Archive for the 'Mina' Category

MARAVILHOSA FESTA DE DERRUBADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO NO CENTRO DE TAMBORES DE MINA DJÊ DJÊ/ NAGÔ TOY LISSA AGBÊ MANJA DE MÃE EMÍLIA

IMG_6071

Para Mina, São Sebastião “é um Xapanã, e o Rei Sebastião da Praia do Lençol. Então, nós louva neste dia, canta para toda família do lençol, todos os voduns da praia do lençol”. Oferendas, cantos, louvores e muito axé na maravilhosa festa de derrubada do mastro de São Sebastião na Casa de Mina de Mãe Emília. São Sebastião, o guerreiro, santo católico, protetor dos gays, dos que lutam pela liberdade. Santo que expressa a mais justa solidariedade.

 IMG_6015
 
 
Oh! Mater em Cristo
 
Meu santo varão
 
Livrai-nos da peste
 
Meu São Sebastião.
 
Salve o Cristo puro
 
Estrela luzente
 
Prodígio das graças
 
Do Onipotente.
 
Oh! Mater em Cristo
 
Meu santo varão
 
Livrai-nos da peste
 
Meu São Sebastião.
 
IMG_5993
IMG_6006IMG_6019
IMG_6012IMG_6020
IMG_6241
        Na festa a São Sebastião, realizada, alegremente, no dia 20 de janeiro de 2014, no Centro de Mãe Emília, o entusiasmo e a dedicação dos participantes não podiam ser diferentes em termos de dedicação, respeito e solidariedade. Um fato já comum nas festas promovidas na Casa de Mina de Mãe Emília.
Além do comprometimento e sinceridade com que são realizadas as manifestações por parte de seus membros, há também a disposição cortês de Mãe Emília com os convidados. Uma deferência que já se tornou marca singular de Mãe Emília. Razão pela qual todo ano aumenta o número de simpatizantes que frequentam o centro. São adultos, adolescentes e crianças participando da maravilhosa derrubada do mastro de São Sebastião.
 IMG_6028
IMG_6098
Mãe Emília realiza a derrubada do mastro de São Sebastião há exatamente 37 anos. Segundo ela, São Sebastião lhe é grandemente próximo: é do mês de seu aniversário. E é também seu vodum, santo protetor. A festa é uma louvação para São Sebastião e que em seguida se abre para Oxossi. A louvação começa com São Sebastião todo alegorizado com flores com cores vivas e bem perfumadas, é carregado, em procissão, em volta do mastro coberto de baixo até o alto, de frutas que significam as oferendas. No momento do movimento circular os participantes cantam o ponto “Bem Dito São Sebastião”.

Nasceste no berço
 
Do vil paganismo
 
Porém a fé santa
 
Vôs deu o batismo.
 
Vós desde menino
 
Já nos ensinava
 
A religião santa.
 IMG_6068IMG_6073IMG_6079IMG_6092IMG_6084IMG_6090
           Uma parada para as orações. Terminadas as orações, Mãe Emília, com um terçado, dá a batida inicial da derrubada do mastro. Os outros participantes, filhos de santos e convidados, se encarregam da derrubada. Derrubado o mastro são acesas velas e iniciam-se os pedidos, rezas e oferendas para que o ano transcorra com felicidade para todos. Muito axé! Em seguida, o santo é levado para o salão e os tambores de Mina começam a rufar em forma de louvação.
 
Rei Sebastião
 
Ele é guerreiro militar
 
Rei Xapanã, ele é pai de terreiro
 
Lá numa guma, guma imperial
 
 IMG_6001
IMG_6175IMG_6161
 IMG_6215IMG_6160
   
IMG_6188
           
E a maravilhosa festa para São Sebastião, guerreiro, continuou no Centro de Tambores de Mina de Mãe Emília, localizada na Rua Pintassilgo, no 100, Cidade Nova II, próximo ao Cruzeiro.
Diversas outras entidades apareceram juntamente como o outro aniversariante da noite turco Caboco Ubirajara. Ao som dos abatazeiros (tamborzeiros ou ogans em outras nações) os pontos e cores encheram a casa de alegria e mais um ano de celebração a São Sebastião.
IMG_6165
IMG_6172

OBRIGAÇÃO DE JÉSSICA DE YEMANJÁ (AGBÊ MANJÁ) NO TERREIRO DE MÃE EMÍLIA

Na foto acima vemos a união dos participantes e filhos do Centro de Tambores de Mina Djê Djê/Nagô Toy Lissá Agbê Manja em Manaus que estiveram reunidos nesta última sexta-feira para celebrar mais uma obrigação de Jéssica de Agbê Manjá (que é Yemanjá no Ketu) .

Jéssica, que na foto acima está ao lado de Mãe Emília, segurando o buque de flores, conversou com nosso bloguinho contando a demanda e esforço que uma obrigação exige, mas que sempre é algo muito recompensante, pois envolve uma liberdade e maturidade espiritual.

“Esta obrigação foi cansativa, mas vale muito a pena. Para quem tem a religião como prioridade, para quem valoriza a feitura de santo é uma vitória muito grande, até porque é sacrificante você parar um pouco da sua vida, se recolher, e se dedicar o momento só para o espiritual. Para quem tem trabalho, tem estudo, para quem nem mora aqui, pois eu não moro mais aqui, já estou morando em outro país com o meu marido e vim para cá fazer esta obrigação. Mas este sacrifício é bem valoroso.”

Esta obrigação está acontecendo após três anos da saída de Jéssica onde foi feito o ritual, revelado o nome do santo no roncó. Jéssica que sempre foi muito dedicada e tem um grande afinco com sua religiosidade.

Jéssica em sua primeira saída a público nesta obrigação veio com as vestimentas de Yemanjá (Agbê Manjá), entidade de Jéssica que fora revelada em sua saída na religião. Sempre bela e magestosa, a rainha do mar de vários nomes, encheu o terreiro de alegria em seus pontos como pode ser visto no vídeo abaixo.

Como a obrigação não era apenas para Yemanjá, após alguns pontos Jéssica se recolheu para fazer sua segunda saída como um Xapanã, coberto de palha que também recebeu suas oferendas durante a obrigação.

Esta segunda saída como Xapanã   tem um signifacado importante dentro da obrigação. Jéssica nos explicou um pouco sobre a obrigação em si e também sobre a importância desta segunda saída:

“A obrigação de hoje é uma confirmação da minha feitura (saída), então a gente se recolhe durante uma semana, dá todo o panaiá, as frutas, toda alimentação. Se recolhe, confirma e faz a saída dos outros santos que não foram feitas no caso o Xapanã, o segundo que estava coberto de palha. Ele é da família Akossi Sakpata, a mesma de Obaluaê, só que é Xapanã.”

Enquanto Jéssica se preparava para sua terçeira saida os abatazeiros continuaram rufando os tambores e vários pontos eram cantados com muita devoção e alegria por todos os presentes.

 

 

 

 

 

 

Eis o grande momento quando Jéssica saiu como gentil Rainha Rosa, quem recebeu um buque de flores amarelas e foi saudada com diversos pontos.

Rainha Rosa
Princesa menina
Ela dançou em Mata de Codó
Dançou em Codó

Rainha Rosa
Princesa menina
Vamos ver a Mata de Codó
Vamos ver a Mata de Codó

Senhora Rosa Rainha
Pra que mandou me chamar
A senhora mesmo é quem sabe
A grande força do mar


E com a saida de Rainha Rosa a festa continuou e como sempre vivida,  se estivesse acabado de começar e não se quisesse mais terminar.

A Estrêla da Guia
Guiou nosso Pai
Guiai esses filhos
Caminhos que vai
O viva Jesus
Nosso Pai redentor
que na Santa Cruz
seu sangue derramou

E com os tambores já cobertos chegou a hora da distribuição dos bolos dos três homenageados a todos os presentes. E a mesa que previamente decorada estava fabulosa com os bolos, os santos e muito axé. Jéssica que fez esta bela obrigação fez a distribuição e com todo seu carinho e dedicação atendeu a todos finalizando sua belissima obrigação. E nosso bloguinho deseja que Jéssica continue em sua vida religiosa  e que esta lhe traga muita paz, axé nos fundamentos do tambor de mina.

DERRUBADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO NO CENTRO DE TAMBORES DE MINA DE MÃE EMÍLIA

Clique nas fotos para amplia-las

Oh! Mater em cristo
Meu santo varão
Livrai-nos da peste
meu São Sebastião

Salve o cristo puro
Estrela luzente
Prodígio das graças
do onipotente

Oh! Mater em cristo
Meu santo varão
Livrai-nos da peste
meu São Sebastião

Na última sexta-feira (20) foi comemorado no Centro de tambores de Mina Djê Djê/Nagô Toy Lissá Agbê Manja em Manaus a tradicional festa de São Sebastião, o martir que é padroeiro dos soldados, atletas, dos homossexuais e toda moçada LBGT. Além de ser um santo cristão, ele é cultuado pelas diversas religiões afro reprentado no chamado sincretismo de Oxóssi, o santo que mora nas matas e a a proteje.

A festa é celebrada nos  terreiros de Mina louvando São Sebastião que para a mina “é um Xapanã e o Rei Sebastião da Praia do Lençol. Então nós louva  neste dia, canta para toda a família do lençol,  todos os vodums da Praia do Lençol” explica Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá que também deu um depoimento sobre o santo.

Já fazem 35 anos que eu faço esta tradição. Primeiro eu faço por que ele me pertençe, neste tempo todinho é do mesmo mês meu, mesmo dia meu, é meu protetor como santo e como vodum. Então tenho que fazer esta louvação a ele e todo ano eu faço. E a gente canta pra Xapanã, para Rei Sebastião e canta para o homem também.  Depois a gente abre pra Oxóssi, por que uma nação, como por exemplo na Bahia na casa de Mãe Menininha, eles tem Oxossi como Ogum, e na verdade ele foi um guerreiro, um soldado, herói, batalhador. Então tem umas nações que pra eles ele é um Ogum.


E a festa começou quando santo, que estava em um andor enfeitado de flores, era carregado em volta de seu mastro enquanto era cantado o ponto  “Bendito São Sebastião”. Com muita alegria cantou-se para São Sebastião.

Nasceste no berço
Do vil paganismo
Porém a fé santa
Vos deu o batismo

Vós desde menino
Já nos ensinava
A religião santa
Que ao culto amava

Após as orações para São Sebastião chegou a hora da derrubada do grande mastro que estava fincado no solo. O mastro estava repleto de frutas, vegetais e outros produtos incluindo cupuaçu, laranja, pupunha, milho, banana, abacaxi, pé de moleque, mel, vinho entre outros. A primeira batida no mastro foi feita por Mãe Emília, seguida de seus filhos de santos e dos demais presentes

Depois de várias batidas o mastro foi ao chão e junto dele os presentes foram pegar os alimentos repletos de axés de São Sebastião. Abaixo vemos o vídeo de todo a caminhada com o santo e a derrubada do mastro

Após a queda do mastro foram acendidas diversas velas para Sebastião, foram feitos os pedidos, agradecimentos, oferendas e rezas para o santo para que se construa um ano de muito axé.

E assim chegou a hora de voltar ao salão e trazer novamente o martir para continuar a festa. E que festa alegre esta do centro de tambores de Mina, que seguiu durante a noite toda.


E os tambores começaram a rufar pelos abatazeiros (ou ogams em outras nações) enchendo todo o terreiro de vibrações e dando vida para os diversos pontos cantados louvor.

 

E os convidados foram chegandos e muitos deles de outras casas de santo foram entrando na roda e alegrando o salão de cores e cantos.

Rei Sebastião,
Ele é guerreiro militar
Rei Xapanã, ele é pai de terreiro
Lá numa guma, guma Imperial

Quem tiver a sua vista aberta
Agora que eu quero ver
Sebastião arrasta as correntes
Fazendo a terra tremer

Pai Edson de Codoense usou sua voz melodiosa para puxar  rezas para Rei Sebastião para que Mãe Emília se preparasse para receber o aniversariante da noite o turco Ubirajara.

 

E desceu na cabeça de Mãe Emília o turco Ubirajara, que se chama de caboco, mas é na verdade um turco, como explicou mãe Emília que festeja além de Sebastião, o seu aniversário de Ubirajara em sua cabeça.

E depois se louva os turcos como já é uma tradição não só na minha casa como nos terreiros do Maranhão todinho, fazem homenagem neste dia, levanta mastro e festejam. A entidade, o seu Ubirajara é um turco. Nós chamamos caboco, mas ele é um turco que já vem luas e luas. Na minha cabeça  está com 45 anos que eu trabalho com ele.

Meu pai Turquia
Já içou sua bandeira
Venha ver como é bonito
ver seu filho na trincheira

Com teu lindo Penacho
É Um Penacho De Arara.
Com o Rompe da Mata Virgem
Com o Rompe da Mata Virgem
Ele é O Caboclo Ubirajara.


Ele é Bira,
ele se chama Ubirajara

Ubirajara quando chegou
Não temeu a caboclo nenhum
Ubirajara quando chegou
Não temeu a caboclo nenhum
Ubirajara é caboclo bravo
Não temeu a caboclo nenhum


Edmundo velho Edmundo
Edmundo velho Edmundo
Eu me chamo Ubirajara
Meu pai Oxossi é guardião
Do outro mundo
Eu me chamo Ubirajara
Meu pai Oxossi é guardião
Do outro mundo.

E então começaram a descer também diversos cabocos e encantados como a caboca índia Ida e vários outros que logo também passaram a saudar os presentes.

Pai Dinho que também estava presente puxou alguns pontos com sua voz forte e agradável que compunha com os abatás e mostrava aos presentes a beleza e força do tambor-de-mina.

Estrela d’alva
é a sua guia
Ubirajara é um
caboco valente

Ubirajara mora
Lá na mata
Lá na grota funda
Lá no fim do mundo

Só queria meu Deus
só queria
Ver o canto
dos Orixás

Eu queria meu Deus
só queria
Ver o povo
da banda de lá

O grande momento da noite chegou quando os seis bolos do aniversariante turco Ubirajara  foram distribuido para os presentes, assim como diversas frutas para todos os presentes que esperaram em fila a degustação deste presente com muito axé. E nesta alegria a festa trouxe toda disposição e envolvimento da Mina.

Parabéns pra você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitas forças em luz

Não é, não é, não é
Todo santo tem seu dia
Não é, não é, não é
Seu Ubirajara hoje é seu dia

CONVITE PARA COMEMORAÇÃO AO MARTE SÃO SEBASTIÃO

O CENTRO DE TAMBORES DE MINA DJÊ DJÊ/NAGÔ

TOY LISSÁ AGBÊ MANJA

CONVIDA

Os adeptos e simpatizantes dos Cultos Afros para mais uma comemoração ao Marte São Sebastião

No dia 20/01/ 2012 a partir das 16:30 com a derrubada do Mastro do Santo. Logo após os tambores rufam em Homenagem a Dom Sebastião, chefe da família dos Lençois.

Endereço: Rua Pintassilgo, no 100, Cidade Nova II, próximo ao Cruzeiro.

 

Nochê Hunjaí Emilia de Toy Lissá e Agbê Manjá

Morrer por causa da fé chama-se martírio, e garante o céu para qualquer pessoa que morre por amor de Deus, seja ela batizada ou não. Martírio de São Sebastião, cujo sepulcro tem sido venerado pelos fiéis desde a mais remota antiguidade Cristã.

PELA LIBERDADE DE CULTO ÀS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Seu doutorzinho quer que chame de doutor
Seu doutorzinho quer que chame de doutor
É duvidoso, cativeiro acabou
É duvidoso, cativeiro acabou
Branco sabe ler, também sabe escrever
Só não sabe dia em que morre
O preto é quem vai dizer!

Em memória ao Pai Francisco do Morro da Catita, com seu Umbandão pé no chão, que foi para o Orun no início desse ano.

Uma das principais questões hoje no Brasil, como ficou visível nas últimas eleições, é a defesa da liberdade religiosa, é a defesa constitucional do Estado laico que é o Brasil, onde se pode, segundo a lei, desde que não se ofenda a outrem, cultuar a religião que se quiser: Cristianismo, Budismo, Hinduísmo, Xamanismo, Agnosticismo, Espiritismo, Candomblé, Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô…

É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” (Constituição, Art 5º-VI)

Quem não quiser também estará livre para não cultuar nenhuma: Ateísmo. E há no Brasil até quem invente novas formas de religião a partir do que venha a ser religião e da importância de se cultuar uma religião. No emaranhado de interesses mesquinhos em que se consagram todos os sistemas de todas as eras, praticamente todas as religiões se jogam na busca pela Verdade, seja para auto-aperfeiçoamento, seja como direcionador de ações. Atualizemos filosoficamente a questão em Aldous Huxley, quando ele trata a religião como sendo um filtro para conhecimento da realidade, ou no sentido de “ver o íntimo das coisas”, como diz Nietzsche sobre a poesia. Assim, mesmo alguém que se diz ateu pode estar imbuído de religiosidade.

Que lindo! Poderíamos até dizer que foi assim que Jesus Cristo, o palestino, sonhou. Mas por que a intolerância gera tantos conflitos que até se gerou um leniente ditado que diz que “religião e política não se discute” quando, ao contrário, quando a religião sai da esfera do foro íntimo – crença individual – e adentra à esfera da coletividade – persuasão política -, tem-se que se discutir? Elementar: é que grande parte das religiões, principalmente as chamadas Grandes Religiões, se emaranharam a mesquinhos interesses. Por isso que, no Brasil, dentre as inúmeras formas de discriminação que constituem o racismo está a intolerância religiosa aos cultos afro.

Para se perceber as discrepâncias que daí resultam sobre as religiões afro, basta observar um fato ocorrido numa das escolas onde a AFIN, de quem este bloguinho é vetor virtualizante, foi fazer sua explanação com o tema que vai no título deste texto. Acontece que se um adepto de uma religião cristã procura uma escola, fato corriqueiro em Manaus, para “pregar a palavra do Senhor”, ninguém chega sequer a aventar uma falta de “interesse público”, como prevê a Constituição, de catequização religiosa em espaços públicos; agora se o pessoal da AFIN aparece com um pai de santo, e neste caso com “interesse público” comprovado, e sem catequização, mas sim discutir a autenticidade das religiões afro e desfazer certas estigmatizações, há professores que protestam e ameaçam se retirar. Daí se percebe que a laicidade do Estado não está sendo observada por parte de muitos cristãos.

Não fazemos aqui uma crítica ao Cristianismo em si, que acreditamos uma religião autêntica, mas à irracionalidade de adeptos individuais e de vis interesses que subvencionam essa religião desde pelo menos sua oficialização no Império Romano, quando tendências distintas, à época de Santo Agostinho, se engalfinhavam com palavras esdrúxulas, pedras e armas, até que uma dessas tendências prevaleceu pela força física mais do que ideológica ou de fé. Desde aí, passando pelas Cruzadas, pela Reforma Protestante, pela Contra Reforma, pela Caça às Bruxas, chegando até os dias atuais com a deprimente divisão do mundo entre Ocidente cristão e Oriente islâmico, vê-se uma epopeia sangrenta que pouco tem a ver com a simplicidade e ternura do filho de Maria.

Como o Cristianismo é a maior religião no Brasil, muitas igrejas e manifestações individuais demonizam outras religiões, julgando-as violentamente segundo seus dogmas irredutíveis. Em Manaus conhecemos budistas que se queixam do preconceito que sofrem. Quer dizer, não são apenas os cultos de matriz africana, mas como os adeptos dos cultos afro, tendo o Brasil nos negros uma das etnias de nossa formação, as condenações sumárias para estes é muito mais abundante e frequente, sabendo-se que só em Manaus há cerca de 3 mil lugares, entre terreiros, barracões e bancas, onde se cultua alguma religião de matriz africana.

Talvez isso não ocorra em todo o Brasil. Ouvimos seu Baianinho do Tambor de Mina, na cabeça de Pai Miguel de Vondoreji, do Terreiro da Fé em Deus, contar que no Maranhão há padres que rezam a missa e que depois vão ao terreiro e incorporam aí suas entidades. Mas em Manaus, e provavelmente em muitos outros lugares, a lista de estigmatizações é imensa. Semana passada ouvimos uma jovem dizer que “nos terreiros de macumba as pessoas bebem sangue”. É muito comum ouvirmos que os orixás, cabocos e voduns são demônios e que todos os macumbeiros vão para o inferno.

Com argumentos rápidos e certeiros, mesmo para nós deste bloguinho, que não somos diretamente adeptos dessas religiões nem antropólogos especializados, é fácil derrubar tais preconceitos aberrantes. Esses três anos de trabalho incansável, desde que num domingo à tarde baixamos no terreiro de Pai Jeovaņo de Ajagùnnọn, já nos levaram a entrar em contato com cerca de uns 100 terreiros e barracões e nos deram algumas informações necessárias para isso, ao que juntamos nossa filosofante vontade de amor e comunhão. “Os homens são diferentes, mas não desiguais, nem separados: são como os dedos da mão. Iká ko dogbá, os dedos não são iguais, diz um aforismo nagô”, declara o filósofo candomblecista Muniz Sodré.

Para começar, vulgarmente se utiliza a palavra “macumba” de forma pejorativa e generalizada. As pessoas que assim o fazem não sabem sequer que não existe apenas uma religião afro, mas diversas, entre elas o Candomblé, a Umbanda, Mina Jeje-Nagô, Umolocô. Sem falar que os cultos afro congregam na verdade vários outros credos e entidades que não são propriamente de matriz africana, como as pombogiras, como os cabocos indígenas, o povo cigano, santos, anjos e até bruxas.

No Brasil, o caso mais curioso é a aproximação de santos católicos com orixás dos cultos afro, o que se denomina sincretismo. Como os escravos não tinham permissão para cultuar seus orixás, eles escondiam uma imagem deles entre os santos ou cultuavam algum santo que de alguma forma tinha característica que se aproximava de um orixá. Por exemplo, como a entidade por assim dizer maior católica era Jesus Cristo, então os negros relacionavam-no a Oxalá, seu orixá maior. Assim foi que Nossa Senhora da Conceição virou Oxum, São Sebastião virou Oxóssi, São Jorge virou Ogum, São Lázaro virou Obaluaê, Santa Bárbara virou Iansã e por aí vai.

Uma das maiores polêmicas ocorre na aproximação vulgarizada de Exu com o Diabo. Mas se percebe que essas aproximações são apenas providenciais; mas não, essenciais. Enquanto no Cristianismo o Diabo, o Satanás é tido como uma entidade terrível com a qual nenhum acordo deve ser feito, a não ser que se queira vender a alma ao capiroto, nos cultos afro Exu é o primeiro orixá a se louvar, sendo que é ele quem abre os bons caminhos e fecha a soleira da porta do barracão para o mau olhado. Hoje há também quem diga que Exu é na verdade o Espírito Santo. De qualquer modo, todos os adeptos dos cultos afro com os quais conversamos foram sempre unânimes de não levar a sério essa história de sincretismo, que, para eles mais auxiliaria na demonização de suas religiões, uma vez que prevaleceria, embora o Brasil sendo laico, a religião dominante.

Se observamos que uma religião como o Candomblé é muito mais antiga do que o Cristianismo, mais antiga até que o Judaísmo, e originada em uma outra realidade geográfico-política, como que ela poderia ser julgada por este? Só há uma forma: até hoje, muitos cristãos – não todos, claro – tendem a querer impor à força para as outras nações, para outras pessoas o seu credo como único e verdadeiro. Já houve muitos casos em que meios de comunicação usaram de truculência contra as religiões de matriz africana, e é por isso que existem hoje leis contra racismo e intolerância religiosa para punir as manifestações violentas e agressivas.

Em Manaus há entidades que lidam diretamente com a questão, como a Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Estado do Amazonas (FUCABEAM), presidida pela querida Nochê Hunjaí Emília de Toy e Lissá, e a Federação Brasileira de Umbanda, Cultos Afro-Brasileiros e Ameríndios (ABUCABAM), presidida por Pai Lairton da Oxum. A luta dessas entidades se faz também na medida de modernizar as práticas nos terreiros, como já explicou em entrevista neste bloguinho Pai Ribamar de Xangô, coordenador no Amazonas da Federação Nacional dos Cultos Afro-Brasileiros no Amazonas (FENACABI). Há ainda a Associação Movimento Orgulho Negro do Amazonas (AMONAM), presidida pelo companheiro Luiz Costa, que faz um trabalho diretamente nas escolas.

Mas há pessoas que, embora estando no “mais baixo grau de entendimento”, repetem estigmatizações ofensivos às religiões afro apenas por medo e falso misticismo, mas que merecem alguns argumentos que lhes faça abrir os olhos. “Ter os olhos abertos é derrubar as paredes divisórias das ditas raças, classes, crenças e conceitos. Apertar o Outro contra o coração como se fosse um membro de sua própria família é coisa digna só de gente” (Muniz Sodré).

Como já dissemos, as religiões afro congregam vários outros credos. E se há preconceitos de muitos cristãos contra as afro-religiões, não os há destas para com aqueles. “Agradeço a todos os orixás e a Nosso Senhor Jesus Cristo…”, é o que dizem praticamente todos os pais de santo. Em Manaus há vários centros que realizam festas católicas, mormente os que praticam Mina Jeje-Nagô, com direito a novenas, terços e cânticos hagiográficos. Transparece que o preconceito é mais arraigado entre os chamados evangélicos, mas também estes, além de não estarem acima das leis, devem aprender a con-viver com a diferença e perceber o Outro sem as barreiras extremistas do fanatismo.

Deixamos a melhor parte para o final. Como não somos adeptos, não estamos fazendo nenhum estudo antropológico sistemático, não ganhamos nada a não ser a bênção dos orixás, cabocos, voduns e outras entidades, uma pergunta sempre recorrente nos é colocada: “Você acreditam nisso?” O filósofo da Feira de Santana citado acima, numa entrevista de 2003, falando sobre Pierre Verger, explica que a palavra “acreditar” tem vários sentidos, entre eles “aceitar”, “confiar” e “dar crédito”. Um dos motivos que causam o medo que provoca o preconceito de muitos é o vigor das religiões afro e sua autenticidade. Para quem observou fotos e conversas que tivemos, alguém que nunca foi num terreiro, se souber olhar, verá uma pequeníssima demonstração de toda a beleza que vimos nessas noites inteiras acompanhando esses rituais. Sabe quanto conhecimento e ternura há numa conversa com um preto velho? Você já viu alguém mais alegre do que aquela pombogira? Onde já se viu cigana tão linda? Que harmonia no gingado das baianas! Tantos pontos, tantas rezas maravilhosas! E o que é para os ouvidos toda a musicalidade do tambor de mina? A voz daquele caboco lembra uma história que não foi contada pela História oficial…

O papel que nos propomos não é convencer ninguém, mas não nos repitam mais aquela pergunta tola. Lutar pela liberdade de culto às religiões afro-brasileiras é hoje no Brasil a principal luta contra o racismo e, ainda mais, é a defesa constitucional do Estado laico.

Nosso papel também não é convidar ninguém para ir ao terreiro, mas se quiser ir com certeza lá nos encontraremos, porque, livres de todos os medos e preconceitos, lá sempre nos sentiremos bem e completos de corpo e alma. Axé!

BOIZINHO ESTRELA DO ORIENTE NO CENTRO DOS TAMBORES DE MINA JEJE NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

Menina, abre a porteira
Deixa meu boi passar
Ele é bonito, ele é de fama
É boi Estrela do Oriente

foto

Mais uma vez Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá preparou com esmero seu e maravilhoso terreiro para receber os convidados na noite de São João, para mais uma festividade tradicional da casa. E a roda já está formada e o tambor já roncou para mais um sonoro, colorido e espiritualizante ritual da vigorosa afro-religião Mina Jeje Nagô.

foto

fotoMãe Emília e Dona Pátria

Tambor de Mina quando rufa lá nas matas
Ele é de Mina, ele é Nagô
Tambor de Mina quando rufa lá nas matas
Ele é de Mina, ele é Nagô

foto

foto

Foi uma festa pra Xangô Irá e tocamos também pra Badé, pra família de Gama e pro povo da Romé. A Casa como é de Oxalá, Iemanjá e Xangô, todo ano nós tocamos para os vodunços da Casa. Faz 27 ano que nós inauguramos aqui e que fazemos essa festa para Xangô”, explica Mãe Emília.

foto

foto

fotoÀ esquerda, Pai Bosco de Ogum, com seu ogan ao lado, velhos conhecidos deste bloguinho.

Como sempre ocorre nesse santificado espaço, estavam presentes vários convidados. Entre irmãos de santo de Mãe Emília, na foto abaixo está Pai Edmar, manauara que hoje reside no Rio de Janeiro. Além da respeitabilidade de Mãe Emília, ele destaca a sua atuação política-religiosa frente à FUCABEAM.

foto

Eu sou o babalorixá Edmar. Sou daqui de Manaus, mas estou já há alguns anos morando no Rio de Janeiro. Tenho casa aberta em Campo Grande, na zona Oeste do Rio. Eu estou retornando aqui pra encontrar Mãe Emília, e é uma felicidade ver que ela está à frente de uma federação e lutando para engrandecer a religião dentro do estado do Amazonas, e esta federação está tendo muito progresso porque ela é uma pessoa muito culta no santo, conhece demais. Nós também nos conhecemos há muito anos, nós somos amigos antigos, começamos juntos no santo, e estamos até agora. Isto pra mim é um prazer. Ela é uma das grandes conhecedoras da Mina no Amazonas, e acho que esta seja talvez a única casa completa da Mina por aqui. O barracão de Mãe Emília.”

fotoDom João Rei de Mina

Aê Dom João, cavaleiro do mar
Aê Dom João, desceu na guma
Veio só baiar, aê Dom João

foto

E assim a festa prosseguia, com diversos voduns vindo receber as honras dos presentes e deitar suas bênçãos a todos os participantes. Na foto abaixo, Barão de Goré, na cabeça de Mãe Emília, canta diante do tambor.

foto

Ai, ele veio na sua barca veleira
Mas ele é Marquês de Pombal
Ele é filho de Deus e Nossa Senhora
Mas ele é Marquês de Pombal

À esquerda, Pai Carlos de Xangô salda o terreiro com suas melodiosas rezas, seguido de Pai Edmar.

Eu vim salvar terreiro
Vim salvar os meus irmãos
Numa mão trago um letreiro
Na outra um sino salomão

foto

Pai Edson de Codoense e Mãe Orny da Oxum Opará

Então era hora de virar pra encantaria, pois chegou o momento mais especial de toda noite de São João, quando o boizinho dos encantados, Estrela do Oriente, desde que veio lá do Maranhão, baixa no terreiro de Mãe Emília para dançar ao som das toadas de encantados e dos filhos da casa.

foto

E o boizinho saiu do terreiro e foi para o campo aberto, embaixo do luar, lua cheia de São João, ouvir as toadas antigas e as improvisadas no momento: “Em seguida, viramos pra encantaria, que foi o Boi. Que boi? O Boi da família Cambinda, do povo de Légua, que vieram fazer a participação. Isso já é uma tradição. O boi veio, então fomos tirar as prosas de encantado, cantar as toadas pra poder o boi dançar. Fazem três anos que o boi chegou do Maranhão. Ano que vem nós vamos ensaiar ainda melhor ele para apresentar lá na Pça São Sebastião”, avisa Mãe Emília.

foto

Já raiou, já raiou
Boi Estrela do Oriente
Ele é boi de fama
Ele veio raiar no Amazonas

fotoDona Suzana de Légua Boji (na cabeça de Mãe Orny)

À esquerda, seu Légua Boji Buá puxa a toada, e ao lado a atenciosa madrinha Dione abraça carinhosamente o boizinho afilhado.

A Dione é a madrinha do Boi. A participação da Madrinha vem desde que o Boi chegou no Amazonas, vindo do Maranhão. Ela e o filho dela. Nós batizamos o Boi e ela foi a madrinha. O motivo especial é que o filho dela, o Marquinho, é que era o miolo do boi, que representava o boi no momento. Ano que vem o boi vai fugir e vai ficar na casa dela durante uns dias, depois é que a gente vai pegar ele”, mais uma vez é Mãe Emília quem explica.

foto

E o Estrela do Oriente retornou ao salão, onde as toadas se mesclaram a rezas dos encantados.

fotoUm retrato da linda Socorro de Xangô, uma das mais novas filhas de santo de Mãe Emília.

foto

À esquerda, Tereza Légua (na cabeça de Flor). Ao lado, a senhora Pátria levada no embalo da alegria por Marquinhos e Dona Suzana.

Na boiada de encantado
Só tem boi marruá
Codoense como cantor
Tereza Légua como um terror
Não falei no Cole Maneiro
Porque ninguém se lembrou

foto

foto

E assim a festa continuou, fazendo ver toda a autenticidade das religiões afro-brasileiras, carregada de entes que, ao mesmo tempo que fazem lembrar ciclos da nossa história remota, estão presentes em efetividade religiosa. Uma festa magnífica para os olhos e o coração de todos aqueles que vivem a crença ou apreciam o ritual afro-religioso como verdadeira manifestação religiosa do povo brasileiro.

foto

CENTRO DOS TAMBORES DE MINA JEJO NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ ●

- Mãe Emília de Toy Lissá -
Rua Pintassilgo, nº 100 — Cidade Nova II – Núcleo II (Manaus-AM)
E-mail: jessicahermes_morena@hotmail.com
Telefone: (92) 9995-3894

FESTA DE PRETO-VELHO NO TERREIRO DO PAI TOTA

Vovô não quer casca de coco no terreiro

Que é pra não lembrar do tempo do cativeiro
Preto-Velho 01 por você.

Durante todo o mês de maio foram feitas obrigações no terreiro de Pai Tota como preparação da sagrada festa dos pretos-velhos que se realizou no primeiro sábado de junho. Pai Tota, que é conhecido há década dos moradores do Conjunto Ajuricaba por sua alegria e seu axé dentro dos cultos afro, falou-nos de sua trajetória como babalorixá desde o Recife e sobre a festa para os pretos-velhos da qual este bloguinho participou.

Preto-Velho 05 por você.

Preto-Velho 02 por você.

Abaixo, Mãe Orny ao lado de Pai Tota.

Preto-Velho 04 por você.

Eu sou neto de baluartes da religião, pois meus avós eram do santo, me criei dentro do santo e fiz minhas primeiras obrigações dentro do santo, ainda tinha 9 anos de idade, cultuando mais o caboco na época, e com 12 anos eu dei o primeiro toque, que por sinal foi pra Oxum, que eu sou filho de Oxum, sou primeiro Obá Sirimin, do terreiro de Mestre Val, que já foi, já está no andar de cima. Comecei a tomar conta de obrigações de filhos de santo com 15 anos. De lá pra cá a minha vida foi essa: trabalhar, fazer filho, procurando fazer tudo certo. Quando meu Pai tava vivo, quando eu recolhia um filho, eu chamava ele pra ele jogar e confirmar se realmente aquele filho estava pronto, se aquele ori pertencia àquele orixá que eu tinha dado. Eu sempre procurava fazer e procuro do jeito que ele me ensinou. Um baluarte hoje, um zelador de santo tem que conhecer a folha, tem que saber cantar pra folha, tem que saber cantar para um bori. Aqui em Manaus só teve uma coisa que eu encontrei e que eu não gostei foi essa história de que o filho não é feito, não quer cumprir os mandamentos de um pai de santo e abre casa, aí vai fazer trabalho errado. Quantas pessoas já não vieram aqui, assim como com a Mãe Emília, procurando auxílio porque fulano e sicrano fez trabalho errado.

Eu quis vir pra cá porque eu gostei aqui de Manaus. Eu deixei uma casa lá no Recife com 38 metros de comprimento por 14 de largura pra vir pra cá. Manaus é uma terra boa, uma terra que tem muitas folhas boas, e tem muitos filhos bons. Eu queria trazer dois filhos meus pra cá, pra viver aqui, então Manaus me segurou. Encontrei em Manaus amor, carinho e talvez uma vida até melhor. É uma terra em que a gente sente o axé, sente a força. Fiz agora aqui nessa casa 21 anos e acho que, graças a Deus, tenho uma vida muito boa. Inclusive os meus vizinhos são pessoas maravilhosas, porque aguentar uma casa de santo tem que ser bom, porque a zoada que se faz, seis tambores batendo. Eles aplaudem, porque gostam. Quando não tem, eles perguntam: “Cadê, não vai ter não é?” Aqui, vai ter a festa do seu Zé Pilintra agora, começa sexta-feira, termina segunda, batendo. Os vizinhos às vezes ainda vem ajudar a enfeitar a casa.

Acima, a querida e respeitada presidenta da FUCABEAM, Mãe Emília de Toy e Lissá, juntamente com Flor de Navê e a linda Jéssica de Iemanjá. Completando, o companheiro Luiz Costa, presidente do AMONAM (Associação do Movimento Orgulho Negro do Estado do Amazonas).

Preto-Velho 10 por você.

Preto-Velho 06 por você.

A casa é Nagô, mas cultua o caboco. Toda casa Nagô cultua o caboco. Por quê? Que é o pro caboco poder zelar o santo, porque é o caboco que traz o médium, traz o cliente, que pra jogar, falar com uma entidade. E aquele dinheiro que fica da contribuição daquilo que ele está fazendo, a gente usa pra zelar a casa e fazer as obrigações.

Toda ano a gente faz a festa do Preto Velho Pai Joaquim. A gente começa no começo de maio com o trabalho do cachimbo, o verdadeiro catimbó. A gente trabalha 29 dias no catimbó, aí as pessoas que querem fazer pedido pra trabalho, pra saúde. Todos os dias nós temos duas de trabalho com o cachimbo. O cachimbo é o poder da mente. No dia da festa a gente não usa cachimbo, porque tem a comida, muita comida, e já se fumou demais nos 29 dias de trabalho. Todo ano essa festa é uma tradição aqui dentro da casa.

Preto-Velho 11 por você.

Preto-Velho 12 por você.

Preto-Velho 14 por você.

A gente oferece para os pretos-velhos todas as comidas que eles usavam. Por que os pretos tinham força dentro do lugar onde eles estavam? Porque eles cultuavam o santo. Quem libertou Pai Joaquim, Pai João, Pai José de Angola? Essa história é longa. Quando eles estavam na senzala, eles cultuavam o santo ali dentro escondido, que na época chamava-se lapinha. Quando o Barão vinha, eles escondiam os assentamentos dos santos e botavam as imagens, Nossa Senhora da Conceição, São Jorge. Eles estavam cantando em dialeto africano pro santo e os brancos não sabiam porque não entendiam. Quando o barão saía, levantava de novo o santo que estava escondido e continuava a tocar. Eles não podiam mostrar pra eles por quê? Porque eles condenavam, na época eles diziam que era bruxaria.

Preto-Velho 15 por você.

Preto-Velho 16 por você.

Um dia, a filha do fazendeiro adoeceu, ficou coberta de chagas. Pra que servia as pretas? Só pra amamentar os brancos. Aí ele vai lá pra ver a menina doente, e ele disse que curava a menina. O velho disse pra ele: “Se você não curar minha filha você morre.” A menina tava quase morta, porque naquele tempo você pegava catapora, sarampo, você morria, não tinha cura. Resultado: o preto foi lá e disse que curava. Levou a menina lá pra dentro da senzala, pra um lugar que se chama lubaça, e ele viu que Obaluaê respondeu, que é o deus da peste, o deus das chagas, Omolu. Ele foi e se comprometeu. A baronesa chamou o marido e disse: “Marido, a nossa filha já está a bem dizer morta. Por que não deixa ele tentar?” O velho disse afirmou novamente que se ele não conseguisse ele morria. Ele perguntou: “Tudo que eu precisar o senhor me dá?” O velho disse: “Dô.” Aí o preto mandou tirar toda a roupa da menina. Deitou ela numa esteira, cantou o afrexô e levaram a menina lá pra senzala. Lá ela passou 21 dias. Tudo o que ele precisou ele pediu. Então era pato, era galinha, era boi. Tudo entrava e não saía. Então, passados os 21 dias, eles mandaram chamar o padre e outras pessoas para ver a saída da menina dali de dentro. O pai não sabia que quem ia sair de lá era o santo. Quando cantaram, o velho ficou esperando que a filha saísse. Então o preto chegou e disse: “Sua filha tá aí.” E quando tirou aquelas palhas que são as vestes de Obaluaê, o velho viu que a menina não tinha uma chaga. Só tava com a cabecinha raspada, porque tinha raspado o santo. E foi então que ficou liberado pra zelar o santo dentro da senzala.

Preto-Velho 17 por você.

O casal afinado Vinicus e Bianca, presidenta da Afin, também aproveitaram para degustar as maravilhosas e abençoadas comidas dos pretos-velhos.

Preto-Velho 13 por você.

Preto-Velho 18 por você.

Por que os pretos têm as forças? Umbora matar um boi, pé, bucho, cabeça, vísceras, tudo ia pra senzala dos pretos, e os brancos comiam só a carne. Não sabiam que ali é que estava o que fortificava as pessoas. É por isso que os pretos eram fortes, porque onde tá a força dos boi é nos músculos, não é na carne. E hoje a gente faz tudo o que eles comiam na época, e que hoje estão nos melhores restaurantes, e a gente faz pra festejar eles e também para a gente comer. Toda aquela comida que você viu ali, a feijoada, o mocotó, tudo era comida dos pretos-velhos. Além da feijoada, tinha vatapá, tinha porco assado, guisado, galinha à cabidela, assada, galinha com salpicão, tinha arroz doce, tinha mungunzá, tinha tapioca, cocada, bolos, tinha frutas, farofas, bebidas, tinha tudo, não faltou nada. Antes de distribuir a comida pro pessoal, já tá tudo lá no canto separado para eles, tudo guardadinho, oferecido a eles. De tudo que tem ali a gente tira um bocado pra eles.

Preto-Velho 22 por você.

Filha de Tia Xica, que nasceu em Minas e se criou em Salvador, tendo completados 87 anos, com mais de 50 anos de santo.

Preto-Velho 20 por você.

Preto-Velho 19 por você.

Como eu falei, eu tinha 8 anos quando seu José veio pela primeira vez em mim. Aí era esquisito, porque uma entidade baixando num menino de 8 anos, pedindo bebida, não podia dá até por causa da polícia. Mas o seu José disse: “Eu vou criar ele.” Foi o seu José que cortou o meu umbigo quando eu nasci. Eu nasci no meio de um terreiro, no itô da casa. Ali minha mãe não aguentou, deitou em cima de uma esteira. E seu José veio, junto com Mestre Carlos, seu Zé Pilintra de Santaninguê. Meu umbigo foi cortado com uma faca de mesa. O primeiro leite que eu tomei foi da lata de leite comprada por um cliente de seu José que comprou pra mim. Quando eu tava com 8 dias de nascido, minha mãe ganhou uma vaca de presente já dando leite, pra poder me sustentar. Foi Zé Pilintra que me criou e até hoje ele me cria. Tudo que eu peço a seu José ele me dá. Eu não vou pedir fortuna nem dinheiro, mas seu José é um grande juremeiro, em todos os meus filhos aqui ele bota a mão. eu só tenho a dizer que seu José é maravilhoso e agradecer tudo o que ele faz por mim.

Preto-Velho 21 por você.

Preto-Velho 26 por você.

Preto-Velho 28 por você.

Faço um chamado a todos os babalorixás a se levantarem contra esse pessoal da Igreja Universal, porque eu vi uma coisa muito feia. Eu fui fazer uma oferenda numa encruzilhada pra seu Tranca Rua, eu cheguei eles tavam quebrando tudo lá. Quando eu cheguei, eles correram. Mas os pais de santo precisam se levantar, porque les crescem às custas da gente. Peço até para meus companheiros de religião que não levem mais nome, endereço pra encruzilhada, porque o orixá não lê não, mas eles pegam e levam pra igreja e ficam lá lendo o nome das pessoas. Então, nós precisamos nos levantar contra isso, porque nós somos protegidos pela Constituição, nós temos nossa segurança perante a Lei. O que eu peço a todos os pais de santo é que façam bonito, que façam certo e vamos pra frente.

●●● PAI TOTA DE OXUM ●●●

Rua B-1, nº 598 — Conj. Ajuricaba (Manaus-AM)

Telefone: (92) 3654-1301 / 9114-9454


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
DEGUST GULA (Avenida Bispo Pedro Massa, Cidade Nova, núcleo 5, na Rua ao lado do DB CIdade Nova.Todos os dias).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Efeitos Justos para Suas Causas.
ADVOGADO ARNALDO TRIBUZY - RUA COMENDADOR CLEMENTINO, 379, SALA C (8114-5043 / 3234-6084).

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Frente Blogueira LGBT

Outras Comunalidades

   

Categorias

Blog Stats

  • 3,236,630 hits

Páginas

outubro 2014
D S T Q Q S S
« set    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 193 outros seguidores