, Noelson:

Nós fizemos a mesma quantidade, nos mesmos bairros, com a diferença que este ano foi sorvelito. É muito importante que a gente não desembolsou um centavo do bolso porque a situação não tava muito boa e os amigos participaram, todos os amigos, até os amigos que não via há muitos anos que se organizaram pra fazer esse papai noelson de novo este ano. Foi mais importante e gratificante. Ocorreu que sobrou um pouco de sorvete esse ano e talvez ano que vem a gente consiga fazer, se tivermos condições físicas, a gente consiga fazer mais um bairro, não é mais um bairro, mas é a parte de baixo ali da Carbrás. Porque ano passado uma pessoa chegou com a gente e perguntou porque todo ano só acontece na parte de cima, quando a parte de baixo que é a mais carente, onde ninguém passa. Aí eu disse pra ele que o papai noel ia conversar com o proprietário e que com certeza ano que vem a gente ia passar lá em baixo também. No mais os meus agradecimentos à comunidade do Núcleo 5, é muito importante o apoio do Afinsophia e da Croma Produções, através do seu Leoni, dona Mônia e um feliz natal pra todos.

O papai noel gostaria que manaus fosse bem administrada, porque Manaus tá muito carente de administração municipal, o prefeito atual deixa muito a desejar e a gente percebe nesses bairros que vamos passando, até aqui próximo no núcleo 5, no Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com o esgoto a céu aberto no barzinho que eu bebo ali, coisas possíveis de se fazer e nenhum administrador municipal tomou a iniciativa de fazer.

As eleições ano que vem quem vai levar é a Dilma Roussef. É a eleição certa para o Brasil continuar a crescer. A gente, por acaso, começou a fazer o Papai Noelson em 2002, que foi o primeiro ano de governo Lula, e agora faremos de tudo para a continuação democrática de seu governo. E, para isso, tem que dar Dilma Roussef.

Papai Noelson 2009 31 por você.

Papai Noelson 2009 35 por você.

Papai Noelson 2009 36 por você.

A ÉTICA DO PAPAI-NOELSON

A ÉTICA DO PAPAI-NOELSON

Papai-Noelson – o Nelson – é daqueles caras que um dia, como comerciante, diz: “Se não é para dividir, não há porque sorrir”. Sim, o Papai-Noelson sabe que a vida é uma festa e que a privação é produção do homem, como diz Marx, e que a privação não é uma condição da filosofia, como enuncia o filósofo Toni Negri. Papai-Noelson, com seu sorvete para as crianças pelos Natais, é filósofo como Marx e Toni Negri.

Papai-Noelson, filosofante, salta pelos sorvetes e picolés “natalizados”, escrevendo pelas ruas de Manaus que no capitalismo quanto mais se multiplica diminui o amor (Belchior), e impossibilita o homem de andar, com tanto peso do lucro para carregar. E não há infelicidade maior para um capitalista do que não poder carregar suas fantasias lucrativas.

Mas a questão é que há uma perversa condição dessa dor capitalista, é que ele interfere nos movimentos dos fluxos econômico e social de uma sociedade, causando sofrimento em grande parte dessa sociedade. Uma moral que não fica só no capitalista infelicitado por suas multiplicações, mas toca também no conjunto social.

O Papai-Noelson escapou duas vezes de ser capturado por essa infelicidade. Uma, porque não conseguiu multiplicar seu lucro. Pelo contrário, para sair esse ano com seus sorvetes e picolés distributivos, teve que contar com auxílio de alguns comunitários. Duas, porque sacou o que move a alegria do existir ontologicamente: a solidariedade sem compaixão e sem culpa. Uma espécie de descarga de consciência maldosa, como fazem muitos. Inclusive governos. E sua práxis é totalmente contrária a essa consciência maldosa.

O Papai-Noelson quer a festa! Mas a festa do comer filosofante! E nisso as crianças são filosofantes, e ele entende!

TRÊS REIS MAGOS PERDIDOS EM UMA CIDADE SUJA

Aproximando-se a meia-noite do nascimento do sagrado bebê, filho de Maria e José, concebido pela graça do Espírito Santo, e que se chamaria Jesus Cristo, e seria pregado na cruz pelos ímpios, que usariam seu nome santo para proteger seus atos infames, os três Reis Magos – Baltazar, Melchior e Gaspar – preparam-se, juntamente com os presentes a serem ofertados ao bom bebê, para seguir viajem a Belém, cidade natal de Jesus.

Contagiados pela alegria, montaram em seus camelos e seguiram rumo a dentro para a cidade de Jesus, cantando felizes a música paraense, “Jesus em Belém foi nascer, quem me dera morrer em Belém do Pará. Ta aqui o tucupi, tem mais o jambu, quem quer camarão, quem quer tacacá”. Cantando, inebriados pela celestial missão, e no sacolejo das corcovas dos camelos, os Reis Magos dormiram confiantes que seus animais sabiam o caminho.

Horas depois, perturbados pelo barulho dos cascos dos camelos em um chão sólido, acordaram. Surpresos, perceberam que estavam em uma praça. Mais surpreso ainda ficaram quando entenderam que se tratava de uma praça adornada com elementos alegóricos querendo insinuar ser referentes a Jesus. Ficaram observando todo o cenário, quando escutaram um homem, com modos servis, falar como seria a festa do Natal, e depois passou a ler um texto fazendo referência ao Natal com analogias às tecnologias. Também ouviram outro homem servil afirmar que Papai Noel desceria em um guindaste para tornar o espetáculo natalino mais realista. Viram muitas crianças ensaiando uma coreografia para a dita festa, com seus pais maravilhados. Confusos, se interrogaram se ali onde se encontravam era a cidade de Belém. Sentiram uma forte decepção. Como não tinham certeza se a cidade era Belém, resolveram ali mesmo formar um Conselho para discutir o que fazer para descobrir o enigma geográfico-urbano.

OS REIS MAGOS DESCOBREM MANAUS

No final do Conselho, chegaram ao consenso que deveriam andar pela cidade e conversar com pessoas para saber que cidade estranha era aquela. Procuram uma estalagem para deixar seus camelos, mas só encontraram estacionamentos. O proprietário de um estacionamento, vendo que algumas crianças estavam atraídas pelos camelos, e sentindo a possibilidade de levantar uma grana exibindo os camelos, aceitou que os animais ali ficassem, mesmo ameaçado de ser multado pela prefeitura ávida por dinheiro.

Resolvida a questão ‘cameloante’, os Reis Magos se puseram a itinerar. Chegaram próximo de uma banca de vender jornais e leram as manchetes: “Prefeito Amazonino é cassado pela insigne juíza Maria Eunice Torres dos Nascimento”; “Deputado estadual Wallace Souza, depois de cassado, foi preso suspeito de autoria de vários crimes”; “Vice prefeito é preso por suspeita de cumplicidade com seu irmão Wallace”; “Vereadores aprovam taxa do lixo”. “Vereadores rejeitam os pedidos de impeachment”, etc. Diante das notícias jurídicas/policiais, bradaram em uníssono: “Arre, égua! Aqui não pode ser Belém. A cobrança dos impostos mostra muito bem!” Então resolveram pegar um ônibus. Depois de duas horas esperando, que aproveitaram para conversar com o povo, conseguiram entrar em um totalmente avariado, além de superlotado. Depois de uns quilômetros, resolveram descer. Logo na descida, os três caíram em um buraco e foram sair no quintal da casa de uma senhora que esta assando um jaraqui. A senhora, sorrindo, perguntou se eles eram servidos no comer do povo. Provaram um pouco do peixe, gostaram, disseram que era o alimento do Senhor, e logo em seguida perguntaram o preço. A senhora disse e eles tomaram um puta susto, exclamando: “Como pode um peixe do povo ter esse preço?!”. Deram duas moedas de ouro à senhora e partiram. Passaram por uma escola caindo aos pedaços e disseram: “Como que uma criança pode aprender em um lugar como esse?” Viram operários trabalhando em uma construção sem nenhuma proteção. Viram meninas se prostituindo, rapazes se drogando, outdoor de propaganda dos governantes, deputados e senadores, todos usando o nome de Jesus.

Sentaram em uns bancos em uma calçada onde uma senhora vendia churrasco de peixe, pediram três, e começaram a papear com a mulher. Em poucos minutos a senhora falou que naquela cidade o povo sofria muito com falta de emprego, falta de moradia, falta de água, falta de energia, falta de segurança, e eles, pensativos, não acreditavam que aquela cidade com tanta pobreza e tanta violência instituída pudesse ser Belém, a terra natal de Jesus Cristo. Pagaram a senhora com três moedas de ouro, e aproveitaram para pegar um ônibus que parou logo em frente.

Depois de muito empurra-empurra, amassa-amassa e solavancos, desceram do ônibus ouvindo um homem gritar dentro do veículo para uma moça: “Quer conforto? Pega um táxi, otária. Aqui quem for podre que se foda! Aqui é a Zona Leste, porra! Tá achando ruim? Vota outra vez nesse prefeito!” Uns dez metros à frente um homem pediu uma esmola, dizendo ser para comprar o Natal de seus filhos. Recebendo cada um uma dose de 25 centavos nos rostos, eles deram uma moeda de prata ao bom pai. Embrenharam-se por ruas e mais ruas. Quando deram por si, perceberam que estavam no meio do mato e já era noite. Caminharam mais alguns metros na escuridão, quando viram distante uma luz.

Seguiram em direção à luz. Conforme iam se aproximando, começaram a ouvir diálogos familiares. Chegaram bem perto, viram algumas pessoas pobres assistindo contentes uma peça de teatro, encenada por atores amadores, que contava a história do nascimento de Cristo. Um casal que sai do interior para a jovem-mãe ter o filho na cidade, porque onde os dois moravam não havia qualquer condição para o parto. Chegados à cidade, os dois passam por todos os sofrimentos que a miséria administrativa impõe ao povo. Assalto, ameaça, expulsão, falta de assistência hospitalar para o nascimento da criança, total ausência de solidariedade. Só que sempre protegidos contra o pior por dois anjos. Então, depois de não conseguirem nada na cidade para a realização do parto, eles são empurrados para a periferia. Entram no mato e encontram um grupo de pessoas que os acolhem. A criança nasce em parto natural feito por uma parteira do grupo, meia-noite, na chegada de Natal.

Foi, então, que eles entenderam que a cidade que eles atravessaram não era Belém, o lugar onde o menino Jesus ia nascer. Belém era o lugar distante onde eles se encontravam no meio do povo, participando pela primeira vez em suas histórias do nascimento de Jesus Cristo, em presença.

Muito felizes com o que viram e participaram, distribuíram presentes e moedas de ouro aos atores e aos moradores da comunidade, que converteram as moedas de ouro – que eram muitas – em real e aplicaram na comunidade, asfaltando as ruas, melhorando as casas, saneamento básico, escola, posto médico, o necessário para viver dignamente. Movidos pela práxis política, elegeram um prefeito. Como a comunidade era fora da cidade, nenhuma dita autoridade da cidade miserável teve ingerência sobre ela. Assim, viveram por muitos e muitos anos, até o momento em que a Terra desapareceu.

NATAL, CATADORES DE PAPEL, MORADORES DE RUA, MARCELINHO E LULA

Como já vem acontecendo em vários anos, o governo federal realiza junto aos moradores de rua e catadores de papel um Natal simbólico apresentando, principalmente, as políticas sociais que envolvem esses profissionais que vivem do trabalho de coleta de lixo da cidade de São Paulo.

Na comemoração de hoje, além de várias pessoas ligadas ao tema social como moradores de rua, representantes de sindicatos, entidades sociais, representantes do governo federal, e, mormente, o presidente Lula, compareceu – em função de seu engajamento em trabalhos sociais -, como tem ocorrido nos últimos dois anos, o craque Marcelinho Carioca, ex-corintiano, escolhido pela diretoria como o embaixador do clube mosquiteiro no ano de seu centenário.

Marcelinho, entusiasmado, diante dos moradores de rua, catadores de papel, e as entidades, fez discurso e passou às mãos de Lula – torcedor fanático do Coringão – a camisa de Nº 100, simbolizando as festividades que ocorrerão durante todo ano de 2010. Já consignado de “Senhor Centenário”, Marcelinho participará do amistoso contra a equipe do Huracán, da Argentina, a ser realizado no dia 13 de janeiro.

Infelizmente, no futebol brasileiro, entre jogadores de futebol, comissão técnica, dirigentes e mídia esportiva, Marcelinho é um dos poucos que arrisca a pensar.

VEREADORES SE LIXAM PARA POPULAÇÃO E APROVAM TAXA DO LIXO

O lixo urbano é o resíduo produzido pelas relações econômica e social dos habitantes de uma cidade. Como resíduo, ele envolve os conceitos de higiene e saúde coletiva. O que determina o entendimento de que é preciso uma política coletiva para que ele não se torne em elemento pernicioso à população. O que exige um compromisso educacional dos governos e da população. O lixo é uma questão de educação sanitária.

Com a evolução tecnológica que atingiu essa produção residual nas cidades, o lixo não é mais o grande inimigo da saúde como em anos passados. O processo de reciclagem de alguns objetos tido como lixo, mudou a concepção exclusiva de lixo como impasse social. O que obrigou, também, a classificação do lixo para melhor aproveitamento.

Na cidade, podem ser encontradas três categorias de lixo: o lixo doméstico, o lixo comercial e o lixo industrial. Em relação à administração pública, as duas últimas categorias são as que mais atingem os governantes. Isto porque, quando há um abuso de lixo deambulado pelo comércio e a indústria na cidade, as chamadas autoridades têm dificuldade de lidar com esse caso, em virtude do receio que têm de melindrar essas classes que, politicamente, são sempre suas parceiras em eleições. Já a primeira categoria é mais fácil de lidar, não por eficiência da administração pública, mas pelo próprio sentido histórico-cultural que as famílias têm sobre suas obrigações quanto à limpeza da cidade. É mais fácil os moradores tratarem seus lixos pensando na saúde e limpeza da cidade do que a própria administração pública.

Manaus é bom exemplo desse entendimento. Manaus é uma cidade suja, não por causa do lixo doméstico, mas por ineficiência e descaso da prefeitura. Diga-se, do prefeito da cidade e seus auxiliares. O serviço de coleta de lixo da cidade é visivelmente ineficiente. O lixo da cidade é bem visto pelos urubus, entretanto, mal visto (miopia-urbana) pelos responsáveis pela limpeza pública.

Foi nessa realidade lixeira, visual e olfativa, e em meio ao lixo moral com o vice-prefeito Carlos Souza, sendo preso, acusado de participação em quadrilha comandada por seu irmão, Wallace, que a maioria – sete votaram contra – dos vereadores, se lixando para a população, mas cordeiramente submissos ao prefeito cassado Amazonino Mendes, aprovou o projeto de cobrança da taxa do lixo em que obriga os moradores da cidade, de acordo com sua relação de moradia, pagar uma taxa sobre a coleta urbana. Uma violência municipal, posto que o pagamento da coleta do lixo doméstico pelos moradores encontra-se implícito nos impostos municipais que a população paga. O que permite aos manauaras entenderem que a cobrança desse imposto, além de ser um ato arbitrário do prefeito, em conluio com seus submissos vereadores, confirma, além da violência social, a certeza que grande parte da população tem dessa administração: que ela é dotada de um grande desprezo pela população e carrega profunda limitação cognitiva para administrar a coisa pública.

Desta maneira, comenta-se, indignado, entre o lixo da cidade, que esse é o presente natalino que o prefeito e seus servos dão à população. Mas ao mesmo tempo comenta-se, esperançado, que o presente real vem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deferindo ao prefeito sua cassação.

OUTRO NATAL COMUNITÁRIO DO PAPAI NOELSON

.“Eu falei pra você que ele.

.existia; ele veio e ele está aqui.”.

Noelson 2008 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Natal é nascimento. Natal é surgimento do Novo. E é por isso que Nelson Rocha, sua companheira Vitória, seus filhos, vários amigos e várias famílias da comunidade do Núcleo 5 da Cidade Nova, zona Norte de Manaus, todos entrando num comprometimento comunitário, no dia 24 de dezembro, todo ano envolvem-se com a alegria de compartilhar uma farta distribuição de sorvete em alguns bairros de Manaus. Este ano de 2008, foram 30 mil copinhos, tudo produzido com materiais doados por comunitários na fábrica de sorvetes Sempre Frio, da qual Nelson é proprietário. Mas agora ele já vai Papai Noelson…

Noelson 2008 02 por você.

Noelson 2008 03 por você.

Noelson 2008 05 por você.

Noelson 2008 06 por você.

Vitória, batizada comunitariamente de Mamãe Noelson, que auxilia em todos os preparativos para a caminhada e é a responsável direta pela barba do Papai Noelson, nos falou de suas emoções na organização do evento:

É muito importante o evento. Agora vai ficar igual o carnaval, todo ano, já faz parte do nosso calendário anual. Você é que ganha o presente vendo tanta gente feliz. Só quem participa pra ver tanta emoção. Eu ainda repito, eu digo pro Nelson quando ele falou: “Vamos vê, parece que não vai ter, porque esse ano tá difícil.” “Nelson como é que vai ser o nosso Natal? E o Papai Noel? O que a gente vai fazer?” Não gosto nem de pensar, se a gente vai ficar em casa eu não vou olhar nem lá fora. Porque é muito importante. A gente vê que a gente vai chegando nos cantos e eles já estão: “Olha, eles vieram de novo, eles vêm todo ano. É bem pouquinho, mas é uma gota no oceano o que a gente faz, mas é o que nós podemos fazer. E com certeza naquele copo de sorvete vai amor, porque só amor mesmo pra fazer o que a gente faz, só amor.

Noelson 2008 08 por você.

Noelson 2008 10 por você.

Eu já nem acho mais difícil a organização. A única coisa difícil é a falta de grana. Pra mim já se tornou assim corriqueiro, só que às vezes falta mais é grana. Agente fica muito apertado. A gente sabe que precisa do vil metal pra fazer qualquer coisa. Mas a gente apertou de um lado, e apertou do outro, ajuntou, e deu, acabou dando. Fazer a barba do Papai Noel, que eu já tô ficando craque, o Papai Noel descoloriu três vezes a barba e o cabelo, foi descolorindo aos poucos, é um sacrifício. Pra mim a parte mais difícil é a barba do Nelson. Mas é bom o evento, é maravilhoso. A gente consegue tirar o pessoal de casa dia 24, uma data que o pessoal quer tá fazendo a ceia, quer tá no salão. Pergunta se eu quero faltar? A gente consegue mobilizar, é incrível, mas consegue. O pessoal liga, se preocupa: Vitória, e aí, tá certo? Vitória, eu tô indo, que horas eu vou? Em que eu posso ajudar? Então é muito bom, vale a pena.

Noelson 2008 07 por você.

Noelson 2008 11 por você.

Noelson 2008 04 por você.

Noelson 2008 15 por você.

Durante o transcurso pelos quatro bairros — Núcleo 5 da Cidade Nova, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Novo Aleixo e Parque São Pedro (conhecido como invasão da Carbrás) — este bloguinho acompanhou a caravana Papai Noelson e registrou, além das imagens, também algumas falas do solidário encontro natalino:

É muito bom porque alegra as crianças, é uma grande coisa que eles estão fazendo, que deus abençoe eles.

Noelson 2008 20 por você.

Noelson 2008 17 por você.

Noelson 2008 13 por você.

Meu nome é Loira e eu acho excelente a idéia deles porque as crianças ficam fascinadas, desde o início da manhã que nós estamos observando elas se preparando pro evento.

Noelson 2008 22 por você.

Noelson 2008 23 por você.

Eu acho muito legal, porque tem muita criança, coitada, que quer tomar um sorvete e não pode. Não só aqui como lá em baixo. Lá em baixo é muito bom, aqui tem pouca criança, mas lá tem muita criança. Tá vendo essa menina aqui, a gente foi buscar no orfanato pra passar o final de semana, o natal e o ano novo. Então é um modo de ajudar. Todo mundo fazendo sua partezinha é igual como uma formiguinha, fazendo sua parte, graças a deus, todo mundo chega lá. (Dona Socorro)

Noelson 2008 24 por você.

Noelson 2008 25 por você.

Ah! é muito importante sim, essa data é muito importante, todas as crianças gostam, ficam felizes, é só ver a quantidade de criança correndo atrás do carro. Tem criança que não tem nada mesmo e ganha sorvete, é muito bom. Acho muito bom pras crianças, e a gente que é adulto também não vai dispensar um sorvetinho. (Amélia)

Noelson 2008 32 por você.

Noelson 2008 36 por você.

Noelson 2008 35 por você.

Conversamos também com algumas pessoas envolvidas nessa atividade, juntamente com Nelson e Vitória, algumas que entraram recentemente e outros que já estão há muitos e muitos anos nessa caminhada, como o casal Franciane e Mota.

Franciane: Participação nossa é que a gente ajuda a entregar os ofícios, agilizar, quando não tem nenhum policiamento a gente liga. Eu tô desde o primeiro ano. Eu conheci o Nelson na Beijo Frio, primeiro, no tempo que existia a sorveteria na Djalma Batista. Ele realmente foi o cupido e eu tô há tantos anos com o meu marido, 15 anos.

Noelson 2008 42 por você.

Mota: Ele foi o cupido na caminhada na caminhada de namoro. Conheço o Nelson há 22 anos. Há 20 anos atrás nós conhecemos o Nelson, na época era a Beijo Frio, que hoje passou a Sempre Frio. O sorvete foi tão bom que fez com que eu casasse com ela, e continua bom. Começamos a distribuir sorvete pras pessoas carentes em 2002 e até hoje, graças a Deus nós somos felizes, eu e minha esposa acompanhamos essa carreata com eles. E espero que deus abençoe ele sempre nessa caminhada. Estamos com ele nesse percurso. Abençoe ele a cada ano, eu, minha esposa e meu filho pra conquistar essa batalha.

Noelson 2008 43 por você.

Noelson 2008 47 por você.

O companheiro Evilásio, que acompanha o Nelson desde criança, fala de sua relação com ele e de sua experiência em todos esses anos de Papai Noelson:

Quando eu tinha 12 anos eu fui morar com ele. A minha carteira foi assinada quando eu tinha 14 anos. Com 16 anos eu saí e montei meu próprio negócio e fiquei comprando sorvete dele… Essa caminhada eu faço com ele há vários anos, praticamente desde o início. Como voluntário, porque não tem mesmo nenhuma forma de pagamento, é por amor mesmo. É muito importante, muitas pessoas, as crianças correndo atrás de um sorvete. A felicidade no rosto de cada criança quando recebe o sorvete. É uma alegria tremenda.

Noelson 2008 48 por você.

Noelson 2008 50 por você.

Enfim, para falar desse ato todo, que envolve toda a comunidade, crianças e jovens participando ativamente na distribuição, a criançada que corre e também os adultos que, como disse Amélia um pouco acima, não dispensa um bom sorvete, acompanhado da subjetividade de um encontro coletivo de amizade, de verdadeira solidariedade, de amor, afeto, comunhão, com a palavra Papai Noelson:

Nós fizemos, não gastamos nada, a comunidade toda participou, assim como no ano passado, esse ano muito mais forte ainda. Até o carro de som foi só a gasolina. A festa foi bem organizada, sem desperdício, deu para entregar sorvete pra todo mundo, não faltou sorvete na carreata toda.

Noelson 2008 52 por você.

Eu acho importante que a desqualificação, a desclassificação que a mídia nacional tem imposto ao cidadão, deveríamos ter um Lula morto, um Lula sem expressão, um país falido, uma situação econômica ruim do país, juntando com essa “crise”, e eu digo aspas porque essa crise não é mundial, ela é de lá. Então eu vejo o eleitor nosso, brasileiro, já não está ouvindo tanta ladainha, como diz o Paulo Henrique Amorim, do PIG – Partido da Imprensa Golpista. Crescemos muito, sabemos dar nosso valor agora à situação real que nós vivemos, independentemente de nós ouvirmos na televisão, no rádio, no jornal, na imprensa escrita, televisiva.

Noelson 2008 60 por você.

É maravilhoso, não tem mais efeito, não tem mais nada, nós estamos aqui, o povo tá vendo, o povo tá consciente, o povo tá coerente, deixamos de ser miseráveis, de ser pobres demais, participamos de uma classe média ainda um pouco baixa, mas daqui pra frente com um acesso de poder evoluir, crescer mais, e que venha terceiro, quarto, quinto, décimo, até o Lula morrer, ou que venha a Dilma Roussef, que o cara vai elegê-la com certeza, e que depois venha Lula de novo…

Noelson 2008 62 por você.

Noelson 2008 61 por você.

Noelson 2008 64 por você.

Noelson 2008 67 por você.

Noelson 2008 69 por você.

Noelson 2008 68 por você.

Noelson 2008 66 por você.

O NATAL BLOGUEIRO CRISTO ATIVO!

Não vamos desejar que o Natal seja… O Natal Cristo Ativo/Conatus/Criador, não é futuro, é produção. Cristo filho de Maria, não deseja o amanhã: faz o agora. Faz o agora como muitos blogueiros estão produzindo uma nova forma (fluxos/quantas) de experimentar a existência afirmadora da vida.

Nada de “Agora é Natal”, misticismo capitalístico sufocador da livre existência. Mas um Natal Cristo/Nietzsche. O Evangelista grego: A Boa Notícia. Não o Disangelista: A Má Notícia. Mas, sim, O Cristo amoroso, libertador das almas individuais aprisionadas nas almas coletivas dos sacerdotes judeus, e na alma opressiva romana. O Natal do Cristo que morreu por ele mesmo negando a doutrina do juízo que se alimenta do ressentimento, da má consciência, da culpa, do castigo, do perdão, todas as formas de afetos que negam o Cristo do Natal Libertador. A abstração da vida real pela fantasmagoria da vida fora da vida: o futuro juízo final. O pathos (dor) eliminador da vida pela promessa de uma imortalidade futura muito bem cultuada pelo natal da sociedade de consumo, onde parentes e “amigos” simulam um “amor” ocasião. Ou convencional. O que está de acordo com a convenção da data. Ou condicional. Como diria Raul Seixas: “Se hoje te odeio, amanhã te tenho amor”.

ECCE HOMO!

Poucos entenderam Pilatos, mas Pilatos entendeu os poucos em Cristo. Por isso bradou, “Eis o Homem!”. Os fariseus sentiram na enunciação reveladora um descaso e uma sentença quando era apenas o entendimento do homem que sabia que Cristo não era um trapaceiro, um aventureiro ensandecido tentando se passar por Moisés ressuscitado, depois de ser assassinado pelos hebreus, e como diria Freud/Jung, propagado séculos e mais séculos pelos próprios hebreus, como sentimento de culpa, como aquele que viria salvar a humanidade. Que nada. Era apenas Cristo, aquele que não pretendia ser mestre nem líder, mas apenas o movimento do amor.

Eis, o nosso Natal Intempestivo! O nosso Natal Vida Ativa Cristo!

OS REIS MAGOS, O BRASIL E A DIREITA

Aproximava-se o dia 06 de Janeiro de 2008, e os Reis Magos ainda não sabiam a quem visitariam, para dar continuidade à tradição. Sua visita vem saudar – desde que estiveram na Palestina, 2008 anos atrás, com Cristo, o Filho de Maria – o Novo, aquilo que vem ao mundo e carrega em si a potência-movimento da Vida.

Melchior, o mais velho, após ler no New York Times sobre as mudanças econômicas e sociais no Brasil sob a gestão do governo Lula, sugeriu aos dois amigos que visitassem o então presidente. Idéia logo aceita, principalmente por Balthazar, que queria parabenizar pessoalmente a ministra Marina Silva, eleita pelo jornal inglês The Guardian uma das 50 pessoas que podem salvar o mundo da degradação ambiental. Melchior, que já conhecia Lula desde os tempos das greves no ABC paulista, perguntou o que eles poderiam levar de presente. Gaspar sugeriu que, num país promissor economicamente, o melhor presente, o mais significativo e comunitário seria investir no Brasil. Então, cada um levou para o presidente Lula uma carta de investimentos na estrutura social do país.

Chegando em Brasília, os magos saíram procurando quem pudesse dar informações sobre onde estaria Lula. Viram dois sujeitos empaletozados, de costas, e se aproximaram. Quando se voltaram, os magos deram de cara com Agripino Maia (DEM) e Arthur Virgílio Neto (PSDB). Perguntaram por Lula, dizendo estar ali para visitar o homem que estava mudando o Brasil. Maia quase desmaiou, e Arthur, dedo em riste, afirmou que não negocia com mentiroso, e que os magos estavam mal informados, que Lula estava acabando com o Brasil, era analfabeto, ignorante, feio, no que foi seguido por balanços de cabeça do já recuperado Agripino, que ainda emendou que seu partido sim, fez um grande bem ao Brasil, acabando com a praga da CPMF, e que o Brasil nunca esteve pior do que atualmente. Mostrou aos magos recortes do Estadão, Folha de São Paulo, e convidou-os para se informar pelo Jornal Nacional, o baluarte da verdade brasileira. Ou mesmo a Band, ou SBT, não importava. De preferência, assistidos num belíssimo 50 polegadas da Philips. Depois, podiam assistir ao DVD da Ivete Sangalo, e aí sim, conheceriam o verdadeiro Brasil, o que dá certo.

Mais adiante, viram outra pessoa, também de paletó. Um tanto ressabiados, foram perguntar novamente. Balthazar achou melhor perguntar primeiro pela ministra Marina Silva. Ao se aproximarem, o sujeito virou-se: era o governador Eduardo “guerreiro de sempre” Braga, com uma muda de palmeira na mão. Balthazar então diz que eles estão procurando a pessoa mais importante do Brasil na área do meio ambiente. Eduardo enche o peito, e diz: “sou eu, o homem do ano no meio ambiente, eleito pela revista ISTOÉ”. Balthazar, sorrindo, diz que não, que eles procuravam Marina Silva, acreana, sindicalista, companheira de Chico Mendes, primeira ministra do meio ambiente do Brasil que realmente veio dos movimentos sociais. Fazendo biquinho, Eduardo vira novamente as costas, deixando cair a palmeirinha…

Os Magos então, um tanto constrangidos pelos encontros, resolveram sair pelo país a fim de tirar a prova. Viram que milhões de famílias tinham saído da linha da pobreza, que a classe média havia aumentado, que haviam computadores, carros e outros bens onde antes só havia fome. Conversaram com pessoas que ficaram anos sem emprego com carteira assinada, e que agora tinham seus direitos trabalhistas garantidos. Passaram pela carceragem da PF e viram pessoas que jamais imaginavam ver presas antes, viram um nordeste se desenvolvendo economicamente, e ainda a queda de muitos dos antigos “coronéis”. Viram que muito há ainda por fazer, mas nos olhos das pessoas se reflete a potência e a certeza de que muito mudou nos últimos 6 anos.

No caminho, conversando alegres sobre as mudanças que viram no país, Gaspar comentou: “Como é possível, num país estagnado socialmente e dependente economicamente nos últimos 500 anos, e que tem passado pelas mudanças que vimos em nossa viagem, ainda possa comportar pessoas com a estreiteza intelectual, o ressentimento e a mesquinhez tacanha destes Agripinos, Virgílios, Bragas?”. “Não importa”, respondeu Melchior. “O que importa é que vimos a mudança, o novo se materializando na vida das pessoas, e que escolhemos o lugar certo para visitar neste 2008”.

DAS DIFERENÇAS NAS FUTURAÇÕES

£ Enquanto a vereadora Lúcia Antony (PC do B/AM) deseja que em 2008 Manaus continue com o crescimento que teve em 2007, o presidente Lula afirma no programa Café com o Presidente que “2008 será infinitamente melhor que 2007”. Evidente, nenhum dos dois são profetas ou tem o dom da predição do futuro (que aliás, nem existe). Mas como faz parte do Ser o ato de futurar, ou seja, construir no plano da existência uma expectativa como expressão do Desejo a se conceber, é possível levar em conta os dois enunciados. No entanto, só se pode criar uma perspectiva futura levando em conta as condições materiais e imateriais com que se conta no presente. Nos oito anos de réveillon tucanos, o povo já expectava: muda o calendário, as coisas permanecem. Com Lula, não. Há a possibilidade de expectar algumas mudanças, ainda que não sejam aquelas que modificarão profundamente as seculares relações políticas e sociais de submissão ao capital estrangeiro. No caso da vereadora, expectar um ano para Manaus com o mesmo ritmo de 2007 é demonstrar um entendimento sobre o social muito próximo ao da direita: epistemologicamente reduzido, com as percepções sendo substituídas pelas imagens-clichê da mídia marketizada de prefeitura e governo. Senão aí, neste engodo, onde mais a vereadora teria visto crescimento social em Manaus?

£ E Lula ainda espetou a direitaça, que deve ter uma ceia natalina indigesta com os números divulgados durante o ano de 2007. Afirmou o presidente que o povo pobre está comprando mais, tornando-se consumidor. Embora não seja uma revolução social, como também falou o presidente, comer e consumir é sinal de que as pessoas terão possibilidade ao menos de suspeitar daquilo que está acontecendo ao seu redor. A eleição de Lula, a despeito do massacre midiático, é uma evidência disto. A repercussão negativa do fim da CPMF pela população, embora não encontre eco na opinião pública oficial e bem educada da classe mídia, também fará em breve ecoar seus dizeres nas urnas. Arthur e FHC, dois políticos profissionais com baixíssima popularidade no país, que o digam.

UMA BAGACEIRA NATALINA AFINADA

Eu queria ser poeta

E decifrar os versos prontos falando de amor

Mas não sobrou algumas palavras

E por isso decidi falar usando o som

A música penetra a alma

E pode chegar até seu coração…”

Tudo começou com a situação da ex-rua Rio Jaú, no Novo Aleixo, conhecida já neste bloguinho a partir do Projeto Poseidon. Devido à inexistência da rua produzida pelos governos passados e presentes na não-cidade de Manaus, os moradores resolveram fazer do Natal algo além do que a festa simplesmente familial e resolveram fazer uma festança comunitária. Para tanto, contactaram Mário Augusto, “O Bonde do Bolero”, como é conhecido nas casas de Manô, prepararam as comilanças, do bode assado ao pato no tucupi, cotizaram para as bebelanças, e quando o bolerão rolou caíram na ginga e na beleza de festejar com aquilo que nenhum péssimo governo poderia impedir: a alegria.

Meu nome é Mario Augusto. Tenho 37 anos de carreira, na luta, ralando direto. Eu tô com 8 meses aqui em Manaus, trabalhando, lutando, tô com 3 CD’s gravados, 2 de forró e 1 de bolero. Sou de Fortaleza, nascido em Tiaguá, mas casei no Pará, em Monte Alegre que é a minha terra. 25 anos de casado no Pará. Eu andei em Marabá, Serra Pelada, no tempo dos garimpos, fazendo show com banda, Belém do Pará, Macapá, Oiapoque, Chuí, na Colômbia, sempre com banda. Agora eu tô com carreira solo. É por aí o caminho…

Aqui em Manaus, eu queria que aparecesse um empresário pra me empresariar, porque as minhas canções são muito boas. Eu sou cantor e compositor. O meu CD eu gravei agora no Fast Clube em Manaus. São 6 canções minhas, inéditas, e 12 dos outros cantores que a gente liga e pede permissão pra gravar as canções. No momento aqui em Manaus eu tô conhecido como “O Bonde do Bolero”, Mário Augusto, que com oito meses eu já vendi quase mil CD’s. Eu espero que apareça uma pessoa pra me iluminar e crescer em Manaus, porque essa terra aqui é muito boa, bonita e maravilhosa. Gostei daqui e vou ficar aqui, lutando aqui. O outro rapaz que canta é meu filho, o que toca é meu filho, por sinal, muito bom, toca divinamente bem. Começou com 13 anos. Ele está no trabalho comigo há 7 anos.

Eu sou um cara muito humilde, eu gosto de fazer amizade, como cantor, como profissional. Gosto de abraçar a todos, faço um show alegre, contente, gostoso e só canto sorrindo. Quem quiser me contratar no momento, quem quiser me conhecer, quiser conhecer o meu trabalho, o meu CD, meu telefone é 9612-2627 ou 9605-1893. Eu levo esse show pra qualquer canto do Brasil. Tenho as minhas dançarinas, tenho um grupo formado com toda a galera, são 8 pessoas. Tô tocando pra galera me conhecer…

E assim o galo cantou e a festa continuou, e continuará comunitariamente no corpo e na afetividade que aproxima as pessoas numa linha existencial lúdica fazendo microfissuras na realidade objetiva excludente que o poder constituído propaga e deixando passar no arrastapé do bolero e do forrobodó experiências que, como diria Nietzsche, nunca passarão pelo sistema nervoso central dos ressentidos elitistas, que somente o povão, com toda a sua diversidade, nas suas criações intempestivas, inimagináveis vão tecendo como novidade: Natal…

 

O NATAL COMUNITÁRIO DO PAPAI NOELSON

O Natal é o nascimento do Novo. Novas relações nas quais as pessoas possam entrar em proximidades autênticas, para além das performances utilitaristas que tentam se apropriar das manifestações subjetivas construídas comunitariamente. Assim, todos os anos, desde 2002, Nelson Rocha deixa passar os fluxos do Papai Noelson e sai por bairros da cidade de Manaus distribuindo sorvetes gratuitamente para a criançada e para todos que entram afetivamente, independente de cronologias, no gosto dos diversos sabores do sorvete. Todo o evento sendo organizado por Nelson, proprietário da fábrica de sorvetes Sempre Frio, com a participação e auxilio de amigos e comunitários. A AFIN acompanhou Papai Noelson na distribuição que ocorreu ontem desde a manhã até a tarde e traz aqui imagens e uma entrevista com o Papai Noelson sobre as afecções de entrar numa linha lúdica com as pessoas. Corre a meninada, vêm todos que é o sorvete do Papai Noelson que vai passando.

Há 14 ou 15 anos atrás eu descolori a barba brincando num bar, o clube da esquina, uma amiga minha fez o gorro do Papai Noel e eu saí por aí e eu vi que as crianças começaram a achar interessante, ficavam brincando. Passaram-se um 7 ou 8 anos, aí em 2002 eu me caracterizei de Papai Noel, mas era mais uma brincadeira mesmo. Só que eu tive a intensão de fazer a entrega de sorvetes só aqui no Núcleo 5, eram 50 caixinhas de sorvete. Eu ainda não estava caracterizado como Papai Noel, só estava com a barba, o gorro e uma camiseta vermelha. Em 2003 tive a intensão de fazer, mas houve um acidente com um parente da Vitória. Em 2004 nós começamos com 5.000 copinhos de sorvete, em 2005 com 10.000 copinhos e foi virando tradição. As pessoas aqui do Núcleo 5 principalmente, porque na época nós fazíamos só o Núcleo 5 e o Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Quando foi em 2006 nós fizemos aqui no Núcleo 5, no Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e fomos a caminho da Carbrás. O negócio já foi mais sério. Em 2006 já foi pra 14.000 copinhos de sorvete.

As crianças me cobrando, as crianças aqui do Núcleo 5 e do Nossa Senhora do Perpétuo Socorro já me chamam de Papai Noel durante o ano todo. E eu fui cultivando a minha barba, 4 a 6 meses; esse ano eu deixei de agosto pra cá. E esse ano, com ajuda da comunidade, nós fizemos mais do que dobrar o número de sorvete: 30.000 copinhos de sorvete e num bairro novo, que nós não tínhamos ido: o Novo Aleixo. Virou uma festa, uma alegria enorme, todo mundo participa, as pessoas vêm, aparece voluntário não sei de onde, que vão surgindo. Esse ano, por exemplo, eu investi pouco, eu gastei dinheiro meu pouco. A comunidade participou, eu ganhei 25 fardos de açúcar, 2 fardos de leite, a produção que auxilia aqui fazendo a matéria. Eu faço questão apenas de dar uma contribuição simbólica pra eles. Quem banca economicamente é só eu com a ajuda desses voluntários que aparecem. Tem gente que eu nem conheço que tava participando aí. Economicamente até o ano passado foi só eu. Esse ano não, esse ano a comunidade ajudou. Não teve um parlamentar. Teve fornecedor que doou fardos de açúcar. Mas muita gente ajudou.

Ontem eu fiz parte de um evento da TV Amazonas como um Papai Noel voluntário. Eu fiquei emocionado. Eles estavam distribuindo presentes numa comunidade carente do Novo Israel, eu nem sabia que aquilo lá era Novo Israel ainda. Uma das crianças ganhou uma bicicleta, ela chegou em mim, me abraçou e disse: “Meus desejos todos foram realizados. Eu sabia que ia ganhar uma bicicleta, mas não sabia que ia ver o Papai Noel”. Aí foi lágrima. Foi muito emocionante, eu gostei muito da participação. É um veículo de comunicação, tem seus prós e seus contras, mas um evento desse é muito bonito e eu participo de novo ano que vem.

Ano passado uma loirinha agarrou a calça do papai noel, ela devia ter uns 8 anos eu acho. E ela tava chamando a irmã mais nova e disse: “Eu falei pra você que ele existia, ele veio e ele está aqui”. Como é que não chora. Esse ano eu propus pra mim que eu não iria chorar porque o evento ia ser maior e realmente até agora a pouco eu não tinha chorado. Mas a que mais me marcou foi essa do ano passado, que a menina agarrou e não largava a minha calça.

Eu não aceitaria nenhum tipo de envolvimento com alguém que quisesse tirar proveito econômico num evento como esse, a não ser que eu seja pego na rasteira. Eu estou disposto a ano que vem dobrar o número de sorvetes e fazer nesses 4 bairros que eu fiz hoje num dia e no outro dia difundir isso indicando um lugar onde as pessoas vão receber o sorvete, pra se concentrar num local só, num dia só porque fica mais fácil, a gente não tem condição física pra agüentar o dobro ano que vem. Esse ano eu tô esgotado. É muito cansativo.

Em 2005 perguntaram o que o Papai Noelson desejava pra 2006 e eu disse pro jornal Diário do Amazonas, dentre outras coisas, eu desejava a reeleição do presidente Lula. A gente já vinha participando da campanha, em 2002 tínhamos produzido um adesivo: “Por um Brasil decente, Lula presidente”. Em 2006 fizemos outro: “Em 2002 votei em Lula; em 2006, Lula outra vez”. Esse ano, como todo mundo sabe e vê que o governo de Lula está dando certo, independente dessa mídia horrível, e eu não vou falar nome porque todo mundo sabe quais são, que está sempre dando privilégios à classe que tem privilégios há muitos anos, então eu desejo que o Lula continue o que está fazendo, porque está bom demais e evolua e faça o seu sucessor em 2010.


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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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