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PEC QUE TRANSFERE DA UNIÃO PARA O CONGRESSO OPODER DE APROVAR E RATIFICAR TERRAS INDÍGENAS FOI APROVADA NA CÂMARA

 O parecer do deputado Osmar Serraglio (PMDB/PR), favorável a admissibilidade da proposta de emenda à Constituição (PEC) 215 que transfere da União para o Congresso Nacional a prerrogativa de aprovar e ratificar a demarcação das terras indígenas, de autoria do deputado Almir Sá (PPB/RR), e que está parada há 12 anos, foi aprovado pela Comissão de Constituição e  Justiça (CCJ) da Câmara.

     A PEC que conta com um grande número de pessoas contrárias e, principalmente, as sociedades indígenas concede ao Congresso Nacional as competências exclusivas da aprovação da demarcação das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios e a ratificação das demarcações já homologadas. E ainda estabelece que os critérios e procedimentos de demarcação serão regulamentados por lei.

     Durante as quatro horas de debate sobre a votação os representantes indígenas protestaram revoltados com os andamentos da discussão porque percebiam que a votação favorável ia ocorrer, como ocorreu. Deputados do PT, PV e PCdoB, contrários o parecer favorável, tentaram obstruir por algumas vezes o andamento dos trabalhos, mas encontraram pela frente o maior número de parlamentares ruralista defensores – como não podia ser o contrário – do parecer favorável da proposta da PEC.

        Depois da votação favorável aos ruralistas, os índios e os deputados contrários protestaram afirmando que tratava-se de um retrocesso na política nacional de demarcação das terras indígenas. Um acinte a democracia, alguns afirmaram. Para o deputado Luiz Couto (PT/PB) a aprovação é um retrocesso que vai aumentar a violência no campo.

        “Essa PEC é um retrocesso, não só para os povos indígenas, mas também para as autoridades quilombolas. Esta PEC vai provocar um clima de violência no campo”, afirmou o deputado Luiz Couto.

      Para o deputado Paulo Teixeira (PT/SP) a PEC é inconstitucional, porque muda o equilíbrio entre os poderes.

       “A PEC aprovada é flagrantemente inconstitucional. Ela fere o que poderia ser uma cláusula pétrea, do direito das terras para os índios”, disse o deputado Teixeira.

         No entender do deputado Ivan Valente (PSOL/SP) a PEC é um retrocesso nos direitos dos povos indígenas.

        “É a mesma turma que está apressando para aprovar o Código Florestal. Os que apoiam a PEC têm interesses econômicos e imediatistas para ocupar terras que já estão ocupadas e impedir futuras demarcações”, analisou Ivan Valente.

    Sarney Filho também corrobora com a opinião que a aprovação da PEC vai aumentar a violência no campo.

      “Os fatos nos dizem que, quando há insegurança jurídica, há violência. Não gostaria de subir à tribuna na semana que vem para anunciar violência e morte”, disse o filho do vitalício presidente do Senado, José Sarney.

     Ficou para o representante maior da extrema-direita do bloco dos reacionários, deputado Roberto Freire, do PPS, partido capacho do PSDB, junto com o DEM, a fala de defesa dos seus patrões ruralistas.

       “Estamos discutindo uma proposta de emenda à Constituição, que trata de ordenamento e remete essa competência – de demarcação – ao Congresso Nacional. Temos a tripartição dos  Poderes e nada aqui atenta à União, porque somos o Poder Legislativo da União”, ressonou a voz dos ruralista pela mímica do deputado da extrema-direita que no passado recente se inobservava como ilusão de ser comunista.  

CDDPH APROVA RELATÓRIO SOBRE VIOLÊNCIA NO CAMPO, MAS PARTE QUE TRATA SOBRE BELO MONTE FICA EM COMITÊ ESPECÍFICO

 O documento elaborado pela Comissão Especial da Terra do Meio com objetivo de averiguar denúncias de violências no campo, mas que também tratou de denúncias e reivindicações de moradores do campo contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Estado do Pará, foi aprovado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Entretanto, a parte tangente a construção da Usina de Belo Monte ficou para ser analisada pelo Comitê Gestor do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu.

      De acordo com Percílio Lima de Souza Neto, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e também vice-presidente do conselho, todas as reivindicações sobre Belo Monte, foram decididas por unanimidade pelo CDDPH para serem enviadas ao comitê responsável pelo tema, à Casa da Cidadania e à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos à ser instalada em Altamira, no Pará.

      “Por proposição da maioria dos conselheiros, os trabalhos da comissão não foram encerrados. Foi apresentado esse relatório e ele será enriquecido. Um representante da Defensoria Pública e um da Advocacia-Geral da União devem participar da comissão. Acho que foi decidido o que era possível obter hoje”, disse Souza Neto.

       Há mais de 15 dias a análise do parecer da comissão havia sido agendada, mas ontem somente foi colocado na pauta pela ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos. A ministra afirmou que o parecer só não foi pautado antes porque não havia uma conclusão expressa da comissão.

      “Ficamos na seguinte posição, ou pautamos e atendemos a sociedade civil, ou não pautamos e pareceria que não queríamos atender à sociedade civil, que tínhamos algum problema em relação à matéria. Optamos por atender a sociedade civil”, analisou a ministra Maria do Rosário.

         Segundo o jornalista Leonardo Sakamoto, relator do parecer, ele não vai mas continuar na relatoria porque seu trabalho terminou.

      “Meu trabalho termina aqui. Eu produzo conteúdos, sou jornalista e professor universitário. A articulação política é algo que eu deixo para quem é da área”, disse o jornalista-relator.

 

DE ABRIL DE 2011 ATÉ SEMANA PASSADA FORAM MORTOS NO BRASIL 165 MORADORES DE RUA

 O Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores (CNDDH) divulgou estudo em que mostra que do mês de abril de 2011 até semana passada foram mortos no Brasil 165 pessoas. O que representa uma pessoa morta em cada dois dias. O CNDDH também identificou 35 tentativas de homicídios e vários casos de lesão corporal.

       As investigações policiais sobre 113 casos dos 165 não avançaram, ninguém foi identificado e responsabilizado pelos crimes, afirmou Karina Vieira Alves, coordenadora do CNDDH.

      Durante o ano passado, o Disque 100, que é um serviço mantido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República registrou 453 denúncias relacionadas à violação dos direitos humanos contra moradores de rua como tortura, violência sexual, negligência, discriminação, entre outros.

       Os estados do Brasil com maior números de denúncias são São Paulo, 120 denúncias; Paraná, 55 denúncias; Minas Gerais, 33 denúncias; e Distrito Federal, também com 33 denúncias. Segundo Karina, embora os números sejam assustadores eles não refletem a realidade em que estão expostos os moradores de rua. Muitos crimes contra a população de rua não estão devidamente notificados.

      Faltam dados confiáveis, por isso não se pode calcular se a violência contra os moradores de rua está aumentando, ou não durante os últimos anos.

      “Este é o número de denúncias notificadas. Sabemos que há problemas muito graves que não são denunciados”, afirmou, falando sobre o trabalho do Disque 100, Ivanilda Figueiredo, coordenadora-geral da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.

       Para os participantes do Comitê Intersetorial de Monitoramento da População em Situação de Rua, que se realiza em Brasília, houve um aumento na escalada da violência contra os moradores de rua. Para eles os casos recentes de assassinatos e agressões em Mato Grosso do Sul e Distrito Federal não foram casos isolados e só chegaram a imprensa por força de atuação dos familiares das vítimas.

       Para o representante paulista do Movimento Nacional de População de Rua, Anderson Lopes, as mortes “estão acontecendo e vão continuar ocorrendo”.

       “Eu todo dia recebo e-mails sobre mortes de moradores de rua. Elas estão acontecendo e vão continuar ocorrendo. Por isso, queremos uma ação enérgica do governo federal”, disse Anderson.

     Para Samuel Rodrigues, representante de Minas Gerais  do movimento, o país vive um momento triste referente ao moradores de rua.

    “Vivemos um momento bastante triste. Em 2004, o movimento nacional surgiu em função de uma morte. Naquele momento, nós discutíamos os direitos da população de rua. Hoje, estamos aqui discutindo o seu extermínio. Estamos lutando para não morrer”, afirmou Samuel.

       Participando da reunião do comitê, a ministra Maria do Rosário, Secretária dos Direitos Humanos, disse que o governo deve ter responsabilidade de responder à escalada da violência contra a população de rua, visto que essa violência se banalizou.

      “Temos a responsabilidade de responder diretamente a esta escalada de violência e de mortes que estão ocorrendo nas ruas. Não se trata mais de fatos isolados. São grupos que banalizam a violência e que não reconhecem em quem está vivendo nas ruas, a condição humana”, considerou a ministra.

ONG DENUNCIA O BRASIL NA ONU POR VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

 As ações truculentas contra os moradores de Pinheirinho, em São Paulo, e a retirada de usuários de crack, na Cracolândia, na capital de São Paulo, foram usadas como elementos de denúncia pela Organização Não Governamental Conectas na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre violência contra os direitos humanos no Brasil. A denúncia ocorreu ontem, dia 8, no plenário principal da 19ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

        As denuncias estão contidas em três blocos. O primeiro sobre a política brasileira de encarceramento; o segundo sobre criminalização da pobreza em grandes centros urbanos; e o terceiro sobre adoção de modelos de desenvolvimento que podem violar os direitos de comunidades vulneráveis.

     Segundo Juana Kweitel, diretora de programas da ONG, a Conectas vai também denunciar outras formas de violências que são praticadas no Brasil como tratamento cruel e desumano, violação do direito de ir e vir e falta de acesso aos serviços de saúde e moradia. A ONG tem como intenção mostrar os contrastes e contradições no país.

      “O Brasil visto como a sexta maior economia do mundo e o Brasil que vive com práticas medievais, como tortura e superlotação em seu sistema carcerário, criminalização da pobreza e desrespeito aos povos indígenas.

       O Brasil da Copa e das Olimpíadas é o mesmo onde um quinto da população carcerária está preso de forma ilegal, onde há torturas, maus tratos e superlotação nas cadeias, onde a pobreza é criminalizada e os projetos de desenvolvimento atropelam povos indígenas”, analisou Juana.

 

GRUPO JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO VAI INVESTIGAR VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS NA DITADURA

 O grupo de trabalho Justiça de Transição vai investigar as graves violações de direitos humanos durante a ditadura militar pela qual passou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985. O grupo Justiça de Transição foi criado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro, por orientação da Segunda Câmara de Coordenação e Revisão do órgão. A informação foi divulgada em nota pelo MPF.

       Mas o grupo não investigará apenas os delitos no período da ditadura. Vai também investigar os crimes de quadrilha como sequestro qualificado, ocultação de cadáver, além de outros delitos cometidos após a ditadura, que envolvam atos de impedimento da busca da verdade e da justiça por parte dos investigados.

        A criação do grupo Justiça de Transição possibilita o MPF investigar os agentes públicos mesmo que o Ministério Público Militar tenha arquivado ou venha arquivar investigações em sua esfera de atribuição.          

      Os agentes que foram além de suas funções, se excedendo, praticando crimes no período da ditadura, agiram não apenas como representantes do segmento militar, mas também como representantes do Estado.

      “Em atendimento ao decidido pela Corte Interamericana dos Direitos Humanos, a Segunda Câmara do Ministério Público Federal reconheceu que os tratados internacionais de direitos humanos firmados pelo país impõem ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal a investigação e a persecução dos ilícitos cometidos durante a ditadura militar no Brasil.

      Desde o final do ano passado, as unidades do Ministério Público vêm se reunindo e se organizando para dar cabo dessa missão”, afirmou o procurador da República Luiz Fernando Lessa, um dos membros do grupo.

 

BAHIA: GREVE NÃO SE FAZ CONTRA A CIDADANIA

O direito irrestrito à greve não dá a nenhuma categoria permissão para aliar-se a bandidos ou insuflar a criminalidade, fazendo do pânico e da insegurança da população uma carta manchada de sangue na mesa de negociações. Desde que um segmento da Polícia Militar do Estado decretou greve, na última terça-feira, instalou-se o caos, a morte e o medo na vida da população baiana. Em cinco dias de paralisação, cerca de 52 assassinatos foram registrados, ademais de uma explosão nas ocorrências de roubos, arrastões e saques. Policiais encapuzados atacaram o transporte coletivo ; há suspeitas de cumplicidade com crimes e gangues que tem levado o pânico aos trabalhadores e às famílias.
Carta Maior (domingo, 05/02/2012)

NOVAMENTE ADOLESCENTES SÃO ESTUPRADAS EM PRESÍDIO NO PARÁ. GOVERNADOR SIMÃO JATENE (PSDB) TENTA MINIMIZAR A RECORRÊNCIA

A prisão sempre foi utilizada em todos os sistemas, conforme o discurso do poder, como forma de separar das “pessoas de bem” os delinquentes, aqueles que cometem atos que ofendem a outrem. Portanto, em tese, aqueles que se encontram reclusos não devem ter a chance de perpetrar novos crimes, além de passarem por um processo sócio-educativo para reinserção na sociedade. No entanto, sabe-se que nenhum desses dois objetivos é praticado no sistema prisional brasileiro. Ou seja, tanto a prática criminosa, em vez de ser inibida, acaba por ser fortalecida em grande parte dos detentos quanto o processo de reinserção ser praticamente nulo.

Mas há casos que demonstram toda a brutalidade ocorrida no sistema prisional brasileiro, como o estupro de garotas adolescentes que vem ocorrendo dentro de presídios no estado do Pará. Desde 2007, quando uma garota passou 26 dias presa numa cela masculina no município de Abaetetuba, que a prática vem sendo denunciada em abundância e nada foi feito para dirimi-la. No domingo passado, uma adolescente de apenas 14 anos foi resgatada pela Polícia Militar do Pará depois de ter passado quatro dias sendo abusada sexualmente por detentos da Colônia Agrícola Heleno Fragoso, localizada no complexo penitenciário de Americano, em Santa Isabel do Pará (a 50 km de Belém).

A adolescente, em depoimento ao Conselho Tutelar e à Data (Delegacia de Atendimento ao Adolescente), disse que foi aliciada com outra duas adolescentes na segunda-feira (12) por uma mulher na Praia do Outeiro, distrito de Belém. Segundo ela, as três foram drogadas, embriagadas, espancadas e abusadas sexualmente por vários detentos ao longo da semana. “Ela disse que perdeu a conta de quantos homens a violentaram”, afirmou o conselheiro tutelar Benilson Silva, 35. A adolescente só escapou porque fugiu por um matagal que fica atrás do complexo penitenciário e pediu ajuda na guarita de segurança do próprio complexo penitenciário.

A Susipe (Superintendência do Sistema Penal) do Pará, para tentar minimizar o escândalo, exonerou imediatamente o diretor da Colônia Agrícola, Andrés de Albuquerque Nunes, e todo o corpo de agentes prisionais que estavam de serviço nos dias em que a violência sexual foi cometida. E na manhã de hoje o governo do Pará anunciou na manhã desta terça-feira a exoneração do superintendente do sistema penitenciário do Estado, major Francisco Mota Bernardes.

Mas para Alan Rogério Mansur Silva, procurador regional dos Direitos do Cidadão, as exonerações não resolvem o problema. “Tem de saber apurar e individualizar a responsabilidade de cada um. É importante que haja um inquérito policial para apurar essa situação, para investigar, ouvir os presos e individualizar essa conduta na área criminal.”

Assim, o caso é mais uma demonstração de que o governo de Simão Jatene, do PSDB, que ganhou as eleições passadas empunhando a bandeira da Segurança Pública, em nada tem sido mais eficaz do que o governo da petista Ana Júlia Carepa, a quem tanto criticou. “É claro que nós sabemos que nenhum servidor público é infalível, mas quando o erro cometido coloca em risco a vida ou a integridade física ou, ainda, atenta conta a dignidade humana os envolvidos devem ser responsabilizados”, afirmou o governador. Ora, ora, se o mais envolvido é justamente o chefe-maior da Polícia Militar, o governador.

E segue a lógica da truculência dos sistemas prisionais, mormente nas facetas capitalísticas, tão analisadas por filósofos como Michel Foucault de que o modelo prisional e as formas de controle revela mais das violentações do poder do que das delinquencias praticadas. Aliás, estas não passam de efeitos daquelas.

POLÍCIA CONFIRMA QUE POLÍCIA MATOU O MENINO JUAN

Sérgio Henriques, diretor da Polícia Técnica e Científica da Polícia Civil do Rio de Janeiro, no início do mês corrente, depois de periciar o local dos crimes onde o menino Juan, de 11 anos, e seu irmão Wesley de Moraes, de 14 anos, foram baleados na Favela Danon, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, afirmou que não foram encontrados indícios de disparos executados por criminosos, mas somente cinco cápsulas deflagradas pela Polícia Militar.

Hoje, dia 20, com a conclusão do inquérito sobre a morte de Juan, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense pode afirmar que a criança foi morta pela Polícia Militar, sem qualquer sinal de confronto com criminosos, que sugeria que Juan havia sido atingido por balas perdidas.

Com essa conclusão, o Ministério Público do Rio de Janeiro pediu, na noite de ontem, as prisões temporárias dos cabos da PM Edilberto Barros do Nascimento e Rubens da Silva, além dos sargentos Isaias Souza do Carmo e Ubirani Soares. Todos são acusados por homicídios duplamente qualificado: a morte do menino Juan e de Igor Souza Afonso. Também acusados de duas tentativas de homicídios duplamente qualificados: Wesley de Moraes e a testemunha W. E ainda crime de ocultação de cadáver: os policiais esconderam o cadáver de Juan.

Tanto o irmão de Juan, que foi baleado, Wesley de Moraes, quanto as testemunhas encontram-se nos programas federais de proteção das testemunhas.

SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DIVULGA NOTA DE REPÚDIO CONTRA O ASSASSINATO DO MENINO JUAN

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) divulgou nota de repúdio pelo assassinato no menino Juan, de 11 anos, morto supostamente executado por policiais que entraram em combate com traficantes no dia 20 de junho, na Favela Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, cujo corpo foi encontrado dia 30, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

A SDH, em sua nota, afirma que vem acompanhando o caso desde a notificação do desaparecimento do menino Juan, e continua mantendo a família do menor em proteção federal, principalmente seu irmão de 14 anos, que também foi baleado, e que acompanhará o desenrolar das investigações para que não haja impunidade.

A evidência de envolvimento direto de agentes públicos, que têm a obrigação de zelar pela segurança da população, torna o episódio ainda mais revoltante.

O governo brasileiro não tolera esse tipo de crime contra qualquer ser humano. A situação se agrava por se tratar de uma criança que é, segundo a Constituição Federal, prioridade absoluta, que implica primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias.

Nesse sentido, é fundamental que o governo do estado do Rio de Janeiro atue de forma firme e competente para identificar os responsáveis, a exemplo do que fez no afastamento do delegado que acompanhava o caso e agiu inadequadamente diante dos fatos”, afirma trechos da nota.

TRABALHADORES RURAIS AMEAÇADOS DE MORTE NO PARÁ SERÃO OUVIDOS PELA DEFENSORIA

A Defensoria Pública do Pará deverá escutar amanhã, dia 21, as nove pessoas assentadas em Nova Ipixuna que se encontram ameaçadas de morte por pessoas que as consideram obstáculos para seus propósitos capitalistas. Os trabalhadores rurais assentados ameaçados de morte têm uma postura trabalhadora de defesa da terra Amazônica, o que irrita os grandes proprietários.

O grupo de nove pessoas ameaçadas de morte tem a proteção da Força Nacional, que faz parte da estratégia de combater a violência no campo nos estados do Pará, Rondônia e Pará, chamada de Operação Defesa da Vida. Todos os nove encontram-se no município de Marabá, escoltados pela Força Nacional, esperando serem entrevistados.

O coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Pará, Márcio da Silva Cruz, disse que “todos estão protegidos provisoriamente”, todavia a definição da situação só ocorrerá depois das entrevistas.

Ainda estamos em Belém, mas até as 16h de amanhã, teremos atendido a todos no local. Todos serão entrevistados para que saibamos se as ameaças sofridas estão relacionadas à militância em direitos humanos. Depois veremos em que estratégia de proteção cada um se encaixará.

Atualmente há, no Pará, sete pessoas sob proteção e outras 16 que tiveram a proteção autorizada pela coordenação estadual, mas ainda não foi implementada pelos órgãos de segurança.

O programa tem regras, já que não podemos impor proteção a ninguém. Ou seja: a pessoa tem que aceitar essa proteção. Como ainda não temos o panorama deles, estamos aguardando a conversa para decidir o que fazer.

É o caso do bispo da Ilha de Marajó, dom Luiz Azcona, e do padre Amaro, de Anapu, onde a irmã Dorothy foi assassinada. Nós sabemos que eles estão correndo risco, mas nada podemos fazer porque eles recusaram a participar do programa”, afirmou Cruz.

5 MIL FOI QUANTO O FAZENDEIRO JOSÉ RODRIGUES PAGOU PARA OS PISTOLEIROS MATAREM JOSÉ CLÁUDIO E MARIA DO ESPÍRITO SANTO

Polícia divulgou retrato falado de suspeitos de matar o casal no Pará

No dia 24 de maio, ainda na aurora matinal, o casal de líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo deixou sua casa em direção à cidade para efetuar um negócio. Ao passarem por uma pequena ponte, foram atingidos por disparos provenientes de dentro do mato. Eram dois pistoleiros, em tocaia, pagos para matá-los e silenciar suas lutas contra a exploração ambiental e o desmatamento da floresta executada por madeireiros. Os assassinatos ocorreram no assentamento Nova Ipixuna, no Pará. Mais um crime contra as vidas de trabalhadores rurais que chocou a sociedade brasileira.

Diante do ocorrido, e a reverberação do fato, o governo federal tomou as medidas cabíveis para encontrar os executores e o mandante, ou mandantes. Hoje, dia 8 de junho, a Polícia Civil do estado do Pará apresentou o nome do mandante do duplo assassinato. Trata-se de José Rodrigues, fazendeiro, desmatador e grileiro, que comprou lotes de terra para expandir sua criação de gado. Só que a área comprada era para assentamento. O que fez com o líder extrativista José Cláudio enfrentasse o grileiro em nome dos assentados, impedindo que eles deixassem suas terras. Afirmando ainda, para o invasor, que aquelas terras não poderiam ser vendidas.

Não satisfeito com a posição tomada por José Cláudio, o grileiro foi até a Comarca de Nova Ipixuna, falou com a polícia, e voltou ao assentamento, agora protegido pelos policiais, para expulsar os assentados. Mas o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), informado da prepotência latifundiária, se fez presente no local, afirmando que as terras pertenciam aos assentados. José Rodrigues, o grileiro, não gostou do desfecho, e saiu vociferando em tom de ameaças que José Cláudio e sua esposa Maria do Espírito Santo iriam pagar caro pelo ocorrido, segundo testemunha.

Como soe ocorrer com os infelizes paralisados por profundo sentimento de inferioridade, que os faz se transformarem em pessoas ressentidas, e acima de tudo covardes vingativos, segundo a Polícia Civil, José Rodrigues contratou dois pistoleiros ao soldo de 5 mil, para assassinarem o casal de líderes extrativistas. A única forma capaz de um covarde calar pessoas que lutam pela preservação do Ambiente Amazônico. O dinheiro, o psicopata e a bala. Três elementos usados pelos latifundiários para eliminar os que são contrários às suas ambições psicopatológicas.

Agora, a Justiça da Comarca de Nova Ipixuna pediu a prisão do predador baseada na investigação da Polícia Civil, que segundo ela o predador pagou dois pistoleiros para assassinarem o casal.

Quanto aos assassinos, a Polícia Civil já divulgou os retratos falados de ambos, baseada em testemunhas que viram os dois pistoleiros seguindo para o assentamento às 5h30 no dia 24, e horas depois voltando. Há suspeita que eles tenham fugido usando o Rio Tocantins.

PRESIDENTE SUL-AFRICANO CONSEGUE QUE KADAFI RENOVE PEDIDO DE CESSAR-FOGO

Jacob Zuma, presidente sul-africano, manteve ontem, dia 30, na Líbia, conversa com o ditador líbio Muammar Kadafi para tratar de um possível cessar-fogo. Kadafi, que vem sofrendo além dos bombardeios das tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a deserção de vários de seus aliados internos, entre eles militares e políticos, resolveu renovar seu pedido de cessar-fogo.

Entretanto, a conversa com Jacob Zuma, apesar de levá-lo a aceitar o cessar fogo, não o colocou em situação de acatar as imposições dos ocidentais para que renuncie. Para Kadafi, o acordo do cessar-fogo deve vir com a imediata paralisação dos bombardeios das tropas da OTAN sobre o território líbio.

Desde a primeira tentativa de negociação realizada por Jacob Zuma com Kadafi, os governos ocidentais que fazem parte da coalizão internacional que invadiu a Líbia não acatam as exigências do ditador. A maior prova foi o novo ataque desferido pelo militares da OTAN às instalações civis e militares no distrito de Tajura.

É aí que se encontra o impasse. Os países da coalizão não aceitam nenhum acordo que não inclua a renúncia de Kadafi, e por sua vez Kadafi não pretende renunciar. E a mola mestra do impasse é claramente o poder. Kadafi quer continuar com o poder sobre o Estado líbio, os países da coalizão, comandados eufemisticamente pela OTAN, quando em verdade quem comanda são os Estados Unidos, pretendem o poder econômico materializado no petróleo e na abundância de água que existe no território líbio.

Enquanto isso, a população é bombardeada pelas duas forças bélicas/repressivas. As tropas da OTAN e as tropas de Kadafi. Tudo em nome da liberdade democrática.

DOCUMENTO ENVIADO AO MPF IMPLICA MADEIREIROS NOS ASSASSINATOS DOS LÍDERES EXTRATIVISTAS

Cada vez mais vai ficando evidente a autoria dos assassinatos dos líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e de sua esposa Maria Espírito Santo, mortos covardemente a tiros em uma estrada no município de Nova Ipixuna, no Pará.

A pista mais clara aponta para madeireiros que foram denunciados pelo casal às autoridades federais representantes dos órgãos responsáveis pela proibição e punição dos desmatadores da região. Dias antes dos assassinatos, José Cláudio e Maria Espírito Santo enviaram ao Ministério Público Federal, em Marabá, município do Pará, um documento denunciando a prática criminosa de desmatamento de três madeireiras no município de Nova Ipixuna. O documento mostrava que a maior parte de mata densa já havia sido destruída pela ação dos madeireiros. Um clamoroso crime ambiental que já vinha sendo praticado impunemente sem que as autoridades locais se manifestassem.

O documento, que foi assinado pelo casal e mais nove trabalhadores extrativistas, também denuncia que madeiras são tiradas da região e transformadas em carvão para abastecer as siderúrgicas de Marabá. O documento mostra ainda que existem 500 fornos de carvão nos lotes das famílias. As empresas estimulam alguns assentados sem formação política pagando R$ 30 por metro cúbico de madeira, enquanto no mercado internacional o valor é de R$ 1,2 mil.

Os assentados mais frágeis e entusiasmados com a possibilidade de ganhar dinheiro se submetem a essa exploração”, apresenta um trecho do documento.

No dia 4 de maio, dia em que o MPF protocolou a denúncia, o procurador Tiago Modesto Rabelo, solicitou informações ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) sobre as madeireiras denunciadas como responsáveis pela destruição na área de preservação do assentamento, Agroextrativistas Praia Alta Piranheira.

Espera-se que o poder público, que não pode evitar os dois assassinatos, possa, pelo menos, evitar as mortes dos nove extrativistas que assinaram o documento, além do casal assassinado.

PARA ASSESSOR ESPECIAL PARA ASSUNTOS INTERNACIONAIS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, A MORTE DE BIN LADEN NÃO ACABA COM TERRORISMO

A comunidade mundial deve aproveitar as manifestações populares que vem ocorrendo no Oriente Médio e no Norte da África para combater o terrorismo, afirmou o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, ao analisar que a morte de Bin Laden não vai acabar com o terrorismo internacional. Quanto à possível represália desencadeada pelos seguidores de Bin Laden, ele acredita que vai haver. De acordo com Marco Aurélio Garcia, também só repressão não soluciona o problema do terrorismo.

Os critérios de cada país são decididos pelos seus governos. Isso é mais ou menos que todo mundo acredita que vai haver. Se acham que o problema do terrorismo está resolvido com a morte do Bin Laden, estão muito enganados.

O problema do terrorismo evidentemente não se resolve com repressão, mas, sobre tudo, atacando as causas fundamentais do terrorismo.

Por sorte, Antônio Patriota levantou uma questão interessante: nós temos uma efervescência democrática na região muito grande, que coloca uma via distinta daquela que habitualmente nós tínhamos.

De um lado a submissão às grandes potências do Ocidente, que muitos governos tinham e ainda têm, e, de outro lado, essa rejeição ao fundamentalismo que se expressava, entre outras coisas, nas iniciativas terroristas. Acho que nós temos um caminho democrático, se nós resolvermos uma série de problemas da região, que é a questão da Palestina”, afirmou Marco Aurélio.

ESTADOS UNIDOS PRETENDENDO TREINAMENTO PARA REBELDES LÍBIOS CONFIRMAM SUA INTENÇÃO

O governo dos Estados Unidos, propriamente o presidente Obama, já havia afirmado que pretendia auxiliar os insurgentes contra a força militar de Khadafi. Agora foi a vez de Robert Gates, secretário de Defesa norte-americano, que explicitou a intenção intervencionista do país do Tio Sam.

Para Robert Gates, os insurgentes estão improvisando e precisão de treinamento.

Penso que a oposição precisa, antes de mais nada, de treinamento, comando e organização. Muitos países estão em condição de dar essa assistência. Não é uma capacidade que só os Estados Unidos possuem e, na minha opinião, outros deveriam ser responsáveis por isso”, afirmou, convicto, Gates.

Trata-se de simulação de Gates quando afirma que o treinamento não deveria ser dado pelos Estados Unidos. O estado norte-americano, compulsivamente interessado no petróleo líbio, é detentor de uma incontida megalomania, jamais permitiria que outros países da coalizão tomassem a frente da missão. Pode tomar, mas com os Estados Unidos no comando. Da forma como está sendo simulado o comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) nas operações na Líbia.

Duas provas incontestes são as declarações do governo norte-americano em pretender armar os rebeldes, e a estada e ação de CIA no território líbio, como foi noticiado pela imprensa norte-americana. Segundo a imprensa, a CIA tem mantido contato com os rebeldes para analisar suas condições e encontrar quais são as lideranças.

Para todos que já conhecem as tramas dos Estados Unidos com sua política exterior intervencionista, está óbvio que seu objetivo final é dominar o país árabe, como vêm fazendo com outros países. Aproxima-se dos líderes, depois os afasta do processo de mudança, e realiza o que já é do conhecimento da comunidade internacional. O mesmo que o filósofo francês Sartre – que falta faz à França nesse momento – conta em sua obra A Engrenagem.

DILMA CONFIA QUE O CONGRESSO VAI APROVAR A COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE

A presidenta Dilma Vana Rousseff concedeu entrevista à emissora portuguesa TV Sic, onde comentou alguns temas, entre eles a aprovação da criação da Comissão Nacional da Verdade, que irar apurar os crimes cometidos contra presos políticos durante o regime militar que ocorreu no Brasil entre os anos de 1964 a 1985. A presidenta falou também sobre a vinda do presidente dos Estados Unidos Barack Obama ao Brasil, justo no momento em que ordenou a invasão do espaço aéreo da Líbia.

Indagada como ela entendia o fato da possibilidade do Congresso Nacional aprovar a criação da Comissão Nacional da Verdade para apurar crimes de violação dos direitos humanos, a presidenta respondeu que “é muito importante”. E para confirmar sua posição Dilma disse confiar no parlamento.

Eu confio que será aprovada. Eu confio no meu apoio parlamentar”, afirmou a presidenta.

Questionada como entendeu o fato do presidente dos Estados Unidos ter determinado a ordem de invadir a Líbia, no exato momento em que estava no Brasil participando das atividades oficias, e se ela havia ficado chateada, a presidenta respondeu se opondo a qualquer tipo de guerra.

Eu não gosto de declaração de guerra onde quer que seja”, sentenciou.

A presidenta disse também que houve uma frustração com a vinda de Obama ao Brasil, principalmente em relação com as discussões e os resultados sobre as questões aduaneiras.

TRUQUE DA ALEMANHA: MANDA MAIS SOLDADOS PARA O AFEGANISTÃO, E LIBERA SOLDADOS DA OTAN PARA LUTAR NA LÍBIA

Na linguagem anti-bíblica, o que a Alemanha está fazendo é servir a dois senhores. Na votação para decidir a resolução do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas que criava a zona aérea na Líbia, e concedia à força militar internacional o direito de bombardear o território líbio, a Alemanha se absteve. Um ato visto pela maioria da sociedade global como racional. A parte da sociedade global que é contra a mentira usada em nome da paz, como fazem os países imperialistas/intervencionistas, comandados pelo histórico tirano Estados Unidos, quando querem usufruir dos bens materiais que possuem os povos violados em suas soberanias.

O governo alemão decidiu aumentar seu efetivo soldadesco-bélico no Afeganistão – outra invasão comandada pelos Estados Unidos – para serem liberados os soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que se encontram nesse país, para que eles possam participar da invasão à Líbia, em nome da paz e da defesa dos civis, como prega o credo despótico do capitalismo norte-americano.

O governo alemão vai mandar mais 300 soldados-bélicos para se agruparem com os 5.000, que já se encontram lá. Dessa forma, serão 5.300, desde que a invasão se sucedeu no Afeganistão, em 2001. Mas a promessa de retirada das tropas feita pelo governo alemão continua em pé. Como é promessa, pode ter várias posturas em pé, deitado, de cabeça para baixo, em um só pé, sentado de cócoras, e assim por diante, dependendo da imaginação do corpo promesseiro.

Para confirmar a decisão anti-bíblica, o ministro da Defesa alemã, Thomas de Maizière, falando em uma rádio de seu país, afirmou que era “um sinal político da nossa solidariedade”.

É um alívio de fato para a OTAN e um sinal político da nossa solidariedade perante a aliança militar, também diante dos acontecimentos na Líbia”, afirmou o ministro solidário.

A solidariedade da Alemanha em política exterior intervencionista é conhecida como trapaça. Mas há aqueles de chamam de hipocrisia pacifista-multilateral. Na linguagem futebolística, é o famoso faz que não chuta. “Eu faço que não chuto, mas quando ele se distrair, eu chuto. E aí parece que eu não chutei”.

CHINA ACUSA OS PAÍSES QUE ATACAM A LÍBIA DE QUEBRAREM REGRAS INTERNACIONAIS

Nessa segunda-feira, dia 21, o mais importante jornal comunista da China, O Diário do Povo, órgão do Partido Comunista, publicou matéria afirmando que autoridades chinesas acusam os países que invadiram a Líbia de quebrarem as regras dos tratados internacionais.

Para os chineses, as manobras militares do Ocidente na Líbia contra o líder Khadafi, executadas pelos Estados Unidos, França, Reino Unido, Canadá e Itália, podem se transformar em mais uma forte força de atrito entre Pequim e Washington. Para o Diário, a invasão da Líbia contém semelhanças com a invasão norte-americana no Iraque.

As tempestades ensanguentadas que o Iraque sofre há oito anos e o sofrimento indizível de seu povo são um reflexo e um alerta.

Os ataques militares à Líbia são, após as guerras no Afeganistão e no Iraque, a terceira vez que alguns países lançaram ações armadas contra países soberanos.

Deveria ser notado que toda vez que os meios militares são usados para lidar com crises, é um golpe na Carta das Nações Unidas e nas regras das relações internacionais”, diz trecho da matéria.

PIÑERA SE DECLARA O NOVO PINOCHET

O novo presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, representante da direita conservadora e apoiado pelos remanescentes da sangrenta ditadura militar que varreu a liberdade e o humanismo na terra de Pablo Neruda, substituiu o quadrado estilizado com as cores da bandeira do Chile, usado nos governos democratas do ex-presidente Ricardo Lagos e da atual presidente Michelle Bachelet, por um escudo de armas em tons negro e cinza, tendo na parte inferior as palavra de ordem nazi-fascistas usadas pelo ditador terrorista Augusto Pinochet, que, entre os anos de 1973 e 1990, sequestrou, prendeu, torturou, mutilou e matou mais de 30 mil mortos: “Pela Razão ou pela Força”.

Como ostentação perversa da clara manifestação nazi-fascista, a palavra de ordem irracional foi colocada em cima da enunciação: “Governo do Chile”. O que leva qualquer neófito de Ciências Políticas a entender que a gestão de Piñera não terá compromisso com o governo como determina a democracia, mas sim, impor o discurso despótico ditatorialmente: “La Forza”.

O emblema original foi desenhado em 1834, com uso ostensivo pelo ditador Pinochet como arma de ameaça constante, e por razão da queda do poder chileno, o senador Nelson Ávila, em 2004, tentou mudar a palavra de ordem nazi-fascista “Pela Razão ou pela Força” pela mais democrática “Pela Força da Razão”, mas o projeto continua engavetado.

O que se pode entender mais sobre a decisão do uso da palavra de ordem nazi-fascista por Piñera é que o Logos Razão encontrado na enunciação despótica não tem nada com a faculdade superior do homem. É apenas um recurso gráfico sem força intelectiva-semiótica-política. Visto que a Razão nunca está acompanhada pela força, porque a força, em política, é o suporte irracional das ditaduras.

Mas como os tiranos são sempre irracionais, eles podem fazer o que bem pretenderem com suas projeções delirantes. Até que elas sejam tomadas como racionais pelas massas. Como foram pelos eleitores chilenos que o elegeram. O que nos leva à consideração do psiquiatra da Couraça, o alemão Wilhelm Reich, em sua obra Psicologia de Massa do Fascismo, quando, desdobrando Marx, ele diz que as massas não foram enganadas pelo nazismo, mas que elas o desejaram.

ONU ACUSA GOVERNO DE URIBE DE MANTER INSEGURANÇA PERMANENTE NO PAÍS

Há vigilância ilegal por parte dos serviços de inteligência do Estado, as detenções arbitrárias, as incursões em sedes de organizações não governamentais e roubo de informações. Algumas da violações dos governos humanos dos ativistas são atribuídas às guerrilhas, a novos grupos armados ilegais e a organizações paramilitares que, segundo os próprios ativistas, não foram desmanteladas.

As ameaças geram um clima de terror dentro da comunidade dos defensores dos direitos humanos e impedem seu papel legítimo”, afirma trechos do relatório apresentado pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, e também assevera que, durante os estudos da ONU, autoridades do governo de Uribe tentaram dar uma outra versão sobre o que realmente ocorre na Colômbia. Tentaram amenizar as informações que a ONU já havia colhido.

Para Gustavo Callón, diretor da Comissão Colombiana de Juristas – uma das principais organizações de Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia –, “este é um dos informes da ONU que mais foi fundado em relação à gravidade da situação”.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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