“Como Manaus é uma não cidade. Ela também não tem nem escritores, nem leitores. Mas tem Parreira.”
No período de 27 de abril a 06 de maio de 2012, Manaus, no Amazonas, sediou a primeira bienal do livro. Feito histórico, dizem seus promotores: os agenciadores do evento, o governo do Estado do Amazonas e as livrarias que imaginaram lucros facilitados.
Sobre isso, faremos o seguinte comentário. Tradicionalmente essa exposição de livros acontece nas cidades do Sudeste, no Sul, uma ou duas cidades do Nordeste brasileiro. A bienal do livro acontece nessas cidades porque ali, há escritores e leitores. O que não é o caso do Estado do Amazonas. Por cá não temos nem escritores, nem leitores.
Tanto não há que a disciplina Literatura Amazonense foi retirada da grade curricular de uma Universidade no Estado por considerar a inexistência de uma literatura Amazonense. Sobre isso temos postado neste blog um artigo.
No nosso Estado as pessoas não tem o hábito de ler. Se não temos leitores não tem como haver escritores.
O governo declara que realiza a bienal para incentivar a leitura. Como se vai realizar um evento como esse para incentivar leitura, quando isso deveria ser hábito de muito tempo?
No nosso Estado, tanto antes desse governo que está aí há mais de trinta anos nunca houve uma política de leitura e incentivo à leitura.
O preço dos livros sempre foi caro, reclamam algumas pessoas, mas se o governo do Estado tivesse interesses que seu povo lesse criaria incentivos para publicações de livros mais baratos, como se faz, por exemplo, em Cuba e noutros países.
No governo do Senador Eduardo Guerreiro de Sempre Braga o governo do Estado, junto com a Secretaria de Cultura elegeram uma livraria-editora para publicar algumas obras de autores nacionais, foi quanto se apresentou aos leitores literatura.
Quando dizemos que no Amazonas não há escritores é porque não vemos nada de novo no que escrevem e no que se escreveu. Sempre recorreram e ainda recorrem a elementos da flora, da fauna: crisálidas, onças e jacarés, fábulas e descrições de lendas, encontro do Solimões com o Rio Negro, a boiúna e o curupira, Dom Bararuá.
Mas Milton Hatoum não é um escritor amazonense? É amazonense, porém, escreve com cânones e um estilo que foge aos que vemos por aqui, embora a temática contemple a cidade de Manaus e o Amazonas.
Essa bienal pode ser comparada a um cantor. Um desses cantores que produzem centenas de CDs e não vendem. Um dia ele resolve comprá-los. Esgota-se a edição e regravam-se outros. Todos são comprados por ele e repassados para amigos e familiares. Assim é essa bienal. O governo promove, e como já sabe que não tem uma comunidade leitora repassa para os professores da rede estadual R$ 100,00 para ser gasto no local. O governo promove e ao mesmo tempo paga e recebe de volta o dinheiro investido.
Pergunta-se. Esse investimento estava no orçamento do Estado, da SEDUC, da Secretaria de Cultura?
Não é assim que se vai incentivar a leitura. A leitura tem que ser uma iniciativa desde a pré-escola. A criança deve criar o hábito de ler e escrever. Como não foram incentivadas, hoje temos milhares de jovens viciados em televisão e telefones ligados à internet, novo boom nas salas de aulas. Se não fossem os milhares de programas anódinos, sofríveis que a TV Globo, SBT e congêneres transmitem, e houvesse a iniciação à leitura não teríamos que estar fazendo um comentário como esse, pois a realização de uma bienal numa cidade de escritores e leitores é um acontecimento tão importante que enche de alegria a todos.
Livros. Os livros sempre são maravilhosos. Desde que não seja literatura inútil. Segundo informações de quem foi ao local havia muito livro de auto-ajuda e religiosos-disangelistas. Nesse caso só pode ser uma bienal de tristeza e dor. Dor que nós temos que modificar.
Modificação essa que alguns professores estão realizando, por exemplo, como o incentivo à leitura de autores nacionais e estrangeiros como Machado de Assis, João Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, poemas e textos teatrais de Bertolt Brecht, Jean Genet, Sarte, Domingos Pelegrini, Camus, Manuel Bandeira, bem como incentivo do próprio governo federal junto com uma empresa privada promovendo a Olimpíadas de Língua Portuguesa devido ao iletrismo que há tanto aqui como em partes do nosso país e que nos governos de Lula e Dilma se incentivou e está sendo incentivado para que possamos mudar a vida no nosso país.
Que as bienais continuem sendo promovidas em cidades onde há escritores e leitores.

















Leitores Intempestivos