Arquivo para a categoria 'Índio'

LIDERANÇAS INDÍGENAS PEDEM APOIO À COMISSÃO DA AMAZÔNIA PARA IMPEDIR GARIMPO EM RORAIMA

Garimpo ilegal em terras indígenas Yanomani e Yekuana, no estado de Roraima, levou lideranças indígenas a pedirem apoio à Comissão da Amazônia na Câmara dos Deputados para tentar impedir a continuação da ação predatória executada pelos garimpeiros.

De acordo com a deputada Janete Capiberibe (PSB/AP), membro da comissão, o garimpo no estado de Roraima, que começou ilegalmente no ano passado, tem provocado escassez de alimentos para os indígenas e as populações ribeirinhas, além de causar poluição dos rios.

Diante da forte exploração predadora, a deputada acredita que só a participação da Polícia Federal pode impedir a continuação do desastre humano ecológico promovido pelos garimpeiros.

Por sua vez, as lideranças indígenas afirmaram na Comissão da Amazônia que já enviaram tanto ao governo federal e à Organização das Nações Unidas (ONU) ofícios relatando o fato, mas até o momento não receberam resposta. Segundo relatos dos indígenas, os garimpeiros chegam ao território onde está sendo consumada a violência humana/ambiental em aviões de pequeno porte e descarregam todo o material para ser usado na extração do ouro.

Eles estão pedindo socorro e não conseguem ser atendidos.

A consequência dessa exploração ilegal é a escassez dos alimentos deles, porque o barulho das máquinas afugenta a caça, o mercúrio polui as águas e ainda há invasão de roças que eles plantam”, disse a deputada Capiberibe.

A deputada afirmou que já esteve em conversa com o presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Márcio Meira, tratando do tema, e vai procurar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para que ele indique a Polícia Federal para agir no caso.

TERRA INDÍGENA KAXARARI TERÁ REVISÃO DE DEMARCAÇÃO

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil na Justiça Federal pedindo revisão da demarcação da Terra Indígena Kaxarari, em Rondônia, para que sejam incluídas áreas que ficaram fora do território quando foi homologada em 1992. Parte da terra ocupada tradicionalmente pelos indígenas ficou de fora.

As áreas que ficaram fora da demarcação são emblemáticas para os indígenas. Segundo eles, no momento em que houve a demarcação eles não foram ouvidos pelos órgãos responsáveis.

Da sua parte, a Funai afirmou que tinha conhecimento do erro, mas que não executou a revisão territorial porque não possuía técnicos.

A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) terá um prazo de 30 dias para iniciar o processo de revisão, determinou a juíza da 5ª Vara Ambiental e Agrária da Seção Judiciária de Rondônia. Até em 120 dias as conclusões deverão ser apresentadas.

IMAGENS DE GRUPO INDÍGENA QUE VIVEM EM TERRAS ISOLADAS

O companheiro Henrique Gobbi, a partir do blog Planetcultures, em comentário intempestivo aqui neste bloguinho, deixou a indicação de um vídeo com imagens do grupo indígena que vive em terras isoladas no Vale do Javari. Seguindo a indicação de Henrique é que o publicamos aqui.

COM O ESTADO AUSENTE EM BELO MONTE, REPRESENTANTES DOS CONSÓRCIOS SE PASSAM POR AGENTES DO ESTADO

Estar ocorrendo uma situação de “ausência absoluta do Estado” na obra do Programa de Aceleração do crescimento (PAC), a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, afirmou o órgão consultivo do governo, Conselho Nacional Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). A constatação foi feita na reunião do conselho, que contou com a presença da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Segundo Percílio de Souza Neto, conselheiro, vice-presidente do CCDPH, que participou da uma visita ao local da obra, vários funcionários do consórcio estão usando o nome do Estado para intimidarem, coagirem famílias para abandonarem suas propriedades em benefício da obra.

Constatamos ausência absoluta do Estado. É uma terra de ninguém. Há problemas de todas as ordens. Há exploração sexual de crianças, ausência do Estado no atendimento aos seguimentos mais básicos. O que constatamos é um flagrante desequilíbrio entre o consórcio e as populações ribeirinhas, as etnias indígenas e outras comunidades tradicionais existentes naquelas regiões.

Esse conselho não pode ignorar esse tratamento chocante. Há pessoas indefesas pedindo a nossa ajuda, e esse é nosso papel.

Os representantes dos consórcios, totalmente despreparados, se arvoram de representantes do Estado brasileiro. O que nos constatamos é que as condicionantes não estão sendo cumpridas”, ajuizou o conselheiro.

De acordo com a avaliação de Percílio de Souza Neto, o poder político na região está sendo exercido pela responsável pela obra e pelo consórcio Norte Energia.

Por sua vez, Sadi Pansera, conselheiro, assessor da Ouvidoria Agrária Nacional, órgão do Ministério do Desenvolvimento agrário, narrou o ocorrido com um morador vítima da violência dos representantes do consórcio quando teve sua residência invadida e foi ameaçado covardemente para deixar sua propriedade.

Um trabalhador rural, pai de família, que vive na Terra do Meio, estava em sua hora do almoço. Ele relatou que chegaram na casa dele, não quiseram se sentar, e disseram: ‘Ou você assina aqui ou não vai receber nada e será expulso’. Ele me perguntou: ‘Que democracia é essa? Como pode, uma pessoa que eu nem conheço, chegar na minha casa, na hora do almoço, e diz o que quer? Quer tomar minha propriedade onde criei meus filhos com todo carinho”, narrou Sadi.

Já a procuradora Ivana Farina Navarrete Pena, representante do CDDPH do Conselho Nacional dos Procuradores dos estados e do Ministério Público Federal, disse que o governo não está realizando as checagens dos cumprimentos das condicionantes, porque os agentes do IBAMA, que atuam em Anapu, têm que se deslocar para Belém, quando antes se reportavam para a superintendência de Altamira.

Isso significa mais demora para uma resposta. O Estado brasileiro não está fazendo a checagem para o cumprimento das condicionantes porque não tem como fazer”, disse Ivana.

As denúncias feitas pelo CDDPH se assemelham com as denúncias feitas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que forçou a medida cautelar expedida pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que pede a imediata suspensão do processo de licenciamento da obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

A ministra Maria do Rosário, depois de ouvir os relatos, manteve a posição do governo federal de repúdio ao pedido da OEA, e pediu que o CDDPH promova uma reunião extraordinária com a presença dos representantes do consórcio, mas a participação de membros das comunidades.

O governo tem uma posição crítica em relação à comissão (CIDH), mas isso não significa que não tenhamos consciência de que temos que agir. Há procedimentos internos no Brasil que não estão encerrados”, afirmou a ministra.

LULA DEVE DIALOGAR COM INDÍGENAS SOBRE BELO MONTE

Na 13ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Política Indigenista, que contou com a participação de 22 etnias de todo o país mais o presidente Lula, e representantes dos ministérios de Minas e Energia, da Casa Civil, Justiça, Previdência Social, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do Esporte, Meio Ambiente, a Secretaria Especial de Política de Igualdade Racial e o Gabinete de Segurança Institucional, as lideranças indígenas pediram mais diálogo com o presidente Lula sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Estado do Pará.

Falando que a falta de diálogo com o governo pode levar a conflito com a construção da hidrelétrica, o líder Akiaboro Caiapó afirmou: “Há muito tempo se fala do projeto de Belo Monte e temos uma preocupação muito grande. Quero sentar e conversar antes da guerra e dos problemas que vão acontecer. Porque senão vai acontecer muita coisa e vai sair o nome do governo muito sujo.”

Por sua vez, o presidente Lula, segundo o presidente da FUNAI, Márcio Meira, prometeu que irá se encontrar com os indígenas ainda na última Reunião Ordinária da Comissão Indigenista, e ainda determinou que todos que estiverem envolvidos com a construção da hidrelétrica mantenham constantes contatos com os indígenas.

Em relação a Belo Monte, o presidente quer a continuação do diálogo, das explicações sobre o empreendimento. Ele colocou que o projeto foi modificado justamente para impactar menos possível o meio ambiente e as terras indígenas”, afirmou Meira.

LULA E INVESTIMENTOS NA RAPOSA SERRA DO SOL

Lula e caciques indígenas durante festa que celebrou a homologação das terras da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Foto: Ricardo Stuckert/PR (Blog do Planalto)

Na comunidade de Maturuca, no olho da terra indígena Raposa Serra do Sol, a 300 quilômetros de Boa Vista, Roraima, participando das comemorações de 1 ano da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que confirmou a homologação de 2005 da terra pelo governo federal, junto com povos das etnias Macuxi, Wapixana, Taurepang, Ingaricó e Patamona, com um total de cinco mil pessoas presentes, o presidente Lula foi homenageado com grande festa e recebeu dos índios pedidos de investimentos na área indígena.

Me entregaram com uma mão um documento agradecendo e me entregaram com outra 20 documentos reivindicando. A gente começa a descobrir que os índios estão muito mais sabidos do que a gente pensa”, disse Lula fazendo gracejo.

Preocupados com o desenvolvimento das comunidades, os povos indígenas querem que o governo os auxilie, investindo na reserva, para que eles possam criar uma economia autossustentável. Com esse propósito, o coordenador-geral do Conselho Indígena de Roraima, Dionito José de Souza, depois de narrar as lutas que durante a história esses povos tiveram que enfrentar para permanecer vivos, falou o objetivo de manter a dignidade das etnias. “Trabalhamos muito tempo no silêncio e na paciência. É hora de dizer não à invasão, à escravidão da cachaça, do garimpo e da fome”.

Já o tuxaua Jacir José de Spuza, da comunidade Maturuca, disse que eles estão preparados para “participar ativamente do desenvolvimento do país”.

Colocando-se compromissado com os pedidos dos índios, e afirmando que iria colocar todas as reivindicações sobre a apreciação da Comissão Nacional de Política Indígena, o presidente Lula prometeu luz elétrica à comunidade. Como a região é de difícil acesso, em serras, foram instalados geradores para a visita de Lula, observando a situação, ele disse: “Já pedi para o Jucá ligar para o governador e deixar essa luz aqui. E chegando em Brasília, vou pedir para o ministro de Minas e Energia vir aqui para resolver esse problema. Já levamos energia elétrica a mais de 12 milhões de pessoas, com o Luz Para Todos, e queremos levar para cada brasileiro”.

Comentando sobre os 500 anos de descaso com os índios, e seu sofrimento, Lula disse: “Por mais que a gente faça, sempre teremos muito mais a fazer, para recuperar o atraso a que vocês foram submetidos, de esquecimento. Nós haveremos de recuperar isso”.

Lula ganhou um cocar, foi defumado pelos pajés, plantou uma árvore, entregaram-lhe um arco e uma flecha para ele fazer uso, mas em vão. Não conseguiu atirar a flecha. Os índios tiraram um gostoso sarro, e o aplaudiram.

LULA CRIA SECRETARIA ESPECIAL DE TRATAMENTO DA SAÚDE INDÍGENA

O Diário Oficial da União (DOU) do dia de hoje, 25, publica a Medida Provisória assinada pelo presidente Lula, que cria a Secretaria Especial de Tratamento da Saúde Indígena, que irá compor a estrutura central do Ministério da Saúde, responsabilizando-se por elaborar, propor e implementar as políticas públicas de promoção e proteção da saúde indígena, que eram reservadas à Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). O DOU traz também os detalhes do funcionamento da Secretaria e como os cargos a serem criados serão preenchidos.

Eu ia deixar para assinar a medida no próximo dia 19, Dia do Índio, mas aí eu percebi que aqui ia haver muito índio, e que algum deles podiam estar armados e então eu resolvi assinar logo”, disse Lula, em tom de brincadeira.

Falando para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre a importância da Secretaria, o presidente Lula disse: “A Secretaria poderá começar a funcionar logo, e eu espero que a gente faça mais e melhor do que a gente vem fazendo. Agora a responsabilidade será maior porque antes você tinha alguém para culpar. Hoje, o responsável é você e vamos cobrar diretamente de você”.

FIM DO PRAZO PARA ARROZEIROS DEIXAREM “RAPOSA SERRA DO SOL”

Hoje, dia 30 de abril, em meio a protestos e comemorações, termina o prazo para os arrozeiros deixarem a “Terra Indígena Raposa Serra do Sol”. Segundo alguns moradores da terra que terão que deixar a área, o tempo não foi suficiente para preparem suas saídas. De acordo com esta situação, apresentada por eles, suas afirmações é que não vão deixar a terra. “O arroz ainda não está no ponto para ser colhido, só depois do dia 15”, afirmou um proprietário.

Para o presidente do Supremo Tribunal Federal – STF, Gilmar Mendes, a permanência destes só será possível se o relator Aires Brito permitir prorrogar o prazo. Se não houver prorrogação, os arrozeiros serão retirados pela Polícia Federal.

A FAZENDA DEPÓSITO DE QUARTIERO

Segundo declarações de alguns visitantes à Fazenda Depósito, situada na terra indígena que ocupa 4,5 mil hectares, de propriedade do fazendeiro Paulo César Quartiero, o cenário é de total destruição. Por ordem do proprietário, que mandou não deixar nada para os índios poderem usar, os funcionários quebraram todos os objetos e feitorias da fazenda. “Tinha banheiro, quarto com ar-condicionado e poços artesianos. Tiramos tudo porque a cultura deles é ficar debaixo das malocas de palha e buscar água nos rios. Se querem viver isolados, não vão precisar dessa coisas”, afirmou o funcionário da fazenda, Anderson Borges, para finalizar, frustrado: “Infelizmente não deu para quebras as estradas”.

Para alguns funcionários das fazendas, suas condições de vida vão piorar, pois recebiam dois salários com direito a gratificações, e agora só vão receber o seguro desemprego. Todavia, o governo estuda planos de como modificar esta situação.

A ADMINISTRAÇÃO DO QUE RESTAR

Com a saída dos arrozeiros, o governo se disponibilizou a administrar o que restar nas terras. Vai fazer a colheita do arroz e cuidar do gado.

Quanto às benfeitorias que restarem, serão distribuídas entre os índios.

ENSINO DE SAÚDE INDÍGENA NOS CURSOS DA UFAM

O Ministério Público Federal do Amazonas estará promovendo amanhã, quarta-feira, dia 29, às 14:30h , no auditório do Ministério Publico do Estado do Amazonas, Antônio Carlos Bandeira de Araújo, anexo da Procuradoria Geral de Justiça, na Avenida Coronel Teixeira, 7995, bairro Nova Esperança, uma Audiência Pública Sobre Saúde Indígena, organizada pela procuradora Luciana Portal Gadelha.

O encontro, cujo convite se estende aos médicos, antropólogos, psicólogos, sociólogos, assistentes sociais, juristas, prefeitos, parlamentares, e estudiosos das áreas afins, tem seu tema originado no caso da menina tukano, L.B., de 12anos, que fora picada por uma cobra, e ao ser internada em um hospital da capital, teve seu diagnóstico conturbado no momento em que as duas culturas, com suas semióticas médicas sustentadas em suas verdades antropocientíficas diferentes, tentaram fazer prevalecer seus discursos diante do caso clínico.

Foi então que o Ministério Público Federal do Amazonas interveio, mostrando a necessidade de atender às exigências dos membros da etnia tukano, que pretendiam usar a terapia própria de sua cultura. Assim, foi possível realizar um tratamento, cuja terapia foi constituída dos saberes e fármacos das duas culturas. O que levou a criança a ser curada. Um fato por si mesmo singular, pois de acordo com o diagnóstico da medicina estruturada pelos saberes emanados da imagem dogmática do pensamento do Estado, a criança deveria ter a perna amputada. O que não aconteceu em função da atuação da medicina indígena juntamente com a medicina institucional.

Entretanto, apesar do encontro proporcionar a discussão sobre as relações e práxis terapêuticas entrelaçadas das duas medicinas, seguindo seus signos culturais quanto aos diagnósticos e curas, o que salta como elemento de forte implicância é o exame sobre a possibilidade da inclusão da disciplina “Ensino da Saúde Indígena” nos currículos dos cursos de Medicina e Enfermagem. Uma proposta antropo/pedagógica fundamental para auxiliar os educandos dos dois cursos a terem experiências para além do constituído como saberes necessários aos Estado. Uma proposição que vai mexer com o conceito de medicina hegemônica a encontrada nos hospitais e clínicas.

Uma disciplina que além de deslocar os educandos da ordem perceptiva/cognitiva da chamada cultura letrada, levando à outras percepções e outras cognições, no contato com os signos culturais indígenas, vai auxiliá-los no maior entendimento sobre o conceito de Saúde do SUS, que implica, também, o conceito antropológica/social, que a maioria dos profissionais da saúde desconhecesse.

ÍNDIOS COMEMORAM PLACAR FINAL DE BASQUETE: 10X1

O Supremo Tribunal Federal decidiu, em votação de onze ministros, a favor da demarcação contínua das terras da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Um placar digno de uma partida de basquetebol.

Em decisão que levou a discussão para outros casos de demarcação no Território Nacional, até o presidente do Superior Tribunal Federal, Gilmar Mendes, votou a favor dos habitantes da reserva.

Com a decisão do Supremo, os não-índios, leia-se, principalmente os arrozeiros, terão que deixar o território indígena.

Como se diz, no popular: “Agora é pra valer!”. É só correr para o abraço e dançar com a Raposa, até enquanto o Sol pintar a Serra.

Parabéns à justiça brasileira, e principalmente aos índios às ONGs, aos religiosos, aos antropólogos, parlamentares, todos que tiveram durante toda essa jornada demarcação à dentro, envolvidos para que os verdadeiros proprietários do Brasil tivessem seus corpos resguardados em suas terras tecida por seus elementos incorporais, sua expressão cultural.

A FESTA NA RAPOSA SERRA DO SOL PODE SER HOJE

Neste momento, 15:30h, faltando apenas o voto do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, que fez comentários contrários a forma de demarcação das terras indígenas, é quase certo que a festa na Terra Raposa Serra do Sol, reserva indígena em Roraima, aconteça.

Com a confirmação da votação de 9 a 1 a favor da demarcação contínua, voto contrário do ministro Marco Aurélio, os índios já se põem em pé de festejo.

Durante o processo de analise e votação do tema, muitos foram os comentários, principalmente a favor da demarcação contínua, mas não faltaram opiniões contra que tentaram mudar o resultado. Uma delas foram os argumentos usados pelo ministro Marco Aurélio de Mello, para confirmar porque era contra. Para ele a demarcação deveria passar por um amplo debate envolvendo todas instâncias implicadas. Fato atualmente impossível de ser realizado, já que a demarcação ocorreu há anos passados.

Já o ministro Gilmar Mendes orientou seu comentário em direção da FUNAI. Assim, o ministro afirmou: “O processo de demarcação é muito sério para ser tratado pela FUNAI. Tem que ter audiência com os mais diversos entes”. E concluiu: “Nós estamos pela primeira vez deixando uma orientação para a questão de demarcação, com todas as suas orientações”.

Por sua vez, o presidente da FUNAI, Márcio Meire, respondeu: “A prova é que a própria identificação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol hoje foi consagrada pelo Superior Tribunal Federal – STF, por 9 a1 até agora, dos votos já eximidos”. Para manifestar que o trabalho da FUNAI em seus 42 anos é correto, disse: “Nosso trabalho é adequado, correto, feito com bases técnicas e que o resultado dele á a quantidade e a qualidade das terras indígenas existentes no Brasil”. Correspondendo, segundo ele, a 13% das terras nacionais mais protegidas ambientalmente.

DECISÃO JURÍDICA SOBRE A SAÍDA DOS ARROZEIROS

Falando em entrevista, sobre a saída dos arrozeiros da reserva indígena, o ministro do STF, Carlos Ayres Brito, afirmou: “Vai ser decidida hoje se será a partir da publicação do acórdão, ou a partir de hoje mesmo, ou se o tempo mais será concedido”. Sobre se a indenização dos arrozeiros pode ser decidida no judiciário, o ministro afirmou: “O campo da indenização neste momento é exclusivamente do Poder Executivo. Ele entra direto em contato com as partes, faz sua proposta conforme o caso, só há indenização quando há ocupação de boa-fé. Se não houver o consenso é possível que sim”.

ÍNDIOS DA RAPOSA SERRA DO SOL REALIZAM CULTOS

ENQUANTO ESPERAM DECISÃO DO TSF

Enquanto os ministros se reúnem no Tribunal Superior Federal, pela terceira vez, para julgar a constitucionalidade, ou não, da demarcação contínua das terras indígenas Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima, os índios encontram-se, executando ritos singulares que expressam a originalidade de sua cultura, esperando o resultado do julgamento que já conta com o voto de alguns ministros a favor.

Segundo últimas informações, o ministro Marco Aurélio, em seu discurso, deixou evidência que votará contra.

De acordo com as palavras do cacique Martinho Macuxi, representante do Conselho Indígena de Roraima- CIR, espera-se um resultado favorável. Para confirmar seu otimismo, Martinho Macuxi, disse: “Temos 35 anos de luta. Conseguimos que limitassem, demarcassem e homologassem a terra. Acreditamos que tudo isso deva ser confirmado como está.” Neste otimismo, os índios acreditam que a cerimônia de comemoração pela decisão favorável será realizada ainda hoje, como uma grande festa.

Enquanto isso, por sua parte, os arrozeiros, e os que são contra a demarcação contínua, afirmam que vai haver muito conflito.

AS CIÊNCIAS NO CASO DA MENINA INDÍGENA QUE TEVE A PERNA PICADA POR COBRA

No início de janeiro deste ano, uma índia de 12 anos, pertencente a uma aldeia da etnia Tukano, do São Gabriel da Cachoeira, deu entrada no Hospital João Lúcio por ter sido picada na perna por uma cobra jararaca. No dia 13 de janeiro, parentes da menina ligaram para o Ministério Público Federal no Amazonas relatando que no dia seguinte (14) seria feita, às 8h da manhã a amputação da perna por cirurgia, devido à perna apresentar necrose irreversível, segundo médicos. Como os índios parentes da menina eram contra a amputação devido a determinadas crenças indígenas, imediatamente procuradores do MPF/AM visitaram a menina e recomendaram expressamente que nenhuma intervenção cirúrgica fosse realizada sem que lhes fosse comunicada. E, no dia 15, o MPF/AM recomendou ao hospital que permitisse paralelamente ao tratamento médico o tratamento por práticas tradicionais de saúde tukanas, conforme recomenda a Constituição Federal, a convenção 169 da OIT e a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas.

Em recomendação, o MPF orientou a direção do hospital que garantisse um quarto individual para que o tratamento indígena fosse feito junto com a terapia médica comum; que fosse permitido o livre acesso e a permanência no hospital de um pajé e seus assistentes; respeito aos métodos medicinais do pajé, assim como alguns pedidos feitos por ele, como a proibição da entrada de mulheres grávidas e menstruadas no quarto.”

Como os familiares da menina perceberam resistência do Hospital João Lúcio em cumprir o recomendado, retiraram-na de lá e transferiram-na ao Hospital Universitário Getúlio Vargas. A menina, que estava subnutrida e com parte da perna acometida de necrose, passou a ser tratada pela medicina alopática à base de antibióticos e outros medicamentos e por rituais e medicamentos tradicionais indígenas. A partir daí a menina passou a melhorar até mais rapidamente do que o previsto pelos médicos. Até sua alta ontem, dando continuidade com os tratamentos agora somente em casa.

MEDICINA INSTITUÍDA E MEDICINA INDÍGENA

O que escapa desse caso para uma discussão ético-científica medicinal é o embate que houve entre dois saberes separados pelo discurso oficial e pela pragmática constituída. De um lado, uma medicina científica, baseada em técnicas estudadas especializadamente, utilizando instrumentos especiais e medicações quimicamente formuladas e produzidas. De outro, uma medicina muito mais antiga, repassada continuamente durante toda a existência de um indígena, acompanhada de crenças milenares, com medicações produzidas naturalmente, tão científica quanto a outra.

O caso aparece como prática de resistência da medicina popular e indígena diante da medicina constituída oficialmente. Há um certo momento de imposição de um saber considerado “científico”, que passa a atuar como se tivesse se auto-originado, como se não tivesse advindo das relações entre homens em culturas vivificantes de conhecimentos, como as dos chamados índios e negros, por exemplo. É aí que saberes como a medicina operam a separação entre especialistas (médicos “donos da vida”) e a população, destituindo esta de seus saberes que poderiam ajudar aquela em muitos casos que a ciência oficial não compreende e não consegue resolver isolada do mundo, como salienta a procuradora Luciana Portal Gadelha:

O sucesso do ‘diálogo intercultural’ depende de uma efetiva tentativa de comunicação entre as partes (família, pajé e equipe médica do hospital), sem compreensões e visões de mundo pré-definidas, colocando-se cada qual no lugar do outro, ou seja, diálogo com o pressuposto da igualdade entre as culturas indígenas e do homem branco ocidental.”

Leia aqui na íntegra a notícia do MPF/AM.

SIGNO INDÍGENA É VIOLENTADO PELOS INTENTOS DA COPA

A mídia seqüelada de Manaus publicou, hoje dia 5, com ostentação, as imagens do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e de um representante da FIFA, cada um com um cocar na cabeça. Lógico, que alguém do governo estadual deve ter realizado a violenta prática, já que as duas figuras não iriam por livre e espontânea decisão configurar as imagens violentadoras. Não que ambas sejam antropologicamente cônscias da violência, mas por que executando tal ato estariam, de uma certa forma, mostrando claramente tendência à favor de Manaus como sede escolhida para copa de 2014. O que implicaria atrito com as outras duas capitais: Belém, forte concorrente, e Rio Branco, também disparada em relação à Manaus. E como Ricardo Teixeira se mantém na presidência da CBF por conluios com presidentes de Federações, não jogaria contra si mesmo.

A DISCRIMINAÇÃO PERVERSA CONTRA A CULTURA ÍNDIO

O que evidencia a estupidez de uma sujeito é sua limitação para discernir o que existe além de sua realidade. Para este sujeito o mundo fora de si é pura abstração: não se concretiza como autônomo, independente. E quando trata-se de relações culturais aí que a impossibilidade de discernimento se mostra mais real.

O não estúpido sabe que a cultura de uma povo é o produto das experiências deste povo transformadas em sentidos e representações como expressões de sua identidade. Todos os corpos matérias e imateriais que compõem sua cultura foram produzidos nos processuais de seus percursos empíricos. Nenhum objeto material ou imaterial nasceu como supérfluo, como ocorre na sociedade da opulência do capitalismo consumista, como fala o filósofo Marcuse.

O colere, o signo etimológico latino de onde se origina a palavra cultura, demonstra que toda produção é um ato de cultivar a vida como afirmação para a habitação do homem. Assim o índio não criou nenhum objeto fora de sua realidade ontológica. Todos os objetos de seu inventário cultural carregam a força afirmadora de seu habitat como vida. Por isso, ao contrário do que imagina, e exibe, a estúpida consciência branca, um cocar é um signo transportador de força afirmativa da cultura indígena. Nunca um adereço alienado de sua realidade como quer a consciência branca que o reificou em peça de museu-turístico para ser usado como mercadoria de sedução para tocar o capitalismo, no caso, a FIFA e a CBF. Um cocar não é signo desativado da vida, como qualquer bijuteria da cultura fetichista branca que serve aos seus propósitos vazios. Um cocar é real atuação indígena. Nunca glamour sem causa social.

Desta maneira, o que se depreende desta violência cultural é que um governo que faz uso e abuso desta discriminação não pode jamais enunciar que está preocupado com a cultura indígena como é alardeado. Mormente, agora que o governo federal põe em prática uma política ligada a preservação não só dos territórios indígenas como também a valoração de sua cultura.

Com a palavra contestatória os próprios índios e os antropólogos das instituições, principalmente da UFAM. Mas nada dos ‘antropólogos’ saudosistas da hippielândia. Estes são tão branquelos como o “funcionário” do governo que usou o cocar como signo violento de sedução.

E mais, o futebol que o índio sempre jogou não tem semelhança com o da FIFA,CBF, mídia, e muitos menos dos governos telúricos.

A VOZ DAS ETNIAS INDÍGENAS NO FÓRUM PAN-AMAZÔNICO

De todas as partes da América Latina, povos indígenas estão reunidos hoje, no pavilhão da UFRA, apresentando suas propostas para um mundo melhor.

A defesa da Amazônia, a crítica ao modo de produção capitalista e ao imperialismo panóptico dos estados pseudo-socialistas e liberais, o clamor por um estado democrático, são as pautas da campanha “POVOS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA – Presente e Futuro da Humanidade”.

Na democracia indígena, que toca numa zona de vizinhança a democracia grega, a liberdade, a inteligência, o diálogo e a potência-povo predominam. É esta potência como linha intensiva da virtualidade que se atualiza ora no fórum, onde todos podem dar a sua contribuição e trocar informações, idéias, afetos, canções…

Essa prática que vem ocorrendo, de reflexão para salvar a natureza. Se você observar, as florestas que estão perservadas são as terras indígenas. Mas a todo momento os governos, os brancos continuam tentando acabar com tudo, devastar e deixar todos nós na miséria” (Gideão Aradium, de Santarém).

GOLEADA DO STF PELA DEMARCAÇÃO CONTÍNUA DA TERRA INDÍGENA RAPOSA SERRA DO SOL

Valter Campanato/ABr

Brasília – Indígenas acompanham no Supremo Tribunal Federal (STF) a retomada do julgamento que define a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Além dos povos que vivem na Raposa, participam os integrantes da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) Foto: Valter Campanato/ABr

“Como disse Einstein, é muito mais fácil desintegrar um átomo do que desfazer um preconceito; nós aqui estamos desfazendo um preconceito multisecular.” (Carlos Ayres Britto)

A questão em torno da Demarcação Contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol ainda não foi finalizada hoje, mas o placar do Supremo Tribunal Federal (STF) já garantia a goleada irreversível a favor dos indígenas.

Já eram seis dos onze ministros a votar pela manutenção da demarcação, quando o ministro Marco Aurélio de Mello pediu vistas do processo, o que leva a finalização da votação para o próximo ano, o que foi criticado pela advogada Joênia Batista de Carvalho, que é da etnia Wapichana e representante das etnias indígenas da Raposa Serra do Sol, porque “vai prorrogar por mais tempo a solução de um caso que já deveria ter sido concluído”.

Além do entrave de mais um pedido de vistas, algumas ressalvas que foram acrescentadas por alguns ministros, principalmente Carlos Alberto Menezes Direito, que havia feito o pedido de vistas anterior, e dessa vez votou favorável, mas com dezoito ressalvas, são preocupantes. É o que aponta a lúcida e atenta senadora Marina Silva: “Sorte que, dos dezoito pontos apontados pelo juiz Direito [o ministro Menezes Direito, primeiro a votar hoje], alguns já fazem parte da legislação e da própria Constituição, mas outros, no meu entendimento, são preocupantes, porque eles criam muitos obstáculos para as futuras demarcações e evitam processos reparatórios em relação a injustiças que foram praticadas no passado em demarcações que não contemplam os territórios originalmente ocupados pelos índios.”

No entanto, ponto positivo é que todos os votantes contestarem veementemente o pedido dos arrozeiros de uma “demarcação em ilhas” e o ministro Carlos Ayres Britto, relator pela demarcação em área contínua, devido ao placar, já adiantou o pedido de cassação da liminar que suspendeu Operação Upatakon 3, da Polícia Federal, para retirada dos arrozeiros da Serra do Sol.

VAGAS PARA ESTAGIÁRIOS INDÍGENAS NA CAIXA ECONÔMICA ESTÃO ABERTAS

A Caixa Econômica Federal está abrindo 300 vagas de estágio para indígenas em todo o Brasil para os níveis médios e superior, em diversas áreas. As vagas serão preenchidas de acordo com a necessidade do banco federal em cada Estado. Para participar da seleção do estágio de nível superior, a Caixa exige que o estudante esteja no terceiro semestre letivo, para cursos de três a três anos e meio de duração, e no quinto semestre para cursos com quatro e cinco anos. Há vagas para áreas como administração, direito, psicologia, comunicação, engenharia, entre outras.

As inscrições devem ser feitas no Centro de Integração Empresa-Escola-CIEE (www.ciee.org.br) e Instituto Euvaldo Lodi – IEL (www.iel.cni.org.br).

Foi um protocolo de intenções assinado esta semana entre a Caixa Econômica Federal e a Fundação Nacional do Índio (Funai), com vigência de dois anos, que possibilitou esta ação. Para Olavo Perondi, gerente operacional de Responsabilidade Sócio-Empresarial da Caixa, o banco federal está “assumindo uma ação de responsabilidade social, de ajudar essas pessoas a se inserirem no mercado de trabalho e concluírem os estudos“.

Olavo Perondi, ainda falou sobre:

A dificuldade dos indígenas em concluírem seus estudos – “Eles até conseguem acesso ao ensino superior, por causa da política de cotas, mas muitos não permanecem porque não têm condições financeiras de se manter, comprar livros, alimentos”.

A quantidade de vagas oferecidas – “Sabemos que 300 vagas é pouco, mas tem um caráter simbólico, pois os indígenas podem ter acesso a estágio na Caixa através de outros meios, inclusive através da cota do Prouni – que tem duas mil vagas atualmente”.

Fonte: Diário de Pernambuco.

FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDÍGENAS

O Ministério da Educação aplicará R$ 4,9 milhões na política de formação de professores indígenas que ainda não possuem curso superior. Para isso, contará com a participação de 12 universidades que já estão trabalhando com os índios.

Três são as ações objetivadas pelo curso:

1- Implantar e desenvolver o curso;

2- Executar a formação;

3- Elaborar projeto do curso.

As 12 universidades federais e estaduais que quiserem participar do Programa deverão apresentar projeto com o número de alunos por curso, proposta orçamentária e preenchimento de formulário do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pela transferência dos recursos aos programas do MEC.

TERRA INDÍGENA RAPOSA SERRA DO SOL: O DEMOCRÁTICO VOTO DE AYRES BRITTO

O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu ontem à tarde a votação da questão que julga a manutenção ou não da Terra Indígena Raposa Serra do Sol em área contínua. Dos onze ministros do STF, somente o relator, Carlos Ayres Britto, votou. Em seguida, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito pediu vista do processo, retardando a votação. O ministro Direito não quis dar entrevistas, mas outros ministros e outros defensores da Raposa Serra do Sol não viram assim. O pedido, segundo eles, ocorreu mais pela importância do voto do ministro Ayres Britto. Como disse a senadora Marina Silva (PT-AC), que acompanhou a votação:

O voto do relator é uma síntese da competência técnica da postura ética e da poética que ele tem.”

Como já dissemos aqui neste bloguinho, porque não é somente uma votação, pode ser um marco de jurisprudência. Então, diferente de posturas apressadas, como no caso dos habbeas corpus de Gilmar Mendes a favor de Daniel Dantas, observando a importância do STF e a argüição nas questões judiciais, o ministro Ayres Britto caprichou no seu voto. Foram cerca de três horas de defesa pela continuação da demarcação da Raposa Serra do Sol em área contínua. Britto discursou com lucidez e autoridade de quem esteve presente in loco e analisou racionalmente os diversos pontos da questão.

A votação foi retardada, mas deverá ser votada ainda este ano. E Para todos que querem compreender os acontecimentos envolvendo a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em especial aos estudantes de Direito, faz bem uma boa leitura na íntegra do voto de Ayres Britto disponível no site do STF para baixar em pdf. Boa leitura!

NAZISMO E GUERRA JUSTA NA RAPOSA SERRA DO SOL

Ontem, há quatro dias da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão envolvendo a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol em área contínua, o principal opositor a sua efetivação, o prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero, que já foi duas vezes preso por atos violentos em relação aos índios, agora parece ter resolvido tentar intimidar até a Polícia Federal, em entrevista à Agência Brasil, compara-a à Gestapo alemã:

Eu me sinto orgulhoso de estar sendo processado e investigado pela Gestapo [polícia secreta alemã ligada ao nazismo] tupiniquim que é a Polícia Federal.”

E arremeteu na mesma leva também o Ministério da Justiça:

“Junto com o Ministério da Justiça, ela [Polícia Federal] está vendida ao interesse internacional e eu diria que atenta contra os interesses diretos da nação brasileira.”

Pelas ações violentas protagonizadas por Quartiero e seus jagunços contra os índios e para retardar a demarcação, desde a homologação das terras pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, em 2005, pode-se inferir pelo enunciado de violência do arrozeiro que ele gostaria que a Polícia Federal, republicana como tem sido, passasse a agir como a Gestapo, ou seja, a seu favor, e pela aniquilação dos índios da Raposa Serra do Sol. Só que Quartiero está alguns séculos atrás, pela sua prática em tratar com os índios, ele gostaria de estar protegido, como bom “patriota”, por um Marquês de Pombal, que, com seus descimentos e guerras justas, garantisse-lhe a posse das terras, da força de trabalho, da religião, dos costumes, de toda a cultura indígena, paralisada pela civilização.

E os arrozeiros de Roraima parecem estar à vontade para enunciar violentamente. Perguntado se iria a Brasília, Quartiero respondeu que precisa ficar defendendo sua fazenda dos “invasores”, mas que lá contará com a defesa, por “sentimento patriótico” do advogado e ex-ministro do STF Ilmar Galvão. Na semana passada, o jurista Dalmo Dallari afirmou que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, é um dos “principais articuladores do processo de resistência à demarcação em área contínua da terra indígena Raposa/Serra do Sol” e que o presidente do STF, Gilmar Mendes, não deveria participar do julgamento dessa questão, pois “não será um juiz isento”. Ambos, segundo o jurista, já participaram de disputas judiciais contra demarcações de reservas indígenas.

É a linha contínua que passa pela inscrição do código “índio” pelo branco-europeu e segue, mantendo sua serialidade e sua regularidade, até os dias atuais sempre ao lado da linha dura de poder. Entre as guerras justas, o nazismo e os arrozeiros de Roraima há uma repetição: o aniquilamento étnico total a partir do enunciado de violência.

A decisão da próxima quarta, como aponta o professor José Geraldo Souza, é fundamental, pois poderá consolidar esse processo, abrindo definitivamente o precedente de impedimento judicial de demarcação de reservas indígenas, ou, ao contrário, afirmará linhas democráticas em favor da atuação política das minorias.

Sabe-se que para os índios-antes-de-serem-índios não existia demarcação circunscrita, eram nômades, viviam em um espaço liso (Deleuze/Guattari). Depois de toda a demarcação em espaço estriado, é necessário flexibilizar as linhas desse espaço. Assim como o colonizador europeu chegou dizendo que a terra era sua, Quartiero fala em “meu município”. É o arremetimento da propriedade privada capitalística contra as comunalidades democráticas. Para o STF, a decisão mostrará duas coisas: uma, se o judiciário brasileiro acompanha a linha democrática do governo Lula; e, duas, se atua para confirmar a Justiça ou o Etnocídio.

Próxima Página »


Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

_________________________________

BLOG PÚBLICO

Propaganda Gratuita

Você que quer comprar entre outros produtos terçado, prego, enxada, faca, sandália, correia, pé de cabra ou bola de caititu vá na CASA UYRAPURU, onde os preços são um chuchu. Rua Barão de São Domingos, nº30, Centro, Tel 3658-6169

Você quer um corte de cabelo para completar o seu corpo ativo vá ao SALÃO DO SOUZA, o cabelereiro do executivo. Rua Rio Javari- Vieiralves

Pão Quente e Outras Guloseimas no caminho do Tancredo.
PANIFICADORA SERPAN (Rua José Romão, 139 - Tancredo Neves - Fone: 92-8159-5830)

Fique Frio! Sabor e Refrescância!
SORVETERIA SEMPRE FRIO (Todos os dias, na Praça de Alimentação do Dom Pedro).

O Almoço em Família.
BAR DA NAZA OU CASA DA VAL (Comendador Clementino, próximo à Japurá, de Segunda a Sábado).

Num Passo de Mágica: transforme seu sapato velho em um lindo sapato novo!
SAPATEIRO CÂNDIDO (Calçada da Comendador Clementino, próximo ao Grupo Escolar Ribeiro da Cunha).

A Confluência das Torcidas!
CHURRASQUINHO DO LUÍS TUCUNARÉ (Japurá, entre a Silva Ramos e a Comendador Clementino).

Só o Peixe Sabe se é Novo e do Rio que Saiu. Confira esta voz na...
BARRACA DO LEGUELÉ (na Feira móvel da Prefeitura)

Preocupado com o desempenho, a memória e a inteligência? Tu és? Toma o guaraná que não é lenda. O natural de Maués!
LIGA PRA MADALENA!!! (0 XX 92 3542-1482)

Efeitos Justos para Suas Causas.
ADVOGADO ARNALDO TRIBUZY - RUA COMENDADOR CLEMENTINO, 379, SALA C (8114-5043 / 3234-6084).

Decepcionado com seus desenganos? Ponha fé nos seus planos! Fale com:
PAI GEOVANO DE OXAGUIÃ (Rua Belforroxo, S/N - Jorge Teixeira IV) (3682-5727 / 9154-5877).

Quem tem fé naõ é um qualquer! Consultas::
PAI JOEL DE OGUM (9155-3632 ou paijoeldeogum@yahoo.com.br).

Belém tá no teu plano? Então liga pro Germano!
GERMANO MAGHELA - TAXISTA - ÁGUIA RADIOTAXI - (91-8151-1464 ou 0800 280 1999).

E você que gostaria de divulgar aqui seu evento, comércio, terreiro, time de futebol, procurar namorado(a), receita de comida, telefone de contato, animal encontrado, convites diversos, marocagens, contacte: afinsophiaitin@yahoo.com.br

Frente Blogueira LGBT

Outras Comunalidades

   

Categorias

Blog Stats

  • 2,485,564 hits

Páginas

 

junho 2012
D S T Q Q S S
« mai    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 77 other followers