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PAUTA DE REIVINDICAÇÕES DO ABRIL VERMELHO FOI ENTREGUE AO GOVERNO PELO MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) preparando-se para as manifestações do Abril Vermelho que lembra o assassinato de trabalhadores rurais no estado do Pará, no dia 17 de abril, que ficou conhecido como Massacre de Eldorado de Carajás, entregou aos membros do governo federal sua pauta de reivindicações.

Todo ano, no mês de abril, o MST, realiza o Abril Vermelho que é materializado com manifestações em todo o país e algumas ocupações de fazendas. As manifestações têm como objetivo tornar viva a lembrança do covarde assassinato executado pelas forças opressores, contra simples trabalhadores rurais e suas famílias, onde os responsáveis gerais ainda não foram justiçados.

A pauta de reivindicações foi entregue aos ministros Pepe Vargas, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. Em nota o MDA disse que ainda vai analisar as reivindicações e que a conversa do ministro Pepe com os membros do MST foi em clima de “tranquilidade”.

Em documento divulgado, o MST, apresenta a situação das famílias que ainda não foram assentadas e que vivem em condições precárias, além de citar as condições das escolas no campo que segundo o documento afirma que várias foram fechadas. Mais de 36 mil escolas foram fechadas no meio rural, nos últimos dez anos. Para o MST as escolas são fundamentais para evitar o êxodo para as cidades.

“Mais de quatro milhões de famílias de trabalhadores rurais estão aguardando terras para produzir e 186 famílias estão acampadas, vivendo em condições precárias, em barracas de lona, na luta pela reforma agrária”, diz o documento.

O movimento também exige abertura de novas linhas de crédito rural.

“Para que camponeses e agricultores familiares produzam, organizados em cooperativas e com técnicas agroecológicas”, diz o documento.   

MOVIMENTOS SOCIAIS REALIZAM MANIFESTAÇÕES EXPONDO FOTOS DE MILITARES DA DITADURA QUE TORTURARAM

 Fotos de presos políticos que foram torturados e assassinados no período da ditadura entre os anos de 1964 e 1985, e fotos de militares acusados de torturar e assassinar presos políticos, foram expostas em vários locais de São Paulo onde moram ou trabalham os ex- militares e policiais. O fato foi resultado de uma manifestação realizada por movimentos populares sob a coordenação do Levante Popular da Juventude. Que contou também com as participações dos membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Consulta Popular e Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça.

      Um dos locais da exposição das fotos foi a frente da sede da empresa de segurança privada Dacala, de propriedade do delegado aposentado do antigo e tenebroso Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), David dos Santos Araujo. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de participar da tortura e assassinato do ativista político, em abril do ano de 1971, Joaquim Alencar de Seixas. O ex-delegado foi reconhecido pelos parentes de Joaquim Alencar de Seixas.

       David dos Santos Araujo, “capitão Lisboa”, entre os torturadores, “era o que mais batia”, segundo Ivan Seixas, que foi preso quando tinha 16 anos junto com seu pai, Joaquim Alencar de Seixas. Ivan Seixas deu a informação durante seu depoimento ao MPF. Em seu depoimento Ivan disse que os torturadores o levaram para uma área deserta e simularam seu fuzilamento, tendo, como forma de pressão dos agentes, uma de suas irmãs sido estuprada pelo torturador “capitão Lisboa”.

     Segundo Caio Santiago, um dos porta-vozes do movimento, e estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o movimento é “para pressionar a Comissão da Verdade”.

     “O ato é para pressionar, para que a Comissão da Verdade ocorra de fato. A gente veio para dialogar com que trabalha com o acusado de tortura. Expor, constranger e denunciar o torturador para quem convive com ele”, disse Caio.

      De acordo com um manifesto lido, o ato tem como um dos objetivos resgatar a história do nosso povo.

      “Saímos à rua para resgatar a história do nosso povo e a história do nosso país. Lembramos talvez da parte mais sombria da história do Brasil e que parece ser propositadamente esquecida: a ditadura militar”, diz parte do manifesto.

         O ato que foi realizado simultaneamente no Chile e Argentina, com o nome de Escrachos, também será realizado nos estados do Rio Grande do Sul, Ceará, Pará, Santa Catarina e Minas Gerais.

    

MST DESMONTA COM INTELIGÊNCIA O EDITORIAL DO REACIONÁRIO JORNAL O GLOBO

 
 A revisão da reforma agrária 
A reforma agrária é tema que se eterniza na agenda do país. Até faz sentido, pelo lado histórico, pois foi grande o contencioso agrário herdado pela República de um Brasil Colônia em que doações de extensas áreas de terras a protegidos do Rei lançaram as fundações do latifúndio. Porém, o assunto só continua em pauta, com destaque, na segunda década do século XXI, mais por pressão de grupos políticos organizados do que decorrente de uma contingência da realidade.

É muito cinismo. Um por cento dos proprietários controlam 49% das terras. quatro milhões de famílias vivem no campo sem terra, e o Brasil é o campeão mundial em concentração da propriedade. Isso são dados da realidade, não de discurso!

Não é politicamente correto admitir que o avanço do capitalismo no campo brasileiro fez aquilo que muito discurso ideológico, à esquerda e à direita, prometeu e não cumpriu: gerou renda, empregos, redistribuiu terras e, na prática, acabou com o “latifúndio improdutivo”. Mas esta é a realidade.

O capitalimos no campo se desenvolveu, os capitalistas nacionais e estrangeiros tomaram conta da produção, mas concentrou a renda, O desemprego aumentou e em vinte anos passamos de 10 milhões de assalariados rurais para apenas 2,2 milhões. Nao distribuiu terras. Não acabou com o latifúndio improdutivo. Segundo dados do Incra de 2010, há mais de 170 milhões de hectares em grandes fazendas improdutivas. Isso que o indice aplicado é ainda de 1975.!

E a concentração da produção, esta gerando uma distorção, que 85% de todas terras cultivadas se destinam a apenas quatro produtos de exportação: pecuária extensiva, soja, milho e cana.

A partir da década de 70, na conquista do Cerrado, ao iniciar o salto para se tornar uma potência no setor, o país empurrou a fronteira agrícola em direção ao Centro-Oeste, e tornou pouco importante a reforma agrária. Prova disso é que o ativo abre-alas desta reforma, o MST, há algum tempo enfrenta dificuldades para reunir massas de manobra entre agricultores. Termina tendo de alistar “sem-terra” entre o lumpesinato em pequenas e médias cidades do interior.

Não é verdade que as familias que ocupam terra ou estão acampadas, tenham origem urbana. O Incra fez o levantamento e constatou que apenas 10% tem origem urbana. Mas se tivessem, haveria algum problema de pobre da cidade exigir o direito de trabalhar na terra? Quando políticos de maos lisas compram imensos latifundios, como fez o então senador FHC, ou o banqueiro Dantas, acumula 600 mil ha no sul do Para, alguem pergunta se eles tem vocação agrícola?

Com razão, portanto, a presidente Dilma, no primeiro ano de governo, decidiu rever o programa de distribuição de terras, e só depois de muita pressão dos chamados “movimentos sociais” assinou os primeiros decretos de desapropriação.

O presidente do Incra, Celso Lacerda, confirma a revisão e faz uma pergunta básica: “O que adianta criar assentamentos e não dar estrutura, crédito, assistência técnica?”

Se a reforma agrária fosse movida pelas leis da lógica, com base na racionalidade, e não por combustíveis ideológicos, a pergunta seria desnecessária. Infelizmente, muito dinheiro público tem sido gasto apenas para efeito propagandístico e por pressão de aliados do governo. Fez bem o Palácio ao não perseguir apenas por perseguir a meta de 40 mil famílias assentadas em 2011.

É hilário, a burguesia bater palmas porque o governo fez muito pouco ou preferiu nao fazer!

O resultado de muitos assentamentos dá razão ao Planalto. Há inúmeros casos de venda de lotes por quem os recebeu para explorá-los de forma produtiva – isso quando a terra não é simplesmente abandonada.

Dados oficiais mostram que, de 2001 a julho de 2011, das 790 mil famílias assentadas, 13% (103 mil) terminaram excluídas do programa. Com o detalhe de que 78% delas abandonaram ou venderam os lotes. Em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, 25% das famílias foram alijadas da reforma agrária.

O abandono dos lotes por 13% das familias que originalmente conquistaram a terra faz parte da normalidade que acontece em qualquer assentamento humano, inclusive em condomínios de luxo. Segundo a FAO, a média mundial é de 15% de desistencias, como parte natural das adequações humanas. Isso ocorre na África, Ásia, e até nos condomínios de luxo da Barra da tijuca. Mas O Globo nunca argumentou que não vale a pena ter condomínios de luxo, ou edificios de luxo, só porque mais de 15% mudaram de endereço.

E, aqui no Brasil, ainda o indice de 13% foi engordado pela ocorrência de desistência maior nos projetos de colonização da Amazonia, sem nenhuma condição, onde a desistencia chega a 45%. Já nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste, o índice de desistência é insignificante.

A manipulação é tal, que a forma como foi escrito o paragrafo leva o leitor a imaginar que 78% das familias abandonaram…

A imprevidência levou, ainda, a que a reforma agrária seja forte agente de devastação na Amazônia. Mal localizados, sem apoio para o cultivo, assentados não têm alternativa a não ser derrubar a floresta para vender a madeira.

O MST e todos os movimentos sociais do campo sempre foram contra os projetos de colonização na Amazônia. E quando ocorrem são projetos de colonização e não reforma agraria. Manipula-se de novo, como se os movimentos fossem responsáveis pelo desmatamento da Amazônia, quando todos sabem quem são os verdadeiros culpados: o agronegócio da soja, da madeira e da pecuária extensiva!

Caso se consiga dar suporte técnico, financeiro e de infraestrutura aos assentamentos existentes – o óbvio -, já será uma revolução. Se o foco for consertar os erros do passado, o governo entrará em rota de colisão com grupos de sua base política, interessados em manter o franco acesso ao Tesouro em nome da “reforma agrária”. Deverá ser inevitável a reação do aparelho de militantes sem terra instalado no Ministério de Desenvolvimento Agrário e Incra. Mais um “fogo amigo” a ser enfrentado pela presidente.

O MST está cansado de apresentar propostas concretas como programas de desenvolvimento de agroindústrias, de cooperativas, de programas de reflorestamento, de escolas rurais, de moradia, para atender as necessidades das familias assentadas. Só na moradia há um déficit de 180 mil casas, ainda não construídas para as familias que são consideradas assentadas e vivem em condições precárias. É nossa obrigação pressionar e exigir o atendimento de medidas basicas. Mais facil e normal é quando o governo sofre pressão politica, quando não libera verbas de publicidade para a imprensa burguesa, que se formou mamando nas tetas do Estado, e até hoje vive disso!

Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST)

Carta do MST à família de Itamar Franco

Estimados familiares do nosso querido Itamar Franco, infelizmente, a vida tem seu ciclo natural e perdemos nosso querido Itamar. Em nome do MST, manifestamos nossos pesares. Nossa base tem um carinho especial por Itamar Franco.

Mais do que um homem público irretocável, comprometido com a causa pública, com o povo brasileiro, ele sempre nos atendeu com carinho e amizade.

Tinha uma sensibilidade social enorme e sempre nos apoiou, mesmo nas batalhas mais duras, enfrentando enormes interesses na questão da Reforma Agrária.

Sentiremos muito sua falta, mas temos nele sempre um exemplo de homem público, de ser humano solidário e humilde.

Um forte abraço,

Joao Pedro Stedile

Coordenação Nacional do MST

Parabenizo o Movimento dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais Sem Terra pela realização do 5° Congresso Nacional

Manifesto meu afeto, respeito e admiração pela existência de uma democrática, legitima e autônoma organização representante dos trabalhadores e trabalhadoras rurais do nosso país. “Oxalá” que em nosso meio, a exemplo de vocês, eclodissem inúmeros, diversos movimentos sociais comprometidos com a organização e com o elevar do nível de consciência do povo Brasileiro.

Reafirmo meu compromisso com a defesa irrestrita da Reforma Agrária, como condição para democratizar a concentrada estrutura fundiária, como condição de distribuição de riqueza, de geração de renda, de trabalho, de diminuição da violência e de preservação do meio ambiente.

Orgulho-me de ter sido o primeiro presidente da República a receber o MST no Palácio da Alvorada.

Orgulho-me de, como Governador do Estado de Minas Gerais, termos juntos combatido a privatização de setores estratégicos como a usina hidrelétrica de  FURNAS e a Central Elétrica de Minas Gerais (CEMIG). Em Minas, em nossa gestão, não privatizamos as estradas e nenhum mineiro nunca pagou pedágio para trafegar em nossas rodovias.

Orgulho-me de, em minha gestão, nunca ter comprido nenhuma liminar de reintegração de posse contra aqueles que nada mais querem a não ser um pedaço de terra para o digno trabalho.

Mesmo quando o então presidente da república determinou que o exército invadisse nosso estado para enfrentar o MST que se encontrava na sua fazenda. Em respeito à autonomia dos estados federativos solicitei que o exército não adentrasse o solo mineiro, porque com os sem terra tenho diálogo e respeito.

Determinei e cunhei a frase junto aos meus comandados da polícia militar “Reforma Agrária no meu governo não é caso de policia, mas de política”.

Como vocês, somo-me à justa trincheira da construção e defesa de um projeto nacional, democrático e soberano, que garanta o desenvolvimento, emprego e valorização do trabalho e que efetivamente melhore as condições de vida da nossa gente.

Parabéns MST, contem comigo,

Do amigo de hoje e sempre,

Itamar Franco

Belo Horizonte 13 de Junho do ano de 2007.

DOCUMENTO ENVIADO AO MPF IMPLICA MADEIREIROS NOS ASSASSINATOS DOS LÍDERES EXTRATIVISTAS

Cada vez mais vai ficando evidente a autoria dos assassinatos dos líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e de sua esposa Maria Espírito Santo, mortos covardemente a tiros em uma estrada no município de Nova Ipixuna, no Pará.

A pista mais clara aponta para madeireiros que foram denunciados pelo casal às autoridades federais representantes dos órgãos responsáveis pela proibição e punição dos desmatadores da região. Dias antes dos assassinatos, José Cláudio e Maria Espírito Santo enviaram ao Ministério Público Federal, em Marabá, município do Pará, um documento denunciando a prática criminosa de desmatamento de três madeireiras no município de Nova Ipixuna. O documento mostrava que a maior parte de mata densa já havia sido destruída pela ação dos madeireiros. Um clamoroso crime ambiental que já vinha sendo praticado impunemente sem que as autoridades locais se manifestassem.

O documento, que foi assinado pelo casal e mais nove trabalhadores extrativistas, também denuncia que madeiras são tiradas da região e transformadas em carvão para abastecer as siderúrgicas de Marabá. O documento mostra ainda que existem 500 fornos de carvão nos lotes das famílias. As empresas estimulam alguns assentados sem formação política pagando R$ 30 por metro cúbico de madeira, enquanto no mercado internacional o valor é de R$ 1,2 mil.

Os assentados mais frágeis e entusiasmados com a possibilidade de ganhar dinheiro se submetem a essa exploração”, apresenta um trecho do documento.

No dia 4 de maio, dia em que o MPF protocolou a denúncia, o procurador Tiago Modesto Rabelo, solicitou informações ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) sobre as madeireiras denunciadas como responsáveis pela destruição na área de preservação do assentamento, Agroextrativistas Praia Alta Piranheira.

Espera-se que o poder público, que não pode evitar os dois assassinatos, possa, pelo menos, evitar as mortes dos nove extrativistas que assinaram o documento, além do casal assassinado.

TRABALHADORES RURAIS FARÃO AMANHÃ, EM BRASÍLIA, MANIFESTAÇÃO DO “GRITO DA TERRA 2011”

Provavelmente 600 mil trabalhadores rurais farão amanhã, dia 17, na Esplanada dos Ministérios, um protesto como manifestação do “Grito da Terra 2011”. É o espera a organização das manifestações Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag).

O início das atividades ocorrerá às 14h, em frente ao Congresso Nacional, momento em que os trabalhadores protestarão contra o novo Código Florestal, e pedirão mudanças no texto atual.

Nosso objetivo é negociar com o governo políticas públicas para o campo.

Defendemos a alteração do código e queremos que seja tratada a especificidade da agricultura familiar, para que os pequenos agricultores não sejam penalizados.

Não podemos tratar o pequeno agricultor igual ao grande produtor. Na verdade, a agricultura familiar preserva, e isso deve ser levado em consideração”, afirmou Alberto Broch, presidente da Contag.

Seguindo a programação, às 16h horas os agricultores vão se concentrar em frente ao Ministério da Fazenda para realizar o protesto pelo desbloqueio de recursos públicos necessários à agricultura familiar. Vão também discutir o aporte do governo federal para o assentamento de 20 mil famílias. Na quarta-feira, pela manhã, os trabalhadores vão se manifestar em frente ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), exigindo avanços nas políticas de reforma agrária e combate à pobreza. Às 15h, serão recebidos em audiência, no Palácio do Planalto, pela presidenta Dilma Vana Rousseff.

Temos um contingente muito grande de acampados em todo o Brasil e falta reforma agrária.

Essa questão da miséria é mais recorrente no campo principalmente porque grande parte das pessoas que está na área rural não tem acesso à terra. Por isso, a reforma agrária é fundamental para o desenvolvimento econômico do país e a diminuição da desigualdade social”, disse Broch.

DILMA DIZ QUE REFORMA AGRÁRIA É NECESSÁRIA E VAI “ASSENTAR MILHARES DE FAMÍLIAS”

A presidenta Dilma Vana Rousseff disse, em entrevista, que para a construção de um país com justiça fundiária é necessária a reforma agrária. Dilma disse mais: que não adianta apenas fornecer terras para as famílias, é preciso investir na infraestrutura para que o assentado possa produzir mais e ter maior valor agregado.

Acredito na reforma agrária, que democratiza o acesso à terra, garante a produção de alimentos saudáveis e baratos e gera renda e bem-estar social no campo. Além do mais, ajuda no esforço pela erradicação da extrema pobreza. E contribuiu para reduzir o inchaço das periferias das cidades.

Queremos ampliar a assistência técnica, o acesso ao crédito e infraestrutura, como luz elétrica, mais estradas, abastecimento de água, entre outros incentivos”, afirmou a presidenta Dilma.

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA DIVULGA SEU RELATÓRIO: “CONFLITO NO CAMPO NO BRASIL 2010″

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou hoje, dia 19, seu relatório Conflito no Campo no Brasil 2010, onde afirma que os números dos conflitos pela terra “são praticamente os mesmos”. Já os problemas de expulsão e ameaças de expulsão de trabalhadores teve um aumento significativo.

Segundo o relatório, os conflitos pela terra, que em 2009 tiveram 854 casos, em 2010 foram 853. Já as ocupações e acampamentos diminuíram, chegando a 180, contra 290 no ano anterior. Quanto aos números de acampamentos, permaneceram semelhantes, com 36 para o ano de 2009, e 35 para 2010.

Casos de expulsão, ameaças de expulsão de trabalhadores, pistolagem, despejos e ameaças de despejos, subiram de 528, em 2009, para 638, em 2010.

Conflitos por terra de acordo com regiões. Nordeste – 43,7%, 279 conflitos; Norte – 36,7%, 234 conflitos; Sudeste – 9,6%, 61 conflitos; Centro-Oeste – 5,8%, 37 conflitos; e Sul – 4,2%, 27 conflitos. Quanto a regiões geoeconômicas, a Amazônia Legal contém 65% dos conflitos, 46,2% no Maranhão, Pará e Tocantins.

De acordo com o relatório, o número de famílias despejadas diminuiu. Em 2009 foram 12.388, contra 964 em 2010. Famílias expulsas da terra também diminuíram. Em 2009 foram 1.884 famílias expulsas; em 2010, 1.216. Já as ameaças de expulsão aumentaram, passaram de 10.423 para 18.625. E a ação da pistolagem também cresceu, passando de 9.031 para 10.274.

Na conclusão de seu texto, o relatório afirma que a causa maior da violência no campo não é produzida pelos sem-terra, mas o processo de ocupação territorial desde o tempo da Colônia e que ainda perdura.

Não é por causa da ação dos sem-terra que a violência no campo persiste, como muitos querem, taxando de violentas as ações dos trabalhadores, negando-se a ver a violência sobre a qual se alicerçou todo o processo de ocupação territorial, desde os tempos da Colônia até os dias de hoje”.

JORNADA NACIONAL DE LUTAS PELA REFORMA AGRÁRIA DO MST OCUPA 70 LATIFÚNDIOS

Dando continuidade ao movimento Abril Vermelho, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam hoje, dia 18, mais de 70 latifúndios em 17 estados da Federação. Essas ocupações são manifestações contra os assassinatos dos 19 trabalhadores rurais, em 17 de abril, em 1996, no Pará, pela Polícia Militar, cujos autores até hoje se encontram em liberdade.

Os dirigentes do MST, buscando encontrar soluções para suas causas, encontraram-se semana passada com o secretário-geral da Presidência da República Gilberto Carvalho, que prometeu até o dia 2 de maio responder as pautas apresentadas pelo movimento.

Nas reivindicações feitas pelo MST encontram-se recomposição do orçamento do governo para a reforma agrária, para as demandas da educação do campo e para a negociação das dívidas dos assentados; planejamento em torno das terras públicas e das onde se praticavam trabalho escravo e crime ambiental. Como ano passado foram fechadas 24 mil escolas no campo, o movimento priorizou o programa de educação no meio rural e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária.

ABRIL VERMELHO DO MST NÃO QUER VIOLÊNCIA EM MANIFESTAÇÕES

Com cerca de mais de 70 ocupações em mais de 20 estados e acampamentos em dez capitais, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comemora o Abril Vermelho, seu momento já tradicional de mobilização, sem qualquer ato de violência desde seu início nos últimos dias. E a ordem é realizar as negociações sem violência, e ter muito cuidado porque a mídia conservadora só visa divulgar notícias comprometedoras contra o movimento.

João Paulo Rodrigues, um dos membros da coordenação nacional do movimento, disse que é preciso evitar conflito, pois há um cuidado maior nas ações do MST.

Há um estilo nessas mobilizações que não é de provocar ou criar conflitos que possam gerar qualquer tipo de violência. Há um cuidado maior nas ações do MST. Os meios de comunicação a cada momento só tentam achar a parte ruim das mobilizações.

O MST continuará ocupando latifúndio produtivo que não tiver cumprindo sua função social, conforme previsto na Constituição. Não é possível transformar a sociedade brasileira com esta estrutura agrária. Para combater a pobreza, tem que fazer a reforma agrária.

O MST realizou visitas em vários ministérios apresentando suas demandas, onde mostra falhas no assentamento dos trabalhadores rurais, e tentou garantir Orçamento para a reforma agrária no contingenciamento de mais de R$ 50 bilhões divulgado em fevereiro.

Por sua vez, o governo federal, até o dia 2 de maio, responderá ao MST e outros movimentos sociais sobre suas demandas. Em reunião realizada na segunda-feira com os secretários executivos dos ministérios, a Secretaria-Geral da Presidência da República distribuiu para cada pasta um CD com listas das reivindicações a serem respondidas conforme orientação da secretaria.

O governo está tratando os movimentos sociais com muita seriedade. Nós entendemos que são legítimas as reivindicações dos movimentos sociais e entendemos que é legítima a luta pela terra, mas isso tem que se dar nos marcos da legalidade”, afirmou o secretário executivo da Secretaria dos Direitos Humanos, André Lázaro.

COMISSÃO ESPECIAL VAI ANALISAR VIOLÊNCIA NA TERRA DO MEIO, NO PARÁ

A ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário, em sua primeira reunião com o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, decidiu, juntamente com os conselheiros, criar uma comissão especial para analisar e propor soluções aos conflitos que vêm se acirrando na região central do estado do Pará conhecida como Terra do Meio. A comissão vai estudar os aspectos dos conflitos na região e a quantidade de outros crimes e infrações.

A comissão especial terá como tarefa garantir às populações acesso às políticas públicas de desenvolvimento econômico e social para os assentados em projetos de reforma agrária e que receberão assistências técnicas.

Ali tem sonegação de impostos, madeireiras ilegais, trabalho escravo, trabalho infantil. A coisa é muito mais extensa do que estamos conversando aqui. As próprias pessoas da região, entre eles os madeireiros, dizem que o Poder Público vai lá, mas logo vai embora e, aí, começa tudo de novo!, observou Ademar Telles, assessor da Ouvidoria Agrária Nacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Para a ministra Maria do Rosário, o que pode ajudar na solução do conflito é a criação de projetos de desenvolvimento sustentável como modelo de alternativa para as famílias do campo.

O problema que existe em setores resistentes à reforma agrária e que recorrem tanto à fraude quanto à pistolagem para impedir a atuação de projetos como o Esperança. Ainda temos muito o que caminhar para que não haja, no campo brasileiro, os grupos de extermínio e a pistolagem a serviço do grande latifúndio”, analisou a ministra.

DIMINUI TENSÃO NO ASSENTAMENTO DOROTHY STANG

A tensão com possibilidade de enfrentamento no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Dorothy Stang (PDS) Esperança, em Anapu, no estado do Pará, entre madeireiros, caminhoneiros e moradores diminuiu depois que foi realizada uma audiência pública dirigida por Gercino da Silva Filho, ouvidor agrário nacional.

A audiência teve como participantes trabalhadores rurais, policiais, organizações ambientais, membros do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e membros do Ministério Público. No todo foram mais de 1,2 mil pessoas que participaram da audiência que, segundo representantes do Incra, e Comissão Pastoral da Terra (CPT) terminou com acordo.

Serão retiradas 22 famílias que ilegalmente ocupam e exploram área de reserva legal do assentamento. A explorarão da área nativa legal é proibida. Para prevenir exploração da madeira da área vão ser construídas no PDS Esperança guaritas de segurança.

São assentados que cometeram irregularidades motivadas pelos empresários madeireiros. Acredito que a decisão será cumprida, tem mais polícia do que gente aqui em Anapu”, afirmou uma das lideranças do assentamento, padre Amaro Lopes.

PARA STÉDILE, OS “OS MAIORES TERRORISTAS DO MUNDO” SÃO OS EUA

Falando em entrevista ao sítio Ópera Mundi sobre a declaração do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, que afirmou, em documento da inteligência norte-americana divulgado pelo sítio Wikileaks que o maior obstáculo para criação de uma lei antiterrorista no Brasil é Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), seu principal coordenador, João Pedro Stédile, disse que essa é uma prova da ingerência da política dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil e da América Latina.

O governo dos EUA continua tratando os países da América Latina como meras colônias que devem obedecer e ser orientadas.

É evidente que as pressões do governo dos EUA, tentando influenciar governos democráticos e progressistas a aderirem à sua sanha paranóica de terrorismo, visa criminalizar e controlar qualquer movimento de massa que lute por seus direitos e que ocasionalmente apresente manifestações contra os interesses das empresas estadunidenses.

No passado, eles criaram a paranóia da União Soviética, depois dos inimigos internos e, agora, querem transformar toda luta social em luta terrorista.

Imaginem uma situação contrária, em que o embaixador brasileiro em Washington chamasse o diretor da CIA para propor novas leis que beneficiassem os imigrantes latinos ou qualquer outro assunto. Certamente, seria expulso do país em poucas horas.

Todos sabem que o governo e o Estado dos EUA são na atualidade o maior terrorista do mundo. O Estado norte-americano comete todo o tipo de crimes contra a humanidade, possui mais 800 bases militares em todo o mundo, financia e pratica golpe de Estado, como o que destituiu recentemente o presidente Manuel Zelaya; mantém dezenas de prisioneiros sem nenhum amparo das Nações Unidas em Guantánamo; atacaram o Iraque e lá mataram mais de 300 mil civis apenas para controlar o petróleo, já que se comprovou a mentira das armas químicas; atacaram o Afeganistão com a desculpa da busca por Bin Laden, que sempre foi amigo da família Bush; e, pior, financiam toda a máquina de guerra emitindo dólares sem controle, como uma moeda internacional, a que todos os países do mundo têm de se submeter”, analisou Stédile.

BENÍCIO DEL TORO COM MST, LULA E DILMA

Afetuoso, alegre e muito falante, o ator de cinema Benício Del Toro, nascido em Porto Rico, acompanhado pelo escritor Fernando Moraes, visitou o acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e aceitou o convite de João Pedro Stédile para plantar um jambeiro na companhia da atriz e contadora de história Priscila Camargo, também militante do Movimento Humanos Direitos.

O sonho de Che está vivo aqui”, afirmou Del Toro, no momento em visitava a Escola Nacional Florestan Fernandes, em conversa com estudantes e militantes latinos americanos. Um centro que é mantido pelo MST, em Guararema, São Paulo. Enquanto falava sobre militância e sua preparação para fazer o filme Che, Del Toro disse que tem planos para fazer um filme sobre o MST.

Nesse processo pude voltar às minhas origens. Descobri que, como todos aqui, tenho muito de Che”. Dizendo que quando olha as fotos de Che chega a acreditar que são primos, arrancou gargalhadas dos presentes.

Nessa sua terceira viagem ao Brasil, Benício Del Toro vai encontrar-se com cineastas brasileiros para falar sobre o cinema brasileiro, como também suas realizações. Fã de Lula, Del Toro tem encontro marcado com o presidente que sua popularidade junto ao povo se assemelha ao seu entendimento de democracia necessária para América Latina. O mesmo pensa da candidata Dilma, candidata de Lula, que poderá dar continuidade ao projeto da democracia popular, com quem também irá se encontrar.

PLÍNIO ARRUDA VISITA MST

Não é marginal nenhum, são pessoas que estão lutando para sobreviver”, afirmou o candidato à Presidência da República pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, ao defender a importância dos movimentos sociais para solucionar problemas que os governos não conseguem. A afirmação de Plínio ocorreu depois que ele visitou um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), localizado na região de Perus, na Zona Norte da capital paulista, local que seria usado pelo governo do estado para um aterro sanitário, mas que foi invadido pelos trabalhadores há oito anos, e hoje é um exemplo de produtividade coletiva. Os trabalhadores rurais plantam frutas, legumes e criam animais.

Essas são pessoas que realmente têm propostas para solucionar. Esta é uma simbologia. Eu poderia ir a centenas de assentamentos que começaram como ocupações em relação às que eu estive presente ou sustentei politicamente”, analisou Plínio.

Precisamos é ter projetos para terra. Porque como é só a gente que dá conta de comprar as sementes, de colocar o adubo, então, às vezes, não temos condições de fazer tudo”, observou Rosângela Santos, coordenadora do MST do local, que é constituído de 40 famílias que produzem em modelo agroecológica.

TV BRASIL ENTREVISTA STÉDILE

Em programa que será apresentado no dia 11 de novembro, com as participações dos jornalistas Luiz Carlos Azedo, âncora do programa, Kátia Seabra, da Folha de São Paulo, e Ricardo Kotscho, da revista Brasieiros, a TV Brasil entrevistou no fim da semana passada o Coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile. Durante a entrevista, Stédile falou sobre a invasão da fazenda Cutrale, as Organizações Não-Governamentais (ONG’s), a CPMI do MST, a mídia, a agricultura familiar e o governo Lula diante da reforma agrária.

Sobre a ocupação da fazenda Cutrale

Foi uma atitude desesperada das famílias que ocupavam a fazenda. Com a notícia do próprio INCRA que a área é da União, desde 1910, naquele clima de indignação, alguns dos companheiros pegaram o trator e destruíram os laranjais.”

Sobre o trabalho tendencioso da mídia

Evidentemente que foi um equívoco, porque a direita e os órgãos de comunicação deste país, que servem à burguesia brasileira, se utilizaram daquelas imagens, que foram gravadas pelo serviço de inteligência da PM de São Paulo, com uso de helicóptero, e nos execraram na opinião pública. Nenhum militante entrou nas casas dos funcionários. Aquilo lá foi armação da polícia e da Cutrale, sobretudo da Cutrale. Quem fez o serviço (de entrar nas casas) não foi o MST. Ou seja, tem uma hora aí de espaço. Nós saímos, deixamos tudo bonitinho, não mexemos nas casas. Aí ficou a polícia sozinha com a Cutrale dentro da fazenda por uma hora. Aí depois dessa hora veio a imprensa.”

Sobre a CPMI

A CPMI é uma armação. Eles fizeram uma matéria da Veja com dados requentados de três anos. Com a matéria da Veja, convocaram a outra CPMI. Aí nós derrubamos, porque era sintomático. Aí com a ocupação da Cutrale, você acha que por uma ocupação, por algumas laranjas vale a pena abrir uma CPMI? Então é melhor abrir uma CPMI aqui na Assembleia Legislativa de São Paulo para saber por que que a Cutrale tem aquela área grilada.”

Sobre as ONG’s

Desde o Fernando Henrique, o governo contrata ONG’s para fazer o serviço que deveria ser do Estado. E que recebem dinheiro público. Esse dinheiro vai lá para resolver um problema concreto, ou de escola, ou de contratar agrônomo, ou de fazer casa, ou de fazer medição, ou luz elétrica. Quem organiza essas ONG’s, às vezes, são grupos de agrônomos, às vezes têm até jornalistas, é iniciativa da sociedade. Todo dinheiro é fiscalizado primeiro pelo INCRA, depois pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Depois pelo TCU, de todos esses recursos que não têm a ver conosco. A nossa posição é que isso é esdrúxulo. Somos contra isso, nós dizemos já ao Lula: pelo amor de Deus pare com essa história de ONG’s, faça com que o Estado consiga fazer isso.”

Sobre a Agricultura Familiar

A reforma agrária, como um programa realmente universalizado, que chegue a milhões de trabalhadores, é só quando o governo brasileiro e a sociedade priorizarem a agricultura familiar. E hoje há esse embate entre esses dois modelos (agronegócio e agricultura familiar), e não há uma prioridade clara de dizer a agricultura familiar é política de governo.”

Sobre a Reforma Agrária no governo Lula

Em alguns aspectos, ela ficou para trás, como o ritmo de desapropriações no Nordeste, Sul e Sudeste. O governo continuou priorizando a Amazônia. Em outros aspectos, ela avançou muito, com o Luz Para Todos, um outro programa de moradia, que é insuficiente em números, mas o programa é bom. É um balanço equilibrado, é bem melhor que na época do Fernando Henrique, mas ainda insuficiente para enorme demanda de pobres que o campo tem.”

8° ENCONTRO ESTADUAL DOS SEM-TERRINHA

O 8º Encontro Estadual dos Sem-Terrinha, que está sendo realizado a partir de hoje, dia 14, até o dia 17, no Estado do Paraná, no Assentamento Irene Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu, contará com a participação de mil crianças, que discutirão temas indicadores do Estatuto da Criança e do Adolescente e a identidade dentro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Para Alessandro Santos Mariano, coordenador do Setor de Educação do MST, “a criança que vive em acampamento tem outra visão do mundo. Desenvolve muito cedo a consciência do valor da terra, da produção de alimentos, da importância da participação e da transformação social”.

Como o 8º Encontro será realizado junto com a comemoração do 18º Encontro Estadual dos 25 anos do MST, Alessandro Mariano afirma que será uma boa oportunidade para se refletir sobre as condições das crianças e adolescentes nos acampamentos, que não são respeitadas por parte de alguns adultos. Daí a importância de serem discutidos os problemas principais que os atingem, como a falta de estrutura.

Sobre a questão da escolaridade, Alessandro Mariano, comentou as dificuldades que as crianças e adolescentes têm que enfrentar nos 300 assentamentos composto de 25 mil famílias com aproximadamente 18 mil crianças de até 14 anos.

Para atender essas crianças temos 100 escolas municipais e 30 estaduais, além de 11 itinerantes, mas a demanda ainda é grande”. Sobre a distância das escolas e o tempo gasto para chegar nelas, Alessandro Mariano comentou: “Um tempo que é roubado da convivência familiar, direito garantido no Estatuto. Em Santa Maria do Oeste, as estradas são tão ruins, com tantas pedras, que nem a prefeitura consegue resolver”.

No período do 8º Encontro, as crianças vão receber brinquedos, livros, CD’s e DVD’s com conteúdos infantis. Nos final, irão escrever uma carta a ser entregue ao MST, expressando suas opiniões e o que significa ser criança no movimento social.

PASTORAL DA TERRA APROVA A OCUPAÇÃO DO MST

Em nota publicada ontem, dia 7, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) defendeu a ação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na fazenda de laranja da Empresa Cutrale, localizada em Borebi (SP), a 300 quilômetros da capital paulista.

A ação do MST, por mais radical que possa parecer, escancara aos olhos da nação a realidade brasileira. Enquanto milhares de famílias sem terra continuam acampadas Brasil a fora, grandes empresas praticam a grilagem e ainda conseguem a cobertura do Poder Público”, diz a nota da Comissão Pastoral da Terra.

Após a chegada da Policia Militar na fazenda, ontem pela parte da manhã, os manifestantes saíram sem qualquer reação. Entretanto, imagens divulgadas, apresentando os manifestantes destruindo o laranjal, estão sendo usadas pelos latifundiários para alimentar o pedido da instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que se encontra sendo propagada pela defensora das empresas de grilagens, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que está colhendo assinaturas de deputados e senadores para investigar o MST.

Para o conhecido latifundiário, defensor fiel da ditadura militar e inimigo dos trabalhadores, deputado Caiado, a invasão da fazenda Cutrale, pelo MST, fortalece a instalação da CPMI. Para a Comissão Pastoral da Terra, trata-se da luta legal pelo direito à terra.


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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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