Arquivo para a categoria 'Devir-Minoria'

A ONG ANISTIA INTERNACIONAL PEDE QUE CONSTRUÇÃO DA USINA DE BELO MONTE SEJA SUSPENSA

Um dia após o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) autorizar o reinício das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no estado Pará, que se encontravam paradas, em função das críticas que afirmam que sua construção vai afetar o meio ambiente, as populações ribeirinhas e as indígenas, a ONG Anistia Internacional divulgou nota pedindo que o governo federal suspenda a continuação das obras.

Segundo a nota, a construção da Usina de Belo Monte vai contra os direitos humanos e o desenvolvimento do país, por isso ela pede que o governo federal observe as necessidades das populações que vivem nas proximidades do Rio Xingu, e que sejam fornecidas garantias para as etnias.

O Brasil deve respeitar as recomendações emitidas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos para suspender a construção da barragem de Belo Monte até que os direitos das comunidades indígenas locais estejam plenamente garantidos”, diz trecho da nota.

TRE/AM ABSOLVE AMAZONINO DA BOCA DE URNA “A FAVOR” DE DILMA

Que o prefeito de Manaus Amazonino “Morra!” Mendes leva todas no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) é sabido até dos minerais. Mas o que chamou a atenção deste bloguinho no julgamento de hoje foi a acusação: Amazonino foi julgado por boca de urna na eleição 2010. O agourento prefeito foi julgado devido a uma declaração dada a uma rádio local ao ser inquirido sobre em quem votaria para a presidente: “Vou fazer uma grande homenagem à mulher brasileira. Estou prestes a fazer isso”, afirmou. Daí o Ministério Público Eleitoral (MPE) observar o ato como boca de urna a favor de Dilma Rousseff.

Ora, ora, ora, como diria o não-múcico Tom Zé, “toda homenagem denigre o homenageado”. Neste caso, pior ainda, dada a altíssima rejeição de Amazonino, sua campanha só poderia ser contra a então candidata do presidente Lula e da maioria do povo brasileiro. Ainda neste caso, mais pior que pior é que sua fala se estende a todas as mulheres brasileiras.

Para quem a forma de (des)governar de Amazonino há décadas, ele não só faz campanha contra Dilma, como foi um dos piores gestores das verbas federais enviadas à cidade de Manaus no governo Lula, assim como continua no governo Dilma.

Ademais, Amazonino não tem a menor compreensão da potência revolucionária devir-mulher, por isso usa o decalque “mulher brasileira”, um produto enlatado pela subjetividade machista, sem qualquer rastro da singularidade fêmea.

NEM ALÁ ESCAPA DA FÚRIA DE KHADAFI

Um dos pontos lamentáveis da superstição é promover no crente a certeza de que seu corpo é imaterial, não é composto de sistema nervoso, cérebro e mente. Nisso o supersticioso crente se sente indolor. O couro está comendo e ele se reporta aos céus, pela imaginação, crente que seu corpo encontra-se livre da matéria pecadora. O céu é testemunha, imagina ele. Mas estão ali, em seu corpo, as enfermidades criadas pelo mundo que ele, com sua superstição, tenciona protegê-lo.

Foi assim que alguns religiosos seguidores de Alá resolveram, através de suas crenças, protestar contra as atrocidades que vem ocorrendo na Líbia. Os religiosos estavam em plenas orações quando as forças repressivas de Khadafi os expulsou dos céus, mandando-os de volta à Terra. Especificamente na Líbia.

Enquanto isso, a TV Estatal mostrava aos seus telespectadores um grupo de manifestantes pró-Khadafi protestando na Praça Verde, em Trípoli – cidade dominada pelos rebeldes -, contra os manifestantes que pretendem a renúncia do ditador líbio.

Seguindo a sequência da contra partida, em um ponto do distrito de Janzour, um grupo de manifestantes era perseguido pelo braço armado de Khadafi, resultando em mais dois mortos.

Em sua condição de desesperado diante do declínio irrevogável, para seduzir os manifestantes, Khadafi ofereceu US$ 400 para cada família deixar de se preocupar com sua liberdade, e aceitar sua continuidade no poder por outros infinitos anos.

Que Alá os proteja de Khadafi e dos dólares norte-americanos! E por que não dos Euros?

CORTE CRIMINAL INTERNACIONAL DIZ QUE JÁ FORAM MORTAS 10 MIL PESSOAS E HÁ 50 MIL FERIDOS NA LÍBIA

O juiz Al Shanuka, representante da Líbia na Corte Criminal Internacional, afirmou nessa quarta-feira, em entrevista à TV al-Arabiya que já foram mortos 10 mil pessoas nas manifestações que ocorrem na Líbia para deposição do ditador Muammar Kadafi.

O juiz disse também que são mais de 50 mil feridos, e que esses números não são conhecidos porque “o regime ditatorial impede que as pessoas denunciem”. Como contra-informação, o governo líbio afirma que só 300 pessoas foram mortas até agora.

O povo líbio, como a maioria dos povos árabes, tem sofrido, mas seguem apoiando os rebeldes. Quando Kadafi assumiu o poder, matou também milhares de pessoas”, afirmou o juiz.

No momento, segundo informações das agências internacionais, outras cidades da Líbia foram tomadas pelos rebeldes, além do ministro da Justiça, que renunciou, vários militares abandonaram o governo de Kadafi e uniram-se aos manifestantes. Cidades inteiras comemoram a vitória sobre o ditador. Os manifestantes tomaram várias emissoras, de onde comunicam ao povo a preservação das instituições e os órgãos, e pede que se mantenha firme no propósito da revolução e não cometam saques em comércios ou residências.

Diante da onda de violência que vem ocorrendo no país árabe, milhares de pessoas estão deixando a Líbia em direção a outras localidades, como a Itália, através da Tunísia.

ABDULLAH SALEH, DITADOR DO IÊMEN HÁ 32 ANOS, DISSE QUE OS MANIFESTANTES SÓ TERÃO O PODER PELAS URNAS

A manifestação popular contra o ditador do Iêmen Ali Abdullah Saleh, que vai completar uma semana, vem mostrando a intransigência do governante árabe em querer renunciar ao cargo que já ocupa há 32 anos. Cargo este conquistado através de muita trapaça.

O povo do Iêmen, um dos países mais pobres do mundo árabe, em seus protestos saídos do modelo da Tunísia e do Egito, pede a renúncia do ditador para que o país possa passar por profundas reformas, que alcancem as necessidades da sociedade tão desesperada em seus sofrimentos.

Todavia, Saleh já afirmou que não irá ceder às reivindicações dos manifestantes e que se eles querem acabar com o regime atual que eles consegam o poder através das urnas. “Não aos golpes e a tomar o poder por meio da anarquia e do assassinato. Vocês querem que o regime vá embora – então venham e se livrem dele por meio das urnas”, afirmou Saleh.

Uma provocação própria dos ditadores, visto que durante todos esses anos as eleições no Iêmen foram viciadas, favorecendo os que se encontram detentores do poder.

O ditador, tentando aproximação com seus opositores, afirmou que irá promover reformas eleitorais e deixar o cargo em 2013. Entretanto, a oposição disse que não pode haver diálogo enquanto o povo estiver sendo massacrado pelas forças repressivas do governo.

Hoje, dia 21, na cidade Áden, as forças repressivas mataram um adolescente e feriram mais quatro.

VIOLÊNCIA CONTRA MANIFESTANTES NA LÍBIA JÁ PONTUA MAIS DE 200 MORTOS

A segunda maior cidade da Líbia, Benghazi, foi durante esse domingo palco de um verdadeiro “massacre”, segundo informam as agências noticiosas. A violência promovida pelas forças de segurança do governo líbio, de acordo com alguns médicos, proporcionou mais de 200 mortos e 900 feridos durante os dias de protesto contra o ditador Khadafi, que mais de 40 anos governa o país árabe.

Entretanto, como a presença de jornalistas estrangeiros e o uso da internet estão proibidos, possivelmente os números de mortos e feridos devem ser muito maiores. Muitas pessoas foram mortas e feridas, nesse domingo, durante o funeral de pessoas que haviam sido mortas nos dias anteriores.

A maioria das vítimas tinha ferimento a bala – 90% na cabeça, no pescoço e no peito, principalmente no coração”, afirmou a médica do Hospital Jala, Braikah, à emissora BBC.

DILMA DIZ QUE O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA UMA PRESIDENTE

Muitas vezes me perguntam se o Brasil está preparado para ter uma mulher presidente. Eu digo a vocês que não só o Brasil está preparado, mas as mulheres também estão preparadas”, afirmou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata ao cargo de presidente da República, discursando nas comemorações do Dia Internacional das Mulheres, na Estação Leopoldina no centro do Rio de Janeiro, diante de uma plateia quase que exclusivamente de mulheres, que aplaudiu com entusiasmo.

Preocupado com a possibilidade de ainda haver preconceito contra a candidatura de uma mulher à Presidência da República, Lula discursou: “Preparam-se, porque o preconceito continua. O preconceito contra a mulher é ainda muito forte. Uma sociedade machista como a nossa ainda não está 100% preparada para ter uma mulher disputando o cargo de prefeito, governador ou presidente da República”.

CÁPSULA DO TEMPO SOBRE A MULHER BRASILEIRA SERÁ ABERTA DAQUI A 50 ANOS

O presidente Lula, nas comemorações do Dia Internacional das Mulheres, no Rio de Janeiro, lacrou, juntamente com a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, o documento assinado pelas ativistas do movimento feminista apresentando as condições das mulheres brasileiras atualmente, e que será aberto daqui a 50 anos.

No momento, a cápsula ficará guardada no Arquivo Nacional para posteriormente ser guardada no Memorial da Mulher Brasileira. O objetivo da cápsula é de servir de documento histórico para que no futuro se possa fazer uma análise comparativa da situação da mulher do ano 2010 com a mulher do ano de 2060, e ver se houve mudanças.

Falando sobre a importância da cápsula histórica sobre as mulheres, a ministra Nilcéia Freire disse: “Essa cápsula vai ficar lá no Memorial da Mulher Brasileira, assim que ele for inaugurado, para que possamos nos lembrar que, a cada dia, construímos um pedaço de nossa história”.

CAMINHADA DAS MULHERES EM MANAUS: “CEM ANOS DE LUTAS”

Canta, mulher! No teu canto,
canta a esperança de um mundo mais sensível e humano.
Grita, mulher! Pois o teu grito
chama a atenção da humanidade para a dor do mundo.
Luta, mulher! E a tua luta
conquistará um mundo de igualdade na diferença!”

Mulher 2010 01 por você.

O Fórum Permanente das Mulheres de Manaus (FPMM) reuniu ontem seus mais de 40 grupos e movimentos, entidades que lutam pelos direitos das mulheres na cidade de Manaus, assim como todas as mulheres e homens, crianças e adultos que na manhã de domingo deram mais um passo na caminhada de liberação afetiva/afetante do corpo e da alma femininos para longe da histórica falocracia hierarquizadora, segregadora, que perpetuou uma violentação contra a mulher pelos poderes constituídos em todos os tempos.

Mulher 2010 03 por você.

Mulher 2010 02 por você.

Depois de partir pela Av. Grande Circular, na zona Leste de Manaus, todos os movimentos erguendo suas faixas, animados pelas coordenadoras do FPMM – CPT, MUSAS, Casa Mamãe Margarida, AMAFLORA e DANDARA/CARITAS -, este ano dando ênfase na temática da continuação da violência contra a mulher.

Mulher 2010 06 por você.

“O AMAZONAS CHORA LÁGRIMAS

DE SANGUE POR SUAS MULHERES”

Mulher 2010 05 por você.

E as primeiras falas não foram nada animadoras, quando foram informados os números das vítimas da violência machista dos últimos anos. Isso somente os que foram oficializados em queixa policial:

Em 2006, tivemos registrado nos livros de ocorrência das delegacias: ameaça de morte 9.212, lesão corporal 8.121, vias de fato 3.592, outras 30.186; Em 2007, ameaça 13.242, lesão corporal 8.214, vias de fato 3.592, outras 52.367; Em 2008, na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher, tivemos: ameaça 4.091, estupro 34, lesão corporal 2.165, essas agressões e outras foram denunciadas no final de 2008, foram registradas 9.617; Em 2009, o ano passado, na mesma delegacia foram registrados 11.578 ocorrências e as vítimas são mulheres de todas as idades.”

Mulher 2010 08 por você.

Mulher 2010 09 por você.

Assim, logo se vê que a caminhada não se fazia para motivos de comemoração, como uma festinha de aniversário. Tornou-se uma festa, mais uma festa de luta, de manifestações contra o machismo milenar, contra uma subjetividade dura que tolheu os movimentos livres da mulher durante os séculos.

Mulher 2010 10 por você.

Mulher 2010 11 por você.

E foi nesse entendimento que este bloguinho entrou em contato com v´rias entidades e diversas pessoas que participaram dessa caminhada, e deixa aqui suas falas, seus posicionamentos na luta, onde o dia 8 de março é como um dia de uma reunião geral, mas de uma luta que se faz todos os dias nas casas, nas escolas, nas ruas, no trabalho, etc.

“Quanto à questão da violência, o consulado está aqui apoiando porque entende que a violência contra a mulher ainda é um problema a ser resolvido por toda a sociedade como um todo. Apesar da Lei Maria da Penha, a violência tem aumentado. As medidas completivas demoram muito para serem efetivadas. O que acontece é que as pessoas que agridem, os agressores ficam impunes, então muito dessas violências e em virtude da falta de oportunidade de geração de rendas para essas mulheres, pois elas se veem obrigadas a aguentar certas atitudes e agressões dos maridos. O Consulado da Mulher trabalha com a economia solidária e de geração de gênero e de igualdade justamente para que isso venha somar, produzir renda e estamos contribuindo para ela ser uma cidadã. Com relação ao trabalho as mulheres vem conquistando o seu lugar mesmo que lentamente, mas é importante dar os primeiros passos, então o Consulado da Mulher está aqui, funcionando há dois anos e meio auxiliando para o aumento da geração de renda . Com relação à presidência da República, o nosso foco é pela geração de renda o que nós desejamos do poder público e de uma política como um todo é que essa política beneficie a pequena empreendedora e incentive cada vez mais a economia solidária para termos cada vez mais um país com mais igualdade social.” (Daila, Coordenadora Geral do Consulado da Mulher de Manaus)

Mulher 2010 13 por você.

Mulher 2010 04 por você.

Precisamos organizar os movimentos sociais e nós como mulher temos que nos organizar mais ainda. Dentro dos movimentos sociais a maioria são as mulheres. Dentro da Eco Reciclo – Rede de Catadores e Catadoras, oitenta por cento é mulher. A questão da violência é que falta terem mais autonomia, as mulheres não podem baixar a cabeça, elas tem que conquistar o espaço delas, porque o espaço delas já existe e muitas das vezes somos nós mesmo que deixamos o homem ir crescendo e ele vai tomando o espaço e às vezes nem respeita então a gente precisa se posicionar, não dizer que o homem não é importante, que ele é, mas que precisamos conquistar nosso espaço. Aprovamos a candidatura da ministra Dilma, estamos para apoiá-la, é o sonho de toda mulher ter ela na presidência da República, porque nós mulheres temos experiência administrativa, comandamos nossas casas, cuidamos das crianças e ainda dá tempo de assistir televisão. A mulher no poder é o que nós precisamos. Se as pessoas se conscientizarem e colocarem a Dilma lá, as coisas vão melhorar muito.” (Lúcia Albando, Movimento Eco Reciclo – Rede de Catadores e Catadoras)


Mulher 2010 15 por você.

A Pastoral Operária se faz presente para contribuir com as comemorações dos 100 anos do 8 de março – Dia Internacional da Mulher, onde muitas mulheres no trabalho são exploradas na questão de funções iguais e salários desiguais. Na questão do assédio moral, sexual e todos os tipos de violência. Nesta manifestação onde muitos comércios estão abertos nesta avenida e seus trabalhadores, especialmente as mulheres, não tem tempo para o lazer, somos favoráveis pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais para que outras pessoas tenham direito também a trabalho, a salário e a sua dignidade de ser humano que e o trabalho.” (Flávia Carneiro, Pastoral Operária)

Mulher 2010 16 por você.

Mulher 2010 18 por você.

Estamos aqui para exigir nossos direitos, pedimos muito respeito para nossas mulheres, que as autoridades não se esqueçam de nós. A candidatura da ministra Dilma Rouself é uma boa, é uma beleza, porque não são sós os homens que tem direito de estar lá na presidência.” (Maria Domingas dos Santos)

Mulher 2010 19 por você.


Nós estamos indignadas pelo assassinato de Josélia Maciel, socióloga, funcionaria da Susam, pelo seu companheiro PM Wellington,  que, covardemente,  no dia 26 de fevereiro, deu um tiro na nuca da companheira na frente do filho de seis anos que até hoje está em estado de choque diante do assassinato de sua mãe. Eu gostaria de registrar aqui que o PM continua solto, continua impune, registra essa indignação e que a violência contra as mulheres sofrem violência em todas as classes sociais, pois vivemos numa sociedade machista. A audiência do soldado Wellington só vai ocorrer no mês de junho. (…) Essa sociedade está mudando, temos que mudá-la. Uma mulher para presidência seria bom porque estaríamos criando um espaço para gerenciarmos uma política e uma prática concreta.” (Márcia, representante do Sindicato dos Sociólogos do Amazonas)

Mulher 2010 23 por você.

Mulher 2010 26 por você.

Mulher 2010 25 por você.

Conclamamos que a violência nos lares de Manaus seja abolida, que luta pela igualdade de gênero, que a violência só acontece porque o homem não e companheiro de sua companheira, homens que dão muitas porradas, muitas pancadas, com palavras, que lutamos por uma Manaus mais felizes, homens que seja companheiros, que estamos aqui para denunciar, vamos dar um basta para termos homens e mulheres felizes, lutamos para que a violência seja disseminada de nós todos. Seria muito importante que ela lute pelos direitos das mulheres, que ela seja uma mulher de coragem, que possa denunciar para toda a opinião pública, que hoje às vezes é conivente com essas violências.” (Rosenilde, Guerreiras Amazônicas em Movimento)

Mulher 2010 28 por você.

Chegando a caminhada à famosa Feira do Mutirão, as “Guerreiras Amazônicas em Movimento” fizeram a apresentação de uma esquete teatral sobre a violência contra a mulher, aproveitando como palco no meio da rua a plataforma do ônibus. Diante da performance, juntado-se aos manifestantes, aglomeraram-se muitos transeuntes.

Mulher 2010 30 por você.

“Estou reivindicando os direitos das mulheres, porque lá no Mauazinho II há muitos casos de violência, e também a violência contra a mulher, mas muitas mulheres que são agredidas tem medo de denunciar o seu esposo. Nós estamos fazendo lá um trabalho de apoio para que elas [as mulheres que sofrerem violência] venham a denunciar., que não fiquem caladas, porque é pior. Assim, muitas mulheres não denunciam as violências e sugiro que denunciem. (…) Quanto ao avanço das mulheres, a continuação do governo Lula, que foi e é muito bom, quem venha para presidente do Brasil espero que essa política continue. Sou favorável que ela [Dilma] seja a presidente.” (Rosa Primo, Comunitária do Mauazinho II)

Mulher 2010 32 por você.

Mulher 2010 14 por você.

“Trabalhamos há 15 anos, fazemos vários trabalhos sobre a questão do gênero, sobre a lei Maria da Penha, trabalhamos também sobre direitos sexuais e reprodutivos, juntamente com a CBB. Desde quando a Lei Maria da Penha foi criada, infelizmente, poucas mulheres ainda conhecem essa lei. Muita gente pensa que essa é uma lei pra punir homem. Não, essa é uma lei educativa, não e para punir o homem, é sobretudo para prevenir a mulher no ambiente familiar, que é o espaço onde a violência contra a mulher acontece. É nesse ambiente que muitas mulheres são abusadas sexualmente, são violentadas física e emocionalmente, que muitas mulheres são mortas. (…) Para presidente minha opinião lutaria que fosse uma mulher, mas enquanto não se mudar a sociedade patriarcal e machista, pois precisamos criar uma sociedade de equidade de gênero. Se for uma mulher, que essa mulher esteja preparada para que não seja somente uma troca, mas uma mudança real.” (Ercicley Farias, Movimento Maria Sem Vergonha)

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“Há cem anos as mulheres decidiram ir para a rua, mostrar a cara e lutar pelos seus direitos. Muito ainda temos que mudar, espero que seja rápido, acho que já houve uma evolução, entretanto, a discriminação ainda é muito forte, principalmente aquela discriminação que não é divulgada, às vezes do marido, do próprio filho às vezes, a cultura mesmo discrimina, apesar da lei Maria da Penha, ainda há muita violência. Vou dar só um exemplo da violência institucional. Nós não temos aqui , numa cidade de 2 milhões de habitantes, não temos um hospital da mulher. Precisamos urgentemente de um hospital da mulher. O governo acha que isso não dá voto, que essa administração do atual governo do estado é tocada só a voto. Nos outros 61 outros municípios, outro exemplo triste, só há três mamógrafos no interior do Estado. Significa que a mulher ainda não está sendo vista pela institucionalidade, pelo poder, pelo Estado. A única comemoração de hoje é que as mulheres resolveram sair pra luta. Na política, há muitas mulheres que deram e dão exemplos, taí a Bachelet,  que fez um belo de um trabalho no Chile, taí a alemã Merkel. Resumindo, encerro com um pensamento da presidente Bachelet, que disse: ‘Quando uma mulher entra na política, melhora a política; mas quando muitas mulheres entram na política, melhora a política’.” (Francisco Praciano, deputado federal-PT)

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Mulher 2010 35 por você.

Estamos lutando contra a violência e lutando pela igualdade de gênero, em todos os lugares estamos trabalhando para melhorar isso. Há quem ache que uma utopia, mas a gente acredita que é possível um mundo sem violência, principalmente a estupidez da violência banal contra a mulher, que é um absurdo. Sobe a escolha de uma mulher seria bom, mas temos que nos preparar e estaremos ajudando para ela ser presidente e nos ajudará como presidente, assim como a todos, e nós também devemos estar preparadas para auxiliá-la também na luta.” (Rosenilde, Educadora Popular do Guerreira Amazônica em Movimento)

Chegando à Bola da Feira do Produtor, houve algumas manifestações envolvendo as entidades aprticipantes, tocando principalmente ao tema principal deste ano.

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“Estou presente para me solidarizar com a luta das mulheres, mas também como um compromisso de dizer que falta no parlamento a entrada deste debate, porque infelizmente hoje no parlamento pouco se debatem as políticas públicas voltadas para as mulheres, para as crianças, para os idosos. Há muito discurso, há muita lei avançada, e hoje nós temos que lutar pra que isso saia do papel, porque há muito pouca prática. Há muita violência, muito preconcieto, e tem muitos investimentos que têm que ser feitos para garantir os direitos adquiridos. De nossa parte, além de aparecer aqui de corpo presente, nós vamos continuar sendo voz para cobrar essa políticas públicas, propor essas políticas públicas. (…) Da forma que está se encaminhando, a vitória de uma mulher à presidência vai ser bom para o país. Não é só a figura da mulher, mas aquilo que ela apresenta. Só de haver duas pré-candidatas à prresidência da República. Lá na Câmara Municipal de Manaus eu tô com um projeto para garantir pelo menos 30% das vagas para as mulheres na mesa diretora. As mulheres assianram, mas os homens não deixam andar o projeto. Aqui esses grupos todos na luta ajudam a formar uma consciência melhor, de que as mulheres têm força de lutar e garantir seus direitos.” (José Ricardo, Vereador)

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Para  finalisar, ao som de um canto afro, a companheira Márcia fez a avaliação de mais um ano de luta pelo movimento livre dos corpos no mundo. Pois enquanto existirem mulheres, crianças, velhos, negros, índios, enfim, todas as minorias sofrendo preconceitos e violentações não se pode falar em uma cidade democrática.

“Nós, aqui do Fórum das Mulheres de Manaus, hoje especificamente, nós estamos contentes porque nós conseguimos reunir todos os movimentos, deixamos este sinal de descontentamento. Ao mesmo que a gente comemora, a gente que está descontente. A gente avalia positivamente porque a gente conseguiu deixar este sinal. Mas nós não estamos contentes ainda, nós precisamos, no 8 de março, como a gente falou durante toda a marcha, nós estamos precisando colocar os nossos direitos que foram conquistados na prática. Nós precisamos que eles saiam do papel para a prática. Então, a nossa avaliação do movimento em Manaus é que falta muita coisa, dentre elas o respeito no trabalho, o fim dos vários tipos de violência. As mulheres exercem a mesma função que os homens e recebem menos. Na prática, nós queremos romper com essa educação patriarcal e machista, que foi ensinado pra nós. Só vamos transformar com educação profunda, dentro das nossas casas pra poder chegar na sociedade. Mas isso forçado por políticas públicas que já estão asseguradas, inclusive no Plano Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, que não funcionando na prática. No Amazonas há muita insensibilidade na causa da mulher. A nossa avaliação em torno de tudo isso é que nós comemoramos as vitórias, nós temos muito a conquistar porque não está acontecendo na prática. Está sim na hora de termos uma mulher no poder, mas nós não queremos mulheres no poder que repitam a forma de governar do homem. Nós queremos mulheres no poder sensíveis, que governe na forma de mulher na forma fenimina, que as mulheres não percam o jeito feminino de governar.” (Márcia, do grupo Guerreiras Amazônicas em Movimento)

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Articulação Parintins Cidadã pede ajuda para participar da Marcha Mundial das Mulheres

Somos militantes da Marcha Mundial das Mulheres – Organização Feminista que integra a Articulação Parintins Cidadã, município do Estado do Amazonas. Entre as ações de nossa Organização para 2010, em março próximo, de 08 a 18, entre Campinas e São Paulo, acontecerá a III Ação Internacional – encontro de Mulheres de todo o Brasil e países vizinhos, discutindo: Bem Comum, Violência, Trabalho Doméstico, Paz e Desmilitarização.

A participação de Parintins neste evento propiciará a formação e a autoconscientização contra as desigualdades que vêm vitimizando grande número de mulheres em situação de pobreza e analfabetismo.

Em meio às adversidades, nossa Organização – agricultoras, domésticas, professoras, estudantes e curadoras populares, busca envolver o máximo de companheiras, no sentido de reduzir as mazelas que nos tornam presas fáceis da lógica patriarcal e capitalista.

Para oportunizar a participação de 22 companheiras na Marcha Mundial das Mulheres, solicitamos seu apoio financeiro para custear a viagem, cuja saída de Manaus será no dia 7/03/2010.

Certas de que nossa intenção será acolhida com a sensibilidade e o respeito próprios daqueles e daquelas que se solidarizam em favor de mundo justo e fraterno, subscrevemo-nos atenciosamente.

Articulação Parintins Cidadã / Marcha Mundial das Mulheres
Banco Bradesco, Agência 3703-6, Conta Corrente 147-3
Contato: Maria de Fátima Guedes Araújo – Coordenação local
fafemea@hotmail.com, (92)9130-6594
http://www.sof.org.br/marcha/

TRAVESTIS E TRANSEXUAIS DISCUTEM POLÍTICAS PÚBLICAS NO SUL

Informe ABGLT:

Saúde, segurança, educação, trabalho e emprego são os temas do 6° Encontro Regional Sul Para Travestis e Transexuais, que começa nesta quinta-feira (24) e vai até domingo (27).

O encontro será aberto às 18 horas desta quinta-feira por lideranças do movimento de Travestis e Transexuais, LGBT e autoridades. “É um encontro fundamental para debatermos segurança, e a promoção da saúde e oportunidades de trabalho e emprego para as pessoas trans do sul”, diz Carla Amaral, presidente da ONG Transgrupo Marcela Prado que organiza o evento. Na abertura serão homenageadas as travestis que foram assassinadas no Paraná em 2009. O evento acontecerá no Hotel Paraná Suíte.

O objetivo do encontro é contribuir na construção de políticas públicas para a população de travestis e transexuais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O encontro regional antecede o encontro nacional ENTLAIDS – Encontro Nacional de Travestis e Transexuais que Atuam na Luta contra a AIDS, que acontecerá em dezembro no Rio de Janeiro.

Outro tema importante que será debatido é a exclusão escolar das travestis e transexuais “O poder público, as escolas e principalmente os e as profissionais de educação têm o poder de difundir informações que combatam a discriminação e a transfobia no ambiente escolar e é importante que se faça isso, e que todas as pessoas trans, movimento LGBT e defensores dos direitos humanos, ajudem a divulgar e a conscientizar a sociedade sobre tão importante assunto”, afirma Rafaelly Wiest, presidente do Grupo Dignidade e Diretora de Mulheres da ANTRA – Articulação Nacional de Travestis e Transexuais.

No domingo (27) as participantes do encontro participarão da Parada da Diversidade LGBT de Curitiba que acontecerá a partir das 13 horas na Praça 19 de Dezembro – www.paradadadiversidade.org.br.

PRÉ-GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS 2009

O centro de Manaus, nos arredores do relógio municipal, ficou pequeno para a alegria dos movimentos sociais de Manaus ontem, 25 de agosto. Era ali que se compunha o Pré-Grito dos Excluídos e Excluídas de 2009.


O encontro veio promover a Carta Aberta à População, organizada e elaborada pela Arquidiocese de Manaus, Pastorais Sociais, Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, Cáritas Arquidiocesana, Fórum Permanente das Mulheres de Manaus, Fórum pela Ética e Políticas Públicas, MCVE, MOCOCI, Rede de Educação Cidadã, Comitê Social, Movimento Fé e Política, Casa Mamãe Margarida, CEBI, CARMA, CPT, AMAFLORA, Marcha Mundial Pela Paz e Não Violência, AGNLBTT, Escolas e Fórum Fé e Política, Rádio Comunitária “A Voz das Comunidades”, CUT e FOPAAM.


A carta aborda problemas bem conhecidos da população amazonense, e cobra sua resolução através de políticas públicas que contemplem o acesso aos serviços básicos à população mais pobre. Em sintonia com os acontecimentos de uma cidade sem prefeito e cujos governantes são especialistas em criar armadilhas antidemocráticas para o povo, os movimentos sociais elegeram cinco grandes temáticas que foram abordadas na carta e, em linhas gerais, foram discutidas nesse belíssimo encontro:


Transporte Coletivo: a luta dos estudantes contra o fim da meia-passagem, o aumento abusivo do preço da passagem, o fim da integração temporal, a precariedade do serviço e a submissão do poder público ao empresariado (e a campanha contra o vírus IMTU/Sinetram deste bloguinho transitando entre os manifestantes).

Porto das Lajes: o posicionamento contrário à construção do porto das lajes, empreendimento social e ambientalmente insustentável, já que trará prejuízos à comunidade da Colônia Antonio Aleixo e ao encontro das águas. Os movimentos sociais não são contra a construção de novos empreendimentos de captação de água, mas se posicionam contrariamente à degradação social e ambiental que este projeto trará.

Saúde Pública: a piora no quadro de oferta de serviços da saúde pública, com a dificuldade na marcação de exames, o acesso a medicamentos, o mau atendimento, a sistematização terrorista e a tendência privatista da medicina de mercado.

Corrupção: a prefeitura sub judice, as relações entre a justiça e os poderes executivo e legislativo, a atuação do CNJ evidenciando o quadro grave da justiça amazonense, o caso Wallace Souza, a submissão do executivo estadual ao governador e o municipal ao prefeito.

Água – Bem Comum: a falta de água na cidade de Manaus, a privatização e a ineficácia no gerenciamento do sistema de distribuição,

clique aqui (Parte 1 e Parte 2) para baixar a carta em formato PDF.

O NEGRO COMO A COR DA LUTA


Longe do simbolismo mórbido que associa a cor preta à morte e ao lúgubre, os movimentos organizadores do pré-grito estenderam duas grandes faixas de tecido em cor negra no chão.

Em seguida, convidaram as pessoas que iam passando, e que se juntavam à festa democrática que ali ocorria, para que expusessem, através da pixação no pano preto, mensagens e palavras que chamassem a população à movimentar-se contra as forças reacionárias que impedem o estabelecimento de Manaus como cidade justa e democrática.



Neste sentido, a pixação incorpora a sua potência política de manifestação expontânea, discurso sem emissor determinado, que enuncia sem ser capturado pelas forças e pela ordem despótica de uma linguagem classificadora e rotuladora. Os pixadores, neste aspecto, são so revolucionários que apontam a inexistência da cidade como organismo em movimento intensivo.

Foi então que os animadores Moisés Aragão e Franci Júnior convidaram os participantes a cantar a música “Renovação”, de Candinho e Inês.

É hora de jogar as coisas velhas,

fora desse quarto,

Tomar nas mãos o leme desse barco,

Sair da tempestade, pôr ordem no tempo,

Sair de contra o vento e, cheio de vontade,

Sair desses porões e cantar ao céu, de

novo;

A voz já não aguenta e o peito já não cabe mais.

.

É hora de tomar nas mãos de novo a nossa geografia,

Pintar de liberdade o verde deste mapa,

Contar de novo a história como há muito tempo

Já não se ouve mais nem se contou verdade,

Bater na mesma nota e na mesma canção,

Cantar de braços dados, levantar a mão.

.

Canta, coração,

Por esta voz que canta em mim,

Esse desejo sem medida e paciência,

Quase já desesperado de esperar

Todo esse tempo e, esse grito

Sufocando a garganta sem parar

.

Canta, coração,

Por esta voz que canta em mim,

Esse desejo sem medida e paciência,

Quase já desesperado de esperar

Todo esse tempo e, esse grito

Sufocando a garganta sem sair.

.

Após a música, as pessoas se reuniram ao redor do relógio municipal. Ali, teatralmente, o relógio seria “vendado”, representando a cegueira da cidade para seus males, a desinformação da população da qual se aproveitam políticos exploradores e cultuadores da dor e da miséria social.


O relógio municipal foi coberto pelo manto negro, onde estavam escritos os dizeres de todas as pessoas que antes se manifestaram através da pixação. No momento em que os voluntários cobriam o relógio, uma pessoa que se identificou como administrador do monumento ameaçou chamar a polícia para impedir o ato, e foi lembrado por uma manifestante de que aquele monumento só existia por conta do povo que ali estava e era mantido pelo dinheiro das pessoas que ali se manifestavam.



Logo em seguida, representando o abrir de olhos da população diante dos problemas da cidade, completando a encenação, os voluntários retiraram o pano do “olho” do relógio. Daí o microfone ficou aberto para as demandas da população e dos movimentos sociais.



Daí se manifestaram sem-teto, a moçada do hip-hop que usa a batida do rap para desestabilizar o sistema, membros de associações de gênero, cidadãos, loucos, dentre muitos.

O companheiro Praciano aproveitou a deixa para convocar os movimentos sociais de Manaus a participar da campanha pela redução da jornada de trabalho, citando o exemplo do Pólo Industrial de Manaus, cujo crescimento dos lucros foi infinitamente maior do que o crecimento da oferta de emprego. Hoje, segundo o companheiro Praça, o trabalhador do PIM paga, com o seu trabalho gerando lucro, todos os encargos com salário e encargos trabalhistas que o patrão tem com ele durante o ano inteiro, trabalhando apenas uma semana. Praciano informou ainda em primeira mão a decisão da prefeitura interina da dupla Amazonino/Souza, que retirou o direito ao ticket-alimentação dos professores de modo retroativo: os professores ficam sem o benefício a partir de agora, e ainda terão descontados nos próximos contracheques o valor do benefício recebido nos meses anteriores. “Trabalho de Amazonino”, ironizou um estudante.


E NÃO PERCA:

07 DE SETEMBRO DE 2009

15o GRITO DOS EXCLUÍDOS E EXCLUÍDAS

Vida em Primeiro Lugar:

A força da transformação está

na organização popular”.

Concentração: Bola do São José I (Próximo ao Terminal 5)

Horário: 15:00h

VENHA PARTICIPAR!

ORGANIZAR PARA TRANSFORMAR.

!!!!! O MUNDO É GAY – EDIÇÃO ESPECIAL!!!!!

LANÇAMENTO DA CAMPANHA “NÃO À HOMOFOBIA” E CARTILHA DA CIDADANIA AGITAM MANAUS

Maninhas, quem não foi perdeu, e quem foi quer ir de novo! O lançamento regional da campanha “Não à Homofobia”, que reuniu diversos grupos do segmento LGBT e outros movimentos sociais no auditório da ALE, ontem pela manhã, bombou!

O evento, organizado pelos movimentos sociais e pelo Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia “Adamor Guedes”, foi uma festa de confraternização. Com direito a algumas revelações que ilustram bem o grau de comprometimento de setores do governo em relação às demandas da população. No entanto, o que prevaleceu foi a alegria, a solidariedade, o humor, a ternura das pessoas que ali estavam, e que foram com o objetivo de conhecer e colaborar com a campanha.


Ilustríssimo, descolado e engajado, o companheiro Francisco Nery, membro da ONG Katiró, coordenador do núcleo de estudos e pesquisas relacionadas à orientação sexual e identidade de gênero e um dos organizadores do encontro, falou a esta colunaaaaaaça sobre os objetivos e sobre a campanha “Não à Homofobia”:

. . . . . . O que a gente está fazendo aqui hoje é o lançamento da campanha “Não à Homofobia”, que é uma campanha que foi idealizada pelo grupo Arco-Íris, do Rio de Janeiro, na parada do ano passado. E o que a gente quer com essa mobilização? É colher assinaturas virtuais no site www.naohomofobia.com.br, onde a gente está pedindo a aprovação do PLC 122/06, que pune qualquer discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Este é um projeto que o movimento social está enfatizando bastante porque hoje, no Brasil, a cada 3 dias, um homossexual é morto, e pra gente, esse projeto vai ser de suma importância para a criminalização da homofobia. E a gente também detectou em uma pesquisa recente, da UNESCO, que a escola também tem um índice de 40% de preconceito contra os homossexuais. E o que a gente quer é colher as asssinaturas virtuais, onde estas assinaturas vão direto para a caixa de mensagens dos senadores, que é no Senado que o projeto de lei está tramitando. Hoje, este projeto já passou pela CAS, que é a comissão de assuntos sociais, está na CCJ (comissão de constituição e justiça) e depois vai para a de direitos humanos. Depois disso, vai à votação. A gente está articulando as nossas bases nos estados e nos municípios através da bancada parlamentar LGBT. Este projeto de lei vai dar um respaldo, tanto político quanto como um marco legal que a gente vai estar, a partir deste, enfatizando outros, como o da união civil de pessoas do mesmo sexo, e assim sucessivamente, porque ele vai embasar, dentro da constituição federal do Brasil, assim como ocorreu em outros países, políticas públicas para a população LGBT”.

Aqui nesta colunaaaaaaça, você já tinha visto sobre a campanha, e que a meta de conseguir o milhão de assinaturas ainda não foi atingido. Em aliança com as entidades LGBT de Manaus e do Brasil, este bloguinho vai disponibilizar na sua barra lateral o banner da campanha, para que você possa assinar e indicar para os amigos. Procura aí do lado, ó.

OS DIREITOS HUMANOS DO DEMASIADO HUMANO LAURIA

O secretário de justiça, Lélio Lauria, convidado de honra do evento, em seu discurso, sequer tocou no lançamento da campanha. Com a placa do evento, anunciando a campanha às suas costas, o secretário aproveitou para evidenciar o tipo de entendimento sobre movimentos sociais e sobre a população LGBT que o governo Braga carrega. O mesmo governo que não se move para dar um final ao processo da morte do ex-presidente da AAGLT, Adamor Guedes – cujo nome batiza o importante centro de referência – mesmo após quatro anos de sua morte. O secretário aliás, não sabia informações sobre o caso, o que demonstra a falta de preparo para o evento, em se tratando de um dos temas mais recorrentes do movimento LGBT de Manaus e do país.

Outro aspecto que chamou a atenção desta colunaaaaaaça na fala do secretário foi quando ele afirmou que a secretaria, durante muito tempo, ignorou os movimentos sociais, e se concentrava nas rebeliões de presídios – muitos dos quais, segundo ele, com motivação eleitoral. Um viés punitivo em detrimento da prevenção? Outro dado preocupante e revelador: o secretário, ainda em sua fala, revelou ser possível e até necessário que estes mesmos direitos humanos, direitos universais inalienáveis, defendidos na campanha e na cartilha, podem, a depender da situação, ser suspensos em nome da ordem. O secretário fez esta afirmação quando falou sobre as rebeliões nos presídios estaduais. Em nenhum momento ele se referiu, por exemplo, à superlotação ou às torturas praticadas por agentes penitenciários e/ou presidiários em colegas.

Ainda, sobre a questão da negação da utilidade pública à Associação das Prostitutas do Amazonas (que você acompanhou nesse bloguinho, aqui e aqui), Lauria demonstrou falta de sintonia, ao afirmar que a secretaria ainda não se pronunciou oficialmente sobre o fato: se houve a coletiva de imprensa na segunda-feira passada, anunciada a este bloguinho pela companheira Sebastiana, então o chefe não está em sintonia com os subordinados. Se não houve, a secretaria não está em sintonia com a sociedade e suas demandas.

A FORÇA ENGAJADA DA DRA. MICHELLE

Na mesma secretaria, no entanto, a Dra. Michelle Custódio, coordenadora do Centro de Referência Adamor Guedes. Querida de tod@s e atuante na defesa dos direitos humanos, Michelle falou sobre a importância da Cartilha da Cidadania:

. . . . . . Com a cartilha, eles têm acesso a toda informação sobre violência, sobre direitos humanos, sobre saúde, sobre os locais que devem procurar em caso de violação dos direitos. Este trabalho é o resultado da luta dos movimentos sociais. Não só gays, lésbicas, travestis e transsexuais, como as prostitutas também. Tem material aqui para todos os segmentos sociais, para que todos usem e efetivem seus direitos de cidadão. Isto é o mais importante. É por isso que este material saiu, e vocês têm um documento que vocês podem usar, até mesmo em caso de extrema necessidade, em prisão legal ou ilegal, vocês têm em mãos um habeas corpus. Então é para que vocês façam uso, e um bom uso deste material, na defesa dos direitos de cidadão”.

Michelle também revelou a este bloguinho que a Escola Estadual Cleomenes do Carmo Chaves, localizada no Jorge Teixeira III, zona Leste de Manaus, será a escola piloto do projeto de combate à homofobia nas escolas. Michelle participará do III Encontro Nacional da ABGLT, na aprazível Belém, do queridíssimo amigo Mauro, homoerótico engajadíssimo e filosofante e de tantos outros, da qual trará experiências e o modelo a ser adotado pela SEJUS. Alô alô Eduardo ‘Copa 2014′ Braga, mais uma vitória do Grão Pará, sede de eventos nacionais e internacionais. Se a copa sobrar por estas bandas, é sinal de que, como diz o pessoal do ‘Chagão!’, o futebol acabou mesmo, hihihihihi…


Para quem não lembra, a Escola Cleomenes do Carmo Chaves foi onde ocorreu o episódio de homofobia institucional com a queridíssima Paola Bracho, conhecida por alguns como Alex, que foi enunciado (não é denúncia, é enunciação democrática) por este bloguinho (você pode ler aqui, aqui e aqui, meu bem. Coloca o dedinho aí, vai…).

A POTÊNCIA DESEJANTE DA DIVERSIDADE: WEYDMAN É MOVIMENTO SOCIAL, BABY!

Weidman Lopes, da ATRAAM, engajada e atuante militante LGBT, é do movimento social. Sabe, portanto, que aos governos, em sua maioria, e mais ainda em Manaus e no Amazonas, interessa a imobilidade. Sua fala é fortalecida pelas demandas, sempre presentes, de gays, lésbicas, travestis, transsexuais, prostitutas… Alguém que sabe reconhecer as conquistas, resultado do suor e da luta, mas que não se permite capturar pela sedução dos signos do marketing:

. . . . . . O momento é de alegria e de imensa emoção da minha parte, em estar presenciando mais uma manifestação, o lançamento de uma cartilha, e eu não poderia deixar de colocar aqui o nome do Adamor [Guedes], que graças à ele, ao fato que aconteceu com ele, há quatro anos atrás, hoje há um centro de referência, lutando contra qualquer tipo de preconceito, seja de ordem de gênero, cor, raça, enfim”.

Eu não poderia deixar de narrar aqui o fato que aconteceu na câmara com as prostitutas. Vamos lembrar a todos e todas que ano que vem é um ano político. Sou travesti, tenho orgulho, sou gay, tenho orgulho, sou lésbica, tenho orgulho, sou transsexual, tenho orgulho. A arma que vocês mais têm na mão é o voto de vocês. Então não se deixem levar, pode até parecer algo patético da minha parte, mas não é, a coisa é séria mesmo. É preciso se conscientizar que ano que vem é ano político e ver quem são realmente as pessoas que nós vamos colocar para nos representar, seja na câmara municipal, na assembléia ou na câmara federal. Por que se não tem pessoas que se identifiquem com a nossa causa ou qualquer causa que seja, fica complicado você estender a mão e votar numa pessoa dessas. Então é pensar direito em 2010 em quem você vai votar, para não acontecer o que aconteceu na câmara, mas isso é um outro processo, com o tempo a gente vai dar entrada novamente com as meninas lá na câmara, para tentar tirar a utilidade pública, porque é salutar, tem todo um trabalho social que elas fazem na rua com as prostitutas, assim como eu também faço com as travestis”.

Um momento como esse, em que a gente vê que são poucas as pessoas que estão aqui, e quem trabalha com eventos sabe o trabalho que dá organizar um como esse. Eu organizo junto com a Bruna [La Close] a parada do orgulho LGBT, e você vê a quantidade de gente que dá. Quando é um evento político, poucas pessoas se fazem presentes. Eu quero aproveitar e fazer uma cobrança à Michelle: a assembléia aprovou a lei que pune quem discrimina por orientação sexual, por unanimidade, agora só falta a regulamentação”.

A HOMOFOBIA (FOBIA MESMO…) DOS DEPUTADOS ESTADUAIS…

Humoristicamente, os deputados estaduais que estiveram presentes ao evento, mostraram a ausência de qualquer entendimento democrático, além da homofobia presente nas falas.


Perceptível e palpável, por exemplo, a indelicadeza dos deputados: dando boas vindas aos “visitantes”, praticamente todos os que falaram deram boas vindas, como se anfitriões o fossem dos movimentos sociais na Assembléia Legislativa. Curiosa inversão dos papéis: em uma democracia, o parlamento é a casa do povo, e os convidados são os parlamentares, convivas com data marcada de entrada e saída – o mandato. São provisoriamente ocupantes das cadeiras. Mas a casa é do povo. Não é o caso da ALE, ao menos na opinião de Terezinha Ruiz (DEM), Ricardo Nicolau (PR), Chico Preto (PMDB) e José Lobo (PCdoB).

Terezinha Ruiz, a primeira das parlamentares (parla-a-lamentar), aproveitou para demonstrar que carrega os mesmos códigos dos colegas vereadores, que vetaram a utilidade pública às Amazonas: falou em fé, compaixão, caridade, amor ao próximo, numa perspectiva bem paulina. Chico Preto e Ricardo Nicolau ensaiaram um discurso que mostrou a falta de intimidade com o tema e com o assunto tratado no evento. Mas a estrela foi o deputado José Lobo. Visivelmente constrangido e temeroso, ele titubeou, gaguejou, desarticulou uma fala breve, que encerrou com uma frase epitética: “as pessoas também são seres humanos”.

Calma, seu Lobo, que as ovelhas não mordem!

Calma, seu Lobo, que as ovelhas não mordem!

Risível ainda é a nota da assessoria de comunicação da ALE, que coloca o deputado Nicolau como presidente da mesa, e reduz a pluralidade dos movimentos sociais presentes ao ato à fala da Dra. Michelle. Faltaram Weydman, Francisco, Gislândia e tantos outro… Confira lá, se tiver estômago.

E O HUMOR REVOLUCIONÁRIO DO MOVIMENTO LGBT.

Uma anedota do final do evento: ao verem o deputado Carlos Alberto (PMN) que chegou ao evento no apagar das luzes, saindo à francesa, dois militantes, Fábio e Jeferson, munidos de uma bandeira do arco-íris, resolveram promover um encontro entre o movimento LGBT e a dogmática neo-paulina (Carlos Alberto é pastor da Igreja Universal). Tentando ser simpático, Carlos Alberto posou para a fotografia ao lado dos lindinhos. Mas abraçar, não senhor!


OS MOVIMENTOS SOCIAS SE CONGREGAM E CONFRATERNIZAM

Um dos objetivos do trabalho das associações e entidades LGBT em Manaus é o de costurar alianças com outros movimentos sociais. Assim nos explica o companheiro Francisco Nery:

. . . . . . “Eu coordeno o projeto Aliadas aqui no Amazonas, que é um projeto também financiado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) e tende a fortalecer o movimento, não só falando com o movimento LGBT, mas também com outros, como o movimento estudantil, de mulheres, sem-terra, indígena, porque todos têm que saber qual a relação que a homofobia tem com eles, e como eles podem estar contribuindo no combate a essa discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. Então a gente acredita muito nesse fortalecimento da sociedade civil com outros movimentos sociais. E a gente trabalha na perspectiva de horizontalidade e verticalidade de qualquer maneira, de todos, para todos e todas, que passem a falar sobre o que é homofobia, o que é homossexualidade, que não é homossexualismo, que não é opção, é orientação sexual e identidade de gênero, e a gente repassa isso para os outros movimentos para que eles também possam falar a nossa linguagem, e fazer o feedback. O interessante é esta relação que a gente vai ter com eles”.

Neste ritmo democratizante, de transbordamento desejante das enunciações LGBT, conversamos com a duplamente bela (linda e engajada, ai…) companheira Gislândia Batista, presidente do Diretório Acadêmico de Tecnologia, da UEA, e representante da UNE no evento:

. . . . . . Hoje, no lançamento da cartilha e da campanha contra a homofobia, estamos aqui, com a satisfação de estar representanto o segmento estudantil. Dentro da universidade nós temos grupos de discussão sobre este assunto, que para nós é tão importante quanto a causa das mulheres. A gente tem a Lei Maria da Penha, que trouxe essa abrangência para o grupo das mulheres, mas a gente precisa avançar no segmento LGBT. Temos feito algumas discussões nas universidades, participamos dos eventos e campanhas, para fazer a ponte com os estudantes, e estes levem a informação correta”.

E com que alegria encontramos as companheiras d`As Amazonas! A queridíssima Sebastiana aproveitou para atualizar este bloguinho sobre as últimas da utilidade pública. De acordo com o que ela contou, a entrevista dada a este bloguinho deu o que falar, e fez até milagre. Um vereador – cujo nome ela não revelou – aparentemente da turma do Deus Bushiano, mudou de lado e até se ofereceu para apresentar novo projeto de utilidade pública. Pode? Pode, claro. Contra a potência democrática, não adianta a hipocrisia e a estreiteza intelectiva, bobinh@s. A fala da companheira Sebastiana, forte e verdadeira, mostrou que necessárias são elas, e acessório dispensável é a própria CMM. Eles sentiram a brisa, neném… A brisa e a ponta da flecha intensiva d`As Amazonas! Te mete!


PROGRAMAÇÃO DO ABAIXO-ASSINADO ELETRÔNICO

Aproveitamos para divulgar aqui as datas e horários em que as equipes estarão nos shoppings da cidade, recolhendo assinaturas. É fácil e rápido! E você pode assinar aqui pelo bloguinho também, se shopping não for a sua praia. Se for, escolha aí qual você quer, e assine pela criminalização da homofobia, baby! Um cheiro e até domingo!

18 e 19 de Abril:

Shopping São José

Horário: 10h às 22h

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25 e 26 de abril:

Shopping Studio Cinco

Horário: 10h às 22h

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02 e 03 de Maio:

Shopping Grande Circular

Horário: 10h às 22h

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09 de Maio:

Millenium Shopping

Horário: 10h às 22h

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16 e 17 de Maio:

Manaus Plaza Shopping

Horário: 10h às 22h

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23 e 24 de Maio:

Manauara Shopping

Horário: 10h às 22h

CAMINHADA DO DIA DAS MULHERES EM MANAUS: “PELO DIREITO A TER DIREITOS”

Os direitos humanos da mulher, das meninas e jovens, fazem parte inalienável, integral e indivisível dos direitos humanos universais.”

Dia das Mulheres 21 por você.

Clique nas imagens para ampliá-las.

O Fórum Permanente das Mulheres de Manaus – FPMM conglomerou na manhã de ontem, na Praça do Congresso, no Centro de Manaus, várias entidades que lutam pelos direitos das mulheres, como a CARMA, MUSAS, AMAFLORA, CÁRITAS, DANDARA e muitas outras. De lá todas essas mulheres e homens presentes no ato saíram em passeata, descendo a Eduardo Ribeiro e chegando ao terminal de ônibus central da cidade.

Dia das Mulheres 02 por você.

As entidades exibiram diversas faixas e cartazes com dizeres ativos de luta pelo fim das violências contra a mulher, não somente no que diz respeito à violência física praticada pelos códigos falocráticos do machismo, mas também todas as situações que afetam as mulheres nas suas famílias, o seu desemprego e o de seus companheiros, o péssimo sistema educacional para seus filhos, a degradação da floresta nos interiores e por aí foram, enquanto as pessoas paravam para ler e envolver-se com as questões levantadas.

Dia das Mulheres 05 por você.

Dia das Mulheres 06 por você.

Durante a caminhada foi aberto o microfone às vários representantes de entidades que se expressaram no sentido de afirmar os direitos adquiridos por lei, como a fundamental Lei Maria da Penha. Enquanto outros entregavam folhetos e cartilhas sobre as lutas das mulheres pelo fim da dominação e do controle físico e emocional que lhes foi historicamente imposto sem fazer parte da natureza humana.

Dia das Mulheres 07 por você.

Este bloguinho, que entrou na caminhada numa composição pela liberação de toda a potência do feminino devir, conversou com algumas pessoas, representantes de entidades, que estavam presentes e colocaram sua problematização, propostas e sobre o trabalho que está sendo feito em Manaus na luta das mulheres por uma sociedade sem preconceitos, sem violentações: um trabalho por uma verdadeira sociedade-mulher.

Dia das Mulheres 10 por você.

Dia das Mulheres 11 por você.

Companheira Luzarina, da Pastoral Operária de Manaus

O meu nome é Luzarina, eu sou da Pastoral Operária de Manaus e hoje a nossa luta da pastoral, inclusive o nosso slogan do 8 de março é Encantando a Vida com Justiça, Direito e Paz porque a mulher ganha, hoje numa pesquisa do Diese que saiu anteontem, a mulher continua ganhando 56% a menos que o homem na mesma função. A mulher hoje é a maioria com nível superior mas continua ganhando menos. Então a Pastoral Operária, a nossa luta, uma das, é pela igualdade salarial, além do emprego porque aqui em Manaus os empresários estão usando a desculpa da crise pra demitir. O polo que mais lucrou é o polo que mais demite que é o Eletro-eletrônico e ele teve a mesma margem de lucro de 2007. Eles tão se aproveitando da crise pra ter mais lucro. Já foram tirados vários impostos e eles continuam demitindo.

Dia das Mulheres 14 por você.

Dia das Mulheres 17 por você.

Vereador José Ricardo, do Partido dos Trabalhadores

Nós estamos presente aqui nessa manifestação das mulheres, achamos importante as mulheres estarem nas ruas gritando pelos seus direitos porque o dia internacional da mulher é um dia de reflexão quanto aos direitos que lamentavelmente ainda são negados a boa parte das mulheres do país e a gente percebe que em vários segmentos da sociedade, várias áreas de atuação as mulheres, é crescente a sua participação mas sempre o resultado de muita luta, muita conquista e no campo da política é um exemplo, precisa ter leis pra garantir o mínimo como hoje nós temos leis que fala que partidos obrigatoriamente tem que lançar, que 30% das vagas tem que ser pra mulheres. O Partido dos Trabalhadores já tem essa prática, em todas as suas instâncias partidárias as mulheres, no mínimo 30% tem que ser pras mulheres, não pode ser ocupado por homens. E assim a gente tem que cada vez mais criar legislações para garantir o mínimo mas que no futuro garantir o que tá na constituição: a igualdade.

Aqui em Manaus eu tô apresentando essa semana um projeto singelo também nessa linha pra garantir que no mínimo 30% da mesa diretora seja composta por mulheres. Eu acho que é algo simbólico, uma forma de estimular pra que a mulher esteja na direção, que a gente sabe da grande capacidade que as mulheres têm principalmente quando tem necessidade de estarem a frente enfrentando os grandes problemas as mulheres sempre tem um jeito especial de conduzir mais adequadamente, com mais serenidade e a gente sente a necessidade de dar todo o apoio pra essa luta. Por isso estamos hoje aqui e queremos esse projeto na câmara pra aproveitar e debater também sobre o direito das mulheres.

Dia das Mulheres 18 por você.

Dia das Mulheres 25 por você.

Daira Souza, do Consulado da Mulher de Manaus (quarta à direita, foto acima)

Meu nome é Daira Souza, sou coordenadora geral do Consulado da Mulher de Manaus, que é o principal investimento social da Brastemp da Amazônia, iniciativa da Consul, por isso consulado da mulher, que é uma OSCIP e tem como o principal objetivo a emancipação da mulher através da geração de renda. Nós atuamos com grupos de mulheres de uma identidade, são costureiras, indígenas, artesãs, as de culinária e também com cursos em parcerias com outras entidades, visando a geração de renda, a autonomia, a empregabilidade. Estamos trabalhando com mulheres de baixa renda e pouca escolaridade e o nosso grande diferencial é a educação em gênero, a economia solidária é um dos nossos pilares também, tudo isso através de uma educação popular que chegue às nossas participantes.

Dia das Mulheres 20 por você.

Companheira Ivoneide, da Associação dos Agricultores e Agricultoras do ramal do Uberê (foto acima, à esquerda)

Meu nome é Ivoneide, eu sou presidente da Associação dos Agricultores e Agricultoras do ramal do Uberê. Nós estamos nessa luta aqui hoje pra revindicar porque nós estamos numa área que estamos sendo ameaçadas e já até nos retiraram com uma ordem de manutenção de posse e a gente foi pra debaixo de uma barraca lá com o pessoal, passamos 14 dias fora da nossa área, das nossas casas e a mesma juíza que nos retirou deu a ordem pra nós retornar e nós estamos nessa luta. O nosso terreno tá no uso capião e nós estamos sendo perseguidas pelo cara que se diz o dono da terra e ele vai e derruba casa, destrói pontes, destrói estradas. Estamos também denunciando a retirada de areia e a retirada de madeira e essa retirada está prejudicando o nosso ramal e o nosso direito de ir e vir, porque nós tamos comprando produtos e vindo com os produtos tudo nas costas. Estamos pedindo às autoridades do nosso Estado que nos ajude a resolver esses problemas que são tão grandes pra nós mulheres dessa área. Queremos ajuda dos órgãos que possam ajudar, ajuda dos governantes.

Dia das Mulheres 21 por você.

Dia das Mulheres 23 por você.

Liliane Cavalcante, do Projeto Marias em Ação

O nosso projeto é o Marias em Ação, da Universidade Federal do Amazonas, ele tem o objetivo de divulgar a Lei Maria da Penha pras comunidades que ainda não tem conhecimento ou que e se tem conhecimento pra ter esse conhecimento com profundidade, como meio de trabalhar e de difundir essa informação pras mulheres e também pros homens para que eles possam saber que agora assim as mulheres tem um meio de ter os seus direitos, de poder reivindicar esses direitos pra elas. E essa passeata hoje é uma forma de mostrar isso, que as mulheres estão aí, que elas têm voz e têm vez. Estamos na comunidade da Zona Leste, na comunidade Santa Maria, comunidade Santa Maria Gorete, a comunidade são Pedro e nós já fomos também a Manacapuru, mas também estamos abertos a convites para ir às comunidades que quiserem nos convidar nós estamos aí. A coordenadora é a professora Ivânia, do curso de comunicação social, Ivânia Vieira, e tá com esse projeto e ela está aberta também a convite, quem quiser nos convidar é só ligar pra gente. É o (92)3305-4347, do departamento de comunicação social, que nós teremos o prazer de ir até a comunidade e passar a informação sobre a Lei Maria da Penha, que é uma informação importante de as mulheres conseguirem esse direito.


Jardel, do Sindicato dos Metalúrgicos

As pessoas que passam por essa manifestação que estamos fazendo aqui em homenagem ao Dia das Mulheres, que dizem ser o dia 8 de março. Pra mim o Dia da Mulher é todo dia, o dia em que a mulher tem que ser valorizada é todo dia, em casa, no trabalho, onde quer que estejam as mulheres. Hoje nas indústrias do Polo Industrial de Manaus as mulheres são as que mais sofrem com LER, que são as doenças por esforço repetitivo e isso é uma luta que nós temos árdua pelo Sindicato dos Metalúrgicos nas indústrias de Manaus. É por isso que hoje me faço aqui presente representando o Sindicato dos Metalúrgicos mas também a CTB que é a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Por isso em minha fala quero dizer um parabéns a todas as mulheres, àquela que acaba de nascer e àquela que já tem mais de 80 até 90 anos, 100 anos, que hoje nós temos mulheres com essas idades. É por isso que quero parabenizar em minha fala e dizer: Mulher, parabéns! Que vocês sejam aguerridas como sempre, essa mulher de raça que não se deixa curvar por aquele homem machista que quer às vezes bater na mulher. Você tem direito de denunciar esse cidadão que lhe agride que lhe maltrata de qualquer jeito, que às vezes uma palavra é mais dolorosa do que uma bofetada. É por isso que nós estamos aqui fazendo esse manifesto e pedindo que as mulheres denunciem a esses que vem lhe agredir.

Dia das Mulheres 27 por você.

Dia das Mulheres 29 por você.

Após a apresentação das meninas do grupo de dança da Casa Mamãe Margarida, ao redor de um companheiro estátua viva que ali tirava o do jaraqui, finalmente conversamos com a companheira Francy Junior, que fez uma avaliação do ato e sobre as linhas de atuação em movimento e ativação a partir dessa caminhada.

Bom para o Fórum Permanente das Mulheres de Manaus esse ato foi fundamental pra nós termos nossa potencialidade, cada ponto que a gente passava da Eduardo Ribeiro a gente parava, as mulheres e os homens ouviam o que a gente tava falando, fotografavam as faixas que a gente levava. É claro que alguns diziam que a gente precisava aceitar Jesus, mas Jesus já é nosso nós não precisamos aceitar porque já aceitamos ele. Mas é uma coisa que a sociedade precisa saber, se convencer que nós as mulheres não seduzimos os homens. Os estupros não acontecem porque as mulheres seduzem é porque os homens foram maltratados e também maltratam as mulheres. É essa a nossa diferença, não há sedução no estupro, não há aliciamento no estupro, o que há é uma doença que é preciso ser tratada. A sociedade precisa ser tratada pra poder cuidar melhor das mulheres seja menina, seja jovens, seja mulheres idosas, seja mulheres mais velhas. Agora pra nós as mulheres que estavam presentes Casa Mamãe Margarida, Consulado da Mulher, a Cáritas, a Carma, Mauazinho, as Musas, Uberê, as Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, as Mulheres Indígenas Saterê, as mulheres do núcleo do PT, também apareceram as companheiras do PSOL, do PSTU. E todas essas mulheres que estiveram presentes irão fortalecer cada vez mais o Fórum Permanente das Mulheres pra gente poder fazer o quê? Pra gente lutar e fiscalizar as políticas públicas que devem ser instauradas pelas mulheres na cidade de Manaus.

Dia das Mulheres 30 por você.

O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE MODERNA

Drª. Maria Eunice Torres do Nascimento*

mulher-texto-eunice

A vida tem duas faces: Positiva e negativa.

O passado foi duro mas deixou o seu legado

Saber viver é a grande sabedoria.

Que eu possa dignificar, minha condição de mulher, aceitar suas limitações.

E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando.

Nasci em tempos rudes.

Aceitei contradições lutas e pedras

como lições de vida e delas me sirvo.”

Cora Coralina

.

Enquanto o homem e a mulher não se reconhecerem como semelhantes, enquanto não se respeitarem como pessoas em que, do ponto de vista social, política e econômico, não há a menor diferença, os seres humanos estarão condenados a não verem o que têm de melhor: a sua liberdade.”

Simone de Beauvoir

.

As transformações sociais ocorridas nas últimas décadas, desencadearam também profundas mudanças e redefinição do papel da mulher na sociedade moderna.

BREVE HISTÓRICO

No que se refere especificamente à história de lutas e conquistas, em nível mundial, Santos (2002) destaca as seguintes datas:

8 de março – Dia Internacional da Mulher: É uma das datas mais importantes, pois neste dia, no ano de 1857, as operárias da fábrica têxtil Cotton, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, fizeram uma greve, em protesto contra uma jornada diária de 16 horas e baixos salários. Como resposta à manifestação, os patrões mandaram incendiar o prédio e 129 mulheres morreram queimadas.

19 de abril – Dia do Índio: As mulheres indígenas são ainda mais vítimas da discriminação e sofrem preconceito de gênero e raça, bem como opressão. A data foi escolhida em 1940, durante o 1º Congresso Indigenista Interamericano, na cidade de Patzcuaro, no México. O Brasil adotou a data em 1943.

25 de abril – Dia Latino-Americano da Mulher Negra: Assim como as índias, as negras também enfrentam discriminação de gênero, raça e opressão. As comemorações pelo Dia Latino-americano da Mulher Negra podem incorporar também o 21 de março, Dia Internacional contra a Discriminação Racial, instituído pela ONU, em razão do massacre de 70 jovens negros em Sharpeville, na África do Sul (1960).

27 de abril – Dia da Empregada Doméstica: As empregadas domésticas enfrentam o preconceito de gênero e o social. Faz-se necessário reconhecer o trabalho dessas mulheres, que não é valorizado por ser realizado dentro de casa.

28 de maio – Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher: As questões relacionadas à saúde das mulheres foram discutidas por especialistas do mundo inteiro em 1987, na Costa Rica, durante o V Encontro Internacional Mulher e Saúde. Após esse evento, foi decidido que o dia 28 de março marcaria a urgência de ações em favor da saúde feminina.

05 de junho – Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente: Este dia também pode ser comemorado sob uma perspectiva feminina, haja vista que são as mulheres que mais preservam o meio ambiente, ao praticar formas menos ofensivas de manipulação da terra, como a agricultura familiar, por exemplo.

15 de outubro – Dia Internacional da Trabalhadora Rural:  Não se pode perder a oportunidade de celebrar as conquistas já obtidas e nem de cobrar mais ações promotoras da igualdade de gênero no campo. Nesse dia, deve-se destacar a importância das mulheres rurais na agricultura, na segurança alimentar e no desenvolvimento da zona rural.

25 de novembro – Dia Mundial de Combate à Violência Contra a Mulher:  Em 25 de novembro de 1960, duas irmãs foram brutalmente assassinadas na República Dominicana, durante o regime do ditador Trujillo. Desde 1981, o dia é usado, em vários países, como alerta para a necessidade de combater a violência contra as mulheres. Para marcar a data, é importante promover discussões sobre o tema.

01 de dezembro – Dia Mundial de Combate à Aids: As estatísticas mostram que as mulheres são as maiores vítimas da AIDS. A cada ano, vinte mil pessoas são contaminadas no Brasil. Em 1987, a relação era de 16 homens com a doença para cada mulher. Já em 2002, a proporção é de 2 para 1. E neste contexto, a importância dada à saúde da mulher vem crescendo nos últimos anos, com o surgimento de redes governamentais e não-governamentais específicas que trabalham para melhorar a qualidade do atendimento prestado.

10 de dezembro – Declaração Universal dos Direitos Humanos: Somente a partir de 1948, os homens e as mulheres passaram a ser considerados como titulares de direitos individuais e sociais. A Declaração provocou reação imediata por parte de grupos de mulheres e uma verdadeira luta foi empreendida. As primeiras datam já no início da década de 50, mas os avanços mais significativos só viriam a partir da década de 70, com a realização dos ciclos de conferências mundiais sobre os direitos das mulheres.

A MULHER NA MODERNIDADE

Na sociedade moderna, a mulher está cada vez mais conquistando seu espaço no ambiente profissional e participando das mudanças ocorridas na contemporaneidade. Aos poucos as habilidades e características femininas começam a ser valorizadas pela sociedade, deixando a mulher, aos poucos de ser uma mera coadjuvante em determinados segmentos sociais e profissionais, possibilitando cada vez mais o seu acesso às posições estratégicas em suas profissões.

Em relação ao trabalho, tais mudanças são ainda mais visíveis. Isto porque com o processo de reestruturação produtiva e com o crescente número de mulheres no mercado de trabalho, a mão-de-obra feminina tem sido cada vez mais aceita e solicitada. Contudo, este contingente feminino ainda tem sido sujeito a algumas limitações, ou tem sofrido dificuldades quanto ao seu acesso a cargos que exigem maior qualificação ou que oferecem maiores possibilidades de ascensão na carreira, especialmente no que se refere a dinâmica de conciliação das demandas familiar e profissional.

Ao longo das últimas décadas do século XX, as conquistas sociais femininas e no mercado de trabalho foram muitas, no entanto ainda está aquém do ideal. As mulheres têm hoje maior participação, não só no mercado de trabalho, como também nas esferas política e econômica e elas já estão mais à vontade e escolhem de forma mais livre com quem e como querem estabelecer suas relações conjugais.

Na realidade, as mulheres foram da esfera doméstica à ocupação de diferentes funções na sociedade moderna, mas estas conquistas sociais têm sido alcançadas e assimiladas de forma diferente pelas mulheres. O alcance e assimilação das conquistas sociais femininas variam de acordo com a classe social, o grau de escolaridade e a possibilidade real para superar as desigualdades de oportunidades entre homens e mulheres que ainda existem e persistem na sociedade atual, tanto na família como nas mais diferentes esferas sociais.

Outro ponto importante a salientar é que as mulheres ainda ocupam menos cargos de poder e prestígio e continuam a ser vistas como as principais responsáveis pela casa e pela família.

Na sociedade atual a mulher vem aprendendo a lidar com os problemas e aos poucos vem aprendendo e sabendo discernir as dificuldades encontradas na dupla e algumas, na tripla jornada de trabalho, no lar e fora dele. As mulheres vêm ao longo dos anos participando para a construção de uma sociedade mais justa, de um mundo melhor e mais equilibrado, no qual se desenha um novo papel para a mulher moderna.

A MULHER NA AMAZÔNIA

No contexto da sociedade amazonense, mais especificamente na sociedade manauara, são escassas, para não dizer quase inexistentes, as publicações e registros históricos acerca do papel da mulher na sociedade local. No entanto, tem-se conhecimento que a mulher manauara vai ocupando cada vez mais os espaços nas fábricas do Pólo Industrial de Manaus, nas universidades, no judiciário, bem como em todos os setores da economia local, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento da sociedade manauara como um todo.

Em novembro de 1994, foi realizado o I Encontro Amazônico Sobre Mulher e Relações de Gênero, objetivando reunir pesquisadores da Região Norte (Amazonas, Pará, Maranhão, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima) e, conjuntamente, discutir os assuntos que estavam sendo estudados no meio acadêmico em torno da questão da mulher. Já em abril de 1996, ocorreu o II Encontro Amazônico sobre Mulher e Relações de Gênero, organizado mais uma vez pelo Grupo de Estudos e Pesquisas Eneida de Morais (GEPEM) e Rede Regional Norte-Nordeste de Núcleos e Pesquisas sobre Mulher e Relações de Gênero (REDOR). A proposta em discussão que tinha como título “Mulher e Modernidade na Amazônia” foi apontar os dilemas da modernidade em cujo contexto emergiram as questões da desigualdade de gênero, embutidas nas denúncias dos movimentos feministas organizados nas lutas pela conquista da cidadania da mulher.

Passando por questões que obliteravam a visibilidade do sujeito político mulher na construção da sociedade, utilizando-se das teorias explicativas das Ciências Sociais.

Por meio destas teorias, denunciou-se o processo de desigualdade e opressão que subordinava as mulheres a estereótipos desvalorizadores e de justificação das desigualdades sociais sofridas milenarmente. De um tempo de exclusão, em que as explicações sobre as diferenças de gênero para definir as hierarquias sociais e históricas determinando comportamentos e práticas sexistas, saltou-se para um tempo de denúncias a essa exclusão e à perspectiva de dar visibilidade ao sujeito, que é a mulher.

A história da mulher no contexto da modernidade na Amazônia pode ser contada de várias formas, evidenciando-se através destas, os traços de exploração, de violência e espoliação, de conquistas e de dominação sócio-político-econômico e cultural. Neste contexto, entrelaçam-se sucessos de fatos e conquistas nas linhas escritas pela historiografia regional. E neste cenário, as mulheres estão circunscritas em uma hierarquia de gênero, de classe e de etnia. Logo, faz-se necessário conhecer o “outro lado” da história oficial, que aponta para as rupturas com o essencialismo de figuras masculinas, brancas e burguesas, evidenciando-se, com isso, múltiplas dimensões da realidade amazônica, onde convivem homens e mulheres constituindo, através de suas experiências e práticas, um cotidiano rico e diferenciado, marcando, com isso, a diversidade e deixando de estimular a complementaridade.

HOMENAGEM

Drª. Maria Eunice Lopes de Lucena Bittencourt

Drª. Nelbe Ferraz de Freitas

Jornalista Tereza Teófilo

Jornalista Josely Azaro

Drª. Marlene Ramos da Silva

Escrivã Eladis Delzuita de Paula

Drª. Andreia de Souza Pinto

Drª. Ana Lúcia Beraldo Amed Silva

Drª. Vânia Maria David Barbosa

.

AGRADECIMENTOS

A DEUS

À PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO AMAZONAS

*A digníssima juíza Maria Eunice envia-nos esse belo texto. Para este bloguinho, ela é a homenageada, pela sua eticidade em preservar a justiça em Manaus. Bela Vitória!

Leia também da juíza Maria Eunice:

HISTÓRIA DO DIREITO ELEITORAL, POLÍTICA E SUA DEMOCRATIZAÇÃO

A VOZ DAS ETNIAS INDÍGENAS NO FÓRUM PAN-AMAZÔNICO

De todas as partes da América Latina, povos indígenas estão reunidos hoje, no pavilhão da UFRA, apresentando suas propostas para um mundo melhor.

A defesa da Amazônia, a crítica ao modo de produção capitalista e ao imperialismo panóptico dos estados pseudo-socialistas e liberais, o clamor por um estado democrático, são as pautas da campanha “POVOS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA – Presente e Futuro da Humanidade”.

Na democracia indígena, que toca numa zona de vizinhança a democracia grega, a liberdade, a inteligência, o diálogo e a potência-povo predominam. É esta potência como linha intensiva da virtualidade que se atualiza ora no fórum, onde todos podem dar a sua contribuição e trocar informações, idéias, afetos, canções…

Essa prática que vem ocorrendo, de reflexão para salvar a natureza. Se você observar, as florestas que estão perservadas são as terras indígenas. Mas a todo momento os governos, os brancos continuam tentando acabar com tudo, devastar e deixar todos nós na miséria” (Gideão Aradium, de Santarém).

PRÉ-FORUNS AGITAM A CIDADE DE BELÉM NESTA SEGUNDA-FEIRA

Em ritmo do carimbó de Mestre Verequete, a bela cidade de Belém amanhece em polvorosa. É o Fórum Social Mundial dando as caras, através de mais pré-foruns que iniciaram hoje:

FÓRUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO

O Fórum Mundial de Educação é um movimento planetário pela cidadania plena e pelo direito de acesso universal à educação. Nele, encontram-se propostas e ações, governamentais ou não, de enfrentamento ao processo de mercantilização do ensino e de incentivo à educação popular. Nesta edição de 2009, o fórum contou com as participações da senadora Marina Silva, do pedagogo Moacir Gadotti e da presidente da UNE, Lucia Stumpf, que discutiram o tema “Educação, Transgressão e Construção da Cidadania Planetária”. À tarde, foram discutidos os temas: Educação e Economia Solidária, Educação Cidadã e Diversidade, Educação e Direitos Humanos, Educação e Meio Ambiente, Educação Popular de Jovens e Adultos, e Educação Emancipatória.

O Fórum Mundial de Educação tem continuidade nesta terça-feira, com as presenças de Carlos Henrique Brandão, Cristina Vargas (MST), José Thadeu (Contee) e Rosani Fernandes (comunidade indígena). À tarde continuam os eixos, até às 15 horas, quando todos se dirigirão para participar da caminhada do FSM.

Para quem quiser participar, o Fórum Mundial de Educação está acontecendo no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, à Av. Dr. Freitas, S/N.

FÓRUM MUNDIAL DE MÍDIA LIVRE

Midialivristas de todo o mundo, uni-vos! No antigo NPI, atual Escola de Aplicação da UFPA, ativistas de mídias alternativas do mundo inteiro se encontram para discutir e disseminar modos alternativos de informar e de produzir informação e conhecimento. Na manhã de hoje, duas mesas temáticas trataram da situação da mídia tradicional e apresentaram os eixos que serão levantados pelos midialivristas no fórum. À tarde, uma grande roda viva onde todos puderam participar e dar a sua contribuição.

Você acompanha a cobertura do primeiro dia do FML aqui neste bloguinho, amanhã de manhã cedinho, como dizem os calorosos papa-chibés.

E quem quiser participar do segundo dia (o credenciamento é livre), deve correr, pois as deliberações do encontro serão apresentadas na manhã deste dia 27. De lá, os midialivristas marcharão para compor a marcha de abertura do FSM.

O local onde está ocorrendo o FML é o antigo NPI, atual Escola de Aplicação da UFPA, à Av. Tancredo Neves (Perimetral), 1000 – Terra Firme.

EVENTO: I SEMINÁRIO TRÁFICO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE MULHERES, CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO AMAZONAS.

FÓRUM PERMANENTE DE MULHERES DE MANAUS

CONVITE:

I SEMINÁRIO TRÁFICO E EXPLORAÇÃO SEXUAL DE MULHERES, CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO AMAZONAS.

O Fórum Permanente de Mulheres de Manaus, Convida os grupos feministas, mulheres e pessoas defensoras dos Direitos Humanos a participar do I Seminário “Tráfico e Exploração Sexual de Mulheres, Crianças e Adolescentes no Amazonas“.

Data: sexta-feira, 16 de janeiro de 2009.

Horário: 17h às 22h horas

Local: SARES, Av. Constantino Nery, 1029 – Bairro Presidente Vargas, próximo ao Olímpico Clube e em frente antigo Castelinho da Águas do Amazonas.

Objetivos:

  • Contribuir com empoderamento das lideranças dos movimentos feministas e de mulheres e de outros movimentos afins com conhecimentos aprofundados sobre o Trafico e exploração sexual de meninas e mulheres,

  • Traçar estratégias de combate ao trafico e exploração sexual de meninas e mulheres.

Público alvo: lideranças, multiplicador@s e interessad@s dos movimentos feministas e de mulheres, de promoção dos direitos de crianças e dolescentes e dos direitos humanos, conselheir@s dos conselhos de direitos a fins.

Pedimos a confirmação de sua presença.

Atenciosamente,

A Coordenação do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus

Ana Maria, Dorothea, Francy Júnior, Florismar, Marta Valéria

Contatos:

SECRETARIA OPERATIVA

AV. JOAQUIM NABUCO, 1023 – CENTRO – MANAU – AM

CEP: 69020-030 – FONE: 3212-9030

fpmdemanaus@yahoo.com.br / francy_junior@yahoo.com.br

PARADA GAY MANAUS 2008: AME, VIVA, VOTE CONSCIENTE!

Parada Gay 2008 01 por afinsophiaitin.

Clique nas fotos para ampliar.

aaaaaaaaiii, que luxo! Que coisa linda! A democracia do Arco-Íris se manifestou na Ponta Negra nesta VIII PARADA DO ORGULHO GLBTT MANAUS: AME, VIVA, VOTE CONSCIENTE. Vinham chegando as monas todas montadas, de todas as partes de Manaus e de todo o Brasil, fazendo a apresentção de seus personagens, suas vivências em engajamento homoerótico, homoafetivo no mundo. E não somente elas, mas milhares e milhares de “aliados”, todos juntos pela diminuição da homofobia, pela fissura em todas as formas de preconceito.

As loucas da AFIN estiveram presentes no evento, e além de muita festa, dança e alegria, aproveitou pra bater um papo com a moçada que compareceu à parada. Segundo estimativas da organização, mais de 300 mil gays, lésbicas, transex, travestis, bonecas, aliados, assumidos e até enrustidos descobriram a alegria de ser do mundo gay no final do arco-íris da Ponta Negra.

O que também não faltou foi candidato querendo tirar uma casquinha eleitoral, ganhando uns votos incautos por lá. Mas quê, meu amóoooorr?! A moçada estava muitíssimo bem informada, afinal, o mote da Parada era o voto consciente. Ainda mais que fora proibida antecipadamente pela justiça campanha no maior evento realizado no espaçoso Amazonas. E aproveitando o ensejo, as afinadas da coluna “O Mundo é Gay!” entrevistaram alguns paradantes, que mostraram qo quanto há de entendimento político e de eticidade ao som do TUSH-TUSH da parada gay:

Votar consciente é ser consciente, e não se vender por um rancho. Muitos políticos são despeitados com os homossexuais, mas eles vão estar todos aqui hoje, eles procuram a gente nesta hora. Agora, candidato que represente os gays, na verdade são todos, porque o mundo é colorido e o Amazonas é gay” (Marcya Gabrielly, à direita).

Votar consciente é analisar os candidatos, não sair por aí votando em qualquer um. Tem que ver a história dele, o que ele fez, o que ele faz, se as propostas dele estão de acordo com a história dele. Um vereador, por exemplo, não pode sair por aí prometendo mundos e fundos, então tem que ver as propostas, verificar se está envolvido em corrupção. Quanto a candidato gay, eu ouvi falar que teria um candidato que trabalharia só com homossexuais no seu gabinete. Tem candidato majoritário que é gay, mas lógico que não vai falar, mas deveria, porque é o maior orgulho ser gay, então ele deveria, caso eleito, assumir a luta contra o preconceito, que hoje em dia não está com nada. Ele até tem cara de gay, mas não vale a pena falar (risos)” (Pâmela e amiga).

Votar consciente é saber escolher, saber se posicionar diante do mundo, e dos candidatos que estão por aí. É ouvir as propostas e saber votar, tendo como fio condutor a questao da ética, saber quem é corrompido, quem corrompeu, e quem apresenta propostas visando o coletivo. Não o individual, mas o coletivo. Um candidato comprometido com a causa gay tem que ter em mente todo o coletivo, porque a causa gay é a mesma causa do pobre, do negro… Ele tem que ser comprometido não só com a comunidade gay, mas com a comunidade como um todo”. (Ângelo, de chapéu, e sua turma alegre).

Não podia faltar, claro, meu bem, a poderosa Bruna La Close, sempre linda e cintilante, encarnando uma Rainha das Amazonas da Parada Gay Manaus! E não faltou quem gritasse “tira, tira!”, pra ver a rainha manoniquim mais “à vontade”. Assim é matar os fãs do coração, essa colunéeeeesima não aguenta, neném! Parabéns a ela, à querida Weydman e tod@s que se empenharam – sem apadrinhamento ou comprometimento eleitoreiro – na organização desta festaça, prova de que a potência gay é movimento intensivo social, quando acredita em si mesmo e vai à luta, sem se fazer vítima ou aliado destes politiqueiros que, tal como um astro sem luz própria, se aproximam dos sóis que são os gays cidadãos desta cidade para tentar se aproveitar. Parabéns, lindas!

Eu quero dizer a todos assim, que não façam a Parada Gay como um evento festivo, mas que façam a Parada Gay tmbém com consciência. As pessoas a terem maior consciência sobre a sexualidade, sobre a consciência do cidadão sobre a homossexualidade em si. O fato é que não passa pro outro ângulo, porque a festa em si é conscientizar o pessoal que existe um ser humano e que ele tem as suas necessidades e os seus direitos”. (Heitor – Studio HD)

Tem que votar consciente porque todo mundo tem livre arbítrio. Eles sofrem muito preconceito por serem como são, então eles fazem isso que é pras pessoas ficarem conscientes e não serem tão preconceituosas como são” (Patrícia e Jéssica).

Um voto consciente é não vender seu voto e votar num candidato que vai fazer alguma coisa pelo povo todo. Eu acho que não tem nenhum candidato dos gays, e os enrustidos não têm a coragem de esclarecer a população, então eu acho que é a pior pessoa que existe porque se tu não consegue declarar o que tu é realmente é a pior pessoa que tem” (as gatas siamesas, Heloísa e Natália).

O que eu entendo de voto consciente: o voto consciente não é aquele que você vota assim e o deputado, aquele que tá se candidatando, vem subornar você pra conseguir o voto que ele precisa; e sim é aquele que a gente vê em meios, de canais de televisão, o projeto dele, e aí sim ver realmente trabalho passado, ver o que ele pode fazer no governo atual, na prefeitura atual a mesma coisa, ou se ele tiver falhado não dar uma nova oportunidade pra ele, e sim dar oportunidade pra aqueles que a gente acha que merecem. É muito relativo, até mesmo porque tem muitas panelinhas. Numa eleição tá um com o outro e depois já se separam. A gente vai ter que ir na sorte porque eu acho que não tem mesmo não, mas a gente vai ter que escolher um” (Tayla Stephanie).

E o embalo continuou, até o sol raiar, com muita luz, alegria, dança, beijação, amores, risos, música e conscientização, TUSH tush TUSH tush TUSH tush…

A LEI MARIA DA PENHA E A FRAGMENTAÇÃO DO ETERNO FEMININO

“E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a dor da tua conceição; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.”

Estudando Pagode por você.

Imagem da capa do CD Estudando o Pagode, de Tom Zé.

A História é formação molar produzida pela maioria sempre numa tentativa de perpetuação da linha dura macho-branco-heterossexual-adulto. Dos santos nos livros sagrados, passando por eminentes “filósofos”, chegando a Freud, o Pai da Psicanálise, e continuando nos microfascismos cotidianos segredados, mas visíveis na pele, nos olhos, na psiqué, a mulher é segregada como apêndice e anátema do masculino. É toda a carga discursiva da palavra de ordem histórica milenar firmada na redundância do signo significante que garante a força do caprichoso enunciado de violência em subjugar, submeter, eliminar o sexo-cosmos, o trabalho-criação, o afecto, a micropolítica que a mulher pode produzir quando livre em seu desejo, em sua ação. Mulher-Minoria.

NÚMEROS E NUMERANTES DA LEI MARIA DA PENHA

Dois anos após ser sancionada a Lei Maria da Penha, “a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – registrou aumento de 107,9% no número de ligações em relação ao mesmo período do ano passado” (da Agência Brasil). Fossem apenas números, quantitatividade ôntica, não haveria modificação no estado de coisas constituído, e o mito do “eterno feminino” (Simone de Beauvoir) iria prosseguir com/sem disfarces, sempre na simbiose opressor/oprimido, como dizia o educador Paulo Freire. Mas, apesar das estratégias de poder estarem sempre preparando suas armadilhas de devir (Deleuze/Guattari) em forma de preconceitos, controles, cada caso de agressão física e emocional carrega um numerante, enquanto alteração ontológica, capaz de fazer esse número diminuir-se não apenas depois que os segredos de alcova deixaram de ser aceitáveis por temor dos homens maus aos rigores da lei, mas por modificação política e social na totalidade da existência das pessoas para além de classificações biológicas tradicionais hierarquizantes. Liberação da linha de fuga Devir-Mulher.

NA OPERETA SEGREGA MULHER E AMOR”

O desmusicado Tom Zé que agora compartilha site e blog tem um trabalho chamado Estudando o Pagode na Opereta Segrega Mulher e Amor (de onde tiramos a imagem que inicia esse texto), no qual contribuiu, a partir de cortes musicais desterritorializantes, para mostrar o ridículo moral da violência contra o feminino-devir, fundado nas segmentações territoriais de espaços sitiados, gestos bruscos, gritos possessivos, subjetividades castradoras…

Para quem quiser baixar o CD, clique aqui. Deixamos abaixo uma das desconstruções poietizantes do Zénial, como diriam os franceses.

Mulher Navio Negreiro

Tom Zé

Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro

…………………………………………

O macho pela vida
Se valida
A molestar a mulher
Se diverte.

Apavorada,
Ela, que se péla,
Pouco pára de pé,
E padece.

Quando ele pia, pia, pia,
Pra inibir na mulher o animal,
Talvez eu ria, ria, ria,
Vendo ele transar uma boneca de pau,
Com seu incubado,
Calado, colado, pirado pavor
Do segredo sagrado.

Por isto existe no mundo
Um escravo chamado

Mulher – Divino Luxo – Navio Negreiro
Graal – Puro Cristal – Desespero
Rosa-robô – Cachorrinho – Tesouro,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.

Eucaristia – Ascensão – Desgraça,
Filé-mignon – Púbis, Traseiro – Alcatra,
Banca de Revista – Açougue Informal – Plena Praça,
Ninguém suspeita dor neste ideal,
A dor ninguém suspeita imperial.

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Quer linha de corte? Este é esquizo. Acesse:

CAMPANHA AFINADA CONTRA O

VIRTUALIZAÇÕES DESEJANTES DA AFIN

Este é um espaço virtual (virtus=potência) criado pela Associação Filosofia Itinerante, que atua desde 2001 na cidade de Manaus-Am, e, a partir da Inteligência Coletiva das pessoas e dos dizeres de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Marx, Nietzsche, Bergson, Félix Guattari, Gilles Deleuze, Clément Rosset, Michael Hardt, Antônio Negri..., agencia trabalhos filosóficos-políticos- estéticos na tentativa de uma construção prática de cidadania e da realização da potência ativa dos corpos no mundo. Agora, com este blog, lança uma alternativa de encontro para discussões sociais, éticas, educacionais e outros temas que dizem respeito à comunidade de Manaus e outros espaços por onde passa em movimento intensivo o cometa errante da AFIN.

"Um filósofo: é um homem que experimenta, vê, ouve, suspeita, espera e sonha constantemente coisas extraordinárias; que é atingido pelos próprios pensamentos como se eles viessem de fora, de cima e de baixo, como por uma espécie de acontecimentos e de faíscas de que só ele pode ser alvo; que é talvez, ele próprio, uma trovoada prenhe de relâmpagos novos; um homem fatal, em torno do qual sempre ribomba e rola e rebenta e se passam coisas inquietantes” (Friedrich Nietzsche).

Daí que um filósofo não é necessariamente alguém que cursou uma faculdade de filosofia. Pode até ser. Mas um filósofo é alguém que em seus percursos carrega devires alegres que aumentam a potência democrática de agir.

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