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MÚSICA “SAMBA DO AVIÃO”, AFETA DILMA COM LEMBRANÇAS TRISTES, MAS DEPOIS ALEGRES: “QUE EU ESTOU CHEGANDO”

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/04/no-galeao-dilma-se-emociona-ao-lembrar-a-volta-de-exilados-ao-pais-2155.html/dilma/image_preview

A presidenta Dilma Vana Rousseff, foi apenas assinar um contrato de concessão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Antônio Carlos Jobim, o Galeão. Pronto. Lá ela se lembrou dos muitos exilados pela ditadura civil-militar que se instalou no Brasil entre os anos de 1964 e 1985 ao imaginar a música de Antônio Carlos Jobim, Samba do Avião. A música, os perseguidos políticos, os exílios, a saudade do Brasil, a proibição de entrada, as diretas, a anistia, os perseguidos voltando, tudo no Galeão com trilha sonora de Tom Jobim, na voz acalentadora de Miúcha.

Com voz entrecortada, ele, disse que a música de Jobim além de fazer homenagem ao aeroporto é uma “homenagem aos exilados”.

“É uma síntese perfeita do que é a saudade do Brasil, a lembrança do Brasil e, melhor de tudo, voltar ao Brasil, chegando no Galeão.

É um aeroporto fundamental não só para o turista estrangeiro, mas para o povo brasileiro. E ele tem que fazer jus a esta “Cidade Maravilhosa”, reconheceu Dilma.

CANTORAS DO GRUPO PUNK PUSSY RIOT VÃO SE DEDICAR A CAUSA DOS DIREITOS DOS PRESOS RUSSOS

Presas por dois anos depois de cantarem punk rock na Catedral de Cristo Salvador, de Moscou, como protesto político contra o presidente russo Putin, durante a campanha eleitoral para o seu terceiro mandato, embora tenham sido condenadas por “vandalismo motivado por ódio religioso”, as cantoras do grupo punk Pussy Riot, Aliójina, Tolokónnikova e Yekaterina Samutsevich, afirmaram que vão se dedicar a causa dos direitos dos presos russos.

Elas foram anistiadas em função da lei de anistia geral que passou a vigorar na Rússia a partir da semana passada, muito embora tenham cumprido quase todo o tempo das penas que lhes foram impostas. As jovens engajadas cantoras punk já escolheram o nome do projeto: Zona do Direito. Segundo seus testemunhos, há uma quantidade grande de presos sem assistência e alguns “vivem à beira da morte”.

Entretanto, as jovens afirmaram que ainda não têm os nomes das pessoas ou entidades que poderiam auxiliar no projeto, mas elas cogitam contar com a participação de Alexei Navalni, líder da oposição que durante o pleito para a prefeitura de Moscou conseguiu 27% dos votos. Também esperam contar com a doação de recursos por qualquer cidadão russo.

“Esse projeto começou há tempos, quando começamos a nos dedicar à defesa dos direitos humanos nas prisões onde cumpríamos pena. Nossa vida agora está muito vinculada a esse projeto.

Neste momento precisamos criar um esquema de financiamento transparente”, afirmou Tolokónnikova.

REGINALDO ROSSI CHAMA O GARÇOM E FECHA A CONTA

Reginaldo Rossi deixa um legado que foge à alcunha de Rei do Brega e reforça a autenticidade de seu trabalho: Minhas músicas tocam no iPod do esembargador e no radinho do porteiro porque, todo mundo sofre por amor...

O sucesso na sociedade de consumo não deve ser entendido resumidamente como mais um dos elementos estruturais alienantes da sociedade capitalista que tende a imobilizar a população. O sucesso também pode servir como objeto de análise sociológica e política. Nesse contexto pode ser tratado o sucesso do cantor Reginaldo Rossi.

Reginaldo Rossi é nordestino de Pernambuco. Começou sua carreira artística como cantor de conjunto de rock. Hoje, chamado de banda. Mas somente como cantor individual, ou cantor solista, que ele conseguiu o reconhecimento, o chamado sucesso, depois de muito transitar pelo trapaceiro mundo musical-pop sem ser visto como necessário para a sociedade de consumo. Ele foi o tipo resistente e obstinado quanto ao que queria. E é nesse ponto que se pode analisar sociologicamente sua carreira de sucesso nacional depois de muito tempo de reconhecimento regional.

Reginaldo Rossi foi do tempo da dita Jovem Guarda comandada por Roberto Carlos, o compositor e cantor expoente do fator base da depressão. O tempo também da ditadura militar que se apossou do Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Embora tenha vivido nessa época ele jamais teve os benefícios da popularidade que os outros como o próprio Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jerry Adriane, Wanderley Cardoso, Wanderleia, entre outros, tiveram.

Não porque não tivesse um talento vocal para penetrar e se situar nessa trupe, porque outros não tinham e, entretanto, penetraram e se situaram nela, mas porque era discriminado. Também não porque cantasse músicas pobres com temas neuróticos, porque a turma do ‘Reiberto’ tinha esse vazio como suporte e fiz o sucesso que manda a sociedade de consumo. O que acontecia era que Reginaldo Rossi não manejava as articulações empresarias e, mais, lhe faltava o signo indiferente da classe média que os componentes da Jovem Guarda tinham de sobra. A falsa rebeldia do tipo “eu sou terrível vou lhe dizer, eu ponho mesmo pra derreter”. A rebeldia inócua que agradava aos pais da classe média e os militares, e repelia Chico e sua turma da MPB. Ele não sabia fazer o gênero sul maravilha, caras e bocas das cores e tons dos enuviados. Ele bem que tentou ter seu lugar ao sol. Uma prova é a canção que gravou, em 1966, com o título O Pão. Um trabalho com os requisitos das canções da inepta Jovem Guarda a turma do éramos todos mortos. Mas não decolou.

Foi quando, em um saque parecido com o de Waldik Soriano, se voltou para o Nordeste e o Norte. Pronto. Nessas regiões ele passou a ser reconhecido e ter seu lugar ao sol do sucesso. Em Manaus, nem se fala. Reginaldo Rossi transita com facilidade em meio do povo com a mesma desenvoltura que transita entre os políticos. De prefeito a governador. Sempre cantando canções com ritmo caliente, como seus fãs gostam. Entre uns agudos e uns balançados, ele cantava a dor das separações. E tome palmas.

Foi então que ocorreu do sul maravilha descobrir o valor econômico desse tipo de música que já estava sendo tocada nos points dos generosos. As TVs e Rádios apresentavam de Waldik Soriano a Carlos Alexandre, passando por Peninha e Fernando Mendes. Já havia os rastros de Evaldo Braga e Sidney Magal: “Se te agarro com outro eu te mato, te mando algumas flores e depois escapo”. Aí, o sul maravilha resolveu taxar a música de Reginaldo Rossi de brega, usando esse termo extraído de uma novela da triste TV Globo, para classificar como música de mau gosto, coisa do populacho. A nova roupagem da discriminação. Como coisa que o entretenimento da classe média fosse de excelsa erudição e sensibilidade. Quando se sabe que a burguesia nem desconfia que tem sentidos e razão.

Diante dessa nota e desse tom, não se pode tratar da carreira de Reginaldo Rossi deixando de lado esta realidade sociológica. Ele foi mais um nordestino discriminado pelo dito ‘bom gosto’ dos que detém o poder da comunicação no sul maravilha e da indústria do consumo do lucro fácil. Mas não adiantaram as discriminações. Foram 31 álbuns gravados, 14 discos de ouro, dois de platina, um de platina duplo e um de diamante. Assim, Reginaldo Rossi, namorou com A Raposa e as Uvas, desejou no Mon Amour, Meu Bem, Ma Famme, e se embriagou, lamentou e confessou sua desilusão ao Garçom.

Depois ele chamou o garçom e disse: “Se eu pegar no sono, me deite no chão”. E ele pegou no sono.

ABÍLIO FARIAS, UM DOS WALDICK SORIANO DO NORTE VAI A ÓBITO

O cancioneiro de “Mulher Difícil o Homem Gosta”, Abílio Farias, 68 anos, “pulou o muro”. Seu coração parou de pulsar e foi vitimado por  uma parada cardíaca, ontem, dia 14 de junho de 2013, à tarde. Levado ao Hospital Prontocord  recebeu atendimento emergencial, não resistiu, e ao vivo, deixou de cantar. Deixou de cantar aquele que disputava com outro cantor amazonense, seu amigo, Nunes Filho, quem era  um dos Waldick Soriano do Norte.

“Pulou e não pulou o muro”. A viagem ao mundo de Eurídice é natural, embora seja difícil no mundo ocidental a compreensão desse fenômeno. Mas o que Abílio Farias, um dos Waldick do Norte cantou, criou, vai continuar encantando os frequentadores de bares, salões, cabarés por noites como esta  não dormida.

As músicas de Farias cantavam o amor, a vida. Não eram bregas, nem apelativas. Passaram para esse gênero devido a rotulação que a TV Globo criou para caracterizar músicas com temáticas idílicas,  amorosas e apaixonadas concorrentes de sua produção de classe e imposição de formas de comportamento e valores burgueses.  Só não era brega, portanto  as músicas que a Globo produzia. Depois disso deu no que deu. Poucos foram os Abílios produzindo arte, cantando pelos bares, ares, cabarés canções de encantamento.

Hoje, sábado, dia de festas, Abílio está cantando, cantando “Mulher Difícil o Homem Gosta” e seus e suas fãs, sentindo, mas certos de que a arte é um meio para manter eternos aqueles que imortalizaram músicas, cinemas, poemas, romances, contos, crônicas, teatro e canções que nunca deixarão de enunciar a vida e o amor.

 

 

 

 

 

O ARTISTA PAULO VANZOLINI E SUA PRODUÇÃO QUE NÃO MAIS SE ATUALIZA

Paulo Vanzolini Tv

“Eu sou Paulo Vanzolini / Animal de muita fama / Eu tanto corro no seco / Como na vargem de lama / Mas quando o marido chega / Me escondo embaixo da cama”

“Improvisação do Dr. Paulo Emílio Vanzolini, Diretor do Museu Zoológico de São Paulo, antes de partir mais uma vez para Harvard. (…) Profissionalmente, ele se diz apenas biólogo. Médico, jamais clinicou. Preferiu seguir pesquisando e ensinando. Pode um tal “homem das ciências” ser um bom sambista? Sem ter feito a pergunta, o Brasil inteiro ficou sabendo a resposta, quando ouviu aquele esplêndido Volta por Cima” Chico Buarque na contra-capa do primeiro LP com músicas de Vanzolini.

Artista é aquele que em sua produção cria novas formas que apenas seus olhos conseguem ver ou passam batida pelos olhos dos meros cidadãos comuns. Criar é algo essencial para o artista, que em suas produções cria pois se sente vivo fazendo isto. Pouco importa a remuneração, como diria Pessoa “O que é Necessário é criar.

Vanzolini é dono de muitas histórias. Médico, biólogo e um grande músico. A música para ele sempre foi nos momentos de alegria e construção coletiva de amizades e conhecimentos. Vanzolini foi muito além do seus grandes sucessos como Ronda, Volta por Cima, Capoeira do Arnaldo, Praça Clovis, Amor de trapo e farrapo. Paulo amava a música e usava de suas composições para jogar com a existência, com a vida boêmia, com as grandes amizades que tinha com gente de várias gerações de cidadãos, artistas, poetas, músicos, jornalistas, entre outros. 

 Vanzolini sempre usou a arte como uma produção em seu lazer e logo se tornou um expoente do samba paulista. Amigo de Marcus Pereira e Luiz Carlos Paraná frequentava o bar Jogral, do qual também era sócio. Abaixo vemos uma foto do livro de Marcus e uma descrição do amigo.

Paulo Vanzolini Jogral

“Sobre Paulo Vanzolini contavam-se histórias curiosas que ilustravam a sua polimórfica personalidade, doublé de boêmio, sambista e cientista. Paulo Vanzonlini passou a ser uma das atrações do “Jogral” [bar de Marcus Pereira, Luis Carlos Paraná e também Paulo Vanzolini]. Assíduo como poucos, Paulo saía do Museu de Zoologia do qual era diretor e ia para o “Jogral” onde cantava, participava de desafios, contava estórias e declamava, recebendo o cachê modesto de sua cachaça com gelo”  Marcus Pereira, Música: está chegando a vez do povo. A história do Jogral

Compor era uma atividade lúdica para Vanzolini que no meio de seus estudos em zoologia fazia músicas sem nunca pensar em gravar. O amante da noite teve sua primeira música gravada por Inezita Barroso, e depois uma legião de artistas gravaram sua música.

Com uma voz marcante, mas para muitos não muito bem recebida, Vanzolini conta que os próprios músicos não gostavam da ideia que ele cantasse as músicas. Seu primeiro LP foi gravado pelo embrião dos DMP, sendo um brinde de natal da Marcus Pereira Publicidade lançado como “Discos do Jogral”. Na fala abaixo Marcus Pereira como ocorreu a gravação deste que veio a ser o precussor dos Discos Marcus Pereira. 

“Paulo Vanzolini, depois dos aborrecimentos que teve com Volta por Cima, decidiu não mais gravar e divulgar seu trabalho de boca em boca. Logo depois nos conhecemos, propus fazermos um disco, ele me respondeu rispidamente. Nossas relações se estreitaram depois com o apadrinhamento do Carlos [Paraná], e eu me senti seguro para voltar ao assunto. E perguntei um dia: “Paulinho, vamos fazer um LP? E ele respondeu: “Com você faço qualquer negócio”. Como contei antes, Paulo já era legendário, sendo praticamente inédito. Suas músicas têm lugar seguro e de destaque em qualquer antologia de nossa música popular, por mais rigorosa e limitada que seja a seleção. O Carlos e eu resolvemos então gravar um disco com as músicas do Paulinho. Faltava arranjar dinheiro e eu convenci uma empresa, a “Independência S.A.”, que era cliente da minha agência a patrocinar o disco e distribuí-lo como brinde de fim de ano.  Seu diretor principal, Antônio Carlos de Paula Machado, era meu amigo e sensibilizou-se com a proposta. O que escondi de Antônio Carlos era que o brinde era muito mais para nós, para a nossa alegria, do que para os clientes da empresa dele. A produção do disco foi do Carlos, escolhemos junto o repertório e os intérpretes. [...] O disco foi gravado em outubro de 1967, os arranjos foram feitos por Toquinho e Portinho, seu título é “Paulo Vanzolini, onze sambas e uma capoeira.” Do mesmo livro citado acima.

Paulo VAnzolini No rio das Amazonas

Pela gravadora Eldorado, Paulo gravou em 1981 o LP “Paulo Vanzolini por ele mesmo” onde finalmente pode soltar sua voz rouca em seus sambas e uma capoeira. Posteriormente Vanzolini lançou pouca coisa inédita, mas em 2003 a gravadora Biscoito Fino lançou a caixa com 4 cds que trazia uma grande parte de suas composições cantadas pelo próprio Vanzolini.

Agora com o fim da produção deste cientista, músico e artista, resta recordar sua boa e alegre música que sempre com humor cantou e cantará muitas existências. 

MILITARES CONDENADOS PELO ASSASSINATO DO CANTOR VÍCTOR JARA SÃO PRESOS NO CHILE

Víctor Jara guitarra violão revolucion revolucão ditadura

“Quebraram suas mãos para calar seu violão, romperam seu crâneo para apagar seu pensamento, o deixaram sangrar para esgotar sua rebeldia… e ao final… o penduraram para escarmento da imagem de um filho do povo… nobre, simples, sincero, insubmisso e puro…” Santiago Álvarez

Víctor Jara foi um artista envolvido com seu país e seu tempo. Talentoso compositor, cantor, ativista político, filiado ao Partido Comunista Chileno, Jara foi detido em 1973 poucas horas depois do presidente Salvador Allende ser deposto/assassinado e se apoderar do Chile o governo militar do general Augusto Pinochet.

Ele foi um dos mais de 5.000 presos que ficaram detidos no estádio de Santiago e foi assassinado aos 41 anos, sendo seu corpo sendo achado com as mãos mutiladas e 44 buracos de bala, em um terreno baldio.

Depois de quase 40 anos de seu assassinato, ontem foram presos em Santiago quatro ex-funcionários do exércitos que executaram o cantor durante a ditadura. A polícia chilena procura ainda outras pessoas que participaram do assassinato como os principais responsáveis Hugo Sánchez Marmonti e Pedro Barrientos Núñez. O pedido de prisão de oito militares havia sido emitido por um juiz do tribunal da relação de Santiago do Chile no último dia do ano de 2012.

Abaixo deixamos o curta-metragem cubano El tigre saltó y mató, pero morirá… morirá… do diretor cubano Santiago Álvarez lançado em 1973, ano da prisão e assassinato de Víctor Jara, seguido do poema de José Marti que abre o vídeo. Como Álvarez concebe este video é um “relato de quatro canções como homenagem as vítimas do sadismo facista que as forças armadas e a CIA vem perpetuando no Chile desde 11 de setembro de 1973.”

Neste cinema cubano apresenta quatro músicas de Violeta Parra que toca “¿Que dirá el santo padre?” e Víctor Jara que apresenta “Amanda”, “El alma cobierta de banderas” e “Plegaria a um labrador”, músicas de teor político revolucionário fortissimo na luta pela liberdade e contra a opressão na América Latina. Ao fim colocamos alguns vídeos de Jara cantando em seu canto livre.

“El tigre, espantado del fogonazo, vuelve de noche al lugar de la presa. Muere echando llamas por los ojos y con las zarpas al aire. No se le oye venir, sino que viene con zarpas de terciopelo. Cuando la presa despierta, tiene al tigre encima.El tigre espera, detrás de cada árbol, acurrucado en cada esquina. Morirá, con las zarpas al aire, echando llamas por los ojos” José Marti

Garagem Petrobras terá estúdio de gravação, exposição e música gratuita para comemorar os 20 anos do Abril Pro Rock

Em comemoração aos 20 anos do Abril Pro Rock, a Petrobras marca presença no festival de música, entre os dias 20 e 22 de abril, em Recife, com uma série de ações voltadas para o público.

Patrocinando o evento pela quinta vez, a Companhia apresenta a “Garagem Petrobras”. Com o tema “Abasteça-se com o som do Abril Pro Rock”, o espaço de 150 m² reproduz um posto de gasolina no estilo dos anos 50, dividido em seções de homenagens onde o público poderá interagir com várias ações ligadas à música e às bandas que fazem parte da história do festival.

Em bombas de gasolina com iPads embutidos serão disponibilizadas gratuitamente músicas para download com as principais bandas presentes no evento.

O espaço conta com um estúdio profissional com equipamentos e músicos profissionais disponíveis para atender quem queira gravar um single (música principal de um trabalho). Além da gravação de áudio com alta qualidade, também será gravado um vídeo da apresentação dos participantes. O conteúdo será enviado em formato de link, cinco dias após o evento, para o e-mail cadastrado na hora da inscrição.

Ainda na “Garagem Petrobras” haverá uma exposição com raridades exclusivas contando a história do Abril Pro Rock. Quem estiver presente poderá conferir de perto a fita cassete com a primeira versão gravada da música “Anna Julia”, da banda Los Hermanos, além dos discos de ouro do grupo. O veículo Ford Landau azul marinho, utilizado por Chico Science em vários clipes, também estará exposto para os fãs. Cartazes raros da banda Ratos de Porão, que completa 30 anos de carreira, e outras curiosidades de grupos que marcaram a história do festival poderão ser conhecidas.

Na programação, estão nomes que fazem parte da história do Abril Pro Rock. Mundo Livre SA e Otto, que tocaram na primeira edição de 1993 quando ainda não eram artistas de porte nacional, assim como o Los Hermanos e Ratos de Porão, que viveram diversos momentos de sua carreira no palco do festival. Pela primeira vez no Brasil, um dos principais nomes do afrobeat (combinação de ritmos africanos, jazz e funk), o Antibalas, também se apresentará. Na tradicional noite “pesada” do sábado, os mexicanos do Brujeria se juntam ao Exodus, entre outros.

Programação

20/4 – Sexta-feira
Los Hermanos (RJ)
A Banda Mais Bonita da Cidade (PR)
Tibério Azul (PE)
Banda Bis Pro Rock – Somato (SC)

21/4 – Sábado
Exodus (EUA)
Brujeria (MEX)
Cripple Bastards (ITA)
Ratos de Porão (SP)
Hellbenders (GO)
Firetomb (PE)
Pandemmy (PE)
Leptospirose (SP)
Test (SP)

22/4 – Domingo
Antibalas (EUA)
Buraka Som Sistema (Portugal / Angola)
Nada Surf (EUA)
Otto (PE)
Mundo Livre SA (PE)
Leo Cavalcanti (SP)
Ska Maria Pastora (PE)
Bande Dessineé (PE)
Strobo (PA)

Serviço:
20ª edição do Abril Pro Rock
Dias: 20, 21 e 22 de abril
Local: Chevrolet Hall – Av. Agamenon Magalhães, s/n, Complexo de Salgadinho, Olinda – PE
Ingressos:
20/4 – Sexta-feira: R$ 60 (meia entrada) / R$ 70 + 1kg de alimento não perecível / R$ 120 (inteira)
21 e 22/4 – Sábado e domingo: R$ 30 (meia entrada) / R$ 40 + 1kg de alimento não perecível (social) / R$ 60 (inteira)
Restrição: de 14 a 16 anos, acompanhado dos pais. De 16 a 18 anos, com responsável legal autorizado pelos pais com documento com assinatura reconhecida em cartório.

Mais informações: http://abrilprorock.info/site/

Gerência de Imprensa/Comunicação Institucional
Telefone: 55 (21) 3224-1306 e 3224-2312
Plantão: 55 (21) 9921-1048 e 9985-9623
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Ademilde Fonseca foi responsável pela maior popularização do choro

Por: Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Uma das últimas imagens públicas da cantora Ademilde Fonseca é no excelente DVD “Sexo MPB O Show”, que registra a edição de 2010 da entrega do troféu de mesmo nome, organizado pelo pesquisador musical, produtor e jornalista Rodrigo Faour. Naquela noite, ela foi a grande homenageada e, assim, glorificada pelos colegas deve ser sempre lembrada. Afinal, poucas cantoras fizeram tanto pela música brasileira, a ponto de ficar conhecida como “rainha do choro”.

“O choro de agora em diante volta a ser apenas solado, porque ninguém mais conseguirá cantar suas melodias sinuosas, com a velocidade, a graça e a afinação de Ademilde, que um dia, informalmente durante uma festa na casa de Benedito Lacerda, sacou do bolso uma letra que conseguira do velho choro “Tico-tico no Fubá”, e mostrou ao flautista. Ele, extasiado, tratou de encaminhá-la à gravadora Columbia (depois Continental). Isso foi em 1942. Com isso, sem saber, estava criando um gênero: o choro cantado”, conta Faour.

Ademilde Fonseca trabalhou por mais de dez anos na rádio Tupi e gravou centenas de discos, dos quais vendeu mais de meio milhão de cópias, numa época em que atingir esses números era algo tremendamente difícil. A interpretação dela para “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, e “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu, é inigualável e marcou uma virada na música brasileira, quando o choro deixou de ser basicamente instrumental e passou a ser também cantado. Outros clássicos indispensáveis em seu repertório foram “Urubu Malandro”, “Galo Garnizé”, “Pedacinhos do Céu” e “Na Baixa do Sapateiro”, entre tantos outros.

“Ela simplesmente teve a honra de lançar alguns clássicos da música brasileira com letra, caso de ‘Apanhei-te cavaquinho’, ‘O que vier eu traço’ e ‘Brasileirinho’ – pérolas imortais. E ainda ‘Pedacinhos do céu’ e o baião ‘Delicado’, de Waldir Azevedo, que correu o mundo. Também lançou ‘Teco-teco’, depois regravada por Gal Costa. E um sem-número de maravilhas que estarão no CD duplo da série ‘Super Divas’, que pretendo lançar via EMI Music até o meio do ano. Infelizmente, ela não ficou viva para ver este disco, mas pelo menos me ajudou a concretizá-lo, me ajudando a localizar fonogramas raros e tecendo comentários faixa a faixa sobre suas 36 faixas. Como se não bastasse, tinha uma cabeça maravilhosa. Numa das minhas festas, disse que era preciso respeitar os artistas jovens, porque ‘até esses meninos que fazem funk, se você for ver tem uma dificuldade. Se você quiser fazer aquilo, não vai conseguir’. Ou seja, não tinha um pingo de recalque”, acrescenta Faour.

Ademilde Fonseca tinha 91 anos e sofria de problemas cardíacos. De acordo com a neta, Ana Cristina, ela teve um mal súbito e morreu em casa, no Rio de Janeiro, na noite de terça-feira, 27 de março. Nascida no Rio Grande do Norte (RN), ela deixa uma filha, a cantora Eimar Fonseca, três netas e quatro bisnetos. Seu último registro em disco foi no CD da jovem cantora Anna Bello, produzido pelo músico Edu Krieger.

Zé Geraldo na Quinta Cultural no dia 29 deste mês

Convite – Entrada livre

A sabedoria do boêmio

Por Ana Ferraz

Noite dessas, Paulo Vanzolini sonhou com uma poesia de Olavo Bilac que decorou quando ainda era rapazote. Os versos, que são muitos, vieram por inteiro. Aos 88 anos, o autor de composições que atravessaram gerações sem perder a força, como Ronda e Homem de Moral, conserva a prodigiosa memória e se mantém imperturbável diante da fama.

Considerado por muitos o embaixador do samba de São Paulo, ele agradece o epíteto. “Não é verdade, mas eu gosto”, diz, sorriso nos lábios. Acomodado numa poltrona de couro na modesta casa do Cambuci, “bairro cheio de bares ótimos”, o homem culto que cresceu rodeado de livros e se tornou zoólogo de reputação internacional põe em perspectiva a criação de uma vida, 70 composições e 155 trabalhos científicos. “Que glória é essa, meu Deus”, questiona, num lapso, o declarado ateu, bisneto de anarquista. “É uma glória muito humilde. Não tenho motivos para ser vaidoso.”

Nesta sexta 27, semana em que São Paulo completa 458 anos, Vanzolini concederá ao público o privilégio de tê-lo na Choperia do Sesc Pompeia. Instalado numa mesa, cervejinha à mão, o artista acompanhará alguns de seus grandes sucessos, interpretados por Ana Bernardo e Carlinhos Vergueiro. Entre uma canção e outra, o show será pontuado pelas reminiscências do compositor que, junto com Adoniran Barbosa, de quem foi “amigo de muitas cachacinhas”, traduziu a cidade de forma definitiva.

“Adoniran era ótima pessoa, nos dávamos muito bem. O cara mais desligado que já conheci. Vinha de família italiana do Vêneto. De menino o chamavam de Joanim.” Os longos papos entre Vanzolini e João Rubinato (Adoniran), que em sua simplicidade dizia não entender bem o que o cientista fazia (“ele mexe com zoológico, sei lá”), jamais renderam samba. “Sempre me pedem para contar como era nossa conversa. Era muito cotidiana. Não tinha nada demais. Era nossa conversa.”

A famosa Tiro ao Álvaro, relembra, surgiu como um presente do jornalista e escritor Osvaldo Molles ao amigo Adoniran. Foi Molles também o criador do personagem Charutinho, de tiradas engraçadas embaladas por sotaque italianado, que interpretou com grande sucesso na Rádio Record. “Adoniran acabou assumindo na vida real o personagem da ficção. No fundo, ele era mesmo só o Joanim.” Quando a saudade aperta, Vanzolini dirige-se ao Mercado Municipal, o Mercadão da capital paulista. “Colocaram uma estátua do Adoniran numa mesa. De vez em quando vou lá tomar uma cerveja com ele.”

A prosa animada de repente silencia. O olhar do compositor vagueia pela sala, ambiente que Ana Bernardo, sua atual mulher, define como “totalmente masculino”. Justifica-se a quase queixa: sobre um aparador, uma grande cobra de madeira exibe a boca aberta (souvenir comprado na Espanha). A seu lado, outra, bem mais modesta nas medidas, porém, verdadeira, exibe-se sobre um tronco. Para alívio dos visitantes, o exemplar não se move, foi plastificado graças a uma técnica especial. A terceira fica na mesinha de centro. Ao lado da porta de entrada, o cabideiro dá pistas sobre a atividade profissional do dono da casa. Ali estão os chapéus que Vanzolini usava para adentrar o mato em busca de bichos.

Foi com a zoologia que o boêmio ganhou a vida. Ele fez-se médico pela Universidade de São Paulo somente para facilitar o doutorado em zoologia, em Harvard, nos EUA. Especialidade: répteis. “Nunca examinei um doente na vida.” Por motivos óbvios, tem grande apreço por lagartos e lagartixas. Até hoje mantém a postos seu kit de pegar bicho. No ano passado, uma editora reuniu toda a sua produção científica. Também em 2011, a Fundação Conrado Wessel concedeu seu prêmio máximo a Vanzolini. “Vou receber em junho, na Sala São Paulo. É bom pra burro, são 300 mil reais”, admira-se. “Só que vou ter de pagar Imposto de Renda.”

Em um ano repleto de homenagens, Vanzolini receberá a Medalha Armando de Salles Oliveira. Um gesto de reconhecimento ao homem de números científicos robustos: 47 anos de trabalho no Museu de Zoologia, 31 deles como diretor, 40 mil animais capturados e a construção do mais completo acervo sobre répteis da América do Sul. A paixão pelos tais bichos começou quando ele ainda era imberbe. Aos 14 anos já estagiava no Instituto Biológico, onde foi iniciado na branquinha. “Todo fim de expediente rolava uma cachacinha, eu ganhava meia.”

No rastro dos répteis, muitas histórias. “Durante um trabalho na Argentina, fui comprar um disco da Mercedes Sosa e saí de braço dado com um soldado”, diverte-se. “O agente da polícia queria saber por que eu estava comprando aquele disco. Disse: ‘Ela é uma boa cantora’. O sujeito ficou olhando na minha cara. Me ameaçou, mas não podia fazer nada.”

Em tempos de ditadura, Vanzolini foi surpreendido por um convite impossível de ser recusado. O general Golbery do Couto e Silva, o “feiticeiro” do regime militar, o convocava a Brasília. Sem mais explicações. Enviou passagem aérea e limusine com motorista. “Ele mandou me chamar para passar um sabão. Queria me dizer que eu era contra o governo. E eu era. Me disse que isso poderia dar mau resultado.” Com calma inabalável, o cientista retrucou: “Isso vai depender de quem aguentar mais tempo, nós ou vocês”. Conversa encerrada, voltou para São Paulo.

Foi durante o tempo em que serviu na cavalaria que Vanzolini compôs um de seus maiores sucessos, Ronda, clássico que adquiriu a impressão digital de Márcia, sua mais reconhecida intérprete. “Eu sou Ronda”, já assumiu a cantora ao autor. A música é líder de pedidos nos karaokês até hoje. “As japonesas são as que mais pedem. No bar em que a Ana canta, vem escrito no guardanapo: Honda”, conta o compositor, rindo. A verdade, confessa, é que sua relação com a canção inspirada nas mulheres que observava no entra e sai dos bares à procura dos parceiros se desgastou. “Sabe o que as minhas filhas dizem? Fez, agora aguenta!” Vanzolini argumenta que a composição, de melodia pungente, é uma piada. “Começa dando a impressão de que a mulher procura o sujeito para se reconciliar, mas é para desperdiçar um pente de revólver.”

Vanzolini começou a compor quando frequentava a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Diz não ter ideia de qual foi a primeira composição. “Aliás, lembro, mas joguei fora, não prestava.” Outra meia dúzia teve a mesma infausta sorte. A criação favorita? “Não me ocorre nenhuma.” Dali a pouco cita aquela que considera uma de suas melhores, Longe de Casa eu Choro. “Fiz em Cambridge, pensando em São Paulo. Era uma poesia minha. O Paulinho Nogueira pegou o livro e disse: ‘Você não é poeta, é sambista. Aqui está cheio de letras de samba esperando música’. Paulinho era meu amigo de infância. Fez a melodia com Eduardo Gudin.” Outra que também teve o auxílio luxuoso de Paulinho Nogueira é Valsa das Três da Manhã. “Paulinho era um sujeito de qualidade humana excepcional.” A que mais rendeu? “Só uma deu dinheiro, Volta por Cima. Comprei livros para o Museu de Zoologia.”

Paradoxalmente, e para assombro de quem não o conhece, Vanzolini nada sabe de música. “Tenho péssimo ouvido. Não sei ler música, não sei o que é acorde”, jura. “Meu professor foi o rádio.” O método para preservar as composições consistia em decorá-las. “Se esquecesse perdia tudo. Dá uma mão de obra danada, por isso larguei”, diz. “Fica uma coisa obsessiva. Até que a música saia você não pensa em outra coisa.” O método Vanzolini de compor é outro mistério. “Inspiração a gente procura. Na cabeça. Geralmente começa com uma frase. Aí vem tudo junto, letra e melodia.”

Para quem supõe haver sempre algo autobiográfico em cada letra, o mestre desmente. “Nunca sofri com dor de cotovelo, por exemplo, é só um tema.” Na belíssima Quando Eu For Eu Vou sem Pena, interpretada por Chico Buarque em Acerto de Contas, coleção com quatro CDs que reúne a obra do autor (“essa caixa completou a minha vida”), o tom é triste. Uma tocante despedida. Mas não se trata exatamente disso. A inspiração atende pelos nomes de Miriam, Marina, Carol e Cris. “Eu estava numa fazenda, durante excursão do museu. Comecei a pensar em como seria quando partisse”, conta. “Eram as alunas que estavam ali, ele fez para elas”, entrega Ana Bernardo, diante do olhar risonho do poeta fingidor.

Boêmio de carteirinha, mulherengo apenas “na medida da necessidade”, Vanzolini adorava percorrer as ruas de São Paulo até altas horas, sozinho. Nesse périplo pela então metrópole da garoa, fez várias descobertas. “Uma vez abri uma porta e descobri os Macambiras. De outra, Virgínia Rosa.” Ana Bernardo, companheira dos últimos 15 anos, também foi um encontro patrocinado pela música. A filha do fundador dos Demônios da Garoa encantou o compositor com sua voz firme e melodiosa. “Ela entende a música que canta. É minha melhor intérprete.”

Autodefinido sambista tradicional, Vanzolini mantém o entusiasmo pela música. Ouve com admiração Noel Rosa, Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho, Sílvio Caldas, Cartola e Paulinho da Viola, entre outros grandes. E considera-se realizado. “Estou recebendo mais do que esperava. É muita recompensa no fim da vida”, comenta, com a sabedoria dos modestos. Na segunda-feira que antecede o carnaval, a Banda Redonda, fundada por Plínio Marcos, vai homenageá-lo. O enfarte que lhe surpreendeu em 2004, roubando-lhe 70% da capacidade cardíaca, provou ser incapaz de deter o poeta. “Estarei lá, lógico”, garante, com brilho no olhar.

*Carta Capital

Nara, uma mulher de opinião

São Paulo – “Meu ilustre marechal/ dirigente da nação,/ não deixe, nem de brinquedo,/ que prendam Nara Leão.” Com versos assim, o poeta Carlos Drummond de Andrade saía em defesa da jovem Nara Leão, que lançou seu primeiro LP justamente no ano do golpe, em 1964, quando o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco iniciava o ciclo dos militares presidentes. Ainda naquele ano, em viagens pelo país, a moça de Copacabana – ficaram famosos os encontros musicais em seu apartamento – conhece os trabalhos de gente como Caetano Veloso e Maria Bethânia. Anuncia um rompimento com a Bossa Nova e lança o segundo disco, “Opinião de Nara”, que vai inspirar o célebre espetáculo “Opinião”, dirigido por Augusto Boal, que tem Nara ao lado de Zé Kéti e João do Vale. “Podem me prender/ Podem me bater/ Podem até deixar-me sem comer/ Que eu não mudo de opinião/ Daqui do morro eu não saio, não.”

Nara Leão completaria 70 anos neste 19 de janeiro, mesmo dia em que se relembram os 30 anos da morte de Elis Regina. Não eram amigas, percorreram caminhos diferentes na música brasileira e, cada uma a seu modo, marcaram época. Capixaba que aos 2 anos foi para o Rio de Janeiro, Nara morreu em 1989, aos 47 anos, após uma longa batalha contra um câncer no cérebro. Para lembrar o aniversário da mãe, Isabel Diegues (filha de Nara e do cineasta Cacá Diegues), pôs no ar o site http://www.naraleao.com.br, com galeria de fotos, uma cronologia detalhada, a discografia (que pode ser ouvida) e documentos da cantora. “E esse é o meu presente: compartilhar sua obra para que todos possam se deliciar, ouvir e pesquisar à vontade”, disse Isabel na rede social Facebook, há alguns dias.

Tinha voz suave, mas falava firme. Foi em 1966 que Nara concedeu uma entrevista que causou repercussão, ao criticar o governo dos militares. A manchete do Diário de Notícias foi: “Nara é de opinião: esse exército não vale nada”. E foi o ano da consagração popular, quando interpretou “A Banda”, de Chico Buarque, no festival da TV Record, que causou agitação no país pela disputa com “Disparada” (de Geraldo Vandré e Theo de Barros), interpretada por Jair Rodrigues. No final, as duas composições foram declaradas vencedoras, por insistência de Chico. Ele e Nara dividiram durante alguns meses a apresentação do programa “Pra ver a banda passar”, também na Record. Pelo comportamento diante das câmeras, chegaram a ser considerados “desanimadores” de televisão.

Em 1968, quando o regime radicalizaria com o AI-5, Nara participou das manifestações contra o governo, protestou publicamente contra a morte do estudante Edson Luís, no Rio de Janeiro, e fez parte do disco “Tropicália ou Panis et Circenses”, cantando “Lindoneia”, de Caetano. Era um período de radicalização até na música, com direito a passeata contra as guitarras elétricas na MPB (para alguns, mais um ardil publicitário do que uma manifestação de fato), movimento condenado por Nara Leão. No final de 1969, ela vai com Cacá Diegues para o auto-exílio, na França. O casal retorna ao Brasil em 1971.

Os problemas de saúde foram descobertos em 1979, Nara vai alternar momentos de saúde bons e instáveis durante os dez anos seguintes. O último show foi em Belém. Morreu no Rio, em 7 de junho de 1989.

A primeira faixa de seu primeiro LP foi “Marcha da Quarta-feira de Cinzas”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes: “E no entanto é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade”.

http://www.naraleao.com.br/index.php?p=galeria

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UM NATAL-MUSICAL DA BAHIA PARA O MUNDO

VIDEO NOVO FORTALECE LA

“NOSSO SAMBA TÁ NA RUA”

Em entrevista ao jornalista Valmir Moratelli, do iG por ocasião do lançamento do CD de músicas inéditas “Nosso samba tá na rua” – dedicado a dona Ivone Lara, com canções sobre a negritude, o amor e o feminismo – a cantora Beth Carvalho é mordaz : “a CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura”, diz a cantora, presidente de honra do PDT.

“Só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade”iG: Em seu novo CD, a letra “Chega” é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?

Beth Carvalho: O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mnão é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários.

iG: De que forma o samba é machista?

Beth Carvalho: A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos).

iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?

Beth Carvalho: Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária.

iG: Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?

Beth Carvalho: Isso é muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre.

iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista?

Beth Carvalho: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz ‘me deixem em paz’. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.

iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?

Beth Carvalho: Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.

iG: Por quê?

Beth Carvalho: Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.

iG: Como quais?

Beth Carvalho: Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar.

iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?

Beth Carvalho: Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido  contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia.

iG: Este não seria um pensamento ultrapassado?

Beth Carvalho: Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes… A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.

iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.

Beth Carvalho: Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta)

iG: Com a democracia…

Beth Carvalho: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.

iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez…

Beth Carvalho: Não tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar.

iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?

Beth Carvalho: Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio.

iG: O samba vai resistir a esta “guerra” que a senhora diz existir?

Beth Carvalho: Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: “Nosso samba tá na rua”.

VÍDEO: BERLIN ENSEMBLE

ISTO É FRANCÊS

VÍTOR JARA, CANTOR CHILENO ASSASSINADO PELO DITADOR PINOCHET, CANTA “LA ZAMBA DEL CHÉ”

CHICO FALA SOBRE SUA TURNÊ COM O SHOW BASEADO EM SEU DISCO “CHICO”


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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