Arquivo para a categoria 'Liberdade'

MOVIMENTOS SOCIAIS REALIZAM MANIFESTAÇÕES EXPONDO FOTOS DE MILITARES DA DITADURA QUE TORTURARAM

 Fotos de presos políticos que foram torturados e assassinados no período da ditadura entre os anos de 1964 e 1985, e fotos de militares acusados de torturar e assassinar presos políticos, foram expostas em vários locais de São Paulo onde moram ou trabalham os ex- militares e policiais. O fato foi resultado de uma manifestação realizada por movimentos populares sob a coordenação do Levante Popular da Juventude. Que contou também com as participações dos membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Consulta Popular e Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça.

      Um dos locais da exposição das fotos foi a frente da sede da empresa de segurança privada Dacala, de propriedade do delegado aposentado do antigo e tenebroso Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), David dos Santos Araujo. Ele é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de participar da tortura e assassinato do ativista político, em abril do ano de 1971, Joaquim Alencar de Seixas. O ex-delegado foi reconhecido pelos parentes de Joaquim Alencar de Seixas.

       David dos Santos Araujo, “capitão Lisboa”, entre os torturadores, “era o que mais batia”, segundo Ivan Seixas, que foi preso quando tinha 16 anos junto com seu pai, Joaquim Alencar de Seixas. Ivan Seixas deu a informação durante seu depoimento ao MPF. Em seu depoimento Ivan disse que os torturadores o levaram para uma área deserta e simularam seu fuzilamento, tendo, como forma de pressão dos agentes, uma de suas irmãs sido estuprada pelo torturador “capitão Lisboa”.

     Segundo Caio Santiago, um dos porta-vozes do movimento, e estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o movimento é “para pressionar a Comissão da Verdade”.

     “O ato é para pressionar, para que a Comissão da Verdade ocorra de fato. A gente veio para dialogar com que trabalha com o acusado de tortura. Expor, constranger e denunciar o torturador para quem convive com ele”, disse Caio.

      De acordo com um manifesto lido, o ato tem como um dos objetivos resgatar a história do nosso povo.

      “Saímos à rua para resgatar a história do nosso povo e a história do nosso país. Lembramos talvez da parte mais sombria da história do Brasil e que parece ser propositadamente esquecida: a ditadura militar”, diz parte do manifesto.

         O ato que foi realizado simultaneamente no Chile e Argentina, com o nome de Escrachos, também será realizado nos estados do Rio Grande do Sul, Ceará, Pará, Santa Catarina e Minas Gerais.

    

Aziz Ab’Saber e o Instituto da Cultura Árabe

Há muitas histórias para contar sobre Aziz Ab’Saber e seu papel como intelectual. Porém, sua ligação com a cultura árabe e por que ele foi, e para nós continua sendo, o Presidente de Honra do Instituto da Cultura Árabe, cabe-nos contar. A busca e a difusão do saber eram a vida dele. Nunca se negou a dividir e compartilhar o que sabia. Nunca se negou a dividir o que podia. Construiu e ajudou a construir, deu ideias, apoio e, principalmente, sua amizade incondicional. O artigo é de Soraya Samili e Michel Sleiman.

Soraya Smaili e Michel Sleiman

Essa é uma parte da vida do Eminente Professor e geógrafo brasileiro que nem todos conhecem. Embora tenha sido consciente e orgulhoso de sua origem árabe-libanesa, que sempre colocava lado a lado com a origem cabocla de sua mãe, Aziz Ab’Saber salientava que era um brasileiro. Por isso mesmo tinha apreço pela obra de Darcy Ribeiro, que sempre recomendava aos amigos e alunos. “O Povo Brasileiro deve ser lido e visto por todos nós, pois nos ajuda a entender como os árabes chegaram ao Brasil e como influenciaram a constituição da nossa cultura muito antes de a imigração árabe chegar”.

Certamente há muitas histórias para contar sobre Aziz Ab’Saber e o papel que desempenhou como intelectual. Porém, sua ligação com a cultura árabe e por que ele foi, e para nós continua sendo, o Presidente de Honra do Instituto da Cultura Árabe, cabe-nos contar.

Esse certame se inicia em 2004, quando começamos uma série de reuniões para discutir a formação de um instituto que divulgasse a cultura árabe em todos os seus aspectos universais e humanistas. O Professor Aziz, ao ser convidado, tomou parte das inúmeras e longas reuniões de formação. Afeito ao debate de ideias, participou ativamente da concepção do Instituto e foi defensor de um espaço de atuação onde deveria haver lugar para todos, mas onde se deveria discutir e divulgar em primeiro lugar a cultura. “A cultura”, dizia ele, “é um conjunto de valores sociológicos, antropológicos e animológicos. Não podemos nos deixar levar pelos fatos atuais e discutir os aspectos do contemporâneo ou os aspectos políticos, que são importantes, mas não são únicos”.

Com essas ideias, divulgadas continuamente e de maneira educadora e paciente, fez com que se acalmassem os ânimos dos que queriam discutir política e notícias do momento sem levar em consideração a parte histórica e a identidade cultural. Isso foi fundamental para estabilizar nossas posições e ações e para entendermos que nosso trabalho seria de longo prazo. Da mesma forma, ele não se cansava de afirmar que o “Instituto deveria ser um instituto da sociedade brasileira e não dos descendentes árabes. Essa será a nossa diferença e é o que o Brasil precisa”. De fato, o tempo mostrou que isso era necessário para garantir a continuidade do nosso trabalho. Deu-nos outras perspectivas e nos abriu os horizontes. Hoje, depois de quase oito anos de fundação, entendemos melhor o significado de suas palavras e verificamos que seus ensinamentos foram e continuam sendo cruciais.

Por essas razões que descrevemos tão suscintamente (há muito mais a falar), logo no início da formação do Instituto, decidimos que ele seria nosso Presidente de Honra, escolhido por aclamação na primeira eleição de diretoria. Claro que durante muito tempo ele procurou negar que seria um presidente de honra, pois não era afeito a títulos. Essa é uma característica do Professor Aziz que sempre agiu por ideais, por aquilo em que acreditava e não por projeção ou interesse pessoal. Após algum tempo de insistência da nossa parte, ele passou a aceitar silenciosamente quando fazíamos a referência, o que consideramos um privilégio.

Um marco nessa nossa história de formação do Instituto da Cultura Árabe foi o quanto o Professor Aziz se dedicou ao Instituto. Talvez porque ele visse um grupo de professores universitários, profissionais, escritores, jornalistas e estudantes tão empenhados na construção desse projeto. Decidiu que iria nos apoiar e nos ajudar e por isso não deixava de vir às reuniões, mesmo estando às vezes nos limites de sua condição física. Sua presença constante e a força do exemplo, bem como suas palavras e a duração de sua postura, foram elementos balizadores do nosso fazer cotidiano. E assim fomos fazendo e ele foi nos emprestando e concedendo sua força intelectual, sua habilidade de contar estórias, sua simpatia e seu imenso coração a um projeto em que ele acreditou e ajudou a impulsionar. Dessa forma também impulsionou todas as atividades do Instituto até onde pode. Esteve presente em inúmeras palestras, cursos, debates, homenagens, noites de poesia.

Uma das últimas atividades de que participou focava a mulher árabe, aspecto da sociedade árabe que ele considerava necessário discutir. Não se negou a participar de atividades nos lugares mais ermos da cidade e, como sempre, onde chegava atendia a todos, especialmente aos jovens e estudantes, que pediam para tirar fotos com ele. Devido à sua ligação com os livros e com o conhecimento, doou um conjunto grande de obras ao Instituto da Cultura Árabe, que se encontram guardados para a nossa futura biblioteca. Aliás, esse é um compromisso que firmamos com ele e que cumpriremos.

Durante o tempo em que convivemos, o Professor Aziz contou a história de sua família, a história de seu pai Nacib Ab’Saber, que traduz e resume a história de muitos outros imigrantes árabes no Brasil. Com a habilidade plena de um exímio contador de histórias, sempre incrementava a narrativa com aspectos poéticos e com muita leveza, mesmo para contar histórias muito sofridas. Por causa de seu desejo de resgatar a trajetória de seu pai e de sua família, nos propôs a formação do Centro de Estudos da Imigração Árabe no Brasil, que hoje está em andamento. O início desse projeto provém, como sempre ele fazia, de uma ideia simples, mas ao mesmo tempo complexa : “todos nós filhos ou descendentes devemos escrever, mesmo que seja em um pequeno pedaço de papel, a história de nossa família. Assim teremos um conjunto de histórias e escreveremos a história oral juntos”.

Além das histórias de Nacibinho e da infância do pequeno Aziz e seus irmãos, descobrimos que o Professor Aziz tinha uma verdadeira paixão por conhecer melhor os países árabes. Paixão essa que ele concretizou parcialmente em uma viagem feita com sua esposa Cléia e outros amigos da comunidade árabe, na década de 90. Dessa viagem ele trouxe na bagagem centenas de fotos que revelou e guardou por muitos anos. Ao apresentá-las para a diretoria do Instituto em uma ocasião em que fazíamos uma reunião na USP, ele falou da importância de mostrar essas fotos e fazer uma análise comparativa do solo, do relevo, do clima e do povo brasileiro com o que ele viu e conheceu no Líbano, na Síria e no Egito. O resultado foi, depois de alguns anos de elaboração, a exposição “Imagens e Paisagens do Mundo Árabe e o Brasil de Aziz Ab’Saber” que o Instituto da Cultura Árabe expôs na Caixa Cultural. Passados alguns anos da fundação deste Instituto, o fato marcante foi ouvi-lo dizer “Eu agradeço ao ICA (assim ele chamava carinhosamente) que me ajudou a resgatar a memória, a trajetória e a lembrança de meu pai e de minha família e permitiu que eu falasse sobre isso”.

O Professor Aziz nos mostrou que a busca e a difusão do saber eram a vida dele. Nunca se negou a dividir e compartilhar o que sabia e o que aprendeu. Nunca se negou a dividir o que podia. Paralelamente a isso construiu e ajudou a construir, deu ideias, deu apoio e, principalmente, deu sua amizade incondicional. Talvez não tenhamos ainda compreendido toda a dimensão do que ele nos deixou em gravações e escritos que buscaremos compilar e divulgar ao publico. Certamente temos um legado que persistirá e que nos norteará em nossa caminhada, pois seu pensamento e sua força inspiram e permanecem presentes.

Aziz Ab’Saber, presente e muito vivo!

(*) Soraya Smaili (Presidente do ICArabe, gestão 2004-2008) e Michel Sleiman (Presidente do ICArabe, gestão 2008-2012)

*Carta Maior

SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS RECONHECE QUE DIREITOS HUMANOS EM BELO MONTE É QUESTÃO PARA SER DISCUTIDA

 Embora acreditando que as questões que envolvem os direitos humanos na construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, não seja objeto específico de trabalho da missão especial no âmbito do Conselho de Defesa de Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), entretanto a Secretaria reconhece que o tema é de fundamental importância para o Brasil.

      Conforme o texto da Resolução de 3/2011, a missão especial do CDDPH foi instituída com o objetivo de “apurar denúncias de violações de direitos humanos na região conhecida como Terra do Meio, com o objetivo de levantar dados e informações sobre casos de violência no campo e sugerir providências às autoridades responsáveis”. O documento foi concluído em 2011, mas segundo autoridades do Pará ainda não apreciado pelo conselho. O Ministério Público do Pará cobrou o relatório produzido pela missão especial do CDDPH sobre as condições humanas nas obras de construção da usina.

     Mas a ministra Maria do Rosário, Secretária de Direitos Humanos, que também é presidenta do conselho, afirmou que o relatório é sobre mortes no campo. Ela disse ter pedido ao relator da missão especial sobre violência no campo, jornalista Leonardo Sakamoto, a formulação do parecer entregue em novembro de 2011. Para a ministra a apuração das violências e das mortes no campo interessa aos governos para enfrentá-las.

        “Esse documento está em fase de análise pela comissão especial. Após a conclusão dessa fase, será apreciado pelo pleno do CDDPH, onde será debatido e votado democraticamente”, disse a ministra.

    Segundo a SDH ao ser constatada a gravidade da violência e das mortes no campo o CDDPH criou a comissão especial para agir sobre a situação. Foi criada a Operação em Defesa da Vida no ano de 2011 para investigar os crimes ocorridos na região, oferecer proteção aos ameaçados e acompanhar os inquéritos policiais para impedir a impunidade.

      A DDH fechou parceria a com a Secretaria de Justiça do Pará na área de Promoção de Registro Civil de Nascimento para desenvolver junto à Defensoria Pública acompanhamento jurídico aos casos que envolvem violação de direitos humanos.

 

            

COMISSÃO DA ANISTIA HOMENAGEIA MULHERES QUE RESISTIRAM À DITADURA MILITAR

 Como comemoração da passagem do Dia Internacional da Mulher a Comissão da Anistia decidiu homenagear as mulheres que resistiram à ditadura militar nos dias 8 e 9 com um evento muito especial.

       Segundo o presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abraão, a comissão resolveu homenagear as mulheres que resistiram à ditadura militar em duas etapas. A primeira ontem, dia 8, com o pré-lançamento, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, do documentário, dirigido pela diretora e atriz portuguesa Maria de Medeiros, Repare Bem. A projeção cinematográfica faz parte do projeto Marcas da Memória, do Ministério da Justiça que financia iniciativas de memorialização por parte da sociedade civil.

      “É um filme dirigido pela cineasta portuguesa Maria de Medeiros e que conta a história de três gerações de mulheres que foram perseguidas durante a ditadura: a mãe, Ercanación Lopes; a filha, Denise Crispim; e a neta, Eduarda Crispim.

        A Denise foi esposa de Bacuri (Eduardo Leite), que foi morto durante a ditadura militar. A Denise estava grávida e Eduarda não conheceu o pai”, narrou Abraão.

       A segunda parte ocorre hoje, dia 9, com uma sessão de julgamento de sete mulheres que foram perseguidas políticas na ditadura. São elas,Maria Niedja de Oliveira, Maria Nadja Leite de Oliveira, Maria Angélica Santos Bacellar, Gilda Fioravanti da Silva, Ida Schrage, Hilda Alencar Gil e Darci Toshiko Miyaky.

         Haverá um ato público pela passagem do Dia Internacional da Mulher, antes da sessão de julgamento e a exibição do documentário Vou Contar Para Meus Filhos, que faz parte, também, do projeto Marcas da Memória.    

      O documentário conta o encontro das mulheres que foram presas na colônia penal de Recife entre os anos de 1969 a 1979, 40 anos depois.

        “Vamos assinar um acordo de cooperação entre a Comissão de Anistia e a Cinemateca para reunir todo o acervo audiovisual e de multimídia, que foi acumulado nesses dez anos da Comissão de Anistia”, considerou Abraão.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER TEM PASSEATA E PROTESTO

 Cientes que seus direitos maiores ainda estão longe de ser conseguido, apesar de algumas melhoras. Cientes que o salário ainda é baixo comparado com o salário do homem que exerce a mesma função. Cientes que apenas 9,1% das prefeituras são ocupadas pó elas, assim como na Câmara Municipal o percentual é de 12,5%, e na Câmara Federal 8,8%, e no Senado, 14,8%, milhares de mulheres organizaram uma atuante passeata na região central de São Paulo para comemorar e protestar no Dia Internacional da Mulher. Centenas de entidades, partidos políticos, centrais sindicais, movimentos sociais e artistas compuseram a festa/política pelos direitos fundamentais.

         Para Camila Furchi, da Marcha Mundial das Mulheres, a passeata foi para mostrar o quanto ainda há de desigualdade na sociedade machista, em relação às mulheres.

      “Estamos aqui para tornar visível que a gente vive ainda uma situação de extrema desigualdade, as mulheres ainda sofrem violências de seus maridos e de seus companheiros. Viemos aqui exigir uma mudança real e concreta na vida das mulheres.

      Falta ainda, por exemplo, agente ganhar o mesmo salário, falta a gente superar essa ideia de que as mulheres são responsáveis, só elas, pelos trabalhos domésticos. Falta a gente tornar realmente intolerável que uma mulher sofra uma violência de seu marido”, considerou Camila.

      Por sua vez, a artista, sambista, compositora e cantora, e deputada Leci Brandão, e também membro do Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres, disse que nas próximas eleições as mulheres têm que permitir mais acesso de candidatas nos poderes Legislativo e Executivo.

        “O que a gente que fazer é nas próximas eleições dar o acesso ao poder para as companheiras que vão ser candidatas. Somos a maioria no Censo, mas a minoria no poder”, disse Leci.  

 

            

GOVERNO CUBANO AMPLIA TRABALHO PRIVADO

 A expansão do trabalho privado em Cuba, iniciada em 2010, pelo presidente cubano Raúl Castro continua crescendo. Como parte de uma estratégia para reduzir gastos públicos o governo cubano arrendou 380 estabelecimentos da estatal Empresas de Comércio e Serviços de Pessoas e Técnicos para trabalhadores privados.

     Em Havana, a maior parte dos locais de trabalho administrados pela estatal, serão arrendados à atividades privadas, que passará a maior parte dos trabalhadores atuais. Essa forma de arrendamento teve inicio em 2010 de forma experimental.

    Os primeiros profissionais que começaram a ocupar de forma autônoma os locais da estatal foram os barbeiros e cabeleireiros. Foram acrescidas nas 181 formas de ofícios para trabalharem de maneira autônoma mais 23 tipos de profissionais com direito a ocuparem os locais da estatal.

    Já são mais de 370 mil cubanos que estão trabalhando por conta própria. Nesse ano de 2012 é esperado que supere o número de 500 mil trabalhadores autônomos.

 

A LEI MARIA DA PENHA TEM SUA VALIDADE CONFIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Analisando a ação de autoria da Presidência da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que confirmasse a legalidade da Lei Maria da Penha, implantada em 2006, para evitar interpretações de que ela não trata homens e mulheres de forma igual, o que faz com que alguns juízes ainda teimem em aplicá-la, o STF, julgou por unanimidade a validade da lei.

Para o entendimento dos ministros a lei, símbolo da luta contra a violência doméstica, não fere o princípio de constitucionalidade de igualdade, e sim o contrário, posto que busca proteger as mulheres para garantir uma cultura de igualdade efetiva, sem violência e preconceito. E de acordo com o relato, Marco Aurélio Mello, “a lei foi um avanço para uma nova cultura de respeito”.

Gracie Fernandes, que representou a União durante o julgamento, disse que há dados que afastam “de uma vez por todas, a tese de que a lei ofende o princípio da igualdade entre homem e mulher”. Ela disse que, que dos 92,9% dos casos de violência doméstica, a agressão é praticada pelo homem contra a mulher, e, em 95% dos casos da violência contra a mulher, o agressor é seu companheiro. Ainda de acordo com Gracie Fernandes, 6,8 milhões de brasileiras já foram espancadas no recinto doméstico, com um episódio de violência registrado a cada cinco segundo.

A mais antiga mulher na composição atual do STF, a ministra Carmen Lúcia, durante seu voto fez uma apreciação muito importante. Fazendo uma observação sobre sua própria experiência, ela, disse 1que ainda hoje sofre preconceito por ser ministra.

“Acham que juízas desse tribunal não sofrem preconceito, mas sofrem. Há gente que acha que isto aqui não é lugar de mulher”, disse a ministra.

Em seguida foi analisada uma ação de inconstitucionalidade da Procuradoria-Geral da República (PGR) que tem como objetivo que o Ministério Público possa denunciar agressores sem que a mulher agredida não tenha feito a denúncia. Segundo a PGR a violência doméstica cometida pelo companheiro chega a 90%. O Estado deve proteger a vítima quando ela não tem condição de fazer.

Com uma votação de 10 votos a favor da ação da PGR, e um voto contra os ministros decidiram que o Ministério Público pode entrar com ação penal, em caso de violência doméstica mesmo que a mulher decida voltar atrás na acusação contra o companheiro.   

O ministro Marco Aurélio Mello, relator da ação, foi acompanhado em seu voto pelos nove ministros, enquanto o ministro Cesar Peluso ficou sozinho com seu voto contrário.

“Aos 65 anos, eu não acredito mais me Papai Noel. Sem proteção, a mulheres desistem de processar seus agressores”, afirmou Mello.

Enquanto, o ministro Peluso, defendendo seu voto contrário disse que é um retrocesso à proteção da mulher. Segundo o ministro a mulher pode deixar de denunciar seu agressor, já que ela sabe que não pode mais desistir da ação contra ele. No entendimento de Peluso, a mulher denuncia o companheiro porque ela sabe que pode voltar atrás.

Com a defesa de seu voto o ministro mostra o quanto entende de afecção da mulher. E o quanto entende de sua psicologia.

CARTA DE INDIGNAÇÃO AO GOVERNADOR PARANÁ

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carta de indignação_placas na serra

ARGUMENTOS DO PROFESSOR IVAN VIANA CONTRA A GESTORA DA ESCOLA ESTADUAL DOM MILTON CORRÊA PEREIRA

Este blog recebeu e publica a defesa produzida pelo professor Ivan Viana do Nascimento contra a decisão da gestora da Escola Estadual Dom Milton Corrêa Pereira que o repreendeu e aplicou-lhe suspensão de cinco dias.

“À Senhora Gestora da Escola Estadual Dom Milton Corrêa Pereira, Ildeci Vinhote de Souza

Da Defesa

Eu, Ivan Viana do Nascimento, pessoa, humana, cidadão e professor, matrícula 153.820-9B, integrado, lotado na Escola Estadual Dom Milton Corrêa Pereira, turno vespertino onde ministro a disciplina de Filosofia, venho por meio desta, apresentar minha própria defesa contra a suspensão de minhas atividades laborais nesta instituição, baseado no Estatuto do Magistério do Estado do Amazonas, artigo 163, parágrafo primeiro, sobre o direito de defesa que é constitucional.

Dos argumentos

Primeiro. Do erro de nomenclatura do termo e da inexistência do ato infracional.

Diz o texto que o documento é um “Termo de Advertência”, mas na realidade trata-se de um termo de Repreensão Suspensão. Não existe uma repreensão, mas a suspensão e o relato de um fato ocorrido no dia 25/10/11 em que sou acusado injustamente de segundo o texto do termo “levou alunos adolescentes sem a prévia autorização dos pais e/ou responsáveis para uma manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Estado”. A senhora gestora só esqueceu-se de dizer a verdade e o horário de ocorrência do fato. Não fui eu que os levei, foram as suas vontades livres, seus sonhos de uma vida digna, de uma educação de qualidade, de um ambiente descente e digno, além de suas próprias pernas e dos ônibus de linhas. O ato político realizado pelo cidadão Ivan Viana do Nascimento que por coincidência biofísica habita o mesmo corpo habitado pelo professor Ivan Viana do Nascimento que só existe como função estatal, fora realizado no horário das 8 às 10:00 h, fora do expediente de trabalho, os cidadãos que por coincidência são estudantes da escola no turno vespertino, saíram de suas próprias casas com o conhecimento de seus devidos responsáveis e inclusive financiados por estes. E não atrapalharam em nada o andamento das atividades da escola no dia do ocorrido. Estatutariamente eu não posso ser punido por este ato, a não ser que haja algum registro de pai ou responsável indignado com a atitude do professor de querer um ambiente descente e digno de produção de conhecimento se repressão. Outro fato que deve ser observado é que ninguém foi coagido a participar e que o ato foi legítimo e dentro dos parâmetros da decência, do respeito mútuo, da boa convivência e da cultura da paz sustentável de um Estado democrático de direito. Há que se consultar o dicionário para se aprender a diferença de motivação e obrigação. Mas uma motivação não pode ser vista como uma obrigação a não ser por puro interesse político espúrio.

Segundo. Da violação à Constituição e à Carta dos Direitos Humanos

A carta dos direitos humanos que é reconhecida pelo Estado brasileiro garante que todas as pessoas são livres para pensarem e agirem livremente em qualquer  estado que reconheça e aceite a carta o que é o caso do Brasil. O artigo primeiro da Constituição Federal, diz que o Brasil é um estado democrático e de direito, tem como fundamento dentre outros os seguintes: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político. No artigo terceiro, diz que constitui um dos objetivos da República Federativa do Brasil: “construir uma sociedade livre, justa e solidária. Já o artigo quarto afirma que a República Federativa do Brasil rege-se em sua relações internacionais pelo princípio dos direitos humanos que coroamos com o artigo quinto que estabelece “a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança”. Tudo porque lutávamos. Só estávamos realizando este evento, esta aula de Filosofia e a cidadania, porque é de conhecimento de todos que a Escola Estadual Dom Milton Correa Pereira está há dez anos sem uma reforma: 1 – as estruturas físicas do prédio estão em péssimas condições e é uma ameaça constante à vida, vá que o teto resolva despencar por sobre algumas cabeças de alunos e professores, o valor de uma vida não pode ser pago em dinheiro porque não dinheiro no mundo que seja capaz de recriar a vida, os banheiros dos alunos não podem ser chamados de banheiros porque falta decência e dignidade, e apresenta pias e vasos quebrados, não funcionais, a quadra da escola é descoberta, fato que viola os direitos humanos por submeter estudantes a altas cargas de radiação solar causadores de envelhecimento precoce e de câncer de pele ou simplesmente impedindo a prática dos esportes em dias de chuva. 2 – a rede elétrica do prédio foi projetada para suportar ventiladores e não condicionadores de ar que exigem muito mais energia, a rede trabalha sobrecarregada e como conseqüência lógica produz o caos com as constantes queimas dos aparelhos condicionadores de ar. 3 – a escola não atende às necessidades dos portadores de deficiências físicas como os cadeirantes. 4 – faltam espaços educacionais fundamentais como auditório, anfiteatro, laboratório de ciências naturais, democratizar o uso do laboratório de informática da escola, dispor de pontos de acesso à internet na biblioteca da escola. O ato que pune politicamente um cidadão violando todos os direitos acima citados é um ato que viola a Constituição Federal  e a carta dos direitos humanos pelo fato de não reconhecer a pessoa como ser humano portador de direitos invioláveis. Não reconhece o ser humano porque não reconhece seus direitos políticos, seu direito de pensar, de ir e de vir livremente. É um ato de aspecto totalitário e fascista porque não se baseia na justiça, na igualdade e na equidade. Porque intimida a cidadania e manda um aviso de que não é permitido lutar por melhoria da qualidade de vida e nem por dignidade e por levar o sujeito a se submeter a situações desumanas e degradantes de trabalho. É também um assédio moral gravíssimo porque é intimidador, grosseiro, leviano, injusto e imoral. Porque depõe contra e atenta contra a vida e a liberdade do ser humano como cidadão. Eu sou uma pessoa, sou um cidadão, sou também funcionário  público. Sou assim uma comunidade de personalidades e de consciências políticas autônomas que habitam o mesmo corpo. Por isso a pessoa humana e o cidadão que há em mim não poder ser punidos junto com a função pública.

 Terceiro. da publicidade do fato

O fato era de conhecimento público e notório e consta no meu plano bimestral como prática de cidadania crítica, pacífica e participativa com dois instrumentos de ação. 01 – um abaixo-assinado em que coletamos mais de 6500 (seis mil e quinhentas) assinaturas pela reforma imediata da Escola Estadual Dom Milton Corrêa Pereira. Este abaixo-assinado foi elaborado por cada turma de estudantes e cada estudante se responsabilizou por coletar assinaturas em casa, na rua, no bairro, no trabalho, na igreja e onde desse. 02 – protocolo do abaixo-assinado na ALE.

Do prejuízo da formação dos estudantes

A suspensão de atividade do professor de filosofia trás duas perdas inestimáveis e importantíssimas. Primeiro que é o prejuízo da carga horária da disciplina que ficará incompleta, causando um prejuízo real e temporal que leva os estudantes à ociosidade e desmotivação de aprenderem. Segundo, leva o estudante a formar um caráter passivo, subserviente e alienado de seus direitos fundamentais básicos quando pune o único professor que tomou uma atitude de luta digna Diane da realidade de descaso da SEDUC com a qualidade da educação que nesse caso é uma violação grave aos direitos humanos. O prejuízo, sobretudo espiritual que expõe a Psicologia de massa da SEDUC que não se diferencia em nada daquele tipo descrito por Reich, no seu livro, A Psicologia de Massa do Fascismo.

Da solicitação

Diante dos fatos e dos argumentos apresentados, solicito a anulação deste “Termo de advertência” que é termo de repreensão e a solicitação de desculpas por este ato (só comparado a atos próprios de estados nazifascistas) que é injusto, inconstitucional e que viola a carta dos direitos humanos e constitui como assédio moral porque visa intimidar a pessoa, o cidadão e o funcionário que habitam o mesmo corpo.

Atenciosamente a pessoa humana e o cidadão que responde pelo nome de Ivan Viana do Nascimento, que realiza a função pública de professor sob a matrícula número 153.820-9B.

Ivan Viana do Nascimento”

CASAMENTO HOMOSSEXUAL É LEGALIZADO PELO STJ

Por 4 votos contra 1, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a legalidade de casamento entre homossexuais. O STJ analisou o recurso de duas mulheres que tiveram negado o pedido em cartório de habilitação para casamento no Rio Grande do Sul.

O Tribunal de Justiça do estado entendeu que o Código Civil de 2002 só libera casamento entre homem e mulher. Por isso, as duas mulheres recorreram ao STJ.

Durante a votação o ministro relator do caso, Luiz Felipe Salomão, defendendo seu voto a favor, disse que o Estado deve facilitar a conversão da união estável em casamento, pois esta é a forma que, juridicamente, melhor protege a família.

Já o ministro Raul Araujo, que na semana passada havia votado a favor do casamento homossexual, ontem, dia 25, mudou de sentença. Para ele o STJ não tem competência para analisar o caso.

Votaram também a favor do casamento homossexual os ministros Antonio Carlos Ferreira, Marco Aurélio Buzzi, e a ministra Isabel Galloti.

Parabéns aos militantes da causa que levaram de vencida mais uma luta.

Che, modelo de moral

Pedro Belasco*

Afirmar que a memória de Che permanece viva seria muito pouco para o “eterno revolucionário” cujo internacionalismo de sua presença não tem precedente: Está “presente” em qualquer manifestação popular, em qualquer comício em qualquer lugar do mundo, tornou-se ídolo da juventude mundial, símbolo de radical disputa e revolução permanente, fonte de inspiração para muitas faces da arte.

Jean-Paul Sartre o caracterizou em 1968 “uma das maiores figuras humanas do século 20″. Mas, também, neste século 21 a figura de Che permanece viva como nunca na América Latina e no mundo inteiro, onde o lema “socialismo ou barbárie” torna-se novamente atual.

Hoje, a Bolívia, com Evo Morales na Presidência de República, honra Che oficialmente. Mas também a América Latina, de um modo geral, evolui – de uma ou de outra forma – rumo à direção que Che sonhou, porém não por intermédio das armas, mas com múltiplos movimentos populares e vitórias eleitorais de frentes de forças da esquerda, na base de programas antineoliberais.

União da AL

Em um período de profunda crise, como a atual que é, também, crise de valores, é de particular importância destacar-se que Che desperta consciências não porque foi um grande teórico ou porque representa a correta “receita para uma revolução”, mas como modelo de moral de um combatente irreconciliável e internacionalista, na teoria e na prática.

Meu marxismo tem raízes profundas”, escreveu na última carta aos seus pais. Se for realizada uma pesquisa questionando qual era sua nacionalidade, dificilmente haveria respostas certas.

Che nasceu na Argentina, mas é herói da América Latina e símbolo de sua união. Foi um dos líderes da Revolução Cubana e, seu indiscutível teórico. Abandonou seu cargo de ministro da Indústria para lutar ao lado dos movimentos nacionalistas libertários na África. Depois foi à Bolívia, onde tentou organizar um movimento de guerrilha, mas encontrou grandes dificuldades e, finalmente, foi morto, não como gostaria ter sido – em pé, lutando – mas assassinado.

Transcorrendo o século 21, o mito de Che não sofreu desgaste, mas cresce incessantemente e internacionaliza-se, particularmente entre os jovens do planeta. E isto ocorre porque a crise do sistema é profunda e multidimensional, e o mundo deverá mudar radicalmente e derrubar as desigualdades que destroem as sociedades e imobilizam as capacidades criativas dos seres humanos. A própria vida na Terra está ameaçada pela galopante decadência ambiental, consequência do predominante modelo neoliberal de crescimento.

Che está mais vivo hoje. Propõe a esquerda como postura e modelo de vida. Fala direto no coração e na consciência com as mesmas palavras, com as quais falou aos seus filhos em sua última carta: “Acima de tudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça que está sendo cometida contra qualquer um, em qualquer canto deste mundo. É a característica mais bela de um revolucionário”. Ernesto Che Guevara, guerrilheiro heróico.

*Pedro Belasco é cientista social.

Publicado originariamente no diário carioca Monitor Mercantil.

EM DISCURSO NA ONU, DILMA DIZ QUERER A PALESTINA NA ONU

Em seu discurso histórico como a primeira mulher a abrir a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidenta Dilma Vana Rousseff, em meio a inúmeras enunciações políticas, econômicas, sociais, ambientais, entre outras, ressaltou como ponto de grande importância para a paz mundial e o respeito com a soberania dos povos a participação do Estado da Palestina na ONU.

O Brasil já reconhece o Estado Palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nessa assembleia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título”, discursou Dilma.

A referência de Dilma em apoio à Palestina levou a maioria dos presentes na reunião a aplaudi-la mesmo sendo o tema um dos pontos mais sensíveis da reunião. Mas a maioria dos presentes é a favor da inclusão da Palestina na ONU.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, encaminhou à ONU a proposta do reconhecimento do Estado da Palestina de acordo com as fronteiras estabelecidas antes da guerra de 1967. A proposta da ANP é bem recebida pela maioria dos países-membros da ONU.

DIA DO ORGULHO HETEROSSEXUAL É VETADO PELO PREFEITO DE SÃO PAULO

O prefeito de São Paulo, Kassab, já havia advertido que vetaria o Projeto de Lei de Número 294/05, de autoria do vereador ultraconservador Carlos Apolinário, do partido da direita parasitária DEM, que propunha 1º de dezembro como o Dia do Orgulho Heterossexual. Advertência, e veto. Não adiantou sua aprovação, em segunda votação, no dia 2 de agosto.

A decisão de Kassab decorreu do entendimento que foi extraído do texto do projeto que, segundo o prefeito, iria promover o preconceito contra os homossexuais. “O texto da ‘justificativa’ que acompanhou o Projeto de Lei descreve, em vários trechos, condutas atribuídas aos homossexuais, todas impregnadas de sentimentos de intolerância com conotação homofóbica”. Entende-se, então, “que apenas e tão só a heterossexualidade deve ser associada à moral e aos bons costumes, indicando, ao revés, que a homossexualidade seria avessa a essa moral e a esses bons costumes”.

O projeto de Apolinário é estupidamente revanchista, próprio de consciência malograda. Revanchista porque pretende lutar por um status que ele acredita ser necessário para afirmar sua sexualidade e encontra-se com os homossexuais: o direito de ter o Dia do Orgulho Gay. Consciência malograda porque ele em sua contagiante estupidez não sabe que um gay geneticamente é heterossexual. Assim como um heterossexual, fenomelogicamente, é homossexual. Todo chamado homem e chamada mulher vivenciou em seus percursos corpos de seu mesmo sexo. E não há nada de imoral – como diz o filósofo Sartre: sempre os campeões da moral, e o pior da moral burguesa – o heterossexual se apaixonar por uma imagem símile.

Agora, quanto ao orgulho, de um corpo a outro, é sempre uma ideia triste, como diz o filósofo Spinoza. Todo tipo de orgulho é a tradução da insegurança. Nem o chamado gay, nem o chamado heterossexual não precisam de orgulho, visto que orgulho é imobilidade em uma imagem pétrea.

DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA LATINO-AMERICANA TEM COMEMORAÇÃO INICIADA HOJE

O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana, cuja realização é dia 25 de julho, teve o início de sua comemoração hoje. O evento, que contará com conferências, desfiles de moda, gastronomia e shows, começa com o Festival da Cor da Raça, Nação Mulher, no Centro Cultural Ação Cidadania, no Rio de Janeiro.

Segundo Luciana Pereira, uma das organizadoras das comemorações, o que as mulheres estão fazendo é aproveitar a decisão da Organização da Nações Unidas (ONU), que estabeleceu o Dia Internacional dos Afrodescendentes para movimentar as questões das mulheres negras na América Latina, com suas lutas, resistências, e contribuições para a cultura latino-americana, que “mesmo oprimidas elas superam barreiras com garra e educação”.

Abrindo o ciclo de palestras, a professora e dermatologista Magali da Silva Almeida, coordenadora do Programa de Estudos e Debates dos Povos Africanos e Afro-Americanos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, apresentará, para discussão, o tema Repensando o Negro Olhar e Diversidade. Além de junto com mais duas médicas, uma gastroenterologista e a outra ginecologista, apresentar uma exposição sobre saúde, mostrando e explicando quais as principais doenças que atingem a população negra, sem deixar de comentar sobre o preconceito na rede de saúde.

Na agenda cultural dos shows, hoje tem o grupo Revelação, amanhã, dia 22, tem Alcione, baile de black music, no sábado, e no domingo, a imperdível talentosa Nilze Carvalho. Na parte das comilanças os presentes, vão conhecer a herança da gastrofilia africana através do sabor e talento da Tia Surica, da Velha Guarda da Portela, que exporá sua tradicional feijoada, que tem íntima gastronomia com a feijoada da Vicentina, tão cantada por Pulinho da Vila e Lecy Brandão.

Grande jogada e sacada do movimento das mulheres negras, que com suas potências de agir criam novas enunciações de subjetivação que escapa da subjetividade laminadora da semiótica capitalística branca.

JUÍZA CASA COM SUA COMPANHEIRA E REALIZA O PRIMEIRO CASAMENTO DE UMA MAGISTRADA NO BRASIL

A juíza da 1ª Vara Criminal de Itajaí, em Santa Catarina, Sônia Maria Mazzetto Moroso, ao realizar sua união homoafetiva com a funcionária pública municipal Lilian Regina Terres, concretizou dois fatos inéditos. Um, o primeiro casamento homoafetivo de uma magistrada. Dois, o primeiro casamento homoafetivo no estado de Santa Catarina, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu favorável à união civil dos homossexuais.

Familiares, entre eles o filho da juíza, e amigos, participaram e comemoraram a felicidade matrimonial das cônjuges celebrada no Cartório Heusi pelo juiz da Vara da Família, Roberto Ramos Alvim. A cerimônia civil apenas legalizou uma união estável que as duas já mantinham durante alguns anos, e se perfilou ao casamento que elas haviam realizado na religião umbandista.

Com a oficialização da união, as duas acrescentaram seus nomes no nome de cada uma. Agora a juíza se chama Sônia Maria Mazzetto Moroso Terres, e a funcionária publica se chama Lilian Regina Moroso.

A juíza estava muito contente com a união e o feito inédito em Santa Catarina, além da alegria de ver seu filho Rafaello encontrar-se presente e muito feliz.

É a primeira vez pelo menos no estado de Santa Catarina e eu sou a primeira juíza brasileira a assumir.

O meu filho me chama de mãe e se dirige à Lilian como mamusca”, disse Sônia Maria, transbordando de felicidade.

PARLAMENTARES EVANGÉLICOS E CATÓLICOS UNIDOS CONTRA A RAZÃO PRATICAM HOMOFOBIA, MAS LADY GAGA, SPINOZA E NIETZSCHE…

Lady Gaga, em um de seus shows, cantando e dançando sob as pernas de um de seus bailarinos, diz que ele ama garotos e garotas. É como Cristo, ama todos. Parlamentares da chamada bancada evangélica e católica, sem qualquer conhecimento sobre o tema que Lady Gaga tem conhecimento, se reuniram ontem, dia 1º, com seus fiéis, no Congresso Nacional para protestarem contra a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia, e aprovação de um projeto de decreto legislativo para suspender a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a união estável do mesmo sexo.

O filósofo Spinoza, que viveu no século XVII, e logicamente não conheceu Lady Gaga, mas que teve um entendimento símile ao da cantora/dançante, e que por isso foi excomungado pela mesma crença que os malafaias imaginam defender, disse que o mais baixo grau de inteligência é o responsável pela criação no homem de um mundo cheio de medo e ódio, com profunda distância do mais alto grau de inteligência que é produzido pela razão.

O que Spinoza queria dizer é que aprisionados pela imaginação fabulosa saída do mais baixo grau da inteligência, certos homens tornam-se prisioneiros de suas próprias superstições que os colocam na condição suprema de escravos, auxiliares diretos dos tiranos, que também se encontram fabulados nesses mais baixos graus de inteligência.

É aí que se encontram os disangélicos. Os que carregam consigo a má mensagem, a mensagem da dor, do ressentimento, da amargura, rancor, julgamento, cobrança, dívida, todos os afetos que mostram a condição triste de quem vive no medo produzido pela imaginação fabulosa, como diz o filósofo Nietzsche. Nisso a disposição anêmica de querer julgar os homoafetivos como se fossem os mais próximos da inteligência e vontade de Deus. Na verdade, seus atos discriminadores mostram o quanto se rivalizam com Ele, visto, que como bem disse Lady Gaga, Ele ama todos. E por incrível que pareça, até os disangelistas. Certo que possivelmente com ressalvas. Ressalvas do tipo: “Se queres entrar no Reino do Senhor, muda tua consciência. Entra primeiro no Reino da Razão. Posto que se te dei a Razão é para usá-la. Ou será que não sabes que também és racional?”.

No mais, o filosofo Spinoza, que afirmou que a grande importância da Bíblia está em ela ser um tratado político do Estado Hebreu, portanto, preenchido de enunciações racionais e não fabulosas, apesar das fantasias milagrosas, sintetizando a escolha que os disangelistas fizeram em se tornar escravos, alimentos dos tiranos, disse: “O medo é a origem, o alimento e permanência da superstição”. É essa a arma dos que perseguem os homoafetivos: o medo. E um dos piores medos: o medo da existência do outro. Daí essa perseguição paranóica exacerbada como se os homoafetivos fossem destruir o mundo. Daí, essa moral irracional que pretende anular o Estar-Ontológico do outro. E tudo em nome de Deus.

Que blasfêmia! Ah, se Deus fosse vingativo! Mas não é. Se assim fosse não seria Deus, seria um tirano. Deus não trama vingança, mesmo vendo que esses disangelistas querem usurpar seu trono, pretendendo diante dos incautos serem mais semelhantes a Ele, quando pela própria recusa do outro, o próximo, confirmam que são o simulacro. O que finge ser o que não é.

PRESIDENTE DO AFEGANISTÃO DIZ QUE SE A OTAN NÃO PARAR DE BOMBARDEAR CIVIS SERÁ TIDA COMO INVASORA

As últimas ações bélicas realizadas pelas tropas militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no território do Afeganistão, bombardeando e matando civis, inclusive crianças, levou o presidente do país, Hamid Karsai, a afirmar, como reação, que se a OTAN não parar de bombardear civis ela será tomada como invasora do território afegão.

As tropas da OTAN foram para o Afeganistão com o objetivo de destruir a rede terrorista Al-Qaeda, e proteger a população contra o inimigo interno. Sua entrada no território afegão teve como elemento propulsor o bombardeio das duas Torres Gêmeas, nos Estados Unidos.

Se não detiverem seus bombardeios contra nossas casas, sua presença no Afeganistão será a de um invasor, contra o desejo do povo afegão.

A história mostra com clareza como reagem os afegãos contra um conquistador”, advertiu Karsai.

Ontem, segunda-feira, dia 30, na localidade de Nawzad, um bombardeio da OTAN matou 12 crianças e duas mulheres, aumentando o número de civis assassinados pelas tropas internacionais. Segundo dados da missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama), no ano de 2010 foram assassinados 2.777 civis por força da violência, 15% a mais que o ano anterior. Para o presidente do Afeganistão, esses números de mortos são inconcebíveis. E são eles que estão acirrando-o a tomar uma posição contrária às forças internacionais da OTAN.

PRESIDENTE SUL-AFRICANO CONSEGUE QUE KADAFI RENOVE PEDIDO DE CESSAR-FOGO

Jacob Zuma, presidente sul-africano, manteve ontem, dia 30, na Líbia, conversa com o ditador líbio Muammar Kadafi para tratar de um possível cessar-fogo. Kadafi, que vem sofrendo além dos bombardeios das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a deserção de vários de seus aliados internos, entre eles militares e políticos, resolveu renovar seu pedido de cessar-fogo.

Entretanto, a conversa com Jacob Zuma, apesar de levá-lo a aceitar o cessar fogo, não o colocou em situação de acatar as imposições dos ocidentais para que renuncie. Para Kadafi, o acordo do cessar-fogo deve vir com a imediata paralisação dos bombardeios das tropas da OTAN sobre o território líbio.

Desde a primeira tentativa de negociação realizada por Jacob Zuma com Kadafi, os governos ocidentais que fazem parte da coalizão internacional que invadiu a Líbia não acatam as exigências do ditador. A maior prova foi o novo ataque desferido pelo militares da OTAN às instalações civis e militares no distrito de Tajura.

É aí que se encontra o impasse. Os países da coalizão não aceitam nenhum acordo que não inclua a renúncia de Kadafi, e por sua vez Kadafi não pretende renunciar. E a mola mestra do impasse é claramente o poder. Kadafi quer continuar com o poder sobre o Estado líbio, os países da coalizão, comandados eufemisticamente pela OTAN, quando em verdade quem comanda são os Estados Unidos, pretendem o poder econômico materializado no petróleo e na abundância de água que existe no território líbio.

Enquanto isso, a população é bombardeada pelas duas forças bélicas/repressivas. As tropas da OTAN e as tropas de Kadafi. Tudo em nome da liberdade democrática.

13 DE MAIO, DIA DA ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA, TERÁ MANIFESTAÇÔES EM VÁRIAS PARTE DO PAÍS

Os movimentos negros realizarão hoje, dia 13 (em alguns lugares já começou ontem, dia 12), o Dia da Libertação da Escravatura, manifestações reivindicando os direitos dos negros, entre eles o fim do genocídio contra a população negra, a manutenção de cotas em universidades e a reparação histórica para os negros. Além de exigir as cassações dos deputados nazi/racistas Jair Bolsonaro (PP/RJ) e Marco Feliciano (PSC/SP).

No dia de ontem, dia 12, “A 15ª Marcha Noturna pelos 123 anos da falsa abolição da escravatura”, se concentrou às 18 horas, em São Paulo, na Rua do Carmo, na Sé, e terminou no Largo do Paissandu. Durante o evento, foram realizadas homenagens às memórias das personalidades negras, como o Padre Batista, o criador da Pastoral-Afro.

Hoje é o “Dia Nacional de Denúncia de Racismo”. As mobilizações terão início às 12 horas, em frente ao Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, onde serão realizadas várias manifestações como atos políticos e apresentações culturais. Em seguida, os manifestantes farão passeatas pelas ruas do Centro.

A reivindicação pelo fim do genocídio contra a população negra teve maior impulso após a divulgação do estudo do Mapa da Violência publicado em 2010 pelo Ministério da Justiça, que afirma que de 2006 a 2012, 33,5 mil jovens serão assassinados no Brasil, com clara probabilidade de que a maioria seja negra. Os ativistas também chamam atenção quanto à privação dos direitos fundamentais dos negros, como a saúde, onde 40,9% das mulheres negras nunca realizaram exames de mamografia e Papanicolau, de acordo com o Relatório Desigualdades Racial de 2010, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Por sua vez, a Uneafro, articuladora dos dois atos, divulgou nota, protestando contra as posições racistas dos dois deputados antidemocratas.

Infelizmente as palavras destes parlamentares racistas soam apenas como versão em prosa e verso de uma dura realidade que, 123 anos após a abolição, persiste: a morte física, cultural e simbólica de negras e negros”, diz o texto que é usado para convocação das manifestações…

Pela luta das liberdades, pela honra de poder ser existente produtivo, pelo afeto construtor de novas formas de sentir, perceber e pensar, como estão se movimentando os negros, e outros não negros, ou seja, todos que sabem que e liberdade é uma produção, nós desse Bloguinho Intempestivo queremos nos solidarizar mais uma vez – continuamente – com as companheiras e companheiros negras e negros para que a liberdade seja real, e em nome de todos do movimento oferecer esse embate ao cabra que vai nascer hoje nesse 13 de Maio, nessa sexta-feira 13, João Benedito!

PARA ASSESSOR ESPECIAL PARA ASSUNTOS INTERNACIONAIS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, A MORTE DE BIN LADEN NÃO ACABA COM TERRORISMO

A comunidade mundial deve aproveitar as manifestações populares que vem ocorrendo no Oriente Médio e no Norte da África para combater o terrorismo, afirmou o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, ao analisar que a morte de Bin Laden não vai acabar com o terrorismo internacional. Quanto à possível represália desencadeada pelos seguidores de Bin Laden, ele acredita que vai haver. De acordo com Marco Aurélio Garcia, também só repressão não soluciona o problema do terrorismo.

Os critérios de cada país são decididos pelos seus governos. Isso é mais ou menos que todo mundo acredita que vai haver. Se acham que o problema do terrorismo está resolvido com a morte do Bin Laden, estão muito enganados.

O problema do terrorismo evidentemente não se resolve com repressão, mas, sobre tudo, atacando as causas fundamentais do terrorismo.

Por sorte, Antônio Patriota levantou uma questão interessante: nós temos uma efervescência democrática na região muito grande, que coloca uma via distinta daquela que habitualmente nós tínhamos.

De um lado a submissão às grandes potências do Ocidente, que muitos governos tinham e ainda têm, e, de outro lado, essa rejeição ao fundamentalismo que se expressava, entre outras coisas, nas iniciativas terroristas. Acho que nós temos um caminho democrático, se nós resolvermos uma série de problemas da região, que é a questão da Palestina”, afirmou Marco Aurélio.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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