Não basta que o homem tenha inteligência se alguns não usam sua faculdade intelectiva como práxis além da superstição que sai de sua imaginação. A mais baixa forma de inteligência. Não basta alguns afirmarem que têm opiniões próprias se não examinam o nascedouro dessas opiniões que sempre são carregadas de signos místicos e mitificados, signos oriundos da mais baixa forma de inteligência. E não bastam estes quererem conceber o mundo real nestas suas perspectivas limitadas, configuradas como ignorância, pois eles encontrarão sempre em suas frentes àqueles que chegaram às formas mais altas de inteligência e que revelarão o medo, o ódio e a dor que eles carregam.
Foi assim que aconteceu com Jesus Cristo, o filho de Maria. Cristo, por ser o “mais amado”, a potência do novo, o “eterno retorno” como Vida Alegre, o devir democrático, o evangelista da boa mensagem, teve que revelar que os sacerdotes judeus e o Estado Romano se mantinham na forma mais cruel de niilismo, o ódio contra a vida. O ressentimento em forma de vingança como perseguição.
Cristo, em seu engajamento libertário, foi tomado como inimigo pelas duas enunciações despóticas da dor. Mais ainda, porque Ele procurava libertar as almas individuais aprisionadas no rancor e no ressentimento, a mais baixa forma de vida, a exaltação do Não contra a vida. O que tentou fazer com os apóstolos. Ele sabia que cada homem livre pode construir, junto com outros homens livres, a existência da alegria de todos. Daí que Cristo não pregava um princípio moral, cuja axiologia de valores disseminasse a submissão, a impotência contra a vida expressa no pecado, na culpa, na acusação, no castigo, na recompensa e em um outro mundo eterno saído como prêmio para os que negaram a vida. Como fazem os disangelistas, os mensageiros da má notícia, a moral dos flagelados niilistas, que tem pavor da vida. Os que são possuídos pelo medo, que os torna escravos e tiranos. Existência de “escravo que não pode ser amigo”, existência de “tirano que não pode ter amigo”, como bem diz o filósofo alemão Nietzsche, um dos poucos que mais entendeu Cristo e a perversidade que os disangelistas fazem contra seus próprios irmãos usando seu nome.
O MEDO DOS EVANGÉLICOS E SEUS CANDIDATOS
Como esses chamados evangélicos – disangelistas – encontram-se dominados pelo mais baixo grau de inteligência, como afirma o filósofo holandês Spinoza, eles encontram-se incapacitados de pensar a democracia, já que a democracia não é um regime político construído pela paixão – um efeito irracional -, mas pela razão constituída como Direito Comum. Desta forma, participam das campanhas políticas movidos por seus medos como ignorância apaixonada, visto encontrarem-se privados do estágio lógico, o estágio que permite o exame do que é colocado como realidade para o sujeito racional. Então, absorvidos no que chamam de fé – não em Cristo, posto que não o podem concebê-lo como Vida -, tentam realizar suas campanhas todas calcadas em sua imaginações antidemocráticas.
É por isso que, movidos por seus ódios traduzidos em medos/vinganças, eles são capazes de fantasiar inúmeros impropérios, invectivas despudoradas contra a candidata da maioria do povo brasileiro, Dilma Rousseff, divulgando que ela é terrorista sanguinária, mata criancinha, é a favor do aborto, é contra as igrejas, que sua vitória nem Jesus Cristos lhe tira. Uma gama de injúrias que qualquer cristão em Cristo, o amante da Vida, jamais fantasiaria. Por isso, muito deles, como os da Assembleia de Deus no Amazonas, apoiam o candidato campeão de clichês, e que afirmou em pleno púlpito do Senado que ia dar uma surra em Lula e o chamou de idiota, Arthur Neto. Essa mesma Assembleia de Deus que tem a candidata do Partido Verde, Marina Silva, como uma de suas fiéis, e que vem fazendo campanha como apêndice do candidato Serra. O candidato que muitos desses evangélicos tentam ajudar com seus impropérios contra Dilma.
Mas há também os evangélicos – disangelistas – que são candidatos e que abusam de sua fantasia envolvendo o nome Jesus Cristo para seduzir estes tipos de evangélicos/eleitores e, assim, serem eleitos. Como, no caso aqui no Amazonas, o deputado Silas Câmara, que, em nome de seu ‘Cristo’, tem vários processos na Justiça brasileira, e sua mulher, bispa também da Assembleia de Deus, candidata à uma vaga na Câmara Federal, que teve o filho pego pela Polícia Federal com uma mala com mais de R$ 400 mil, segundo informações, para uso em sua campanha, apesar de ter afirmado tratar-se de doação para sua igreja feita por um empresário do município da Boca do Acre, no Amazonas.
Assim, estes disangelistas, presos em seus medos traduzidos em ignorância, pretendem ganhar o reino dos céus propaganda as más notícias de suas existências malogradas por seus baixos graus de inteligência. O que, por ironia, não os conduzirá aos céus, visto que aos céus só chegarão os simples, os puros, os não maculados pela ignorância de uma moral que traduz exatamente o que o sistema capitalista alimenta. A moral do medo. E nessa moral não existe pureza como passagem celestial.
Por tal razão, possivelmente nessa inquisição pós-moderna desencadeada por estes disangelistas eleitorais, Cristo, na potência de seu “eterno retorno”, alegre, afirmasse: “Eles não sabem o que dizem.”
Leitores Intempestivos