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A NÃO CIDADE DE MANAUS É DESARBORIZADA E TEM 20,2% DE ESGOTO A CÉU ABERTO

Às vésperas da reunião dos chefes de Estados de vários países do planeta que acontecerá no mês de junho de 2012, no Rio de Janeiro, temas como Código Florestal, cheias do Rio Amazonas e resultados do Censo Demográfico de 2010 feito pelo IBGE servirão para  análise e um alerta do que está ocorrendo no nosso planeta.

Não é de hoje que ambientalistas e gente do povo vem falando que a poluição do ambiente causada pelo homem vem provocando alterações na vida de todos os seres vivos do planeta.

Ignacio Ramonet, no livro Guerras do Século XXI, novos temores e novas ameaças, publicado pela Editora Vozes,  tece dizeres nada vislumbrantes sobre a vida na Terra. Os desastres ecológicos estão se sucedendo. Teremos problemas com falta de água doce e as florestas morrerão.

Por falar em florestas, a não cidade de Manaus está no meio da floresta amazônica. Era pra ser a cidade mais arborizada do planeta. Mas não é o que vemos. No último censo demográfico de 2010 feito pelo IBGE que apresenta as características urbanísticas do Entorno dos domicílios,  consta que é uma não cidade depenenada, desarborizada, pois só aparece com 25,1% de árvores.

Essa desarborização de Manaus começou no período da ditadura militar a partir de 1964. Na ocasião foi indicado como prefeito-interventor o coronel de exército, Jorge Teixeira. Nessa época as principais avenidas e ruas  da cidade  como João Coelho, Constantino Nery, Luis Antony, Sete de Setembro, Estrada do Aleixo possuíam frondosas mangueiras, flamboyans, pau pretinho,  castanheiras, dentre outras árvores típicas da região.

No afã capitalístico de mercado, empresas construtoras e funcionários públicos municipais iniciaram um reordenamento urbanísticos da cidade começando pela derrubada de árvores históricas para ampliação e asfaltamento dessas vias. O resultado é o que vemos hoje, uma cidade sair num levantamento do IBGE com 25,1% de arborização.

Pra rearborizar algumas avenidas como a Djalma Batista, Max Teixeira, Grande Circular, em 2004 o prefeito Alfredo Nascimento importou de Goiás palmeiras imperiais. Na época foi bastante criticado devido o preço das mudas e a dificuldade que teriam para adaptação. Na ocasião engenheiros agrônomos  disseram que não dariam certo e o recomendado era plantar pau pretinho, típico da região e que oferece uma envergadura ampla com bastante sombra. As palmeiras não evoluíram e estão por aí raquíticas como politicamente está o senador que as importou.

Mas a cidade não apresenta só esse caos. Consta com 20,2% de esgoto a céu aberto, 6,2% de lixo acumulado. Esgoto e lixo são os principais responsáveis por uma série de doenças que vai da simples verme a doenças mais sérias como hepatite, viroses, micoses, meningites.

Manaus era pra ser uma cidade. Com o pólo industrial e um povo trabalhador não era para vivermos num lixão como esse. E os responsáveis estão ai mexendo no tabuleiro polítco “brigando” para indicar o candidato para continuar a saga que governa o Estado a mais de 30 anos e quer gerir a administração da descapital.

Se esses senhores tivessem compromissos com o povo era para essa não cidade ser arborizada, não possuir esgoto a céu aberto, não acumular lixo, possuir um sistema de transporte que não humilhasse sua população.

Mas como não há essa preocupação, estamos na passagem do período chuvoso para o verãnoso e ai nos preparemos para os 40º graus na sombra de nossas casas e trabalhos, porque nas ruas desarborizadas vai “feder chifre queimado”.

- Por que tu não falas também sobre Belém que não aparece nada bem nas estatísticas? Belém é Belém. Está assim porque a cidade das mangueiras antes da Carepa que deu uma reorganizada, foi administrada pelo partido do príncipe do sociólogos, Fernando Henrique Cardoso que se preocupou mais em privatizar as empresas brasileiras do que se preocupar com o povo paraense e dos demais estados brasileiros.

Concluindo, queremos dizer que o encontro das autoridades no Rio de Janeiro para debater sobre o meio ambiente vem em  boa hora, pois nosso país vive uma degradação ambiental, moral e ética que precisa ser discutida para que a gerações futuras não sofram as conseqüências de desastres ecológicos como a falta de árvores, de água doce, jaraquis e tambaquis de rio, este último, hoje, já bastante escasso.               

 

Rio+20: Em busca de um civismo planetário

O coordenador executivo da Rio+20, Brice Lalonde analisa, em entrevista especial, os desafios e obstáculos que estão colocados para a conferência. Apesar de todas as adversidades, ele não aposta em fracasso. “Uma das grandes dificuldades que temos hoje está em que dentro da cada país há pouquíssimos negociadores que pensam no planeta, na humanidade em seu conjunto. Eles pensam em seus países e em seus interesses nacionais. Há muito civismo nacional e pouco civismo planetário”, diz Lalonde.

Eduardo Febbro – De Paris

Paris – Um mês e meio antes do início da conferência Rio+20, as perspectivas de que se consiga no Rio de Janeiro uma mudança decisiva para combater os males ambientais do planeta e a pobreza não são muito animadoras. Especialistas de todo o planeta temem que a humanidade seja incapaz de colocar fim à destruição da Terra. Os cientistas que participaram de uma conferência prévia a Rio+20, realizada em Londres, em março passado, disseram que a meta da ONU de limitar o aquecimento global a dois graus Celsius – adotada há menos de 18 meses – já é inalcançável.

“Temos que nos dar conta de que estamos observando uma perda de biodiversidade sem precedentes nos últimos 65 milhões de anos. Estamos entrando claramente na sexta extinção em massa do planeta”, disse Bob Watson, ex-chefe do painel climático da ONU e principal assessor do ministério britânico do Meio Ambiente.

A conferência tem três objetivos: combater esta crise ambiental, erradicar a pobreza e colocar o crescimento em um caminho sustentável, com medidas para estimular a economia verde. Mas, ao contrário do que ocorreu em 1992, ninguém espera um plano global de amplo alcance. As crises financeiras no Ocidente, o quase fiasco da cúpula do clima de Copenhague, em 2009, e as mudanças geopolíticas, com a emergência de China, Índia e Brasil, antecipam um evento de baixo perfil.

No entanto, apesar de todas essas adversidades, Brice Lalonde não aposta em fracasso. Este político francês foi nomeado pelo secretário geral das Nações Unidas como coordenador executivo da Rio+20. Sobre ele recai a responsabilidade de tentar colocar todo mundo de acordo. A busca de consensos em um mar tão agitado está longe de ser um passeio. Militante ecologista, encarregado francês das negociações sobre o clima entre 2007 e 2011, ministro de Meio Ambiente nos governos socialistas entre 1988 e 1992, Brice Lalonde oferece aqui as pautas e os obstáculos de uma cúpula onde, diz, a “noção simplista” do capitalismo dificulta os possíveis progressos.

O Brasil organiza em junho a conferência Rio+20 sobre o desenvolvimento sustentável. A cúpula será realizada vinte anos depois da Cúpula da Terra, realizada também no Rio de Janeiro, em 1992, quando as Nações Unidas criaram dois fóruns para enfrentar a mudança climática e a perda de biodiversidade. Duas décadas mais tarde, o que é preciso fazer para evitar que esse encontro termine sem resultados?

A pergunta que devemos nos fazer consiste em saber se as instituições, a economia e o grande giro que se deu na proteção do planeta e na luta contra a pobreza podem seguir a evolução geopolítica. Em 1992, havia uma situação geopolítica muito especial: o Muro de Berlim acabava de cair e ainda não havia ocorrido a ascensão mundial de China, Índia e Brasil. Hoje, a situação geopolítica é muito diferente em função dessa novidade. Também temos agora o retorno de guerras e conflitos, assim como a crise econômica que nos afeta, o que mostra que as dificuldades são complexas no novo sistema mundial da economia. Outro elemento novo em relação a 1992 é a internet e a tecnologia. Em suma, trata-se de saber se podemos adaptar novas instituições às mudanças da geopolítica e responder as perguntas que são as mesmas que foram feitas em 1992: como vencer a pobreza e proteger o meio ambiente.

A Rio+20 suscita muitas expectativas. No entanto, os observadores mais atentos asseguram que a cúpula servirá apenas para propor algumas pistas. Você disse inclusive que o texto que estava sendo discutido carecia de ambição.

O que vamos fazer talvez seja abrir uma fase para um novo modo de desenvolvimento. Mas, sim, é verdade, falta ambição ao texto. Creio que devemos ir mais rápido, com mais força. Uma das grandes dificuldades que temos hoje está em que dentro da cada país há pouquíssimos negociadores que pensam no planeta, na humanidade em seu conjunto.

Essa é a grande dificuldade?

Sim. Os negociadores pensam em seus países, defendem seus interesses nacionais. Mas em todo esse processo não há um piloto para o planeta. Isso é o que me dá medo. Algum dia será preciso inventar algo para que nos ocupemos daquilo que temos em comum, ou seja, a atmosfera, os oceanos e até o próprio conhecimento. Há muitos, muitos temas que estão mais além da esfera dos interesses nacionais e que o sistema internacional atual não consegue tratar.

Isso significa que, apesar de todas as mudanças climáticas e da consciência cotidiana do que ocorre, ainda não há uma tomada de consciência global de que o planeta é uma história comum e não uma questão meramente territorial?

Não. Em muitos governos ainda não há um civismo planetário. Há muito civismo nacional, muita lealdade nacional, mas a lealdade planetária não está muito presente. No entanto, entre os jovens encontramos muitas pessoas muito comprometidas.

Uma pergunta sobressai deste cenário: a crise ou o planeta? Por acaso a crise carregará o planeta ou este salvará a crise?

O problema está talvez no fato de que esta crise provém de um sistema econômico que não responde à situação. Uma parte da resposta à crise está no que se chama de desenvolvimento sustentável.

Os temas fortes da cúpula são a economia verde e a luta contra a pobreza. Quais são as duas frentes antagônicas e em torno de que pontos gira a controvérsia?

Ah..Não há dois campos nítidos ou afirmados. Dependendo do tema, há maiorias, minorias e oposições. Mas há uma primeira divisão clássica entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. A isto se agrega agora um terceiro ator, que são os países emergentes. Por exemplo, as pequenas cidades africanas não defendem os mesmos interesses que os grandes países como a China defendem. No que diz respeito à economia verde, há vários países que não são nem um pouco entusiastas. Não gostam da expressão, preferindo desenvolvimento sustentável.

Em suma, muitos países querem evitar que a economia verde se transforme em uma forma de levantar obstáculos ao comércio internacional ou que estabeleça novas condições para a ajuda ao desenvolvimento. Associado a isso está o tema da governabilidade, mas esse ponto não traz demasiados problemas. Eu diria que a divisão mais clara está entre os partidários do desenvolvimento e os que afirmam que não pode se continuar assim, que é preciso salvar o planeta. Estamos em busca de uma fórmula que concilie o desenvolvimento e o meio ambiente. Esta é a discussão mais importante e mais difícil de resolver porque está em jogo o meio ambiente mundial e a possibilidade de chegar a um ponto sem retorno. A discussão envolve também aqueles que dizem que o prioritário é a luta contra a pobreza, ou seja, o crescimento econômico, e que não é possível seguir acumulando tantas desigualdades. Este campo argumenta que a questão do planeta tem que ser o passo seguinte.

Mas quem diz crescimento está dizendo consumo dos recursos do planeta. Além disso, no que diz respeito à economia verde, seus críticos advertem, e não sem razão, que isso equivale a introduzir o mercado na ecologia.

Ah! O mercado é um bom servidor, mas um mau chefe. Toda a questão está nisso, em nossa capacidade de organizar o mercado, de fixar regras. Não há mercado sem regras. No momento, há muitas coisas que não estão sendo feitas. Estamos tratando de terminar com os subsídios aos combustíveis fósseis, o que é uma forma de intervir nos mercados, mas não é nada fácil.

Por exemplo, quando se suspende um subsídio desses é preciso recuperar o dinheiro que o Estado dava e dirigi-lo para a ajuda aos mais pobres. O tema dos mercados implica saber como se administram os recursos mais escassos.
Na verdade, é preciso sair do capitalismo mais básico: é preciso dizer que o capital mais importante é o povo e a natureza. O povo e a natureza são os elementos número um do capital. Não se deve sacrificar esse capital em benefício do pequeno capital monetário das empresas. Como você sabe, existem muitas empresas que financiam campanhas contra o desenvolvimento sustentável. Há uma enorme batalha em torno disso. Existem interesses econômicos que trabalham no curto prazo e que devem ser combatidos.

Mas, 20 anos depois da conferência do Rio, hoje há um poderoso ator que antes não existia: a sociedade civil.

A sociedade civil é um grande aliado, tanto para mim como para o Brasil, que organiza a conferência. Temos uma necessidade absoluta da sociedade civil. Associações, cientistas, professores, em suma, todos aqueles que trabalham pelo planeta são essenciais. Mas também as regiões, as municipalidades e as cidades ocupam um lugar destacado neste trabalho. Quando uma cidade fixa as regras urbanistas, isso também é importante. A sociedade civil será então um ator muito importante, não só porque estará presente, mas também porque vai participar de um novo caminho de negociação. Trata-se dos “diálogos sobre o desenvolvimento sustentável”. O Brasil e a ONU fizeram um grande esforço para criar um novo tipo de conferência onde não estejam só os diplomatas de cada país, mas a sociedade civil em seu conjunto.

Tradução: Katarina Peixoto

Carta Maior

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

 Hoje, dia 22 de março, é comemorado o Dia Mundial da Água.  A comemoração não fica por conta de uma realidade biológica-cultural, ou seja, a importância da água na vida dos seres vivos – e não vivos – que compõem a caosmose Vida. A fundamentalidade da água como elemento correspondente ao viver Humano.

       Não. A comemoração/comprometida fica por conta das manifestações de grupos, entidades, movimentos sociais em defesa da água em função do perigo que corre. Não só pela ameaça dos poluentes, mas também pela ameaça de que seja transformada em uma mercadoria de exploração capitalista por empresas multinacionais representantes do capitalismo predador (todo capitalismo é predador, isso é tautologia).

      O que poderia ser um ritual de graça e sublimidade, em razão de sua transcendência ontológica, é uma manifestação de preocupação contra a irracionalidade da ambição do lucro que ameaça os menores e maiores mananciais hidrográficos do mundo. Principalmente os da América Latina, como os da Bacia Amazônica. O Rio Amazonas, como exemplo de ser a maior abundância aquática internacional capaz de suprir necessidades da maior parte do mundo. Daí o olhar e as maquinações do capital internacional contra ele.

       A água como elemento natural universal será lembrada neste dia de hoje, 22 de março, pelas pessoas que acreditam que viver é se comprometer eco-bio-culturalmente, visto que a água é elemento-mineral coletivo. Mesmo que o capital-voraz tente privatizá-la.

 

MANIFESTANTES PROTESTAM CONTRA CÓDIGO FLORESTAL

 Mais de 1.100 pessoas de todo o Brasil e vários países da América Latina participaram ontem, dia 7, no gramado em frente ao Congresso Nacional, de uma manifestação contra a aprovação do novo Código Florestal.

      O movimento faz parte da campanha nacional que percorreu 35 praias do litoral brasileiro em defesa das florestas e da preservação das áreas ecológicas, #MangueFazaDiferença. A campanha é composta de 136 organizações não governamentais, e Brasília foi escolhida para o encerramento.

      Na opinião de Mário Montovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, o movimento procura mostrar que há uma posição de toda a sociedade contra a votação do Código Florestal.

      “O que a gente que mostrar é que esse ‘papo’ não é só de ambientalista e ruralista. Tem muita coisa quando se trata de política pública, de interesse nacional. O que a gente está vendo aqui hoje é uma reação àquilo que os ruralistas dizem que é um interesse do agronegócio.

    Nós queremos fazer com que todos tenham uma participação, que todos sejam ouvidos. Não há essa urgência, essa pressa para votar aquilo que é de interesse daqueles que não querem pagar suas contas. Que querem simplesmente continuar surfando em cima deste grande momento brasileiro, que é o agronegócio”, disse Mário.

      Para o empresário e militante do grupo Mangue Faz a Diferença Rodrigo Joffily Bucar Nunes, a manifestação com um grande número de pessoas mostra a insatisfação da sociedade com o descaso do governo em alguns assuntos.

    “Esse movimento mostra a posição da sociedade civil que não quer ver a coisa aprovada. Não adianta gerar mais alimento de forma insustentável acabando com recursos naturais, é andar para trás. O que fica claro pra gente é que quem está lá dentro não respeita a gente. Estamos aqui na porta dizendo que tem algo errado”, opinou Rodrigo.

 

    

A VIDA COMO É NA NÃO CIDADE E NO INTERIOR DE MAUÉS-AM

Como marca das cidades no interior do Estado do Amazonas, Maués é uma cidade de contrastes. Há pessoas pobres e pessoas ricas. Casas simples e mansões. Algumas surgidas de uma hora para outra. Muitas delas de secretários e funcionários da prefeitura, por exemplo. Há mansões de comerciantes com muros altos. Há aquelas que estão invadindo áreas destinadas a banhistas na ponta da Maresia. Os donos da praia resolveram construir obras em local público, um deles, coletor aposentado da Receita Federal, agente público que deveria dar exemplo, se é que se pode dar exemplo. Assim como na não cidade Manaus, em Maués as casas também andam. Rumo à praia.

Por falar em contrastes o ex-prefeito de Maués, Sidney Leite está condenado pelo TCU por não ter aplicado verbas federais na construção de uma fábrica de redes na cidade. E logo em Maués que todo mundo  gosta de rede a indenização deveria ser mais do que esses 13, 5 mil.  Por causa disso está inelegível nas próximas eleições. No rio Apocuitaua, na comunidade chamada Liberdade na administração desse mesmo agente construíram um prédio onde funcionaria uma fábrica para processar os derivados da cana de açúcar. Não foram plantados os canaviais e o prédio deteriora-se às margens do rio.

Sem querer ser repetitivo mais o fato nos obriga a ser, não podemos deixar de nos manifestar sobre duas obras que já vai pra mais de cinco anos e elas não são concluídas. Trata-se da orla da frente da cidade e da estação hidroviária. As duas estão paradas. Estão envolvidas somas milionárias e não são concluídas. Não são obras de difícil execução, mas deduz-se que as empreiteiras que ganharam a licitação não possuíam capacidade técnica e operacional para realizarem a obra. A estação hidroviária só tem capacidade para atracar uma embarcação, a rampa de descida, como já nos manifestamos anteriormente, possui colunas fora dos padrões para suportar caminhões com  toneladas de cargas. A rampa destinada aos passageiros é estreita e o prédio, assim como a fábrica no rio Apocuitaua também está deteriorando-se.

Enquanto isso, a vida das pessoas, do povo no interior, especificamente no Alto Apocuitaua é de trabalho, labuta diária para sobreviver, caçando, pescando, fazendo farinha, plantando e tendo que conviver com a carestia de produtos básicos, mas também com a tranqüilidade de viver sem medo numa relação simbiótica com o meio. Essa relação é contada por trabalhadores, gente do povo do Alto Apocuitaua.         

Janderlei  Lacerda da Silva, morador da comunidade São João do Pacoval. Morando atualmente  na comunidade do Maçarico,  com a sogra. Trabalho com mandioca na produção de farinha.  O trabalho com a mandioca consiste na colheita que é levada  para o barracão, no segundo dia a tiramos a casca e em seguida passamos no motor, antes era no ralo de lata de querosene,  para ficar a massa. Depois desse processo misturamos a massa para deixar casar durante um dia, no dia seguinte ela é prensada para ficar seca e formar o delicioso caroço e depois ela é torrada. Essa é uma forma de trabalho aqui na Liberdade. É um produto não valorizado, apesar de ser trabalhoso não é  lucrativo, em média a saca é vendida por R$ 50,00 ou R$ 60,00 reais. Isso é uma baixaria vender por esse preço. Da mandioca é extraímos ainda o tucupi, a tapioca e a crueira da qual se faz o mingau com castanha do Pará que é muito delicioso. Tudo isso serve para vender e é um meio para manter nossa sobrevivência. Isso ocorre de janeiro a janeiro. Fora essa atividade temos também a colheita do guaraná nos meses de novembro  e dezembro. Esse é um produto mais valorizado do que a farinha. Consumimos caças e peixes apanhados só para nosso consumo. Com a política do governo não podemos mais matar caças para vender. Mas aqui quando alguém tem comida ela dá ou troca com outro alimento como farinha.

Antônio Almeida, artesão,  cultivador de guaraná, castanha, açaí,  graviola, bacaba, caju, laranja, lima, limão, mucajá, tangerina, saputi, caramuri, uichi, piquiá, tucumã, cupu e mais outras mais. No momento estou investindo na plantação, sobrevivo da extração nativa. O retorno dessa produção é muito demorado, é por isso que as pessoas não cultivam. Além do trabalho como agricultor desenvolvo um trabalho como escultor, sem financiamento, mas  pretendo expor meus trabalhos. Possuo umas cinqüenta peças e reproduzo animais da floresta. Estou explorando o que a natureza me dá. A madeira que utilizo é o molongó e a itaúba.

Gênesis da Silva – A vida do interior é muito diferente da vida na cidade, aqui não há outra forma de vivência. Você tem que desmatar, fazer uma roça ou outro tipo de plantação. Se a pessoa não fizer isso ela não sobrevive. Esse bolsa floresta diz que não é para desmatar mas aqui não tem jeito.  O governo deve aumentar o salário da bolsa floresta para melhorar a vida das pessoas. Meu pai trabalha com moto serra, o trabalho dele é tirar madeira, sendo que no lugar de uma derrubada já é plantada outra no seu lugar.

 Marcos Diones Pereira – nosso modo de vida é muito ruim. Vivemos do trabalho  pesado e fazemos isso para sobreviver, da roça, do guaraná. Vendemos farinha e tiramos para nosso consumo. Há fartura, temos muito peixes, no período das chuvas é muito difícil para pegar alimento. Nas cheias é bom para a caça. A caça é  só para o consumo. Extraímos da mata a castanha para vender. A lata da castanha do Pará custa R$ 20,00. A produção este ano está fraca. Quando dá muita castanha cai o preço da lata.

Jeremias  Silva e Silva –  Sou artesão, carpinteiro. Iniciei fazendo uma canoa, as pessoas gostaram e encomendaram duas. Estou com pouco tempo trabalhando. Trabalho também fazendo casas. Utilizo marupá, madeira branca, trabalho com itaúba, madeira pesada e dura muito tempo. A de marupá dura dois anos. Outra fonte de renda nossa  é a fabricação de farinha. A vida no interior é muito diferente da cidade. Tem uma parte boa e uma parte ruim. A parte boa é que a gente vive tranqüilo, sem medo de ser assaltado, morto. A desvantagem é que as coisas são muito mais difíceis,  principalmente relacionadas com a alimentação. Para comprar as coisas temos que ir à cidade. Existe um comércio na comunidade mais é muito mais caro. O preço aqui é dobrado do da cidade.

Nesta comunidade eles participam do projeto Pro-Chuva que consiste no armazenamento de água da chuva em tanques de 1.000 litros.

O INCRA iniciou a construção de casas para os trabalhadores,  mas até a presente data, assim como as obras na não cidade de Maués também estão paradas.

Como se vê, os contrastes são de classes. Há os pobres, trabalhadores que sobrevivem com a labuta dia-a-dia. Trabalhando na roça, fazendo farinha, canoa e recebendo os R$ 50,00 reais da bolsa floresta, mais a bolsa escola. Há os ricos que só são ricos porque exploram a força de trabalho do operário, do trabalhador. Mas há também, o rico, lambaio que não explora a força de trabalho do outro, mas que se locupleta de dinheiro público para fazer mansões de uma hora para outra sem nunca ter tido uma fonte de renda que justificasse tal empreendimento.

Assim é a vida em Maués, assim é a vida no interior do Estado do Amazonas.         

A MAGIA PERVERSA DE MONSANTO CONTRA A TERRA, ANIMAIS, VEGETAIS E O HOMEM

CACIQUE RAONI FOI ATÉ PARIS TENTAR APOIO CONTRA A CONSTRUÇÃO DA USINA BELO MONTE

Trajando indumentária própria de sua etnia, o cacique Raoni chegou à França, propriamente em Paris, em busca de apoio para sua causa: protestar contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no estado do Pará.

Chegando a Paris, Raoni recebeu o título de honra e uma relação de um abaixo-assinado com mais 100 mil assinaturas lançado há mais de um ano pelo site Raoni.com instalado na França.

Raoni, que deverá ficar na terra do filósofo Sartre até outubro vem recebendo apoio em sua luta contra a construção da Usina de Belo Monte dos atores Vincent Cassel e Marion Cotillard, e também do diretor de ficção de consumo da indústria filmográfica hollywoodiana James Cameron.

Raoni tem todo direito e dever de lutar contra a construção da Usina, agora que ao se juntar com Cameron sua causa perde o brilho natural, isso perde. Cameron não tem o espírito dos que compreendem a Natureza como Substância com atributos e modos fundantes do Existir que se movimentam naturalmente encadeada com o Homem-Natura. Natureza, para Cameron, é uma dissipação abrigada nos opressores fundamentos do capitalismo. A Natureza, para o ficcionista-fílmico, é o território da exploração e do lucro dissimulada em manto divinal. O que permite ao incauto a ilusão de que ele sente o Natural que é a Vida.

Para Cameron, a Natureza não é vida, mas uma abstração que ele toma como realidade.

MINISTRA DIZ QUE PARA QUEM TEM VISÃO TÉCNICA A CONSTRUÇÃO DE BELO MONTE É BENÉFICA

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, respondendo sobre os protestos que vêm sendo alvo a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, protestos estes oriundos de entidades nacionais e internacionais, afirmou que para quem tem uma visão técnica a construção da obra trará benefício.

A declaração da ministra ocorreu depois de sua participação em um debate na capital paulista sobre o setor elétrico e hidrelétrico no país. A ministra disse que o governo federal vem tomando todas as medidas necessárias para evitar qualquer impacto negativo no local onde a obra está sendo construída e nas áreas onde ela irá atingir.

Na semana passada ocorreram algumas manifestações em várias localidades do país contra a construção da Usina. Para os participantes das manifestações a construção da Usina é um ato perigoso porque vai destruir áreas ricas em recursos naturais e dizimar culturas de povos indígenas, assim como os rastros históricos de seus ancestrais.

A ministra Miriam Belchior, respondendo sobre as manifestações contra a construção da hidrelétrica, disse que há juízo no que o governo está fazendo.

Você mostra juízo com a ação, estamos agindo”, disse.

AMBIENTALISTAS VÃO PROMOVER PROTESTOS CONTRA A CONSTRUÇÃO DA USINA DE BELO MONTE

Amanhã, sábado, dia 20, organizações ambientalistas e movimentos sociais irão promover em várias cidades do Brasil manifestações de protestos contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. Os protestos serão concretizados em frente das embaixadas e consulados de 20 cidades de 16 países.

Embora as obras da usina já tenham começado amparadas pela autorização concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marco Antonio Morgado, representante do Movimento Brasil pela Vida nas Florestas, afirmou que o projeto não é um fato consumado.

Queremos trazer a discussão de volta para a pauta, que estava sedimentada. Pelas ações que tramitam na Justiça, acreditamos que ainda é possível revogar o projeto e evitar que essa obra vá adiante.

A população brasileira não foi consultada. Belo Monte vai na contramão de uma perspectiva de sustentabilidade social e ambiental”, afirmou Marco.

Para contestar a construção da usina, o Ministério Público Federal no Pará entrou, no dia 17, com mais uma ação na Justiça que pede a paralisação da obra que, segundo ele, viola os direitos dos povos indígenas da região, que serão removidos de suas terras, o que é vetado pela Constituição.

A expectativa para os protestos é que em São Paulo os manifestantes consigam reunir 4 mil pessoas na Avenida Paulista. Enquanto, em Belém, o Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre acredita que vai reunir mais de 2 mil pessoas, inclusive com a participação de comunidades indígenas do Rio Xingu, comunidades que serão afetadas direta ou indiretamente com a construção da Usina.

RELATÓRIO DA AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS DIZ QUE A ÁGUA DAS REGIÕES METROPOLITANAS É RUIM E PÉSSIMA

O relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos do Brasil – Informe 2011, baseado em dados coletados em 2009, afirma que a maior parte dos corpos d’água com Índice de Qualidade da Água (IQA) péssimo ou ruim encontra-se nas proximidades das regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e cidades de médio porte, como Capinas e Juiz de Fora.

Essa condição está associada principalmente aos lançamentos de esgotos domésticos”, diz trecho do relatório.

A avaliação apresentada pelo relatório com base em nove parâmetros que refletem principalmente a contaminação por esgotos domésticos, mostra que dos 1.747 pontos monitorados em 17 estados, 2% têm condições péssimas e 7% condições ruins. O percentual de pontos com índice de qualidade considerada ótima caiu, entre 2008 e 2009, de 10% para 4%.

O diagnóstico dos pontos monitorados revela a manutenção do quadro geral do país, com várias bacias comprometidas devido ao grande lançamento de esgotos urbanos domésticos”, mostra trecho do relatório.

Para a Agência Nacional de Águas (ANA), apesar da má qualidade da água concentrada próxima às metrópoles, houve um avanço ligado ao investimento no tratamento de esgotos e saneamento. De 2005 a 2009, aumentou o repasse para tratamento de esgotos, principalmente pelo PAC do Saneamento. Mesmo assim, com uma receita de R$13,2 bilhões, que foi executada em 2009 em projetos de saneamento, representa menos de 60% do total suficiente para solucionar os problemas.

As políticas de saneamento estão dando resultados na melhoria da qualidade da água, mas ainda temos grandes investimentos a fazer”, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que afirmou ainda que 69% dos recursos hídricos usados no Brasil vão para as lavouras e pastos. Além de afirmar que o futuro dos recursos hídricos está ligado diretamente à aprovação no Senado do Código Florestal.

E mais de 90% disso vão para o setor privado. Temos que ver se essas áreas de irrigação estão em áreas vulneráveis de oferta de recursos hídricos no futuro para que se possa assegurar a produção agrícola com oferta de água ou se será preciso direcioná-las.

Não estamos discutindo somente a regularização do uso do solo, mas também a qualidade de vida e disponibilidade de recursos hídricos”, afirmou a ministra.

DELEGADO QUE PRENDEU MADEIREIRO EM ANAPU TEME POR SUA VIDA E QUER A POLÍCIA FEDERAL NO LOCAL

José Avelino Siqueira, vulgo Junior da Semente, é um contumaz desmatador em Anapu, município do Pará, conhecido como o palco do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang. Como contumaz, ele constantemente era penalizado pelo órgão de proteção ambiental, mas se safava pagando as multas. Uma forma de deboche, visto que ele sempre voltava a praticar o crime. Como era considerado crime ambiental, o contumaz José Avelino Siqueira sempre escapava das grades.

Assim, como contumaz, ele não contava com a inteligência jurídica do delegado Melquesedeque da Silva Ribeiro. O Junior da Semente extraia ilegalmente madeiras e vendia, era penalizado como crime ambiental, pagava a multa, e, ulá-lá!, estava solto. Mas aí que ele marcou bonito para a inteligência jurídica do delegado.

O delegado deixou de penalizá-lo por crime ambiental. Penalizou-lhe por roubo, já que a madeira era extraída ilegalmente. Aí o Junior da Semente não desabrochou mais. No dia 26 de junho, o delegado Melquesedeque levou-o ao xilindró.

Como o Junior da Semente extraía a madeira e vendia, o delgado, que mostrou inteligência e coragem além da natural em casos como esse, sabe que ele tem comparsas influentes. Isso ele tem visto nos rostos das figuras que visitam o contumaz na cadeia. Tem gente com cara de barão. Por isso, o delegado teme por sua vida e quer que a Polícia Federal permaneça no local.

Prendemos por roubo, não apenas como anteriormente se fez, de tratar o caso como crime ambiental e transporte ilegal de madeira.

Como reiteradamente ele é dado por essa prática aqui no município, decidi por bem fazer uma tipificação que conferisse maior rigor de penalização.

Aqui na delegacia, vejo que algumas pessoas vêm visitá-lo, pessoas de expressão empresarial na cidade. Então ele tem mais gente por trás dele nessa extração de madeira. É bem provável que eu venha a ser considerado inimigo desse pessoal e a situação exige a participação de outras autoridades. Acredito que o município deveria receber um pouco mais de atenção da Polícia Federal. Até porque a gente está tentando implementar a legalidade e isso soa como errado.

Quando cheguei aqui, a média de presos era três a quatro por mês. Hoje estou com onze presos. Já houve duas tentativas de fuga, onde tinha grade coloquei laje. Estou tentando fazer um trabalho de restabelecimento da ordem. Temo receber ameaças de diversos setores”, disse o delegado, que só está no cargo há oito meses.

MADEIREIRAS DE NOVA IPIXUNA SÃO FECHADAS PELO IBAMA

Cerca de 30 fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), apoiados por homens do Exército, da Polícia Federal e da Força Nacional, fecharam 12 madeireiras que atuavam no município de Nova Ipixuna, no Pará, município onde foram assassinados a mando de madeireiros os líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo.

Os fiscais retiraram as madeiras e as máquinas que se encontravam no local. De acordo com a determinação do Ibama, qualquer atividade madeireira na região será reprimida por tratar-se de ato ilegal, porque as madeireiras não possuem licença ambiental. Embora o município de Nova Ipixuna seja considerado um polo madeireiro.

A ação do Ibama tem ligação com a Operação Disparada, deflagrada no dia 28 de março, que pediu a cassação de todas as 12 licenças ambientais das madeireiras. A Operação Disparada atua também nos municípios de São Feliz do Xingu, Santana do Araguaia e Pacajá.

Segundo o gerente-executivo do Ibama em Marabá, Paulo Vinícius Marinho, todas as madeireiras da região já foram multadas pelo órgão, entretanto a Secretaria do Meio Ambiente do Pará voltava a conceder licença ambiental.

Nós conseguimos o cancelamento das licenças pela própria insustentabilidade dessas serrarias na região”, afirmou.

PETIÇÃO PEDE A DILMA VETAR O CÓDIGO FLORESTAL

As florestas brasileiras estão correndo perigo. A Câmara dos Deputados acaba de enfraquecer o rígido Código Florestal e corajosos ativistas brasileiros estão sendo assassinados por dizerem o que pensam. É hora de levarmos essa importantíssima batalha ao palco global – se todos nós pedirmos à Presidente Dilma para vetar esse projeto de lei, poderemos salvar as florestas brasileiras.

Assine a Petição

Caros amigos,

A Câmara dos Deputados acaba de aprovar o esvaziamento do Código Florestal brasileiro. Se não nos mobilizarmos agora, enormes extensões de nossas florestas poderão ficar vulneráveis a um devastador desmatamento.

O projeto de lei gerou revolta e protestos generalizados em todo o país. E a tensão está subindo: nas últimas semanas diversos ativistas ambientais respeitados foram assassinados, supostamente por matadores contratados por madeireiros ilegais. É essencial agir agora mesmo. Estão tentando silenciar qualquer crítica enquanto a lei está sendo discutida no Senado. Mas a presidente Dilma tem o poder de vetar as mudanças se conseguirmos persuadi-la a superar a pressão política e assumir o papel de uma verdadeira líder em questões ambientais.

Setenta e nove por cento dos brasileiros querem que Dilma vete as mudanças no Código Florestal, mas nossas vozes estão sendo desafiadas por lobbies de madeireiros. Agora, depende de todos nós nos mobilizarmos para calar esses lobbies. Vamos nos unir agora em um gigantesco apelo para dar fim aos assassinatos e à exploração ilegal de madeira e salvar nossas florestas. Assine o abaixo-assinado a seguir – ele será entregue a Dilma assim que conseguirmos 500.000 assinaturas:

http://www.avaaz.org/po/save_our_forests/?vl

As florestas brasileiras são imensas e importantes. A Amazônia sozinha é vital para a vida no planeta – 20% do oxigênio e 60% da água doce do mundo vêm dessa magnífica floresta tropical. E por isso é tão crucial protegê-la.

É por isso que tanta gente vê o Brasil como um líder internacional em questões ambientais e é por isso que a Conferência da Terra, um encontro que acontecerá no ano que vem com o objetivo de impedir a morte lenta de nosso planeta, será no Rio de Janeiro. Por outro lado, também somos um país em rápido desenvolvimento que luta para tirar dezenas de milhões de pessoas da pobreza, e é intensa a pressão sobre nossas lideranças para desmatar florestas e abrir minas para gerar lucro. Daí o perigo de essas lideranças estarem quase dando o braço a torcer em termos de proteção ambiental. Ativistas locais estão sendo assassinados, intimidados e silenciados. Agora, cabe aos membros da Avaaz pedirem aos políticos brasileiros para serem firmes.

Sabemos que há uma alternativa. Lula, o antecessor de Dilma, reduziu enormemente o desflorestamento e consolidou a reputação internacional de nosso país como líder em questões ambientais, além de gozar de um gigantesco crescimento econômico. Vamos nos unir agora e pedir a Dilma para seguir o mesmo exemplo! Assine o abaixo-assinado para salvar nossas florestas e, em seguida, encaminhe este e-mail a todos:

http://www.avaaz.org/po/save_our_forests/?vl

Nos últimos 3 anos, os membros da Avaaz no Brasil mobilizaram-se com enormes iniciativas e lideraram extraordinárias campanhas para que o mundo chegue a ser aquele que todos desejamos: conseguiram a aprovação de uma histórica lei anticorrupção e fizeram lobby para que o governo tivesse um papel de liderança na ONU, protegesse os direitos humanos e interviesse para apoiar a democracia no Oriente Médio, e ainda ajudasse a proteger os direitos os direitos humanos na África e outras regiões.

Agora, estamos reunindo os membros da Avaaz de todo o mundo em um apelo global para salvar as florestas. Juntos, podemos construir um movimento florestal internacional e proclamar o Brasil mais uma vez como um verdadeiro líder em questões ambientais. Assine o abaixo-assinado e, em seguida, encaminhe este e-mail a todos:

http://www.avaaz.org/po/save_our_forests/?vl

Com esperança,

Emma, Ricken, Alice, Ben, Iain, Laura, Graziela, Luis e o resto da equipe da Avaaz

TRABALHADORES RURAIS AMEAÇADOS DE MORTE NO PARÁ SERÃO OUVIDOS PELA DEFENSORIA

A Defensoria Pública do Pará deverá escutar amanhã, dia 21, as nove pessoas assentadas em Nova Ipixuna que se encontram ameaçadas de morte por pessoas que as consideram obstáculos para seus propósitos capitalistas. Os trabalhadores rurais assentados ameaçados de morte têm uma postura trabalhadora de defesa da terra Amazônica, o que irrita os grandes proprietários.

O grupo de nove pessoas ameaçadas de morte tem a proteção da Força Nacional, que faz parte da estratégia de combater a violência no campo nos estados do Pará, Rondônia e Pará, chamada de Operação Defesa da Vida. Todos os nove encontram-se no município de Marabá, escoltados pela Força Nacional, esperando serem entrevistados.

O coordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Pará, Márcio da Silva Cruz, disse que “todos estão protegidos provisoriamente”, todavia a definição da situação só ocorrerá depois das entrevistas.

Ainda estamos em Belém, mas até as 16h de amanhã, teremos atendido a todos no local. Todos serão entrevistados para que saibamos se as ameaças sofridas estão relacionadas à militância em direitos humanos. Depois veremos em que estratégia de proteção cada um se encaixará.

Atualmente há, no Pará, sete pessoas sob proteção e outras 16 que tiveram a proteção autorizada pela coordenação estadual, mas ainda não foi implementada pelos órgãos de segurança.

O programa tem regras, já que não podemos impor proteção a ninguém. Ou seja: a pessoa tem que aceitar essa proteção. Como ainda não temos o panorama deles, estamos aguardando a conversa para decidir o que fazer.

É o caso do bispo da Ilha de Marajó, dom Luiz Azcona, e do padre Amaro, de Anapu, onde a irmã Dorothy foi assassinada. Nós sabemos que eles estão correndo risco, mas nada podemos fazer porque eles recusaram a participar do programa”, afirmou Cruz.

5 MIL FOI QUANTO O FAZENDEIRO JOSÉ RODRIGUES PAGOU PARA OS PISTOLEIROS MATAREM JOSÉ CLÁUDIO E MARIA DO ESPÍRITO SANTO

Polícia divulgou retrato falado de suspeitos de matar o casal no Pará

No dia 24 de maio, ainda na aurora matinal, o casal de líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e sua esposa Maria do Espírito Santo deixou sua casa em direção à cidade para efetuar um negócio. Ao passarem por uma pequena ponte, foram atingidos por disparos provenientes de dentro do mato. Eram dois pistoleiros, em tocaia, pagos para matá-los e silenciar suas lutas contra a exploração ambiental e o desmatamento da floresta executada por madeireiros. Os assassinatos ocorreram no assentamento Nova Ipixuna, no Pará. Mais um crime contra as vidas de trabalhadores rurais que chocou a sociedade brasileira.

Diante do ocorrido, e a reverberação do fato, o governo federal tomou as medidas cabíveis para encontrar os executores e o mandante, ou mandantes. Hoje, dia 8 de junho, a Polícia Civil do estado do Pará apresentou o nome do mandante do duplo assassinato. Trata-se de José Rodrigues, fazendeiro, desmatador e grileiro, que comprou lotes de terra para expandir sua criação de gado. Só que a área comprada era para assentamento. O que fez com o líder extrativista José Cláudio enfrentasse o grileiro em nome dos assentados, impedindo que eles deixassem suas terras. Afirmando ainda, para o invasor, que aquelas terras não poderiam ser vendidas.

Não satisfeito com a posição tomada por José Cláudio, o grileiro foi até a Comarca de Nova Ipixuna, falou com a polícia, e voltou ao assentamento, agora protegido pelos policiais, para expulsar os assentados. Mas o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), informado da prepotência latifundiária, se fez presente no local, afirmando que as terras pertenciam aos assentados. José Rodrigues, o grileiro, não gostou do desfecho, e saiu vociferando em tom de ameaças que José Cláudio e sua esposa Maria do Espírito Santo iriam pagar caro pelo ocorrido, segundo testemunha.

Como soe ocorrer com os infelizes paralisados por profundo sentimento de inferioridade, que os faz se transformarem em pessoas ressentidas, e acima de tudo covardes vingativos, segundo a Polícia Civil, José Rodrigues contratou dois pistoleiros ao soldo de 5 mil, para assassinarem o casal de líderes extrativistas. A única forma capaz de um covarde calar pessoas que lutam pela preservação do Ambiente Amazônico. O dinheiro, o psicopata e a bala. Três elementos usados pelos latifundiários para eliminar os que são contrários às suas ambições psicopatológicas.

Agora, a Justiça da Comarca de Nova Ipixuna pediu a prisão do predador baseada na investigação da Polícia Civil, que segundo ela o predador pagou dois pistoleiros para assassinarem o casal.

Quanto aos assassinos, a Polícia Civil já divulgou os retratos falados de ambos, baseada em testemunhas que viram os dois pistoleiros seguindo para o assentamento às 5h30 no dia 24, e horas depois voltando. Há suspeita que eles tenham fugido usando o Rio Tocantins.

A MAIORIA DAS ATIVIDADES NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE SÃO ANTINATURAIS (IV)

A falácia da Zona Franca Verde e morosidade do Prosamim

No que diz respeito aos interiores do Amazonas, até hoje apenas dois projetos fantasmas são conhecidos: o Terceiro Ciclo, de Amazonino Mendes, e o Zona Franca Verde, de Eduardo Braga. A prova maior que os projetos têm o mesmo escopo é que atualmente seus autores, fazendo-se adversários, atacaram recentemente um ao projeto do outro. Os dois estão certos, diz o filósofo Rui Brito.

A Zona Franca Verde não existe, não deu certo, igual ao Terceiro Ciclo.”

Fala na peça Boizinho Rizoma nas Tramas da Zona Franca Verde, desenvolvida pelo Teatro Maquínico da AFIN

Seguindo o entendimento ambientalista de Gilberto Mestrinho, que disse certa vez ser possível derrubar toda a Floresta Amazônica e reflorestá-la em seguida, de tão ecologista que era, Amazonino, na campanha de 1986, que veio a ser sua primeira eleição para governador, prometeu dar uma motosserra para cada caboclo do interior. Mas o maior viria na segunda vez que assumiu o governo do estado do Amazonas (1995-1998), quando criou o Terceiro Ciclo, projeto para incentivar a agricultura, principalmente no que diz respeito à industrialização e escoamento da produção, mas que nunca foi implantado realmente, servindo apenas para o desperdício do dinheiro público e palanque eleitoreiro para Amazonino e seus correligionários no interior.

Bom aluno de seu mestre, Eduardo Braga criou, em 2003, no primeiro ano dos oito que passaria como governador, o projeto Zona Franca Verde, que até hoje, nos interiores e na capital do estado, ninguém sabe explicar de que se trata. O único conhecimento que se tem é o marketing midiático. Nesse quesito, Braga é competente, e por isso já foi convidado para falar sobre o programa na França e nos Estados Unidos. Mas Braga não é apenas competente, mas, sim, precavido, uma vez que nunca um governo havia gastado tanto dinheiro público em marketing governamental. Para apoiar o fantasmático projeto, veio o Bolsa Floresta e seus míseros R$ 50 como chantagem para o caboclo manter a floresta “em pé”, e também mudaram o nome da fotossíntese, talvez para acompanhar o acirramento da violência urbana, para “sequestro de carbono”. Enquanto isso, para perceber a fraude da Zona Franca Verde e outros negócios, este bloguinho ouviu certa vez de uma moradora do município de Fonte Boa, a “Terra do Manejo Sustentável”, como se lê na entrada da cidade: “Aqui é assim: as pessoas vão levando a vida com a barriga e é preciso ter muita criatividade pra isso.”

Provavelmente o programa Zona Franca Verde, se o eterno vice Omar Aziz quiser afirmar sua “personalidade”, será esquecido, principalmente porque as principais notícias dos últimos tempos sobre ele na mídia foram as velhas utilizações nas campanhas eleitorais, dessa vez realizadas pela coligação Avança Amazonas nas eleições passadas, que teriam beneficiado, segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), entre outros, Braga, Omar, Vanessa Grazziotin e Eron Bezerra.

Fui enganada, me tiraram de um igarapé e me colocaram em outro.”

Senhora Marilda, que foi retirada de um igarapé na Cachoeirinha e colocada em outro no São José I pelo Prosamim, e que deu entrevista a este bloguinho num Grito dos Excluídos.

No caso de Manaus, então, a partir da fundação da Zona Franca de Manaus, primeiro se produziu a poluição total – e não se diga ingenuamente que foi a população – de todos os igarapés da cidade, para depois revitalizá-los. Para isso foi fabricado o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), cujas peças publicitárias são também recheadas de cores, sons e, quem sabe, até odores artificiais. No entanto, o que mais chama a atenção para os que vivem em Manaus é:

  • a morosidade do projeto, com suas marcações e remarcações de casas que deverão ser indenizadas e retiradas a cada ano. Cada vez que a remarcação é feita, a extensão de seu alcance sofre estreitamento;

  • numa compensação ao contrário, seu custo aumenta cada vez mais. O Amazonas está com uma dívida externa – veja bem, “dívida externa” – de R$ 805 milhões e, no último 26 de maio, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Ale-AM) autorizou o Governo do Estado do Amazonas a emprestar R$ 448 milhões. A Prefeitura de Manaus também aproveitou para pedir dinheiro federal para realização do Projeto de Recuperação do Igarapé do Mindu, conhecido como Prosamim Municipal, e que segue a mesma linha do projeto governamental: recebeu um montante de R$ 100 milhões do governo federal e nada ainda foi realizado;

  • corrupção na organização foi vista em denúncia que repercutiu nacionalmente, quando foi feita a acusação pelo Ministério Público do Estado (MPE) de que estavam sendo indicados corretores que facilitavam o processo de desapropriação por uma quantia de R$ 2 mil a R$ 10 mil;

  • como se vê na fala da companheira Marilda acima, a insatisfação dos beneficiados é geral, indo desde os locais para onde foram realocados e até, no caso das “casinhas lego” (apelido que moradores dão ao Parque Residencial de Manaus), de problemas nas moradias, que vão de goteiras a rachaduras e até desabamentos;

  • ausência de fiscalização fez com que o Ministério Público de Contas (MPC) recomendasse, há duas semanas atrás, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) uma inspeção e auditoria em todas as obras e contratos da Unidade de Gerenciamento do Prosamim (UGPI-Prosamim). Esse pedido ocorreu porque a UGPI simplesmente mandou para análise a prestação de contas sem o relatório de inspeção das obras pelo Departamento de Engenharia (DEENG) do TCE. “Se a unidade gestora existe para realizar obras, no caso, de grande porte e valor, nas contas anuais não pode faltar a inspeção desses objetos pelos engenheiros auditores do Tribunal, sob pena de não se examinar o principal conteúdo dessas contas”, diz o documento. Mesmo assim, o TCE aprovou as contas de Braga;

  • o uso eleitoreiro publicitário é conhecido a cada período eleitoral, sendo que no último pleito houve a denúncia de que logotipos do Prosamim foram colocados até em sacos de pão;

  • o mais grave de tudo é que o Prosamim é acusado de realizar o oposto do objetivo a que se propõe, produzindo estreitamento do leito dos igarapés e assoreamento do lixo, que vem causando desde alagações abruptas até o desaparecimento de igarapés. Na verdade, hoje em dia, nem existem mais igarapés recortando a cidade de Manaus, mas apenas córregos poluídos, os quais a tendência, do jeito que vão suas ‘aguinhas’, é realmente desaparecer.

Dessa forma, educar a população a não jogar lixo nos igarapés de Manaus, ou de outras cidades, é importante, mas é apenas uma ação mínima e minimizadora contra a degradação da cidade. Fazer sabão de óleo de cozinha usado pode ser curioso, mas mera curiosidade. Por acaso os alunos produzirão ano que vem seus próprios cadernos a partir das técnicas de reciclagem de papel? Tais atividades não terão nenhuma relevância na defesa do meio ambiente se não tomarmos posição na raiz da questão.

Se continuamos na mesma trilha – por sinal uma trilha holográfica, pois não há Natureza aí -, as guirlandas de garrafa pet servirão apenas para enfeitar o espaço da cova de nossa cidade, uma cova que cresce na proporção da ausência epistemológica, ambição e estupidez de nossos governantes.

A MAIORIA DAS ATIVIDADES NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE SÃO ANTINATURAIS (III)

A Zona Franca de Manaus e a degradação ambiental

Michel Foucault fala da importância das lutas locais ou específicas para fazer fissuras no poder constituído. Pois tá, em Manaus, em vez de se discutirem as questões em torno do falacioso projeto Zona Franca Verde ou da morosidade do Prosamim, por exemplo, as atividades em torno da Semana do Meio Ambiente se dividem ou no desespero global ou em ínfimas soluções inexequíveis. De um lado o buraco na camada de ozônio, o efeito estufa, o aquecimento global, o perigo nuclear; de outro fazer sabão com óleo de cozinha, fazer enfeites e objetos com garrafa plástica, desenhar a estúpida árvore chorona, fazer maquetes para culpabilizar a população pela poluição dos igarapés e outras coisas parecidas. Tudo simulações que servem apenas para desviar as verdadeiras questões ambientais da cidade. Se se quer partir da raiz da questão, como diria Marx, para se falar em degradação ambiental em Manaus, tem-se de partir da instituição da Zona Franca de Manaus (ZFM) em 1967, mas a partir da realização de uma descontinuidade na História do Amazonas, realizando uma linha que traça a genealogia e as tristes consequências da degradação ambiental.

Primeiro Surto da Borracha. Como os manauaras sabem, afora o genocídio dos índios por assassinos sanguinários como Pedro Teixeira e o Marquês de Pombal, onde hoje é o estado do Amazonas foi o último espaço do Brasil a ser colonizado. Só existiam vilarejos até o período áureo da borracha (1879-1912), quando Manaus foi transformada na Paris dos Trópicos. Nesse período foram construídos todos aqueles “prédios históricos” de hoje (a maioria já sem qualquer semelhança com o original): o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Palácio Rio Negro, a Alfândega, etc. A cidade de Manaus, que compreendia apenas o que hoje é apenas o Centro – o Cemitério São João Batista era fora da cidade -, era a cidade mais moderna do Brasil, depois de Belém, é claro. Tinha energia elétrica (o que não era comum na maioria das cidades ainda), bonde elétrico, água encanada, em 1909 foi criada aqui a primeira universidade do Brasil (embora outros estados apontem o mesmo acontecimento com séculos de diferença). Tudo para os barões do látex, enquanto os tapuias estavam pelos matagais matando-se com os últimos indígenas. Até que as sementes de seringa foram traficadas pela biopirataria e o ouro branco jorrou na Ásia. Manaus foi abandonada. Alguns dos barões da borracha estavam tão ricos que não fizeram sequer questão dos seus imóveis na cidade.

Segundo Surto da Borracha. Nos prédios se criaram teias de aranha, começou a falta d’água, o bonde da história quebrou… A cidade de Manaus – assim como todo o estado do Amazonas -, ficou abandonado até a Segunda Guerra, quando o Japão fechou a saída de borracha asiática para a Europa e os Estados Unidos, e os aliados lembraram que havia seringueiras em outro lugar do mundo. Fizeram propaganda e, em três anos, de 1942 a 1945, cerca de 100 mil nordestinos migraram para o Amazonas para trabalhar na extração do látex. Os Soldados da Borracha. Se você perguntar nos bairros, muita gente teve um avô, um bisavô que foi soldado da borracha. Ainda há muitos remanescentes vivos em Manaus que podem relatar essa história. Depois da enganação, até hoje muitos lutam para ter sequer uma aposentadoria com a patente que desempenharam, mas como não têm medalhas para comprovar, só ferimentos…

Terceiro Surto Econômico – Zona Franca de Manaus. Após o fim da guerra, os aliados se desalinharam e a cidade, que já havia se expandido um pouco além do cemitério, virou uma cidade fantasma até que, em pleno recrudescimento da ditadura militar no Brasil, pelo Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, foi fundada a Zona Franca de Manaus, permitindo vantajosos incentivos fiscais e isenção de tarifas alfandegárias para empresas multinacionais.

Os ditadores militares precisam ser julgados não só pelas torturas e assassinatos, mas aqui principalmente pelo crime ambiental que cometeram no Amazonas. Além de deixarem os interiores na sua fantasmagoria, a cidade de Manaus inchou como um cachorro morto caído à rua. Não houve qualquer previsão e controle do aumento populacional e suas consequências. Os trabalhadores-mão-de-obra barata, que vieram de todos os rincões dos interiores e de outros estados que não tiveram o privilégio de uma zona franca, rapidamente ocuparam a beirada dos igarapés centrais e depois se expandiram em invasões. Na verdade, estas invasões ocorreram em áreas que acabaram e acabam sendo indenizadas pelo Estado a senhores que ninguém sabe como conseguiram os títulos de propriedade da terra. Nas zonas Norte e Leste de Manaus, as duas maiores zonas de Manaus, todos bairros foram formados ou por invasões da população necessitada ou por loteamentos de grileiros bem-nascidos, amigos de juízes e governadores.

Os antigos falam dos piqueniques nos igarapés centrais de Manaus, mas como os tirânicos governantes (Gilberto, Amazonino, Eduardo Braga), que des-governam o Amazonas há três décadas, e que sucederam os ditadores pós-ditadura continuaram o crime ambiental, o que se vê aí até hoje são as consequências. Em nenhum bairro de Manaus, seja na periferia ou nos bairros nobres, há saneamento básico. Todos os dejetos, não só geladeira velha, sofá e televisão, mas mijo, bosta, água suja, vão todos para os igarapés. O esgoto do Hotel Tropical desemboca diretamente na Ponta Negra. Talvez as pessoas que se banham, pegam bronze, fazem marquinha não se incomodem, já que, como diria Cazuza, merda de rico é mais cheirosa, pois eles têm dinheiro pra comprar perfume e ninguém vê os coliformes fecais nas fotografias dos cartões postais, ou no orkut.

Manaus, embora com um dos maiores PIBs (Produto Interno Bruto) do país, sofre com uma miséria galopante e serviços públicos inexistentes ou depauperados. Há muito se sabe que a Zona Franca de Manaus serve mais como ponte aérea do capital de multinacionais, como suporte eleitoreiro de políticos demagogos e, agora mais do que comprovado, como sustentáculo de enriquecimento ilícito de inúmeros agentes públicos corruptos, a começar pela eterna dirigente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Flávia Grosso, que recentemente teve os bens bloqueados pela Justiça federal.

Quem vai querer ir na raiz da questão? Para grande parte da população amazomanoniquim, a ZFM é a garantia de nossos empregos, o maior lema das campanhas eleitorais do estado, principalmente no que diz respeito às campanhas para deputado federal e senador, é: “Pela defesa da ZFM!” Mas a ZFM está sempre fragilizada. É uma patologia congênita recorrente nos surtos antinaturais. Está sempre próxima de um colapso, como agora com a Medida Provisória (MP) 354, que garante a produção de tlabets e displays em outras cidades brasileiras, mas que está impedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas todo ano há uma ameaça para ZFM. Bom para os políticos profissionais, que lucram os dividendos na defesa de um perverso e irresponsável projeto da ditadura militar, justamente porque não tem e nunca tiveram projetos autênticos para o estado do Amazonas, seja para os interiores, seja para a capital.

Como disse recentemente o deputado estadual José Ricardo, uma das pouquíssimas vozes que tem coragem de questionar o modelo ZFM: “Por que depois de 44 anos de ZFM e de quase 30 anos com o mesmo grupo político não se pensou em outra atividade de desenvolvimento para a capital e o interior do Amazonas? Por que não temos fábrica para enlatar pescado e hoje somos obrigados a comprar sardinha enlatada de outros estados? Por que não temos as maiores indústrias de barcos do Brasil? Por que não fabricamos medicamentos e não produzimos mais alimentos? Por que tudo vem de fora? Por que todas as nossas riquezas não são revertidas em prol do povo, como o minério e o gás?”

A resposta é simples: no Amazonas nunca existiram gestores públicos lúcidos quanto mais pensantes e a corruptela da nossa medíocre classe política é o maior problema de nosso ambiente.

MAIS UM TRABALHADOR RURAL É ASSASSINADO EM ELDORADO DOS CARAJÁS

Apesar da ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, ter anunciado, no dia 31 de maio, medidas para conter a violência no campo, e no dia de ontem a presidenta Dilma e o ministro da Justiça José Edurado Cardozo terem conversado com os governadores do Pará, Rondônia e Amazonas, mesmo assim a ousadia dos pistoleiros no campo, principalmente na Região Norte, continua desafiando a Justiça.

Ontem, dia 2, na região de Eldorado dos Carajás, onde em 1996 ocorreu uma das maiores chacinas da história da luta pela terra, quando foram mortos 19 trabalhadores e 60 ficaram feridos, e nenhum de seus autores foi punido, o trabalhador da agricultura Marcos Gomes da Silva, de 33 anos, foi assassinado.

O crime teve cenas de total desrespeito à pessoa humana e desafio à Justiça. Marcos, depois de baleado, foi colocado em um carro para ser levado para um hospital. Logo em seguida, quando o carro se encontrava em uma estrada, alguns homens armados abordaram o carro e obrigaram o motorista a parar o veículo e tirar Marcos do veículo. O motorista, receoso com a ameaça, parou, e Marcos foi colocado na estrada. Os homens armados mandaram os ocupantes do veículo correr em direção oposta, e mataram o trabalhador.

Nessa sexta-feira, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai ter um encontro como o ministro secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, para tratar da insegurança e violência no campo.

Carmen Foro, secretária do Meio Ambiente da CUT, que vai representar a entidade, disse que o governo deve conversar com os movimentos sociais se ele pretende realmente enfrentar esse problema.

É preciso que o governo converse com os movimentos sociais. Até então, houve diálogo entre pessoas do Executivo, há agenda com governadores, mas não tinha qualquer previsão de receber justamente quem está envolvido diretamente com o problema. A estratégia está equivocada”, afirmou Carmen.

A MAIORIA DAS ATIVIDADES NA SEMANA DO MEIO AMBIENTE SÃO ANTINATURAIS (II)

Os Sonhos de Akira Kurosawa

1972. A partir da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Estocolmo, que instituiu do dia 5 de junho como Dia Mundial do Meio Ambiente, a questão foi colocada na ordem do dia. No entanto, para muitos artistas e filósofos, as questões ambientais já há tanto vinham sendo percebidas.

Para tomar a questão somente do final do séc. XIX até essa assembleia, pode-se dizer que a preocupação de Van Gogh (1853-1890) não é meramente de ordem de alteração paisagística, e em muitas páginas de D. H. Lawrence (1885-1930), Aldous Huxley (1894–1963) e George Orwell (1903-1950) a brutalidade do homem diante do outro e da natureza é colocada claramente.

No Brasil, em 1902 Graça Aranha publica Canaã, considerado o primeiro romance filosófico e socialista da literatura brasileira, no qual muitas das (hoje) questões ambientais são surpreendentemente antecipadas, como se vê na prgunta do ambicioso Lentz a Milkau: “Não acreditas que o próprio ar que escapa à nossa posse será vendido, mais tarde, nas cidades suspensas, como é hoje a terra? Não será uma nova forma da expansão da conquista e da propriedade?”

Afinal o papel do artista não é senão ver o invisível e dizer o indizível, assim como o do filósofo é criar conceitos para as questões colocadas. Mas ambos são tachados de loucos por aqueles que estão certos no rompante pelo lucro de seus negócios, que são capazes até de negociar as obras destes artistas e filósofos, mas abstraindo delas seu conteúdo real.

Um desses loucos, o cineasta japonês Akira Kurosawa (1910–1998), artista-filósofo, que é considerado um dos cineastas mais completos, que realizava praticamente todas as etapas dos cinemas que produziu, realizou em 1990 o cinema Sonhos, que, infinito e eterno em sua estética, não deixa de tratar questões atuais da vida após a Segunda Guerra, com as questões atômicas, o papel da arte e como seguir a linha de uma vivência ética no mundo.

O cinema está dividido em 8 partes. Nas três últimas, ele trata das questões ecológicas, analisando a ambição capitalística e o egoísmo humano, responsáveis pela degradação da Natureza. No momento que chega a Semana do Meio Ambiente, quando as mesmas atividades de culpabilidade da população e soluções insignificantes são apresentadas, vejamos.

Monte Fuji em Vermelho, outro sonho, relata uma erupção do referido monte, fazendo com que cinco reatores de uma usina nuclear vão explodindo um a um, liberando gases tóxicos.

Chernobil. Fukushima. Sabe-se que para os assassinos do capitalismo ecológico é maravilhoso que a população fique acreditando-se culpada e fique transformando o seu resto de óleo em sabão, como é ensinado nas escolas. Enquanto isso, as indústrias bélicas, de energia nuclear, petroquímicas e tantas outras, as verdadeiras responsáveis pela degradação, vão elevando seus lucros a custo da aceleração do processo terminal da humanidade.

O Demônio Chorão, outro sonho, retrata um momento em que a terra já está totalmente degradada, já não existe água potável nem alimento, os seres humanos já se transmudaram numa espécie de ogros, comendo-se uns aos outros e todos acometidos de terríveis dores.

O que muitos assistem como ficção, é há muito, realmente, uma horrível realidade objetiva. Quantas substâncias existem em nosso corpo que não são naturais? Gases tóxicos que respiramos, germes que bebemos, substâncias que ingerimos… Só um exemplo: um frango criado comendo milho solto num quintal, dormindo em poleiro, demora cerca de seis meses para chegar ao seu máximo crescimento; um frango de granja leva em média um mês e dez dias. Por mais que se negue que são aplicados hormônios, há muita diferença entre esses dois frangos. É a diferença entre o natural e o artificial. Todas essas mutações não criam seres superpoderosos, como na ficção norte-americana, mas mutantes acometidos de câncer, problemas cardíacos, pulmonares, verminosos, depressão, passividade…

Quando os europeus chegaram por cá, que ainda não era a terra das palmeiras e sabiás idealizados, admiraram a saúde do corpo dos índios, que não tinham pudor e nem escondiam suas ‘vergonhas’. Hoje Eduardo Braga e Omar Aziz trazem o Exterminador do Futuro para, ganhando uma fortuna de dinheiro público, falar sobre meio ambiente. Alguém poderia ter pedido para Schwarzenegger tirar a camisa. Ele, diferente dos índios, esconderia sua vergonha. Sabe como fica um corpo velho cheio de resíduos anabolizantes?

Aparecem anúncios da estreia do novo filme dos Mutantes. Mas há muito tempo o velho William S. Burroughs já disse que nós próprios somos os mutantes. Mas não somos mutantes superpoderosos hollywoodizados. Somos mutantes decadentes, cheios de tics e tacs, cloreto de sódio, hormônios, açúcares, remédios de todos os tipos, etc. Somente alguns naturistas ainda acreditam que, ao tirarem as roupas, estão nus e ao natural. Não existe um único homem no planeta que possa se dizer hoje um homem natural.

O Povoado dos Moinhos, outro sonho, um andarilho vai a um lugarejo onde não há energia elétrica nem a maioria dos objetos que fazem o conforto dos homens citadinos. Mas há ar puro, água limpa, e a manutenção do comer e beber é feita de forma comum.

Ontem a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou uma nota tímida de que o uso de celulares pode causar câncer. Enquanto isso, a maioria das pessoas se desespera apenas por ter esquecido algum de seus aparelhinhos. Quem está interessado em mudar seus hábitos? Quem está interessado em criar novas formas de relações?

Num plano global, fazer simulações na Semana do Meio Ambiente de nada adiantará, enquanto países como os Estados Unidos, irmanado com outros no Conselho da ONU, não assina sequer o protocolo de Kyoto, feito pela própria ONU. É a lei sendo ditada para os outros, enquanto o tirano abusa e massacra.

No Povoado dos Moinhos, quando alguém morre, depois de viver bem durante muitas décadas, há uma festa. Se continuarmos da forma que vamos, daremos apenas nossa singela contribuição com uma florzinha de alguma garrafa plástica para embelezar o funeral da humanidade. Mas não haverá ninguém para chorar ou para festejar. E os artistas-filósofos, naturantes que são, não vão lamentar.

SECRETÁRIO-GERAL DA PRESIDÊNCIA DIZ QUE RESPEITA A ANISTIA INTERNACIONAL, MAS O GOVERNO VAI CONSTRUIR A USINA

Mesmo diante das contestações contra a construção da Usina Hidroelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no estado do Pará, feitas por ambientalistas, Ministério Público Federal, Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), e a ONG Anistia Internacional, que pediu ontem, dia 2, a suspensão da construção da Usina, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que o governo vai levar adiante a construção da hidrelétrica.

O ministro secretário-geral disse que respeita muito a ONG Anistia Internacional, mas o governo vai levar adiante a realização do projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Segundo o ministro, ele tem “orgulho do projeto que tem idoneidade”.

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, quando instalada, terá uma potência de 11,2 megawatts, e inundará com seu lago uma área de 516 quilômetros.

A gente respeita a posição da Anistia, mas o governo brasileiro tem convicção firmada da idoneidade do processo, da adequação do projeto. Temos orgulho desse projeto. Vamos fornecer as informações que forem necessárias, mas a obra, definitivamente, vaia acontecer”, defendeu Gilberto.

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VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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