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REALIZAÇÃO DO MEMORIAL DA LIBERDADE COMO HOMENAGEM A JOÃO GOULART É A NOVA BATALHA DE SUA FAMÍLIA

Depois da batalha para conseguir a exumação do corpo do ex-presidente João Goulart, deposto do poder pelas forças ditatórias que se apossaram do país entre os anos de 1964 e 1985, para mostrar que ele havia sido assassinado por obra da Operação Condor, a família do ex-presidente tem nova batalha: a realização do Memorial da Liberdade que foi concebido para prestar-lhe homenagem.

O Memorial da Liberdade é de criação do famoso e engajado arquiteto Oscar Niemeyer que também é o autor do Memorial JK instalado no Eixo Monumental, em Brasília, local onde a família de Jango pretende que também seja erguido o símbolo de luta de seu insigne parente.

Segundo João Vicente, filho de Jango, o Memorial da Liberdade foi a última obra de Niemeyer. Para lembrar da traição cometida pelas forças reacionárias, no memorial estará inscrito 1964.

“Foi o último trabalho do professor Oscar Niemeyer. Na cúpula terá uma seta vermelha indicando a inscrição 1964, para que Brasília saiba que naquele ano houve uma ruptura institucional”, disse Vicente.

Durante as conversações foi lembrado o enunciado de Niemeyer sobre sua obra indicada a João Goulart.

“Quem conhece a história de João Goulart, sabe como ele foi violentamente afastado do cargo com o golpe militar de 1964, que durante vinte anos pesou sobre nosso país. E isso que procurei marcar na minha arquitetura, da forma mais clara, com uma grande flecha vermelha a atingir a cúpula projetada. Dentro do amplo salão de exposições seriam explicadas ao público as razões desse deplorável acontecimento, as pressões do governo norte-americano que o reacionarismo de direita naquela época procurava atender”, disse Niemeyer. 

Em razão dos andamentos para realização do projeto, a família Goulart acredita que ainda este ano a pedra fundamental seja lançada. 

MÚSICA “SAMBA DO AVIÃO”, AFETA DILMA COM LEMBRANÇAS TRISTES, MAS DEPOIS ALEGRES: “QUE EU ESTOU CHEGANDO”

http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/04/no-galeao-dilma-se-emociona-ao-lembrar-a-volta-de-exilados-ao-pais-2155.html/dilma/image_preview

A presidenta Dilma Vana Rousseff, foi apenas assinar um contrato de concessão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro – Antônio Carlos Jobim, o Galeão. Pronto. Lá ela se lembrou dos muitos exilados pela ditadura civil-militar que se instalou no Brasil entre os anos de 1964 e 1985 ao imaginar a música de Antônio Carlos Jobim, Samba do Avião. A música, os perseguidos políticos, os exílios, a saudade do Brasil, a proibição de entrada, as diretas, a anistia, os perseguidos voltando, tudo no Galeão com trilha sonora de Tom Jobim, na voz acalentadora de Miúcha.

Com voz entrecortada, ele, disse que a música de Jobim além de fazer homenagem ao aeroporto é uma “homenagem aos exilados”.

“É uma síntese perfeita do que é a saudade do Brasil, a lembrança do Brasil e, melhor de tudo, voltar ao Brasil, chegando no Galeão.

É um aeroporto fundamental não só para o turista estrangeiro, mas para o povo brasileiro. E ele tem que fazer jus a esta “Cidade Maravilhosa”, reconheceu Dilma.

LEIA AS 12 LIÇÕES IDEOLÓGICAS DE UM BURGUÊS E VEJA O VÍDEO ONDE, ELE, PROFESSOR DA USP, COMEMORA A DITADURA MILITAR

Eduardo Lobo Botelho Guallazi, professor de Direito da Universidade do Estado de São Paulo (USP) aproveitou aula para ler uma carta-aula de elogio à ditadura civil-militar instalada no Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Mas estudantes realizaram uma manifestação protestando contra o ato do professor que agrediu os estudantes.

Para entender melhor a personalidade do professor é preciso ler suas 12 lições apresentada na carta-aula que mostram como ele cultuou seu eu-tirânico.

1 – Aristocratismo. 2- Burguesismo. 3. Capitalismo. 4- Direitismo. 5- Euro-brasilidade. 6-Família. 7- Individualismo. 8- Liberalismo. 9- Música erudita. 10- Panamericanismo. 11- Propriedade privada. 12 – Tradição judaico-cristã.

Veja o vídeo e analise como Eduardo pode ser professor.

 

DILMA, EM DISCURSO, CONFIRMA QUE É UMA GRADE ESTADISTA AO PRONUNCIAR QUE “QUEM DARÁ VOZ À HISTÓRIA SÃO HOMENS E MULHERES LIVRES”

http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/03/dilma-recorda-50-anos-do-golpe-quem-da-voz-a-historia-somos-nos-5933.html/dilma_dita_stuckert.jpg/image_preview

A presidenta Dilma Vana Rousseff ao discursar sobre os 50 anos da implantação da ditadura civil-militar instalada no país entre os anos de 1964 e 1985, assim como seus legados dolorosos para a sociedade brasileira, mostrou que é uma grande estadista. Ela não se furtou a falar sobre a necessidade da liberdade dos homens e mulheres para a construção de uma sociedade democrática. Não se furtou, também, de lembrar a dor que passaram e passam os familiares daqueles que foram presos, torturados e mortos pela repressão desencadeada pelos agentes da ditadura contra os que almejavam liberdade para o Brasil. http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/03/entidades-fazem-repudio-ao-golpe-no-centro-de-exterminio-da-ditadura/doicodi.jpg/image_large

Ela lembrou, ainda, da importância da criação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) há dois anos passados, responsável pela investigação, coleta de dados e conclusão sobre os casos de prisões, torturas, assassinatos e desaparecimentos de presos políticos executados por agentes do Estado de exceção para que eles sejam punidos.

“O dia de hoje exige que lembremos e contemos o que aconteceu. Devemos isso a todos que morreram e desapareceram, aos torturados e perseguidos, a suas famílias, a todos os brasileiros. Lembrar e contar faz parte de um processo muito humano, desse processo que iniciamos com as lutas do povo brasileiro pela anistia, pela Constituição, eleições diretas, crescimento com inclusão social, Comissão Nacional da Verdade, todos os processos de manifestação e democracia que temos vivido ao longo das últimas décadas. Um processo que foi construído passo a passo, durante cada um dos governos eleitos depois da ditadura.

Toda dor humana pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história. A dor que sofremos, as cicatrizes podem ser suportadas e superadas, porque hoje temos uma democracia sólida e podemos contar nossa história. Nesse Palácio, dois anos atrás, quando instalamos a Comissão da Verdade, eu disse que se existem filhos sem pais, pais sem túmulo, nunca mesmo pode existir uma história sem voz. E o que dará voz à história são os homens e as mulheres livres sem medo de escrevê-la. Quem dá voz à história somos nós.

Cinquenta anos atrás, na noite de hoje, o Brasil deixou de ser país de instituições ativas, independentes e democráticas. Por 21 anos, mais de duas décadas, nossas instituições, nossa liberdade, nossos sonhos foram calados. Hoje podemos olhar para este período e aprender com ele, porque o ultrapassamos. O esforço de cada um de nós, de todas as lideranças do passado, daqueles que viveram e daqueles que morreram fizeram com que nós ultrapassássemos essa época”, discursou a estadista Dilma.

Nos encadeamentos dos fatos que figuram a história tida como passado, há corpos virtuais que, de acordo com seus percursos políticos, podem se constituírem como potência do real-irônico. O irônico não no sentido do anedótico de uma ocorrência, mas como uma variante desses percursos.

E foi exatamente esse real-irônico em forma de Dilma, presa e torturada, que foi atualizado compondo a história futuro-presente de Dilma presidenta para discursar nesses 50 anos do golpe de Estado que implantou a ditadura civil-militar no Brasil. Que real-ironia!

COMISSÃO MUNICIPAL DA VERDADE DE SP PEDE QUE DILMA RECONHEÇA QUE JUSCELINO KUBITSCHEK FOI ASSASSINADO EM ATENTADO

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Laudo oficial da ditadura militar implantada no Brasil entre os anos de 1964 e 1985, afirma que o ex-presidente Juscelino Kubitschek, morrera por ocasião de acidente de trânsito no dia 22 de agosto de 1976. No acidente também morrera seu motorista, Geraldo Ribeiro que trabalhava com ele há 36 anos. O acidente ocorreu no município de Rezende, na Rodovia Presidente Dutra, quilômetro 168 – hoje km 331 – quando vinha de São Paulo para o Rio de Janeiro. Seu carro, um Opala, bateu em um caminhão Scania-Vabis.

Entretanto, apesar da negação dos militares, durante todos esses anos, sempre houve descrença na versão apresentada pelo militares. Pessoas ligadas a JK, seus familiares e grupos democratas sempre desconfiaram de que havia sido assassinado. JK, assim como o ex-presidente João Goulart, e outros opositores da ditadura eram cotidianamente vigiados por agentes da repressão e da CIA. Quando JK morreu, ele planejava formar uma frente democrática para regularização política no país.

Agora, a Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, depois de dois anos de investigações, colher provas e testemunhas produziu o Relatório JK, onde mostra que o ex-presidente não morreu pela ação de um simples acidente casual, mas que ele fora assassinado em um atentado. Para a comissão, atentado orquestrado pelos generais Golbery de Couto e Silva, na época, ministro da Casa Civil da Presidência da República e João Batista de Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), o último presidente militar.

Imbuída da certeza de que JK fora assassinado, a comissão enviou no dia 19 de fevereiro, o documento para a presidenta Dilma Vana Rousseff, solicitando que ela reconheça de o ex-presidente sofreu um atentado e que ela tome “as providências necessárias” para mudar a versão oficial que afirma que ele morrera em um acidente comum de trânsito. O Relatório JK também será enviado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, procurador-geral da República, Rodrigo Janot, presidente do Senado, Renan Calheiros, coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Pedro Dallari e para os procuradores da República de Volta Redonda e Rezende, Paulo Gomes Ferreira Filho e Luciana Fernandes Portal Lima Gadelha.

“Recolhemos contradições nas investigações da época, fraudes, mentiras, tentativas de incriminar o motorista de um ônibus quando, na realidade ele não abalroou o carro de Juscelino.

Estamos pedindo que o Brasil declare que Juscelino morreu de morte matada, e não de morte morrida. Não foi um acidente, foi um atentado que provocou aquele acidente que matou JK”, afirmou o vereador Gilberto Natalini (PV), presidente da comissão.

NA COMEMORAÇÃO DOS 30 ANOS DAS “DIRETAS JÁ”, LULA, SE DIZ CONTENTE POR TER PARTICIPADO DO MAIOR MOVIMENTO CÍVICO DO BRASIL

http://imguol.com/c/noticias/2014/01/21/21jan2014---a-partir-de-fevereiro-de-1984-logo-apos-o-grande-comicio-da-praca-da-se-outros-foram-realizados-nas-principais-capitais-brasileiras-o-movimento-culminou-na-realizacao-de-uma-reuniao-1390341840332_956x500.jpg

Era 25 de janeiro de 1984. O Brasil caminhava para o fim da ditadura que eclodiu em 1964 e pereceu em 1985. Uma data escrita pelos levantes sociais, embora se saiba que as garras ditatórias se mantiveram por muitos anos a posteriori. A sociedade civil brasileira, com exceção de seus alienados que sequer sabiam que houvera ditadura, vivia os primeiros fluídos libertários. Em todo canto do Brasil havia manifestação do querer o singular da existência: a liberdade. O otimismo e participação tomara conta do país que muito sofrera sob o açoite da ditadura.

Assim, o Brasil que fora elevado a categoria de República anos passados, não podia permanecer distante dos corpos políticos-públicos que a efetuam: a democracia representativa. Fazia-se urgente a realização dos poderes Executivo e Legislativo, ambos expurgados de seus espaços-vivos constitucionais pela opressão ditatorial. Nesse tempo histórico-fundamental do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, já era uma personagem exponencial na vida brasileira. Na verdade, a mais importante se falarmos em engajamento no Brasil pós-moderno. Operário que mudara a face do poder sindical e eliminara o sindicato pelego. O metalúrgico que saíra do interior da fábrica para o pátio da fábrica, do pátio da fábrica para as praças públicas.

Lula se fazia a representação do novo não só como trabalhador, mas também como sujeito histórico como encadeamentos intelectual, estético, político, antropológico, sociológico, econômico etc. em uma subjetividade que se processava como cartografia de desejos, como disse o filósofo francês, seu amigo, Félix Guattari. Uma cartografia de desejos onde os encadeamentos-fluxos, de uma semiótica-revolucionária, eram produzidos por corpos-afetantes que se movimentavam, como devir-político, nos pais de Chico Buarque, na atriz Abramo, no sociólogo Florestan Fernandes, na filósofa Marilene Chauí, no filósofo-filólogo Antônio Cândido, no cantor e compositor Gonzaguinha, na cantora Beth Carvalho, nos cantores e compositores Milton Nascimento e Wagner Tiso, nos dramaturgos e teatrólogos José Celso, Plínio Marcos, os políticos Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Leonel de Moura Brizola, Dante de Oliveira, entre muitos compositores do novo texto que se iniciava no Brasil. Um texto que se revelou no enunciado político, Diretas Já! Comício na Praça da Sé, Em São Paulo, inicia o movimento cívico democrático.

Hoje, dia 25 de janeiro de 2014, 30 anos após a manifestação do movimento, Diretas Já, Lula, depois de ter composto vários percursos, inclusive de duas vezes presidente da República, se diz contente por ter participado do mais importante movimento cívico da história dos 500 anos do Brasil.

“Fizemos a campanha mais extraordinária que o país viu, porque conseguiu reunir todo mundo, todo o movimento sindical, o movimento estudantil, muitos empresários, todos os partidos políticos, com exceção dos de direita.

Nós precisamos aprender a valorizar a democracia. A democracia, em qualquer lugar do mundo, foi conquistada a custo de muita luta, de muito sacrifício de muita morte. A democracia não foi de graça em nenhum lugar do mundo. Estou contente de ter participado do maior movimento cívico na história dos 500 anos do Brasil”, analisou Lula, o contínuo metalúrgico.

Lula comete um equívoco, talvez por cortesia, quando afirma, “com exceção dos das direitas”. Certo que ele se refere a partidos políticos. Entretanto, sempre ao lado dele, nas passeatas, lá estava Fernando Henrique, um direitista-retrógado que se revelaria posteriormente, com mais nitidez, em seu partido PSDB.

DOM ANGÉLICO BERNARDINO, DURANTE A CERIMÔNIA DO PRÊMIO SANTO DIAS, FALOU SOBRE A RESISTÊNCIA NA DITADURA

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Durante a entrega do 17º Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, em São Paulo, Dom Angélico Sândalo Bernardino, 80 anos, padre de Ribeirão Preto, um dos homenageados, falou sobre a resistência no período da ditadura que se apossou do Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Dom Angélico foi diretor e responsável pela publicação do jornal O São Paulo, da arquidiocese do Estado de São Paulo que junto com os jornais Movimento e O Berro, resistiram à censura militar imposta aos órgãos da imprensa.

“Hoje estamos falando muito de ditadura militar, mas temos que lembrar que o regime esteve a serviço de um projeto do capitalismo liberal, selvagem, que privilegia a concentração de todos os bens nas mãos de poucos, com a exploração de uma multidão.

A grande imprensa ainda continua a serviço do capital, dos interesses das grandes indústrias, do deslavado comércio sem limites e da exploração da classe trabalhadora. Essa ditadura do capitalismo continua.

Tortura não é somente aquilo que contemplamos no passado, em delegacias. Isso foi uma barbaridade, mas também que centenas de milhares não tenham trabalho. É tortura um trabalhador se aposentar com um salário mínimo miserável. É tortura ver tantos trabalhadores em favelas. É tortura ver, como vemos em São Paulo, favelas pegando fogo”, discursou dom Angélico muito aplaudido.

Durante a entrega do prêmio várias pessoas foram homenageadas, entre elas religiosos que foram torturados, jornalistas agredidos pela Polícia Militar durante as manifestações de junho e grupos que denunciam a adoção irregular de crianças no município de Itaquaquecetuba. 

O INCRÍVEL CASO DE PERDA DE MEMÓRIA, AUDIÇÃO E DESPERSONALIZAÇÃO DO EX-AGENTE DO DOI-CODI ACUSADO DE SER TORTURADOR

“A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”

 

 Milan Kundera

         Tempo da Ação: Presente, passado e futuro.

         Local da Ação: Sala da Comissão Nacional da Verdade, em São Paulo.

         Personagens: Pedro Dallari, Coordenador da Comissão da Verdade.

         José Carlos Dias, membro da Comissão da Verdade.

         Torturador, ex-delegado da Polícia Civil, Aparecido Laerte Calandra, codinome, Capitão Ubirajara, agente do DOI-CODI.

         Darci Miyaki, presa e torturada.

         Maria Amélia de Almeida Teles, presa e torturada.

           Sérgio Gomes, jornalista, preso e torturado.

Torturador ( Simulando perda de memória, tem diante de si documentos apresentados pelo coordenador da Comissão da Verdade Pedro Dallari contendo depoimentos de presos torturados por ele nas dependência do DOI-CODI, entre os anos de 1972 e 1976. Entre os documentos um traz seu codinome Ubirajara e outro elogia sua atuação como agente da repressão ) – “Atribuo isso um engano pessoal das pessoas que estão fazendo essas acusações.

Nunca participei de nenhuma atividade de tortura e nunca apoiaria isso. Isso era parte da conduta do comando aqueles que se dedicavam especificamente a sua função. E a minha era de assessor jurídico.

Sempre usei meu nome. Nunca torturei ninguém e muito menos violei direitos humanos. Sempre fui contrário disso”.

Sérgio Gomes ( Olhando dentro dos olhos do torturador ) – “É tão estranho a gente se encontrar assim, não ( Torturador desvia o olhar )? É da natureza dos regimes políticos engendrarem a tortura como método. A vingança é a justiça dos bárbaros. E a justiça é a vingança dos civilizados”.

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Darci Miyaki ( Olha para o torturador com firmeza e depois fala em direção dos membros da comissão. Reconhece seu torturador e fala sobre o assassinato de seu companheiro, Élcio Pereira ) – “Ele mudou pouco, muito pouco. Está com cabelo mais ralo, branco, mas o visual a estrutura são os mesmos. Esse cidadão era o Ubirajara, um torturador, e partícipe de muitos assassinatos.

A morte dele foi anunciada em um tiroteio no dia 28 de janeiro de 1972, mas, nesse dia, ele estava sendo trazido do Rio para São Paulo comigo. Esse capitão Ubirajara entrou na sala e disse, ‘o Élcio está sendo empalado’. Isso ficou na minha memória.

Já tinha sido torturada por ele. Foram muitos choques elétricos no ouvido, nos dedos dos pés, das mãos, choque na vagina. Muito. Era uma pessoa muito violenta. Não é nem nojento. Era algo muito violento.  Não sei descrever o que significa para uma mulher um torturador introduzir o dedo, um fio elétrico na sua parte mais íntima. Isso me marcou muito. Tive muita hemorragia oral e vaginal e fui levada duas ou três vezes para o Hospital das Clínicas. Eu me tornei uma mulher estéril”.

Maria Amélia de Almeida Teles ( Angustiada diz que seus filhos de 4 e 5 anos, foram levados ao DOI-CODI e a viram maltratada pelo agente ) – “Eles queriam saber porque eu estava azul. Quando olhei para meu corpo vi que estava todo roxo (Ela lembra que Ubirajara lhe mostrou um jornal com a manchete da morte de um terrorista em tiroteio ). Era uma versão mentirosa. Danielli foi morto naquela sala. Ele ali se gabando de ser o autor daquela farsa. Ameaçando que eu poderia ter manchete como aquela”.

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José Carlos Dias, membro da Comissão Nacional da Verdade (olhando com segurança e determinação para o Capitão Ubirajara ) – “Os vizinhos ouviam os gritos e, ele que trabalhava lá, não ouvia um grito ?”

Torturador (Simulando ) – “Nunca ouvi gritos?”

José Carlos Dias (Indignado ) – “É uma desfaçatez! O senhor é um homem inteligente. A prova disso é que escolheu muito bem seu advogado. Gostaria que o senhor dissesse com toda sinceridade. Durante oito ano trabalho no DOI-CODI. Nunca ouviu referência que lá se torturava?”

Torturador (Esquivando-se ) – “Nunca ouvi referência disso”.

José Carlos Dias (Determinado ) – “Hoje o senhor acredita que havia tortura”?

Torturador ( Olhando de lado ) – “Não acredito porque não ouvi”.

José Carlos Dias – ( Incisivo ) – “E esses testemunhos”?

Torturador ( Tentando se desvencilhar da pergunta ) – “Esses testemunhos, a pessoa fala o que acha que deve falar”.

José Carlos Dias (Relaxando ) – “Mas nós cumprimos nosso dever de perguntar”.

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Pedro Dallari, coordenador da Comissão Nacional da Verdade ( Certo de que o Capitão Ubirajara faltou com a verdade e que passou o tempo todo se defendendo para confundir a Comissão Nacional da Verdade ) – “ Temos um conjunto de informações muito robustas que não coincide com seu depoimento. Evidente que seria muito melhor para nós e para o país se o senhor se dispusesse a resgatar os fatos relativos à sua presença por dez anos no DOI-CODI. Por razões que só o senhor pode avaliar o senhor está tomando outra opção, que é respeita porque vivemos em um Estado democrático de direito. Colabore com a comissão, isso fará bem ao país e ao senhor”.

José Carlos Dias ( Completando ) – “E a sua própria consciência”.

Pedro Dallari – “É ruim por um lado, mas as provas que a comissão possui contra ele são muito robustas. Os fatos indicam claramente que o delegado praticou tortura.

Todos os depoimentos que consideramos importantes para elucidação dos fatos, nós colheremos, mas temos um problema de tempo ( Ele diz que os trabalhos da comissão terminam em maio )”.

Fontes consultadas para produção desse vetor-teatral: Agência Brasil e RBA.

Data da publicação informativa: 12/12/13.              

DILMA ASSINA DECRETO QUE INSTITUI SISTEMA DE ENFRENTAMENTO À TORTURA

É comum o uso da tortura em vários seguimentos do aparelho do Estado Judiciário como delegacias, penitenciárias, instalações militares e outras congêneres. Uma prática tão comum que alguns consideram sua existência como um fator cultural. Dizem: “A tortura é uma questão cultural”. Como tudo que se mostra como signo cultural está constituído como hábito, essa assertiva só solidifica o incentivo à prática da tortura. O que faz com que ela seja constantemente praticada pelo agente policial que busca encontrar o que acredita procurar: a prova de um delito. Muitas vezes inexistentes.

Embora a tortura seja praticada, muitas vezes, por agente que tem uma formação amoral em relação ao outro. Um sintoma psiquiátrico em que o ato de torturar lhe causa satisfação: prazer em ver o outro sofrer sob sua força. Um sintoma em que humilhar o outro é uma tentativa de sublimação da dor pessoal porque foi humilhado em suas escaladas da infância. Seu trauma cruel de base. Uma prática muito usada historicamente pelos nazifascistas. A tortura foi uma forma de castigar, impor pena, e exemplificar criada pelas instituições, principalmente o Estado com seu Poder Jurídico. O eminente exemplo encontra-se em várias obras de filósofos como Sartre e Michel Foucault que mostram que a prática da tortura é um método de punir que visa um objetivo: eliminar a essencialidade do indivíduo. Submeter o indivíduo torturado aos códigos disciplinares e de controle designado pelo Estado-Punidor. Na família e nas delegacias a máxima é essa: “É para você nunca mais fazer isso”. Seja na compreensão filosófica, psiquiátrica, sociológica, ética, e, às vezes, jurídica, a tortura é uma anomalia da espécie humana e o torturador é uma degeneração. É um ato desumano.

É por entender a prática da tortura como uma prática hedionda que macula a dignidade humana, e que o Estado como representante e defensor dos direitos coletivos dos indivíduos, não pode permitir essa ofensa ao ser humano, que a presidenta Dilma Vana Rousseff assinou o decreto que institui o Sistema de Enfrentamento à Tortura. O sistema estabelece que os peritos têm autorização prévia para avaliarem violações de direitos humanos nos locais onde foram denunciadas essas violações. Eles têm autorização para entrarem em delegacias, penitenciárias, instalações militares, instituições de longa permanência de idosos, instituições de doenças psíquicas e similares.   

Falando no Fórum Mundial de Direitos Humanos, a ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH) disse que o sistema tem como uma de suas funções, processar agentes do Estado que ainda hoje praticam a tortura.

“A autorização prévia serve para verificar denúncias de violações de tortura e processar agentes do Estado responsáveis por isso (tortura ) ainda nos dias atuais”, observou a ministra Maria do Rosário.

FATO DA REPÚBLICA – OS RESTOS MORTAIS DO EX-PRESIDENTE JOÃO GOULART É RECEBIDO NO PALÁCIO DO PLANALTO PELA PRESIDENTA DILMA E EX-PRESIDENTES

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Coincidindo com os festejos da Proclamação da República nesse dia 15, a presidenta Dilma Vana Rousseff proporcionou ontem, dia 14, um verdadeiro reconhecimento da importância para o Brasil que fora o ex-presidente João Goulart, deposto e perseguido pela ditadura que imobilizou o país entre os anos de 1964 e 1985. Os restos mortais do ex-presidente Jango foram homenageados, no Palácio do Planalto pela presidenta Dilma, ex-presidentes pós-ditadura como José Sarney, Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, assim como seus parentes, políticos, autoridades e representantes de outros seguimentos.

Não se fizeram presentes ao ato republicano o ex-presidente Itamar Franco, porque, como é óbvio, já faleceu, e o ex-presidente, representante das elites econômicas, Fernando Henrique, que, embora vivo, não compareceu alegando enfermidade.

Durante toda a cerimônia de honraria ao ex-presidente Jango que pretendia a reforma agrária e foi derrubado do poder mesmo contando com apoio da maioria do povo brasileiro, fato ocultado pela imprensa golpista, a presidenta Dilma se manteve ao lado da esposa do ex-presidente, Maria Tereza Goulart, uma companheira destemida e lutadora pela busca da verdade. O momento de grande emoção que levou as duas singelas e bravas mulheres às lagrimas ocorreu quando o Hino Nacional foi executado, enquanto canhões disparavam 21 tiros. A cerimônia que contou com ampla divulgação, contrariou o desejo dos militares, quando da morte do líder trabalhista, que queriam que ele fosse logo enterrado. O que permitiu seu neto Christopher Goulart, comentar: ” Não houve luto oficial, houve silêncio oficial”.

A esposa de Jango Maria Tereza Goulart comentou a homenagem e as impressões da família sobre a exumação.

“Acho que é um atitude de coragem de reconhecimento pelo presidente que ele foi. Tem também essa hipótese – de morte natural – também né?”, disse Tereza Goulart. 

Comentando o ato de honra ao ex-presidente, Dilma, destacou que Jango fora o único presidente a morrer no exílio, “em circunstâncias ainda a serem esclarecidas por exames periciais”.

“Este é um gesto do Estado brasileiro para homenagear o ex-presidente João Goulart. Essa cerimônia que o Estado brasileiro promove hoje com a memória de João Goulart é uma afirmação da nossa democracia. Uma democracia que se consolida com este gesto histórico”, disse a presidenta.

Para a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, a exumação de Jango é um momento de valorização da democracia.

“Esse momento tem uma grande importância para o Brasil e a presidenta Dilma determinou que esse resgate histórico significasse a valorização da democracia. Nós estamos aqui fazendo justiça, recuperando a nossa própria história e, ao nos encontrarmos com esta história, valorizando todas as conquistas que temos construído.

A democracia não é algo pronto. É algo que se constrói todos os dias, inclusive com momentos como este, onde nós homenageamos a um presidente constitucionalmente estabelecido e que foi deposto em uma circunstância de golpe. Para que nunca mais aconteça é que hoje nós tivemos aqui forças civis e militares”, observou a ministra.

Falando sobre a exumação dos restos mortais de Jango, sua família afirmou que o que é importante é o resgate histórico do ex-presidente trabalhista. Também com essa ideia, o professor historiador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jorge Ferreira, biógrafo de João Goulart, comentou sobre a interpretação errada que parte da sociedade brasileira tem de Jango.

“Depois do golpe, começa o processo de dilapidação de sua reputação, por um lado, e esquecimento de sua figura, por outro. As direitas civil e militar, que o derrubaram, passaram a criar imagens negativas do ex-presidente: corrupto, subversivo, incompetente e alcóolatra. As esquerdas também atacaram, acusando como líder burguês de massa e manipulador de operários. Essa ideia de que Jango foi covarde e fugiu da ditadura, isso quem criou foi a esquerda”, afirmou o professor-biógrafo.

NETO DE JANGO DIZ QUE EXUMAÇÃO DE SEU AVÔ COMEÇA COM OTIMISMO

Enterrado há 37 anos na cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, os restos mortais do ex-presidente João Goulart começou a ser exumado no dia de ontem, 13. A exumação tem como objetivo descobrir se o ex-presidente foi assassinado por envenenamento ou não. Ideia que a família e amigos de Jango comungam.

Segundo investigações realizadas pela própria família do ex-presidente e os membros da Comissão Nacional da Verdade (CNV) há possibilidade de comprovação de Jango ter sido envenenado. Jango era vigiado desde a implantação da ditadura militar no Brasil que vigorou entre os anos de 1964 e 1985. Tanto a família quanto a comissão acreditam que seu assassinato foi perpetrado e executado pela Operação Condor: sociedade formada pelas ditaduras militares do Brasil, Argentina e Uruguai, também com a contribuição da ditatura militar chilena. Sua prática era perseguir considerados inimigos dos regimes militares nos territórios desses países, prendê-los, torturá-los e matá-los.

Participando como observador do início da exumação, como representante da família Goulart, o neto de Jango, Christopher Goulart, disse que estava otimista com o que foi mostrado depois da abertura da sepultura. Segundo ele, esse otimismo decorreu do fato de não haver água no interior da sepultura. Caso houvesse, os trabalhos forenses talvez ficassem prejudicados.

“O temor de que pudesse haver grande umidade e até água lá dentro, em função das chuvas dos últimos dias, não se conformou, o que é muito bom.

Por enquanto, está melhor do que se esperava. O trabalho está sendo feito de forma muito profissional. Vi tudo pela tela, mas entrei lá três vezes. Estavam todos lá dentro, muito envolvidos”, comentou Christopher Goulart.

Como parte do processual da exumação, os peritos ao abrirem o jazigo tiveram o cuidado de colher gases que estavam lá dentro que são importantes para a análise, assim com os restos mortais que serão conduzidos para o Instituto Nacional de Criminalista, em Brasília.

“Queremos eliminar qualquer possibilidade de perda material”, afirmou o perito Amaury de Souza Júnior.

Comprometida também com a exumação de Jango para que a verdade seja mostrada à sociedade brasileira, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, analisando o fato histórico, disse que “estamos exumando a Operação Condor”.

“A Operação Condor era uma rede terrorista internacional na qual a ditadura brasileira teve uma participação importante, a exumação do presidente Goulart nos aproximará da verdade e do acontecido durante essa perseguição que durou anos.

Sabemos que a Operação Condor o seguiu na Argentina, que o seguiu no Uruguai, que a ditadura brasileira o hostilizou até o dia de sua morte. Não descartamos que a ditadura tenha estado envolvida em uma morte cercada de dúvidas.

Contamos com informações consistentes sobre o interesse prioritário que a ditadura e a Operação Condor tinham em Goulart, que nunca pode voltar com vida ao seu país.. Depois de 37 anos, o governo da presidenta Dilma está realizando uma reparação histórica com a democracia brasileira e com seus familiares, que foram os que nos solicitaram a exumação por não duvidar de seu envenenamento”, observou a ministra. 

PARLAMENTARES, EX-PRESOS E ATIVISTAS VISITAM O DOI-CODI, LOCAL ONDE MORREU HERZOG E FORAM TORTURADOS OUTROS PRESOS

Ontem, dia 11, a Subcomissão da Verdade e Memória do Senado Federal visitou o antigo local – embora com algumas partes modificadas -, entre a Vila Mariana e o Paraíso, bairros nobres da capital paulista, onde várias pessoas consideradas pela ditadura militar como opositores do regime foram presas, torturadas e mortas. Como nos casos do jornalista diretor de jornalismo da TV Cultura Wladimir Herzog e Virgílio Gomes da Silva. No local funcionavam o 36° DP, onde atuavam os agentes da Operação Bandeirantes, comandada pelo policial torturador, Sergio Fleury, e o DOI-CODI, sessão de operação do Exército. São computados 52 presos mortos sob tortura no local.

Entre as pessoas que compareceram a visita estavam parlamentares, ex-presos e ativistas que lutam pela causa dos direitos humanos. O local de terríveis lembranças que ferem a dignidade da sociedade brasileira, em sua maioria, está sob processo de tombamento sendo analisado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico para que seja transformado em Centro de Memória.

Fazendo parte do grupo visitante, o jornalista e ex-preso Antônio Carlos Fon que torturado no prédio, e é membro do Comitê Paulista Memória, Verdade e Justiça, reconheceu o local onde foi confinado em 1969.

“Exatamente aqui o Raul Careca me entregou ao Albernaz. Numa das salas de pau-de-arara, o Celso Horta estava sendo torturado, e na outra sala, eu. Eu não via, eu ouvia eles torturando o Jonas.

Jonas morreu ali. Aqui tinha um pau-de-arara. Quando chegou o Jonas, me colocaram na cadeira do dragão. Ele morreu aqui onde nós estamos. Eu estava muito debilitado e confuso. Ouvi eles perguntando: ’Onde está a metralhadora, Jonas?’ Ele ficou agonizando aqui, todo arrebentado, até o final da tarde”, afirmou o jornalista Fon.

Também entre os visitantes, o senador do PSB, ex-PCdoB, Moacyr Oliveira Filho, identificou o local e disse que o coronel Ustra, torturador, levava a filha para brincar com as presas. E identificou também, a sala onde ficava o juiz de futebol, também torturador, Dulcídio Wanderley Boschilla.

“Era uma tortura psicológica. Aqui ficava o Dulcídio Wanderley Boschilla”, afirmou.

Ary Costa Pinto, funcionário público, preso em 1973, também reconheceu o local.

“Subi uma escada e fui recebido pelo Ustra e pelo capitão Ubirajara. Eu era solidário a resistência, mas não pertencia a nenhuma organização. Então não tinha o que falar. Nos primeiros dias, apanhei bastante”, disse Costa Pinto.

Darci Toshiko Miyaki entendeu que a escolha do prédio tinha sido proposital.

“Este centro de tortura não foi escolhido por acaso. Era extremamente próximo do QG do 2° Exército. Vamos tentar fazer disto realmente um centro de memória”, observou a ex-presa Darci.

Estiveram, também, como visitantes os senadores João Capiberibe (PSB/AP), presidente da subcomissão, Eduardo Suplicy (PT/SP), os deputados federais Ivan Valente (Psol/SP) e Luiza Erundina (PSB/SP) e o procurador da República Andrey Borges de Mendonça.

MEMBROS DA SECRETARIA DOS DIREITOS HUMANOS, COMISSÃO DA VERDADE E POLÍCIA FEDERAL VÃO COORDENAR OS TRABALHOS DE EXUMAÇÃO DOS RESTOS MORTAIS DE JANGO

Brasília - A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR), Maria do Rosário, fala sobre a exumação do corpo do ex-presidente João Goulart (Jango). E/D: Christopher Goulart, neto do ex-presidente João Goulart; a ministra Maria do Rosário; o perito da Polícia Federal, Amaury de Souza Júnior; e Nadine Borges, membro da Comissão da Verdade do Rio

O ex-presidente João Goulart, conhecido como Jango, foi deposto pela junta militar que se apossou do Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Deposto da Presidência, Jango, foi perseguido e procurou asilo no Uruguai e morreu em 6 de dezembro de 1976. De acordo com investigações e estudos, ele, sempre fora vigiado pelas forças repressivas que acabaram com as democracias no Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Países que formaram a tétrica Operação Condor, que perseguia, sequestrava, prendia, torturava e assassinava todos que fossem considerados opositores dos regimes ditatoriais. Essas forças repressivas prendiam os estrangeiros latinos procurados em seus países. Muitos deles foram lançados, amarrados e vivos ao mar.

A morte do ex-presidente sempre fora tida como suspeita. Par muitos sua morte não fora uma morte natural, como as ditaduras pretendiam fazer as populações acreditarem. Sua família sempre desconfiou de seu assassinato pela repressão. Com dados colhidos pelas investigações realizadas pela família de Jango e a Comissão Nacional da Verdade, foi proposto à exumação de seus restos mortais.

Agora, o governo federal, através da Secretaria de Direitos Humanos criou um grupo de trabalho composto por membros da própria secretaria, da Comissão Nacional da Verdade e da Polícia Federal para se responsabilizar pela exumação que será realizada por uma equipe de peritos e especialistas indicados pela família de Jango. Esse grupo terá seus trabalhos encerrados quando for entregue a ministra Maria do Rosário e à Comissão Nacional da Verdade do laudo conclusivo.

O dia marcado para o trabalho de exumação será na próxima quarta-feira.

O ESCRITOR JULIO CORTÁZAR E A CANTORA MERCEDES SOSA SÃO ALGUNS NOMES DE ARTISTAS ENCONTRADOS NA LISTA NEGRA DA DIATADURA ARGENTINA

Agustín Rossi, ministro da Defesa do governo argentino tornou público a descoberta de atas secretas das juntas militares que dominou a Argentina durante o regime de ditadura. Nas atas encontram-se os nomes de artistas que eram espionados pelos militares, além de pais que realizavam buscas de seus filhos e netos desaparecidos, personagens da sociedade, todos considerados como “perigosos ao regime”. São 1.500 documentos inéditos, sendo que 280 deles transcrições de reuniões das juntas militares entre os períodos 1976 a 1983.

A descoberta das atas ocorreu de forma acidental, quando se fazia limpeza do Edifício Condor, local onde funcionam partes da Força Aérea Argentina. Os documentos estavam organizados em seis pastas dentro de duas caixas fortes e dois armários. O ministro informou, também, que é a primeira vez que são encontrados documentos com anotações desde o primeiro dia de implantação da ditadura até o começo da redemocratização do país.

Entretanto, embora os documentos sejam valiosíssimos para as investigações em busca da verdade, para concretização da justiça no país, o que mais chamou a atenção das autoridades argentinas, foram os nomes dos artistas encontrados em uma lista. Todos eles objetos de espionagens por parte dos órgãos de informação e repressão militar. O escritor Julio Cortázar e a cantora e compositora Mercedes Sosa, são alguns dos registrados como inimigos da ditadura.

Levando-se em consideração que toda ditadura é paranoica, seja militar ou civil, é óbvio que artistas como os dois, Cortázar e Sosa, só poderiam ser espionados. Mercedes Sosa era por demais, latina. E como latina colocara sua arte como devir-liberdade que esse povo tanto luta para realizá-lo. A grande surpresa seria não encontrar seu nome como opositora do regime que sequestrou, prendeu, torturou e matou milhares de pessoas. Já a literatura de Cortázar é profundamente inquietante. Principalmente seu hiper-realismo. Era lógico, que os militares se sentiam inseguros com uma literatura que dissipa o real. Principalmente o real da dor. O que os torturadores cultuam e adoram.

“Encontramos seis pastas originais da junta militar, datadas de 24 de março de 1976 até 10 de dezembro de 1983, são todas as atas secretas da junta militar. A grande vantagem é que a documentação estar toda ordenada, organizada, classifica e até ter um índice temático”, disse o ministro da Defesa.

A ADVOGADA ROSA CARDOSO, DA COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, ACREDITA NO JULGAMENTO DE AGENTES QUE ATUARAM NA DITADURA

Em debate sobre os direitos humanos, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, ocasião em que também foi lançado o livro da cientista política argentina Pilar Calveiro, pela Editora Boitempo, Poder e Desparecimento: Os Campos De Concentração na Argentina, a advogada Rosa Cardoso, membro da Comissão Nacional da Verdade, disse ser possível o julgamento e a condenação dos agentes do Estado que violaram os direitos humanos. Para ela há um clima político positivo para esse objetivo. Ela também mostrou otimismo ao falar das declarações do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que dias passados afirmou que a Lei de Anistia não vale para crimes de lesa-humanidade. O que confirmaria a punição dos torturadores e sequestradores. Rosa Cardoso também falou sobre o fato de que há alguns anos setores do Ministério Público acreditam que o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) realizado ainda sob o regime ditatorial não obstaculiza a possibilidade de processar os agentes.

“A política sempre reserva surpresas, mas em princípio a luta por justiça sucede depois de uma luta por memória. De socialização dessas memórias. No Brasil não temos nenhuma segurança de a luta por judicialização vai funcionar, mas vejo nesse momento um cenário positivo.

Acho que é um avanço muito grande pelo ugar que ele ocupa, mas vejo também que esse movimento no sentido da punição, da judicialização dos casos em que houve crimes de lesa-humanidade já é uma posição importante dentro do Ministério Público.

A imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade constitui norma jurídica imperativa, tanto de caráter consuetudinário quanto de caráter principiológico, do direito internacional dos direitos humanos”, analisou Rosa.

Ela também mostrou otimismo quanto ao caso do corretor de valores e ex-fuzileiro naval Edgar de Aquino Duarte, preso em junho de 1971 e não mais visto depois de 1973. Para a comissão é um caso de grande importância porque envolve o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI, em São Paulo, capital, local de tortura e morte dos que se opunham ao regime militar. Ela também se referiu à família Teles e sua luta. Foi ela quem conseguiu que o Estado desse uma sentença confirmando que Ustra é um torturador.

Me perdoem se sou otimista, mas quero participar dessa luta com otimismo.

Não sei se teremos os 60 militares que o Chile levou à prisão, mas sei que a família Teles tem lutado até as últimas consequências para levar os torturadores à prisão.

Do ponto de vista de número se amplia essa rede, tem-se uma conhecimento maior do que aconteceu durante a ditadura. Aqui também tivemos lugares de extermínio e de concentração de presos. O conhecimento desses fatos vai levando à consciência de que uma forma de evitar a repetição é que sociedade diga que houve um crime que não está protegido pela prescrição e que deve ser punido”, observou a advogada Rosa Cardoso.

DOCUMENTÁRIO TENDENCIOSO CONTRA MORALES É EXIBIDO NA 37ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

O filósofo holandês Spinoza afirma, em sua obra superior Ética, que o homem não nasce racional e social. Sua racionalidade é produzida a partir do momento em que ele, através de sua potência, deixa de ser apenas sujeito de reação para ser sujeito de ação. Ou seja, ele é causa de seus próprios afetos que são constituídos por suas qualidades extensivas e internas. O que significa: ser sujeito de sua própria ação é torna-se racional e social, não existir como um autômato, efeitos de corpos exteriores. É atingir a dimensão de sua própria potência-essência.

Com esse entendimento, Spinoza, construiu o conceito de democracia que se encontra em sua obra Tratado Político, e que vai além da composição das potências de todos os homens que produzem o Estado. Para ele a democracia é um regime racional onde os sujeitos produzem afetos que lhes aumenta a potência de agir. O Bem-Comum. O contrário da tirania que é um regime irracional que torna os sujeitos impotentes em função da diminuição de sua potência de agir.

O cinema é uma arte ótico-sonora, diz o filósofo Deleuze. Como arte ele cria imagens. Assim, como a filosofia cria conceitos. Cinema e filosofia encontram-se imbricados. Sentir, ver, ouvir e pensar. São os preceitos básicos dessa estética. Daí que se acredita que uma mostra de cinema tem como suporte, em relação ao direito afetivo e racional do espectador, esses preceitos. Entretanto, não foi o que ocorreu com os responsáveis pela seleção dos filmes – não confundir: filme não é cinema, é a película, cinema é a arte, por isso nem todo filme é cinema – da 37ª Mostra de Internacional de Cinema de São Paulo.

Como diária o poeta, não se sabe se “por descuido ou fantasia”, ou por anestesia  estética/cinematográfica, os mesmos selecionaram o documentário Um Minuto de Silêncio do burocrata italiano – burocrata porque não tem os sentidos tocados pelo cinema: kinema, a imagem em movimento, como dizem os gregos: movimento do indiscernível, do intempestivo e do assignificante como dizem os filósofos Deleuze e Guattari –, Ferdinando Vicentini Orgnani cujo o único propósito foi denegrir o governo do presidente Evo Morales da Bolívia e exaltar a personagem do ex-presidente boliviano Sánchez Lozada que fugiu do país, por pressão popular, e foi se hospedar na terra dos seus sonhos, Estados Unidos.

São 88 minutos de propaganda de Lozada mostrando uma estória muito diferente da história boliviana/bolivaria. Minutos onde a racionalidade e o sentido de democracia estão ausentes. Um verdadeiro documentário conto da carochinha malvado, por isso estória para a direita dormir sossegada. Se é que ela tem sossego, tão envolvida que se encontra com suas ambições. O preço da película foi aplicado só para fazer propaganda contra Morales, e afirmar que depois que ele foi eleito presidente todos os que lhes são contrários são perseguidos. Apesar de existir partido de oposição no país. Uma tentativa de mostrar que não há liberdade no país. Tudo que havia no tempo de Lozado, segundo Orgnani. Que se tentou se justificar pelo documentário afirmando que antes também era pró-Morales, mas que depois que chegou a Bolívia mudou sua opinião.

Como se não bastasse a antipropaganda contra Morales, o diretor burocrata, no momento da sessão de sábado, levou como companhia, seu amigo Roger Pinto Molina, o senador boliviano que fugiu para o Brasil, com ajuda de brasileiros. E que é acusado de corrupção, tráfico de drogas e responsável pelo massacre de camponeses. Ou seja, foi tudo tramado para que não só a exibição do documentário-propaganda atacasse Morales, mas também para servir de espaço para o senador fugitivo usar o microfone, fazer sua autopromoção e censurar o governo Morales. Só que seu objetivo não foi alcançado: a plateia esvaziou o recinto e ainda promoveu um show de protestos.

O que fica certo do miserável espetáculo, é que a mostra não tem cuidado com o que seleciona. Ou, pode ser também, que os responsáveis pela mostra, querendo ser tomados como amantes das liberdades, selecionaram o inútil Um Minuto de Silêncio – verdadeiramente silencioso -, porque são também reacionários. Visto que sabem que película como essa tem muito espaço no mundo. Principalmente nos Estados Unidos e nos país que lhes são submissos.

O the end é: por ausência de razão e democracia, o documentário de Orgnani, não é cinema.

DILMA VÊ DOCUMENTÁRIO SOBRE O GOLPE DE 64 E FICA INDIGNADA COM A FORTE PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS UNIDOS

 Foto: Reprodução

Como diária o jornalista-filósofo Mino Carta, “é do conhecimento até dos minerais” que os Estados Unidos foram atuantes na realização do golpe militar no Brasil em 1964 e que permaneceu até 1985. Mas, saber é um fato. Saber como se deu é outro mais considerável.

A presidenta Dilma Vana Rousseff, que já sabia da presença norte-americana no golpe de 64, ela era uma oponente da expansão do imperialismo ianque que roubava a liberdade dos povos, além de suas riquezas naturais, quando lhes impunha dominação, ficou estarrecida e indignada ao constatar a profunda participação dos conterrâneos do Tio Sam na trama para a derrubada da democracia e a instalação do regime ditatorial militar. Sua indignação ocorreu durante o momento em assistia o documentário “O Dia que Durou 21 Anos” do cineasta Camilo Tavares.

“Mesmo quem viveu os anos 60 fica surpreso com a extensão da interferência americana no Brasil naquele momento. O filme exibe um precioso acervo de gravações e documentos oficias dos Estados Unidos.

Mostra gravações dos presidentes americanos, à época, endossando articulações do embaixador Lincoln Gordon a favor do golpe no Brasil.

Hoje, na política, não existem inimigos, adversários, apenas visões diferentes, divergências que podem se expressar em uma democracia”, analisou Dilma.

Dilma tentando ‘desparanoica’ a política internacional ao afirma uma quase inverdade que “não existem inimigos”.  Os inimigos, os que nos são contrários por ambição e maldade, existem ainda hoje, só que agora não podem se esconder como antigamente. Que mesmo naquela época, não tinham tanto poder de invisibilidade. Era do conhecimento de muitos que os ianques transitavam com facilidade e desenvoltura pelo território brasileiro e com a conivência das Forças Armadas e de muitos ditos civis.

Não foi gratuitamente que se cunho o slogan: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”.

EXUMAÇÃO DOS RESTOS MORTAIS DE JANGO, PARA SABER SE ELE FOI ASSASSINADO, SERÁ NO DIA 13 DE NOVEMBRO

O ex-presidente João Goulart morreu no dia 6 de dezembro de 1976. Jango, como era conhecido, estava asilado na Argentina quando morreu, em Mercedes, ao norte do país portenho. Sua morte se transformou em mistério, como a morte de outros brasileiros que eram tidos como inimigos pelos membros da ditadura militar que se apoderou do Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Entre eles, o ex-presidente JK que morreu em um acidente de carro, em Resende, estado do Rio de Janeiro, também em situação misteriosa.

Jango foi sepultado sem que fosse realizada autopsia em seu corpo. A imposição foi determinada pelos militares que obrigaram que ele fosse enterrado em sua terra de nascimento, São Borja, no Rio Grande do Sul. Com essas evidências os familiares e amigos do ex-presidente desconfiam que ele possa ter sido assassinado em uma aliança formada pelas ditaduras do Brasil, Argentina e Chile. Para eles o assassinato se deu na troca de medicamentos que Jango tomava, realizada por agentes da repressão uruguaia. De acordo com os documentos da Comissão Nacional da Verdade Jango foi vítima da Operação Condor formada pelos três países: Brasil Argentina e Uruguaia, as mais cruéis ditaduras junto com a do Chile. 

Desta forma, a exumação tem como objetivo, saber se Jango foi realmente assassinado, e será o Instituto de Criminalista da Polícia Federal quem ficará responsável pela exumação que será dividida em duas partes. Análise antropológica para obter informações quais eram as substâncias venenosas que eram usadas no Brasil, Uruguai e Argentina. A segunda parte, para confirmar se houve envenenamento ou não, será realizado o exame toxicológico dos restos mortais de Jango.

“Essa é busca da memória do nosso país, daquilo que nos constitui. A exumação de João Goulart é a exumação da ditadura do nosso país.

Hoje podemos dizer com segurança que o ex-presidente foi perseguido por agentes da ditadura militar todos os dias da sua vida. Antes e depois do exílio. Independentemente do trabalho de pesquisas e do resultado, já temos a convicção de que a ditadura o perseguia. Sabemos que ele tentava voltar ao país pouco antes de sua morte.

Ainda que do ponto de vista técnico não seja encontrado qualquer tipo de veneno, não temos dúvida de que o ex-presidente foi vítima da Ditadura”, analisou a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

AGENTES DO ESTADO QUE PRATICARAM CRIMES DURANTE A DITADURA PODEM SER PUNIDOS. É O QUE AFIRMA O PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

Mais uma vez o novo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mostra, indiretamente, como o antigo procurador-geral, Roberto Gurgel, era tão antigo quanto o conhecimento jurídico e quanto à disposição para a punição dos que lhes eram semelhantes. Um simples exemplo, o caso Aécio Never.

Rodrigo Janot, comentando sobre a constitucionalidade ou não da punição dos agentes do Estado que cometeram crimes durante a ditadura militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, afirmou, ao contrário do que afirmava Roberto Gurgel, o antigo, que juridicamente esses agentes podem ser punidos. Para Roberto Gurgel, o antigo, a Lei da Anistia aprovada em 1979, em pleno o regime ditatorial, confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), continuava válida. Porque, segundo ele, ela “resultou de um longo debate nacional para viabilizar a transição entre o regime militar e o regime democrático atual”. Essa sentença de Roberto Gurgel, o antigo, foi dada em 2010. Não se sabe por onde andava Roberto Gurgel, o antigo, e o que sonhava, em 1979 – “se você vier me perguntar por onde andei, no tempo em que você sonhava (Belchior)” – nessa década em que era impossível discutir com liberdade e sem apreensão uma lei constitucional. Essa foi lei impulsionada por afetos dos que queriam ver de pertos seus semelhantes que se encontravam asilados em terras distantes, deportados pelas forças repressivas que dominavam a existência da sociedade brasileira.

A declaração do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o novo, afirmando haver possibilidade jurídica para punição dos agentes do Estado que cometeram crimes, vem solidificar a disposição do Ministério Público que durante anos tenta ações para punir os torturadores e assassinos de presos políticos.

“A imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade constitui norma jurídica imperativa, tanto de caráter consuetudinário quanto de caráter principiológico, do direito internacional dos direitos humanos.

Na persecução de crimes contra a humanidade, em especial no contexto da passagem de um regime autoritário para a democracia constitucional, carece de sentido invocar o fundamento jurídico geral da prescrição.

Nos regimes autoritários, os que querem o socorro do direito contra os crimes praticados pelos agentes respectivos não deixam de obtê-lo porque estão dormindo, e sim porque estão de olhos fechados, muitas vezes vendados; não deixam de obtê-lo porque estão em repouso, e sim porque estão paralisados, muitas vezes manietados.

Não segurança jurídica preservar quando a iniciativa se volta contra o que constituiu pilar de sustentação justamente de um dos aspectos autoritários de regime que, para se instaurar, pôs por terra, antes de tudo, a mesma segurança jurídica”, sentenciou Rodrigo Janot, o novo.

A posição do procurador-geral da República, o novo, não só mostra os erros de Roberto Gurgel, o antigo, mas também de alguns ministros do STF que se opõem a condenação que a Corte Interamericana de Direitos Humanos entidade da Organização dos Estados Americanos (OEA)impôs ao Brasil por não condenar esses agentes que praticaram os crimes de tortura e assassinatos. Para esses ministros, as decisões internas estão acima das decisões internacionais.

Para confirmar que o Direito Internacional Público protege o direito da sociedade, Rodrigo Janot, o novo, se posicionou pela extradição do ex-policial argentino, Cláudio Vallejos, que serviu a ditadura argentina entre 1976 e 1983, cuja extradição foi pedida pela província de Missiones em 2010, e era investigada pela Interpol. O documento de 24 de setembro foi divulgado ontem, dia 8. De acordo com a Interpol o ex-policial torturador mora em Itaqui, no Rio Grande do Sul.

EM SUA PRIMEIRA SESSÃO, COMISSÃO DA VERDADE DE NITERÓI OUVE DEPOIMENTOS E INVESTIGA USO DE ESTÁDIO POR MILITARES

Na primeira sessão pública da Comissão da Verdade de Niterói que ocorreu ontem estiveram presentes estudantes universitários, representantes da OAB, movimentos sociais e membros da Comissão Estadual do Rio. Na ocasião foram ouvidos a pianista Ana Maria Brandão e o ex-operário naval Benedito Joaquim Barbosa, ambos vítimas de tortura e prisão durante o regime militar.

Benedito que era dirigente do sindicato foi preso junto com outros membros pois os militares acreditavam que eles eram subversivos. Além disto ele ficou preso no Estádio da cidade e lembra de ao menos 500 presos incluindo advogados, atores de teatro, médicos, camponeses, professores: “Fui preso em 7 de abril de 1964, porque acharam que eu era comunista. Depois de lá, estive em oito presídios. Fiquei seis meses preso (…)No CAM [Centro de Armamento da Marinha], afogavam minha cabeça em um tanque com água e colocavam cigarro aceso nas minhas nádegas para que eu confessasse onde estavam as armas do Sindicato dos Operários Navais. As armas que tínhamos no sindicato eram a inteligência e a língua”.

A pianista Ana Maria esteve muito emocionada e a afirmou que “é sempre muito difícil lembrar disso tudo”. Seu testemunho foi voltado aos que foram assassinadas. Por causa da desconfiança dos militares ela foi torturada junto ao marido Fernando Dias e foi expulsa da Universidade Federal Fluminense onde cursava na época letras.

Mesmo não constando em documentos oficiais, há diversas provas que o Estádio Caio Martins, abrigou mais de 1.800 presos políticos. Por esta razão ele será um dos focos da investigação da comissão de Niterói, que submeterá os resultados a Comissão Estadual do Rio de Janeiro. A coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, afirmou que o  modelo estádio-presídio posteriormente foi muito usado nas ditaduras da América Latina, principalmente no Chile.

O presidente da Comissão da Verdade do Rio, Wadih Damous, esteve presente e falou da necessidade de reforma das forças armadas e da polícia: “Hoje, nas nossas cidades, nas nossas periferias, nas nossas favelas, continuam matando e desaparecendo com pessoas. Presos comuns continuam sendo torturados e assassinados. A polícia continua violenta, perseguindo manifestantes, com armas não letais que matam, que cegam. Uma cultura policial forjada à época da ditadura”


USAR O CONTROLE REMOTO É UM ATO DEMOCRÁTICO!

EXPERIMENTE CONTRA A TV GLOBO! Você sabe que um canal de televisão não é uma empresa privada. É uma concessão pública concedida pelo governo federal com tempo determinado de uso. Como meio de comunicação, em uma democracia, tem como compromisso estimular a educação, as artes e o entretenimento como seu conteúdo. O que o torna socialmente um serviço público e eticamente uma disciplina cívica. Sendo assim, é um forte instrumento de realização continua da democracia. Mas nem todo canal de televisão tem esse sentido democrático da comunicação. A TV Globo (TVG), por exemplo. Ela, além de manter um monopólio midiático no Brasil, e abocanhar a maior fatia da publicidade oficial, conspira perigosamente contra a democracia, principalmente, tentando atingir maleficamente os governos populares. Notadamente em seu JN. Isso tudo, amparada por uma grade de programação que é um verdadeiro atentado as faculdades sensorial e cognitiva dos telespectadores. Para quem duvida, basta apenas observar a sua maldição dos três Fs dominical: Futebol, Faustão e Fantástico. Um escravagismo-televisivo- depressivo que só é tratado com o controle remoto transfigurador. Se você conhece essa proposição-comunicacional desdobre-a com outros. Porque mudanças só ocorrem como potência coletiva, como disse o filósofo Spinoza.

Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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