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TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DE RORAIMA ABSOLVE ACUSADOS DE MATAR LÍDER INDÍGENA

Alegando falta de provas, o Tribunal Regional Federal (TRF) de Roraima, depois de dois dias de um julgamento que movimentou índios, defensores das causas indígenas, religiosos e produtores rurais, absolveu os acusados de matar o líder macuxi, Aldo da Silva Mota, de 52 anos, assassinado a tiros, em 2003.

Após três dias de desaparecido seus parentes encontraram seu corpo enterrado em uma fazenda na cidade de Uiramutã que fora criada em 1995. Área de terra identificada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como terra tradicional indígena, mas ocupada, na época, pelo ex-vereador Francisco Oliveira da Silva, vulgo Chico Tripa que no início fora acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de ter contratado Eliseu Samuel Martin e Robson Belo Gomes para executar o líder indígena.

O assassinato do indígena, Aldo da Silva Mota, para membros das organizações indígenas e ambientalistas ocorreu em função, como outros crimes, da disputa por terra no período da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Mário Nicácio, coordenador-geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), questionando o próprio MPF, o júri, composto por duas mulheres e cinco homens, e presidido pelo juiz federal Helder Girão, disse que o conselho vai recorrer da decisão e que a família de Aldo, juntamente com o conselho, vai tentar evitar que o processo volte a ser julgado em Roraima.      

“Não aceitamos a decisão. A família vai recorrer com a assistência jurídica do CIR e nós vamos manter nossa mobilização por justiça.

Desde o início, notamos, no júri, um pré-julgamento pelo fato de Aldo ser um índio e viver na reserva e uma sede de vingança pela demarcação da Raposa Serra do Sol. Questionamos também a postura do Ministério Público Federal, que no papel de advogado de acusação, em vez de defender os interesse indígenas, pediu a absolvição do Chico Tripa por falta de provas,” disse Nicácio. 

ALDEIA KARI-OCA COMEÇA A SER CONSTRUÍDA PARA INFLUENCIAR DECISÕES DA RIO+20

Para que cerca de mil índios de países da Nigéria, Japão, Brasil e Canadá que são esperados para Conferência das Nações Unidas, possam se comunicar com os que ficaram nas aldeias começará a ser construída, em Jacarepaguá, na zona Oeste do Rio de Janeiro, a Aldeia Kari-Oca. Serão vinte guerreiros responsáveis pela construção que será composta de alojamentos, refeitórios, cinco tendas para discussão do evento e atividades culturais, além de duas tradicionais ocas deslocadas do Alto Xingu que serão erguidas com madeiras levadas pelos índios.

De acordo com o líder indígena, Marcos Terena, a construção da Kari-Oca é uma reedição da Kari-Oca da Rio 92, e tem como objetivo influenciar decisões da Rio+20 em três eixos e por isso ficará situada próxima ao centro de convenções, local onde ocorrerão os debates oficiais.

“A cultura como parte essencial da economia verde, a soberania alimentar no mundo moderno e a sustentabilidade”, serializou Marcos Terena.

Os grandes empreendimentos em terras indígenas como prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), deverão ser pauta na Aldeia Kari-Oca. O Poder Público deverá discutir primeiro com os índios. Esse tema é prioritário para os índios de vários países nos debates que antecedem a conferência da ONU. De acordo com Terena a terra é fundamental para os índios. Daí a importância da consulta.

“Queremos ser consultados antes de qualquer programa estatal ou privado na aldeia”, afirmou Terena.

Os computadores conectados na internet que serão para uso pessoas, estarão hospedados na oca chamada de Tecnho-Oca. També a Kari-Oca tem uma extensa programação de atividades. Já se encontra agendada uma visita ao Bloco Cacique de Ramos.

“Dessa oca poderemos falar, por exemplo, com os índios Navajos, dos Estados Unidos, que são nossos parceiros. Mostrar o que é a Kari-Oca e conhecer a aldeia deles.

Vamos mostrar aos moradores de Ramos que eles também têm a ver com a história dos índios. Historicamente Ramos era uma aldeia dos índios Tupinambá”, observou Terena.

STF ANULA TÍTULOS DE FAZENDEIROS GRILEIROS EM RESERVA DOS ÍNDIOA PATAXÓS HÃ-HÃ-HÃES

Por um placar de 7 a 1, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) anularam os títulos falsos de mais de 30 fazendas e empresas agropecuárias que se instalaram abusivamente na terra Caramuru-Paraguassu de propriedade dos índios Pataxós Hã-Hã-Hães.Uma reserva que fica nos municípios de Camacan, Pau-Brasil e e Itaju do Colônia, no sul da Bahia.

Os invasores da reserva indígena de 54 mil hectares que foi demarcada em 1930, deverão deixar a terra por força da ação ajuizada pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) há quase três décadas.

A primeira liminar favorável aos indígenas ocorreu em 2008, quando o relator ministro Eros Grau votou, mas a execução da decisão provisória nunca aconteceu. Alguns meses depois o caso foi ao plenário, mas o ministro Direito Menezes pediu vista para analisar a ação. Todavia, dias depois ele morreu, substituindo-lhe o ministro Antonio Dias Toffoli que se determinou impedido de participar do julgamento por ter ocupado o cargo de advogado-geral da União.    

Porém, embora a matéria não estivesse em pauta ontem, dia 2, a ministra Carmen Lúcia, percebendo e entendendo que a situação é grave na reserva, onde já morreu pessoa e ocorrem constantes agressões, porque os índios estão ocupando a terra a força, ela pediu para que entrasse em pauta.

O julgamento foi retomado e a ministra entendeu que os títulos que os grileiros possuíam eram todos nulos, mas ela não atendeu a reivindicação da Funai para que as terras fora da reserva sejam desocupadas, porque para a instituição elas também pertencem aos índios, conforme estudos antropológicos mostram.

Os ministro que construíram o placar de 7 juntos com a ministra Carmen Lúcia foram Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Ayres Britto, Cezar Peluso e Celso de Mello, e o anterior voto do ex-ministro Eros Grau. O responsável pelo voto 1 foi o ministro Marco Aurélio de Mello que também foi contra colocar o tema na pauta.

Falando sobre o julgamento o presidente do STF, ministro Ayres Britto disse que um patrimônio para nós é material, mas para os índios é material e imaterial.

“O patrimônio nosso, um terreno, uma casa, é material, mas para o índio é muito mais que material, é imaterial. A terra é uma alma, é algo espiritual”, proferiu seu saber antropológico o ministro Ayres Brito.

A decisão do STF foi profundamente relevante e exemplar, principalmente quando se sabe que existem no Brasil milhares de extensões de terras griladas e que os proprietários usurpadores conseguiram os títulos delas com ajuda de cartórios mafiosos que fraudam documentos agrários em troca de um substancial pagamento. Como já ocorreu em terras do Amazonas em que um só grileiro conseguiu títulos da maior parte do estado.

O Legado da Agaricultura Indígena – sábado na Feira de Orgânicos

CONVITE

RODA de Conversa da Feira de Orgânicos

(Neste sábado o tema é alusivo aos Povos Indígenas)

Quando: Dia 21 de maio (10:30h – 11:30h) – Auditório do MAPA

TEMA: “O Legado da Agricultura Indígena Amazônida”

Palestrantes:

Charles Clement (INPA) – “Agrobiodiversidade da Amazônia indígena”;

Orlando Paulino (Embrapa) – “Terra Preta de Índio: Construção da fertilidade e da estabilidade de solos na Amazônia”;

Glenn Shepard Jr. (INPA) – “Castanha da Amazônia: A gigante domesticada pelos índios amazônicos”.

LOCAL: Feirinha de Orgânicos da APOAM, no Ministério da Agricultura (MAPA), Av. Maceió, Adrianópolis.

DATA: Sábado, 21 de maio, às 10:30 h no Auditório do MAPA.

A Feira de Orgânicos acontece todos os sábados a partir das 7 h!!

Venha prestigiar os esforços dos agricultores em produzir alimentos saudáveis que não degradam a saúde humana e a natureza.

Realização:

-APOAM – Associação dos Produtores Orgânicos do Amazonas

- REDE TIPITI – Sistema Participativo de Garantia da Qualidade Orgânica do Estado do Amazonas

- SINPAF-AM Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

Apoio: Fórum de Agroecologia do Amazonas

Contatos:

9158 6241 / (Márcio Menezes) 9114 2012(Elisa Wandelli)

ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL PREPARA-SE PARA REIVINDICAR TERRAS NA CÚPULA DOS POVOS

Mais ou menos 1,2 mil índios do Brasil e mais 500 de outras partes do mundo como Ásia, África, Estados Unidos e América Latina irão representar a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) no Acampamento Terra Livre (ATL 2012), durante a Cúpula dos Povos que ocorrerá no Rio de Janeiro entre os dias 15 e 23 de junho. O movimento indígena ocorrerá paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável – Rio+20. 

Uma das principais reivindicações da APIB será a questão dos territórios indígenas, segundo Sônia Guajajara, representante da entidade no Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos. Irão discutir com muita preocupação a questão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215 que transfere para o Congresso Nacional o poder de demarcar as terras indígenas, quilombolas e áreas de conservação que antes era da responsabilidade do Poder Executivo.

“Estamos trabalhando para isso. Não tem nada mais importante no momento do que a questão dos territórios indígenas, pela falta de regulamentação de muitas terras, pela falta de proteção e de condições para fazer a preservação desses territórios, devido às grandes invasões e ameaças constantes da pressão do agronegócio, da agropecuária.

Hoje, a gente vive uma ameaça muito grande de retroceder no que se refere ao direito territorial. A gente sabe que é um risco muito grande de agente perder tudo o que tem e não conseguir avançar mais com demarcação nenhuma”, observou Sonia.

Ela disse também que essa mobilização que ocorrendo em várias regiões e estados, tem como objetivo dar a visibilidade necessária que causa indígena merece.

“Para fazer pressão sobre isso e dar visibilidade sobre os problemas existentes hoje, no que se refere às constante violações e violências que os povos indígenas estão sofrendo”, considerou Sonia.

A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que estabelece que o governo deve, antes de tomar qualquer decisão que possa afetar as comunidades indígenas, consultar previamente, livre e informado os povos indígenas, e que não está sendo respeitada, segundo Sonia, será mais uma importante questão a ser discutida.

“Os grandes empreendimentos, principalmente, acontecem sem a consulta prévia que garante essa convenção”, afirmou Sonia.

Índios são vítimas da imprensa

Por Dalmo de Abreu Dallari, no Observatório da Imprensa:

Os índios brasileiros nunca aparecem na grande imprensa com imagem positiva. Quando se publica algo fazendo referência aos índios e às comunidades indígenas o que se tem, num misto de ignorância e má fé, são afirmações e insinuações sobre os inconvenientes e mesmo o risco de serem assegurados aos índios os direitos relacionados com a terra. Essa tem sido a tônica.

Muitas vezes se tem afirmado que a manutenção de grandes àreas em poder dos índios é inconveniente para a economia brasileira, pois eles não produzem para exportação. E com essa afirmação vem a proposta de redução da extensão da ocupação indígena, como aconteceu com a pretensão de reduzir substancialmente a área dos Yanomami, propondo-se que só fosse assegurada aos índios o direito sobre o pequeno espaço das aldeias. E como existem várias aldeias dentro do território Yanomami, o que se propunha era o estabelecimento de uma espécie de “ilhas Yanomami”, isolando cada aldeia e entregando a especuladores de terras, grileiros de luxo ou investidores do agronegócio a quase totalidade da reserva indígena.

Não é raro encontrar a opinião de alguém dizendo que “ é muita terra para pouco índio”, o que autoriza a réplica de que quando somente um casal ou um pequeno número de pessoas ocupa uma grande mansão ou uma residência nobre com jardins, piscina e até quadra de tênis, usando um grande espaço que vai muito além do necessário para a sobrevivência, um índio está autorizado a dizer que “é muita terra para pouco branco”.

Créditos de carbono

Outro argumento que aparece com grande frequência na imprensa é a afirmação de que as reservas indígenas próximas das fronteiras colocam em risco a soberania brasileira, pois os índios não fazem a vigilância necessária para impedir a invasão ou a passagem de estrangeiros.

Uma primeira resposta que se pode dar a essa acusação é que frequentemente, quando se registra uma ocorrência mais marcante relacionada com o tráfico de drogas, aparecem informações, às vezes minuciosas, sobre os caminhos da droga, seja por terra, pelos rios ou pelo ar. Várias vezes se mostrou que a rota dos traficantes passa perto de instalações militares basileiras de fronteira, vindo logo a ressalva de que o controle do tráfico é problema da polícia, não dos militares. E nunca se apontou uma reserva indígena como sendo o caminho da droga, jamais tendo sido divulgada qualquer informação no sentido de que a falta de vigilância pelos índios facilita o tráfico.

E quanto à ocupação de partes de uma reserva indígena por estrangeiros, qualquer pessoa que tenha algum conhecimento dos costumes indígenas sabe que os índios são vigilantes constantemente atentos e muito ciosos de seus territórios.

Noticiário recente é bem revelador do tratamento errado ou malicioso dado às questões relacionadas com terras indígenas. Em matéria de página inteira, ilustrada com foto de 1989 – o que já é sintomático, pois o jornal poderia facilmente obter foto de agora e não usar uma de 23 anos atrás – o jornal O Estado de S.Paulo coloca em caracteres de máxima evidência esta afirmação alarmante: “Por milhões de dólares, índios vendem direitos sobre terras na Amazônia”.

Como era mais do que previsível, isso desencadeou uma verdadeira enxurrada de cartas de leitores, indignados, ou teatralmente indignados, porque os índios estão entregando terras brasileiras da Amazônia a estrangeiros. Na realidade, como a leitura atenta e minuciosa da matéria evidencia, o que houve foi a compra de créditos de carbono por um grupo empresarial sediado na Irlanda e safadamente denominado Celestial Green Ventures, sendo, pura e simplesmente, um empreendimento econômico, nada tendo de celestial.

Mas a matéria aqui questionada não trata de venda de terras, como sugere o título.

Fora de dúvida

Por ignorância ou má fé a matéria jornalística usa o título berrante “índios vendem direitos sobre terras na Amazônia”, quando, com um mínimo de conhecimento e de boa fé, é fácil saber que, mesmo que quisessem, os índios não poderiam vender direitos sobre terras que ocupam na Amazônia ou em qualquer parte do Brasil.Com efeito, diz expressa e claramente o artigo 231 da Constituição brasileira :

“São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”.

Nesse mesmo artigo, no parágrafo 2°, dispõe-se que “as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”. E o parágrafo 4° estabelece uma restrição muito enfática, cuja simples leitura deixa bem evidentes o erro e a impropriedade da afirmação de que os índios venderam seus direitos sobre sua terras na Amazônia.

Diz muito claramente o parágrafo 4°: “As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis”. Acrescente-se a isso tudo, o que já seria suficiente para demonstrar a má fé do título escandaloso dado à matéria, que o artigo 20 da Constituição, que faz a enumeração dos bens da União, dispõe, também com absoluta clareza : “São bens da União : XI. As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios”.

Com base nessas disposições constitucionais, fica absolutamente fora de dúvida que os índios não têm a possibilidade jurídica de vender a quem quer que seja, brasileiro ou estrangeiro, seus direitos sobre as terras que tradicionalmente ocupam, na Amazônia, em Goiás, na Bahia, em São Paulo, no Rio Grande do Sul ou em qualquer outra parte do Brasil.Errada e absurdaSe, por malícia, alguém, seja uma pessoa física, uma empresa ou qualquer instituição, obtiver de um grupo indígena uma promessa de venda de algum desses direitos estará praticando uma ilegalidade sem possibilidade de prosperar, pois, como está claramente disposto na Constituição, esses direitos são inalienáveis. E ainda de acordo com a Constituição é obrigação da União, que é a proprietária das terras indígenas, proteger e fazer respeitar todos os bens existentes nessas terras.

Em conclusão, o título escandaloso da matéria jornalística aqui referida está evidentemente errado pois afirma estar ocorrendo algo que é juridicamente impossível sgundo disposições expressas da Constituição brasileira.

Comportando-se com boa fé e respeitando os preceitos da ética jornalística, a imprensa deveria denunciar qualquer ato de que tivesse conhecimento e que implicasse o eventual envolvimento dos índios, por ingenuidade e ignorância, na tentativa da prática de alguma ilegalidade. Mas, evidentemente, é absurda, errada e de má fé a afirmação de que os índios vendam direitos sobre terras na Amazônia.

Indígenas do MS evitam despejo e colocam agronegócio no banco dos réus

Indígenas Guarani Kaiowá viajaram a São Paulo para acompanhar o julgamento que tratava da ordem de despejo da aldeia Laranjeira Nhanderú. Desta vez a comunidade indígena venceu, e a justiça decidiu pela sua permanência no local. Movimentos sociais e indígenas organizam o Tribunal Popular da Terra em Mato Grosso do Sul, entre 30 de março e 1º de abril, que fará um julgamento simbólico do Estado brasileiro, do latifúndio e do agronegócio.

Fábio Nassif

São Paulo – Nesta segunda-feira (26), indígenas Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul viajaram mais uma vez a São Paulo para acompanhar o julgamento que tratava da ordem de despejo da Aldeia Laranjeira Nhanderú. Desta vez a comunidade indígena da aldeia localizada no município de Rio Brilhante venceu, e a justiça decidiu pela sua permanência no local. A decisão vale pelo menos até a finalização de uma perícia judicial que levará a aldeia a novos julgamentos.

As lideranças saíram aliviadas, já que os outros três despejos e os ataques dos pistoleiros renderam algumas mortes de indígenas. Mesmo assim, a situação ainda é muito instável pois a comunidade está localizada no meio de uma plantação de soja, depende das cestas básicas entregues pela Funai e permanecem sendo ameaçados por jagunços.

O cacique Faride agradeceu o apoio dos advogados e apoiadores, mas cobrou a Fundação Nacional do Índio quanto à demarcação daquela terra. “A Funai está demorando para apresentar o laudo antropológico. Isso prejudica muito porque quando chegamos aqui [no julgamento] os fazendeiros estão sempre mais avançados que nós”, disse.

O funcionário do órgão presente contou que a Coordenação Geral de Identificação e Delimitação (CGID), departamento da Funai responsável pela regularização das áreas indígenas, está com o pedido de Laranjeira Nhanderú e mais 400 pedidos de demarcação de terras de todo o país. Segundo ele, a média é de 20 terras demarcadas por ano.

Isso significa que, em uma estimativa, se esta média for mantida, os indígenas de Laranjeira Nhanderú podem ter que lutar para sobreviver durante os próximos cinco anos para eventualmente terem sua terra reconhecida pelo Estado. Segundo dados do Cimi, no entanto, nos oito anos do governo Lula foram 88 terras homologadas, uma média de 11 por ano, o que acirrou ainda mais os conflitos por terra no Brasil.

Justiça popular
O estado onde se mata mais indígenas no país finalmente irá enfrentar o banco dos réus. Entidades, movimentos sociais e indígenas organizam o Tribunal Popular da Terra em Mato Grosso do Sul, nos próximos dias 30, 31 de março e 1º de abril, e fazem um julgamento simbólico do Estado brasileiro, do latifúndio e do agronegócio. A ideia é colher depoimentos sobre as violações aos direitos humanos cometidas neste histórico conflito de terras, e, a partir daí, julgar o papel do Estado.

O eixo da atividade será “povos da terra e estrutura fundiária em MS” e será realizada na UFMS. Na noite de sexta haverá uma abertura solene, e no dia seguinte, a partir das 8h, haverão cinco oficinas simultâneas: “Diálogos sobre a questão agrária: ações e impactos no MS”; “Movimento negro e as questões dos territórios quilombolas”; “A luta pela restituição territorial dos povos indígenas em MS”; “Oficina musical: luta pela terra, pela vida – resistir é preciso”; e “Agrotóxicos e seus impactos no Mato Grosso do Sul”, com a exibição do filme “O veneno esta na mesa”, de Sílvio Tendler.

Na tarde de sexta acontecerá uma mesa redonda com Miescelau Kudlavicz, da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MS); Narciso Pires, presidente da ONG Tortura Nunca Mais/PR e Katya Vietta, doutora em Antropologia Social e Etnologia Indígena. O tribunal será aberto oficialmente às 19h30 no auditório LAC da UFMS, com participação da juventude do MST e apresentações culturais, como o já conhecido grupo de rap indígena Brô Mcs. A sentença será proferida no sábado pela noite.

No domingo, as várias organizações, entidades de direitos humanos e movimentos populares realizarão uma plenária de avaliação e de articulação de outras atividades. O tribunal está sendo organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Diretório Central de Estudantes da UFMS, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Conselho Aty Guassú Kaiowá-Guarani em conjunto com mais de 20 entidades.

Entre os dias 20 e 22 de abril ocorre em São Paulo, no Sacolão das Artes, a versão nacional do Tribunal Popular da Terra, que pode reunir mais de mil ativistas, indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais. Na ocasião, haverá debate sobre casos conhecidos de criminalização da pobreza e dos movimentos sociais como do Pinheirinho, da ocupação da fazenda da Cutrale em Iaras (SP) e do Quilombo Rio dos Macacos (BA).

Fotos: Marina D’Aquino

*Carta Maior

PEC QUE TRANSFERE DA UNIÃO PARA O CONGRESSO OPODER DE APROVAR E RATIFICAR TERRAS INDÍGENAS FOI APROVADA NA CÂMARA

 O parecer do deputado Osmar Serraglio (PMDB/PR), favorável a admissibilidade da proposta de emenda à Constituição (PEC) 215 que transfere da União para o Congresso Nacional a prerrogativa de aprovar e ratificar a demarcação das terras indígenas, de autoria do deputado Almir Sá (PPB/RR), e que está parada há 12 anos, foi aprovado pela Comissão de Constituição e  Justiça (CCJ) da Câmara.

     A PEC que conta com um grande número de pessoas contrárias e, principalmente, as sociedades indígenas concede ao Congresso Nacional as competências exclusivas da aprovação da demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e a ratificação das demarcações já homologadas. E ainda estabelece que os critérios e procedimentos de demarcação serão regulamentados por lei.

     Durante as quatro horas de debate sobre a votação os representantes indígenas protestaram revoltados com os andamentos da discussão porque percebiam que a votação favorável ia ocorrer, como ocorreu. Deputados do PT, PV e PCdoB, contrários o parecer favorável, tentaram obstruir por algumas vezes o andamento dos trabalhos, mas encontraram pela frente o maior número de parlamentares ruralista defensores – como não podia ser o contrário – do parecer favorável da proposta da PEC.

        Depois da votação favorável aos ruralistas, os índios e os deputados contrários protestaram afirmando que tratava-se de um retrocesso na política nacional de demarcação das terras indígenas. Um acinte a democracia, alguns afirmaram. Para o deputado Luiz Couto (PT/PB) a aprovação é um retrocesso que vai aumentar a violência no campo.

        “Essa PEC é um retrocesso, não só para os povos indígenas, mas também para as autoridades quilombolas. Esta PEC vai provocar um clima de violência no campo”, afirmou o deputado Luiz Couto.

      Para o deputado Paulo Teixeira (PT/SP) a PEC é inconstitucional, porque muda o equilíbrio entre os poderes.

       “A PEC aprovada é flagrantemente inconstitucional. Ela fere o que poderia ser uma cláusula pétrea, do direito das terras para os índios”, disse o deputado Teixeira.

         No entender do deputado Ivan Valente (PSOL/SP) a PEC é um retrocesso nos direitos dos povos indígenas.

        “É a mesma turma que está apressando para aprovar o Código Florestal. Os que apoiam a PEC têm interesses econômicos e imediatistas para ocupar terras que já estão ocupadas e impedir futuras demarcações”, analisou Ivan Valente.

    Sarney Filho também corrobora com a opinião que a aprovação da PEC vai aumentar a violência no campo.

      “Os fatos nos dizem que, quando há insegurança jurídica, há violência. Não gostaria de subir à tribuna na semana que vem para anunciar violência e morte”, disse o filho do vitalício presidente do Senado, José Sarney.

     Ficou para o representante maior da extrema-direita do bloco dos reacionários, deputado Roberto Freire, do PPS, partido capacho do PSDB, junto com o DEM, a fala de defesa dos seus patrões ruralistas.

       “Estamos discutindo uma proposta de emenda à Constituição, que trata de ordenamento e remete essa competência – de demarcação – ao Congresso Nacional. Temos a tripartição dos  Poderes e nada aqui atenta à União, porque somos o Poder Legislativo da União”, ressonou a voz dos ruralista pela mímica do deputado da extrema-direita que no passado recente se inobservava como ilusão de ser comunista.  

CDDPH APROVA RELATÓRIO SOBRE VIOLÊNCIA NO CAMPO, MAS PARTE QUE TRATA SOBRE BELO MONTE FICA EM COMITÊ ESPECÍFICO

 O documento elaborado pela Comissão Especial da Terra do Meio com objetivo de averiguar denúncias de violências no campo, mas que também tratou de denúncias e reivindicações de moradores do campo contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Estado do Pará, foi aprovado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Entretanto, a parte tangente a construção da Usina de Belo Monte ficou para ser analisada pelo Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu.

      De acordo com Percílio Lima de Souza Neto, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e também vice-presidente do conselho, todas as reivindicações sobre Belo Monte, foram decididas por unanimidade pelo CDDPH para serem enviadas ao comitê responsável pelo tema, à Casa da Cidadania e à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos à ser instalada em Altamira, no Pará.

      “Por proposição da maioria dos conselheiros, os trabalhos da comissão não foram encerrados. Foi apresentado esse relatório e ele será enriquecido. Um representante da Defensoria Pública e um da Advocacia-Geral da União devem participar da comissão. Acho que foi decidido o que era possível obter hoje”, disse Souza Neto.

       Há mais de 15 dias a análise do parecer da comissão havia sido agendada, mas ontem somente foi colocado na pauta pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos. A ministra afirmou que o parecer só não foi pautado antes porque não havia uma conclusão expressa da comissão.

      “Ficamos na seguinte posição, ou pautamos e atendemos a sociedade civil, ou não pautamos e pareceria que não queríamos atender à sociedade civil, que tínhamos algum problema em relação à matéria. Optamos por atender a sociedade civil”, analisou a ministra Maria do Rosário.

         Segundo o jornalista Leonardo Sakamoto, relator do parecer, ele não vai mas continuar na relatoria porque seu trabalho terminou.

      “Meu trabalho termina aqui. Eu produzo conteúdos, sou jornalista e professor universitário. A articulação política é algo que eu deixo para quem é da área”, disse o jornalista-relator.

 

NÃO HÁ CONFIRMAÇÃO DE ROTAVÍRUS EM ALDEIA INDÍGENA NO ACRE

Diante das notícias veiculadas pela imprensa de que há um surto de rotavírus atingindo crianças de aldeias indígenas no estado do Acre, a Secretaria Especial da Saúde Indígena Sesai, que está ligada diretamente ao Ministério da Saúde divulgou nota afirmando que não confirmação de surto de rotavírus atingindo crianças indígenas.

Segundo a nota, do dia15 de dezembro até ontem, dia 18, foram notificadas oito mortes de crianças com diarréia aguda. De acordo com o ministério, as mortes não foram confirmadas por exames laboratoriais e continuam sendo investigadas.

Na nota a Sesai, diz que as crianças que morreram eram das etnias Kaxinawá e Kulina e viviam nas aldeias de Nova Família, Morada Nova, Novo Repouso, Nova Fronteira, Nova Aliança, Kanamari e Moema.

Falando sobre o fato, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou não haver confirmação e que não é a primeira vez que se registram casos de diarréia aguda na região.

CIMI NEGA A AFIRMAÇÃO DA FUNAI DE QUE CRIANÇA INDIGENA NÃO FOI MORTA E QUEIMADA

Conselho Indigenista Missionário (CIMI) depois de saber que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) havia divulgado que a morte da criança indígena de 8 anos divulgada pelo CIMI não existiu e que tudo não passava de “boatos sem fundamentos”, resolveu divulgar nota reafirmando tudo que havia dito sobre a denúncia do assassinato da criança feita por um líder indígena da tribo Guajajara.

Nota pública sobre denúncia de violência na Terra Indígena Araribóia

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem a público esclarecer os desdobramentos da denúncia feita por indígenas Tenetehara (ou Guajajara) da aldeia Patizal, Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, sobre ataque sofrido pelos Awá-Guajá em situação de isolamento, entre setembro e outubro do ano passado na altura do município de Arame, onde os restos mortais carbonizados de uma criança foram encontrados pelos Tenetehara no meio da mata, durante caçada.

Tornaram-se públicas, pelas mãos do Cimi, informações passadas pelos próprios indígenas e são por elas que respondemos, porque não jogamos na vala comum dos boatos depoimentos que remontam anos de denúncias da ação de invasores, sobretudo madeireiros, na Terra Indígena Araribóia. Não obstante, o Cimi mantém plena confiança na denúncia e acredita que algo de muito grave ocorreu no interior da terra indígena, afetando diretamente a segurança e as garantias de vida dos Awá-Guajá isolados.

Apenas investigações mais detalhadas feitas dentro da mata, local de caça dos Tenetehara e palco do episódio denunciado, poderão dizer como o assassinato desta criança indígena ocorreu e como se deu o ataque aos Awá-Guajá isolados. No entanto, o Cimi acredita que não é necessário um corpo carbonizado para que medidas urgentes de proteção aos indígenas da Terra Indígena Araribóia – ou a qualquer outro povo em condição de isolamento ou de contato no país – sejam adotadas.

Conforme os próprios técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai) atestam, a ação de madeireiros ocorre livremente dentro da terra indígena – com o trânsito impune de caminhões apinhados de toras de ipê e demais espécies de árvores. Além da dilapidação do patrimônio nacional, o assédio dos madeireiros coloca em risco a vida e a segurança dos indígenas, impedindo-os de usufruírem do território tradicional.

Faz-se necessária uma ampla ação dos órgãos envolvidos para ultrapassar a fronteira dos monitoramentos das ações de madeireiros e partir rumo à proteção efetiva da terra indígena, impedindo a extração de madeira e a circulação impune de invasores que aliciam e ameaçam os indígenas. Do contrário, se madeireiros circulam sem impedimentos na Terra Indígena Araribóia, como não acreditar nos depoimentos de violência dos Tenetehara?

Chegamos, com isso, a outro ponto importante: se os madeireiros atuam com sossego e no arrepio de fiscalizações mais exaustivas, como fica a segurança dos Tenetehara que fazem denúncias e se opõem aos invasores de suas terras? Numa denúncia como a tratada por esta nota, de ampla repercussão nacional e internacional, as pressões dentro da aldeia são consideráveis. Proteção a esses indígenas também é outra importante prerrogativa para o esclarecimento desse e de tantos outros episódios de violência – noticiados com exaustão pelo Cimi.

Dois casos são salutares de lembrar: em 2007, Tomé Guajajara foi assassinado por madeireiros que invadiram a Terra Indígena Araribóia com o intuito de recuperar um caminhão; já em 2008, um motoqueiro disparou contra uma indígena de 6 anos acertando-a na nuca. O contexto, portanto, é de saque do território, assassinatos e negação de direitos. A impunidade dos crimes só poderia deixar os indígenas preocupados com a própria segurança.

Por fim, esperamos que o foco sobre a questão não se restrinja a mera comprovação se a violência ocorrida no interior da Terra Indígena Araribóia passa de boato de internet ou não, pois no Brasil o assassinato e a violação dos direitos indígenas deixaram a condição de boato desde que o Estado Nacional passou a reconhecer direitos para as populações originárias. O Cimi acredita que novos fatos poderão surgir, mas, sobretudo, espera medidas concretas de proteção ao território indígena e aos indígenas autores das denúncias.

Brasília, 10 de janeiro de 2012

Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

(MS) Apoio à Expedição ao território Kaiowá-Guarani “Cacique Marcos Verón”

A população Kaiowá-Guarani do Mato Grosso do Sul vive hoje uma situação dramática de aviltamento dos direitos humanos. O nível de violência contra os Kaiowá-Guarani é tão extremo que tem sido considerado um processo de genocídio em curso ao povo. Como resposta a essa realidade, os povos Kaiowá-Guarani tem se organizado para resistir e lutar pela efetivação plena de seus direitos.

A expedição ao território indígena Kaiowá-Guarani é fruto dessa organização e surge como uma demanda direta dessa população por justiça social. A partir de conversas e reuniões realizadas entre lideranças e militantes indígenas em seu território ancestral, nasce a ideia da realização de uma expedição formada por profissionais de diferentes áreas, lideranças e militantes da causa indígena, com objetivo de elaborar um documento que publicize a condição de vida e resistência dessas populações. Além disso, deve ser um documento que dê subsídios à sua luta e reivindicações.

Soma-se à organização do povo Kaiowá-Guarani, o Tribunal Popular, uma articulação de entidades e movimentos sociais que vêm, desde 2008, unindo esforços para denunciar a violações dos direitos humanos promovidos pelo Estado brasileiro e sua lógica de criminalização da pobreza e das diferentes formas de organização popular.

A ideia da expedição foi apresentada e aprovada na organização indígena Aty Guassú, A Grande Assembleia Guarani, realizado no mês de agosto de 2011 no Mato Grosso do Sul. Logo em seguida, começaram a ser pensadas ações preparatórias da expedição. O presente projeto se insere nesse contexto.

A expedição ao território Kaiowá-Guarani tem como objetivo produzir relatórios e videos, que documentem a expedição realizada às suas terras na região com mais vulnerabilidade de conflitos, mortes e perseguição, e onde a demora pela demarcação é sentida com mais violência.

A equipe será composta por cerca de quinze pessoas ? profissionais de diferentes áreas, militantes, lideranças e professores indígenas ? que permanecerão durante aproximadamente duas semanas em diferentes aldeias e acampamentos indígenas da região de Dourados (MS). Todas as ações realizadas pelo grupo serão acompanhadas por indígenas moradores da região, que serão responsáveis pelo acolhimento da equipe. Além da equipe de trabalho estarão presentes convidados de diferentes entidades e movimentos que apoiam a causa indígena, representantes políticos e de universidades.

Queremos com essa ação:

Cobrar pela demarcação das terras indígenas Kaiowá-Guarani, conforme previsto desde 2008 em portaria da FUNAI.

Cobrar para que coloquem o ?Marco? nas Terras Indígenas que já têm portaria demarcatória e exigir uma resposta de por que não se fez isso até agora.

Cobrar justiça para os assassinatos dos caciques e líderes indígenas que não prescreveram (250 assassinatos em 8 anos.)

Denunciar as perseguições e as mortes dos professores indígenas(13 mortos em 3 anos), que tem importante papel nessa luta já que são eles que escrevem e relatam a fala dos mais velhos para os trabalhos de identificação das terras tradicionais, entre outras coisas.

O total de recursos da expedição é de R$ 36.000,00, conseguimos 16 mil, precisamos de 20 mil reais, até o dia 09 de Janeiro para a realização da expedição.

Esse recurso será usado para despesas de transportes de 15 pessoas de São Paulo-MS , alimentação de todos e todas envolvidos(as), cerca de 100 pessoas, construção de infra-estrutura na aldeia de apoio(Takuara), produção e divulgação de toda a documentação colhida.

PLEBISCITO PARA DIVISÃO DO PARÁ. CUIDADO!!! POVO PARAENSE CORRE PERIGO

Quando um povo vive num determinado território ele cria os mais variados vínculos. Materiais, espirituais, afetivos. A Terra é para o povo um local sagrado, não o sagrado  paulíneo, forjado, teológico, imposto por dogmas religiosos, ela não é vista como fonte de riqueza. Com o passar do tempo, claro que isso modifica-se.

Observando o que está acontecendo neste momento no Estado do Pará,  onde sua população eleitora  responde duas perguntas sobre a criação do Estado do Tapajós e de Carajás, afirmamos  que é mais uma tentativa do sistema capitalista impor sua ganância pelo lucro em detrimento do povo.

Há na relação com a posse da terra, muitos tipos de invasores, divisores. Os relatos históricos estão cheios deles. Os judeus subtraem a terra dos palestinos,  os curdos enfrentam esse problemas com os países limítrofes. Os índios, os Sem Terra os sem teto no Brasil.  A Terra sempre foi motivo de disputas e sempre foi muito valiosa. Por isso existiu o feudalismo na Europa, mais tarde, no Brasil, as capitanias hereditárias, as sesmarias, o senhor de engenho e mais recentemente os latifundiários, responsáveis, em todo o Brasil e mais precisamente no Estado do Pará por um número considerável de  assassinatos envolvendo disputas de terras. Só no massacre de Eldorado dos Carajás  foram assassinados 19 trabalhadores.

No capitalismo, diferente do socialismo, só há divisão. E para os agentes do capitalismo, o que pensam, é tudo relacionado ao “desenvolvimento.” Desenvolvimento capitalístico deles. Porque se o Estado do Pará, com as dimensões territoriais que possui se houvesse políticas públicas de atendimento ao povo, que só começaram a ter com o governo do presidente Lula, não era mais para se usar a bandeira da divisão para que este se desenvolvesse.

Uma forma de postergar atenção a essas regiões faz parte do processo colonialista desde a invasão portuguesa. Belém desponta nesse cenário em 1616 e a partir daí consegue  impor-se política e economicamente na região sendo esta reconhecida pelo governo imperial como Estado do Grão Pará.

Exerceu forte hegemonia durante muitos anos. O Amazonas desvincula-se politicamente do Pará por ocasião da criação da Província em 1850. Por lá, os paraenses já havia participado de guerras, levantes e da Cabanagem contra a política regencial que os sujeitavam à miséria e a dominação oligárquica de grupos que prosperaram explorando o trabalhador. Diferente de nós que nunca nos levantamos, nunca fizemos guerra. Pra não dizer que não participamos da Cabanagem, a região do baixo Amazonas deu guarida a muitos cabanos. Parintins, Maués receberam balas cabanas. A arqueologia desses municípios comprovam o fato. Por cá, excetuando-se Ajuricaba, levante nenhum houve. Há muita lenda urbana.  A “batalha do Igarapé de Manaus” nunca existiu. O que houve foi o seguinte. Os professores da rede estadual insatisfeitos com seus proventos salariais, apoiados pela Vanessa Grazziotin, Eron Bezerra, e outros partidários  pcdobistas resolveram cutucar o Boto Tucuxi com arpão em vez de arpuá-lo. Gilberto não contou desgraça como diz o dito popular, mandou a polícia militar sentar o cacete. Subiram a Rua Major Gabriel correndo e foram abrigar-se no antigo ICHL onde foram recebidos por seu diretor Bosco Araújo. Este fato, segundo José Ribamar Bessa Freire passou a  ser chamado de a “batalha do Igarapé de Manaus”.

No Pará não. A moçada sempre foi politicamente contestadora e defensora de seus direitos. Não vai ser agora, que correndo perigo de ver seu Estado retaliado que ela vai corroborar com isso.

Falamos aqui em post anterior que há por trás dessa divisão muitos interesses políticos, econômicos e pessoais. Há políticos no Amazonas de olho em candidatar-se pelo Estado do Tapajós, porque por aqui só ganha graças à puxada pelo colarinho e à legenda. Há muitos lobistas querendo a divisão. A região de Carajás é rica em minérios. Daniel Dantas numa possível divisão será um dos principais beneficiados, pois as melhores terras estão sob seu domínio. A BBC Brasil diz que “caso seja criado, Tapajós teria quase metade de seu território ocupado por reservas indígenas ou florestais, incluindo o vale do Xingu, onde o governo pretende construir a usina hidrelétrica de Belo Monte.”

Para finalizar queremos dizer que um povo se configura por suas singularidades dentro de um território onde estabelece suas relações com o meio: rios, terras, igapós, praias, montanhas. Há nisso criações de códigos construído no caso do Estado do Pará por indígenas, negros, escravocratas que vai constituir  o povo paraense, que mesmo com a divisão não deixará de ser paraense. Fazer essa divisão fragmenta a unidade que foi configurada pelo trabalho e pelas lutas de valorosos paraenses que de quebra causa dor de muitos amazonenses que não compreendem o processo político, cultural e traduzem num preconceito inútil chegando à intolelância de um “Que morra!” proferido pelo prefeito cassado da não cidade de Manaus, Amazonino Mendes.

Paraenses, não deixem o Estado ser dividido. Os capitalistas, os homens da privataria querem entregar para o sistema capitalístico mundial recursos que cada vez mais estão ficando escassos: minérios, carbono, água potável, a Terra e nisso os paraenses são ricos. Votem, votem pelo NÃO a Carajás, NÃO ao Tapajós. Com Lula e Dilma o Brasil passou a ver o desenvolvimento de outra maneira.

VÍDEO DIVULGADO PELO PORTAL CARTA MAIOR MOSTRA AMEAÇAS DE MORTE AOS ÍNDIOS GURANI-KAIOWÁ NO MATO GROSSO DO SUL

COMITÊ NACIONAL DE DEFESA DOS POVOS INDÍGENAS DE MATO GROSSO DO SUL É LANÇADO

Com a participação de centenas de manifestantes ativistas dos movimentos sociais foi lançado em São Paulo, o Comitê Nacional de Defesa dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul (Condepi), cujo objetivo é defender os direitos humanos dos indígenas do Mato Grosso do Sul.

A preocupação em defender os povos indígenas do Mato Grosso do Sul não surgiu impulsionado apenas pelos antigos e recentes assassinatos de indígenas, e as constantes lutas entre índios e fazendeiros que pretendem se apossar da terra indígena, mas pelo fato do estado possuir o segundo maior número de índios de todo o território brasileiro. São 79,2 mil índios, representando 9% de toda população indígena do país, segundo o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com dados do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Mato Grosso do Sul concentra 55% dos assassinatos de indígenas no Brasil nos últimos oito anos, e 27 indígenas assassinados só nos nove meses de 2011.

Participam como membros do comitê, Comissão Pastoral da Terra (CPT), Justiça Global, Associação Nacional dos Defensores Públicos Federais, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Falando sobre a luta dos povos indígenas, Lea Aquino, índia Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, disse que o que eles pretendem é poder educar e libertar os filhos.

“Espero que todas as pessoas entendam que nós também somos seres humanos, queremos viver, educar e libertar nossos filhos desse caminho que temos que seguir hoje”, disse Lea.

MPF QUER QUE A JUSTIÇA RESPONSABILIZE O ESTADO PELA SITUAÇÃO DOS ÍNDIOS GUARANI KAIOWÁ

A em função das constantes ameaças vivadas pelos mais de 50 mil índios Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, perpetradas por fazendeiros que cobiçam as terras indígenas e a dificuldade de manter uma situação de paz na região, o Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer à Justiça Federal para que responsabilize o Estado pela ameaçadora situação.

O objetivo do MPF é entrar com ações civis pública na Justiça Federal. De acordo com Marco Antonio Delfino de Almeida procurador da República em Dourados, duas primeiras ações serão impetradas no início de 2012, que poderão ser as primeiras de uma série de outras. Uma para cada comunidade ou denúncia de violência contra índios. Se a União for condenada ele deverá acelerar o processo de demarcação de novas reservas.

“Isso vai demandar tempo porque, para não sermos levianos, vamos precisar de laudos técnicos que comprovem os prejuízos em cada um dos casos. E porque apenas dizer que os índios foram prejudicados é muito pouco”, disse o procurador.

Por sua vez, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) disse que o Mato Grosso do Sul é o estado mais perigoso para que os índios vivam. Entre 2003 e 2010, 250 indígenas foram assassinados no estado, sendo que a maioria dos assassinatos foi decorrente de lutas por terras desencadeadas por fazendeiros.

Para as entidades que trabalham na causa indígena a miséria e as mortes dos índios estão ligadas a situação de confinamento que eles vivem em áreas com ausência de elementos necessários para se viver, o esfacelamento cultural que destrói as tradições culturais que servem de mecanismos de conflitos internos e a perda da identidade cultural.

“Cada comunidade tem um histórico de violência e mazelas decorrentes deste processo de confinamento, como a desnutrição infantil e a violência. É importante caracterizar como a União contribui para isso em cada um dos casos”, afirmou o procura

PISTOLEIROS VOLTAM A ATACAR O ACAMPAMENTO DOS ÍNDIOS GUARANI KAIOWÁ, NO MATO GROSSO DO SUL

Dois pistoleiros muito bem armados, em uma mota, invadiram, na tarde de ontem, dia 28, o Acampamento Pyelito Kue, próximo ao município Iguatemi, atiraram contra os índios, e ameaçaram voltar.

Segundo os indígenas, foi mais uma ameaça de intimidação por causa do conflito criado pelos fazendeiros do sudoeste do Mato Grosso do Sul. Há décadas os grandes proprietários usam todos os meios para se apropriarem das terras indígenas. Os ânimos ficaram acirrados depois que pistoleiros, no dia 18, mataram o cacique Nísio Gomes, levaram seu corpo e seqüestraram três indígenas.

Apesar das constantes ameaças os indígenas não vão sair da terra para satisfazer o anseio explorador dos fazendeiros que não se satisfazem com a terra que já têm e cobiçam a terra indígena.

“Eles passaram de moto, atirando, e disseram pra gente sair até a noite, porque vão voltar mais tarde.

Não vamos sair daqui. Estamos aqui na nossa terra, vamos permanecer aqui, vamos morrer nós e vão morrer eles”, afirmou o líder indígena Dorival.

Eles devem permanecer na terra que lhes pertence, mas é preciso que a Justiça fortaleça a segurança, porque pela própria demonstração de ousadia – melhor covardia – dos pistoleiros, talvez eles não estejam levando em conta a presença da Força Nacional de Segurança e do Ministério Público acreditando que a impunidade nos crimes agrários é a tônica no Brasil.

MESMO DEPOIS DO ASSASSINATO DO CACIQUE GUARANI-KAIOWÁ OS ÍNDIO DECIDEM PERMANECER NO ACAMPAMENTO

Os índios do acampamento Tekoha Guaiviry, no município de Amambaí, no Mato Grosso do Sul, decidiram permanecer no local onde 40 pistoleiros fortemente armados mataram o cacique Nísio Gomes, roubaram seu corpo e seqüestraram três indígenas.

Um dos líderes dos Guarani-Kaiowá, Eliseu Lopes, que acompanhou os trabalhos investigativos da Polícia Federal e da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), disse que mesmo apreensivos, a prioridade é encontrar o corpo do cacique que lutou por mais de 30 anos pelas terras indígenas, os jovens desaparecidos, e permanecer no local, pois eles não têm medo de novos ataques.

“Se tivessem medo, iam todos embora. Nós, indígenas, nunca fizemos como eles fizeram, nunca matamos. Esse tipo de pessoa é um animal e não um ser humano.

Eles pensam, que quando matam uma liderança, vão acabar com a nossa luta, mas isso não acontece. É só na cabeça deles”, disse o líder Lopes.

Flávio Vicente Machado, coordenador estadual do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), disse que o clima encontra-se totalmente tenso, e que há notícia que os pistoleiros estão se armando para realizarem um novo ataque. Segundo ele, a grande repercussão do assassinato não foi capaz de inibir os pistoleiros.

“O ônibus que foi levar a família do Nísio ao local, segundo os indígenas, foi atacado por caminhonetes.

 A Funai está sucateada. Não oferece as condições mínimas para atender uma demanda como essa. A gente está se mobilizando para cobrar do governo federal uma intervenção no local. É preciso fazer uma força tarefa”, considerou Flávio.

PROTESTO INDÍGENA LEVA IBAMA A SUSPENDER CONSTRUÇÃO DA USINA SÃO MIGUEL NO RIO TELES PIRES

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), diante da situação tensa no Rio Teles Pires, no Mato Grosso, depois que os índios das etnias Kaiaby, Apiacá e Munduruku transformaram em reféns dois funcionários da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e cinco funcionários da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), como protesto contra o aproveitamento hidroelétrico do rio e o retardo na demarcação de terras indígenas dessas etnias, decidiu suspender as audiências públicas do processamento de licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de São Miguel no Rio Teles Pires.

As audiências do Ibama tinham o propósito de discutir o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) da construção da usina com as comunidades, e as audiências estavam previstas para os dias 22, 23 e 25 desse mês corrente.

Por sua vez, o EPE tem como meta licitar a usina em leilão marcado para o dia 20 de dezembro.

GOVERNO FEDERAL E ÍNDIOS VÃO SE REUNIR COM A OEA PARA DISCUTIR BELO MONTE

Marcada para a próxima quarta-feira, dia 26, em Washington, para tratar das discordâncias na construção da Usina de Belo Monte, no estado do Pará, a Organização dos Estados Americanos (OEA) vai se reunir com representantes do governo brasileiro, representantes das comunidades tradicionais indígenas e as entidades de direitos humanos responsáveis pelas denúncias de violação nas áreas afetadas pela construção da usina.

Responsável pelo tratamento do tema, o Ministério das Relações Exteriores ainda não se manifestou se mandar algum representante para a reunião.

A reunião foi convocada a partir do momento que a comissão da OEA recebeu as explicações do governo, em abril de 2011, e que os representantes das comunidades contestaram as explicações. A questão se refere à medida cautelar emitida pela comissão que exige audiência com os índios e a tradução dos estudos de impacto ambiental, para a língua indígena.

As denúncias enviadas para a comissão em novembro de 2010 trata dos desrespeitos aos direitos dos índios e das comunidades ribeirinhas que habitam a região de Volta Grande do Xingu.

São autores das denúncias as entidades Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Prelazia do Xingu, Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Justiça Global e Associação Interamericana para Defesa do Ambiente (Ainda).

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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