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O famigerado “Doutor Cureta”

Clínica clandestina de aborto? O adjetivo “clandestina”, atribuído, pela imprensa amazonense, ao local de trabalho de Durval Herculano Carriço, de fato, não o faz justiça.

Desde o final da década de 1980, quando este vosso escrivinhador circulava, em diagonal, pelas estreitas ruas do Alvorada em um coletivo de rodas dianteiras e traseiras bastante desalinhadas, era possível ver a fila de mulheres gestantes que se formava em certa casa da Rua Lóris Cordovil.
A atividade que, portanto, era bastante conhecida do manauara e, evidentemente contou, por décadas, com o aval e a complacência do Poder Público poderia ser adjetivada de muitas coisas, mas nunca de clandestina.
Doutor “Cureta” não é um destes tantos médicos amazonenses assistencialistas, que posam de semideuses para faturar dividendos econômicos e políticos. Não fazia consultas “grátis”, não era engajado como um “médico sem fronteira”, um “cruz-vermelha”. Durval é um comerciante, um homem que faz negócios voltados para mulheres das classes populares. Ao menos este era o perfil das mulheres que vi, diariamente, em frente ao seu consultório, durante os quatro anos em que fui usuário do “Alvorada-Ceasa”, hoje mais conhecido pela alcunha metropolitana de “ 213” .
Em suas falas, tantas vezes registradas pelos periódicos locais, nunca se via qualquer julgamento moral em relação à escolha de suas pacientes. Durval não admoesta nem estimula suas pacientes a abortar. Orienta e executa.
Doutor Cureta assim procede, conforme ele próprio afirma, há mais de 40 anos. Com ele não há erro médico, já que não pode arriscar-se a ser denunciado, a chamar a atenção dos “agentes da lei”.
No Brasil cristão, mais de um milhão de abortos são realizados, anualmente, boa parte deles em condições precárias, sem a experiência e a tecnologia oferecidas por médicos como Durval, hoje um foragido da justiça.
Abortos não ocorrem por causa da existência de médicos que os executam. Milhões de abortos são realizados, em todo o mundo, com ou sem assistência médica. Fechar os olhos para esta realidade, como querem tantos moralistas cristãos, é condenar, sobretudo, mulheres de baixa renda, já abandonadas por seus parceiros, a outra forma de abandono: a falta de assistência médico-hospitalar.
Mulheres que abortam são consideradas criminosas, pela justiça. De seus parceiros homens, co-responsáveis pela gravidez, a justiça brasileira nada exige. Ao arrepio da lei, na clínica de Durval, suas clientes nunca foram tratadas como criminosas.

GRAVIDEZ DE FETOS ANENCÉFALOS É APROVADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou procedente a ação movida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) que pedia a autorização para interromper a gravidez nos casos de afetos anencéfalos, sem que a prática seja considerada aborto criminoso. A ação tramitava na Corte desde 2004. A discussão para decisão durou dois deias de julgamento.

Foram oito votos a favor contra dois contra. No primeiro dia julgamento, quarta-feira, dia 11, o relator Marco Aurélio de Mello, que votou a favor da ação, teve sua decisão seguida pelos ministros Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Carmen Lúcia e Luiz Fux. O ministro Ricardo Lewandowsky votou contra. Ontem, dia 12, o segundo dia de julgamento, os ministros Carlos Ayres Brito, Celso de Mello e Gilmar Mendes fecharam a ordem dos ministros a favor da ação, enquanto o presidente do STF, ministro Cezar Peluzo, fechou a ordem dos que votaram contra.  

Como já havia sido anunciado, o ministro Dias Toffoli, não votou porque ele se recusou argumentando que quando era advogado-geral da União (AGU) teria se posicionado a favor da paralisação da gravidez.

Defendendo seu voto contra, o ministro Cezar Peluzo, disse que o portador de anencefalia tem vida, por isso a interrupção da gravidez pode ser considerada crime.

“É possível imaginar o ponderável risco que, se julgada procedente essa ação, mulheres entrem a pleitear igual tratamento jurídico na hipótese de outras anomalias”, afirmou o ministro Cezar Peluso.

Com a aprovação da ação a legislação atual muda. Atualmente a legislação só permite interrupção da gravidez em casos de estupro ou risco da saúde da mulher grávida. Escapando dessas legalizações as mulheres que praticarem aborto podem ser condenadas de uma a três anos de cadeia e o médico de um a quatro anos. Mulheres tiveram quer pleitear recursos judiciais para interromper esse tipo de gestação anencefálica.

Depois que foi declarado o resultado, Maria Angélica de Oliveira, se dizendo espírita, aos berros vociferou contras os ministros que votaram a favor da ação de interrupção da gravidez.

“Não respeito toga manchada de sangue”!,gritou Angélica.

Por sua vez, a Federação Espírita Brasileira, disse que não autorizou ninguém a falar sobre seu nome.

Enquanto isso, um grupo de feminista comemorava o resultado como mais uma vitória em seus direitos mentais e corporais.

Na altura da decisão, possivelmente, o deputado-pastor, Feliciano, que se diz cristão sem entender o logos de Cristo, deve encontra-se conjecturando mil profecias contra as mulheres e as crianças, já que ele afirmou que se a ação fosse aprovada ia ocorrer um assassinato em massa de crianças.

Desejando mal às crianças, o Feliciano ainda se diz cristão. Um desejo nada feli(z)ciano.

CONTINUA HOJE O JULGAMENTO DA AÇÃO QUE PEDE A DESCRIMINALIZAÇÃO DO ABORTO PARA GRAVIDEZ DE ANENCÉFALO

Continua hoje, dia 12, a partir das 14h, o julgamento da ação que pede a descriminalização do aborto no caso de gravidez de feto anencéfalo. O julgamento foi suspenso ontem, dia 11, depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, suspendeu a sessão.

Apesar da suspensão seis ministros, dos onze, já votaram, sendo que cinco a favor que a mulher opte pela paralisação da gravidez, e um pela negação. Os seis ministros que votaram a favor do direito da mulher decidir sobre a interrupção da gravidez foram os ministros Marco Aurélio Mello, relator que justificou seu voto favorável citando a Bíblia e a Igreja Católica, Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Luiz Fux e Carmen Lúcia. O que votou contra foi o ministro Ricardo Lewandowsky.

Os ministros que faltam votar, e provavelmente, votaram hoje, são os ministros Ayres Brito, Celso de Mello, Gilmar Mendes e Cezar Peluzo. O ministro Dias Toffoli se julgou impedido de votar porque, segundo ele, quando era advogado-geral da União (AGU) defendeu a interrupção da gestação de fetos anencéfalos.

O ministro relator, Marco Aurélio de Mello, leu seu voto durante 2 horas e 15 minutos e disse que era procedente a ação em julgamento.

“O Estado não é religioso nem ateu. O Estado é simplesmente neutro. O direito não se submete a religião.

Estão em jogo a privacidade, a autonomia e a dignidade humana dessas mulheres. Hão de ser respeitadas as que optam por prosseguir a gravidez quanto as que prefiram interromper a gravidez para pôr fim ou minimizar um estado de sofrimento.

Não se pode exigir da mulher aquilo que o Estado não vai fornecer por meio de manobras médicas”, se pronunciou o ministro Marco Aurélio de Mello.

Aborto não é um prazer e deve ser um direito

A luta pela positivação do direito da interrupção de gravidez indesejada, enquanto indesejada, é requisito inegociável não só da luta das mulheres, mas do estado de direito moderno, que sobrepujou a tralha jusnaturalista da constituição moderna do conceito de Estado de Direito.

Katarina Peixoto

Não conheço uma mulher que tenha abortado e que tenha saído saltitante ou mesmo tranquila depois de consumado o ato. E mesmo mulheres que, como eu, são no mínimo agnósticas. Abortar é doloroso, é incapacitante em alguma medida um tanto indizível, adoece a alma, machuca, interdita coisas. Aborto não é motivo de alegria para ninguém.

As razões por que um aborto dói variam e não importa exatamente quais. Não interessa: pode ser que alguma mulher se sinta aliviada ou que não se deprima depois de um procedimento de interrupção de gravidez e não há razão que autorize a acusação de imoralidade sobre essa pessoa, menos ainda de delinquência.

Evitar o sofrimento nem sempre implica não sofrer. Aliás, quase nunca, ensina a experiência. Evitar mais sofrimento pode implicar menos sofrimento. Esta talvez seja uma alternativa decente e no caso do aborto parece ser uma alternativa compromissada com a vida.

A mulher tem essa prerrogativa historicamente bizarra de ter o seu corpo e o seu prazer sexual invadidos pelos dispositivos morais que parasitam as sociedades adoecidas de religião. Dispositivos morais religiosos, como aprendemos nas escolas, não são necessariamente dispositivos éticos. Entre o costume e a decência a regra é a distância, não a proximidade.

No caso do aborto a regra tem sido a indecência, a indignidade e a covardia. Os números são escabrosos de mulheres mortas por falta de reconhecimento de um direito elementar, de uma prerrogativa da igualdade de direitos.

Não é demais, infelizmente, lembrar que somente mulheres muito pobres morrem por conta de aborto. E que médicos enriquecem no mercado ilícito de abortos limpinhos, em que cometem as suas obrigações naturais sobre as quais não pode haver imputação penal ou civil, em caso de erro médico, por exemplo.

A Política brasileira parece que amadurece quando as forças das trevas se manifestam com liberdade. Por mais paradoxal que isso soe, o que se passa parece mais com um avanço do que com uma ameaça ou com um retrocesso.

O espanto que pastores evangélicos ou que um bispo revisionista do holocausto podem causar hoje na sociedade é muito bem vindo. Um pastor ministro causar rebuliço nas bases que apoiam o governo federal é uma coisa que tem um lado luminoso, obviamente que na oposição a tal gesto infeliz.

Durante os anos de resistência à ditadura e de reconstrução da democracia brasileira, as agendas dos direitos civis e das liberdades políticas eram prerrogativas de guetos. Quem defendia o meio ambiente, os gays, as mulheres, as crianças e a laicidade do estado republicano eram setores em regra ligados às esquerdas partidárias, não só do PT, mas do PMDB, do PSDB, do PSB e etc. A grande agenda era o controle inflacionário, a distribuição de renda, o crescimento econômico, a dívida externa, o desenvolvimento, a fome, a miséria, a destruição da esfera pública estatal, a privatização, a não privatização, a industrialização, a desindustrialização. E a pequena grande agenda de ocasião midiática era e segue sendo a corrupção, mas ela, como se sabe, é sempre ou quase sempre cortina de fumaça, vide o molequinho, o jornalista e o editor organizados com o contraventor lá de Goiânia.

O mundo dos direitos civis e das liberdades políticas parecia um tanto distante da “vida real” brasileira e hoje, passadas décadas de refazimento do quadro democrático institucional do país, finalmente demos um passo adiante.

Ao contrário do que apressadamente se pode perceber, Malafaias e Crivellas emergiram como exceções e diferenças frente aos avanços democráticos. E por isso, e unicamente por isso eles se tornaram publicamente repugnantes. Porque a existência desses lixões religiosos sempre parasitou a vida simbólica e cultural do Brasil. Este é um país católico e protestante, evangélico, místico, desde sempre.

Quando é que a República se tornou um valor reivindicado com tamanha clareza e ira? Hoje, não por acaso quando o fim da miséria e da fome endêmica e a estabilidade democrática se tornaram possibilidades reais no horizonte.

Defender o casamento gay no Brasil, hoje, não é mais uma idiossincrasia dos malucos da Quarta Internacional, mas uma agenda defendida por quem tem tico e teco em bom estado mental e moral. E isso é bom. É motivo de reflexão e de reconhecimento do quanto avançamos nos requisitos materiais e políticos do exercício pleno da democracia. Não estou dizendo com isso que é bom ter religiosos na base do governo nem mesmo que é razoável ter religiosos num partido de esquerda. Mas o meu jacobinismo sem guilhotina é decerto muitíssimo menos relevante que o estado das coisas no país, hoje, e sobretudo, do que o direito das mulheres interromperem gravidez indesejada.

Defender a abertura dos arquivos da ditadura militar brasileira, a resistência a Belo Monte e defender o escárnio e a desmoralização dos parasitas religiosos da Política virou um lugar comum de quem sabe e sobretudo de quem vive o estado de direito no cotidiano. Não se trata mais de uma coisa de hippies, de militantes profissionais partidários e nem de estudantes de graduação de direito bem formados na tradição republicana e, vai de si, antijusnaturalista.

Defender o direito da mulher à interrupção de gravidez indesejada anda de par com o horror trivial que sentimos frente à isenção tributária de instituições religiosas, e à repulsa que Malafaias e Dom Dadeus Grings causam em nossos fígados. Essa gente não tem mais lugar de direito “natural”, misturados, indiferentes, entre quem se julga democrático e leva a sério as próprias crenças.

Para quem é capaz de ler um livrinho por ano, a defesa desse direito das mulheres e da sociedade se tornou intuitiva. E isso é muito bom.

Também não é estranho que o STF esteja ainda às voltas com o debate sobre a legitimidade da interrupção de gravidez em caso de anencefalia, embora seja em si mesmo algo lamentável, pelo atraso e pela insuficiência da demanda. O Judiciário é e em certa medida deve ser um poder retardatário. O direito vem depois da história e na melhor das hipóteses, que é aquela legada pelo positivismo jurídico, ele vem junto com a história e pode, então, fazer história no sentido esclarecido, isto é, racional, da palavra.

O que se tornou estranho e inaceitável é a acusação de indecência, de imoralidade e de crime sobre nós, mulheres, que já abortamos ou que podemos vir a abortar. Tornou-se estranho mesmo, muito mais estranho e indecente do que o era há dez ou quinze ou vinte anos atrás. Não nos esqueçamos que a esquerda brasileira sempre foi predominantemente católica, para a sua desgraça.

O jusnaturalismo que saiu do armário militantemente desde as últimas eleições presidenciais é a maior ameaça ao processo democrático em curso no país. O jusnaturalismo é irmão do fascismo e inimigo da democracia. Por isso, também, a luta pela positivação do direito da interrupção de gravidez indesejada, enquanto indesejada, é requisito inegociável não só da luta das mulheres, mas do estado de direito moderno, que sobrepujou a tralha religiosa da constituição moderna do conceito de Estado de direito.

À Fé o que lhe é de direito, e ao Direito o que lhe é de Direito, cada um na sua, como deve ser, segundo a Constituição Brasileira. Nenhuma mulher deve respeitar juridicamente o que um padre, um pastor ou pai de santo lhe recomenda nos seus templos. Quem leu Tomás de Aquino e entendeu alguma coisa pode saber disso.

Aborto não é prazer, nem é pecado. Aborto deve ser um direito, nada menos e nada mais.

(*) Bacharela pela Faculdade de Direito do Recife, Mestre em Filosofia, Doutoranda em Filosofia Moderna, na UFRGS, sub-editora e tradutora da Carta Maior.

STJ é criticado por relativizar estupro de menores de 14 anos

Órgãos ligados a defesa dos direitos humanos consideram a decisão preconceituosa e um retrocesso no combate à violência sexual. STJ justifica decisão dizendo que meninas exploradas sexualmente “já se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data”. Secretaria de Política para as Mulheres lassificou a decisão como um desrespeito, considerando irrelevante o consentimento de meninas menores de 14 anos para configurar o crime de estupro.

Vinicius Mansur

Brasília – Uma decisão tomada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no início desta semana trouxe perplexidade para os defensores dos direitos humanos. Entre os ministros da 3ª Seção do STJ, prevaleceu o entendimento de que o fato de um adulto praticar relação sexual com uma adolescente com menos de 14 anos não pode ser considerado necessariamente um estupro.

No caso analisado, que ocorreu em São Paulo (SP), o réu era acusado de ter violentado sexualmente três meninas de 12 anos de idade. No entanto, tanto o STJ quanto o Tribunal de Justiça local (TJSP) o inocentaram, usando como argumento a justificativa de que as adolescentes “já se dedicavam à prática de atividades sexuais desde longa data”.

O acórdão do TJSP afirma que “a prova trazida aos autos demonstra, fartamente, que as vítimas, à época dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo”.

Críticas
Para o coordenador Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (Cedeca-DF), Vítor Alencar, a decisão é preconceituosa. “Existe todo um arcabouço normativo que protege essas meninas, que estavam numa situação de exploração sexual. Mas ela [a relatora, ministra Maria Thereza de Assis Moura] diz de maneira preconceituosa que as meninas não merecem ter seus direitos reconhecidos porque estavam na prostituição”, critica.

Para Alencar, a decisão usa a prática de um crime para justificar a absolvição do réu. Ele explica que tanto o Estatuto da Criança e do Adolescente, como o Código Penal brasileiro estabelecem que a venda do corpo por menores de 18 anos não é considerada prostituição, mas exploração sexual. E ainda, a Lei 12.015, de 2009, cria, no Código Penal, a figura do estupro de vulnerável, que considera crime ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, em declarações à imprensa, considerou que decisão do STJ implica em “construir um caminho para a impunidade” e disse acionará o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e com o advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, para buscar “medidas jurídicas cabíveis”

Em nota pública, a Secretaria de Política para as Mulheres da Presidência da República classificou a decisão como um desrespeito, considerando irrelevante o consentimento de meninas menores de 14 anos para configurar o crime de estupro.

Para a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a decisão “pode abrir um perigoso precedente quando se sabe de casos de ‘turismo’ e exploração sexual, tristemente presentes no cotidiano de milhares de crianças e adolescentes brasileiras”, caminhando “na contramão de governos, organismos e agências internacionais, universidades e sociedade civil que desenvolvem e aplicam políticas públicas com vistas à superação desta violência”.

*Carta Maior

Ademilde Fonseca foi responsável pela maior popularização do choro

Por: Guilherme Bryan, especial para a Rede Brasil Atual

Uma das últimas imagens públicas da cantora Ademilde Fonseca é no excelente DVD “Sexo MPB O Show”, que registra a edição de 2010 da entrega do troféu de mesmo nome, organizado pelo pesquisador musical, produtor e jornalista Rodrigo Faour. Naquela noite, ela foi a grande homenageada e, assim, glorificada pelos colegas deve ser sempre lembrada. Afinal, poucas cantoras fizeram tanto pela música brasileira, a ponto de ficar conhecida como “rainha do choro”.

“O choro de agora em diante volta a ser apenas solado, porque ninguém mais conseguirá cantar suas melodias sinuosas, com a velocidade, a graça e a afinação de Ademilde, que um dia, informalmente durante uma festa na casa de Benedito Lacerda, sacou do bolso uma letra que conseguira do velho choro “Tico-tico no Fubá”, e mostrou ao flautista. Ele, extasiado, tratou de encaminhá-la à gravadora Columbia (depois Continental). Isso foi em 1942. Com isso, sem saber, estava criando um gênero: o choro cantado”, conta Faour.

Ademilde Fonseca trabalhou por mais de dez anos na rádio Tupi e gravou centenas de discos, dos quais vendeu mais de meio milhão de cópias, numa época em que atingir esses números era algo tremendamente difícil. A interpretação dela para “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo, e “Tico-Tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu, é inigualável e marcou uma virada na música brasileira, quando o choro deixou de ser basicamente instrumental e passou a ser também cantado. Outros clássicos indispensáveis em seu repertório foram “Urubu Malandro”, “Galo Garnizé”, “Pedacinhos do Céu” e “Na Baixa do Sapateiro”, entre tantos outros.

“Ela simplesmente teve a honra de lançar alguns clássicos da música brasileira com letra, caso de ‘Apanhei-te cavaquinho’, ‘O que vier eu traço’ e ‘Brasileirinho’ – pérolas imortais. E ainda ‘Pedacinhos do céu’ e o baião ‘Delicado’, de Waldir Azevedo, que correu o mundo. Também lançou ‘Teco-teco’, depois regravada por Gal Costa. E um sem-número de maravilhas que estarão no CD duplo da série ‘Super Divas’, que pretendo lançar via EMI Music até o meio do ano. Infelizmente, ela não ficou viva para ver este disco, mas pelo menos me ajudou a concretizá-lo, me ajudando a localizar fonogramas raros e tecendo comentários faixa a faixa sobre suas 36 faixas. Como se não bastasse, tinha uma cabeça maravilhosa. Numa das minhas festas, disse que era preciso respeitar os artistas jovens, porque ‘até esses meninos que fazem funk, se você for ver tem uma dificuldade. Se você quiser fazer aquilo, não vai conseguir’. Ou seja, não tinha um pingo de recalque”, acrescenta Faour.

Ademilde Fonseca tinha 91 anos e sofria de problemas cardíacos. De acordo com a neta, Ana Cristina, ela teve um mal súbito e morreu em casa, no Rio de Janeiro, na noite de terça-feira, 27 de março. Nascida no Rio Grande do Norte (RN), ela deixa uma filha, a cantora Eimar Fonseca, três netas e quatro bisnetos. Seu último registro em disco foi no CD da jovem cantora Anna Bello, produzido pelo músico Edu Krieger.

RESPONSÁVEIS POR SITE DE CONTEÚDOS DISCRIMINATÓRIOS SÃO PRESOS PELA PF

 Os responsáveis pelo site silviokoerich.org, Emerson Eduardo Rodrigues, de Curitiba, e Marcelo Valle Silveira Melo, de Brasília, foram presos pela Polícia Federal na Operação Intolerância, deflagrada na capital do Paraná.

     Os dois internautas foram presos por prática de propaganda de conteúdo discriminatório pelos investigadores da unidade especializada da Polícia Federal do Núcleo de Repressão aos Crimes Cibernéticos. Há meses os dois internautas-discriminadores estavam postando, segundo o delegado Flúvio Cardinalli, mensagens de apologia a crimes de violência contra as mulheres, homossexuais, negros, judeus. Nordestinos. Além de estímulos ao abuso sexual de crianças.

     Os dois internautas-nazistas divulgaram também no site conteúdos apoiando Wellington Menezes de Oliveira que em abril de 2011, na Escola Municipal Tasso de Oliveira, no municio de Realengo, no estado do Rio de Janeiro, matou doze crianças e feriu dez. De acordo com os internautas-nazistas, Wellington Oliveira procurou-os pedindo conselho para como proceder no ato que matou as crianças. Segundo o delegado, os dois afirmaram que pertencem a uma seita prega a morte de quem “não é fiel à causa”.

     São quase 70 mil denúncias contra os conteúdos do site recebidas pelo Ministério Público Federal e a organização não governamental SaferNet Brasil, até o dia 14 de março deste ano.

       Agora, os dois internautas-nazistas vão responder pelos crimes de incitação e indução à discriminação ou preconceito de raça, por meio de recurso de comunicação social, Lei 7.716/89; de incitação à prática do crime, Artigo 286 do Código Penal; e de publicação de fotografia com cena pornográfica envolvendo crianças ou adolescentes, Lei 8.069/90, do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).

 

COMISSÃO DA ANISTIA HOMENAGEIA MULHERES QUE RESISTIRAM À DITADURA MILITAR

 Como comemoração da passagem do Dia Internacional da Mulher a Comissão da Anistia decidiu homenagear as mulheres que resistiram à ditadura militar nos dias 8 e 9 com um evento muito especial.

       Segundo o presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abraão, a comissão resolveu homenagear as mulheres que resistiram à ditadura militar em duas etapas. A primeira ontem, dia 8, com o pré-lançamento, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, do documentário, dirigido pela diretora e atriz portuguesa Maria de Medeiros, Repare Bem. A projeção cinematográfica faz parte do projeto Marcas da Memória, do Ministério da Justiça que financia iniciativas de memorialização por parte da sociedade civil.

      “É um filme dirigido pela cineasta portuguesa Maria de Medeiros e que conta a história de três gerações de mulheres que foram perseguidas durante a ditadura: a mãe, Ercanación Lopes; a filha, Denise Crispim; e a neta, Eduarda Crispim.

        A Denise foi esposa de Bacuri (Eduardo Leite), que foi morto durante a ditadura militar. A Denise estava grávida e Eduarda não conheceu o pai”, narrou Abraão.

       A segunda parte ocorre hoje, dia 9, com uma sessão de julgamento de sete mulheres que foram perseguidas políticas na ditadura. São elas,Maria Niedja de Oliveira, Maria Nadja Leite de Oliveira, Maria Angélica Santos Bacellar, Gilda Fioravanti da Silva, Ida Schrage, Hilda Alencar Gil e Darci Toshiko Miyaky.

         Haverá um ato público pela passagem do Dia Internacional da Mulher, antes da sessão de julgamento e a exibição do documentário Vou Contar Para Meus Filhos, que faz parte, também, do projeto Marcas da Memória.    

      O documentário conta o encontro das mulheres que foram presas na colônia penal de Recife entre os anos de 1969 a 1979, 40 anos depois.

        “Vamos assinar um acordo de cooperação entre a Comissão de Anistia e a Cinemateca para reunir todo o acervo audiovisual e de multimídia, que foi acumulado nesses dez anos da Comissão de Anistia”, considerou Abraão.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER TEM PASSEATA E PROTESTO

 Cientes que seus direitos maiores ainda estão longe de ser conseguido, apesar de algumas melhoras. Cientes que o salário ainda é baixo comparado com o salário do homem que exerce a mesma função. Cientes que apenas 9,1% das prefeituras são ocupadas pó elas, assim como na Câmara Municipal o percentual é de 12,5%, e na Câmara Federal 8,8%, e no Senado, 14,8%, milhares de mulheres organizaram uma atuante passeata na região central de São Paulo para comemorar e protestar no Dia Internacional da Mulher. Centenas de entidades, partidos políticos, centrais sindicais, movimentos sociais e artistas compuseram a festa/política pelos direitos fundamentais.

         Para Camila Furchi, da Marcha Mundial das Mulheres, a passeata foi para mostrar o quanto ainda há de desigualdade na sociedade machista, em relação às mulheres.

      “Estamos aqui para tornar visível que a gente vive ainda uma situação de extrema desigualdade, as mulheres ainda sofrem violências de seus maridos e de seus companheiros. Viemos aqui exigir uma mudança real e concreta na vida das mulheres.

      Falta ainda, por exemplo, agente ganhar o mesmo salário, falta a gente superar essa ideia de que as mulheres são responsáveis, só elas, pelos trabalhos domésticos. Falta a gente tornar realmente intolerável que uma mulher sofra uma violência de seu marido”, considerou Camila.

      Por sua vez, a artista, sambista, compositora e cantora, e deputada Leci Brandão, e também membro do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres, disse que nas próximas eleições as mulheres têm que permitir mais acesso de candidatas nos poderes Legislativo e Executivo.

        “O que a gente que fazer é nas próximas eleições dar o acesso ao poder para as companheiras que vão ser candidatas. Somos a maioria no Censo, mas a minoria no poder”, disse Leci.  

 

            

MINISTRA CÁRMEN LÚCIA ASSUME O TSE COMO A PRIMEIRA PRESIDENTA DESSA CORTE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a ter a partir de ontem, dia 6, em sua história a primeira presidenta. Trata-se da ministra Cármen Lúcia, que também pertence ao Supremo Tribunal Federal (STF).

           Como a primeira mulher a presidir a Corte eleitoral, Cármen Lúcia, formará o biênio de 2012/2014, e já será responsável pelas eleições de 2012. A presidenta do TSE, que substituirá o atual presidente Ricardo Lewandowsky, terá como vice o ministro Marco Aurélio de Mello. Sua posse ocorrerá na última semana de abril.

       Ao agradecer a confiança dos outros ministros, que lhe escolheram para o cargo, a ministra, afirmou que vai realizar uma gestão “com honestidade e absoluta dedicação”. Será de sua responsabilidade organizar eleições de dois em dois anos, possibilitar segurança dos votos e do processo de votação em mais de 5,5 municípios e pautar os processos que são julgados pelo plenário. Devido a aplicação da Lei da Ficha Limpa este ano, seu trabalho será bem maior.

     Durante seu breve discurso a ministra Cármen Lúcia, que é uma engajada defensora dos direitos das mulheres, fez alusão ao fato histórico do papel da mulher no processo eleitoral e na vida pública.

     “Nós tínhamos uma população de 40 milhões de habitantes e tivemos, em 1934, quando a mulher votou pela primeira vez, 1,5 milhão de votos. Oitenta nãos depois, somos quase 52% dos eleitores brasileiros, a despeito de os cargos de representação serem muito pouco exercidos por mulheres”, disse.

        Com sua escolha para a presidência do TSE, a ministra Cármen Lúcia, só fortalece a República das Mulheres do governo Dilma Vana Rousseff.

 

A LEI MARIA DA PENHA TEM SUA VALIDADE CONFIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Analisando a ação de autoria da Presidência da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que confirmasse a legalidade da Lei Maria da Penha, implantada em 2006, para evitar interpretações de que ela não trata homens e mulheres de forma igual, o que faz com que alguns juízes ainda teimem em aplicá-la, o STF, julgou por unanimidade a validade da lei.

Para o entendimento dos ministros a lei, símbolo da luta contra a violência doméstica, não fere o princípio de constitucionalidade de igualdade, e sim o contrário, posto que busca proteger as mulheres para garantir uma cultura de igualdade efetiva, sem violência e preconceito. E de acordo com o relato, Marco Aurélio Mello, “a lei foi um avanço para uma nova cultura de respeito”.

Gracie Fernandes, que representou a União durante o julgamento, disse que há dados que afastam “de uma vez por todas, a tese de que a lei ofende o princípio da igualdade entre homem e mulher”. Ela disse que, que dos 92,9% dos casos de violência doméstica, a agressão é praticada pelo homem contra a mulher, e, em 95% dos casos da violência contra a mulher, o agressor é seu companheiro. Ainda de acordo com Gracie Fernandes, 6,8 milhões de brasileiras já foram espancadas no recinto doméstico, com um episódio de violência registrado a cada cinco segundo.

A mais antiga mulher na composição atual do STF, a ministra Carmen Lúcia, durante seu voto fez uma apreciação muito importante. Fazendo uma observação sobre sua própria experiência, ela, disse 1que ainda hoje sofre preconceito por ser ministra.

“Acham que juízas desse tribunal não sofrem preconceito, mas sofrem. Há gente que acha que isto aqui não é lugar de mulher”, disse a ministra.

Em seguida foi analisada uma ação de inconstitucionalidade da Procuradoria-Geral da República (PGR) que tem como objetivo que o Ministério Público possa denunciar agressores sem que a mulher agredida não tenha feito a denúncia. Segundo a PGR a violência doméstica cometida pelo companheiro chega a 90%. O Estado deve proteger a vítima quando ela não tem condição de fazer.

Com uma votação de 10 votos a favor da ação da PGR, e um voto contra os ministros decidiram que o Ministério Público pode entrar com ação penal, em caso de violência doméstica mesmo que a mulher decida voltar atrás na acusação contra o companheiro.   

O ministro Marco Aurélio Mello, relator da ação, foi acompanhado em seu voto pelos nove ministros, enquanto o ministro Cesar Peluso ficou sozinho com seu voto contrário.

“Aos 65 anos, eu não acredito mais me Papai Noel. Sem proteção, a mulheres desistem de processar seus agressores”, afirmou Mello.

Enquanto, o ministro Peluso, defendendo seu voto contrário disse que é um retrocesso à proteção da mulher. Segundo o ministro a mulher pode deixar de denunciar seu agressor, já que ela sabe que não pode mais desistir da ação contra ele. No entendimento de Peluso, a mulher denuncia o companheiro porque ela sabe que pode voltar atrás.

Com a defesa de seu voto o ministro mostra o quanto entende de afecção da mulher. E o quanto entende de sua psicologia.

NOVA MINISTRA DA SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES DIZ QUE A PRIORIDADE É O COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

A nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, a professora e socióloga, Eleonora Menicucci, que tomará posse na próxima sexta-feira, dia 10, em coletiva para a imprensa, disse que a prioridade de sua gestão será o combate à violência doméstica e sexual contra a mulher. Ela defendeu ainda, entre outras medidas, a punição de estupradores, mesmo quando a vítima não fizer queixa em uma delegacia. Tema que está sendo apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), hoje, dia 8.

A ministra falou também que considera a discussão do aborto no Brasil uma questão de saúde pública. E que a matéria da legalização e descriminalização do aborto não diz respeito ao Executivo, mas ao Legislativo. E acrescentou que o aborto no Brasil é a quarta causa da mortalidade materna e a quinta entre as internações.

Eleonora se mostrou favorável a descriminalização do aborto, mas afirmou que da feita que assumir a Secretaria de Políticas para as Mulheres sua posição em relação ao assunto é a mesma que o governo.

“Não é uma questão ideológica, é uma questão de saúde pública, como o crack e outras drogas, a dengue, o HIV e todas as doenças infectocontagiosas.

Minha posição pessoal, a partir de hoje, não diz respeito, não interessa. A matéria da legalização do aborto ou descriminalização do aborto é uma matéria que não diz respeito ao Executivo, mas ao Legislativo”, disse a ministra Eleonora.  

CANTORA DE BLUES ETTA JAMES MORRE AOS 73 ANOS

Etta James, uma das maiores cantoras de Rhythm and blues (R&B) morreu na sexta-feira 20, depois de sofrer complicações de uma leucemia, doença com a qual foi diagnosticada em 2010.

Etta James interpreta um de seus grandes sucessos, “At Last”

A norte-americana completaria 74 anos na próxima quarta-feira e morreu ao lado de seu marido, Artis Mills, e de seus filhos no Hospital Riverside, localizado na Califórnia, de acordo com informações do jornal The New York Times. Além do câncer na medula óssea, também sofria de demência e de Hepatite C.

Etta James nasceu em 1938 em Los Angeles e começou a cantar ainda criança, no coral de uma igreja da cidade. Sua primeira música de sucesso, The Wallflower, foi lançada quando ela era ainda uma adolescente e atingiu o topo das paradas dos Estados Unidos em 1955.

Nos anos 60 Etta viveu o auge de sua carreira, produzindo músicas pop românticas e também dos ritmos soul e blues. Na década seguinte foi internada em uma clínica de reabilitação, por conta de sua dependência por heroína, reestabelecendo-se totalmente só em 1980, quando voltou a fazer sucesso.

“Muitas pessoas pensam que blues é depressivo, mas não é blues que eu canto. Quando eu estou cantando blues, eu estou cantando a vida”, disse ao Los Angeles Times em entrevista realizada em 1992.

Matéria publicada em Carta Capital do dia 20/01/2011 às 16:09

VÍDEO MOSTRA MULHER SENDO VIOLENTADA POR MILITARES DA JUNTA QUE TOMOU O EGITO

DILMA DIZ NA 3ª COFERÊNCIA NACIONAL DE POLÍTICAS PARA MULHERES QUE A SECRETARIA DE MULHERES SERÁ MANTIDA

Em discurso durante a abertura da 3ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres que está sendo realizada em Brasília, respondendo aos comentários maliciosos da imprensa acéfala que a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) vai ser incorporada a outro ministério, a presidente Dilma Vana Roussef afirmou que ela será mantida. Com esta decisão a presidenta acalmou os ânimos dos presentes que espalharam faixas pedindo que ela mantivesse a Secretaria com status de ministério, e ameaça estava deixando-os ansiosos. Algumas faixas traziam dizeres como, “Dilma, não mistério. A SPM continua ministério”. Já outra dizia, “Igualdade sem orçamento, papo sem fundamento”.

“Muitas vezes, vocês vêem nos jornais que a SPM vai simplesmente fechar ou ser incorporada por outro ministério. Não há a menor veracidade nisso. Não são verdadeiras essas notícias.

Nós vamos avançar com essa secretaria que defende o direito da mulher que defende a igualdade de gênero. Essa secretaria é fundamental como é fundamental o movimento que cada uma de vocês fazem nos municípios e nas cidades de vocês”, considerou Dilma.

A conferência que tenciona ter como participação cerca de três mil pessoas está discutindo a ampliação dos números de creches para permitir maior participação das mulheres no mercado do trabalho, a desigualdade de renda entre os gêneros e a violência contra as mulheres.

Falando sobre a criação de creches, objetivo da presidenta de construir 6 mil até 2014, a ministra da SPM, Iriny Lopes, disse que é um equipamento público o que permite a entrada da mulher no mercado de trabalho.

“A creche é o principal equipamento público para o atendimento adequado das necessidades da mulher para entrar no mundo do trabalho”, disse a ministra.

BOLSA FAMÍLIA GESTANTE COMEÇA A SER PAGO AGORA EM NOVEMBRO

As mulheres gestantes e as em fase de amamentação a partir desse mês receberão o pagamento do Bolsa Família Gestante que para participar basta fazer o pré-natal. Cada beneficiada receberá a quantia de R$ 32.

Serão quinze meses extras do pagamento. As gestantes receberão o pagamento durante nove meses. Depois do nascimento, a contar do registro da criança no Cadastro Único, a mãe receberá durante seis meses o pagamento.

A criança ao ser registrada passa também a receber um benéfico variável extra com a condição de não ultrapassar o teto de cinco benefícios variáveis por família.

O pagamento do Bolsa Família Gestante faz parte do Programa Brasil sem Miséria, que o governo da presidenta Dilma tem grande envolvimento em sua execução.

PRÊMIO NOBEL DA PAZ 2011 FICA COM TRÊS MULHERES MILITANTES DAS CAUSAS LIBERTÁRIAS

Em uma sociedade onde predomina a moral irracional, as premiações soam como hipocrisias. Por isso, enquanto o homem não se dispõe a produzir existências reais, as abstrações reconhecedoras vão permanecer como objetos fálicos. Como substitutos do que não pode ser realizado. Uma sociedade humana.

Todavia, mesmo que se acredite que o Prêmio Nobel é uma abstração da moral burguesa, apesar de se querer passar como não sendo, mas sendo, a escolha das três mulheres, a presidenta da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a ativista Leymah Gboweee e a jornalista-ativista iemenita Tawakkul Karman, escapa do glamour burguês da premiação. As três mulheres carregam dimensões históricas otológicas que por si só eliminam qualquer possibilidade delas, inteligentes e engajadas, serem atingidas em suas categorias pelas notas que sustentam as cerimônias de premiação do Nobel, que se constitui em um ritual fálico. Mas que serve muito bem para sustentar a insegurança e o reconhecimento vaidoso de personagens como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Nesse plano, o prêmio surge mais como um alimento enfermo aos vaidosos que, tíbios, não entendem que viver é se comprometer com a vida e não representar uma aparência calcada em uma moral abstrata sustentada pelo patogênico afeto-orgulho.

Muito distantes da premiação do Nobel, essas três mulheres militam pelas causas que dignificam a vida. Ellen Johnson-Sirleaf e Gbowee, unidas com outras mulheres, lutaram contra a guerra civil em seu país. E continuam lutando pelas causas políticas em favor da liberdade. Karman lutou, e luta, pela democracia e o direito das mulheres, no Iêmen. Escolhas, como diz o filósofo Sartre, que as tornam responsáveis pelo sentido histórico do Mundo. Ato que nenhum Nobel pode envolver.

A GLOBO E SUA MORAL DE ENTRETENIMENTO MISÓGINO

A TV brasileira, tirando as TVs Públicas, como a TV Brasil, NBR, tem como lógica o princípio do mesmo. Todas têm, em termos de qualidade, a obscenidade audiovisual. Ou seja, como diz o filósofo Baudrillard, o êxtase da inutilidade. O vazio onde nenhuma referência de troca racional existe. Tudo reverbera em eco o mesmo. A nulidade. Assim, não há vida inteligente nesses canais de comunicação de massa. Claro que não podia haver: trata-se de massa unidade-inerte. E não massa como potência política capaz de eliminar esses agentes teratogênicos, com seus monstros-acéfalos.

Todavia, entre essas mídias teratogênicas, existe uma que consegue elevar o mesmo ao grau de maior nulidade racional. A campeã de audiência de sua própria nulidade tele-antropofágica: a TV Globo. Contribui para essa anomalia comunicacional o fato de já haver nascido um aborto democrático, visto ser oriunda do padrão mais alienante do planeta em termos de indústria de consumo de massa: o padrão norte-americano de comunicação. Sem deixar de acrescentar a essa violência epistemológica/sensorial sua relação natalícia direta com a ditadura militar, que a tornou sua porta-voz por excelência.

Com esse passado teratogênico, não poderia se esperar que hoje a TV Globo pudesse ter atingido pelo menos o segundo grau de conhecimento. Aquele que sabe que efeitos não são causas. O que a levaria a discernir os modelos importados de entretenimentos patogênicos produzidos pela sociedade alienada de consumo como efeitos dos fetiches capitalistas. O que a faria ter uma grade de programação próxima a outros significados menos imobilizadores.

E como a TV Globo é o que é, e por isso tem tudo a ver, com a baixa potência de agir de seus programas, tristes afetos, ela, compulsivamente, vai criando seus monstros tele-antropofágicos. E, como ela não é proprietária dos direitos democráticos da sociedade, é justo que todas as pessoas, entidades, sindicatos e organizações sociais, toda vez que entendam que sua tirania midiática está violentando a inteligência, os sentidos e a ética social, se manifestem contra esse monopólio deletério à condição humana brasileira.

Foi assim que agiu o Sindicato dos Metroviários de São Paulo diante do acinte feito pelo programa sórdido-mudo Zorra Total, contra as mulheres, no quadro em que transforma as mulheres em objeto insignificante – quem é insignificante vê o mundo insignificante – do vazio sexual da TV Globo no metrô de São Paulo. A misoginia debochada da TV Globo. O que, para o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, incentiva o assédio sexual.

O que é piada no programa acontece todos os dias com milhares de mulheres no nosso país”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metroviários.

Por sua vez, diante da misoginia da TV Globo, a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, parabenizou a posição tomada pelo sindicato.

Parabenizamos a iniciativa e endossamos a necessidade de ações como esta que visam desconstruir discursos de uma cultura que, até camuflada no humor, perpetua a violência simbólica contra as mulheres”, disse em nota a ministra.

Como era de se esperar, a TV Globo saiu em defesa de seus misóginos televisivos, afirmando que o quadro busca entreter e não incitar comportamentos, muito menos à violência contra a mulher, e que se orgulha de ter sempre defendido os direitos femininos.

Como a TV Globo pode defender direitos das mulheres se, para ela, tudo é mercadoria, lucro, e a mulher não é mercadoria? Além de que, as mulheres, assim como todos os sujeitos históricos, são suas próprias vozes. Não precisam ser defendidas por quem tem do direito o significado alienado. Ela entende tanto de direito que não entende que o que ela chama de entretenimento não passa de conteúdo semiótico tele-tanático. O mesmo significado de humor e sucesso que tem o alcunhado comediante Rodrigo Sant’Ana, que se traveste de transexual.

E o que é patético, tanto quanto o quadro e a defesa da TV Globo, é tacharem a posição do sindicato e do Ministério de censura, quando se sabe que, em relação à liberdade e a inteligência, existem dois tipos de censura. Um que é político-tirânico, quando o poder ditatorial proíbe as pessoas de se expressarem livremente. E outro quando as pessoas, que se imaginam públicas, limitadas em suas inteligências e sentidos se autocensuram – porque são estúpidas –, reagindo contra os princípios democráticos, acreditando estarem exercendo seus direitos. Este segundo tipo é o caso da TV Globo e sua trupe. Todos são autocensurados por si mesmos.

MINISTRA QUER QUE PROPAGANDA EM QUE APARECE GISELE BÜNDCHEN USANDO SEU CORPO PARA VENDER LINGERIE SEJA SUSPENSA

Para o filósofo Marx, quando o dinheiro compra a força de produção do operário e a transforma em mercadoria refletida em salário fetichizado, está instituído o capital nas relações sociais. O capital, como dinheiro signo-fetiche, submete a força de produção do operário a um estado reificado em forma de mais-valia. Ou seja, o operário passa a ter um valor que não reflete sua força de produção. O mesmo ocorre com todos os objetos-mercadorias. Nunca eles são o que são, mas somente um valor de referência reificada. Ou, em outra linguagem – mas na mesma -, a mercadoria é clivada como um valor de lucro. Assim, em sua lógica predadora, o capitalismo sobrevive da transformação de tudo em mercadoria lucrativa. Para ele, só interessa o que ele pode clivar como mercadoria-lucro.

Quando uma mulher submete seu corpo à vitrine especulativa do capital, ela já há muito é uma mercadoria clivada como referência lucrativa. E não adianta ela afirmar que se trata de seu corpo e ela faz dele o que quiser, porque ele não lhe pertence e nem ela faz o quiser com ele. Ele é uma mercadoria reificada como signo-sensual de sedução da sociedade de consumo. Ele carrega um valor monetário. Sua função é tão somente ajudar a azeitar à maquina trituradora dos corpos e mentes fetichizados.

Portanto, o corpo-mercadoria não tem sexo. Todas as indicações biológicas desse corpo foram dissipadas pela clivagem-capital. Não há vagina, seios, bunda, pênis, boca, rostos, nada. Tudo foi substituído pela fantasmagoria da simulação, como afirma o filósofo Baudrillard. Fingir ter o que não se tem. Fingir ter uma vagina, seios, através do lingerie quando nada mais há no local dissipado pelo capital, visto que ele próprio não tem essência e nem existência concreta que se possa afirmar sensorial e racionalmente. É como no filme pornô: não há sexo. Existem poses-eróticas sem sexo.

Este, o perigo, sem qualquer moralismo burguês ou esquerdista, da exibição do capital-erótico nos meios de comunicação diante de crianças, que estão constantemente submetidas às investidas da sociedade de consumo, como se essas mercadorias fossem necessárias para elas serem felizes. Ainda mais quando esse capital-erótico é exibido por alguém que foi fabricada pela sociedade de consumo como um ícone para o propósito da mídia simuladora, como é o caso da modelo – nada da filosofia de Platão – Gisele Bündchen.

Por esta perspectiva e exame, a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para Mulheres, encontra-se bem fundada quando pretende que seja suspensa a propaganda – “a arma do negócio” – em que Gisele Bündchen, como instrumento capitalista de sedução, usa seu corpo para vender sutiã e calcinha, ensinando o “charme da mulher brasileira”, como diz a Hope, empresa que lhe paga. Por tal, a ministra recorreu ao Conselho de Autorregulação Publicitária (Conar) para tratar da suspensão da propaganda.

Segundo a ministra, já foram mais de seis reclamações que seu ministério recebeu para que a propaganda seja retirada. Além de que, ainda segundo a ministra, a propaganda fere os artigos 1º e 5º da Constituição Federal, que tratam da dignidade da pessoa humana e da igualdade perante a lei. As queixas apresentadas para que a propaganda seja retirada é que ela reforça o estereótipo da mulher como objeto sexual – se dissesse assexuado seria mais certo – e ignora a conquista da sociedade contra o sexismo.

Por seu lado, exibindo a inteligência própria de quem é do ramo da publicidade, a empresa Hope argumentou que o objetivo da propaganda era mostrar, de forma bem-humorada, que a sensualidade da mulher brasileira – um verdadeiro chavão discriminador – pode ser uma arma eficaz. E que seria um absurdo a empresa, que vive da preferência das mulheres, tomar qualquer atitude depreciativa contra as mulheres.

Certa vez o escritor George Orwell afirmou que a propaganda é o fruto mais sujo do capitalismo. Nos parece que ele também poderia afirmar que não há vida inteligente na publicidade. As declarações da Hope confirmam exatamente isso. O que ela entende de preferência da mulher é só a confirmação de Marx sobre a lógica do fetiche propagada pelo dinheiro. A mulher, para a Hope, é nada mais que uma mercadoria, seja ela Bündchen ou seja ela a consumidora.

DILMA DIZ EM NOVA YORK QUE MEDIDAS EQUIVOCADS SOBRE A CRISE MUNDIAL PODEM ATINGIR MAIS AS MULHERES

Discursando em Nova York, no Colóquio de Alto Nível sobre a Participação Política de Mulheres, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) Mulher, a presidenta do Brasil afirmou que decisões equivocadas por alguns países sobre a crise econômica internacional pode afetar mais as mulheres do mundo inteiro.

Fazendo apenas alusão às medidas equivocadas executadas pelos países envolvidos na crise econômica, a presidenta, em seu discurso, afirmou que as mulheres são as mais atingidas pela pobreza no Brasil. Para ela, combater a crise e suas consequências é fundamental para auxiliar as mulheres a se sentirem mais seguras.

Apesar de alguns avanços notáveis, a desigualdade permanece em pleno século 21. São as mulheres que mais sofrem com a pobreza extrema, com o analfabetismo, com as falhas do sistema de saúde, com os conflitos e com a violência sexual. Em geral, as mulheres recebem salários menos pela mesma atividade profissional e têm presença reduzida nas principais instâncias decisórias.

A crise econômica e as respostas equivocadas a ela podem agravar esse cenário, intensificando a feminização da pobreza. Por isso, combater as consequências e também as causas da crise é essencial para o empoderamento das mulheres.

Tenho me esforçado para ampliar a participação feminina os espaços decisórios. Dez ministérios do meu governo são comandados por mulheres. Em especial, quero enfatizar que o núcleo central do meu governo é constituído por mulheres ministras. O Brasil criou, em nível ministerial, a Secretaria de Políticas para Mulheres, cujo objetivo é incorporar a perspectiva de gênero em todas as políticas públicas.

Fui eleita presidenta do Brasil 121 anos depois da proclamação da República e 78 anos depois da conquista do voto feminino. Somos 52% dos eleitores, mas somente 10% do Congresso Nacional”, discursou a presidenta, sendo calorosamente aplaudida.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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