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Garagem Petrobras terá estúdio de gravação, exposição e música gratuita para comemorar os 20 anos do Abril Pro Rock
Publicado sexta-feira, 20 abril, 2012 r Cultura , Música , Política Deixar um Comentário20/4 – Sexta-feira
21/4 – Sábado
22/4 – Domingo
Serviço:
Gerência de Imprensa/Comunicação Institucional
Ademilde Fonseca foi responsável pela maior popularização do choro
Publicado quinta-feira, 29 março, 2012 r Arte , Cultura , Música , Mulher , Política Deixar um ComentárioPor: Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual
Uma das últimas imagens públicas da cantora Ademilde Fonseca é no excelente DVD “Sexo MPB O Show”, que registra a edição de 2010 da entrega do troféu de mesmo nome, organizado pelo pesquisador musical, produtor e jornalista Rodrigo Faour. Naquela noite, ela foi a grande homenageada e, assim, glorificada pelos colegas deve ser sempre lembrada. Afinal, poucas cantoras fizeram tanto pela música brasileira, a ponto de ficar conhecida como “rainha do choro”.
“O choro de agora em diante volta a ser apenas solado, porque ninguém mais conseguirá cantar suas melodias sinuosas, com a velocidade, a graça e a afinação de Ademilde, que um dia, informalmente durante uma festa na casa de Benedito Lacerda, sacou do bolso uma letra que conseguira do velho choro “Tico-tico no Fubá”, e mostrou ao flautista. Ele, extasiado, tratou de encaminhá-la à gravadora Columbia (depois Continental). Isso foi em 1942. Com isso, sem saber, estava criando um gênero: o choro cantado”, conta Faour.
Ademilde Fonseca trabalhou por mais de dez anos na rádio Tupi e gravou centenas de discos, dos quais vendeu mais de meio milhão de cópias, numa época em que atingir esses números era algo tremendamente difícil. A interpretação dela para “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, e “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu, é inigualável e marcou uma virada na música brasileira, quando o choro deixou de ser basicamente instrumental e passou a ser também cantado. Outros clássicos indispensáveis em seu repertório foram “Urubu Malandro”, “Galo Garnizé”, “Pedacinhos do Céu” e “Na Baixa do Sapateiro”, entre tantos outros.
“Ela simplesmente teve a honra de lançar alguns clássicos da música brasileira com letra, caso de ‘Apanhei-te cavaquinho’, ‘O que vier eu traço’ e ‘Brasileirinho’ – pérolas imortais. E ainda ‘Pedacinhos do céu’ e o baião ‘Delicado’, de Waldir Azevedo, que correu o mundo. Também lançou ‘Teco-teco’, depois regravada por Gal Costa. E um sem-número de maravilhas que estarão no CD duplo da série ‘Super Divas’, que pretendo lançar via EMI Music até o meio do ano. Infelizmente, ela não ficou viva para ver este disco, mas pelo menos me ajudou a concretizá-lo, me ajudando a localizar fonogramas raros e tecendo comentários faixa a faixa sobre suas 36 faixas. Como se não bastasse, tinha uma cabeça maravilhosa. Numa das minhas festas, disse que era preciso respeitar os artistas jovens, porque ‘até esses meninos que fazem funk, se você for ver tem uma dificuldade. Se você quiser fazer aquilo, não vai conseguir’. Ou seja, não tinha um pingo de recalque”, acrescenta Faour.
Ademilde Fonseca tinha 91 anos e sofria de problemas cardíacos. De acordo com a neta, Ana Cristina, ela teve um mal súbito e morreu em casa, no Rio de Janeiro, na noite de terça-feira, 27 de março. Nascida no Rio Grande do Norte (RN), ela deixa uma filha, a cantora Eimar Fonseca, três netas e quatro bisnetos. Seu último registro em disco foi no CD da jovem cantora Anna Bello, produzido pelo músico Edu Krieger.
Zé Geraldo na Quinta Cultural no dia 29 deste mês
Publicado quarta-feira, 28 março, 2012 r Cultura , Música , Política Deixar um ComentárioConvite – Entrada livre
Publicado terça-feira, 14 fevereiro, 2012 r Cultura , Música Deixar um ComentárioA sabedoria do boêmio
Publicado sexta-feira, 27 janeiro, 2012 r Arte , Cultura , Música Deixar um ComentárioPor Ana Ferraz
Noite dessas, Paulo Vanzolini sonhou com uma poesia de Olavo Bilac que decorou quando ainda era rapazote. Os versos, que são muitos, vieram por inteiro. Aos 88 anos, o autor de composições que atravessaram gerações sem perder a força, como Ronda e Homem de Moral, conserva a prodigiosa memória e se mantém imperturbável diante da fama.
Considerado por muitos o embaixador do samba de São Paulo, ele agradece o epíteto. “Não é verdade, mas eu gosto”, diz, sorriso nos lábios. Acomodado numa poltrona de couro na modesta casa do Cambuci, “bairro cheio de bares ótimos”, o homem culto que cresceu rodeado de livros e se tornou zoólogo de reputação internacional põe em perspectiva a criação de uma vida, 70 composições e 155 trabalhos científicos. “Que glória é essa, meu Deus”, questiona, num lapso, o declarado ateu, bisneto de anarquista. “É uma glória muito humilde. Não tenho motivos para ser vaidoso.”
Nesta sexta 27, semana em que São Paulo completa 458 anos, Vanzolini concederá ao público o privilégio de tê-lo na Choperia do Sesc Pompeia. Instalado numa mesa, cervejinha à mão, o artista acompanhará alguns de seus grandes sucessos, interpretados por Ana Bernardo e Carlinhos Vergueiro. Entre uma canção e outra, o show será pontuado pelas reminiscências do compositor que, junto com Adoniran Barbosa, de quem foi “amigo de muitas cachacinhas”, traduziu a cidade de forma definitiva.
“Adoniran era ótima pessoa, nos dávamos muito bem. O cara mais desligado que já conheci. Vinha de família italiana do Vêneto. De menino o chamavam de Joanim.” Os longos papos entre Vanzolini e João Rubinato (Adoniran), que em sua simplicidade dizia não entender bem o que o cientista fazia (“ele mexe com zoológico, sei lá”), jamais renderam samba. “Sempre me pedem para contar como era nossa conversa. Era muito cotidiana. Não tinha nada demais. Era nossa conversa.”
A famosa Tiro ao Álvaro, relembra, surgiu como um presente do jornalista e escritor Osvaldo Molles ao amigo Adoniran. Foi Molles também o criador do personagem Charutinho, de tiradas engraçadas embaladas por sotaque italianado, que interpretou com grande sucesso na Rádio Record. “Adoniran acabou assumindo na vida real o personagem da ficção. No fundo, ele era mesmo só o Joanim.” Quando a saudade aperta, Vanzolini dirige-se ao Mercado Municipal, o Mercadão da capital paulista. “Colocaram uma estátua do Adoniran numa mesa. De vez em quando vou lá tomar uma cerveja com ele.”
A prosa animada de repente silencia. O olhar do compositor vagueia pela sala, ambiente que Ana Bernardo, sua atual mulher, define como “totalmente masculino”. Justifica-se a quase queixa: sobre um aparador, uma grande cobra de madeira exibe a boca aberta (souvenir comprado na Espanha). A seu lado, outra, bem mais modesta nas medidas, porém, verdadeira, exibe-se sobre um tronco. Para alívio dos visitantes, o exemplar não se move, foi plastificado graças a uma técnica especial. A terceira fica na mesinha de centro. Ao lado da porta de entrada, o cabideiro dá pistas sobre a atividade profissional do dono da casa. Ali estão os chapéus que Vanzolini usava para adentrar o mato em busca de bichos.
Foi com a zoologia que o boêmio ganhou a vida. Ele fez-se médico pela Universidade de São Paulo somente para facilitar o doutorado em zoologia, em Harvard, nos EUA. Especialidade: répteis. “Nunca examinei um doente na vida.” Por motivos óbvios, tem grande apreço por lagartos e lagartixas. Até hoje mantém a postos seu kit de pegar bicho. No ano passado, uma editora reuniu toda a sua produção científica. Também em 2011, a Fundação Conrado Wessel concedeu seu prêmio máximo a Vanzolini. “Vou receber em junho, na Sala São Paulo. É bom pra burro, são 300 mil reais”, admira-se. “Só que vou ter de pagar Imposto de Renda.”
Em um ano repleto de homenagens, Vanzolini receberá a Medalha Armando de Salles Oliveira. Um gesto de reconhecimento ao homem de números científicos robustos: 47 anos de trabalho no Museu de Zoologia, 31 deles como diretor, 40 mil animais capturados e a construção do mais completo acervo sobre répteis da América do Sul. A paixão pelos tais bichos começou quando ele ainda era imberbe. Aos 14 anos já estagiava no Instituto Biológico, onde foi iniciado na branquinha. “Todo fim de expediente rolava uma cachacinha, eu ganhava meia.”
No rastro dos répteis, muitas histórias. “Durante um trabalho na Argentina, fui comprar um disco da Mercedes Sosa e saí de braço dado com um soldado”, diverte-se. “O agente da polícia queria saber por que eu estava comprando aquele disco. Disse: ‘Ela é uma boa cantora’. O sujeito ficou olhando na minha cara. Me ameaçou, mas não podia fazer nada.”
Em tempos de ditadura, Vanzolini foi surpreendido por um convite impossível de ser recusado. O general Golbery do Couto e Silva, o “feiticeiro” do regime militar, o convocava a Brasília. Sem mais explicações. Enviou passagem aérea e limusine com motorista. “Ele mandou me chamar para passar um sabão. Queria me dizer que eu era contra o governo. E eu era. Me disse que isso poderia dar mau resultado.” Com calma inabalável, o cientista retrucou: “Isso vai depender de quem aguentar mais tempo, nós ou vocês”. Conversa encerrada, voltou para São Paulo.
Foi durante o tempo em que serviu na cavalaria que Vanzolini compôs um de seus maiores sucessos, Ronda, clássico que adquiriu a impressão digital de Márcia, sua mais reconhecida intérprete. “Eu sou Ronda”, já assumiu a cantora ao autor. A música é líder de pedidos nos karaokês até hoje. “As japonesas são as que mais pedem. No bar em que a Ana canta, vem escrito no guardanapo: Honda”, conta o compositor, rindo. A verdade, confessa, é que sua relação com a canção inspirada nas mulheres que observava no entra e sai dos bares à procura dos parceiros se desgastou. “Sabe o que as minhas filhas dizem? Fez, agora aguenta!” Vanzolini argumenta que a composição, de melodia pungente, é uma piada. “Começa dando a impressão de que a mulher procura o sujeito para se reconciliar, mas é para desperdiçar um pente de revólver.”
Vanzolini começou a compor quando frequentava a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Diz não ter ideia de qual foi a primeira composição. “Aliás, lembro, mas joguei fora, não prestava.” Outra meia dúzia teve a mesma infausta sorte. A criação favorita? “Não me ocorre nenhuma.” Dali a pouco cita aquela que considera uma de suas melhores, Longe de Casa eu Choro. “Fiz em Cambridge, pensando em São Paulo. Era uma poesia minha. O Paulinho Nogueira pegou o livro e disse: ‘Você não é poeta, é sambista. Aqui está cheio de letras de samba esperando música’. Paulinho era meu amigo de infância. Fez a melodia com Eduardo Gudin.” Outra que também teve o auxílio luxuoso de Paulinho Nogueira é Valsa das Três da Manhã. “Paulinho era um sujeito de qualidade humana excepcional.” A que mais rendeu? “Só uma deu dinheiro, Volta por Cima. Comprei livros para o Museu de Zoologia.”
Paradoxalmente, e para assombro de quem não o conhece, Vanzolini nada sabe de música. “Tenho péssimo ouvido. Não sei ler música, não sei o que é acorde”, jura. “Meu professor foi o rádio.” O método para preservar as composições consistia em decorá-las. “Se esquecesse perdia tudo. Dá uma mão de obra danada, por isso larguei”, diz. “Fica uma coisa obsessiva. Até que a música saia você não pensa em outra coisa.” O método Vanzolini de compor é outro mistério. “Inspiração a gente procura. Na cabeça. Geralmente começa com uma frase. Aí vem tudo junto, letra e melodia.”
Para quem supõe haver sempre algo autobiográfico em cada letra, o mestre desmente. “Nunca sofri com dor de cotovelo, por exemplo, é só um tema.” Na belíssima Quando Eu For Eu Vou sem Pena, interpretada por Chico Buarque em Acerto de Contas, coleção com quatro CDs que reúne a obra do autor (“essa caixa completou a minha vida”), o tom é triste. Uma tocante despedida. Mas não se trata exatamente disso. A inspiração atende pelos nomes de Miriam, Marina, Carol e Cris. “Eu estava numa fazenda, durante excursão do museu. Comecei a pensar em como seria quando partisse”, conta. “Eram as alunas que estavam ali, ele fez para elas”, entrega Ana Bernardo, diante do olhar risonho do poeta fingidor.
Boêmio de carteirinha, mulherengo apenas “na medida da necessidade”, Vanzolini adorava percorrer as ruas de São Paulo até altas horas, sozinho. Nesse périplo pela então metrópole da garoa, fez várias descobertas. “Uma vez abri uma porta e descobri os Macambiras. De outra, Virgínia Rosa.” Ana Bernardo, companheira dos últimos 15 anos, também foi um encontro patrocinado pela música. A filha do fundador dos Demônios da Garoa encantou o compositor com sua voz firme e melodiosa. “Ela entende a música que canta. É minha melhor intérprete.”
Autodefinido sambista tradicional, Vanzolini mantém o entusiasmo pela música. Ouve com admiração Noel Rosa, Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho, Sílvio Caldas, Cartola e Paulinho da Viola, entre outros grandes. E considera-se realizado. “Estou recebendo mais do que esperava. É muita recompensa no fim da vida”, comenta, com a sabedoria dos modestos. Na segunda-feira que antecede o carnaval, a Banda Redonda, fundada por Plínio Marcos, vai homenageá-lo. O enfarte que lhe surpreendeu em 2004, roubando-lhe 70% da capacidade cardíaca, provou ser incapaz de deter o poeta. “Estarei lá, lógico”, garante, com brilho no olhar.
*Carta Capital
Nara, uma mulher de opinião
Publicado sexta-feira, 20 janeiro, 2012 r Brasil , Cultura , Música , Política 1 ComentárioSão Paulo – “Meu ilustre marechal/ dirigente da nação,/ não deixe, nem de brinquedo,/ que prendam Nara Leão.” Com versos assim, o poeta Carlos Drummond de Andrade saía em defesa da jovem Nara Leão, que lançou seu primeiro LP justamente no ano do golpe, em 1964, quando o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco iniciava o ciclo dos militares presidentes. Ainda naquele ano, em viagens pelo país, a moça de Copacabana – ficaram famosos os encontros musicais em seu apartamento – conhece os trabalhos de gente como Caetano Veloso e Maria Bethânia. Anuncia um rompimento com a Bossa Nova e lança o segundo disco, “Opinião de Nara”, que vai inspirar o célebre espetáculo “Opinião”, dirigido por Augusto Boal, que tem Nara ao lado de Zé Kéti e João do Vale. “Podem me prender/ Podem me bater/ Podem até deixar-me sem comer/ Que eu não mudo de opinião/ Daqui do morro eu não saio, não.”
Nara Leão completaria 70 anos neste 19 de janeiro, mesmo dia em que se relembram os 30 anos da morte de Elis Regina. Não eram amigas, percorreram caminhos diferentes na música brasileira e, cada uma a seu modo, marcaram época. Capixaba que aos 2 anos foi para o Rio de Janeiro, Nara morreu em 1989, aos 47 anos, após uma longa batalha contra um câncer no cérebro. Para lembrar o aniversário da mãe, Isabel Diegues (filha de Nara e do cineasta Cacá Diegues), pôs no ar o site www.naraleao.com.br, com galeria de fotos, uma cronologia detalhada, a discografia (que pode ser ouvida) e documentos da cantora. “E esse é o meu presente: compartilhar sua obra para que todos possam se deliciar, ouvir e pesquisar à vontade”, disse Isabel na rede social Facebook, há alguns dias.
Tinha voz suave, mas falava firme. Foi em 1966 que Nara concedeu uma entrevista que causou repercussão, ao criticar o governo dos militares. A manchete do Diário de Notícias foi: “Nara é de opinião: esse exército não vale nada”. E foi o ano da consagração popular, quando interpretou “A Banda”, de Chico Buarque, no festival da TV Record, que causou agitação no país pela disputa com “Disparada” (de Geraldo Vandré e Theo de Barros), interpretada por Jair Rodrigues. No final, as duas composições foram declaradas vencedoras, por insistência de Chico. Ele e Nara dividiram durante alguns meses a apresentação do programa “Pra ver a banda passar”, também na Record. Pelo comportamento diante das câmeras, chegaram a ser considerados “desanimadores” de televisão.
Em 1968, quando o regime radicalizaria com o AI-5, Nara participou das manifestações contra o governo, protestou publicamente contra a morte do estudante Edson Luís, no Rio de Janeiro, e fez parte do disco “Tropicália ou Panis et Circenses”, cantando “Lindoneia”, de Caetano. Era um período de radicalização até na música, com direito a passeata contra as guitarras elétricas na MPB (para alguns, mais um ardil publicitário do que uma manifestação de fato), movimento condenado por Nara Leão. No final de 1969, ela vai com Cacá Diegues para o auto-exílio, na França. O casal retorna ao Brasil em 1971.
Os problemas de saúde foram descobertos em 1979, Nara vai alternar momentos de saúde bons e instáveis durante os dez anos seguintes. O último show foi em Belém. Morreu no Rio, em 7 de junho de 1989.
A primeira faixa de seu primeiro LP foi “Marcha da Quarta-feira de Cinzas”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes: “E no entanto é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade”.
SAVE OUR SOULS, SAB. 21-01 @ LOUNGE – BRAGA
Publicado quinta-feira, 19 janeiro, 2012 r Cultura , Música 1 ComentárioUM NATAL-MUSICAL DA BAHIA PARA O MUNDO
Publicado sábado, 24 dezembro, 2011 r Cultura , Música , Natal Deixar um Comentário“NOSSO SAMBA TÁ NA RUA”
Publicado terça-feira, 29 novembro, 2011 r Cultura , Música , Política 1 ComentárioEm entrevista ao jornalista Valmir Moratelli, do iG por ocasião do lançamento do CD de músicas inéditas “Nosso samba tá na rua” – dedicado a dona Ivone Lara, com canções sobre a negritude, o amor e o feminismo – a cantora Beth Carvalho é mordaz : “a CIA quer acabar com o samba. É uma luta contra a cultura brasileira. Os Estados Unidos querem dominar o mundo através da cultura”, diz a cantora, presidente de honra do PDT.
“Só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade”iG: Em seu novo CD, a letra “Chega” é visivelmente feminista. Por que é raro o samba dar voz a mulheres?
Beth Carvalho: O mundo, não só o samba, é machista. Melhorou bastante devido à luta das mulheres, mas a cada cinco minutos uma mulher apanha no Brasil. É um absurdo. Parece que está tudo bem, mnão é bem assim. Sempre fui ligada a movimentos libertários.
iG: De que forma o samba é machista?
Beth Carvalho: A maioria dos sambistas é homem. Depois de mim, Clara Nunes e Alcione, as coisas melhoraram. O samba é machista, mas o papel da mulher é forte. O samba é matriarcal, na medida que dona Vicentina, dona Neuma, dona Zica comandam os bastidores da história. Eu, por exemplo, sou madrinha de muitos homens (risos).
iG: A senhora é vizinha da favela da Rocinha. Como vê o processo de pacificação?
Beth Carvalho: Faltou, por muitos anos, a força do estado nestas comunidades. Agora estão fazendo isso de maneira brutal e, de certa forma, necessária. Mas se não tiver o lado social junto, dando a posse de terreno para quem mora lá há tanto tempo, as pessoas vão continuar inseguras. E os morros virarão uma especulação imobiliária.
iG: Alguns culpam o governo Leonel Brizola (1983-1987/1991-1994) pelo fortalecimento do tráfico nos morros. A senhora, que era amiga do ex-governador, concorda?
Beth Carvalho: Isso é muito injusto. É absurdo (diz em tom áspero). Se tivessem respeitado os Cieps, a atual geração não seria de viciados em crack, mas de pessoas bem informadas. Brizola discutia por que não metem o pé na porta nos condomínios da Avenida Viera Souto (em Ipanema) como metem nos barracos. Ele não podia fazer milagre.
iG: Aqui na sua casa há várias imagens de Che Guevara e de Fidel Castro. Acredita no modelo socialista?
Beth Carvalho: Eu só acredito no modelo socialista, é o único que pode salvar a humanidade. Não tem outro (fala de forma enfática). Cuba diz ‘me deixem em paz’. Os Estados Unidos, com o bloqueio econômico, fazem sacanagem com um país pobre que só tem cana de açúcar e tabaco.
iG: Mas e a falta de liberdade de expressão em Cuba?
Beth Carvalho: Eu não me sinto com liberdade de expressão no Brasil.
iG: Por quê?
Beth Carvalho: Porque existe uma ditadura civil no Brasil. Você não pode falar mal de muita coisa.
iG: Como quais?
Beth Carvalho: Não falo. Tem uma mídia aí que acaba com você. Existe uma censura. Não tem quase nenhum programa de TV ao vivo que nos permita ir lá falar o que pensamos. São todos gravados. Você não sabe que vai sair o que você falou, tudo tem edição. A censura está no ar.
iG: Mas em países como Cuba a censura é institucionalizada, não?
Beth Carvalho: Não existe isso que você está falando, para começo de conversa. Cuba não precisa ter mais que um partido. É um partido contra todo o imperialismo dos Estados Unidos. Aqui a gente está acostumada a ter vários partidos e acha que isso é democracia.
iG: Este não seria um pensamento ultrapassado?
Beth Carvalho: Meu Deus do céu! Estados Unidos têm ódio mortal da derrota para oito homens, incluindo Fidel e Che, que expulsaram os americanos usando apenas o idealismo cubano. Os americanos dormem e acordam pensando o dia inteiro em como acabar com Cuba. É muito difícil ter outro Fidel, outro Brizola, outro Lula. A cada cem anos você tem um Pixinguinha, um Cartola, um Vinicius de Moraes… A mesma coisa na liderança política. Não é questão de ditadura, é dificuldade de encontrar outro melhor para ocupar o cargo. É difícil encontrar outro Hugo Chávez.
iG: Chávez é acusado por muitos de ter acabado com a democracia na Venezuela.
Beth Carvalho: Acabou com o quê? Com o quê? (indaga com voz alta)
iG: Com a democracia…
Beth Carvalho: Chávez é um grande líder, é uma maravilha aquele homem. Ele acabou com a exploração dos Estados Unidos. Onde tem petróleo estão os Estados Unidos. Chávez acabou com o analfabetismo na Venezuela, que é o foco dos Estados Unidos porque surgiu um líder eleito pelo povo. Houve uma tentativa de golpe dos americanos apoiada por uma rede de TV.
iG: A emissora que fazia oposição ao governo e que foi tirada do ar por Chávez…
Beth Carvalho: Não tirou do ar (fala em tom áspero). Não deu mais a concessão. É diferente. Aqui no Brasil o governo pode fazer a mesma coisa, televisão aberta é concessão pública. Por que vou dar concessão a quem deu um golpe sujo em mim? Tem todo direito de não dar.
iG: A senhora defende que o governo brasileiro deveria cassar TV que faz oposição?
Beth Carvalho: Acho que se estiver devendo, deve cassar sim. Tem que ser o bonzinho eternamente? Isso não é liberdade de expressão, é falta de respeito com o presidente da República. Quem cassava direitos era a ditadura militar, é de direito não dar concessão. Isso eu apoio.
iG: O samba vai resistir a esta “guerra” que a senhora diz existir?
Beth Carvalho: Samba é resistência. Meu disco é uma resistência, não deixa de ser uma passeata: “Nosso samba tá na rua”.
VÍDEO: BERLIN ENSEMBLE
Publicado terça-feira, 29 novembro, 2011 r Cultura , Música , Política Deixar um ComentárioISTO É FRANCÊS
Publicado segunda-feira, 28 novembro, 2011 r Cultura , Música , Política Deixar um ComentárioVÍTOR JARA, CANTOR CHILENO ASSASSINADO PELO DITADOR PINOCHET, CANTA “LA ZAMBA DEL CHÉ”
Publicado quinta-feira, 3 novembro, 2011 r America Do Sul , Cultura , Historia , Música , Política Deixar um ComentárioCHICO FALA SOBRE SUA TURNÊ COM O SHOW BASEADO EM SEU DISCO “CHICO”
Publicado sexta-feira, 14 outubro, 2011 r Cultura , Música , Notícia , Política Deixar um Comentário
AFIN-SAMBA: UM BALANÇO COMUNALIDADE
Publicado segunda-feira, 22 agosto, 2011 r Afin , Música Deixar um ComentárioMais um samba
Queremos samba
Quem está pedindo
É a voz do povo do País
(Zé Ketti)

E, como havia sido noticiado neste intempestivo bloguinho, chegou o dia da realização dos movimentos livres do corpo na ginga-mundo, do riso solto na alegria do encontro liberador de afetos construtivos, no ritmo pulsante da vida… Afin-Samba: Um Balanço Comunalidade!





E assim uma moçada do Novo Aleixo, na zona Leste de Manô, foi chegando para compor com os bebes, os comes, trazendo suas questões democratizantes para balançar os quadris e mundo, enquanto uma outra moçada afinada segurava a batida e o samba no gogó pra todo o povo ouvir e cantar…



Eu te prometi mundos e fundos
mas não queria te magoar
Eu não resisto aos botequins mais vagabundos
mas não pretendia te envergonhar
marquei bobeira…
(Moacyr Luz e Aldir Blanc)

Companheira Liê, movimentado a voz nas proximidades das linhas melódicas afinadas.

No repertório passaram pelo o Afin-Samba toda uma multidão dos sambistas e sambambans que não estão imóveis na industrialização cultural. Ouve aí: Monarco, Nelson Cavaquinho, Ney Lopes, Beth Carvalho, Cartola, Gonzaguinha, Clementina, Lecy Brandão, Noca da Portela e muitos mais e mais…

No meio da moçada afinada, a presença da companheira Ingrid, que segura o samba no pé e soltou a voz…

Vai barracão, pendurado no morro
E pedindo socorro, a cidade a seus pés
Vai barracão, tua voz eu escuto
Não te esqueço um minuto
Porque sei que tu és
(Luiz Antônio/Oldemar Magalhães)

E seguiu pela madrugada a brincadeira afinada, o pagode de reunir a moçada para afinar/afirmar as singularidades no aumento democrático das potências do povo.

Companheiro Kiko, pedreiro na régua e na colher, muito conhecido nas redondezas porque quando solta a voz… ainda mais quando o no violão surge o Maurício para compartilhar a batida…

E o Elden mostrando a que veio ao Novo Aleixo, um verdadeiro pé de samba.

E como Manô é composta da migração de diversos povos, a Afin entra na afirmação também das multiplicidades sonoras, e aí veio também o carimbó do Pará, o reggae maranhense e outras musicalidades para compor com o samba…

E também o companheiro engajado Jean caiu no samba para animar mais ainda a festa com sua afinação.
É, o teu castigo, brigou comigo
Sem ter por que, eu vou festejar
Vou festejar o teu sofrer, o teu penar




Meu samba é a voz do povo
Se alguém gostou
Eu posso cantar de novo
(João do Vale)
AFIN-SAMBA: UM SAMBA COMUNALIDADE
Publicado quarta-feira, 3 agosto, 2011 r Afin , Música Deixar um ComentárioSTF DECIDE QUE MÚSICOS NÃO PRECISAM DE REGISTRO PARA EXERCER A PROFISSÃO
Publicado terça-feira, 2 agosto, 2011 r Arte , Cultura , Justiça , Música , Notícia , Política 1 ComentárioO Supremo Tribunal Federal (STF), após julgar recurso da seccional da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) de Santa Catarina contra um tribunal que declarou a cobrança do registro de músico para que o profissional pudesse trabalhar, decidiu que a carteirinha não é mais obrigatória para os músicos. A ação tramitava no STF desde 2004.
Para os ministros do STF que julgaram o recurso qualquer restrição à liberdade profissional deve ser motivada por questões técnicas, o que para o STF não é a questão dos músicos.
“A liberdade de exercício profissional, que está registrada no Inciso 13 do Artigo 5, é quase absoluta. Qualquer restrição só se justifica se tiver interesse público e não há qualquer risco de dano social com a música”, analisou a ministra Ellen Gracie, que também foi acompanhada em sua votação pelos outros ministros. Com a decisão, agora qualquer caso semelhante será julgado individualmente.
Segundo o ministro Ayres Brito, a exigência da carteirinha implica em cerceamento da liberdade de criação. O ministro tomou posição favorável aos músicos movido tanto por sua função jurídica e também por se tomar poeta.
“Essa limitação é rechaçada pela Constituição Federal”, disse o ministro.
ENTREGA DE CARTEIRINHAS NO KINEMASÓFICO E ENSAIO DO AFIN-SAMBA
Publicado quarta-feira, 27 julho, 2011 r Afin , Kinemasófico , Música Deixar um Comentário
Como ocorre todos os domingos na sede da Associação Filosofia Itinerante – AFIN, de quem este bloguinho é vetor virtualizante, há uma multiplicidade de atividades disjuntoras que movimentam encontros imprevisíveis, onde tudo se torna possível. Uma alegria de festejar a vida.

Após os ensaios e conversas sobre as virtualizações que a Afin pretende atualizar, veio o Kinemasófico, como soi a ocorrer há dois anos e meio. Nesse domingo, o cinema selecionado pelo Vinicius Padilla foi O Serviço de Entregas da Kiki (Majo no takkyûbin, 1989), do diretor japonês Hayao Miyazaki, o mesmo diretor de Castelo Animado, Meu Vizinho Totoro, A Viagem de Chihiro e Ponyo, entre outros.

Sinopse: Kiki é um descendente de uma comunidade de bruxas e está fazendo 13 anos. Conforme os costumes de seu povo deve aprender a se virar sozinha. Então lhe é dada uma vassoura e Kiki vai para a cidade grande. Para e, para conseguir sobreviver, acaba ajudando em um estranho serviço de entregas.

Enquanto isso, o Nelson Rocha (Noelson), auxiliado por uma moçada afinada, preparava lá atrás um delicioso cachorro-quente para compartilhar o mata-broca depois da projeção.

Ao final, veio a entrega das novas carteirinhas da Afin, que desenvolve várias atividades, como o próprio Kinemasófico, a Bibliosofia, Atendimento Esquizo-Terapêutico, Cursos de Inglês e Espanhol, Curso de Fantoche, entre outros que você pode conferir no “sobre a Afin” acima.

Todas as atividades da Afin são gratuitas e sem qualquer fim lucrativo, politicogástrico, etc. A única gratificação são os encontros gratificantes.


E então o desbrocante já estava preparado e foi o momento da festa dionisíaca alimentícia, enquanto rolava aquele som e a criançada brincava e sorria em mais um domingo festivo.



E ainda tinha mais. Como o Welton Oda já estava no embalo com a garotinha Kaidara, era só pegar o pandeiro. Chegou a hora do ensaio do Afin-Samba, uma reunião de música, bebes e outras questões democratizantes que será realizado pela Afin com o pessoal da comunidade do Novo Aleixo.


Logo logo estaremos deixando o convite neste bloguinho para quem quiser participar dessa festança da ginga que movimenta o corpo e a alma para outros planos de existências… A Liê já caiu no meio! Vamos lá, Cafuzim, segura no cavaco! Olha a ginga no corpo, Lucicléia! A vida é um samba!


“I’ve been livin’ like a star ’cause it’s gettin’ me high
Forget the hearse, ’cause I never die
I got nine lives, cat’s eyes
Abusing every one of them and running wild”*
“O que caminha na sua própria via não encontra ninguém”, diz Nietzsche no início da Aurora. Em 2008, uma criança de sete anos colocou uma música para ouvirmos e dançarmos. Back to Black, Amy Winehouse. Que voz! Aquela voz, devia ser uma mulher grande, talvez gorda, negra com certeza. Somente uma mulher negra, Billie Holiday, Areta Franklin, para carregar, ou melhor, deixar passar aquela voz. Que surpresa ao vermos na tela do computador um corpo frágil, que mal parecia ter saído da adolescência. Um corpo que para se sustentar de pé num palco devia ter linhas de uma marionete invisível para sustentá-lo. Linda, linda, linda. De onde vinha aquela voz? No seu tronco provavelmente não havia outros órgãos, apenas os pulmões e o diafragma. Não nos tornamos seu fã, não sabemos o nome de uma outra música fora a citada acima – o que nos importa é a voz – embora tenhamos ouvido muitas outras –, mas toda vez que a víamos/ouvíamos rogávamos a todos os santos, cabocos e orixás que a protegessem de mau-olhado e outras mandingas. Percebíamos que qualquer sopro frio de ar poderia perturbá-la, destruí-la. Ninguém podia fazer nada? Álcool, drogas, rock and roll. Apenas exterioridades. Seu namorado nada compreendia? Sua mãe declarou que a qualquer momento ela poderia aparecer morta. Estava sozinha. Os narcóticos, principalmente o álcool, ao contrário do que a mídia sequelada expressava, não eram uma dependência, mas uma linha de fuga libertadora, que lhe auxiliava a suportar a beleza e uma potência desmedida que nenhum corpo conseguiria suportar, no sentido que Deleuze percebe em F. Scott Fitzgerald. “O brilho, a versatilidade da loucura assemelham-se aos recursos da água que se infiltra num dique, passa por cima, e à sua volta”. Na sexta-feira passada num bar um amigo contou o episódio em que ela subiu num palco bêbada e começou a transformar as músicas de seu repertório em variações. O melhor show de sua vida. Pois é – replica o amigo -, a plateia, europeia, estupidamente ritmada, nada percebeu. Vaiou. Ninguém pulou no palco para beijar suas mãos. “Ninguém o vem auxiliar no seu empreendimento: perigos, acaso, maldades e tempestades, tudo quanto o assalta deve ser ele próprio a ultrapassá-lo”, continua o filósofo alemão. Ontem, 23 de julho de 2011, Winehouse resolveu ultrapassar tudo e lançou-se numa canção para si mesma. Partiu assim como nasceu: sozinha. Alguém poderia dizer que uma garota magérrima chamada Amy Winehouse não teve muita sorte no mundo em que viveu. Ninguém pode sustentar um olhar verdadeiro diante do seu olhar verdadeiro. A morte não existe. Winehouse, solidária como era, apenas resolveu expandir para todo o mundo todo o ar que carregava em seu corpo frágil. O sopro da Vida. Ninguém esquecerá a voz Winehouse numa tarde de verão há três anos atrás cantando Back in Black, dançando com uma criança, como uma criança. Para toda a vida…
* “Tenho vivido como uma estrela porque isso tem me deixado doidão / Esqueça o carro fúnebre, porque eu nunca morrerei / Tenho nove vidas, olhos de gato / Insultando a cada um deles e ficando louco”(Trecho de Back to Black)
Um brinde vital à esquiza Amy Winehouse
Publicado domingo, 24 julho, 2011 r Música , Mulher Deixar um ComentárioUma das maiores cantoras que o Reino Unido já teve e que mostrou que não precisa de muita frescura. É só simplicidade, alegria e uma bela rouca voz para ser rainha. Que a moral victoriana diga o que for, pois ela não alcança teu reinado. Muitos por diversas vezes tentaram mostrar você como uma mulher problema, sem direcionamentos. Ela bem sabia que a vida é um movimento contiinuoo sem objetivos e que a moral imobiliza a si própria e aos que nelas. Um movimento dionisíaco que não se encaixa na acefalia da imprensa, do mundo in-artístico, dos empresários. Eu não me chamo Raimundo Raymond então… Seu nome é Amy Winehouse.
Amy Winehouse assim como qualquer artista, ou daqueles que fazem da vida o movimento deviriano produtivo, nunca se morrerá. Ela estará viva em suas produções musicais,memórias, estilos e voz. Isto tudo apesar de sabermos que ontem a tarde foi anunciado sua morte, e da qual será apenas divulgado a causa amanhã.
Amy Winehouse foi uma pontuação esquizo dentro da música popular, ou americaniamente mercanizado como música pop. Apesar de ser popular, ter hits, tocar nas rádios fms e ams, estar na “audiência”, ter fãs, Amy não era pop. Nem no estilo que se destacava por um envolvimento próprio com tons de jazz, blues, e até uma dose de salsa e uma pitada de funk.
Mas também não precisava “fazer tipo” na mídia, ou se mostrar uma criação da indústria fonográfica. Amy é o que está fazendo. Ela não se punha como uma modelo e nem como uma possuidora de um talento musical. Ela cantava, tomava umas, namorava e tentava fugir das armadilhas do sentimento petrificado.
Constantemente os jornais, revistas, teveleseira, telejornais e outros meios tratavam Amy como a “garota problema”, “fazedora de confusões”, viciada entre outras coisas. Entretanto os problemas que Amy e muitos de nós se prendemos é na crença da objetividade, de não perceber o novo momento e se prender ao passado, de criar armadilhas ee se chantagear, de se prender e improdutivizar nos sentimentos, de aceitar o capitalismo e o individualismo como única forma existente.
Este bloguinho sempre colocou os fatos sobre Amy Winehouse sem nenhum julgamento moral, ou vontade de que “ela fosse diferente”. Não podemos querer nada. Sabemos das limitações existentes em cada um. Há um mês divulgamos neste Esquizofia nas notas esquizas o fato dela ter feito um show de sua turnê européia (depois da rehab-rehabilitação) onde subiu no palco embriagada, fazia várias pausas nas músicas dignos de um bom breque do Moreira da Silva e esqueceu as letras da sua música, inventado outras palavras no lugar. O público vaiou a cantora, e não percebeu que talvez naquele momento ela esta em sua produção de outras melodias e dizeres. Porém o show foi encerrado pelos produtores e sua turné européia cancelada. A mídia caiu em cima, e não houve uma análise esquizo do fato que aborreceu os “fãs”.

Amy nos brindou com sua música, com a sua beleza, com os seus movimentos e com sua existência repleta de diversos momentos esquizos. E este bloguinho sabe que esta morte representa um corte (esquizo) na produção de Amy, mas sabemos que continuaremos envolvidos nesta alegria dionizante que Amy deixou em suas músicas, histórias, fotos, concertos, rostos, danças, na sua de-afin-o-desatino,em sua existência.





































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