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Greve expõe problemas no processo de expansão do ensino superior

A greve deflagrada pelos professores do ensino superior, na semana passada, segue forte, com adesão rápida e crescente. Para o Comando Nacional de Greve do Andes-SN, a surpreendente mobilização se ancora no fato de que esta é uma greve atípica, centrada não na luta mais imediata da categoria por reajuste salarial, mas em questões conjunturais que afetam o conjunto da comunidade acadêmica.

Najla Passos

Brasília – A greve deflagrada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), na quinta (17) passada, segue forte, com adesão crescente. Já são 42 universidades paradas, além de dois institutos e de um centro de formação técnica. Duas outras instituições já oficializaram ingresso no movimento a partir da próxima segunda. Os servidores técnicos-administrativos discutem a adesão e assembleias estudantis representativas, em todo o país, referendam o processo. Cenário raro em tempos de desmobilização do movimento sindical.

Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande (UFRG), Billy Graeff, membro do Comando Nacional de Greve do Andes-SN, a surpreendente mobilização se ancora no fato de que esta é uma greve atípica, centrada não na luta mais imediata da categoria por reajuste salarial, mas em questões conjunturais que afetam o conjunto da comunidade acadêmica. E, consequentemente, o projeto de oferta de um ensino público de qualidade no país.

A pauta de reivindicações da categoria está centrada em dois pontos principais: a reestruturação da carreira docente, considerada pouco atraente e funcional há décadas, e a melhoria nas condições de trabalho.

A primeira, segundo o Sindicato, já havia sido negociada com o governo, para ser implantada até o final de março deste ano, junto ao reajuste de 4%, acordado em 2010. O reajuste saiu, por meio de medida provisória enviada ao congresso pela presidenta Dilma Rousseff em 14 de maio, mas a reestruturação da carreira permaneceu pendente. “Nós estamos negociando desde agosto de 2010, mas o governo se mostra intransigente frente às nossas reivindicações”, justifica.

A segunda decorre de uma insatisfação latente da categoria, compartilhada com estudantes e servidores técnicos-administrativos. “Os professores não suportam mais esses anos de expansão universitária irresponsável”, afirma o professor. Ele se refere ao programa de expansão universitária iniciado durante o governo Lula, o Reuni, mais efetivamente entre 2006 e 2008. Segundo o professor, aumentou-se o número de alunos matriculados nas universidades, sem a devida contrapartida em contratação de pessoal e ampliação da infraestrutura.

“Estamos preparando um dossiê da precarização para mostrar a verdadeira face do Reuni”, conta Billy. Conforme ele, os problemas são inúmeros, principalmente nos campi novos e nos cursos recém implantados. Faltam professores, laboratórios, bibliotecas, restaurantes universitários, casas do estudante e até banheiros. “Estamos levantando também a qualidade dos prédios recém construídos e os problemas ambientais decorrentes dessas obras. As denúncias são alarmantes”, antecipa.

Em entrevista coletiva nesta quarta (23), o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que todos os acordos firmados em 2011 com os professores universitários da rede federal foram cumpridos pelo governo. Segundo ele, a negociação referente à reestruturação da carreira é para 2013 e ainda está aberta. E acrescentou que há tempo até 31 agosto para enviar a proposta para a aprovação do orçamento no Congresso. “A greve faz parte da democracia, mas quando se faz um acordo e o governo cumpre, não consigo ver razões e necessidade de uma greve. Não há qualquer prejuízo material para os docentes”, esclareceu.

O ministro acrescentou que uma paralisação, neste momento, não contribui para o esforço que o Brasil faz para desenvolver o ensino superior. “São 220 mil novas vagas, 14 universidades e 132 novos campi para dar suporte a esse 1 milhão de matrículas. Desde 2005, investimos R$ 8,4 bilhões na reestruturação da rede federal. Somente em 2012, o investimento é de R$ 1,4 bilhão. Temos 3.427 obras”, anunciou.

Expectativas
No próximo dia 28, os professores realizam nova reunião com o governo para tentar solucionar o impasse.

No dia 5/6, outras categorias de servidores públicos federais se juntam aos professores para realizar uma marcha à Brasília. Após o protesto, realizarão plenária unificada em que será discutida a possibilidade de paralisação de novas categorias, a partir de 11/6.

Os servidores públicos defendem pautas específicas, mas também uma com eixos comuns, como a definição da data-base em 1° de maio; política salarial permanente com reposição inflacionária e reajuste linear em 22,08% (referente a soma da inflação de maio de 2010 e maio de 2012 e a variação do PIB neste mesmo período); e valorização do salário base e incorporação das gratificações.

Os servidores reivindicam, também, a retirada do Congresso dos projetos de lei e medidas provisórias que, conforme análise das categorias, ferem direitos conquistados pelos trabalhadores.

Carta Maior

MINISTRO DA EDUCAÇÃO PEDE AOS PROFESSORES DAS UNIVERSIDADES PARAQUE PARALISEM GREVE, MAS ELES DIZEM NÃO

O ministro da Educação, Aluizio Mercadante, tentou convencer os professores das universidades a paralisarem a greve que começou no di 18, e já conta com 44 universidades das 51 que existem no país, mas só ouviu um contestador não. Para Mercadante não há motivo para a greve porque “o governo demonstra todo o interesse em cumprir o acordo e há tempo para negociar”, mas os grevistas docentes não entendem assim e afirmam que só paralisarão o movimento quando o governo apresentar uma nova proposta para suas reivindicações.

De acordo com, Marina Barbosa, presidenta do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), não ocorreu nenhum fato novo que pudesse levar a greve à paralisação. O único fato foi o pronunciamento do ministro da Educação, que,segundo ela, mostra a força da greve. De acordo com Marina, há um grande apoio dos estudantes para que a greve continue.

Ela afirmou que embora os professores das universidades tenham conseguido um aumento de 4% e incorporação de algumas gratificações retroativas a março, entretanto a promessa de reestruturação da carreira o governo não cumpriu.

“O debate está acontecendo desde agosto de 2010. O dia 31 de março era o prazo definitivo para o governo apresentar a reestruturação da carreira, fechado a partir de um acordo emergencial feito em agosto de 2011. O processo corrido não justifica o atraso que ocorreu,, nem a posição irredutível que o governo tem mantido na mesa de negociação. Não apresentaram nenhuma proposta.

Estamos há praticamente dois anos negociando e não há predisposição do governo em movimentar suas peças no tabuleiro. E as condições de trabalho estão precarizadas, com muita crise ocorrida no processo de expansão das universidades”, analisou Marina Barbosa.

De acordo com as decisões dos comandos de greve, encabeçados pelo Andes, o movimento deve continuar até que o governo apresente proposta para ser analisada pela categoria nas  assembleias.

A greve dos professores das universidades foi deflagrada estimulada pelas reivindicações de incorporação de gratificações, acréscimo de titulação, melhores condições de trabalho e reestruturação do plano de carreira no campi criados com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), aumento do piso salarial dos atuais R$ 557,51 para R$ 2. 329, 35, valor calculado pelo Dieese.

A greve é um direito do trabalhador de tentar amenizar a tirania da mais-valia – se é que isso é possível. No caso dos funcionários públicos, que alguns especialistas da sócio-economia afirmam não dever existir, porque não há mais-valia no setor público, uma forma de mostra que a mais-valia encontra-se em qualquer território do Estado capitalista.

No caso do servidor público a mais-valia não lhe rouba apenas em seu salário, mas também em sua condição de se fazer funcionar em seu local de trabalho.                   

HOJE É DIA DE GREVE! DIA NACIONAL DE LUTAS

Os sindicatos das categorias dos servidores públicos federais de todo o país promovem hoje, dia 25, o Dia Nacional de Lutas. A manifestação, que envolve todos os funcionários públicos federais, tem como objetivo pressionar o governo federal que durante três anos não concede aumento aos servidores.

A reunião da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) com o Ministério do Planejamento realizada ontem, dia 24, acabou sem acordo, por isso a confederação criticou com veemência a intransigência do governo.

Os trabalhadores reivindicam a definição de uma política salarial, reajuste emergência de 28, 8% e de benefícios, definição de data-base, e retomada dos debates sobre o Projeto de Lei 2203/11, eu criou mudanças remuneratórias e estruturais em mais de 30 categorias do funcionalismo público federal.

E vamos à luta!     

POLICIAIS E BOMBEIROS FAZEM PRALISAÇÃO NO RIO

Em assembléia iniciada às 17 horas, com concentração na Cinelândia, em frente à Câmara dos Vereadores, os policiais militares e civis e mais os bombeiros decidiram por aclamação, às 23h 21, paralisar suas atividades. Foram 1,5 mil servidores que se fizeram presentes e decidiram seguir a ordem das lideranças para que sigam para suas unidades, e se recusem a sair.

Os policiais militares e civis e os bombeiros decidiram parar para reivindicarem um piso salarial de R$ 3,5 e a libertação do cabo Benevenuto Dalciolo que foi preso no dia 8 depois de voltar de Salvador onde foi acompanhar a paralisação dos policias baianos.

Com a decisão dos policiais e bombeiros em paralisar o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pediu ajuda ao Exército que colocou 14 mil soldados para patrulhar o estado, enquanto a Força Nacional de Segurança vai disponibilizar 300 homens para executar os serviços dos bombeiros.

A preocupação com a realização do carnaval, segundo o comandante dos bombeiros, coronel Sérgio Simões, não deve existir visto que ele será realizado com segurança, porque as forças federais e o efetivo que não aderiu à paralisação estarão trabalhando.

BAHIA: GREVE NÃO SE FAZ CONTRA A CIDADANIA

O direito irrestrito à greve não dá a nenhuma categoria permissão para aliar-se a bandidos ou insuflar a criminalidade, fazendo do pânico e da insegurança da população uma carta manchada de sangue na mesa de negociações. Desde que um segmento da Polícia Militar do Estado decretou greve, na última terça-feira, instalou-se o caos, a morte e o medo na vida da população baiana. Em cinco dias de paralisação, cerca de 52 assassinatos foram registrados, ademais de uma explosão nas ocorrências de roubos, arrastões e saques. Policiais encapuzados atacaram o transporte coletivo ; há suspeitas de cumplicidade com crimes e gangues que tem levado o pânico aos trabalhadores e às famílias.
Carta Maior (domingo, 05/02/2012)

GREVE DE POLICIAIS MILITARES E BOMBEIROS NO CEARÁ CAUSA APREENSÃO NA POPULAÇÃO

Há mais de cinco dias paralisados, policiais militares e bombeiros estão causando apreensão na população cearense. A greve que tomou conta de várias regiões do estado, modificando a rotina dos que necessitam dos serviços das duas instituições, como aeroportos, praias, comércio em geral, hospitais, prontos-socorros, logradouros públicos, etc, é resultado das reivindicações dos dois grupos que pretendem aumento salarial, melhores condições de trabalho, nomeação dos agentes que passaram em concurso público e seleção de novos profissionais.

Cidades como Juazeiro do Norte, Iguatu, Icó, Pique Carneiro, Acopiara, Baturité, Maciço de Baturité, entre outros municípios os agentes das duas instituições entraram em greve, até mesmo nas penitenciárias. E segundo últimas informações, a Polícia Civil pode também aderir ao movimento.

Com receio de algumas violências, como assaltos, motoristas e cobradores estão na possibilidade de parar, seguindo os comerciantes que por força dos arrastões fecharam suas portas.

Na sociedade humana, onde o medo criou a necessidade de proteção, principalmente institucional, quando esta falta só resta procurar a proteção metafísica. Assim, no caso especial do Ceará, haja Padim Pade Ciço!

Entretanto, a invocação ao Padim, parece que não vai ser tão intensa, visto que no começo da noite do ontem, o comando de greve dos policiais militares decidiu começar a tecer um acordo com o governo.

GREVE GERAL DOS TRABALHADORES NO CHILE

O Chile, desde 1995, não tinha um crescimento econômico tão grande quanto os 8,4% que se deram agora no primeiro semestre do governo de Sebastián Piñera. Por que então os trabalhadores chilenos estão fazendo hoje uma greve geral de 48 horas? Porque esse crescimento segue o conhecido esquema liberal e neoliberal: crescimento econômico aliado a desigualdade social. Para os analistas, o modelo econômico em vigor resultou na maior concentração de renda, aumentando a distância entre os mais ricos e os mais pobres do país.

Por tal, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) convocou uma greve que começou hoje e que continua oficialmente até amanhã, e que paralisa mais de 80 setores trabalhistas no País. A greve está sendo apoiada e organizada também pelos principais partidos da oposição, reunidos na frente chamada ‘Concertación’, e dos estudantes, que há mais de três meses realizam protestos contra o governo. Segundo a CUT, a greve se dá por“um Chile diferente” e relaciona, entre suas demandas, uma “educação pública de qualidade e uma nova Constituição”.

“Existe uma insatisfação dos chilenos com a qualidade da democracia e com o poder em geral, econômico e político. Ao mesmo tempo, apesar dos protestos e da insatisfação, fica aqui a sensação de que (os sentimentos) não vão afetar a estabilidade do país”, disse à BBC Brasil o analista Ricardo Israel, autor de um blog no jornal La Tercera, de Santiago.

Não á à toa pesquisas dos institutos Adimark e CEP, divulgadas no início do mês de agosto, colocam Piñera com record de rejeição, sendo 29% de aprovação e 62% de rejeição a seu governo.

O fundamental da greve chilena é que ela engloba a totalidade dos trabalhadores, que, juntamente com os estudantes, estão na resistência a um governo retrógrado, privatista, autoritário, que tenta minar a potência não apenas do povo chileno, mas de todos os sul-americanos.

BOMBEIROS DO RIO TÊM PROJETO DE LEI APROVADO NO SENADO

Foi aprovado por unanimidade pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado o projeto de lei de autoria do senador Lindber Farias (PT/RJ), o projeto de lei que anistia os bombeiros do Rio de Janeiro que foram presos depois de invadirem o Quartel-Central da corporação como forma de protesto por aumento de salários.

Agora, o projeto segue para a Câmara dos Deputados direto, sem necessidade de passar pelo plenário do Senado. De acordo com o relator do projeto de lei, Marcelo Crivela (PRB/RJ), a anistia dos bombeiros do Rio de Janeiro é diferente da anistias dos policiais e bombeiros militares do Rio Grande do Norte, Bahia, Roraima, Tocantins, Pernambuco, Mato Grosso, Ceará, Santa Catarina e Distrito Federal, punidos por praticarem protestos semelhantes.

JUÍZES FEDERAIS PLANEJAM GREVE POR SEGURANÇA E SALÁRIO

Preocupados com as ameaças de morte que vêm sofrendo pelo crime organizado, além de entenderem ser necessário aumento salarial, os juízes federais do Brasil vão se reunir em assembleia no dia 24 de março para estabelecer ou não um indicativo de greve ou paralisação da categoria. Foi o que afirmou o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Gabriel Wedy.

Não se surpreenderia se a carreira deliberasse por uma paralisação tal qual a feita na Espanha e em Portugal nos últimos três anos.

Estamos a cinco anos sem reajustes. Além disso, os juízes federais não compõem tribunais superiores e tem uma Lei Orgânica que os deixa abaixo do Ministério Público Federal (MPF) e da Advocacia-Geral da União (AGU)”, ajuizou o juiz Gabriel.

De acordo com o juiz Gabriel, são os advogados que durante 15 anos vêm sendo indicados para os tribunais superiores.

Quem traça as políticas do Judiciário nacional são as cúpulas dos tribunais superiores com as cúpulas do Executivo e Legislativo. Faltam juízes de carreira nos tribunais superiores para que possam traçar uma política satisfatória para a magistratura, que vem sofrendo um desprestígio”, analisou o juiz Gabriel.

O juiz Gabriel também comentou a insatisfação da categoria com a defasagem salarial que, segundo ele, foi a única categoria que não teve reposição salarial.

A única categoria que não teve reposição inflacionária dos subsídios são os juízes. Entre 2005 e 2010 tivemos apenas uma reposição das perdas inflacionárias de apenas 8,5%, enquanto a inflação foi de 32%. Foi um índice ainda baixo. Temos esperança que a presidenta Dilma resolva esse problema para que se reponham as perdas inflacionárias”, analisou Gabriel.

PORTUGAL REALIZA A “MAIOR GREVE DE SEMPRE”

Os dois principais sindicatos dos trabalhadores de Portugal – CGTP e UGT -, diante da situação econômica sufocante em que se encontram os trabalhadores portugueses e a sociedade de maneira geral que sofrem com a força econômica opressiva de mais um ciclo contraditório apresentado pelo capitalismo internacional que sempre procura suas soluções restringindo os direitos do povo, sacrificando-o com medidas cruéis para auxiliar as grandes empresas e o setor bancário, entraram hoje, dia 24, em greve geral no país.

Os dois sindicatos, que não se reúnem desde o ano de 1988, em uma greve geral, quando realizaram várias manifestações sindicais pelos direitos dos trabalhadores, tendem em seus protestos fazer a paralisação do transporte coletivo, trens, ônibus, aviões e serviços públicos como da saúde, contra as reduções salariais, o aumento dos impostos que o governo pretende realizar para diminuir o déficit público. Por isso o secretário-geral da UGT, João Proença, disse que esta é “a maior greve de sempre”, afirmando que a paralisação e a adesão ultrapassa aquela registrada há 22 anos atrás.

Falando sobre a greve geral, o sociólogo da Universidade de Coimbra, Elisio Estanque, disse que ele afirma o estado de incerteza que vive Portugal. “Talvez a greve não provoque mudanças radicais no rumo das medidas de austeridade, mas ela representa um elemento adicional de incerteza ao instável cenário do país”.

Para o trabalhador aposentado Leandro Martins, a greve é contra a política da direita, que são os trabalhadores que estão pagando pela crise. “São os trabalhadores quem estão pagando pela crise, não os banqueiros, não os acionistas das grandes empresas. Esta é uma greve contra as políticas de direita, para demandar novas políticas que sirvam ao povo português”, analisou Martins.

MÉDICOS COOPERATIVADOS CONQUISTAM SALÁRIO BOM, MAS AMEAÇAS NÃO ACABARAM

Qual é o valor do salário mínimo? Só sabe o Presidente Lula, seu governo e os trabalhadores que o recebem. Hoje está R$ 515,00, nos informa uma aposentada do INSS que declarou seu voto para a candidata Dilma Rousseff para presidenta do Brasil, para que continue os programas sociais do Sapo Barbudo.

Qual é o valor do salário de um professor? Depende, declara um docente da Prefeitura. Se tiver trabalhando há 14 anos no município, recebe o subsídio de R$ 1.279,01. Na SEDUC, com cinco anos, processo seletivo, com uma carga horária de 20 horas, sai a bagatela de R$ 1.019,90.

Qual é o salário de um médico terceirizado trabalhando no Estado, que deveria possuir seus próprios médicos efetivos, aprovados em concurso público?

Após a ameaça de greve coordenada pelo Instituto de Cirurgias do Amazonas – ICEA, depois também da ameaça de prisão feita pelo promotor Mirtil Fernandes do Vale contra a diretoria do referido Instituto, eles aceitaram o reajuste de 8,58% que eleva o salário mensal dos médicos para R$ 17.600,00 por mês. Com o reajuste, os médicos, que ganhavam R$ 1.023,00 por plantão de 12 horas, passarão a receber R$ 1.110,00.

O pior é o seguinte, mesmo com esse salário, já ameaçaram o governo que em novembro deverão voltar a negociar.

Lendo os matutinos de ontem e seguindo as orientações de um professor Lituano, Antropólogo autodidata que lecionava Antropologia Cultural no extinto Centro de Estudos de Comportamento Humano – CENESC, na Avenida Joaquim Nabuco, Padre Salesiano, Kazys Beksta (Padre Casimiro) nos falava que devíamos sempre ler as colunas sociais dos jornais e de quebra passar pelos classificados. Por quê? Perguntávamos. Ele respondia – são nessas colunas que as notícias estão escondidas.

Desde essa época, sempre tivemos a curiosidade de procurá-las. E hoje, passando exatamente por essas colunas, nos deparamos de novo com mais uma notícia-ameaça, que jornal nenhum estampou, comentou, divulgou. Ganharam dinheiro, é claro, pois um edital desse não é barato. Neste blog nós publicamos de graça, porque acima do lucro, nossa flechada visa promover o debate, principalmente quando a vida corre perigo. Leiam conosco:

O presidente da COOPERCLIM AM – Cooperativa de Clínica Médica do Amazonas, convocava todos os cooperados em número de 102 para se reunirem em Assembleia Geral Extraordinária, a ser realizada no dia 24 de maio de 2010, no Auditório do Conselho Regional de Medicina, às 18 horas com 2/3 dos cooperados presentes e às 19:00 horas com a metade mais um, para deliberarem a seguinte ordem do dia:

1. Definição do valor do capital da firma;

2. Encerramento das Atividades na Policlínica Danilo Corrêa e

3. Seguro Vida em Grupo/SERIT.”

Assina o edital o senhor Emerson Rios Carvalho Sena, Diretor-Presidente

Para quem não sabe, a Policlínica Danilo Corrêa fica situada na Avenida Noel Nutels, na Cidade Nova I. Atende milhares de pacientes. É mais uma Policlínica que deverá ficar sem médicos. Voltamos a insistir naquilo que publicamos recentemente neste blog. A cada dia que passa o Estado do Amazonas fica refém dessas cooperativas médicas.

Não adianta o Secretário de Saúde, Aguinaldo Costa, dizer que não há médicos especializados suficientes para dar plantão.

O que é necessário é a realização de concurso público, com Edital em nível nacional para termos médicos efetivos do Estado, acabando de uma vez por todas com o monopólio dessas firmas (não são cooperativas?) e do famigerado Processo Seletivo.

Enquanto isso, todos os trabalhadores que recebem seus R$ 515,00 e os demais que ganham dois, três, caminham na busca de um Brasil que prossiga melhorando cada vez mais a vida das pessoas, com suas políticas sociais, educação, transportes e, claro, com dinheiro para comprar o rango, pois um povo bem alimentado é sadio, não adoece e aí estaremos nos lixando para médicos que deverão buscar outras profissões, porque as doenças não mais existirão e o povo será feliz e alegre.

AMOR DE MÃE PARALISA GREVE DOS RODOVIÁRIOS

Algo estranho aconteceu na noite do dia (04) na cidade de Manaus, envolvendo o comando de greve dos rodoviários.

Por incrível que pareça, como sempre, na calada da noite, sem ouvir o coletivo, a Diretoria do Sindicato, que durante todo o dia se mostrava intransigente, que chamou o prefeito de mentiroso, que iam partir para tudo ou nada, surpreende sua categoria, as centrais sindicais, sindicatos de outras categorias que os apoiavam. Por míseros 4% de reajuste salarial e as outras reivindicações reduzidas a promessas, a greve é suspensa em 100%.

Comparando essa decisão com outra, lembramos de uma greve que envolvia professores do Estado e do município no início da administração do português Serafim Correa. Uma greve que era geral, bastou o prefeito oferecer R$ 300,00 merrecas de abono que os professores do município abandonaram a greve, fragilizando-a e causando péssima impressão que até hoje fica difícil falar em greve envolvendo professores do Estado e do município e ainda mais quando se tem um SINTEAM atrelado ao governo.

Com relação à greve dos rodoviários, o auditório do Sindicato dos metalúrgicos foi pequeno para acomodá-los. Naquele local, várias decisões foram tomadas, inclusive se cotizarem para pagar as multas que seriam aplicadas, bem como ir para o enfrentamento nessa quarta-feira, caso a polícia fosse autorizada a dirigir os coletivos.

O que pode ter acontecido na reunião envolvendo trabalhadores, patrões e autoridades trabalhistas de nossa cidade? Os patrões declaravam que não tinha como atender as reivindicações. Não havia dinheiro, que as empresas operam no prejuízo, o que levou até uma juíza declarar que: “Se vivem no prejuízo porque não deixam o serviço?”

Diante de tudo isso, divagando sobre as causas de tão despropositada decisão, percebemos que a força do capitalismo é tão sutil e motivou o término da greve.

Dia 08 é o segundo domingo de maio. Nada mais terno, sublime para uma sociedade de consumo, mascarada, egoísta, do que explorar uma data em que depois do natal é a que mais vende produtos no comércio.

O Dia das mães foi a causa do encerramento da greve dos rodoviários. As ruas da cidade, principalmente no centro, estavam desertas e quem consome, quem compra é o povo que anda de ônibus. A elite possui carro e vai ao shopping. O povão vai às antigas ruas de Manaus e ali gasta seu vintém. Os comerciantes estavam chorando que nem a torcida do Corinthians nesta madrugada. A Prefeitura e o Estado também perderiam dinheiro porque sem compra não há circulação de dinheiro e nem pagamento de impostos, e foi aí que a força das mães fez o coração duro do presidente dos rodoviários ceder.

Evidentemente que muitos rodoviários devem estar contrariados e cobrarão do presidente Josildo Oliveira, que poderá se defender dizendo o seguinte: Qualé, meu, tu não tem mãe?

MANAUS AMANHECE COM MOTORISTAS EM GREVE

1º de Maio – Dia do Trabalhador. A categoria cumprindo decisão tomada na manhã do dia 29 de abril de 2010, depois de acatar liminar da Justiça do Trabalho de cumprir as 72 horas para início da greve, esta foi deflagrada por volta das 14:50 da tarde de sexta-feira, deixando 400 mil usuários sem transporte.

Os ônibus no centro pararam na Rua Floriano Peixoto, Avenida Getúlio Vargas, no terminal de integração da Constantino Nery e provocaram grande engarrafamento ao longo da Avenida Djalma Batista.

Parte da população se revoltou porque pagaram a passagem e tiveram a viagem não concluída. Por causa dessa situação, uma média de 10 coletivos foram depredados.

Diante da reação dos usuários, a diretoria do Sindicato, tendo à frente o Presidente Josildo Oliveira, decidiram retornar ao trabalho normalmente, mas a partir das 04:00 horas do dia 1º de maio a categoria entra em greve por tempo indeterminado.

O sindicato reivindica 10% de reajuste salarial, aumento na cesta básica de R$ 125,00 para R$ 200,00 reais, vale refeição de R$ 6,20 para R$ 10,00 e plano odontológico, além de reivindicarem melhorias no sistema e nos terminais dos ônibus.

O sistema de transporte coletivo, como afirmamos ontem, é caótico e tudo isso é o resultado da falta de políticas desses governantes que hoje administram o Estado e a atual prefeitura de Manaus.

A escola, como eles chamaram, começou com Gilberto Mestrinho voltando do exílio no Rio de Janeiro em 1982. Elegeu-se governador, depois veio Amazonino, Manoel Ribeiro, Artur, Eduardo Braga, Alfredo Nascimento, Carijó, Serafim Corrêa, Amazonino, e nada fizeram para resolver de uma vez por todas essa tristeza que é andar de ônibus em Manaus.

Essa escola, nos seus ensaios de resolverem esse problema, já fizeram de tudo. Copiaram os modelos de Curitiba, Fortaleza e Recife. Trouxeram várias vezes para a antiga EMTU um técnico considerado por eles um gênio. Era da equipe de Jaime Lerner, ex-governador do Paraná, chamado Euclides Rovani, para projetar o sistema, e nada.

Contrataram técnicos da EBTU de Brasília, da UNB, trouxeram um japonês com doutorado em transporte no Japão, chamado Tyshiochi Myamoto, mas descobriu-se depois que o transporte em que era especializado era transportar ovos de galinha de sua granja para os supermercados.

O vereador que foi como presidente na administração do Serafim para a EMTU, comunista, promoveu uma das maiores fraudes que já se viu em termos de licitações. Conseguiu monopolizar o serviço. Criou-se a Transmanaus. Uma única empresa fundindo a Cidade de Manaus, Vitória Régia, São José e Eucatur, todas com ônibus velhos, todos sucateados.

Os empresários do setor impõem suas vontades ao prefeito. Eles, através do Sinetran, é que ditam as normas. São eles que gerenciam o sistema, determinam o controle das carteiras de estudantes, impõem o fim do passe temporal e negligenciam relações trabalhistas com a categoria de trabalhadores do sistema.

Diante desse caos, a população vive triste, e, para complicar, está no projeto virtual desses governantes construtores de subjetividades tristes a projeção sob suspeita da construção do monotrilho, sistema ultrapassado em várias cidades onde o sistema funciona. Mais um engodo, mais uma enganação.

O Prefeito cassado e o presidente do IMTT, Raphael Siqueira, parece que nada é com eles, mas tanto o SINETRAN como o Sindicato dos Rodoviários denunciam que eles não fizeram nada para evitar a greve. O IMTT sequer montou uma alternativa para atender a população.

Enquanto isso, é 1º de maio, DIA DO TRABALHADOR.

MOTORISTAS RODOVIÁRIOS ENTRAM EM GREVE EM MANAUS

O transporte coletivo na cidade de Manaus é caótico. Entra prefeito, cassa-se prefeito e esse serviço essencial não beneficia a população usuária. São horas perdidas nos pontos de paradas esperando o buzão e ele não chega.

Quando chega, são sujos, vivem no prego, caindo peças pelo meio das vias, ruins para os usuários e para os trabalhadores da categoria.

Quem dormiu e quem ainda vai dormir nesta manhã de 30/04/10 poderá não ter ônibus para seu transporte, pois a categoria reunida, ontem, dia 29, pela parte da manhã, na sede do Sindicato dos Rodoviários, na Rua Belém, decidiu entrar em greve a partir das 4h da madrugada.

Segundo um dos diretores do Sindicato, Givanci Oliveira, vários órgãos públicos foram comunicados sobre a greve e que 60% da frota deixará de circular nesta sexta-feira, dia 30 de abril de 2010.

Falando ainda sobre a situação dos trabalhadores do sistema, Givancy Oliveira declarou que os patrões e a prefeitura vêm descumprindo várias cláusulas do dissídio coletivo, como o não reajuste salarial da categoria, fornecimento de ticket alimentação condizente, terminais sem nenhuma condição para uso por parte dos trabalhadores.

Parte da população aprova a iniciativa da categoria por tratar-se de luta por direitos subtraídos, entretanto tem consciência que serão prejudicados ainda mais porque não terá como chegar a seus locais de trabalho.

A greve é um direito do trabalhador. Ela é deflagrada quando os patrões se negam a atender direitos que a categoria reivindica. Na cidade de Manaus, os empresários do sistema são os que mais sabotam, negligenciam sobre direitos trabalhistas. Tanto é assim que o verdadeiro prefeito de Manaus, este blog várias vezes já falou, é o senhor Acyr Gurgacz, da fundida Cascavel no monopólico Transmanaus.

Contra esses empresários nada acontece. Não é de hoje a luta do deputado federal Francisco Praciano para que a EMTU, na época, hoje IMTT, apresentasse a folha de pagamentos dessas empresas para se verificar recebimentos e gastos, e isso nunca foi apresentado.

Agora, continuando nessa cobrança, lá está nos terminais de integração pela parte da manhã o mesmo deputado Praciano e o vereador José Ricardo bradando contra esse péssimo serviço na cidade de Manaus.

Não devemos deixar de refletir também que pode haver por trás dessa greve interesses patronais, pois vingou-se na política manauense atrelar-se o reajuste da passagem ao aumento salarial dos trabalhadores e os empresários usam isso para pressionar o prefeito, neste momento cassado, para conceder tais reajustes, prejudicando e jogando trabalhadores contra trabalhadores.

Neste caso, os empresários podem está apoiando a greve para pressionar o prefeito cassado a reajustá-la, pois segundo Givanci, que participou de reuniões na Câmara Municipal, ouviu dizer que o preço da passagem hoje deveria ser R$ 2,06, mas eles querem mais.


Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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