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Ministro pediu a Cameron que não bloqueasse oferta de Murdoch

A Comissão Leveson, que investiga a relação da mídia com o mundo político britânico, revelou que o ministro da Cultura, Jeremy Hunt, pediu ao primeiro ministro David Cameron que não bloqueasse a oferta do grupo Murdoch pelo resto do pacote acionário da cadeia BskyB porque “os meios de comunicação britânicos sofreriam um golpe terrível”. Em uma carta, Hunt disse que Ruppert Murdoch estava “furioso com o que estava acontecendo”.

Marcelo Justo – Londres

Londres – O ministro da Cultura britânico Jeremy Hunt pediu ao primeiro ministro David Cameron que não bloqueasse a oferta do grupo Murdoch pelo resto do pacote acionário da cadeia BskyB porque “os meios de comunicação britânicos sofreriam um golpe terrível”. A Comissão Leveson, que investiga a relação da mídia com o mundo político, revelou que na carta enviada um mês antes de converter-se em avaliador da oferta, Hunt assinalou que o magnata internacional midiático Ruppert Murdoch estava “furioso com o que estava acontecendo” e que o governo não devia ceder à pressão da “BBC e do The Guardian” que se opunham à aquisição por seu impacto na liberdade de imprensa.

A Comissão Leveson desferiu outro duro golpe em Hunt que deverá defender na próxima semana sua afirmação de que era um observador imparcial da oferta. A Comissão revelou que, entre junho de 2010 e julho de 2011, o Ministério da Cultura trocou 799 mensagens de texto e 191 chamadas telefônicas com o principal lobista do grupo Murdoch, Frederic Michel. Entre as mensagens se destacam dois e-mails nos quais Michel elogia Hunt por sua destreza retórica. Em um deles, Michel dizia a Hunt: “estiveste magnífico na Câmara dos Comuns”. Ao que, Hunt, modesto, cosmopolita e afrancesado, respondeu: “Merci, um bom trago hoje à noite”. No dia 13 de janeiro de 2011, Michel elogiou Hunt por sua aparição no programa política de Andrew Marr: “Estiveste muito bem com Marr. Como sempre”. Sempre parisiense, Hunt respondeu: “Merci, com sorte quando esta consulta terminar poderemos tomar um café como nos velhos tempos”.

As datas, a quantidade e o conteúdo das mensagens são chave. Em junho de 2010, o grupo Murdoch ofereceu 8 bilhões de libras (cerca de 13 bilhões de dólares) para adquirir 61% do controle acionário que faltava para ter o controle completo da BskyB. Um ano e meio depois, retirou a oferta por causa do escândalo das escutas telefônicas que sua publicação dominical “News of the World” havia feito com o celular de uma adolescente sequestrada e assassinada. Durante esse período, Michel, diretor de temas institucionais europeus da News Corp., manteve um contato diário com o Ministério da Cultura apesar de o governo ter que decidir se a oferta era uma ameaça para a liberdade de imprensa pelo poder monopólico que oferecia a News Corp., dona de 40% da imprensa escrita do Reino Unido.

O lobista dos Murdoch afundou um pouco mais a faca no corpo do ministro da Cultura quando indicou, nesta quinta-feira, que, na avaliação dele, a série de e-mails que recebeu de Adam Smith, ex-assessor de Hunt, não fazia mais que transmitir mensagens do ministro. “Sempre supus que Smith falava representando seu chefe e que tudo o que me dizia eram um fiel reflexo do que havia falado com ele”, assinalou Michel.

Em abril, Smith renunciou quando a Comissão publicou os e-mails. Em um deles, o lobista contava a James Murdoch que em relação ao informe da agência reguladora dos meios de comunicação, OFCOM, Hunt “me pediu novamente que encontrássemos todos os erros legais que pudéssemos e que propuséssemos algumas soluções fortes a estas objeções”. No dia prévio ao anúncio feito por Hunt ao Parlamento sobre a decisão que o governo adotaria a respeito da oferta do grupo , Michel escreveu a Murdoch que “há muitos problemas legais, de modo que Hunt está tratando de obter uma versão favorável para nós”. O ministro da Cultura se defendeu dizendo que Smith havia se excedido em suas funções e que em nenhum momento havia representado seu pensamento.

O governo respaldou Hunt assegurando que não houve em nenhum momento nada inapropriado em sua relação com a oferta pela BskyB. A realidade é que o próprio primeiro ministro David Cameron e o ministro de Finanças, George Osborne, viram-se repetidas vezes envolvidos no tema por sua relação muito próxima com figuras chave da News Corp., desde o magnata Ruppert Murdoch e seu filho James, até a ex-editora executiva da operação britânica do grupo, Rebekah Brooks, e o ex-editor do News oh the World, Andy Coulson, que foi chefe de imprensa de Cameron. Até aqui, Hunt tem servido de escudo para Cameron. Está cada vez menos claro quanto tempo mais contará com esse escudo. Dependerá muito do depoimento do próprio Hunt na Comissão, marcado para a próxima semana.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Carta Maior

Tsipras: “Refundar a Europa e derrotar o poder financeiro”

Em visita a Paris, onde se reuniu com Jean-Luc Mélenchon, o líder da esquerda radical grega, Alexis Tsipras, fez duras críticas à política europeia conduzida pela chanceler alemã Ângela Merkel e ao setor financeiro. “Esse poder é o grande inimigo dos povos, não governa mas decide sobre todas as coisas”, afirmou. Tsipras acusou Merkel de “estar levando a Europa a uma espécie de suicídio coletivo”. As últimas pesquisas dão ao partido de esquerda radical 28% dos votos, a frente da direita da Nova Democracia, que apresenta 24%. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.

Eduardo Febbro – Paris

Paris – O homem que colocou em xeque o mega plano de austeridade que o Fundo Monetário Internacional e a União Europeia impuseram a Grécia enviou, desde Paris, uma mensagem muito clara: Alexis Tsipras, o líder da esquerda radical grega, Syriza, disse na capital francesa que era urgente “refundar a Europa e derrotar o poder financeiro. Esse poder é o grande inimigo dos povos, não governa mas decide sobre todas as coisas”.

Alex Tsipras veio a Paris para se encontrar com Jean-Luc Mélenchon, o líder da Frente de Esquerda francesa, candidato nas eleições presidenciais de abril e maio e, hoje, adversário direto da líder da extrema-direita, Marine Le Pen, nas eleições legislativas de 10 e 17 de junho.

Tsipras chegou na França em posição de força. A Grécia volta a realizar eleições legislativas no próximo dia 17 de junho e as sondagens indicam a vitória de seu partido, o que faria dele o próximo primeiro ministro. Dirigindo-se diretamente à chanceler alemã Angela Merkel, o homem que faz tremer a Europa fustigou com paixão e virulência os programas de austeridade e ajustes promovidos por Berlim, ao mesmo tempo em que desqualificou aqueles que não deixam a Atenas outra alternativa além de aceitar a austeridade ou morrer: “não se negocia com o inferno”, disse o responsável da Syriza. Quanto a Merkel, Alexis Tsipras acusou a chanceler alemã de “estar levando a Europa a uma espécie de suicídio coletivo”.

Para este político de 37 anos que surgiu no primeiro plano em plena hecatombe, o que está ocorrendo na Grécia não é uma crise passageira acompanhada por um enésimo plano de austeridade, mas sim um experimento que pretende ser ampliado: “não se trata de um simples programa de austeridade, mas sim de um experimento neoliberal de choque que conduz a Grécia a uma crise humanitária que, logo em seguida, deverá ser exportado a toda Europa”. O diagnóstico que Tsipras formulou em Paris é claro e combativo: “estamos vivendo uma guerra entre as forças do trabalho e as forças invisíveis da finança e os bancos”, disse ele junto a Mélenchon, que completou a mensagem dizendo que “a cadeia de resignação e de servidão que unia os povos europeus está se rompendo”.

O panorama eleitoral do partido Syriza tem contornos favoráveis para mudar as regras do jogo impostas pelo mundo financeiro. Esse “inimigo”, disse Tsipras, pode “cair” graças às eleições legislativas de 17 de junho. Segundo ele, a consulta eleitoral não será “um pseudo dilema entre o euro e o dracma – a antiga moeda grega -, mas sim uma escolha entre o memorando de austeridade e a esperança. Longe de ser um inimigo do euro, Tsipras se apresentou em Paris como um “partidário” da moeda única mas, ao mesmo tempo, como um adversário da “chantagem praticada pelos partidários da austeridade”. Os argumentos do Syriza ganharam muitos eleitores na Grécia. As últimas pesquisas dão ao partido de esquerda 28% dos votos, a frente da direita da Nova Democracia, que apresenta 24%.

O crescimento do Syryiza tem sido espetacular. Desde as eleições legislativas realizadas no último 6 de maio, quando surgiu como a segunda força política do país, o partido ganhou 16 pontos em intenções de voto.

Comparativamente, nas eleições de 2009, o Syriza havia obtido só 4%. Alexis Tsipras deixou bem claro em Paris que, em caso de vitória nas eleições de junho, não aceitará nenhuma negociação sobre o pacote de austeridade que a UE e o Fundo Monetário Internacional impuseram a Grécia em troca dos 130 bilhões de euros de resgate financeiro. Neste sentido, Tsipras defendeu os argumentos do presidente francês, o socialista François Hollande, a favor do crescimento como estratégia para sair da crise. “Se seguirmos como estamos agora, em seis meses será preciso aprovar um terceiro plano de ajuda e uma segunda reestruturação da dívida. Os governos europeus devem deixar de pedir aos contribuintes que sigam colocando seu dinheiro em um poço sem fundo. Sem crescimento, jamais poderemos pagar o dinheiro que nos emprestarem”.

Os cerca de 200 jornalistas credenciados na Assembleia Nacional nunca tinham escutado um discurso tão cirúrgico contra o sistema financeiro pronunciado dentro do sacrossanto recinto parlamentar. Tsipras definiu o plano de austeridade aplicado a Grécia como um “desastre humanitário”, como um “ato de barbárie ineficaz”. Tanto Tsipras como Mélenchon fustigaram a Europa por sua conduta em relação a Grécia e a condenação coletiva de Atenas no que diz respeito à crise. Ambos pediram uma “solução comum para um problema comum” porque, senão, a tragédia grega alcançará inevitavelmente outros países. “Ameaçar a Grécia é ameaçar a nós mesmos”, disse Mélenchon que, de passagem, recordou que 60% da dívida grega está em cofres públicos.

Apoiados pela brisa de uma mudança, Tsipras e Mélenchon defenderam uma associação completa da esquerda europeia destinada à “refundação da Europa baseada na coesão social e na solidariedade”. A linguagem juvenil e combativa de Alexis Tsipras não é angelical. O líder do Syriza sabe que, mesmo com a vitória política nas urnas, a estrada será árdua: “formar um governo não equivale a ter o poder. Se conseguirmos ser majoritários nas urnas teremos contra nós os bancos, os meios de comunicação e uma parte do Estado”, disse Tsipras.

O político grego se comprometeu em Paris a tomar uma série de medidas imediatas em caso de ganhar as eleições de junho: “um governo de esquerda – explicou – colocará fim imediatamente as medidas mais insustentáveis como a diminuição dos salários e das aposentadorias”. Tsipras reconheceu que para tirar a Grécia do marasmo será preciso fazer “sacrifícios”, mas também esclareceu que “do mesmo modo que todos os povos da Europa os gregos querem ter o sentimento de que seus sacrifícios são úteis e que os mais pobres não serão os únicos a pagar a conta”.

Tradução: Katarina Peixoto

Carta Maior

‘Discípula’ Dilma homenageia ‘mestre’ Maria da Conceição Tavares

A economista recebeu o prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia de 2011 das mãos da presidenta Dilma Roussef e disse estar muito otimista com o Brasil. Emocionada, Tavares revelou que foi Darcy Ribeiro quem lhe convenceu a “virar brasileira de fato”, decisão da qual se orgulha: “Ele disse que ao contrário da Europa, que ele não tinha grandes esperanças, com toda razão, o Brasil ele achava que iria ser capaz de construir uma sociedade mais homogênea, multirracial e mais democrática”.

Vinicius Mansur

Brasília – A economista Maria da Conceição Tavares foi exaltada na cerimônia em que a presidenta Dilma Roussef lhe entregou o prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia de 2011. Na abertura do evento, na manhã desta quinta-feira (17), o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, escalou a economista “no time de expoentes da intelectualidade que interpretaram a sociedade brasileira”, ao lado de Gilberto Freire, Celso Furtado, Caio Prado, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro e Ignácio de Rangel.

“Não é qualquer país que tem o privilégio de contar com uma mulher com a sua força, uma intelectual com o seu brilho e uma militante com a sua lucidez”, elogiou.

O ministro ressaltou as contribuições de Tavares para a formação do pensamento econômico brasileiro, em especial na caracterização do crescimento da economia brasileira nos anos 1960 e 1970 e nas causas da ausência de crescimento nas duas décadas posteriores. Ele também destacou a maneira enfática e consistente com que a economista defendeu a transição do já falido modelo de produção industrial visando a substituição de importações para um modelo auto-sustentável, só possível com investimentos decisivos do setor público. ”A história recente mostrou a falência dos governos em que os ‘booms’ da economia são ditados pelo mercado”, apontou.

Raupp ainda destacou o papel de Tavares na formação de gerações de economistas, que há décadas influenciam ou mesmo definem as políticas públicas no país, e também elogiou o que chamou de “brasilidade”. “Mesmo que tenha nascido em Portugal, Maria da Conceição comporta-se como uma brasileira visceral, autêntica, exemplar para todos os demais brasileiros e brasileiras”, concluiu.

Ao assumir a palavra, emocionada, Tavares revelou que foi Darcy Ribeiro quem lhe convenceu a “virar brasileira de fato”, decisão da qual se orgulha:

“Ele disse que ao contrário da Europa, que ele não tinha grandes esperanças, com toda razão – olha o que está acontecendo, tragédia no meu continente originário -, o Brasil ele achava que iria ser capaz de construir uma sociedade mais homogênea, pluriracial e mais democrática, que ia ter a particularidade de ser a primeira sociedade deste estilo nos trópicos (…) e eu quero dizer que nesse particular, eu estou muito otimista, foi bom ter virado brasileira, foi bom ter feito a luta e é muito bom estar na companhia da minha amiga e querida discípula, a presidenta Dilma e tantos que estão aqui.”

Maria da Conceição Tavares também contou que durante o mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso resolveu ir para a política “porque não adiantava mais falar nada, até porque a imprensa não nos dava nem um capítulo, tinha cara de neoliberalismo” e caracterizou este período “estranho, porque os participantes daquele governo eram historicamente progressistas” mas mudaram a Constituição – “aquela que nos custou tanto esforço” – em aspectos vitais. “Vocês imaginam o sofrimento que foi, eu arrebentei minha coluna foi aí”, disse arrancando gargalhadas do público.

Tecendo rápidos comentários sobre a conjuntura econômica mundial, a economista elogiou o Brasil por não ter ”entrado em parafuso” com a “crisona que está aí”, dando os créditos deste feito aos dois governos Lula e a continuação com o governo Dilma. “Espero que ela chegue ao fim do seu mandato com a crise vencida e com os caminhos e a estratégia de desenvolvimento desenhada em bom termo. Ou seja, espero morrer feliz por ser brasileira e infeliz por ser europeia. Isso lamento muito, mas acho que não vou conseguir passar a crise européia”, comentou com seu humor particular.

Por sua vez, a presidenta Dilma Roussef iniciou seu discurso considerando-se uma discípula de Tavares e elogiando seu compromisso com o desenvolvimento do Brasil e da América Latina. “Compromisso que sempre cumpriu tratando a economia como ela deve ser tratada: como economia política”, salientou.

De acordo com a presidenta, não houve momento importante na história do país, nas últimas décadas, sem as considerações da “nossa professora”:

“Nós hoje não admitimos mais a possibilidade de construir um país forte e rico dissociado de melhorias das condições de vida de nossa população, nem tampouco acreditamos mais na delegação da condução de nosso crescimento exclusivamente às forças de auto-regulação do mercado. Crença, aliás, que Maria da Conceição Tavares sempre, corretamente, criticou”.

Prêmio
O Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia completa 30 anos e é realizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em a parceria da Fundação Conrado Wessel e da Marinha do Brasil. Na edição de 2011, o prêmio contemplou a área de Ciências Humanas, Sociais, Letras e Artes.

Maria da Conceição Tavares é a segunda mulher a receber o prêmio, a primeira foi a socióloga Maria Isaura Pereira de Queiroz.

Tavares é graduada em Matemática pela Universidade de Lisboa e em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da qual é professora Emérita. Fez mestrado na Universidade de Paris II e doutorado em Economia da Indústria e da Tecnologia pela UFRJ. Aeconomista também lecionou nas universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Latinoamericana de Ciencias Sociales da Argentina, Nacional Autonoma do México, Pontifícia Universidade Católica do Chile e na Fundação Getúlio Vargas (FGV), entre outras. Foi consultora em instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Instituto Nacional de Investigação Científica (Inic), de Portugal.

Entre os prêmios e honrarias recebidas estão o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, Ordem de Bernardo O Higgins, Gran Official, do Governo do Chile, Oficial da Ordem de Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ordem ao Mérito do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Prêmio BNDES de dissertação de mestrado.

Foi deputada federal pelo PT entre 1995 a 1999.

Fotos: Antonio Cruz/ABr

Carta Maior

“Catástrofe liberal”: crise arrasta Europa para a incerteza

O cientista político, economista e ex-deputado ecologista Alain Lipietz resume o momento pelo qual atravessa a Europa com duas palavras: “a catástrofe liberal”. As bolsas europeias voltaram a fechar com índices negativos, enquanto a Espanha, arrastada pelo redemoinho da especulação e dos cortes, acusa a Grécia de ser a responsável pela situação. A União Europeia considera cada vez mais a possibilidade de a Grécia abandonar a moeda única. O artigo é de Eduardo Febbro, direto de Paris.

Eduardo Febbro – De Paris

Paris – A história cruza suas espadas e faz papel picado da construção europeia tal como ela foi plasmada no modelo ultraliberal. No momento em que o socialista François Hollande se prepara para assumir a presidência da República da França, a Europa está espremida em uma grave crise enquanto os mercados seguem movendo os fios para não perder um centavo de seus já abismais lucros: a Grécia continua sem formar um governo que aceite submeter o povo à sangria da austeridade imposta pelos mesmos que foram cúmplices da derrocada. As bolsas europeias – Paris, Londres, Milão, Frankfurt, Atenas – voltaram a fechar com índices negativos, enquanto a Espanha, arrastada pelo redemoinho da especulação e dos cortes, acusa a Grécia de ser a responsável pela situação.

“A instabilidade política grega é o principal elemento de incerteza e é aí que devemos agir. Temos que tomar decisões”, disse em Bruxelas o ministro espanhol da Economia, Luis de Guindos. A União Europeia se divide em torno do irmão menor. Responsáveis da Comissão Europeia, ministros, analistas e meios de comunicação já contempla, sem se escandalizar, o futuro da Europa com a Grécia fora do euro. Os responsáveis europeus colocaram Atenas ante uma disjuntiva com final similar: morrer dentro do euro, ou morrer fora dele. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que “se os acordos não são respeitados por um país, isso significa que não há condições para continuar com esse país”.

Na verdade, são os mercados que antecipam a hecatombe. Assustados pela eventualidade de um atraso ou de uma suspensão das ajudas financeiras prometidas a Atenas para que faça frente a seus vencimentos, os investidores se refugiam ali onde seus capitais estão a salvo, neste caso nos títulos alemães. A taxa de risco espanhola alcançou um máximo histórico ao mesmo tempo em que os títulos alemães, os Band, percorreram o caminho contrário: chegaram a seu piso mais baixo da história graças à corrida dos investidores para esse produto seguro. A crise grega se juntou com os desarranjos da banca espanhola oriundos de anos anteriores. O incêndio está chegando aos cofres dos bancos e se expande com as faíscas do passado.

A reforma bancária proposta pelo governo conservador de Mariano Rajoy obriga os bancos a aportar provisões de 30 bilhões de euros para sustentar as contas castigadas por empréstimos imobiliários de alto risco. Cinco dos principais bancos do país – Bankia, CaixaBank, Popular, Santander e BBVA – necessitam de 16 bilhões de euros para sanear-se. Os bancos espanhóis arrastam uma sombra de 238 bilhões de dólares de ativos imobiliários cujo valor é aleatório.

Como se isso não bastasse, o socialista François Hollande assume nesta terça-feira a presidência em pleno confronto com a Alemanha a propósito do manto de austeridade com o qual Berlim cobriu a Europa. O presidente francês se empenhou em renegociar o pacto fiscal adotado em março passado por 25 dos 27 países da União Europeia com a meta de superar a crise. Mas esse pacto implica severas políticas de austeridade e Hollande disse que a austeridade sem crescimento não faz sentido. O chefe de Estado francês quer renegociar o tratando incluindo medidas a favor do crescimento, algo que a Alemanha rejeita. No entanto, os analistas consideram que a força da crise grega obrigará Paris e Berlim a um consenso no momento em que a ideia da saída da Grécia do euro deixou de ser uma metáfora.

O tabu sobre a unidade em torno do euro foi reduzido a pedaços. A União Europeia considera cada vez mais a possibilidade de que a Grécia abandone a moeda única. O semanário britânico The Observer chegou até a publicar uma nota sobre “como a Grécia poderia deixar o Euro em cinco etapas difíceis”. Em Atenas, o chefe do partido de extrema-esquerda Syriza, negou-se a formar um governo com mandato para aplicar um programa que ele mesmo qualificou de “criminoso”. Sem governo na Grécia, a única alternativa seria realizar novas eleições daqui a um mês. Marcus Huber, membro da empresa de consultoria financeira ETX Capital, disse à imprensa que “essas eleições não só conduziriam a um novo rechaço das medidas de austeridade, como representariam um verdadeiro referendo sobre a permanência ou não do país na zona do euro”.

Antes impensável, essa eventualidade torna-se tangível e as capitais europeias já começaram a fazer contas. Na França, o governador do Banco da França, Christian Noyer, declarou que nenhum grupo financeiro, banco ou companhia de seguro atravessaria sérias dificuldades em caso de “um cenário extremo na Grécia”. O passivo da Grécia com os bancos franceses chega a 13 bilhões de euros.

Atenas deve cumprir com o plano de ajuste ou partir. O cenário de um erro sem a Grécia é menos otimista que as declarações oficiais. Se isso ocorrer, muitas empresas entrariam em situação de moratória. Segundo a agência de avaliação financeira Fitch, as repercussões da Grécia fora do Euro se fariam sentir nas notas de países como Itália e Espanha. De fato, a crise polifônica que atinge a Europa é consequência do dogma liberal: desmontar os Estados, impor a bota da austeridade e do rigor. Em termos de funcionamento, o dogma também criou desarranjos difíceis de corrigir: o Banco Central Europeu (BCE) não empresta dinheiro aos Estados, só aos bancos privados. Só o BCE tem o poder de desvalorizar o euro e unicamente o BCE e os bancos privados podem emitir moeda, não os Estados.

Por esta razão, a Grécia não pode nem desvalorizar nem criar moeda, nem obter dinheiro do Banco Central a uma taxa razoável. A universitária Sophia Mappa, pesquisadora no Laboratório de Investigações sobre a Governabilidade (Largotec) assinala que “a crise grega é o espelho dos limites do modelo liberal, não só econômico, mas também social”. O cientista político, economista e ex-deputado ecologista Alain Lipietz resume o momento pelo qual atravessa a Europa com duas palavras: “a catástrofe liberal”.

Nada retrata melhor sua análise do que as cifras do banco BBVA. No informe anual apresentado em abril passado pelo BBVA, ante a Comissão do Mercado de Valores dos Estados Unidos, o banco registrou: “A crise da dívida soberana na Europa se intensificou em agosto de 2011 e se contagiou com pressões de financiamento no setor financeiro. As tensões financeiras na Europa seguem em níveis superiores àquelas verificadas após a queda do Lehman Brothers em 2008”. Quatro anos depois da grande quebra do Lehman, a crise não fez outra coisa do que desenhar um redemoinho que arrasta povos inteiros ao desemprego, à pobreza e à incerteza.

Tradução: Katarina Peixoto

Carta Maior

Dilma: reduzir juros, proteger câmbio e diminuir impostos

Cerimônia de posse de novo ministro do Trabalho foi recheada de referências à Brizola, João Goulart e Getúlio Vargas. Em seu discurso, a presidenta Dilma Rousseff destacou as três metas centrais do seu governo no momento: ter taxas de juros compatíveis com aquelas praticadas no mercado internacional, um câmbio que não seja objeto de políticas que, de forma artificial, valorizem a moeda brasileira e impostos mais baixos. A reportagem é de Vinicius Mansur.

Vinicius Mansur

Brasília – O novo ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT-RJ), foi empossado pela presidenta Dilma Roussef, nesta quinta-feira (3), com discurso emocionado e elogioso a herança do trabalhismo no Brasil. “O sobrenome que possuo, integra a linhagem de brasileiros ilustres que se inicia com Vargas, prossegue com João Goulart e flui para figura querida e saudosa de meu avô Leonel Brizola, este sobrenome está – e não pela minha humilde presença – indissoluvelmente ligado a essa trajetória que agora se redesenha com Luiz Inácio Lula da Silva e hoje com Dilma Rousseff”, disse.

O pedetista elogiou os governos federais petistas por terem rompido com o receituário neoliberal no qual o desemprego era “uma fatalidade, um componente necessário a uma economia em desenvolvimento”. “Não temos apenas o ciclo de progresso econômico, mas experimentamos um avanço social que incorporou mais de 40 milhões de brasileiros à vida moderna”, considerou.

Em seu discurso, o novo ministro lembrou o período Vargas – onde “começou-se a romper um mito de que o trabalho era apenas uma mercadoria a ser negociada com a liberdade selvagem”-, defendeu a presença do Estado para se avançar “no caminho da valorização do trabalho, da dignificação do trabalhador e no entendimento de que é o ser humano o princípio e o fim de toda atividade econômica” e cutucou a imprensa:

“Ainda hoje em um jornal se escreve que a presença do Estado como elemento na obtenção deste equilíbrio – sem o qual não há nem justiça, nem progresso, nem humanidade – seria um anacronismo.”

As três metas centrais do governo
Dilma Roussef iniciou seu discurso ressaltando que o desemprego no Brasil está nos patamares mais baixos de sua história – 6,5% em março -, em contraste com países desenvolvidos onde o este índice, em média, é de 10,8%, chegando a 52%, se medido apenas na juventude de alguns países europeus. “Nessa semana, a OIT mostrou que, em relação a 2007, antes da eclosão da crise, só nesse período, o mundo perdeu 50 milhões de vagas formais de emprego (…). Nós navegamos na contramão dessa tendência e desse quadro sombrio. No mesmo período, ou seja, nós criamos 9 milhões de empregos com carteira assinada”, ressaltou.

As metas agora, de acordo com a presidenta, são três: ter taxas de juros compatíveis com aquelas praticadas no mercado internacional, um câmbio que não seja objeto de políticas que, de forma artificial, valorizem a moeda brasileira e impostos mais baixos.

Nestas circunstâncias, Dilma qualificou de significativa a nomeação daquele que, além de carregar o sobrenome Brizola carrega a história do seu tio-avô João Goulart, o Jango:

“Nomear como ministro do Trabalho e Emprego Carlos Daudt Brizola Neto reforça, em meu governo, o reconhecimento da importância histórica do Trabalhismo na formação do nosso país.”

A presidenta destacou que foi o Trabalhismo o responsável por conquistas como a jornada de oito horas de trabalho, o salário mínimo, o direito à organização sindical e a adoção de uma legislação de proteção ao trabalhador.
Apoio

O deputado Paulinho da Força Sindical (PDT-SP) apontou que Brizola Neto é apoiado por todas as centrais sindicais, entretanto, não foi tão firme quando perguntado sobre o apoio do seu partido. “Posso garantir que o Brizola Neto terá o apoio da maioria da bancada de deputados e senadores”, afirmou. Manoel Dias, secretário-geral do PDT e Vieira da Cunha , deputado federal pelo partido, também foram cotados para assumir o ministério.

O presidente da CUT, Artur Henrique , espera que Brizola retome uma agenda positiva no ministério recolocando a pauta sindical na ordem do dia. “Para isso, ele precisará de muita ajuda das centrais”, disse. Entre os temas estão o fator previdenciário, a terceirização, a redução da jornada de trabalho e, de imediato, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438, de combate ao trabalho escravo, que será votada possivelmente na semana que vem.

O dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Alexandre Conceição, avaliou o discurso de Brizola como um bom “resgate histórico e de esquerda”, mas falta elaborar a pauta. “O ministério é muito voltado para a cidade, conhece pouco o campo, precisa fiscalizar e punir os abusos em grandes fazendas, inclusive transnacionais. A PEC do Trabalho Escravo será importante nisso ”, afirmou.

Biografia
Brizola Neto é agora o ministro mais novo do governo Dilma, com 34 anos. Nascido em Porto Alegre (RS), em 11 de outubro de 1978, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1982, quando seu avô foi eleito governador do estado. Em 2004, foi eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro e, em 2006, foi eleito deputado federal, sendo reeleito em 2010. Em 2011 foi secretário de Trabalho e Renda do estado do Rio de Janeiro. Brizola Neto também se destacou na militância virtual através do blog Tijolaço.

Fotos: Antonio Cruz/ABr

Carta Maioe

UM DIA DE DESAGRAVO A VARGAS, JANGO E BRIZOLA

Em seu discurso de despedida do Senado, em dezembro de 1994, o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso anunciou o fim da Era Vargas. Foi generosamente elogiado pelas corporações midiáticas, saudado pelos bancos, aplaudido pelo capital estrangeiro, incensado, enfim, pelo dinheiro grosso e seus áulicos de escrita fina. Era preciso sedimentar o estigma maniqueísta para legitimar o projeto conservador.

Foi o que se fez e ainda se faz. Não escapa ao observador atento a entrevista ‘oportuna’ de FHC esta semana à Folha para advertir a Presidenta Dilma — ‘vá devagar’ na ofensiva contra os bancos pela redução dos juros. Pelos quase dez anos seguintes seu governo negociou barato o patrimônio público construído, na verdade, em décadas de lutas de toda a sociedade brasileira.

Inclua-se nesse moedor a Vale do Rio Doce, mas também algo de incomensurável importância simbólica: a auto-estima da população, seu discernimento sobre quem tem o direito e a competência para comandar o destino de uma sociedade e do desenvolvimento. Entorpecida a golpes de tacape midiático, essa consciência seria desqualificada para a entronização dos ‘mercados desregulados’ como o portador autossuficiente do futuro e da eficiência.

Carta Maior

HOJE É PRIMEIRO DE MAIO, DIA DO TRABALHADOR

Quem é o trabalhador? É todo homem ou mulher que vende sua força de trabalho em troca de um salário.

Quem é o patrão? É todo homem ou mulher que possui os meios de produção. Os bancos, as indústrias, fazendas.

Como o trabalhador produz a riqueza? Através da mais-valia. Um motorista de ônibus recebe por mês R$ 1.500,00. O ônibus que ele dirige por 8 horas fatura em média no turno R$ 600,00. Em dois dias e meio de trabalho ele paga seu salário. O restante vai para o patrão. Assim ele enriquece o patrão e fica sempre pobre.

O trabalhador no capitalismo mudará sua condição de explorado quando entender que é o produtor da riqueza e ao mesmo tempo é o miserável.

Nosso país é rico. Tem um povo trabalhador, mas, infelizmente 1% da população controla sua riqueza.

Ainda a pouco a presidenta Dilma Vana Rousself falou sobre o dia do trabalhador e o que seu governo vem fazendo para melhorar a situação dessa classe. Falou da necessidade da diminuição dos juros para empréstimos, financiamentos e custeios e que o Brasil ainda é o país onde se cobra os maiores juros bancários do mundo.

A concentração de dinheiro por bancos privados é uma das marcas do capitalismo. Trabalhadores nos Estados Unidos perceberam isso e estão nas ruas protestanto contra os bancos sediados em Nova Iork.

Nosso país, já falamos aqui, sempre foi governado por gente das classes dominantes. Os trabalhadores sempre foram mantidos à parte. Esse quadro só mudou quando chegou à presidencia da República, um trabalhador, torneiro mecânico, Luiz Inácio Lula da Silva e agora a presidenta Dilma Vana Rousself.

A relação com os trabalhadores mudou porque por trás há um partido. O partido dos Trabalhadores. Organização criada a partir de uma tomada de consciência de operários, trabalhaores, professores, pensadores, gente do povo que constituíram esse partido, que apesar dos darlyngs tem proporcionado mudanças neste país.

Hoje, nesta data,  quando foi criada por volta de 1890, não deveria ser de festividades, mas sim de reflexão, debates sobre a situação dos trabalhadores e que lutassem pela redução para 8 horas de trabalhos.

O feriado não foi uma concessão de governos, mas fruto de um movimento de trabalhadores, homens e mulheres que partindo da Europa atingiu todo os continentes.

Embora contrariando os anarquistas, a Força Sindical, a CUT e a maioria dos sindicatos brasileiros, pelegos (que recebem dinheiro de prefeituras – vide o caso do sindicato dos metalúrgicos de Manaus que ano passado comemorou a data com dinheiro repassado pelo prefeito cassado Amazonino Mendes)  deixem de lado as orientações dos primeiros movimentos e chantageiam os trabalhadores distribuindo bebidas e prêmios.

Quando o movimento surgiu não se pensava nem se agia dessa maneira. É necessário repensarmos o que fazer a partir de agora. Comecemos com o poema do dramaturgo da Floresta Negra, o alemão, Bert Brecht.

PERGUNTAS DE UM TRABALHADOR QUE LÊ

Quem construiu a Tebas de sete portas?
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruída –
Quem a reconstruiu tantas vezes? Em que casas
Da Lima dourada moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre que
Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio
Tinha somente palácios para seus habitantes? Mesmo na lendária Atlântida
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.
O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos
Quem venceu além dele?
Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande homem.
Quem pagava a conta?
Tantas histórias
Tantas questões.

Abraços afinados para todos os trabalhadores e trabalhadoras do planeta terra que um dia univois-se-ão.

DILMA E O DIA DO TRABALHADOR

A presidenta Dilma Vana Rousseff fez pronunciamento ao povo brasileiro na noite de ontem, dia 30, em cadeia de rádio e televisão comemorando o Dia do Trabalho. A presidenta que é representante do Partido dos Trabalhadores, o partido que mudou historicamente a concepção retrógada do conceito de trabalhador, embora hoje tenha se transfigurado, em seu discurso pontuou a ênfase nas políticas sociais que inserem ao homem dignidade como força de produção de trabalho capaz de produzir uma sociedade mais justa que satisfaça as necessidades do homem.

Por isso, Dilma, se pronunciou afirmando que não quer ser lembrada como uma presidenta que soube tratar bem com a economia, mas uma presidenta que seja conhecida pela defesa da capacitação profissional do trabalhador brasileiro. Para ela, a capacitação profissional contribui para luta contra a pobreza extrema, conquista de melhores salários, e permite ao trabalhador ter acesso a mais bens e serviços.

“Não quero ser a presidenta que cuida apenas do desenvolvimento do país, mas aquela que cuida, em especial, do desenvolvimento das pessoas”, discursou Dilma.

Dilma no transcurso de seu discurso não deixou fora a corrupção cujas consequências atinge em cheio os trabalhadores, visto que ao desviar dinheiro público faz com que falte para aplicação de políticas que beneficiem os trabalhadores.

Sobre a corrupção ela afirmou que vai continuar combatendo os “malfeitos e os malfeitores” e estimular as pessoas honestas do Brasil.

“Garanto às trabalhadoras e trabalhadores brasileiros que vamos continuar buscando meios de baixar impostos, de combater os malfeitos e os malfeitores e, cada vez mais, estimulara as coisas bem feitas e as pessoas honestas de nosso país”, discursou a presidenta.

Dilma também falou sobre a disparidade dos impostos cobrados pelos bancos aos empresários e aos consumidores, e pediu que os consumidores escolham as empresas que lhes oferecem melhores condições.

“É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo. Esses valores não podem continuar tão altos. O Brasil de hoje não justifica isso. Os bancos não podem continuar cobrando os mesmos juros para as empresas e para o consumidor, enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos.

O setor financeiro, portanto, não tem como explicar esta lógica perversa aos brasileiros. A Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros de cheque especial, das prestações ou do cartão de crédito não diminuem.

É bom, também que você consumidor, faça prevalecer os seus direitos escolhendo as empresas que lhe ofereçam as melhores condições”, discursou Dilma, contra a especulação perversa de um dos maiores representante – quiçá o maior – da trapaça do capitalismo, o sistema financeiro.  

Crise, hegemonia e discernimento histórico

Menen votou a favor da renacionalização da YFP, privatizada em 1992 em seu governo; Angela Merkel admite a necessidade de um plano de crescimento para uma Europa devastada pela receita de austeridade germânica; o discurso da extrema direita na França e na Grécia às vezes soa como um brado esquerdista contra o Estado fraco e o abandono da sociedade aos espoliadores ; no Brasil, Gilmar Mendes & outros, do STF, votam por unanimidade a favor do sistema de cotas na universidade; Alckmin diz que o PSDB sempre defendeu a ‘prevalência’ do trabalho sobre o capital; Murilo Portugal, da Febraban, tentou afrontar o governo na queda de braços dos juros com a velha soberba financista; foi retirado de campo rapidamente pelos bancões que anunciaram a adesão (perfunctória, é certo) aos cortes nas taxas … O que está havendo, além de oportunismo e conveniência episódica?

Talvez estejamos entrando no período mais decisivo da crise capitalista iniciada em 2008: aquele que coloca ao alcance da esquerda o desmascaramento histórico das idéias e agendas que hoje constrangem até personagens e força que por 30 anos subordinaram os destinos da economia e da sociedade à supremacia das finanças desreguladas.

A trágica herança desse período acumulou massa crítica na fornalha do discernimento social . Afogada em desemprego – que cresceu 66% entre seus Estados membros desde 2008, segundo a OIT – a União Européia tornou-se a chaminé sombria desse estágio terminal. A imolação da Espanha pelo governo direitista do PP corrige quem se iludiu com ‘a especificidade perdulária dos gregos’; ou relevou como tragicomédia o naufrágio italiano sob o comando de um Don Juan.

As histórias nacionais são sempre específicas. Mas a crise sistêmica que interliga gregos e troianos escancara o custo devastador da dominância financista ali onde ela não encontrou contrapesos no poder Estado, nem a resistência da democracia mobilizada.

O enlouquecido repto da direita espanhola escalpela a 4ª maior economia do euro em praça pública, ao custo de 5,6 milhões de desempregados, mais o desmanche do sistema de ensino e da saúde pública. E pur se muove : e mesmo assim os capitais continuam a fugir do país, a ponto de esculpir nuances de perplexidade no olhar catatônico do mandatário Mariano Rajoy que tudo faz a seu contento.

Nunca na série histórica do BC espanhol,desde 1990, houve registro de uma debandada tão persistente e graúda: desde junho investidores tiraram 128,5 bi de euros do país; a curva ascendente marcou novo pico em fevereiro com a saída de 25,5 bi de euros, quando os próprios espanhóis ricos remeteram outros 13 bi de euros para cofres estrangeiros. É uma sangria que todos enxergam e fingem não entender: o ajuste baseado em arrocho, recessão e consequente queda de receita conflita nos seus próprios termos com a meta perseguida de equilíbrio fiscal. A fuga ressalta o objetivo superior de obter liquidez, zerar posições, evadir-se, antes que seja tarde (nesta segunda-feira, pelo segundo trimestre consecutivo, a economia espanhola registrou resultado recessivo, com queda do PIB de menos 0,3%; 16 bancos locais tiveram avaliação piorada por uma agência de risco ingrata aos esforços do austericídio oficial).

As urnas francesas do próximo domingo, dia 6, vão testar a extensão desse discernimento na consciência européia. Pela primeira vez, a mistificação do debate sobre a natureza da crise e suas alternativas foi polarizada por uma visão consequente, personificada na candidatura de Mélenchon, cuja fatia de 11% dos votos pode ser decisiva à vitória de Hollande. Mais estratégica ainda será a persistência da pressão política da Frente de Esquerda num eventual governo socialista francês. Induzí-lo a adotar políticas que respondam de fato à natureza da crise -por exemplo, a regulação do sistema financeiro- será decisivo para saltar da revolta à construção de uma nova hegemonia política no coração do euro.

Por Saul Leblon

Carta Maior

URNAS DE MAIO: O QUE ELAS ESCONDEM

Durante 30 anos o discernimento histórico foi entorpecido pela radiola do pensamento único, a proclamar as virtudes e a autossuficiência da ordenação da sociedade sob a égide dos livres mercados. O dinheiro solto era mais eficiente que o desenvolvimento planejado.

Mais que um martelar teórico, tornou-se a única experiência tangível em escala relevante, sendo a sua crítica um exercício mais de resistência ideológica, do que uma confrontação prática de experiências e projetos. Esse tempo acabou.

Hoje a opinião pública mundial desfruta o privilégio de comparar lógicas divergentes em ação. Nesse acerto de contas cabe à Europa, que figurou no pós-guerra como um contraponto de democracia social ao capitalismo americano, o enredo da tragédia. Assiste-se ali à derrocada de nações que mergulharam na crise de 2008 subordinadas à supremacia das finanças desreguladas e, mais que isso, desprovidas de lideranças capazes de resgatá-las da austeridade suicida, quando a sobrevivência do modelo tornou-se sinônimo de sacrifício terminal.

O mergulho da Inglaterra na fogueira recessiva da UE, cujas labaredas já consomem a Espanha, Portugal, Itália, Grécia e outros sob o lança-chamas ortodoxo de Angela Merkel, reforça a abrangência de um divisor histórico. As eleições francesas emprestam a ele uma primeiro escrutínio de polarização pedagógica. Mas não cabe ilusão.

O mundo que arde em recessão, desemprego, Estados falidos e dívidas soberanas impagáveis não é um produto de teorias ou de livros textos. Esse mundo tem dono. Sua dominância está entranhada em instituições capilarizadas , dispõe de vocalização midiática abundante, abriga interesses fortes encastoados nas estruturas sociais. O fogaréu recessivo do euro não figura aos olhos dessa teia como um sacrifício despropositado, mas um ajuste imperativo entre credores e devedores.

A austeridade ortodoxa é o preço a pagar. As urnas francesas, tudo indica, devem mudar a ponta desse iceberg. Trocar Sarkozy por François Hollande em 6 de maio –no mesmo dia em que os gregos elegem um novo parlamento, enfrentando dilemas equivalentes aos dos franceses– é um passo. Mas ainda não altera a essência do poder.

Na França, na Grécia,Espanha, Itália ou Portugal, quem vencer eleições terá que afrontar acordos, como o pacto de arrocho fiscal do euro imposto por Berlim, e rendições que remetem diretamente à cota de arrocho social necessária à preservação do poder financeiro. Na Grécia, estão pré-contratados cortes equivalentes a 5,5% de um PIB que há quatro anos está em recessão.

Na Europa em geral, segundo o próprio FMI, o ‘saneamento’, leia-se, a salvação de 58 maiores bancos privados pressupõe uma desalavacagem (contração recessiva de créditos) da ordem de dois trilhões de euros.

Curto e grosso: preservar os bancos reverterá em mais prejuízos à sociedade. Deixá-los à bancarrota não será menos caótico. Esses mesmos bancos são muitas vezes os maiores credores do Estado ,configurando-se um paradoxo em que o tomador precisa assegurar a sobrevivência do credor. Na Itália os bancos tem o equivalente a 32% do PIB em títulos públicos nas suas carteiras; na Espanha ele equivalem a 26,5% do PIB, segundo o FMI.

No ciclo que ora agoniza as interações entre Estados e mercados financeiros tem sido marcadas pela subordinação imperial dos primeiros aos segundos por meio da dívida pública e do manejo da liquidez e dos juros. Alterar essa relação de poder implica alterar a natureza do sistema de crédito e financiamento na economia, um serviço público até aqui predominantemente privatizado.

Esse é o grande desafio embutido nas urnas de maio. Transformar a polarização eleitoral num debate fascista sobre imigrantes é apenas a maneira ardilosa a qual o conservadorismo recorre historicamente para embaralhar os dados da história. Resta saber se os vencedores terão escopo para mudar as regras do jogo.

Saul Leblon

Carta Maior

Projetos de mobilidade urbana terão R$ 32 bilhões do PAC

Para a presidenta Dilma Rousseff esta é a prova de que o país mudou e já possui condições econômicas para investir na qualidade de vida dos moradores das grandes cidades. De acordo com ela, os recursos beneficiarão, diretamente, 53 milhões de brasileiros, em 51 municípios com mais de 700 mil habitantes. Estão previstas a construção de mais de 600 Km de corredores exclusivos para ônibus, mais de 380 estações e terminais, 200 Km de linhas de metrô, além da aquisição de mais de mil veículos sobre trilhos.

Najla Passos

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff afirmou, nesta terça (24), que o investimento de R$ 32 bilhões para obras de mobilidade urbana em 51 municípios brasileiros, anunciado nesta terça (24), é a prova de que o país mudou e já possui condições econômicas para investir na qualidade de vida dos moradores das grandes cidades.

“A senadora Marta Suplicy me dizia que, quando ela era prefeita [do município de São Paulo] jamais teve R$ 200 milhões para investir em mobilidade urbana. É verdade, os tempos são outros. O Brasil mudou. Hoje nós temos condições de fazer esse investimento, que tem o objetivo de beneficiar a população dessas grandes cidades. São 53 milhões de brasileiras e brasileiros que vivem e transitam da casa para o trabalho, da casa para o lazer, da casa para sua atividade escolar”, disse.

Segundo a presidenta, o investimento garantirá menos tempo perdido em transportes de massa, menor custo e maior adequação ao meio-ambiente. Serão obras para ampliação e construção de metrôs, veículos leves sobre trilhos (VLT) e corredores de ônibus em cidades com mais de 700 mil habitantes. “Nós combinamos vários tipos de transporte urbano: metrôs, VLTs, terminais de passageiros, trens, como forma de articular a logística dos diferentes modais”, explicou.

Estão previstas a construção de mais de 600 Km de corredores exclusivos para ônibus, mais de 380 estações e terminais, 200 Km de linhas de metrô, além da aquisição de mais de mil VLTs. Dos R$ 32 milhões, R$ 20 milhões sairão dos cofres da União e o restante virá das contrapartidas assumidas por estados e municípios.

O ministro das Cidades, Agnaldo Ribeiro, destacou o que as obras deixarão um legado muito importante para os brasileiros, principalmente para aqueles que perdem até 4 horas diárias em transporte público. Segundo ele, em muitos casos, as obras reduzirão o tempo gasto em transportes de 4 para 1 hora. “Estamos lançando um programa que reduzirá quase um dia por mês em trânsito para muitos brasileiros”, afirmou ele, explicando o que batizou de “matemática humana do projeto”.

Em nome dos administrados dos 51 municípios contemplados, o prefeito de São Bernardo dos Campos, Luiz Marinho, disse que o PAC Mobilidade significa o grande desafio de enfrentar os grandes engarrafamentos. E cobrou da presidenta a liberação de recursos para a urbanização das favelas. “Estamos ansiosos para saber quando se iniciará a seleção”, destacou.

Confira aqui os 51 municípios beneficiados.

Fotos: Wilson Dias/ABr

Carta Maior

DILMA LANÇA NOVA ETAPA DO MINHA CASA, MINHA VIDA

Ao anunciar o lançamento da nova etapa do programa Minha Casa, Minha Vida a presidenta Dilma Vana Rousseff, afirmou que o governo irá entregar 107 mil moradias para famílias com renda mensal de até R$ 1.600 que vivem em municípios pequenos. Ela disse também que desenvolvimento do país dever estar acompanhado de justiça social.

Segundo a presidenta o objetivo do programa Minha Casa, Minha Vida é entregar 2,4 milhões de moradias até o ano 2014, e que de janeiro do ano passado até o momento já foram contratadas 614 mil casas. Ela também orientou as pessoas que pretende entrar no programa da casa própria procurar a prefeitura de seu município para conhecerem o processo de seleção dos beneficiados.

“Minha Casa, Minha Vida é um programa importantíssimo do governo federal porque investe na qualidade de vida das famílias. Ao todo, mais de 2.500 municípios com até 50 mil habitantes devem ser beneficiados. Sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

A prestação não pode passar de 5% da renda familiar. Se uma pessoa ganha R$1.000, por exemplo, ela vai pagar até R$50. A gente sabe que as famílias que ganham até R$ 1.600 por mês só conseguem ter uma casa própria se o governo ajudar”, disse a presidenta.

Argentina diz basta à espoliação da Repsol

A Argentina deciduu renacionalizou as ações YPF pertencentes à espanhola Repsol. A decisão soberana, anunciada nesta 2ª feira pela presidenta Cristina Kirchner, em rede nacional de rádio e televisão, é uma resposta ao vampirismo que tem pautado a atuação do capital espanhol no setor. A Repsol detinha 57% da petroleira argentina privatizada em 1993 no processo de desmonte neoliberal do Estado argentino promovido pelo governo Carlos Menen. Em 2010 os investidores espanhóis extraíram um lucro de 1,4 bilhão de euros do subsolo argentino. A produção nacional de petróleo, porém, recuou quase 5,5%.

A Argentina foi a economia ocidental que mais cresceu na última década. Entre 2003 e 2010 o consumo argentino de petróleo e gás aumentaria respectivamente 38% e 25%. A oferta cairia 12% e 2,3%. A assimétrica evolução evidenciou o descompromisso do capital estrangeiro com o desenvolvimento do país. Os atritos entre o Estado e a Repsol se intensificaram. Em 2010, as importações de petróleo resultaram num déficit de US$ 3 bi na balança comercial argentina. Em 2011 a Argentina gastou US 11 bi com a conta petróleo.

O país tem reservas para atender as suas necessidades. Encontra-se em solo argentino a 3ª maior reserva de gás de xisto do mundo: a Repsol, em que pesem os apelos da Casa Rosada, sempre ignorou essa fronteira de soberania energética. Agia em relação ao xisto como a Vale do Rio Doce agiu, durante a gestão do tucano Roger Agnelli, aos apelos de Lula para que a empresa investisse mais na siderurgia nacional. Ou, para ficar numa queda de braço atual, com a mesma desfaçatez exibida pela banca brasileira que se recusa a abdicar de um pedaço do spread –de 37%, em média, o mais alto do mundo– para viabilizar a queda dos juros.

Nos últimos três anos o governo Cristina fixou um imposto sobre exportações de petróleo, a exemplo do que fez com as commodities agrícolas. O objetivo era justamente reter no metabolismo econômico os ganhos extras gerados pela especulação internacional com matérias-primas. No Brasil, esses ganhos extras foram sistematicamente repassados pela Vale aos acionionistas –e assim festejados pela mídia demotucana como prova de superioridade da gestão privada na exploração das riquezas nacionais. Um contrafogo neoliberal aos avanços da Petrobrás.

A Repsol não furou um único poço de petróleo na Argentina desde 2009. Na Espanha, o governo do direitista PP adianta que reagirá à ‘expropriação’. Faria melhor se concentrasse o súbito ardor soberano na resistência a ação predatória do capital financeiro sobre a sociedade espanhola: nesta 2ª feira, o cartel rentista global exigia da Espanha um ganho extra da ordem de cinco pontos acima da rentabilidade dos títulos alemães para continuar financiando a

Por Saul Leblon

*Csrta Maior

DILMA AO FALAR COM OBAMA MOSTROU A PREOCUPAÇÃO DO BRASIL COM A DESVALORIZAÇÃO DO DOLAR E A IMPORTÂNCIA DO BRICS

Em sua viagem aos Estados Unidos a presidenta Dilma Vana Rousseff se encontrou com o presidente do país que se toma como imperial, Barack Obama, e falou sobre a preocupação dos países emergentes com a política de expansão monetária praticada pelos países desenvolvidos com o interesse de saírem da crise internacional.

Segundo Dilma, essa prática desvaloriza o dólar que acaba por obstruir o desenvolvimento dos países emergentes. Dilma disse também que o crescimento da economia norte-americana pesa sobre os países que fazem parte do BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

“Manifestamos ao presidente Obama a preocupação do Brasil com a expansão monetária, sem que os países com superávits equilibrem essa expansão monetária com políticas fiscais baseadas na expansão dos investimentos.

Essas políticas monetárias solitárias, no que se refere a políticas fiscais, levam à desvalorização das moedas dos países desenvolvidos, levando ao comprometimento dos países emergentes.

Os países do BRICS respondem hoje por uma parte muito expressiva do crescimento econômico, mas é importante saber que retomada do crescimento, num horizonte de médio prazo, passa também pela retomada expressiva da economia norte-americana.

O Brasil, como os Estados Unidos, tem áreas estratégias nas quais cooperar, ou melhor, aprofundar nossa relação, por exemplo, na área de energia. Temos um grande campo de cooperação quando se considera o petróleo e o gás. Tanto no que se refere ao fornecimento de equipamentos e serviços, tanto no que se refere à participação nas relações comerciais.

Nós também somos parceiros na área de biocombustíveis. Queria saudar a redução às barreiras de etanol ocorrida recentemente. Queria ressaltar também um grande espaço de cooperação na área de eficiência energética, que é tão cara ao presidente Obama”, disse a presidenta. 

O capitalismo esclerosado

Durante recente visita ao Brasil, David Harvey afirmou que os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia. A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de “tsunami de dólares” que os países ricos estão fazendo pelo mundo afora. O artigo é de Najar Tubino.

Najar Tubino (*)

A ideia é do professor da Universidade de N.York David Harvey, em visita recente ao Brasil. Os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia.

- Comparo o capitalismo a um corpo que pode ficar doente se houver restrições ao fluxo sanguíneo. É importante perceber como o capitalismo depende da continuidade do fluxo de capital, e como qualquer interrupção, por qualquer motivo, pode ter custos muito altos. A questão é: o capitalismo é um sistema que está ficando esclerosado.”

Harvey, que pode ser um descendente do cientista inglês Willian Harvey, que descobriu o funcionamento do sistema circulatório no ser humano, considera que na atualidade existem muitos pontos de bloqueios com potencial para oferecer riscos à saúde, sem considerar o fato de que o corpo continua em crescimento e há uma expansão infinita das artérias do fluxo de capital e do fluxo de mercadorias.

UMA MONTANHA DE DINHEIRO
A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de “tsunami de dólares” que os países ricos estão fazendo pelo mundo afora. Um estudo do Instituto Internacional de Finanças (IIF) constatou que a enxurrada de dólares tem um valor bem definido: trata-se de US$ 6,3 trilhões, somando as compras de bônus e ativos podres dos bancos centrais dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e Inglaterra (que não está integrada na zona do euro). Este último caso refere-se à compra dos “gilts” bônus da Grã-Bretanha que o Banco Central da Inglaterra tem comprado no total de US$ 511 bilhões, quando fechar a operação este ano.

É preciso esclarecer as taxas de juros nestas regiões: 1% na Europa, 0,25% nos EUA e 0,5% na Inglaterra. Ao ano, logicamente. A dúvida do IIF, representante dos bancos no sistema financeiro, é se os associados terão condições no futuro de promover empréstimos com dinheiro arrecado do suado trabalho da atividade econômica.

- Os bancos se tornariam incapazes de obter ‘funding’ em bases comerciais, tornando-se nacionalizado pela porta dos fundos. “Persiste a interdependência entre bancos e títulos soberanos, fator que as agências de classificação de risco têm usado para rebaixar os ratings das instituições financeiras”.

EMPURRANDO COM A BARRIGA
Só para citar um exemplo, no caso francês, os três maiores bancos, BNP Paribas, Société Genérale e Credit Agrícole detêm em seus balanços 620 bilhões de euros em títulos soberanos de países como Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda. O levantamento do IIF também apontou que a exposição total dos bancos europeus aos títulos públicos é de 1,45 trilhões de euros em seus balanços, o que corresponderia a 64% do capital das instituições. Nos Estados Unidos a exposição dos bancos é de US$ 158 bilhões de títulos do Tesouro, ou 10% de seu capital.

Desde o início de 2011, o Federal Reserve (Banco Central) aumentou seus ativos em 20%, o Banco da Inglaterra em 27% e o Banco Central Europeu em 54%, contando a última liberação de financiamento de um trilhão de euros.

ATÉ AS MONTADORAS PEGARAM UMA GRANA
Por sinal, os bancos italianos pegaram 139 bilhões de euros do BCE, para pagar em três anos. Os espanhóis ficaram com entre 110 e 120 bilhões e os alemães, pelo menos, com 100 bilhões. Até mesmo as montadoras, como Mercedes Bens, do grupo Daimler e Volkswagen pegaram uma graninha, mas não divulgaram quanto. Ninguém precisa ser um especialista em matemática financeira, para deduzir que este dinheiro vai rodar pelo mundo nos próximos três anos, ganhando juros nos países emergentes, ou comprando empresas de barbada, que estarão à venda, ou prontas, para fusão.

Tivemos um caso no Brasil, público, da aplicação realizada pela Coca-Cola de US$ 3 bilhões, no sistema financeiro brasileiro. Parte dos mais de US$ 8 bilhões do lucro da corporação no mundo, que obteve um faturamento em 2011 de mais de 46 bilhões de dólares. Refrigerantes e sanduíches são dois ingredientes fundamentais do capitalismo esclerosado. O Mac Donald faturou no mundo mais de US$ 30 bilhões, com lucro de US$ 5,5 bilhões. Os brasileiros contribuíram com US$ 950 milhões em sanduíches, do tipo “amo muito isso”, embora tenham mais de 20% de gordura.

ENTRA POR UM LADO E SAI PELO OUTRO
Continuando o raciocínio do professor Harvey. A Europa em recessão, crise da dívida pública, demissões, aumento da idade de aposentadoria e coisas do tipo. Aí a bancada socialista do parlamento europeu encomendou um estudo para a consultoria britânica Tax Research sobre a evasão fiscal no continente. Ou seja, quanto sai de dinheiro, sem o pagamento de impostos. É o outro fluxo sanguíneo, responsável por manter a infraestrutura dos países.
Qual a conclusão do levantamento… cerca de 1 trilhão de euros são desviados para paraísos fiscais, sem o pagamento de impostos, pior, sem registro na economia formal. Aponta o relatório que de cada 5,43 euros um euro fica no setor informal e não paga nada ao fisco.

- Não se pode negar que o tamanho da evasão fiscal ajude a minar a viabilidade da economia na Europa, assim como contribuiu para criar a atual crise da dívida”, registrou o estudo.

Um detalhe: dinheiro do tráfico de drogas, contrabando, prostituição não entrou nas estimativas. A Itália é o país que mais sofre com a evasão fiscal – 180 bilhões de euros anualmente. Seguida pela Alemanha com 158 bilhões, a França com 122 bilhões e o Reino Unido com 74 bilhões. Na Grécia são 19 bilhões de euros e em Portugal 12,3 bilhões.

Em 2011, o governo italiano “descobriu” um milhão de bens imobiliários fantasmas que jamais tinham sido declarados, o que poderia ter rendido 472 bilhões em impostos. Mesmo assim dizem as autoridades que conseguiram recuperar 12 bilhões de euros, em 2011. Agora uma piada, se não fosse verdade. De repente muitos, mas muitos mesmo, casais italianos começaram a tirar férias na Suíça, engarrafando as estradas de fronteira. As autoridades resolveram averiguar o fato. Descobriram malas de dinheiro que iriam para os bancos suíços. Também lingotes de ouro, da poupança de profissionais liberais e outros profissionais. A apreensão de dinheiro na fronteira da Itália com a Suíça cresceu 50% no segundo semestre do ano passado. A exportação de lingotes de ouro para a Suíça cresceu 40%.

A BOLSA E O COMETA
Seguindo na trilha da esclerose. Uma das vantagens, diríamos, do sistema capitalista é a compra de bens e mercadorias. Hoje em dia, traduzido pelo acesso às grifes e marcas internacionais. Antes que eu me esqueça vou citar o caso de uma emergente da Indonésia, Fitria Yusuf, de Jacarta, que segundo o relato da agência Reuters é “louca por bolsas da Hermès”.

Diz ela: “nos idos de 2006 ver uma bolsa Hermès era como ver o cometa Halley”. Ela é coautora do livro “Hermès Temptation”. A Indonésia é um país de 200 milhões de habitantes, na realidade um imenso arquipélago, onde 100 milhões vivem com dois dólares por dia, e o salário médio é de YS$ 113, um terço do chinês. Porém, o número de milionários vem surgindo a razão de 16 por dia, segundo a consultoria Capgemini, especializado em ricos ascendentes. O número de milionários chegará a 99 mil em 2015. Alguns relacionados ao crescimento do agronegócio, no caso, óleo de palma, ou por exploração de minérios, como o ouro, a Indonésia é grande produtora.

Mas a questão não são as compras. Mas a compulsão por elas, que já virou uma doença chamada ONIOMANIA. No Brasil, onde já existem centros de “devedores anônimos” (dois na capital paulista, nos bairros de Jardins e Pacaembu) e tratamento em clínica especializada. Trata-se de um refluxo do sistema. Um estudo feito por um grupo de psiquiatras, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, e citado pela Revista Valor Investe, o prazer da compra atinge o sistema límbico do ser humano. Esse prazer instantâneo leva o consumidor, na verdade, diz que 80% dos casos de oniomania são de mulheres, a gastar fora dos padrões aceitáveis. Enfim, chutar o pau da barraca e se afundar nos cartões de crédito de bancos e lojas.

ONIOMANÍACOS DAS CLASSES RICAS
O problema foi registrado pela Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC). A dívida dos brasileiros tem aumentado, e o nível de inadimplência é maior entre as classes A e B. Como todos devem saber houve um aumento da classe C para 102 milhões no Brasil, mas eles mantêm um nível de pendura menor, que os ricos. Na comparação de janeiro de 2011 para 2012, caiu de 61,3% para 59,5%, dados de consumidores com até 10 salários mínimos de renda. Naqueles acima de 10 salários mínimos, a inadimplência aumentou de 48,9% para 53,4% no mesmo período, sendo que em maio passado, o nível alcançou 57%.

As classes A e B no Brasil abrigam 42 milhões de pessoas. A maior parte das dívidas dos mais abastados está no financiamento de veículos, enquanto os menos abastados, nos cartões de crédito e de lojas. Levando em conta as contas de luz, telefone, água a inadimplência cresceu 21% em 2011, conforme levantamento da Serasa Experian. É interessante anotar que os juros cobrados no Brasil nos cartões de crédito e financiamento direto são estratosféricos: 238,3%, no cartão de crédito e 170,9%, segundo a CNC.

NADA PARECIDO COM OS AMERICANOS
No Brasil os consumidores ainda têm muito a aprender ou a enlouquecer. O crédito no sistema financeiro corresponde a 48% do Pib, se comparado aos Estados Unidos, onde são quase 100%, as dívidas somente com hipoteca e crédito ao consumidor somam US$ 13,25 trilhões. Os analistas financeiros têm uma conversa sobre educação financeira, as redes de televisão vivem divulgando receitas para controlar despesas. Quem aguenta a pressão do braço maior do sistema circulatório, que dia e noite martela pela necessidade quase que existencial de comprar o último carro, a última calça jeans, a bolsa, o sapato, a cerveja. São R$ 30 bilhões gastos em publicidade no Brasil. A receita é a mesma mundo afora. Daí o risco da esclerose, quando se aborda os limites de tal expansão.

Ou como escreveu recentemente o principal analista do Financial Times, Martin Wolf:

- A política monetária do QE (emissão dos bancos centrais e a compra de títulos) não ajuda as pequenas e médias empresas. Outro argumento mais plausível é que a políticas de taxas baixíssimas de juros – de 0,5% a menor em 318 anos na Inglaterra- ameaça criar empresas insolventes que continuam a operar, as ‘empresas zumbis’, portanto uma economia zumbi”.

O artigo dele tratava da dúvida se a política do “tsunami de dólares” funcionará ou não. Eles não sabem.

*Carta Maior

31 DE MARÇO DE 1964: A REVOLUÇÃO QUE NÃO HOUVE

Esta data no Brasil, véspera do dia dos Tolos, jamais deverá ser esquecida. Muito já foi falado, escrito, cinemas e documentários foram dirigidos sobre esse acontecimento que na nossa opinião maculou a vida do povo brasileiro.

A história oficial repassa que nesse dia os militares iniciaram uma Revolução que durou 21 anos. 1964-1985. O Canal Brasil exibiu um documentário intitulado “O Dia que durou 21 anos”, mostrando como tudo foi planejado.

Mas afinal, o que é uma revolução? Dentre muitas definições, uma que utilizamos, é que revolução é um acontecimento que mexe com a vida de todas as pessoas numa sociedade, pois ela atua fazendo mudanças em todos os campos: no político, econômico, jurídico, ideológico, cultural. As pessoas, na revolução,  vão para o embate. E a revolução acontece porque a sociedade é dividida em classes sociais. Ricos e pobres. Exploradores e explorados.

Uma dessas classes num determinado momento de sua existência decide lutar contra as injustiças que sofre, segundo seus interesses e objetivos.

A história apresenta muitas revoluções, a maioria burguesas. Revolução inglesa, francesa, americana. Revoluções que defendiam interesses das classe dominantes, apesar dos trabalhadores serem utilizados, manipulados a participarem e depois são abandonados à própria sorte.

Nosso país é campeão em “revolução”. A própria Proclamação da República em 1989 consta como revolução. Para os militares tudo é revolução. Para nós, é preciso distinguir revolução de golpe militar. A Proclamação da República foi um golpe militar.

As revoluções no Brasil para nós nunca existiram. O que existiram foram golpes militares. E como afirmamos, começou com a Proclamação da República tendo à frente o Marechal Deodoro da Fonseca. Durante a vida republicana tivemos vários golpes sendo o último o de 1964 o que faz termos pouca República depois da monarquia, como assinala um dos capítulos da importante obra Retratos do Brasil publicada pelos jornalistas Mino Carta, Raimundo Rodrigues Pereira, Raymundo Faoro dentre ouros importantes brasileiros.

Golpe militar é quando um grupo de militares que pode ser de direita como de esquerda, arquiteta, planeja, organiza a tomada de poder, de um governo legitimamente constituído ou não.

Foi isso que aconteceu no Brasil e que nos foi repassado como revolução. Mas por que os militares golpearam nosso país?

Cabe aqui alguns esclarecimentos necessários para que não esqueçamos “O dia que durou 21 anos.” – Canal Brasil

Antes de 1964, o Brasil despontava na América do Sul como uma superpotência. Juscelino Kubitschek de Oliveira (1955) havia construído Brasília, a indústria despontava com lucros e grande expansão em todos os campos. Algumas empresas norte americanas como a Ford, Chevrolet, Coca-cola, I.T.T. dentre outras já estavam instaladas por aqui.

Os Estados Unidos da América não queria concorrente com sua economia. Era preciso debelar o gigante sul americano. Esse verdadeiramente é um dos motivos do golpe.

O projeto de invasão ao nosso país inicia ainda no governo do assassinado Presidente John Kennedy e foi implementado com Lindoln Johnson, que temia a implantação do comunismo no Brasil cujo modo de produção já havia sido implementado na Ilha de Fidel Castro, Cuba.

Era preciso criar uma explicação plausível que justificasse a invasão. Mentiras, por exemplo, como vimos nas últimas invasões comandadas pelos americanos no Iraque, Paquistão, Afeganistão e Líbia.

Os americanos conspiradores possuíam aqui vários agentes. Os dois principais eram o Embaixador Lincoln Gordon e o General Walters, além de muitos outros informantes estrangeiros e brasileiros cooptados pelo Tio Sam.

Em 1960 Jânio Quadros fora eleito Presidente da República com uma campanha contra a corrupção e tinha na música “Vare, vare vassourinha. Varre a bandalheira que o povo está cansado de viver dessa maneira…” o tema contra a roubalheira. Trazia como seu vice, João Goulart, popularmente conhecido como Jango, cunhado de Leonel Brizola, político histórico do Rio Grande.

Jânio Quadros sentido o clima por aqui resolve ir à China. Na terra de Mao Tsé Tung renuncia pensando que o povo que o elegera não aceitaria e o carregariam do aeroporto até o palácio. Se deu mal. Jango assume prometendo fazer uma ampla reforma que ficou conhecida como Reformas de Base. Ela implantaria a reforma econômica,  tributária, política e eleitoral,  reforma agrária dentre outras medidas que beneficiariam todos os brasileiros.

Estavam também sendo observadas as empresas americanas e seus projetos de investimentos e que não estavam atendendo os incentivos que lhes foram dados. Era preciso criar um motivo para a invasão. Era preciso criar uma mentira.

Como no Rio Grande Leonel Brizola começou fazer a reforma agrária e a reforma tem a ver com a vida campesina, com trabalhadores, terçados, martelos, foice, e a terra como bem coletivo de justiça e paz social, associaram-na ao COMUNISMO. Criava-se a mentira para invadirem nosso país.

Era preciso evitar que o comunismo dominasse o Brasil. Documentos oficiais entre a Embaixada americana no Brasil, os militares brasileiros começaram a se manifestar a favor do golpe. O governo americano armou-se política e militarmente para invadir nosso país. Navios, porta-aviões, destróires, aviões e helicópteros a partir da América Central até a costa brasileira estavam todos posicionados.

Enquanto isso, Jango recebia do povo brasileiro total apoio para seu projeto de mudanças políticas, econômicas e sociais. O memorável comício feito na Central do Brasil no dia 13 de março de 1964 deu demonstração de que o presidente contava com o apoio de grande parcela da população brasileira.

Mas por trás, os cansados, representantes da retrógrada direita, aliados de mafiosos, como esse último chamado Demóstenes Torres, caninos, organizaram uma grande manifestação chamada a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade.”

Os militares e os americanos com isso sentiram que era a hora do golpe. Comboios partindo de vários quartéis no Sudeste rumaram para o Rio de Janeiro.

João Goulart, talvez para evitar um derramamento inicial de sangue, num avião da Força Aérea Brasileira vai para o Rio Grande e depois segue para o Uruguai. Essa decisão do presidente é questionada ainda hoje. Por que ele fez isso? Como chefe de Estado, chefe das Forças Armadas ele teria que ter um comando

Sem seu Presidente, foi declarada a vacância do poder. E o combate aos comunista ia ser iniciada. A deduração ia correr solta. Nosso país passaria a ser governado como Estado de Exceção. A Constituição que rege os direitos e deveres dos cidadãos foi colocada de lado e passou-se a governar com os Atos Institucionais, conhecidos AI 1, 2, 3, 4, 5…

Quem fosse contra o Golpe Militar era preso. Depois torturado. Assassinado. Aviões jogavam contestadores com pedras amarradas nas pernas em locais do oceano atlântico onde as correntes marinhas levavam para locais onde jamais seriam localizados.

Delegados, agentes, prendiam professores, jornalistas, religiosos. Aos gritos, com choques elétricos nos pênis, vaginas, queimaduras com cigarros, pau-de-arara, a tortura e os pedidos de socorro soavam pelo Brasil.

Prisões insalubres, molhadas, uma lata com uma goteira interminável passava o dia e noite pingando para a tortura daqueles que perderam a liberdade de ir e vir.

A insolência de um governo que na mentira para incriminar brasileiros utilizava-se de ardis como a plantação de uma bomba em frente ao Rio Centro na cidade Maravilhosa e que explodiu no colo de militare destruindo um carro puma e que era para explodir dentro do Shopping onde estava sendo realizado um Show com ambiente lotado.

Golpe militar que levou à ditadura e que teve na figura do delegado Sérgio Fleury Paranhos um dos seus algozes. Que o diga a família de Frei Tito, que mesmo indo à Paris, não conseguiu superar os traumas da tortura e suicidou-se.

Carlos Marighela que numa embocada foi assassinado. Wladimir Herzog assassinado dentro da prisão e que simularam um suicídio. Dilma Rousself, nossa presidenta, presa. Lula, nosso presidente preso.

Não podemos esquecer jamais dos que morreram na guerrilha do Araguaia. Brasileiros que queriam bem seu país, que queriam justiça social, que queriam sim, o Comunismo como modo de produção que não distingue as pessoas pelo seu poder social. Queriam sim o Socialismo como caminho para o comunismo.

Não temos como lembrar de todos que foram presos, torturados e mortos, mas temos sim, que dizer, que rádios, emissoras de televisão, jornais, nessa época, na sua maioria estavam cooptados pelo governo ditatorial.

A TV Globo, a Vênus platinada e todas suas afiliadas são frutos da ditadura militar no Brasil. Os grandes jornalões acéfalos indignos representantes da direita, até hoje defendem os verdadeiros inimigos do nosso país. As grandes empresas transnacionais e políticos vendilhões das riquezas de nossa pátria.

O futebol com João Havelange e seu Genro, o Capo Ricardo Teixeira, utilizaram sempre a seleção brasileira para narcotizar o povo. Galvão Bueno que já foi mandado pentear macaco que nem merecem, sempre utilizaram esse esporte para escamotear, esconder o que a ditadura fazia. Por ocasião da copa do mundo em 1970 no México, por exemplo, no governo do General Emílio Garrastazu Médici, prisões, torturas e mortes corriam aos montes, tanto é que esse período é chamado de anos de chumbo.

E o povo cantando e comemorando “noventa milhões em ação/ pra frente Brasil do meu coração/Todos juntos vamos, pra frente Brasil, salve a seleção…” o tri campeonato, enquanto sangue, dor, martirizavam milhares de pessoas e famílias de nosso país.

Os americanos não se contentaram e incentivaram golpes militares por toda a América do Sul e Central: Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Equador, Venezuela, Peru, Colômbia Nicarágua, Panamá… Rafael Videla, Pinochet, Strosner, Fujimori, foram seus ditadores, dentre outros.

Por cá, não podemos esquecer jamais: do incentivador e primeiro aliado americano: 1964 – Castelo Branco; 1966 Costa e Silva; 1969 o homem do chumbo, o homem do jingle “Este é um país que vai pra frente…”, Criança feliz que vive a cantar…” Emílio Garrastazu Médici, lá dos pampas gaúchos, 1974 Ernesto Geisel e por último o General que preferia o cheiro dos cavalos e não do povo,  João Baptista Figueiredo, todos do exército.

Marinha e Aeronáutica como coadjuvantes forneciam apenas prédios, navios e aviões para os suplícios, mas que de presidência mesmo, só os homens da infantaria, da selva – os selvagens, os Tolos, por isso nesse dia 1º de abril é o dia deles, os Tolos, pois conseguiram após o 31 de março de 1964 nos pregar uma grande mentira.

A revolução foi pra eles. Pro povo, as batatas, como diria Machado de Assis. Ainda bem que estamos sabendo diferenciar as coisas. Por isso há a Comissão da Verdade para desfazer as mentiras e o Estado indenizar todas as famílias que perderam entes queridos, se é que tais indenizações justifiquem barbaridades.

Valeu mano. Este país é nosso. E por uma boa causa pegaremos sempre em armas. A escrita. A caneta. Nosso intempestivo blog.   

    
                 

América Latina é fonte de inspiração para esquerda francesa

Jean-Luc Mélenchon, o “homem milagre” da esquerda francesa nas eleições presidenciais que se aproxima, dá entrevista exclusiva para o correspondente da Carta Maior em Paris, Eduardo Febbro. Ele fala sobre como o projeto político da Frente de Esquerda é muito mais que uma máquina anti-liberal, incorporando conceitos de ecologia política que questionam nosso atual padrão de consumo e de desenvolvimento. “Os modelos que tomamos como inspiração são os da América Latina, eu me inspirei no que aconteceu lá. A Frente Ampla foi uma fonte de inspiração para mim”

Eduardo Febbro

Paris – Um após o outro, os trabalhadores expõem seus problemas, o confronto com o patronato, as consequências do deslocamento das empresas, o desperdício dos recursos, a destruição ecológica, o custo desumano das reengenharias industriais, os erros monumentais de gestão, as ideias concretas para salvar uma fábrica e, com ela, centenas de empregos. Os trabalhadores da CGT, com microfone em mãos, apresentam a história que os meios de comunicação ocultam, com um empenho perverso. Jean-Luc Mélenchon os escuta, toma notas, pergunta, pede esclarecimentos. São 10 da manhã de um dia primaveril. A sede de campanha do candidato da Frente de Esquerda fica num subúrbio popular do norte de Paris e tem tudo a ver com o seu apelido: “a fábrica”. Um grande galpão onde certa vez houve uma fábrica de sapatos foi adaptado agora para estes dias de batalha eleitoral. O sol está fora e dentro deste amplo local onde não se respira outra coisa que a própria vida: humilde, sã, problemática, solidária, trabalhadora, humana. O sol chega com as pesquisas de opinião que vão apresentando o movimento que Jean-Luc Mélenchon lidera no lugar de um ator decisivo das eleições presidenciais do próximo 22 de abril e seis de maio: 6%, 9%, 10% até hoje quase 14%, que vai o empurrando para o terceiro lugar, atrás do presidente Nicolas Sarkozy e do candidato do partido socialista François Hollande.

Uma história incrível para um movimento político recém fundado e em cujo seio coabitam comunistas do PCF, esquerda radical e anti-liberal, socialistas dissidentes e ecologistas duros. A maioria desses partidos estiveram ao ponto de sair da história. Agora estão juntos num projeto que os mobilizou e, assim, tornou realidade um dos sonhos mais inalcançáveis da esquerda mundial: pactuar um consenso orgânico acima das querelas assassinas que os dispersaram. Em 2009, a Frente de Esquerda ganhou cinco cadeiras no parlamento europeu. O leque se ampliou de maneira espetacular, com as eleições presidenciais. Tanto que durante o comício que a Frente realizou na Praça da Bastilha há duas semanas Jean-Luc Mélenchon não pôde terminar o seu discurso porque embargou a voz, de emoção. O militante das correntes minoritárias tinha diante de si 120 mil pessoas na praça mais emblemática da história da humanidade.

O projeto político da Frente de Esquerda é muito mais que uma máquina anti-liberal. A Frente incorporou a ecologia política em seu programa e, com essa contribuição, desenhou-se um projeto de sociedade novo, que contrasta com a passividade da social democracia e no gueto em que caíram os partidos ecologistas tradicionais. Não basta ser anti-liberal para defender um modelo de sociedade distinto.

Nesta entrevista para a Carta Maior, Jean-Luc Mélenchon, o homem milagre da esquerda radical revela seus modelos e o coração de uma proposta que, de uma maneira ou de outra, mudará as alianças e a filosofia política futura dos partidos de esquerda.

Carta Maior – Qual é a fórmula para unir correntes distintas e, amiúde, antagônicas, dentro de um mesmo movimento? Você uniu o que estava disperso e teve êxito nessa estratégia.

Jean-Luc Mélenchon – Tudo nosso é novo, o Partido de Esquerda é novo, fazemos quatro anos no próximo mês de novembro. A Frente de Esquerda também é nova. Nós acabamos de sair das catacumbas, somos uma corrente que esteve a ponto de desaparecer da paisagem política. Na realidade, os modelos que tomamos como inspiração são os da América Latina, eu me inspirei no que aconteceu lá. Por exemplo, a Frente de Esquerda é uma fórmula política que liga partidos muito diferentes. Agora temos até ecologistas oriundos das tendências mais radicais. Na mesma Frente temos partidários do não crescimento, partidários do crescimento e comunistas.

Todos chegaram a uma intersecção. Este caso, o modelo que se pode evocar é o da Frente Ampla uruguaio. Para mim foi uma fonte de inspiração, há muitos anos. A revolução cidadã é um projeto federativo, porque inclui a ideia do poder cidadão. Essa palavra permitiu a convergência de tradições revolucionárias muito distintas. Pois bem, esta ideia eu a tomei do Equador. A maneira de enfrentar o sistema dos meios de comunicação eu a tomei de Néstor e Cristina Kirchner. Aqui, na França, atribuíram esse estilo ao meu mau humor, a minhas dificuldades, mas na realidade, não é assim: eles me manipulam e eu os manipulo. Agora os trato a pão seco, assim como o fizeram o ex-presidente Néstor Kirchner e a presidenta Cristina Kirchner. Em suma, inspiro-me muito na tradição revolucionária da América Latina. Nossa consigna é: que se vayan todos! Esta consigna eu a tirei da crise argentina de 2001.

CM – Qual é a chave, a palavra de ordem que está na base do consenso de tantas esquerdas?

J-L Mélenchon – Diria que sim, há uma palavra de ordem-chave, que é a seguinte: a racionalidade concreta. Meu postulado inicial consiste em dizer que não há problema algum a que não se possa oferecer uma resposta técnica, concreta, radical. Trata-se de sair dos debates perguntando-se como se pode superar o marco da contradição. Eu diria aos camaradas que quisessem nos imitar que às vezes há que se pegar o velho vocabulário, deixa-lo de lado, voltar a começar desde o zero, como se acabássemos de nascer. Através das palavras podemos criar uma nova gramática, uma síntese nova e convergências extraordinárias.

CM – Estamos numa época de crise global e profunda. Seu discurso de ruptura tem encontrado forte eco no eleitorado. Que tipo de socialismo ou de agenda de esquerda se pode formular dentro e movimentos de sensibilidades similares, mas confrontadas com o enfrentamento da crise a mudar o sistema?

J-L Mélenchon – Na época da crise argentina, houve uma discussão com uns camaradas que tinham ocupado um hotel em Buenos Aires. Tivemos uma discussão sobre o tipo de socialismo que era necessário plasmar através das críticas que se podiam fazer ao modelo venezuelano ou cubano. O camarada que estava conosco disse: “Olhem, vocês, os europeus, são muito interessantes na hora de fazer polêmica, mas estão em crise. A última vez que houve uma crise desencadearam uma Guerra Mundial e a Shoah para sair da crise. Que vão fazer agora?”. Ficamos mudos. Aquele camarada tinha posto o dedo na ferida: a crise do capitalismo de nossa época conjuga crise econômica e crise ecológica e provoca deflagrações que vão muito além de esquemas teóricos, são deflagrações que ameaçam a própria humanidade. É preciso que nossa esquerda se cure da mania das querelas teológicas, das discussões aterradoras sem fim. É preciso ter uma prática racional. Quando se apresenta uma dificuldade, trata-se de desconstrui-la, de desconstruir seu conteúdo e voltar a construí-lo, com os elementos que funcionam. É impossível separar prática de trabalho teórico. Tenho uma intuição, um tipo de certeza histórica e política: a classe trabalhadora está cheia de ideias, de conhecimento, de especialistas. É uma fonte fabulosa! A dialética do intercâmbio nos permite avançar.

CM – Como se disse antes, dentro da Frente de Esquerda estão os ecologistas. Mas sua presença não é decorativa, é orgânica. A ecologia política é o núcleo do projeto que você defende.

J-L Mélenchon – No princípio não tinha me dado conta dessa dimensão. Tinha uma sensibilidade em relação ao meio ambiente, frente ao desperdício e à contaminação, mas não ia além disso. Na antiga esquerda éramos capazes de pensar tudo, mas parávamos em ângulos mortos. Um dos ângulos mortos era: “como vivemos?”. Na história do socialismo há um tipo de obsessão com o homem novo. No entanto, essa é uma noção tão turva que termina se tornando perigosa. O que é esse homem novo, a que queremos dar forma? E a partir de que o faremos? Em seguida, vimos aparecer o risco totalitário. Esse era um ângulo morto. O outro estava no fato de que o desenvolvimento mesmo do sistema pode pôr em questão as mesmas bases da existência do sistema, porque esgota os recursos e saqueia o meio ambiente. Foram os verdes que puseram o tema sobre a mesa. Reconheço a dívida intelectual que tenho com eles. Alguém disse que a ecologia política era um novo paradigma organizador da esquerda, e tem razão. Interessei-me pelo tema e para mim foi um choque intelectual, similar ao choque que tive quando, na minha juventude, li o livro de Marx e Engels A Ideologia Alemã. Para mim foi uma revelação intelectual, uma chave de compreensão. O mesmo me ocorreu com a ecologia política.

Nessa busca voltei a Marx por meio da lembrança de uma frase na qual Marx falava da natureza e dizia que esta era um corpo inorgânico do homem. Marx descreve a relação do ser humano com a natureza de uma maneira dialética, na qual o ser humano é um dos episódios da natureza e não simplesmente uma criatura exterior que surge do nada e se pergunta sobre o controle da natureza. Assim, terminei por formular uma síntese entre a antiga esquerda, da que eu era representante, e o novo paradigma.

CM – Essa síntese conduziu depois ao aprofundamento do princípio de planejamento ecológico como modelo de gestão.

J-L Mélenchon – Sim. Assim surgiu a ideia de planificação da ecologia. Com essa planificação, pode-se desenvolver as forças produtivas e diminuir a destruição ambiental pela humanidade.

CM – Seu argumento quer dizer que a esquerda deixou de lado a questão do meio ambiente, dos recursos naturais, que não integrou esse elemento fundamental no seu projeto de sociedade.

J-L Mélenchon – O problema da esquerda foi adotar o princípio segundo o qual os padrões de vida dos ricos eram um bom caminho. Por conseguinte, isso é o que faltava para o todo da sociedade. E é a isso que há de se renunciar. Quanto ao padrão de consumo, a riqueza é sinônimo de irresponsabilidade. Foi um erro da antiga esquerda pensar que não. Tínhamos uma perspectiva acrítica sobre o consumo. Além disso, quando surgia uma perspectiva crítica, esta era tomada como absurda por ser basear em princípios morais. A ecologia política permitiu-nos solucionar muitos problemas teóricos. Por exemplo, toda a ideia progressista repousa sobre a igualdade e sobre a similitude dos seres humanos. mas isso é uma mera ideia. Se alguém olha ao redor, vê que os seres humanos não são em nada iguais. Mas nós fundamos nossa ideia de igualdade sobre uma igualdade natural. A Revolução de 1789 disse: os seres humanos nascem e permanecem livres e iguais em direito. Essa é a razão pela qual na França nasceram todas as matrizes dos pensamentos totalitários e racistas: eles postularam que não era assim, que por natureza havia diferenças, desigualdades, raças. Quem negou a desigualdade natural conduziu todos os regimes igualitários a serem totalitários, porque tiveram de forjar algo contra a natureza. A ecologia política resolve esse obstáculo teórico, encerra a discussão. Por que? Porque diz que só existe um ecossistema compatível com a vida humana. Quer dizer, todos os seres humanos são semelhantes, pelo fato de que, se este ecossistema desaparece, os seres humanos desaparecem ao mesmo tempo.

Somos então iguais frente às obrigações do ecossistema. Isso quer dizer que se temos um só ecossistema que torna a vida possível, há então um interesse humano geral. Esse interesse humano geral é uma realidade. Desta maneira, chegamos a refundar o conjunto dos paradigmas organizadores do pensamento de esquerda, quer dizer, o socialismo, o humanismo, as Luzes, a República e a democracia.

CM – Nesta linha de pensamento, você pôs em primeiro plano à classe trabalhadora como ator ecológico e a ideia da planificação ecológica.

J-L Mélenchon – Exatamente! São os trabalhadores que manipulam produtos nocivos à saúde e ao ambiente. Estes produtos arruínam o primeiro segmento da natureza, que são eles mesmos: os pulmões, quando se respira porcarias, a fecundidade, etc. A classe que está em contato com a catástrofe ecológica é a classe trabalhadora. A planificação ecológica consiste em organizar a produção, que hoje é pensada no curto prazo. As empresas estão sob o controle dos investidores, das agências de qualificação, que exigem prestação de contas a cada três meses. Não há qualquer estratégia de longo prazo. Tornar compatíveis os processos de produção e de intercâmbios com os imperativos da ecologia requer tempo. A planificação consiste em qualificar o tempo, o qual é uma dimensão social e ecológica fundamental. A segunda ideia subjacente concerne à política da oferta a partir de uma pergunta: de que necessitamos? Daí surge uma outra ideia, a do imperativo comum: algo comum a todas as reflexões e a toda a produção e a todos os intercâmbios. Isso é a regra verde, quer dizer, diminuir o custo ecológico da produção de uma forma séria, metódica, profunda.

CM – Nesse contexto, seu projeto da revolução cidadã se distancia dos princípios da social democracia, já que, por exemplo, põe-se contra a crença no crescimento econômico como fórmula do progresso.

J-L Mélenchon – No projeto da revolução cidadã há com efeito uma ruptura teórica de fundo com a social democracia. Nós não dizemos que vamos repartir o fruto do crescimento. A social democracia está organicamente ligada ao produtivismo, porque declara que o progresso social só existe dentro do produtivismo. Não. Nós pensamos o contrário. Acreditamos que o progresso econômico só é possível se há progresso humano e progresso social. Para nós, o progresso humano e social é a condição do desenvolvimento econômico. Estamos em duas visões diametralmente opostas. Temos de recuperar a audácia dos pioneiros, daquelas pessoas que diziam “este mundo é belo, é novo”. Temos de conhecer, descobrir, proteger e impedir o saque dos recusos. A Terra é de uma grande beleza, nem tudo está perdido.

*Tradução: Katarina Peixoto

*Carta Maior

“Nosso objetivo é redistribuir a renda e o poder”, diz fundador do Occupy Wall Street

Stephen Lerner, um dos militantes “fundacionais” do movimento Occupy Wall Street, que tomou o centro do capital financeiro norteamericano, esteve em São Paulo esta semana participando de um debate no Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. “As pessoas acordaram. A polícia entrou na ocupação no final do ano passado. A ocupação quebrou. No inverno achamos que acabaria, mas não. O Occupy que tanto inspirou as pessoas, começou a se engajar com outros movimentos comunitários”.

Fábio Nassif

(*) Os vídeos do debate estão disponíveis na página do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

São Paulo – O movimento que tomou o centro do capital financeiro norte-americano, no auge da crise financeira internacional, foi um marco, a partir do qual se espera uma “fertilização cruzada” segundo Stephen Lerner, um dos militantes “fundacionais” do Occupy Wall Street. Lerner, que tem 54 anos e 30 de militância, defende que o novo movimento, que tomou as ruas do centro financeiro com questionamentos claros à concentração de renda pelo capitalismo financeiro, inspire os tradicionais sindicatos americanos, ao mesmo tempo em que usufruam da experiência dessas organizações. “Espero que o encontro seja entre o melhor do mundo dos sindicatos e o melhor do Ocuppy. Deve ser uma visão combinada, conjunta”, afirmou.

Lerner fez parte de entidades como International Ladies’ Garment Workers’ Union (ILGWU) e Communications Workers of America (CWA). Na década de 80, entrou para o Service Employees International Union (Seiu), entidade integrante da UNI Sindicato Global, onde permanece até hoje. Ele veio ao Brasil participar de várias atividades, incluindo uma reunião com o MST e um debate no Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osaco e Região, na última quarta-feira (28). Abaixo, os principais trechos do debate:

Conjuntura
Estamos em um momento que abre possibilidades nos EUA depois de muitos anos de defensiva. Pelo movimento Occupy, a população descobriu que o sistema financeiro influencia diretamente na nossa democracia.

Durante 30 anos tivemos um processo de transferência de renda para uma ínfima minoria. Neste período, os sindicatos foram destruídos. Hoje somente 7% dos trabalhadores estão nos sindicatos. Quanto mais as pessoas se endividavam, mais os bancos emprestavam.

Em 2008 tivemos uma crise enorme, com a perda de emprego de milhões de pessoas. Nós demos US$ 17 trilhões de ajuda aos bancos e grandes empresas. Mas as pessoas não reagiram. Sentiam-se chocadas e não houve protestos no começo. De uma maneira estranha, as pessoas que marcharam e se organizaram foram as pessoas de direita. Eles diziam que o problema era que os trabalhadores ganhavam demais.

Foi uma estratégia brilhante: na beira de jogar o mundo inteiro na crise, ao invés de você se defender, você ataca.

Cabe uma crítica às organizações, pois repetiam os mesmos protestos que faziam antes da crise. O movimento Occupy sabia que os culpados eram os muito ricos e que precisávamos entrar em confronto diretamente com os responsáveis.

Mídia
No começo a mídia ignorou, depois passaram a falar que eram malucos. Quando a polícia chegou batendo nas pessoas, de repente a coisa começou a acontecer, muito por conta da internet e redes sociais que desbloquearam esse caminho. O Occupy liberou a verdade sobre a gula do capital financeiro.

O despertar
O movimento já dura seis meses e uma semana. As pessoas que nunca você esperaria se manifestaram, por todo o país. Isso dominou as discussões nos EUA.

As pessoas acordaram. A polícia entrou na ocupação no final do ano passado. A ocupação quebrou. No inverno achamos que acabaria, mas não. O Occupy que tanto inspirou as pessoas, começou a se engajar com outros movimentos comunitários. O mundo de Occupy, que todos dizem que é horizontal, começou a se juntar com o movimento mais tradicional.

Novas ações
Iniciamos o “Occupy as nossas casas”. É uma ação para impedir que as pessoas sejam despejadas de suas casas. E as pessoas que já foram desalojadas por causa das dívidas, estão voltando às casas que os bancos roubaram.

Estima-se que estudantes americanos devem 1 trilhão de dólares pros bancos. Quando houve o corte dos subsídios públicos, as pessoas fizeram empréstimo aos bancos. Então agora temos um movimento estudantil pra ocupar as escolas e universidades.

Outra iniciativa é o treinamento de cerca de 100 mil pessoas para ações não violentas, para saberem o que fazer quando a polícia interfere nos movimentos.

Alguns estão levando seus móveis para as agências de bancos, já que esses levaram suas casas. Outros depositam no interior do banco todo o lixo retirado de suas casas. Em um dos bancos iremos fazer um grande “beijaço”.

Perspectivas
Este é um movimento que está caminhando a passos de bebê. Nos EUA não temos, historicamente, a idéia de desafiar. Agora, nosso objetivo é redistribuir a renda e o poder. Queremos dizer que a crise é apenas para pessoas normais.

Alguma coisa está se construindo nos EUA. Algo está acontecendo. Nos próximas semanas e meses vocês vão ver que o movimento Occupy vai chacoalhar e esperamos que isso abra brechas para a construção de um mundo diferente.

Novas formas de organização
As vezes essas formas funcionam, mas as vezes é muito difícil. Numa assembleia grande é muito complicado. Esvaziam por conta disso. Mas precisamos sempre pensar como expandimos a democracia, transparência e participação direta, mas de uma forma que avance.

Em Nova York, o movimento se divide em grupos de trabalho e subcomissões. Muitas demonstrações de movimentos sindicais tradicionais não criam poder. O Occupy deixa as pessoas participarem de maneira mais ativa e isso cria uma nova energia. Cria vontade da desobediência cívica não violenta.

Ideologia
No começo os fundadores tinham uma ideologia anarquista. Mas há muitas tendências. A unidade vem de uma análise em comum de onde está o poder. Conseguimos evitar as lutas sectárias.

O inimigo
Das relações históricas do movimento anti-global, tem muita gente em comum que participa hoje. Eu não sei se o Banco Mundial e o FMI seriam alvos principais desse movimento. Acho que as pessoas querem manter o foco nas empresas e bancos. Mas isso deve ser debatido. Se milhares de pessoas estão envolvidas, não precisa todo mundo fazer a mesma coisa.

Eu acho que os progressistas e a esquerda deram facilidades pra direita pressionar a conjuntura. Eles dominaram a narrativa do país.

Uma posição única é que Occupy pode forçar que os candidatos vencedores se preocupem com a questão de Wall Street. Nós teríamos uma fraqueza muito grande se acreditássemos que temos poder só nas eleições.

Alternativa de esquerda
As organizações mais tradicionais acharam legais o Ocuppy, mas não podem voltar a fazer as coisas exatamente como era antes. As pessoas acham ruim que o Occupy não cabe em uma ideologia. E o Occupy precisa saber que sozinho não vai ser grande o suficiente. Nos EUA os sindicatos estão diminuindo, as organizações tradicionais também. Espero que tenha uma fertilização cruzada, onde o Ocuppy ajude as organizações, inspire os sindicatos americanos para lutar de outra forma. Inspirar e lutar junto. E que os recursos e a experiência dessas organizações sejam muito valorizadas pelo Occupy. Espero que o encontro seja entre o melhor do mundo dos sindicatos e o melhor do Ocuppy. Deve ser uma visão combinada, conjunta.

*Carta Maior

Greve geral tem adesão massiva na Espanha

A Greve Geral de 29 de março constitui uma protesto contra a reforma laboral promovida pelo governo de Rajoy, considerada pelos sindicatos como “a mais regressiva da história da democracia”, e pela defesa dos serviços públicos. Segundo as centrais sidicais CCOO e UGT, entre os 14 milhões de trabalhadores assalariados, adesão deve ficar entre 85 e 90%. Fábricas de automóveis estão praticamente paradas, setor dos transportes só cumpre os serviços mínimos, 26 portos estão totalmente parados. Trabalhadores dos meios de comunicação também participam do protesto.

Esquerda.net

As principais centrais sindicais espanholas, CCOO e UGT, disseram na manhã desta quinta-feira (29) que a adesão à Greve Geral está sendo massiva e irá mesmo ultrapassar os números atingidos em setembro. Entre os 14 milhões de trabalhadores assalariados, a adesão deverá rondar os 85% a 90%, segundo avançam estas estruturas sindicais.

Segundo divulga a UGT e as CC OO em comunicado conjunto, as fábricas de automóveis estão praticamente paradas e o setor dos transportes só cumpre os serviços mínimos. 26 portos da rede de Portos do Estado estão totalmente parados. No setor da aviação, 2300 voos poderão ser afetados pela paralisação e a empresa Transmediterránea prevê o cancelamento de atividades em 22 dos seus trajetos marítimos. Nas fábricas da Renault, SEAT en Martorell, Volkswagen Navarra, Ford Almusafes e Bosch Madrid, e Airbus en Toledo a adesão à greve é total.

Os grandes centros de abastecimento da Andaluzia, especialmente o Mercasevilla, o Mercabarna e o Mercavalencia, na Catalunha, e a plataforma logística de Mercadona em Leon fecharam as portas e os setores da alimentação e o setor químico registam níveis de adesão que rondam os 80 a 90%. O turno da noite da fábrica da Repsol em Puertollano parou por completo.

No setor mineiro a adesão é de 100% e no setor têxtil atinge os 82%. A fáfrica da Inditex na Corunha fechou por completo. No recolhimento de lixo a adesão é de 95%, ascendendo a 100% em cidades como Madrid, Corunha, Zaragoza, Ceuta, Toledo, entre outras. No setor das limpezas a adesão foi, por sua vez, de 70%.

No que diz respeito à construção de infraestruturas, a greve chegou mesmo a parar por absoluto as obras da Adif e do prolongamento da linha 9 do metrô.

O setor postal regista uma adesão à greve de 74%, atingindo os 100% na Catalunha e os 98% na Andaluzia.

Também os meios de comunicação espanhóis optaram por aderir ao protesto. O Telemadrid, Canal Sur Televisión e o TV3 da Catalunha encerraram as emissões pelas zero hora do dia 29. A adesão na redação digital do diário Público é de 100%. Na imprensa escrita, regista-se uma adesão de 80% no El País e La Vanguardia e de 70% no resto da imprensa escrita da Catalunha.

Outro indicador que traduz o êxito desta Greve Geral diz respeito à diminuição do consumo de energia, que traduz a redução da atividade econômica. Por volta das sete da manhã, a procura já registava um decréscimo, face à semana anterior, de 23,37%, segundo a Rede Elétrica de Espanha.

Forte contingente policial
A greve tem sido acompanhada de perto por um enorme contingente policial que, inclusive, chegou a cortar os acessos em Madrid, junto ao Congresso.

Registaram-se alguns confrontos durante os piquetes da madrugada, que resultaram, segundo o Ministério do Interior, em dezenas de detenções e alguns feridos.

Os sindicatos denunciaram, entretanto, que os trabalhadores estão sendo alvo de pressões e chantagens por parte dos empresários e dos serviços públicos no sentido de não aderirem à greve.

Contra a reforma laboral e pelos serviços públicos
A Greve Geral de 29 de março constitui uma protesto contra a reforma laboral promovida pelo governo de Rajoy, considerada pelos sindicatos como “a mais regressiva da história da democracia”, e pela defesa dos serviços públicos.

Para os representantes da CC OO e da UGT, esta é uma mobilização “justa e necessária” perante a “regressão social” provocada pela política posta em marcha pelo atual governo.

Na Galiza também foi convocada pela Confederação Intersindical Galega uma greve geral para 29 de março. Para o País Basco e para Navarra, as centrais ELA, LAB, ESK, STEE-EILAS, EHNE e Hiru, também já teriam anunciado uma paralisação geral para este mesmo dia.

O protesto não merece o apoio do Partido Nacionalista Basco, sendo duramente condenado pelo Partido Popular.

O partido Esquerda Unida congratulou, por sua vez, a decisão das estruturais sindicais. Cayo Lara, citado pelo El Pais, defendeu que esta é uma “reforma duríssima, ante a qual o governo tem duas opções: ou negocia com os sindicatos e partidos dentro do trâmite parlamentar ou terá mais mobilizações”.

*Carta Maior

DEPOIS DE AFIRMAR QUE O MARXISMO ACABOU, PAPA CHEGA A CUBA E OUVE DISCURSO MARXISTA

 Depois de passar pelo México, um dos países mais católico do mundo, tendo uma grande acolhida pelo fieis, o Papa Bento XVI, chegou a Cuba, onde foi recebido pelo governo cubano e parte da população com admiração e respeito. Tudo como manda o protocolo das relações políticas terrenas.

            Nem o fato de dias antes, na cidade do México, ter afirmado que o marxismo havia acabado e que o mundo agora é outro, não impedia que as relações não ocorressem amistosamente, e nem, tão pouco, impediu que o presidente Raul Quadros não realizasse um discurso marxista falando sobre a injustiça e brutalidade do capitalismo sobre os povos pobres.

     Diante de Bento XVI, Castro, teceu seu comentário contra os Estados Unidos destacando-o como “a potência que tentou, infrutiferamente, despojar Cuba da paz e da justiça”.

     De seu lado, o Papa comentou sobre o valor que o povo cubano comunga com sua padroeira Nossa Senhora da Caridade, e ao mesmo tempo elogiou o governo afirmado de suas novas perspectivas.

      “Estou convencido de que Cuba está mirando o amanhã para renovar e alargar seus horizontes”, discurso o Papa.

        Bento XVI afirmou em seu discurso que o “amanhã” de Cuba é uma tarefa que contará com “os valores que caracterizam o povo cubano”. “Os valores que caracterizam o povo cubano” estão imbricados com os valores marxistas. Aí Bento XVI ressuscitou Marx.

 

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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